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Atualização de rendas antigas já está a avançar

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livraria.vidaeconomica.pt

Pág. 7

DIRETOR João Peixoto de Sousa

Nº 1474 / 4 de janeiro de 2013 / Semanal / Portugal Continental 2,20 J

www.vidaeconomica.pt MERCADOS TÉCNICOS DE CONTAS CONFRONTADOS COM AUMENTO DE TRABALHO SEM COMPENSAÇÃO

Bolsa começa o ano a subir Pág. 14

Empresas exportadoras enfrentam um aumento do risco de crédito Págs. 40 e 41

FISCALIDADE

Fatura obrigatória agrava dificuldades das empresas

Pequenas entidades podem beneficiar de isenção do IVA Pág. 32

OPINIÃO Raposo Subtil

Os atrasos da Justiça no novo ano Pág. 10

SUPLEMENTO SEGUROS

Págs. 4 e 5

Seguradores preparam-se para ano muito difícil

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Projetos PRODER e PROMAR têm “spread” médio de 5,3%

Págs. II e III

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Oito bancos nacionais acordaram com o Governo a criação de linhas de crédito no valor global de 1500 milhões de euros para financiar projetos nas áreas da agricultura e das pescas. A “Vida Económica” apurou, junto do ministério de Assunção Cristas, que o “spread” médio ronda os 5,3%”. Com mais de seis mil projetos submetidos para análise, correspondentes a um volume de investimento na ordem dos 800 milhões de euros, o PRODER apresenta uma taxa de execução de 60% e uma taxa de compromisso de 95% Pág. 3

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

ABERTURA ESPETĂ CULO REĂšNE MAIS DE 600 PESSOAS EM PALCO

Especialista no Crescimento de NegĂłcios Partner&Diretor Geral www.quantumcrescimentonegocios.com

Bilhetes para a abertura de GuimarĂŁes 2013 jĂĄ estĂŁo Ă  venda JĂĄ se encontram Ă  venda os bilhetes para a cerimĂłnia de abertura de GuimarĂŁes Cidade Europeia do Desporto (CED) 2013. Agendada para dia 19 de janeiro, Ă s 18h30, no Multiusos de GuimarĂŁes, promete nĂŁo deixar ninguĂŠm indiferente. Com mais de 600 pessoas em palco – entre atletas, ginastas, bailarinos, mĂşsicos e ďŹ gurantes –, o espetĂĄculo pretende celebrar o desporto e a histĂłria deste no concelho vimaranense. Ao “jogoâ€? das diversas performances desportivas juntam-se ainda efeitos de vĂ­deo, som e luz. Relembre-se que, no prĂłximo ano, a CED 2013 prevĂŞ receber mais de 20 mil atletas de 50 modalidades diferentes, numa mĂŠdia de duas iniciativas por semana. Os bilhetes que agora

estão disponíveis são de bancada e custam cinco euros. Podem ser adquiridos em vårios pontos, como o Multiusos de Guimarães, lojas FNAC, CTT, El Corte Inglès, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo (Braga) ou na bilheteira online. Guimarães assume em 2013 o título de Cidade Europeia do Desporto. Ao longo de 12 meses, propþe-se impulsionar mais de uma centena de eventos, estudos e programas, com vista a alterar o paradigma do desporto na cidade e inspirar outros municípios portugueses e europeus a seguirem o mesmo caminho. Prevê-se a participação de cerca de 20 mil atletas, mais de seis mil horas de voluntariado e 50 modalidades desportivas diferentes.

Top da semana

AZUIL BARROS

O empresĂĄrio tem de possuir um espĂ­rito imparĂĄvel‌ Nenhum obstĂĄculo ĂŠ grande de mais para quem possui um espĂ­rito imparĂĄvel! Casos de sucesso empresarial repetem-se ao longo da histĂłria. Onde alguns veem apenas limitaçþes, outros ultrapassam-nas com coragem e imaginação, explorando novas oportunidades, alcançando grandes visĂľes de negĂłcio e ignorando alertas de “isso nĂŁo pode ser feitoâ€?. Com recorrĂŞncia encontramos histĂłrias de empresĂĄrios cujo espĂ­rito se tornou imparĂĄvel‌ É atravĂŠs de empresĂĄrios – com um espĂ­rito imparĂĄvel- que beneďŹ ciamos – todos – do progresso, do acesso a novos produtos e mercados, de melhor qualidade com melhor preço e de inovação jamais pensada hĂĄ pouco tempo atrĂĄs. Desde o pequeno ao grande projeto empresarial, a força viva de mudança e de crescimento reside no espĂ­rito imparĂĄvel do empresĂĄrio. É esse espĂ­rito que constitui a força para ultrapassar barreiras, o negativismo e a sua prĂłpria perceção de autolimitação. É essa força que compele o empresĂĄrio a persistir na luta para ir ao encontro dos seus objetivos. O empresĂĄrio ĂŠ o maior crĂ­tico de

Nesta edição

si mesmo. NĂŁo existe opiniĂŁo mais importante para o sucesso da sua empresa do que a sua prĂłpria opiniĂŁo. Foram os pensamentos internos que trouxeram o empresĂĄrio ao ponto onde estĂĄ. E a sua empresa estarĂĄ onde os seus pensamentos atuais a levarem. Este princĂ­pio pode nĂŁo ser de fĂĄcil aceitação para si. Pode assumir que existem muitas razĂľes que inuenciam os seus negĂłcios: a economia, os clientes que nĂŁo lhe pagam, os bancos que lhe cortaram o crĂŠdito, etc. Uma vez que nĂŁo se sente responsĂĄvel pela sua “mĂĄ sorteâ€?, entĂŁo certamente os seus pensamentos nada tĂŞm a ver com o resultado a que chegou. EstĂĄ errado! Pode nĂŁo ser fĂĄcil para si, mas aconselho-o a ponderar. Enquanto nĂŁo aceitar a responsabilidade pelo avanço dos seus negĂłcios – pelo passado, pelo presente e pelo futuro – nĂŁo irĂĄ conseguir melhorar o seu futuro empresarial. “Uma das grandes descobertas que um homem pode fazer, uma das suas maiores surpresas, ĂŠ descobrir que consegue fazer aquilo que tinha medo de nĂŁo conseguir fazer.â€?, cito Henry Ford. Comece jĂĄ e coloque a Sua Empresa um passo Ă  frente da sua concorrĂŞncia!

Imprensa EM REVISTA

EXPANSIĂ“N Alemanha considera que pior da crise jĂĄ passou

22 Atualidade

21 Atualidade

40 Mercados

Crise europeia vai continuar por mais uma geração

Bolsas ibĂŠricas sĂŁo atrativas para os investidores

Empresas exportadoras tĂŞm um aumento do risco de crĂŠdito

E.LIFE ...................... PĂĄg. 19

NegĂłcios Empresas.PĂĄg. 15

CA Vida ................... PĂĄg. 42

Empresas reforçam presença nas redes sociais e investimento no relacionamento online

ViniPortugal reforça investimento na promoção do vinho a copo

ComissĂľes sĂŁo a principal variĂĄvel entre diferentes PPR

NegĂłcios Empresas.PĂĄg. 12 Casa do Galo expande lojas e renova imagem

Oli ............................ PĂĄg. 13 Empresa de autoclismos investe no mercado externo

ANJE ....................... Påg. 25 Associação reforça aposta na formação para apoiar competitividade das PME

AutomĂłvel .............. PĂĄg. 46

Mercados ................ PĂĄg. 41

Ă“cio e NegĂłcios ..... PĂĄg. 47

Agricultura e pescas com linhas de crĂŠdito de 1,5 mil milhĂľes de euros

Real Companhia Velha celebra 100 anos da marca GrandjĂł

MCoutinho abre loja automĂłvel no Dolce Vita Porto

Humor econĂłmico

O Governo alemão considera que o pior da crise da dívida da Zona Euro jå passou e destaca o compromisso da GrÊcia e da França com as reformas. O Executivo de Atenas sabe que não pode pedir muito mais a outros países da Zona Euro, pelo que vai continuar em frente com as reformas. Relativamente à França, a Alemanha defende que o país estå a cumprir com as suas obrigaçþes e o seu Governo estå consciente que todos os países devem levar constantemente a cabo reformas para se manterem competitivos.

LES ECHOS BRIC aumentam contribuiçþes para a ONU Para o novo orçamento da Organização das Naçþes Unidas (ONU), a China aceitou aumentar em mais de 60% a sua contribuição, enquanto o Brasil vai aumentar em 82% o seu contributo. Em contrapartida, as contribuiçþes da Alemanha, da França e

EDITOR E PROPRIETĂ RIO Vida EconĂłmica Editorial, SA DIRETOR JoĂŁo Peixoto de Sousa COORDENADORES EDIĂ‡ĂƒO JoĂŁo LuĂ­s de Sousa e Albano Melo REDAĂ‡ĂƒO VirgĂ­lio Ferreira (Chefe de Redação), AdĂŠrito Bandeira, Ana Santos Gomes, Aquiles Pinto, Fernanda Teixeira, Guilherme Osswald, Marta AraĂşjo, Rute Barreira, Sandra Ribeiro e Susana MarvĂŁo; E-mail agenda@vidaeconomica.pt; PAGINAĂ‡ĂƒO CĂŠlia CĂŠsar, FlĂĄvia LeitĂŁo, JosĂŠ Barbosa e MĂĄrio Almeida; PUBLICIDADE PORTO2UA'ONĂŽALO#RISTĂ˜VĂ?O  ÂŽ 0ORTO 4ELs&AXs% MAILCOmercial@vidaeconomica.pt; PUBLICIDADE LISBOA #AMPO0EQUENO  ÂŽ%SQ ,ISBOAs4ELs% MAILPUBLICIDADE vidaeconomica.pt; ASSINATURAS4ELs% MAILASSINATURAS VIDAECONOMICAPTIMPRESSĂƒO Naveprinter, SA - Porto DISTRIBUIĂ‡ĂƒO 6!30 3! #ACĂ?M% MAILGERAL VASPPTs4EL &AX

MEMBRO DA EUROPEAN BUSINESS PRESS

do Reino Unido vão ser revistas em baixa, devido à crise económica na Europa. O orçamento para a organização ascende a mais de 5,4 mil milhþes de dólares, a que acrescem 7,5 mil milhþes para as missþes de paz. A contribuição dos seus membros Ê calculada de acordo com o seu peso no PIB mundial. A China, a �ndia, o Brasil e outros países emergentes decidiram aumentar as suas contribuiçþes, no âmbito de um acordo jå assinado. Os Estados Unidos continuam a ser o principal contribuinte, com um peso na ordem dos 22% do total.

THE WALL STREET JOURNAL Zona Euro sobrevive intacta ao ano de 2012 Ao contrĂĄrio do que previam muitos analistas, a Zona Euro terminou o ano 2012 como começou, ou seja, com 17 membros. Alguns acontecimentos marcaram a sobrevivĂŞncia do bloco, quando muitos anteviam um ďŹ m anunciado. A GrĂŠcia completou a reestruturação de maior dimensĂŁo de sempre da dĂ­vida soberana e a Alemanha acabou por dar luz verde a um fundo permanente de resgate, no sentido de apoiar os paĂ­ses em maiores diďŹ culdades.

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MARIA LU�S ALBUQUERQUE A secretåria de Estado do Tesouro tem sido o rosto visível do processo de privatizaçþes encetado pelo Governo. Independentemente de se estar contra ou a favor da passagem para a esfera de privados de serviços públicos, Maria Luís Albuquerque tem revelado um conhecimento profundo dos processos e tem sabido explicar ao cidadão comum o que estå a ser feito. Muito deve o Executivo a este tÊcnica, que jå permitiu o encaixe de quase 6,4 mil milhþes de euros, por via de três privatizaçþes, em colaboração estreita com outros membros do Governo. TambÊm Ê positivo o facto de aparecer em público e dar a cara sempre que solicitada, o que demonstra segurança.

PASSOS COELHO O primeiro-ministro terminou o ano da mesma forma que o iniciou, numa grande confusĂŁo. AtĂŠ as comunicaçþes ao paĂ­s foram infelizes. A ideia que ďŹ ca ĂŠ que nĂŁo existe uma estratĂŠgia governamental claramente deďŹ nida, para alĂŠm da necessidade de reduzir o dĂŠďŹ ce pĂşblico. Ora, neste âmbito assiste-se a medidas pontuais, sem se saber exatamente que resultados esperar. Nada ĂŠ previsĂ­vel, tudo estĂĄ indeďŹ nido, como tem sido uma constante neste Executivo. O mais preocupante ĂŠ que tudo aponta para que se mantenha esta estratĂŠgia errĂĄtica. Os portugueses continuam a sair do paĂ­s, as insolvĂŞncias atingem nĂ­veis recordes e o mesmo se passa com a taxa de desemprego.

Ă LVARO SANTOS PEREIRA O ministro da Economia ĂŠ um dos elos mais fracos do Governo. Como jĂĄ se percebeu, quando as coisas correm pior do que o habitual, desaparece de cena. Termina o ano em terreno fortemente negativo. O desemprego continua a aumentar, a atividade econĂłmica nĂŁo descola, hĂĄ uma clara dependĂŞncia relativamente ao ministro das Finanças. Com a agravante que a tendĂŞncia tem sido para tornar o contexto empresarial cada vez mais complicado. Praticamente nada foi feito para simpliďŹ car o acesso ao ďŹ nanciamento. Ser empresĂĄrio tornouse num ato de verdadeiro heroĂ­smo, sobretudo quando “nĂŁo existeâ€? ministro da Economia.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

Produção industrial cai mais de 4% em novembro

ATUALIDADE

A produção industrial registou uma quebra de 4,3%, em novembro, relativamente ao mês homólogo do ano anterior e contra os 3,6% negativos no mês de outubro, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística. Para este desempenho negativo contribuiu sobretudo a classe das indústrias transformadoras. Em termos mensais, a produção industrial apresentou uma variação negativa de 3,3%, com os todos agrupamentos a revelarem descidas. Os agrupamentos de bens intermédios e de consumo foram os que mais contribuíram para a variação negativa.

LINHAS DE CRÉDITO DE 1500 MILHÕES IMPULSIONAM EXECUÇÃO DOS INVESTIMENTOS

PRODER chega aos 60% e será “integralmente executado” até 2015 BPI, Banco Popular, Santander Totta, Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, Montepio Geral e Caixa Geral de Depósitos –, o gabinete da ministra Assunção Cristas diz que há oito instituições bancárias envolvidas e que “é natural que as condições das diversas linhas de crédito apresentem algumas diferenças”. Contudo, acrescenta, “o IFAP empenhou-se em garantir alguma uniformidade nas condições de crédito, pelo que as variações não são significativas, existindo um ‘spread’ médio a rondar os 5,3%”.

O recente protocolo celebrado entre o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT), através do IFAP, e oito bancos nacionais para a criação de linhas de crédito no valor global de 1500 milhões de euros para financiar projetos nas áreas da agricultura e das pescas, vai contribuir para acelerar a execução dos programas comunitários PROMAR e PRODER. Os bancos estão optimistas, até porque, como diz o MAMAOT, “estes projetos foram já submetidos a uma análise técnica, financeira e económica rigorosa” e isso “confere segurança à banca”.

Projetos aprovados pelo PRODER e PROMAR conferem segurança à banca

TERESA SILVEIRA teresasilveira@vidaeconomica.pt

O Ministério de Assunção Cristas não revelou à “Vida Económica” a taxa de execução do PROMAR (Programa Operacional das Pescas 2007-2013), informando apenas que a taxa de compromisso está em “cerca de 70%”. Explicou, contudo, que neste momento “existem já em carteira projetos num montante da ordem dos 100 milhões de euros, o que permite atingir as metas previstas no programa”. Quanto ao PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), o MAMAOT revela que a taxa de compromisso é de 95%, sendo a taxa de execução de 60%, tendo sido conseguidos em 2012 “níveis de pagamento recorde, superiores mesmo a 2011”. O Ministério da Agricultura garantiu, aliás, que, a este ritmo, a execução do PRODER será “integralmente” cumprida até 2015.

O gabinete da ministra Assunção Cristas garantiu à “Vida Económica” que, “tendo em conta a atual taxa de compromisso do PRODER (95%) e o bom nível de execução já atingido”, o Programa “será integralmente executado” até 2015.

“Tendo em conta a atual taxa de compromisso do PRODER (95%) e o bom nível de execução já atingido, em linha com a média comunitária, o MAMAOT não tem dúvidas que o PRODER será integralmente executado nos prazos para tal estipulados (2015)”, disse fonte do gabinete da ministra da Agricultura à “Vida Económica”. A mesma fonte

revelou que, “neste momento, estão mais de seis mil projetos submetidos, em processo de análise, com um volume de investimento na casa dos 800 milhões de euros”. Questionado pela “Vida Económica” sobre as taxas de juros e ‘spreads’ associados a estas linhas de crédito agora firmadas com a banca – Millenium BCP, BES/BES Açores,

Apesar destas diferenças, a adesão às linhas de crédito foi “maciça” por parte da banca, diz o MAMAOT, o que se deve ao “reconhecimento do potencial de crescimento e investimento do setor agrícola, aliás bem demonstrado nos últimos tempos como setor produtor de bens transacionáveis e com potencial de exportação”. O Millennium BCP, por exemplo, emitiu um comunicado aquando da assinatura deste protocolo citando o presidente, Nuno Amado, e dizendo que o banco “quer estar na primeira linha no apoio aos novos projetos de investimento que contribuam para a criação de emprego, o crescimento da economia e o desenvolvimento do país”. O próprio Ministério de Assunção Cristas também reconhece que estas linhas de crédito se destinam a “apoiar projetos de investimento do PRODER e PROMAR já aprovados pelas respetivas autoridades de gestão, o que confere à banca a segurança de que estes projetos foram já submetidos a uma análise técnica, financeira e económica rigorosa e têm assegurado, pelos apoios destes programas, uma importante fatia do financiamento total de que necessitam”. E toda esta análise, “associada a informações sobre os beneficiários, fornecidas pelo IFAP, minimiza o risco de crédito para a banca”.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

ATUALIDADE TÉCNICOS DE CONTAS CONFRONTADOS COM AUMENTO DE TRABALHO SEM COMPENSAÇÃO

Fatura obrigatória agrava difi A emissão de faturas em todas as transações passou a ser obrigatória desde 1 de janeiro. Esta obrigação acarreta um acréscimo considerável de custos, em especial para as pequenas empresas. Os técnicos oficiais de contas e os gabinque não conseguem repercutir sobre os valores. Apesar dos reflexos negativos em termos de acréscimo de trabalho e responsabilidade para os profissionais, a OTOC é favorável ao novo regime, tendo sugerido uma parte das regras que são agora impostas.

Mais tempo e mais encargos para as empresas

A emissão de faturas em todas as transações passou a ser obrigatória desde 1 de janeiro. VIRGÍLIO FERREIRA virgilioferreira@vidaeconomica.pt

Desde 1 de janeiro, todas as transações passaram a estar sujeitas a fatura obrigatória. Tal como é habitual, a regulamentação do novo regime foi publicada tardiamente, a 28 de dezembro, ou seja, com apenas um dia útil de antecedência, em relação à data de entrada em vigor. Uma grande parte dos operadores não teve tempo para substituir os equipamentos e os programas informáticos, caindo na situação de incumprimento que a Autoridade Tributária promete sancionar, sem contemplações. Além de impor a emissão obrigatória de fatura em todas as transações para todos os operadores económicos, seja qual for o valor, o novo regime elimina todos os tipos de documentos “equivalentes à fatura” tais como vendas a dinheiro, talões de venda, faturas-recibo, etc.. Agora apenas pode existe a fatura e a fatura simplifica-

Mercado não suporta aumentos de preços Não se entende que a regulamentação sobre o regime simplificado só tenha sido publicada a 28 de dezembro – refere Luís Ceia, presidente do Ceval e da Associação Empresarial de Viana do Castelo. “Esta indefinição sobre o regime a aplicar e a falta de equipamentos novos disponíveis ajustados às novas necessidades, justificariam, a bem do mercado, o adiamento da entrada em vigor das alterações propostas. Luis Ceia não acredita que os TOC sejam compensados pelo incontornável acréscimo de trabalho. “O mercado não suporta neste momento aumentos de preços que não correspondam a acrescento de valor oferecido aos utilizadores” – garante e aponta como exemplo o aumento do IVA na restauração que na generalidade está a ser suportado pelos empresários. Para o presidente do CEVAL, as exigências impostas pela Administração Fiscal podem distorcer o principal objetivo da contabilidade que é o de dar uma informação clara e objetiva sobre a situação das empresas. E podem pôr em causa a responsabilidade e ética dos profissionais devidamente credenciados e regulados pelo código deontológico.

da (que só pode ser usada em determinadas circunstâncias e nunca dispensa o registo individualizado de cada transação), nota de débito e nota de crédito. Nas faturas processadas através de sistemas informáticos, todas as menções obrigatórias, incluindo o nome, a firma ou a denominação social e o número de identificação fiscal do sujeito passivo adquirente devem ser inseridas pelo respetivo programa ou equipamento informático de faturação. A indicação na fatura da identificação e do domicílio do com-

prador que seja um particular não é obrigatória nas faturas de valor inferior a J1000, exceto nos casos em que o comprador o solicite.

“Com as novas regras de faturação, as obrigações declarativas irão agravar os gastos das micro e pequenas empresas, na medida em que estas empresas não estão preparadas para cumprir. Associado a este aumento dos gastos, está o acréscimo de tempo associado a realização das transações e a necessidade de investimento em novos equipamentos e software” – refere Joel Costa. O diretor executivo da Associação Empresarial de Felgueiras considera também que estas alterações provocam um aumento do número de horas despendidas para cada cliente pelos profissionais e organizações que prestam serviços de contabilidade, ao implicar um trabalho que até agora não era necessário. “Como o TOC terá necessidade de dispensar mais tempo a cada cliente que recorra aos seus serviços para cumprir com as novas obrigaçoes perante a AT, é de prever que os seus honorários sejam ajustados tendo em conta o tempo gasto com este acréscimo de serviço. A existir será sempre um ajuste caso a caso, pois, por exemplo, se estivermos perante um contribuinte que até tem software que produz o ficheiro o SAFT mas que recorre ao TOC para o enviar para a AT, é natural que, a realizar-se algum ajuste, este seja mínimo. No entanto, se estivermos perante um contribuinte que não produza ficheiro SAFT e seja necessário introduzir todas as suas faturas manualmente no site “e-faturas”, é natural que veja os seus honorários do TOC sofrerem um aumento assinalável por força do acréscimo de tempo para cumprir com a obrigação declarativa agora criada” - explica. Para Joel Costa, as exigências impostas não se ajustam á realidade da maioria das nossas empresas e dos empresários em nome individual.

vés do envio do ficheiro SAF-T (PT) para a faturação através de programa informático, por introdução direta no Portal das Finanças. Regulamentação tardia

Faturas enviadas à AT

Além da emissão obrigatória, todos os operadores passaram a ter que enviar à Autoridade Tributária todas as faturas emitidas, até ao dia 8 do mês seguinte da emissão. A comunicação efetuada à AT pode ser automática e em tempo real, através de um webservice para a faturação eletrónica, atra-

A última regulamentação sobre o novo regime foi publicada no Diário da República de 28 de dezembro passado, apenas um dia útil antes da entrada em vigor do novo regime. A AT disponibilizou em 19/11/2012 o ofício circulado n.º 30136 sobre as novas regras de faturação. Em 09/11/2012

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ATUALIDADE

c uldades das empresas DOMINGUES DE AZEVEDO, BASTONÁRIO DA OTOC, CONSIDERA

Não existem condições para aumentar as avenças da contabilidade A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas concorda com o novo regime de faturação obrigatória – disse Domingos de Azevedo à “Vida Económica”. Mas o bastonário da OTOC lamenta a forma como foi elaborado, “criando grandes confusões, mesmo no seio da Autoridade Tributária”. Coube à Ordem esclarecer o Governo sobre algumas matérias. O bastonário considera que a administração fiscal deveria ser menos “autista” e pedir ajuda “em matérias que não domina”. Segundo Domingues de Azevedo, o Governo acolheu a maioria das sugestões da OTOC. Os pequenos comerciantes – com um volume de negócios até 100 mil euros, – ficaram sujeitos a um modelo simplificado de comunicação das faturas. “Apenas é exigível a listagem mensal da primeira e da última faturas e o valor total das transações efetuadas. O modelo consta do portal das Finanças. Esta solução foi aceite pelo fisco, mas havia ainda uma outra dúvida, quando se tratasse de muito pequenos retalhistas, com a emissão de menos de dez faturas por mês.” Também neste caso foi seguido o conselho da OTOC. “Passa a vigorar um outro regime excecional, através do envio da

O novo regime elimina todos os tipos de documentos “equivalentes à fatura” tais como vendas a dinheiro, talões de venda ou faturasrecibo

declaração mensal por correio ou a sua entrega em mão nos serviços de Finanças. Neste caso, o contribuinte pode entregar a declaração em papel e esta ser recolhida depois para o sistema informático das Finanças”, explicou o bastonário. Questionado sobre se este novo regime vai encarecer os custos de contexto das empresas, quer com a compra de novos equipamentos, quer pelo acréscimo de trabalho e responsabilidades do técnico oficial de contas, Domingues de Azevedo admite que possa ser necessário adquirir novas máquinas ou adequar os programas à nova realidade. O bastonário não vê benefício para os TOC com a fatura obrigatória

publicou no site um trabalho sobre a forma de comunicação da faturação que vem sofrendo atualizações, sendo a mais recente de 26/12/2012. Existe também a listagem de FAQ no link http:// info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/ faturas/faqs.html A entrada em vigor das alterações ao nível dos bens em circulação – DL n.º 198/2012 – foi adiada para 1 de maio de 2013. A partir desta data, os sujeitos passivos serão obrigados a comunicar à AT os elementos dos documentos de transporte processados, antes do seu início. Ou seja, passa a ser proibido a qualquer empresa transportar mercadorias sem enviar previamente os documentos à Autoridade Tributária. Na proposta do OE 2013 só está prevista a dispensa de comunicação prévia nos casos em que as faturas servem de guia de transporte. “O novo regime vai implicar um grande aumento de trabalho para os TOC” – disse Olga Santeiro à “Vida Económica”. Na opinião desta contabilista, ainda existem muitas dúvidas, há muitas regras a apreender e trabalho de parametrização para adaptação dos programas de faturação às situações específicas de cada

mas admite que possa vir a ser um fator positivo na atividade dos profissionais da contabilidade.”O técnico oficial de contas é cada vez mais necessário e pode ajudar os empresários a reduzirem os custos de contexto. Não considero que existam condições para aumentar, neste momento, o valor das avenças, apesar de se verificar um aumento do volume de trabalho para os profissionais.” Para Domingues Azevedo, a fatura obrigatória permite um tratamento mais igualitário dos contribuintes. As novas regras terão um efeito pedagógico quanto à necessidade de serem introduzidos corretamente os dados a enviar à Autoridade Tributária.

empresa. “Estas fases de transição são sempre muito complexas, neste caso além de complexas, trabalhosas e dispendiosas” - sublinha. Para lá do esforço de adaptação, é criada mais uma obrigação periódica a cumprir até ao dia 25 de cada mês, com o envio das faturas à AT. “Resta saber o trabalho que dará submeter os ficheiros SAF-T, se da validação do ficheiro vão resultar muitos erros para corrigir, se serão de fácil retificação ou não, se vai ser aceite o ficheiro mesmo com algum tipo de erros. A data limite para cumprimento da primeira obrigação de comunicação será em 25/02/2013.” – acrescenta Olga Santeiro. Mais trabalho sem acréscimo de retribuição

“Não estará fácil para os TOC aumentarem as avenças nestes tempos de crise, mas o trabalho de facto vai aumentar, e terá de ser feito pelas mesmas pessoas, podendo colocar em causa a qualidade do serviço prestado” – afirma. Olga Santeiro admite que em alguns casos essa responsabilidade passará para a parte administrativa das empresas, quando for possível. Além das novas regras de faturação, acrescem

DIRETOR-GERAL DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE BRAGA AFIRMA

Exigências fiscais boicotam medidas de simplificação “As exigências da AT partem do pressuposto que os empresários são uns malfeitores e que só com rédea curta é que se impede a evasão fiscal. Trata-se um autêntico disparate” – considera Rui Marques. O diretor-geral da Associação Comercial de Braga acusa a AT de burocratizar de tal forma o sistema que boicota o conjunto de medidas de simplificação do exercício da atividade económica que o Governo tem vindo a implementar. Infelizmente, o novo sistema de faturação nem sequer é o caso mais gritante. “A partir de Maio, com a entrada em vigor da comunicação prévia à AT do transporte de mercadorias, teremos instalado um autêntico “big brother” em torno da movimentação de mercadorias. A livre circulação de mercadorias em Portugal passará a ter uma nova definição - “circulação livre de mercadorias mas com o conhecimento prévio da AT de onde vem e para onde vai”- refere. O aumento de tempo e de encargos vai fazer-se sentir em particular nas empresas que estejam no regime simplificado de faturação, onde haverá um aumento significativo de horas de trabalho no envio de informação à AT, uma vez que o processamento da informação não está automatizado por nenhum software de faturação. “Estamos a falar das empresas que têm sistemas de faturação manuais ou através de máquinas registadoras” - refere. O diretor-geral da ACB considera não existirem condições de mercado para que os preços dos serviços de contabilidade sejam ajustados. “Os setores do comércio e da restauração e similares estão de tal modo afetados pela recessão que o país vive e pela retração do consumo que um aumento da avença do TOC resultará numa mudança de fornecedor destes serviços. Hoje em dia, existem muitos casos de renegociação dos valores cobrados pelos TOC em baixa para manterem os seus clientes, pelo que me parece que o acréscimo de horas de trabalho para o envio de informação à AT será absorvido pelos TOC” – salienta. Setor dos serviços é o mais penalizado “Para além de um custo de aquisição de software e na maior parte das vezes também de hardware que pode ascender a milhares de euros, estas empresas terão de se familiarizar com uma forma completamente nova de faturar, o que obrigará a formação e a muito mais tempo para efetuar uma simples fatura. Não podemos esquecer que uma parte significativa destes operadores não têm quaisquer conhecimentos de informática” – refere Rui Marques. Existem, também, setores de atividades que serão mais penalizados do que outros, como é o caso dos cafés, padarias os pastelarias. Com a introdução do incentivo à indicação expressa do número de contribuinte dos consumidores nas faturas para que estes possam usufruir do prémio fiscal que o Estado disponibiliza (devolução de 5% do IVA pago nas aquisições em determinados setores até um montante máximo de 250 euros), os empresários terão um custo acrescido em cada transação. Imagine-se que em média um café vende 200 cafés por dia, e que a totalidade dos consumidores solicita indicação do NIF na fatura, se em média cada operação demorar 30 segundos, demorará cerca de 100 minutos só a emissão destas faturas. “Se o tempo médio de cada operação for de 60 segundos, a perda por dia passa para os 200 minutos, ou seja, mais de três horas por dia. Numa altura em que este setor está num grande esforço de contenção de custos, nomeadamente de pessoal, para fazer face à diminuição da procura e ao aumento da taxa de IVA, este acréscimo de tempo que implicará o novo sistema de faturação vai tornar ainda mais insustentável estes negócios” – alerta .

todas as outras alterações que constantemente ocorrem, orçamentos anuais, orçamentos retificativos, novos regimes. “É muita informação que exige muito dos TOC” - afirma. A isto, ainda acresce a obrigatoriedade da comunicação mensal de operações e posições com o exterior, ao Banco de Portugal, até ao 15.º dia útil do mês seguinte. “Não será obrigação dos TOC, mas em princípio vai ser mais uma tarefa a ser cumprida pelos TOC e em algumas empresas podem ser muitas as operações” – refere Olga Santeiro.

Custos agravadso

“Estas alterações vieram trazer um acréscimo de encargos para as empresas com os programas de faturação que não suportam as novas regras de faturação. Outros, apesar de recentes, exigem alterações profundas, com mais encargos. Os pequenos operadores, que nem precisavam de ter sistemas informáticos, veem-se obrigados a adquirir para poder dar resposta às exigências de comunicação, e em algumas situações estes equipamentos estão esgotados” – diz Olga Santeiro.

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ATUALIDADE

Fisco cria equipas especiais para controlar novas regras de faturação O Governo já avisou que vai criar equipas especiais para que seja cumprida a nova legislação sobre a faturação. Estas equipas serão da responsabilidade da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais também deixou claro que pretende aplicar a lei sem qualquer tipo de exceções. O Ministério das Finanças quer garantir receita fiscal e controlar o mais possível as transações de produtos e serviços.

Comissão Europeia deixa cair “made in” Foram sete anos de debate, mas a Comissão Europeia acabou por colocar de parte o dossiê “made in”. Devido à falta de acordo entre os vários Estados-Membros, não será obrigatória a rotulagem de produtos importados pela União Europeia. Bruxelas nem sequer vai avançar com uma revisão da proposta, pelo que nos próximos tempos o tema vai deixar de fazer parte da agenda da Comissão Europeia. Trata-se de um duro revés para os produtores europeus, já que se poderá comercializar produtos sem qualquer indicação da proveniência dos mesmos.

MANUEL CARLOS GONÇALVES, TOC E GESTOR, CONTESTA FATURAÇÃO OBRIGATÓRIA

É cada vez mais difícil ser-se empresário em Portugal O novo regime de faturação obrigatória vai agravar os custos das empresas. Com esta medida a Administração Fiscal transfere para os privados o ónus da sua ineficácia em termos de fiscalização – afirma Manuel Carlos Gonçalves. Em entrevista à “Vida Económica”, este TOC e gestor na área da contabilidade considera haver uma tendência ditatorial nas políticas fiscais com novas exigências declarativas que todos os anos são impostas às empresas, tornando cada vez mais difícil a sua sobrevivência. Vida Económica - A fatura obrigatória vai encarecer a operação das micro e pequenas empresas pelo acréscimo de tempo e obrigações burocráticas associadas a cada transação? Manuel Carlos Gonçalves - Uma vez mais, em nome do combate à fuga e evasão fiscais, o Governo, ao impor aos agentes económicos mais esta exigência, está a transferir o ónus da sua própria ineficácia e inoperância no que à fiscalização diz respeito. Todos os anos sem exceção, os empresários têm vindo a ser confrontados e chamados a responder a novas exigências visando única e exclusivamente à desoneração dos processos de controlo da Autoridade Tributária, com total menosprezo para as consequências, sobretudo para as micro, pequenas e medias empresas. Face à escassez de recursos financeiros e humanos com que a grande maioria destas empresas se tem confrontado, para além do rigor ditatorial das políticas fiscais a que têm vindo a estar sujeitas, este tipo de medidas em nada facilita o seu desempenho. Pelo contrário, estes investimentos sistemáticos em ativos improdutivos, traduzem-se em estrangulamentos que agravam as múltiplas adversidades da violenta crise que se abateu sobre a nossa economia, pondo em causa a sobrevivência e continuidade futura da maioria das empresas, Neste contexto as melhores práticas de gestão de nada podem valer. Mais grave ainda será quando as políticas públicas adotadas resultam infelizmente da mera experiência e empirismos arcaicos. Ser-se pequeno e médio empresário em Portugal é muito difícil. Contudo, têm sido e continuam a ser, apesar de tudo, eles que fazem andar a economia, que criam postos de trabalho e riqueza, inovam, investem, produzem e exportam, em suma criam riqueza, apesar dos múltiplos riscos que cor-

“As políticas públicas adotadas resultam infelizmente da mera experiência e empirismos arcaicos” “Vão ser os TOC e as empresas de Contabilidade a assumir a suas expensas mais este ónus” rem, resultantes da crise, dos impostos, da lentidão da justiça, da burocracia. Seria justo que os nossos governantes tivessem a capacidade e o discernimento de lhes reconhecer o mérito, a todos estes homens e mulheres que empreendem e arriscam, às vezes, tudo o que têm, com pelo menos, medidas concretas de incentivo e apoio e que os desonerasse de todos os processos e obrigações alheias à atividade produtiva. VE - É de prever que esse acréscimo de horas de trabalho para os profissionais da contabilidade seja repercutido no valor pago pelas empresas? MCG - À semelhança das exigências que têm vindo a ser impostas aos empresários pela Autoridade Tributária, também esta se irá traduzir num considerável acréscimo de horas de trabalho, pois estamos a falar de mais uma obrigação mensal. Todavia, é ao TOC a quem o empresário irá recorrer, uma vez que, na grande maioria dos casos, o empresário não possui nem os recursos humanos nem técnicos para lhe dar resposta. E uma vez mais vão ser os TOC e as empresas de Contabilidade a assumir a suas

expensas mais este ónus, posto que a grande maioria das micro, pequenas e médias empresas não tem condições económicas para se lhe exigir o justo acréscimo dos honorários resultante deste aumento de horas de trabalho e das responsabilidades inerentes. Pelo contrário, os TOC ou as empresas de Contabilidade estão a ser sistematicamente abordados pelos empresários para obter a redução dos seus honorários. Os TOC e as empresas de Contabilidade nestes últimos anos têm assumido um papel muitíssimo importante para a atividade económica do país, uma vez que têm sabido com nobreza dar as melhores respostas, em tempo útil e sem regatear esforços, à pluralidade das exigências da Autoridade Tributária e demais organismos públicos. Atrevo-me até a dizer que, não fossem os TOC e as empresas de Contabilidade, e as consequências para estes contribuintes seriam ainda mais perniciosas e desastrosas, nestes tempos de tantas exigências de informação e tão severa crise para todos os agentes económicos. A não ser que a Autoridade Tributária adotasse outro tipo de medidas muitíssimo menos exigentes, coisa que não estou a ver. VE - As exigências impostas pela Administração Fiscal estão a distorcer o principal objetivo da contabilidade que é o de dar uma informação clara e objetiva sobre a situação das empresas? MCG - Com a entrada em vigor dos Decretos-Leis 197/2012 e 198/2012, a Autoridade Tributária dá a sensação de estar de facto, uma vez mais, a contribuir para retirar à contabilidade as credenciais de credibilidade e confiança que tem vindo a conquistar. Digo parece porque, a meu ver, fizesse a AT o que fizesse no sentido de, através desta e de outro tipo de medidas, tentar reduzir para si a uma insignificância a contabilidade, esta perdurará e resistirá a todas estas

“Todos os anos sem exceção, os empresários têm vindo a ser confrontados e chamados a responder a novas exigências”, afirma Carlos Gonçalves.

ameaças, sobretudo porque os seus protagonistas executores e agentes utilizadores tudo farão para a fazer ascender a patamares mais avançados de exigência e objetividade. A contabilidade é uma ferramenta indispensável ao serviço da gestão de todas as organizações. Sem ela o gestor andaria à deriva e sem norte. Pena é que tenhamos de assistir à agressão da contabilidade por uma entidade que em teoria tem vindo a manifestar permanentemente o interesse e a necessidade de estreitar cada vez mais a ponte entre a contabilidade e a fiscalidade. É confrangedor para os agentes económicos terem de continuar a assistir à adoção de medidas desta natureza que em nada simplificam a sua atividade, em completo antagonismo com as orientações emanadas da União Europeia, que vão no sentido de serem adotadas medidas urgentes a favor da redução dos custos e constrangimentos de contexto das micro, pequenas e médias empresas, de molde a torna-las mais competitivas. Em suma, a adoção deste tipo de medidas por parte da AT só pode ser entendida por uma manifesta total falta de confiança na sua operacionalidade e desempenho e nos agentes económicos deste país. Não que a contabilidade tenha deixado de constituir o instrumento base dos seus controlos e fiscalização. Todavia, se esta é a razão, e não posso entender que seja outra, que está subjacente à adoção deste tipo de medidas por parte da AT, não deixa de constituir também ela uma ameaça e uma afronta aos agentes económicos, sobretudo para aqueles que sempre primaram por cumprir escrupulosamente todas as suas obrigações tributárias.

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ATUALIDADE

Recuo na indústria da Zona Euro pior do que o previsto

Comércio a retalho volta a cair em novembro

As compras à indústria na Zona Euro registaram uma quebra mais acentuada do que se previa, em Dezembro. Há 17 meses consecutivos que os indicadores estão em baixa, com a agravante que respeita a todos os países, excetuando apenas a Irlanda. Os abrandamentos mais significativos, no período em análise, tiveram lugar na Alemanha e em Espanha. A Grécia continua a apresentar os desempenhos mais negativos, em consequência da forte crise que atravessa o país. A recessão na região da moeda única parece estar a agravar-se.

