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ESMORIZ (BARRINHA) EM FOCO

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Edição: Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz Maio de 2011

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O QUE OS PASSARINHOS DIZEM Que é que dizem, Mãezinha, os alegres passarinhos quando estão a chilrear, na sua doce vozinha? – Estão a chamar os filhinhos, a ensiná-los a voar. Dizem-lhes coisas bonitas, dão-lhes conselhos amigos, meigos carinhos de mãe, nessas lindas palavritas que falam as avezitas e que elas entendem bem. Livro da Primeira Classe (1947) Página 82

E então, quando algum menino lhes rouba os lindos filhitos dos seus berços animados!... É um choro, um desatino. Parece que dão gritos, nos pios desesperados. Mas, se levam uns grãozitos aos seus meninos bonitos, que alegria no cantar! – Vinde cá, lindos filhinhos, abri os vossos biquinhos, que vamos, todos, jantar! E cantam, cantam tão bem, como só sabe cantar quem tem meninos e é mãe.

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MARÉ!

PAVÃO

Como um pária da arte, amando a natureza, as terras vou correr, buscando uma ânsia vã. Para a minha alma azul, sedenta de beleza, a harmonia da cor, o rocio da manhã. Percorro insatisfeito os canais da Barrinha, atravessando floresta, arte pura e sã. Sinto tristeza com a colossal tardinha, e vou frente ao mar ver uma arte má. O belo não cansa, mas a tristeza me invade, d’uma certa e esquisita arte este meu ser até, que ao abraçar o burgo, à hora da trindade… Surge o pintor ideal, cheio de crença e fé, e mil tintas espalho e pinto de cor a saudade, pelos canais da Barrinha, enchente da maré… Francisco Pinho (Esmoriz és emoção)

No casal é fácil identificar o macho e a fêmea, tal é a diferença de tamanhos e de cores. O Macho, atinge um tamanho que causa admiração e a sua plumagem é vistosa e muito colorida. É uma ave oriunda das índias e, em outros tempos, a sua existência era mais notada nas montanhas daquela zona do globo. Hoje, é vista por quase todo o mundo e no nosso país é tida como ave doméstica. Alimenta-se, preferencialmente, de sementes, rebentos das plantas, insectos e pequenos répteis. Em período do cio, os machos “pescam” várias fêmeas e nos preparativos para o “acto” eriçam as suas penas dorsais, formando um leque lindíssimo. O seu ninho é construído com pequenos ramos que são revestidos de folhas secas para conter os ovos de postura que pode variar entre os 4 e os 8, e a incubação dura cerca de trinta dias. Quando em cativeiro, as fêmeas frequentemente abandonam o ninho, e recusam os ovos. Pertencem, na sua origem, ao reino animal selvagem. Como os demais animais estão inseridos no ciclo de vivência e sobrevivência. Os machos, quando adultos, possuem as penas da cauda com dimensões que são a causa primeira para se tornarem presas fáceis daqueles que de “carne” de pavão gostam. Se se sentem perseguidos, voam para um qualquer ramo de uma árvore mas não atentam na dimensão da cauda, que fica ao alcance dos seus perseguidores e a partir daí são capturados e mortos.

FAISÃO DOURADO É uma ave de cores belíssimas, onde a mistura do amarelo dourado e do vermelho, proporciona um conjunto encantador, um regalo para a vista. Dois penachos de penas muito finas, visíveis ao lado da sua cabeça dourada, complementam uma figura de cauda alongada e multicolor. É oriunda das regiões montanhosas da Ásia, onde vive e se desenvolve nos bosques de bambus. Por cá, podem ser vistas em Jardins Zoológicos, ou nos cativeiros de coleccionadores de aves, ou em espaços que os criadores de pássaros exóticos possuem, com o intuito de os comercializar. São aves de características pouco voadoras mas ágeis e muito rápidas quando em corrida no solo.


