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QUEM É PEDRO?1

Pedro de Lucena, atualmente com 20 anos, é autista “não verbal” e se comunica digitando em um teclado. Com o suporte de um profissional facilitador, utilizando a estratégia de comunicação alternativa chamada Comunicação Facilitada, Pedro digita o que quer dizer, seus pensamentos e sentimentos, e assim escreveu os poemas e textos deste livro. Sete dos poemas de Pedro já foram publicados na Revista Subversa de Literatura Luso-brasileira, e um conto seu consta em uma antologia organizada pelo escritor pernambucano Paulo Caldas, atualmente “no prelo”. 1

E-mail para contato: carloslucena2000@yahoo.com


Pedro tem se apresentado em cursos na área de educação, grupos de pais de autistas e igrejas no Recife, divulgando seus textos e dialogando com as pessoas sobre sua vida, pensamentos e fé. Em 2016 se apresentou como convidado no 1º Encontro Brasileiro de Pessoas Autistas (EBA), organizado pela Abraça, em Fortaleza, Ceará. Pedro tem sido uma inspiração para as pessoas autistas e não-autistas que o conhecem. Aluno do Colégio Grande Passo no Recife até 2017, Pedro foi aprovado no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA), em todos os conteúdos do Ensino Médio. Pensa em fazer faculdade de pedagogia ou psicologia, para ajudar outras pessoas autistas. Pedro mora no Recife com seus pais Carlos e Cláudia e sua irmã Tamar. Outros participantes de seu seu dia-a-dia são os seus facilitadores de comunicação, os professores Rogério da Silva e Hilton de Almeida, e as auxiliares Nadja e Lindinalva. Até os 13 anos de idade, Pedro não tinha um meio para expressar seu mundo interior. Seus primeiros versos, feitos pouco tempo depois de começar a se comunicar digitando, diziam: Bacana saber que eu sou entendido Só, doente, mostro meu sentimento Antigamente mamãe me nascido Agora soa só meu pensamento.


Parabรณlicas

PEDRO DE LUCENA

Recife, 2018


Quero agradecer ao eterno Deus, meu criador e doador de vida. Agradeço a meu pai e a minha mãe, que são meus melhores incentivadores. Minha gratidão a todos que irão ler minhas poesias.


É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Saint-Exupéry


SUMÁRIO

Quem é Pedro? Parabólicas

I 08

I - Paranoias Lágrimas Estado de ser Desmotivo (c/ versões inglesa e espanhola) Sentido Agonias Muros das criações

10 11 13 16 17 18

II – Pura sintonia Expectativas? O tempo Ritmo O sorriso da alma Destemido Esperança

20 21 22 24 25 26


III – Antenado Sem lugar Mater Aurora real Quatro gatos pingados Deus e sua criação Natal Salve a vida! Destino Tempo

28 29 30 31 33 36 37 38 39


Pedro de Lucena

Parabólicas

PARABÓLICAS “Parabólicas” pois cada poesia é uma forma de captar os sentimentos mais distantes que estão nos lugares mais remotos do ser. Cada poesia busca conectar o ser existencial que está dentro de cada um de nós. Ainda que algumas poesias pareçam despretensiosas, pelo seu estilo, tema ou categoria, carregam em si uma alma cultural, que remete ao ser existencial que somos ou ao ser social que nos tornamos. Ondas invisíveis que captam o essencial ser. Revelam e velam toda essência do viver. Anunciando ou invocando todo o oculto mundo Onde um estranho ermitão vive na clausura E usura de seu distante modo de transcender. Sinal de vida numa distante vila vívida Perdida ou contida em seu simples modo de crer. Paranoias de um viajante fugaz, que em pura Sintonia com sua essência excêntrica Está antenado com o poderoso ser. Pedro de Lucena Recife, julho de 2018. 8


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I - PARANOIAS

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LÁGRIMAS

Só choro porque imploro À vida onde moro, um pouco menos de tédio, Um pouco mais de óbvio.

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ESTADO DE SER

Seja quem for esse eu que habita em mim, Ele não deixa que o verdadeiro eu de mim Protagonize o eu que realmente sou. Mas será que realmente sou? Ou estou sendo alguém que não sou? Esse eu que existe em mim Está sempre roubando a cena Do verdadeiro eu de mim. De forma que o eu que transpareço ser É na realidade o eu que não sou. Mas será que realmente sou? Ou estou sendo alguém que não sou? Meu eu antagonista, na verdade Quer ser protagonista. Mas na estrutura do corpo que habito Ser é conflito, por isso (continua) 11


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ESTADO DE SER (continuação)

Sigo sendo quem não sou Para que quem realmente sou Continue existindo. E assim estarei sendo esse eu que não sou Para que o verdadeiro eu que sou Continue sorrindo.

