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RESUMO DA AULA 09: O contexto histórico e a linguagem do Arcadismo 1.

2.

CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO OU NEOCLASSICISMO.

a.

O arcadismo constitui-se numa forma de literatura mais simples, opondo-se aos exageros e rebuscamentos do Barroco, expresso pela expressão latina "inutilia truncat" ("cortar o inútil"). As situações mais frequentes apresentam um pastor abandonado pela amada, triste e queixoso. É a "aurea mediocritas" ("mediocridade áurea"), que simboliza a valorização das coisas cotidianas, focalizadas pela razão. Os seus autores acreditavam que a Arte era uma cópia da natureza, refletida através da tradição clássica. Por isso a presença da mitologia pagã, além do recurso a frases latinas. Inspirados na frase do escritor latino Horácio "fugere urbem" ("fugir da cidade"), e imbuídos da teoria do "bom selvagem" de Jean-Jacques Rousseau, os autores árcades voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril, do "locus amoenus", do refúgio ameno em oposição aos centros urbanos dominados pelo Antigo Regime, pelo absolutismo monárquico. Utilizavam também o "fingimento poético" fato que transparece no uso dos pseudônimos pastoris, como forma de criar um quadro idealizado da vida simples e aprazível. diante da efemeridade da vida, defendem o "carpe diem", pelo qual o pastor, ciente da brevidade do tempo, convida a sua pastora a gozar o momento presente. Valorização da vida no campo (bucolismo) Crítica a vida nos centros urbanos

c. d.

e.

f.

g. h.

Objetividade Idealização da mulher amada

3.

O ARCADISMO NO BRASIL

INTRODUÇÃO: contexto histórico e cultural do século XVIII

O Arcadismo é uma escola literária surgida na Europa no século XVIII, razão por que também é denominada como setecentismo ou neoclassicismo. O nome "arcadismo" é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia antiga, tida como ideal de inspiração poética. No Brasil, esse estilo literário surge no momento em que a Colônia buscava sua emancipação dos laços lusitanos. Foi um período de intensa agitação política e social, visto que as ideias do Iluminismo e de revoltas nativistas se intensificavam na Colônia. O século XVIII, também referido como “Século das Luzes”, representa uma fase de importantes transformações no campo da cultura europeia. Na Inglaterra e na França forma-se uma burguesia que passa a dominar economicamente o Estado, através de um intenso comércio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancários, assenhoreando-se mesmo de uma parte da atividade agrícola. Paralelamente, a antiga Nobreza arruína-se, e o Clero, com as suas intermináveis polêmicas, traz o descrédito às questões teológicas. Em toda a Europa a influência do pensamento Iluminista burguês se alastra. Na França, em 1751, começam a ser publicados os volumes da Enciclopédia, que reunia pensadores como Voltaire, Diderot, D'Alembert, Montesquieu, Rousseau, e que pode ser considerada o símbolo da nova postura intelectual. A segunda metade do século é marcada pela Revolução Industrial na Grã-Bretanha, pelo aumento da urbanização de modo geral, e pela independência dos Estados Unidos (1776). Esta, por sua vez, irá inspirar movimentos de revolta em muitas colônias da América Latina como por exemplo a Inconfidência Mineira, no Brasil. Na Itália essa influência assumiu feição particular. Conhecida como arcadismo, inspirava-se na lendária região da Grécia antiga. Segundo a lenda, a Arcádia era dominada pelo deus Pã e habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer. Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a "Arcádia" em 1690 - uma academia literária que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroco e difundir os ideais neoclássicos. Para serem coerentes com certos princípios, como simplicidade e igualdade, os cultos literatos árcades usavam roupas e pseudônimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural. Em Portugal e no Brasil, a experiência neoclássica na literatura deu-se em torno dos modelos do arcadismo italiano, com a fundação de academias literárias, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.

b.

i. j.

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O eixo do Brasil-colônia se deslocara do nordeste para a região centro-sul, mais precisamente Rio de Janeiro e, especialmente, Vila Rica, atual cidade mineira de Ouro Preto. Esse deslocamento deu-se com o declínio da produção açucareira no Nordeste e ao desenvolvimento do ouro e do diamante em Minas Gerais. Essa intensa atividade econômica deu ensejo ao aparecimento da vida urbana. Os poetas árcades brasileiros estudaram em Portugal e de lá trouxeram ideais libertários que fervilhavam pela Europa inteira. Alguns desses poetas viriam a participar da Inconfidência Mineira. Portanto, o Arcadismo no Brasil desenvolveu-se concomitantemente ao chamado ciclo do ouro, em Minas Gerais e teve em Vila Rica (atual Ouro Preto) seu principal centro de difusão. Alguns de seus integrantes estiveram ligados à Inconfidência Mineira, principal evento político do século 18 no Brasil. A descoberta do ouro na região de Minas Gerais, em fins do século XVII, significa o início de grandes mudanças na sociedade colonial brasileira. A corrida em busca do metal precioso desloca para serras, até então desertas, uma multidão de aventureiros paulistas, baianos e, em seguida, portugueses. A abundância do ouro gera extraordinária riqueza e os primeiros acampamentos de mineiros transformam-se rapidamente em cidades. Um esquema de abastecimento para as minas é organizado por tropeiros paulistas. Sorocaba, no interior de São Paulo, torna-se o maior centro de transporte das tropas de gado vacum e muar para Minas Gerais. Ali realiza-se uma grande feira, entre maio e agosto, onde se encontram vendedores e compradores de animais e mantimentos. São paulistas ainda os que avançam cada vez mais para o Sul. Primeiro, desenvolvem roças e fazendas de criação bovina na região de Curitiba. Depois, irrompem nos campos da serra e no pampa rio-grandense para capturar o gado que vivia em liberdade (milhões e milhões de cabeças). Este sistema de abastecimento das cidades mineiras - já que nada se produzia nelas integra e unifica as várias regiões do Brasil, criando a noção de que poderíamos constituir um país. Por outro lado, a leva de habitantes do reino, que aqui chega, impõe a língua portuguesa como a língua básica, desalojando a "língua geral", baseada no tupi, e que imperava nos sertões e entre os paulistas. Desta forma, adquire-se também uma unidade linguística. O ouro parece ser suficiente para todos. Enriquece os mineiros, os comerciantes, os tropeiros e, acima de tudo, o reino português. Centenas de toneladas do precioso metal são levadas para o luxo, o desperdício e a ostentação da Corte. Parte considerável deste ouro vai parar na Inglaterra, financiando a Revolução Industrial, na medida em que o domínio comercial dos ingleses sobre a economia portuguesa era absoluto. Contudo, a partir da segunda metade do século XVIII, a produção aurífera começa a cair e as minas dão sinais de esgotamento.

LITERATURA


EXERCÍCIOS DE SALA

EXERCÍCIOS DE CASA

O soneto a seguir serve de apoio para responder as questões 01 e 02.

03) Os versos acima são exemplos:

Torno a ver-vos, ó montes; o destino Aqui me torna a pôr nestes outeiros, Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte, rico e fino.

a) do espírito harmonioso da poesia arcádica. b) do estilo tortuoso do período barroco, marcado pelo abuso de rebuscamentos. c) do refinamento e da ostentação da poesia de Gregório de Matos. d) do intento nacionalista na poesia romântica do século XIX.. e) do humor e do lirismo dos poetas neoclássicos do século XVIII.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino, Os meus fiéis, meus doces companheiros, Vendo correr os míseros vaqueiros Atrás de seu cansado desatino.

04) (Ufv) Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Todas as alternativas estão corretas, EXCETO: a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII, quando o "saber" assumiu uma importância fundamental. b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo, por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio. c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco, retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos. d) Empreendeu uma minuciosa análise do personagem, revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma. e) Vivenciou uma expressiva transformação social, sendo fortemente marcado pelos ideais político-filosóficos do enciclopedismo francês.

Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, Aqui descanse a louca fantasia, E o que até agora se tornava em pranto Se converta em afetos de alegria. Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9. 01) Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu interlocutor. a) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v.1) b) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino,” (v.5) c) “Os meus fiéis, meus doces companheiros,” (v.6) d) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v.7) e) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,” (v.11) 02) Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção. a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”. a) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poetadividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia. c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional. d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

05) (Mackenzie) Assinale a alternativa que NÃO apresenta um trecho do Arcadismo brasileiro. a) "Se sou pobre pastor, se não governo Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes; Se em frio, calma, e chuvas inclementes Passo o verão, outono, estio, inverno;" b) "Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! oh quem cuidara, Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza!" c) "Musas, canoras musas, este canto Vós me inspirastes, vós meu tenro alento Erguestes brandamente àquele assento Que tanto, ó musas, prezo, adoro tanto." GABARITO DE SALA 01. A 02. A GABARITO DE CASA 03. A 04. D 05. D

d) "Meu ser evaporei na lida insana Do tropel das paixões que me arrastava, Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim, quase imortal, a essência humana!" e) "Não vês, Nise, este vento desabrido, Que arranca os duros troncos ? Não vês esta, Que vem cobrindo o Céu, sombra funesta, Entre o horror de um relâmpago incendido?" Sou Pastor; não te nego; os meus montados São esses, que aí vês; vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia dos meus gados.

