Issuu on Google+

CONTATO: PENABUNDA@IG.COM.BR

PARA LER NA PONTA DO BALCÃO

PE NA BUNDA

NÚMERO 13

ANO II

Millôr Fernandes

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Dois dedos de prosa Aqueles que acompanham

“O bêbado é o subconsciente do abstêmio.”

JANEIRO 2013

o Pé na Bunda devem ter percebido que o jornal se pauta pelos assuntos etílicos e prostibulares. Falamos sobre cachaça, cerveja, peito, bunda e porções de calabresa com a mesma desenvoltura e conhecimento de causa que o Valor Econômico fala sobre Economia, a Caras sobre celebridades e o Diário Gaúcho sobre crimes em Alvorada. Somos transparentes quanto a nossa linha editorial. Claro que apresentamos tudo isso com um olhar cultural (os 50 botecos para conhecer antes de morrer), social (o baixo meretrício como agregador de tipos) e intelectual (o valor simbólico e calórico do torresmo enquanto signo focaultiano). Ou vocês acham que somos apenas superficiais e vazios? Não é fácil fazer da futilidade uma arte. Existe a dedicação e o preparo de uma equipe de colaboradores

que procura, a cada mês, superar os textos e matérias da edição anterior. Com o objetivo de levar o que existe de melhor nos bares da cidade percorremos uma via crucis etílica que começa às cinco da tarde e não tem hora para acabar. Quando o Rufião faz uma reportagem investigativa sobre as casas de madames, faz isso pela busca incessante da verdade e para poder levar informação privilegiada aos nossos 300 leitores. Nestes casos, nos orgulhamos de fazer um jornalismo, literalmente, nas coxas. Da mesma forma, quando Dunbar recebe a incumbência de provar e avaliar os sortidos petiscos servidos nos botecos e volta para a redação com a satisfação do dever cumprido, sentimos orgulho de termos em nosso quadro de colaboradores um profissional que não faz cara feia quando precisa realizar essa tarefa em um sábado à

noite. Para ele e para nós, pautas como essa, “empurradas goela abaixo”, são as melhores. Pois entre acertos e deslizes o Pé na Bunda começa a se consolidar como um veículo que abre discussões, produz debates e gera comentários. Os que aprovam, chamam os textos de libertários. Os que con den am, dizem que fazemos apologia ao álcool. Sinceramente, nós ainda não temos um nome adequado para o que fazemos. Imprensa engordurada? Jornalismo de colarinho de chope? Periodismo de balcão? O fato é que estamos conseguindo cumprir a nossa missão de servir a um público que aprecia uma cerveja bem gelada, um quitute de bar e, acima de tudo, uma boa conversa. Os Editores

Aperitivo (as micro-crônicas da vida urbana)

NESTA EDIÇÃO: Ensinamos como retificar um motor 4 tempos carburado usando uma colher de sopa e um sacarolhas.

G.L.P., 38 anos, católica recatada, ocupava o seu tempo cuidando da casa e indo na missa das seis horas. Diariamente tirava o pó, passava um pano no chão e varria o quintal. Tudo com muito afinco e zelo. Três vezes por semana limpava o banheiro e lavava os vidros. Tudo ficava um brinco, lustroso e reluzente como uma catedral russa. “Tanto o nosso corpo quanto a nossa casa devem estar prontas para receber o Senhor”, costumava dizer. Por isso se confessava todo o santo dia. O que G.L.P. não sabia é que existe tarado pra tudo e fotos suas varrendo o quintal e passando o aspirador, correm o mundo, fazendo a alegria de muito internauta onanista. O maior orgulho de P.L., 42 anos, professora, era a roupa de cama que ganhou de presente no enxoval de casamento. Colchas rendadas e lençóis de algodão que nos seus 12 anos de casada nunca chegou a usar. Com o passar dos anos, as obrigações do lar se tornaram prioridade e as questões matrimoniais do leito foram um pouco esquecidas. Para recuperar os bons momentos, P.L. resolveu fazer uma surpresa e arrumou sobre a cama a colcha imaculada, esperando ansiosa por uma noite de alcova. Logo mais à noite, enquanto praticava sexo oral no marido, percebeu que ele ia gozar e não teve dúvida. Para salvar o enxoval, engoliu tudo. Augusto Dunbar, não esqueça a minha Caloi.

PÉ NA BUNDA: a gente vai na frente para você pedir a saideira!


TIRAGEM: 600 3/4 E MEIO

EXPEDIENTE: DIAGRAMAÇÃO: TOM ARTE: JERRY

Curiosidades prostibulárias

“Passou uma horizontal, oxigenada e ágil, que trocou um sinal com os dois.”

-

E

spaguete alla puttanesca:

para preparar o molho, basta misturar azeite, tomate, alcaparras, anchova, azeitona, orégano, salsa e pimenta. A receita tradicional do espaguete “alla puttanesca” surgiu em Nápoles, na Itália. Há duas versões para a origem do nome do prato (“espaguete à moda das prostitutas”, em italiano). Uma delas conta que as prostitutas adotaram a receita por sua praticidade e rapidez, que permitia o preparo da refeição nos intervalos entre um cliente e outro. A outra versão diz que o prato servia para atrair clientes em potencial, uma vez que o espaguete “alla puttanesca” é bastante aromático.

(Urbano Tavares Rodrigues, Vida Perigosa, p. 137)

- O samba Vingança, um dos maiores sucessos de Lupicínio Rodrigues, tem uma história engraçada. Lupicínio se apaixonou por uma prostituta carioca e a levou para morar em seu sítio. Viajou e, ao voltar, descobriu que ela havia seduzido o caseiro.

- Entre os séculos XV e XVIII as prostitutas da Inglaterra usavam perucas púbicas coloridas, chamadas de merkins para excitar seus clientes.

Cabaré Mineiro AMENDOIM - 1% POLENTA FRITA R$ 15,00 TULIPA - 6% SUÍTE - R$ 80,00 QUARTO - R$ 40,00 GEL LÍQUIDO R$ 18,00

- Em 1490, as prostitutas andavam pelas ruas de Roma, na Itália, em companhia de sacerdotes. A explicação é simples. A cidade, que era habitada essencialmente por homens, tinha cerca de sete mil “mulheres públicas”. Elas se alojavam em casas pertencentes a mosteiros e igrejas, por isso ficavam amigas dos padres da “cidade eterna”.

HORIZONTAL: [De horizonte + -al]. Substantivo feminino. Meretriz.

Bonita camisa, Celestino Rufião.

INDICADORES:

- Na Roma Antiga, um homem casado podia ter relações sex u ais com escravas, prostitutas, divorciadas e viúvas. Mas nunca com virgens e casadas. Algumas mulheres casadas se registravam como prostitutas para escapar da proibição. Mesmo se fossem descobertas, não eram punidas.

A

dançarina espanhola de Montes Claros

dança e redança na sala mestiça Cem olhos morenos estão despindo seu corpo gordo picado de mosquito. Tem um sinal de bala na coxa direita, o riso postiço de um dente de ouro, mas é linda, linda gorda e satisfeita. Como rebola as nádegas amarelas! Cem olhos brasileiros estão seguindo o balanço doce e mole de suas tetas... (DRUMMOND, Carlos. Alguma Poesia.)

MANTENHA O BOTECO LIMPO

PÉ NA BUNDA: há um ano criando calo em balcão de boteco!


Pé na Bunda nº 13 - JAN 2013