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BRASIL NOVO [Digite o subtítulo do documento] [Digite aqui o resumo do documento. Em geral, o resumo é uma descrição do conteúdo do cumento. Digite aqui o resumo do documento. Em geral, o resumo é uma breve descrição do conteúdo do documento.] Edição n. 1851 Dezembro de 1943 Cr. $ 15,00


Assinaturas porte Assinatura66(meses), (seis) meses, simples. porte simples.

Canetas Parker Vacumatic Cr. $ 13,00 Cr. $ 13,00 MAIS RÁPIDA DO QUE SEUS Sem responsabilidade nossa Sem DEDOS! responsabilidade nossa quanto a extravios. quanto a extravios.

Vontade louca de dormir...

“Sinto-me tão indispostada. Tenho uma preguiça insopitável, tenho o corpo Vontade louca de dormir... pesado e uma vontade louca de dormir”...

“Sinto-me tão indispostada. Tenho Quando experimentar esses preguiça insopitável, tenho o sintomas, é sinal de que seus corpo pesado e uma vontade louca intestinos estão perturbados. E de dormir”... para esses males, assim como

dores de estômago e dores de Quandoindigestão, experimentar esses cabeça eSenhores o remédio anunciem aqui! sintomas, é sinal de que seus aconselhado é intestinos estão do perturbados. E PEPTOCAMOMILA, laboratório Verde. para essesCruz males, assim como

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MEIAS LOBO. Uma fafricação LUPO.

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“Seja em Paris ou nos Brasis, mesmo distantes somos constantes. Tudo nos une coisa rara...”. Certa vez alguém pronunciou: “Getúlio é o que precisávamos!” e hoje posso confirmar tal afirmação. Desde 1937 quando o Dr. Getúlio Vargas criou o Estado Novo, nós presenciamos os fatos que passaram a unir ainda mais a nação e nos tornar melhores com Deus, com a pátria e com nossa família. O que tinha que acontecer, aconteceu! Como o mais amado do povo, fez a cabeça dos “novos senhores de escravos” a reconhecer os direitos do trabalhador honesto. A verdade é que os comunistas não querem admitir que perderam admiração e o apoio da classe operária para quem mais entende do assunto. E logo não podemos esquecer que ele liderou a Revolução de 30 que levou o nosso Brasil a uma fase modernizadora na sociedade. E na educação? Nessa nem se fale... Está indo de vento em popa! Aqui nasce verdadeiramente o futuro da nação... Nas notícias mais quentes trazemos a situação do Brasil na guerra, a criação da Companhia Vale do Rio Doce cuidando do ouro brasileiro e o engajamento em outros setores da economia, na criação de novas fábricas. Estamos trabalhando para levar ao leitor as informações mais quentes do ano. A edição número 1851 está recheada de matérias que vão deixar os leitores super informados sobre os fatos que marcaram esse ano. Toda a redação está super ansiosa com esta publicação!

Abraços a toda a nação!!!

Tarciane Rabêlo Moraes Editora-chefe


Í NDICE POL Í T I CA.......................................................... 4 E NTREVISTAS.................................................1 8


Assinatura 6 (seis) meses, porte simples. Cr. $ 13,00 Sem responsabilidade nossa quanto a extravios.

Vontade louca de dormir... “Sinto-me tão indispostada. Tenho preguiça insopitável, tenho o corpo pesado e uma vontade louca de dormir”... Quando experimentar esses sintomas, é sinal de que seus intestinos estão perturbados. E para esses males, assim como dores de estômago e dores de cabeça e indigestão, o remédio aconselhado é PEPTOCAMOMILA, do laboratório Cruz Verde.