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LITERATURA


RESUMO DA AULA 10: a poesia lírica e satírica do Arcadismo brasileiro

Cláudio Manoel da Costa (o Glauceste Satúrnio), advogado, magistrado e poeta, nasceu em Vila do Ribeirão do Carmo (hoje Mariana), Minas Gerais, em 5 de junho de 1729. Após seus primeiros estudos com os jesuítas, no Rio de Janeiro, vai, em 1749, para a Universidade de Coimbra para estudar Direito. Nessa época, entrou em contato com os ideais iluministas e absorveu o clima das primeiras manifestações do Arcadismo. Retornou ao Brasil em 1754, trabalhando como advogado em Vila Rica, Minas Gerais. Em 1768, lançou seu livro de poesias, „Obras‟, fundando a Arcádia Ultramarina. Por ter participado como um dos líderes da Inconfidência Mineira, foi preso quando o movimento foi sufocado. Submetido a interrogatórios, fez algumas declarações comprometedoras sobre seus amigos, entre eles Tomás Antonio Gonzaga. Foi encontrado morto, enforcado, em Ouro Preto, Minas Gerais, no dia 4 de julho de 1789, não se sabendo se cometeu suicídio ou se foi assassinado.

Glauceste Satúrnio O poeta árcade usava o pseudônimo de Glauceste Satúrnio em seus poemas bucólicos: sonetos, cantatas, romances e éclogas, que compõem "Obras". Várias são as pastoras a quem o eu lírico se refere, sem, no entanto, jamais alcançá-las. Com uma cultura humanística evidente, escrevia ao estilo petrarquiano, ou seja, por meio de fórmulas de composição que se valem de organizações sistemáticas de frases e ritmos, sempre tendo a natureza como testemunha ou aliada. Sua poesia é rica e elegante, sem banalidades e ostentações. É considerado o nosso poeta neoclássico mais completo, pois ainda que nem sempre tenha realizado a melhor poesia, tinha clareza de como deveria ser feita, como revela no Prólogo já citado: "É infelicidade que haja de confessar que vejo e aprovo o melhor, mas sigo o contrário na execução". Apresenta em muitos de seus textos uma forte influência da paisagem de sua terra natal Mariana, MG. Sua musa inspiradora, Nise, é considerada a musa mais cruel do Arcadismo, pois ela nunca atende aos apelos do pastor Glauceste. Tomás Antônio Gonzaga nasceu no Porto, em 1744. Órfão de mãe no primeiro ano de vida, mudou-se com o pai, magistrado brasileiro, para Pernambuco em 1751 e depois para a Bahia. Aí estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1761, voltou a Portugal para cursar Direito. Durante alguns anos, foi juiz de fora em Beja (Portugal). Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado ouvidor de Vila Rica e um ano depois conheceu a adolescente Maria Joaquina Dorotéia de Seixas Brandão, a pastora Marília, imortalizada em sua obra lírica, por quem se apaixonou e chegou a ficar noivo. Pobre e bem mais velho que ela, sofreu oposição da família. Tornou-se amigo, entre outros, de Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. Embora não acreditasse nas aspirações sonhadoras dos amigos, ofereceu sua casa para as reuniões do grupo. Sua implicação na revolta de Minas parece ter sido fruto de calúnias arquitetadas por seus adversários. Apesar do pequeno papel nesse evento, foi preso como inconfidente e condenado ao exílio em Moçambique, em 1792. Na África, recupera a fortuna e a influência perdidas e morre, provavelmente em 1810. Embora tenha escrito alguns poemas antes da estada em Vila Rica e apesar de ter produzido algumas obras menores durante o exílio, como o poemeto épico A Conceição, foi durante o curto período vivido em Minas Gerais que Gonzaga produziu alguns dos mais significativos poemas do arcadismo luso-brasileiro. Apaixonado pela jovem Maria Joaquina Dorotéia de Seixas, Gonzaga dedicou-lhe os poemas líricos de Marília de Dirceu, em que se retrata como Dirceu e à amada como Marília. O estudioso Rodrigues Lapa provou serem dele também as Cartas Chilenas, conjunto de poemas anônimos que satirizavam o governador Luís da Cunha Menezes, seu desafeto. Tomás Antônio Gonzaga, cujo nome arcádico é Dirceu, escreve poesias líricas (Marília de Dirceu), com temas pastoris e de galanteio em que o eu lírico está sempre na fala de uma personagem. Nelas, Dirceu se dirige à amada, a pastora Marília. As liras à sua pastora refletem a trajetória do poeta, na qual a prisão atua como um divisor de águas. Antes

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do encarceramento, num tom de felicidade, canta a ventura da iniciação amorosa, a satisfação do amante, que, valorizando o momento presente, busca a simplicidade e o refúgio na natureza amena, que ora é europeia, artificial, virginiana e ora mineira. Depois da reclusão, num tom trágico de desalento, canta o infortúnio, a justiça, o destino e a eterna consolação no amor de Marília. São compostas em redondilha menor ou em decassílabos quebrados. Expressam simplicidade e gracioso lirismo íntimo, decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos sentimentos e da escolha linguística. Demonstram subjetivismo intenso, revelando algo novo naquela época fria e formal do vazio arcádico. Ao delegar posição poética a um campesino, sob cuja pele se esconde um elemento civilizado, Gonzaga cai em contradições, ora assumindo a postura de pastor, ora a de burguês. As Cartas Chilenas correspondem a uma coleção de doze cartas, assinadas por Critilo e endereçadas a Doroteu, residente em Madri. Critilo, habitante de Santiago do Chile (leia-se Vila Rica), narra os desmandos despóticos e narcisistas do governador chileno, o Fanfarrão Minésio (leia-se, Luís da Cunha Meneses). São poemas satíricos, em versos decassílabos brancos, que circularam em Vila Rica poucos antes da Inconfidência Mineira. Revelando seu lado satírico, num tom mordaz, agressivo, jocoso, pleno de alusões e máscaras, o poeta satiriza ferinamente a mediocridade administrativa e os desmandos dos componentes do Governo. Por muito tempo, discutiu-se a autoria das Cartas Chilenas. Após estudos comparativos da obra com cada um dos elementos do "Grupo Mineiro", possíveis autores, concluiu-se que o verdadeiro autor é Gonzaga e que Critilo é ele mesmo e Doroteu, Cláudio Manuel da Costa.

ANOTAÇÕES

LITERATURA


EXERCÍCIOS DE SALA

EXERCÍCIOS DE CASA

01) Com relação à obra Marília de Dirceu, assinale o item FALSO:

04) Com relação ao texto, pode-se afirmar que, EXCETO:

a)- a obra é dividida em 2 partes: na primeira, temos a quebra do convencionalismo clássico ao afastar-se da contenção emocional b)- seu autor, preocupou-se na obra em retratar seu sentimento pela mulher amada, numa postura racionalista e patriarcalista, especialmente na parte inicial do poema c)- a obra é um monólogo com estrutura de diálogo, só quem fala na é o “pastor” Dirceu que se apresenta com uma forte exortação à mulher amada d)- o poeta estrutura sua poesia em liras que expressam sua filosofia de vida epicurista e)- a obra relaciona-se com a vida do autor, fazendo com que em parte, se afaste do convencionalismo árcade Leia com atenção o texto abaixo, do poeta árcade Cláudio Manoel da Costa: ALTÉIA Aquele pastor amante, Que nas úmidas ribeiras Deste cristalino rio Guiava as brancas ovelhas; Aquele, que muitas vezes Afinando a doce avena, Parou as ligeiras águas, Moveu as bárbaras penhas;

a)- apresenta aspectos característicos do estilo árcade, como o bucolismo e o uso de pseudônimos b)- apresenta perfeição formal, a rigidez dos versos que se influenciam pelo estilo clássico c)- na estrofe inicial do poema, o amanhecer é descrito através de uma linguagem rebuscada, que mantém relações com a estética barroca d)- o texto oscila em dois polos: o “ver” e o “sentir”, bem delineado em duas partes do texto e)- o texto apresenta uma contenção emocional, característica típica do estilo árcade 05) O crítico Antônio Cândido afirma a respeito de Tomás Antônio Gonzaga: “Em Gonzaga, é interessante o contraste entre as precauções mitológicas com que celebra a mulher e o senso de realidade com que a integra no panorama da vida. Mas de uma lira é votada à tarefa quase didática de mostrar à bem amada a naturalidade do amor, mostrando-lhe a ordenação das coisas naturais. E, por outro lado, valorizar a noção civil da vida social, salientando a nobreza das artes da paz, o falso heroísmo da violência, a ordem serena da razão.” Para se exemplificar o contraste referido no trecho acima, será necessário confrontar liras de MARÍLIA DE DIRCEU em que a amada do poeta:

Sobre uma rocha sentado Caladamente se queixa: Que para formar as vozes Teme que o ar as perceba. 02) Assinale a alternativa incorreta: a)- o poema exemplifica o bucolismo e o pastoralismo típicos da poesia árcade b)- a natureza convencional aparece como cenário para a vida dos pastores c)- a linguagem é simples, sem a sobrecarregada ornamentação barroca d)- há no poema descrição estereotipada de elementos da natureza e)- o tema predominante é o do Carpe Diem - desejo de fruição dos prazeres diante da fugacidade da vida 03) (UFPB-98)- Na poesia arcádica ou neoclássica, NÃO se encontra: a)- a influência das ideias iluministas b)- a valorização do campo em detrimento da cidade c)- a ênfase na interpretação subjetiva da realidade d)- o retorno aos ideais greco-latinos e)- a adoção de pseudônimos pelos poetas, que se figuravam pastores O texto que se segue pertence a um poeta do período Colonial da literatura brasileira. Leia-o com atenção para em seguida analisar as questões propostas:

a)- se apresente, numa, como maliciosa personagem de sátira; na outra, com os traços ingênuos de uma camponesa rústica b)- aparece, numa, ainda figurada nos moldes da expressão barroca; na outra, já representada com erotismo dos futuros românticos c)- consagre, numa, a visão idealizada do amor platônico; na outra, a imagem da mulher arrebatada pelas paixões d)- seja caracterizada, numa, ao modo das Nises, Amarílis, Anardas; na outra, como a canônica pastora de um campo da Arcádia e)- surja representada, numa, dentro da pura convenção pastoral; na outra, como esposa feliz de um estado proprietário Leia com atenção: “Porém se os justos céus, por fins ocultos, então tiranos mal me não socorrem, verás então que os sábios, bem como vivem, morrem. Eu tenho um coração maior que o mundo. Tu, formosa Marília, bem o sabes um coração, e basta, onde tu mesma cabes.” Tomás A. Gonzaga