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DESMOTIVO (Intertextualidade com “Motivo” de Cecília Meireles)

Eu me desmotivo sem motivo. Vivo sempre perplexo, Querendo a sombra de um amigo Onde eu possa descansar. Me sinto levado pelo vento de minha solidão, E só mesmo lendo Lispector para refletir minha escuridão. Se me desmonto não sei, não sei. Se me refaço me desmonto de vez. Até que me reencontro outra vez e me pergunto: Demoras a vir, e quando chegas logo vais embora? Fujo de mim mesmo todos os dias. Se sou alegre ou triste, distante ou próximo, afetuoso ou insensível, Nem mesmo eu sei. Mas, de tudo isso e dentro disso tudo existo, E uma coisa eu digo: Sou autista e isso é tudo.

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DEMOTIVATED (“Desmotivo”, versão inglesa por Adrian Stewart)

I am demotivated for no reason. I live permanently perplexed, Longing for the shadow of a friend Where I could rest. I feel carried by the wind of my loneliness, Just reading Lispector reflects back my darkness. If I fall apart – I don’t know, I don’t know. If I remake myself I will fall apart as a whole, Until I find myself again and ask: “what kept you, and no sooner arrived than you’re gone?” I flee from myself every day. Whether I am happy or sad, close or distant, affectionate or insensitive – Even I don’t know. But, from all of this and inside this all I exist, And one thing I can say: I am autistic and that’s all.

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DESMOTIVADO (“Desmotivo”, versão espanhola por Luisa Ballentine)

Yo me desmotivo sin motivo Vivo siempre perplejo, Queriendo la sombra de un amigo Donde pueda descansar. Me siento llevado por el viento de mi soledad, Y sólo leyendo Lispector para reflejar mi oscuridad. Si me desmonto no sé, no sé. Si me rehago me desmonto de una vez. Hasta que me reencuentro otra vez y me pregunto: ¿Demoras en venir, y cuando llegas luego ya te vas? Huyo de mí mismo todos los días. Si soy alegre o triste, distante o cercano, afectuoso o insensible, Ni yo mismo lo sé. Pero con todo eso y dentro de ese todo existo, Y una cosa digo: Soy autista y eso es todo.

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SENTIDO

Sentido sinto sem sentir, Sigo sentindo sempre sua sensação. Sinto sonidos secretos, Som sinuoso, sincero silêncio Sinto sentir. Surreal, sal, sentido, sabor, sorrir. Sonho secreto senti. Sofrimento, solidão, sólida sensação Sinto sem sentir.

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AGONIAS (musicada por Hanna Vitória e Júnior Xanfer)

Das agonias que me invadem o ser Muitas são as que me não deixam ser Seguro de mim mesmo, um ser em desespero, Uma estranha criatura a vagar. As angústias que me inundam Me levam para o alto mar Onde as águas são mais turvas e profundas, Onde perdido não sei navegar. Onde estás ó alma minha? Sai desse calabouço de solidão, Sai dessa agonia de escravidão. Liberta-te dessa gota de ilusão.

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MUROS DAS CRIAÇÕES

Em meio a tantas excitações Diante de tantas ilusões Me encontro de frente a esse Muro de criações. Nesse muro escrevo o mundo Nesse muro expresso cores Escrevo o mundo de horrores Expresso cores de utopias. Eu estou no muro do mundo O mundo do muro está em mim Os rabiscos pichados no muro malvado Nada mais são que as marcas do mundo em mim. Se pinto ou rabisco, se picho ou grafito É o resultado do mundo em mim. Se pinto ou rabisco, se picho ou grafito Estou só expressando meu mundo ali.

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II - PURA SINTONIA

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EXPECTATIVAS?

Da vida quero o viva! Do abraรงo o aperto. Do hoje o instante, do amanhรฃ recomeรงo.

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O TEMPO

Eu, filho do tempo sou. Passado, presente, futuro, destruidor E reconstrutor. Eu, filho do tempo sou: Fui ontem, sou hoje e serei amanhã O tênue apaziguador. Eu, filho do tempo sou: Misterioso, indecifrável, pujante revigorador. Comedido, silencioso, moderado observador. Eu, filho do tempo sou.

