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SEN A D O F ED ER A L

LIDERANÇA DO PDT LÍDER: SENADOR ACIR GURGACZ

ORDEM DO DIA

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ITEM – 01 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 515, DE 2010 Ementa: Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 515, de 2010, que abre crédito extraordinário em favor da Justiça do Trabalho e de diversos órgãos do Poder Executivo, no valor global de vinte e seis bilhões, seiscentos e setenta e três milhões, duzentos e sessenta e quatro mil e cento e noventa e seis reais, para os fins que especifica. Autor: Poder Executivo Relator Revisor: Obs: Parecer proferido pela Liderança do PDT na Câmara dos Deputados Síntese desta Liderança: A presente Medida Provisória abre crédito extraordinário no valor global de R$ 26.673.264.196,00 em favor da Justiça do Trabalho e de diversos órgãos do Poder Executivo. Desse total, R$ 3.320.667.197,00 destinam-se à execução de outras despesas correntes e de capital e R$ 23.352.596.999,00 serão direcionados para a execução de investimentos das Empresas Estatais. A tabela anexo apresenta resumo da destinação e da origem desses recursos: Nos termos constantes da Exposição de Motivos nº 386/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o presente crédito contempla ações, no âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, caracterizadas como prioritárias e urgentes, conforme discriminadas a seguir: Justiça do Trabalho - cumprimento da decisão judicial proferida nos autos do Processo no 2006.51.01.10.003020-8, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, para implementação de pensão mensal à parte autora, Antônio Carlos Gonçalves dos Reis, no valor correspondente a dois salários mínimos, a ser paga desde dezembro de 2009, no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - Rio de Janeiro;

Urgência e relevância: dar cumprimento à decisão judicial proferida pelo TRF da 2ª Região para implementação de pensão acima aludida. Presidência da República - inclusão de 130 mil novos beneficiários no Programa Nacional de Inclusão de Jovens, na modalidade ProJovem Urbano, tendo em vista o aumento das matrículas em localidades onde o Programa está em funcionamento e a adesão de novos entes municipais, medidas que irão contribuir para a oferta de oportunidades de inserção de jovens brasileiros na educação formal e no mercado de trabalho. Os recursos para essa ação contemplam: concessão de auxílio financeiro a cada jovem que atende aos requisitos do Programa; pagamento dos profissionais envolvidos nas ações de elevação da escolaridade e de qualificação profissional; aquisição de gêneros alimentícios para o lanche oferecido aos alunos; atividades práticas de qualificação profissional e a aquisição de material didático destinado a alunos e a professores. Também no mesmo Órgão os recursos propiciarão o pagamento de Débitos Judiciais Periódicos Vincendos Devidos pela União, Autarquias e Fundações Públicas, no âmbito da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SEDH/PR, relativo ao período de setembro de 2009 a dezembro de 2010, referente à quitação dos valores decorrentes de ações ordinárias de responsabilidade civil, com ressarcimento de danos morais e materiais contra a União Federal, baseada nos fundamentos da Lei no 9.140, de 4 de dezembro de 1995, mediante a implementação da pensão vitalícia devida pela União, em função do desaparecimento de Honestino Monteiro Guimarães, reconhecido como “desaparecido político” (Ação Ordinária no 96.0075545-0), bem como do sequestro, prisão ilegal, cárcere privado e morte de Fernando Augusto da Fonseca (Ação Ordinária no 92.0131433-7); Ainda na Presidência da República, no âmbito da Secretaria de Portos o crédito propiciará a realização de obras de recuperação dos molhes do canal de acesso ao Porto de Rio Grande, RS, em face da necessidade de recomposição e de proteção das cavas resultantes da erosão no interior do canal formado pelos molhes, próximo à base do talude do trecho antigo do molhe leste,

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integrantes do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC; aporte de recursos, a título de participação da União no capital das Companhias Docas dos Estados da Bahia CODEBA, do Rio Grande do Norte - CODERN, do Rio de Janeiro - CDRJ e de São Paulo - CODESP, para o pagamento de contribuições em atraso junto ao fundo de pensão dos portuários PORTUS - Instituto de Seguridade Social. No Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, será destinarado ao pagamento de bolsas a pesquisadores para a realização de pesquisa socioeconômica aplicada.

recolhimento da Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP; o pagamento de despesas administrativas para o funcionamento do Conselho de Contribuintes; a aquisição de equipamentos para os trabalhos de auditoria e fiscalização; o pagamento de despesas de manutenção e de operacionalização das renegociações de dívidas rurais; além de possibilitar o pagamento de integralização de cotas à Associação Internacional de Desenvolvimento - AID, pois já foram emitidos os instrumento de compromisso e notas promissórias.

Urgência e relevância: assegurar a concessão de bolsas aos novos participantes do ProJovem Urbano, fator essencial ao alcance dos resultados previstos pelo Programa, bem como o custeio das demais despesas relativas ao Programa; a atuação imediata e incisiva do Governo Federal, mediante a realização de investimentos de infraestrutura no Canal de Acesso ao Porto de Rio Grande, no Estado do Rio Grande do Sul, que integra o PAC; quitar a última parcela da dívida da CODEBA, da CODERN, da CDRJ e da CODESP junto ao PORTUS; e garantir a concessão de bolsas de mestrado e doutorado a pesquisadores do IPEA, referente ao mês de dezembro de 2010.