06) Esse fragmento, pertencente às liras de MARÍLIA DE DIRCEU, mostra a seguinte característica da poesia de Gonzaga:

Já rompe, Nise, a matutina Aurora O negro manto, com que a noite escura, Sufocando do sol a face pura, Tinha escondido a chama brilhadora.

a)- a fruição dos prazeres da vida – Carpe Diem b)- a idealização dos lugares amenos – Locus Amenus c)- um certo lirismo lamuriento, pré – romântico, mas submetido à disciplina e sobriedade Neoclássica d)- a rejeição ao rebuscamento barroco – Inutilia Truncat e)- a busca, no campo, da beleza e da simplicidade – Fugere Urbem

Que alegre, que suave, que sonora, Aquela fontezinha aqui murmura! E nestes campos cheios de verdura Que avultado o prazer tanto melhora!

GABARITO DE AULA 01. A 02. E 03. C

Só minha alma em fatal melancolia, Por te não poder ver, Nise adorada, Não sabe inda que coisa é alegria;

GABARITO DE CASA 4. E 5. E 6.E

E a suavidade do prazer trocada, Tanto mais aborrece a luz do dia, Quando a sombra da noite mais lhe agrada.

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LITERATURA


NO BRASIL AULA 11: Romantismo, a arte da emoção e do sentimento de liberdade – a idealização a fantasia da sociedade burguesa. CONTEXTO HISTÓRICO O Romantismo foi um movimento artístico ocorrido na Europa por volta de 1800, que representa as mudanças no plano individual, destacando a personalidade, sensibilidade, emoção e os valores interiores. Atingiu primeiro a literatura e a filosofia, para depois se expressar através das artes plásticas. A literatura romântica, abarcando a épica e a lírica, do teatro ao romance, foi um movimento de vanguarda e que teve grande repercussão na formação da sociedade da época, ao contrário das artes plásticas, que desempenharam um papel menos vanguardista. A arte romântica se opôs ao racionalismo da época da Revolução Francesa e de seus ideais, propondo a elevação dos sentimentos acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temática das obras. A produção artística romântica reforçou o individualismo na medida em que baseou-se em valores emocionais subjetivos e muitas vezes imaginários, tomando como modelo os dramas amorosos e as lendas heroicas medievais, a partir dos quais revalorizou os conceitos de pátria e república (no caso específico da Europa, pois no Brasil a República ainda não tinha sido proclamada). Papel especial desempenharam a morte heroica na guerra e o suicídio por amor. Os responsáveis pela Revolução Francesa tinham , ao promovê-la, pelo menos dois objetivos principais: 1) a expansão do Comércio através da implementação de novos meios de produção que colocassem mais produtos no mercado em menor tempo ( e a Revolução Industrial é consequência disso) para aumentar o consumo e, por conseguinte, a riqueza dos comerciantes (BURGUESIA), que até então estavam sufocados pelo Estado Absolutista, cujas leis não permitiam tal expansão; em outras palavras: introduzir o LIBERALISMO ECONÔMICO (CAPITALISMO); 2) a queda do poder absoluto, passando o exercício do poder ao povo através de seus representantes políticos (DEMOCRACIA) e promover a República. Com a Revolução Francesa, alguns dos ideais revolucionários se concretizaram: a burguesia tornou-se mais rica, embora os integrantes dessa classe se reduzissem a cada dia: a competição, a livre iniciativa, a liberdade de mercado, etc, fizeram com que os mais ricos fossem, pouco a pouco, adquirindo as riquezas dos não tão ricos.O aumento do capital deu à já não tão numerosa classe burguesa PODER ECONÔMICO suficiente para que ela passasse a comandar a "sociedade inteira", ou seja, o poder econômico deu à burguesia PODER POLÍTICO e SOCIAL: a burguesia passa a ser, nessa época, a CLASSE DOMINANTE na sociedade. Napoleão Bonaparte é, na França e nos países de seu Império, quem melhor garante à burguesia o lugar de classe dominante na sociedade. Apesar de rica e poderosa, a burguesia da época não é culta (ao contrário); com seu dinheiro e poder, essa classe passa a PATROCINAR uma literatura que substitui a arcádica (principalmente por causa de seu preciosismo vocabular) e que tem que ter os seguintes ingredientes: . linguagem simples , de fácil entendimento; . temas variados, desenvolvidos em textos repletos de ação, suspense e emoção; . personagens nobres, burguesas, caracterizadas através de dados positivos, para que os leitores chegassem à conclusão de que a burguesia era a única classe merecedora do poder , ou seja, uma obra literária veículo de uma IDEOLOGIA que garantisse a manutenção da burguesia no poder. Em decorrência desse "desejo", surge o ROMANCE , uma narrativa literária com todos os ingredientes acima citados. Inicialmente, o romance é entregue quinzenalmente nas casas dos leitores sob a forma de folhetins e em capítulos; a leitura desses folhetins é uma das principais diversões da época: é motivo de reuniões sociais; no final de cada capítulo, há sempre uma cena que serve de "gancho"para o capítulo seguinte, para que os leitores desejem ardentemente receber o próximo folhetim.Com o ROMANCE, surge o ROMANTISMO.

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O Brasil do início do século XIX foi palco de várias transformações que contribuíram de forma decisiva para a formação de uma verdadeira identidade nacional e, consequentemente, uma literatura com características mais brasileiras. A chegada da família real portuguesa em 1808 já era um indício de que aquele seria um século de profundas mudanças na estrutura política, econômica e cultural do país. D. João VI, através de medidas importantes visando o desenvolvimento nacional, abriu os portos para comércio com o mundo, o que significava a fácil entrada de novas tendências culturais, principalmente europeias. Além disso, criou novas escolas, bibliotecas e museus, e deu incentivo à tipografia, que implicou a impressão de livros, até então feitos em Portugal, e a edição de jornais. O eixo político-econômico-cultural do Brasil sai então de Minas Gerais para ganhar as portas da realeza no Rio de Janeiro, onde nasce um público consistente de leitores principalmente formado de mulheres e jovens estudantes, provenientes da classe burguesa em ascensão. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA LITERATURA ROMÂNTICA 1. Subjetividade. 2. Culto do EU. 3. Individualismo e liberdade de expressão. 4. Sentimento nacionalista. 5. Idealização da vida e da realidade. 6. Valorização do amor. 7. Insatisfação com o mundo. 8. busca pelas forças inconscientes da alma, como a imaginação e os sonhos. 9. É o coração acima da razão humana, que leva ao amor idealizado e puro 10. Religiosidade. 11. Retorno à Idade Média. 12. Insatisfação, a depressão e a melancolia em relação ao mundo incompreendido - o "mal-do-século". 13. A fuga, a busca pela morte, pelos ambientes exóticos. 14. Evasão no tempo e no espaço. 15. Tedio, desilusão adolescente. No Brasil, o Romantismo desenvolveu-se principalmente nos gêneros romance e poesia, mas houve também manifestações no teatro, embora muito menos que os outros gêneros. O romance estava em ascensão na Europa e não tardou a fazer sucesso também por aqui. Inúmeros jornais e folhetins traziam em suas páginas as belas traduções de romances europeus de cavalaria ou de amores impossíveis. Logo, toda uma gama de jovens escritores brasileiros interessaram-se pelo gênero e especializaram-se nesse tipo de literatura. A PRODUÇÃO LITERÁRIA DO ROMANTISMO. ESQUEMA DO ROMANTISMO Ascensão burguesia

da

 livre concorrência  vitória do capital industrial  criação de escolas  alfabetização geral  desenvolvimento imprensa

Revolução Francesa

Implantação definitiva capitalismo

do

 liberalismo jurídico, filosófico, social  democratização da vida política

da

NOVO LEITOR

PÚBLICO

ROMANTISMO (Arte da burguesia em ascensão)

LITERATURA


EXERCÍCIOS DE SALA

EXERCÍCIOS DE CASA 04) (FEI - SP)- Assinale o item que contém somente características do Romantismo.