O volume de negócios no comércio a retalho tornou a registar uma quebra no passado mês de novembro. A queda foi de 5,3%, face a igual período do ano anterior. Os índices de emprego, do número de horas trabalhadas e das remunerações também apresentaram quebras, relativamente a novembro de 2011, com menos 5,7%, 6,1% e 6,5%, respetivamente, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Atualização de rendas antigas já pode avançar O decreto-lei que define a fórmula de cálculo dos rendimentos dos inquilinos a partir dos quais se apura o aumento das rendas foi publicado no último dia do ano passado. Com este diploma a nova Lei das Rendas pode ser aplicada praticamente na sua plenitude. Com a promulgação do diploma, as Finanças ficam agora capacitadas para emitir o atestado do RABC aos inquilinos que, perante aumentos de rendas antigas, anteriores a 1990, desejem invocar uma situação de carência financeira. Os arrendatários que tenham tido cortes de rendimentos em 2012 podem optar por fazer relevar esse ano para efeitos de aumento (e não o ano anterior, como estabelece a regra geral). O diploma do RABC remete para futura legislação as regras referentes à atribuição do subsídio de renda. O que, diga-se, só será determinante daqui a cinco anos, tendo am conta que a lei estabelece regras transitórias para inquilinos com dificuldades financeiras. Foi igualmente publicado o decreto-lei que estabelece a determinação do nível de conservação dos prédios urbanos ou frações autónomas, arrendados ou não, para os efeitos previstos em matéria de arrendamento urbano, de reabilitação urbana e de conservação do edificado. Por publicar continua o diploma que cria o Balcão Nacional do Arrendamento (BNA), quenão aparece no mesmo pacote de leis publicado a 31 de dezembro. Sem esta legislação, os processos de despejo estão praticamente parados. Recorde-se que, pela nova lei, para terem início, os processos de despejo terão de passar pelo referido balcão. Atualização de rendas antigas com limites

Os novos valores das rendas antigas (contratos de arrendamento habitacionais e não habitacionais celebrados antes do RAU (1990) e do DL 257/95, de 30.9) variam consoante as taxas de esforço das famílias: - até 10% quando os rendimentos máximos são de 500 euros brutos; - 17% para rendimentos entre 501 e 1500 euros; - e 25% desde os 1501 até aos 2425 euros.

Os rendimentos contabilizados serão os relativos a 2012 e não a 2011, devido ao corte nos subsídios. A transição para o NRAU e a atualização da renda dependem de iniciativa do senhorio, que deve comunicar a sua intenção ao arrendatário, indicando: - O valor da renda, o tipo e a duração do contrato propostos; - O valor do locado, avaliado nos termos dos artigos 38.º e seguintes do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI), acompanhado de cópia da caderneta predial urbana. Oposição pelo arrendatário

Caso o arrendatário se oponha ao valor da renda, ao tipo e ou à duração do contrato propostos pelo senhorio, propondo outros, o senhorio, no prazo de 30 dias contados da receção da resposta daquele, deve comunicar ao arrendatário se aceita ou não a proposta. A oposição do arrendatário ao valor da renda proposto pelo senhorio não acompanhada de proposta de um novo valor vale como proposta de manutenção do valor da renda em vigor à data da comunicação do senhorio. A falta de resposta do senhorio vale como aceitação da renda, bem como do tipo e da duração do contrato propostos pelo arrendatário. Se o senhorio aceitar o valor da renda proposto pelo arrendatário, o contrato fica submetido ao NRAU a partir do 1.º

As Finanças ficam agora capacitadas para emitir o atestado do RABC aos inquilinos que, perante aumentos de rendas antigas, anteriores a 1990, desejem invocar uma situação de carência financeira.

dia do segundo mês seguinte ao da receção, pelo arrendatário, da comunicação. Se o senhorio não aceitar o valor de renda proposto pelo arrendatário, pode: - Denunciar o contrato de arrendamento, pagando ao arrendatário uma indemnização equivalente a cinco anos de renda resultante do valor médio das propostas formuladas pelo senhorio e pelo arrendatário. Esta indemnização é agravada para o dobro ou em 50% se a

renda oferecida pelo arrendatário não for inferior à proposta pelo senhorio em mais de 10% ou de 20%, respetivamente. A indemnização é paga no momento da entrega do locado ao senhorio. No período compreendido entre a receção da comunicação pela qual o senhorio denuncia o contrato e a produção de efeitos da denúncia vigora a renda antiga ou a renda proposta pelo arrendatário, consoante a que for mais elevada.

- Atualizar a renda de acordo com os critérios previstos nas alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 35.º da nova lei (o valor atualizado da renda tem como limite máximo o valor anual correspondente a 1/15 do valor do locado; sendo que o valor do locado corresponde ao valor da avaliação realizada nos termos dos artigos 38.º e seguintes do CIMI), considerando-se o contrato celebrado com prazo certo, pelo período de cinco anos a contar da referida comunicação.

Atualização limitada e faseada por cinco anos Caso o arrendatário invoque e comprove que o RABC do seu agregado familiar é inferior a cinco RMNA, o contrato só fica submetido ao NRAU mediante acordo entre as partes ou, na falta deste, no prazo de cinco anos a contar da receção, pelo senhorio, da resposta do arrendatário. No período de cinco anos, a renda pode ser atualizada nos seguintes termos: - O valor atualizado da renda tem como limite máximo o valor anual correspondente a 1/15 do valor do locado; - O valor do locado corresponde ao valor da avaliação realizada nos termos dos artigos 38.º e seguintes do CIMI;

- O valor atualizado da renda corresponde, até à aprovação dos mecanismos de proteção e compensação social, a um máximo de 25% do RABC do agregado familiar do arrendatário (limite esse que será de 17% ou de 10% do RABC, consoante o rendimento do agregado familiar seja inferior a 1500 euros ou a 500,00 euros mensais. Nestes casos, estamos perante aumentos de 225 J ou de 50 J, como acima indicamos). Em qualquer dos casos (idade igual ou superior a 65 anos ou deficiência com grau comprovado de incapacidade superior a 60% ou RABC inferior a cinco RMNA), findo o referido período de cinco anos, o senhorio poderá

desencadear novo processo de atualização da renda. No entanto, se, por um lado, no caso de o senhorio não chegar a acordo com o arrendatário com idade igual ou superior a 65 anos ou deficiência com grau comprovado de incapacidade superior a 60%, o contrato não passará a estar “submetido ao NRAU” (o contrato não sofrerá qualquer alteração quanto ao seu tipo e duração), por outro lado, no caso de o arrendatário cujo RABC seja inferior a cinco RMNA, no silêncio ou na falta de acordo das partes sobre o tipo ou duração do contrato, o mesmo considera-se celebrado por prazo certo, pelo período de dois anos. De notar que o NRAU agora

revisto passa a prever que, caso a renda seja atualizada no termo do referido período de cinco anos, o arrendatário possa ter direito a uma resposta social, nomeadamente através de um subsídio de renda, de habitação social ou de mercado social de arrendamento, nos termos e condições ainda a definir em diploma próprio. Após a atualização da renda através do mecanismo especial de atualização de rendas e de transição de regime, a mesma continuará a sofrer atualizações anuais, nos termos contratualmente previstos ou, na falta destes, por aplicação dos coeficientes de atualização em vigor.

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ATUALIDADE

ADENE e ERSAR cooperam na gestão de recursos energéticos

Carga aérea cresce 1,5% em novembro Em novembro, a Carga e Correio Aéreos processados pelos aeroportos do Grupo ANA cresceram 1,5% (+189 tons) face a igual período de 2011. A greve dos estivadores e o aumento de carga em trânsito são os principais fatores a contribuir para a inversão da tendência negativa que se vinha registando até agora em termos acumulados.

A ADENE – Agência para a Energia e a ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos estabeleceram um protocolo para a cooperação nas áreas da eficiência energética da gestão da água e resíduos, dando corpo à crescente ligação entre as várias áreas da economia sustentável.

DEBATE SOBRE O NOVO REGIME DE ARRENDAMENTO URBANO

Falta de fundamentação pode invalidar

Os oradores convidados para o debate foram Maria Olinda Garcia, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Patrícia Meneses Leirião, Ana Sofia Oliveira e Andreia Júnior, advogadas especialistas em Direito Fiscal e Contencioso Tributário da Gali Macedo e Associados. A moderação foi da responsabilidade de Teresa Alves de Sousa, do semanário “Vida Económica”.

Maria Olinda Garcia aconselhou “o maior dos cuidados” na elaboração da carta a comunicar o despejo.

A falta de comunicação fundamentada pode ser motivo para o arrendatatário impugnar a intenção de despejo por parte do senhorio. Esta foi uma das conclusões do seminário “O novo regime de arrendamento urbano”, recentemente realizado pela sociedade de advogados Gali Macedo e Associados e pela Vida Económica, com o apoio da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP). “Quanto ao direito de denúncia do senhorio, o anterior regime estabelecia a chamada denúncia livre, um pré-aviso longo de cinco anos. Todos concordavam que este pré-aviso não fazia sentido. A lei até obrigava o senhorio a refrescar a memória do arrendatário e informá-lo quando faltasse um ano ou quinze meses para terminar esse prazo. Agora, para os contratos que têm duração indeterminada, o prazo de pré-aviso é de dois anos”, afirmou Maria Olinda Garcia, professora da Faculdade de Direito

da Universidade de Coimbra, no debate sobre “O novo regime de arrendamento urbano”. No encontro, que foi moderado pela advogada Teresa Alves de Sousa e em que intervieram ainda Ana Sofia Oliveira e Andreia Júnior, especialistas em Direito Fiscal e Contencioso Tributário da Gali Macedo e Associados, Maria Olinda Garcia chamou a atenção para a “existência de contratos de duração indeterminada/vinculísticos que passaram para o novo regime.” “Mantém-se esta restrição de continuar a não poder extinguir livremente, sem nenhum fundamento, para os contratos anteriores a 1990, independentemente da idade do arrendatário. Mas nos contratos posteriores a essa data e anteriores a 2006, se o arrendatário tiver idade inferior a 65 anos e não tiver incapacidade superior a 60%, esse contrato pode ser livremente denunciado. Por exemplo: um contrato com uma pessoa com 62 anos, de 1991, pode perfeitamente ser denunciado”, alertou a advogada.

núncia motivada, isto é, quando o senhorio precisa da casa para si ou para um filho e quando tem de fazer obras incompatíveis com a presença do arrendatário na casa ou mesmo de demolir o prédio. O senhorio tinha de propor, até agora, uma ação de despejo e explicar em tribunal porque necessitava da casa, que obras ia fazer, ou seja, explicar e provar tudo ao tribunal. Desapareceu essa necessidade. Atualmente, o artigo 1103 diz que o senhorio não tem de propor ação de despejo e pode extinguir o contrato ao enviar ao arrendatário uma carta registada com aviso de receção”. Maria Olinda Garcia aconselhou “o maior dos cuidados na

elaboração desta carta, sob pena de o arrendatário invocar a comunicação ineficaz e não sair da casa no prazo de seis meses”. Nesta situação, “o senhorio pode recorrer ao Balcão Nacional do Arrendamento que supostamente funcionará de forma célere e despejará o arrendatário. Acontece que o arrendatário tem a possibilidade de pedir ao tribunal que aprecie a falta de comunicação fundamentada” e não tem dúvida que, “neste caso, o arrendatário ganha e o senhorio volta ao ponto zero. Aquilo que se pensou ser uma solução mais rápida pode ser afinal uma solução que demora muito mais tempo”, conclui a especialista em Direito Civil.

“Balcão do Arrendamento parece ser uma boa opção”

O Balcão Nacional do Arrendamento (BNA) é uma peça fundamental da nova Lei do Arrendamento Urbano e funcionará no âmbito do Ministério da Justiça. O BNA ainda não foi criado, mas tem como propósito “tornar o arrendamento num contrato mais seguro e com mecanismos que permitam reagir ao incumprimento de uma forma mais célere, contribuindo para essa celeridade a existência de prazos relativamente curtos quanto ao procedimento, não sendo, por exemplo, suspenso um processo devido a férias judiciais”, afirmou Patrícia Meneses

Denúncia motivada

Outra alteração, que Maria Olinda Garcia considerou “perigosa para os senhorios, apesar de aparentemente ser uma solução bem recebida, diz respeito à de-

A Associação Lisbonense de Proprietários teve casa cheia para assistir ao debate sobre o Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU).

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ATUALIDADE

AHRESP organiza jornadas na Alimentaria & Horexpo Lisboa A AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal volta, uma vez mais, a realizar as Jornadas da Associação, durante a Alimentaria & Horexpo Lisboa 2013, que decorre de 14 a 17 de abril, na FIL, em Lisboa. Destas jornadas esperam-se soluções inovadoras, competitivas, produtivas e rentáveis.

Tarifas de portagem sobem 2,03% A Brisa – Auto-Estradas de Portugal informa que, a partir de 1 de janeiro de 2013, entrou em vigor o novo tarifário de portagem nas auto-estradas que integram o grupo: Brisa Concessão Rodoviária, Brisal, Auto-Estradas do Douro Litoral e Auto-Estradas do Atlântico. A atualização é de 2,03%, valor que tem como referência a taxa de inflação homóloga – sem habitação – de outubro.

comunicação de despejo Leirião, especialista em Direito Tributário, da Gali Macedo e Associados. Patrícia Leirião explicou no que consiste o procedimento disponibilizado pelo BNA: “Será o meio adequado para efetivar a cessação do arrendamento quando o inquilino não desocupa o imóvel na data que prevista na lei ou que foi acordada pelas duas partes”. A lei prevê as situações em que este procedimento é aplicável, a saber: revogação; caducidade; cessação à proposição de renovação, seja pelo senhorio ou inquilino, nos contratos a termo certo; na denúncia pelo senhorio ao inquilino nos contratos por duração indeterminada e na resolução por comunicação de mora igual ou superior a duas rendas. “Deixou de ser necessário

instaurar duas ações, uma a chamada ação de despejo e outra para executar o pagamento das rendas. Temos o requerimento para despejo e cumulativamente o senhorio aciona o pagamento das rendas, encargos e despesas a cargo do inquilino. Este procedimento só pode ser utilizado quando foi efetuada liquidação de imposto de selo e há necessidade de contrato escrito. Para este procedimento especial funcionar temos a criação do BNA, que ainda não foi criado, só está no papel, e que funcionará numa plataforma virtual, decalcada do Balcão Nacional de Injunções, que parece ser uma boa opção, com resultados positivos, mas não sabemos como vai funcionar porque ainda não está em vigor.”

Vida Económica edita “Novo Regime do Arrendamento Urbano” Para conhecer melhor as alterações recentes introduzidas no Regime do Arrendamento Urbano pelas Leis nº 30/2012 e 31/2012, de 14 de Agosto, que entraram em vigor a 12 de Novembro de 2012, assim como de toda a matéria que integra o Regime Jurídico do Arrendamento Urbano, a Vida Económica editou a coletânea sobre “Novo Regime do Arrendamento Urbano”, cuja perspetiva prática foi anotada e comentada por advogados de rotina diária nesta área (Carlos Nabais, Manteigas Martins, Carla Santos Freire, José M. Raimundo).

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ATUALIDADE/Opinião

Decisão sobre estaleiros de Viana nas próximas semanas O Governo adiou a escolha do futuro dono dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), por estarem a decorrer negociações com as autoridades europeias. A decisão deverá ser tomada “nas próximas semanas”, disse a secretária do Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque. Na corrida à privatização estão o grupo brasileiro Rio Nave e o grupo russo RSI Trading.

Portugal evita dupla tributação em relação a Chipre e ao Peru Foi aprovada pelo Governo uma proposta de resolução relativa à Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento entre Portugal e a República de Chipre. O Conselho de Ministros aprovou uma proposta semelhante para evitar a dupla tributação com o Peru.

FRANCISCO JAIME QUESADO

LÚCIO MIGUEL CORREIA

%SPECIALISTAEM%STRATÏGIA )NOVAÎÍOE Competitividade

Advogado da Gali Macedo – Dep. Desporto -ESTREEM$IREITOs$OCENTE5NIVERSITÈRIO

O ano do investimento O novo ano tem que ser o ano do investimento. O investimento é a chave central para uma nova agenda de crescimento. Mas tem que ser um Novo Investimento. Os tempos mudaram e o paradigma hoje impõe a aposta no reforço de clusters com empresas locais, aposta na inovação e desenvolvimento, formação qualificada de muitas pessoas. Vivem-se tempos de profunda crise internacional e no contexto da intensa competição entre regiões e mercados a urgência de um sentido estratégico mais do que se impõe. A manutenção e captação de investimento é fundamental para o sucesso económico do país. Por isso, vai ser preciso apostar em novas plataformas abertas de dinamização de redes globais geradoras de valor. O novo investimento não é só a plataforma de desenvolvimento económico do país, mas é também a base de uma nova aposta na inovação e criatividade, nas competências, nos talentos e novas oportunidades. A dinamização da criação de valor e reforço da inovação tecnológica terá muito a ganhar com este novo investimento. Por isso, em tempos de crise e de aposta num novo paradigma para o futuro, o novo investimento deve constituir o verdadeiro centro de uma convergência estratégica entre o Estado, a empresa e todos os que

se relacionam com a sua dinâmica. O novo investimento tem que se assumir como a referência da aposta num novo modelo de desenvolvimento estratégico para o país. O novo investimento desempenha um papel de alavancagem da mudança, único. Portugal precisa, de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do investimento de inovação associado à captação de empresas e centros de I&D identificados com os setores mais dinâmicos da economia – tecnologias de informação e comunicação, biotecnologia, automóvel e aeronática, entre outros. Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por “redes ativas” de atuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas setoriais (empresas líderes, universidades, centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. Uma nova economia, capaz de garantir uma economia nova sustentável, terá que se basear numa lógica de focalização em prioridades claras. Assegurar que o “IDE de Inovação” é vital na atração de competências que induzam uma renovação ativa estrutural do tecido económico nacional; mobilizar de forma efectiva

os “centros de competência” para esta abordagem activa no mercado global – mas fazê-lo tendo em atenção critérios de racionalidade estratégica definidos à partida, segundo opções globais de política pública, que tenham em devida atenção a necessidade de manter níveis coerentes de coesão social e territorial. Investir tem que ser a palavra de ordem no novo ano. A competitividade tem por isso de sair do papel e ir para o país real. Por isso, importa que os atores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar a região e o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo. O exemplo do IDE passa por isso. Por perceber que a aposta em projectos estratégicos como os clusters de inovação e os pólos de competitividades são caminhos que não se podem adiar mais. A guerra global pelo valor e pelos talentos está aí e quem não estiver na linha da frente não terá possibilidades de sobrevivência. É essa a base deste novo investimento, que, mais do que nunca, é de facto a chave para o crescimento da economia nacional.

ANTÓNIO RAPOSO SUBTIL Advogado

Os atrasos da Justiça no novo ano No ensaio “Os atrasos da Justiça”, promovido pela Fundação FMS, é reservado um capítulo (V. Esperar no Tribunal) para avaliar a morosidade judicial, como sintoma mais recorrente da crise da justiça, que, segundo alegou a autora, beneficiou dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa do CES da Universidade de Coimbra. Ente os vários subtítulos que serviram de guia à análise efectuada, surge o “V.5. A acção das partes”, do qual consta a menção ligeira e negativa, por não suportada em qualquer base estatística ou objetiva, ao comportamento processual dos advogados. Infelizmente, nos últimos anos, não existem relatórios da justiça elaborados pela Ordem dos Advogados, que possam ser usados para contrariar tais alegações infundadas, mas contaminantes, no sentido em que visam criar as condições para um sistema de justiça sem advogados, por usarem prerrogativas processuais (que a lei consagra para defesa dos interesses das partes e da boa justiça). Os que querem impor “uma tramitação processual mais vinculada a um paradigma gestionário e a uma

intervenção mais ativa do juiz”, para confundir os fundamentos da morosidade processual, designam a apresentação de reclamações e recursos pelos advogados, constituídos no processo, por “expedientes dilatórios”! A anunciada revolução/reforma do Código do Processo Civil e da Organização Judiciária, em que o objetivo da redução dos prazos processuais é o paradigma, não pode ser sustentada numa campanha em que os advogados são parte do problema e não da solução, não obstante serem os únicos intervenientes processuais em que o não cumprimento dos prazos fixados por lei ou pelo juiz tem efeitos cominatórios relevantes. Teremos de admitir um caminho, a percorrer em conjunto com todos os operadores judiciários, visando a reforma urgente do sistema judicial, viabilizando a implementação de soluções geradoras de eficiência processual e da consequente redução de custos, mas o papel do advogado não pode ser degradado ou menorizado, sob pena de graves prejuízos para a ideia de uma Justiça para todos. Quer no desempenho da sua função de mandatários no âmbito do regime

do apoio judiciário, que é vital para o equilíbrio do sistema de justiça, quer do mandato voluntário, o papel do advogado terá de ser valorizado, para o que todos temos de assumir as consequentes responsabilidades, devendo a Ordem dos Advogados apostar na formação contínua indispensável à apreensão do sentido das reformas em curso. Em 2006, no âmbito do ciclo de conferências denominado “A Justiça em Números”, por via dos relatórios estatísticos elaborados após avaliação da situação junto de cada tribunal, o Conselho Distrital de Lisboa concluiu que “os números da justiça eram dramáticos e reveladores do défice de julgamento de processos pendentes”. Em 2012, a imagem do advogado é penalizada pelo mau funcionamento dos tribunais, o que poderá provocar a quebra ou redução do natural patrocínio que, na vertente da advocacia preventiva (informação e consulta jurídica), exercemos na defesa (por via da mediação e conciliação) de direitos de terceiros antes da interposição do litígio em tribunal. Em 2013, todos desejamos uma drástica redução das pendências judiciais, o que significa mais Justiça!

O fim dos fundos sem fim? O Comité Executivo da UEFA decidiu no princípio do mês de Dezembro do corrente ano, em Lausanne, na Suíça, que a posse partilhada de passes de futebolistas (quer seja por empresas ou fundos de investimento) deverá ser proibida por uma questão de princípio”. Por consequência, foi pedido à FIFA, o organismo que tutela o futebol mundial, que “elabore os regulamentos adequados a esta proibição”. Na prática, aquilo que o organismo que tutela o futebol europeu pretende é proibir a venda de percentagens dos passes de jogadores de futebol a fundos de investimento. Uma prática comum em vários países, nomeadamente o português, mas que é proibida noutros, como por exemplo em Inglaterra e em França. Se esta medida efetivamente avançar em termos regulamentares, serão afetados de sobremaneira diversos mercados europeus, tais como o espanhol e o turco, que têm recorrido a este tipo de instrumentos, mas também os principais clubes portugueses – uma vez que muitos jogadores dos três “grandes” têm os passes detidos parcialmente por fundos de investimento, nacionais e internacionais. Como se sabe, nada menos do que 37 jogadores dos plantéis dos três grandes foram contratados com auxílio aos denominados fundos de investimento. Esta transparência, desde há muito reclamada por Michel Platini, Presidente da UEFA, significa, na prática, um ataque a uma das formas de financiamento que clubes, como os portugueses, encontraram nos últimos anos e que, caso venha a ser proibida, claramente coloca em causa não só a competitividade internacional de FC Porto, Benfica ou Sporting mas também a própria qualidade das competições internas e, em última análise, a própria vida desportiva desses emblemas tal como hoje a conhecemos. Assim, esta medida proibitiva, caso seja adotada, é verdadeiramente transtornante para a situação financeira paupérrima dos clubes nacionais, aliando-se às rigorosas e incontornáveis regras de fair-play financeiro da UEFA que se avizinham e que já estão em vigor. O “fair-play” financeiro, sistema de controlo das finanças dos clubes, é um dos maiores alvos do organismo da UEFA e visa disciplinar os clubes europeus na gestão financeira, para que não apliquem despesas superiores às receitas, numa análise contabilística que é feita por ciclos trianuais. As contas dos clubes e SAD começaram a ser registadas na época 2011/2012 e serão somadas às de 2012/2013 e 2013/2014. Será esse conjunto de exercícios que a UEFA terá em conta para ponderar o licenciamento às competições europeias. Nas contas do início 2013/2014, os clubes não deverão apresentar perdas superiores a 45 milhões de euros nas duas épocas anteriores e na temporada seguinte, em 2014/2015, o limite mantém-se quando forem somadas as contas dos três últimos exercícios. No “triénio” entre 2015/2016 e 2017/2018, as perdas acumuladas não podem ultrapassar os 30 milhões de euros. Numa primeira fase, os clubes poderão ser penalizados com perda de pontos ou o impedimento de inscrição de jogadores, mas, no limite, a UEFA poderá impedir a inscrição dos prevaricadores nas competições que organiza. Como se sabe, os principais clubes de futebol portugueses continuam com níveis de endividamento preocupantes e bem longe dos níveis económicos permitidos pelas referidas regras de fair-play financeiro da UEFA. Apesar da crise económica, das dificuldades de acesso ao crédito bancário e das referidas regras de controlo financeiro da UEFA, os dados da última temporada mostram que Benfica, Sporting e FC Porto devem aos bancos 411,9 milhões de euros (ME), mais 59,8 milhões do que no final de 2010-11. Caso a aludida medida regulamentar venha a ser elaborada pela FIFA e, subsequentemente, imposta pela UEFA, será que estaremos perante o fim do mercado de transferências tal como hoje o conhecemos? Ou, apenas, o fim dos fundos sem fim, cujo falta de rosto e forma de atuar motivam tantas dúvidas quanto as necessidades dos clubes e SAD que deles dependem? O tempo, a seu tempo, responderá.

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ATUALIDADE/Internacional

Espanha espera regresso ao crescimento em 2014

Exportações alemãs vão crescer 4%

O Governo espanhol estima que o país volte ao crescimento e à criação de emprego em 2014, mas há muitas cautelas quanto ao exercício agora iniciado. O Executivo assume que o ano passado foi pior do que o esperado, devendo registar um recuo de 1,5%, passando para um crescimento negativo de 0,5%, em 2013. Entretanto, o Governo diz que vai continuar a traçar o caminho das reformas.

As exportações alemãs deverão aumentar 4%, no ano agora iniciado, de acordo com as câmaras de comércio daquele país. As vendas para o exterior vão continuar a crescer, apesar das debilidades que permanecem na Zona Euro, que é o principal mercado da Alemanha. Ainda assim, este não será um ano de grandes otimismos, já que ao longo dos últimos anos o crescimento médio das exportações germânicas tem rondado os seis pontos percentuais.

Mercados emergentes deixaram de ser atrativos para a banca de investimento Os bancos de investimento, que já se defrontam com um mercado interno marcado por um contexto regulamentar cada vez mais restritivo, estão a registar dificuldades também nos mercados emergentes. Com efeito, a quebra nas entradas em bolsa e nas fusões ou aquisições estão a ter um impacto brutal nas suas receitas. Constata-se que, a nível global, os volumes ligados a este tipo de operações sofrem de perspetivas económicas incertas e de uma fraca valorização bolsista. Mas o que é mais surpreendente é que o abrandamento também se está a fazer sentir nos países em desenvolvimento. Isto quando os bancos encaravam precisamente estes mercados como o motor do seu desempenho futuro. O que vai fazer com que os bancos de investimento tenham de rever as suas estratégias nestes países, onde desenvolveram a sua atividade de acordo com a realidade do momento. Basta ter em conta que os bancos ocidentais realizaram mais de metade das suas operações de financiamento, por via do apelo público à poupança nos mercados emergentes, em 2011, contra apenas 22% há cerca de oito anos. Entre 2000 e 2007, as ofertas públicas iniciais multiplicaram por seis o valor das comissões, tendo superado os 6,5 mil milhões de dólares. No ano passado, verificou-se uma quebra para cerca de metade naquele tipo de operações e nas fusões-aquisições houve uma descida de 16%, relativamente ao ano anterior. Em

O norte-americano Citigroup é um exemplo evidente das dificuldades que se colocam, tendo anunciado a eliminação de 11 mil postos de trabalho a nível global.

apenas um ano, as comissões dos bancos de investimento apresentaram uma descida de 24%, o que se irá traduzir, quase de certeza, na eliminação de postos de trabalho. É mesmo muito possível que vários bancos encerrem as suas atividades em certos mer-

cados. O Citigroup é um caso paradigmático, tendo já anunciado a supressão de 11 mil postos de trabalho, com especial destaque para os mercados emergentes, a par do encerramento de inúmeras operações na área da banca de investimento.

Semicondutores e componentes eletrónicos lideram na inovação O setor dos semicondutores e componentes eletrónicos é aquele que mais investe em inovação. Por sua vez, os Estados Unidos possuem 47 das 100 empresas mais inovadoras do mundo, como são os casos da Apple, da Boeing ou da ExxonMobil, conclui-se da lista elaborada pela Thomson Reuters, referente ao ano passado. A lista tem em conta o investimento em investigação e desenvolvimento, a proteção das suas inovações (patentes) e o reconhecimento de uma empresa que traça o caminho a seguir. Os setores mais inovadores são os dos semicondutores e componentes eletrónicos (com 18%), seguindo-se a informática (13%), a química (8%) e os transportes, as telecomunicações e os produtos de grande consumo (7%). Se na referida lista aparecem mais de duas dezenas de setores de atividade, a variedade é muito mais reduzida quando se trata dos países onde essas empresas têm as suas sedes. Sem dúvida que o destaque vai para os Estados Unidos, país que detém 47 empresas das 100 mais inovadoras do ano passado. Segue-se o Japão (25) e a França (13). Estes três países em conjunto representam

A lista da Thomson Reuters coloca a Boeing entre as empresas mais inovadoras a nível mundial.

O destaque vai para os Estados Unidos, país que detém 47 empresas das 100 mais inovadoras

cerca de 85% das empresas que mais inovaram. A lista é completada com a Coreia do Sul (7), a Suécia (3), a Suíça (3), a Alemanha (1) e a Bélgica (1). Quanto aos nomes que aparecem, para além daqueles que é habitual encontrar neste tipo de classificação – HP, GE, IBM ou Microsoft –, outros há que surpreendem, como são os casos da Xerox, da L´Oréal ou da Ford.

Toyota passa a liderar vendas mundiais de automóveis A Toyota terá assumido a liderança nas vendas automóveis, a nível global, no ano passado, com 9,7 milhões de veículos colocados no mercado, mais 22% do que no exercício anterior. Para 2013, as previsões apontam para um crescimento de apenas 2%, num total de 9,91 unidades. Se estes números se confirmarem, como esperam os analistas do setor automóvel, a marca japonesa deverá passar a primeiro construtor automóvel mundial, à frente da norte-americana General Motors e da alemã VW, cada qual a com 9,1 e 9,2 milhões de veículos. Em termos de produção de veículos, a Toyota anuncia volumes ligeiramente superiores às vendas. Assim, a Toyota Motor projeta produzir, este ano, 8,7 milhões de veículos das marcas Toyota e Lexus. Para a globalidade do grupo, as previsões apontam 9,94 milhões de unidades, incluindo a Daihatsu Motors e a Hino Motors. De notar que, em 2011, as vendas foram muito penalizadas pelo acidente da central nuclear de Fukushima, daí se ter verificado um forte aumento nas vendas no ano seguinte. Pelo que as previsões até são bastante positivas, tendo em conta a situação complicada que a indústria automóvel atravessa, com uma clara sobreprodução, especialmente na Europa. As marcas estão a desenvolver esforços no sentido de se reestruturarem, face às novas condições de mercado bastante mais exigentes.

Reforma do FMI depende dos Estados Unidos A reforma da governação do FMI, no sentido de reforçar o peso dos países emergentes, continua suspensa de uma ratificação parlamentar nos Estados Unidos. Trata-se de uma situação que já se arrasta há cerca de dois anos e que os responsáveis do fundo querem resolver o mais rapidamente possível. Os norte-americanos têm um peso de quase 17%, pelo que o seu acordo é fundamental. A ideia da reforma é reequilibrar as forças no seio do conselho de administração da instituição, o qual representa os seus 188 Estados-Membros. A China detém 3,8% dos direitos de voto (contra os 3,1% da Itália) e deverá obter quase o dobro com a referida reforma. Esta reforma é tanto mais crucial quanto vai triplicar os recursos permanentes para 767 mil milhões de dólares. Atualmente, as quotas são atribuídas numa base de uma média calculada em grande parte segundo o PIB dos Estados-Membros e o seu grau de abertura à economia. O aumento da representatividade dos países emergentes vai resultar em mudanças consideráveis no fundo, quer em termos de montante disponível, quer quanto ao maior grau de intervenção dos países que estão em desenvolvimento.

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MC&A apoia estudo Paying Taxes 2013

NEGÓCIOS E EMPRESAS

A MC&A, sociedade de advogados portuguesa fundada por Vítor Marques da Cruz, integrou a equipa de especialistas que apoiaram a realização do Paying Taxes 2013, na análise ao regime fiscal de Angola, Guiné, São Tomé e Moçambique. O estudo avalia os regimes fiscais de 185 economias em todo o mundo.

MARCA PODERÁ SER FRANQUIADA AINDA ANTES DE 2014

Casa do Galo expande lojas e renova imagem A Casa do Galo, antiga Casa dos Frangos de Moscavide, vai investir um milhão de euros na abertura de um novo ponto de venda e na renovação da imagem corporativa das suas 20 lojas. A nova identidade é já visível na recém-inaugurada loja do Fórum Sintra. A empresa vai também investir 500 mil euros na abertura de novos pontos de venda em mercados externos e poderá franquiar a marca ainda “antes de 2014”, afirma à “Vida Económica” Marco Ferreira, diretor-geral da Casa do Galo. VIRGILIO FERREIRA virgilio@vidaeconomica.pt

Vida Económica - A Casa do Galo está a investir um milhão de euros. Que investimento é esse? Marco Ferreira - A Casa do Galo tem em curso um processo para reorientar a organização: iniciámos a alteração da nossa estrutura, alargámos a equipa de colaboradores, criámos um novo conceito e uma nova identidade que agrega todas as marcas da antiga Casa dos Frangos de Moscavide. Até ao final de 2013, vamos investir um milhão de euros na abertura de um novo ponto de venda e na renovação das 20 lojas com a nova identidade corporativa, já visível na recém-inaugurada loja do Fórum Sintra. VE - Qual a razão da mudança de imagem de Casa dos Frangos de Moscavide para Casa do Galo? MF - Em 2011, e inserido num processo de grande impacto para reorientar a empresa, a Casa dos Frangos de Moscavide iniciou a alteração da sua estrutura e alargou a sua equipa de colaboradores. O passo seguinte foi o desenvolvimento de um estudo exaustivo sobre a imagem da Casa dos Frangos de Moscavide. A dispersão de insígnias, a existência de inúmeras identidades pouco diferenciadoras, apelativas e antiquadas e a necessidade de aproximar a marca de um público mais jovem e moderno levaram a Casa dos Frangos de Moscavide a iniciar um processo de agregação de todas as insígnias numa única marca, forte e consistente: Casa do Galo. A Casa do Galo surge assim com um

“No plano internacional, temos a intenção de investir 500 mil euros na abertura de novos pontos de venda em três mercados prioritários”, afirma Marco Ferreira, diretor-geral da Casa do Galo.

conceito assente na portugalidade, tradicional e popular, especializado em frango assado em brasa de carvão vegetal. Agregando experiência, know-how e a receita do tempero, tradicional e familiar, a Casa do Galo apresenta também uma nova assinatura, “Muitos Anos a Virar Frangos”.

VE - Quando e onde contam abrir a nova loja? MF - A recém-inaugurada loja do Fórum Sintra é a primeira com o novo conceito e identidade Casa do Galo. A partir daqui, iremos proceder à atualização das restantes 20 lojas e prevemos, ainda até ao final de primeiro trimestre de 2013, a

“Frango é rei” em oferta variada A Casa do Galo é especializada em frango assado em brasa de carvão vegetal (produto que tem vindo a ganhar cada vez mais protagonismo no mercado português, constituindo uma refeição prática, saudável e muito apreciada pelos portugueses). A utilização de “produtos de alta qualidade” – todos os frangos utilizados na Casa do Galo são frescos (as encomendas e entregas do produto no ponto de venda são diárias) e de origem nacional – aliada a “um preço bastante competitivo” – garantido pela agregação de todas as compras num único fornecedor – “têm vindo a contribuir fortemente para a consolidação e crescimento sustentado do negócio da Casa do Galo”, afirma Marco Ferreira.

Apostando numa oferta gastronómica muito diversificada, a ementa da Casa do Galo inclui, para além do tradicional frango assado em brasa de carvão vegetal, inúmeras outras variantes onde o “frango é rei”: hambúrguer, espetada, salada ou sandes. Todas as carnes (com exceção do hamburger) são delicadamente temperadas com a tradicional marinada Casa do Galo, podendo ainda o cliente optar por um tempero final mais refinado e gourmet. Mel, alecrim, maionese de coentros, ketchup de framboesas, mostarda e molhos piri-piri são apenas alguns dos ingredientes que, “habilmente confecionados, transformam um prato simples e saudável numa verdadeira experiência gastronómica”.

abertura de um novo ponto de venda na zona central de Lisboa (local em concreto ainda em análise). VE - O modelo de negócio futuro inclui o franchising da marca? MF - Está a ser equacionado, nomeadamente para 2014, mas tudo depende da evolução do mercado durante o ano de 2013. Para já a nossa estratégia a nível nacional assenta na reformulação de lojas, o que não quer dizer que não possamos franquiar, através de um Master, fora de Portugal, antes do previsto para 2014. VE - No plano internacional, quais são os planos? MF - No plano internacional, temos a intenção de investir 500 mil euros na abertura de novos pontos de venda em três mercados prioritários. VE - Como decorreu o negócio em 2012 e quais as perspetivas para 2013? MF - Em 2011 a empresa faturou 5,6 milhões de euros. Para 2012 prevemos uma quebra de cerca de 30%, devido ao contexto económico atual de retração de consumo e à necessidade de nova imagem e conceito em loja.

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NEGÓCIOS E EMPRESAS

Dachser passa a Azkar Portugal A Dachser e a Azkar vão proceder à integração da oferta de serviço no mercado português. A partir de agora, as duas empresas apresentam-se no território nacional como uma só marca – Azkar Portugal. A alteração não abrange as áreas de negócio aérea e marítima, onde se mantém a marca Dachser Air & Sea Logistics.

RÚSSIA E AMÉRICA DO SUL SÃO MERCADOS PREFERENCIAIS

Oli aposta no mercado externo

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Modelo Integrado para uma Gestão Eficiente e Contolo do Risco Autor: José Oliveira Páginas: 176 (17 x 24 cm) P.V.P.: € 16

A empresa de Aveiro entrou recentemente no Brasil e passou a estar presente em 40 mercados.

A Oli, empresa nacional da área dos autoclismos, é a terceira entidade empresarial portuguesa com o maior número de patentes na Europa, o que resulta de um investimento contínuo em investigação e desenvolvimento. Perante um mercado interno em retração, a aposta é claramente na internacionalização e na diversificação do produto. Com um volume de negócios anual de 45 milhões de euros, a empresa de Aveiro entrou recentemente no Brasil e passou a estar presente em 40 mercados. António Oliveira, CEO da Oli, garante que o processo de internacionalização vai continuar. A produção é portuguesa na sua totalidade, sendo que 80% da mesma se destina à exportação. “Apesar da forte contração da atividade na Europa Ocidental, o mercado europeu continua a representar a maior fatia da atividade da Oli. Itália, França, Sué-cia, Rússia e Alemanha, por esta ordem, são os mercados externos mais relevantes, em termos de faturação. A empresa estendeu recentemente a sua atividade a mercados da América Latina, nomeadamente Brasil, México e Uruguai. Vai ainda criar um centro logístico e comercial na Rússia”, adiantou à “Vida Económica” António Oliveira. Diversificar mercados

Acontece que tem havido a preocupação constante de diversificar os mercados onde atua, minimizando desta forma o risco de uma dependência de uma zona geográfica. A estratégia de diversificação tem permitido maiores taxas de crescimento em mercados ditos emergentes – como os da Polónia, Ucrânia e Norte de África. “Temos investido num plano de expansão internacional para novos mercados fora da Zona Euro, no sentido de compensar a desaceleração das economias nacional e europeia.” Uma outra vertente importante para potenciar o crescimento tem sido a diversificação ao nível da oferta do produto. Não se trata de vender exclusivamente autoclis-

mos. A Oli disponibiliza uma gama alargada de produtos hidro-termossanitários, desde as soluções de painéis solares térmicos e a sua integração com os sistemas de aquecimento central e de águas quentes sanitárias, até à oferta de sistemas de instalação sanitária e mobiliário e acessórios de banho. “Tem sido nossa preocupação aumentar a oferta, melhorar o serviço e aumentar a cobertura nos vários mercados”, de acordo com o empresário.

Continuar a inovar para melhorar resultados Existem desafios que António Oliveira diz estar pronto a enfrentar, desde logo com a manutenção da aposta estratégica na investigação, no desenvolvimento e na inovação. “Pretendemos inovar de forma consistente em termos de produtos e conseguir novas soluções de design. Ao nível da rentabilidade, há uma aposta na melhoria dos resultados, mas estaremos dependentes da conjuntura económica que se adivinha complicada. Para tal, queremos diversificar ainda mais os mercados e montar uma rede comercial vocacionada para o mercado de substituição na Rússia e conseguir vendas consistentes na América do Sul. Deste modo, poderemos cumprir o desafio de melhorar a rentabilidade das vendas.” A Oli foi responsável pela criação da dupla descarga do autoclismo (já lá vão 18 anos) e produz cinco mil autoclismos por dia e 1,2 milhões por ano. Com sede em Aveiro, posiciona-se mesmo como um dos principais produtores europeus de autoclismos. Ainda que muito virada para a exportação, a Oli não deixa de dar especial atenção ao mercado nacional, até porque Portugal é o país onde tem a maior quota de mercado. Há sempre a vontade de aumentar a presença no mercado português, assume António Oliveira.

