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CIBERCULTURAS  NO  IRC Uma  pesquisa  sobre  as  ferramentas  de  comunicação dos  anos  90  no  Brasil

Pedro  Hiraoka


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FACULDADE ESTÁCIO DO PARÁ CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – PUBLICIDADE PEDRO CARVALHO HIRAOKA

CIBERCULTURAS NO IRC Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil

BELÉM 2011


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PEDRO CARVALHO HIRAOKA

CIBERCULTURAS NO IRC Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca Examinadora do Curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio do Pará, como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, com Habilitação em Publicidade e Propaganda. Orientador: Prof. Msc. Fabrício Santos de Mattos.

Belém 2011


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Hiraoka, Pedro. CIBERCULTURAS NO IRC: Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil. – Belém do Pará: Estácio/FAP, 2011. 82 p. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca Examinadora do Curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio do Pará – Estácio FAP, como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, com Habilitação em Publicidade e Propaganda. 1. Novas Mídias. 2. Cibercultura. 3. IRC. 4. Sociabilidade. 5. Ferramentas de Comunicação. I Título.

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PEDRO CARVALHO HIRAOKA

CIBERCULTURAS NO IRC Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel

em

Comunicação

Social

com

Habilitação em Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio do Pará. Aprovado em Dezembro de 2011.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________________________________ Prof. Msc. Fabrício Santos de Mattos (orientador) ESTÁCIO FAP – FACULDADE DO PARÁ

________________________________________________________________________ Prof. Esp. Pedro Henryque Paes Loureiro de Bragança ESTÁCIO FAP – FACULDADE DO PARÁ

________________________________________________________________________ Prof. Esp. Daniel Luiz de Souza da Silva ESTÁCIO FAP – FACULDADE DO PARÁ

Belém


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Este trabalho foi construído por várias discussões e muito esforço. Dedico a minha família, amigos e parceiros que tornaram possível o desenvolvimento desta pesquisa.


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AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a meus pais, Vânia Carvalho e Natsuo Hiraoka, pelos apoios em vários momentos. A meu orientador Prof. Msc. Fabrício Mattos, por ter acreditado em mim e no meu tema, proporcionando orientações fundamentais para aperfeiçoar este trabalho. Obrigado pelas discussões importantes que foram necessárias para a construção desta pesquisa, além da paciência e do incentivo no desenvolvimento deste trabalho. Agradecimento especial para meu irmão Rafael, minha irmã Nina e minha “mãedrasta” Ara, por toda ajuda e energia transmitida. Agradeço a Profa. Msc. Vivianne Menna, por ter sugerido que eu trabalhasse com o tema do IRC devido eu ter familiaridade com o assunto e por ser um tema nostálgico para muitos. Agradeço o Prof. Msc. Brahim Darwich Filho, por ter ajudado nos momentos iniciais deste trabalho, criando a base para o desenvolvimento desse estudo. Obrigado por todo apoio e incentivo. Agradeço a minha tia Tunica, que sempre incentivou meus estudos. Agradeço novamente a minha mãe, que por possuir graduação em Ciências Sociais pela UFPA, contribuiu para a formação de boas ideias deste trabalho. Aos meus amigos, que se preocuparam e me enviaram boas energias em vários momentos, Anna, Jero, Bgt, Renan, Igor, Luana, Felipe, Rodolpho, Jorge, Ron, Gabi, Helena, Tatika, Bambo, Dudu, Dênis, Davis, Lili, Piui, Marbeg, Beth, Azeir, Fabinho, Akio, Lion, Barienovisk, Manicoba e outros. Em especial ao meu amigo Tiago Begot, mestre biólogo, que foi fundamental para a construção deste trabalho acadêmico e mostrou funções que abriram minha mente no Word, ensinamento hacker que levarei pra minha vida. Ao meu amigo Rodrigo Leão, que ajudou na revisão do meu resumo em inglês. A todos os usuários do IRC que aceitaram responder, quase instantaneamente, meu questionário web. A minha banca de defesa do TCC, Prof. Msc. Pedrox e Prof. Msc. Daniel, por terem participado gentilmente e pelas importantes considerações feitas sobre este trabalho. Obrigado pelas palavras sinceras. A todas as pessoas que ajudaram a desenvolver este trabalho, diretamente e indiretamente. A todos que não puderam ajudar, mas pensaram em contribuir, um obrigado também, o que vale é a intenção.


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“A formação de redes é uma prática humana muito antiga, mas as redes ganharam vida nova em nosso tempo transformando-se em redes de informação energizadas pela internet.” Manuel Castells


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RESUMO A partir da década de 1990 a cibercultura começa a se estruturar no Brasil. Com o objetivo de aumentar a rede de relacionamentos, aproximar amigos e familiares, as pessoas passam a utilizar ferramentas da Internet colocando as comunidades virtuais em uma dimensão fundamental para o desenvolvimento dessa emergente cultura virtual: a cibercultura. Partindo deste contexto, esta pesquisa objetiva compreender o papel das comunidades virtuais na construção da cibercultura no início da Era Digital no Brasil, a partir da análise dos usos do Internet Relay Chat (IRC), ou Conversa Retransmitida pela Internet. Metodologicamente, empreendeu-se um estudo de caso procurando identificar as principais ferramentas de comunicação do Grupo Zero na Internet, buscando comparar suas semelhanças e diferenças, observar os principais usos que os atores envolvidos faziam delas e classificar as principais interações mediadas por computador do grupo. Quanto à técnica de coleta de dados, o estudo de caso foi realizado a partir de questionários aplicados aos membros do Grupo Zero e aos demais usuários do IRC. A análise dos dados permitiu visualizar o perfil dos integrantes do IRC e do Grupo Zero, as principais interações sociais na rede e suas ferramentas. Desse modo concluímos que o surgimento da cibercultura no IRC serve de estrutura para sociabilização dos indivíduos no ciberespaço e estimula as relações sociais fora da internet, permitindo novos usos da comunicação por meio de computadores. Por fim, a pesquisa conclui que o uso das ferramentas do IRC contribuiu significativamente para a formação da cibercultura da Geração Y. Palavras-chave: Novas Mídias; Cibercultura; IRC; Sociabilidade; Ferramentas de Comunicação.


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ABSTRACT Since the 1990s the cyberculture begins to take shape in Brazil. With placing the objective to expanding the network of relationships people started to use Internet tools virtual communities in a fundamental dimension to the development of this emerging virtual culture: the cyberculture. Given this context, this study aims to understand the role of virtual communities in construction of cyberculture at the beginning of the digital age in Brazil, from the analysis of the uses of Internet Relay Chat (IRC). Methodologically, was undertaken a case study seeking to identify the main communication tools of the Zero Group on the Internet, comparing its similarities and differences, observing the main uses of the actors involved and classifying the main computer interactions mediated of the group. As to the technique of data collection, the case study was conducted from questionnaires answered by members of the Zero Group and to by users IRC. Data analysis allowed them to visualize the profile of members of the Zero Group, the main social interactions in the network and its tools. Thus we conclude that the emergence of cyberculture in IRC serves as structure for socialization of individuals in cyberspace and stimulates social relations outside the Internet, enabling new uses of computer-mediated communication. Finally it concludes that the use of IRC tools contributed significantly to the formation of the cyberculture of Generation Y. Keywords: New Medias; Cyberculture; IRC; Sociability; Communications Tools.


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LISTA DE FIGURAS Figura 1 – NAVEGADORES MAIS UTILIZADOS NA INTERNET, 2008-2011.!............................!30! Figura 2 – PERCENTUAL DE PREFERÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA INTERNET.!.............!32! Figura 3 – PROGRAMA MIRC.!.........................................................................................................!37! Figura 4 – TELA DO CANAL #BRASIL DA REDE BRASIRC.ORG, 2011.!...................................!42! Figura 5 – CLASSIFICAÇÃO DOS ENTREVISTADOS, 2011.!........................................................!52! Figura 6 – USO DA INTERNET PELOS ENTREVISTADOS, 2011.!................................................!53! Figura 7 – FAIXA ETÁRIA DOS ENTREVISTADOS, 2011.!...........................................................!54! Figura 8 – CLASSIFICAÇÃO SEXUAL DOS ENTREVISTADOS, 2011.!.......................................!54! Figura 9 – DADOS SOBRE A OCUPAÇÃO DOS ENTREVISTADOS NOS ANOS 90, 2011.!.......!55! Figura 10 – DADOS SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR DOS ENTREVISTADOS (ANOS 90).!..!56! Figura 11 - DADOS SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR ATUAL DOS ENTREVISTADOS.!........!56! Figura 12 – DADOS SOBRE OS MOTIVOS QUE LEVARAM O ACESSO AO IRC.!....................!57! Figura 13 – VOCÊ SE CONSIDERA UM VIRCIADO?, 2011.!.........................................................!58! Figura 14 – DADOS SOBRE O TEMPO DE USO DO IRC, 2011.!....................................................!59! Figura 15 – DADOS ESCOLARES DOS INTEGRANTES DO GRUPO ZERO (ANOS 90).!...........!59! Figura 16 - DADOS ESCOLARES ATUAIS DOS INTEGRANTES DO GRUPO ZERO, 2011.!.....!60! Figura 17 – VOCÊ TEM MAIS AMIGOS VIRTUAIS OU REAIS?, 2011.!.......................................!61! Figura 18 – DADOS SOBRE INTERAÇÕES EM ENCONTRO DO GRUPO ZERO, 2011.!............!61! Figura 19 – QUAIS ENCONTROS VOCÊ PARTICIPAVA MAIS?!.................................................!62! Figura 20 – FREQUÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DOS ENTREVISTADOS EM ENCONTROS.!..!63! Figura 21 – DADOS SOBRE A HIERARQUIA NO IRC, 2011.!........................................................!63! Figura 22 – PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE INTERAÇÃO DO IRC, 2011.!...............................!64! Figura 23 – COMPETÊNCIAS EM FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO, 2011.!......................!65! Figura 24 – COMO ESSAS COMPETÊNCIAS FORAM ALCANÇADAS, 2011.!............................!66!


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LISTA DE ABREVIATURAS ARPA – Advanced Research Projects Agency (Agência de Projetos de Pesquisa Avançados) ARPANET – Advanced Research Projects Agency Network (Rede da Agência de Projetos de Pesquisa Avançados) ASP – Active Server Pages (Páginas do Servidor Ativo) BBS – Bullet Board System (Sistema de Quadro de Avisos) CMC – Comunicação Mediada por Computador CSS – Cascading Style Sheets (Folhas de Estilo em Cascata) HTML – HyperText Markup Language (Linguagem de marcação de hiper texto) ICQ – I Seek You (Eu procuro você) INTERNET – International Network (Rede Internacional) IP – Internet Protocol (Protocolo de Interconexão) IRC – Internet Relay Chat (Conversa Retransmitida pela Internet) MSN – Microsoft Network (A Rede Microsoft) PC – Personal Computer (Computador Pessoal) PHP – HyperText Preprocessor (Preprocessador de hiper texto) TCP – Transmission Control Protocol (Protocolo de Controle de Transmissão) TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação WWW – World Wide Web (Rede de alcance mundial)


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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 13 CAPÍTULO 1 – INTERNET E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA .......................... 19 1.1 Histórico da Internet................................................................................................ 19 1.1.1 A Infraestrutura do Ciberespaço .................................................................... 21 1.2 Cibercultura ............................................................................................................. 24 1.3 O advento das Redes Sociais e os elementos que as estruturam .......................... 25 1.3.1 Atores ................................................................................................................. 26 1.3.2 Interação, relação e laços sociais ..................................................................... 27 1.4 Ferramentas de Comunicação Mediadas por Computador................................. 28 1.4.1 Correio Eletrônico ............................................................................................ 28 1.4.2 BBS ..................................................................................................................... 29 1.4.3 Bate-papo ........................................................................................................... 29 1.4.4 Navegador.......................................................................................................... 29 1.4.5 Weblog e microblogging .................................................................................... 30 1.4.6 Website de rede social ....................................................................................... 31 CAPÍTULO 2 – REDES SOCIAIS NA INTERNET........................................................... 33 2.1 Comunidade virtual ................................................................................................. 33 2.2 Comunicação Mediada por Computador .............................................................. 34 2.3 Ciberespaço .............................................................................................................. 34 2.4 O IRC ........................................................................................................................ 35 2.4.1 Linguagem no IRC ........................................................................................... 39 2.4.2 As redes do IRC ................................................................................................ 40 2.5 O Grupo Zero ........................................................................................................... 40 2.5.1 A hierarquia virtual e real ............................................................................... 41 2.6 Relações Sociais ........................................................................................................ 43 2.6.1 IRContros e a formação dos laços sociais........................................................ 44 2.6.2 Formas de Controle Social ............................................................................... 45 2.6.3 Disputas e conflitos entre grupos .................................................................... 46 2.6.4 Semelhanças e diferenças nas ferramentas das mídias sociais ..................... 46 CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DE RESULTADOS DA PESQUISA ...................................... 52 3.1 Perfil dos usuários do IRC ...................................................................................... 52 3.2 Perfil do Grupo Zero ............................................................................................... 57 3.3 Sociabilidade no IRC ............................................................................................... 60 3.4 Análise das ferramentas e seus usos ....................................................................... 64 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ................................ 67 GLOSSÁRIO .......................................................................................................................... 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 72 SITES VISITADOS ................................................................................................................ 74 !


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INTRODUÇÃO

A internet tem um papel fundamental na estruturação da comunicação da sociedade contemporânea. Ela serve de infraestrutura para a construção das redes sociais e estimula relações sociais desta vez mediadas por computador. As novas tecnologias permitiram inovações na forma de se comunicar da sociedade, pois foi com o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (doravante apenas TIC), a partir dos anos 90, que houve o surgimento das ferramentas de comunicação e a construção da cibercultura no Brasil. É possível afirmar que na década de noventa a sociedade tinha uma grande demanda por se comunicar, inclusive virtualmente1. No entanto, nem todos tinham habilidades técnicas ou mesmo bons motivos para aderir à nova tecnologia. Foram essas ciberculturas emergentes os pilares estruturais da comunicação do final da década de 90. Ou seja, trata-se do período de aprendizado dessa geração que não nasceu com cultura virtual e acabou estruturando uma cibercultura própria. Minha iniciação na Internet aconteceu por volta dos 14 anos de idade, com a chegada do meu primeiro computador pessoal, em meados de 1996. Não sabíamos bem o que fazer com as inovações tecnológicas, então programas que permitiam que outras pessoas se comunicassem por meio de computadores começaram a surgir na rede de forma exponencial, por esse motivo a utilização de chats foi bastante natural. Na época, existiam poucos provedores de acesso à internet em Belém do Pará, minha cidade natal e ambiente das interações analisadas neste trabalho. Em meados dos anos 90 os provedores instalavam os seus chamados “Kits de Acesso” nos computadores dos seus clientes, com programas de comunicação que serviam para interações pela internet. O programa popular entre os instalados, era o mIRC, que me aprofundarei melhor no decorrer deste trabalho. Minha experiência empírica sobre ciberculturas paraenses foi construída no decorrer desses 15 anos, por isso posso afirmar que o mIRC foi o palco da maioria das interações virtuais da década de noventa em Belém. Participei das interações do IRC desde o seu início, vi a rede crescer e presenciei, com muito pesar, o seu declínio. A participação nesse ambiente virtual também faz parte da minha história pessoal, na qual experimentei vários tipos de relações, de conhecer pessoas, de estabelecer novos laços, a sensação de liberdade que a Internet dava no seu início, de fazer !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 1

O fenômeno do desenvolvimento da Internet configura-se hoje como uma realidade emergente no mundo todo. No Brasil seu crescimento foi exponencial: em 1996, considerado o primeiro ano da Internet no Brasil, o número de usuários cresceu de 110 mil em janeiro para mais de 1 milhão em dezembro, o que representa um acréscimo superior a 900% (SILVA, 1997, on-line).


