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ESMORIZ (BARRINHA) EM FOCO

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Edição: Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz Setembro de 2012 http://www.aalesmoriz.blogspot.com http://issuu.com/pedrodredd/docs/aale29 e-mail: aalesmoriz@gmail.com Processo de auto-expulsão dos detritos que o rio de Maceda deposita na Barrinha, Quando as enchentes da lagoa são provocadas pelo mar, este galga a faixa de areia que o separa do Regueirão, introduzindo na Barrinha para cima de dois milhões de metros cúbicos de água e juntamente alguns milhares de toneladas de areia que deposita no braço da lagoa paralelo ao mar. Segue-se depois o rebentamento da faixa de separação, o que em condições normais dá origem a uma corrente impetuosa, que tudo arrasta para o oceano, aprofundado o Regueirão e rectificando as suas margens. Baseando-nos neste fenómeno, estamos certos de que transferindo para o Canal das Pontes - depois de convenientemente aprofundada a lagoa e restituída ao tamanho que tinha no segundo quartel deste século – o rio que entra na mesma pelo lado sul, poderíamos provocar a auto-expulsão de pelo menos 60% dos detritos que os rios depositam na lagoa. O esquema que se segue dá-nos uma ideia do que sucederia em cada uma das fases do enchimento e escoamento da mesma. Quanto ao braço da lagoa paralelo ao mar seria deslocado mais para nascente e junto às suas margens não haveria construções de espécie alguma, a não ser as costumadas barracas e guarda-sóis, mas somente mo tempo dos banhos, a fim de não prejudicar a acção dos ventos sobre a areia, função essa importantíssima, e que dá à Barrinha características muito diferentes de tudo quanto se encontra por essa Europa fora. José Sá Ferreira (1977) (1) Em 1961 fizemos idêntica sugestão, a qual foi publicada pela revista “Gás em Grande” no seu número de Junho daquele ano.

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A BARRINHA, QUASE SEMPRE A lagoa consta, ainda, de alguns manuais ligados ao mundo turístico e, garantidamente, a sua configuração, a sua beleza e a sua vertente inspiradora de poetas e de escribas, está bem presente na memória dos Esmorizenses, menos jovens. Para lá está, poluída, e tristemente abandonada pelos autarcas e políticos locais, ou de outras zonas do país que, em nossa opinião, quando a visitam, ou a ela se referem, especialmente em tempo de eleições, as palavras são simpáticas mas, e como referiu um residente local, apenas servem para mais poluir a Barrinha/Lagoa de Paramos, já que a empestam com as suas promessas de… Mas, em verdade, lá longe, a norte, e já em território da terra vizinha, é possível olhar e ver como ela, às vezes, é de águas azuladas e aparentemente límpidas. Dizemos às vezes, por que quase sempre, o lixo e as águas negras estão ali acumuladas a aguardar que a “abertura” aconteça e toda aquela porcaria rume ao mar e por outros “mundos” se espraie. E por que dos manuais consta a sua existência, chegam pessoas, vindas de outras terras, à sua procura. E, como lá chegar? O passadiço, ao ser construído, foi uma interessante realização. E porque os bens materiais precisam de ter acompanhamento que acautele a sua manutenção, aquela madeira, com o tempo e o uso, começou a “se queixar” e os rombos a aparecer. A natureza tem sido simpática e os buracos são tapados quando a areia até eles chega. É que os humanos, não mais se lembraram de assumir aquilo a que estão obrigados. Sabemos que duas entidades oficiais se confrontam com opiniões diferentes na forma de manter transitável o passadiço, e, enquanto não se passa da “conversa de treta”, a areia toma posse de espaço que já foi seu, e o acesso ao areal, a norte, ou aos estabelecimentos comerciais ali implantados, que pagam impostos a Ovar, é bem penoso. A discordância do método, percebe-se. É que enquanto a Associação de Esmoriz defende o que pensa ser o melhor e o mais conveniente, de Ovar vem uma outra alternativa que visa criar o desacordo e manter a limpeza e a renovação do “piso”, por fazer. Recordamos e já lá vão quase dois anos, um responsável da edilidade vareira, em entrevista televisiva, em tempo de carnaval, ter dito que estava nos seus projectos o prolongar do passadiço nos terrenos de Esmoriz e proceder à construção de uma ponte, para ligar as duas margens, em local onde uma ponte existiu e, curiosamente foi a primeira ponte que, para ser transposta se tinha de pagar portagem (ver história de Esmoriz de autoria do Padre Aires de Amorim). Ao proferir aquelas “vaidosas” palavras, que consideramos de carnavalescas, o autarca vareiro revelou a sua ignorância, pois os pegões que poderão vir a suportar uma ponte, estão, inteiramente, em espaço de Paramos, no limite de dois concelhos (Espinho e Ovar) e de duas Províncias (Douro e Beira Litoral). Como aquele projecto era mais um daqueles que são “promessa de político” nada de mal veio ao mundo, para além de mais uma vez se ficar a saber que em Ovar nada se sabe sobre Esmoriz. Nada!!! Não. Eles sabem quantos milhões de euros entram nos seus cofres, idos de Esmoriz, a cidade colonizada. Até quando? Florindo Pinto (email:malhotanoeiro@gmail.com).