Urgência e relevância: dar cumprimento do disposto no art. 15 da Lei no 9.650, de 27.05.1998, segundo o qual as dotações orçamentárias do BACEN, relativas à manutenção do PASBC, serão equivalentes à receita prevista com a contribuição dos participantes; equilíbrio de caixa do SERPRO e à concretização de uma série de investimentos necessários e urgentes, sob o risco de interrupção da prestação de serviços de informática relacionados à arrecadação tributária e aduaneira, execução orçamentária e financeira, e arrecadação da dívida ativa, caso o crédito não for atendido; viabilizar a remuneração dos agentes prestadores de serviço pelo recolhimento da GFIP; o pagamento de despesas com o funcionamento do Conselho de Contribuintes e com a operacionalização das renegociações de dívidas rurais; além do pagamento de integralização de cotas da AID, evitando inadimplência do País com organismos internacionais.

Ministério da Ciência e Tecnologia - pagamento de bolsa de estudo de iniciação à pesquisa científica e tecnológica, até o final do exercício de 2010, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. Urgência e relevância: possibilitar ao CNPq realizar o pagamento das bolsas de iniciação científica e tecnológica, relativo ao mês de dezembro de 2010. Ministério da Fazenda - atendimento ao Programa de Assistência à Saúde dos Servidores do Banco Central do Brasil - PASBC, custeado à conta de dotações orçamentárias do Banco Central do Brasil - BACEN e da contribuição mensal dos participantes do PASBC, na forma do art. 15 da Lei no 9.650, de 27 de maio de 1998; aporte de capital ao Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO, no exercício de 2010, com vistas à modernização tecnológica da Empresa; o custeio de despesas com a remuneração dos agentes prestadores de serviço pelo

Ministério da Educação - distribuição de materiais e livros didáticos para a educação de jovens e adultos. Urgência e relevância: garantir a distribuição de livros didáticos, procedimento vital para o pleno desenvolvimento do aprendizado dos alunos. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior viabilização das ações de fiscalização metrológica, mediante a transferência, de recursos da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade - RBMLQ para os Institutos Estaduais de Pesos e Medidas - IPEMs, no âmbito do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade – INMETRO.

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Urgência e relevância: honrar o convênio assinado com os IPEMs, integrantes da RBMLQ. Os recursos recebidos pelos IPEMs são utilizados na manutenção e operacionalização das ações de fiscalização metrológica.

implantação das Unidades de Pronto Atendimento - UPAs, que são essenciais para reduzir a superlotação das urgências hospitalares, e evitar a paralisação da prestação de serviços à população pelos Hospitais universitários.

Ministério da Justiça - concessão, no âmbito do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania - PRONASCI, de bolsa-formação a policiais militares e civis, agentes penitenciários, guardas municipais, bombeiros e peritos criminais, nos termos da Lei no 11.707, de 19 de junho de 2008, na Administração direta, e a implantação do Sistema de Veículos Aéreos Não Tripulados - Projeto SISVANT, no âmbito do FUNAPOL.

Ministério do Trabalho e Emprego - qualificação de jovens, no âmbito do Programa Nacional de Inclusão de Jovens, na modalidade ProJovem Trabalhador.

Urgência e relevância: efetuar o pagamento de auxílio financeiro, relativo ao mês de dezembro, a policiais civis e militares, agentes penitenciários, guardas municipais, bombeiros e peritos criminais, participantes dos cursos de capacitação da Bolsa-Formação do PRONASCI e cumprir o cronograma de pagamento relativo à aquisição de duas aeronaves e aos serviços de manutenção do Projeto SISVANT. Ministério da Saúde - apoio à aquisição e distribuição de medicamentos excepcionais de alto custo, custeio dos procedimentos de média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde - SUS, finalização das obras de implantação da nova sede do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia - INTO e implantação de Unidades de Pronto Atendimento - UPAs; e garantir o funcionamento dos Hospitais Universitários. Urgência e relevância: cumprir os repasses pactuados com os entes federados, tanto no caso dos medicamentos excepcionais, devido às obrigações judiciais de fornecer medicamentos não disponíveis no SUS, como também no caso dos procedimentos de média e de alta complexidade, imprescindíveis para evitar o agravamento da situação de saúde dos usuários que dependem de serviços como hemodiálise, transplantes, oncologia e cirurgias cardíacas. Ademais, há necessidade premente de concluir a obra do INTO, que beneficiará um grande contingente de pacientes com serviços de alta complexidade em ortopedia, e a

Urgência e relevância: garantir o pagamento de parcelas de convênios em andamento, cujos beneficiários encontram-se em sala de aula, afastando, assim, a possibilidade de interrupção dos cursos. Ministério das Comunicações - repasse de recursos financeiros à Telecomunicações Brasileira S.A. - TELEBRÁS, a título de participação da União no capital dessa empresa, para dar início à implantação da infraestrutura da Rede Nacional de Banda Larga, cujo término está previsto para dezembro de 2014. Uma vez concluída, a rede atenderá a 4.283 Municípios, interligando-os em nível nacional (backbone óptico), por meio de 30.803 km de fibras ópticas cedidas pelas concessionárias de energia elétrica e de gás, distribuídas em 5 anéis regionais, com um total de 322 pontos de presença; em nível regional (backhaul), interligando as sedes dos Municípios ao nível nacional (backbone); e em nível local para atendimento de pontos de governo e à população dos 4.283 Municípios. Urgência e relevância: ampliar a oferta de serviços de banda larga no País, com vista a assegurar o atendimento da demanda da sociedade e a iniciar um novo e virtuoso ciclo de desenvolvimento, na medida em que a difusão do acesso em banda larga representa importante ferramenta de inclusão social e contribui para o desenvolvimento econômico e científico no Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - integralização de cotas devidas pelo Brasil ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola – FIDA; e possibilitar à Fundação Escola Nacional de Administração Pública - ENAP atender despesas com a realização dos cursos de formação para as carreiras de especialista em políticas públicas e gestão

