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FOLHETIM - ARAÇATUBA, 02 DE JULHO DE 2014 - Ano IV - Nº 16 - PROF. PEDRO CÉSAR

LANÇAMENTO - EXPERımEnTÂnEA nº 11 EXPERIMENTÂNEA No último dia 05 de abril, no MAAP - Museu Araçatubense de Artes Plásticas, o Grupo Experimental, da AAL - Academia Araçatubense de Letras, lançou mais uma Coletânea, o ‘Experimentânea', organizado por Pedro César Alves. Participaram 17 escritores - e a publicação foi feita através de Lei de Incentivo à Cultura. Página 03 DE ESCRITORES CHORO DE GRATIDÃO REUNIÃO No dia 25 de julho, às 18h, na

CHORO DE GRATIDÃO contém poemas que trazem sentimentos cotidianos que arrebatam os seres humanos. Os poemas retratam o amor entre um homem e uma mulher, amor de amigo e os sofrimentos que um homem conquista quando se permite amar de forma intensa; porém, apesar de todo sofrimento de um amor não correspondido sempre vale a pena aceitar esse sentimento avassalador que nos devora.

Luís de Oliveira nasceu em Ilha Solteira-SP no dia 20 de Julho de 1995, mas sempre residiu em Pereira Barreto-SP. Começou a escrever em 2009 e desde seu primeiro poema coleciona rimas, das quais se orgulha. As letras sempre fizeram parte da sua vida, é medalhista da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas 2011 e medalhista de Bronze da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro 2012”. Choro de Gratidão é seu primeiro livro repleto de poemas que falam de amor e das dores que esse sentimento avassalador traz. O livro ($ 26,90) pode ser adquirido através do site:

www.editorabarauna.com.br

Biblioteca Municipal ‘Rubens do Amaral’, em comemoração ao Dia do Escritor, será inaugurado o «Espaço do Escritor» - mais um espaço conquistado pelas entidades literárias araçatubenses.

LEMBRE-SE QUE ESCREVER É ARTE NESTA EDIÇÃO Editorial......................................p.02 Entrevista....................................p.02 COSMOS XIII............................p.02 Palavra de Fé...............................p.02 Experimentânea..........................p.03 Meu beija-flor.............................p.04 O pão que o Quinzim amassou...p.04 Censurar, por quê?......................p.04

ESCREVA - contato@aracatubaeregiao.com.br VISITE - www.aracatubaeregiao.com.br


EDITORIAL ENTREVISTA Muitas vezes nos pegamos pensando no que escrever, no que 'rabiscar' – mas ao olharmos em volta há muito a escrever. Às vezes, reproduzimos o que já lemos, ouvimos e vimos, mas a reprodução também faz parte da vida – ainda mais quando esta é feita de forma assimilada, degustada e reproduzida com novos formatos. Lendo as matérias que separei para esta Edição, fico a me perguntar: por que escolhi estas e não outras – tendo em vista que havia outras? Respondo: escolhas e escolhas – assim, cada veículo de comunicação escolhe, a partir do seu editor, o que publicar... Assim sou eu – também me acho no direito de escolher. Assim, também, o escritor na hora de produzir o seu próprio texto. O leitor também faz as suas escolhas. Escolha! Eis a questão escolher ou não... EDITOR PEDRO CÉSAR ALVES MTE nº 71.527-SP

O evento COSMOS – Realidade e Mistérios é realizado anualmente em Araçatuba-SP no mês de Julho pelo Serviço Social do Comércio (SESC) em parceria com o INAPE Instituto de Astronomia e Pesquisas Espaciais. Tradicional em Araçatuba, o ciclo de palestras e debates propõem aos participantes uma reflexão sobre a condição humana na Terra e no Universo. O objetivo é difundir o estudo da astronomia e ciências afins, assim como promover o debate sobre a existência de vida fora da Terra, incentivando a curiosidade científica. Uma reflexão sobre a condição humana na Terra e no universo, através de temas educativos que contribuem para a formação da cidadania. Local Teatro Municipal Castro Alves Dias: 21 a 25 de julho Horário: 19h IMPRESSÃO EMERGRAF IMPRESSOS GRÁFICOS Araçatuba-SP - Fone(18) 4141-2449 Tiragem: 1.000 exemplares

