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Arqueólogos de fim-de-semana

No Alentejo, no Complexo dos Perdigões, realizam-se fins-de -semana arqueológicos

Prepare-se para um retiro de histórias e sabores alentejanos. Não vai descobrir o Templo Perdido, mas é bem possível que se sinta um Indiana Jones Pedro Miguel Santos

HÁ CINCO MIL ANOS, os povos que habitavam o Complexo dos Perdigões, que hoje pertence à Herdade do Esporão (Reguengos de Monsaraz) estariam longe de imaginar que os vestígios das suas práticas mais comuns trabalho do cobre, criação de animais, rituais fúnebres - poderiam ser objecto de atracção turística. Mas é o que hoje acontece. Em 1996 António Varela, 46 anos, hoje um dos responsáveis científicos pelas escavações, classificou a descoberta, como «um dos grandes acontecimentos da arqueologia portuguesa do final do século XX». O Complexo dos Perdigões é um recinto de fossos circulares concêntricos, escavados na rocha, em torno de um ponto central. Ocupado durante o 3.º milénio a.C., o recinto abrange uma área total

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v&V

visão vida & viagens julho 2009

de 16 campos de futebol e só do céu pode ser visto na sua totalidade. Desde que foi achado que é objecto de estudo e escavações contínuas por parte da empresa Era-Arqueologia. A última novidade foi anunciada no final de 2008: foram identificados um conjunto de três esqueletos humanos, em fossas escavacas há aproximadamente 4 500 anos. O facto é tanto mais relevante porque as ossadas não estavam junto da necrópole, onde outros vestígios já tinham sido identificados. Apostada em mostrar ao mundo a sua «menina dos olhos» a Era-Arqueologia criou a empresa ATIVE - Património Vivo para, em conjunto com a Herdade do Esporão e as suas ofertas de enoturismo, proporcionar fins-de-semana arqueológicos. O guia destas visitas

é o próprio António Varela, que as defende com convicção: «Este tipo de visitas é uma forma de relacionamento diferente com o público. Aqui as pessoas não são simples receptores do discurso acabado. Quando chegamos aos Perdigões as pessoas não vêem estruturas e acham estranho, mas quando começam a perceber que naquele espaço houve civilizações que davam significado ao espaço, com explicações cosmológicas, as pessoas gostam. Porque vivenciam o local e participam numa conversa.» Além das visitas que são feitas ao Complexo é possível visitar o núcleo museológico na Torre do Esporão (ex-líbris da herdade), onde estão expostos os achados das escavações, e ainda outros achados megalíticos na


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