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governamental e analista de planejamento e orçamento, correspondente à segunda fase do processo seletivo para provimento de cargos. Urgência e relevância: honrar compromissos relativos à integralização de cotas devidas à FIDA, e de pagamento de despesas, no âmbito da ENAP, com contratação de professores, material didático e auxílio financeiro aos aprovados na primeira etapa do processo seletivo aludido acima. Ministério do Esporte - concessão de bolsas para atletas que se encontram aptos pela seleção realizada em 2009, e ainda não beneficiados, bem como viabilizar o aumento nos valores das bolsas, conforme Medida Provisória nº 502, de 20 de setembro de 2010. Urgência e relevância: apoiar os novos atletas selecionados, assim como outros beneficiados, para evitar a descontinuidade em suas carreiras, com grande impacto na preparação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Ministério da Defesa - antecipação da execução de obras de infraestrutura, destinada à competição e treinamento de equipes voltadas aos 20 esportes e 37 modalidades esportivas que estarão em disputa durante a realização dos V Jogos Mundiais Militares em julho de 2011, sediado pelo Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. É a primeira vez em que os Jogos Mundiais Militares acontecerão em continente americano, e a estimativa é de participação de 6 mil atletas e 2 mil dirigentes e treinadores, de 110 países. Para a realização, será aproveitado o legado dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Entretanto, dada a magnitude do evento, as instalações requerem ampliações, restaurações e melhorias. No âmbito do Comando da Aeronáutica, pagamento de parcelas contratuais de operação de crédito referente à aeronave P-3, destinadas ao patrulhamento da costa aérea brasileira, de parcelas referentes ao AM-X e modernização das aeronaves F-5 e C95 (Bandeirante). Ainda no Ministério da Defesa - cobertura dos gastos com tropas do Exército para missões de Garantia da Lei e da Ordem - GLO,

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e com a restauração das condições de atuação e a permanência dos meios de Fuzileiros Navais utilizados no apoio logístico às Forças de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, nas operações de combate ao crime organizado. Nesse contexto, julgou-se prudente encaminhar proposta com vistas à incorporação complementar de recrutas, para a qual não há previsão orçamentária, tanto em 2010 quanto em 2011, tendo em vista a necessidade de o Comando do Exército, com a devida antecedência, incorporar 26 mil novos recrutas. A iniciativa propiciará um efetivo mobilizável em condições de prover a segurança dos aquartelamentos e, dessa forma, liberar efetivos profissionais de militares para a composição da Força de Pacificação dos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, ou, concomitantemente, em qualquer local do Brasil, e prestar apoio às atividades de organização e realização dos Jogos Mundiais Militares, cujo escopo se insere no rol de acordos internacionais assumidos pelo País. Urgência e relevância: antecipar a execução de obras de construção e de adequação das instalações esportiva para a realização dos V Jogos Mundiais Militares, em razão da proximidade do evento, e o curto espaço de tempo para a realização de eventuais ajustes; dar cumprimento ao Plano de Reaparelhamento da Força Aérea Brasileira - PROFAB, e com as missões previstas na Carta Magna e em Lei Complementar que têm perenidade, ensejando continuidade, disponibilidade e preparo da Força Terrestre para, de maneira articulada, fazer-se presente e atuante em situações de Segurança Pública, tornando efetiva a presença do Poder do Estado por conta do emprego do Exército em Operações de Segurança e na Garantia da Lei e da Ordem. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome continuidade dos serviços socioassistenciais a jovens de 15 a 17 anos, nos Estados do Pará, do Rio Grande do Norte e de Minas Gerais. Urgência e relevância: manter o atendimento assistencial do Programa Nacional de Jovens a milhares de beneficiários, sob o risco de devolvê-los à situação de vulnerabilidade social.

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Ministério das Cidades - desenvolvimento de ações de extrema relevância para possibilitar a gestão e a coordenação dos projetos integrantes do PAC, de forma a evitar atrasos nos cronogramas e descontinuidade das obras em andamento.

Ressalta a E. M. que as adequações nos investimentos das empresas estatais, objeto da presente proposta, foram encaminhadas tempestivamente ao Congresso Nacional, sob a forma de projetos de lei.

Urgência e relevância: cumprir o cronograma dos projetos que se encontram em andamento, tendo em vista a inexistência de recursos passíveis de serem empregados na supervisão, no monitoramento e na avaliação da execução das obras de infraestrutura, fato que poderá implicar descontinuidade das obras, com sérios prejuízos ao erário e à população beneficiária.

Esclarece ainda Exposição de Motivos já citada que parte das programações contempladas neste crédito, constantes do Anexo I, destinam-se a ações de infraestrutura, foco importante da atuação do Governo Federal, que integram o PAC, razão pela qual as ações estão classificadas com o Identificados de Resultado Primário 3, conforme disposto no art. 7º, § 3º, inciso IV, da Lei nº 12.017/2009, Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2010.

Aduz a Exposição de Motivos citada acima que, no âmbito do Orçamento de Investimentos, o crédito extraordinário, aberto em favor de empresas estatais vinculadas a diversos Ministérios, permitirá a adequação dos cronogramas físico-financeiro de investimentos, em face das prioridades estabelecidas na revisão do plano estratégico para o corrente exercício, de modo a assegurar o desempenho operacional na área de atuação de cada uma das empresas beneficiárias, com o consequente cancelamento de dotações de empreendimentos que não apresentam viabilidade para execução. A urgência e relevância da medida nos Ministérios supervisores de empresas estatais com Orçamento de Investimento é garantir o desenvolvimento de projetos de responsabilidade das respectivas empresas estatais, notadamente voltados para revitalização, ampliação e modernização da infraestrutura dos portos e aeroportos brasileiros, bem como para oferta de energia elétrica, de petróleo e gás e de seus derivados, produtos estes de potencial relevância para assegurar o pleno atendimento às demandas da sociedade, de modo geral, e do setor produtivo, de maneira especial, de forma a propiciar aumento da oferta de bens e serviços no curto e médio prazos e reduzir o risco de desabastecimento, evitando prejuízos à população, restrições ao crescimento econômico e seus consequentes impactos indesejáveis sobre os níveis de emprego e renda.