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Política

Getúlio Vargas promulga a CLT Hugo Leal

O trabalhador brasileiro agora acumula mais direitos trabalhistas com o apoio do Estado Novo do excelentíssimo Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas. No dia 1º de maio, milhares de pessoas se aglomeravam no Estádio de São Januário, local escolhido para a assinatura do Decreto-Lei nº 5.452, o qual unifica a legislação trabalhista existente no Brasil até então. Comemoravase então todos os direitos trabalhistas conquistas com Getúlio, como a criação da Justiça do Trabalho, a promulgação da Lei Orgânica da Previdência Social, o Salário Adicional para a Indústria e principalmente a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a qual passa a regular as relações entre empregados e empregadores. O Presidente Getúlio Vargas foi saudado com grande entusiasmo por dezenas de milhares de operários de várias industrias e da Companhia Siderúrgica de Volta Redonda. Em seu pronunciamento o presidente lembrou que o mundo estava em plena guerra e reafirmou o apoio do Brasil aos países Aliados. Em seu discurso sobre a leis trabalhistas que ali estavam sendo promulgadas, o presidente declarou que procurou um equilíbrio entre o capitalismo e o socialismo para elaborar a nova legislação: "As nossas realizações em matéria do amparo ao trabalhador constituem um corpo de normas admiradas e imitadas por outros países. Para atingir esse objetivo não desencadeamos conflitos ideológicos nem transformamos o Estado em senhor absoluto e o trabalhador em escravo".

A CLT deve entrar em vigor em seis meses. O ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, Alexandre Marcondes Filho também fez seu pronunciamento: "[com a promulgação das leis] o trabalho dos homens está justamente remunerado, a estabilidade lhe garante o futuro e a previdência o ampara na velhice. O trabalho da mulher foi enobrecido na fórmula que garante para trabalho igual remuneração igual, e protegidos ficam os sublimes sofrimentos da maternidade. O trabalho dos menores apadrinha-se na autoridade defensiva do Estado, que funda berçários para crianças e escolas profissionais para a juventude". A Consolidação das Leis de Trabalho já estavam sendo estudas há pouco mais de um ano. Para tal, Vargas convidou os juristas Segadas Viana, Oscar Saraiva, Luiz Augusto Rego Monteiro, Dorval Lacerda Marcondes e Arnaldo Lopes Süssekind.


COTIDIANO

Avenida Presidente Vargas será inaugaura para os desfiles de 7 de setembro de 1944 Hugo Leal

A Avenida Presidente Vargas já se encontra em obras no centro da Capital Federal. A grande avenida que será

presenteada ao Rio de Janeiro por Getúlio Vargas será de extrema importância para conectar o fim da Zona Norte ao centro da cidade e cortará perpendicularmente importantes logradouros e avenidas da zona central. Além desses, a recém inaugurada Estação Central do Brasil se encontra na Avenida e participa de grande parte de seu movimento. Grande parte das demolições já foram feitas e já somam em torno de 500 construções demolidas nas quadras compreendidas entre a Rua do Sabão e a rua de São Pedro - essas

duas ruas serão parte dos canteiros laterais da nova avenida. Dentre as construções demolidas estavam 4 igrejas (São Pedro dos Clérigos, São Domingos, Bom Jesus do Calvário e Nossa Senhora da Conceição); o Largo do Capim; o prédio da Prefeitura; uma parte da Praça da República; e

quase toda praça Onze de Junho, centro do samba local dos famosos desfiles carnavalescos do Rio de Janeiro. Em seu primeiro quilometro, as novas construções que margearão a avenida terão que ter no máximo 70m de altura. Esse estilo foi inspirado em vias alemãs recentemente construídas, as quais respeitam padrões matemáticos com rigor. As obras da Avenida Presidente Vargas estão previstas de ser finalizadas em setembro


do ano que vem, uma vez que esse serĂĄ o local oficial dos desfiles do dia da IndependĂŞncia.


Internacional beligerância contra o Eixo em 31 de agosto de 1942 após o afundamento de 21 navios mercantes brasileiros, feito por submarinos alemães Alemanha que visavam à interrupção do tráfego comercial entre o Brasil e o Atlântico Norte. A declaração de guerra ocorreu no dia 16 de setembro do mesmo ano.

O Brasil decide enviar tropas ao Velho Mundo Tarcísio Pinhate

Ao retornar de uma viagem à cidade de na cidade de Casablanca, Marrocos, onde se reuniu com Charles de Gaulle e Churchill, o presidente americano Franklin Roosevelt reuniu-se com Getúlio Vargas na capital potiguar, Natal. Os dois líderes conversaram, além de outros assuntos, a respeito da situação geral da guerra e das bases de participação brasileira na mesma. O presidente Vargas decidiu enviar tropas brasileiras ao conflito e insistiu na necessidade do apoio americano no fornecimento de equipamentos para as Forças Armadas. Nosso país já vem fornecendo matéria-prima para material bélico em favor dos americanos e autorizou os mesmos a utilizarem as bases de Belém, Natal e Recife. O Brasil também já havia instituiu com os americanos a Comissão Técnica Militar Mista. O Brasil abandonou a posição neutralidade e reconheceu o estado

de de

Acredita-se que essa ação tenha sido uma resposta a resolução XXIII da Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores, em janeiro de 42, na qual o chanceler Oswaldo Aranha decidiu pelo rompimento de relações com o Eixo. Já outros países americanos, como o Chile e a Argentina não fizeram o mesmo e mantém relações com a Alemanha, Itália e Japão. A participação americana na guerra contra o Eixo se iniciou a partir dos ataques japoneses a base de Pearl Habor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941