01) (PUC/PR/PAES-2006) Assinale o único item incorreto. São características do Romantismo: A) Tendência patriótica e nacionalista. B) Exagero na emoção e no sentimento. C) Preocupação formal. D) Reação aos modelos clássicos. E) Idealização. Alternativa C. 02) (UFAC-2007) A poesia Romântica desenvolveu-se em três gerações: Nacionalista ou Indianista, do Mal-do-século e Condoreira. O Indianismo de nossos poetas românticos é: A) um meio de reconstruir o grave perigo que o índio representava durante a instalação da Capitania de São Vicente. B) um meio de eternizar liricamente a aceitação, pelo índio, da nova civilização que se instalava. C) uma forma de apresentar o índio como motivo estético; idealização com simpatia e piedade; exaltação de bravura, heroísmo e de todas as qualidades morais superiores. D) uma forma de apresentar o índio em toda a usa realidade objetiva; o índio como elemento étnico da futura raça do Brasil. E) um modelo francês seguido no Brasil; uma necessidade de exotismo que em nada difere do modelo europeu. 03) Do ponto de assistiu ao Romantismo, racionalismo afirmar que: a) b) c) d) e)

a)- subjetivismo, bucolismo, sentimentalismo b)- subjetivismo, nacionalismo, pastoralismo c)- culto à natureza, nacionalismo, culto do contraste d)- conceitismo, liberdade de formas, cultismo e)- nacionalismo, culto à natureza, liberdade de formas 05) (FMAB-SP)- Assinale a alternativa em que se encontrem três características do movimento a qual se dá o nome de Romantismo. a)- predomínio da razão - perfeição da forma - imitação dos antigos gregos e romanos b)- reação anti-clássica - busca de temas nacionais - sentimentalismo e imaginação c)- anseio de liberdade criadora - busca de verdades absolutas e universais - racionalismo d)- desejo de expressar a realidade objetiva - erotismo - visão materialista do universo e)- tensão entre o divino e o humano - cultismo - reflexão sobre a brevidade enganosa da vida 06) (F. CARLOS CHAGAS - BA)- Leia atentamente o texto abaixo: “É bela a noite, quando grave estende Sobre a terra dormente o negro manto De brilhantes estrelas recamado Mas, nessa escuridão, nesse silêncio Que ele consigo traz, há um que de horrível Que espanta e desespera e geme n‘ alma Um que de triste que nos lembra a morte.”

vista cultural, a primeira metade do século XIX predomínio do movimento romântico ou uma reação ao academicismo classicista e ao da Ilustração. Sobre o Romantismo, é correto

representou uma volta aos ideais do Renascimento. buscou uma volta ao passado medieval, mas seu propósito declarado era a volta à natureza. foi parte do movimento parnasiano, que enfatizava o individualismo e a ação revolucionária. gerou o Neoclassicismo, como reação ao Classicismo renascentista, e inspirou a Revolução Francesa. foi um movimento literário e musical que não se estendeu às artes plásticas. Anotações

Os versos acima: a)- ilustram a característica romântica da projeção do estado de espírito do poeta nos elementos da natureza. b)- exemplificam a característica romântica do pessimismo, mal-do-século, que vê na natureza algo nefando, capaz de matar o poeta. c)- exploram a característica romântica do sentimento amoroso, que vê em tudo a tragédia do amor não correspondido d)- apontam a característica romântica do nacionalismo, que valoriza a paisagem de nossa terra. e)- apresentam a característica romântica do descritivismo, capaz de valorização exagerada da natureza. GABARITO 01. C 02. C 03. B GABARITO DE CASA 04. E 05. B 06. A

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RESUMO DA AULA 12: a produção literária do romantismo e estudo da poesia e suas gerações no Romantismo brasileiro. O Romantismo no Brasil teve como marco fundador a publicação do livro "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836, e durou 45 anos terminando em 1881 com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis. O Romantismo foi sucedido pelo Realismo. Período Histórico: 1836 - 1881 1.

A Poesia Romântica

No Brasil, a poesia romântica é marcada, num primeiro momento, pelo teor patriótico, de afirmação nacional, de compreensão do que era ser brasileiro, ou pela expressão do eu, isto é, pela expressão dos sentimentos mais íntimos, dos desejos mais pessoais, diferente do ideal de imitação da natureza presente na poesia árcade. Isto tudo seguido de uma revolução na linguagem poética, que passou a buscar uma proximidade com o cotidiano das pessoas, com a linguagem do dia-a-dia. No poema "Invocação do Anjo da Poesia", Gonçalves de Magalhães diz que vai abandonar as convenções clássicas (cultura grega) em favor do sentimento pessoal e do sentimento patriótico. A poesia romântica surge em meio aos fervores independentistas da primeira metade do século XIX, tendo como marco inicial a obra de Gonçalves de Magalhães, "Suspiros Poéticos e Saudades". Apesar de servir como marco de início do romantismo no Brasil, a obra "Suspiros Poéticos e Saudades" não apresenta grande notoriedade ou importância no cenário artístico poético do romantismo brasileiro assim como as outras obras de Gonçalves de Magalhães. De acordo com as características e vertentes assumidas por cada poeta romântico, a poesia romântica pode ser dividida em: Primeira geração - Indianista ou Nacionalista - Influência direta da Independência do Brasil (1825) - Nacionalismo, ufanismo - Exaltação à natureza e à pátria - O Índio como grande herói nacional - Sentimentalismo Principais poetas Gonçalves de Magalhães Gonçalves Dias Segunda geração - Ultrarromantismo ou Mal do Século - Egocentrismo - Ultrarromantismo - Há uma ênfase nos traços românticos. O sentimentalismo é ainda mais exagerado. - Byronismo - Atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda geração romântica e relacionada ao poeta inglês Lord Byron. Caracterizase por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de ver o mundo; um estilo de vida boêmia, noturna, voltada para o vício e os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo é egocêntrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, satânica. - Spleen - Termo inglês que traduz o tédio, o desencanto, a insatisfação e a melancolia diante da vida (significa, literalmente, "baço"). - Mal do Século - Fuga da realidade, evasão - Através da morte, do sonho, da loucura, do vinho, etc. - Satanismo - A referência ao demônio, as cerimônias demoníacas proibidas e obscuras. O inferno é visto como prolongamento das dores e das orgias da Terra. - A noite, o mistério - Preferência por ambientes fúnebres, noturnos, misteriosos, apropriados aos rituais satânicos e à reflexão sobre a morte, depressão e solidão. - Mulher idealizada, distante - A figura feminina é frequentemente um sonho, um anjo, inacessível. O amor não se concretiza e em alguns momentos o poeta assume o medo de amar.

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Principais poetas -Álvares de Azevedo - Casimiro de Abreu - Junqueira Freire - Fagundes Varela Terceira geração - Condoreira - 1888 - Abolição da Escravatura - 1889 - Proclamação da República -Influenciada pelos acontecimentos sociais, discursa sobre liberdade, questões sociais, o abolicionismo. - Uso de exclamações, exageros, apóstrofes. - Mulher presente, carnal. - Volta-se para o futuro, progresso. - Luta pela liberdade, temáticas sociais. - Ainda fala sobre o amor. - O condor simboliza a liberdade, por isso geração condoreira. Principais poetas -Castro Alves - "O Poeta dos Escravos" - Sousândrade" o Poeta da transição" considerado o poeta "divisor de águas" entre o Romantismo e a nova escola o Realismo. A Prosa Romântica A prosa romântica inicia-se com a publicação do primeiro romance brasileiro "O Filho do Pescador", de Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa em 1843. O primeiro romance brasileiro em folhetim foi "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844. O romance brasileiro caracteriza-se por ser uma "adaptação" do romance europeu, conservando a estrutura folhetinesca européia, com início, meio e fim seguindo a ordem cronológica dos fatos. O Romance brasileiro poderia ser dividido em duas fases: Antes de José de Alencar e Pós-José de Alencar, pois antes desse importante autor as narrativas eram basicamente urbanas, ambientadas no Rio de Janeiro, e apresentavam uma visão muito superficial dos hábitos e comportamentos da sociedade burguesa. E com José de Alencar surgiram novos estilos de prosa romântica como os romances regionalistas, históricos e indianistas e o romance passou a ser mais crítico e realista. Os romances brasileiros fizeram muito sucesso em sua época já que uniam o útil ao agradável: A estrutura típica do romance europeu, ambientada nos cenários facilmente identificáveis pelo leitor brasileiro (cafés, teatros, ruas de cidades como o Rio de Janeiro). O sucesso também se deve ao fato de que os romances eram feitos para a classe burguesa, ressaltando o luxo e a pompa da vida social burguesa e ocultando a hipocrisia dos costumes burgueses. Por isso podese dizer que, no geral, o romance brasileiro era urbano, superficial, folhetinesco e burguês. Dentre os vários romancistas românticos brasileiros, merecem destaque: José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo de Guimarães, Visconde de Taunay, Manuel Antônio de Almeida. EXERCÍCIOS DEC REVISÃO

01) (ENEM-2005)- "Meu canto de morte, / Guerreiros, ouvi: / Sou filho das selvas, / Nas selvas cresci / Guerreiros, descendo / Da tribo Tupi. // Da tribo pujante, / Que agora anda errante / Por fado inconstante, / Guerreiros, nasci: / Sou bravo, sou forte, / Sou filho do Norte; / Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi." ("I. Juca Pirama", de Gonçalves Dias.) Ao assinalar a coragem dos índios diante das adversidades, Gonçalves Dias (1823-1864), como também outros poetas do Romantismo, aponta para o (a)

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a)- lamentam-se pela impossibilidade de viverem a vida em toda a sua plenitude b)- sofrem por um amor não correspondido c)- desejam ardentemente uma mulher inacessível d)- rebelam-se ante às incoerências da vida e)- rejubilam-se pela capacidade de aceitarem as adversidades da vida

a) passividade indígena frente ao colonizador branco escravocrata. b) preservação do ecossistema da Mata Atlântica. c) avanço da civilização européia no interior do Brasil. d) nascente consciência de nacionalidade brasileira. e) aceitação pacífica do domínio europeu. 02) (ENEM-2010) Soneto