II – PARECER 1. Alguns aspectos da Resolução nº 1, de 2006-CN e sua repercussão na presente Medida Provisória. A Resolução nº 1, de 2006 – CN dispõe sobre os trabalhos da Comissão Mista de Orçamentos (CMO) e a tramitação das matérias por ela apreciadas, quais sejam, os projetos de lei do PPA, da LDO, da lei orçamentária e os de créditos adicionais, entre outras proposições. Sobre os projetos de lei de créditos adicionais o art. 106 estabelece que “os projetos somente serão apreciados pela CMO até o dia 20 de novembro de cada ano” e complementa, no art. 107, que “os projetos sobre os quais a CMO não emitir parecer no prazo de que trata o art. 106 serão apreciados pelo Plenário do Congresso Nacional”. A razão para esses dispositivos é permitir que a CMO, ao final de cada sessão legislativa, disponha de mais tempo e vigor para análise do projeto de lei orçamentária, matéria bastante extensa e com prazos constitucionais e ritos regimentais a serem cumpridos. Essa regra tem repercussões quando analisada em conjunto com o art. 7º da Resolução nº 3, de 1990 – CN (que “dispõe sobre a Comissão Representativa do Congresso Nacional...”). O art. 7º, IV, “b” estabelece que compete à Comissão Representativa do Congresso Nacional deliberar sobre projeto de lei relativo a

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créditos adicionais solicitados pelo Presidente da República, desde que sobre o mesmo já haja manifestação da Comissão Mista de Orçamentos. Portanto, na prática, o que se vê é a postergação, por meio de obstruções, de projetos de lei de créditos adicionais de interesse do Governo na CMO. Se não votados nessa Comissão até a data limite (20 de novembro) somente o Plenário do Congresso Nacional poderá fazê-lo, o que é mais difícil em razão do quorum maior exigido. Já aqueles projetos aprovados na CMO poderão ser apreciados pela Comissão Representativa do Congresso, que compõe-se de 7 Senadores e 16 Deputados. Grande parte das dotações constantes da presente Medida Provisória figurava em projetos de lei de créditos adicionais que não foram apreciados pela CMO e nem pelo Plenário do Congresso Nacional. Por essa razão, o Presidente da República editou a presente Medida em 28.12.2010, após o início do recesso desta Casa. 2. A edição de MP para a abertura de crédito extraordinário A abertura de crédito extraordinário por meio de medida provisória está alicerçada no art. 62, § 1º, inciso I, alínea d, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda n.º 32, de 2001, verbis: “Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: ....... d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;” (grifei)

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....... O § 3º do art. 167, também da CF, assim estabelece: “Art. 167. ... ........... § 3º - A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62.” (grifei) Portanto, se atendidos os pressupostos do art. 62 (relevância e urgência) e os do art. 167 (despesas imprevisíveis e urgentes), o crédito extraordinário poderá ser aberto por medida provisória. A Lei n.º 4.320, de 17.03.64, que “Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”, conceitua, no seu art. 41, as modalidades de crédito orçamentário: “Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os destinados a refôrço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. “ (grifei) A mesma Lei n.º 4.320/64 estabelece, em seu art. 43, os recursos que podem ser utilizados para a abertura de créditos: “Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos

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disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa. § 1º Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não comprometidos: I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; II - os provenientes de excesso de arrecadação; III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em Lei; IV - o produto de operações de credito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao poder executivo realiza-las. ........................” Observe-se que o art. 43 trata somente dos créditos suplementares e especiais e condiciona a abertura destes à indicação dos recursos disponíveis para sua efetivação. Os créditos extraordinários serão tratados pela Lei n.º 4.320 somente no art. 44, que estabelece: Art. 44. Os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder Executivo, que dêles dará imediato conhecimento ao Poder Legislativo. Vê-se, portanto, que no caso de crédito extraordinário, a Lei n.º 4.320/64 não exige a indicação de recursos para acorrer à despesa. Entretanto, tem sido praxe ao longo dos anos a própria MP que abre o crédito extraordinário indicar os recursos correspondentes para o atendimento da despesa. Com a presente MP não foi diferente. Os recursos compensatórios são originários de superávit financeiro apurado no Balanço Patrimonial da União referente ao exercício financeiro de 2009, excesso de arrecadação, operações de crédito externas - em bens e/ou serviços, reserva de contingência, cancelamentos de dotações orçamentárias dos órgãos envolvidos, de recursos próprios das