Internacional Adesão brasileira à Carta do Atlântico é declarada Tarcísio Pinhate

Um ano após sua celebração, o Brasil adere aos princípios estabelecidos pela Carta do Atlântico. A carta escrita pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos da América estabelece princípios para o mundo pós-guerra. Em síntese, a Carta versa sobre oito pontos centrais: 1- Nenhum ganho territorial seria buscado pelas partes contratantes após a guerra; 2- Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos do pessoal interessado; 3- As

pessoas

têm

direito

à

comerciais

devem

ser

autodeterminação; 4- Barreiras excluídas; 5- Cooperação econômica global e avanço do bem-estar social; 6- A liberdade de desejo; 7- Liberdade dos mares; 8- Desarmamento das nações agressoras em comum após a guerra.


Economia Minério de Ferro: O novo Ouro Brasileiro Léo Tavares

Não faz muito tempo – pouco menos de um ano – que Getúlio Vargas, presidente do Estado Novo, criou a Companhia Vale do Rio Doce. Depois de meses de existência, a empresa de capital misto, administrada principalmente pelo Estado, já começa a colher os frutos que o Brasil tanto precisa para buscar seus interesses próprios. Devido à grande habilidade do governo, a questão da exploração do subsolo brasileiro foi finalmente resolvida em 1942, com os tratados de Washington. A empresa estrangeira que desde a República tinha interesses nos minérios nacionais, a britânica Itabira Iron Ore Company, finalmente acordava sua incorporação à nacional Companhia Brasileira de Mineração, criando a CVRD. Graças ao jogo político de Vargas com os aliados, que garantiram a participação nacional ao lado dos mesmos na guerra, Getúlio vem conseguindo implementar seu plano de modernização da economia brasileira. Após o êxito com a CSN, a administração do subsolo brasileiro por nacionais, que há muito já vinha sendo reivindicada pela opinião pública nacionalista, se torna uma realidade com o Código de Minas, que entrou em vigor ano passado. Esse código, que garante ao capital nacional a exploração do rico solo brasileiro, foi essencial para a criação da Vale, no Espírito Santo, que já começa a se integrar com outras regiões da nação. A Estrada de Ferro Vitória a Minas, cuja construção havia se iniciado ainda em 1903, 40 anos atrás, acaba de chegar a Itabira, MG. A comunicação ferroviária entre os estados deve, segundo fontes do governo, chegar à base da Mina de Ferro Cauê ano que vem.

A Companhia Vale do Rio Doce, juntamente com a CSN, marcam uma nova fase para o Brasil, que caminha a passos cada vez mais largos para o desenvolvimento e a industrialização, em um momento extremamente difícil para a exportação primária. Isso revela que a Coordenação da Mobilização Econômica, criada em setembro do ano passado, finalmente começa a mostrar para que veio. Os tempos de guerra não estão fáceis, e não se sabe ainda se os aliados vencerão. Mais uma coisa é certa: em matéria de desenvolvimento, o Brasil com toda certeza vem se mostrando verdadeiramente vitorioso. Se ainda existem dúvidas quanto à legalidade do governo federal, é certo que Vargas já se mostrou um líder capaz e nacionalista, o que o Brasil mais precisa nesse momento de incertezas internacionais.


