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Sr. Svendson, o dono de um depósito de ferro, recebe em seu estabelecimento alguns clientes conhecidos e um novo cliente, recém chegado na cidade. Logo começam a acontecer estranhos assassinatos, coisa que causa preocupação ao comerciante, mas nada que a impeça de continuar negociando barras de ferro com seu novo cliente, que cada vez compra mais. Parábola de Bertolt Brecht escrita em 1939, o texto faz referência ao início da segunda guerra e a ascensão nazista. Em Quanto Custa o Ferro, temos a materialização, por meio da alegoria, do processo de anexação de territórios que comporão o espaço necessário para viabilizar os planos de domínio alemão.


Peça-ensaio sobre um proprietário de terras que tem dificuldades em manter sua posição de classe devido a seu grande sentimentalismo e a sua relação contraditória com os empregados da fazenda. O texto tem como ponto de partida o estudo Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e a peça O Senhor Puntila e seu Criado Matti, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. A Companhia do Latão é um grupo teatral interessado na reflexão crítica sobre a sociedade. Seu trabalho inclui espetáculos, atividades pedagógicas, bem como uma série de experimentos artísticos. Com o apoio do Instituto Goethe, a companhia realiza intercâmbios com artistas alemães, entre os quais Peter Palitzsch, colaborador de Brecht.


Em Cheiro de Carne, o (neo)grotesco é pano de fundo para as ações estabelecidas, é através dele que um pensamento vai sendo delineado numa reflexão que aponta o homem como sendo apenas um pedaço de carne. É amparado sob essa ótica crítica que o espetáculo aborda temas que são um prato cheio para o sensacionalismo e usa isso como forma de refletir nosso papel dentro de uma sociedade cada dia mais mutável em seus valores. Com estilo oriundo do grotesco criollo surgido na Argentina do século 20, é classificado como um gênero de onde o riso é extraído da ambiguidade, da dúvida. A montagem revela o humor sarcástico, crítico, com certo matiz de crueldade.


Uma família imersa no mais profundo fracasso. Uma mãe que não suporta a passagem do tempo e que concorre constantemente com sua filha. Ela esconde um segredo do qual nem ela mesma se lembra sobre a real identidade de cada um em sua casa. Uma filha em busca de responder perguntas sem respostas. O conflito de um filho sobre sua sexualidade que se torna divertido pela ingenuidade que o caracteriza. E um pai cuja ausência é mais forte que a presença. Orégano é uma casa com muitas perguntas, mas curiosamente sem qualquer resposta. Essa montagem abriu o Festival Latino Americano de Teatro de Foz do Iguaçu e participou do Encontro de Grupos Teatrais no Rio de Janeiro.


Antonio Abujamra, aclamado diretor e ator, é natural de Ourinhos. Um dos pioneiros na introdução no teatro brasileiro dos princípios teatrais de Bertolt Brecht (1898-1956), Roger Planchon (1931-2009) e outros expoentes das artes cênicas, foi um dos principais incentivadores da revolução cênica dos anos 1960 e 1970. Formado em filosofia, começou sua carreira como crítico teatral, realizador e ator no chamado teatro universitário, montando Tennessee Williams (19111983), Eugène Ionesco (1909-1994) e Georg Büchner (1813-1837), cujo espírito revolucionário da obra desses dramaturgos o impregnou de forma indelével. Em 1991, recebeu o Prêmio Molière e em 1998 ganhou o Prêmio Shell de melhor direção.

Monólogo criado, dirigido e protagonizado por Antonio Abujamra, procura, por meio da comédia, compreender os brasileiros. O espetáculo, despido de preconceitos e ideias pré-concebidas, traz à tona temas insólitos de uma forma inteligente. Abujamra realiza seu projeto mais pessoal, dando continuidade à sua busca pela compreensão do mundo. Provocar, na pura acepção do termo, significa impelir alguém ou a algo geralmente radical, incitar, instigar, desafiar, irritar, despertar, estimular, verbos que estão intimamente ligados à trajetória artística e intelectual desse que é considerado um dos maiores pensadores e polemistas da atualidade. Portanto, sinta-se desde já devidamente provocado.


A montagem reúne textos, músicas, danças e depoimentos ligados à cultura popular, desenvolvendo-se sobre dois movimentos: o íntimo, com contatos individuais entre atores e público, e o espetacular, com recriações livres dessas manifestações. Composto de fragmentos: de danças dramáticas populares, de depoimentos de personalidades ligadas a estas manifestações, de documentos históricos relacionados à escravidão no Brasil, de poesias e músicas populares de diversas origens e de recriações de experiências pessoais do elenco. Busca propiciar aos atores da companhia e aos espectadores uma experiência diferente e profunda em relação ao fazer teatral convencional.


Uma história de amor entre uma cientista e um apicultor. Desse improvável encontro, o dramaturgo inglês Nick Payne traça uma miríade de probabilidades, encontros, desencontros e reencontros, em infinitos desdobramentos através de cenas que se repetem em looping. O formato inusitado e dinâmico da peça é um espelho de seu conteúdo. Melissa, a cientista, é quem explica a Roger o conceito de multiversos: universos paralelos em que, “a qualquer momento, vários resultados podem coexistir simultaneamente”. Com linguagem ágil e lúdica que adiciona humor ao texto, a peça trata de questões humanas pungentes como destino e livre arbítrio, quando o jovem casal se depara com a iminência da morte.


Dois palhaços disputam o coração de uma palhaça, a qual nem existe de verdade, mas na fantasia da dupla. Tudo de improvável que eles poderiam aprontar para conquistar a amada imaginária foi reunido no roteiro do espetáculo ‘’Qual a graça de Laurinda?’’. A montagem, concebida para todas as idades, incorpora a linguagem do desenho animado. Não traz diálogos, mas mímica e muita movimentação dos atores. ‘’Mereceu’’ e ‘’Lambreta’’ são os dois palhaços apaixonados. ‘’Laurinda Graça’’ é a palhaça famosa por quem a dupla de marmanjos arrasta asas. Só que eles só a conhecem através de uma foto de jornal. E é aí que a dupla arma o circo.


Amor, casamento e identidade masculina são os temas centrais do texto. Escrita em 1895 e uma das mais populares de Bernard Shaw, a peça ameaça colocar em cena um adultério, a ser praticado por Cândida, a devotada esposa do reverendo Morell, pastor anglicano de ideologia socialista e integralmente dedicado à sua causa político-religiosa. Ao conhecer o jovem Marchbanks, poeta e aristocrata, ela acaba por se encantar por ele. O embate entre esses homens conduz a história, e a peça tem um final surpreendente, quando Cândida dá provas de ser fiel – a si mesma. A natureza da fé religiosa, o embate Socialismo versus Capitalismo, a decadência da nobreza e a Londres da era vitoriana também estão presentes.


A riqueza da fauna brasileira através de recursos plásticos. Pautado nos bonecos, na música e na coreografia, esta montagem procura criar o ambiente da mata sem exigir um comportamento humano de seus personagens. As fábulas, onde os bichos simbolizam as virtudes e vícios humanos, são deixadas de lado, buscando-se atenção às influências que as mesmas exerceram na cultura popular. Ao beber na fonte inspiradora dos mitos populares, esta produção faz reverência aos bichos brasileiros. São bonecos feitos a partir de materiais naturais, cujas formas são estabelecidas por cabaças, que ganham novo tratamento e cores diversas, buscando dar uma abordagem contemporânea a elementos rústicos. Espetáculo realizado através do Circuito Cultural Paulista – Secretaria de Estado da Cultura.



Livreto 5a Mostra Sérgio Nunes