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CONTATO: PENABUNDA@IG.COM.BR

PARA LER COMENDO PANETONE

PE NA BUNDA NÚMERO 12

ANO I

Augusto Dunbar

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Martelinhos A

“O boteco é o templo onde se reúnem aqueles que querem esquecer os seus pecados. O problema é que depois da terceira dose eles acabam soltando os seus demônios”.

DEZEMBRO 2012

+ migo dono de bar, algumas regras de ouro para cativar uma clientela fiel: abra a garrafa de cerveja na mesa do cliente e só troque os copos com o seu consentimento, não esvazie a garrafa de cerveja nos copos só para trazer outra logo em seguida, capriche nas porções e não regule o choro. + Recebi do meu querido companheiro de copo Beirinha, que está tirando um período sabático em Goiânia/GO, a informação de que a cerveja Imperial é a preferida por aqueles lados. Fui pesquisar e descobri que a cervejaria responsável pela marca existe desde 1962 e fica em Trindade, a 15 km da capital. A Cervejaria Imperial, além de distribuir a Velho Barreiro em todo o Centro-Oeste do Brasil e de ser uma franqueada da cerveja

Colônia, produz a Imperial Beer, feita de maneira tradicional, e a Imperial Ouro, que recebe o dobro de maturação e segue a lei de pureza alemã. Na pressa de economizar no DDD, acabei não encomendando a minha.

chocolate do copo é feito para derreter na boca e não na sua mão. Se você domina o idioma nipônico como eu, dê uma passada no site www.sanktgallenbrewery.com e confira também as cervejas de laranja e abacaxi.

+ De caju em caju, aqui e ali, uma vez e outra, costumo sentar em frente ao computador para saber das novidades. Pois fiquei sabendo que a cervejaria japonesa Sankt Gallen Brewery lançou a Imperial Chocolat Stout. Até aí nada demais porque as cervejas saborizadas com chocolate não são novidades. O diferencial, neste caso, fica por conta do copo comestível feito totalmente de chocolate que acompanha a garrafa. A empresa garante que o

+ Meu avô, homem simples e dono de uma sabedoria própria, era quem dizia: quem come prego, sabe o cú que tem.

Augusto ‘Nahim’ Dunbar.

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Dois dedos de prosa Caso o leitor não saiba, há NESTA EDIÇÃO: Vladivostok ataca Alaska com dois aviões e uma troca de 24 exércitos. Três dados contra um.

muito tempo que frequentamos os bares da cidade sempre com o objetivo de passar horas agradáveis e esquecer um pouco as agruras da vida. Não que não tenhamos bebericado um pouco de amargura em cada copo que emborcamos neste mundo a fora. Houve ocasiões, por exemplo, em que a miséria foi nossa companheira de mesa e a desgraça dividiu uma cerveja conosco. Mas daria para contar nos dedos os momentos em que a bebida serviu de consolo ao invés de motivo para brindes.

PÉ NA BUNDA: o jornal preferido do ébrio gaúcho!

Nestes mais de 35 anos entre mesas e balcões de bar encontramos amigos, jogamos conversa fora, aprendemos muito, presenciamos despedidas e reencontros e participamos das mais diversas comemorações. Servimos de ombro amigo, emprestamos algum, oferecemos conselhos de alguma serventia e levamos muitos boêmios cambaleantes para casa. Mas também fomos abençoados por receber tudo isso de volta, em dose dupla. Por hora, o que queremos agora é paz e sossego! Como cantava Tim Maia: “eu não

quero dinheiro, quero amor sincero”. Continuamos fregueses assíduos de um ou outro bar, mas procuramos manter uma distância prudente daqueles locais que acabam se tornando o “ponto do momento”. Andamos em uma fase introspectiva. Queremos rever a patota, trovar fiado e brindar às pequenas alegrias do cotidiano sem que ninguém precise pagar mais por isso. Não queremos fiado, só queremos que o pendura fique para o mês seguinte. Os Editores


TIRAGEM: 600 CIDRAS DE MAÇÃ

EXPEDIENTE: DIAGRAMAÇÃO: RODOLFO ARTE: DANÇARINA

“Era o único bar que nunca fechava e tinha ovos cozidos atômicos que formavam um cogumelo verde e fedorento quando a tampa do vidro era retirado pelo zumbi que atendia dia e noite.”