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amigos verdadeiros, conhecidos, reencontrar os amigos e familiares. Pensando nisso decidi aproveitar essas experiências para desenvolver este trabalho. Essa perspectiva é necessária também para a própria compreensão da pesquisa, pois permite ter uma visão geral do ambiente escolhido e da cultura virtual do pesquisador, que se faz importante para delimitar a sequência de apresentação das informações aqui contidas. Os conceitos abordados são parciais, entretanto, fazem parte da minha experiência que, de certa maneira, acredito que pode contribuir para as pesquisas de ciberculturas e suas interações mediadas por computadores no Brasil. Nesse contexto, esta pesquisa irá desenvolver o tema das relações sociais na Internet, surgidas em Belém do Pará no início da Era Digital no Brasil, a partir do processo de interação do Grupo Zero2. Nesse sentido, o objeto de estudo do trabalho é a construção da cibercultura no início da era digital no Brasil, a partir do Internet Relay Chat. O presente estudo busca colaborar com o debate sobre as redes sociais e suas ferramentas de comunicação mediadas por computador. Assim, o estudo mapeia as principais relações sociais virtuais no Estado do Pará na década de noventa tendo como objetivo principal compreender o papel das ciberculturas no início das redes sociais na internet, resgatando suas principais ferramentas de comunicação mediadas por computador, a partir do estudo de caso das interações do Grupo Zero na rede IRC. Portanto os objetivos específicos desta pesquisa serão:

Identificar as principais ferramentas de Comunicação Mediadas por

Computador e construir o histórico de cada uma delas; •

Comparar semelhanças e diferenças entre as principais ferramentas de

Comunicação Mediadas por Computador da década de noventa com as atuais; •

Analisar os principais usos que o Grupo Zero fazia dessas ferramentas;

Classificar e analisar os tipos de interações sociais do Grupo Zero.

A comunidade virtual estudada é parte da chamada “Geração Y”, também conhecida como geração millennials ou “Geração da Internet”. Para Kullock (2011, on-line), entende-se !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 2

Grupo Zero ou Canal #Zero, fundado em 1998 e que utilizava o Internet Relay Chat (IRC) ou “Conversa Retransmitida pela Internet” como ferramenta de comunicação digital, em Belém do Pará.! O grupo em si era formado por vários usuários do IRC que se conheceram ou eram frequentadores do canal Zero (#Zero) no IRC. No decorrer do segundo capítulo será aprofundada a história do grupo Zero. !


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como integrantes da Geração Y os jovens nascidos entre 1980 e meados de 1990. A especialista reforça dizendo que “essa geração tem muito acesso à inovação e às tendências a partir da possibilidade de busca pela internet”. Por esse motivo, para realizar o questionário, fez-se necessária à construção de uma metodologia própria para esta pesquisa, utilizando inclusive mecanismos virtuais na aplicação e coleta de dados. 1.2

Metodologia A década de noventa foi o ambiente das inovações da comunicação da cibercultura em

formação no Brasil. Este trabalho pesquisará os processos sociais iniciais da Era Digital, como se davam as comunicações a partir da formação do Grupo Zero. A intenção é identificar os principais usos das redes sociais na internet pelo grupo e as principais ferramentas ao longo das inovações das TICs. A presente pesquisa pode ser caracterizada, quanto ao seu objetivo geral, como uma pesquisa explicativa que utiliza o estudo de caso e tem como técnica de coleta de dados o questionário respondido virtualmente. É possível delimitar a pesquisa explicativa como um tipo de pesquisa que busca compreender e analisar os fenômenos sociais. Segundo a classificação proposta por Antônio Carlos Gil, a pesquisa explicativa é aquela que: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Esse é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas (GIL, 2002, p. 46).

Assim, pode-se considerar a pesquisa como explicativa, já que entre os seus objetivos estão compreender o papel das ciberculturas no início das redes sociais na internet em um período determinado (a década de 90) no Brasil. Nesse contexto, a pesquisa pode ser tipificada como um estudo de caso, pois busca analisar em profundidade o fenômeno de emergência das ciberculturas no Brasil, através do estudo do Grupo Zero, formado em Belém nos anos 90. Segundo Young (1960, p.269, apud GIL, 1996, p. 59) o estudo de caso pode ser definido como: Um conjunto de dados que descrevem uma fase ou a totalidade do processo social de uma unidade, em suas várias relações internas e nas suas fixações culturais, quer seja essa unidade uma pessoa, uma família, um profissional, uma instituição social, uma comunidade ou uma nação.


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A comunidade virtual analisada surgiu em um contexto singular e por elementos únicos. Também por esse motivo, usaremos a técnica de estudo de caso neste trabalho, que segundo Chizzotti (1995, p. 102) estudo de caso “é a pesquisa para coleta e registro de dados de um ou vários casos, para organizar um relatório ordenado e crítico ou avaliar analiticamente a experiência com o objetivo de tomar decisões ou propor ação transformadora”. Já Yin (2005, p. 24) diz que o referido estudo constitui técnica apropriada para as situações em que o pesquisador precisa responder às questões “como” e “por que”. Quanto à coleta de dados realizada na pesquisa, fez-se necessária para a aplicação dos questionários on-line, utilizando mecanismos virtuais como os navegadores web. Escolhemos o ambiente da Internet, pois pretendemos tornar ágil e organizada a coleta de dados dos questionários deste trabalho. Além disso, como um dos objetivos da pesquisa é compreender os usos da internet, um questionário preparado no ambiente virtual demonstra também o grau de compreensão e uso das ferramentas da Web já no preenchimento dos questionários. Essa técnica se mostrou muito eficiente em sua aplicação, adquirindo um ótimo tempo de retorno (feedback), cerca de 40% dos questionários foram respondidos em 24 horas. Por isso, utilizamos a metodologia on-line para formular o Questionário Web. Segundo, Dillman (1998), o processo de concepção de questionários web pode ser dividido em muitos aspectos, que vão de decisões sobre quais informações devem aparecer em cada tela e quais ferramentas serão utilizadas para isso. Dillman (1998) reitera que na hora da produção de questionário web devemos iniciar com uma tela de boas vindas motivacional para contextualizar as respostas e instruir os entrevistados sobre o processo de conclusão da pesquisa. Para a autora, é importante também fornecer instruções específicas para o entrevistado sobre como ele deve se comportar no momento de responder a pesquisa. Exibimos na parte superior do questionário um resumo com um texto que explica como funciona o processo de conclusão das perguntas. Usamos símbolos gráficos para demonstrar para o entrevistado em que momento ele está do processo, estimulando a permanência até a conclusão do questionário aplicado. As análises dos dados coletados pelo questionário web desenvolvido para esta pesquisa estão organizadas no decorrer do terceiro capítulo deste trabalho, em que são apresentados e discutidos os resultados da pesquisa. Os dados desta pesquisa foram gerados por 79 questionários web a partir de 37 perguntas aplicadas na internet no período de 24 de outubro a 05 de novembro de 2011. O tempo médio de conclusão dos questionários pelos entrevistados foi de cinco a quinze


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minutos, dado que mostra o ótimo tempo de feedback! e um ótimo domínio das ferramentas web de preenchimento da pesquisa. Para a aplicação do Questionário Web utilizamos a ferramenta “Wufoo”3, que permite ser acessada por qualquer pessoa e testada gratuitamente por sua página oficial na internet. Segundo informação oficial da ferramenta, o “Wuffo” é uma aplicação on-line de construção de formulários web. Por isso, utilizando este conceito, pretendemos estudar as interações sociais humanas no ambiente virtual com a mediação do computador. Neste sentido, este trabalho procura contribuir no debate sobre o ciberespaço, um ambiente de interação que torna possível várias maneiras e espaços de aprendizagem, onde as pessoas podem comunicar, interagir, compartilhar, divulgar informações, construir novas abordagens e novos conhecimentos. Este projeto pode contribuir para a compreensão do papel social das TICs para o futuro dos usos da internet, suas ferramentas e de suas relações sociais. Segundo Recuero (2009, p. 23), “uma rede é uma metáfora para observar padrões de conexão de um grupo social, a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores”. Por esse motivo, a pesquisa terá enfoque nas ciberculturas paraenses, em específico o grupo Zero, fundado em 1996, que utilizava o IRC4 ou “conversa retransmitida pela internet” como ferramenta de comunicação no início da Era Digital5. Assim, este trabalho aborda também a questão geracional e como estes atores que passaram pela transição de uma era predominantemente analógica e com um contexto midiático mais passivo (ligado à recepção da televisão e do rádio, por exemplo) para uma era digital, de contexto midiático mais ativo e interativo. Por fim, é importante ressaltar que será possível neste texto identificar situações e realidades ainda atuais e, no mesmo momento, perceber na leitura uma obsolescência, como se os fatos fossem muito antigos. É possível, portanto, inferir que a relação entre o “novo” e o “antigo”, para estes atores sociais, foi profundamente alterada pelo uso que se faz da tecnologia. A obsolescência da Internet é mais rápida para aqueles que se apropriam dela. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 3

Endereço oficial do website da ferramenta “Wufoo”. Disponível em: <http://wufoo.com/>. Acesso em: 20 outubro 2011. 4 Internet Relay Chat (IRC) ou “Conversa Retransmitida pela Internet” é um protocolo ou linguagem de comunicação utilizada na Internet. Ele é utilizado basicamente como bate-papo (chat) em modo texto e troca de arquivos, permitindo a conversa em grupo ou privada de forma síncrona, ou seja, que se realiza ao mesmo tempo SÍNCRONO = SIMULTÂNEO (PRIBERAN, 2011). 5 Era da Informação (também conhecida como Era Digital) é o nome dado ao período que vem após a Era Industrial, mais especificamente após a década de 1980 embora suas bases tenham começado no princípio do século XX e, particularmente, na década de 1970, com invenções tais como o microprocessador, a rede de computadores, a fibra óptica e o computador pessoal.!


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Esta pesquisa é uma busca por situar como houve estas mudanças e o que foi fundamental nesse processo de aproximação e apropriação da internet para essa geração de transição.


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CAPÍTULO 1 – INTERNET E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Os primeiros computadores surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1945. Por muito tempo foram utilizados pelos militares para cálculos científicos, às estatísticas dos Estados e das grandes empresas ou para tarefas pesadas de gerenciamento, como, por exemplo, as folhas de pagamento do governo (LÉVY, 1999, p. 31). As redes de telecomunicações e os computadores constituem os alicerces tecnológicos das Comunicações Mediadas por Computador (doravante apenas CMC). “A Rede” é um termo informal para redes de computadores interligadas, utilizando a tecnologia de CMC para conectar pessoas. Com relação à leitura, Lévy (1999, p. 32) diz que “as tecnologias digitais surgiram, então, como infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas também novo mercado da informação e do conhecimento”. Ainda para Lévy (1999), as tecnologias digitais, em particular a internet, surgiram como pilares estruturais do ciberespaço criando novos canais de comunicação para as sociedades contemporâneas. O conceito de Sociedade da Informação surgiu com esse novo modelo de comunicação interativa. Para Jambeiro (2009, p. 21), as redes interativas de computadores cresceram – e continuam crescendo – em quantidade e extensão, favorecendo a criação de novos canais de sociabilidade, de expressão cultural, de participação social e política, e de operações econômicas e financeiras. Silva (1996, on-line) reforça que isto advém da capacidade que as Redes de Comunicação Mediada por Computador (RCMC) possuem de imitar/simular essas formas tradicionais, além da ideia elencada acima sobre o ciberespaço ser um elemento não dissociado da vida real dos usuários, mas algo que McLuhan (1969) chamaria de “extensão do homem”. 1.1

Histórico da Internet A Internet surgiu em 1969, nos Estados Unidos. Sua estruturação aconteceu no

período que se estende da década de 60 até a década de 80, antes de servir e se popularizar no espaço acadêmico. Segundo Rheingold (1996, p. 91), no decorrer da década de 80 as universidades passaram a dispor de um poder computacional significativo; todas as pessoas,


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já não apenas os estudantes de programação de ciências ou engenharia, começaram a utilizar computadores pessoais ligados em rede como parte integrante do seu trabalho intelectual. Em sua dissertação, Recuero (2002, p. 16) reforça dizendo que por muitos anos a internet foi de domínio acadêmico, só em 1994 que foi liberada para o uso comercial. (RECUERO, 2002) Depois que a Internet começou a ser comercializada a sua popularização foi rápida. Por esse motivo Recuero afirma que: No início da década de 80, a rede começou a espalhar-se pelo mundo através de redes menores, que eram incorporadas, e aperfeiçoou através do desenvolvimento de ferramentas e serviços para seu uso, tanto por parte daquelas que utilizavam a Rede, quanto daqueles que eram oficialmente, seus desenvolvedores. (RECUERO, 2002, p. 16).

De acordo com Recuero (2002, p. 16), redes menores começaram a surgir com ferramentas e serviços mais adequados para a formação e desenvolvimento de redes digitais virtuais, que ligam pessoas e grupos, independente de tempo e espaço, conectados pela tecnologia da CMC. A Internet é uma abreviação de International Network, ou seja, Rede Internacional. A Rede é um conjunto de servidores conectando vários computadores entre si. O computador de um usuário comum conecta em um provedor de acesso a internet, que se conecta a outro servidor, de uma forma sincrônica, permitindo que os computadores interconectados se comuniquem. A criação e o desenvolvimento da Internet é uma aventura humana extraordinária. Mostra a capacidade das pessoas de transcender as regras institucionais, superar barreiras burocráticas e subverter os valores estabelecidos no processo de criação de um novo mundo (CASTELLS, 2001, p. 23)6. A popularização do computador pessoal e a facilidade de acesso à internet consolidou, a partir do ano 2000, a cibercultura de massa contemporânea. Segundo dados da pesquisa dos indicadores-chave das TIC para os países desenvolvidos e em desenvolvimento e do mundo, existiam 394 milhões de usuários de internet no ano 2000 e em 2010 já se passou dos 2 bilhões de internautas (ANEXO A).

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No original “La creación y desarrollo de Internet es una extraordinaria aventura humana. Muestra la capacidad de las personas para trascender las reglas institucionales, superar las barreras burocráticas y subvertir los valores establecidos en el proceso de creación de un nuevo mundo” (CASTELLS, 2001, p. 23).


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1.1.1 A Infraestrutura do Ciberespaço Os elementos essenciais do surgimento das primeiras redes foram criados por indivíduos que acreditavam, pretendiam e inventaram formas de utilizar o computador para ampliar o pensamento e comunicação. A ideia inicial era dar condições para o número maior de pessoas com o menor custo possível (RHEINGOLD, 1996, p. 89). A primeira rede de computador de longa distância foi a ARPANET, que entrou em funcionamento em 1º de setembro de 1969 (CASTELLS, 1999, p. 82). A Advanced Research Projects Agency Network, ou Rede da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (doravante apenas ARPANET), foi financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na década de 60. A ARPANET inicialmente conectava máquinas da Universidade da Califórnia (campus Los Angeles e campus Santa Barbara) e a Universidade de Utah, e foi desenvolvido para facilitar a pesquisa nesses sites. Junto à ideia de compartilhar dados eletrônicos surgiu a ideia de comunicação entre usuários. ARPANET originalmente permitiu dois métodos de comunicação entre os usuários: e-mail e notícias (REID, 1991, on-line)7. Nos anos 60 e 70 a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) financiou a reformulação do processo de operação dos computadores. Segundo Rheingold (1996, p. 89): Com o auxílio de teclados, ecrãs, e gráficos, os indivíduos podiam interagir diretamente com os computadores, em vez de se submeterem ao moroso e arcaico ritual dos cartões perfurados e das respostas em papel.

De acordo com Castells (1999, p. 83), a certa altura tornou-se difícil separar a pesquisa voltada para fins militares das comunicações científicas e das conversas pessoais. Em 1983 houve uma divisão na rede entre ARPANET, dedicada a fins científicos, e a MILNET, para fins militares. Contudo, todas as redes usavam a ARPANET como espinhal dorsal do sistema de comunicação. Segundo Castells (1999, p. 83) a rede das redes que se formou durante a década de 80 chamava-se ARPA-INTERNET, depois passou a chamar-se INTERNET.

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No original “The first of these 'long-haul' networks was the ARPANET, which came into existence in 1969. This project was funded by the Advanced Research Projects Agency, an arm of the United States Department of Defence. ARPANET initially connected machines at the University of California (Los Angeles and Santa Barbara campuses) and the University of Utah, and was intended to facilitate research at those sites. Along the idea of sharing electronic data went the idea of communication between users. ARPANET originally allowed two methods of communication between users - email and news.” (REID, 1991).


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Tendo-se tornado tecnologicamente obsoleta depois de mais de vinte anos de serviços, a ARPANET encerrou atividades em 28 de fevereiro de 1990 (CASTELLS, 1999, p. 83). O advento da internet mudou o processo de comunicação da sociedade. Entre as mudanças, a mais significativa, para este trabalho, é a possibilidade de expressão e socialização através das ferramentas de Comunicação Mediada por Computador (CMC). Essas ferramentas permitiram que os atores pudessem interagir e se comunicar com outros atores (RECUERO, 2009, p. 24). Para Castells (2003, p. 8), a internet é um meio de comunicação que permite, pela primeira vez, a comunicação de muitos para muitos, num momento escolhido, em escala global. Para existir uma comunicação enquanto conectados uns aos outros, os computadores precisam ter uma linguagem comum. O idioma ou linguagem de computadores principal na rede é o protocolo8 TCP/IP, desenvolvido nos anos 70 na ARPA e usado pela primeira vez em 1983 na ARPANET, segundo Lemos (2002, p. 118). De acordo com Castells (1999, p. 84), o protocolo TCP/IP resultante tornou-se o padrão de comunicação entre computadores nos EUA em 1990. Castells (2003, p. 15) continua afirmando que o TCP/IP é “o padrão segundo o qual a Internet continua operando até hoje”. De acordo com Ercilia e Graeff (2008, p. 13), Esse protocolo é uma coleção de instruções que diz aos computadores conectados na internet como as informações devem ser trocadas para que os outros computadores possam “entende-las”. É como se fosse a língua falada por todos os computadores que fazem parte da rede.