A arte de converter planos de Negócios em resultados rentáveis: Implementação Autores: A. Pedro Ferreira (Coord.), Evandra Martins, Manuel Ilhéu, A. Raposo Subtil, João Nobrega e Dilma Miguêns Páginas: 112 (13,5x21 cm) P.V.P.: € 8,90

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NEGÓCIOS E EMPRESAS

Mercado automóvel baixa para níveis de 1985

Juros das obrigações a cinco anos abaixo de 5%

As vendas de automóveis ligeiros em Portugal caíram 40,9% em 2012, para 111 299 unidades, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal. Este foi o pior registo desde 1985. Na análise isolada de dezembro, foram vendidos em Portugal 8718 ligeiros, menos 48% que em igual mês de 2011. Por marcas, a Renault manteve a liderança do mercado, posto que ocupa há mais de uma década.

As taxas de juro associadas à dívida nacional estão a resvalar em todos os prazos acima de 30 pontos base (0,3 pontos percentuais), o que indica que o preço das obrigações está a subir. A “yield” da dívida a cinco anos está a perder 32 pontos base para 4,91%, baixando da fasquia dos 5% pela primeira vez desde Dezembro de 2010. No caso da dívida a 10 anos, está já abaixo da fasquia dos 7%.

Bolsa começa o ano a subir Todos os títulos que integram o PSI20 tiveram ganhos na sessão, um facto que já não ocorria há bastantes anos.

A Bolsa de Lisboa entrou em 2013 com uma forte tendência de valorização. Todos os títulos que integram o PSI20 tiveram ganhos na sessão, um facto que já não ocorria há bastantes anos. O acordo orçamental nos Estados Unidos e a descida das taxas das obrigações da dí-

vida pública portuguesa criaram uma pressão de subida na generalidade dos títulos cotados. O BES valorizou mais de 6% numa só sessão, atingindo 0,949 cêntimos por ação. Este valor representa um ganho acumulado para os acionistas de 36% face ao valor

antes do aumento de capital realizado em 2012. O BPI também subiu para 0,99 J sendo o banco cotado que regista a maior subida na Bolsa de Lisboa. O Banif, que anunciou um reforço de capital de 1100 milhões de euros recorrendo à linha do Estado para recapitalização da banca, teve uma enorme volatilidade na sessão do dia 2, a refletir as dúvidas dos investidores. Ainda assim, fechou a valorizar mais de 7%. No caso do BCP, a valorização foi menos expressiva, encerrando a 0,077 por ação. Se o risco da dívida soberana de Portugal mantiver o movimento de descida nos mercados, a Bolsa portuguesa deverá continuar a valorizar, dado que continua em níveis muito abaixo das congéneres europeias. O principal fator de subida das cotações deve ter sido a descida das taxas de juro da dívida pública portuguesa. Nesta semana, a taxa de juro nas obrigações a 10 anos caiu para 6,6%, valor que só foi registado em Janeiro de 2011. A diminuição do risco da dívida soberana torna mais provável o regresso de Portugal aos mercados. Ao estarem dispostos a aceitar taxas mais baixas na compra de dívida pública, os investidores estrangeiros revelam um aumento de confiança quanto à capacidade do Estado português para honrar os seus compromissos.

FERNANDO GOMES NO CLUBE DE PENSADORES

Futebol gera 100 milhões de euros de impostos Os clubes de futebol proporcionam receitas fiscais de 100 milhões de euros por ano – afirmou Fernando Gomes no Clube de Pensadores. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol considera que a modalidade é hoje um dos setores mais escrutinados ao nível de cumprimento das obrigações fiscais. No debate organizado pelo Clube de Pensadores, em Gaia, Fernando Gomes considerou que as infraestruturas criadas para o Euro 2004 não são exageradas para as necessidades do país, embora reconheça dificuldades de ocupação para os estádios construídos em Leiria, Algarve e Aveiro. O presidente da FPF abordou também o desempenho das SAD cotadas em Bolsa, referindo neste setor de atividade que o retorno para os acionistas não é apenas pecuniário, nem se mede exclusivamente pela valorização ou pelos dividendos. Os resultados desportivos podem atenuar a fraca rentabilidade dos investimentos em ações das SAD. Fernando Gomes referiu também que

Fernando Gomes com Joaquim Jorge, no Clube dos Pensadores: O número de praticantes de futebol pode aumentar em Portugal.

em Portugal o nível de praticantes de futebol e de atletas federados está muito abaixo da média europeia. Apesar do reduzido número de praticantes, os resultados obtidos pelo futebol português ao nível das seleções e dos clubes têm estado mui-

to acima da média europeia. Ao contrário do que acontece em outras áreas de atividade e modalidades desportivas, Portugal tem treinadores e jogadores de futebol que atingem posições de primeiro plano a nível mundial.

António Lobo Xavier vai propor reforma do IRC Propor a reforma profunda e abrangente do IRC é o objetivo da comissão de reforma nomeada pelo Governo. Este grupo de trabalho vai ser presidido por António Lobo Xavier, conhecedor profundo do sistema fiscal. O Ministério das Finanças, pretende transformar o IRC “num imposto competitivo no plano europeu e capaz de promover o investimento, a competitividade e a internacionalização das empresas portuguesas”. Criado como imposto sobre o rendimento das empresas, o IRC foi sofrendo ao longo do tempo sucessivas alterações introduzidas por vários Governos que distorceram a estrutura da tributação. Atualmente, o IRC tributa também as despesas das empresas e funciona como uma coleta mínima. O Pagamento Especial por Conta, a tributação autónoma e os incentivos ao investimento são áreas que necessitam de uma revisão profunda.

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NEGĂ“CIOS EEMPRESAS

SOFID apoia internacionalização do Grupo JJR

ViniPortugal reforça investimento na promoção do vinho a copo

A SOFID – Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento apoia o projeto de internacionalização da empresa JJR Moçambique, do Grupo JJR, sediado em Leiria, com ďŹ nanciamento de um milhĂŁo de euros para projeto de investimento em Moçambique.

A campanha A Copo promovida pela ViniPortugal encerra 2012 com um balanço muito positivo, tendo promovido a adesĂŁo de 150/200 restaurantes ao serviço de vinho A Copo, conseguiu motivar vĂĄrios proďŹ ssionais do canal Horeca que participaram nas 65 formaçþes A Copo, desenvolvidas de norte a sul do paĂ­s.

ARRENDAMENTO HABITACIONAL

MARIA DOS ANJOS GUERRA ADVOGADA marianjosguerra-3012p@adv.oa.pt

Transição para o NRAU e atualização da renda – falta de residĂŞncia permanente ÂŤRecebi uma carta do meu inquilino, que se opĂ´s Ă  renda proposta por mim para atualizar o contrato que ĂŠ de 1987, sem propor qualquer outro valor. O arrendatĂĄrio diz que, alĂŠm do mais, nĂŁo posso aumentar a renda para o montante proposto porque jĂĄ tem 65 anos, mas, na verdade, desde que ďŹ cou viĂşvo, o inquilino jĂĄ quase nĂŁo usa o apartamento, pois penso que vive com uma senhora, noutra casa. O valor de renda que propus ĂŠ aproximadamente o valor de mercado. SerĂĄ que tenho que reduzir a minha proposta?Âť Depois de o senhorio enviar a carta necessĂĄria para despoletar a transição dos contratos mais antigos para o NRAU

LISBOAEJANEIRO PORTO EFEVEREIRO Formador: $R!GOSTINHO#OSTA

Preços ( )6! :

0ĂžBLICO'ERALG120 !SSINANTES6%G90 0ARTICIPAĂŽĂ?OSEMCUSTOSPARAEMPRESASCOM RESULTADOSNEGATIVOSEDESEMPREGADOS .OÉMBITODASUAPOLĂ“TICADERESPONSABILI DADESOCIAL NASAĂŽĂœESDEFORMAĂŽĂ?OA6IDA %CONĂ˜MICACRIOUUMAQUOTADEINSCRIĂŽĂœES GRATUITASPARAOSASSINANTESEMPRESASCOMRE SULTADOSNEGATIVOSOUINDIVIDUAISEMSITUAĂŽĂ?O DEDESEMPREGO0ARABENElCIARDESTAOFERTA ATĂ?AOLIMITEDOSLUGARESDISPONĂ“VEIS DEVERĂˆ ENVIARUMACĂ˜PIADAĂžLTIMA$ECLARAĂŽĂ?OMOD  OUUMACĂ˜PIADOCOMPROVATIVODASITUAĂŽĂ?O DEDESEMPREGO EMITIDAPELO)%&0

(Novo Regime do Arrendamento Urbano) e atualização de renda, efetivamente, o arrendatårio tem o prazo de 30 dias, a contar da receção da comunicação, para se pronunciar sobre cada um dos itens propostos, ou seja, sobre a renda, o prazo e o tipo do contrato. Em casos como o que o leitor expþe, em que a oposição do arrendatårio ao valor da renda proposto pelo senhorio não Ê acompanhada de proposta de um novo valor, deve entender-se que a proposta Ê a de manutenção do valor da renda praticada à data da comunicação do senhorio. Pelo exposto e se o arrendatårio tem de 65 anos e fez prova documental da mesma, em principio teria direito ao regime de exceção previsto na lei para os casos

em que o inquilino tem idade igual ou superior a 65 anos ou deďŹ ciĂŞncia com grau comprovado de incapacidade superior a 60%, que implica que o contrato sĂł ďŹ que submetido ao NRAU mediante acordo entre as partes e que o valor da renda anual nĂŁo possa ultrapassar um quinze avos do valor do locado indicado pelo leitor na comunicação inicial. Contudo, nos termos da lei, as situaçþes excecionais que impedem a alteração de renda para os valores propostos pelo senhorio, tal como o da idade igual a 65 invocada no caso em anĂĄlise, sĂł podem ser invocadas quando o arrendatĂĄrio tiver, no locado, a sua residĂŞncia permanente ou quando a falta de residĂŞncia permanente for devida a caso de força maior ou doença.

ENQUADRAMENTO 0REPARADOESPECIALMENTEPARA 3ENSIBILIZAR /S%MPRESĂˆRIOS /S'ESTORES /S1UADROS3UPERIORES /S1UADROS-Ă?DIOS !S#HElAS)NTERMĂ?DIAS 

Por residência permanente entende-se aquela onde o se encontra instalado o lar do inquilino, onde ele faz a sua vida normal, onde estå organizada a sua economia domÊstica, onde come, dorme e recebe as suas visitas. Pelo exposto e se o leitor conseguir provar que o inquilino não reside permanentemente no locado, ou seja, que aí não se encontra com caråter habitual, eståvel e duradouro e que a sua ausência não se deve a caso de doença, ou de força maior, poderå comunicar ao arrendatårio que, por esse motivo, a nova renda a pagar deverå ser a que inicialmente foi proposta, indicando que a mesma Ê devida no 1.º dia do 2.º mês seguinte ao da receção, pelo arrendatårio, da comunicação.

PROGRAMA 1. A Preparação e o Controlo de um Orçamento de Exploração numa PME s#OMO0REPARARUM/RĂŽAMENTODE %XPLORAĂŽĂ?ONUMA0-% s#OMOEFETUAROCONTROLODEGESTĂ?ONUMA 0-% s-EDIDASATOMARPARAAEMPRESATER RESULTADOSPOSITIVOSESEPOSSĂ“VEL ELEVADOS s0REPARARUM4ABLEAUDE"ORDPORĂˆREA OPERACIONAL

AO NĂ?VEL DAS PME’S: 0ARAAIMPORTÉNCIAQUETERUMAEQUIPADEGESTĂ?ODUMA0-% -OTIVADA COM /BJETIVOS#LAROS ESABENDOEXATAMENTE/1UE&AZER PARAQUEOS/BJETIVOSDA EMPRESAPOSSAMSERALCANĂŽADOSCOMUMAMELHORGESTĂ?ODETODOSOSRECURSOS 0ARAAIMPORTÉNCIAQUETEMNAVIDADUMA0-% ACRIAĂŽĂ?ODUMSISTEMA 2. As restriçþes ao crĂŠdito e as implicaçþes no DE#ONTROLODE'ESTĂ?O ADAPTADOĂ‹SNECESSIDADESDECADA0-% AlMDE Controlo de GestĂŁo POSSIBILITAR OAUMENTODA2ENTABILIDADEDAEMPRESA AMELHORIADASUASITUAĂŽĂ?O s/!CORDODE"ASILEIAEASUAIMPLICAĂŽĂ?ONO lNANCEIRA AGARANTIADASUAPRĂ˜PRIASOBREVIVĂ?NCIA CRĂ?DITOĂ‹SEMPRESAS OBJETIVOS %LABORARUM/RĂŽAMENTO$E%XPLORAĂŽĂ?O %LABORAR&ERRAMENTAS$E#ONTROLE$E'ESTĂ?O 5TILIZARMECANISMOSQUEAUMENTEMA2ENTABILIDADEDO.EGĂ˜CIO $ETERMINAR!S.ECESSIDADES$E&INANCIAMENTO$A%MPRESA 2ESOLVER%SSAS.ECESSIDADES$E&INANCIAMENTO 2ESOLVEROSCONmITOSCOMPORTAMENTAISDASEQUIPASDEGESTĂ?O %NVOLVERTODAAEQUIPADEFORMAMOTIVADANAPROCURADE2ESULTADOSPARAA ORGANIZAĂŽĂ?O

3. AnĂĄlise de um modelo prĂĄtico de Controlo de GestĂŁo para uma PME 4. Os conselhos de grandes empresĂĄrios e gestores internacionais 5. As novas metodologias s/"ALANCE3CORECARD 6. ExercĂ­cios prĂĄticos

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NEGÓCIOS E EMPRESAS

Vinhos Borges eleita “Best Portuguese Producer of the year 2012” A Sociedade dos Vinhos Borges foi eleita pelo júri da maior competição vitivinícola mundial, o AWC Vienna – International Wine Challenge, como “Best Portuguese Producer of the year 2012”. Durante o concurso foram distinguidos com Medalha de Ouro vinhos como o Borges Soalheira 10 Anos, o Borges Douro Reserva tinto 2009, o Lello Reserva tinto 2009, o Lello tinto 2009 e o Borges.

UPS com novo serviço de transporte de carga aérea A UPS anunciou um novo serviço expresso de transporte aéreo de carga, o UPS Worldwide Express Freight, para envios pesados internacionais, urgentes e de grande valor. Os clientes podem agora enviar paletes com mais de 70 quilos com a mesma facilidade como os pacotes individuais.

Novas empresas podem obter reembolso da TSU na contratação de desempregados As novas empresas (em atividade há menos de 18 meses) podem obter a restituição da TSU se contratarem colaboradores em situação de desemprego. De acordo com Portaria n.º 432/2012, de 31 de Dezembro, este novo apoio financeiro à contratação de desempregados qualificados ou equiparados tem um valor máximo de J300/mês por trabalhador e pode ir até 18 meses. Para obter o benefício máximo, o valor da remuneração bruta mensal não deve ser superior a J1250. O benefício máximo

está limitado a J5400 por cada empregado contratado. Cada empresa pode obter a restituição até um máximo de 20 colaboradores. De acordo com a Portaria em causa, o apoio financeiro corresponderá a: - 100 % da contribuição para a Segurança Social - com o limite de J 300 por mês por trabalhador - no caso de contratação sem termo de desempregado inscrito no centro de emprego há, pelo menos, quatro meses consecutivos; - 75 % da contribuição para a Segurança

Social – com o limite de J 225 por mês por trabalhador – no caso de contratação a termo de desempregado inscrito no centro de emprego há, pelo menos, quatro meses consecutivos; - 50 % da contribuição para a Segurança Social – com o limite de J 175 por mês por trabalhador – no caso de contratação sem termo de desempregado inscrito no centro de emprego há menos de 4 meses e na contratação sem termo de qualquer trabalhador cujo contrato de trabalho anterior fosse sem termo.

Compta reforça posição na área das telecomunicações A Compta acaba de conquistar diversas certificações ATP – Authorized Technology Provider atribuídas pela Cisco Systems, da qual é “gold partner”. Aquela que é também uma das mais antigas tecnológicas nacionais integra assim a “short list” exclusiva de parceiros com capacidade e autonomia para desenhar, implementar e suportar soluções da norte-americana líder global na área do Networking.

PAULO RAMALHO Vereador da Câmara Municipal da Maia

Portugal, a lusofonia e a diáspora A verdadeira dimensão de Portugal está longe de se confinar aos seus 92.000 km2 de território e à sua população de pouco mais de dez milhões de habitantes. Portugal possui uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa, com cerca de 1.680.000 km2, e tem, actualmente, mais de quatro milhões e meio de cidadãos seus espalhados por cerca de 140 países do mundo. Segundo ainda dados do Observatório da Emigração e da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico), a França é atualmente a nação que concentra mais portugueses e Santa Lúcia ou Ilhas Maurícias os estados que registam menor número. Sendo que estudos existem que sugerem que o número total de portugueses e luso-descendentes até à terceira geração, no estrangeiro, rondará os trinta milhões… com forte presença em países como o Brasil, Estados Unidos, Canadá, Venezuela, África do Sul e França. Mas o maior ativo de Portugal é claramente a sua língua, falada por mais de duzentos e cinquenta milhões de pessoas em todo o mundo, o que lhe confere um estatuto de universalidade. Com efeito, fruto desse período épico dos descobrimentos dos sécs. XV e XVI, o Português é hoje a quinta língua mais falada a nível mundial e a terceira das línguas europeias, a seguir ao Inglês e ao Espanhol, sendo mesmo a língua oficial de dez países: Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, GuinéBissau, Guiné-Equatorial, Timor-Leste, Macau e, obviamente, Portugal. Pelo que, mesmo enfrentando a crise económica e financeira que todos conhecemos e sentimos na pele, Portugal está longe de ser o coitadinho da União Europeia, como alguns parecem indiciar. Pelo contrário, Portugal tem uma dimensão histórica e uma presença no mundo que fazem dele, no atual contexto da globalização, um dos atores de maior

potencial, mesmo dentro da própria União Europeia. Como alguém dizia, recentemente, Portugal é a plataforma natural para aproximar a Europa da África e da América Latina. Tanto mais que, nesta altura, alguns dos países para quem a Europa olha com mais atenção pertencem precisamente ao espaço da Lusofonia, eixo de natural influência de Portugal. Desde logo o Brasil, com cerca de duzentos milhões de habitantes e um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, país que já é hoje a economia mais importante da América Latina. Angola, atualmente o segundo maior produtor de petróleo de África e que será, seguramente, a maior economia deste continente dentro de dez anos. E Moçambique, país que possui a quarta maior reserva de gás natural do planeta e que regista, nos últimos anos, taxas de crescimento na ordem dos 8%. Mas Portugal não é só um país com simples influência junto dos territórios lusófonos. Por razões históricas e culturais, Portugal é, além do mais, um parceiro e um interlocutor privilegiado no relacionamento com esses países. Aliás, refira-se que nenhuma outra nação conseguiu desenvolver uma relação de confiança, cumplicidade e integração, mesmo de familiaridade, com as suas ex-colónias como Portugal o fez. Daí que a estratégia de internacionalização da nossa própria economia deverá ser especialmente reforçada junto dos países de língua oficial portuguesa. E reconheça-se que muitas das nossas empresas já começaram a construir esse caminho. Não é por acaso que Angola é já o quarto destino das nossas exportações, a seguir a Espanha, Alemanha e França. E na última Facim (Feira Internacional de Moçambique) que teve lugar em Maputo, no final de Agosto de 2012, onde estiveram representações de países como a África do Sul, Alemanha,

Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Indonésia, Itália, Malawi, Namíbia, Polónia, Qatar, Quénia, Suazilândia, Turquia e Zâmbia, Portugal participou com 140 empresas (empresas portuguesas e moçambicanas de capitais portugueses…), claramente a maior delegação dos últimos anos, o que mereceu inclusive a visita do nosso próprio Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Por outro lado, não podemos esquecer que a presença na economia do Brasil significa o acesso privilegiado aos mercados dos demais países associados ao Mercosul (Mercado Comum do Sul), ou seja, da Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. Da mesma forma que a presença em Angola e Moçambique representa o acesso privilegiado ao espaço económico dos demais países que fazem parte da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da Africa Austral), ou seja, da Africa do Sul, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. Por último, voltemos novamente aos milhões de portugueses espalhados” pelos quatro cantos do mundo.” Também eles um ativo importantíssimo na promoção e afirmação dos interesses de Portugal na esfera internacional. Com efeito, muitos desses cidadãos de passaporte português, plenamente integrados na vida social, económica e mesmo política dos respetivos países de acolhimento, são potenciais embaixadores do nosso país, ativo muitas vezes esquecido, e que deverá ser melhor aproveitado pelos responsáveis da nossa diplomacia. O “Conselho da Diáspora Portuguesa”, recentemente criado, foi já um passo importante nesse sentido.

“Unified Contact Center Enterprise”, “Cisco TelePresence Video Advanced”, “Identity Services Engine” e “Customer Voice Portal” são certificações recentemente conquistadas pela Compta, no âmbito de um rigoroso processo de certificação. “Pelo rigor técnico exigido e pela credibilidade que concede, este reforço das acreditações atribuídas pela Cisco é para a Compta o reconhecimento da sua capacidade de engenharia e qualidade dos serviços prestados ao nível empresarial”, afirma Jorge Delgado, administrador executivo da Compta. “A Cisco é líder mundial em soluções de rede, pelo que, enquanto integrador, e sendo esta uma área tradicional de atuação da Compta, ter também a liderança das certificações ATP em Portugal é dar um sinal inequívoco ao mercado da nossa liderança e garantia que conseguimos para os nossos clientes as melhores condições ”, acrescenta o mesmo responsável. Internacionalização

A Compta possui a certificação ISO 9001 desde maio de 1997 e é a primeira empresa portuguesa com a certificação de Sistemas de Gestão de Serviços de Tecnologias de Informação (ITSMS – Information Tecnology Service Management System), de acordo com o referencial ISO/ IEC 20000-1:2005 para o âmbito “Prestação de serviços, no mercado português, no domínio da parametrização aplicacional e suporte de plataformas destinadas a soluções de Gestão de Processos, a partir de Portugal”. Para ganhar escala, conquistar novos clientes e expandir as suas atividades, a Compta não podia ficar limitada ao mercado interno. Por conseguinte, decidiu expandir-se, numa primeira fase, para dois mercados de grande potencial e proximidade cultural: Angola e Cabo Verde. Neste processo de internacionalização (criação da Compta Angola e da Compta Cabo Verde) foram investidos 2,5 milhões de euros e criados 22 postos de trabalho.

PORTO 7 e 8 janeiro LISBOA 25 e 26 de Fevereiro HHsHH

ENQUADRAMENTO: Os aspetos ďŹ nanceiros encontram-se subjacentes a toda a atividade empresarial. Por tal fato, o conhecimento do impacto das decisĂľes quotidianas sobre os resultados globais da empresa ĂŠ de extrema importância.

OBJETIVOS: s&AMILIARIZAROSFORMANDOSCOMOSPRINCIPAISCONCEITOSCONTABILĂ“STICOSE ďŹ nanceiros bĂĄsicos s0ERMITIRUMASENSIBILIZAĂŽĂ?OAOSPROBLEMASCONCRETOSDODIAADIA s!PRECIAROIMPACTODASDECISĂœESQUOTIDIANASSOBREOSRESULTADOSGLOBAISDA empresa s0ROPORCIONARAOSPARTICIPANTES AAQUISIĂŽĂ?ODUMACULTURAlNANCEIRA indispensĂĄvel a todos os elementos com responsabilidades numa empresa.

Formador: Dr. Agostinho Costa Preços*:

PĂşblico Geral: G 120 Assinantes VE: G 90 *+ IVA

PROGRAMA: Organização:

s#OMPREENDERUM"ALANĂŽO s!NALISARAFORMAĂŽĂ?ODOSRESULTADOS s#ALCULAREINTERPRETAROSINDICADORESDEGESTĂ?OMAISSIGNIlCATIVOS s!SNOĂŽĂœESBASEPARAANALISARO%QUILIBRIO&INANCEIRODEUMA empresa s!SNOĂŽĂœESBASEPARAA!NĂˆLISE%CONĂ˜MICAE&INANCEIRA

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: Vida EconĂłmica – PatrĂ­cia Flores /iÂ?°\ÊÓÓÎÊΙ™Ê{ĂˆĂˆĂŠUĂŠ>Ă?\ÊÓÓÓÊäxnÊä™nĂŠ E-mail: patriciaores@vidaeconomica.pt INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: Vida EconĂłmica – PatrĂ­cia Flores /iÂ?°\ÊÓÓÎÊΙ™Ê{ĂˆĂˆĂŠUĂŠ>Ă?\ÊÓÓÓÊäxnÊä™nĂŠ E-mail: patriciaores@vidaeconomica.pt Participação sem custos para empresas com resultados negativos e desempregados. No âmbito da sua polĂ­tica de responsabilidade social, nas açþes de formação a Vida EconĂłmica criou uma quota de inscriçþes gratuitas para os assinantes empresas com resultados negativos ou individuais em situação de desemprego. Para beneďŹ ciar desta oferta atĂŠ ao limite dos lugares disponĂ­veis, deverĂĄ enviar uma cĂłpia da Ăşltima Declaração mod. 22, ou uma cĂłpia do comprovativo da situação de desemprego, emitida pelo IEFP.

s/0ONTO#RITICODA%MPRESA"REAK%VEN0OINT s!SPETOSQUECONTRIBUEMPARAACLASSIlCAĂŽĂ?ODERISCODAS empresas s/SEMPRĂ?STIMOSBANCĂˆRIOSNOCONTEXTOATUAL s!SCAUSASDASNECESSIDADESDE&INANCIAMENTO s/SPRINCIPAISFATORESCONDICIONANTESDARENTABILIDADE s#ONSTRUIRUM4ABLEAUDE"ORDPARAACOMPANHAMENTODAGESTĂ?O operacional de cada ĂĄrea da empresa s%XEMPLOSPRĂˆTICOS

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NEGÓCIO E EMPRESAS

MultiOpticas abre novo espaço em Paredes

RCV organiza montaria na Quinta das Carvalhas

A MultiOpticas abriu um novo espaço na região norte do país, agora em Paredes, distrito do Porto. A abertura oficial decorreu no dia 22 de dezembro e contou com muita animação para dar a conhecer este novo espaço situado no Largo Nuno Álvares.

A Real Companhia Velha volta a organizar uma montaria ao javali na sua emblemática Quinta das Carvalhas, situada junto ao Pinhão, no Douro. É já no sábado, dia 12 de janeiro, estando o ponto de encontro marcado para as 9h00 na Wine Shop da propriedade. Esta atividade enquadra-se na política de sustentabilidade e biodiversidade da RCV.

Casa Ermelinda Freitas reforça projeto de responsabilidade social O mercado internacional representa 40% das vendas e está a crescer todos os anos

A expansão para os mercados externos deverá resultar em 50% do total de volume de negócios da Casa Ermelinda Freitas, salienta a administradora Leonor Freitas. MARC BARROS marcbarros@vidaeconomica.pt

A Casa Ermelinda Freitas (CEF), produtor de vinhos de Palmela, lançou o projeto de responsabilidade social intitulado “A Vida de um Vinho”. Este nasceu em 2008, com a elaboração de um vinho, cujas vendas revertem para

a Cáritas e para a União Social Sol Crescente da Marateca. A receita será aplicada em projetos de apoio a idosos e crianças carenciadas da região. Segundo Leonor Freitas, administradora da CEF, “a inserção da Casa no tecido social da região implica uma responsabilidade social acrescida que se leva muito a sério e que sente a obrigação de concretizar”. Aquela responsável

salienta que o projeto arrancou em 2008, “sem antecipar as dificuldades que a situação económica e social iria lançar em milhares de famílias”, disse à VE. Ao longo destes quatro anos, “foram conseguidos alguns pontos fundamentais”, resume, com “a consolidação do acordo com a Cáritas para a aplicação dos fundos”. Paralelamente, Leonor Freitas traçou um balanço positivo de 2012. “Por um lado, devido a termos um portefólio completo, sempre com uma excelente relação preço/qualidade”. A nível externo, os vinhos da CEF obtiveram mais de 70 prémios. Aliás, frisou, o mercado internacional “representa 40% das nossas vendas e tem vindo a crescer todos os anos, bem como o mercado nacional”, que “continua a ser o nosso maior mercado”. Porém, o objetivo da CEF é que o mercado externo “em breve represente 50% da nossa faturação”. A aposta em termos de mercados é “um pouco global: temos investimentos na União Europeia, no continente americano (EUA, Canadá e Brasil), em África (Angola, Moçambique, Cabo Verde e outros) e na Ásia”. Também o acompanhamento e dinâmica “são constantes”. As perspetivas para o desempenho da CEF para 2013 são também positivas, até porque “tivemos uma excelente vindima e temos vinhos magníficos, o que nos dá sempre uma segurança acrescida”. Além disso, “também por termos mercados externos que abrimos recentemente e onde esperamos crescer bastante”, disse Leonor Freitas. “A nossa estratégia já está adaptada a uma conjuntura difícil desde há muito, não é de agora”, concluiu.

INVESTIMENTO DE 5,5 MILHÕES NA PÓVOA DE VARZIM

A Poveira abre nova fábrica e inicia transformação de atum TERESA SILVEIRA teresasilveira@vidaeconomica.pt

A nova fábrica de conservas de peixe que A Poveira inaugurou esta semana na zona industrial de Laúndos, Póvoa de Varzim, além de manter a transformação de sardinha em que operava desde 1936 na sua antiga unidade, vai diversificar a atividade, já a partir de março, iniciando-se na conservação de atum. A decisão surge na sequência de um contrato firmado com a cadeia de supermercados Pingo Doce, para a qual já fornecia sardinha em conserva com a marca daquele distribuidor e com a marca Minerva e cujas vendas lhe absorvem “entre 15% e 20%” da atual produção, revelou Sérgio Real, presidente da Poveira, à “Vida Económica”. A partir do fim do primeiro trimestre de 2013 a cadeia Jerónimo Martins também vai passar a comprar conservas de atum a esta conserveira, cuja nova fábrica agora

Projeto apoiado pelo PROMAR em 2,5 milhões, 55% dos quais a fundo perdido inaugurada modernizou e ampliou as suas linhas de produção, num investimento global de 5,5 milhões de euros, onde dá emprego a 110 pessoas. No horizonte está, porém, a contratação de “mais 20 trabalhadores” da região da Póvoa de Varzim, que serão selecionados entre os “mais de 100 pedidos de emprego” que já receberam, revelou Sérgio Real. Questionado sobre o financiamento da nova unidade, o presidente da Poveira confirmou que o projeto foi apoiado pelo PROMAR (Programa Operacional das Pescas 2007-2013) em 2,5 milhões, 55% dos quais a fundo perdido. A restante fatia

proveio de capitais próprios, acrescentou o empresário. Empresa exporta 75% da produção

A par das vendas para o mercado nacional, A Poveira exporta 75% da sua produção para o estrangeiro, sendo os Estados Unidos, a Áustria, Alemanha e o Japão os seus principais mercados. A empresa fatu-

rou cerca de quatro milhões de euros em 2011, deverá fechar o ano de 2012 com cerca de 4,5 milhões de vendas e, para 2013, dado que vão dispor de uma capacidade de produção “substancialmente superior”, é de admitir “um reforço do volume de vendas”, quer no mercado doméstico, quer na vertente exportação, adiantou Sérgio Real. Recorde-se que a indústria conserveira portuguesa, cujo volume de negócios ascende aos 250 milhões de euros, exporta os seus produtos há mais de um século, sendo a sua balança comercial a única com saldo positivo no setor dos produtos de pesca. Existem atualmente 21 fábricas de conservas em Portugal, 18 no continente e três nos Açores, que empregam cerca de 3500 postos de trabalho diretos e outros tantos indiretos. Estas unidades fabricam por ano cerca de 50 mil toneladas de conservas de peixe, 27 500 das quais destinadas à exportação, o que representa cerca de 150 milhões de euros.

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NEGÓCIO E EMPRESAS/Perspetivas 2013

Calçado investe 12 milhões na promoção externa

Fisco e GNR juntos no combate à fraude e à evasão fiscais

A conquista de novos mercados é a principal prioridade estratégica para a indústria portuguesa de calçado. O setor vai reforçar, com o apoio do Programa Compete, a aposta no processo de internacionalização. Estão destinados 12 milhões de euros numa ofensiva promocional em mais de 30 países, ao longo do ano. São quatro os objetivos traçados, consolidar a posição do calçado nacional nos mercados externos, diversificar o destino das exportações, abordar novos mercados e possibilitar que novas empresas iniciem o seu processo de internacionalização.

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e a Guarda Nacional Republicana (GNR) assinaram um protocolo para reforçar o combate à fraude e à evasão fiscais, através da constituição de equipas mistas de investigação. O acordo pretende também reforçar o controlo de bens em circulação e a deteção de transportes ilegais de mercadorias. No âmbito da revisão da lei orgânica da GNR, voltará a existir a Brigada Fiscal, com uma fiscalização intensa em matéria tributária.

E.LIFE APRESENTA TENDÊNCIAS DIGITAIS PARA 2013

Empresas reforçam presença nas redes sociais e investimento no relacionamento online MOBILE Dispositivos móveis como smartphones e tablets permitem cada vez mais o acesso a redes sociais e assumem um grande papel, visto que fazem parte da vida dos consumidores em todo lado e a toda a hora. Conteúdos e aplicações para smartphones e tablets vão continuar a ser uma tendência no ano de 2013.

REALIDADE AUMENTADA Em 2013, a realidade aumentada tende a ser um ponto forte de atração e fixação do cliente especialmente nos centros comerciais e grandes superfícies. Aplicações para reconhecer embalagens e passar mais informações sobre um ou outro produto vão destacar e posicionar produtos no ponto de venda. As novas tendências para 2013 traduzem-se em inovação e novas aplicações para dispositivos móveis em crescente penetração. A perceção do valor das redes sociais nas empresas também faz parte do futuro próximo dos negócios.

SOCIAL TV PARA COBERTURA DE CONTEÚDOS TELEVISIVOS O hábito de ver televisão enquanto se utiliza a internet já está enraizado e o crescimento é exponencial. Cada vez mais pessoas comentam o que estão a ver. O que se prevê para 2013 é que as plataformas de Social TV sejam uma ferramenta essencial à curadoria de conteúdos e que forneçam mapas acerca de conteúdos televisivos que podem ser convertidos em apps que vão guiar o telespetador na programação a seguir. Também se prevê que as empresas apostem mais no uso das hashtags para criarem uma maior ligação com os consumidores.

SOCIAL CRM: MAIOR PARTICIPAÇÃO NO ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR E NOVOS FORMATOS Cada vez mais pessoas fazem as suas reclamações através das redes sociais. A gestão de reclamações e a criação de aplicações próprias para atendimento são tendências para o próximo ano. Prevê-se que sejam desenvolvidas plataformas onde os próprios consumidores respondem a dúvidas mais comuns de outros consumidores que não exijam recurso a dados da empresa.

51% das PME investem nas redes sociais para aumentar o volume de negócios

Com o mundo digital em constante transformação, a E.Life, empresa pioneira em monitorização das redes sociais, anuncia as tendências do digital para este ano. Depois de as grandes marcas terem percebido o poder das redes sociais como forma de conhecer as opiniões espontâneas do público e estreitar relações com o consumidor final, é a vez de as pequenas e médias empresas aproveitarem os recursos que estas redes oferecem. Neste seguimento, a E.Life aponta as tendências digitais para 2013. Estas previsões, de acordo com Alessandro Barbosa Lima, CEO do Grupo E.Life, “foram baseadas em estudos e observações empíricas sobre as principais redes sociais”.

PME VÃO INVESTIR MAIS EM REDES SOCIAIS De acordo com uma pesquisa da Deloitte, 51% das PME investem nas redes sociais para aumentar o volume de negócios. A tendência para investir mais nos negócios online e nas redes sociais para chegar ao consumidor final vai continuar em 2013.

SAAS EM TODO O LADO O Software as a Service (SaaS) cresce e diversifica-se, é cada vez mais alargada a oferta de plataformas online com finalidades diversas. A Amazon, a Microsoft e a Google já estão a apostar neste tipo de serviço, feito em “nuvem”. Esta forma de negócio disponibiliza serviços online mediante valores mais baixos permitindo a muitas empresas o acesso a novas funcionalidades.

BIG DATA A explosão de informação na Internet, em particular nas redes sociais, permite perceber que vai ser preciso lidar com um volume exponencial de dados em 2013. As redes sociais vão ser obrigatórias no marketing digital. Serão essenciais novas infraestruturas, maior largura de banda, bancos de dados e algoritmos. DAS MÉTRICAS AOS KPI - REDES SOCIAIS SOBEM NA ESCALA DE PRIORIDADES DAS EMPRESAS Melhorar os negócios de uma empresa através das redes sociais é agora mais claro. Os dados recolhidos nas redes sociais sobre os hábitos dos consumidores provaram ser uma mais-valia para os negócios de qualquer empresa. Se já em 2012 várias marcas relançaram produtos, mudaram embalagens ou investiram em serviços a partir de insights obtidos em redes sociais, em 2013 os resultados serão ainda mais flagrantes, com impactos profundos no marketing e planeamento estratégico das empresas

REDES SOCIAIS COMO FORMA DE SUGESTÃO DE COMPRA O uso de smartphones com GPS e os Likes do Facebook vão permitir desenvolver aplicações para sugestão de compras nos pontos de venda físicos. O objetivo das aplicações é divulgar nas redes que se está a “gostar” de uma promoção ou a visitar uma loja. Em 2013, vão ser mais os comerciantes a desenvolver programas de fidelidade baseados nas redes sociais.

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NEGÓCIO E EMPRESAS/Perspetivas 2013

Pagamentos das empresas com regras mais apertadas

Governo reduz para um sexto penhora sobre ordenado

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) pretende um controlo mais apertado dos salários e dos descontos pagos pelas empresas. O modelo 10 era entregue anualmente, mas agora as empresas terão de enviar todos os meses informação relativa ao pagamento de salários e descontos para a Segurança Social, bem como as retenções na fonte por parte dos trabalhadores por conta de outrem. O objetivo é detetar retenções indevidas dos descontos dos trabalhadores. Prémios literários, artísticos e científicos também terão de ser transmitidos ao fisco.

O Governo decidiu reduzir a parcela que se pode retirar ao ordenado em caso de penhora. Até agora, era possível reter um terço do salário, passando para apenas 16,6%, ou seja, um sexto do salário. Esta decisão prende-se com o facto de a crise económica estar a penalizar fortemente as famílias. Uma outra alteração importante é que um banco deixa de poder congelar toda a conta do devedor. O que significa que só poderá penhorar o valor correspondente à dívida. Estas alterações integram as novas regras do processo civil.

CRÉDITO Y CAUCIÓN PREVÊ EM 2013

Menos crescimento e mais exportações em Portugal Insolvências empresariais vão aumentar cerca de 5% no próximo ano, num conjunto aproximado de 6300 casos

Desemprego vai aumentar quase dois pontos percentuais ficando acima dos 17%

Prevê-se para 2013 um crescimento das exportações portuguesas, acompanhada por uma melhoria competitiva de Portugal comparativamente a outros países da União Europeia.

Em 2013, haverá uma redução de 1,9% do PIB, aumento do desemprego e mais medidas de austeridade para combater o défice orçamental. Os setores mais expostos à crise são os da madeira, construção e móveis e utensílios e acessórios, ferro e aço, retalho, eletrónica e eletrodomésticos. Ainda assim, Portugal está pronto para um retorno de pleno direito aos mercados financeiros, após a expiração do programa do FMI.