Saudade é coisa de velho MAS E DAÍ! ALÉM DE GURI EU SOU VELHO

Lembro

que quando comecei a sair para as noitadas em Gravataí, só havia uma opção de bar no centro da cidade. Era o Restaurante Vila Velha, onde a gurizada, e outros nem tanto, ficavam em um estacionamento em frente o Vila para beber, namorar, ouvir música e outras cositas mais. Já na Segunda feira era show, o Vila abria o microfone para quem tivesse a coragem de tocar e cantar, ou tentar pelo menos. Por lá passaram o Franck, o Carneiro, o Geraldo, a Mara, o Piáco e tantos outros, inclusive o Sinfra. Eram amadores, alguns nem tanto, mas era ótimo ter algo divertido varando a madrugada que não fosse comprar um Velho Barreiro no antigo Bar Azul - que ficava onde hoje é a Massaroca e era o único bar que nunca fechava e tinha “ovos cozidos atômicos” que formavam um cogumelo verde e fedorento quando a

tampa do vidro era retirado pelo zumbi que atendia dia e noite - e encher a cara num banco da praça com o Goda, o Chimango, o Inhambi, o Toco, o Tita e outros tantos para depois ser abordado pela Brigada porque o violão tinha “um som sonoro” conforme nos foi revelado pelo zeloso policial.

Depois veio o Tertúlia que antes era o Espetinho – com a música nativista, mas nativismo de verdade e não os rebola tchês de hoje. Por incrível que pareça um dia ser nativista era fashion. Todo mundo usava bombacha, ia aos CTG”s e nos rodeios e ouvia milonga e tudo. O Tertúlia bombava, tinha dias que o pessoal ficava na espera por uma mesa para ouvir “Os esquiladores”.

Finalmente surge o Pandollo, que já era rabugento desde a inauguração. Música ao vivo lá só o hino do Grêmio, mas enquanto não chegava “a saída” do Dom Feliciano e do Josefina era lá mesmo o "point". E vá caipira no Pandollo e Canelinha no Fica Frio, que ficava ao lado. O bar que tinha "báúrú" com 3 acentos e o anúncio na parede da frente oferecendo “torrada american” e na parede do lado o “a” que não coube na fachada. Vale lembrar que o Fica Frio também foi o Sócio, o Crente, o Seu Almiro e um dia “Bar Sobaca” que a gente não sabia o que queria dizer. Mas como eu não tinha muito que fazer a não ser fazer nada, tive tempo para filosofar e acabei chegando a uma hipótese: se Sobaca começa-se com “ç” e invertendo-se as sílabas chegaríamos a “cabaço”. Como o dono tinha umas filhas muito das gos........ Não! Não devia ser isso! Bom e depois? Depois casei.

Stanis ‘Gilliard’ Fialho.

5 BORDÉIS FAMOSOS NO CINEMA: 1. Porky´s - Porky´s (1982) 2. Titty Twister - Um Drink no Inferno (1996) 3. Kit Kat Club - Cabaret (1972) 4. Chicken Farm - A Melhor Casa Suspeita do Texas (1982) 5. Bataclan - Gabriela, Cravo e Canela (1983)

MANTENHA O BOTECO LIMPO

5 coisas que não veremos no mundo da música A

1. cústico do Kraftwerk algo tão improvável quanto um CD Olodum Eletrônico. 2. Caetano Veloso Lounge Music – um CD em que Caê não nos brinda com versos lindos de uma singularidade baiana que foge do conceito emepebístico voz e violão. 3. Latino canta as mulheres de Tom Jobim – o encontro definitivo do autor de Renata

PÉ NA BUNDA: retórica, mesa de bar e duas pedrinhas de gelo!

e Cátia Catchaça com o compositor de Angela e Lígia. 4. Titãs em sua formação original – se com cinco integrantes eles continuam fazendo o mesmo som de sempre, que diabos faziam os outros integrantes da banda? 5. Compadre Washington Solo – Alexandre Pires e Netinho até conseguiram deslanchar em suas carreiras

solo, mas o que seria do Compadre sem a Loira e a Morena do Tchan?


Pé na Bunda nº 12 - DEZ 2012  
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