Johnson (1997, p. 17) confirma e refere-se sobre softwares que dão forma à interação entre usuário e computador, dizendo que “para que a máquina da revolução digital ocorra, um computador deve também representar-se a si mesmo ao usuário, numa linguagem que este compreenda”. Até a década de 80 a comunicação na Internet acontecia apenas de forma assíncrona9 de e-mails e notícias, ou seja, a comunicação não era simultânea ou sincronizada. Apesar disso, encontrar programas que permitiam que dois usuários digitassem diretamente para as telas dos outros, de uma forma simultânea, conversando em tempo real, era comum. Este método de comunicação é, no entanto, bastante limitado, pois, apenas duas pessoas podem interagir entre si. Foi em resposta às limitações dos programas de comunicação síncrona, que !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 8

Na ciência da computação, um protocolo é uma convenção ou padrão que controla e possibilita uma conexão, comunicação ou transferência de dados entre dois sistemas computacionais. Protocolo de Internet (em inglês: Internet Protocol, ou o acrónimo IP) é um protocolo de comunicação usado entre duas ou mais máquinas em rede para encaminhamento dos dados. 9 “Que não se realiza ao mesmo tempo. ASSINCRÓNICO ≠ SIMULTÂNEO” (PRIBERAN, 2011).


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Jarkko Oikarinen decidiu escrever um programa de computador que permitia que vários utilizadores se comunicassem de forma simultânea através da rede. Este projeto ficou conhecido como o Internet Relay Chat (doravante apenas IRC), ou Conversa Retransmitida pela Internet (REID, 1991)10. Silva (1997, on-line) esclarece que: O IRC é sigla para Internet Relay Chat (Conversa Retransmitida pela Internet). Foi originalmente escrita por Jarkko Oikarinen em 1988. Desde o seu começo na Finlândia já tem sido usado em mais de 60 países pelo mundo. O IRC é um sistema de conversa multiusuário, onde as pessoas encontram se em "canais" (salas, locais virtuais, geralmente com um certo tópico de conversação) para conversar em grupos, ou privadamente. Nele não existe restrições em relação ao número de pessoas que podem participar em uma conversação, ou o número de canais que podem ser formados no IRC.

Essas características tornaram o IRC um dos protocolos de comunicação mais populares da rede. O finlandês Jarkko, dentro da Universidade de Oslo, lançou o mIRC, a primeira versão do programa cliente original do IRC, em agosto de 1988. No período da década de 80 e o início dos anos 90, a rede é aperfeiçoada e começam a surgir os serviços que dão à Internet sua feição atual. Segundo Castells (1999, p. 87), “um novo salto tecnológico permitiu a difusão da internet na sociedade em geral: a criação de um novo aplicativo, a teia mundial (World Wide Web – WWW)”. Conforme Castells (1999, p. 88), “a invenção da Web11 deu-se em 1990, na Europa, no Centre Européen Recherche Nucleaire (CERN) em Genebra, um dos principais centros de físicas do mundo”. Com a Web, a Internet se populariza entre os usuários de computador, sendo a principal estrutura da comunicação contemporânea. Até esse momento a Web ainda continuava tediosa. Buscando dar uma à Web a face gráfica, rica em meios de comunicação que faltava, Marc Andreessen, estudante universitário do National Center for Supercomputer Application (NCSA) disponibilizou o Mosaic gratuitamente na Web em 1993. Mosaic foi o primeiro navegador gráfico da Web rodado originalmente no sistema operacional Unix, mas que foi desenvolvido para rodar no Macintosh e Microsoft Windows posteriormente. Mais tarde Andreessen e sua equipe foram !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 10

No original “The most heavily used forms of inter-user communication on the Internet are still the asynchronous forms of email and news. On most computers on the Internet synchronous communication is possible using a program that enables two users to type directly to each other's screens, thus having a real-time electronically mediated conversation. This method of communication is, however, fairly limited - only two people can 'talk' to each other at once. It was in response to the limitations of the synchronous communication programs in existence that Jarkko Oikarinen decided to write a computer program that would enable multiple users to engage in synchronous communication across a network. This project was known as Internet Relay Chat.” (REID, 1991, on-line).! 11 A World Wide Web (que em português significa, "Rede de alcance mundial"; também conhecida como Web e WWW) é um sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet.


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convidados por um lendário empresário do Vale do Silício, Jim Clark, a juntos fundarem a Netscape Communications Corporation, que produziu e comercializou o primeiro navegador digno de confiança e tornou-se um dos principais navegadores da década de noventa (CASTELLS, 1999, p. 89). Após a Internet ser liberada para o uso comercial em 1994, de acordo com Recuero (2002), os usuários que queriam se comunicar uns com os outros, se conectavam por meio da linha telefônica nos provedores que os permitiam ter acesso à Internet. No início dos anos noventa muitos provedores de serviços da Internet construíram suas próprias redes e estabeleceram suas próprias portas de comunicação em bases comerciais. Desde aquela época, a Internet cresceu rapidamente como uma rede global de redes de computadores. Sob estas condições, foi possível expandir a rede com a adição de novos nós e reconfigurações infinitas da rede para acomodar necessidades de comunicação (CASTELLS, 2001, p. 26)12. Segundo Castells (2001), o espaço e o tempo do ciberespaço depois das inovações tecnológicas foram ajustados pela cibercultura em formação, onde a comunicação começou a acontecer de muitos para muitos e a localização geográfica por hora foi dispensada. Baudrillard (1994, p. 1 apud CARVALHO, 2006 p. 5) aponta que, “(...) a aceleração da modernidade, da tecnologia, dos acontecimentos e dos meios de comunicação, de todas as trocas econômicas, políticas e sexuais - propeliu-nos a uma ‘velocidade de escape’, com a qual voamos livres da esfera referencial do real e da história”. A internet é a espinha dorsal da comunicação global mediada por computadores, é a rede que liga maior parte das redes (CASTELL, 1999, p. 431). A internet deixa de ser uma ferramenta apenas de uso dos acadêmicos e militares para se transformar em uma verdadeira rede internacional. 1.2

Cibercultura A cibercultura é o espaço social criado pela sociedade contemporânea a partir do

advento das TICS. Lévy (1999, p. 17) conceitua a cibercultura como o “conjunto de técnicas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 12

No original “A principios de los noventa, una serie de proveedores de servicios Internet (Internet Service Providers) construyeron sus propias redes y establecieron pasarelas (gateways) propias con fines comerciales. A partir de ese momento, Internet comenzó a desarrollarse rápidamente, como una red global de redes informáticas, desarrollo propiciado por el diseño original de ARPANET, basado en una arquitectura descentralizada de varias capas (layers) y protocolos abiertos de comunicación. En estas condiciones, se pudo ampliar la red gracias a la incorporación de nuevos nodos e infinitas reconfiguraciones de la misma para ir acomodándola a las necesidades de comunicación” (CASTELLS, 2001, p. 26).!


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(materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos, de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. Ainda de acordo com Lévy (1999, p. 147) os mundos virtuais podem eventualmente ser enriquecidos e percorridos coletivamente. Tornam-se, nesse caso, um lugar de encontro e de meio de comunicação entre seus participantes. A cultura tecnológica que envolve a sociedade, a interação entre seus atores e o domínio de uma técnica são características de uma cultura cibernética. As relações mediadas por computador difundiram-se a ponto de acreditarmos que a humanidade adquiriu uma nova cultura, a cibercultura. Segundo Lemos (2002, p. 109), a sociedade contemporânea vai aproveitar o potencial comunicativo, associativo, ou simplesmente agregador dessa nova tecnologia. Se os radicais que criaram os microcomputadores na década de 70 propunham a informática para todos, os internautas da década de noventa propõem a conexão generalizada. A microinformática, berço da cibercultura, surge na sinergia da qual falávamos entre a sociedade e as tecnologias digitais. Ainda reforça Lemos (2002, p. 110) dizendo que a interface gráfica e as novas formas de

interação

homem-máquina

foram

decisivas

para

a

apropriação

social

dos

microcomputadores. Lemos (2003, p. 11) afirma que "podemos entender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70". Castells (2003, p. 7) conclui dizendo que se a tecnologia da informação é hoje o que a eletricidade foi na Era Industrial, em nossa época a Internet poderia ser equiparada tanto a uma rede elétrica quanto ao motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação por todo o domínio da atividade humana. 1.3

O advento das Redes Sociais e os elementos que as estruturam A partir das inovações das TICS e o advento das redes sociais na internet que várias

comunidades virtuais na década de noventa foram fundadas. As redes sociais na sociedade contemporânea são definidas como agrupamentos criados a partir das interações dos seus atores no ambiente virtual. De acordo com Castells (2003, p. 7) “uma rede é um conjunto de nós interconectados. A formação de redes é uma


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prática humana muito antiga, mas as redes ganharam vida nova em nosso tempo transformando-se em redes de informação energizadas pela internet (...)”. Uma rede é uma metáfora para observar os padrões de conexão entre os diversos atores. Recuero (2009, p. 24) destaca que: Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais) (Wasserman e Faust, 1994, Degenne e Forsé, 1999 apud RECUERO, 2009, p. 24).

As redes sociais na internet possuem elementos característicos, que servem como base para as comunicações (RECUERO, 2009, p. 25). Esses elementos são fundamentais para a formação de redes sociais na internet. 1.3.1 Atores Os primeiros elementos das redes sociais são os atores, representados como os nós (ou nodos). São pessoas que fazem parte do sistema e atuam de forma a moldar as estruturas sociais, através da interação e da constituição de laços sociais (RECUERO, 2009, p. 25). Ainda para Recuero (2009), por causa do distanciamento entre os envolvidos na interação social, principal característica da CMC, os atores não são imediatamente discerníveis e por isso são constituídos de maneira diferente. Por esse motivo, os atores sociais são analisados a partir das suas representações virtuais, ou com construções identidárias no ciberespaço. Ou seja, um ator pode ser representado por um nickname, por um weblog13, por um perfil no Twitter ou mesmo por um perfil em websites de redes sociais. O perfil é uma característica importante. Hoje os textos das identidades são muito mais explicativos, o que não existia antes. Essas construções identidárias não são os atores sociais, mas representações desses atores sociais. São como para Recuero (2009, p. 25), “espaços de interação, lugares de fala, construídos pelos atores de forma a expressar elementos de sua personalidade ou individualidade”. A autora reforça dizendo que esse é o primeiro passo para a formação da expressão pessoal ou pessoalizada na Internet. Sibilia e Lemos (2003, 2004 e 2002b apud RECUERO, 2009, p. 26), por exemplo, “demonstraram como alguns weblog trabalham !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 13

Weblog ou diário da Web é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do weblog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.


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aspectos da ‘construção de si’ e da ‘narração do eu’”. Como isso, podemos dizer que essa representação virtual é o espaço do outro no ciberespaço. Assim, entender como os atores constroem esses espaços de expressão é também essencial para compreender como as conexões são estabelecidas. Se os atores representam os nós da rede, em termos gerais, as conexões são constituídas dos laços sociais formados através da interação social entre esses atores. De acordo com Recuero (2009, p. 30), essas interações, na internet, são percebidas graças à possibilidade de manter os rastros sociais dos indivíduos que permanecem ali. Um comentário em um weblog, por exemplo, é uma forma de rastro social. Ele permanece ali até que alguém o apague ou o weblog seja desativado, como acontece na maior parte das interações na mediação do computador. 1.3.2 Interação, relação e laços sociais A interação, as relações e os laços sociais são os elementos de conexão das redes sociais. A interação seria como matéria prima das relações e laços sociais. Recuero (2009) explica que a interação depende da reação do outro e há orientação com relação às expectativas. Na conversação, por exemplo, onde a ação de um ator social depende da percepção do que o outro está dizendo ou transferindo. Ou seja, a interação necessita sempre de uma reciprocidade entre os envolvidos. A interação social na internet pode dar-se de forma síncrona, como o IRC, ou assíncrona, como o e-mail. Os canais de chat ou os programas de mensagens instantâneas são exemplos de ferramentas sincrônicas. O e-mail é um exemplo de comunicação assíncrona, pois a expectativa de resposta não é imediata. Ressalta Recuero (2009, p. 36): (...) a interação mediada por computador é também geradora e mantenedora de relações complexas e de tipos de valores que constroem e mantêm as redes sociais na Internet. Mas do que isso, a interação mediada pelo computador é geradora de relações sociais que, por sua vez, vão gerar laços sociais.

Recuero (2009) explica que essas interações mediadas por computadores são os laços sociais que geram as relações criadas na Internet. Primo (2011, p. 117) confirma dizendo que “os relacionamentos são construídos e modificados socialmente através das ações recíprocas dos membros relacionais”. Rogers (1998, p. 79 apud PRIMO, 2011, p 117) também defende afirmando que relacionamentos são definidos como “estruturações sociais emergentes criadas


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conjuntamente pelos membros no processo mutuamente influente, inter-relacionado de comunicação”. O ambiente virtual permite interação e compartilhamento de informações com vários usuários da rede. Nesse sentido, desenvolvedores criaram ferramentas de CMCs e compartilharam na Internet como suporte para interações on-lines, que facilitavam a relação dos usuários com a Web e permitiam que laços sociais se formassem. 1.4

Ferramentas de Comunicação Mediadas por Computador As ferramentas de comunicação mediadas por computador são, como para Mcluhan

(1969), extensões do homem. Sem a mediação humana as ferramentas e a própria internet seriam desnecessárias. As ferramentas de CMC foram inventadas para servirem a vontade dos seus utilizadores. A tecnologia de comunicação mediada por computador oferece uma alternativa a estas comunicações que usam computadores e redes de telecomunicações para compor, armazenar, entregar suas informações (REID, 1991, on-line)14. Essas ferramentas de comunicação, ou instrumentos comunitários, são, segundo Lemos (2002, p. 147), “(...) instrumentos que ajudam a criar formas de agregações sociais nas redes (...)”. As inovações tecnológicas modificaram e modificam as ferramentas de comunicação no decorrer dos anos. É importante descrever algumas das principais ferramentas de CMC para entender sua importância para a comunicação da sociedade contemporânea. 1.4.1 Correio Eletrônico Não podemos imaginar um mundo sem o popular e-mail. Ter uma conta de e-mail nesse ciberespaço se tornou obrigatório. O fluxo de mensagens pelo correio eletrônico já superou o correio tradicional (LEMOS, 2002, p. 147). O electronic mail ou correio eletrônico (doravante apenas e-mail) é o serviço mais usado no ciberespaço, permitindo a troca de informação escrita (e também envio de arquivos, imagens, vídeos, softwares etc.) cuja transmissão é mais rápida do que o correio tradicional (LEMOS, 2002, p. 147). !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 14

No original “The technology of computer-mediated communication offers an alternative to this. Computermediated communications systems (CMCS's) use computers and telecommunications networks to compose, store, deliver and process communication”. (REID, 1991, on-line).


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Para Lévy (1999, p. 97) cada pessoa ligada a uma rede de computadores pode ter uma caixa postal eletrônica identificada por um endereço especial, receber mensagens enviadas por seus correspondentes e enviar mensagem a todos aqueles que possuam um endereço eletrônico acessível através de sua rede. 1.4.2 BBS Os Bulletin Board System (doravante apenas BBS), ou Sistema de Quadro de Avisos, são redes de computadores comunitárias e independentes de uma grande rede telemática, foram criados na década de 70, interligando computadores com uma velocidade de transferência da ordem de 100 bits15 por segundo. Então Lemos (2002, p. 149) reforça dizendo que os BBSs são “redes independentes que unem, pela linha telefônica e através de um modem, computadores”. Para Castells (1999, p. 87), os BBSs não precisavam das redes sofisticadas de computadores, só de PCs, modems e linha telefônica. Assim, tonaram-se os fóruns eletrônicos de todos os tipos de interesses e afinidades, criando o que Howard Rheingold chamava de “comunidades virtuais”. 1.4.3 Bate-papo Os chats ou bate-papos, por exemplo, o IRC, são uma técnica de comunicação que permite o diálogo direto, em tempo real, sincrônico, entre usuários. A comunicação síncrona modificou o processo de comunicação do ciberespaço. Antes, na forma assíncrona, as informações chegavam ao receptor em qualquer momento, sem existir uma sincronia entre ambos, ou seja, a espera do feedback era dispensável. Como é o caso do e-mail, o seu emissor não espera a resposta do receptor logo em seguida do envio da mensagem. 1.4.4 Navegador

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Bit (simplificação para dígito binário ou binary digit) é a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Um bit pode assumir somente 2 valores, por exemplo: 0 ou 1, verdadeiro ou falso. Atualmente a velocidade de transmissão da Internet no Brasil é de até 200.000 bits (20 mbps) por segundo.