Economia Novo Esforço Industrial de Vargas Léo Tavares

Acaba de ser fundada, na Baixada Fluminense-RJ, a Fábrica Nacional de Motores. Mas o que essa empresa estatal de grandes proporções poderia ajudar no desenvolvimento do país? A ideia para sua criação surgiu de Guedes Muniz, Coronel Aviador, que logo conseguiu o apoio de Vargas. Para ambos, uma empresa de tecnologia moderna, que requer técnica minuciosa, pode ser extremamente importante na política varguista de industrialização e desenvolvimento. A implantação de uma fábrica de motores para aviões representa mais um passo para a autonomia industrial do país. Vale ressaltar aqui a grande importância do pragmatismo de nosso presidente: assim como a CSN, a FNM só foi possível graças à ajuda externa, em troca de bases aliadas instaladas no Nordeste. Sem os empréstimos realizados no Eximbank, o projeto de enormes proporções, para os padrões nacionais, jamais poderia ter sido realizado. Para que possamos ter noção do tamanho investimento necessário para a criação da FNM, foi preciso instalar um sistema de ar condicionado enorme, devido às exigências técnicas de uma temperatura homogênea nos salões de fabricação. A questão da temperatura e pressão necessárias também contribuiu para a escolha do território de implantação: apesar do interesse de Minas Gerais, acabou sendo escolhido o Rio de Janeiro, por estar ao nível do mar. Além disso, a Estrada de Ferro Rio d’Ouro e a Rodovia Rio-Petrópolis garantiriam facilidades no transporte dos insumos, dos motores e dos funcionários. Finalmente, deve-se considerar que a nova empresa possui aspirações elevadas, como a

autossuficiência nacional de motores de aviões, representando muito bem as novas metas de Getúlio Vargas acerca da política industrial. A questão que ainda está para ser respondida, contudo, ainda fica: Será que, após o final da Grande Guerra, a demanda por motores de aeroplanos continuará em alta? Ou os elevados investimentos não terão o devido retorno? De qualquer forma, o esforço pela modernização nunca deve ser menosprezado.


Entretenimento Notícias Brasileiro

do

Cinejornal

Bruno Bortoleto

O Cinejornal Brasileiro tem se mostrado um sucesso entre o povo brasileiro. A exibição de curtas-metragens antes das sessões normais de cinema tem, como nunca antes na história desse país, informado a população brasileira sobre a política nacional. São popularizados, assim, as comemorações e festividades públicas, as realizações do governo e os atos das autoridades. A obrigatoriedade da exibição desses “shorts” brasileiros existe desde o decreto nº 21.240 de 1932. O caráter obrigatório dessa lei se deu para evitar que os donos de salas de cinemas resistissem a servir a pátria amada. Sabe-se que, apesar da grandiosidade da arte e do cinema, muitos comunistas e desordeiros estão infiltrados nesse mundo. Sendo assim, o jornal tem o prazer de felicitar Getúlio Vargas em nome de seus leitores, os quais têm mandado muitas cartas expressando o sentimento de gratidão pelo projeto informativo do excelentíssimo Presidente da República. Desde 1938 a produção do Cinejornal é realizada pelo Departamento Nacional de Propaganda, que em 1939 transformou-se no Departamento de Imprensa e Propaganda. Mais do que agradecer Getúlio pelos “shorts”, muitas cartas de artistas têm chegado à redação. Isso porque o Presidente tem sido

muito generoso com o cinema brasileiro desde o Governo Provisório. O esforço de Getúlio para consolidar as artes no Brasil é longo. Data desde quando era deputado pelo Rio Grande do Sul, em 1928, momento no qual foi autor da “Lei Getúlio Vargas” (decreto nº 5492), a qual regulamentou a profissão e o direito autoral do artista. Posteriormente, como já foi dito, Getúlio contribuiu com os artistas nacionais através da lei dos “shorts” e nesses últimos anos tem sido o novo mecenas das artes brasileiras com a proteção estatal do cinema e música nacionais contra o “imperialismo” norte-americano e europeu. Sobretudo a indústria cinematográfica, Getúlio tem trabalhado para oferecer financiamentos e reduzir impostos sobre os artistas e produtores nacionais, apesar de não descartar a importância do cinema de Hollywood e saber que o país tem muito a aprender com os norte-americanos nessa área. O pai da nação sabe o papel do cinema para a educação do povo e não tem medido esforços para um cinema nacional “forte”. Como bem declarou esses tempos: “o cine é o livro de imagens luminosas em que nossas populações praieiras e rurais aprendem a amar o Brasil. Para a massa de analfabetos, é a disciplina pedagógica mais perfeita e fácil”. Juntamente com o apoio de seu Ministro da educação, Gustavo Capanema, Getúlio tem popularizado as artes visando a um Brasil sem desigualdades quanto ao acesso à cultura.