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RITMO

Que som é esse que inunda meu ser? Acordes e notas precisas. Melodia cativante e ritmo vibrante, Esse é o som que sai de mim. Sentir o som bater Deixar o som fluir Escutar o som vibrar Permitir o som conduzir. O ritmo é forte, a canção envolvente. Meu corpo não resiste. Minha mente se rende. É como som de muitas águas, É como o estrondo de poderoso trovão. Sinta o som bater Deixe o som fluir Escute o som vibrar Permita o som conduzir. (continua) 22


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RITMO (continuação)

O ritmo da vida É o espírito que habita em mim. O sopro que anima a alma, O coração que pulsa sem fim. O sangue que corre na veia, O amor que envolve e incendeia. É o ritmo de vida que me faz sorrir.

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O SORRISO DA ALMA

Sinto minha alma sorrir De perene alegria se encher Quando dela irradia Toda luminosidade do meu ser. Vívido, deslumbrante e límpido ser, Que mesmo sendo estranho e escondido Revela-se ingênuo e destemido Em busca de viver. Essa luz que brilha em meu ser Vem da fonte de eterna energia, Jesus o filho de Deus, Meu salvador e guia.

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DESTEMIDO (musicada por Hanna Vitória e Júnior Xanfer)

Quando tudo ao meu redor parece não ser possível, Busco em Deus a força capaz de me fazer destemido. Quando as notícias soam mal aos meus ouvidos, Busco ouvir Deus dizer: não temas pois estou contigo. O Deus que criou os céus e a terra está comigo Me fazendo um vencedor destemido. O senhor de toda Terra está contigo Para fazer de ti um verdadeiro vencedor destemido. Quando escuto Deus falar de seus juízos, Acreditar em sua justiça é tudo que preciso. E mesmo que injustiças aconteçam comigo, Prosseguirei confiando nEle, que é meu constante abrigo. Seguirei minha jornada de fé confiando em Deus, Não me deixarei abater nem entristecer Por coisas dessa vida que insistem em me acometer. Jesus Cristo, meu eterno amigo, me fez destemido Para vencer. 25


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ESPERANÇA

Estou de passagem nessa vida Para em outro mundo viver. Deixarei aqui a minha lida Certo de que outra vida irei ter. Sentirei saudade, é verdade! Das ilusões que aqui vivi. Das marcas do tempo e a voracidade Da realidade que habitava em mim. Morarei no templo da eternidade Onde a noção de tempo é esquecida E a morte e a dor serão banidas. Assim saudade não mais terei Dessa vida deveras sofrida Que sem ressentimento deixei.

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III - ANTENADO

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SEM LUGAR

A rua estรก nua sem gente a vagar. A vida vaga na sua Sem ter vaga pra estacionar.

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MATER

Sensibilidade em forma de gente, Extravagante quando o assunto é amar. Ainda um feto inocente Recebe afeto envolvente Daquela que nunca o abandonará. Quem é seu próprio eu Quando o filho está a chorar? A Mater é quem sempre tem Em seu colo o abrigo, Nos seus braços o abraço E em seu coração o afeto Para o filho acalentar. Ser Mater é dom divino Que até Deus menino Quis desse ser desfrutar.

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AURORA REAL

Ah Recife! Como és bela e pungente. Teus encantos estão por todos os cantos Dos lugares antigos, todos os antigos Lugares de tua aurora reminiscente. És o berço real de ilustres filhos Do Leão do Norte, Maurícia Cidade De retumbantes acontecimentos Talhados na história e no tempo com talento. Marcante aurora das pontes dos rios fluentes, Tuas ruas, estreitas e sorridentes, Revelam o ar das marés e mangues basilares De uma típica metrópole remanescente. No teu colo, ó mãe dos ritmos ferventes, Nasci e cresci filho da aurora reluzente, Que saudade sempre sentirá quando distante Estiver de sua casa permanente.

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QUATRO GATOS PINGADOS

Aos poucos e aos pingos Eles foram chegando. A cada semana era um pingo Que ia se hospedando. O primeiro e peralta É um gato astronauta. Matreiro e desenrolado, É um felino danado Que não deixa passar com alta Um passarinho assanhado. Chegou mais um para habitar, Branco de neve veio para ficar. Preguiçoso e folgado, Quer o espaço tomar E dar o seu recado.

(continua)

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QUATRO GATOS PINGADOS (continuação)

Dias passaram tranquilamente Que me fizeram até pensar: Dois já são suficientes Para a casa alegrar. Triste engano meu, Pois um negro gato apareceu. Todo elegante e misterioso, O pingo preto me envolveu. Quando tudo parecia acabado, Um felino pequenino Veio assumir o seu lugar De chefe dos gatos pingados, Essa gangue que tem chegado No pedaço para animar.