O último relatório publicado pela Crédito y Caución prevê que em 2013, em Portugal, irá haver uma redução do PIB de 1,9%, acompanhado de um aumento do desemprego de quase dois pontos percentuais que ficará acima dos 17% e de mais medidas de austeridade para fazer frente ao défice orçamental, o que irá comprometer as perspetivas de um crescimento imediato. O consumo privado e a produção industrial continuarão a diminuir. A nota positiva é a previsão de crescimento das exportações portuguesas, acompanhada por uma melhoria competitiva de Portugal comparativamente a outros países da União Europeia. Como resultado da queda continuada no investimento, consumo e condições de emprego, bem como a dificuldade de acesso ao crédito bancário, o cenário continua muito negativo para muitas empresas. Os setores mais afetados pela crise são os da madeira, construção e móveis e utensílios e acessórios, ferro e aço, retalho,

eletrónica e eletrodomésticos. Espera-se também que as insolvências empresariais aumentem cerca de 5% no próximo ano, num conjunto aproximado de 6300 casos. O balanço de 2012

De acordo com esta análise da seguradora de crédito líder no mercado ibérico e segunda em Portugal, a partir do segundo trimestre de 2012, a crise económica, até então relativamente suave em Portugal, acelerou-se devido à drástica diminuição da procura interna e ao efeito negativo das pressões mundiais sobre o crescimento da exportação, resultando numa contração do PIB de 3,2%. Isto originou uma forte queda do consumo privado (-7,6%), do consumo público (-3,9%) e de investimento fixo (-18,7%). Apenas as exportações contribuíram positivamente, com um aumento de 4,3%. No terceiro trimestre, a economia contraiu 3,4%, princi-

palmente devido à redução significativa da contribuição das exportações líquidas. A taxa de desemprego continua a subir, situando-se em 15,8%. Por outro lado, a inflação ainda está acima da média da UE, mas deverá diminuir para 2,9% no final de 2012 e para 1,3% em 2013. A influência da “troika”

No início de 2011, Portugal recebeu um pacote de resgate da “troika” de 78 mil milhões de euros. No geral, o país está a cumprir o compromisso com o programa, que termina em meados de 2014. Já muitas das distorções no mercado de trabalho foram abordadas, mas não aconteceu o mesmo em relação ao quadro competitivo, uma vez que as medidas tomadas em relação a algumas indústrias dificultam o dinamismo da economia. O progresso real baseou-se em reformas fiscais estruturais da administração, das receitas e

da gestão das finanças públicas. Em termos gerais, o Governo cumpriu os termos do programa de resgate mas os rendimentos esperados não foram alcançados. Os números mostram uma diminuição de 2% na receita corrente, apesar do aumento de impostos. Consequentemente, o objetivo do défice fiscal relaxou, de 4,5% para 5% do PIB. Os bancos

Os bancos portugueses receberam um financiamento de 60 mil milhões de euros, a três anos, do BCE. Este fundo permitiu-lhes financiar boa parte das suas necessidades e tem sido usado maioritariamente para comprar títulos do Governo, mas a exposição à dívida soberana continua a ser limitada. O apoio de capital do Governo permitiu que aos grandes bancos reforçassem os seus rácios de capital. A qualidade dos ativos é relativamente boa em comparação com outros países periféricos da UE, mas as restrições de crédito estão a aumentar e a prejudicar a atividade económica. Portugal reapareceu nos mercados cuidadosamente com uma troca de dívida bem-sucedida de 3760 milhões, o que mostra que o país está pronto para um retorno de pleno direito aos mercados financeiros, após a expiração do programa do FMI.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

NEGÓCIO E EMPRESAS/Perspetivas 2013

Transações interbancárias atingem 11 mil milhões de euros Somague ganha obra em Moçambique Os bancos emprestaram 11 mil milhões de euros entre si, desde setembro até dezembro. O Banco de Portugal tornou a ativar o mercado monetário interbancário em Setembro, depois de mais de três anos em que se encontrou suspenso. Para o efeito foi criada pelo banco central uma plataforma para o registo e o processamento das operações. De salientar ainda que a reanimação do mercado monetário interbancário deverá ser por um período de tempo, portanto de caráter temporário.

Aquisições de empresas visam reduzir redundâncias operacionais As aquisições de empresas têm sido comuns em vários setores da economia. Nos últimos seis anos, foram adquiridas mais de 2800 empresas em Portugal, num crescimento de 63% e com a particularidade de muitas empresas jovens estarem envolvidas nestas operações, de acordo com o Barómetro Empresarial Informa D&B Portugal.

A Somague continua a reforçar a sua presença em território moçambicano. Obteve agora um contrato para a conceção e a construção de uma nova unidade hoteleira, na cidade de Maputo. O edifício terá uma área de construção de 2170 m2 e contará com oito pisos acima do nível do solo. A Somague Moçambique será ainda responsável pelo desenvolvimento do projeto e pela execução de arquitetura e especialidades.

PREVISÕES DO BPI PARA 2013

Bolsas ibéricas atrativas para investidores PREVISÕES ECONÓMICAS DO BPI PORTUGAL 2011

2012

2013

Consumo privado

-3.8

-5.3

-2.5

Consumo público

-4.3

-4.4

-3.2

Investimento

-13.8

-15.5

-8.2

Exportações

7.2

3.6

2.8

Importações

-5.9

-7.4

-2.7

PIB

-1.6

-3.0

-1.5

Défice orçamental

4.4

5.0

4.5

Def.Orç. s/ medidas extraordinárias

7.4

6.5

4.5

Taxa de inflação média

3.7

2.7

1.8

Taxa média desemprego

12.7

15.6

16.8

PSI 20 valorizou 24% e regista margem de crescimento

ZONA EURO E EUA

Fonte: Banco BPI

Refere o estudo que um dos principais fatores para esta tendência é a procura de racionalização da produção, com o objetivo de produzir mais e melhor a um custo menor, eliminando a duplicidade das atividades e as redundâncias operacionais. Por outro lado, as empresas procuram o acesso a novos mercados consumidores e/ou o reforço da posição competitiva no seu setor de atuação, procurando, em muitos casos, assumir uma posição dominante ou procurando inovação. O barómetro chama a atenção para uma circunstância interessante, o facto de 21% das aquisições terem ocorrido sobre empresas com idade igual ou inferior a cinco anos. A distribuição setorial das aquisições é semelhante à do tecido empresarial. Assim, os serviços, o retalho e as indústrias transformadoras concentram mais de metade das aquisições realizadas nos últimos seis anos. E as regiões do Norte e de Lisboa concentraram a quase totalidade das empresas adquiridas. Também é interessante verificar que as atividades financeiras e os grossistas concentraram mais aquisições do que o tecido nacional. Convém ainda notar que, ao longo de 2012, o número de constituições de empresas foi cerca de 14% inferior ao do ano anterior, tendo, por outro lado, crescido substancialmente o número de insolvências, em resultado da crise e das medidas de austeridade implementadas.

PIB 2011

2012

Taxa de inflação (1) 2013

2011

2012

2013

EUA

1.7%

2.1%

1.7%

3.1%

2.0%

2.3%

Zona Euro

1.5%

-0.5%

-0.3%

2.7%

2.6%

2.3%

Portugal

-1.7%

-3.0%

-1.5%

3.7%

2.7%

1.8%

Fonte: Banco BPI. Nota (1) – Taxa de variação média.

A descida do PIB e o aumento das exportações, embora em menor intensidade do que em 2012, são duas das principais previsões do BPI para 2013. A taxa de inflação vai descer e a do desemprego aumentar para próximo dos 17%. Contudo, prevê-se que as bolsas ibéricas apresentem uma evolução positiva.

MARC BARROS marcbarros@vidaeconomica.pt

Ouro estabiliza

As bolsas ibéricas possuem um “grande espaço de valorização, tendo em consideração um horizonte menos desanuviado” e “face às tendências do passado”. Na análise do BPI, o ano de 2013 poderá representar a continuação de melhoria do desempenho dos índices do PSI 20 e IBEX 35. No passado mês de junho de 2012, “o PSI 20 chegou ao valor mínimo de 4372 pontos desde 1996”, tendo recuperado até ao momento cerca de 24%. Por seu turno, “o IBEX 35 alcançou o mínimo de 5905 pontos desde 2003 e valorizou-se 36%”. Esta valorização seguiu-se a um período em que “o mercado ibérico sofreu substancialmente com a crise da dívida soberana, não só com o resgate financeiro a Portugal, mas através da forte pressão para que Espanha seguisse caminho idêntico”. Paralelamente, o Market Research do FEP Finance Club ressalvou o facto de as obrigações do tesouro (OT) a 10 anos terem registado uma performance positiva ao caírem para níveis inferiores a 7%, o que aconteceu pela primeira vez desde o resgate financeiro a Portugal.

No campo das ‘commodities’, nos últimos dois meses, o preço do ouro tem variado entre 1670 e 1795 dólares a onça troy, no sentido da estabilização. O BPI aponta que a Índia, “um dos principais importadores deste metal, com vista sobretudo à indústria joalheira, viu recentemente agravadas as taxas aduaneiras”, assim como “o banco central notificou os bancos comerciais de restrições ao financiamento de compra de ouro”. Contudo, esta quebra foi contrabalançada com “a maior procura da China” e, “no âmbito da política dos bancos centrais, o reforço das reservas dos bancos do Brasil e Cazaquistão”. Na agricultura, os preços dos principais cereais têm-se mantido baixos, “numa combinação de menor procura, preocupações macroeconómicas e perspetivas de boas colheitas para o próximo ano”, refere o documento, a que a VE teve acesso. No petróleo, assiste-se a uma ligeira subida dos preços, com o WTI no patamar dos 88 dólares, vindo dos 83; e do Brent nos 110 dólares, vindo dos 105. Para além

dos fatores geopolíticos, contribuem para esta subida “os dados económicos dos EUA e China, que indicam mais atividade económica”, para além de “estar a acontecer um evidente maior consumo de crude por parte da China”. Neste cenário, “prevê-se a manutenção de preços suportados”.

O ano 2013 poderá representar a continuação de melhoria do desempenho dos índices do PSI-20 e IBEX 35

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

NEGÓCIO E EMPRESAS/Perspetivas 2013

Investidores mais confiantes em Portugal

Governo cria fundo para apoiar autarquias

Os investidores estão mais confiantes em Portugal e na sua capacidade para pagar as respetivas dívidas, de acordo com um relatório da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Uma prova disso mesmo é que se tem verificado uma descida continuada nas taxas de juro sobre a emissão de dívida pública de curto prazo. “De uma forma geral, existem sinais de uma maior confiança dos mercados relevantes em relação à situação da economia portuguesa”, adianta a entidade reguladora do mercado.

O Governo anunciou a criação de um fundo para apoiar as autarquias. Este fundo de apoio destina-se aos municípios que estão em dificuldades no que toca ao equilíbrio financeiro. A nova Lei das Finanças Locais prevê que as autarquias com um elevado nível de endividamento possam aceder a um fundo de resgate, através de um plano de redução da dívida e da entrada de um gestor solicitado para o efeito por parte do fundo em causa. Este fundo será sustentado pelos municípios, por via do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).

MARKETMETER – BARÓMETRO PRESSMEDIA 2012

Crise europeia vai continuar por mais uma geração Os empresários portugueses acreditam que a crise que se vive atualmente na Europa vai arrastar-se por mais uma geração, elegem Moçambique como o mercado com mais potencial e os setores do turismo e tecnológico como os mais interessantes para 2013. Estas são as principais conclusões do barómetro MARKETmeter da agência de comunicação pressmedia, depois do inquérito realizado a 200 empresas em Portugal Continental, entre 15 de novembro e 15 de dezembro. “Seria essencial que o Governo apostasse na dinamização dos setores primário e secundário, alicerces, segundo o próprio, de uma economia com sustentabilidade futura”, salienta Eduardo Rangel, presidente do grupo Rangel. “Têm que se desenvolver projetos que orientem as empresas no sentido de se dedicarem e investirem em projetos industriais e agrícolas. Não haverá Europa sem emprego e não haverá emprego sem indústria e agricultura, setores praticamente destruídos nos últimos 20 anos”, acrescenta o mesmo empresário. Pedro Montalvão, presidente da Indaqua, diz que o negócio em 2012 sentiu uma retração apreciável no consumo, fruto do

aperto orçamental das famílias, facto que só foi atenuado pelo crescimento do número de clientes e uma maior eficiência interna na gestão das operações da empresa. “Vamos, em 2013, prosseguir com a estratégia acertada da internacionalização, aproveitando os 20 anos de experiência no mercado interno”, reforça. Para António Balsinha, diretor-geral da Ascensores Enor, o mais importante é conseguir, através de medidas concretas de dinamização da economia e de criação de riqueza, estancar a dinâmica de crise instalada no país e na UE. “Portugal está a cumprir o melhor que pode o programa de ajustamento e cada vez lhe pedem ‘mais sangue’, isto é, mais impostos! A própria UE esteve muito recentemente a discutir medidas para baixar os fundos comunitários, quando o que precisava era incentivá-los. Isto é que custa aceitar!”, sublinha. Permanente adaptação e reorganização

O sucesso para 2013 assentará em consolidar a quota de mercado a nível interno, intensificar a presença em mercados extracomunitários e diversificar as áreas de atuação.

João Corga, presidente do Grupo Lufthafen, reconhece ter sido essencial terem enfrentado o ano que termina com força e determinação. “Apostamos na melhoria de processos, na expansão da rede de distribuição a nível nacional, na reinvenção de novos canais de comercialização, na formação e em estruturas que integrem a criação de parcerias estratégicas e consequente internacionalização”, salienta. Cláudia Gomes, diretora de marketing da Sika Portugal, vai mais longe e afirma

que “os tempos de crise são propícios para o surgimento de novas oportunidades de negócio”. Para Diogo Teixeira, da administração do Grupo LFM, este período exigiu uma permanente adaptação e reorganização das estruturas da empresa ao mercado. “Os níveis de exigência aumentaram e o esforço por parte de profissionais e organizações também aumentou”, esclarece. Consolidar, intensificar e diversificar

Consolidar, intensificar e diversificar se-

rão os fatores críticos de sucesso necessários para suportar a sustentabilidade e o crescimento das PME portuguesas em 2013, face à mais que provável quebra de consumo a nível interno para o próximo ano, resultante, principalmente, do aumento da carga fiscal e da redução dos salários. Para cerca de 80% dos inquiridos, o sucesso para 2013 assentará em três fatores: consolidar a quota de mercado a nível interno, intensificar a presença em mercados extracomunitários e diversificar as áreas de atuação.

Empresários elegem Moçambique como mercado preferencial A grande maioria dos empresários inquiridos pelo barómetro MARKETmeter salienta que

a exportação para mercados extracomunitários será uma das mais importantes apostas para as

PRINCIPAIS MERCADOS E SETORES DE APOSTA PARA 2013 – TOP 5

PME nacionais para conseguirem sobreviver e prosperar num ano que se adivinha particularmente complicado. De acordo com os empresários inquiridos, quando confrontados com a escolha de três mercados internacionais mais favoráveis para as empresas portuguesas, Moçambique lidera o ranking, com 160 referências, seguindo-se o Brasil (136), Angola (115), Colômbia (81) e o Peru (43). Turismo e tecnologias são setores preferenciais No inquérito solicitou-se também aos empresários que elegessem os 3 setores com mais potencial de crescimento em 2013 e concluiu-se que os setores do Turismo e

das Tecnologias (170 e 165 das referências, respetivamente) são os preferidos, seguidos pelos setores do Ambiente (118), da Agricultura (80) e da Indústria (40). O que fica de 2012: um ano de muitos desafios Para os empresários contactados pela pressmedia, 2012 foi um ano de muitos desafios, principalmente devido à quebra de consumo, ao aumento da carga fiscal e ao clima generalizado de pessimismo. A maioria dos inquiridos para o barómetro salienta que foi necessário estar bem atento às mudanças dos cenários económicos em Portugal e na Europa e, acima de tudo, conseguir, em tempo-recorde,

adaptar-se a esta nova realidade. Mesmo com uma conjuntura complicada e sem melhorias conjeturais à vista, empresários como João Corga, presidente do Grupo Lufthafen, salientaram ao MARKETmeter que o mais importante foi não baixar os braços. O estudo efetuado pela agência de comunicação pressmedia, com base na consulta a 200 empresários que atuam em vários setores de atividade, desde turismo, construção e engenharia, mercados financeiros, águas e ambiente, agricultura, automóvel, transporte e logística, fotografia, alimentação e bebidas, educação, retalho e distribuição, indústria, tecnologia e mobiliário.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

NEGÓCIOS E EMPRESAS/PME

Mais de seis mil estudantes no concurso Fly Your Ideas da Airbus Mais de seis mil estudantes, de mais de 100 nacionalidades diferentes, inscreveram-se no concurso Fly Your Ideas 2013, concurso universitário internacional organizado pelo líder de fabrico de aviões Airbus. O objetivo do concurso é obter uma indústria de aviação mais sustentável para o futuro.

Spinerg é a nova associada da Apetro A Spinerg passou a integrar o conjunto das companhias associadas setoriais da Apetro. A Spinerg opera no mercado de lubrificantes como macrodistribuidor dos produtos Shell para Portugal, tem uma identidade e capitais totalmente portugueses, posicionando-se como uma empresa nacional, profissional e dinâmica.

COMISSÃO DA AGRICULTURA DO PARLAMENTO EUROPEU VOTA ESTE MÊS COMPROMISSO SOBRE O SETOR

Portugal quer retomar em 2015 produção de beterraba para produção de açúcar Depois da liquidação, em 2007, da produção de beterraba para produção de açúcar no país, há movimentações políticas em Portugal e no Parlamento Europeu, e ao nível industrial e dos próprios produtores, no sentido de aproveitar a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) para exigir o retomar dos apoios financeiros à atividade em Portugal a partir de 2015. A DAI, refinadora de Coruche, diz-se disposta a fazer as necessárias mudanças tecnológicas na sua fábrica e há cerca de mil produtores do Ribatejo e Alentejo aptos a produzirem para a indústria, aproveitando as novas áreas de regadio do Alqueva. “Há um interesse enormíssimo” no setor, garantem.

TERESA SILVEIRA teresasilveira@vidaeconomica.pt

“Havendo, como há, interesse dos produtores, a nossa posição é favorável ao regresso a uma quota de beterraba sacarina”, disse à “Vida Económica” José Cabrita, presidente da DAI, detida a 71,1% pelo grupo açucareiro italiano SPIR e que, a par da RAR (com sede no Porto) e da Tate & Lyle (Santa Iria da Azóia, Loures), é uma das três refinadoras de açúcar em Portugal, todas empregando cerca de 600 pessoas. Fundada em 1993, com capacidade de refinação de 250 mil toneladas/ano, a DAI é a única fábrica portuguesa que já operou na refinação de beterraba (entre 1997 e 2008). A RAR e a Tate & Lyle, apesar dos constrangimentos da indústria refinadora de açúcar na Europa por falta de matéria-prima – estarão a laborar a 60% da capacidade instalada –, não quererão mudar a fonte de abastecimento. A DAI é, pois, a única predisposta a reinvestir, querendo, se possível, manter também a refinação de ramas de cana. Em 1997 e nos anos seguintes chegou a sustentar cerca de 2000 postos de trabalho diretos e indiretos e a receber beterraba sacarina de cerca de 1000 produtores do Alentejo e Ribatejo ligados a uma área de cultivo próxima dos 8000 hectares. Porém, com as sucessivas orientações da Política Agrícola Comum (PAC), as quotas de produção de açúcar de beterraba baixaram para Portugal, também pela mão do então ministro da Agricultura Jaime Silva, que aceitou a imposição da Comissão Europeia de uma redução da quota, em 2007, das 70 mil toneladas para 34 mil e, em 2008, para 15 mil toneladas. “Fomos obrigados a abandonar a produção de beterraba porque o ministro Jaime Silva

BETERRABA Na UE há 106 fábricas de refinação de beterraba

PRODUTORES Na UE há 106 mil produtores e 18 países com quota de beterraba

MAMAOT apoia regresso à beterraba

“Cabe em primeira mão aos privados avaliar a capacidade competitiva e a sustentabilidade” do regresso à produção e refinação de beterraba sacarina em Portugal, disse José Diogo Albuquerque, secretário de Estado da Agricultura, à “Vida Económica”.

com a sua capacidade para negociar nos levou a isto”, disse, em tom zangado e irónico, à “Vida Económica”, o presidente da Anprobe - Associação Nacional de Produtores de Beterraba. Quotas de produção de beterraba podem ser prolongadas até 2020

Com este abandono, a DAI gastou, com subsídios de Bruxelas, cerca de 12 milhões de euros na reconversão da fábrica para a refinação de ramas de cana, tendo os produtores que a forneciam recebido mais de seis milhões de euros para reconverterem as suas terras. Hoje, se voltar à beterraba, a reconversão da fábrica custará à DAI “cerca de 30 milhões de euros”, adianta o presidente, mostrando-se otimista quanto às ajudas de Bruxelas. “Estamos na expectativa de que o investimento possa ser apoiado”, até

porque representará “uma oportunidade única para acrescentar valor à nossa agricultura”, disse José Cabrita à “Vida Económica”. Chegados a 2013, a União Europeia enfrenta, agora em janeiro, no âmbito da reforma da PAC e do relatório sobre a Organização Comum dos Mercados (OCM) da responsabilidade do deputado francês Michel Dantin, votações importantes no setor do açúcar. Em declarações à “Vida Económica”, Maria do Céu Patrão Neves, que já em novembro promovera um workshop em Bruxelas sobre o tema, explicou que o Parlamento Europeu chegou a um compromisso em dezembro, que será votado na Comissão da Agricultura na próxima sessão de 23 a 24 de janeiro. E um dos pontos prevê que o sistema de quotas para os produtores de beterraba (anunciado para terminar em 2015 desde a última reforma

O Ministério da Agricultura (MAMAOT) apoiará um regresso à produção beterrabeira em Portugal se, em simultâneo, se verificarem quatro fatores: “continuidade das quotas (beterraba sacarina) para além de 2015, atribuição [pela UE] de quota (beterraba) para Portugal, existência de capacidade industrial para transformação da beterraba e viabilidade/competitividade da atividade”, explicou à “Vida Económica” o secretário de Estado Agricultura, José Diogo Albuquerque. Frisando que o MAMAOT não defende “nenhum setor em particular”, o governante advertiu que “cabe em primeira mão aos privados avaliar a capacidade competitiva e a sustentabilidade de uma produção agroindustrial que se desmantelou num passado recente”. Explicando que Portugal defende a “necessidade de equilíbrio do setor, tendo em conta a evolução da realidade do mercado nacional e internacional e dos subsetores beterrabeiro e refinador”, o secretário de Estado garantiu nas negociações do futuro da PAC que o MAMAOT “defendeu a atribuição de quota de produção de beterraba para Portugal caso o regime não seja desmantelado na data prevista”. Ao mesmo tempo, tem também “defendido o acesso privilegiado dos refinadores de cana de açúcar aos contingentes preferenciais de importação, de modo a garantir o abastecimento regular do mercado”.

do setor, em 2006) seja prolongado até ao fim da campanha de 2019-2020, sendo que o preço mínimo para a quota da beterraba seria de 26,29 euros/ tonelada até ao fim dessa campanha. A eurodeputada portuguesa dirigiu, aliás, “uma pergunta escrita prioritária à Comissão para averiguar da possibilidade de atribuição de quota a Portugal, ainda antes de 2015, no valor de 100 mil toneladas”.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

Profitecla de Braga estabelece parceria com Hotel Mélia

The Lisbon MBA com novo diretor executivo Nuno Couceiro é o novo diretor executivo do The Lisbon MBA. Na sua nova posição, será responsável por promover o crescimento deste MBA, a nível nacional e internacional. Nuno Couceiro sucede a Belén Vicente.

A Escola Profissional Profitecla de Braga celebrou recentemente um protocolo de parceria com o Hotel Mélia Braga, com o objetivo de proporcionar aos alunos da Profitecla um melhor e maior complemento prático na sua formação que passam a dispor uma maior vertente prática.

JOSÉ AUGUSTO SILVA, ADMINISTRADOR DA SEARA.COM, CONSIDERA

Empresas apostam cada vez mais nos canais digitais “O que temos vindo a sentir por parte dos clientes não é uma menor aposta nos canais digitais, pelo contrário, os canais digitais do ponto de vista de comunicação, relacionamento e venda, são canais mais baratos e de superior penetração nos públicos-alvo do que os canais tradicionais”, afirma José Augusto Silva, administrador da Seara.com. Já quanto às redes

JOÃO LUÍS DE SOUSA jlsousa@vidaeconomica.pt

Vida Económica - Quais são os setores em que a Seara está a apostar? José Augusto Silva - A seara.com teve a sua origem há 12 anos, com a aposta na criação de websites para as empresas e marcas, necessidade surgida com o nascimento do mundo digital. Com a evolução e surgimento de novas plataformas de comunicação e relacionamento, o ecossistema da presença digital coloca outras necessidades e desafios às empresas e marcas, pelo que temos vindo a manter a visão de “Digital Agency”.

COMECE 2013 A APRENDER A GERIR AS SUAS FINANÇAS PESSOAIS! DESCUBRA COMO ATINGIR TODOS OS SEUS OBJETIVOS FINANCEIROS

– Livre-se da sua dívida. – Aprenda a controlar os seus gastos. – Compreenda como pagar a si próprio primeiro. – Saiba porque os lucros são melhores que os salários. – Conheça e utilize a fórmula que Einstein classificou como a mais poderosa do universo. – Coloque o dinheiro a trabalhar para si. – Perceba como pode criar várias fontes de rendimento.

PORTO BRAGA 8 de janeiro

9 de janeiro

ALBUFEIRA LEIRIA 15 de janeiro

AVEIRO

17 de janeiro

LISBOA 16 de janeiro

10 de janeiro

ORADOR Autor do best-seller “O Livro Secreto das Vendas – O Mapa Mental dos Super Comerciais Desvendados”.

Pedidos de informação e pré-inscrição para: Grupo Editorial Vida Económica (Patrícia Flores) e-mail: patriciaflores@vidaeconomica.pt 4ELs&AX

Público em Geral: 59 G Oferta especial assinantes Vida Económica: 54 G

VidaEconómica

Desta forma, hoje apostamos em serviços de criação e gestão de presenças Web, Mobile, Social Media, Web Marketing e Produção e Gestão de Conteúdos Digitais. VE - De que forma a atual conjuntura influencia a estratégia da empresa e condiciona os investimentos dos clientes? JAS - Diria que é impossível não sermos todos afetados pela atual conjuntura. O que temos vindo a sentir por parte dos clientes não é uma menor aposta nos canais digitais. Pelo contrário, os canais digitais do ponto de vista de comunicação, relacionamento e venda são canais mais baratos e de superior penetração nos públicos-alvo do que os canais tradicionais. Temos vindo a verificar é a uma maior racionalização dos seus investimentos e períodos de decisão mais prolongados no tempo. VE - Como é que as empresas podem diminuir os riscos dos investimentos em TI e melhorar o retorno? JAS - Numa empresa, os investimentos em TI devem seguir um método semelhante aos restantes, de acordo com o modelo de apoio à decisão em vigor nas organizações. A razão dos investimentos em TI, como quaisquer outros, deve obedecer a um ou vários propósitos (melhoria de processos, melhoria de produtividade, diminuição de custos, custos de oportunidade, etc…). Assim, é imperativo que as empresas listem e valorizem quantitativamente quais os objetivos esperados em fase de pré-projeto, de forma a que, posteriormente, consigam avaliar os resultados e compará-los com o esperado. A diminuição do risco passa por, na análise de requisitos vs. fornecedores, haver uma clara definição de âmbito funcional, de forma a que sejam transparentes para todos os “stakeholders” os objetivos a atingir. Por outro lado o planeamento de atividades e recursos deve ser validado e acompanhado muito de perto, por toda a equipa, de forma a que se possam antecipar eventuais riscos de cumprimento. VE - A tendência aponta mais para soluções de arquitetura aberta ou soluções geridas apenas por um fornecedor? JAS - Penso que, quando falamos em soluções abertas, estamos a falar de soluções com ou sem custos de licenciamento e/ou soluções com acesso ao código fonte e que permitem a evolução por via de desenvolvimentos incrementais. Obviamente que soluções sem custos de licenciamento são normalmente mais apelativas, pois eliminam uma barreira

“Temos vindo a manter a visão de ‘Digital Agency’”, afirma José Augusto Silva.

de entrada ou de continuidade: o custo de instalação / licenciamento anual, mas tudo depende da criticidade e dimensão dos processos de negócio que é necessários informatizar. Pensamos que ambas as soluções têm o seu espaço e depende do conforto e estratégia de cada cliente, mas, hoje em dia, o processo de decisão está facilitado, dado que em ambos os casos, Portugal possui competências profissionais e tecido empresarial para suportar e evoluir qualquer uma das arquiteturas. Acresce o facto, de hoje em dia, ser perfeitamente possível coabitarem e interagirem soluções de ambas as géneses. VE - Que impacto têm as redes sociais e que desafios colocam aos clientes? JAS - As redes sociais permitem que as empresas estejam mais próximas dos seus clientes, como nunca antes tinha sido possível. Permitem-lhes falar diretamente com o seu público e, no fundo, criar laços e formar uma comunidade em seu redor. Esta proximidade ajuda-as a perceber as reações imediatas dos seus clientes em relação a novidades, produtos e/ou serviços, dando-lhes um espaço precioso de resposta. No entanto, traz também grandes desafios: como estar presente, como interagir, como gerir comentários menos simpáticos ou clientes insatisfeitos? Em Portugal, muitas empresas lidam ainda com este dilema e não sabem como avançar, mas é preciso ter em conta que, estejamos presentes ou não, estarão, muito provavelmente, a falar sobre nós — a decisão, no limite, passa por fazer ou não parte da conversa.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

NEGÓCIOS E EMPRESAS/ANJE

Curso de Empreendedorismo em Leiria

Qualificação de empreendedores no setor segurador

A ANJE promove, a partir de amanhã, no Campus 5 DO IPL Instituto Politécnico de Leiria, o curso “Empreendedorismo - da ideia ao negócio”. Trata-se de uma introdução geral à temática do empreendedorismo, que visa dotar os formandos de know-how, espírito crítico e capacidade de análise em matéria de criação, gestão e internacionalização de empresas.

Qualificar empreendedores que procuram novas oportunidades no setor segurador é o objetivo do curso de Agentes, Corretores de Seguros e Mediadores de Resseguros, promovido pela ANJE, a partir do próximo dia 29 de janeiro, no Porto. A ação formativa é promovida em parceria com a Formadapt, uma entidade homologada pelo Instituto de Seguros de Portugal.

ANJE reforça aposta na formação para apoiar a competitividade das PME PROGRAMAS PERSONALIZADOS, PÓS-GRADUAÇÕES E MASTERS EM VENDAS SÃO ALGUNS DOS DESTAQUES DE 2013

As empresas, as suas pessoas e as suas competências são as prioridades formativas da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Centrada no desenvolvimento da postura empreendedora, da qualidade da gestão e da eficácia da força de trabalho, a associação propõe, em 2013, um completo programa de formação, que vai da preparação avançada de dirigentes e altos quadros ao reforço da qualificação dos colaboradores, dando assim uma resposta integrada às necessidades empresariais. Pós-graduações, masters, seminários, programas de formação-ação e ainda ofertas formativas desenhadas à medida compõem os principais destaques de 2013. O Programa Formação-PME, que arrancou ainda em 2012, é uma das propostas que desde logo se destacam por todo o valor e apoio que proporciona às empresas (ver notícia lateral). De resto, convicta de que urge fomentar o empreendedorismo qualificado no nosso país e reforçar as competências dos empresários oriundos de áreas específicas de conhecimento, a ANJE tem vindo também a concentrar atenções no campo dos programas avançados. Nesta categoria premium de formação, são desenvolvidos cursos de Gestão, Marketing, Liderança e Vendas. Em 2013, destacar-se-ão a este nível a 3ª Edição da Pós-Graduação em Gestão, a 6ª Edição do TIL – Treino Intensivo de Liderança (que decorre em ambiente militar) e um conjunto de Masters em Gestão da Força de Vendas, que uma vez frequentados na sua totalidade concedem aos formandos o diploma de pós-graduaç��o. Ao nível da formação contínua a ANJE continuará a apostar em cursos intensivos, seminários e outros formatos de curta duração, em áreas tão diversas como

Empreendedorismo, Estratégia e Gestão Empresarial, Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Competências Pessoais, Eventos e Comunicação Empresarial, Marketing, Mercados e Internacionalização, Gestão de Clientes e Vendas, Inovação e Novas Tecnologias.

No campo da qualificação, a ANJE continuará a promover a Formação Modular Certificada, agora também dirigida a licenciados em comprovada situação de desemprego, e prosseguirá com o curso de Aprendizagem de Técnico Comercial - uma oferta com dupla certificação: escolar, porque

3ª Edição da Pós-graduação em Gestão A Pós-graduação em Gestão ANJE é um dos primeiros programas avançados levados a cabo pela instituição em 2013. O curso distingue-se pela abordagem prática do conjunto de disciplinas que compõem as competências essenciais de um bom gestor e pela constante adaptação dessas disciplinas ao quotidiano empresarial. A cátedra universitária é literalmente substituída pelas cadeiras do Centro de Formação Empresarial da ANJE, espaço da Cidade Invicta onde decorre a formação. A associação aplica, deste modo, o seu

comprovado “know-how” e a sua longa experiência ao serviço da formação do capital humano das nossas empresas numa pós-graduação concebida à medida de empresários, administradores, gerentes e quadros empresariais. Recorrendo a uma metodologia ativa, a formação parte da exploração de situações reais da gestão e ambiciona reforçar os conhecimentos dos formandos através de exercícios práticos, simulações, visitas profissionais, conferências, seminários, debates, entre outras iniciativas fora da caixa.

dá equivalência ao 12º ano, e profissional, uma vez que 40% das horas programadas correspondem a um estágio numa empresa. Independentemente da tipologia de formação, do nível formativo ou dos destinatários, todos os programas são gizados pormenorizadamente, marcando a diferença pela novidade e eficácia dos métodos pedagógicos utilizados, bem como pela atualidade e pertinência dos temas, conteúdos e abordagens. A constante evolução dos mercados nacionais e internacionais e os desafios que quotidianamente se impõem às empresas em consequência dessa mesma evolução constituem a linha orientadora da formação ANJE. Uma formação que se diferencia também pela qualidade e notoriedade dos parceiros que a ela se associam. Informações adicionais no site www.anje.pt/foco.

Formação e consultoria: apoio financiado para PME

Reforçar as competências dos recursos humanos e melhorar os processos de gestão das micro, pequenas e médias empresas é o objetivo do Programa Formação PME. Tudo isto num regime de formação-ação, com intervenção de um conjunto de consultores e formadores empresariais, que pretendem também contribuir para o reforço das vantagens competitivas das PME, o crescimento dos seus negócios e a implementação de boas práticas. Experiente nesta tipologia de programas, a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários começou já a apoiar empresas das regiões do Norte, do Alentejo e do Algarve. No âmbito da Formação PME, até fevereiro de 2014, a associação desenvolverá um vasto conjunto de ações, envolvendo um total de 8368 horas de formação e 7210 horas de consultoria especializada. Ambas as modalidades de intervenção implicam apoio no diagnóstico de gestão e na elaboração de um plano de desenvolvimento da empresa, sendo que a componente formativa é viável para colaboradores e gestores. Enquanto programa de formação-ação, o Formação PME acarreta então para as empresas um conjunto de benefícios que vai muito além do reforço das qualificações dos seus recursos. O plano estratégico de desenvolvimento, concebido à medida de cada empresa, inclui ações de assistência e consultoria que não se circunscrevem a meros serviços formais de apoio. Conhecedores da realidade empresarial, os consultores especializados do programa acabam por aconselhar e orientar a atividade do empresário, facilitando o desenvolvimento de estratégias e a resolução de problemas associados à gestão do negócio.

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NEGĂ“CIOS E EMPRESAS/Empresas Familiares

InsolvĂŞncias atingiram recorde no ano passado

Terra d’Alter apresenta gama “premium�

Portugal atingiu um novo recorde de insolvĂŞncias, no ano passado. O nĂşmero foi de quase 19 mil, entre empresas e particulares, o que se traduziu num acrĂŠscimo de 62%, face ao ano anterior. Foram declaradas 52 insolvĂŞncias por dia. No que respeitou Ă s empresas, o volume de falĂŞncias cresceu 41%, com o setor do comĂŠrcio a liderar. O maior nĂşmero de insolvĂŞncias respeitou aos particulares. O crĂŠdito malparado tem registado um aumento substancial, o que traduz as diďŹ culdades por que estĂŁo a passar as empresas e os particulares.

A empresa Terra d’Alter apresentou os seus últimos vinhos, num evento que decorreu no hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia. Este produtor do Alto Alentejo deu a conhecer três referências da gama superior: na gama premium, Outeiro 2010 (PVP J22) e Telhas Tinto 2009 (PVP J22), bem como o D’Alter Reserva Tinto 2010 (J9). A apresentação contou com a presença do enólogo Peter Bright.

REFLEXĂ•ES SOBRE EMPRESAS FAMILIARES

Especialistas na consultoria a Empresas Familiares e elaboração de Protocolos Familiares Santiago – Porto www.efconsulting.es

ANTĂ“NIO NOGUEIRA DA COSTA #ONSULTOR%MPRESAS &AMILIARES ANTONIOCOSTA EFCONSULTINGES

A visão de longo prazo na empresa familiar Os líderes de uma organização são constantemente confrontados com um dilema relativamente ao seu negócio: apostar em estratÊgias de curto prazo ou de maior longevidade. Sendo qualquer uma delas defensåvel, e em muitos casos complementares, pois não se chega ao futuro num único salto, a existência de uma visão clara, devidamente partilhada e implementada Ê um grande suporte para a continuidade duma entidade. Esta visão de longo prazo Ê uma caraterística reconhecida e muito presente nos líderes das empresas familiares. É ela que, ao marcar um rumo, permite que se caminhe com objetivos claros;

que imprime uma paixão e ligação única à empresa; que leva a não se ceder a muitas e por vezes irresistíveis tentaçþes de ganhos imediatos; em suma, que ajuda a suportar a ideia de sobrevivência contínua e, no caso especial dos negócios familiares, nas mãos da família por muitas geraçþes.

Temas para reexĂŁo: s1UALANOSSAVISĂ?ODONEGĂ˜CIO s²SUSTENTĂˆVELNOLONGOPRAZO s/QUEFAZERPARAACOMUNICAR IMPLEMENTAR EFORTALECER

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&UNDADAEMPOR#ARLOS2EGO ESTRATEGICAMENTE POSICIONADANO,OURO &AMALICĂ?O ENTREAMAIORĂˆREATĂ?XTIL NACIONALENTREO#ĂˆVADOEO!VE DESDECEDOAPOSTOUNO AUTOMATISMONAPRODUĂŽĂ?ODEBOTĂœES )NICIOUOSEUPROCESSODEINTERNACIONALIZAĂŽĂ?OEMMEADOS DADĂ?CADADEE QUANDOTODOSOSOUTROSESTAVAMASOFRER COMACRISENAĂˆREATĂ?XTIL AVISĂ?ODOSSEUSPROPRIETĂˆRIOS LEVOU OSAFAZERNOVOSINVESTIMENTOSEAPOSTAREMDEFORMA CONTĂ“NUANAINOVAĂŽĂ?OnERAAĂžNICASAĂ“DAPARAUMAENTIDADEQUEVENDIANOMERCADO NACIONAL %STAPOSIĂŽĂ?O CONTRĂˆRIAĂ‹DOMERCADO EAPĂ˜SINVESTIMENTOSDEMILHĂœESDEEUROS PERMITIU LHEINVERTERATOTALMENTEASITUAĂŽĂ?OEALCANĂŽARRESULTADOSINVEJĂˆVEIS UMAQUOTADEDOMERCADONACIONALCORRESPONDENTEACERCADEDASUAFATURAĂŽĂ?O

BOTĂœESECOLĂ˜GICOSBIODEGRADĂˆVEISRESULTANTESDEUMATECNOLOGIAPATENTEADAEĂžNICANOMUNDO

VENDASEMMERCADOSDEMĂ?ODEOBRABARATACOMOA#HINAEÂśNDIA MAIORPRODUTORAMUNDIAL DEDICADAEXCLUSIVAMENTEABOTĂœESElVELAS

Larus premiada na Bienal Ibero-Americana de Design

As Pistas Check-Up permitem aos utentes monitorizar o seu estado de saĂşde e, ao mesmo tempo, promover um estilo de vida saudĂĄvel. MARC BARROS marcbarros@vidaeconomica.pt

A empresa portuguesa Larus Design recebeu recentemente, em Madrid, um galardĂŁo atribuĂ­do na Bienal Ibero-Americana de Design, pelo trabalho desenvolvido em torno do conceito designado “Pistas Check-Upâ€?. Criado e patenteado pela tambĂŠm portuguesa Iberia Advanced Healthcare, este conceito permite ao seu utilizador monitorizar em espaços pĂşblicos “o seu estado de saĂşde, sensibilizando-o para comportamentos saudĂĄveis e promovendo o seu encaminhamento para as especialidades mĂŠdicas de que careceâ€?, disse Ă  VE Pedro Martins Pereira, CEO da Larus. Assim, a distinção atribuĂ­da Ă  Pista Check-Up “signiďŹ ca o reconhecimento do interesse desta nova solução na defesa do bem pĂşblico, sensibilizando a população para a necessidade de se dedicarem Ă  autoavaliação do seu estado de saĂşdeâ€?, prosseguiu. Esta ĂŠ uma forma de complementar

o Serviço Nacional de SaĂşde, “permitindo ganhos com o signiďŹ cado de economias para a nossa sociedade coletivaâ€?. Ao mesmo tempo, o prĂŠmio “constituirĂĄ igualmente uma promoção deste equipamento em todo o universo ibero-americanoâ€?. Recorde-se que, em Portugal, estĂĄ jĂĄ em funcionamento uma unidade-piloto das Pistas Check-Up na Guarda, estando prevista para breve a abertura de outras unidades em vĂĄrios pontos do paĂ­s. O galardĂŁo representa ainda, segundo Pedro Martins Pereira, mais um passo na internacionalização da Larus. A empresa “tem-se internacionalizadoâ€?, procurando desta forma “aďŹ rmar-se em diferentes mercadosâ€?. Para tanto, conta com “o domĂ­nio de uma diversiďŹ cada quantidade de tecnologias, a sua disponibilidade e qualidade em inovação, a sua vocação para reconhecer e valorizar diferentes culturas e o seu estreito relacionamento com grandes autores e cientistasâ€?.