OPINIÃO Bruno Bortoleto

Educação Cívica: o cinema e a música nacionais como elementos de aproximação dos habitantes do país Getúlio Vargas tem se mostrado muito mais que um “pai dos pobres” nas áreas econômicas e sociais. Na área econômica


Entretenimento Entretenimento acudiu os cafeicultores e impulsionou a indústria de maneira surpreendente. Já na área social, aprovou ampla legislação em proteção aos trabalhadores: salário mínimo, limite de horas de trabalho e carteira assinada – consolidadas na CLT de 1943. Agora, cada vez mais, Getúlio tem aplicado essa lógica socializadora a cultura e educação. Desde o decreto dos “shorts” de 1932, Getúlio tem trabalhado para utilizar o cinema e a música nacionais para aproximar os habitantes do país e educar o povo. Aquele decreto foi decisivo porque para além do que já foi dito determinou a redução das tarifas alfandegárias para filmes virgens e impressos e a criação de três novas instituições culturais: a Revista Nacional de Educação, o Instituto Cinematográfico Educativo e um órgão técnico, destinado não só a orientar a utilização do cinematógrafo, assim como dos demais processos técnicos, que sirvam como instrumentos de difusão cultural.

Portanto, quando um filme, música ou escrito é “barrado” significa que a vontade do povo prevaleceu e que a Segurança Nacional não está ameaçada. O povo precisa é ter contato com a arte de verdade, como as músicas nacionalistas de Ary Barroso, as canções e hinos patrióticos de Heitor VillaLobos e os quadros geniais de Cândido Portinari.

CR Í T I CA Bruno Bortoleto

Os erros e acertos de Chaplin no filme que está dando o que falar no Brasil: “O Grande Ditador”

De lá para os dias atuais a produção cinematográfica nacional tem aumentado favorecendo a maior difusão do cinema, peça essencial para a educação cívica. Sobretudo porque a partir de uma película audiovisual pode-se transmitir uma mensagem para uma massa de pessoas de maneira fácil e inteligível. Nesse sentido, é inegável o papel extraordinário que o Departamento de Imprensa e Propaganda tem realizado. “Censurar o que é inútil para a educação da população brasileira” tem sido o lema dentro desse órgão. Censurar é uma palavra mal empregada, pois na realizada o que o DIP faz é “educação cívica”. Uma atitude consciente e precisa: o povo quer cultura e esta deve contribuir para a unidade nacional. Películas cinematográficas, músicas e a arte como um todo devem informar e entreter as pessoas. Produções subversivas, comunistas ou contra a ordem e o progresso devem ser banidas.

Charles Chaplin tem se mostrado, por um lado, um gênio da indústria cinematográfica, por outro um potencial comunista e desordeiro. O filme “O Grande Ditador”, lançado nos Estados Unidos dia 15 de outubro de 1940 pela United Artists, chegou ao Brasil neste ano de 1943 e tem dado o que falar. Chaplin acerta ao ridicularizar Hitler, um governante imprudente e desmoralizado, com o qual o Brasil rompeu relações ano passado. O apoio brasileiro aos Aliados ocorreu após um


esforço de aproximação de Franklin Roosevelt – com sua política da boa vizinhança. Visando ao interesse nacional, Getúlio foi coerente apoiando os Aliados diante das vantagens econômicas proporcionadas pelos Estados Unidos, como a ajuda na construção da CSN. Ademais, o país foi solidário aos norteamericanos bombardeados desnecessariamente pelo Japão e as forças do Eixo. Por outro lado, Chaplin se excede em suas críticas. Sem um Estado forte e autoritário, como suprir as deficiências da iniciativa individual e coordenar os fatores de produção? Qual a função de um Congresso Nacional quando tem-se um Conselho Técnico eficiente e mais qualificado? Quem é livre onde tem fome, insegurança, liberdade aos comunistas e não há um Estado para proteger a indústria do país? Ninguém. Democracia não é sinônimo de liberdade. Getúlio tem comprovado como um líder “forte” é essencial para conciliar classes, proteger os oprimidos e trazer o progresso material dentro da ordem, mesmo que o autoritarismo seja necessário.


Esportes E a moeda caiu em pé! São Paulo é campeão Paulista de 1943 . Pedro Boareto

Pela primeira vez a moeda foi jogada e caiu em pé: O São Paulo Futebol Clube conseguiu quebrar a hegemonia de Palmeiras e Corinthians, as duas faces da moeda, e conquistou o título do Campeonato Paulista de 1943. No duelo derradeiro, o time do técnico Joreca empatou pelo placar de 0x0 com o Palmeiras no Pacaembú lotado e garantiu o primeiro lugar na competição.