05) (UFPB-2000)- Considere os fragmentos abaixo:

Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embalde no macio encosto Tento o sono reter!... já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece... Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém, configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é: a) b) c) d) e)

a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte. a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda. o descontrole das emoções provocado pela autopiedade. o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa. o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

03) (UFPB - 97)- A oposição arte clássica X arte romântica só não ocorre em: a)- expressão do geral e universal X expressão do pessoal e único b)- obediência a convenções e modelos X obediência ao que dita o coração c)- ênfase na razão X valorização do sentimento d)- nostalgia ante o absoluto inatingível X idealização do objeto amoroso e)- busca da perfeição formal X fidelidade ao acento, espontâneo, da inspiração

I- “Um dia vivemos! O homem que é forte Não teme da morte; Só teme fugir. No arco que entesa Tem certa uma presa, Quer seja tapuia, Condor ou tapir.” II- “Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor do peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã.” III- “Tenho medo de mim, de ti, de tudo, Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes, Das folhas secas, do chorar das fontes, Das horas longas a correr velozes.” IV- “Somos nós, meu senhor, mas não temas Nós quebramos as nossas algemas Pr’a pedir-te as esposas ou mães. Este é o filho do ancião que mataste. Este – irmão da mulher que manchaste... Oh! Não temas, senhor, são teus cães.” A temática e o vocabulário permitem associar à primeira geração romântica os fragmentos: a)- I e IV b)- II e III c)- II e IV d)- I e III e)- apenas I GABARITO 01. D 02. 03. A 04. D GABARITO DE CASA 05. A 06. C

EXERCÍCIOS DE CASA 04) (UEPB-93)“Vinte anos! derramei-os gota a gota Num abismo de dor e esquecimento... De fogosas visões nutri meu peito... Vinte anos!...não vivi um só momento!” “Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos A vida inteira que podia ter sido e não foi . Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: - Diga trinta e três - Trinta e três...trinta e três...trinta e três” Embora vivendo em momentos diferentes e, consequentemente, ligados a estilos diferentes, os poetas Álvares de Azevedo e Manuel Bandeira, abordam, muitas vezes, temática semelhante. Considerando-se os fragmentos acima, é válido afirmar que os poetas:

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AULA 13: O REALISMO: A era das revoluções – a nova realidade europeia na segunda metade do século XIX Durante as décadas de 1830 e 1840, em meio ao sentimentalismo romântico, começa a ser gestada, na Europa, a tendência que ocuparia a segunda metade do século XIX: o Realismo, da qual decorrem o Naturalismo e o Parnasianismo. O marco inicial dessa nova estética artística é a publicação da obra do escritor francês Gustave Flaubert, Madame Bovary, em 1857, cujo tema é a mediocridade da vida burguesa. Antes de Flaubert, porém, o escritor também francês Honoré de Balzac, mesmo vivendo durante o Romantismo (1799-1850), já prenunciava o Realismo com a sua Comédia humana (1841), conjunto de romances que retratam a sociedade francesa nos mais diversos aspectos. A literatura e as artes produzidas a partir da segunda metade do século XIX apresentam traços radicalmente opostos aos românticos: ao invés da subjetividade, a objetividade; ao invés da emoção, a razão; no lugar do indivíduo, a sociedade. O estilo realista fixa-se, portanto, na realidade do homem em sociedade, cercado de problemas cotidianos e rotineiros. O foco de atenção é a estrutura social, descritas em todas as suas peculiaridades, identificando interesses, valores e mudanças. A preocupação em conhecer a sociedade, revelar seu funcionamento e os conflitos que ela gera torna a produção artística e literária analítica, desconfiada e desmistificadora. Nesse sentido, o Realismo é a expressão cultural da burguesia, de suas preocupações, anseios e aspirações, num novo momento histórico. Naquilo que diz respeito ao indivíduo, constitui um movimento de continuidade em relação ao Romantismo, só que agora situado em sociedade, Ao invés de se refugiar num mundo interior (como muitos românticos fizeram), o artista realista volta-se para o exterior a fim de dissecá-lo e exporlhe as chagas, revelando que nem tudo vai bem na sociedade burguesa. Reside aí o compromisso político, partindo do princípio que não séc pode apenas conhecer a realidade, mas contribuir para modificá-la. O foco de interesse desloca-se, portanto, de dentro para fora, ou seja, do interior do sujeito para a realidade que o enforma, incluindo nessa realidade também as classes sociais inferiores e os fatos miúdos do dia-a-dia. Como surgiu o REALISMO? No período em que florescia o Realismo, a Europa vivia a segunda fase da Revolução Industrial, as novas formas de organização capitalista e de grande avanço técnico-científico. Por exemplo, usa-se o aço e a eletricidade; desenvolvem-se máquinas automáticas; usam-se produtos de química industrial; acelera-se o desenvolvimento dos transportes e comunicações. Soma-se a isso uma grande expansão demográfica, a urbanização crescente e a polarização da sociedade em duas classes sociais: a burguesia industrial e o proletariado. Por esse tempo, a aristocracia europeia já havia saído do centro dos acontecimentos históricos. A burguesia triunfava, desfrutando plenamente seu poder, conquistado ao longo dos séculos. Durante a primeira fase da Revolução Industrial, os operários aliaram-se à burguesia, contra a nobreza, pois os interesses e aspirações ainda eram semelhantes. O despertar da consciência da classe operária, por volta de 1830, dá início a separação entre as duas. Em 1848, bandeiras vermelhas e negras (socialistas e anarquistas, respectivamente) encheram as ruas, na primeira revolução com conotação social que varreu toda a Europa, chamada A primavera dos Povos: a revolução era agora usada contra a burguesia e, embora derrotado, a partir daí o proletariado consolida-se enquanto classe. O pensamento científico, escorado no materialismo (determinismo, evolucionismo e positivismo), vive o seu apogeu. Destacam-se pesquisas no campo da Biologia, da Química, da Física e da Medicina; a Psicologia, a Antropologia e a Sociologia dão os primeiros passos. A esse novo contexto corresponde uma nova arte e uma nova literatura: não há mais lugar para a metafísica ou para os exageros sentimentais; emergem em seu lugar os problemas da sociedade burguesa, revelando aspectos e conflitos inéditos, que a idealização e o otimismo românticos tão bem ocultaram.

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O capitalismo industrial já estava em curso, criando uma nova elite e uma nova burguesia. No momento pósabolição da escravatura, eram impingidos salários miseráveis à numerosa classe proletária, gerando conturbações sociais. As ciências fervilhavam de descobertas, especialmente ligadas à Biologia, levando a novas consequências filosóficas de à revisão de conceitos religiosos consagrados. Dentre as correntes de pensamento, destacamos o Positivismo, o Determinismo, o Evolucionismo, o Marxismo; e a psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud. A Revolução Francesa e a Revolução Industrial provocaram uma série de mudanças na sociedade, conforme se viu anteriormente, ao se estudar a corrente romântica na Europa. O desenvolvimento das máquinas, dos transportes, das novas teorias sociais tornou inevitável uma visão de mundo como se via anteriormente na estética idealizadora e fantasiosa do romantismo, que considerava o indivíduo e seus dramas sentimentais o centro do universo. As descobertas científicas levavam a uma valorização da experiência concreta, racional, controlada, de modo que a fantasia e o imaginário forma deixados de lado.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO REALISMO NA LITERATURA

      

 

Veracidade: despreza a imaginação romântica. Contemporaneidade: descreve a realidade, fala sobre o que está acontecendo de verdade. Retrato fiel das personagens: caráter, aspectos negativos da natureza humana. Gosto pelos detalhes: lentidão na narrativa. Materialismo do amor: a mulher objeto de prazer/adultério. Denúncia das injustiças sociais: mostra para todos a realidade dos fatos. Determinismo e relação entre causa e efeito: o realista procurava uma explicação lógica para as atitudes das personagens, considerando a soma de fatores que justificasse suas ações. Na literatura naturalista, dava-se ênfase ao instinto, ao meio ambiente e à hereditariedade como forças determinantes do comportamento dos indivíduos. Linguagem próxima à realidade: simples, natural, clara e equilibrada. Surgimento do romance de tese: os autores do Realismo buscam criar histórias mais próximas da analise cientificista, daí os romances adquirirem um caráter de tese, de libelo contra os fatos sociais.

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EXERCÍCIOS DE SALA “Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres, todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas... As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou as carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto e palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o narrador da manhã.” (Machado de Assis, em D. Casmurro)

minha espera. Era uma saída; despedi-me e enfiei pelo corredor. Andando, ouvi que a mãe censurava as maneiras da filha, mas a filha não dizia nada. 03) Que aspecto da personalidade de Capitu revela-se no texto? ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. 04) "Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio." O que quis dizer o narrador nessa passagem do texto? ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. .............................................................................................................