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Mercado de gás natural com 11% dos consumidores

ASSOCIATIVISMO

Apenas 125 mil famílias realizaram a migração para o mercado liberalizado, um número reduzido de lares que leva a AGN – Associação Portuguesa das Empresas de Gás Natural a alertar os consumidores para a importância de escolherem o comercializador que melhor responde às suas necessidades.

AMALIO DE MARICHALAR NA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE MANAGEMENT

DAVID ZAMITH

Sustentabilidade deve ser a prioridade dos gestores

A vertente cultural determinou a escolha da cidade do Porto para receber em 2013 o Fórum Mundial sobre Cidades e Desenvolvimento Sustentável, como centro de debate da estratégia Rio+20+1.

As empresas devem assumir o leme da sustentabilidade – afirmou Amalio de Marichalar, num encontro com a direção da Associação Portuguesa de Management. O presidente do Fórum Mundial de Soria considera que o tema do desenvolvimento sustentável é determinante não só para as grandes empresas mas também para as PME. Sem sustentabilidade não há condições de sobrevivência para as empresas. Sem empresas viáveis não há condições de desenvolvimento económico e social. Amalio de Marichalar considerou a cultura como o pilar mais importante da sustentabilidade. “A cultura é a principal herança da sociedade” – referiu. A vertente cultural determinou a escolha da cidade do Porto para receber em 2013 o Forum Mundial sobre Cidades e Desenvolvimento Sustentável, como centro de debate da estratégia Rio+20+1. “A intervenção de D. Amálio de Marichalar em defesa da sustentabilidade, ao longo de mais de 20 anos, ganha particular relevância nestes tempos conturbados em que o mundo vive” – disse Manuel Pereira Névoa. Para o presidente da Direção Regional do Norte da Associação Portuguesa de Management, a necessidade de adoção de um novo paradigma de vida exige que se encontrem oportunidades de desenvolvimento inteligente, que observem uma maior exigência moral e conjuguem de forma equilibrada as vertentes económica, ambiental e sobretudo social. “Ao longo dos 35 anos de existência, a Associação Portuguesa de Management sempre tem incentivado a responsabilidade social do gestor” - afirmou. “No já longínquo ano de 1981, aquando da realização do 1º Encontro Nacional de Gestores, em Lisboa, uma das principais conclusões foi que, “numa perspetiva histórica, os gestores serão certamente responsáveis pelos êxitos e, sobretudo, responsabilizados pelos fracassos” – recordou Manuel Pereira

“A questão da sustentabilidade nunca foi tão relevante para Portugal”

Névoa. Também aí se concluiu que ao gestor se exige possuir um elevado grau de qualidades humanas, uma acrescida flexibilidade de imaginação na busca de alternativas e o respeito pelas normas e pela ética própria do mundo dos negócios. Há muitos fatores que transcendem e condicionam o quadro de intervenção dos gestores, mas os seus contributos continuarão a ser, certamente, imprescindíveis para se construir uma sociedade mais equilibrada. “A Associação Portuguesa de Management e os seus associados continuarão a pugnar e a colaborar com os restantes líderes na busca de um futuro mais justo para todos” - referiu. “A chamada sociedade civil tem responsabilidade no desenvolvimento sustentável. É a mesma sociedade civil que, em conjunto com os especialistas, deve pressionar a classe política dando-lhe conta dos muitos atropelos de que vem sofrendo esta questão, quer na área económica, ambiental e social” – disse António Pinto Bernardo. Para este empresário, o desenvolvimento sustentável não é só preservação da biodiversidade para as futuras gerações, mas também a cultura e o património. “”Da intervenção de D. Amalio de Marichalar, Conde de Ripalda, retive o seu profundo conhecimento, a sua forte convicção, a sua grande serenidade” – afirmou o arquiteto Mário Correia. “Constituindo o desenvolvimento sustentado o grande desafio do mundo atual, personalidades experientes e conhecedoras como o Amalio de Marichalar afiguram-se

fundamentais para, de forma tranquila mas determinada, sem fundamentalismos contraproducentes, alertarem para a necessidade de inversão dos caminhos que temos vindo a seguir e, pausada e consistentemente, ir construindo pontes, assegurando entendimentos e compromissos, entre todos aqueles que, pela sua ação e responsabilidade social, têm o poder de traçar o nosso futuro coletivo” – acrescentou Mário Correia. “A questão da sustentabilidade nunca foi tão relevante para Portugal como hoje em dia, – comentou Rui Amândio de Sousa. Para o CEO da Stemmatters, Biotecnologia e Medicina Regenerativa, SA, a reconversão empresarial, e sobretudo industrial, de que Portugal tanto necessita, de forma a garantir crescimento e sustentabilidade económica, depende ela própria de mão de obra qualificada e educada na base produtiva. “A importância e qualificação técnica desta base tem sido negligenciada nos últimos anos, o que afeta negativamente o futuro de Portugal” - referiu. “Sendo o desenvolvimento sustentável o tema chave do encontro, destaco o papel fundamental da educação para o empreendedorismo (competências e valores) como impulsionador da inovação e do desenvolvimento económico e social” – disse Marco Lamas. O managing partner da Incubit e professor universitário referiu também o contributo do empreendedorismo para a criação do emprego, do aumento da competitividade e do crescimento económico e em última instância do desenvolvimento sustentável. “A sociedade civil deverá ser o motor da sustentabilidade” – comentou António Vasconcelos. Para o adminstrador da Porto Seguro, a visão de Amalio de Marichalar é importante ao referir que o setor privado deverá apresentar propostas imaginativas e inovadoras para gerar bem-estar nas pessoas e sustentabilidade a nível global. António Vasconcelos subscreve a ideia segundo a qual a Cultura deve ser encarada como o principal pilar da sustentabilidade.

RUY DE LACERDA & Cª., S.A. ACEGE – NÚCLEO DO PORTO

Cidades com Desenvolvimento Sustentado

“O saber fazer as coisas bem, em aposta de futuro” Um projeto atual e de futuro, inclusive para as empresas, focalizado em imperativos éticos, na pessoa humana e pelo bem comum, onde a sociedade civil dos cidadãos tem uma palavra no liderar de ações concretas de desenvolvimento inteligente, com o apoio fundamental da imprensa (media). Numa oportunidade única ancorada no projeto Europa 2020 e Horizonte 2020, onde os pilares como os da ReIndustrialização pró-emprego, e na base do tecido das PME europeias, as linhas para a inovação e desenvolvimento, a capitalização e a formação de quadros atualizados às novas realidades são da máxima importância. A pobreza na Europa atingiu, em 2011, dentro da falácia dos seus próprios critérios de avaliação, 120 milhões de pessoas na Europa, e em Portugal 2 milhões, que hoje serão entre 2,5 e 3 milhões. As cidades “despediram” a indústria, seguindo os desígnios das orientações europeias, de promoção criminosa da deslocalização da indústria europeia e a aposta nos serviços e no conhecimento, estas bem, mas contribuindo para o status atual de desemprego dramático. É uma oportunidade única a de dar suporte a 1 + 2, pela criação de desenvolvimentos sustentados, com as universidades lado a com a indústria, na criação de emprego, minimizando o problema da pobreza com soluções de futuro e pela formação / criação de ofícios, resultando em ambientes de uma segurança estrutural. A Educação tem sido muito maltratada, quiçá porque as escolas em geral seguem os desígnios de Bruxelas, nem sequer na olhando para a indústria, mas dando orientações futuras vocacionadas par os serviços, nomeadamente. Hoje os quadros com saber atualizados às novas exigências tecnológicas são deficitários na Europa, tendo a própria Angela Merkel, em recente visita a Espanha, motivado engenheiros espanhóis para a oferta de trabalho na Alemanha! Novos conceitos empresariais como a importância, cada vez mais evidente, nos valores intangíveis, sejam eles os da cultura, ética, imagem, exemplo, simpatia, etc. Pede-se menos Estado, com as empresas cada vez mais vigiadas! E na sociedade de consumo “moderna” que criámos, onde estão. Numa sociedade de consumo, onde estão os valores (éticos, espirituais e de família) que foram interessadamente esvaziados na Europa. Falta um reolhar para a dignidade da pessoa humana e refletir se a pobreza é financeira ou espiritual? A Indústria como motor da recuperação económica, os serviços e o conhecimento, e todos na solução do maior desequilíbrio atual que é ? desemprego!

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Android foi o grande alvo do malware 2012 O relatório de Malware Móvel em 2012 da Kaspersky Lab veio confirmar que este foi o ano em que o Android centrou toda a atenção dos criadores de vírus. Cumpriram-se, ainda, os prognósticos sobre o desenvolvimento das ameaças móveis em 2012, que um ano antes já avisava sobre o futuro protagonismo assumido pela criação de botnets, bem como sobre os ataques contra alvos específicos através de malware e, ainda, sobre o crescimento da “espionagem” móvel.

TECNOLOGIAS Cloud altera tendências de consumo Uma coisa parece certa: a cloud está a modificar as necessidades dos consumidores e as mulheres impulsionam o mercado dos smartphones. Segundo o Ericsson ConsumerLab, basicamente a fiabilidade da cloud veio reformular a necessidade de dispositivos. “Mais de 50% dos utilizadores de tablets e bem mais de 40% dos utilizadores de smartphones nos EUA, Japão, Austrália e Suécia apreciam a simplicidade melhorada de ter as mesmas aplicações e os mesmos dados facilmente disponíveis em vários dispositivos, através da cloud”. Outra tendência apontada é a denominada “computação para uma mente dispersa”. Dos desktops, ficheiros e pastas para superfícies planas, apps e serviços cloud, os

consumidores estão cada vez mais a virar costas a um paradigma de computação para uma mente focada, diz a Ericsson ConsumerLab. “As tarefas são desempenhadas no momento – enquanto esperamos na fila de uma loja ou falamos com alguém num café. A intenção de compra é mais elevada para tablets em comparação com computadores de desktop, e para smartphones em comparação com portáteis”. A terceira grande tendência é a de levar a banda larga pessoal para o trabalho. “Um total de 57% dos utilizadores de smartphones utiliza as suas próprias subscrições no trabalho. Os smartphones pessoais estão a ser cada vez mais utilizados para trabalho, para enviar emails, planear viagens de negócios, encontrar locais, entre outros”.

O que traz de novo 2013 aos CIO?

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SUSANA MARVÃO s.marvao@vidaeconomica.pt

A pregunta que tem assolado o mercado é mais do que pertinente, apesar de na língua portuguesa, na verdade, não funcionar muito bem. Afinal, o que quer dizer CIO? “Career is Over” (A carreira terminou) ou Chief Innovation Officer (Diretor de Inovação)? Em qualquer dos casos, Eric Lundquist, analista editorial da conceituada “InformationWeek”, diz que o atual estado do cargo de CIO é curioso. “Por um lado, a transformação digital do negócio está em pleno andamento. Por outro lado, os gestores de negócios estão frustrados e munidos de um cartão de crédito corporativo para comprarem os serviços de tecnologia que não podem encontrar dentro da sua própria empresa”. Assim, e para enfrentarem este novo 2013, Eric Lundquist dá alguns conselhos aos CIO para que reconquistem a sua posição dentro da corporação. O primeiro grande conselho é, como não podia deixar, sobre o orçamento. Se, antes, a importância dos CIO era proporcional ao número de euros que o seu budget para as TI continha, hoje é precisamente ao contrário. O editor diz mesmo que o valor de um CIO é, agora, medido pelos números desse budget de que conseguir… abdicar. “Dar esses dólares do budget ao departamento de marketing, recursos humanos, vendas e por aí fora. É uma ideia louca? Não me parece. Há que ceder esse budget e abraçar o papel de condutor de tecnologia, o hub pelo qual todos os departamentos viajam”. Ou seja, esta estratégia de “hub”, que Lundquist confessa ser roubada da indústria aérea, faz com que os dólares do budget diminuam, mas, ao mesmo tempo, faz com que a influência do CIO aumente! A tradição ditava que os executivos impunham uma estratégia de negócios e o de-

partamento tecnológico tentava criar uma infraestrutura para suportar essa estratégia. Mas, segundo o editor da “InformationWeek”, isto fazia bem mais sentido na teoria do que propriamente na realidade. Até porque, defende, os orçamentos e as estratégias tendem a acontecer numa explosão frenética com o final de cada ano fiscal. “As estratégias de negócios tendem a ser vagas (agradem ao cliente!) ou em versão contador de feijões (aumentar as vendas 10,23%). Alinhar a infraestrutura ao negócio perde-se na tradução”. Para Lundquist, o importante será mesmo compreender como a Amazon usa a tecnologia para gerar margens estreitas e lutar no mesmo mercado onde concorrentes usam altas margens. “É isto vai colocar o CIO à frente da curva do negócio e fazê-lo ganhar um lugar no início de cada ciclo anual de planeamento estratégico”. Entre outros conselhos, Lundquist diz para saírem da nuvem… O editor defende que a cloud computing está neste momento a ser “servido” em três sabores: nuvem privada, híbrida e pública. A primeira sugestão, segundo o editor, é simples: se a empresa fornecedora está a sugerir colocar-vos na nuvem através da venda de mais hardware… procurem noutro lado. Depois, sugere aos CIO que, ao invés de pensarem de que forma vão tornar a sua infraestrutura mais cloud, que invertam o sentido. “Olhem para os exemplos da Amazon, Rackspace e Google e as ofertas para cloud de fornecedores tradicionais como a IBM ou a Microsoft e experimentem os seus serviços. Vão aprender uma nova linguagem construída em torno de ‘federação’, ‘balanceamento dinâmico de carga’ e ‘serviços por assinatura’. A Amazon realizou a sua primeira conferência de serviços web recentemente e providenciou um bom ‘road map’ para repensar a infraestrutura de TI na era da nuvem”.

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TECNOLOGIAS

Céu Mendonça na PHC

Opensoft renova o Estatuto de PME Líder

A PHC anunciou a nomeação de Céu Mendonça como nova diretora comercial. Céu Mendonça tem já 23 anos de experiência no setor das TI.

A Opensoft, empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas suportadas pela consultoria e gestão de projetos, acaba de renovar o Estatuto de PME Líder, referente ao ano de 2012, no âmbito do Proagrama FINCRESCE do IAPMEI.

Primavera lança novos produtos e aposta na expansão internacional SUSANA MARVÃO s.marvao@vidaeconomica.pt

A Primavera BSS lançou uma nova geração de produtos sob a marca Elevation. São soluções de gestão que constituem aquela que a empresa classificou como a primeira versão do futuro ERP Primavera, desenvolvido exclusivamente para ser utilizado em ambiente online. David Afonso, vice-president of product and customer interface management da Primavera BS, explicou à “Vida Económica” que a construção de um ERP é um processo gradual. E que, por isso, nesta primeira versão, o focus foi colocado na conceção de um sistema capaz de suportar os processos mais exigentes de grandes organizações. Para isso, foi dotado de um conjunto de infraestruturas técnicas e tecnológicas cujos conceitos subjacentes permitirão responder de forma eficaz e eficiente às necessidades de gestão e operação deste tipo de organizações. “Do ponto de vista funcional, esta primeira versão cobre os processos de vendas, compras, logística e tesouraria. Em termos de roadmap, seguir-se-á o desenvolvimento da área financeira (contabilidade, controlling e gestão de ativos). Naturalmente que as áreas já existentes serão alvo de aprofundamento funcional”. Esta nova oferta, explicitou David Afonso, assenta numa nova plataforma tecnológica desenvolvida ao longo dos últimos seis anos que, entre outras características, gera automaticamente código a partir de modelos e inclui um conjunto de padrões de negócio que, em conjunto, permitem acelerar o desenvolvimento de forma muito significativa, quando comparado com os métodos tradicionais, garantindo também padrões de qualidade muito superiores. “O desenvolvimento do Business Suite veio confirmar este novo paradigma de desenvolvimento e acreditamos que no espaço de 3/4 anos será possível ter um novo ERP com uma abrangência e nível de profundidade maiores do que o atual ERP”. Nos últimos quatro anos, o investimento em I&D tem vindo a crescer dentro da software-house portuguesa, sendo que em 2011 se cifrou nos 26,3%.

“A expansão internacional não é uma opção, é uma inevitabilidade”. A frase de David Afonso parece demonstrar bem a vocação “externa” da empresa de Braga.

David Afonso, vice-president of product and customer interface management da Primavera BS, explicou à “Vida Económica” que a construção de um ERP é um processo gradual.

É inevitável avançar para cloud

É hoje consensual que as tecnologias de informação em geral, e o software de gestão em particular, se tornarão commodities em moldes semelhantes ao que acontece com a energia ou as comunicações, tais são as vantagens da cloud. Pelo menos esta é a opinião de David Afonso. A questão, segundo este profissional, coloca-se, pois, quanto ao tempo e caminho para atingir esse estágio. “A Primavera oferece um caminho gradual aos seus clientes que, por um lado, respeita o investi-

mento realizado em produtos e infraestruturas mas, simultaneamente, lhes dá a oportunidade de aceder a serviços complementares de valor indiscutível, fornecidos exclusivamente em ambiente cloud, potenciando assim o investimento já efetuado”. Para permitir esta integração de forma transparente e sem necessidades adicionais de recursos locais (software ou hardware), a empresa bracarense desenvolveu uma infraestrutura tecnológica capaz de interligar de forma natural os sistemas instalados dentro de portas com serviços cloud, combinando-os “numa solução harmoniosa

através de um modelo híbrido. A total adesão ao modelo cloud será um processo gradual e ao ritmo de cada organização”. Para os novos clientes, a Primavera tem hoje uma oferta abrangente em modelo SaaS e acaba de lançar o primeiro produto em tecnologia nativa para cloud – o Business Suite. “Doze anos depois do lançamento da 2ª geração, nasce assim a 3ª geração de produtos PRIMAVERA, assente num conjunto de novos pressupostos entre os quais se podem destacar uma surpreendente experiência de utilização e as vantagens inerentes ao modelo nativo cloud, constituindo-se como ferramentas essenciais para a melhoria da competitividade das organizações, garantindo elevados níveis de mobilidade e facilidade de acesso aos serviços. Segundo a empresa, este produto faz parte da oferta Elevation, à qual estão associadas um “conjunto de características diferenciadoras. Esta oferta assenta num conjunto de pressupostos entre os quais se pode destacar a sua tecnologia state of the art, uma surpreendente experiência de utilização e as vantagens inerentes a um modelo Cloud Native, nomeadamente ao nível da mobilidade e facilidade de acesso ao serviço”. Segundo David Afonso, com a Elevation, a Primavera alicerça a sua filosofia de democratização do acesso a aplicações de gestão, promovendo a produtividade e a competitividade das organizações, independentemente da sua localização geográfica, dimensão ou setor de atividade. “A elevada flexibilidade associada a este paradigma permite às organizações experimentar novas ferramentas de gestão e testar a sua eficácia, sem grandes riscos ou custos associados, com a possibilidade de ajustar constantemente o número de utilizadores ou de módulos subscritos às necessidades do negócio, com a grande vantagem de pagar apenas aquilo que usa”. Esta nova oferta, desenvolvida

especificamente para ambiente web, representa para o responsável, “uma larga evolução no sentido da mobilidade plena, acentuando a usabilidade das soluções com vista ao aumento da produtividade dos seus utilizadores”. Expansão internacional é uma inevitabilidade

A expansão internacional não é uma opção, é uma inevitabilidade. A frase de David Afonso parece demonstrar bem a vocação “externa” da empresa de Braga. “Num mercado global, para sermos competitivos (também em Portugal), temos que ganhar escala que suporte os investimentos em I&D capazes de produzir soluções inovadoras e competitivas face aos concorrentes internacionais. Em tempos de retração, como os que vivemos, os mercados externos são ainda mais importantes”. A empresa espera que as vendas no mercado internacional verifiquem um crescimento assinalável, acima dos 30%. “O peso dos mercados internacionais deverá representar cerca de 44% do nosso volume de negócios em 2012, tendo sido de 37% em 2011”. Em África, a aposta para o novo ano passa pela entrada em países de língua inglesa, utilizando o Quénia, onde a empresa portuguesa está já a operar, como porta de acesso. Segundo este responsável, adicionalmente, estão a ser reforçadas as estruturas locais em Angola e Moçambique, de forma a continuar a garantir crescimentos acelerados. Na Europa, com mercados mais maduros, a estratégia de expansão assenta no crescimento não orgânico, através de aquisições, tendo como mercados alvo Espanha e França, sendo este último um mercado novo. “Nos próximos anos, o grande desafio será o de captar esta mudança de paradigma para a cloud, com tudo o que isso significa ao nível de novos modelos de negócio, novos produtos e serviços.”

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Vendas de perfumaria e cosmÊtica caem 7,5% As vendas de produtos de perfumaria e cosmÊtica atingiram em 2012 os 5015 milhþes de euros, o que representa uma descida de 2,4% a 2011, revela o Estudo Setores (Mercado IbÊrico) DBK, divulgado pela Informa D&B. Calcula-se uma redução do mercado português de 7,5%, enquanto no caso de Espanha a quebra se situa em 1,5%.

EM FOCO

JOSÉ ALMEIDA, FUNDADOR DA IDEIAS & DESAFIOS, AFIRMA

Encontros de negĂłcio propiciam novos clientes e parcerias FERNANDA SILVA TEIXEIRA fernandateixeira@viadaeconomica.pt

Imagine a oportunidade de conhecer uma rede de potenciais clientes e parceiros de negĂłcios, num sĂł local, Ă  mesma hora e com o ambiente certo. Foi esse o objetivo da iniciativa “Cocktail de NegĂłciosâ€? que a consultora Ideias & DesaďŹ os promoveu recentemente em Lisboa. Estes encontros pretendem “dinamizar as relaçþes entre as diferentes empresas presentesâ€? e “proporcionar um espaço para a realização de negĂłcio ou potenciais parceriasâ€?, explica Ă  ‘Vida EconĂłmica’, JosĂŠ Almeida, fundador da Ideias & DesaďŹ os. Assumindo que a Ideias & DesaďŹ os “estĂĄ sempre Ă  procura de iniciativas diferenciadoras que possam ajudar os nossos clientes a fazer negĂłcioâ€?, JosĂŠ Almeida conta ainda que o Cocktail “surgiu como que um complemento dos nossos serviços de formação e coaching comercialâ€?. O atual contexto econĂłmico estĂĄ a ter um “efeito bastante negativo nas empresas a nĂ­vel transversal, ou seja, estĂĄ a afetar empresas de todos os setores, seja TI, retalho, automĂłvel, imobiliĂĄrio, etcâ€?. Nesse sentido, “penso que iniciativas como esta tĂŞm uma importância absolutamente fundamental. Principalmente porque hoje em dia o modelo de prospeção tradicional estĂĄ cada vez mais a cair em desuso, em função de iniciativas de networking mais originais como esta, e outras que habitualmente lançamosâ€?, salienta. “Dar a volta por cima e arriscarâ€?

Questionado sobre se acredita que o atual momento de crise pode ser tambĂŠm sinĂłnimo de oportunidades, JosĂŠ Almeida responde que “essa frase ĂŠ um lugar-comumâ€? e ressalva que, “na maioria dos casos, nĂŁo ĂŠ assim tĂŁo linearâ€?. No entanto, “tal ĂŠ, ou deve ser, uma oportunidade para pensar fora da caixa e experimentar novas formas de chegar aos clientesâ€?. “Existem coisas que nos sĂŁo externas e por isso nĂŁo as podemos mudar, como a crise e os seus efeitos, e quando a nossa estratĂŠgia nĂŁo estĂĄ a funcionar, temos de conseguir ter o discernimento de parar, redirecionar os nossos objetivos e o caminho que traçåmos para

PAULO C. SEABRA Gerente da empresa Aguadoiro

ESTRATÉGIAS PARA A POUPANÇA ENERGÉTICA NA INDĂšSTRIA Estudos recentes apontam para um desperdĂ­cio entre 6 a 10% do PIB em paĂ­ses industrializados que nĂŁo ďŹ zeram um esforço de otimização de processos relacionados com os desperdĂ­cios de energia. Em Portugal, existe uma desvantagem competitiva dos custos energĂŠticos das empresas que ĂŠ especialmente grave pelo facto de contribuir para a deterioração da posição exportadora das empresas nacionais, num contexto em que o PaĂ­s apresenta um desequilĂ­brio estrutural da respetiva balança comercial que, dessa forma, ďŹ ca agravado. Para o estabelecimento das tarifas de 2013, estima-se que o consumo de energia elĂŠtrica e de gĂĄs ďŹ carĂŁo abaixo do valor homĂłlogo de 2012. Parte considerĂĄvel dos custos a recuperar pelas tarifas sĂŁo custos ďŹ xos que nĂŁo variam com o consumo de energia elĂŠtrica e de gĂĄs.

Estes custos correspondem, essencialmente, a: sINVESTIMENTOEMINFRAESTRUTURASDEREDES sCUSTOSDEINTERESSEECON˜MICOGERALEDE POL¤TICAENERGÂŁTICAE sAJUSTAMENTOSTARIFĂ•RIOSREFERENTESAANOS anteriores.

h(OJEEMDIAOMODELODEPROSPE½åOTRADICIONALESTĂ•CADAVEZMAISACAIREMDEsusoâ€?, aďŹ rma JosĂŠ Almeida.

“O caminho ĂŠ fazer diferente e melhorâ€?

os alcançarâ€?, assegura JosĂŠ Almeida. Sobre as oportunidades podem ser exploradas pelas empresas nacionais, o responsĂĄvel garante que “cada empresa terĂĄ o seu ‘core business’, os seus objetivos e as suas metas e por isso as “oportunidades a ser exploradas tĂŞm de ser analisadas a tĂ­tulo individual, caso a casoâ€?. Admitindo que o fator “cautelaâ€? tem pesado bastante nas decisĂľes das empresas, o fundador da Ideias & DesaďŹ os pensa, contudo, que este começa a ser “ultrapassado pelo sentimento de ‘dar a volta por cima e arriscar’â€?. Na verdade,“ penso que o caminho ĂŠ por aĂ­: fazer diferente e fazer melhorâ€?, rematou.

Nessa medida, quando hĂĄ uma diminuição do consumo de energia elĂŠtrica e de gĂĄs, veriďŹ ca-se o aumento destes custos por unidade de energia elĂŠtrica e de gĂĄs. Os custos da atividade electroprodutora, aliados ao dĂŠďŹ ce tarifĂĄrio ainda existente e Ă s condicionantes exĂłgenas desfavorĂĄveis, nĂŁo foram ainda repercutidos completamente nos consumidores. Uma solução de poupança energĂŠtica e material beneďŹ cia de forma importante o balanço e a demonstração de resultados de qualquer indĂşstria. NĂŁo se trata, portanto, duma inutilidade inadiĂĄvel, mas de pura racionalidade econĂłmica que visa criar uma ilha de produção energĂŠtica a partir de recursos endĂłgenos que por vezes algumas indĂşstrias pagam para tratar. Ou seja, estas indĂşstrias tĂŞm, por vezes, o recurso energĂŠtico na ĂĄgua, nos resĂ­duos e nos subprodutos e PAGAM para o distribuir. A Quarentena ou a reclusĂŁo de Empresas sadias pelo perĂ­odo mĂĄximo de incubação da doença nĂŁo se aplica num contexto de BOLHA ENERGÉTICA que veio, viu e vencerĂĄ se ‘providĂŞncias cautelares’ nĂŁo forem tomadas. Aos CUSTOS DE CONTEXTO nĂŁo se aplica o conceito informĂĄtico SPAM, isto ĂŠ, ao contrĂĄrio do que se passa com as mensagens de correio eletrĂłnico suspeitas de serem SPAM que ďŹ cam Ă  espera da aprovação do utilizador, os CUSTOS DE CONTEXTO nĂŁo dependem de aprovação do empresĂĄrio e furam qualquer FIREWALL. Atendendo aos constrangimentos orçamentais que presentemente afetam transversalmente o mundo empresarial e atendendo a que a eďŹ ciĂŞncia do consumo energĂŠtico industrial ĂŠ considerada pelo executivo em funçþes, de per se, uma forma de subvenção/incentivo pelas poupanças que gera, convirĂĄ que a indĂşstria, de forma pragmĂĄtica, evite o desperdĂ­cio.

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EM FOCO

OK! teleseguros propĂľe descontos para jovens condutores A OK! teleseguros decidiu lançar o primeiro seguro especial dedicado aos jovens condutores, promovendo a condução responsĂĄvel e a poupança. AlĂŠm de preços base especiais, os condutores atĂŠ aos 30 anos que subscrevam o OK! Muv beneďŹ ciam de coberturas adequadas ao ser perďŹ l, como ĂŠ o caso do serviço de motorista Taxi Gourmet, e a possibilidade de obter atĂŠ 40% de desconto no valor do seguro em função do tipo de condução praticado. “Os jovens condutores tĂŞm enfrentado diďŹ culdades na contratação do seguro automĂłvel em Portugal e a nĂ­vel internacional, dada a maior taxa de incidĂŞncia de acidentes, que ĂŠ o dobro da mĂŠdia do mercado. No entanto, a OK! estĂĄ empenhada em criar relaçþes de longo prazo com os condutores mais jovens, pelo que decidiu criar uma oferta especĂ­ďŹ ca que vem facilitar a contratação do seguro, promo-

ver a segurança e responsabilidade na condução e permitir condiçþes ďŹ nanceiras e coberturas Ăşnicas, que sĂŁo uma mais-valia para os jovens condutores e uma alĂ­vio para as suas famĂ­lias – aďŹ rma SĂŠrgio Carvalho, diretor de marketing e produto da OK! Teleseguros. O OK! MUV, nome do novo produto da marca da seguradora Via Directa, disponibiliza condiçþes de preço especiais e coberturas pensadas especiďŹ camente para os jovens condutores. AtravĂŠs da subscrição do sistema de georreferenciação, os jovens condutores portugueses podem ter um seguro que retrata exatamente o seu perďŹ l de condutor, permitindo receber de volta atĂŠ 40% do prĂŠmio pago e a oferta de experiĂŞncias nas ĂĄreas de restauração, mĂşsica e dança, imagem e tecnologia. Esta medida ĂŠ um incentivo Ă  adoção de hĂĄbitos de condução mais defensivos e reforça a segurança das

pessoas e veículos, permitindo a localização do veículo em caso de roubo ou acidente. A georreferenciação Ê uma funcionalidade jå disponibilizada pela companhia atravÊs do produto OK! GPS, lançado em 2010 com bons resultados no incentivo a comportamentos positivos na condução e poupança no prÊmio do seguro. Aposta estratÊgica em nichos de mercado

A estratÊgia de expansão da OK! teleseguros passa por responder como uma oferta adequada às necessidades de cada segmento. Em 2006 a OK! teleseguros jå tinha lançado o seguro OK! Mulher, uma solução pensada para as necessidades especiais do público feminino, e em 2009 voltou a destacar-se com o lançamento do OK! Família, que permite a agregação dos veículos da família numa única

apĂłlice de seguro, poupando atĂŠ 20% no prĂŠmio total de seguro. A OK! teleseguros conta com

mais de 200 mil clientes e estĂĄ presente no telefone, na internet e com lojas fĂ­sicas. PUB

COMO ANALISAR AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA SUA EMPRESA

0REĂŽOS )6!  0ĂžBLICO'ERAL G 140 !SSINANTES6% G 110 0ARTICIPAĂŽĂ?OSEMCUSTOSPARAEMPRESASCOM RESULTADOSNEGATIVOSEDESEMPREGADOS .OÉMBITODASUAPOLĂ“TICADERESPONSABILIDADE SOCIAL NASAĂŽĂœESDEFORMAĂŽĂ?OA6IDA %CONĂ˜MICACRIOUUMAQUOTADEINSCRIĂŽĂœES GRATUITASPARAOSASSINANTESEMPRESASCOM RESULTADOSNEGATIVOSOUINDIVIDUAISEMSITUAĂŽĂ?O DEDESEMPREGO0ARABENElCIARDESTAOFERTAATĂ? AOLIMITEDOSLUGARESDISPONĂ“VEIS DEVERĂˆENVIAR UMACĂ˜PIADAĂžLTIMA$ECLARAĂŽĂ?OMOD OU UMACĂ˜PIADOCOMPROVATIVODASITUAĂŽĂ?ODE DESEMPREGO EMITIDAPELO)%&0

/RGANIZAĂŽĂ?O ).&/2-!¹¿%3 %).3#2)¹¿%3 Vida EconĂłmica Patricia Flores Tel.: 223 399 466 Fax: 222 058 098 patriciaores@vidaeconomica.pt

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ENQUADRAMENTO:

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PROGRAMA:

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Sistematização do registo de contribuintes Trata-se de mais uma medida que pretende simplificar o sistema fiscal, de acordo com a Autoridade Tributária e Aduaneira. Foi aprovado em Conselho de Ministros o diploma que procede à sistematização e à harmonização da legislação relativa à atribuição e gestão do número de identificação fiscal para fins exclusivamente fiscais. O mesmo diploma prevê também a simplificação das formalidades e dos procedimentos de que depende o cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes.

FISCALIDADE AUTORIDADE TRIBUTÁRIA ESCLARECE CONDIÇÕES DE ACESSO

AGENDA FISCAL

Pequenas entidades podem beneficiar de regime de isenção em sede de IVA O Código do IVA estabelece um regime especial de isenção aplicável às pequenas unidades de produção, de comércio ou de prestação de serviços. Acontece que, devido à sua reduzida dimensão, estas entidades não possuem a estrutura administrativa necessária ao cumprimento das obrigações decorrentes da aplicação do imposto às suas operações. A Autoridade Tributária apresentou algumas instruções administrativas, de forma a que os sujeitos passivos e os serviços possam encontrar a forma mais adequada de dar cumprimento às disposições deste regime especial de isenção. Podem beneficiar da isenção do imposto os sujeitos passivos que não tenham nem sejam obrigados a ter contabilidade organizada para efeitos de IRS ou IRC, não pratiquem importações, exportações ou atividades conexas com algumas destas operações, não exerçam atividades que consistam em transmissões de bens ou prestações de serviços do setor de desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis ou não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios superior a dez mil euros. Podem ainda beneficiar do regime de isenção os retalhistas com um

volume de negócios superior a dez mil euros, mas inferior a 12 500 que, se fossem tributados, preencheriam as condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas. Se os sujeitos passivos não isentos pretenderem a aplicação do regime especial,

devem apresentar uma declaração de alterações. Quando os contribuintes deixam de reunir as condições para a aplicação do referido regime, então estão obrigados a apresentar uma declaração de alterações,

tendo em vista o enquadramento no regime de tributação. Quando a obrigação se deve a ter sido atingido um volume de negócios superior ao limite previsto para aquela isenção, a declaração é apresentada durante o mês de Janeiro do ano seguinte àquele em que o volume de negócios auferido ultrapassou esse limite. Uma outra situação, em particular, deve ser tida em conta. O CIVA exige a verificação cumulativa dos requisitos aí previstos, de modo a que os sujeitos passivos possam beneficiar da isenção consagrada. Mas são impostas duas limitações à aplicação do regime especial de isenção quando os contribuintes reiniciem a atividade após cessação, não obstante preencherem as condições exigidas na norma legal. Assim, não podem beneficiar do regime de isenção, nos 12 meses seguintes ao da cessação, os sujeitos passivos que, estando enquadrados num regime de tributação à data da cessação de atividade, reiniciem essa ou outra atividade. E, no ano seguinte ao da cessão, os contribuintes que reiniciem essa ou outra atividade e que, se não tivessem declarado a cessação, seriam enquadrados no regime normal.

PRÁTICA FISCAL

IVA – ARTIGOS CIENTÍFICOS Uma instituição de ensino pretende publicar um artigo científico de sua autoria através de uma empresa croata de publicação eletrónica em regime de livre acesso. Para além deste serviço, a empresa publica o livro que inclui o artigo em versão impressa e faculta um exemplar ao autor. Como deve ser tratada esta transação para efeito de IVA? Deverá haver autoliquidação? A que taxa? A fatura indica que, de acordo com a legislação croata, a taxa de IVA a aplicar aos livros é de 0%. RESPOSTA DO ASSESSOR FISCAL: 1. Não se indica, concretamente, a que tipo de transação se refere a consulta: se à transmissão do bem físico (o livro) ou se a qualquer prestação de serviço efetuada pela editora croata. 2. Considerando que existe uma «fatura» referente ao «livro», é de supor que a transação a que se refere a questão será a da sua aquisição pela instituição

de ensino. Neste pressuposto, vejamos: 3. O conceito de sujeito passivo definido na alínea a) do n.° 1 do artigo 2.° do Código do IVA assume um carácter transnacional, o que implica que as entidades residentes no estrangeiro sejam consideradas sujeitos passivos do imposto quando realizem operações tributáveis no território nacional, desde que integradas no exercício da sua actividade económica. 4. Nos termos da alínea a) do n.° 1 do artigo 1.º do Código do IVA, estão sujeitas a imposto «as transmissões de bens e as prestações de serviços efetuadas no território nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal», encontrandose delimitado no artigo 6.° o conceito de operações realizadas no território nacional. 5. No que respeita às transmissões de bens, o n.° 1 do citado artigo estabelece que se consideram efetuadas no território nacional as

transmissões de bens que nele estejam situados no momento em que se inicia o transporte ou expedição para o adquirente ou, no caso de não haver expedição ou transporte, no momento em que são postos à disposição do adquirente. 6. Face às referidas disposições legais e verificando-se que a operação de transmissão do bem, ou seja, do «livro», ocorreu em território croata, onde foi posto à disposição do adquirente, nestas circunstâncias, é evidente, que a sua tributação não é de fazer em Portugal. 7. Por outro lado, a Croácia é um «país terceiro», logo, não pertencente à Comunidade. 8. Pode acontecer que o bem, neste caso, o «livro», tratando-se de um bem que não se encontra em livre prática, ou seja, que não tem natureza comunitária, haja sido exportado/importado em Portugal. 9. Considera-se «importação» a entrada em território nacional de «bens originários ou procedentes

INFORMAÇÃO ELABORADA PELA APOTEC - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE TÉCNICOS DE CONTABILIDADE

de países terceiros e que não se encontrem em livre prática ou que tenham sido colocados em livre prática no âmbito de acordos de união aduaneira (alínea a) do n.º 1 do artigo 5.º do CIVA). 10. As «importações de bens» estão sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado (alínea b) do n.º 1 do artigo 1.º do CIVA). Neste caso, são sujeitos passivos do imposto «as pessoas singulares ou coletivas que, segundo a legislação aduaneira, realizem importações de bens». 11. O pagamento do imposto devido pelas «importações» de bens é efetuado junto dos serviços aduaneiros competentes, de acordo com as regras previstas na regulamentação comunitária aplicável aos direitos de importação, de acordo com o n.º 3 do artigo 28.º do CIVA. 12. Em conclusão, diremos, tendo em conta os pressupostos referidos, que não vemos motivos para qualquer «autoliquidação». GERAL@APOTEC.PT

JANEIRO Até ao dia 10 s)6! )MPOSTOSOBREOVALORACRESCENTADO - Periodicidade Mensal – Envio obrigatório via Internet da declaração periódica relativa às operações realizadas no mês de novembro. Conjuntamente com a declaração periódica deve ser enviado o Anexo Recapitulativo, referente às transmissões intracomunitárias isentas, efectuadas no mês de novembro.

Até ao dia 15 s)23 )MPOSTOSOBREORENDIMENTODASPESSO as singulares - Entrega da Declaração Modelo 11, pelos notários e outros funcionários ou entidades que desempenhem funções notariais, bem como as entidades ou profissionais com competência para autenticar documentos particulares que titulem atos ou contratos sujeitos a registo predial, das relações dos atos praticados no mês anterior suscetíveis de produzir rendimentos.