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empresas estatais, recursos para aumento do Patrimônio Líquido, recursos de longo prazo e de outras fontes, conforme demonstrado no quadro acima. 3. As Emendas À Medida Provisória foram oferecidas 24 emendas. As emendas de nºs 01 a 10, de autoria do Dep. Rubens Bueno (PPS-PR), propõem a supressão de subtítulos. As de nºs. 11 a 19, do Dep. Marçal Filho (PMDB-MS), propõem acréscimo de dotação para investimentos no estado do Mato Grosso do Sul. As de nºs, 20 e 21, do Dep. Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) suprimem, respectivamente, os anexos I e III da MP, que tratam dos orçamentos fiscal e seguridade e de investimentos. As de nºs. 22 a 24, do Dep. Mozarildo Cavalcanti, suprimem cancelamentos de dotações constantes da MP. O art. 111 da Resolução nº 1, de 2006 – CN, assim dispõe: Art. 111. Somente serão admitidas emendas que tenham como finalidade modificar o texto da medida provisória ou suprimir dotação, total ou parcialmente.” Com base no dispositivo acima citado, as emendas de números 11 a 19 devem ser inadmitidas e, as demais, deverão ser objeto de decisão de mérito do Relator. 4. Apreciação da MP pela Comissão Mista de Orçamentos Outro ponto a ser observado é relativo à Resolução nº 1, de 2002 – CN, que dispõe sobre a apreciação, pelo Congresso Nacional, das Medidas Provisórias. O art. 2º, § 6º, estabelece que a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização deverá examinar e emitir parecer sobre as Medidas que abram crédito extraordinário à lei orçamentária federal, observando os

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prazos e o rito estabelecido na Resolução. Como a Comissão Mista não emitiu o parecer, este deverá ser suprido pela Comissão Mista encarregada de dar parecer sobre a matéria ou, se esta não o fizer, pelo Relator designado, diretamente no Plenário. 5. O Voto do Relator Teremos voto apenas em Plenário ITEM – 02 PROJETO DE LEI DE CONVERSÃO Nº 12, DE 2011 (Proveniente da Medida Provisória nº 518, de 2010) Ementa: Discussão, em turno único, do Projeto de Lei de Conversão nº 12, de 2011, que disciplina a formação e consulta a bancos de dados com informações de adimplemento, de pessoas naturais ou de pessoas jurídicas, para formação de histórico de crédito. Autor: Poder Executivo Relator revisor: Senador Francisco Dornelles OBS: Parecer preparado pela Liderança do PDT na Câmara dos Deputados Síntese desta Liderança: O Projeto de Lei nº 836/2003 aprovado pelo Poder Legislativo foi alvo de críticas dos órgãos de defesa do consumidor por criar o cadastro positivo semestabelecer regras para o compartilhamento de informações dos bons pagadores. Isso, segundo as instituições, abriria brechas para a violação de privacidade e discriminação dos consumidores. Assim, o Poder Executivo vetou o referido Projeto de Lei. A Medida Provisória (MPV) 518 busca aperfeiçoar o cadastro positivo, porém, deixa alguns entraves que discorreremos no comparativo anexo: A MP 518 vai ao encontro às reivindicações de privacidade e consulta. A medida regulamenta e disciplina de forma clara a consulta aos bancos de dados, instituindo limites bem definidos para o funcionamento deles.

A Medida Provisória passa a determinar que o nome de uma pessoa ou empresa tão-somente será incluído no cadastro positivo com autorização prévia. Permitida a inclusão, todos os pagamentos passarão a ser acompanhados pela empresa que gerencia o cadastro. Isso quer dizer que desde contas de luz, água, telefone fixo e pagamentos de dívidas bancárias ou compras a prestação, independentemente dos valores envolvidos, integrarão o cadastro positivo. As informações sobre telefonia móvel ficarão de fora por terem um volume maior de reclamações por cobrança indevida. Os consumidores terão o direito de cancelar o cadastro quando quiserem e acessar gratuitamente suas informações. A medida provisória também proíbe as empresas de cadastro positivo de coletarem informações que não estiverem vinculadas à analise de risco de crédito ao consumidor. Não são necessárias, hoje, maiores digressões para demonstrar rapidamente que o acúmulo de informações sobre uma determinada pessoa, seja de que natureza for, representa risco para ela. A informação pode ser falsa; pode ser utilizada para discriminá-la, pode ser utilizada para a previsão de comportamentos futuros e o direcionamento de suas oportunidades com a consequente redução de sua liberdade de escolha, pode ser utilizada sem que ela saiba, pode ser utilizada para finalidades que ela não desejava ou por pessoas que ela não autorizou, além de uma gama de outros motivos que justificaram, para muitos países, estabelecerem regras específicas sobre a proteção dos dados pessoais. Porém a Medida Provisória trata expressamente disso nos Art. 14 e 15 verbis “As informações sobre o cadastrado, constantes dos bancos de dados, somente poderão ser acessadas por consulentes que com ele mantiverem relação comercial ou creditícia”; “O banco de dados, a fonte e o consulente são responsáveis objetiva e solidariamente pelos danos materiais e morais que causarem ao cadastrado”. Dispõe, ainda, que as informações disponibilizadas nos bancos de dados somente poderão ser utilizadas para: “I - realização de análise de risco de crédito do cadastrado; ou II - para subsidiar a concessão de crédito e a realização de venda a prazo ou outras