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Um navegador ou browser (doravante apenas navegador) é um programa que permite seus usuários interajam com documentos HTML16 hospedados em um servidor Web. Os navegadores mais populares atualmente são: Mozilla Firefox, Google Chrome, Internet Explorer, Safari, entre outros (Figura 1). Figura 1 – NAVEGADORES MAIS UTILIZADOS NA INTERNET, 2008-2011. Safari, 5,95%

Opera, 1,73%

Chrome, 25,26%

Internet Explorer, 40,50%

Firefox, 25,90%

StatCounter Global Stats, 2011. O uso de navegadores para facilitar a usabilidade da Internet consolidou o segmento e sua aplicação se tornou comum nos computadores mundiais. 1.4.5 Weblog e microblogging Os weblogs17 e os microbloggings18 são uma forma de expressão baseadas nas trocas sociais constantes realizadas pela interação social e pela conversação através da mediação do computador. Essas redes sociais na internet são classificadas como do tipo emergentes por se formarem a partir das interações entre os atores sociais. Segundo RECUERO (2009, p. 94), !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 16

HTML é uma linguagem de marcação utilizada para produzir páginas na Web. Documentos HTML podem ser interpretados por navegadores. A tecnologia surgiu da fusão dos padrões HyTime e SGML. 17 Um blog é um website cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do espaço. 18 Micro-blogging é uma forma de publicação de blog que permite aos usuários que façam atualizações breves de texto (geralmente com menos de 200 caracteres) e publicá-las para que sejam vistas publicamente ou apenas por um grupo restrito escolhido pelo usuário. Estes textos podem ser enviados por uma diversidade de meios tais como SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, MP3 ou pela Web. O serviço de micro-blogging mais popular chama-se Twitter, lançado em 2006.!


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“essa forma seria caracterizada pela construção do grupo através da interação, por exemplo, nos comentários de um weblog ou Fotolog.” Recuero (2009, p.95) diz também que uma rede só é classificada como emergente quando ela é constantemente construída e reconstruída através das suas trocas sociais. Essas redes são normalmente de volume menor, pois a quantidade de comentários recíprocos é concentrada em poucos nós, tanto pelo custo de investimento, quanto pelo tempo necessário para que as trocas sociais aconteçam. Os sistemas de weblogs e microblogging mais populares atualmente são: Twitter, Wordpress, Blogger e outros (Figura 1). Segundo Recuero (2009, p. 95), essas redes são mantidas pelo interesse dos atores em fazer amigos e dividir suporte social, confiança e reciprocidade. Alguns sistemas de criação e edição de blogs dispensam o conhecimento de HTML disponibilizando ferramentas próprias para publicação e interação com seus visitantes. A construção desses laços de certa forma é estabelecida pelo tempo disponível do criador do weblog para as interações. 1.4.6 Website de rede social Os websites de redes sociais são classificados como softwares sociais, que seriam softwares com aplicação direta para a comunicação mediada por computador. Os sistemas de redes sociais baseados nos navegadores, conhecidos como websites de redes sociais, são ferramentas que identificam seus usuários pelos seus perfis. O acesso a esse tipo de sistema é normalmente possível com um login e senha que são vinculados ao perfil (RECUERO, 2009, p. 28). As interações públicas que aconteciam no IRC foram substituídas por interações privativas, que seus atores para se relacionarem com pessoas, moderam o acesso das suas informações compartilhadas. Os perfis exibem as informações que o usuário pretende compartilhar e permite o ajuste da profundidade da interação que eles procuram nessas redes. Esses ajustes são chamados de opções de privacidade, item fundamental para a segurança dos usos dessas ferramentas pela sociedade contemporânea. O surgimento de ferramentas mais especializadas para interações sociais na internet permitiu que formas mais complexa de expressão dos atores emergissem. Segundo Recuero (2009. p. 29), um perfil no Orkut, por exemplo, é mais complexo em termos de representação do que um nickname no IRC.


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O website de rede social mais popular da Internet atualmente é o Facebook, seguido do Twitter, Youtube e outros (Figura 2).

Figura 2 – PERCENTUAL DE PREFERÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NA INTERNET, 2009-2011.

StatCounter Global Stats, 2011. O surgimento da Internet trouxe diversas inovações para a sociedade. A mais significativa para este trabalho foi a adaptação rápida desses atores com essa tecnologia que possibilitou a interação entre ferramentas e pessoas no ambiente virtual, permitindo assim, que relacionamentos sólidos fossem criados e mantidos. A infraestrutura que permitiu o surgimento da Internet, a formação da cibercultura, os elementos que estruturam as redes sociais e suas ferramentas, são fundamentais para o entendimento geral do propósito deste trabalho assim como ajuda a contextualizar as interações demonstradas nos próximos capítulos.


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CAPÍTULO 2 – REDES SOCIAIS NA INTERNET Muitos autores ressaltam a importância da comunicação mediada por computador e como ela está afetando a sociedade e a vida das pessoas. A CMC modificou o espaço e o tempo da comunicação contemporânea e alterou as relações entre as várias partes da sociedade, transformando a ideia de comunidade. Por isso, muitos autores definem as novas comunidades, criadas inseridas nas CMC por “comunidades virtuais” (REID, 1991, RHEINGOLD, 1996, LÉVY, 1999, CASTELLS, 1999, JOHNSON, 2001, LEMOS, 2002, RECUERO, 2009, entre outros). Para Recuero (2009, p. 24) a principal mudança da sociedade contemporânea é a possibilidade de expressão e sociabilização através das ferramentas de Comunicação Mediada pelo Computador (CMC). 2.1

Comunidade virtual “Comunidade virtual” é o termo utilizado para os agrupamentos humanos que surgem

no ciberespaço, através da comunicação mediada por computador. De acordo com Rheingold (1996, p.18 apud RECUERO, 2009, p. 137), um dos primeiros autores a utilizar o termo “comunidade virtual”, define-a como os agregados sociais surgidos na rede, quando os intervenientes de um debate o levam por diante em número e sentimento suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço. Para Rheingold (1996), as comunidades virtuais são os agrupamentos de usuários surgidos na internet, utilizando dos laços sociais criados no ciberespaço para constituir suas relações sociais virtuais. Para se formar uma comunidade virtual são necessários elementos principais, como as discussões públicas, o tempo das interações e o sentimento agregador. Esses elementos, combinados no ambiente do ciberespaço, podem ser formadores de redes de relacionamentos (redes sociais) na internet, constituindo-se em comunidades virtuais (RHEINGOLD, 1995).


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2.2

Comunicação Mediada por Computador A Comunicação Mediada por Computador (daqui por diante referida como CMC) é a

forma que permite os computadores interagirem entre si utilizando a internet como canal de comunicação. De acordo com Reid (1991, on-line apud RECUERO, 2002, p. 14), a Comunicação Mediada por Computador represente uma grande quebra de paradigma da comunicação contemporânea: Apesar das inovações recentes do rádio e das telecomunicações, teóricos da comunicação e da linguagem fazer uma profunda distinção entre a palavra escrita e a falada. Esta distinção é baseada na percepção de tempo e espaço, no caso de comunicação falada, e na distância, no caso da comunicação escrita.19

Para Reid (1991, on-line) o paradigma da linguagem oral é a proximidade física entre seus interlocutores. Na visão de Reid (1991), o telefone e as cartas são elementos apenas complementares da comunicação face-a-face. Ainda para Reid (1991), o contato pessoal é uma parte essencial da comunicação entre as pessoas e do estabelecimento das relações dela derivadas (RECUERO, 2002, p. 15). A CMC oferece uma alternativa a essa prerrogativa. O rompimento da barreira de espaço e de tempo da comunicação, oral e escrita, formou um novo tipo, híbrido, de comunicação. Os bate-papos são um exemplo dessa hibridização, como demostraremos neste trabalho. 2.3

Ciberespaço O ciberespaço é o espaço onde acontecem as interações que originarão a comunidade

virtual. O espaço virtual constituiu-se como um novo espaço de sociabilidade (RECUERO, 2002, p. 17). Segundo Rheingold (1993, on-line) “computadores, modems, e redes de comunicação fornecem a infraestrutura tecnológica da CMC. O ciberespaço é o espaço conceitual onde as palavras e as relações humanas, dados, prosperidade e poder são manifestados pelas pessoas usando a tecnologia da CMC”.20 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 19

No original “Despite the recent innovations of radio and telecommunications, communication and language theorists make a sharp distinction between the spoken and the written word.”(REID, 1991). 20 No original “Computers, modems, and communication networks furnish the technological infrastructure of computer-mediated communication (CMC); cyberspace is the conceptual space where words and human


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De acordo com Lévy (1999, p. 94) o ciberespaço é definido como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. Ainda para Lévy (1999, p. 17) o termo ciberespaço especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Os conceitos de Lévy e Rheingold colocaram o ciberespaço como um lugar de circulação de informação, um espaço de comunicação mediada por computador. Essas ideias são fundamentais para os estudos de redes sociais na internet, uma vez que as comunidades virtuais, por surgirem no ciberespaço, funcionam como um aglomerado de informações, uma grande quantidade de trocas comunicativas individuais (RECUERO, 2002, p. 20). A ideia de Lemos (2002, p. 127) para ciberespaço é como um conjunto de redes de telecomunicações criadas com o processo digital de circulação das informações. O termo ciberespaço foi inventado pelo escritor de ficção cientifica William Gibson no seu livro titulado como Neuromancer, um clássico cyberpunk. Editado em 1984, o livro fala do futuro, que é uma rede internacional, a Matrix, que é o ambiente de interação dos homens e programas de computador. Gibson (1984) reforça dizendo que o ciberespaço é um ambiente não físico ou territorial, composto por um conjunto de redes de computadores através das quais todas as informações circulam (LEMOS, 2002, p. 127). 2.4

O IRC O Internet Relay Chat (doravante apenas IRC) ou “Conversa Retransmitida pela

Internet” é um conjunto de espaços de sociabilidade na contemporaneidade, onde o tempo e o espaço não são fundamentais, onde a identidade não é obrigatória, lugar de interações no ambiente virtual. De acordo com Recuero (2009, p. 177), o IRC foi um dos protocolos de comunicação mais populares da rede na década de 90. Foi em 1988 que Jarkko Oikarinen, dentro da Universidade de Oslo, escreveu o programa original do IRC, uma ferramenta multiusuário de comunicação em tempo real, em modo síncrono, desenvolvida para trabalhar usando a internet (RHEINGBOLD, 1996, p. 222). Segundo Rheingold (1996, p. 222-223), o primeiro teste do programa foi efetuado com uma comunidade local de vinte utilizadores, sendo instalado a seguir progressivamente em !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! relationships, data and wealth and power are manifested by people using CMC technology.” (RHEINGOLD, 1993, on-line).!


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toda a rede finlandesa e, por fim, na parte escandinava da Internet. O IRC – tanto o software propriamente dito como a sua fama – começou a propagar-se por toda a Internet em finais de 1988. No início da década de noventa existiam já centenas de canais e milhares de indivíduos a conversar através da rede, vinte e quatro horas por dia. Para Lemos (2002, p. 151), “os usuários do IRC seguem regras, rituais e estilos de comunicação que os constituem como uma verdadeira cultura, um fenômeno social inegável”. A ideia de canais no IRC tornou possível que as pessoas interagissem a discussões específicas, dentro de canais específicos. As discussões através do IRC fazem uso do conceito de trilha de conversação (canais, chats, sala de bate-papo, etc.), onde mensagens aparecem nas telas dos computadores dos usuários conectados nas redes do IRC de forma síncrona. De acordo com Recuero (2009, p. 177), por se tratar de um serviço que permite uma comunicação simultânea entre dois ou mais usuários independentemente da localização geográfica, o IRC, criado por Oikarinen, se popularizou na maioria dos computadores pessoais da época com internet, proveniente do Kit de Acesso21 distribuído pelos provedores de acesso e os downloads do seu programa no site oficial. Ao longo dos anos noventa muitos servidores22 de IRC surgiram com o conceito de agrupar usuários buscando se comunicar no ciberespaço, os principais servidores de IRC são: BrasIRC, BrasNET, Efnet, entre outros. Os servidores permitem a qualquer pessoa que controle um computador com linha telefônica e modem, acesso a rede. A divisão de redes se dava por seus interesses e interessados, as regras estabelecidas em cada servidor limitavam os seus utilizadores. Por volta de 1995 foram fundadas por usuários brasileiros os primeiros servidores de IRC, criando a infraestrutura para as ciberculturas em formação. No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o IRC ficou tão popular que se tornou o principal meio de bate-papo da internet, conectando milhares de usuários diariamente. Existiram tentativas de se criar o mesmo sistema em Java, mas sua capacidade de gerenciamento e a forma como os usuários interagiam mostrava o IRC como insuperável. O IRC não foi especificamente projetado para um ambiente de negócios, usa utilidade é decidida por aqueles que o usam (REID, 1991, on-line)23. As discussões que se formam no ciberespaço são criadas de maneiras variadas. Basta procurar o tema de interesse e acessar o seu canal especializado. De acordo com Rheingold (1996, p. 221), as milhares de pessoas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 21

Kit de Acesso à internet era um composto pré-instalado pelos provedores autorizados contendo as principais ferramentas de acesso à comunicação digital da época. 22 Em informática, um servidor é um sistema de computação que fornece serviços a uma rede de computadores. 23 No original “IRC was not specifically designed for a business environment - the use to which it is put is entirely decided by those who use it”. (REID, 1991, on-line)!


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conectadas simultaneamente no IRC ou em um determinado canal, distribuem uma diversidade de tópicos do erudito ao obsceno. O cliente24 de IRC mais popular é o mIRC, sendo amplamente utilizado por ser simples de manipular e tem uma interface fácil para iniciantes, sendo de fácil aprendizado pelas mentes jovens da década de noventa. Figura 3 – PROGRAMA MIRC.

Elaboração do autor. Por ter suporte à linguagem de scripts25, o mIRC permite que programadores criem variações do software26. Existem variações já traduzidas para o português e com recursos que visam facilitar o uso dos usuários brasileiros. Por sua facilidade, surgiram também muitos jogos em canais do IRC, de enquetes e jogo da forca via texto, mais uma forma de entretenimento e interação. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 24

Um Cliente de IRC é um programa responsável por ligar um computador cliente a um servidor de IRC, permitindo assim que o utilizador possa usar facilmente o protocolo IRC. O mais conhecido cliente de IRC é o mIRC. 25 Linguagem de script (também conhecido como linguagem de scripting, ou linguagem de extensão) são linguagens de programação executadas do interior de programas e/ou de outras linguagens de programação, não se restringindo a esses ambientes. 26 O Software é uma aplicação, um programa do computador, que permite executar uma determinada tarefa.!


