Issuu on Google+

Preto & Branco

Foto: Thorsten Jankowski

Especial: AndrĂŠ Brito


A fotografia nasceu em inícios do século XIX e, desde então, sofreu alterações profundíssimas que a conduziram através de um caminho que se traduziu em maior qualidade e economia de meios. Desde o velhinho daguerreótipo – que se caracteriza por ser um processo fotográfico, mas sem imagem negativa – até às modernas fotografias coloridas digitais da actualidade, muitas transformações ocorreram. Pelo caminho ficaram os rolos, as Kodacs, a Polaroid, os cubos mágicos, entre muitas outras pérolas do mundo mágico da fotografia. A fotografia a preto e branco, por estranho que possa parecer, não foi erradicada pelo advento da cor; muito pelo contrário, ganhou raízes mais fortes em contraponto com esta e compreendeu-se que nunca poderia desaparecer, pois possuía características que a fotografia colorida não possui – mesmo a digital. O que a torna, então, tão diferente e resistente à passagem do tempo, das modas e das vontades? A fotografia P/B é amplamente usada por fotógrafos profissionais e amadores nas mais diver-

2

sas situações, nomeadamente na captação de imagens que representem rostos envelhecidos, mulheres, crianças, nus, paisagens e, ainda, casamentos. Porquê esta selecção? Os itens enumerados representam, todos eles, situações que envolvem, de alguma forma, romantismo, saudade, poesia, sensualidade, enigma. E o preto e branco serve simplesmente como meio mais célere para se conseguir obter o efeito desejado. A ausência de cromatismo «empurra» o observador para outros aspectos da fotografia e obriga-o a um olhar mais demorado sobre, por exemplo, a sensualidade que esta exala, os jogos de luz e sombra provocados pelo objecto/ser fotografado, as texturas que assim ganham uma maior evidência, etc.

branco, se torna mais abstracta e, logo, obriga o espectador a um maior esforço de conversão da imagem em algo diferente – poesia fotográfica. A ausência de cores desperta também um maior saudosismo e uma paleta monocromática sugere intemporalidade, eternidade e infinito. Talvez por estas razões, tantos casamentos do século XXI tenham vindo a ser fotografados em P/B: todos os noivos desejam que o seu casamento seja eterno e nada melhor do que a fotografia a preto e branco para captar momentos que ficarão gravados em papel durante mais de 200 anos – o tempo de duração de uma fotografia P/B (as coloridas duram apenas 100 anos).

Por outro lado, os filmes P/B possuem uma maior riqueza de tons, comparativamente aos melhores filmes coloridos – significa isto que a realidade se torna, assim, mais real! O P/B também se tornou, pelo tempo em que a chegada da cor o asfixiou, numa opção alternativa, marginal, artística. Esta arte tem origem na observação de uma imagem que, por estar captada a preto e

3


4

5


Somos todos voyeurs! A beleza e o fascĂ­nio da fotografia a preto e branco conjugada com a nudez dos corpos. Contrastes, formas ondulantes, texturas fortes, manchas de luz e sombra tornam este tipo de registo uma verdadeira arte plĂĄstica. Expressionismo ou abstraccionismo...

Foto: Thorsten Jankowski 6

7


Toni Giles: Como gravar filmes com a Canon 5D Mark II Uma grande revolução das câmeras digitais, além de fotografar, foi a capacidade de gravar vídeos. A tecnologia da captação de vários quadros por segundo assumiu, ao longo dos anos, a qualidade de alta definição. A Canon 5D Mark II é hoje o exemplo de um dos mais poderosos equipamentos em gravação HD no segmento. E para ajudar profissionais da imagem a aproveitar o potencial da câmera, o fotógrafo Toni Martin Giles lança o DVD Como gravar filmes com a Canon 5D Mark II. A obra é específica para a captação em Full HD com o modelo Canon 5D Mark II, tanto para fotógrafos, cineastas ou produtores de video. O autor alia técnicas com exemplos práticos da utilização do equipamento, para despertar nos espectadores uma preocupação quanto a linguagem cinematográfica. Para um melhor entendimento, Toni Giles divide suas explicações em cinco grandes grupos, que exploram os detalhes quanto ao desempenho e resultados de gravação. O primeiro tópico, Tendências e Idéias, serve como uma apresentação geral, com idéias de utilização e uma introdução aos conceitos

8

de cinefotografia. Nele o autor chama a atenção das várias utilizações do equipamento, que permite qualidade de cinema na

O primeiro tópico, Tendências e Idéias, serve como uma apresentação geral, com idéias de utilização e uma introdução aos conceitos de cinefotografia. Nele o autor chama a atenção das várias utilizações do equ i p a m e n t o, que permite qualidade de cinema na captação, como na gravação do último episódio da série de TV House (feita com câmeras Canon 5D Mark II). Além disso, são evidenciadas as diferenças de pensamento do profissional de vídeo e de foto. Em Câmeras e Técnica, Toni

Giles parte para a prática da utilização da câmera, a exploração dos menus e a demonstração do potencial de cada uma das funções. Em cada um dos exemplos, o autor ilustra com trabal-

hos da área da publicidade ou de videoclipes. Na seqüência, em Acessório da Câmera, são mostradas adições como lentes, iluminação e áudio.