Até ao dia 20 s)23 )MPOSTOSOBREORENDIMENTODASPESSO as singulares - Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS). - Entrega, pelas instituições de crédito e companhias de seguros, aos sujeitos passivos, de documento comprovativo dos juros, prémios de seguros de vida e outros encargos, pagos no ano anterior e que possam ser deduzidos ou abatidos aos rendimentos. - Entrega, pelas entidades que recebam ou paguem quaisquer importâncias suscetíveis de abatimento aos rendimentos ou dedução à coleta, de documento comprovativo aos sujeitos passivos - Entrega, pelos devedores de rendimentos obrigados à retenção total ou parcial de imposto, aos sujeitos passivos, de documento comprovativo das importâncias pagas no ano anterior, do imposto retido na fonte e das deduções a que eventualmente tenha havido lugar. - Entrega, pelas entidades registadoras ou depositárias de valores mobiliários, aos investidores, onde constem os movimentos de registo efetuados no ano anterior. s)2# )MPOSTOSOBREORENDIMENTODASPESSO as colectivas - Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas. s)6! )MPOSTOSOBREOVALORACRESCENTADO - Entrega da Declaração Recapitulativa, pelos sujeitos passivos do IVA (regime normal mensal e trimestral e isentos nos termos do art. 53º) que tenham efetuado transmissões intracomunitárias de bens e/ou prestações de serviços noutros Estados Membros, quando tais operações sejam aí localizadas nos termos do art. 6º do CIVA. s)MPOSTODO3ELO - Entrega das importâncias retidas, no mês anterior, para efeitos de Imposto do Selo. IRS Declaração mod. 3 – Novos impressos Foi publicada no Diário da República do dia 21 de dezembro a Portaria nº 421/2012, que aprova os novos modelos da declaração modelo 3 do IRS (folha de rosto), respetivos anexos e instruções de preenchimento. De acordo com esta portaria, sofreram alteração os seguintes anexos: anexo B (rendimentos empresariais e profissionais - regime simplificado); anexo C (rendimentos empresariais e profissionais contabilidade organizada); anexo G (mais-valias e outros incrementos patrimoniais); anexo G1 (mais-valias não tributáveis); anexo H (benefícios fiscais e deduções) e anexo J (rendimentos obtidos no estrangeiro) Os impressos ora aprovados devem ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2013 e destinam-se a declarar os rendimentos dos anos 2011 e seguintes.

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FISCALIDADE

Apresentado Anuário do Setor Empresarial do Estado A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) procedeu à apresentação pública do Anuário do Setor Empresarial do Estado, relativo a 2011, numa cerimónia que decorreu na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa. A coordenação deste trabalho – que compila a informação financeira das empresas públicas e que este ano teve a novidade adicional do setor regional – esteve a cargo de uma equipa liderada por João Carvalho, presidente do Colégio da Especialidade de Contabilidade Pública da Ordem.

Aprovado diploma respeitante a assistência mútua de cobrança de créditos Foi aprovado o decreto-lei que procede à transposição da diretiva relativa à assistência mútua em matéria de cobrança de créditos respeitantes a impostos, direitos e outras medidas. O DL nº 263/2012, de 20 de dezembro, revê e aperfeiçoa as regras atualmente existentes, estimulando e facilitando o recurso à assistência mútua na cobrança da União Europeia, medida há muito exigida pela Comissão, no âmbito da estratégia global de combate à fraude e à evasão fiscais.

CONSULTÓRIO TÉCNICO AMÂNDIO SILVA JURISTA DA ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS

Da dispensa ou atenuação das coimas O n.º 1 do artigo 2.º do Regime Geral das Infrações Tributárias (RGIT) define infração tributária como “todo o facto típico, ilícito e culposo declarado punível por lei tributária”. As infrações, nos termos do n.º 2 do número seguinte, dividem-se em crimes e contraordenações. Em termos práticos, perante o incumprimento de determinada obrigação fiscal – atraso ou não entrega de declarações fiscais, não pagamento de impostos ou outras contribuições, não cumprimento de obrigações acessórias, etc. – que seja considerada uma infração tributária, para além da obrigação de cumprimento a que está obrigado, o contribuinte é ainda sancionado com a aplicação de uma pena que, no caso de crimes fiscais, pode ser de prisão ou multa e, nas contraordenações, ao pagamento de uma coima. Acontece, porém, que, em muitas situações, os contribuintes já cumpriram as obrigações fiscais ou, no caso de impostos em atraso, efetuaram também o pagamento dos respetivos juros compensatórios. Neste último caso, como a infração é autónoma, a não entrega, total ou parcial, da prestação tributária é punível, nos termos do artigo 114.º do RGIT, com coima variável entre o valor da prestação em falta e o seu dobro ou, se a conduta for imputável a título de negligência, a coima varia entre 15% e metade do imposto em falta. Se estivermos perante uma pessoa coletiva, os limites mínimo e máximo destas coimas são elevados para o dobro (artigo 26.º do RGIT). Quando são notificados da instauração do processo e contraordenação, os contribuintes reagem com

A coima pode ser especialmente atenuada no caso de o infractor reconhecer a sua responsabilidade e regularizar a situação tributária até à decisão do processo. alguma indignação à aplicação de coimas elevadas porque já cumpriram a obrigação fiscal e a infração resultou, muitas vezes, de atrasos não intencionais e de curta duração. Assim, é importante conhecer os mecanismos legais de dispensa ou atenuação especial da coima a que os contribuintes podem recorrer, bem como o entendimento dos tribunais administrativos e fiscais que, em muitos casos, tem conduzido à redução significativa do valor das coimas aplicadas pelos serviços de finanças. Dispensa ou não aplicação da coima Nos termos do n.º 1 do artigo 32.º do RGIT, para além dos casos especialmente previstos na lei, pode não ser aplicada coima, desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes circunstâncias: a prática da infração não ocasione prejuízo efetivo à receita tributária; Estar regularizada a falta cometida; A falta revelar um diminuto grau de culpa. Para a devida interpretação deste artigo, há que atender ao sentido do conceito “prejuízo efetivo”. Poderemos enquadrar nesta norma aquelas situações em que o contribuinte se atrasou no pagamento

dos impostos mas regularizou a situação alguns dias depois? A doutrina e a jurisprudência têm entendido que. “…A exigência cumulativa de que a prática da infração não ocasione prejuízo efetivo à receita tributária não terá em vista referenciar os casos em que a regularização veio a ocorrer, com o pagamento integral da quantia em dívida, mas sim reportar-se às situações em que não chegou a produzir-se prejuízo antes de ocorrer a regularização. (…) Ter-se-ão em vista, assim, primarcialmente, contraordenações que não estão diretamente conexionadas com o pagamento de prestação tributária, de que são exemplo os casos de violação de segredo por negligência (artigo 115.º), falta ou atraso na apresentação de declarações que não tenham por fim permitir à administração tributária determinar, avaliar ou comprovar a matéria coletável ou a falta de exibição de dísticos (artigo 117.º), a falta de apresentação de livros de escrituração, antes da respetiva utilização (artigo 122.º) e a falta de nomeação de representantes (artigo 124.º e a falta de conta bancária)”. JORGE LOPES DE SOUSA e MANUEL SIMAS SANTOS, Regime Geral das Infracções Tributárias, Anotado, 2008, p. 317. No mesmo sentido, os tribunais superiores consideram que a dispensa de coima pressupõe que não seja causado qualquer prejuízo à receita fiscal antes de ocorrer a regularização da falta (Ac. do STA, de 07/11/2001, Proc. 26414, disponível no sítio (www.dgsi.pt). (…) Tal não será o caso se a declaração periódica do IVA for entregue sem que a mesma seja acompanhada do respetivo meio de pagamento – Ac. do STA, de 06/02/2002, Proc. 26216, Idem. Não estando preenchidos os requisitos para a dispensa da coima, o contribuinte pode, ainda assim, solicitar a atenuação especial da pena. Atenuação especial da coima A coima pode ser especialmente atenuada no caso de o infrator (i) reconhecer a sua responsabilidade e (ii) regularizar a situação tributária até à decisão do processo (n.º 2 do artigo 32.º do RGIT). A administração fiscal, na generalidade dos processos de contraordenação, não tem aplicado devidamente esta disposição, o que tem levado os tribunais a reduzir as coimas aplicadas (Neste sentido, vide Ac. do TCA, de 28/03/2007, Proc. 1609/07, AC. do TCA, de 06/06/2006, Proc. 1140/06, Ac. do TCA, de 03/07/2007, Proc. 1799/07, Ac. do TCA, de 19/06/2007, Proc. 1753/07). Com efeito, nas situações em que a obrigação foi cumprida num curto espaço de tempo, há que atender aos critérios estabelecidos no artigo 27.º quanto à graduação da pena: a coima deverá ser graduada em função da gravidade do facto, da culpa do agente e da sua situação económica. Assim sendo, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 18.º do Regime Geral do Ilícito de Mera Ordenação Social (RGCO), os limites máximo e mínimo da coima são reduzidos para metade. É ainda admitida, pela nova redação do artigo 51.º do RGCO, a possibilidade de ser proferida apenas uma admoestação pela entidade competente “quando a reduzida gravidade da infração e da culpa do agente o justifique.”

Sociedades irregulares são sujeitos passivos de IRC e não se aplica o princípio da neutralidade fiscal Existindo transmissão de propriedade de bens imóveis propriedade dos sócios para a sociedade legalizada, haverá tributação em sede de IRS na esfera da categoria G – maisvalias. Em relação à transmissão de viaturas (bem igualmente sujeito a registo), não sendo presumida uma atividade comercial, não haverá tributação em sede de IRS. Um cliente de um TOC é sócio de duas sociedades constituídas de forma irregular. O elevado balanço que as sociedades atingiram e a forma como são vistas no meio empresarial fez com que o sócio principal tomasse a decisão de querer transformar aquelas entidades em uma ou duas sociedades por quotas. Na primeira sociedade detém 99% do capital e na segunda é detentor de 50% do capital social. Na leitura do artigo 86.º do CIRC e na conjugação do artigo 38.º do CIRS não se fica com a certeza de existir neutralidade fiscal quanto à natureza desta operação, porque se refere a uma atividade de uma pessoa singular. As dúvidas que se colocam são as seguintes: Há lugar a transformações jurídicas desta forma de sociedades? Na questão fiscal, esta operação está ao abrigo da neutralidade fiscal emanada dos artigos atrás mencionados? O artigo 38.º do Código do IRS apenas se aplica quando um titular de rendimentos da categoria B do IRS realiza o capital com o património afeto à sua atividade empresarial ou profissional para a constituição de uma sociedade, sujeito passivo de IRC. As sociedades irregulares são sujeitos passivos de IRC, pelo que o artigo 38.º relativo à neutralidade fiscal não se aplica à situação colocado pelo Colega. Existindo transmissão de propriedade de bens imóveis propriedade dos sócios para a sociedade legalizada, haverá tributação em sede de IRS na esfera da categoria G – mais-valias. Em relação à transmissão de viaturas (bem igualmente sujeito a registo), não sendo presumida uma atividade comercial, não haverá tributação em sede de IRS. Nada impede que um particular que pode ser o próprio sócio transmita a propriedade de viaturas ou outros bens a sociedades (podendo ser uma transmissão onerosa ou mesmo gratuita). Tratando-se de uma venda (transmissão onerosa), não haverá tributação em IRS na esfera do particular, desde que não exista a presunção do exercício de uma atividade comercial e sempre tendo em atenção a norma referente a preços de transferência constante do artigo 63.º do Código do IRC. A figura de sociedade irregular significa que algum formalismo legal não foi cumprido, designadamente, registo na conservatória de registo comercial. Assim, na ótica jurídica, não se deve falar em transformação jurídica, mas sim na legalização de uma sociedade irregular, com todos os formalismos legais, pacto social, órgãos sociais, sócios e respetivas participações, disposições estatutárias e correspondente registo na conservatória. INFORMAÇÃO ELABORADA PELA ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS, SEGUNDO O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

ACP coma garrafeira online

MARKETING

A agência criativa de marketing e comunicação digital Wiz Interactive (WIZ) criou a garrafeira online do ACP (http://garrafeira.acp.pt). A plataforma reúne uma seleção de vinhos apresentados e comentados por enólogos da Sogrape Vinhos com informação de detalhes sobre a origem, história, vinificação, sugestões de consumo e acompanhamento.

CARLOS OLIVEIRA, GENERAL MANAGER DA AMPLIPHAR, AFIRMA

“A área de negócio do selfcare vai crescer em Portugal” Depois de ter trabalhado mais de 40 anos na indústria farmacêutica, Carlos Oliveira decidiu desafiar dois colegas que são também fortes conhecedores do setor e criaram a Ampliphar. A empresa de “selfcare”, para além de trabalhar em parceria com outras marcas, conta já com o lançamento de duas marcas próprias: WinFit e All-in-Fit e para 2013 está previsto o lançamento de novos produtos.

“Tendo plena consciência que este projeto tem relevante coeficiente de risco, também acreditamos que é absolutamente exequível e detentor de considerável potencial de sucesso” pessoas que conhecemos bem, com quem partilhámos anos bem sucedidos, de muito trabalho e dedicação constantes, tendo superado com assinalável sucesso os desafios, então, enfrentados.

MARTA ARAÚJO martaaraujo@vidaeconomica.pt

Vida Económica - Qual a missão da Ampliphar? Carlos Oliveira - Numa altura em que condicionantes económicas afetam globalmente o país e de forma particular o setor farmacêutico, a Ampliphar pretende ser uma empresa de referência na área do “selfcare”. Pretendemos desenvolver marcas próprias – Win-Fit e All-in-Fit são os primeiros desafios – e construir com as empresas que representamos, ou venhamos a representar, parcerias sólidas e rentáveis, de forma a assegurar colaborações de longa duração.

Carlos Oliveira sublinha que, “apesar de algum crescimento verificado nos últimos anos, estamos ainda distantes da média europeia no que ao consumo de produtos selfcare diz respeito”.

VE - Como nasceu a ideia de negócio? CO - Estive envolvido, desde março de 1994 até setembro de 2011, num projeto (Prisfar) do qual fui também sócio fundador. Após um curto período de descanso e alguma reflexão, decidi com a Mariana Azevedo (sócia e diretora de marketing) e o José Ribeiro (sócio e diretor financei-

ro) passarmos da reflexão à ação, fundando a Ampliphar em finais de dezembro de 2011. Tendo plena consciência que este projeto tem relevante coeficiente de risco, também acreditamos que é absolutamente exequível e detentor de considerável potencial de sucesso. A Ampliphar tem uma estrutura humana muito sólida, constituída por

VE - A empresa atua no setor farmacêutico. Qual a estratégia da empresa? O que é que a diferencia? CO - A Ampliphar exerce a sua atividade numa área de negócio composta por uma quantidade muito diversificada de produtos, bens e serviços aos quais os consumidores podem ter acesso direto. Ao tomarmos a decisão de introduzir um produto no mercado, não nos limitamos a explorar comercialmente o potencial desse mesmo produto. Divulgamos também conceitos, aprofundando a informação junto dos consumidores, por forma a implementar nos seus hábitos não apenas o consumo das marcas e produtos

que comercializamos, mas também o entendimento de que o “selfcare” é uma prática que deve ser permanente. VE - Em que medida a atual conjuntura, inclusive para o setor farmacêutico, é uma oportunidade para este negócio? CO - A atual conjuntura económica não é genericamente favorável ao consumo, uma vez que há uma redução generalizada dos meios disponíveis para esse fim. No entanto, acreditamos que, independentemente das condicionantes económicas, a área de negócio do “selfcare” pode crescer se houver trabalho concertado das empresas, farmácias, espaços saúde e outros agentes envolvidos nesta atividade, tendo como objetivo a sensibilização dos consumidores para as vantagens de “investir” em saúde. Apesar de algum crescimento verificado nos últimos anos, estamos ainda distantes da média europeia, no que ao consumo de produtos “selfcare” diz respeito. VE - Quais são as grandes metas da Ampliphar a curto e médio prazo? CO -A Ampliphar tem o objetivo de sedimentar, no mais curto espaço de tempo, o portefólio de produtos com que iniciou a sua atividade. Adicionalmente, o nosso plano de negócios para 2013, inclui o lançamento de novos produtos, que acrescentarão ao portefólio da Ampliphar maiores diversificação, competitividade e sustentabilidade.

Torrié lança aplicação para smartphone sobre café MARTA ARAÚJO martaaraujo@vidaeconomica.pt

A marca de café Torrié lançou uma aplicação para smartphone que permite aceder, de forma gratuita, a um conjunto de informações sobre aquela bebida. Aquela plataforma de telemóvel servirá também para obter, a título de exemplo, dicas para um estilo de vida saudável e receitas do chef João Pupo. Através da aplicação, que já se encontra disponível e foi de-

senvolvida pela Thing Pink, será possível receber indicações, através de um localizador de georreferência, sobre locais para a prática de atividades desportivas e de bem-estar próximos do local onde cada utilizador se encontrar. Outra das potencialidades da plataforma passa por propor receitas inovadoras que incluam o café como ingrediente e/ou simplesmente aceder a imagens sobre café através da ligação ao Pinterest.

Aplicação a pensar nos adeptos da vida saudável

“Esta aplicação foi pensada para os adeptos de uma vida saudável, sublinhando que o café é um elemento integrante de uma dieta equilibrada, e para os apaixonados pela culinária, facultando informação sobre o café como um ingrediente imprescindível aos melhores gourmands”, explica o departamento de marketing da Torrié.

Desta feita, a iniciativa pretende “impulsionar o interesse dos consumidores pelo café e pelas várias opções que esta bebida oferece na culinária portuguesa e internacional”, refere ainda a mesma fonte. Com este lançamento, a marca de café portuguesa pretende surpreender o seu mercado e ser útil no estilo de vida de cada um. “Dinâmica e vanguardista, a Torrié tem apostado em oferecer aos consumidores produtos inovadores e de alta qualidade, reconheci-

dos através de inúmeros prémios nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo tem vindo a desenvolver várias ações que refletem as preocupações sociais da marca, designadamente na promoção de um estilo de vida saudável. Aliado ao foco na inovação, a Torrié procura acrescentar valor aos seus produtos através de serviços que estimulam um relacionamento mais próximo entre a marca e o consumidor”, explica o departamento de marketing.

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MARKETING

Banco Bic faz publicidade em copos na restauração

Nova Expressão apoia campanha da Oikos

O Banco Bic é a primeira marca a aderir à proposta da adCaffe que passa por fazer publicidade em copos utilizados em estabelecimentos comerciais da restauração. O objetivo é alcançar os 1,2 milhões de contactos diretos com os consumidores. A campanha arrancou em 50 estabelecimentos de Lisboa localizados sobretudo em zonas de escritórios.

A Nova Expressão é a agência de meios da nova campanha da Oikos, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento. “10 cêntimos é o custo para um mundo mais justo” é o mote da campanha que tem como meta angariar associados e fundos de apoio à ação da Oikos na área da ajuda alimentar, apoio à reconstrução, desenvolvimento rural e acesso à água potável junto das populações em Portugal, África e América Latina.

PME profissionalizam presença na internet DORA TRONCÃO

As PME revelam muita vontade em profissionalizar a sua presença na internet (65% das PME europeias têm website), já que cerca de 67% acreditam que ter uma página online é crucial num contexto económico difícil como o atual, revela um estudo da EURid (European Registry for Internet Domains), realizado em 2012 e apresentado pela primeira vez no Seminário Ámen. As características mais associadas ao .eu pelos utilizadores são: europeu (79%), internacional (41%), inovador (40%), político (36%), original (35%), sério (34%) e ambicioso (33%). O top ten dos países com mais registos de domínios “.eu” são: Alemanha, Holanda, França, Reino Unido, Polónia, Itália, República Checa, Áustria, Bélgica e Espanha. Os países escandinavos são os que têm mais presença online.

nhamos sempre como uma das suas caraterísticas distintivas. Ter “.eu” significa “made in Europe”, uma verdadeira marca de qualidade para o marketing e branding online”. Quanto à situação portuguesa, existem atualmente 13 mil domínios “.eu” registados. “É um número pouco significativo quando comparado com mais

de um milhão de alemães registados, mas isso também significa que existe uma margem de crescimento muito grande. Acredito que as pessoas se tentam inventar ou reinventar elas próprias e o seu negócio nesta altura. Por conseguinte, “.eu” pode ser um aliado para atrair novos clientes possíveis e explorar novos mercados”. PUB

O novo Harvard Trends é mais,

MAS NÃO É DO MESMO. É um livro inteiramente novo e com um novo enfoque.

Atrair clientes e explorar novos mercados

A Amen, empresa do Grupo Multinacional Italiano Dada e líder europeia em soluções de presença online, organizou recentemente o seminário .eu, um clique para o sucesso”, evento de dimensão internacional dedicado ao domínio de topo “.eu”. O encontro contou com a participação de Giovanni Seppia, diretor de Relações Externas EURid (European Registry for Internet Domains), entidade responsável pela gestão deste domínio no âmbito de um acordo com a Comissão Europeia, que esteve, pela primeira vez, representada num evento em Portugal. Segundo Giovanni Seppia, o domínio .eu “confere uma imagem de empresa europeia com produtos europeus”, sendo esta opinião generalizada que lhe transmitiram os empresários que escolhem este domínio: querem que os mercados percebam as suas empresas e os seus produtos como europeus, mas também pretendem apresentar-se online com uma extensão dinâmica, jovem e de confiança”. Quanto à perceção do consumidor, “os 3,7 milhões de domínios “.eu” registados mostram”, segundo Giovanni Seppia, que “os europeus fizeram uma escolha consciente do domínio “.eu”. Foi um dos primeiros domínios que implica a respetiva localização geográfica e este é um aspeto que subli-

Usufrua da CAMPANHA ESPECIAL LEVE 3 E PAGUE 2

Continuando a manter a lógica de tendências na área da gestão, com uma escrita de leitura fácil, rápida e acessível a todos, o Harvard Trends 2013 abarca novas áreas até agora menos tratadas, como as apps e redes sociais. Compre já em http://livraria.vidaeconomica.pt encomendas@vidaeconomica.pt 223 399 400 Também disponivel nas melhores livrarias.

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Joge Miranda abre ciclo de debates do Clube dos Pensadores Jorge Miranda vai estar hoje presente no primeiro debate de 2013 do Clube dos Pensadores. O constitucionalista irá abordar o tema “Estado Social”. O encontro decorre no Hotel Holiday Inn, em Gaia, pelas 21h45. O Orçamento de Estado 2013 e o acórdão de 2012 sobre o OE vão estar em destaque.

DIREITOS

LEGAL & ILEGAL

AS EMPRESAS DE TRANSPORTES PÚBLICOS DE PASSAGEIROS FACE ÀS NOVAS REGRAS DE EMISSÃO DE FATURA “Somos uma empresa privada de transporte público de passageiros e tomámos conhecimento que, a partir do início de Janeiro de 2013, as regras relativas à faturação foram alteradas com a extinção do documento equivalente à fatura. Assim, gostaríamos de ser esclarecidos sobre a obrigatoriedade de emissão de fatura na nossa actividade específica ou se continua a ser suficiente o bilhete de transporte, sobre a certificação do programa de facturação e obrigação de envio de Ficheiro SAF-T mensalmente à AT” Na atualidade, prevê-se no artigo 2.º n.º 2, alínea d), da Portaria n.º 22-A/2012, de 24.01, que os sujeitos passivos que “efectuem transmissões de bens através de aparelhos de distribuição automática ou prestações de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhete de ingresso ou de transporte, senha ou outro documento pré-impresso e ao portador comprovativo do pagamento” estão isentos de utilizar, exclusivamente, programas informáticos de facturação que tenham sido objecto de prévia certificação pela Autoridade Tributária e Aduaneira. Ora, este regime mantém-se inalterado, apesar das alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012, de 24.08, e pelo Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24.08. Na realidade, o artigo 40.º do Código do IVA foi substancialmente alterado pela nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 197/2012, de 24.08, que entrará em vigor em 1.1.2013. Assim, a anterior dispensa da obrigação de faturação e obrigatoriedade de emissão de talões de venda passou a ter a designação de faturas simplificadas, em consequência da extinção do documento equivalente à fatura. No que concerne ao caso específico da prestação de serviços de transportes, o artigo 40.º, n.º 5, do CIVA passará a dispor que, “sem prejuízo da obrigação de registo das transmissões de bens e das prestações de serviços efetuadas

[a obrigação da emissão de factura] pode ser cumprida mediante a emissão de documentos ou do registo das operações, […], nas […] a) Prestações de serviços de transporte, estacionamento, portagens e entradas em espetáculos, quando seja emitido um bilhete de transporte, ingresso ou outro documento ao portador comprovativo do pagamento”. Portanto, mantém-se em vigor o regime específico aplicado às empresas prestadoras de serviços de transporte de passageiros. Em conformidade com a mencionada Portaria, a consulente estará isenta da utilização de programas de faturação previamente certificados pela Autoridade Tributária e Aduaneira. No que diz respeito à obrigação de envio dos ficheiros SAF-T, a consulente está, nos termos da Portaria 321-A/2007, de 26.03,

alterada pela Portaria 1192/2009, de 8.10, obrigada “a produzir um ficheiro … sempre que solicitado pelos serviços de inspeção, no âmbito das suas competências”. Porém, deve-se distinguir a obrigação de certificação do programa de faturação e a obrigação de gerar um ficheiro SAF-T para os efeitos supra referidos. Portanto, da certificação prévia o sujeito passivo está dispensado, mas não da geração de um ficheiro SAF-T para os citados efeitos. Com efeito, o Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24.08, não vem exigir especificamente a remessa deste tipo de ficheiro, mas antes a comunicação à Autoridade Tributária e Aduaneira, por transmissão eletrónica de dados, dos elementos das faturas emitidas nos termos do CIVA, através da remessa do referido ficheiro SAF-T (PT)

ou por transmissão electrónica de dados em tempo real, integrada em programa de faturação electrónica. No entanto, dado que, nos termos acima expostos, não existe a obrigação de emissão de fatura, o atual entendimento da Autoridade Tributária e Aduaneira vai no sentido de não ser exigível tal comunicação, sem prejuízo de ter sido requerida pelos serviços aplicadores desta norma, esclarecimento sobre esta questão, o que poderá implicar alterações no actual entendimento. Em conclusão, - A Portaria 22-A/2012, de 24.01, mantêmse em vigor, pelo que a consulente está dispensada da certificação prévia do programa informático de faturação; - A obrigação de faturação pode ser cumprida ao abrigo do disposto no artigo 40.º, n.º 5, do CIVA, mediante a emissão do bilhete de transporte; - Nos termos da Portaria 321-A/2007, de 26.03, alterada pela Portaria 1192/2009, de 8.10, a consulente está obrigada a produzir um ficheiro SAF-T sempre que solicitado pelos serviços de inspeção, no âmbito das suas competências; - O Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24.08, passou exigir a comunicação à Autoridade Tributária e Aduaneira, por transmissão eletrónica de dados, dos elementos das faturas emitidas nos termos do CIVA, através da remessa do referido ficheiro SAF-T (PT) ou por transmissão eletrónica de dados em tempo real, integrada em programa de faturação eletrónica; - O atual entendimento da Autoridade Tributária e Aduaneira defende que a obrigação acima identificada não se aplicará a estes sujeitos passivos (que beneficiam do regime do artigo 40.º, n.º 5, do CIVA).

ZEFERINO FERREIRA Gabinete de Advogados António Vilar, Luis Cameirão & Associados avlc@avlc-advogados.com www.avlc-advogados.com

A NOVA AÇÃO DE DESPEJO Uma das mais importantes novidades da Lei nº 31/2012, de 14 de Agosto, que veio alterar alguns aspetos do regime do arrendamento, prende-se com a criação do Procedimento Especial de Despejo. Este procedimento foi introduzido na Lei nº 6/2006, de 27 de fevereiro, que aprovou o Novo Regime do Arrendamento Urbano, tendo por objetivo principal permitir efetivar a cessação do arrendamento nos casos em que o arrendatário não desocupe o locado na data prevista na lei, ou na data fixada por acordo entre as partes. Para a tramitação deste procedimento, foi pensado o Balcão Nacional do Arrendamento (BNA) com competência em todo o território nacional, funcionando apenas como plataforma online, e onde são entregues os requerimentos de despejo. O requerimento que é entregue no BNA tem sempre de ser instruído, consoante o motivo de cessação do contrato, do próprio contrato reduzido a escrito e dos comprovativos de efetivação

das diligências exigidas legalmente para a respetiva cessação. Não obstante o procedimento tramitar exclusivamente no BNA, este ainda não foi criado, sendo que no passado dia 8 de Novembro de 2012, em Conselho de Ministros foi aprovado o diploma que procede à sua criação e instalação, e que define ainda as regras do seu funcionamento, aguardando-se agora a conclusão do respetivo procedimento legislativo para que o BNA possa entrar em efetivo funcionamento. Este procedimento pretende agilizar o despejo, sendo os prazos aí previstos bastante curtos. Assim, apresentado o requerimento de despejo no Balcão Nacional do Arrendamento, este apenas pode ser recusado se omitir algum dos requisitos tipificados no art.15º-C da Lei nº6/2006, podendo todavia o requerente no prazo de 10 dias apresentar novo requerimento. Uma vez rececionado o requerimento, o BNA procede à notificação do requerido no prazo máximo de 15 dias para que este possa desocupar o locado, deduzir

oposição ao requerimento, ou requerer o diferimento da desocupação do locado. O requerido pode exercer a oposição ao requerimento no prazo de 15 dias contados da sua notificação, sendo que, na falta de oposição, nos casos em que esta é tida como não deduzida ou quando na pendência do processo o requerido não procede ao pagamento ou depósito das rendas que se foram vencendo, o requerimento de despejo é convertido em título para a desocupação do locado. Contudo, se é deduzida validamente a oposição, o BNA é remetido para o tribunal, podendo o juiz marcar data da audiência de julgamento, a qual terá de ser realizada no prazo de 20 dias contados da distribuição. O objetivo central da audiência de julgamento é o acordo das partes, sendo que, se este se frustrar, procede-se à produção de prova, sendo a sentença, finda a produção de prova e as breves alegações orais das partes, ditada para a ata.

Ora, uma vez constituído título ou decisão judicial para a desocupação do lesado, as entidades competentes deslocam-se de imediato ao locado para tomar posse do imóvel, quando senhorio e arrendatário não acordem prazo para a desocupação do locado. Não obstante serem estes os termos do procedimento especial de despejo em geral, existem regras específicas no caso de arrendamento urbano com fins habitacionais. Em suma, com a criação definitiva do BNA, os senhorios poderão, de forma célere e descomplicada, obter a desocupação efetiva dos seus locados quando os arrendatários se recusem a fazê-lo voluntariamente, nos casos em que o contrato de arrendamento não pode mais manter-se entre as partes.

Daniela S. Ramalho Gabinete de Advogados António Vilar, Luis Cameirão & Associados avlc@avlc-advogados.com www.avlc-advogados.com

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PSI-20 (02.01)

5561,47

3,53% Var. Semana 5600 5550

MERCADOS

Dow Jones 02/jan .......13256,61

DAX 02/jan .................... 7614,79

Var Sem ................................1,70% Var 2012 ................................8,50%

Var Sem ................................2,15% Var 2012 ..............................29,10%

Nasdaq 02/jan ............. 3019,661

CAC40 02/jan ................3664,59

Var Sem ................................1,54% Var 2012 ..............................15,91%

Var Sem ................................1,56% Var 2012 ..............................15,41%

5500 5450 5400

IBEX 35 02/jan...............7986,80

5350 5300 6 Dez

7 Dez

10 Dez

11 Dez

12 Dez

1,22% Var. 2012

Var Sem ................................1,31% Var 2012 ...............................-6,77% COLABORAÇÃO: BANCO POPULAR

DE ABERTURA, RESGATE ANTECIPADO, TRANSFERÊNCIA OU, SOBRETUDO, GESTÃO

Comissões são a principal variável entre diferentes PPR Os Planos Poupança Reforma já não têm os benefícios fiscais do passado, mas a preocupação com a sustentabilidade da segurança social a longo prazo está a levar muitos portugueses a colocaram a hipótese de subscreverem aquele produto. A “Vida Económica” solicitou uma simulação deste PPR a bancos e seguradoras e concluiu que as principais diferenças estão nas comissões – abertura, resgate antecipado, transferência ou, sobretudo, gestão – cobradas. AQUILES PINTO aquilespinto@vidaeconomica.pt

As comissões são a principal variável entre os Planos Poupança Reforma (PPR) disponíveis no mercado. Segundo as simulações pedidas pela “Vida

Económica”, não é tanto nas taxas futuras de remuneração que se notam as diferenças, mas nas comissões cobradas pela entidade gestora, sejam de abertura, de resgate antecipado, transferência ou, sobretudo, de gestão. Com efeito, as taxas futuras são apenas previsões, enquanto as comissões estão previstas de forma concreta. Embora tenham cada vez menos benefícios fiscais, os PPR, sejam fundos ou seguros (podem ser destes dois tipos), começam a ser hipótese colocada por muitos portugueses, preocupados com os rumores que vão surgindo sobre a sustentabilidade da segurança social a longo prazo. O problema é que o dinheiro que sobra nos magros orçamentos familiares é pouco ou nenhum. Com base nesta lusa realidade, a “Vida Económica” solicitou uma simulação “austera” de PPR a bancos e seguradoras. O “nosso” investidor tem 40 anos e vai investir 500 euros iniciais, entregando, depois, até aos 65 anos, 25 euros por mês. CA Vida não cobra gestão

Começando pelas comissões de gestão, a seguradora CA Vida (CA PPR) é a única, entre as que

a aceitaram o desafio, que não cobra qualquer valor. Na Liberty Seguros (Liberty PPR Mais), a taxa total anual pode chegar a 1%: máximo de 0,7%, debitado em duodécimos, sobre o valor do Fundo PPR e máximo de 0,3%, debitado em duodécimos, sobre o saldo da conta poupança no final de cada mês. No caso da Lusitania Vida (Plano de Reforma PPR Lusitania 2011), as comissões, aqui mensais, de gestão são de 0,1% nos primeiros cinco anos de contrato e 0,075% nos restantes. Na Mapfre, a comissão anual é de 1% sobre o valor do fundo. Fonte da seguradora indicou-nos que esta comissão não afeta a poupança acumulada, apenas o resultado anual do fundo. No Banco Popular (que enviou simulações de fundos Eurovida Plano PPR) e no BPI (BPI Reforma Investimento PPR) a comissão anual é 1,5%. Na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e redes Fidelidade Mundial e Império Bonança (Leve PPR) não há cobrança de comissões, com exceção para o Leve Duo, que também cobra 1,5%. No caso do Montepio, cuja simulação enviada à “Vida Económica” foi preparada pela Futuro, a sociedade gestora de fundos de pen-

Os receios com sustentabilidade futura da segurança social aumentam a preferência dos portugueses com os PPR

sões da entidade, sendo o plano apresentado o PPR 5 Estrelas, a comissão máxima é de 1,75% por ano. Resgate antecipado de evitar nos primeiros anos

No que se refere à comissão de abertura, BPI, Banco Popular, CGD/Caixa Seguros e Montepio não cobram qualquer valor. Já na Lusitania Vida, aquela taxa pode variar entre 0% e 2%, na CA Vida é de 1,5% do valor dos prémios, na Mapfre há uma comissão de subscrição de cada entrega no máximo 2,1% e na Liberty Seguros não existe comissão de abertura, existe uma comissão de subscrição aplicável

sobre cada entrega, que representa no máximo 3% da mesma. Algo muito importante nos PPR são as comissões por resgate antecipado. Por lei, não podem ser cobradas comissões quando as contribuições perfazem cinco anos, aos 60 anos de idade e reforma por velhice do participante ou cônjuge, desemprego de longa duração, doença grave e reforma por invalidez do participante ou qualquer membro do agregado familiar. Além disso, nas subscrições efetuadas até ao fim de 2006, a frequência ou ingresso em cursos do ensino profissional ou superior (embora, neste caso, os cincos anos já tenham sido atingidos até ao fim de 2011). Fora deste molde legal, a maioria das entidades que nos enviou simulações cobra 2% pelo resgate antecipado. As exceções são o BPI (1%, mas com 0% a partir do segundo ano) e a CGD/Caixa Seguros (0,5%). No que se refere às comissões de transferência, a maioria cobra 0,5% do montante transportado. Também neste campo o BPI foge à regra e não cobra, aqui em conjunto com o Banco Popular, qualquer valor. Por fim, as taxas de remuneração rondam os 2,6%.

COMISSÕES PODEM FAZER A DIFERENÇA Investimento inicial: G 500

Idade: 40 anos Fundo/Entidade

Fonte: entidades

Entregas mensais: G 25

Comissão de abertura

Comissão resgate antecipado

Comissão de gestão

Comissão de transferência

Taxa de remuneração

0%

Até 2%

1,50%

0%

2,50%

0%

1% (0% a partir 2º ano)

1,50%

0%

2,32%

1,5% (valor prémios)

Até 2%

0%

0,5% (valor transferido)

2,3% + resultados

0%

0,50%

Até 1,5%

Até 0,5% (valor transferido)

2,20%

Até 3%/entrega

2%

Até 0,7% fundo PPR/Até 0,3% conta poupança

0,5% (valor transferido)

2,50%

0% a 2%

Até 2%

0,075% a 1%

0,5% (valor transferido)

2,5% + resultados

Até 2,1%/entrega

2%

1% (apenas resultado)

0,5% (valor transferido)

3,8% (1º ano)/2,5% (seguintes)

0%

2%

1,75%

Até 0,5% (valor transferido)

4%

38

SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

MERCADOS EURODÓLAR (02.01) 1,3038

Euro/Libra 2/jan ........0,8082 Var Sem .........................0,54% Var 2012 ......................... 3,12%

-0,37% Var. Semana 1,306 1,304

EURIBOR 6M (02.01) 0,3180

Euribor 3M 2/jan .......0,1830 Var Abs Sem .................. -0,007 Var 2012 ..........................-0,818

-0,021% Var. Semana 0,345

Euro/Iene 2/jan .....108,3270

1,296

Var Sem ........................-0,49% Var 2012 .........................-7,99%

1,294 1,292 1,29 1,288

0,33 0,325 0,32 0,315 0,31 0,305

Euribor 1Y 2/jan ....... 0,5400

108,5

Var Abs Sem .................. -0,030 Var 2012 ......................... -0,964

107,5

6 Dez

7 Dez

10 Dez

11 Dez

0,59% Var. 2012

107 106,5

105,5 6 Dez

12 Dez

Var Sem ...................... 1,50% Var 2012 ..................... 17,94%

108

106

0,3

1,286

Prata 2/jan ................ 33,24

109

0,335

1,3 1,298

Ouro 2/jan ............ 1713,20 Var Sem ...................... 1,18% Var 2012 ...................... 8,69%

110 109,5

0,34

1,302

PETRÓLEO BRENT (02.01)109,63

0,76% Var. Semana

7 Dez

10 Dez

11 Dez

12 Dez

6 Dez

-0,906% Var. 2012

7 Dez

10 Dez

11 Dez

12 Dez

2,11% Var. 2012

COLABORAÇÃO: BANCO POPULAR

NA CARTEIRA AGRESSIVA SÃO AÇÕES QUE DOMINAM

Fundos monetários e obrigações lideram carteira prudente do Banco Best AQUILES PINTO aquilespinto@vidaeconomica.pt

Os fundos de mercado monetário e as obrigações estão em destaque na carteira de investimento prudente que o Banco Best constituiu para a “Vida Económica”. Já na carteira agressiva, as ações lideram, representando mais de 50% do capital investido. O Banco Best frisa, no entanto, que a diversificação é importante em qualquer das “tipologias” de investidor. “A construção das carteiras de investimento tem em conta critérios de diversificação por diversas classes de ativos (obrigações, alternativos, ações e commodities), no sentido de que a correlação inferior a um entre estas classes providencie uma diminuição do risco global da carteira. As alocações a ativos de menor risco são cerca de 85% na carteira prudente e de 32,5% na carteira agressiva. Estas escolhas dão corpo à ideia de que o investidor prudente não exclui totalmente o risco da carteira e, por

CARTEIRA PRUDENTE

A diversificação é importante em qualquer das “tipologias” de investidor, segundo o Banco Best. outro lado, o investidor agressivo deseja uma exposição maioritária, embora não excessiva a risco”, lê-se no comentário enviado à “Vida Económica”. “Os fundos de investimento selecionados, de entre a oferta de quase dois mil fundos de investimento disponíveis para subscrição por parte dos clientes do Banco Best, representam aqueles que, primordialmente, embora entre outros critérios de seleção qualitativos, apresentam os melhores rácios de risco/rendibilidade dentro das diversas categorias selecionadas”, remata a mesma nota.

Nome do fundo

Categoria

ISIN

E.S. Liquidez FEI Acc

Monetário

PTYEVOHM0002

25,0%

GS Glbl Fixed Income Hdgd E

Obrigações

LU0304100331

22,5%

JPM Global Corporate Bond D EUR Hdg Acc

Obrigações

LU0408846961

10,0%

AXA WF Global High Yield Bonds E(H)-Cap EUR

Obrigações

LU0189847253

10,0%

Allianz RCM Europe Equity Growth CT EUR Acc

Ações

LU0256839860

5,0%

BNY Mellon Lg-Trm Global Equity A EUR Acc

Ações

IE00B29M2H10

7,5%

UBS (Lux) Bond SICAV Currency Diversifier P EUR Acc

Alternativos

LU0706127809

10,0%

ING (L) Renta Fd Emerging Markets Debt (Local Currency) X EUR Hdg Acc

Obrigações

LU0577845802

10,0%

CARTEIRA AGRESSIVA Nome do fundo

Categoria

ISIN

AXA WF Global High Yield Bonds E(H)-Cap EUR

Obrigações

LU0189847253

15,0%

Allianz RCM Europe Equity Growth CT EUR Acc

Ações

LU0256839860

25,0%

Threadneedle American Extended Alpha R EUR Acc

Ações

GB00B28CN800

15,0%

Vontobel Fund Emerging Markets Equity HC

Ações

LU0333249109

15,0%

BNY Mellon Lg-Trm Global Equity A EUR Acc

Ações

IE00B29M2H10

10,0%

UBS (Lux) Bond SICAV Currency Diversifier P EUR Acc

Alternativos

LU0706127809

10,0%

ING (L) Renta Fd Emerging Markets Debt (Local Currency) X EUR Hdg Acc

Obrigações

LU0577845802

5,0%

Vontobel Fund - Belvista Commodity H EUR Acc

Matérias-Primas

LU0415415636

5,0%

Notas: O investimento em fundos de investimento não dispensa a consulta dos prospetos disponíveis em www.bancobest.pt ou através do número 707246707 (das 7h30 às 24h).