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Seu ápice se deu no Brasil por volta de 2001, onde suas redes concorrentes, BrasIRC e BrasNET, já superavam-se com recorde de usuários conectados ativos. Sua decadência se deu por volta de 2003, quando os Mensageiros Instantâneos (IMs) já eram comuns nos computadores dos usuários da internet, permitindo conversas particulares, entre outros recursos que o IRC não suportava. O Messenger (doravante apenas MSN), cliente de comunicações da Microsoft, foi o concorrente direto do IRC, pois permitia videoconferências via webcams e voz, integrando automaticamente o e-mail do Hotmail, games do portal MSN e grupos de sala de bate-papos com recursos mais inovadores. Com o lançamento da ferramenta de rede social Orkut, o IRC foi perdendo adeptos por todo o mundo, enfraquecendo os servidores de IRC brasileiros. A partir disso, o Orkut veio com um “novo” conceito, perfis audiovisuais, que permitia que seus utilizadores se renuíssem em comunidades de interesses particulares e acesso totalmente via Web, sem necessitar de um cliente instalado em cada computador. O surgimento do MSN somado com o do Orkut findou a Era IRC no Brasil e desde 2004 seu uso se faz por especialistas, empresas que trabalham com ambientes de código aberto, servidores com poucos usuários etc. Já no exterior, os maiores concorrentes diretos do IRC foram os fóruns baseados na linguagem de programação PHP, apesar do IRC atualmente ter relevância em outros países. Os usuários trocavam informações nos fóruns via web e batiam papo via Messenger27. O mIRC passa a ser uma ferramenta ultrapassada de comunicação digital. Atualmente o IRC detém milhares de redes ativas por todo mundo. O uso do IRC se restringiu a fins mais específicos, como os canais de IRC que realizam transferência de arquivos entre usuários, semelhantes ao conceito do peer-to-peer28. Muitas variações do sistema operacional Linux29 utilizam o IRC para dar suporte aos seus consumidores, como a Ubuntu, RedHat, Debian, Slackware, Fedora, etc. O IRC foi desenvolvido para facilitar a comunicação da Geração Y em formação. Apesar de criado no início da Era Digital como instrumento facilitador, o IRC era tão completo como ferramentas de comunicação que se mostrava muito técnico em alguns aspectos, com isso, seu uso total, de certa forma, era impossível e desnecessário. Ercilia e Graeff (2008, p. 62) reforçam dizendo que “o IRC é o tipo de bate-papo mais antigo da Internet”. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 27

MSN Messenger é um programa de mensagens instantâneas criadas pela Microsoft Corporation. Peer-to-Peer (do inglês: par-a-par), entre pares (ponto a ponto), é a troca de informações entre dois pontos. 29 Linux é um sistema operacional, programa responsável pelo funcionamento do computador, que faz a comunicação entre hardware (impressora, monitor, mouse, teclado) e software (aplicativos em geral). 28


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Hoje, a maior rede de IRC do mundo, em volume de usuários, é a Quakenet, seguida pela IRCNet, Undernet, EFnet e Freenode segundos dados de serviços de estatísticas30 de servidores. A Freenode, por exemplo, foi criada para abrigar projetos de software livre. Existe mais de meio milhão de usuários ativos de IRC no mundo atualmente, número relevante, por se tratar, na sua maioria, de esforços privados. Todos estes dados foram retirados no endereço eletrônico “http://irc.netsplit.de/networks/”. 2.4.1 Linguagem no IRC Os usuários do IRC possuem uma cultura própria, com vários tipos de formas para aperfeiçoar a comunicação e evitar falhas de interpretação no decorrer da conversa. Como a comunicação do IRC acontece em tempo real, igual uma conversa cara-a-cara, todos os participantes procuram passar a mensagem de forma compacta usando o menor volume de caracteres. De acordo com Primo (2011, p. 123) “a recorrência de eventos, portanto, contribui para a sincronia interativa. Isso lembra aqueles grupos de parceiros em um canal de IRC que por interagirem com muita frequência já desenvolveram um linguajar todo próprio”. Essa afirmação demonstra como era alta a sincronia dos integrantes do grupo que foi desenvolvida através da frequência de encontros na rede IRC. A CMC transforma os bate-papos em laboratórios de desenvolvimento de linguagem, simbologia e significação da internet. Isso porque ali a linguagem precisa ser dinâmica para que a comunicação se efetue com sucesso, pois o bate-papo simula uma conversação real, simultânea (RECUERO, on-line). O IRC, protocolo de comunicação analisado aqui neste trabalho, possibilita um sistema de comunicação síncrono, onde é permitido conversar em de modo público ou privado, com uma ou várias pessoas, em determinados canais.

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Ranking dos principais servidores do IRC ordenados pelo número de usuários. Disponível em: <http://irc.netsplit.de/networks/>. Acesso em: 08 novembro 2011, 00:41:23.!


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2.4.2 As Redes do IRC O Brasil possui redes de IRC31. Redes de IRC são aglomeradas de pequenas redes interligadas entre si para formar uma rede maior e completa. Pode-se dizer que as redes são os ambientes básicos das interações dos usuários, pois elas permitem que vários usuários se comuniquem, sem a necessidade de se conectar através do mesmo servidor. Em 1996, o IRC surgiu no Brasil com três redes distintas: a BrasIRC, a BRASnet e a RedeBrasil. A cibercultura formada no ambiente do IRC serviu de base para os agrupamentos de pessoas na internet. Essa cibercultura ou “cultura da internet”, como esclarece Castells (2003), possibilitou a capacidade de interação por redes sociais de todos os tipos e levou à formação de comunidades on-line que reinventaram a sociedade e, nesse processo, expandiram espetacularmente a comunicação mediada por computadores em seu alcance e em seus usos. Esses usuários pioneiros da Internet utilizaram a rede para suas vidas pessoais, em vez de praticar a tecnologia pela tecnologia, isso acontece por que essa geração adotou valores tecnológicos, e se apoiaram em uma “crença hacker” no valor da liberdade, na comunicação mediada por comutador e na conexão interativa (CASTELLS, 2003, p. 53). No início do século XXI o IRC era o meio de comunicação mediado por computador mais popular da rede. Em 2001 as redes do IRC estavam funcionando com força total, usuários conectavam para interagir diariamente. Os problemas começaram com as constantes falhas dos servidores (netsplits), normalmente por conta de ataques hackers, os usuários acabavam solitários e perdidos no canal. Procurando por uma solução os usuários do IRC começaram a usar o MSN para descobrir informações dos servidores do IRC. No início, essa era a função do mensageiro instantâneo, dar suporte para as redes do IRC basicamente. Com o passar do tempo, a facilidade do MSN aliada a segurança aumentou a popularidade dos mensageiros instantâneos. 2.5

O Grupo Zero A formação de agrupamentos de pessoas no ciberespaço depende, basicamente, de

ferramentas que facilitem a comunicação e o interesse por se comunicar. O Grupo Zero ou Canal #Zero, fundado na década de noventa que utilizava o IRC como ferramenta de comunicação digital, em Belém do Pará. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 31

Segundo dados do site SearchIRC as redes do Brasil são as maiores da América do Sul.


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A década de 90 foi marcada pelas inovações tecnológicas das mídias e os usos dados para as novas ferramentas. Em 1995 foi lançado um filme titulado “Hackers - Piratas de Computador”, onde um adolescente conhecido como Zero Cool (Jonny Lee Miller) é uma lenda entre os hackers, pois com apenas 11 anos ele inutilizou 1507 computadores em Wall Street. Influenciado por esse ambiente de liberdade e acesso a tecnologia o conceito do Zero foi criado. Éramos como hackers atrás das telas dos computadores nos comunicando com outras telas por todo o mundo apenas usando a linha telefônica. Fazíamos o uso do nickname ZeroCool, porém esse uso era muito requisitado na rede por vários usuários, não permitindo existir um identidade sólida. A busca por um codinome singular levou o criador do grupo Zero ao nickname ZeroNinja. O filme “Hackers” foi bastante popular, deixando uma legião de utilizadores do seu nickname, onde permitiu identificar outras variações do codinome ZeroCool na rede. A ideia de formar um grupo nasceu quando cursávamos o primeiro ano do ensino médio. Dentro de uma sala de aula foram apresentados dois “Zeros”, que até então não eram de nem um grupo específico: ZeroNinja (este pesquisador) e ZeroDegree. Inicialmente o grupo Zero foi formado por estudantes em busca de contato com familiares e/ou amigos. Nesse período, a forma de comunicação mais popular era a televisão, seguido do celular e a novidade: a internet. A rede permitiu que vários laços fossem estabelecidos. O encontro de jovens na Internet ficou popular criando vários grupos, o Zero é um desses grupos criados nos berços da cibercultura emergente. O Grupo Zero foi fundado pelos usuários ZeroNinja, ZeroDegree e ZeroKos. O canal tinha como masters e usuários operadores como o ZeroVodka, ZeroSamuray, ZeroRenatinha, ZeroAnnaCarla, ZeroBambole e outros, que tinham a função de manter a ordem no canal e organizar os encontros de usuários. Com isso surgiu os “Zeros” na rede do IRC. Com o surgimento do grupo se tornou fundamental ter um ambiente próprio criando a necessidade de se registrar um canal na rede IRC. O canal criado foi o “#Zero”. Utilizando os códigos do IRC para entrar em um canal, digita-se “/join #Zero”. Esse canal do IRC se tornou o ambiente das interações virtuais do Grupo Zero. 2.5.1 A hierarquia virtual e real As hierarquias nos canais do IRC são uma forma de controle das atividades dos canais e seus utilizadores. As categorias hierárquicas do IRC são:


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a)

Usuários Proprietários – São os usuários que criaram o canal ou recebeu o

status de outro usuário. Neles detêm todos os poderes para fazer qualquer coisa no canal que ele é fundador, ou founder, como é conhecido no IRC. b)

Usuários Operadores – Os operadores ou apenas “OP”, são os usuários que

tem funções delegadas pelos fundadores dos canais. Seu status é representado por um sinal “@” no lado esquerdo do nick. Esses usuários possuem privilégios para manter a ordem no canal, podendo “kickar” e banir usuários do canal, transferir status temporários de operador, trocar o tópico de canal e outros. c)

Usuários Comuns – Todos os utilizadores do canal que não são destacados

com algum símbolo no nick, são considerados usuários comuns. Eles não possuem privilégios dentro do canal, se limitando às interações sociais e não gerenciais. d)

Usuários com Voice – O voice ou “voz” não tem qualquer privilégio gerencial

dentro dos canais do IRC e é representado por um sinal de “+” ao lado esquerdo do nick. Esse sinal indica quais usuários estão interagindo mais no canal, quando o usuário recebe esse status de um operador o mesmo é considerado como um usuário ativo. De acordo com Reid (1991, on-line apud RHEINGOLD, 1996, p. 225), verificou-se que os usuários operadores (OPS), que administram canais, e os IRCops da rede IRC, responsáveis pela continuidade do serviço na Rede, possuem poderes especiais que permitem executar ações com os outros usuários. Figura 4 – TELA DO CANAL #BRASIL DA REDE BRASIRC.ORG, 2011.

Elaborado pelo autor.


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Estando conectadas em uma determinada rede, antes de entrar nas salas, as pessoas devem escolher um nickname através do qual interagirão com as demais pessoas da rede. Também se deve escolher um canal dentre os vários que já existem, como também o sistema permite criar seus próprios canais. As conversas são mediadas por operadores, que podem expulsar as pessoas que estejam incomodando a conversação alheia. Os operadores são escolhidos pelos masters ou os proprietários de cada canal em função do seu comportamento e conhecimento técnico. (SILVA, 1997, on-line). Segundo Recuero (2002), ainda existem duas categorias de usuários do IRC que detêm na rede privilégios globais que abrange um universo maior que um canal. O IRCop, que se define em um usuário que tem a função de manter a paz na rede do IRC. Seus poderes vãos além do ambiente e usuários dos canais. Um usuário com privilégio de IRCop pode banir um usuário comum do servidor e não apenas de um canal específico. O Administrador de Rede, ou NetAdmin, é o usuário que detêm o maior nível na rede do IRC. É normalmente o fundador da rede. 2.6

Relações Sociais A existência de laços entre os usuários do IRC é evidenciada quando alguém entra em

um canal e saúda e é imediatamente saudado por seus conhecidos. Outra forma de evidenciar as relações dos usuários é observando os encontros off-lines de usuários do IRC. Ao lado da convivência virtual, em muitos canais há regularmente IRContros, isto é, reuniões de usuários, em churrascos, na saída de colégios ou na casa de algum dos frequentadores, onde todos se encontram e se conhecem pessoalmente. Dessa forma, as relações iniciadas no ciberespaço podem se consolidar na vida real. (SILVA, 1997, on-line). Os encontros de usuário do IRC são relações permanentes e fundamentais no ambiente do IRC. As interações do IRC são classificadas por on-lines e off-lines. Os encontros de usuários em um determinado canal são considerados como encontros on-lines, onde os usuários estão interagindo a partir de programas de CMC, como o IRC. De acordo com Primo (2011, p. 119) a interação de um relacionamento no ciberespaço pode ser criada de forma pública, ou seja, por exemplo, um usuário pode dizer ao seu colega da escola que está insatisfeito com atitudes dele na rede diante dos outros usuários. No mesmo momento ou logo em seguida podem discutir seu relacionamento em PVT (mensagem enviada de forma privada).


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Os encontros off-lines de usuários, ou IRContros, tem sua interação fora do ambiente virtual, criando adaptações de seus utilizadores para a forma de identificação do seu nick, como crachás e camisas personalizadas. 2.6.1 IRContros e a formação dos laços sociais É evidente que a existência de laços sociais entre os participantes dos canais de IRC é criada nos encontros on-lines e off-lines. Existem vários tipos de interações do IRC, mas analisaremos apenas os mais populares. É fácil observar que nesse contexto o on-line e o offline se misturam. No mesmo momento que os laços são formados on-line, são também transferidos para o plano off-line com frequência. As relações no ambiente off-line parecem ser a base para possíveis interações on-lines, buscando referências nas relações off-lines. As relações sociais off-lines mais populares do IRC são: a)

IRChurrascos – São encontros de usuários de um determinado canal ou de

vários canais. São eventos que tem como finalidade criar laços sociais além do ambiente mediado por computador; b)

IRCaneladas – São encontros de usuário em quadra esportiva chamadas de

society. Esses eventos têm como finalidade promover interações mais esportivas para os usuários do canal gerando mais lações sociais; c)

IRCGazetada – São encontros de estudantes que cursam principalmente o

ensino médio e ensino fundamental. Nesses eventos os usuários do IRC se encontram buscando criar laços sociais ou rever conhecidos. A participação de estudantes é a base dessas relações, que acontecem normalmente fora do ambiente escolar. Ainda sobre as interações, Primo (2011, p. 120) afirma que: Em virtude dos contínuos processos de negociação que envolvem os interagentes, não há como prever a evolução de nenhum relacionamento. Algumas interações podem evoluir para amizades de longa duração, outras não passam do encontro inicial; certas relações tornam-se amorosas, enquanto outras caracterizam-se por uma distância formal. Mesmo assim, existe sempre uma probabilidade de desenvolvimento futuro.

Outros tipos de relações acontecem de forma mais técnica, a partir do programa cliente do IRC, o mIRC. As interações mais populares permitidas pelo mIRC são classificadas como:


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a)

Interação sonora/música – É o envio de arquivos de áudio por Direct Client-

to-Client (DCC), ou Cliente para Cliente Direto. O usuário pode enviar arquivos de áudio diretamente para outro usuário; b)

Interação de imagem/fotografia – Nessa interação se usa o mesmo processo

de envio por DCC. Um usuário envia um arquivo de fotografia ou imagem qualquer para outro usuário diretamente, sem a necessidade de aprovação, se tornando instantâneo; c)

Uso ativo do wall do canal – O wall do canal é o espaço onde acontece a

conversação de todos os usuários do canal simultaneamente. É a maneira pública de conversar no IRC, ela permite que os seguidores do canal visualizem todas as informações compartilhadas; d)

Serviço de Correio de mensagens – O serviço de envio de mensagens padrão

de um servidor de IRC, que se parece conceitualmente com um e-mail, é o MemoServ. Nesse serviço o usuário pode enviar mensagens que podem ser lidas em outro momento. e)

Mensagem de saída (quit) – São interações de saída. No IRC o usuário tem

opção de deixar uma mensagem de saída na hora de partir do canal. Essa mensagem é utilizada constantemente por seus usuários. 2.6.2 Formas de Controle Social As ferramentas de controle social no IRC são classificadas como técnicas. As principais punições são: 1)

Kick – É a forma de controle mais utilizada pelos operadores de canais. Ela

serve para retirar alguém que não está mantendo a ordem no grupo. Essa ação é passível de reviravolta. É muito utilizada como aviso para quem “perturba a paz” do canal; 2)

Ban – Essa ação é a forma de controle dentro de um canal mais extrema, e é

aconselhada a ser usada em último caso. O usuário banido não pode retornar para o canal em um tempo definido pelo operador; 3)

Akick – É uma forma de controle automatizada. O usuário que adquirir esse

status em algum canal, consequentemente o mesmo levará um kick automático sempre que tentar retornar ao canal; 4)

Kill – É uma ação de um usuário com privilégio de IRCop. Essa ação expulsa

um usuário que tenha infringido alguma regra do servidor. Nesse caso, o usuário ainda pode retornar ao servidor mesmo depois da punição;


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5)