EXERCÍCIOS DE CASA 1)Os dois fragmentos acima foram extraídos de obras desse escritor realista brasileiro. De acordo com o segundo fragmento, retirado de sua obra prima, responda: a)Na observação feita entre a reação da viúva e a de Capitu durante o velório do amigo, o narrador mostra uma certa diferença na forma de mostrar essa reação. O que Bentinho insinua a respeito de Capitu? ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................ b)A subjetividade do narrador compromete a objetividade da história, de forma que não se consegue saber se Capitu traiu ou não Bentinho. Retire do fragmento duas passagens em que essa objetividade é comprometida. ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. ............................................................................................................. O fragmento a seguir foi extraído do romance D. Casmurro, do escritor realista Machado de Assis: Sou homem! Ouvimos passos no corredor; era D. Fortunata, Capitu compôs-se depressa, tão depressa que, quando a mãe apontou à porta, ela abanava a cabeça e ria. Nenhum laivo amarelo, nenhuma contração de acanhamento, um riso espontâneo e claro, que ela explicou por estas palavras alegres: — Mamãe, olhe como este senhor cabeleireiro me penteou; pediume para acabar o penteado, e fez isto. Veja que tranças! — Que tem? acudiu a mãe, transbordando de benevolência. Está muito bem, ninguém dirá que é de pessoa que não sabe pentear. — O quê, mamãe? Isto? redarguiu Capitu desfazendo as tranças. Ora, mamãe! E com um enfadamento gracioso e voluntário que às vezes tinha, pegou do pente e alisou os cabelos para renovar o penteado. D. Fortunata chamou-lhe tonta, e disse-me que não fizesse caso, não era nada, maluquices da filha. Olhava com ternura para mim e para ela. Depois, parece-me que desconfiou. Vendo-me calado, enfiado, cosido à parede, achou talvez que houvera entre nós algo mais que penteado, e sorriu por dissimulação... Como eu quisesse falar também para disfarçar o meu estado, chamei algumas palavras cá de dentro, e elas acudiram de pronto, mas de atropelo, e encheram-me a boca sem poder sair nenhuma. O beijo de Capitu fechava-me os lábios. Uma exclamação, um simples artigo, por mais que investissem com força, não logravam romper de dentro. E todas as palavras recolheram-se ao coração, murmurando: "Eis aqui um que não fará grande carreira no mundo, por menos que as emoções o dominem..." Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio. D. Fortunata tirou-me daquela hesitação, dizendo que minha mãe me mandara chamar para a lição de latim: o padre Cabral estava à

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01.Há correspondência entre o estilo literário indicado e o trecho transcrito, em: I.Arcadismo "Vinte anos! derramei-os gota a gota Num abismo de dor e esquecimento... De fogosas visões nutri meu peito... Vinte anos!... não vivi um só momento!" II.Romantismo "Pensamento gentil de paz eterna, Amiga morte, vem. Tu és o termo De dois fantasmas que a existência formam, - Dessa alma vã e desse corpo enfermo." III.Parnasianismo "Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia." IV.Parnasianismo "Sonho Profundo, ó Sonho doloroso, doloroso e profundo Sentimento! Vai, vai nas harpas trêmulas do vento chorar o teu mistério tenebroso." V.Romantismo "Com o tempo, que tudo desbarata, Teus olhos deixarão de ser estrelas; Verás murchar no rosto as faces belas, E as tranças d'oiro converter-se em prata." VI.Arcadismo "Ao mundo esconde o Sol seus resplendores, e a mão da Noite embrulha os horizontes-, não cantam aves, não murmuram fontes, não fala Pã na boca dos pastores." 02) Assinale o item falso sobre o realismo literário. a) O Realismo fundou uma Escola artística que surge no século XIX em reação ao Romantismo e se desenvolveu baseada na observação da realidade, na razão e na ciência. b) Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. c) Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adotando uma objetividade que também foi cultivada pelo Romantismo d) Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. e) A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão objetiva, sem distorções. Dessa forma os realistas procuram apontar falhas talvez como modo de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. GABARITO 01. II, III E IV 02. C

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AULA 14: REALISMO-NATURALISMO: estudo dos autores

romances de enredo açucarado, o perfil do leitor que, anos mais tarde, enfrentaria a ironia e o sarcasmo machadianos.

MACHADO DE ASSIS E O MICRORREALISMO Surge uma nova visão do homem: penetrante e impiedosa. Machado de Assis desvenda a miséria moral, os motivos escusos, a hipocrisia , a traição, as injustiças, as ambições e as invejas rasteiras, o adultério, as compensações psicológicas, a frivolidade, a vaidade, revelando verdadeiras pessoas humanas com suas misérias e grandezas, através de um "pessimismo negro", de um "humanismo pungente" e de uma linguagem seca. As narrativas da fase realista desse autor revelam profundo e desencantado conhecimento da vida e da natureza humana, perplexidade ante o destino da existência do homem, a significação deste mundo. Profundidade, desencanto, experiência e perplexidade que se acentuam através do humor. O enredo, a ação e o tempo não têm uma seqüência linear; os fatos só têm sentido em função da análise da consciência humana. A lógica da narrativa é predominantemente interna. Machado busca inspiração no homem comum, com suas ações quotidianas. Penetrando na consciência da personagem para sondar-lhe o funcionamento, Machado mostra-nos, de maneira impiedosa e aguda, a vaidade, a inveja, a futilidade, a hipocrisia, a ambição, a inclinação para o adultério. Como este autor capta sempre os impulsos contraditório do ser humano, torna-se difícil classificar as personagens machadianas em boas ou más. Focalizando, uma burguesia que vive de acordo com o convencionalismo. Machado desmascara o jogo das relações sociais, enfatizando o contraste entre essência e aparência em personagens que sempre têm como meta principal o sucesso social e financeiro. Machado preocupa-se mais com a análise da personagem do que com a ação; em suas narrativas, muito pouca coisa acontece. Suas histórias apresentam poucos fatos, interligados por reflexões profundas. A conversa constante com o leitor é outro aspecto que caracteriza a narrativa desse autor, utilizando a metalinguagem, resultando daí, algumas conseqüências no seu modo de narrar:

Engana-se quem pensa que o Realismo brasileiro terá as mesmas feições que o português. A crítica social realizada por Machado de Assis era, como ele mesmo disse no prólogo das Memórias Póstumas de Brás Cubas, uma taça que, pertencendo à mesma escola, levava outro vinho, preparado para paladares bem mais apurados. Vamos começar nos informando sobre a vida daquele que foi o maior representante do Realismo no Brasil.

ANOTAÇÕES

a) quebra da ordem cronológica da narrativa. b) quebra do envolvimento emocional do leitor com a obra propiciando uma atitude reflexiva. c) humor, pessimismo, ironia - o homem deforma-se por causa de um sistema social que o leva a se tornar hipócrita para ser aceito pela opinião pública. O tédio e dor são os grandes inimigos da felicidade. Todo ser humano tem de viver uma vida que não escolheu e cujo destino lhe escapa. As causas nobres sempre ocultam interesses impuros. d) humanitismo - é uma teoria que se caracteriza peia lei do mais forte, herança da corrente filosófica de Darwin, o Evolucionismo, que coloca o homem numa posição de combate diante dos fatos da vida social. O mais forte sobrevive, o mais fraco se aniquila. e) parasitismo social - reflexo de uma sociedade erigida sobre o trabalho do escravo, uma sociedade parasitária em sua própria essência. Parasitas são quase todos os personagens de Machado. f) o egoísmo, a vaidade, o interesse •• numa sociedade que ;á se voltava para o mercado, observa-se uma concorrência feroz, traduzida num individualismo exaltado e na substituição de valores autênticos, como a solidariedade, por falsos valores como o interesse, o egoísmo e a vaidade. Pode-se dizer que, sem estes elementos, nada ocorreria nos romances e contos de Machado de Assis. Os personagens ficariam imóveis, catatônicos. Eles agem por orgulho ou cobiça, e os que vivem por outros motivos, em geral, são os enganados, os vencidos. Numa sociedade corrompida, a vitória pertence aos corruptos. Basta lembrarmos, em A Igreja do Diabo, que as personagens agem de maneira convencional e interesseira, disputando os interesses pela vaidade e pelo egoísmo, sempre de maneira contraditória. Os romances românticos cumpriram, no Brasil, importante papel cultural, pois foi com eles que se formou o nosso público leitor. De certa forma, homens como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar prepararam, com seus

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EXERCÍCIOS DE SALA 01) (UFV-2000)- Dentre as citações extraídas da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, assinale aquela que não traça um perfil psicológico da personagem: a) "Bem diferente era o tio cônego [...]. Não era homem que visse a parte substancial da Igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia que do altar." b) "Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo [...]." c) "Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de cassa, sem enfeites, tendo ao colo, em vez de broche, um botão de madrepérola, e outro botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira." d) "Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas." e) "Então apareceu o Lobo Neves, um homem que não era mais esbelto que eu, nem mais elegante, nem mais lido, nem mais simpático, e todavia foi quem me arrebatou Virgília e a candidatura, dentro de poucas semanas, com um ímpeto verdadeiramente cesariano." Texto 1 (...) Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. não estando abotoadas, as mangas caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se podia supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém,a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber porque, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, davalhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava a voz, ela reprimiame: - Mais baixo! mamãe pode acordar. E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, ás vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. (Missa do galo. In: Melhores contos; de Machado de Assis.) 02- A partir da leitura do texto depreende-se que: a)- o narrador-personagem faz uma descrição idealizada da mulher, que transparece de forma subjetiva e emocional b)- o impressionismo presente no fragmento advém da descrição de um fato passado que é recuperado pela memória do narrador c)- a preocupação em retratar com detalhe a cena que lhe sobressai na memória faz com que predomine a exteriorização do cenário descrito pelo narrador d)- o tempo da ação é concomitante ao tempo da narração, o que torna a onisciência do narrador ainda mais precisa e)- através da descrição física da mulher, se percebe a sua forte personalidade e beleza sensual