Essa parte serve como um complemento para a anterior, uma expansão de acordo com os recursos dos profissionais. O quarto tópico, Acessórios de Movimento, mostra as facilidades do uso de outros equipamentos, como o Steadicam, para tornar a captação um processo com maior qualidade. Também são mostradas várias situações e idéias de equipamentos para conseguir filmar o resultado esperado. E, por fim, a parte Criando uma Cena, Toni Giles ensina como um processo de construção de um audiovisual depende do “contar uma história”. O DVD Como gravar filmes com a Canon 5D Mark II tem 120 minutos de duração e é o primeiro do género. O autor, Toni Martin Giles, é formado pela Vancouver Film School, do Canadá. Trabalha há mais de 15 anos como fotógrafo e director de cena.

9


André Brito a Nú Escola Artística António ArroioAna Catarina Silva, nº03, 11ºK André Brito nasceu no Porto, em 1972, e foi desde muito pequeno que adquiriu uma forte ligação com a fotografia, graças ao pai com quem passava horas na câmara escura. Foi com ele, também, que aprendeu os princípios básicos da fotografia. Quando o seu pai faleceu herdou as suas câmaras fotográficas e, desde então, nunca mais parou de fotografar, pois, tudo era motivo para carregar no obturador. Após concluir a licenciatura na área das tecnologias, com um dos seus primeiros ordenados comprou uma reflex com auto foco. Em 2003, quando elaborou os seus trabalhos na área de nus, improvisou “estúdios artesanais” com

10

candeeiros de halogéneo, cartolinas a servir de panelas reflectores e modeladoras e caixas de luz feitas com caixotes de papelão. Em 2004, fotografava com 3 flashes sincronizados e com uma série de acessórios modeladores de luz construídos artesanalmente. No início de 2005, comprou o seu primeiro kit de iluminação, e foi nesse mesmo ano que encontrou um espaço para montar o seu estúdio. O trabalho de nus de André Brito pode ser dividido em duas áreas: estúdio e exteriores. Estúdio Em estúdio, cada por-

menor dos seus trabalhos é cuidadosamente pensado o que, por vezes, o leva a persistir na mesma ideia durante meses, até a conseguir realizar. Opta por utilizar diferentes estilos, que podem variar entre movimentos e grafismos estáticos e simétricos. Por norma, elege poses em tensão, com alguma sensualidade, mas sempre mostrando um corpo feminino forte e poderoso. No que diz respeito à importância de elementos presentes numa imagem, o fotógrafo divide-os entre a pose e a iluminação. Segundo André,

estes são, sem dúvida, os dois elementos que compõem a maior parte das suas imagens de estúdio, sendo que um não funciona sem o outro. Nas sessões exteriores, o planeamento começa por uma visita prévia ao local onde se vai fotografar, de preferência com a modelo, para que se possam estudar os locais e poses a usar, assim como a decisão da altura do dia para a execução do projecto. Nestes trabalhos, a importância dos elementos da imagem altera-se, pois é preciso ter em conta um aspecto bastante importante, o ambiente. A pose passa a ter maior relevância, pois é através dela que a modelo se integra, ou não, no “cenário”. Esse é o maior desafio que André encontra nas imagens de exteriores, para conseguir uma inte-

gração harmoniosa ou, pelo rosto das modelos. contrário, em choque com o No que diz respeito à sua tendência para as fotografias ambiente. a preto e branco, o fotógrafo O fotógrafo português vem diz não ter nenhuma razão ganhando reconhecimento em especial para o fazer, apmundial graças à técnica enas lhe agrada mais visude iluminação presente nos almente, e gosta do preto e branco levemente aquecido. seus ensaios nus. Os destaques na sua obra, Começou por apresentar os nos seus nus artísticos seus trabalhos assim, e perdemonstram uma requin- dura até hoje. tada combinação entre luz O facto de não captar o rosto e as poses dos corpos, que das modelos que fotografa, é fruto de uma preocupação para o fotógrafo háuma exconstante somada ao trabal- plicação, pois ao fotografar o corpo feminino e apreho intenso. André Brito também prat- sentando-o sem face - sem ica fotografia submarina, o uma identidade - mais facilque, segundo o fotógrafo, mente consegue fazer com contribuiu muito para a sua que qualquer mulher se posevolução em termos de ilu- sa ver naquele corpo, se possa identificar com ele, se posminação artificial. Outras das características sa sentir nele, possa sentir a que chamam a atenção dos sua força… Para além disso, assim protege a seus ensaios de nus são o identidade da predominio do preto e modelo. branco e a opção por não captar o

11


Apesar de nas suas imagens a mulher ser dignificada, em Portugal, ainda é complicado lidar com o nu de forma natural. No que diz respeito à divulgação, André acredita que a Internet é, actualmente, o local de eleição para publicar portefólios, visto que já existem inúmeras comunidades nas quais se podem expor trabalhos fotográficos e há muitos profissionais de várias áreas ligadas à fotografia a procurar trabalhos e talentos nessas comunidades. E para os aspirantes a fotógrafos de sucesso deixa sempre o conselho de que na sua opinião deve mostrar-se pouco e apenas o muito bom, o que realmente acreditamos ser uma excelente imagem. O trabalho do fotógrafo tem sido muito bem aceite e reconhecido, contando já com diversas publicações em revistas e livros nacionais e estrangeiros, mas também tem sido solicitado pelos mais diversos mercados, como SPA’s, Clínicas e Institutos de Beleza e Cirurgia Estética, HealthClubs, Ginásios, bem como noutras áreas bastante diferenciadas. Em termos de venda das suas obras a nível artístico, tem tido algumas solicitações, sobretudo vindas do estrangeiro, mas, mesmo com as limitações presentes num mercado tão pequeno como o português, André confessa que a Internet acabou com as barreiras na área de venda de imagens.

12

13


14

15



Poder da Imagem - Fotografia