A entrevistada desta Edição é a professora, escritora e palestrante Rita Lavoyer, autora de vários livros que enfocam o bullyiung. Entre os livros publicados estão: ‘Bullying não é brincadeira’, ‘O valor de uma árvore’, ‘O menino e a pedra’, ‘Natal e o capim’, ‘o esconderijo do dragão’, ‘O navegador de um barquinho de papel’, ‘Zooesia’, ‘Partidas’. A escritora é membro da UBE - União Brasileira de Escritores, ministra palestras na área de bullying e escreve na Coluna ‘Tantas Palavras’ (Jornal Folha da Região), através do Núcleo UBE - Araçatuba / SP. Para saber mais sobre a autora, acesse:

ritalavoyer.blogspot.com.br Folhetim – Como membro da UBE – Núcleo de Araçatuba/SP, como se sente? Mudou muita coisa em sua vida? E em razão da escrita? Rita Lavoyer: Sinto-me como um membro do grupo (rs). 'Muita coisa' é muita coisa para ser considerada, o importante é sairmos um pouco diferentes do lugar onde entramos. Eu busco mudar constantemente o meu estilo, os meus temas, gosto de diversificar quando percebo que estou ficando ruim, como eu não suporto a minha mesmice, acho que os leitores também não, então as mudanças dependem de mim. Tenho necessidade de produções que me tirem do raso. Nas reuniões da UBE sempre surgem novidades, trocas de experiências que podemos aproveitar. Isso também depende de mim. Folhetim – E como vão as 'criações' dos seus próximos textos (poesia / crônica / conto / romances)? Rita Lavoyer: Não estou criando nada. Estou parasita de mim. Folhetim – Como a senhora vê a produção literária na cidade de ARAÇATUBA/SP? E a nível de Brasil? Rita Lavoyer: Como em todos os lugares do mundo há produções boas e ruins, em Araçatuba não poderia ser diferente, eu por exemplo, vivo de um polo ao outro. Eu mesma, assim não morro pagã. Folhetim – Que autor gosta de ler com maior frequência? E agora, estás a ler... Rita Lavoyer: Como estudante que ainda sou e quero morrer estudando, leio algo de vez em quando, algumas leituras por obrigação, porque são ruins. Leio obras ótimas também, por prazer. Quem se propõe a mudanças tem que submeter a tudo. Como disse acima: leio eu mesma. Às vezes me dói do que me leio e me censuro: 'Putz, Rita, como você escreve uma merda medíocre dessa!? Está pensando que o leitor é burro!?' Por isso não abro mão de escrever o que me arrebenta e o que me dá prazer.

TENHA FÉ EM DEUS! ‘Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.’

VALORIZE A CULTURA!

GUIMARÃES ROSA


EXPERIMENTÂNEA Nº 11 No último dia 05 de abril, às 19h, no MAAP – Museu Araçatubense de Artes Plásticas, aconteceu a noite de autógrafos dos autores que integraram o Experimentânea nº 11, 148 páginas, do Grupo Experimental, da AAL – Academia Araçatubense de Letras. A Coletânea - poesias e crônicas, teve a organização do professor Pedro César Alves e participaram 17 escritores: Ana Almeida dos Santos Alves, Anízio Canola, Aristheu Alves, Carmem Silvia da Costa, Elaine Cristina de Alencar, Emília Goulart dos Santos, Hozanah Spindola de Ataides, Isabel Moura, José Hamilton da Costa Brito, Kelly Stábile, Manuela Sant´Ana Trujilio, Maria José da Silva, Maria Rosa Dias, Marianice Paupitiz Nucera, Pedro César Alves, Vicente Marcolino Rosa, Wanilda Maria Meira Costa Borghi – e a publicação da obra (sem custo para os autores) só foi possível através de participação do Edital de Fomentação, da Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba / SP. E, para ilustrar, um soneto de Vicente Marcolino Rosa:

Acadêmica Yara C P de Carvalho, representante da Academia Araçatubense de Letras, fazendo a abertura da noite.

