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CONTATO: PENABUNDA@IG.COM.BR

PARA LER NA PORTA DO BOLICHO

PE NA BUNDA

NÚMERO 09

ANO I

SETEMBRO 2012

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Poema Modernista Gaudério

P

ois punge o poente

e Pagú paga a pinga, pega o pingo e poga o pago.

Saideira “Quem conhece o valor de um verdadeiro amigo encontra no garçom a sua tradução perfeita.” Augusto Dunbar

U

m bom livro para levar para o boteco é MEU LAR É O BOTEQUIM

(Editora Casa Jorge), de Eduardo Goldenberg. Estou na 51 (a página, não a cachaça) e já me peguei rindo com as histórias do bar Xodó. Somente quem passou várias noites com a barriga encostada no balcão pode encontrar personagens como os que estão no livro ou ter inspiração para inventar esses tipos. E isso o autor tem de sobra. Goldenberg publica um blog, conhece os botecos da Tijuca e de Vila Isabel, cenário do livro, e costumava dividir a conta com pesos pesados como Aldir Blanc e Fausto Wolff. É dele a famosa Oração do Pau d´Água que muito circulou pelas webs da vida e que publicaremos em breve.

Augusto Dunbar encilha cavalo xucro e troca as ferraduras.

Dois dedos de prosa

S NA PRÓXIMA EDIÇÃO: Um kit completo para chimarrão com erva moída grossa, bomba de inox e um cuião de porongo.

etembro.

Mês

de

orgulho para nós, gaúchos. Uma semana inteira de bailes, desfiles, carreteadas, churrascos e carreteiros em comemoração à Revolução Farroupilha. Mas, para além das sangrentas batalhas travadas nos descampados rincões, das conspirações planejadas nas salas das estâncias e dos discursos inflamados na porta dos galpões, o levante maragato deve muito às pequenas casas de comércio que ficavam à beira da estrada: os bolichos. Era ali, na vastidão da campanha, onde o índio

PÉ NA BUNDA: do bar da moda ao fundo do poço!

solitário afogava as mágoas na canha, que os viajantes chegavam para saber as novidades depois de passar semanas viajando em cima de uma carroça ou de um cavalo, sem contato com outras pessoas. Mais do que os feitos históricos, vale lembrar a importância desses locais de passagem na formação do levante dos lenços vermelhos e na disseminação das notícias sobre a guerra. Muito mais do que um armazém de secos e molhados, um bolicho é a verdadeira essência do tradicionalismo, é

preservação dos costumes de um povo, o resgate histórico de um modo de vida autêntico. Entre latas de banha de porco, pedaços de charque, rolos de fumo e tijolos de rapadura, existe uma herança cultural gaúcha que merece um sério trabalho de pesquisa. É por isso que nos valemos do cancioneiro nativista para cantar em uma só voz: “Bolicho em beira de estrada/ Sempre tem um índio vago/ Cachaça pra tomar um trago/ Carpeta pra uma carteada”. Os Editores


TIRAGEM: 500 TIROS DE LAÇO

EXPEDIENTE: DIAGRAMAÇÃO: TEIXEIRINHA ARTE: GILDO DE FREITAS

Prostituição - Parte I

“Lavrava por toda a parte a barregania; e bagaxas houve, tão ufanas das graças do seu corpo belo e do valor das suas manhas, que mandaram abrir, na própria campa, epitáfios proclamando as loucuras de amor que os reis fizeram por elas.” (Antero de Figueiredo, Leonor Teles, p. 26)

INDICADORES: PELEGO - R$ 45,00/m² RAPADURA - R$ 8,00 CHINA NOVA - R$ 20,00 CHINA VELHA - R$ 15,00 CHINA VELHA SEM DENTADURA - R$ 40,00

A

prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afetivos ou prazer. Apesar de comumente consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra. Pode -se trocar relações sexuais por favorecimento profissional, por bens materiais, por informação, etc. E, embora seja praticada mais comumente por mulheres, há um grande número de homens que têm este trabalho cotidiano. A sensibilidade sobre o que se considera prostituição pode variar dependendo da sociedade, das circunstâncias onde se dá e dos bons costumes aplicáveis no meio em questão. De tal maneira, ela é reprovada em diversas sociedades, devido a ser contra a moral dominante, à possível disseminação de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e pelo impacto negativo que poderá ter nas estruturas familiares (embora os clientes possam ser ou não casados). Na cultura silvícola de algumas regiões, inclusive no interior da Amazônia, e em algumas comunidades isoladas, onde não há a família monogâmica, não existe propriedade privada e, por conseguinte não existe a prostituição: o sexo é encarado de forma natural e como uma brincadeira entre os participantes. Já onde

houve a entrada da civilização ocidental o fenômeno da prostituição passa a ser observado com a troca de objetos entre brancos e índias em troca de favores sexuais.

Na antiguidade, em muitas civilizações, a prostituição era praticada por meninas como uma espécie de ritual de iniciação quando atingiam a puberdade. No Egito antigo, na região da Mesopotâmia e na Grécia, via-se que a prática tinha uma ritualização. As prostitutas, consideradas grandes sacerdotisas (portanto sagradas), recebiam honras de verdadeiras divindades e presentes em troca de favores sexuais. Mais adiante, na época em que a Grécia e Roma polarizaram o domínio cultural, as prostitutas eram admiradas, porém tinham que pagar pesados impostos ao Estado para praticarem sua profissão; deveriam também utilizar vestimentas que as identificassem, pois caso

contrário eram severamente punidas. Na Grécia, existia um grupo de cortesãs, chamadas de hetairas, ou heteras, que frequentavam as reuniões dos grandes intelectuais da época. Eram muito ricas, belas, cultas e consideradas de extrema refinação; exerciam grande poder político e eram extremamente respeitadas. A p rostitu ição era severa men te rep rimi da dentro da cultura judaica. Segundo a lei mosaica, as prostitutas poderiam ser sujeitas a penas severas até com a morte. No entanto, verifica-se que na prática houve situações de tolerância, como se vê na história de Raabe contada no livro de Josué durante a conquista de Jericó. Durante a Idade Média houve a tentativa massiva de eliminar a prostituição, impulsionada pela em parte pela moral cristã, mas também no grande surto de doenças sexualmente transmissíveis (principalmente sífilis). Em contrapartida, havia o culto ao casamento cortês, onde a política e a economia sobrepujavam aos sentimentos, e as uniões eram arranjadas somente por interesse, que por si só já poderiam ser consideradas como prostituição. Em muitas cortes, o poder das prostitutas era muito grande: muitas tinham conhecimento de questões do Estado, tanto que a prostituição passou a ser regulamentada.

BAGAXA: Substantivo feminino. Mulher que se prostitui. Meretriz.

Celestino Rufião gosta de Fandango e rodopia bonito no salão.

MANTENHA O BOTECO LIMPO

PÉ NA BUNDA: a boemia é o nosso estilo de vida, o boteco é o nosso lar!


Pé na Bunda nº 09 - SET/2013