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DEUS E SUA CRIAÇÃO

Certo dia Deus acordou de ovo virado. Olhou ao seu redor e disse logo: não me agrado De ver a terra sem forma e vazia, isso é um pecado! Darei um jeito nisso, antes de tirar um cochilo bem sossegado. Criarei um mundo bonito Cheio de seres vivos e animados. Logo de início, diante de uma escuridão arretada, Deus disse: Haja luz! E luz foi criada. Numa rapidez tão medonha, Que nem a velocidade da luz pegava. Deus espiou a luz e viu que era boa. Deu à luz o nome dia, pois a tudo alumiava. No segundo dia, já cheio de alegria, Deus separou as águas doce e salgada. Água que ficou na imensidão do céu Outra na imensidão do mar Ainda achou pouco e escondeu Água até debaixo da terra para não faltar. (continua) 33


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DEUS E SUA CRIAÇÃO (continuação)

Para embelezar a terra criada, Deus criou plantas de todas as espécies, Num só jogo de palavras. Ele disse: que a terra produza todo tipo de vegetais Para não morrerem de fome Nem homem nem animais. Deus achou pouco a belezura da luz do dia E criou as estrelas no quarto dia. O sol com todo seu esplendor, A lua cheia de maestria Essa para reger a noite Aquele para governar o dia. No quinto dia Deus estava a todo vapor. Criou os animais aquáticos, Foi assim que os chamou. Também criou aves de todas as espécies E assim os ordenou: Encham as águas e os céus, obedeçam seu criador. (continua) 34


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DEUS E SUA CRIAÇÃO (continuação)

No sexto dia Deus continuava animado Criou os animais selvagens e o gado. Era animal de todas as espécies Que não se podia imaginar A todos eles Deus ordenou o procriar E assim foi esse dia para terminar. Ainda nesse dia para fechar com chave de ouro Deus criou da terra em pó O ser humano, seu maior tesouro. Deu a ele tudo do bom e do melhor Para na terra viver E sempre lembrar de seu criador. Tudo feito então Deus olhou pra tudo e disse Que tudo era muito bom. Foi então no sétimo dia Que Deus descansou De tudo aquilo que criou.

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NATAL

Nascimento é o significado Salvação é o propósito Revelação a comunicação: Emanuel chegou trazendo comunhão. O menino Deus, que é o Deus menino Nos abençoou com seu nascimento divino. Trouxe do céu sua luz Para iluminar os lugares De trevas e escuridão. O Natal é sempre uma festa Que nos envolve com alegria. Deus nos chamou para celebrar O nascimento de seu filho Em comunhão e harmonia.

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SALVE A VIDA!

Devemos viver a vida de forma bonita Como Deus programou, Obedecendo a Sua vontade Com muito amor. Sua vida é passageira E pode naufragar, Mas se você clamar por Deus Ele vem te ajudar. Somente terás a salvação Pelo sangue de Jesus, Pois com o Seu amor teve compaixão De nós, morrendo numa cruz.

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DESTINO

Seu destino é sua responsabilidade Idade idade identidade Na cidade sem visão Aqui dentro tudo tranquilo Aqui fora devastação São destinos que se cruzam Na imensidão De uma palavra ou de um olhar Que diz sim Que diz não Sem precisão, sem precaução Sem dimensão Tudo destino, tudo ilusão.

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TEMPO

Tic tac ao redor Tic tac esse é o som Está dentro, tic tac Está fora, veja a hora! Está dentro, tic tac Se demora, vou embora. Tic tac é o vento Tic tac é o sol Tic tac é a chuva Tic tac é a lua e o farol Estar dentro, tic tac Estar fora? Não vejo a hora! É barriga tic tac É bebê chorando. Está fora tic tac É vida nova chegando. (continua) 39


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TEMPO (continuação)

Velho, novo tic tac Idoso é velho de bem. Novo, velho tic tac O jovem será velho também. E a vida, tic tac É a morte quem tem. Tudo é tempo, t i c ... t a c A vida é o tempo que se tem.

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Livro de poesia de Pedro de Lucena, 20 anos, autista "não verbal" que se comunica digitando em um teclado. São vinte e dois poemas, que segu...

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Livro de poesia de Pedro de Lucena, 20 anos, autista "não verbal" que se comunica digitando em um teclado. São vinte e dois poemas, que segu...

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