Issuu on Google+


Editorial Intervenção Urbana é o termo utilizado para designar os movimentos artísticos relacionados às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. No início, um movimento under-ground, que foi ganhando forma com o decorrer dos tempos e se estruturando. Mais do que marcos espaciais, a intervenção urbana estabelece marcas de corte. Particulariza lugares e recria paisagens. Existem intervenções urbanas de vários portes, indo desde pequenas inserções através de adesivos (stickers) até grandes instalações artísticas.


Estilos de Graffiti

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o graffiti é composto por vários estilos e formas. Atualmente os estilos mais conhecidos e consequentemente mais utilizados são os seguintes:

Hall of fame 2 Graffiti,na maior parte dos casos em paredes legais ou paredes pouco expostas, sem grandes riscos de problemas com as autoridades. Hall-of-fame é um graffiti mais pensado e mais trabalhado, dando importância não só a escrita , mas também aos fundos e eventuais personagens. Quando o hall-of-fame atinge uma proporção considerável, é muitas vezes também chamado de produção.

Bombing Bombing poderá ser considerado qualquer tipo de graffiti ilegal. No entanto, quando se fala de um bombing ou bomb, fala-se de um graffiti proibido, ou seja,graffiti em qualquer lugar na rua sem a autorização do proprietário local.


Stencil

Wild Style

Molde recortado em cartolina, radiografias, ou outros materiais de maneira a criar formas pré-definidas, encostando esse molde a uma superfície,e passando spray por cima, ficando com as formas subtraídas à cartolina, pintadas na parede. Ideal para fazer em superfícies pequenas, é rápido de executar, e permite também reproduzir o mesmo desenho em vários sítios.

Estilo de graffiti nascido em Nova Iorque nos anos 70. É um estilo bastante complexo, que vive muito da intersecção de formas e que normalmente tem um elemento característico que são as setas. O resultado final tornase algo altamente indecifrável para quem esteja fora do graffiti e, por vezes, até para quem está por dentro.

É provavelmente o tipo de graffiti mais dificil de definir juntamente com o wild stile, como a própria tradução diz, throw-up significa “vomitar” trata-se de graffiti’s que viva só dos contornos e de forma arredondada (na maioria das vezes). quando este se limita a Mais concretamente é a tagar (assinar) seu nome atividade do grafiteiro ou o nome de suas crews.

Throw-up

3


Um grupo de grafiteiros, que se une por um objetivo e forma o seu ‘’coletivo’’. As crews costumam ter nomes extensos, que são abreviados através de siglas, normalmente entre 2 a 4 letras.Através dessas siglas,algumas vezes são criadas novas definições para o nome de crew. Um grafiteiro pode pertencer a várias

Crew 4

crews. Muitas vezes os próprios optam por pintar o nome das suas crews, seja abreviado ou por extenso, em detrimento do seu próprio tag (assinatura). Se os grafiteiros dão reputação às suas crews, o contrário também acontece. Ou seja, assim como um grafiteiro pode deixar sua crew mais famosa a própria crew pode fazer o mesmo com outros grafiteiros da mesma família.

Trash-train Normalmente quando os grafiteiros se referem a comboios, utilizam a palavra inglesa train,existe então o conceito de trash-train ,que se utiliza para comboios fora de circulação, que se destinam a abate ou requalificação. Geralmente estes vagões são bastante fáceis de pintar,ideal para obter bons resultados em graffiti, uma vez que o próprio grafiteiro tem mais tempo para elaborar a sua arte.