Marianice N Paupitz, Coordenadora do Grupo Experimental, fazendo uso da palavra e enaltecendo o trabalho do grupo.

Prof. Pedro César Alves, organizador da Coletânea, fazendo uso da palavra e compartilhando alegria.

Prof. Marco e a noiva - acompanhou a Turma do Teatro do Colégio Degrau.

Professoras Gláucia e Luciana, acompanhando as alunas de Dança, da EE ‘Dr. Clóvis de Arruda Campos’ - o Paraisão.

Prof. Marco e a Turma do Colégio Degrau: uma versão de ‘Pinóquio’.

Prof. Pedro César e Daniela e filho, Diretora do Colégio Degrau.

E música de primeiríssima qualidade!

Prof. Pedro César e a esposa Edmary.

PRÓDIGO Eu repousava em meu calmo aposento... E pela porta aberta para a brisa, Que chegava do mar, o desatento, Mortal que sou, ouviu com ojeriza, O som confuso e rápido do evento Promovido por quem hoje precisa De arrecadar dinheiro ou alimento Para si próprio, pois li em pesquisa. Esbanjara fortuna nos banquetes Suntuosos celebrados com requinte, Com exímias orquestras e foguetes. A música que se ouve está em disco, Posso ainda senti-la em vez seguinte. E o homem não junta o vil metal arisco!...

Escritores distribuindo autógrafos - público marcante. Prof. Pedro e Nil (ex-aluno).


MEU BEIJA-FLOR O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU

Tenho uma grande ligação com a natureza, um dos motivos que me levou a morar no interior. Uma fascinação em particular por pássaros. Aqui no interior tenho o privilégio de conhecer várias espécies e um carinho em especial pelo beija-flor. Quando tenho a oportunidade de ver um é como se houvesse uma afinidade tão forte entre nós, ficaria horas observando-o, batendo suas asas tão rápidas que mal se vê a quantidade de vezes , tive curiosidade de pesquisar: 50 a 80 vezes por segundo, isso permite que eles fiquem parados fazendo manobras de ré e cambalhotas. Também acho muito importante como eles fazem com as flores, suas preferências são com as de cores fortes: vermelhas, alaranjadas, amarelas , fora o que eles contribuem com a natureza, polinizando ao sorver o néctar da flor deslocando o órgão masculino até o órgão feminino, fecundando-a. Chega a visitar 1000 flores por dia, tomando uma quantidade de néctar 4 vezes o seu tamanho para poder manter sua energia. Imagino seu bico tocando as flores como em um beijo, a necessidade dele obter o néctar como a necessidade de ser beijada; seus voos, suas cambalhotas me encantam; já o vi em várias cores: vantagens de morar no interior. Um dia desses caminhando na rua me deparei com um sugando uma flor, parece que ele sentiu o quanto sua presença me atraia e por um instante cheguei tão próxima que meu coração acelerou, pensei até que se tratava de um beija-flor doente, mas não, e ele com suas asas rápidas voou, e aquele segundo valeu por um momento inesquecível. Agradeço a Deus por ter feito tantas criaturas lindas, nos dando o prazer de conhecer e ver a perfeição em cada ser. Finalizando, meu lindo beija-flor, dedico essas simples palavras a você que é lindo de ver, de me trazer um sorriso repentino, encher meus olhos de brilho, de mexer tanto comigo me deixando o dia mais feliz, espero poder te enamorar mais vezes, queria tanto te ter, mas me contento em algumas vezes te ver.