Ficha do jogo: São Paulo 0x0 Palmeiras Pacaembu (03/10/1943) Público: 42.143 pagantes São Paulo: King; Piolim e Virgílio; Zezé Procópio, Zarzur e Noronha; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo Januzzi e Pardal. Técnico: Joreca. Palmeiras: Oberdan Cattani; Junqueira e Osvaldo; Brandão, Og Moreira e Dacunto; Caxambu, Gonzalez, Cabeçaõ, Villadoniga e Canhotinho. Técnico: Del Debbio Juíz: Carlos de Oliveira Monteiro

Confederação Brasileira de Desportos reconhece a Bocha. Pedro Boareto

Um dos esportes mais antigos foi reconhecido pela Confederação Brasileira de Desportos em nome de seu presidente Rivadávia Correa Mayer. Trata-se da Bocha: a partir de hoje, nossa nação terá mais uma modalidade para nos representar nas competições internacionais.


Conselho Desportos incumbência.

Nacional ganha

de nova

Pedro Boareto

Por meio do de Decreto-Lei nº 5.342, de 25 de Março de 1943, publicado no Diário Oficial da União, o Conselho Nacional de Desportos (CND) teve suas atribuições elencadas e passará a tratar também dos contratos esportivos e da organização das associações de todas as modalidades desportivas. Além disso, o Decreto determina que ficará a encargo do Conselho escolher os árbitros bem como estabelecer normas para a atuação deles.

A pequena notável Amanda Evelyn

Carmen Miranda nos dá a honra de uma entrevista nos Estados Unidos após a filmagem de seu mais novo filme: “Entre a Loura e a morena”. Já há quatro anos no país amigo, nossa Pequena Notável nos fala do sucesso, filmes e da saudade do Brazil.

Brazil Novo (BN): Antes de tudo, é uma honra para todos nós poder entrevistá-la! Podemos começar com o mais importante: sentes falta do Brazil? Carmen Miranda (CM): Claro que sim, como não poderia? Viver na América tem sido um sonho, mas o Brazil me faz falta sim. No


entanto, a compensação financeira tem sido considerável. BN: Vemos que sim. Mas conte-nos, Carmen, como está o novo filme? Sobre o que é? CM: Oh, sim, Entre a Loura e a Morena é um filme maravilhoso no qual pude trabalhar com uma ótima equipe, incluindo Alice Faye e Andy Manson Jr. A história envolve um soldado, uma dançarina de clube e minha personagem num mal entendido muito divertido. Não contarei mais porque quero que vocês assistam! BN: Oh não, querida! Mas então, contenos, qual a parte mais divertida do filme? CM: Oras, como falarei da parte divertida sem contar o filme? Vá lá, uma das partes mais divertidas de filmar envolve música, é claro, e muitas bananas! Esperem ver muitas coisas do Brazil também!

CM: Ora como não! Não me importo com a cor, mas com a história e alegria do filme! Além de uma boa equipe, o que tenho conseguido com facilidade. BN: Diga-nos então uma última coisa, do que a srta mais sente falta dos brazileiros? CM: Isso é muito fácil! Acho os norteamericanos muito simples! Eles não tem aquela paixão ou mesmo uma relação mais misteriosa como nós brazileiros temos. Acho que é o que mais sinto falta, do mistério. BN: Vemos que é isso mesmo! Obrigada, pequena notável! Esperamos vêla em breve e que todos aproveitem “Entre a Loura e a Morena”. No Districto Federal, “Entre a Loura e Morena” será exibido no Cinema Odeon, na Praça Floriano, na Cinelândia em breve.

Uma reestreia de entrevista com Rodrigues.

sucesso: Nelson

Amanda Evelyn

BN: Bananas? Certamente o leitor ficará curioso. Então diga lá, planos para o futuro? Pretendes voltar ao Brazil? CM: Há muitos planos, mas infelizmente voltar ao Brazil por hora não está entre eles. Tenho ainda muitos projetos nos EE. UU., devo fazer mais um filme com Alice e também vários shows e programas na televisão. BN: Entre a Loura e a Morena é colorido. A srta ainda fará filmes em preto e branco?