STREET TATTOO

N.U.C. a abreviação do Primeiro Coletivo de Graffiti/Tattoo do Brasil, uma junção de idéias mais conhecida como Neurose Urbana Crew. Formada por Markone, Chivitz e Marone em 1999 com a intenção de criar arte a todo o momento, incentivando e interagindo com o público do VEJO QUE MUITOS TATUADORES GRAFITAM E MUITOS graffiti, fidelizando assim ainda QUE GRAFITAM ACABAM TATUAM, POIS BEM, ESTOU mais a arte em suas peles. A PESQUISANDO A RELAÇÃO QUE EXISTE ENTRE OS tatuagem surgiu na vida de TATUADORES QUE GRAFITAM E GRAFITEIROS QUE Markone em 2001, em meio a um VIRAM TATUADORES... COMO VOCÊ ACHA QUE ISSO turbilhão de trabalhos artísticos, INFLUENCIA UM NO TRABALHO DO OUTRO? e veio para ficar. Com seu estilo característico, e sua inspiração vinda das ruas, já participou de CHIVITZ – diz que MARKONE - Depois várias convenções e tatuou em o grafitti é uma de tudo que passei, diversos lugares do mundo. Passou uma temporada na pele maior e mais notei que não Europa, onde aperfeiçoou perigosa de se importa se é um sua arte com Alfredo pintar, serve para tatuador que faz Genovese. O estilo livre muitos como uma grafite ou grafiteiro adquirido em sua formação área de escape da que faz tatuagem. do Grafitti foi fundamental no sociedade para um O que move ambos desenvolvimento do processo mundo particular é a vontade de de tatuar, adaptando o traço e a tatuagem para imortalizar e firmar dos muros para as peles. De apreciar a arte que sua opinião seja acordo com o tatuador Chivitz tenha haver com ela na pele de que já esta nesse caminho o meio em que a alguém ou em uma desde 1996, o grafitti, assim pessoa vive. construção. como a tatuagem mostrase como intervenções na sociedade por chocar a o meio em que são inseridos. A tatuagem levou Chivitz ao grafitti pela vontade de aumentar sua visibilidade no meio das artes urbanas, sempre se interessou por arte e enquanto só era tatuador ficava restrito ao que as pessoas pediam a ele, a partir do momento que conheço Markone conseguiu a ampliar seus horizontes e firmar suas artes em escalas maiores. Assim que começou com o grafite descobriu o quão difícil seria esse caminho, por ser considerada uma arte marginalizada e esta no mesmo código penal da pichação.

5

De grafiteiro para tatuador, Markone começou na arte do graffiti em 1995 com um traço próprio em suas pinturas, adaptando sempre a imagem criada ao espaço disponível no momento. Recentemente participou do maior projeto de Graffiti nacional, o primeiro Museu Aberto de Arte Urbana do mundo. Com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, o MAAU é um projeto de humanização artística que visa trocar a cinza característica das grandes metrópoles pelas cores e a alegria do Graffiti.


6


Rock do Zé Toré Evento de música promovido por moradores de diversas comunidades pertencentes ao conjunto de favelas da Maré, que reúne diversas bandas locais e, muitas vezes, convidados de outros locais de todo o Grande Rio.O encontro acontece sempre no Largo do Quarto Centenário, localizado no Morro do Timbau, única zona de montanha de todo o Complexo da Maré, e ficou conhecido como “Rock do Zé Toré”, pois neste largo funciona um bar cujo proprietário (o tal do Zé Toré) era quem vendia as bebidas e acabava curtindo o show com o público.Sempre regado a muita bebida, em geral da pior qualidade possível, o público se reúne em volta dos músicos, que tocam no mesmo nível dos espectadores, o que sempre ajuda na interação com a banda. A banda “Carburador”, que já foi composta por inúmeros integrantes, começou com uma JAM improvisada por alguns dos convidados para tocar em um dos festivais. Contudo, nas edições seguintes, como sempre faltava um ou outro integrante, novos músicos eram convidados para substituir os ausentes.Isso se tornou tão frequente que passou a ser uma espécie de atração a mais no encontro, onde por vezes, até quem está na plateia acaba participando. Antigamente, a única intensão era fomentar o entretenimento de seu público cativo, apresentando bandas de rock. Porém ultimamente o evento tem vindo com pretensões maiores, visando abrir espaço para bandas não só do gênero rock, mas também de variantes pertinentes ao estilo e ao contexto relacionado ao movimento.Diversas bandas oriundas do Complexo da Maré se apresentam no evento, dentre elas Algoz, Café Frio e D’Loks destacamse pelo estilo próprio e seus trabalhos autorais. Não se tem um controle exato de quantas edições aconteceram nem da regularidade de sua frequência, porém é certo o sucesso do evento, uma vez que já é um tradicional encontro de rockeiros (ou não).Por acontecer ao ar llivre, acaba por atrair a atenção dos transeuntes e moradores dos arredores.Por mais que seja um evento sem fins lucrativos, subsidiado pelos próprios participantes e realizado pela simples vontade de partilhar música e entretenimento, o “Rock no Zé”, que também já foi chamado de vários outros nomes, persiste e move dezenas de pessoas a contemplar amigos, conhecidos e desconhecidos também.