Edmary de Castro Chacon

historiasenostalgias.blogspot.com.br

CENSURAR, POR QUÊ? Outro dia estávamos questionando: por que certos veículos de comunicação não publicam determinadas matérias? Um cidadão de nosso convívio disse: 'Cada um faz o que quer em sua casa.' – pois bem: disse a verdade. Por isso, aqui, publico tudo que quero, tudo que penso e sem dar satisfação a ninguém. Respeito faz bem...

Joaquim Manoel, o Quinzim, dormia cedo para acordar mais cedo ainda, tomar o rumo da padaria e produzir, madrugada afora, os pães do mesmo jeito que o seu pai lhe ensinara. Sonhava vê-lo proprietário daquele estabelecimento, mas, como consolo, restou-lhe apenas assumir a função do pai depois que ele faleceu. Esqueceram-no sozinho naquele ofício. O avental do Quinzim era tão branco quanto a pureza da sua alma. Exigia de si mesmo higiene profunda. O ambiente onde trabalhava era rigorosamente desinfetado por ele. Acostumou-se à solidão da labuta e não deixava que ninguém lavasse as assadeiras. Somente ele fazia, para certificar-se de que não restaria nenhuma sujeira que o comprometesse. Os seus pãezinhos quentes enchiam, a distância, narizes e bocas famintos por um pedaço daquelas multiplicações de alegria. Arrumava-os no cesto e o colocava, cheinho, sobre o balcão onde os fregueses madrugadeiros o esperavam para empacotar os pedidos. Muitos resolviam suas vontades ali mesmo, comendo o pão com manteiga derretendo, acompanhado de um pingado, outros com bastante mortadela. O crocante das mordidas arrepiava as salivas dos que aguardavam sua vez, babando. Não havia pães que se igualavam aos do Quinzim. Mas... Uma madame passou a não suportá-lo. Enfrentava a fila do pão reclamando de todos os defeitos que o padeiro nem suponha existir porque, certa vez, ele a convidou a deixar seu “pet darling” do lado de fora da padaria, evitando comprometer a limpeza do ambiente. Após esse ocorrido, passou a ser rotina, diante dos fregueses assíduos, as ofensas daquela senhora ao padeiro, calando a todos de indignação. De tanto ter ralado, pela madame, os ossos do seu sentimento, numa madrugada, o pó acumulado no porão da sua insônia, calcificou-se nas paredes do ódio de Joaquim Manoel. Tentando recuperar os gozos por aquela madame impedidos dias e dias, preparando a massa sobre a mesa, retirou dela as mãos ainda grudentas, revirou seu avental branquíssimo e esforçou-se para liberar o seu prazer retido. Aliviado, misturou-o àquela massa, sovando-a. Pela primeira vez ofegava enquanto colocava os pães no forno. Assados, jogou no cesto aqueles pães que saciariam quem deseja tomar calado um café com pão e manteiga. Abriu a porta e, para sua surpresa, sua desafeta foi a primeira a entrar. Cheio de si, Quinzim escolheu 15 dos mais branquinhos, os empacotou e os entregou à madame como cortesia da casa, querendo conquistar-lhe a confiança. Ela o observou, estranhando aquela atitude. Sem questionar, passou a ser a primeira a chegar à padaria, em companhia do seu cachorrinho, que entrava antes dela. Assim as madrugadas daquele padeiro passaram a ser puro prazer e, a cada manhã, aumentava por ele a simpatia daquela madame, que lhe trouxera novas freguesas. Joaquim delegou a outros a função de lavar as assadeiras, mas de trabalhar sozinho nas madrugadas e de preparar a primeira fornada do dia ele não abriu mão: era ele quem misturava os seus ingredientes à massa, diferenciando ainda mais os seus pães de outros qualquer. Depois que aquela freguesia assídua saía, Quinzim passava o turno a outros e ia embora. No caminho, entrava em uma padaria, comprava pão e ia tomar o seu café da manhã com a família. Rita Lavoyer

Profile for Pedro César Alves

FOLHETIM ARAÇATUBA E REGIÃO Nº 16  

Lançamento do Experimentânea; outros livros e textos variados / crônicas; entrevista.

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