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transações comerciais e empresariais que impliquem risco financeiro ao consulente.” Sob consequência de que os órgãos de proteção e defesa do consumidor apliquem medidas corretivas, estabelecendo obrigações de fazer, aos bancos de dados que descumprirem o previsto em lei. Assim, a própria Medida Provisória estabelece os limites para o uso secundário de dados pessoais, isto é, para a sua utilização em contextos e para finalidades diversas daqueles que justificaram a sua coleta. Os dados obtidos pelo gestor do banco de dados de proteção ao crédito não poderiam assim, hipoteticamente, ganhar vida própria e influir em outras esferas da vida do titular dos dados que não somente àquela que diz respeito à concessão do crédito. A Medida agrega, ainda, a possibilidade de controle da finalidade, com regra para saída do sistema (cancelamento da informação), limites à sua comercialização e controle das finalidades para as quais a informação será utilizada, tudo isso resguardado pela própria Medida juntamente com o Código de Defesa do Consumidor. As informações pessoais são projeções de nossa personalidade e, em uma sociedade na qual nós todos somos cada vez mais identificados e avaliados por meio de nossas informações, o controle destas é absolutamente essencial para que as liberdades fundamentais da própria pessoa sejam protegidas como agora resguarda a Medida Provisória. O chamado direito ao esquecimento é parte integrante da cultura jurídica e da própria legislação, ao estabelecer que as informações pessoais somente possam ser utilizadas dentro de um determinado prazo, salvo exceções específicas previstas em lei e controladas, como razões de segurança pública ou motivos históricos. A Medida Provisória estabeleceu um prazo máximo de 15 anos de conservação para os dados pessoais que serão repassados ao banco de dados – indo, assim, em tese, ao encontro dos princípios elementares da proteção de dados, que é a garantia do direito ao esquecimento. Contudo o prazo fixado extrapola o limite estabelecido no Código de Defesa do Consumidor que é aplicável aos dados de cadastro negativo. De uma forma geral, todos estariam sujeitos a serem julgados com base em fatos longínquos, ocorridos em fases

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precedentes de sua vida. Os dados pessoais acumulados sobre uma pessoa avançam sobre ela própria a ponto de fazer depender de condicionamentos e padrões de comportamento ditados pelo passado. Assim, o chamado direito ao esquecimento é infringido indiretamente por seu prazo ser demasiado longo. Apesar se sanar a vulnerabilidade do consumidor e a privacidade do cidadão, a Medida carece naquilo que em tese é seu intuito. Apesar sua prática ser promovida pelas entidades de proteção ao crédito e pelos setores do governo que o veem como uma medida eficaz para diminuir a taxa de juros ao consumidor, porém seu texto não referencia e em hipótese alguma garante algum tipo de diminuição na taxa de juros. A suposição de que a economia nacional necessita de um cadastro positivo, ou melhor, de um arquivo de informações comportamentais no qual se destaca a característica de “bom pagador”, embora esteja sendo o foco da maioria dos debates, não é e não deveria ser, ao menos para nós, o principal aspecto desta matéria. Isso porque, a lista de bons pagadores – denominada de cadastro positivo, assim como a lista dos maus pagadores, mais comumente praticado nas praças comerciais e que possibilitam a formação de históricos de crédito, com informações negativas e positivas, por si só não são capazes de conduzir à conclusão de que os empréstimos de dinheiro - para diferentes modalidades de crédito - fiquem mais baratos. A lógica financeira na qual se inserem os critérios de fixação dos juros depende de muitos outros fatores. Embora relevante o argumento de que o acesso ao nome dos consumidores que não atrasam contas permitirá direcionar a cobrança de juros de acordo com a potencialidade de inadimplência das pessoas e de que, o crédito financeiro venha a se tornar simples e ágil, estes aspectos não nos parecem, por si só, suficientes e bastantes a garantir que o custo do juro venha ser menor. Um cadastro comercial, seja ele positivo ou negativo, é um banco de dados, ou um conjunto de informações coletadas, agrupadas, armazenadas, analisadas e disponibilizadas a um determinado grupo de interessados, acerca de uma pessoa, física ou jurídica, com a finalidade de orientar o comércio quando da concessão de crédito ao consumidor ou em outras transações comerciais.

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Portanto, não há como lhe negar a sua simples função instrumental, que embora eficiente quanto ao seu propósito, qual seja, o de dar maior segurança ao comerciante e confiabilidade para o recebimento do crédito, seja capaz de converter em garantia de benefício para o consumidor e para o próprio mercado, isto é, em redução de juros. Na prática, este instrumento funciona mais ou menos assim: ao se pretender realizar uma compra a prazo em uma loja, o vendedor consulta, por meio de um sistema centralizado de informações e dados ao qual esteja associado, se o nome do cliente consta nos cadastros das demais entidades associadas e se por acaso existirem registros de dívidas, ele se reserva no direito de não conceder o crédito, mas, se constar boas referências, com histórico de pontualidade e outros elementos denotativos de confiabilidade, o vendedor tem mais tranquilidade para concretizar o negócio. Na primeira hipótese, a consulta feita visava mostrar o perfil do consumidor e a presença de dívidas não pagas em seu nome. Esse tipo de cadastro negativo, como é chamado, é permitido pelo Código de Defesa do Consumidor e não pode oferecer informação (negativa) depois de saldada a dívida, devendo ser retirado do sistema o nome das pessoas, mesmo que ainda estejam negociando suas dívidas na Justiça. Já na segunda hipótese, temos o cadastro positivo, que mostra informações do cliente, revela seus hábitos de consumo e o histórico de compras em outras empresas. Geralmente, nesta modalidade de banco de dados, é comum a atribuição de pontuações em razão do potencial de inadimplência, estabelecendo assim um “ranking” de consumidores. Quem passa os dados para o cadastro positivo são as lojas e as instituições bancárias. Porém, isso só pode ser feito com a autorização do consumidor, por tanto, ao se preencher uma ficha com dados pessoais em uma loja ou em um banco, é preciso atentar para a utilidade daquelas informações. Os estabelecimentos têm obrigação de informar o destino dos dados. Sem a autorização do consumidor, nenhum dado pode ser repassado. Em nosso mercado, dispomos de inúmeros bancos de dados comerciais, porém as maiores entidades destinadas a esta atividade são:

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(a) Centralizadora dos Serviços dos Bancos S.A. – Serasa, que é mantida por instituições financeiras e bancárias e que pratica as duas modalidades de cadastro – a positiva e a negativa; (b) Serviço de Proteção ao Crédito - SPC que é mantido por associações comerciais e prestadores de serviços e que pratica, historicamente, o cadastramento negativo. Estas modalidades de cadastro – negativo ou positivo, acerca do consumidor são permitidas pela lei desde que se observe as normas do Código de Defesa do Consumidor. Isto é: 1. Aviso prévio e garantia de acesso livre do consumidor a esses dados – seja para corrigi-los ou excluí-los; 2. Impossibilidade de venda de dados pessoais sem autorização e, ainda; 3. Comunicação da inclusão da ficha feita ao consumidor por escrito, em carta registrada, independentemente do tipo de cadastro que será repassado (Custo do aviso ao consumidor esta providência raramente é realizada, pois se atribui a ela a possibilidade do repasse dos encargos gerados para o consumidor). Enfim, como demonstrado acima, o cadastro comercial, seja ele positivo ou negativo, já existe na prática e é uma poderosa ferramenta em prol da segurança comercial, da estabilidade financeira das atividades comerciais e da sustentabilidade do mercado de consumo. Portanto, reiteramos a impossibilidade de se converter esta útil ferramenta do comércio e do empresário em instrumento garantidor de redução de juros e em benefício do consumidor. O que efetivamente está por trás destes argumentos é a pretensão das instituições financeiras e de crédito em conseguirem amparo legal para as suas práticas negociais, e que por hora, carecem de suporte detalhado sobre muitos aspectos. Senão vejamos: 1. Contornos Jurídicos No Brasil, os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e as demais instituições congêneres surgiram na década de 50, mas a previsão constitucional expressa ocorreu, apenas, em 1988, com a Carta Federal vigente (art. 5º, incisos X e LXXII).

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Diz a Constituição, verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; ......................................................................................................... ... ....; LXXII - conceder-se-á "habeas-data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Na legislação infraconstitucional, são, basicamente, disciplinadas pelo art. 43 da Lei n.º 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor) e na Lei n.º 9.507/97 (Lei do Habeas Data). Código de Defesa do Consumidor, verbis: Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. § 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos. § 2° A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. § 3° O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, devendo

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o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas. § 4° Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público. § 5° Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. Art. 44. Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo divulgá-lo pública e anualmente. A divulgação indicará se a reclamação foi atendida ou não pelo fornecedor. § 1° É facultado o acesso às informações lá constantes para orientação e consulta por qualquer interessado. § 2° Aplicam-se a este artigo, no que couber, as mesmas regras enunciadas no artigo anterior e as do parágrafo único do art. 22 deste código. Art. 45. (Vetado). Como se vê, os dispositivos legais existentes não dispõem de forma específica e detalhada sobre o tratamento das informações comportamentais do consumidor, tratando tão somente sobre: a) a forma das anotações e do conteúdo dos dados cadastrais sobre os consumidores; b) quem está legitimado e tem direito de acesso às informações e as fontes; c) o direito de ciência prévia sobre abertura de cadastro; d) o limite temporal para a circulação de informações de cunho negativo. e) que os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores são de entidades governamentais ou de caráter público; Quanto a este último aspecto, vale ressaltar que, a única referência autorizativa, presente no texto constitucional, para a existência de registros ou bancos de dados diz respeito àqueles pertencentes às entidades governamentais ou de caráter público. Logo, sendo as entidades de proteção ao crédito, como SERASA,

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é de se estranhar, quando o Código do Consumidor curiosamente considera, em seu art 43, § 4º, acima referido, o serviço de proteção ao crédito e congêneres (entenda-se: SERASA) como entidade de caráter público. Percebe-se, pois, que, além da escassez legislativa relativa ao assunto no ordenamento brasileiro, não há, na legislação vigente, definição precisa sobre quais são os dados ou os cadastros positivos e quais seriam os negativos, restringindo-se apenas a dizer o seguinte, verbis (Código de Defesa do Consumidor): § 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos. (grifo nosso) Subtrai-se do destacado dispositivo legal, por interpretação lógica, que, a contrário senso, podem existir informações positivas referentes a períodos superiores a cinco anos. Isto é, o legislador consumerista ao fazer menção a um limite temporal particular às informações negativas, deixa subentendida a autorização para a existência de cadastro positivo, porém, mais do que isto não disse. Assim, é de se supor que a ausência do detalhamento sobre os contornos de um cadastro positivo, ou mesmo, negativo, pode acarretar eventuais confusões e por esta razão, diversas restrições a este tipo de registro. Como saber se, quando nada constar em nome de um consumidor em um cadastro negativo não se estaria assim, por óbvia conclusão, fazendo constar em um cadastro positivo a sua condição de adimplência? Nesta hipótese, não se estaria incluindo um nome sem a sua prévia e indispensável anuência? A coexistência de ambos os cadastros – positivo e negativo, não dependeria dos contornos legais fixando os limites de cada um, posto que a ausência deste regramento poderia acarretar, pela maior abrangência das condutas sociais positivas, a sobreposição dos cadastros positivos ao negativo. O cadastro positivo parece exigir a verificação de um universo maior do que aquela feita, visando demonstrar o perfil e a presença de dívidas não pagas em nome do consumidor e que habitualmente são disponibilizadas pelo cadastro negativo. O