BARRINHA DE ESMORIZ

Apesar dos cargos públicos que ocupei, raramente me pronunciei sobre o tema, Barrinha de Esmoriz, porque verifiquei muito cedo e ao longo de muitos anos, que toda a gente, com conhecimentos ou sem eles, a propósito ou a despropósito, na televisão, nas rádios e nos jornais, emitiu opiniões às centenas, vulgarizando um assunto que, talvez por isso, nunca saiu da mesma estaca – estaca zero. Até ao momento, serviu apenas para alguns discursos políticos enganadores com despesas consideráveis e inúteis para o erário público. Por estas e por outras, estamos como estamos!... Na abordagem a esta questão, teremos de considerar que estamos perante uma zona lagunar importante, bonita e com um histórico fascinante. Em tempos idos, a total ausência de poluição, promovia a convivência humana com a lagoa, fazia deste local, um pólo de atracção, fosse para pescar, fosse para velejar, ou simplesmente contemplar. O mar, no seu vaivém, efectuava uma ligação natural, contribuindo para o seu rejuvenescimento e estabelecia um diálogo conhecido e saudável. As aves, migratórias ou não, às centenas,compunham um cenário idílico. Curiosamente, a modernização dos nossos dias, trouxe à Barrinha retrocesso, alterações negativas, ou mesmo muito negativas se nos referirmos aos níveis de poluição que ali se depositam pelas duas portas de acesso: - A ribeira de Paramos que continua a debitar para a lagoa a cada minuto que passa, enormes quantidades de lixo proveniente das fabricas de papel de Oleiros, das indústrias de Riomeão, e Paços de Brandão. Para além dos efluentes industriais, estas localidades debitam também para as linhas de água que compõem a sua bacia hidrográfica, esgotos domésticos não tratados; - O rio Lambo, do lado de Esmoriz, conduz ainda alguma poluição proveniente de uma indústria e de um ou outro esgoto para ali conduzido por algumas linhas de água afluentes. Os poluidores têm sido denunciados pela comunicação social e estão identificados pelas autoridades competentes. E, aqui é que bate o ponto. Enquanto estas fontes de poluição não forem completamente erradicadas, não valerá a pena falar em projectos que incluam dragagem, pois são muito caros e, por si só, não melhorariam a situação deste biótopo. Esmoriz, 5 de Maio de 2011 Artur Ferreira da Silva


BARRINHA EM MAIO

Passaram alguns meses e a Barrinha, que estava directamente ligada ao oceano, e para lá a enviar a água da chuva, os “produtos” que o cidadão menos consciencioso não quer em casa, mas que tem outros locais onde os colocar, e outras coisas que coisas perigosas e algumas delas mal cheirosas e deveras nocivas para a saúde pública, foi recentemente tapada. A partir de agora se espera que a qualidade da água do mar não sofra os malefícios que a Barrinha lhe “oferece” no dia a dia e que de quando em vez o quantificar não é possível. Por quanto tempo? E não é de agora que o dizemos, que os “engenheiros” cá do sítio, que tudo sabem e possuem o remédio milagroso, têm uma opinião formada e, neste caso, já alinhavaram a sua “sentença”. Na opinião de alguns, o “fechar” aconteceu muito cedo e, garantidamente, os problemas de anos anteriores, que por cá têm surgido em plena época balnear, não deixarão de ser repetidos. A bacia da Barrinha já não comporta aquela quantidade de líquido como em outros tempos, pois o entulho solidifica em tempo de vazamento e as plantas aproveitam para se instalar e ocupar espaço, espaço que era da água. E como a água tem de se espraiar, vai-se deslocando na procura de um leito, fazendo uma distribuição equitativa e os vizinhos, contrariados, são por ela visitados. As queixas surgem e o descontentamento instala-se. A solução a que se recorre, quem da Barrinha trata, é a de sempre, e enquanto a Bandeira Azul flutua, aquele composto de água e coisas, que esteve em “marinada” durante alguns meses, é solto e ruma ao mar. O mar azul ou verde, passa a preto, a brisa do mar em vez de trazer para terra o iodo, traz aquele característico e nauseabundo cheiro, que se transforma em “ódio”. E a Bandeira, é retirada e regressa ao local de origem. Depois, temos a romaria do costume. As estações de Rádio e de Televisão vão noticiando, o país ouve, mais uma vez, falar de Esmoriz, no seu pior. Mas tranquilizem-se os Esmorizenses por que em termos de “televisão”, nem tudo é mau para Esmoriz. Se tiver curiosidade em saber o que de bom passou na Sic, consulte: http://sic.sapo.pt/programas/boatarde/article592459.ece e terá a oportunidade de ver o “velho” Nicolau a fabricar as suas “famosas” bifanas. Até lá, esperemos que tudo decorra a contento de todos. Florindo Pinto

Boletim «ESMORIZ (BARRINHA) EM FOCO»  

Boletim informativo mensal da Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz.

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