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03- Percebe-se que, é no momento de observação e atenção ao detalhe do corpo da mulher, que o narrador passa a ter uma idéia diferente de antes, uma vez que o momento narrado parece ser um momento de intimidade entre ambos. Assinale o item em que essa nova percepção é observada. a)- “E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras.” b)- “Falava emendando os assuntos, sem saber porque, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos” c)- “A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém,a impressão que tive foi grande.” d)- “Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca.” e)- “...ela, ás vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar.” EXERCÍCIOS DE CASA Leia com atenção o texto abaixo: “- Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com pão e vinho à farta, as minha prédigas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.” 04)O excerto acima, extraído do conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, demonstra a fala do Diabo, em que: a)- para o Diabo, a sua igreja apresentará uma doutrina voltada para o próprio homem, em que cada qual terá o livre arbítrio b)- expõe de forma objetiva a dialética de sua Igreja, onde cada ser humano poderá seguir sua trilha c)- através da intertextualidade bíblica, o narrador apresenta a análise do comportamento humano a partir de seus interesses individuais na luta pelo poder d)- para ele, a sua negação está ligada ao pragmatismo das igrejas que sempre demonstram a coletividade no que tange à relação entre os homens e)- “Maomé” e “Lutero” representam a união das igrejas que o Diabo pretende combater 05) O termo em destaque no texto demonstra: a)- que a proposta do Diabo é destruir a hipocrisia das igrejas b)- a preocupação do Diabo em se unir a outras religiões c)- a perspectiva de união entre os homens a partir de um único pensamento d)- que o Diabo pretende destruir as outras igrejas a partir da negação entre os homens e)- que os diferentes modos de afirmar sugerem a união entre as igrejas e entre os homens 06) Uma das características das personagens de Machado de Assis é a dissimulação, que o escritor mostra em suas obras, através do contraste entre essência e aparência. Assinale o item do conto “A Igreja do Diabo” em que isso NÃO ocorre: a)- “...clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram naturais e legítimas.” b)- “...um dia, porém, longos anos depois notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes...” c)- “...muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas;...” d)- “...- Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão.” e)- “Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício.” GABARITO: 1-E 2-B 3-C 4-C 5-C 6-E

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AULA 15: AUTORES DO REALISMO-NATURALISMO ANOTAÇÕES

Aluísio Azevedo e a paisagem coletiva Aluísio Azevedo (1857-1913) nasceu em São Luís do Maranhão. Fez estudos irregulares, enquanto trabalhava no comércio e praticava pintura. Em 1881, ano da publicação de O mulato, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro. Integrou-se nos grupos boêmios da época, dedicando-se ao mesmo tempo à elaboração de seus romances. Em 1895, ingressou na carreira consular e prestou serviço em vários países: Espanha, Japão, Inglaterra, Argentina. Com a publicação de O mulato (1881), Aluísio Azevedo consagrou-se como escritor naturalista. A partir daí tentou viver exclusivamente como escritor. Para isso, recorreu ao jornalismo e escreveu romances para publicação em folhetins, sujeitando-se muitas vezes às exigências de um público heterogêneo, à pressa e à improvisação. Tudo isso explica e justifica a irregularidade de sua produção literária, ora oscilando entre influências do Realismo e do Naturalismo, ora alternando trechos de intensa morbidez romântica com outros predominantemente realistas. É [...] como romancista social que melhor se afirmou o talento de Aluísio. É o escritor apaixonado, o artista combativo, pondo a nu os problemas sociais e morais da realidade brasileira do seu tempo: o preconceito de cor, os preconceitos de classe, a ganância de lucro fácil — e todas as injustiças e misérias decorrentes. Mais do que o indivíduo, é a sociedade que lhe interessa. Mais que miniaturista de alma, é o pintor de amplos murais. E é na pintura um verdadeiro impressionista: colorido vivo, tons fortes e quentes. Mostra preferência pêlos tipos vulgares e grosseiros, pêlos ambientes sujos e situações deprimentes — o artista procurando acordar a consciência do leitor, da sociedade comprometida nas injustiças. (Celso Pedro Luft. Dicionário de literatura portuguesa e brasileira. Porto Alegre: Globo, 1967. p. 21.) A publicação de O mulato marca oficialmente o início do Naturalismo no Brasil. Embora essa não seja a nossa mais representativa obra naturalista, seu aparecimento impressionou e causou represália ao autor, tanto da parte do clero como da parte da alta sociedade de São Luís do Maranhão, em razão dos temas que aborda: o anticlericalismo, o racismo, a pressão do meio sobre o indivíduo, o puritanismo sexual. O Naturalismo atinge seu apogeu com o romance O cortiço, também de Aluísio Azevedo, publicado em 1890. Nesse mesmo ano, embora tenha passado despercebido, foi lançado também o livro de Rodolfo Teófilo, A fome; no ano seguinte, O missionário, de Inglês de Sousa; em 1892 A normalista e em 1895 O bom crioulo, ambos de Adolfo Caminha. Nessas obras, o fatalismo das forças sociais e naturais atua pesadamente sobre o homem. Natureza, ambiente social, educação, taras, instintos geram conflitos dramáticos, situações anormais, finais catastróficos. Em O cortiço, tem destaque o jogo dos fatores sociais; em O missionário, Inglês de Sousa acentua a influência do meio físico na conduta humana; em A normalista e O bom crioulo, Adolfo Caminha aborda com precisão e sobriedade casos de desvio mal. O regionalismo, iniciado com vigor pêlos românticos, teve continuidade nesse período, formando um segmento importante de nossa ficção. As melhores produções regionalistas dessa época são LuziaHomem, de Domingos Olímpio, e Dona Guidinha do Poço, de Manuel de Oliveira Paiva, que aprofundou o estudo das relações do homem com a paisagem. Raul Pompéia foi um caso à parte no Naturalismo, como veremos adiante. O cortiço representa uma conquista definitiva do nosso romance, pois, pela primeira vez na literatura brasileira, um escritor deu vida e corpo a um agrupamento humano. Inúmeros tipos humanos, quase todos representantes de uma população marginal, desfilam pelas páginas do romance. O ambiente degradado e corrupto onde vivem é o cortiço, cujo dono é o português João Romão, também proprietário da pedreira, onde trabalham, e da venda, onde endividam ao comprar fiado.

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EXERCÍCIOS DE CASA EXERCÍCIOS DE SALA Atente para os seguintes fragmentos, da obra “O cortiço”, de Aluísio Azevedo: Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham dependurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia. (...) O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. (O Cortiço, Aluísio Azevedo) 01- De acordo com o fragmento acima, é incorreto afirmar: a)- o ambiente é focalizado como se fosse um personagem dotado de vida própria, a partir da personificação, apresentando um forte poder determinista exercido sobre seus habitantes b)- as figuras humanas são apresentadas como tipos que compõem um painel social, preocupando-se predominantemente com uma exposição de quadros psicológicos, através de descrições individualizadas de personagens c)- o coletivo se sobrepõe ao individual, observando-se rigorosamente o mundo físico, através de um processo de reificação humana d)- a lentidão da narrativa se dá em virtude do detalhismo na exposição do cenário e a valorização das ações das personagens, traço marcante na narrativa naturalista e)- o foco narrativo em terceira pessoa contribui para a objetividade da narrativa, em que o narrador se coloca numa postura exclusivamente científica, transformando a obra literária num laboratório de ficção 02- Um dos recursos característicos do fragmento acima é a captação da realidade por diferentes canais sensoriais. Observe os itens abaixo, e indique o(s) que apresenta(m) esse recurso: I- “A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um fartum acre de sabão ordinário.” II- “As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste...” III- “...começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros...” IV- “Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se.”

Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra titilando. (...) E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados. Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se si pelo ar numa fosforescência afrodisíaca. O cortiço, Aluísio Azevedo 01- A partir da leitura do texto, depreende-se que, exceto: a)- a narrador descreve a dança por meio de verbos que indicam ação, realçando a sensualidade da personagem Rita e seus instintos carnais b)- a linguagem utilizada pelo narrador na descrição de Rita Baiana identifica a personagem como a encarnação do sensualismo tropical c)- há uma alusão a fatores culturais, a partir da relação entre Rita e Jerônimo, já que o domínio da mulher sobre o olhar estático do homem, reforça a crítica feita pelo narrador ao processo histórico da colonização do Brasil d)- a focalização das ações humanas condicionadas por fatores sociais desfaz o livre arbítrio das personagens e)- a subjetividade com que o narrador descreve as ações expostas no ambiente físico do cortiço reforça a sua onisciência durante a narrativa 02- (UEPA)- leia o excerto abaixo. Ele nos fala da personagem Piedade, que pertence ao romance “O cortiço”, do escritor realista Aluísio Azevedo: “Ela ergueu-se finalmente, foi lá fora ao capinzal, pôs-se a andar agitada, falando sozinha, a gesticular forte. E nos seus movimentos de desespero, quando levantava para o céu os punhos fechados, dir-se-ia que não era contra o marido que se revoltava, mas sim, contra aquela amaldiçoadora luz alucinadora, contra aquele sol crapuloso, que fazia ferver o sangue dos homens e metia-lhes no corpo luxúrias de bode.” A característica do Naturalismo nele presente é: a)- o anticlericalismo b)- a descrição minuciosa do estado psicológico das personagens sem apelar para explicações ditas científicas c)- o uso da noção de determinismo mesológico (meio físico) para explicar certos comportamentos de personagens d)- a idealização de traços físicos das personagens referidas e)- a descrição crua dos sórdidos ambientes físicos que vivem as pessoas de baixa renda