7


GRAFFITI’S GriLs

LUGAR DE MULHER É NA RUA...FAZENDO ARTE.

Apesar de não ser machista, a arte urbana é ainda dominada pelo sexo masculino. Não é uma grande surpresa se pensarmos que o trabalho pode envolver escaladas, eventuais corridas da polícia e um expediente noturno, por vezes solitário. Mas não é isto que pode parar a criatividade de uma mulher. Não é militância feminista, é um aviso: elas estão invadindo a sua rua.

8

TATI SUAREZ é uma

artista americana de 28 anos, especialista em pintura a óleo em tela ou madeira. O seu estilo é charmoso e distintivo, sendo que a característica mais marcante de seus trabalhos estão nos olhos, sempre grandes e que atraem quem está olhando para um mundo belo e surreal.

Nascida no Equador,

LADY PINK (Sandra

Fabara) ganhou Nova Iorque através de seu graffiti. No colegial ela já estava exibindo pinturas em galerias de arte e em 1979, começou a competir com os meninos por um espaço cor de rosa, deixando as ruas e trens com um toque feminino.

Vanessa Alice Bensimon,

MISS VAN, nascida em

1973 em Toulouse, França, é reconhecidamente uma das mais influentes grafiteiras. Seus desenhos de mulheres sexys e provocantes já provocou uma reação negativa de algumas feministas.


A revista online CatFightMagazine (em inglês) contém matérias, artigos, eventos, vídeos e até dicas de moda relacionados ao graffiti produzido por mulheres. Apesar de não ter novas edições desde 2010, o material é atual e bastante completo, falando inclusive de artistas brasileiras. Vale a pena conferir o material completo.

www.catfightmagazine.com

ANARKIA BOLADONA,

grafiteira carioca, é formada em Belas Artes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas sua arte tem influência da pichação, nicho habitualmente dominado por homens. Seus trabalhos tratam principalmente da luta feminina em relação ao corpo, à sexualidade e à subjetividade e relações de poder. Em 2008, ela criou o “Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha”, projeto que usa o graffiti e cultura urbana para combater a violência contra as mulheres, dentro do qual surgiu a Rede Nami, que realiza projetos sociais, cursos e eventos. Anarkia foi premiada em Nova York com o DVF Awards, prêmio anual dado a mulheres que lutam para diminuir a violência e a injustiça de gênero, pela Diller-von Fustenberg Family Foundation. Mas, além de seu engajamento, ela é reconhecida pelo talento e a qualidade de seu trabalho.

madC

Claudia Walde, a , já era bastante reconhecida e apreciada quando impressionou o mundo, após grafitar um muro de 106m de comprimento por 6m de altura (todas as imagens reproduzidas aqui foram retiradas deste mural). A visualidade da artista alemã mistura o real a personagens surreais, com cores vivas e detalhes minuciosos.

FAFI nasceu em 1979.

A grafiteira francesa ficou famosa com suas bonequinhas delicadas que começaram a ser vistas nas ruas de Paris, as Fafinettes. Sexys e basicamente uma releitura de uma Pin Up moderna, as Fafinettes inspiraram garotas de carne e osso a se vestirem como elas.

9


10

Camila Pavanelli, mais conhecida como

MINHAU”, destaca-

se em seu trabalho pela utilização de traços fortes e cores contrastantes. Marca registrada de seu trabalho, os gatinhos ganham espaço nos muros e outros locais da cidade de São Paulo rompendo com o cinza predominante do concreto e das construções.

A Rede Feminista de Arte Urbana (NAMI) é formada por mulheres artistas que possuem como ponto de partida a cena Urbana e trabalham com artes plásticas, graffiti, fotografia, design, áudio visual, teatro, moda, cenografia, multimídia, educação e pesquisa; criando um intercâmbio de ideias, experiências e conhecimento, promovendo os direitos das mulheres e fortalecendo seu trabalho artístico, intelectual e profissional. A grafiteira Anarkia (Panmela Castro) é a presidente da Rede, que promove eventos artísticos , cursos e oficinas.