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JÚLIO DINIS E A BARRINHA

Anteriormente à construção do caminho de ferro, e mesmo depois, até à inutilização da ponte da Barrinha, a maior parte das pessoas que viajavam entre o Porto e Ovar passavam pela nossa lagoa. O romancista Júlio Dinis (…) costumava passar temporadas em Ovar, onde tinha parentes, pois que seu pai e seus avós paternos eram naturais daquela vila. É de crer que anteriormente à construção da ponte e do caminho de ferro, nas suas viagens entre Porto e Ovar, Júlio Dinis tivesse passado pela foz na nossa lagoa; pois que doutra forma não poderia descrever as suas particularidades com tanta soma de pormenores, como o faz em “O Canto da Sereia”, romance inédito de que o sábio Dr. Egas Moniz nos dá uma pequena amostra no trabalho intitulado “Júlio Dinis e a Sua Obra”. Em “o Canto da Sereia”, a propósito duma viagem que Pedro, um dos principais personagens do romance, empreendeu ao longo da costa que medeia entre o Furadouro e os palheiros de Espinho, assim falou Júlio Dinis da nossa Barrinha: “Quem viajasse há anos por esta parte da província da Beira, deve conhecer, por tradição, senão por experiência, o ponto do litoral que recebeu este nome e onde tantos episódios, uns cómicos e outros trágicos, se sucederam, antes que se construísse a ponte que hoje o viajante, ao percorrer a linha férrea, próximo à estação de Esmoriz, descobre desenhado os seus quatro arcos sobre o fundo esverdeado das águas do oceano”. “A Barrinha é uma estreita abertura cavada pelo mar na costa de areia, interrompida neste ponto, e por a qual ele se precipita, vaga a vaga, em um pequeno golfo que se estende para o norte e para sul, separando dois extensos cabos de areia fronteiros um ao outro. Nas marés brandas, e quando o mar é pouco agitado, esta abertura é vadeável e os viajantes aproveitando o refluxo, quase a pé enxuto a atravessam, tão incólumes como Moisés atravessou as ondas do Mar Vermelho; mas uma hesitação, uma demora pode ser-lhe fatal; se a vaga volta com um pouco mais de violência, envolve o incauto e não poucas vezes o arrasta consigo”. “Nas marés vivas, porém, e quando as correntes marítimas são mais fortes, a passagem torna-se impossível, a não ser nos barcos mais fortes, que estacionam no pequeno golfo, e cujas águas nem sempre são plácidas, recebendo a agitação que o oceano, em completa comunicação com eles, lhes transmite.” “Ora nessa noite era a Barrinha intransitável; ainda então não existia a ponte que hoje permite fácil passagem em toda a ocasião, e o mar era abundante.” Mais adiante, a propósito dum outro personagem do romance, o velho pescador João cabaça, há uma curta referência à capela da Senhora Aparecida, em Paramos. Segundo se depreende do trabalho literário do saudoso Dr. Egas Moniz, há em ´´ o Canto da Sereia `` pormenorizadas descrições das mais notáveis particularidades da zona costeira compreendida entre o Furadouro e Espinho; porém, (…) o Dr. Egas Moniz limitou a transcrição desses pormenores aos que ofereciam um interesse geral (…). Jornal A Voz de Esmoriz 30/Novembro/1956 Recolha de: José Sá Ferreira 4

Boletim «ESMORIZ (BARRINHA) EM FOCO» - 29ª Edição  

Boletim informativo mensal da Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz.

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