Estão corretos: a)- I, II e IV b) I, II e III c) II, III e IV d)II e III e)II e IV

GABARITO : 1-B 2-B 3-E 4- C

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AULA 16: A POESIA PARNASIANA – linguagem e características gerais

Rigor formal

Valorizando o emprego da palavra rara, do vocabulário precioso, da frase rebuscada, a poesia parnasiana teve, na preocupação com a perfeição da forma, a sua característica básica, ainda que em prejuízo da qualidade de sua expressão poética. O estilo se define, portanto, pelo culto da forma e foi, sobretudo uma renovação poética. Esta renovação teve sua origem na França. Em l886, foi editada uma antologia, Le Parnasse Contemporáin, que reunia composições de diversas tendências, com uma linha comum: reagir contra o romantismo. Seus principais colaboradores, Leconte de Lisle, Theóphile Gautier, Théodore Banville, José Maria Herédia (de nacionalidade cubana), Baudelaire, Sully Prudhomme (ganhador do prêmio Nobel em 1901), Verlaine, Mallarmé, obedeciam a uma nova estética que pregava o principio da Arte pela Arte. Defendiam em última análise, uma arte que não servisse a nada, nem a difusão qualquer ideologia, nem a ninguém; uma arte voltada para si mesmo em sumo. O objetivo da “arte pela arte” é o Belo, a criação da beleza pelo uso perfeito dos recursos artísticos. Neste sentido, levam ao exagero o culto da rima, do ritmo, do vocabulário, do verso longo. Para o Parnasiano, a poesia deveria ser trabalhada até que resultasse perfeita. Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pela rima rica e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia. Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos. Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo. A seguir, selecionamos um comentário sobre as propostas estéticas e linguísticas dessa corrente literária no Brasil. "A necessidade de objetivar ou despersonalizar a poesia tomou vulto em França nos meados do séc. XIX. É sempre algo fictícia a tarefa de rotular poetas e delimitar o âmbito de uma escola literária, até porque as revoluções do pensamento e do gosto germinam já em épocas anteriores àquela em que se declaram. Foi a saturação das «indecorosas carpiduras românticas», o pudor do egolatrismo, que, até certo ponto, determinou o movimento parnasiano, pois se afirmara uma reação anti-romântica, na rejeição da confidência, na transposição dramática da experiência íntima; e Vítor Hugo tentara operar a transição do individual para o geral. Com toda a complexidade que os seus múltiplos expoentes lhe trazem, o Parnasianismo francês, que ao mundo ditou os moldes de uma nova estética, concentra-se, como teoria, em torno do ideal da Arte pela Arte, renovado programaticamente (pois se trata de uma posição eterna do espírito) por volta de 1830. Prende-se esta atitude com o repúdio da tendência para tornar a arte útil, para colocar ao serviço da sociedade. O nome de «parnasianos» foi dado ao grupo de poetas cujos versos o editor Lemerre publicou numa colectânea - sucedâneo da revista Art - intitulada Parnasse Contemporain (1866-1871-1876). O elo entre esses poetas (e alguns prosadores) de diferentes origens e com diferentes propósitos, era o respeito pela arte e pelo «ofício», pelo «artifício». [...]”

Opondo-se à simplicidade formal romântica, que de certa forma popularizou a poesia os parnasianos eram rigorosos quanto à métrica em rimas e também quanto à riqueza e raridade do vocabulário. É por isso que são frequentes, nos textos parnasianos, os hipérbatos( ordem indireta), as palavras eruditas e difíceis, as rimas forçadas. Retorno ao Classicismo Abordando temas mitológicos e da antiguidade greco-latina, os poetas parnasianos valorizavam as normas e técnicas de composição e, regra geral, exploravam o soneto (poema de forma fixa). Arte pela arte A poesia parnasiana atribuía a arte o papel de voltar-se somente para o ato de sua própria criação. Assim, o poeta deveria se preocupar exclusivamente com o “fazer poético” Alheamento a problemas sociais Os parnasianos, preocupados que estavam em valorizar a forma poética, deixavam de lado tudo aquilo que não fosse relacionado ao fazer poético. Daí, sua poesia se estender somente para a preocupação com a forma, ficando completamente desprovida de preocupações sociais, políticas o quaisquer outras que não interesse à poesia. Outras características: - culto da forma - forte descritivismo - necessidade de aproximar a poesia das artes plásticas, em especial a escultura - valorização de versos longos. - sensualismo - contenção emocional, através da impassibilidade

Rodrigues, Urbano Tavares, DICIONÁRIO DE LITERATURA, 3ª edição, 3º volume, Porto, Figueirinhas, 1979

Características do Parnasianismo: Objetividade e descritivismo Reagindo contra o sentimentalismo e o subjetivismo românticos, a poesia parnasiana era comedida, objetiva: fugia das manifestações sentimentais. Buscando esta impassibilidade ( frieza), empenhava-se em descrever minúcias, na fixação de cenas, personagens históricos e figuras mitológicas.

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EXERCÍCIOS DE SALA

04- (fund. univ. riogrande) marque a afirmativa correta: a) o parnasianismo caracterizou-se, no brasil, pela busca da perfeição formal na poesia. b) o parnasianismo determinou o surgimento de obras de tom marcadamente coloquial. c) o parnasianismo, por seus poetas, preconizava o uso do verso livre. d) o parnasianismo brasileiro deu ênfase ao experimentalismo formal. e) o parnasianismo foi o responsável pela afirmação de uma poesia de caráter sugestivo e musical.

A um poeta Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego.

EXERCÍCIOS DE CASA UM BEIJO Foste o beijo melhor da minha vida, Ou talvez o pior... Glória e tormento, Contigo à luz subi do firmamento, Contigo fui pela infernal descida!

Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artificio, É a força e a graça na simplicidade.

01- Podemos observar como recursos do parnasianismo no soneto acima, EXCETO: a)- a presença do “enjambement” como recurso clássico b)- a mostragem do fazer poético através da metalinguagem mostrando o perfeccionismo do texto c)- a sobriedade, como resultado final, proporcionando um aspecto um aspecto elevado, sério, culto, respeitável d)- a presença do sentimentalismo na elaboração e dedicação que o poeta deve dar ao elaborar sua poesia e)- a presença da mitologia clássica retoma os modelos dessa civilização, que se configura também através do culto pela forma poética 02- Com relação aos tercetos do soneto acima. Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade. Nos versos, apresenta-se uma concepção de arte baseada _____________ , própria dos poetas __________ . Na frase, os espaços devem ser preenchidos por a)- na expressão dos sentimentos ... românticos. b) na sugestão de sons e imagens ... parnasianos. c) na contestação dos valores sociais ... simbolistas. d) no extremo rigor formal ... parnasianos. e) na expressão dos conflitos humanos ... simbolistas. 03- Os versos denunciam: a) vocabulário simples e pouca preocupação com as qualidades técnicas do poema, já que as sugestões sonoras não estão neles presentes. b) emoção expressa racionalmente, embora seja bastante evidente o caráter subjetivo na construção das imagens. c) a busca da perfeição na expressão, visando ao universalismo, como exemplificam os termos Beleza e Verdade, grafados com maiúsculas. d) o afastamento da realidade social, decorrente de uma visão idealizada do mundo, descrito por metáforas pouco objetivas. e) a forma de expressão pouco idealizada, resultante de uma concepção de mundo marcada pela complexidade que, nos versos, se manifesta em vocabulário seleto.

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Morreste, e o meu desejo não te olvida: Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, E do teu gosto amargo me alimento, E rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, Batismo e extrema-unção, naquele instante Por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto, Beijo divino! E anseio, delirante, Na perpétua saudade de um minuto... (BILAC, Olavo. Melhores Poemas de Olavo Bilac. 4 ed. São Paulo: Globo, 2005, p. 108.) 01 - Leia com atenção o soneto e assinale a alternativa INCORRETA. a) Embora a temática do poema pareça estranha, tendo em vista o rótulo de parnasiano atribuído ao poeta, observa-se que o soneto, do ponto de vista formal, está dentro dos preceitos da escola Parnasiana. b) O soneto, construído com versos decassílabos, segue as normas da metrificação adotadas pelo estilo parnasiano. c) Na primeira estrofe, o poeta lança mão de antíteses para revelar as experiências contraditórias vivenciadas pelo eu lírico. d) Tendo em vista a idealização romântica que impregna o poema, ele não pode, formalmente, ser considerado parnasiano. e) A leitura deste soneto e de vários outros poemas de Bilac, presentes na obra indicada para leitura, põe sob suspeita a proclamada impassibilidade parnasiana. 02 - Considere as seguintes afirmações sobre os aspectos morfológicos, sintáticos e semânticos do Texto I: I - A alternância de dois tempos verbais, ao longo do poema, revela a consciência da perda e o desejo da permanência do objeto amado. II - As formas pronominais me (v.6) e te (v.12), que funcionam como objeto indireto, indicam referência do tipo possessivo. III - As ocorrências de inversão sintática, nos versos 3 e 4, ocasionadas pelo deslocamento de constituintes com função equivalente, valorizam o contraste tematizado na estrofe. Está (ão) correta(s) a(s) afirmação(ões) a) I e II. b) II. c) I e III. d) II e III. e) III.

01. D

2. D 3.C 4. A

GABARITO 5.D 6.A

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5.LITERATURA_PBVEST_MODULO2