DICA: O livro ‘Graffiti Women’ celebra a ascensão de artistas femininas do graffiti na cena urbana mostrando o trabalho de mais de 100 mulheres do mundo inteiro, desde as mais reconhecidas, como Lady Pink e Mickey, a talentosas aspirantes. Com imagens e depoimentos das artistas, este livro é uma excelente referência aos amantes de arte urbana.

Aiko nasceu em Tóquio, mas vive em Nova Iorque desde a década de 90. Sua arte mistura motivos florais, cartoons femininos e a visualidade da cultura pop em um trabalho em mídias variadas. AIKO utiliza stencil, tinta spray e técnicas de impressão em silkscreen para criar um trabalho vibrante e de larga escala.


Misturando pintura, ilustração e colagem pelas paredes e muros da cidade, a artista urbana Miso, ou STANISLAVA, como é conhecida na Austrália, tem apenas 21 anos e rabisca as ruas de Melbourne desde os 14. Sua inspiração vai desde o estilo estético Art Nouveau até o grafite contemporâneo, passando pela arte construtivista russa. Ultimamente, ela vem se inspirando também com folclores europeus, mitologia grega e literatura russa.

SWOON é uma artista urbana norte americana nascida em New London, Conecticut e criada em Daytona Beach, Florida. Contudo, aos 19 anos ela conquistou Nova Iorque e se especializou em uma arte que mistura a técnica do lambe-lambe a papéis finamente trabalhados e recortados. Apesar do processo delicado, os temas retratados têm um tom crítico, por vezes bastante pesado sobre a realidade social de seu país.

Artista de rua autodidata,

FAITH47, nascida na África

do Sul, teve seus primeiros contatos com o graffiti em 1997, por influência de um membro da YMB Crew, Wealz130 - com quem ela foi casada e tem um filho, que também é artista de rua. Seus trabalhos são bastante instrospectivos e reflexivos e suas inspirações partem principalmente de questões existenciais.

11


Banksy

12

Banksy Banksy é o pseudônimo de um grafiteiro, pintor, ativista político e diretor de cinema inglês. Sua arte de rua satírica e subversiva combina humor negro e graffiti feito com uma distinta técnica de estêncil.

Seus trabalhos de comentários sociais e políticos podem ser encontrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o mundo. O trabalho de Banksy nasceu da cena alternativa de Bristol, e envolveu colaborações com outros artistas e músicos. De acordo com o designer gráfico e autor Tristan Manco, Banksy nasceu em 1974 em Bristol (Inglaterra), onde também foi criado. Filho de um técnico de fotocopiadora, começou como açougueiro mas se envolveu com graffiti durante o grande boom de aerosol em Bristol no fim da década de 80.

Observadores notaram que seu estilo é muito similar à Bleck Le Rat, que começou a trabalhar com estencils em 1981 em Paris, e à campanha de graffiti feita pela banda anarco-punk Crass no sistema de tubulação de Londres no fim da década de 70. Conhecido pelo seu desprezo pelo governo que rotula graffiti como vandalismo, Banksy expõe sua arte em locais públicos como paredes e ruas, e chega a usar objetos para expô-las. Banksy não vende seus trabalhos diretamente, no entanto, sabe-se que leiloeiros de arte tentaram vender alguns de seus graffitis nos locais em que foram feitos e deixaram o problema de como remover o desenho nas mãos dos compradores. O primeiro filme de Banksy, ‘Exit through the Gift Shop’, teve sua estréia no Festival de Filmes de Sundance. Foi oficialmente lançado no Reino Unido no dia 5 de março de 2010 e em janeiro de 2011 foi nomeado para o Oscar de Melhor Documentário..