Akill – Outra forma de controle automatizada que necessita de privilégios de

IRCop. O usuário que adquiri esse status em algum servidor do IRC, consequentemente o mesmo levará kill automático sempre que tentar retornar ao servidor. 2.6.3 Disputas e conflitos entre grupos A maioria dos usuários faz uso do IRC para relações amigáveis com outras pessoas no ambiente virtual. Mas nem todos procuram conviver em harmonia na rede. Por esse motivo os conflitos entre grupos foram observados não apenas no grupo Zero, mas em todos os grupos do IRC. Grupos se posicionavam como rivais, gerado vários tipos de disputas entre grupos de forma on-line e off-line. Os conflitos on-lines são geralmente criados nos canais e conversas privadas no ambiente do IRC. Os conflitos privados são as disputas que acontecem em PVT ou entre usuários em um canal público ou privado na ambiente virtual. Os conflitos que acontecem nos canais são, normalmente, criados por usuários que não são frequentadores do canal, que tem a finalidade de “perturbar a paz” da rede. No caso do canal Zero, os operadores são responsáveis por manter a ordem do canal, aplicando uma ação que resultará em uma punição aos envolvidos, buscando acabar com o conflito. Os conflitos off-lines são gerados por usuários que carregam do ambiente on-line conflitos que servem como base para várias disputas reais. As disputas se apresentam, por exemplo, da forma de recrutamento de integrantes de outros grupos em eventos relacionados ao IRC. Outro exemplo de conflito off-line é a disputa para melhorar o status dos grupos. Essas disputas de status são comuns entre grupos do IRC. O recrutamento de usuários torna o grupo mais forte, quanto maior, mais status dentro do IRC o grupo terá. Os IRContros organizados pelos grupos são uma forma de disputa off-line. Cada grupo, normalmente, programa encontros semanais ou mensais com seus usuários. Esses encontros buscam aproximar mais os integrantes e convidar novos usuários para aderirem ao grupo. Os grupos que não recrutam muitos adeptos tendem a se tornarem rivais dos grupos maiores, gerando conflitos on-lines e off-lines, que na sua maioria são desnecessários. 2.6.4 Semelhanças e diferenças nas ferramentas das mídias sociais O surgimento de uma ferramenta de comunicação é, principalmente, ocasionado utilizando como base a necessidade humana. Sem o uso das pessoas, qualquer ferramenta


47! !

seria descartável. É fato que essas ferramentas foram desenvolvidas por profissionais que analisaram os briefings estabelecidos pelas tecnologias do início dos anos 90 em todo mundo e criaram dispositivos que permitem a comunicação de muitos para muitos. Por esse motivo, compararemos as principais ferramentas das mídias sociais para determinar são suas semelhanças e diferenças. Os símbolos são a marca da sociedade contemporânea, um exemplo disso são os sinais gráficos conhecidos como “arroba” (@) e “cerquilha” (#), que são popularmente utilizados e que receberam seus usos nos anos 90. Percebe-se o uso desses e outros símbolos em inovações das ferramentas de comunicação no decorrer dos anos. Buscamos comparar as ferramentas atuais com as ferramentas do inicio da era digital. Com isso, procuramos discutir até que ponto as inovações tecnológicas criaram novas ferramentas ou apenas os conceitos foram remodelados para a usabilidade atual. O IRC como mídia social tem características e conceitos fundamentais para a comunicação digital atual. O ambiente onde os usuários do IRC interagiam era o “canal”. O canal poderia ser público, forma mais comum na rede, ou privado. O IRC também permitia conversar diretamente com um usuário com mensagens privadas (PVT). Outras características do IRC podem ser identificadas como:

Criação de canais públicos e privados;

Envio de mensagem privada (PVT);

Serviço de entrega de mensagens (Memoserv);

Uso de script para personalização de design e tarefas;

Permite conversa síncrona e assíncrona;

Envio de arquivos variados (fotos, músicas etc.);

Permite ajuste de privacidade;

Não permitia interação por vídeo.

Essas características são fundamentais para entender como se deu a formação das inovações das ferramentas de comunicação mediadas por computador da sociedade contemporânea. As ferramentas surgidas depois declínio do IRC usaram, basicamente, o conceito de comunicação e interação estabelecido pelo IRC. Identificamos as principais para podermos comparar as semelhanças e diferenças entre as ferramentas.


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Já o MSN consolidou o conceito de ferramenta de comunicação pessoal, diferente do IRC, o MSN não permite a interação pública. Cada usuário precisava de um cadastro que permitia adicionar outros contatos na sua conta. Como o MSN foi criado como concorrência do IRC, não muito depois do seu lançamento o MSN “inovou” criando um serviço chamado de Messenger Group, que permite a criação de um grupo com pessoas que permita a conversação em tempo real. Em comparação com o IRC, o Messenger Group é um serviço que permite a criação de um grupo onde os membros podem interagir independentemente de o utilizador estar presente na lista de contatos, ou não, é possível criar um grupo, por exemplo, para uma equipe ou empresa para conversarem em conjunto. Esse fato mostra que esse conceito de grupo como canal de informação mais segmentada é similar a forma de interação do IRC, no caso dos canais. Podemos identificar outras principais semelhanças e diferenças do MSN com o IRC como:

Criação de grupos por interesse;

Permitia interação por vídeo-chamadas;

Envio de mensagem particular;

Não tinha serviço de mensagem off-line;

Uso de programas para personalização do design e funções;

Permite conversa síncrona;

Permite ajuste de privacidade;

Não tinha canal público;

Envio de arquivos variados;

Limite de até 900 membros por grupo;

Apenas o gestor do grupo pode escolher o nome e imagem do grupo.

Como vamos perceber, é comum que os conceitos do IRC estejam presentes nas ferramentas atuais de comunicação, podemos afirmar que o MSN tem muitas semelhanças com o IRC. Muitas dessas características são percebidas até hoje na ferramenta. Com essa cultura de mensageiros instantâneos se formando, o Orkut surge como primeira ferramenta popular de redes sociais na internet. Com muitas características parecidas com o seu antecessor, o IRC. Identificamos as principais semelhanças e diferenças do Orkut como:


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Criação de comunidade por interesse;

Envio de mensagem particular e pública dentro da rede (depoimento);

Serviço de entrega de mensagem;

Permitir a instalação de aplicativos;

Permite conversa síncrona e assíncrona;

Envio de imagens com limite de quantidade por usuário.

O Orkut se torna a ferramenta de rede social na internet mais popular do Brasil. O potencial que o Orkut e os weblogs mostraram para comunicação entre pessoas por meio do navegador fez um novo conceito ser consolidado, o conceito que usa website para formação rede social na internet. Os weblogs permitem interações entre usuários com o mesmo interesse. Essa forma de se comunicar na Internet se tornou popular por permitir uma comunicação mais interativa com o leitor. Identificamos características que mostram as semelhanças e diferenças dessa ferramenta com as anteriores:

Permite ter um endereço na Internet para interações;

Permite a interação por meio de comentários;

Permite compartilhar informações pessoais para outros contatos;

Permite ajuste de preferência de design e funções;

Permite conversa assíncrona.

Uma das principais ferramentas de comunicação da sociedade contemporânea é o Twitter, seu design simples torna fácil sua usabilidade. O Twitter é uma variação do weblog, chamada de microblogging, porém com limites de caracteres por mensagem (140 caracteres). Apesar de ser uma ferramenta atual, é possível identificar características semelhantes e diferentes do IRC no processo de comunicação como:

Permite a criação de listas de utilizadores por interesse;

Permite o envio de mensagem direta (DM);

Permite interagir com aplicativos web;

Permite conversa síncrona e assíncrona;

Limite de caracteres por mensagem;


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Canal público de informação para compartilhamento (Timeline);

Envio de imagens hospedagem.

O canal público de informação do Twitter, conhecido popularmente como Timeline, funciona de forma similar ao canal do IRC, onde os usuários podiam enviar uma mensagem de forma pública e apenas os usuários do canal poderiam ver. No Twitter acontece o mesmo, as informações compartilhadas por um perfil só é visualizada de forma automática por seus seguidores. O uso da arroba (@) no IRC e no Twitter serve para identificar os seus utilizadores. No IRC a arroba é aplicada no nickname que detêm a função de operador de um canal. No Twitter o símbolo é usado para identificar um perfil, criando um link para acesso. O website de rede social na internet mais popular atualmente é o Facebook. Encontramos nessa ferramenta muitos elementos presentes no Orkut, apenas organizados de forma diferente. Os elementos identificados são:

Permite a criação dos grupos;

Serviço de envio de mensagens privadas;

Permite a instalação de aplicativos web;

Permite conversa síncrona e assíncrona;

Canal de mensagem pública ou privada na rede (Wall);

Envio de imagem e vídeo.

O Facebook, como o IRC, permite a interação por interesse dos seus utilizadores. Seu conceito é similar a outros websites de redes sociais, isso acontece por causa do ambiente virtual ser muito efêmero, onde é comum ferramentas surgirem e deixarem de surgir na rede. Considerando o fato de existir semelhanças nas ferramentas de redes sociais atuais com as características do IRC. Segundo dados da Tabela 1 com múltipla escolha, 70,89% dos entrevistados afirma que as redes sociais atuais usam conceitos do IRC nos recados privados, enquanto 53,16% respondeu que o envio de arquivo é uma característica semelhante.


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TABELA 1 – SEMELHANÇAS ENTRE O IRC E AS INOVAÇÕES DAS FERRAMENTAS ATUAIS, 2011.

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Com estas comparações, buscamos demonstrar que os conceitos atuais das ferramentas foram pré-estabelecidos no início da Era Digital. Percebemos que a comunicação mediada por computador mudou a maneira de se formar redes sociais, agora na Internet. Com a possibilidade de surgimento de grupos no ciberespaço, pudemos analisar suas ferramentas de comunicação e suas interações no ambiente on-line e off-line.


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CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DE RESULTADOS DA PESQUISA !

A partir deste momento serão apresentados os resultados da pesquisa realizada com usuários do IRC e os membros do Grupo Zero. A metodologia própria que foi empregada usou de mecanismos virtuais para sua aplicação. A análise de resultados da pesquisa foi gerada por 79 questionários web aplicados, a partir de 37 perguntas no período de 24 de outubro a 5 de novembro de 2011. Das pessoas entrevistadas é importante ressaltar que nem todos eram integrantes do grupo Zero. Dos 79 questionários respondidos, 34% das pessoas afirmaram que são integrantes do grupo Zero e 66% dizem que não são integrantes do grupo, mas interagem no canal #Zero. Esses dados foram recuperados a partir da filtragem do campo de nick do questionário web, onde foi pesquisado quantos usuários responderam com pré-fixo “Zero” em seus nicknames e quantos não responderam (Figura 5). Figura 5 – CLASSIFICAÇÃO DOS ENTREVISTADOS, 2011.

Zeros 34% Não Zeros 66%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Pode-se afirmar que boa parte dos entrevistados que responderam não participam do grupo Zero, mas já utilizaram, pelo menos uma vez, o prefixo “Zero” em seus nicks. 3.1

Perfil dos usuários do IRC Analisando o perfil geral dos entrevistados, buscamos entender melhor o contexto da

formação da cibercultura no início dos anos 90 no Brasil. A Internet é uma excelente ferramenta de entretenimento e para muitos, ferramenta de trabalho e estudo. A Internet e suas


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ferramentas se fazem necessárias dependendo do uso dos seus usuários. Ela se torna obsoleta no momento em que o homem diminui sua carga de atenção e dedicação. É possível afirmar que a maioria dos entrevistados se considerava, de modo geral, usuários assíduos da Internet, 52% das pessoas afirmam utilizar a Internet de maneira rotineira, entre três e seis horas diárias. Esse dado deixa claro que essas pessoas já são iniciadas no ambiente virtual, esse fato torna a aplicação do questionário web desta pesquisa muito mais confortável, tanto para o pesquisador como para os entrevistados (Figura 6). Figura 6 – USO DA INTERNET PELOS ENTREVISTADOS, 2011. O dia inteiro 4%

Outros 2%

Mais de 9 horas 13% 1 e 3 horas 13%

3 e 6 horas 52%

6 e 9 horas 16%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Segundo dados levantados na realização da pesquisa, 24% dos entrevistados afirmaram ter 25 anos, enquanto 19% responderam ter 29 anos, mostrando que a idade dos usuários de Internet entrevistados é, atualmente, dos 25 anos até as 30 anos. Com isso, é possível garantir que no final dos anos 90 a idade dos usuários da Internet era de 15 anos até os 20 anos (Figura 7).


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Figura 7 – FAIXA ETÁRIA DOS ENTREVISTADOS, 2011.

30 anos 6%

Outras idades 14%

24 anos 5%

29 anos 19%

25 anos 24%

28 anos 13% 26 anos 11%

27 anos 8%

Com base nos dados da pesquisa. Assim, podemos observar que 43% dos entrevistados tem idade entre 24 e 30 anos, o que os situa na já referida Geração Y. Essa classificação é importante para entender o contexto tecnológico que esses indivíduos cresceram e permitir a análise mais coesa dos dados coletados. Verifica-se que em relação ao gênero sexual dos entrevistados, 66% responderam ser do sexo masculino, 32% do sexo feminino, enquanto 2% responderam ser de outro gênero sexual, mostrando que o ambiente virtual é bem democrático (Figura 8). Figura 8 – CLASSIFICAÇÃO SEXUAL DOS ENTREVISTADOS, 2011.

Masculino 66%

Feminino 32%

Outro 2%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.


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Obteve-se como resposta que a maioria dos entrevistados (95%) afirma que o estudo era sua única obrigação nos anos 90. Por esse motivo as interações aconteciam em ambientes destinados aos jovens (Figura 9). Figura 9 – DADOS SOBRE A OCUPAÇÃO DOS ENTREVISTADOS NOS ANOS 90, 2011.

95% Estudante Desempregado Músico Outra ocupação

3%

1%

1%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Em relação à educação escolar dos entrevistados na década de 90, observamos que 65% das respostas afirmam que estavam cursando o ensino médio, enquanto 29% dizem que estavam cursando o ensino fundamental. Esses fatores mostram que o nível de instrução das pessoas que acessavam a internet se fazia necessário para permitir o uso da rede como ferramenta de interação (Figura 10).


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Figura 10 – DADOS SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR DOS ENTREVISTADOS NA DÉCADA DE NOVENTA, 2011. 3%

1% 2%

Ensino médio Ensino fundamental

29%

Superior incompleto 65%

Superior completo Outros

Elaboração do autor. Comparamos à educação escolar dos entrevistados nos anos 90 com a educação atual, onde descobrimos que 57% afirmam ter completado o ensino superior, 18% dizem estar cursando o ensino superior, 10% buscaram o mestrado em alguma área, enquanto 15% responderam ter outro nível de ensino. É notória a evolução da educação dos entrevistados nesse período analisado. Onde se pode constatar que a Internet teve um papel fundamental no crescimento da educação das pessoas envolvidas em seu contexto (Figura 11). Figura 11 - DADOS SOBRE A EDUCAÇÃO ESCOLAR ATUAL DOS ENTREVISTADOS, 2011. Superior completo

Superior incompleto

Mestrado

Outros

15% 10%

18%

57%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.


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É possível afirmar que a maioria dos usuários do IRC obteve um crescimento intelectual comparando com os dados da década de noventa. Podemos também afirmar que o ambiente do IRC iniciou esses usuários na forma de se comunicar da sociedade contemporânea estimulando o aprendizado empírico das ferramentas. A fim de verificar os motivos que levaram os entrevistados a acessavam o IRC, constatou-se em uma questão de múltipla escolha, que 37% disseram que usam para contatos com familiares e/ou amigos, enquanto 23% também afirmam usar para se atualizar das notícias jornalísticas nacionais e mundiais (Figura 12). Figura 12 – DADOS SOBRE OS MOTIVOS QUE LEVARAM OS ENTREVISTADOS A ACESSAREM O IRC, 2011.

7%

7%

Contato com familiares e/ou amigos

4% 3% 37%

8% 23%

Atualizar-se das notícias jornalísticas Divulgação de eventos e/ou produtos com os quais trabalha

11%

Praticar idioma estrangeiro

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Podemos afirmar que a análise do perfil geral dos usuários do IRC e os motivos que os fizeram aderir ao protocolo IRC, são fundamentais para criar do perfil particular dos integrantes do grupo Zero. 3.2

Perfil do Grupo Zero A fim de verificar o perfil do Grupo Zero, a análise dos dados primeiramente buscou

identificar o perfil geral dos entrevistados e nesse momento os dados analisados serão apenas dos integrantes do Zero que responderam o campo de nickname do questionário com o préfixo Zero. Nessa seleção obtiveram-se 27 questionários de integrantes do grupo Zero, 34% do total de 79 questionários respondidos por esta pesquisa.


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Analisando o perfil do grupo, procuramos entender os motivos da formação do grupo e que tipo de influências os integrantes sofreram para aderir a comunidade. O IRC foi o ambiente das interações do grupo na rede. É importante identificar as principais ferramentas de interações que o IRC dispunha para seus usuários e os seus principais usos. Avaliando o uso do IRC na década de 90 pelos integrantes do grupo Zero, percebeu-se que 78% se consideravam usuários assíduos e permanentes da rede, enquanto 18% consideravam seu uso moderado e 4% respondeu não usar o IRC com frequência na época. Isso mostra como os usuários do Zero eram usuários ativos da rede IRC e por isso podemos afirmar que a maioria dos integrantes do grupo Zero eram “vIRCiados”, termo não pejorativo usado para usuários que tem o hábito de usar o IRC diariamente (Figura 13). Figura 13 – VOCÊ SE CONSIDERA UM VIRCIADO?, 2011.