RICARDO ARROJA

Especulação

Pedro Arroja Gestão de Patrimónios, SA e docente no Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais (IESF)

O futuro Há umas semanas, estive em Londres de passeio. De permeio, aproveitei a ocasião e contactei com alguns colegas e conhecidos no sector financeiro, procurando sentir a sua sensibilidade quanto ao futuro próximo na Europa, em particular no sul da Europa. A opinião generalizada é a de que a situação actual, esta morte lenta que se tem vindo a acelerar nos últimos meses, poderá prolongarse por mais cinco anos sem que nada de substancial mude. Sendo certo que opiniões como aquelas valem o que valem, confesso que regressei desanimado. E, por isso, foi com uma certa satisfação que, há dias, ouvi o discurso do Presidente da República. Tendo criticado Cavaco Silva em tantas e diversas ocasiões ao longo dos anos, muitas vezes nesta coluna de opinião, desta feita, o seu apelo ao fim da espiral recessiva – apesar de relativamente inócuo porquanto não concretizou como – pareceu-me sensato. O problema é que Portugal não tem hoje meios que lhe valham. Estamos carentes de mecanismos – económicos, fiscais e monetários –, e da respectiva autonomia política, que permitam o relançamento da economia. Neste domínio, a chamada coordenação que agora existe na Europa começa a não interessar a um número

crescente de países. Como sempre, pelos mais variados motivos, há países que tendem a liderar os movimentos de opinião, e o debate que hoje se faz no Reino Unido, entre permanecer na União Europeia ou dela sair, representa um debate cada vez mais relevante e meritório não apenas para os britânicos, mas sobretudo para gregos, portugueses e espanhóis. No decurso da investigação que recentemente fiz a propósito de um livro que escrevi sobre a economia portuguesa, dei por mim a tornar-me cada vez mais eurocéptico. Não apenas em relação à moeda única, mas em relação a todo o edifício de integração europeia. Trata-se de um pensamento profundamente contrário ao pensamento dominante, politicamente incorrecto, pois, como dizia há dias um amigo meu, durante décadas os portugueses foram educados na ideia de que a União Europeia seria o presente e o futuro que nos levaria ao nirvana da prosperidade e da modernidade. As dificuldades que hoje se sentem em Portugal, e que no enquadramento actual podem ainda representar apenas o início de um longo período de decadência – afinal de contas, o PIB real em Portugal só corrigiu 5% face ao seu máximo de 2008 –, são sintoma do

esfumar de uma certa ilusão europeísta, que durou enquanto tudo foi bom. A verdade é que, por mais números e estatísticas económicas que possamos apontar, por mais reformas que possamos almejar, a integração europeia está a falhar porque, apesar dos devaneios federalistas da classe política que fez da integração europeia o seu cartão de visita, os modos de viver e os interesses nacionais persistem balcanizados. E não é preciso ir muito longe para se observar este pecado original, pois não há melhor exemplo desta contradição interna do que a política agrícola comum, que, de modo a garantir o escoamento dos excedentes agrícolas de uns, contribuiu para aniquilar as estruturas produtivas de outros. Mercado livre? Pois claro que não; na realidade, não poderia ser mais planificado! A introdução do euro, que retirou às economias menos produtivas na Europa a válvula de escape de que necessitavam a fim de repor a sua competitividade externa, e os problemas de excesso de endividamento que daí resultaram, apenas agravaram esta tendência centralizadora, ao ponto de o euro ser uma moeda muito frágil sem a existência de um tesouro central em Bruxelas. Enfim, estou hoje convencido de que seriam necessárias várias gerações de “miscigenação”

na Europa, que criassem um “ser” e um “sentir” europeu, e mesmo assim – a simples barreira de diferentes idiomas garantiria algumas naturais resistências –, talvez não fosse suficiente no sentido de alterar e uniformizar os modos de vida. Em suma, seria bom que a Europa percebesse isso, que desse um passo atrás, permitindo que os países em apuros recuperassem os seus instrumentos macroeconómicos, para depois dar dois passos à frente. Cooperação na Europa sim, mas coordenação não, e se isso significa menos integração europeia, então, que assim seja. Post-scriptum: a partir da próxima semana deixarei de assinar esta coluna de opinião, suspendendo a minha crónica semanal. Desde 2004 que escrevo ininterruptamente neste jornal, a quem agradeço a coragem por me ter lançado em rubricas de opinião, mas está na altura de ceder o lugar a outros. Além disso, um novo desafio profissional no seio do Grupo para o qual trabalho assim o pede. Deste modo, esta coluna institucional manter-se-á, mas será assinada por outros colaboradores do Grupo Pedro Arroja. Aos leitores que ao longo dos anos me acompanharam na “Vida Económica”, um forte abraço. POR INDICAÇÃO DO AUTOR, ESTE ARTIGO AINDA NÃO SEGUE O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

MERCADOS

Investimento em ativos imobiliários caiu 20% no ano passado

Bancos espanhóis nacionalizados transferem mais de 37 mil milhões Os bancos nacionalizados espanhóis procederam à transferência de 37,1 mil milhões de euros para a Sociedade de Gestão de Ativos da Reestruturação Bancária (SAREB). Esta uma das exigências constantes no memorando de entendimento assinado com Bruxelas para receber a necessária ajuda financeira. A maior fatia coube ao Bankia, num valor de 22,3 mil milhões de euros. Em causa está a receção dos ativos imobiliários procedentes da banca nacionalizada.

O volume de investimento em ativos imobiliários, em Portugal, ascendeu a cerca de 231 milhões de euros, no ano passado, o que se traduziu em menos 20%, face ao exercício anterior, ano em que já se tinha verificado uma quebra de 60%, face aos mais de 700 milhões de euros transacionados em 2010. Refere a consultora imobiliária C&W que “a crise da dívida pública portuguesa e a ausência de financiamento fizeram com que vários investidores estrangeiros deixassem de considerar oportunidades no nosso país”.

SOFID financia internacionalização do grupo JJR

MB NET em crescimento A SIBS percorreu diversas universidades de norte a sul do país, entre abril e dezembro, numa ação de sensibilização entre estudantes que gerou, segundo a entidade gestora, um aumento de adesões ao MB NET na ordem dos 8%. “O Roadshow MB NET permitiu à SIBS dar a conhecer aos universitários, potenciais utilizadores do serviço MB NET, o seu serviço, dissuadindo os estigmas de insegurança das compras online e divulgar as vantagens do MB NET para o pagamento de compras online em segurança”, refere um comunicado da SIBS. Este crescimento de 8% torna-se mais evidente em comparação com o período homólogo no mês de novembro que registou um aumento de 15%. O roadshow demonstrou ainda a existência de diversos perfis de utilizador, vários tipos de comportamento de compras online e diversas opiniões sobre o MB NET entre os cerca de 41 500 estudantes, professores e funcionários que afluíram ao evento. O passatempo “MB NET: a praxe das compras online”, que convidava os “fãs” do Facebook do MB NET a partilhar uma

A participação da SOFID traduziu-se num financiamento de um milhão de euros

Segundo a SIBS, entre abril e dezembro as adesões ao MB NET subiram 8%.

fotografia tirada no stand do roadshow, recebendo um voto por cada “gosto”, conta com cerca de 200 participações. Os três vencedores, que serão conhecidos na próxima quinta-feira (10 de Janeiro), vão receber cheques-prenda Surprise no valor de 250, 150 e 50 euros, referentes ao primeiro, segundo e terceiro lugares. “A implementação deste passatempo incentivou a que a página de Facebook do MB NET crescesse cerca de oito mil ‘likes’, suscitando o interesse de muitas

pessoas por este serviço, caracterizado pelos participantes do roadshow como simples, prático e de fácil adesão”, segundo a SIBS. O MB NET é um serviço desenvolvido pela SIBS Forward Payment Solutions (uma das empresas do grupo SIBS) que permite gerar um cartão de pagamento virtual, com o qual se pode fazer compras em segurança, em qualquer site nacional ou estrangeiro, sem nunca disponibilizar os dados reais. Com o MB NET nunca é necessário indicar o número real do cartão para fazer um pagamento.

A SOFID – Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento apoiou projeto de internacionalização da empresa JJR Moçambique, do grupo de construção JJR, com financiamento de um milhão de euros para projeto de investimento em Moçambique. O projeto com a empresa do Grupo JJR, sediado em Leiria, resulta do processo de internacionalização numa perspetiva de aproveitar as oportunidades oferecidas pelo mercado moçambicano. O projeto apresentado à SOFID, no montante global de cerca de seis milhões de dólares (4,5 milhões de euros), assenta na aquisição de equipamentos industriais, de transporte e outra maquinaria ligeira necessários ao apetrechamento de um estaleiro local de apoio e ao

desenvolvimento da atividade da empresa. A participação da SOFID traduziu-se num financiamento de um milhão de euros à empresa-mãe do grupo, em Portugal, para a realização de suprimentos na sua participada moçambicana, perfazendo 25% do investimento total. A estratégia de atuação da empresa passa pela aposta no segmento das obras de pequena e média dimensão, associadas à manutenção, conservação e beneficiação de rodovias e outras atividades complementares. O projeto perspetiva a criação de mais de 100 postos de trabalho diretos, recorrendo a oito trabalhadores portugueses deslocados e apostando na formação e na transferência de competências técnicas para quadros moçambicanos.

ALEXANDRE MOTA, DIRETOR EXECUTIVO DA GOLDEN BROKER http://bgoldenbroker.blogspot.com/ www.goldenbroker.com

Os Cisnes Negros de 2013 O fim do ano é sinónimo de balanço. Ao recordar o ano que agora finda, as barreiras macro que o mercado teve de enfrentar (designadamente a crise das dívidas e, mais recentemente, a ameaça americana do “fiscal cliff ”) e a forma limpa como as ultrapassou, não deixamos de concluir que nos aproximamos de um ponto de perigosíssima complacência. Ao passar os olhos pelos “Outlooks 2013” o consenso aponta para uma subida do S&P em torno de 10% e ainda “procuro” analistas que prevejam uma queda do mercado. Mas que contexto tão “benigno” é este? Convém recordar que, no mundo

desenvolvido como um todo, vivemos a pior situação em termos de dívida pública desde a Segunda Guerra Mundial. O problema não é só europeu, mas também americano e japonês. Durante algum tempo, as apostas centraram-se no elo europeu, mas é possível que a corda parta por outro lado. É evidente que existe outra visão: a visão de que a corda não vai partir e que a dívida será paga através de expansão monetária. Como principais atores desta visão temos os principais bancos centrais que, com as sucessivas operações de expansão monetária, transformam o mercado numa espécie de macaco amestrado com o radar no

próximo QE, Twist, LTRO, etc. Pior que isso, a intervenção dos bancos centrais, que já passou há muito a imoralidade de subsidiar os bancos, representa hoje a ÚNICA razão que sustenta a subida dos mercados acionistas. Não fora esta intervenção e o desenrolar do purgativo processo de ajustamento empurraria os índices acionistas para sul. Como disse o ex-Ceo do Citigroup: “Enquanto a música tocar, devemos dançar…”. Isso não impede que escutemos com atenção a música…. Por exemplo, yields cada vez mais baixos sobre dívidas de estados ou empresas insolventes; crescente pressão social e

conflito entre gerações; repressão fiscal e manipulação monetária. Neste pano de fundo atrevemo-nos a considerar o óbvio: 2013 será provavelmente um ano de grandes sobressaltos; quedas das bolsas e grande agitação no mercado cambial. Os bancos centrais procurarão corrigir com a receita expansionista do costume, mas as munições serão cada vez mais fracas. É neste contexto que devemos saber ter uma estratégia equilibrada, mas, acima de tudo, devemos recordar que a o sucesso não é ter razão, nem agitar ideias como grandes convicções futuras. O sucesso nos mercados são resultados. Bons investimentos!

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MERCADOS

FMI pede para Alemanha abrandar consolidação orçamental

Santander vende complexo em Madrid

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou à Alemanha para abrandar o seu processo de consolidação orçamental, de modo a compensar as consequências dos cortes no Sul da Europa. Ou seja, o fundo quer que a Alemanha atrase a sua chegada ao défice zero, isto porque o país tem condições para avançar mais lentamente com esse processo. De facto, a Alemanha tem conseguido aumentar as receitas fiscais, graças ao acréscimo da população empregada e à descida nos custos de financiamento. O FMI acredita que este ano será de crescimento global, sobretudo devido ao desempenho dos Estados Unidos, da China e de outros países emergentes.

O banco Santander vendeu um conjunto de edifícios localizado em Madrid, conhecido por “Complexo Canalejas”. A operação envolveu cerca de 215 milhões de euros e vai gerar uma mais-valia bruta de aproximadamente 85 milhões de euros para a instituição bancária. O Santander vai continuar a ocupar o complexo por um período de cinco meses, sem qualquer tipo de renda ou de encargo, cumprindo-se o contrato de compra e venda dos imóveis. Trata-se de mais um negócio que possibilita à entidade financeira libertar-se de imobiliário e encaixar alguma liquidez.

PRESIDENTE DA COSEC CONSIDERA

Empresas exportadoras do risco de crédito As empresas estão cada vez mais sensibilizadas para a importância da gestão do risco de crédito e da proteção da sua tesouraria, apesar de todas as contrariedades que a atual crise económica tem colocado ao tecido económico nacional. Os empresários passaram a ser mais cautelosos com as suas exportações e a reconhecerem agora a importância do seguro de crédito como instrumento essencial, quer no mercado interno quer no exterior. Em entrevista à “Vida Económica”, Miguel Gomes da Costa, presidente da COSEC, garante que a seguradora “tem registado um crescimento da sua atividade” e lembra que, perante as perspetivas de evolução negativa da economia europeia, “é fundamental explorar mercados com maiores taxas de crescimento”.

FERNANDA SILVA TEIXEIRA fernandateixeira@vidaeconomica.pt

Vida Económica – No contexto da atual conjuntura económica que o país atravessa, como tem evoluído a atividade da COSEC, nomeadamente na área do seguro de crédito? Miguel Gomes da Costa – As empresas estão cada vez mais sensibilizadas para a importância da gestão do risco de crédito e da proteção da sua tesouraria. E a forte pressão a que têm sido sujeitas no sentido de desenvolverem a atividade de exportação tem sido um motivo que sustenta também a maior procura por ferramentas de mitigação do risco de créditos comerciais. Face a este enquadramento, a COSEC tem registado um crescimento da sua atividade e para isso muito tem contribuído a forte aposta no apoio às exportações, tanto no que respeita às exportações nos mercados tradicionais da OCDE como no apoio à necessária diversificação de destinos que tem vindo a aumentar nos últimos anos. VE – Quais são as expectativas da COSEC em relação à evolução das exportações nacionais no próximo ano? MGC – Acreditamos que as previsões que atualmente existem para a evolução das exportações, entre os 3,5% e os 5%, poderão concretizar-se, sendo, no entanto, fundamental que as empresas exportadoras disponham de instrumentos de “trade finance” para apoiar a concretização das operações de exportação. No caso do seguro de créditos, a COSEC tem vindo a aumentar sucessivamente a sua exposição nos mercados externos, nomeadamente 21% em 2010, 17% em 2011 e 14% até ao mês de novembro. VE – Considera que a aposta das empresas portuguesas na diversificação de mercados de destino dos seus bens e serviços é o caminho a seguir perante a atual conjuntura? MGC – As perspetivas de evolução da economia europeia

“A COSEC tem registado um crescimento da sua atividade e para isso muito tem contribuído a forte aposta no apoio às exportações”,

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MERCADOS

Estado torna-se maior acionista do Banif

Confiança dos consumidores estabiliza na Europa

O Estado vai tornar-se o maior acionista do Banif durante os próximos cinco anos. Este o resultado direto do plano de recapitalização do banco, em que são injetados cerca de 1,1 mil milhões de euros. O Estado passa assim a controlar perto de 99% do banco e poderá receber até 290 milhões de euros em dividendos e outros ganhos, para além dos cerca de 40 milhões resultantes dos juros. Está-se perante uma espécie de nacionalização temporária. O plano tem ainda de ser aprovado pelos atuais acionistas do Banif.

A confiança dos consumidores permaneceu estável em Dezembro, na União Europeia e na Zona Euro. O índice de confiança subiu apenas ligeiramente de 23,8 pontos negativos, em novembro, para 24,1 pontos negativos, no mês seguinte, na UE. Na Zona Euro, o movimento foi inverso, tendo descido de 26,9 para 26,6 pontos negativos. Daqui se conclui que se está a verificar uma certa estabilização, ainda que os valores se mantenham negativos. De salientar que a confiança dos consumidores acaba por ser um reflexo, entre outros factores, da atividade industrial, a qual tem tardado em recuperar.

enfrentam um aumento são negativas, pelo que é fundamental explorar mercados com maiores taxas de crescimento. A exposição da COSEC demonstra que a procura de coberturas para mercados de maior crescimento tem sido uma realidade, destacando-se os mercados da América Latina, África e alguns mercados do Médio e Extremo Oriente. VE – Que mercados poderão oferecer às empresas boas perspetivas de negócios, isto apesar de estarem classificados como representando maior risco? MGC – Em termos gerais, os mercados fora da OCDE apresentam atualmente maiores taxas de crescimento e melhores oportunidades. No entanto, também apresentam maior risco, pelo que a abordagem a estes mercados tem de ser mais cautelosa e o risco tem de ser bem avaliado. Angola, Venezuela e Moçambique entre os principais destinos de seguro de crédito

VE – Dos produtos que a COSEC disponibiliza às empresas com negócios internacionais, quais registam maior procura? MGC – O produto principal na atividade da COSEC continuam a ser as suas apólices globais, que, nos mercados externos e até final de novembro, acomodavam uma exposição de cerca de quatro mil milhões de euros, maioritariamente concentrados

“A crise financeira está já a ter reflexos na sinistralidade dos mercados externos, notando-se um agravamento da sinistralidade nos últimos trimestres” salienta Miguel Gomes da Costa.

O produto principal na atividade da COSEC continua a ser as suas apólices globais, que, nos mercados externos e até final de novembro, acomodavam uma exposição de cerca de 4 mil milhões de euros, maioritariamente concentrados nos países da OCDE.

nos países da OCDE. Acresce que para os mercados da OCDE a COSEC tem vindo a disponibilizar as linhas com garantia do Estado e que têm constituído um complemento importante das coberturas concedidas nas apólices globais. No final de novembro as garantias emitidas no âmbito destas linhas atingiam cerca de 500 milhões de euros. VE – E quanto aos mercados que não pertencem à OCDE? MGC – Aí tem sido relevante a utilização da linha de mil milhões de euros com garantia do Estado, gerida exclusivamente pela COSEC e que tem como características específicas a possibilidade de garantir operações individuais ou programas anuis de exportação em condições bonificadas. No âmbito desta linha e até final do mês de novembro estavam garantidas vendas de cerca de 700 milhões de euros destinadas a cerca de 70 países, dos quais se destacam destinos como Angola, Venezuela, Brasil e Marrocos. De referir ainda que ultimamente o produto seguro caução para mercados externos com garantia do Estado tem registado grande procura, designadamente

na apresentação de garantias para obras de grandes dimensões nestes mercados, com destaque para os mercados de Norte de África e América Latina. VE – Qual o cliente tipo para estes produtos, quais os principais setores abrangidos e quais os países onde é maior a presença da COSEC? MGC – No que respeita às coberturas no âmbito das nossas apólices de risco comercial e das linhas para mercados da OCDE, a COSEC tem uma carteira onde se destacam os grandes exportadores portugueses, designadamente do setor da pasta de papel, calçado, têxtil e setor alimentar. De qualquer modo, a maior percentagem de clientes da COSEC são PME. No caso das responsabilidades em vigor com garantia do Estado, a COSEC gere atualmente um carteira que atinge os 1,6 mil milhões de euros e em que Angola, Venezuela e Moçambique representam 93% dos montantes totais em vigor. Em particular na linha para países fora da OCDE, são as PME exportadoras que mais têm ocupado esta linha, destacando-se os setores dos bens alimentares, produtos da área farmacêutica, materiais de construção, informática, e pasta de papel. Já no caso da Convenção Portugal-Angola, destaca-se o setor da construção, que ocupa praticamente as responsabilidades subscritas neste âmbito e que tem atualmente uma ocupação de cerca de 70%. Crise origina agravamento da sinistralidade dos seguros de crédito

VE – E qual tem sido a taxa de sinistralidade dos seguros de crédito à exportação? MGC – Historicamente, a sinistralidade verificada nos mercados externos tem sido inferior à verificada no mercado doméstico. De qualquer modo, a crise financeira que vem afetando as principais economias da Europa e os principais destinos das nossas exportações está já a ter reflexos na sinistralidade dos mercados externos, notando-se um agrava-

mento da sinistralidade nos últimos trimestres. VE – Para terminar, que conselhos poderá a COSEC dar aos empresários portugueses que queiram exportar os seus produtos, nomeadamente para países fora da OCDE? MGC – Os empresários devem salvaguardar o risco que correm quando exportam para os mercados externos, designadamente fora da OCDE, dado que a garantia de recebimento dos bens exportados é a regra de ouro na estabilidade das suas tesourarias e bem assim na cobrança dos seus créditos em mercados de risco comercial e político. Como referi anteriormente e dada a atual disponibilidade existente do produto seguro de créditos para cobrir as vendas para todos os mercados do mundo, aquilo que aconselhamos aos nossos exportadores é que recorram à sua utilização, aproveitando a capacidade disponível do produto nas suas várias vertentes e na cobertura de uma grande diversidade de mercados.

As perspetivas de evolução da economia Europeia são negativas pelo que é fundamental explorar mercados com maiores taxas de crescimento. A exposição da COSEC demonstra que a procura de coberturas para mercados de maior crescimento tem sido uma realidade destacando-se os mercados da América Latina, África e alguns mercados do Médio e Extremo Oriente.

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SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

MERCADOS

Inação espanhola foi de 2,9% A inação em Espanha fechou 2012 nos 2,9%, de acordo com os dados do instituto de estatĂ­sticas do paĂ­s vizinho. Depois de um pico em outubro, com os preços a registaram uma subida de 3,5%, a inação desceu para 2,9%, devido, segundo a referida entidade, Ă  baixa do preço dos produtos farmacĂŞuticos e combustĂ­veis e lubriďŹ cantes.

Apple destronou Exxon como empresa mais valiosa em bolsa A Apple fechou 2012 na liderança das empresas mais valiosas em bolsa, “roubandoâ€? o primeiro lugar Ă  petrolĂ­fera Exxon, que liderou aquele ranking durante 11 anos. Segundo os dados da agĂŞncia Bloomberg, a capitalização da empresa fundada por Steve Jobs ascende a 500,6 mil milhĂľes de dĂłlares, contra 394,6 mil milhĂľes da Exxon.

A NOSSA ANĂ LISE

DepĂłsito do Millennium premeia relação do cliente atĂŠ 2,25% O DepĂłsito Soma + do Millennium bcp ĂŠ um depĂłsito a prazo a 360 dias que assegura uma remuneração ďŹ xa lĂ­quida de 0,375% para quem investe entre 1.000J e 7500 euros ou 0,75% para quem disponibilizar entre 7500 euros a 50 mil euros. A estes valores poderĂŁo ser acrescentados atĂŠ 2,25%, dependendo do nĂşmero de produtos do banco que o cliente subscrever. A quantos mais aderir, mais recebe de taxa de juro neste produto ďŹ nanceiro. A relação de antiguidade com a instituição bancĂĄria tambĂŠm poderĂĄ ser boniďŹ cada. MARTA ARAĂšJO martaaraujo@vidaeconomica.pt

Amor com amor se paga

A mensagem da instituição bancĂĄria ĂŠ clara: quanto mais for ďŹ el aos seus serviços e produtos, mais recebe de remuneração num depĂłsito a prazo. HĂĄ uma relação direta de proporcionalidade. A lĂłgica deste produto ďŹ nanceiro ĂŠ precisamente essa, a de fazer aumentar o pacote de compromisso entre os clientes e o Millennium bcp. Caso contrĂĄrio, e tendo em linha de conta a taxa de remuneração base, o DepĂłsito Soma + nĂŁo se torna atrativo. Para aderir a esta solução ĂŠ necessĂĄrio um investimento mĂ­nimo de mil euros, sendo o montante mĂĄximo do depĂłsito de 50 mil euros. No que concerne Ă  taxa de remuneração base liquida, sĂŁo aplicados dois escalĂľes: 0,375% para quem investe entre mil euros e 7500 euros ou 0,75% para quem disponibilizar entre 7500 euros a 50 mil euros. A estes valores poderĂĄ ser acrescentado 0,01%, por cada ano de antiguidade da conta de depĂłsitos Ă  ordem associada a este depĂłsito, com o mĂĄximo de 0,25%; 0,50%, na domiciliação do vencimento ou reforma/pensĂŁo, se recebido por transferĂŞncia bancĂĄria codiďŹ cada com cĂłdigo 08 ou 11, respetivamente. A domiciliação do ordenado deverĂĄ ocorrer atĂŠ ao ďŹ nal do 2.Âş mĂŞs (perĂ­odo de 60 dias) e veriďŹ car-se durante, pelo menos, 10 meses. A domiciliação de ordenado nĂŁo obriga Ă  contratação nem da “Vantagem Ordenadoâ€? nem de qualquer facilidade de descoberto; 0,25%, por cada produto que o cliente contrate, com o mĂĄximo de 2,25% (nove produtos). Os produtos deverĂŁo ser contratados atĂŠ ao ďŹ nal do 2Âş mĂŞs (perĂ­odo de 60 dias)

da contratação do depĂłsito a prazo e deverĂŁo ser mantidos atĂŠ ao vencimento do mesmo, pois sĂł deste modo o cliente poderĂĄ beneďŹ ciar da remuneração adicional a acrescer Ă  TANB base. Prova que gostas de mim e mais juros receberĂĄs

Para ter direito ao valor mĂĄximo de 0,25% por produto, terĂĄ de escolher nesta lista: cartĂŁo de crĂŠdito; cartĂŁo de dĂŠbito; cliente frequente, cliente frequente negĂłcios ou Millennium GO!; seguro MĂŠdis; MĂłbis - seguro automĂłvel; seguro multirriscos habitação ou seguro proteção negĂłcio; seguro plano de proteção pagamentos; seguro proteção vida; outros depĂłsitos a prazo (exceto DepĂłsito Especial e DepĂłsito Especial Mais). No entanto, tenha em consideração que, para efeitos de remuneração adicional, apenas serĂĄ considerada a contratação de um produto de cada uma das famĂ­lias de produto anteriormente identiďŹ cadas (por exemplo, sĂł ĂŠ considerado um cartĂŁo da famĂ­lia cartĂŁo de dĂŠbito, independentemente de o cliente contratar mais do que um cartĂŁo de dĂŠbito). Na prĂĄtica, a aplicação cumulativa de todas as condiçþes acima identiďŹ cadas permitirĂĄ uma remuneração adicional mĂĄxima de 3% a acrescer Ă  TANB base aplicĂĄvel consoante o escalĂŁo elegĂ­vel (<7.500J ou > 7.500J), sendo a TANB mĂĄxima de 3,5% e 4%, para o 1Âş e 2Âş escalĂŁo, o que corresponde a uma TANL mĂĄxima de 2,520% e 2,625% (considerando a taxa de retenção de 28%) ou de 2,625% e 3% (considerando a taxa de retenção de 25%), respetivamente.

CONSELHOS s

%STEPRODUTOPODERĂ&#x2C6;SERESPECIALMENTEATRATIVO PARAQUEMJĂ&#x2C6;SEJACLIENTEDO-ILLENNIUMBCP EESTEJADISPOSTOAALARGAROSEUPACOTEDE PRODUTOS#ASOCONTRĂ&#x2C6;RIO HĂ&#x2C6;SOLUĂ&#x17D;Ă&#x153;ESlNANCEIRAS COMESPAĂ&#x17D;OTEMPORALEVALORESDEINVESTIMENTO SEMELHANTES COMMAIORRENTABILIDADEEMENOR GRAUDECOMPROMISSO

s

.AHORADESUBSCREVERESTE$EPĂ&#x2DC;SITO3OMA TENHAEMLINHADECONTAQUEAMOBILIZAĂ&#x17D;Ă?O ANTECIPADAĂ?PERMITIDAMASMEDIANTEAPERDADE DOSJUROS!OMESMOTEMPO EPORQUENĂ?O SĂ?OPERMITIDOSREFORĂ&#x17D;OS PENSEBEMNOVALORQUE ESTĂ&#x2C6;DISPOSTOADESPENDER DEFORMAAOTIMIZARO INVESTIMENTOFEITO

Intermediação ďŹ nanceira cai 19% no terceiro trimestre O volume de ordens executadas pelos intermediĂĄrios ďŹ nanceiros ascendeu a 42,5 mil milhĂľes de euros, no terceiro trimestre de 2012, o que se traduziu numa quebra de quase 19%, face ao trimestre anterior. A tendĂŞncia de descida registou-se em todos os segmentos, com o valor das ordens sobre açþes a baixar

33,8%, para 6,5 mil milhĂľes de euros ,e as executadas sobre dĂ­vida privada a recuarem 26,5% e sobre dĂ­vida pĂşblica 7%, relativamente ao segundo trimestre. Os tĂ­tulos sobre dĂ­vida privada foram o ativo ďŹ nanceiro mais procurado (39% do total), apesar da queda trimestral de 7,5%, seguidos da dĂ­vida pĂşblica

e das açþes, que atingiram, 11,5 e 9,9 mil milhĂľes de euros, respetivamente. O BES Investimento foi o intermediĂĄrio ďŹ nanceiro com a quota de mercado mais elevada (26,1%) no segmento de açþes, seguido do BPI (23,3%) e da Fincor (14%). O BES Investimento liderou tambĂŠm nas ordens sobre dĂ­vida

pĂşblica, com uma quota de mercado de 24,2%, seguido do BPI, com 21%, e do Caixa â&#x20AC;&#x201C; Banco de Investimento, com 13,5% de quota de mercado. Quanto ao investimento por paĂ­s, Portugal recebeu 53,1% do valor das ordens, seguido dos Estados Unidos (17,4%) e da Alemanha (14,4%).

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MERCADOS

Millennium bim mais uma vez premiado “Banco do Ano em Moçambique” O Millennium bim voltou a ver reconhecido o seu desempenho no setor bancário moçambicano, tendo sido distinguido, pela sétima vez, pela revista “The Banker” com o prémio “Banco do Ano em Moçambique”. No ranking definido por esta publicação, onde vigoram as 300 instituições bancárias africanas de maior relevo, o Millennium bim é o primeiro banco moçambicano, na 65ª posição.

Euribor a seis meses entra em 2013 a cair A taxa Euribor a seis meses, indexada à maioria dos contratos de crédito à habitação em vigor em Portugal, manteve nesta semana a tendência de descida que registou ao longo de 2012, tendo recuado para 0,319%. Aquele prazo foi, no entanto, o único que desceu. Com efeito, a Euribor a três meses subiu para 0,188% e a 12 meses cresceu para 0,543% na primeira sessão de 2013.

Ações para o Longo Prazo Investimento em valor

EMÍLIA O. VIEIRA Presidente do Conselho de Administração Casa de Investimentos – Gestão de Patrimónios, SA www.casadeinvestimentos.pt

Tal como fazer dieta, investir é simples, mas não é fácil. Há apenas duas formas de perder peso: comer menos e fazer mais exercício. Não podia ser mais fácil. A verdade é que comer menos e fazer mais exercício não é fácil num mundo cheio de doces, de batatas fritas, de bons assados ou bons vinhos. A tentação está em todo o lado. A chave para investir com sucesso também é simples: comprar bons ativos que produzam rendimentos, comprar quando estão baratos e mantê-los, diversificar apenas o essencial e manter os custos de transação baixos. Infelizmente, este conceito tão simples não é facilmente aplicável para os investidores que todos os dias são bombardeados com a ideia “fique rico depressa”, avisos para saírem do mercado

A chave para investir com sucesso também é simples: comprar bons ativos que produzam rendimentos, comprar quando estão baratos e mantê-los, diversificar apenas o essencial e manter os custos de transação baixos. Infelizmente este conceito tão simples não é facilmente aplicável (…). Os investidores são muitas vezes “forçados” a tomar decisões motivados pelo medo ou pela ganância. (ou entrarem) antes que seja demasiado tarde e comentadores de televisão que gritam “dicas” de investimento como se tivessem a roupa interior a arder. Os investidores são muitas vezes “forçados” a tomar decisões motivados pelo medo ou pela ganância. O objetivo do meu artigo quinzenal é explicar os princípios do Investimento em Valor para que o leitor possa beneficiar da estratégia de investimento que, consistentemente, melhores rentabilidades

proporciona a médio a longo prazo. É importante compreender os princípios do investimento e saber escolher o conselheiro financeiro, que deve ser capaz, honesto e independente. Um dos fatores mais difíceis na manutenção de uma abordagem de longo prazo é o facto de os preços das ações estarem tão facilmente disponíveis. Podemos consultar o valor de todas as nossas posições em ações a cada minuto. Conseguimos ver como os preços flutuam levados por fatores de curto prazo e, em muitos casos, esta informação causa desconforto aos investidores, mas não tem qualquer relevância a longo prazo. No livro “O Livro do Investimento em Valor”, que a Casa de Investimentos traduziu para português, Chris Browne apresenta um exemplo deste comportamento, o de um conhecido seu que detinha um portfólio de obrigações municipais que valia cerca de 700.000,00 USD. “Ele era um mediador imobiliário com muito sucesso que poupava pelo menos 50% do seu rendimento anual. O seu dinheiro estava investido para o longo prazo e ele tinha capacidade financeira para o deixar investido. Mas ele não conseguia suportar as subidas e descidas diárias dos preços das ações. Se uma das suas ações fechasse a cair, ele ficava profundamente transtornado. Penso que ele não se tinha dado conta de que os preços das obrigações também flutuavam; mas, uma vez que não conseguia consultar os seus fechos diariamente, ele não se preocupava. Recebia regularmente os juros das obrigações e reinvestia-o e ficava feliz. Nos 10 anos seguintes, assumindo uma taxa anual de 5%, o valor do seu portfólio de obrigações municipais subiu até aos 1.140.226,00 USD. Se o mesmo capital tivesse sido investido em fundos de ações do S&P 500, o meu amigo teria conseguido 2.906.639,00 USD antes de impostos a uma taxa anual de 15,3%. Assumindo impostos de 40%, o seu pé-de-meia ascenderia a 2.023.983,00 USD. A sua perda, por não ter investido em ações, foi de 883.757,00 USD. Utilizaria esta abordagem de avaliação minuto a minuto noutros ativos que detenha? Como reagiria se a sua casa fosse avaliada diariamente e a cotação publicada nos jornais? Venderia porque hoje alguém a avalia em menos 2 ou 3%? Apresento abaixo 3 exemplos de investimento para realçar a importância de investir a médio e longo prazo em bons ativos, que produzem rendimentos, que pagam dividendos e que conseguem proteger as poupanças garantindo a manutenção do poder de compra.

Um dos fatores mais difíceis na manutenção de uma abordagem de longo prazo é o facto de os preços das ações estarem tão facilmente disponíveis. Podemos consultar o valor de todas as nossas posições em ações a cada minuto. Conseguimos ver como os preços flutuam levados por fatores de curto prazo e, em muitos casos, esta informação causa desconforto aos investidores e não tem qualquer relevância a longo prazo. I. Os gémeos – a importância de começar cedo

Apresento-vos Jill e John, gémeos de vinte e um anos que acabaram de se licenciar. Jill, imediatamente após o ingresso no mundo do trabalho, iniciou uma contribuição de 50 dólares mensais para um fundo de ações. Esta contribuição manteve-se durante os oito anos seguintes até que Jill casou e este valor foi utilizado em despesas mais prementes. Manteve apenas os 8 anos de contribuições. John, que casou com a namorada do liceu logo após a licenciatura, começou a investir apenas aos 29 anos de idade. A sua contribuição era também de 50 dólares para o mesmo fundo de ações e manteve-se durante 37 anos até a sua reforma. No total, John investiu 22.200 dólares enquanto que Jill contribuiu com 4800. Aos 65 anos de idade, qual dos irmãos tinha mais dinheiro, assumindo um retorno anual médio de 10%? A resposta, ao contrário do que à primeira vista parece óbvio, é que Jill tem mais dinheiro que o seu irmão, 256.650 dólares, contra 217.830 de John. II. Um milhão de dólares em 1947 – a inflação

“De modo a assegurar um rendimento estável à viúva de um homem rico que faleceu prematuramente, o banco investiu todo o dinheiro da viúva e dos filhos em obrigações municipais isentas de impostos com uma taxa anual de 4%. Um rendimento anual de $40.000 em 1947 deixava a mãe desafogada. Na altura um Cadillac custava $2000. Contudo, ninguém imaginava que a senhora vivesse mais 45 anos. Quando faleceu em 2002, continuava a ter o rendimento anual de $40.000, que valia muito menos que em 1947. Se o milhão de dólares tivesse sido investido no S&P500 em 1947 e a viúva fosse autorizada a gastar 4% dos ativos em cada ano, em 1998, teria 44 milhões de dólares e um rendimento anual de $1.760.000.”

Felizmente, segundo Chris Browne, os filhos puderam ajudar a mãe na velhice. A inflação é a doença perniciosa e de crescimento lento que corrói a riqueza e, até que melhor apareça, as ações são o único ativo que a consegue acompanhar. III. A viúva – a longa curva da prosperidade

No início dos anos 80, uma cliente de há muitos anos de Chris Browne procurou-o para se aconselhar na reestruturação dos seus ativos. O marido tinha falecido e deixou-lhe uma conta na gestora de patrimónios que Chris Browne dirigia com cerca de 4 milhões de dólares. A cliente tinha ainda ações da Berkshire Hathaway no valor de 30 milhões de dólares. O seu marido tinha sido um dos primeiros investidores na empresa de Warren Buffett e manteve sempre em carteira todas as ações da Berkshire. A viúva planeava agora reformar-se e necessitava de programar rendimentos futuros. O seu estilo de vida foi sempre confortável mas relativamente modesto, dada a sua fortuna. Calculou precisar de cerca de 200.000,00 USD por ano para manter o seu estilo de vida. O seu contabilista tinha-lhe proposto um plano que ia de encontro aos seus desejos de rendimento; uma vez que as suas ações da Berkshire tinham um preço médio de compra de cerca de 20 USD, sugeriu o estabelecimento de uma fundação para fins de beneficência, transferir para lá a posição da Berkshire e vendê-la sem pagar quaisquer impostos de mais-valias. Este valor seria reinvestido em obrigações, que garantiriam um rendimento regular. Chris Browne disse-lhe, na altura, que a razão pela qual ela era rica era porque estava muito bem investida em ações e questionou-a porque motivo desejaria desistir de apreciações futuras. Com base na longa vida da sua mãe, a cliente, argumentou Browne, podia esperar viver mais 35 anos de vida. O seu contabilista respondeu que ela tinha todos os seus ativos no mercado acionista, que era, por definição, arriscado. Browne argumentou que, mesmo que o mercado caísse 50%, ela ficaria ainda com dinheiro suficiente para viver até à idade de Matusalém. A cliente decidiu confiar em Browne mantendo tudo investido em ações e este garantiria qualquer necessidade financeira com o dinheiro que estava investido na sua Gestora de Patrimónios. Alguns anos mais tarde, quando se reuniram para rever o plano, os seus investimentos em ações valiam 180 milhões de dólares. Browne voltou a sugerir que o mantivesse investido em ações. Em 2007 Browne calculava que a posição em ações valesse cerca de 300 milhões. Os investidores em valor são como agricultores. Semeiam boas sementes em boa terra e esperam que as colheitas cresçam. Se o milho demora um pouco mais devido ao frio, não arrancam a sementeira para fazer uma nova. Esperam pacientemente pela colheita. Votos de um Bom Ano.

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MERCADOS

DAX 30 - ANĂ LISE DE LONGO PRAZO

PSI-20 - ANĂ LISE DE LONGO PRAZO O â&#x20AC;&#x153;duplo fundoâ&#x20AC;? registado entre o segundo e terceiro trimestres permitiu uma recuperação que anulou a totalidade das perdas observadas no decurso de 2012. Este comportamento possibilita algum optimismo para o Ă­ndice nacional, com valores acima dos 5770 pontos, a abrir â&#x20AC;&#x153;espaçoâ&#x20AC;? para uma visita atĂŠ aos 6500 pontos. A perda de 5125 pontos inviabilizarĂĄ o cenĂĄrio positivo observado.