Suas obras são carregadas de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade. Apesar de não fazer caricaturas ou obras humorísticas, não raro, a primeira reação de um observador frente a uma de suas obras será o riso. Espontâneo, involuntário e sincero, assim como suas obras.

mais... o c u o p m U A origem do STENCIL se encontra na China, juntamente com a invenção do papel, no século 105 d.C. Antes disso a técnica utilizavase de elementos naturais, como folhas e rochas, para fazer máscaras das partes que não se podia colorir com os pigmentos. Com o uso do papel se começou a entalhar a forma, o desenho, a escrita e tudo o mais que se quisesse reproduzir fielmente. Se pode dizer que o stencil foi a primeira forma de gravura. Nos anos 600, na China, começaram a fazer desenhos mais complexos e aplicar a técnica para a decoração de tecido, embora com o uso de poucas cores. Foi porém no Japão que a técnica do stencil sobre o tecido se aperfeiçoou com a introdução de uma primeira máscara lavável e, consequentemente, reutilizável. O papel recebia, antes de ser entalhado com o motivo desejado, um tratamento especial com suco de caqui. Isso o deixava impermeável.

13


OS GÊMEOS

D

estas duas mentes transbordam todas as cores e sabores da imaginação. Lá tudo é possível e qualquer sonho se torna realidade. A inspiração para tantos desenhos e fábulas mágicas vem da forma com que a dupla Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como OS GÊMEOS, refletem em seu interior a realidade e a fantasia que lhes rodeiam. Cada pequeno detalhe, porque são através deles que suas obras assumem esta forma já tão reconhecível, são componentes importantes na criação do mundo fantástico, cheio de histórias cotidianas em forma de poesia.


O mundo encantado em que vivem todos os seus personagens e que funciona como a janela da alma única dos irmãos gêmeos é repleto de uma mistura harmoniosa entre realismo e ficção. Suas histórias dançam entre dois importantes pilares. O olhar sonhador que possibilita a materialização de um mundo cheio de fantasias e suas críticas incisivas sobre as dificuldades enfrentadas por tantos cidadãos espalhados pelo mundo vitima de um modelo socioeconômico que se encontra em grande transformação. Dessa união nascem obras que invocam um universo lírico e criações que mesclam ambas as projeções, como se os próprios personagens mágicos criticassem com olhos inocentes toda a discrepância que existe nesta sociedade.

16

O graffiti atuou sempre como uma válvula de escape para a dupla. Uma maneira que encontraram de criar um mundo onde só se pode penetrar através de suas mentes e onde tudo funciona pela lógica própria de Tritrez, o universo habitado pelos personagens amarelos, onde brilha e reina a sintonia entre todos os seus elementos. Cada parte e cada detalhe esta mergulhada na magia que envolve a imaginação dos irmãos.


O graffiti entrou na vida dos irmãos em 1986, quando ainda viviam na região central de São Paulo onde passaram sua infância e adolescência. A cultura hip hop chegava ao Brasil e os jovens do bairro começaram a colorir suas ideias nos muros da cidade. Naquela época, com apenas 12 anos, tudo era novidade e sem ter de onde tirar suas referencias, Gustavo e Otavio improvisavam e inventavam sua própria linguagem, pintando com tintas de carro, látex, spray e usando bicos de desodorante e perfume para moldar seus traços; já que ainda não existiam acessórios e produtos próprios para a prática. O que a cidade proporcionou a eles foi essencial para o desenvolvimento de todas as habilidades que se transformaram depois no estilo próprio e imediatamente reconhecível dos artistas.

A imaginação são as asas que os gêmeos utilizam para ir aos mais divertidos e ilusórios lugares que habitam suas mentes. É a porta aberta e o convite para mergulhar no humor e nas delicias de poder criar um mundo da nossa própria maneira e com todas as cores e fantasias que se possa imaginar.

17


18

A pintura feita nas ruas e as criações feitas para obras e instalações em galerias partem do mesmo mundo onírico que existe dentro da mente da dupla, mas tomam rumos distintos. A primeira é o próprio dialogo dos artistas com as ruas, com cada pessoa que passa e de forma direta ou indireta interage com a pintura, isso é o graffiti.

A segunda é a materialização de sonhos, ideais, criticas social e políticas que retratam o universo vivido dentro em contraste com que se apresenta fora no dia-a-dia dos próprios irmãos. No momento em que todas estas ideias entram em uma galeria elas deixam de pertencer ao graffiti e passam a fazer parte do mundo que envolve a arte contemporânea.


Mosta Criativa Senai Artes GrAficas

Venha conhecer a coleção dos melhores trabalhos desenvolvidos pelos alunos do Curso Técnico de Comunicação Visual, pois o que importa está aqui!

