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A visita faz uma aproximação da arte como uma porrada de experiências geradoras de uma infinidade de interpretações que levam em consideração não só a obra, mas também o espaço expositivo e principalmente os sujeitos presentes e suas experiências. Stalker faz uma ação educativa fúnebre, onde a verdadeira motivação da sua ida constante aquele lugar se explica numa das cenas mais bonitas: logo que chegam nas imediações da Zona, quando a tela ganha cor, elese atira ao chão e afunda o rosto no capim. Ele pertence aquele lugar e sente-se completo ali. Quem realiza uma visita educativa também sente-se completo naquele tempo e espaço. Mas como dito, é preciso que se unam num só tempo, trabalho-de-arte-espaço-sujeitosque-produzem-conhecimento. A Zona e a ação educativa que depende muito mais de fatores externos a nós e do quanto nos colocamos disponíveis ao imprevisto, nos tira o conforto intrínseco do pensamento humano de controle total. Não dominamos os processos orgânicos que interferem nos sujeitos, tampouco o que nos causa, não dominamos a arte e não atingimos racionalmente os lugares onde ela está ou o modo como se comporta. É uma vida alheia, instalada entre nós e o mundo, desenvolvendo sua própria lógica. Para nós, incontrolável. Escrever sobre a experiência em ação educativa sem tarta-pensar, tartadançar, tarta-falar seria estar à vontade demais, e segundo Bergson, em Introdução à metafísica, só nos sentimos à vontade no descontínuo, no imóvel, no que está morto.

ZINE D  

Zine realizado por parte dos educadores da 31 Bienal de São Paulo (grupo D)

ZINE D  

Zine realizado por parte dos educadores da 31 Bienal de São Paulo (grupo D)

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