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Cadastro positivo, para atender a sua função, deve ser composto não apenas por informações de cunho negativo, mas também pelos compromissos assumidos e pontualmente adimplidos pelo cadastrado, possibilitando ao concedente apurar se eventual informação negativa é excepcional no histórico de crédito do cadastrado ou se é parte de um comportamento reiterado, facultando-lhe o cálculo preciso e individualizado do custo do capital. O cadastro positivo deveria garantir ao consumidor o direito de ter a sua capacidade de pagamento avaliada individualmente e em específicas circunstâncias, com precisão e completude. Enfim, é a ausência de disposição específica capaz de definir os limites e os contornos destas modalidades cadastrais que justificam a pretensão de se editar uma regulamentação legal expressa. Pois é justamente neste ponto especial que se poderá verificar se um determinado projeto de lei deve ou não ser acolhido. Deve-se esperar que, no mínimo, um projeto de lei e consequentemente, o cadastro criado a partir dele, observe e respeite os direitos dos consumidores, ou melhor, a garantia fundamental assegurada a todo cidadão de inviolabilidade de sua intimidade, a vida privada, a honra e a sua imagem, conforme imposição constitucional contida no inciso X, art. 5º, e não menos importante a coerência nos prazos de arquivamento das informações. Compendiando, a Medida Provisória 518 demonstrou melhoras em relação ao Projeto de Lei ao qual sucedeu, porém, está distante de contemplar todos os empecilhos ainda encontrados quando se ostenta à prática ou mesmo à teoria. Destarte, essas são as considerações gerais sobre a matéria consolidada no texto da Medida Provisória 518.

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PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 467, DE 2008COMPLEMENTAR (Em regime de urgência, nos termos do Requerimento nº 451, de 2011)

PROJETO DE LEI DA CÂMARA NO 1, DE 2010COMPLEMENTAR (Em regime de urgência, nos termos do Requerimento nº 475, de 2011)

Ementa: Discussão, em turno único, do Projeto de Lei do Senado nº 467, de 2008-Complementar, de autoria da Senadora Ideli Salvatti, que altera a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, para acrescentar outras atividades de prestação de serviços às já passíveis de opção pelo Simples Nacional. Autor: Senadora Ideli Salvatti Parecer: sob nº 1.575, de 2009, da Comissão de Assuntos Econômicos, Relator: Senador Antonio Carlos Junior, favorável, com as Emendas nºs 1 e 2-CAE, que apresenta.

Ementa: Projeto de Lei da Câmara nº 1, de 2010-Complementar (nº 12/2003-Complementar, na Casa de origem, do Deputado Sarney Filho), que fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora e altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Autor: Deputado Sarney Filho Relator: Senador Romero Jucá

Síntese desta Liderança: Este projeto de lei complementar altera a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, para acrescentar outras atividades de prestação de serviços às já passíveis de opção pelo Simples Nacional. A inclusão de novos optantes implica em algum impacto fiscal, caso essa opção venha a ser exercida. No entanto, o PLS foi apreciado no âmbito da CAE – Comissão de Assuntos Econômicos (em 15/09/2009) com parecer favorável, tanto quanto ao mérito quanto aos aspectos econômicos. O Governo, em conversas informais, manifesta-se contra. Porém, não houve nenhuma manifestação oficial através de Nota Técnica A matéria foi relatada pelo ilustre senador Antônio Carlos Júnior, que ofereceu duas emendas. A matéria é regimentalmente e tecnicamente correta e não afronta princípios constitucionais.

Síntese desta Liderança: O relator é o Líder do Governo, senador Romero Jucá, que por sua vez proferirá Parecer de Plenário

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ITEM – 05 PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 41, DE 2010 (Em regime de urgência, nos termos do Requerimento nº 476, de 2011) Ementa: Projeto de Lei da Câmara nº 41, de 2010 (nº 219/2003, na Casa de origem, do Deputado Reginaldo Lopes), que regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 janeiro de 1991, e dá outras providências. Autor: Deputado Reginaldo Lopes Relator: Síntese desta Liderança: Parecer ainda senado preparado por esta Assessoria ITEM – 06 PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 166, DE 2008 Ementa: Discussão, em turno suplementar, do Substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara nº 166, de 2008 (nº 696/2003, na Casa de origem, do Deputado Zezéu Ribeiro), que dispõe sobre o acesso à informação de valor didático por alunos e professores nas áreas de engenharia e arquitetura e dá outras providências. Parecer: sob nº 232, de 2011, da Comissão Diretora. Relator: Senador Cícero Lucena, oferecendo a redação do vencido. Síntese da liderança: Parecer da Comissão Diretora, através do 1º Secretário, senador Cícero Lucena, oferecendo a redação do vencido, de acordo com o Art. 98, do RISF

ITEM – 07 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 185, DE 2004 (Discussão em turno Único) Ementa: Regulamenta o emprego de algemas em todo o território nacional. Autor: Senador DEMÓSTENES TORRES Relator: Senador JOSÉ MARANHÃO Relator “AD HOC”: Senador ANTONIO CARLOS VALADARES Parecer: Pareceres nºs 920 e 921, de 2008, da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, favoráveis, nos termos do substitutivo que apresentam. Esclarecimentos desta Liderança: O projeto objetiva disciplinar o emprego de algemas, descrevendo, objetivamente, normas gerais que harmonizem a aplicação da medida com os direitos fundamentais do preso. Segundo o ilustre Relator, trata-se de contribuição que preza pelo respeito aos direitos humanos e pelo uso racional dos meios e instrumentos de constrição da liberdade, asseverando ser injustificável o uso de algemas quando a medida se mostra desnecessária, tola e midiática. E complementa: “Os presos são expostos como troféus, ao julgamento do público.” “Há casos em que os procurados se entregam voluntariamente e, mesmo assim, sem justificativa plausível, são logo algemados. Noutros episódios, por tratar-se especificamente da prisão de autoridades ou ex-autoridades públicas, tem-se a impressão de que o uso das algemas funciona como verdadeira vindita pública.” Nenhum óbice existe quanto à regimentalidade e constitucionalidade da matéria.

Assessoria Técnica da Liderança do PDT no Senado Federal.

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