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Acompanhamento da implantação de ramais de infraestruturas na Arribança

RELATÓRIO FINAL

Câmara Municipal de Mangualde

Apresentado a:

Projecto “Gestão do Património

Instituto Português de Arqueologia

Cultural de Mangualde”


Acompanhamento da implantação de ramais de infra-estruturas na Arribança, Quintela de Azurara _______________________________________________________________________

Relatório Final

1. – Introdução Toda a área periférica da actual aldeia de Quintela de Azurara apresenta vestígios arqueológicos já referidos em diversa bibliografia.1 Pretendeu a Câmara Municipal de Mangualde efectuar os ramais de ligação de infra estruturas a um futuro loteamento sito à Arribança, a que se refere o processo 20/2004, área onde foram identificados por Jorge Adolfo Meneses Marques vestígios arqueológicos datáveis da Idade Média.2 O terreno onde se implantaram os ramais encontrava-se baldio coberto vegetação rasteira densa e nele será eventualmente implantado um loteamento urbano requerido pela Sr.ª Carolina Pereira, cujo pedido de licenciamento tem o nº 20/2004 na Câmara Municipal de Mangualde. Os trabalhos foram executados pelo signatário, tendo como consultora cientifica a Dr.ª Clara Portas Matias, entre os dias 10 e 13 de Outubro do ano transacto.

Fig. 1: Localização da zona a intervencionada num extracto da f. 190 da C.M.P., Esc. 1:25000.

2. Metodologia e descrição dos trabalhos Atendendo ao tipo de trabalho arqueológico não foram utilizados quaisquer meios específicos visto não ter sido detectada nenhuma estrutura ou qualquer espólio. Obedeceu-se às disposições técnicas normativas referidas no Decreto-Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, e no Decreto-Lei n.º 270/99, de 15 de Julho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 287/200, de 10 de Novembro. 1

Gomes, Luís Filipe Coutinho Gomes; Carvalho, Pedro Sobral de (1992) – O Património Arqueológico do concelho de Mangualde. Mangualde: Câmara Municipal de Mangualde, pp. 116-118. Marques, Jorge Adolfo de Meneses (2000) – Sepulturas escavada na rocha na região de Viseu. Viseu: [s.n.], p. 87 e 212. 2 Marques, Jorge Adolfo de Meneses (2000) – Sepulturas escavada na rocha na região de Viseu. Viseu: [s.n.], p. 87 e 212

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Acompanhamento da implantação de ramais de infra-estruturas na Arribança, Quintela de Azurara _______________________________________________________________________

Relatório Final

Foram abertas quatro valas para implantação dos ramais cujos trabalhos foram acompanhados em permanência pelo signatário. Registaram-se fotograficamente as quatro valas abertas. As valas foram abertas sequencialmente até ao substrato geológico com recurso a meios mecânicos. Acompanhou-se a abertura de cada uma das valas tendo sido fotografada cada vala no final dos trabalhos de abertura. As terras retiradas foram acompanhadas. As valas foram abertas no sentido OSO-ENE. Não se registou a existência de quaisquer estruturas ou materiais.

Fig. 2: Zona intervencionada sobre projecto de arranjos exteriores do loteamento previsto.

3. - Descrição e interpretação da realidade observada; Vala 1 Não revelou quaisquer tipo de estrutura ou materiais. A profundidade média alcançada foi de 1,20 metros, numa extensão de 5 metros por 0,5 metro de largura. Foi aberta no sentido NO-SE com uma orientação de 290º. Colocaram-se a descoberto as seguintes camadas:

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Acompanhamento da implantação de ramais de infra-estruturas na Arribança, Quintela de Azurara _______________________________________________________________________

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1. Composta por terras de coloração castanha escura, com grãos de grandes dimensões e saibrosas. Espessura média de 10/20 cm. 2. Composta por terras de coloração castanha clara, com grãos de médias dimensões e saibrosas. Espessura média de 1/1,1 m.

Vala 2 Não revelou quaisquer tipo de estrutura ou materiais. A profundidade média alcançada foi de 1,5 metros, não se tendo atingido o substrato geológico, numa extensão de 5 metros por 0,7 metro de largura. Foi aberta no sentido NO-SE com uma orientação de 300º. Colocaram-se a descoberto as seguintes camadas: 1. Composta por terras de coloração castanha escura, com grãos de grandes dimensões e saibrosas. Espessura média de 10/20 cm. 2. Composta por terras de coloração castanha muito clara, com grãos de médias dimensões e saibrosas. Espessura média de 1,3/1,4 m.

Vala 3 Não revelou quaisquer tipo de estrutura ou materiais. A profundidade média alcançada foi de 1 metro, tendo se atingido o substrato geológico, numa extensão de 5 metros por 0,60 metro de largura. Foi aberta no sentido NO-SE com uma orientação de 295º. Colocaram-se a descoberto as seguintes camadas: 1. Composta por terras de coloração castanha escura, com grãos de grandes dimensões e saibrosas. Espessura média de 10/20 cm. 2. Composta por terras de coloração castanha clara, com grãos de médias dimensões e saibrosas. Espessura média de 1/1,1 m. Nesta vala houve necessidade de recorrer a explosivos para atingir uma profundidade média de 1,20 metros.

Vala 4 Não revelou quaisquer tipo de estrutura ou materiais. A profundidade média alcançada foi de 1,4 metros, tendo se atingido o substrato geológico, numa extensão de 5 metros por 0,70 metro de largura. Foi aberta no sentido NO-SE com uma orientação de 300º. Colocaram-se a descoberto as seguintes camadas: 1. Composta por terras de coloração castanha escura, com grãos de grandes dimensões e saibrosas. Espessura média de 10 cm.

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2. Composta por terras de coloração castanha clara, com grãos de médias dimensões e saibrosas. Espessura média de 80/90 cm. Na zona ENE da vala e numa extensão de 50 cm a espessura é de 40/50 cm.

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Relatório Final

4. - Imagens gerais do sítio e das zonas intervencionadas, ilustrando as diferentes fases de trabalho e as descobertas mais significativas

Fig. 3: Vista Geral do Sítio onde foram implantados os ramais para o futuro loteamento, no sentido Norte-Sul.

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Fig. 4: Vala 1 vista no sentido NO-SE

Relatório Final

Fig. 5: Vala 2 vista de SE-NO

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Fig. 6: Vala 3 vista de SE-NO Fig. 7: Vala 4 vista de NO-SE

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Relatório Final

5. – Considerações Finais Apesar das referências bibliográficas já citadas nada foi encontrado na abertura das valas, nem à superfície do terreno para a qual foi requerida uma licença de loteamento. Tal facto pode se dever ao facto de este local ser já uma franja da encosta com pouco potencial agrícola, visto o substrato geológico, composto essencialmente por granito, se encontrar a pouca profundidade, e os afloramentos graníticos brotarem nas imediações dificultando o arar do solo.

Mangualde, 23 de Janeiro de 2006 O Arqueólogo responsável pela intervenção

_______________________________________ Pedro Pina Nóbrega, Dr.)

Em anexo: •

CD-ROM com o Relatório em formato pdf e as fotografias com a respectiva listagem.

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