Período: 02 de Maio a 02 de Julho Local: SENAI artes gráficas Endereço: Rua São Francisco Xavier, 417 Maracanã - Rio de Janeiro. Realização: Sistema FIRJAN / SENAI - RJ


JR

É impossível passar despercebido pelas obras do fotógrafo JR. Gigantes e monocromáticas suas imagens já estamparam várias cidades do mundo, sempre escolhidas a dedo.

No início de 2011, o artista de rua JR recebeu o Prêmio TED concebido para aglutinar o talento e os recursos excepcionais da comunidade TED. É concedido anualmente para um indivíduo excepcional, que recebe a quantia de US$ 100 mil e, o que é muito mais importante, faz “um desejo para mudar o mundo”. Após meses de preparação, o ganhador revela seu desejo na cerimônia de premiação, que ocorre na Conferência TED. Esses desejos deram origem a iniciativas colaborativas de grande impacto.


As imagens podem chocar ou fazer rir, mas sempre causam impacto. JR não revela sua identidade e diz que o que faz é ilegal e não comissionado, não está submetido a editores ou galerias e sua arte é acessível para qualquer um.

O desejo do artista JR para mudar o mundo foi: “Desejo que vocês se mobilizem por aquilo que é importante para vocês, participando de um projeto artístico global, e que juntos possamos virar o mundo… DO AVESSO.”


Em 2009, depois de ler na imprensa sobre a morte de quatro jovens no morro da providencia, o fotógrafo decidiu que o Rio seria seu próximo destino. Lá ele fotografou mulheres de todas as idades e bateu de porta em porta para colar as fotos gigantes.

22

Em seu projeto Women, JR percorreu cidades do mundo fotografando mulheres e utilizando a técnica do lambe-lambe para colar os retratos nas casas e muros da comunidade. Na África ao invés de papel também foi utilizado lona, que se transformou em telhado nas casas em que antes não tinham.


No projeto WRINKLES OF THE CITY - rugas da cidade, JR faz retratos de idosos que representam a memória da cidade. Depois imprime as fotos em tamanhos monumentais e as cola na mesma cidade em lugares que inspiram a história.

23

“É surreal, o que eu estou fazendo ali em cima? o que é tão especial em mim? é lisonjeiro o fato de que ele achou minha cara interessante o suficiente para usar como um projeto de arte”. Bob Evans, um dos retratados.


BAMBAS DA


LAPA:

imagine 12 metros de andaime e um muro de 300 metros no coração do Rio de Janeiro, acrescente muitas latas de spray, muitas cores, e o resultado é esse painel denominado “BAMBAS DA LAPA”, pintado pelos grafiteiros: Acme, Afa, Aira, Akuma, Br, Bragga, Ch2, Chico, Eco, Godri, Jou, Ment, Pia, Swk, Tm1 e Toz. Este painel faz parte do Projeto R.U.A. O famoso reduto da boemia, a Lapa agora virou uma galeria a céu aberto. Alguns grafiteiros profissionais criaram um painel com o tema “Rio, samba, boemia carioca e Lapa” na lateral de um sobrado — o espaço tem 300 metros quadrados —, na Rua Cardeal Câmara, próximo à Fundição Progresso. A iniciativa foi fruto de uma parceria público-privada, é uma nova 25 ação de um programa antipichação da prefeitura. — A ideia mostra que a Lapa não é só boemia, mas o berço do grafite também. Queremos valorizar a arte de rua e com ela combater a pichação. O inicio foi na Lapa, mas já existem planos de revitalizar muito outros lugares e também de levar o projeto para Santa Teresa. Os Pichadores dão prejuízo de R$2 milhões à prefeitura. Por isso programamos o grafite na revitalização da lapa. e foi confeccionado através da união de esforços públicos e privado, num movimento pra revitalização da Lapa.— Um dos produtores do painel, André Bretas, chamou a atenção para o fato de a obra ser um trabalho coletivo. O grupo de grafiteiros é formado por nomes conhecidos no meio. Para o trabalho, serão utilizadas 600 latas de spray, 120 litros de tinta látex e três andares de andaimes. Os artistas empregarão 35 cores diferentes.



Na Rua