4%

18%

Sim Não 78%

Um pouco

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. O status de usuário ativo na rede é fundamental para fortalecer a identidade na rede. É comum perceber usuários no IRC com seus nicknames em modo ausente (away), forma que mantêm o usuário ativo na rede, permitindo qualquer interação de outros usuários. Esse artifício é bastante usado para promoção pessoal na rede. O uso da internet para os integrantes do grupo Zero era comum. No quesito que mede as horas diárias gastas no IRC nos anos noventa, 63% dos entrevistados afirmaram que o uso do IRC acontecia de 3 a 6 horas, fato que reforça como os usuários eram utilizadores assíduos da rede (Figura 14).


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Figura 14 – DADOS SOBRE O TEMPO DE USO DO IRC, 2011. 7% 8%

7%

3 a 6 horas 6 a 9 horas

15%

63%

1 a 3 horas Mais de 9 horas O dia inteiro

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Percebeu-se que a média de uso da ferramenta tem ligação com a faixa etária dos integrantes e suas ocupações na década de 90. Através dessa percepção procuramos analisar os dados da escolaridade do grupo Zero para entender o contexto social do grupo, 96% responderam terem sido estudantes, onde 63% afirmaram cursar, na década de noventa, o ensino médio, enquanto 33% cursava o ensino fundamental (Figura 15). Figura 15 – DADOS ESCOLARES DOS INTEGRANTES DO GRUPO ZERO NA DÉCADA DE NOVENTA, 2011. 4%

Ensino médio

33%

Ensino fundamental 63%

Superior incompleto

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. É possível dizer que os integrantes do grupo Zero tiveram um crescimento pessoal dos anos 90 até os atuais. A maioria (52%) respondeu já ter o ensino superior completo, mas 18%


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esta buscando a conclusão do ensino superior. É importante ressaltar que 26% dos entrevistados afirmaram estar cursando pós-graduação ou mestrado (Figura 16). Figura 16 - DADOS ESCOLARES ATUAIS DOS INTEGRANTES DO GRUPO ZERO, 2011. Superior completo

Superior incompleto Mestrado

Pós-graduação

Outros 4% 11% 15% 52% 18%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa. Esses dados demonstram que ouve um crescimento significativo na vida acadêmica dos integrantes do grupo Zero. Considerando que os integrantes do grupo tinham habilidades técnicas para operar as ferramentas disponíveis na época buscou-se analisar o uso que essas pessoas faziam desses dispositivos de comunicação. De acordo os dados da pesquisa o total (100%) dos entrevistados respondeu usar a rede social na internet, de uma forma geral, para manter contato com familiares e/ou amigos. O valor 100% confirma a hipótese de que a utilidade das ferramentas se restringiu ao uso que seus utilizadores atribuem a elas. É importante afirmar que o contato com familiares e/ou amigos não é o único uso atribuído ao IRC por seus utilizadores. 3.3

Sociabilidade no IRC

As relações estabelecidas no pelos usuários do IRC podem ser classificadas como online ou off-line, ou seja, virtuais ou reais. Para que haja um bom entendimento é necessário considerar alguns fatores determinantes. Com foco na sociabilidade dos usuários buscou-se identificar, na visão dos entrevistados, se suas amizades são mais virtuais ou reais, para entender o contexto social. Constatou-se que a maioria (86%) considerava ter mais amigos reais, enquanto 14% afirmou


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ter mais amigos virtuais. Esses dados mostram que os integrantes de redes sociais na internet em Belém, na sua maioria, interagia com amigos conquistados antes da rede ou amizades consolidadas pelos encontros off-lines, fortalecendo o ambiente real para relações pessoais (Figura 17).

Figura 17 – VOCÊ TEM MAIS AMIGOS VIRTUAIS OU REAIS?, 2011. 14% Real 86%

Virtual

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.

O fato dos usuários do IRC afirmarem que seus amigos são mais reais que virtuais, no caso de Belém, tem relação com os movimentos de encontros de usuários organizados na rede IRC que utilizavam de espaços da cidade (shoppings, cinemas, praças, entre outros) para suas interações face-a-face. Constatou-se que 75% dos entrevistados participavam dos IRContros de canais e grupos, enquanto 25% afirmou não participar dos encontros (Figura 18). Figura 18 – DADOS SOBRE INTERAÇÕES EM ENCONTRO DOS INTEGRANTES DO GRUPO ZERO, 2011.

Não 25%

Sim 75%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.


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Dessa forma procurou-se verificar quais encontros off-lines de usuários eram mais populares na década de noventa. Através dos dados, cerca de 20% dos usuários do IRC afirmaram interagir com frequência em IRChurrascos, 20% respondeu participar de IRCgazetadas, 18% frequentava eventos de usuários, enquanto 19% interagia em IRCaneladas (Figura 19). Figura 19 – QUAIS ENCONTROS VOCÊ PARTICIPAVA MAIS?

7%

4%

IRChurrasco

20%

IRCgazetada

12%

IRCanelada Eventos 20%

18%

IRCine Reuniões de OPS

19%

Nunca fui

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.

O ambiente de interação dos usuários do IRC se estendia além da Internet de forma rotineira. É possível afirmar que os encontros reais, na sua maioria, criam laços mais duradouros que os construídos no ambiente virtual. Esses encontros são realizados de forma recorrente. Em relação aos encontros, constatou-se que 45% dos usuários afirmaram que participavam semanalmente dos IRContros, 20% respondeu interagir mensalmente, enquanto 19% afirmou não participar de encontros criados por grupos ou canais do IRC (Figura 20).


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Figura 20 – DADOS SOBRE A FREQUÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DOS ENTREVISTADOS EM ENCONTROS DO IRC, 2011.

11%

5% Semanalmente

45%

19%

Mensalmente Esporadicamente Não participava

20%

Diariamente

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.

A propagação das ações dos grupos e canais do IRC eram basicamente organizadas pelos fundadores dos canais e grupos, com seus coordenadores (masters). A fim de verificar a hierarquia dos grupos e canais na rede IRC, obteve-se um resultado previsível, onde 71% respondeu ter o status de usuário comum, 18% afirmou ter sido operador de canal, 9% dos entrevistados eram coordenadores de canais, enquanto 2% eram fundadores. Percebeu-se que esse dado é similar ao de uma empresa comparando á escala de hierarquia. Onde os sócios proprietários obtêm um número menor e estão no topo com mais status social. É possível perceber um aumento previsível de integrantes ao descer para as funções subordinadas pelos sócios (Figura 21). Figura 21 – DADOS SOBRE A HIERARQUIA NO IRC, 2011. Usuário comum

Operador 9%

Coordenador

Fundador

2%

18%

71%

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.


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O ambiente on-line criado pelo IRC obedece a regras similares das estruturas gerenciais do mundo off-line. A partir desses dados sobre as hierarquias no IRC podemos analisar melhor o uso das ferramentas de comunicação utilizando esses status para entender as limitações de cada usuário na rede. 3.4

Análise das ferramentas e seus usos Neste momento serão apresentados os resultados da pesquisa referentes às

informações coletadas sobre as ferramentas de interação dos usuários do IRC. Buscou-se identificar as principais ferramentas do IRC utilizadas na década de 90. Em resposta a maior parte dos entrevistados (65%) disse usar scripts personalizados para se conectar na rede o IRC. Dado que mostra a preferência dos usuários por ferramentas personalizáveis por eles mesmos. Os scripts são complementos do mIRC que permitem fáceis ajustes de preferências e privacidade. O mIRC possuía em sua forma básica complementos para interações na rede que se tornaram muito populares. Essas ações poderiam ser executadas por seus utilizadores com um toque do mouse. Observando os dados coletados verificou-se que 29% dos entrevistados afirmaram usar mais a conversa particular para participar de encontros on-lines, enquanto 21% prefere interagir em conversas públicas onde os usuários do canal podem participar. Evidencia-se também o uso do IRC para transferências de arquivos, 12% dos entrevistados afirmaram utilizar esse recurso (Figura 22). Figura 22 – PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE INTERAÇÃO DO IRC, 2011. Conversa pública 9%

8%

PVT (conversa particular)

21%

10% 11%

29% 12%

DCC (transferência de arquivo de usuário para usuário) NickServ (serviço de proteção de nicks) MemoServ (serviço de mensagem particular) ChanServ (serviço de proteção de canal) Aliases (ações personalizadas)

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.


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O uso frequente de inovações tecnológicas constrói competências para seus utilizadores formando um conhecimento empírico fundamental. Buscou-se identificar as principais competências dos usuários do IRC, onde 21% afirma ter conhecimento em redes sociais na internet, 19% diz saber usar os chats, 19% respondeu entender de compartilhamento de arquivos, 17% tem domínio com programas de textos, enquanto 7% tem conhecimento em webdesign (Figura 23). Figura 23 – COMPETÊNCIAS EM FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO, 2011. 2%

3%

Chats ou salas de batepapo (Ex: IRC)

3% 3% 6%

Websites de redes sociais na internet (Ex: Facebook, Orkut)

19% 7% 21%

17%

Compartilhamento de arquivos (Ex: Youtube, Flickr, Megaupload) Textos, planilhas e/ou slides (Ex: Word, Excel, PowerPoint) Webdesign (Ex: Photoshop, Illustrator)

19%

Programação (Ex: Eclipse, Dreamweaver)

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.

Através dessas competências formadas no ciberespaço os usuários do IRC criaram uma cultura tecnológica exclusiva. Buscou-se identificar como foram desenvolvidas essas competências, com isso, constatou-se que 51% se considera autodidata em relação a aprendizagem dessas ferramentas (Figura 24).


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Figura 24 – COMO ESSAS COMPETÊNCIAS FORAM ALCANÇADAS, 2011. Sou autodidata 13% Aprendi na faculdade 10% 5%

51%

Aprendi no IRC

7% 14%

Fiz um curso específico para aprender a utilizar essa ferramenta Um(a) amigo(a) / namorado(a) / familiar me ensinou

Elaboração do autor, com base nos dados da pesquisa.

A maioria dos entrevistados (51%) afirmou ter a capacidade de aprender algo sem ter um professor ou mestre, esse fato demonstra como esses usuários desenvolviam formas de aprendizado, mesmo com ferramentas que não tinha Manual de operação traduzido ou pelo menos de fácil compreensão. Por isso esse dado ainda confirma que a Geração Y foi favorecida por crescer em meios a inovações tecnológicas que mudaram a forma de comunicar da sociedade. Nesse capítulo analisamos os dados coletados da pesquisa que se mostraram muito satisfatórios. A aplicação do questionário web foi funcional, permitindo a coleta dos dados e análise de maneira segura e ágil. Os dados coletados significaram muito para a pesquisa, neles comparamos as principais ferramentas e percebemos quais os usos dados pelos usuários do IRC e os integrantes do Grupo Zero. Esses dados também foram úteis para criar o perfil das pessoas que interagiam no IRC na década de noventa em Belém do Pará. Sabemos que o questionário poderia abordar outras discussões e seriam importantes alguns ajustes que só foram percebidos com a prática da aplicação. Entendemos que esse estudo ainda é inicial para o pesquisador, permitindo seu aprofundamento em trabalhos futuros.


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CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

As ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil, em especial os bate-papos, foram o ambiente virtual das interações da cultura virtual que estava em construção. A partir dos dados analisados, podemos concluir que o surgimento da cibercultura no IRC serve de estrutura para sociabilização dos indivíduos no ciberespaço permitindo a comunicação por meio de computadores. Desenvolvemos o tema das relações sociais na Internet, surgidas em Belém do Pará no início da Era Digital. Podemos afirmar que a comunicação nesse contexto tem um papel fundamental para desenvolver o debate sobre as redes sociais e suas ferramentas. Neste trabalho foram apresentadas as principais relações sociais virtuais tendo como objetivo principal as ciberculturas no início das redes sociais na internet, suas principais ferramentas de comunicação mediadas por computador, a partir do estudo do Grupo Zero na rede IRC. Trata-se assim de compreender a importância da emergência da cibercultura no Brasil, entender também as novas técnicas de comunicação no ciberespaço, as relações sociais eletrônicas e as transformações culturais da sociedade virtual. Objetivamos passar uma visão panorâmica da cibercultura contemporânea, mostrando de forma geral como se deu a sua construção a partir do advento das tecnologias informacionais de comunicação. Assim demostramos que a cibercultura auxilia no fortalecimento das relações sociais para além da Internet. Suas ferramentas consolidaram as relações sociais, estabelecendo competências técnicas empíricas para seus utilizadores. A maioria dos membros dessa geração é autodidata, ou seja, aprendeu a usar as ferramentas por si. Essa experiência foi determinante para auxiliar essa geração no uso e na própria relação com as mídias, não apenas virtualmente. Esses atores passaram pela transição de uma era analógica, para uma era digital, onde a interatividade é fundamental. Este poderia ser o principal desdobramento futuro de pesquisa: compreender de maneira geral como esta geração, que foi formada a partir do IRC, usa a mídia atualmente. Não puderam ser abordados por este trabalho diversos tópicos interessantes para serem aprofundados por trabalhos futuros, tais como: as novas influências midiáticas da forma de receber as mensagens, quais são as principais mídias consumidas atualmente por esses atores e de que forma acontece esse consumo. É possível afirmar que os membros dessa geração são receptores midiáticos mais ativos? Aprofundar essas questões seria nossa recomendação para trabalhos futuros.


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Neste trabalho, procuramos discutir sobre as ferramentas de comunicação que surgiram em meados dos anos 90, através da análise das principais ferramentas e os usos dados pelos usuários. Para tanto, foram aplicados 79 questionários web, onde 27 entrevistados se identificaram como integrantes do grupo Zero. Com os dados coletados criamos um perfil geral dos usuários do IRC e um perfil geral dos integrantes do grupo. Por fim, o presente estudo fornece uma visão ampla, porém não tão profunda, sobre as ferramentas de comunicação, em especial o IRC, e seus usos. Não foi premissa deste trabalho uma visão completa e indiscutível, pois o tempo é pequeno para tantos dados e variáveis, mostrando a complexidade do tema estudado. Esperamos que este trabalho possa servir de referência para futuros estudos sobre o assunto e, também, contribuir para a formação de conceitos para novas ferramentas de comunicação, ajudando a prever as futuras inovações comunicacionais da sociedade contemporânea.


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GLOSSÁRIO

Arroba. Apenas “@”. Sinal gráfico arroba (@) é usado em e-mails como separação entre o nome do usuário e o do provedor a que está vinculado. Já no IRC, o @ serve como identificação para os operadores do canal, usado como pré-fixo do nickname, como no exemplo: “@ZeroNinja diz Bom dia para todos!”. No Twitter o “@” serve para identificar os perfis dos seus usuários, como no exemplo: “Estou tentando ligar para o @PedroHiraoka, mas ele não atende.”. Nota-se que todos esses usos têm a finalidade de criar um vínculo visual com o usuário, facilitando a interação na rede. Baixar: O mesmo que download. Bate-papo: O mesmo que chat. “Conversa” em tempo real pela internet. Os participantes se reúnem em “salas” ou “canais”, geralmente agrupados por interesse, faixa etária, lugar em que moram etc. No IRC, por exemplo, os participantes podem conversar de forma simultânea, sem a necessidade de esperar a vez ou de alguma moderação. Blog: Tipo de site na internet em que o conteúdo está organizado em entradas (chamas de posts) ordenadas cronologicamente, com o post mais recente no topo. Também é conhecido como weblog. Briefing: Coleta de informações passadas em uma reunião para o desenvolvimento de um trabalho, ferramentas de comunicação, documento, sendo principalmente utilizado em Administração, Relações Públicas e Publicidade. O briefing é usado para mapear o problema, e com estas pistas, criar soluções. Browser: Termo em inglês para “navegador” ou “programa de navegação”, por exemplo, existe o Firefox, Chrome, entre outros. O mesmo que navegador. Cerquilha: Sinal conhecido universalmente como "símbolo de número" ou apenas “#”. No IRC, o "#" é utilizado para identificar os canais, como no exemplo: “Entre no canal #Zero”. No Twitter o sinal serve para marcar as palavras-chaves dos posts, como no exemplo: “Visitando um cliente. #publicidade”. Na música, o “#” é conhecido como “sustenido” e é usado como sinal de notação musical (#) que se coloca à esquerda de uma nota e que indica a elevação de sua altura em meio tom. Também é conhecido popularmente como “jogo-davelha”. Chat: O mesmo que bate-papo. Ver bate-papo. Cliente: Aplicativo, software ou computador integrado numa rede de computadores.