Após o estrondoso sucesso da reestreia de “Vestido de Noiva”, nosso querido Nelson Rodrigues concede entrevista exclusiva e fala sobre sua vida, futebol, o Brazil e da importáncia da peça em sua vida. Brazil Novo (BN): Sr. Rodrigues, é uma honra tê-lo aqui logo após reestreia tão espetacular. Como o sr se sente?


Nelson Rodrigues (NR): Olhe: não tenho muito a dizer sobre o caso, mas diz-se que foi mesmo um sucesso. Maria Fernanda e Stella me disseram que foi insurrecedor, mas não sei dizer. Espero que se pare de falar que foi uma perda de dinheiro, parece que todos gostaram. BN: Foi um sucesso sim. Já que o sr. não tem detalhes, por que não falar do sr? Como foi o início da carreira? Eu estava no quarto ano primário na Escola Prudente de Morais. Uma dia, a professora – que mandava a gente desenhar e colorir uma vaca de estampa,para que nós,alunos,fizéssemos em torno da vaca toda uma história – disse : “Olhem aqui : Hoje,vocês vão ter de escrever da próprio cabeça. Agora não é mais sobre a vaca pintada”. E então deixou que cada um de nós fizesse seu drama,o seu projeto dramático.o Duas histórias tiveram o primeiro lugar.A do meu adversário era um a história de um daqueles magnatas que davam passeios.Ele descrevia o passeio de um rajá no seu elefante favorito.E pronto.A minha foi inteiramente diferente.Eu fiz a história de uma moça que era uma fera.Quase uma dama do lotação.Um dia,o marido chega em casa mais cedo e,quando empurra assim (imita o gesto de alguém forçando o trinco de uma porta) . Entra em casa,segura o amigo traidor e enfia nele uma faca. Eu tive o primeiro lugar e empatamos.O prêmio ao rajá e ao respectivo elefante era uma concessão ao convencional. Isto foi a primeira vez em que eu era ficcionista.Todo o meu futuro está aí. Era a história de uma pobre adúltera que morreu de maneira tão melancólica.O traidor morreu também de maneira melancólica : direi,a bem da verdade,que a minha história causou um horror deliciado.Eu era,para todos os efeitos,um pequeno monstro. Eu comecei com treze anos a trabalhar como jornalista profissional e repórter : esse é

o caso. Não teria jeito: eu teria de meter uma bala na cabeça… BN: Então o sr acredita ter vocação para escrever? NR: Digo que, no meu caso,eu nem precisava de vocação, porque o negócio era o óbvio – o óbvio ululante ! Eu tinha de ser aquilo. Se você chagasse junto de mim e pedisse para eu ter outra profissão, podia até dar dinheiro para que eu tivesse outro destino, não seria absolutamente possível. BN: Vestido de Noiva é sua peça predileta? NR: Tenho várias prediletas. Eu diria mesmo que são todas as prediletas. Não tenho prediletas(ri). Todas são favoritas. Já pensei muito em querer discriminar qual a minha melhor peça, mas não sei. BN: Falemos do Brazil então! O que o sr. considera como parte do caráter nacional? NR: O brasileiro é um tipo gozadíssimo. O diabo é que o brasileiro não pode se esforçar muito porque, senão, cai na chanchada trágica. O brasileiro é um sujeito que gosta de fazer farra, é um desses que, em pleno velório, põe a mão na viúva. E a viúva é também um caso sério porque este negócio de viúva vocacional é um fato. Há realmente um repertório sensacional de casos. O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro. Hoje nem o Departamento de Pesquisa do “Jornal do Brasil” sabia quem é o brasileiro. Mas se um sujeito se apresenta como brasileiro, as pessoas de bem respondiam: “Não te conheço!”. E muitos duvidavam que o Pão de Açúcar ou o poente do Leblon fossem brasileiros. Olhe: hoje a mulher mais séria do mundo, mais digna, mais respeitável se deixa envolver por um poeta, se abandonava por um soneto. É uma outra vida. De repente eu fico olhando: é


uma outra vida, outro homem. E tudo é maravilhoso. BN: Com certeza, é uma vida maravilhosa! Obrigada, sr. Rodrigues. Aguardaremos ansiosos uma próxima oportunidade.

Bibliografia: •

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stream/handle/10438/2493/7204010044 4.pdf?sequence=2

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