:HHNO\436, Pric e

8.900

EUR

8.200

8.000 7.000 6.500 6.000

5.630 5.770 5.125

5.000

Q2 Q3 Q4 Q1 Q2 Q3 Q4 Q1 Q2 Q3 Q4 Q1 Q2 Q3 Q4 Q1

2009

2010

2011

0RQWKO\4*'$;, 8.100

Pric e EUR

7.590 7.000

5.900

6.000

5.000

5.000

4.520 4.000 2008

2009

2010

2000

2012

3.600 2011

2012

O Ăşltimo trimestre de 2012 foi de acumular de ganhos para o DAX, tendo encerrado o ano em mĂĄximos de quase 4 anos. O Ă­ndice alemĂŁo ultrapassou jĂĄ a resistĂŞncia dos 7590 pontos. Este evento tĂŠcnico sugere uma visita a valores de 2007, junto dos 8100 pontos. No entanto, serĂĄ importante ter em mente o suporte dos 7200 pontos perante eventuais recuos do Ă­ndice.

2013

2010

CARLOS BALULA carlosbalula@imf.pt

Euro em alta

FILIPE GARCIA

MERCADO MONETĂ RIO INTERBANCĂ RIO

ďŹ lipegarcia@imf.pt

Mercado aguarda desenvolvimentos de 2013 Muito poucas alteraçþes na primeira semana de 2013, com os operadores Ă  espera de notĂ­cias e dados econĂłmicos que permitam dar direção aos preços. As Euribor mantĂŞm-se pouco alteradas, nĂŁo havendo para jĂĄ qualquer expectativa que o BCE venha a mexer nas taxas de referĂŞncia na sua reuniĂŁo de Janeiro. Alguns dos membros do BCE, como Asmussen, Mersh e Praet, tĂŞm vindo sucessivamente a pĂşblico aďŹ rmar que nĂŁo faz qualquer sentido baixar taxas de juro no atual contexto. A postura dos polĂ­ticos alemĂŁes continua a ser de muita cautela relativamente ao que se poderĂĄ passar em 2013. Angela Merkel tentou passar um discurso positivo, realçando os benefĂ­cios das medidas tomadas em 2012 na Zona Euro, mas alertando que ainda hĂĄ um longo caminho a percorrer, pelo que nĂŁo haverĂĄ que contar com facilidades neste novo ano. Para Merkel, o mundo nĂŁo aprendeu com a crise de 2008, criticando assim indiretamente a postura de

alguns paĂ­ses que nĂŁo mudaram a sua atitude. Bem menos simpĂĄticas foram as palavras do presidente do Bundesbank, avisando que nĂŁo hĂĄ espaço para qualquer tipo de complacĂŞncia no caminho que se tem vindo a trilhar no sentido de ajustamento orçamental. Para Weidmann, as causas do forte desequilĂ­brio ďŹ scal ainda nĂŁo foram corrigidas, havendo o risco de a situação piorar se os governos relaxarem na aplicação de medidas e se ďŹ arem nas ajudas do BCE. A Alemanha continua a opor-se com toda a força a qualquer ideia de emissĂŁo de moeda para ajudar a ďŹ nanciar os Estados, alertando que vĂŞ como extremamente perigosas as conversas que vĂŁo surgindo no sentido de permitir uma subida da inďŹ&#x201A;ação. A Markit reportou uma queda do PMI na Zona Euro em Dezembro em 0.2 para 46.1, sugerindo que a economia europeia terĂĄ estado em recessĂŁo no Ăşltimo trimestre de 2012. O ano obrigacionista começa com uma ligeira queda nos

tĂ­tulos alemĂŁes e a manutenção da tendĂŞncia de alta nos ativos de maior risco, continuando a beneďŹ ciar a dĂ­vida dos paĂ­ses perifĂŠricos. Ainda assim, a Alemanha começou o ano a emitir 4,15 mil milhĂľes a 2 anos pagando apenas 0,01%. Depois de uma paragem nas emissĂľes de mais de duas semanas, e tendo em conta o apetite investidor por algo que pague um pouco mais, serĂĄ de esperar um mĂŞs de Janeiro muito ativo em novas emissĂľes. A decisĂŁo dos EUA em adiar por dois meses os cortes de despesa que permitiriam um maior equilĂ­brio nas contas deu alento ao mercado, mas falta pouco para que o limite de dĂ­vida autorizado seja novamente atingido, pelo que serĂĄ de esperar um rĂĄpido regresso ao tema nas prĂłximas semanas. NĂŁo havendo nada que sugira uma subida de taxas, continua a ser pouco interessante substituir taxas variĂĄveis por taxas ďŹ xas. ANĂ LISE PRODUZIDA A 2 DE JANEIRO DE 2013

EVOLUĂ&#x2021;Ă&#x192;O EURIBOR (EM BASIS POINTS) 2.janeiro13

31.outubro12

10.outubro12

1M

0,109%

0,110%

-0,001

0,113%

-0,004

3M

0,188%

0,184%

0,004

0,191%

-0,003

1Y

0,543%

0,543%

0,000

0,574%

-0,031

=

FUTUROS EURIBOR

TAXAS EURIBOR E REFI BCE

Data Fevereiro 13 Março 13 Abril 13 Setembro 13 Dezembro 14 Junho 16

3 Meses ImplĂ­cita 0,165% 0,170% 0,175% 0,210% 0,460% 0,980%

CONDIĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES DOS BANCOS CENTRAIS Minium Bid* 0,75% BCE Lending Facility* 1,50% Deposity Facility* 0,00% *desde 5 de julho 2012

EUA R.Unido Brasil JapĂŁo

YIELD 10 ANOS PORTUGAL

J

<L HO G

FED Funds Repo BoE Taxa Selic Repo BoJ

0,25% 0,50% 7,25% 0,10%

EURO FRAâ&#x20AC;&#x2122;S Forward Rate Agreements Tipo* Bid Ask 0,160 0,200 1X4 0,150 0,190 3X6 0,290 0,330 1X7 0,280 0,320 3X9 0,322 0,337 6X12 0,610 0,660 12X24 *1x4 - PerĂ­odo termina a 4 Meses, com inĂ­cio a 1M

      

EURO IRS InterestSwapsvs Euribor 6M Prazo Bid Ask 0,387 0,417 2Y 0,489 0,529 3Y 0,824 0,844 5Y 1,360 1,380 8Y 1,642 1,662 10Y Obrigaçþes

   -DQ

)HY 0DU 4

$EU

0DL -XQ 4

-XO

$JR 6HW 4

2XW

1RY 'H] 4

-DQ Fontes: Reuters e IMF

5Y 4,98 3,82 0,73 0,40 3,10 0,95 0,77 0,18

10Y 6,67 5,05 2,07 1,43 4,29 1,97 1,84 0,79

EUR/USD :HHNO\4(85 Pri c e USD

1,44 1,4 1,36 1,32 1,28 1,24

O N D J F MA M J J A S O N D J F MA M J J A S O N D

2010

2011

2012

Eur/Usd No Ăşltimo trimestre de 2012, o Eur/Usd quebrou a tendĂŞncia de queda que vinha caracterizando o seu comportamento desde meados de 2011. Este movimento neutralizou a pressĂŁo vendedora do câmbio, permitindo uma subida a valores acima dos 1,32 dĂłlares. Este evento reforça o momentum ascendente do câmbio, permitindo ter em mente o objetivo dos 1,35 dĂłlares para as prĂłximas semanas. Eur/Jpy O Eur/Jpy quebrou a tendĂŞncia de queda de longo prazo, tendo conseguido encerrar o ano em mĂĄximos de 20 meses. O rĂĄpido movimento de subida observado no ďŹ nal de 2012 reďŹ&#x201A;etiu a continuação do ressalto veriďŹ cado nos 95 ienes e sinalizou a importância da zona de resistĂŞncia dos

104,5 e 105,5 ienes. A prĂłxima zona de resistĂŞncia estĂĄ nos 117.80 ienes, podendo a sua quebra em alta abrir â&#x20AC;&#x153;espaçoâ&#x20AC;? para uma visita a valores prĂłximos dos 123,30 ienes. Eur/Gbp Desde o VerĂŁo de 2011 que o Eur/Gbp se encontrava numa trajetĂłria de queda. Como tĂ­nhamos referido, as 0,77 libras nĂŁo eram fĂĄceis de quebrar e o ressalto efetivamente aconteceu. Com a quebra em alta da linha de tendĂŞncia, que ocorreu hĂĄ apenas duas semanas, o cenĂĄrio tornou-se bastante mais neutral. A recuperação em curso, iniciada no ďŹ nal de Julho, estĂĄ a encontrar resistĂŞncia natural entre 0,8150 e 0,8200. Esses sĂŁo os nĂ­veis a observar nesta fase. Acima dessa zona de preços o padrĂŁo grĂĄďŹ co altera-se e as 0,84 libras passam a ser o objetivo seguinte.

Fixing 3.jan.13

Variação semanal (%)

Variação no mês (%)

Desde 1 jan. (%)

EUR/USD

1,3262

-0,03%

1,30%

0,52%

EUR/JPY

115,38

1,33%

7,55%

1,56%

EUR/GBP

0,8140

-0,72%

0,21%

-0,26%

EUR/CHF

1,2090

0,07%

-0,38%

0,15%

EUR/NOK

7,3175

-0,79%

-0,39%

-0,42%

EUR/SEK

8,5704

-0,66%

-0,65%

-0,14%

EUR/DKK

7,4602

0,00%

0,00%

-0,01%

EUR/PLN

4,0727

0,10%

-1,37%

-0,03%

EUR/AUD

1,2637

-1,13%

1,12%

-0,59%

EUR/NZD

1,5859

-2,00%

-0,04%

-1,16%

EUR/CAD

1,3060

-0,73%

0,36%

-0,59%

EUR/ZAR

11,2388

-0,34%

-2,70%

0,59%

EUR/BRL

2.7678

2.09%

3.87%

113.91%

45

SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

MERCADOS

Média da capitalização bolsista cai mais de 22%

Intermediação financeira desce 24% em novembro

As 44 sociedades de direito nacional cotadas na Euronext Lisbon detinham um capital próprio médio de 996,6 milhões de euros, no final de 2011, menos 9,4% do que no ano anterior. A média da capitalização bolsista era de 1077 milhões, menos 22,3%, face ao ano anterior. O decréscimo da capitalização bolsista média deveu-se, sobretudo, às empresas financeiras, que tiveram uma quebra de quase 54%, contra a redução de perto de 18% das restantes sociedades. O valor transacionado médio foi de 622,4 milhões de euros, menos 31,5% do que no exercício anterior.

O valor das ordens sobre instrumentos financeiros recebidas pelos intermediários registou uma quebra de quase 24%, em novembro, face ao mês anterior, para 11,756 mil milhões de euros. A descida ficou a dever-se à baixa nas ordens recebidas sobre dívida pública (48%), dívida privada (32%) e ações (9%). O BES (28,2%), a Fincor (11,9%) e o BESI (9,5%) tiveram as maiores quotas de mercado nas transações sobre as ações. Na dívida, as maiores quotas couberam ao BES (64%), ao Intermoney Valores Portugal (18%) e ao BESI (5,5%).

TÍTULOS EURONEXT LISBOA

PAINEL BANCO POPULAR

DIOGO SERRAS LOPES Director de Investimentos, Banco Best.

Última Cotação

Título

Variação Semanal

Máximo 52 Sem

Mínimo 52 Sem

EPS Est Act

EPS Est Fut

PER Est Act

PER Est Fut

Div. Yield Ind

Div. Yield Est

Data Act

Hora Act

ALTRI SGPS

1,569

5,02%

1,585

0,945

0,193

0,180

8,130

8,717

1,27%

0,45%

12-12-2012

16:35:00

B. COM. PORT.

0,073

0,00%

0,141

0,047

-0,065

-0,019

--

--

--

0,00%

12-12-2012

16:35:00

B.ESP. SANTO

0,832

0,24%

1,055

0,434

0,029

0,042

28,690

19,810

--

0,12%

12-12-2012

16:38:13

BANIF-SGPS

0,124

2,48%

0,417

0,100

-0,330

-0,120

--

--

--

--

12-12-2012

16:35:00

B. POP. ESP.

0,560

-13,85%

1,973

0,520

-0,330

0,021

--

26,667

--

0,00%

12-12-2012

14:22:20

BANCO BPI

0,860

2,87%

0,919

0,338

0,105

0,061

8,190

14,098

--

0,00%

12-12-2012

16:35:00

BRISA

2,220

8,29%

2,785

1,620

0,094

0,086

23,617

25,814

--

11,62%

12-12-2012

16:35:00

COFINA,SGPS

0,578

1,05%

0,820

0,300

0,057

0,053

10,140

10,906

1,73%

2,25%

12-12-2012

16:36:02

CORT. AMORIM

1,580

3,27%

1,650

1,270

0,260

0,270

6,077

5,852

4,11%

5,06%

12-12-2012

16:24:47

CIMPOR,SGPS

3,400

1,80%

5,700

2,930

0,370

0,430

9,189

7,907

4,88%

5,88%

12-12-2012

16:35:00

EDP

2,167

6,38%

2,518

1,628

0,291

0,272

7,447

7,967

8,54%

8,58%

12-12-2012

16:35:00

MOTA ENGIL

1,420

5,19%

1,439

0,951

0,208

0,235

6,827

6,043

7,75%

8,80%

12-12-2012

16:35:00

GALP ENERGIA

11,740

-0,85%

13,775

8,330

0,452

0,532

25,973

22,068

2,73%

1,97%

12-12-2012

16:35:00

IMPRESA,SGPS

0,290

-3,33%

0,620

0,260

0,010

0,000

29,000

--

--

0,00%

12-12-2012

16:35:00

J. MARTINS

15,215

6,03%

16,070

11,255

0,629

0,742

24,189

20,505

1,81%

2,18%

12-12-2012

16:35:00

MARTIFER

0,530

0,00%

1,140

0,500

-0,115

0,020

--

26,500

--

--

12-12-2012

16:14:16

NOVABASE

2,210

2,79%

2,350

1,660

0,235

0,240

9,404

9,208

1,36%

3,85%

12-12-2012

15:00:56

GLINTT

0,100

-9,09%

0,160

0,090

--

--

--

--

--

--

12-12-2012

12:46:41

P. TELECOM

3,767

5,34%

4,826

3,003

0,329

0,361

11,450

10,435

23,10%

10,62%

12-12-2012

16:35:00

PORTUCEL

2,280

5,65%

2,284

1,680

0,268

0,254

8,507

8,976

9,69%

7,76%

12-12-2012

16:35:00

REDES E. NAC.

1,992

-0,05%

2,295

1,800

0,255

0,266

7,812

7,489

8,48%

8,48%

12-12-2012

16:35:00

S. COSTA

0,140

-6,67%

0,440

0,120

-0,070

0,020

--

7,000

--

--

12-12-2012

13:25:27

SEMAPA

5,240

2,48%

6,035

4,602

0,948

0,903

5,527

5,803

4,87%

4,87%

12-12-2012

16:35:00

SONAECOM

1,535

3,02%

1,555

1,042

0,161

0,149

9,534

10,302

4,56%

3,97%

12-12-2012

16:35:00

SONAE,SGPS

0,655

6,33%

0,670

0,366

0,047

0,055

13,936

11,909

5,05%

4,89%

12-12-2012

16:35:00

SONAE IND.

0,469

6,59%

0,720

0,384

-0,280

-0,147

--

--

--

0,00%

12-12-2012

16:39:56

SAG GEST

0,360

2,86%

0,520

0,280

-0,090

-0,010

--

--

--

--

12-12-2012

16:35:00

TEIX. DUARTE

0,270

-3,57%

0,310

0,170

--

-0,030

--

--

--

--

12-12-2012

11:48:16

Z. MULTIMEDIA Z. MULTIMEDIA

2,835

-1,77%

3,000

1,977

0,126

0,151

22,500

18,775

5,64%

5,89%

12-12-2012

16:35:51

3,429

4,93%

4,581

2,772

0,128

0,167

26,789

20,533

4,67%

5,18%

05-01-2011

16:35:00

TÍTULOS MERCADOS EUROPEUS Última Cotação

Variação Semanal

Máximo 52 Sem

B.POPULAR

0,566

-10,30%

2,000

Título

Mínimo 52 Sem

PAINEL BANCO POPULAR

EPS Est Act

EPS Est Fut

PER Est Act

PER Est Fut

Div. Yield Ind

Div. Yield Est

0,528

-0,330

0,021

--

26,952

--

0,00%

12-12-2012

16:38:00

Data Act

Hora Act

INDITEX

103,85

5,25%

107,350

60,827

3,882

4,365

26,752

23,792

1,54%

2,17%

12-12-2012

16:38:00

REPSOL YPF

15,99

-1,81%

24,230

10,900

1,611

1,683

9,926

9,501

6,03%

5,35%

12-12-2012

16:38:00

TELEFONICA

10,12

0,80%

13,551

7,900

1,193

1,253

8,483

8,077

--

0,00%

12-12-2012

16:38:00

FRA. TELECOM

8,53

1,26%

12,490

7,835

1,273

1,169

6,701

7,297

16,18%

11,00%

12-12-2012

16:38:42

LVMH

138,55

1,32%

140,000

103,200

7,224

7,989

19,179

17,343

2,09%

2,17%

12-12-2012

16:39:58 16:35:10

BAYER AG O.N.

72,25

2,99%

73,090

44,295

5,447

5,929

13,272

12,193

2,28%

2,52%

12-12-2012

DEUTSCHE BK

34,275

-1,93%

39,510

22,110

3,825

4,476

8,961

7,658

2,19%

2,15%

12-12-2012

16:35:28

DT. TELEKOM

8,565

-0,66%

10,060

7,688

0,545

0,664

15,672

12,863

8,16%

8,17%

12-12-2012

16:35:16

VOLKSWAGEN

160,5

5,01%

160,500

101,750

36,615

23,818

4,378

6,730

1,88%

2,19%

12-12-2012

16:35:13

ING GROEP

7,196

0,95%

7,580

4,440

0,940

1,146

7,655

6,279

--

0,10%

12-12-2012

16:38:27

Este relatório foi elaborado pelo Centro de Corretagem do Banco Popular, telf 210071800, email: centro.corretagem@ bancopopular.pt, com base em informação disponível ao público e considerada fidedigna, no entanto, a sua exactidão não é totalmente garantida. Este relatório é apenas para informação, não constituindo qualquer proposta de compra ou venda em qualquer dos títulos mencionados.

2012: boa reta final O ano 2012 terminou em alta, com a performance positiva da maioria dos ativos de risco no segundo trimestre do ano e, principalmente, no mês de novembro e dezembro. Os principais mercados acionistas encerraram com ganhos de dois dígitos, medidos em moeda local, com o Japão a liderar estas apreciações. Ainda assim, a apreciação do euro, que desde julho subiu 10%, penalizou os ganhos dos mercados acionistas japoneses e norte-americanos, quando medidos em euros. De realçar, como contributos para esta performance, a atuação mais proactiva dos líderes políticos da Zona Euro e do Banco Central Europeu para resolver a crise de dívida, nomeadamente, com o compromisso por parte do banco central em comprar montantes ilimitados de dívida soberana dos países com necessidades de financiamento. Esta medida foi tomada em julho, em simultâneo com o compromisso de maior integração fiscal entre Estados-membros, um regulador bancário comum e um novo pacote de ajuda à Grécia, que adiou o programa de ajustamento, suavizando as suas metas. De facto, a bolsa grega é, no universo dos mercados desenvolvidos, a que regista melhor performance no último trimestre do ano, com ganhos de 20%. O resultado, de um ponto de vista dos mercados financeiros, foi uma redução do risco sistémico e consequente incremento da confiança na estabilidade da Zona Euro. Com isto, as obrigações soberanas da zona euro, medidas pelo Euro Bloc All Government Bonds Index, registam o maior ganho anual de sempre. Os bancos centrais mundiais tiveram, efetivamente, um papel decisivo no sentimento dos mercados, ao aplicarem medidas de cedência de liquidez sem precedentes. A Reserva Federal norte-americana, por exemplo, aplicou mais duas rondas de “quantitative easing”, com a última, a quarta desde o início da crise, a estenderse por prazo ilimitado, pois a sua maturidade está dependente da evolução do mercado de trabalho nos EUA. Pela negativa, o crescimento económico global foi fraco, com destaque negativo para a Zona Euro, que se encontra em recessão técnica desde o segundo trimestre do ano. Os EUA surpreenderam pela positiva, com o continuo contributo do consumo privado. No final do ano, as eleições e a incerteza quanto à possibilidade de evitar o “fiscal cliff” – cortes automáticos de despesa e aumento de impostos – contrabalançaram as notícias positivas. A China, por sua vez, cresceu mais devagar, mas conseguiu evitar um maior abrandamento, registando, até, uma recuperação dos indicadores macroeconómicos no final do ano. O menor crescimento económico levou à depreciação da maioria das matérias-primas, bem como à queda das taxas de juro, tanto nos EUA como na Zona Euro. O ouro apreciou, embora tenha corrigido parte dos ganhos no final do ano, à medida que a necessidade de refúgio, devido às medidas tomadas na Zona Euro, diminuía. Por fim, os fatores microeconómicos foram-se deteriorando ao longo do ano, tal como esperado, embora as empresas tenham apresentado resultados positivos, com crescimento das vendas, evitando, assim, um pior cenário. 2012 era, portanto, um ano envolto em incerteza, mas que registou ganhos na maioria dos ativos de risco. PUB

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46

SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

Protec simply agora disponível online A AXA Portugal acaba de disponibilizar em venda direta no axa.pt, o protec simply, um pack de seguro automóvel assente na lógica “coberturas mínimas a preço mínimo”. Na altura em que assinala os 15 anos de presença da marca em Portugal, a empresa dá mais um passo na implementação da sua estratégia e-commerce.

AUTOMÓVEL

MCoutinho abre loja automóvel no Dolce Vita Porto AQUILES PINTO aquilespinto@vidaeconomica.pt

O grupo MCoutinho abriu, no início de dezembro, uma loja automóvel no centro comercial Dolce Vita Porto. Manuel Lúcio Coutinho, administrador do grupo sediado em Marco de Canaveses, explica a aposta no espaço como uma forma de atingir o público. “O retalho automóvel português vive um dos períodos mais conturbados de sempre. O que temos de procurar são formas de chegar a novos públicos e os centros comerciais mantêm um movimento que não temos nos nossos ‘showrooms’. Portanto, creio que é uma forma inovadora – julgamos que é o primeiro espaço desta natureza a abrir no país – de chegarmos a novos públicos, não só em termos de vendas como de pós-venda”, explicou à “Vida Económica”. Além da exposição de viaturas novas e venda de merchandising das marcas, o grupo de retalho automóvel dedica um espaço exclusivo ao após-venda, onde comunica a nova política comercial focada na idade da viatura: “Mais Anos Mais Descontos”. A meta principal do grupo MCoutinho com este novo espaço foi a promoção, mas o facto é que tem havido resultados comerciais também. Nas

três primeiras semanas, a loja recebeu 558 visitas, que resultaram em sete negócios em curso, com uma venda já efetivada. “Ainda não há uma experiência deste espaço. Inicialmente, achámos que iríamos passar uma imagem mais institucional, mas, na prática, também conseguimos ter mais negócios, ter mais contactos, mostrar mais o nosso produto. Acabamos por juntar as duas vertentes”, explica a nossa fonte. Setor com o pior ano em 35

Esta aposta do grupo MCoutinho surgiu no fim de um ano mau para as vendas de automóveis novos em Portugal. “2012 foi o pior ano dos últimos 35 anos. Em dois anos, o setor automóvel caiu mais de 60%. Estamos, por isso, num processo de ajustamento violento, pois tivemos de ajustar as nossas estruturas à realidade do mercado. O que perspetivamos é que 2012 [as declarações foram prestadas antes do fim do mês] represente, em termos de automóveis novos, um pouco acima de 100 mil unidades e 2013 seja ainda mais baixo e se fique pelas 100 mil viaturas”, prevê o executivo. Manuel Coutinho crê que a partir de 2014 possa haver uma inversão da quebra das vendas de

“Inicialmente, achámos que iríamos passar uma imagem mais institucional, mas também conseguimos ter mais negócios”, indica Manuel Lúcio Coutinho.

veículos novos no nosso país, mas avisa que a recuperação será muito mais lenta do que foi a descida. “Se observarmos o que se passou em países como a Irlanda ou a Grécia, vemos que depois das quedas acentuadas o crescimento do mercado foi muito lento. Depois

das quedas na casa dos 60%, a cadência de recuperação ronda os 3% ao ano”, explica. Esta realidade muda a tipologia do negócio automóvel em Portugal, de acordo com o administrador do grupo MCoutinho. “Provavelmente, a atividade vai

Mazda Motor de Portugal reforça representação A Mazda tem vindo a reforçar a rede de concessionários e reparadores autorizados em de Portugal. Este reforço da rede surge num ano mau para o setor automóvel nacional, ainda mais negro para a marca japonesa, que, de janeiro a novembro, caiu 61,8% (para 359 unidades), acima dos 37,4% que a generalidade do mercado desceu. Assim, ao longo dos últimos meses, a filial da marca definiu quatro novos espaços de venda de automóveis novos e dois de serviço pós-venda: Antero Rego (Ponta Delgada), gerido pelo responsável com o mesmo nome da concessão; Auto Júlio (Caldas da Rainha/Torres Vedras), sob a supervisão de António Júlio; Auto S. Cristóvão (Évora) com Pedro Cristóvão como responsável máximo; C. Serrano (Portalegre/Castelo Branco), com Rui Serrano na

liderança da equipa, Irmãos Luzias (Beja), com Vítor Luzia na gestão do negócio; e Mitauto (Viseu) sob a direcção de José Pais. A Mazda passa a contar com 24 concessionários e 28 reparadores autorizados (alguns deles comuns) em Portugal. Marca coloca todas as “fichas” no 6

Em 2013, ano que se prevê particularmente adverso, fruto da desfavorável conjuntura socioeconómica do país, nomeadamente do próprio mercado automóvel, a representação da Mazda vai surgir, segundo a marca, “mais forte, de modo a contrariar essa tendência, num ano que se revelará deveras importante com o lançamento” da nova geração do 6, modelo do segmento D. “Se olharmos com atenção para outros exemplos do

A nova geração do Mazda6, irá ser lançada no nosso país no final do primeiro trimestre do próximo ano passado, verificamos que não é desistindo dos objetivos, ou deixando-se levar pela maré, que as coisas evoluem no sentido que se pretende”, explica Luís Morais, diretor-geral da Mazda Motor de Portugal. “As grandes adversidades enfrentam-se com novas apostas, por vezes arrojadas, mas que se forem estrategicamente bem definidas, no final levam a que se alcancem os resultados pretendidos. 2013 não será um ano fácil, é certo, mas, se não fizermos nada para contrariar a tendência os resultados, não

surgem naturalmente só por si”, acrescenta. O Mazda 6 é o modelo em que a filial portuguesa da marca coloca todas as “fichas” para o novo ano. “De facto, o Mazda 6 é um automóvel por demais importante para o nosso mercado, não só no retalho como em termos empresariais, área que estamos a começar a explorar com maior detalhe. A nova geração do Mazda6, que tem sido amplamente aplaudida pela imprensa, irá ser lançada no nosso país no final do primeiro trimestre do próximo ano, pelo que temos de estar aptos a chegar a todos os potenciais consumidores, seja do nosso actual leque de clientes, ou para a conquista – que estou convencido irá acontecer – de novos e orgulhosos proprietários de automóveis Mazda, permitindo o crescimento da nossa quota de mercado”, refere Luís Morais.

estar mais baseada em meios eletrónicos e menos estruturas físicas. Este mercado cria-nos desafios tremendos. Somos um grupo com 56 anos de existência, esperamos ficar outros 56 anos, pelo menos, mas sabemos que vivemos o maior desafio da nossa história”, confia.

RETIFICAÇÃO

“Hyundai com programa de preço fixo em serviços de oficina”

O artigo com o título “Hyundai com programa de preço fixo em serviços de oficina”, que publicámos na edição 1472 (14 de dezembro), saiu associado a uma fotografia de uma oficina BMW e não da Hyundai. Embora a informação contida no texto (referente à marca coreana) esteja correta, pedimos desculpa às marcas e aos leitores pelo lapso.

47

SEXTA-FEIRA, 4 DE JANEIRO 2013

Profitecla desenvolve ações de solidariedade pelo país

ÓCIO E NEGÓCIOS

As escolas Profitecla aproveitaram o espírito natalício para organizar diversas ações de solidariedade pelo país. Recolha de alimentos, vestuário, brinquedos e visitas aos mais desfavorecidos foram algumas das atividades que os alunos da Profitecla de Viseu, Barcelos, Braga e Porto desenvolveram nas suas comunidades.

Real Companhia Velha celebra 100 anos da marca “Grandjó”

Optimus investe na saúde e bem-estar dos seus colaboradores

Qualidade a preços acessíveis s'RANDJØ,ATE(ARVEST J s'RANDJØ-EIO$OCEBRANCO J s1UINTADE#IDRÙ 'EWàRZTRAMINERBRANCO J s#ARVALHASTINTOJ s'RANDJØ,ATE(ARVEST JJÈNÍOESTÈËVENDA NAPRODUÎÍO EMBORAPOSSA SEMPREENCONTRAR SEEM ALGUNSLOCAIS

Embora a marca “Grandjó” tenha sido registada em 1912, há registos “não oficiais” que indicam que a sua existência é anterior a esta data. VIRGILIO FERREIRA virgilio@vidaeconomica.pt

A marca de vinhos “Grandjó”, nascida na Granja de Alijó e pertença da Real Companhia Velha (RCV), está de parabéns, uma vez que acaba de completar 100 anos, sendo por isso a marca de vinhos do Douro mais antiga do país. Para assinalar a efeméride, a RCV lançou o desafio e o Chefe Rui Paula aceitou: criar um menu vínico em que as duas referências da marca – “Grandjó Late Harvest” e “Grandjó Meio Doce” – estivessem em destaque. Ao jantar vínico, recentemente realizado no restaurante DOP, no Porto, compareceram o presidente da RCV, Pedro Silva Reis, o diretor de Enologia da RCV,

Jorge Moreira, e a imprensa especializada. A escolha do Chefe Rui Paula não foi ao acaso: “Fois gras” com “Grandjó Late Harvest”, Sashimi de Dourada com molho cítrico para o “Grandjó Meio Doce branco”, Sushi com “Quinta de Cidrô Gewürztraminer branco”, Barriga de Leitão com batata Galette e molho de cidra “regado” com o “Carvalhas tinto” e, finalmente, a lima e os frutos vermelhos com o “Grandjó Late Harvest”. “Grandjó”: um vinho nobre e peculiar

Embora a marca “Grandjó” tenha sido registada em 1912, há registos “não oficiais” que indicam

que a sua existência é anterior a esta data. No livro “Vinificação Moderna” (de Pedro Bravo e Duarte Oliveira), que data de 1925, é feita referência ao “Grandjó” como existente desde 1910. Pedro Bravo e Duarte de Oliveira concluíram mesmo que este néctar se pode equiparar ao Porto Vintage das terras mais prestigiadas do Douro, o que faz do “Grandjó Late Harvest” o “Vintage das terras altas”! A Real Companhia Velha é proprietária de uma significativa extensão de vinhas – que atinge os 160 hectares – na região de Alijó: a denominada Quinta do Casal da Granja. O nome “Grandjó” surgiu por causa do nome do lugar onde são cultivadas as uvas que lhe dão origem: Granja de Alijó. A marca “Grandjó” possui, atualmente, duas referências: meio doce branco e “late harvest”, sendo este último o mais parecido com o vinho original.

“As pessoas são o nosso maior ativo”, afirma Isabel, diretora de Comunicação Institucional e Sustentabilidade da Optimus. FERNANDA SILVA TEIXEIRA fernandateixeira@vidaeconomica.pt

“As pessoas são o nosso maior ativo” e por isso, na Optimus, “existe uma genuína preocupação em assegurar que criamos as condições necessárias para o bem-estar físico e emocional dos nossos colaboradores”, afirma Isabel Borgas. Nesta perspetiva, a diretora de Comunicação Institucional e Sustentabilidade da Optimus defende ainda que “é importante que as empresas estejam ao lado dos seus colaboradores, naqueles que são os momentos críticos das suas vidas, quer a nível pessoal como profissional”. Prova do seu empenho na promoção do bem-estar dos seus colaboradores, a operadora de telecomunicações desenvolveu recentemente junto dos seus cerca de dois mil colaboradores, no Porto e em Lisboa, a “Semana da Saúde e Bem-Estar”, uma iniciativa que teve como principal objetivo sensibilizar os colaboradores para a importância da saúde e bem-estar e contribuir com dicas

e ferramentas de aproveitamento pessoal e prática no dia-a-dia, potenciando um melhor equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. “Ao longo de cinco dias, levámos a cabo um conjunto de atividades e demos a conhecer algumas dicas úteis para o dia-a-dia, que tiveram como objetivo ajudar os colaboradores Optimus a encarar o futuro de forma positiva e construtiva”, explica Isabel Borgas, destacando iniciativas como a “terapia para combater o stress, as dicas que ensinam a poupar e ainda os workshops de reaproveitamento de vestuário”. Ao longo de 2013 a Optimus continuará a atuar naqueles que são os seus três eixos estratégicos, “Responsible Life, Green Life e E-Life”, e a promover e apoiar iniciativas como o Projeto K, o Programa Smile e o One Care, um projeto de teleassistência, desenvolvido em parceria com a Intellicare, que tem como objetivo monitorizar de forma permanente, eficaz e economicamente vantajosa os utentes, em especial portadores de doenças crónicas. PUB

Uma edição

livraria.vidaeconomica.pt Nº 1474 / 4 de janeiro 2013 Semanal J 2,20 Portugal Continental

Empresas podem decidir férias dos trabalhadores Os Portugueses vão ter menos dias de férias este ano e as empresas poderão fechar durante os períodos das chamadas pontes. A majoração de férias foi reduzida, pelo que o tempo sem trabalho se fica apenas pelos 22 dias. As empresas passam a ter a possibilidade de encerrar durante os períodos de pontes, com esses dias a serem descontados nas férias dos trabalhadores. Esta situação aplica-se aos cinco dias na época das férias escolares do Natal e nas sextas ou segundas-feiras entre feriados e fins-de-semana, as referidas pontes. Trata-se de mais uma medida que tem a ver com as regras de austeridade e que consta do Código do Trabalho. Aliás, a regra já deveria ter entrado em vigor no ano passado, mas o Governo optou pelo seu adiamento. De notar que o Executivo deixou cair a medida que implicava aumentar em meia hora o horário de trabalho.

NOTA DE FECHO

A TENDÊNCIA(?) Exportações de bens e serviços em % do PIB

jlsousa@vidaeconomica.pt

Irlanda (tx. de crescimento média anual = 3%)

Portugal (tx. de crescimento média anual = 1,9%)

Fonte: Comissão Europeia, Outono 2012

COMENTÁRIO: As exportações da Irlanda (cujo saldo externo é positivo e 174% melhor que o português), crescem a + 50% que as portuguesas. Mais palavras para quê? Instituto de Liberdade Económica

JORGE A. VASCONCELLOS E SÁ Mestre Drucker School PhD Columbia University Professor Catedrático

LIBERTAS economicfreedom@mail.telepac.pt www.institutoliberdadeeconomica.blogspot.com

Banco com novas obrigações perante os clientes Os bancos estão obrigados a alertar os clientes e a atuarem rapidamente, caso existam indícios de risco de incumprimento. A banca necessita dos necessários meios informáticos que avisem para uma degradação da capacidade financeira dos clientes. Estas algumas das novas regras impostas pelo Banco de Portugal às entidades financeiras e que visam travar o crédito malparado, especialmente no segmento da habitação. Os bancos têm dez dias para entrarem em contacto com os clientes. Estes, por sua vez, devem tomar medidas e explicarem o que se está a passar, eventualmente entrarem em negociações com o banco. A instituição deve avançar com soluções adequadas, através de uma análise caso a caso. A renegociação do crédito é uma alternativa possível, em situações mais críticas. Os funcionários bancários têm responsabilidades acrescidas neste tipo de situações.

JOÃO LUÍS DE SOUSA DIRETOR ADJUNTO

“Big Brother” fiscal Com a entrada em vigor do novo regime de faturação no dia 1 de Janeiro, passou a ser obrigatória a emissão de fatura em todas as transações para todo o tipo de operadores. As normas que faltavam foram publicadas a 28 de Dezembro, deixando um dia útil de intervalo para os operadores conhecerem e se adaptarem ao novo regime. Estamos em Portugal… Além da fatura obrigatória para tudo e todos, o Governo passa a obrigar ao envio dos dados relevantes, criando uma mega-central onde recebe informação diária sobre todas as faturas que são emitidas no nosso país, passando as dispor dos dados de todas as transações efetuadas. Entretanto, foi adiada para Maio a obrigação que todos os agentes económicos passam a ter, remetendo informação prévia sobre todos os documentos de transporte. Portugal passa a ser o primeiro país do mundo onde a Administração Fiscal tem informação em tempo real - a cargo das empresas – sobre todas as faturas emitidas. Tal como em todas as medidas, deveriam ser pesadas as vantagens e inconvenientes. Na perspetiva do Governo, as vantagens estão no aperto do controlo sobre os operadores. Com essa nova arma, a Administração Fiscal admitirá acabar de vez com quase toda a evasão fiscal, deixando-a circunscrita a uma marginalidade económica de reduzida dimensão. Mas os inconvenientes estão subestimados e serão dramáticos, ao agravar os custos das empresas, ao retirar-lhes o tempo que falta para as tarefas produtivas, dizimando os pequenos operadores, precipitando o encerramento de mais empresas, e dificultando a criação de novas empresas, pelos obstáculos, encargos e dificuldades que estão a ser impostas aos pequenos empreendedores. Se o Governo tivesse consciência dos efeitos deste regime, nunca o teria criado, porque, ao contrário do que espera, vai ter menos operadores em atividade, em maiores dificuldades económicas e financeiras, menos receitas fiscais e, no limite, mais economia paralela, porque, ao agravar os custos para quem cumpre, aumenta também o prémio da evasão para

Portugal passa a ser o primeiro país do mundo onde a Administração Fiscal tem informação em tempo real - a cargo das empresas – sobre todas as faturas emitidas.

Formador: Dr. Agostinho Costa Programa:

Organização:

1. A Contabilidade como sistema de informação de apoio à gestão 2. O essencial sobre os conceitos base de contabilidade em SNC 3. O essencial sobre as classes 1, 2, 3, 4 e 5 do SNC 4. O essencial sobre as classes 6, 7 e 8 do SNC

Informações e inscrições:

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Vida Económica – Patricia Flores Tel.: 223 399 466 Fax: 222 058 098 E-mail: patriciaflores@vidaeconomica.pt

6. As demonstrações Financeiras e o SNC

Participação sem custos para empresas com resultados negativos e desempregados. No âmbito da sua política de responsabilidade social, nas ações de formação a Vida Económica criou uma quota de inscrições gratuitas para os assinantes empresas com resultados negativos ou individuais em situação de desemprego. Para beneficiar desta oferta até ao limite dos lugares disponíveis, deverá enviar uma cópia da última Declaração mod. 22, ou uma cópia do comprovativo da situação de desemprego, emitida pelo IEFP.

quem prefere correr os riscos e não cumpre as normas. Os técnicos de contas e empresas de contabilidade poderiam ter algum benefício com o acréscimo de horas de trabalho exigidas pelas novas obrigações declarativas. Mas, na situação em que as empresas se encontram, não conseguem repercutir o seu aumento de custos. Para agravar, veem acelerar a perda de clientes com o encerramento de mais empresas em atividade que não são substituídas pela criação de novas empresas. O balanço do novo regime para os TOC e empresas de contabilidade vai ser claramente negativo. Para as empresas em atividade e cumpridoras – que são a larga maioria – poderia haver alguma vantagem com o novo regime se houvesse redução da concorrência desleal com o melhor cumprimento das obrigações fiscais, mas não é certo que o número de prevaricadores diminua. De qualquer forma, o custo exigido seria sempre muito elevado para o benefício. Em todas as comparações, as empresas portuguesas já são aquelas que têm que dedicar obrigatoriamente mais tempo com as suas tarefas declarativas. Agora o imposto tempo vai ser significativamente agravado. As obrigações impostas ultrapassam todos os limites do absurdo e criam uma situação insustentável, onde é gritante a desigualdade face aos vizinhos da União Europeia. Com o próximo passo que o Governo vai dar, impondo o envio prévio dos documentos de transporte, a disparidade de regras será abissal: uma empresa espanhola poderá fazer entrar em Portugal e distribuir livremente vários camiões TIR carregados de material de construção sem ter que comunicar previamente documentos de transporte à Administração Fiscal. Ao mesmo tempo, um microempresário português que pretenda entregar uma embalagem com um litro de tinta a um cliente a 100 metros das suas instalações só o poderá fazer depois de informar previamente a Autoridade Tributária.


2013.01.04 VE 1474