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Codinome: Apelido ou designação especial que se dá, por qualquer razão, a algo ou alguém em determinado grupo, atividade, situação social etc. Cyberspace ou ciberespaço: Termo criado pelo escritor William Gibson em seu romance Neuromancer e hoje usado para se referir ao “espaço” abstrato construído pelas redes de computadores. Downloads: O mesmo que baixar. Recebimento de dados de um computador remoto para um computador local. O inverso de upload. Ecrã: Superfície do monitor sobre a qual se projeta a imagem conhecida como tela, ecrã ou écran. Em Comunicação, as telas (ou ecrã) fazem parte de várias tecnologias de uso da imagem, principalmente as telas de projeção cinematográfica e as telas de televisão. Écran: O mesmo que ecrã. Feedback: Processo de comunicação que acontece quando o emissor emite uma mensagem ao receptor, através de um canal. O receptor interpretará a mensagem e, a partir daí, dará o feedback ou resposta, completando o processo de comunicação. Hardware: Parte física do computador, ou seja, é o conjunto de componentes eletrônicos, circuitos integrados e placas, que se comunicam através de barramentos. Hipertexto: Texto que inclui links para outras páginas na Web. Através dos links, você pode “navegar” facilmente de uma página para outra. Hyperlink: O mesmo que link. Ver link. Internet: Rede que liga computadores no mundo inteiro. Foi criada em 1969 como um projeto militar e usada durante anos para a comunicação entre universidades e institutos de pesquisa. Começou a ser explorada comercialmente no início dos anos noventa. IRC: Sistema de “bate-papo” on-line que envolve uma série de regras e convenções e um programa cliente/servidor. Link: Hiperligação ou simplesmente “ligação”. Conhecido também como hyperlink. Ligação entre elementos variados por meio de ações da web. Login: Nome de acesso normalmente de sistemas de computador. mIRC: Cliente ou programa para Windows que pode ser usado para comunicar, partilhar, jogar ou trabalhar com outras pessoas em redes de IRC ao redor do mundo, seja em conferências multiusuário públicas ou em discussões privadas um-para-um. Modem: Abreviatura de modulador/desmodulador. Consiste num dispositivo eletrônico que permite a adaptação da informação entre os equipamentos de transmissão de dados ou de teleprocessamento e os equipamentos de processamento de dados (computadores) e viceversa.


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Monitor: Dispositivo de saída do computador, cuja função é transmitir informação ao utilizador através da imagem, estimulando assim a visão. Navegador: O mesmo que browser. Programa de computador que habilita seus usuários a interagirem com documentos virtuais da Internet, também conhecidos como páginas da web, que podem ser escritas em linguagens como HTML, ASP, PHP, com ou sem folhas de estilos em linguagens como o CSS e que estão hospedadas num servidor Web. Navegar: Jargão nascido dos próprios usuários para a ação de um usuário com acesso à internet utilizando o navegador para acessar endereços na Web. Nick: O mesmo que nickname ou codinome. Denominação que se dá a algo, ou alguém, ou um grupo, como extensão ou substituição de sua designação comum, de seu nome próprio etc. Nickname: O mesmo que nick. Off-line: Desconectado da Internet. On-line: Conectado à Internet. Posts: Menor unidade de um weblog, também conhecido como artigo. Os posts são tradicionalmente organizados cronologicamente inverso. Programa: O mesmo que software de computadores. Protocolo de internet: Conjunto de regras que descrevem o comportamento necessário para que um computador “entenda” outro dentro de determinada rede ou sistema. Site: O mesmo que “Website”. Software: Sequência de instruções, que é interpretada e executada por um processador ou por uma máquina virtual. TCP/IP: Abreviatura de Transmission Control Protocolo / Internet Protocol. Conjunto de protocolos de comunicação que regulam o funcionamento básico da Internet. É a “língua” que todos os computadores que estão ligados à Internet usam para se comunicar. Tela: O mesmo que ecrã. Upload: Envio de dados de um computador para outro computador remoto. Web: Sistema de distribuição de informação em hipertexto pela internet. Webcam: Câmera de vídeo de baixo custo que capta imagens e as transfere para um computador. Pode ser usada para videoconferência, monitoramento de ambientes, produção de vídeo e imagens para edição, entre outras aplicações. Weblog: O mesmo que blog. Website: Página ou coleção de páginas hospedadas na Web. World Wide Web: O mesmo que “Web”.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SITES VISITADOS

Internet Growth (1981-1991). Disponível em <http://tools.ietf.org/html/rfc1296>. Acesso em: 20 outubro 2011. Livraria Cultura. Disponível em: <http://www.livrariacultura.com.br>. Acesso em: 02 outubro 2011. mIRC: Internet Relay Chat cliente. Disponível em: <http://www.mirc.com/>. Acesso em: 20 outubro 2011. REID, E. Electropolis: Communication and Community On Internet Relay Chat. Disponível em: <http://www.aluluei.com/electropolis.htm>. Acesso em: 20 outubro 2011. SearchIRC. Disponível em: <http://searchirc.com/network-type/South%20America>. Acesso em: 20 outubro 2011. Social Media – Raquel Recuero. Disponível em: <http://www.raquelrecuero.com/>. Acesso em: 20 outubro 2011. StatCounter Global Stats. Disponível em: <http://gs.statcounter.com>. Acesso em: 10 novembro 2011. Website oficial do Grupo Zero. Disponível em: <http://zeroklan.com.br/>. Acesso em: 20 outubro 2011. Wufoo. Disponível em: <http://wufoo.com>. Acesso em: 15 outubro 2011.


75! !

ANEXO A - Número global de usuários da Internet, total e por 100 habitantes, 2000-2010.32

Usuários!da!Internet!es=mados!(em!milhões)!

2.000!

Usuários!de!Internet!por!100!habitantes!

1.500!

100! 90! 80! 70! 60! 50!

1.000!

40! 30!

500!

20! 10!

0!

2000! 2001! 2002! 2003! 2004! 2005! 2006! 2007! 2008! 2009! 2010!

0!

Usuários!de!Internet!por!100!habitantes!

Usuários!da!Internet!es=mados!(em!milhões)!

2.500!

Número'global'de'usuários'da'Internet,' total'e'por'cada'100'habitantes,'2000;2010'

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 32

ICT Data and Statistics Division: banco de dados. Disponível em: <http://www.itu.int/ITU-D/ict/statistics/>. Acesso em: 02 novembro 2011.


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ANEXO B – Estatística global de usuário e canais do IRC, 2011.33

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 33

IRC.netsplit.de: banco de dados. Disponível em: <http://irc.netsplit.de/networks/summary.php>. Acesso em: 02 novembro 2011.


77! !

APÊNDICE A – Questionário web aplicado nesta pesquisa. ESTÁCIO FAP – FACULDADE DO PARÁ CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – PUBLICIDADE E PROPAGANDA PEDRO CARVALHO HIRAOKA CIBERCULTURAS NO IRC: Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil O presente questionário será aplicado aos usuários do canal #Zero que utilizavam o IRC na década de 90. INTRODUÇÃO: Vamos voltar um pouco no tempo.. Tente lembrar da década de 90, onde a internet e suas ferramentas estavam se estruturando, onde se comunicar em tempo real era totalmente necessário, lugar que passamos de meros receptores de informações para agentes diretos da cibercultura emergente. Essa tirinha nostálgica descreve a evolução dessas ferramentas, e ajuda a contextualizar melhor as perguntas deste questionário: #TIRINHA: http://pedrohiraoka.com/blog/2011/por-uns-bytes-de-memoria-tirinha/ #ENTRAR NO IRC: http://www.brasirc.org/webchat/ INSTRUÇÕES DO QUESTIONÁRIO: Tome cuidado com as indicações de período das perguntas, como: (DÉCADA DE 90): As respostas devem resgatar momentos da década de 90. (ATUAL): As respostas devem ser as mais atuais possíveis. Todas as perguntas são importantes para o meu trabalho, mas fique a vontade para não responder algumas. É importante deixar claro que algumas virão com caráter obrigatório por se tratarem de perguntas vitais para meu estudo. BELÉM - 2011 PERFIL DOS USUÁRIOS: Perguntas para a construção do perfil dos usuários do IRC. Nome: E-mail: Nick ou nickname: Idade atual: Website pessoal: Sexo: ( ) Homem ( ) Mulher ( ) Transgênero


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Educação escolar (DÉCADA DE 90): ( ( ( ( ( ( (

) Ensino fundamental ) Ensino médio ) Superior incompleto ) Superior completo ) Mestrado ) Doutorado ) Outra. Qual?

Educação escolar (ATUAL): ( ) Ensino fundamental ( ) Ensino médio ( ) Superior incompleto ( ) Superior completo ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ) Outra. Qual? Qual era sua ocupação? (DÉCADA DE 90): ( ) Estudante ( ) Desempregado ( ) Profissional liberal ( ) Funcionário público ( ) Outra. Qual? Qual é a sua ocupação? (ATUAL): ( ) Estudante ( ) Desempregado ( ) Profissional liberal ( ) Funcionário público ( ) Outra. Qual? Quantas horas em média você passava na internet por dia? (DÉCADA DE 90): ( ) Entre 1 e 3 horas ( ) Entre 3 e 6 horas ( ) Entre 6 e 9 horas ( ) Mais de 9 horas ( ) O dia inteiro (24 horas) ( ) Outra. Qual? Quantas horas em média você passava no IRC por dia? (DÉCADA DE 90): ( ) Entre 1 e 3 horas ( ) Entre 3 e 6 horas ( ) Entre 6 e 9 horas ( ) Mais de 9 horas ( ) O dia inteiro (24 horas) ( ) Outra. Qual? Você se considerava um vIRCiado?


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( ) Sim ( ) Um pouco vIRCiado ( ) Não Você considera as pessoas que conheceu no IRC como “amigos”? ( ) Sim ( ) Não Você tem mais amigos? ( ) Virtuais ( ) Reais Usando a sua experiência, você acha que essa cibercultura vivenciada no IRC ajudou no seu crescimento profissional e pessoal? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez Qual canal você costumava mais acessar? * ( ) #Zero ( ) #Belem ( ) #AP ( ) #Brasil ( ) #Troppo ( ) #GamaGame Outro canal. Qual? Qual rede do IRC você acessava mais? * ( ) BrasIRC ( ) BrasNET ( ) Quakenet ( ) RedeNorte ( ) Futturu Network ( ) Outra rede. Qual? Qual servidor do IRC você acessava mais? * ( ) irc.amazon.com.br ( ) irc.supridados.com.br ( ) irc.libnet.com.br ( ) irc.brasirc.net ( ) irc.canal13.com.br ( ) irc.nautilus.com.br ( ) Outro servidor. Qual? Que redes sociais na internet você usa atualmente? * ( ) Facebook ( ) Twitter ( ) Orkut ( ) IRC ( ) Myspace


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( ( ( ( ( ( ( ( ( (

) Youtube ) Last.fm ) Flickr ) Linkedin ) Wordpress ) Google Plus ) Tumblr ) Delicious ) Outra ) Nenhuma

Quais são os usos que você faz destas redes sociais na internet? * ( ) Contato com familiares e/ou amigos ( ) Praticar idioma estrangeiro ( ) Atualizar-se das notícias jornalísticas ( ) Busca de emprego ou estágio ( ) Busca de parceiro romântico ou sexual ( ) Divulgação de eventos e/ou produtos com os quais trabalha ( ) Divulgação de eventos e/ou produtos de terceiros ( ) Atuação política Com que frequência você checa suas contas? ( ) Todos os dias, várias vezes ao dia ( ) Uma vez por dia ( ) Várias vezes por dia, não todos os dias ( ) Uma vez por dia, em dias esporádicos ( ) Nunca FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO MEDIADAS POR COMPUTADOR: Identificação das ferramentas de comunicação populares da década de 90. Que programas você utilizava para acessar o IRC? ( ) mIRC (programa padrão) ( ) Scripts personalizados ( ) Navegador (browser) ( ) BitchX (apenas texto) ( ) Outro. Qual? Com qual finalidade você utilizava o IRC? * ( ) Para conhecer pessoas e me relacionar com amigos ( ) Para compartilhar arquivos (música, fotos, vídeo) ( ) Para debater assuntos diversos ( ) Para tirar dúvidas sobre produtos e serviços ( ) Para trocar informações confidenciais ( ) Outro. Qual? Quais ferramentas do IRC você utilizava mais? * ( ) Conversa pública ( ) PVT (conversa particular) ( ) DCC (transferência de arquivo de usuário para usuário)


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( ( ( (

) NickServ (serviço de proteção de nicks) ) MemoServ (serviço de mensagem particular) ) ChanServ (serviço de proteção de canal) ) Aliases (ações personalizadas)

Você tem competências em ferramentas de comunicação? ( ) Chats ou salas de bate-papo (Ex: IRC) ( ) Websites de redes sociais na internet (Ex: Facebook, Orkut) ( ) Compartilhamento de arquivos (Ex: Youtube, Flickr, Megaupload) ( ) Textos, planilhas e/ou slides (Ex: Word, Excel, PowerPoint) ( ) Webdesign (Ex: Photoshop, Illustrator) ( ) Programação (Ex: Eclipse, Dreamweaver) ( ) Editoração eletrônica (Ex: InDesign) ( ) Gerenciamento de tarefas (Ex: dotProject) ( ) Não tenho competências em ferramentas de comunicação Como você desenvolveu essas competências tecnológicas? ( ) Sou autodidata ( ) Aprendi na faculdade ( ) Aprendi no IRC ( ) Fiz um curso específico para aprender a utilizar essa ferramenta ( ) Um(a) amigo(a) / namorado(a) / familiar me ensinou Você percebe algumas semelhanças entre o IRC e as redes sociais na internet atuais? (Ex: Twitter, Orkut, Facebook) ( ) Sim ( ) Não. Por que? Quais semelhanças entre a ferramenta do IRC e as redes sociais atuais você percebe: ( ) Possibilidade de deixar depoimentos ( ) Recados privados ( ) Envio de fotos ( ) Perfil de usuários ( ) Envio de arquivos ( ) Mensagens síncronas (timeline de mensagens) ( ) O uso do @ para classificar uma função na rede ( ) O uso do # para classificar uma função na rede ( ) Tópicos personalizados ( ) Salas/Canais particulares ( ) Opções de privacidade GRUPO ZERO / CANAL #ZERO: Perguntas relativas as interações do grupo Zero e de pessoas que acessavam o canal #Zero. O que fez você entrar no IRC? ( ) Contato com familiares e/ou amigos ( ) Praticar idioma estrangeiro ( ) Busca de parceiro romântico ou sexual ( ) Atualizar-se das notícias


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( ( ( ( (

) Divulgação de eventos e/ou produtos com os quais trabalha ) Divulgação de eventos e/ou produtos de terceiros ) Atuação política ) Status pessoal ) Outro motivo. Qual?

O que fez você entrar no grupo ou canal #Zero? ( ) Contato com familiares e/ou amigos ( ) Praticar idioma estrangeiro ( ) Busca de parceiro romântico ou sexual ( ) Atualizar-se das notícias ( ) Divulgação de eventos e/ou produtos com os quais trabalha ( ) Divulgação de eventos e/ou produtos de terceiros ( ) Atuação política ( ) Status pessoal ( ) Outro motivo. Qual? Você participava dos IRContros em geral? ( ) Sim ( ) Não Você participava dos IRContros do canal #Zero? ( ) Sim ( ) Não Se a resposta for “sim”, marque a sua frequência de participação dos IRContros: ( ) Semanalmente ( ) Mensalmente ( ) Diariamente ( ) Esporadicamente ( ) Não participava ( ) Outra frequência. Qual? Quais IRContros você mais participava? ( ) IRCines (encontro em cinemas) ( ) IRCaneladas (encontros em jogos de futebol) ( ) IRCgazetadas (encontro de estudantes) ( ) IRChurrascos (encontro sociais) ( ) Eventos de outros canais (Ex: Belém) ( ) Reunião de OPeradores ( ) Apenas em encontros virtuais pelo IRC ( ) Nunca fui a IRContros Qual era sua hierarquia no canal Zero? ( ) Fundador (Founder) ( ) Coordenador (Master) ( ) Operador (OP) ( ) Usuário comum ( ) Outra. Qual?


Trabalho  de  Conclusão  de  Curso  apresentado   à   banca   Examinadora   do   Curso   de   Publici-­ dade  e  Propaganda  da  Faculdade  Estácio  do   Pará,   como   exigência   parcial   para   obtenção   do   título   de   Bacharel   em   Comunicação   Social,   com   Habilitação   em   Publicidade   e   Propaganda.


CIBERCULTURAS NO IRC: Uma pesquisa sobre as ferramentas de comunicação dos anos 90 no Brasil