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ANO 11 NOVEMBRO 13 www.pbh.gov.br/cms


Opinião Expediente

AVOZ

Editorial

DO LEI TOR

ConSaúde é uma publicação do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, editado por sua Assessoria de Comunicação. É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. O artigo assinado é de responsabilidade de seu autor e não expressa necessariamente a opinião do jornal. MESA DIRETORA DO CMSBH

Gostaria de comemorar Ederson Alves Silva com os da conselheiros PRESIDENTE de BH o sucesso das Teodoro conferências Maria Cristina Pereira SECRETÁRIA GERALde saúde. Estou super feliz Wallacecom Medeiros Xavier que o trabalho 1ª SECRETÁRIO realizamos. Gislene Gonçalves dos Reis 2ª SECRETÁRIA

CÂMARA TÉCNICA DE COMUNICAÇÃO

Uma perguntaAdolpho recorrente sobreNeto esse jornal von Randow é: por que as unidades de saúde COORDENADOR recebem tão poucos exemplares? Adolpho às vonmatérias Randow Neto, Afinal, sãoMEMBROS: muitos elogios e Cleunice Coura Coutinho, Edineia Miranda dos Santos, Érico Moraes Cólen, Lourinformações veiculadas sobre o SUS. des Machado, Martha Auxiliadora Ferreira Reis, Neide Vidal ao ConSaúde. Costa, Parabéns Oswaldo Romualdo de Paula Filho, Sara Dalia Barbosa, Wallace Medeiros Xavier, Waldomiro Ferreira Cruz SECRETARIA EXECUTIVA

Alessandra Reis, Eleciania Tavares, Feruze Bolmene, Martha Caroline, Terezinha Santiago, Wanderson Araújo

Prezada Claudete, DE COMUNICAÇÃO Os exemplares doASSESSORIA jornal ConSaúde destinadosLuciane às unidades do SUS-BH Marazzi MG 14.530/JP são divididos de acordo com o número de JORNALISTA equipes de saúde da família, dentro da Ana Tomaselli tiragem total. PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Acesso, qualidade e transparência na atenção a saúde em BH Depois de um tempo longe dos nossos leitores o ConSaúde está de volta mais forte e atuante do que nunca. Não deixe de procurar o seu exemplar nas unidades de saúde a cada bimestre. Esse retorno traz consigo uma boa notícia: a realização da 12ª Conferência Municipal de Saúde de Belo Horizonte. O objetivo do evento é construir o Plano Municipal de Saúde, que passará a vigorar de 2014 a 2017 e, na oportunidade avaliaremos o plano anterior. Esta é a segunda conferência com esse objetivo - a primeira foi em 2009 e construiu o Plano Municipal de Saúde para o período de 2010 a 2013. A realização desta conferência é um momento muito importante para o município, visto que a sociedade poderá opinar se estamos atendendo ao seus anseios, fortalecendo a participação social e respeitando as especificidades de cada local – a 12ª Conferência é dividida em etapas que se desdobrarão em 147 conferências locais, nove distritais e o encontro que reúne os participantes no evento municipal. As propostas serão discutidas e elaboradas com a participação da comunidade local, líderes comunitários, usuários, trabalhadores, gestores, prestadores de serviço, formadores de recursos humanos etc. As diretrizes da conferência são: Gestão do Cuidado, Gestão de Redes, Gestão do Trabalho e Conhecimento, Gestão e Regionalização da Saúde e o Controle Social. A participação de todos é necessária nesse momento, dado a sua extrema relevância para o fortalecimento do SUS-BH. O cidadão terá a oportunidade de apresentar os problemas e as soluções para as devidas melhorias nos serviços de saúde, no acesso com qualidade, no fortalecimento do controle social e na efetivação de uma Política de Saúde Pública Universal, Integral e de Qualidade para a sociedade. Venham construir o SUS que queremos para Belo Horizonte! Boa leitura.

Jéssica Silva ESTAGIÁRIA Wagner Mendes ESTAGIÁRIO

Doe órgãos!

Santiago Martins CHARGE Reprodução da Internet CAPA

Deixe a sua marca, multiplique vidas.

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Enfermagem: arte, sofrimento e luta

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no outro que em si, como mostra a história da profissão originária da abnegação e do altruísmo. Contenção de custos Os baixos salários advindos do ideário na qual a caridade e a ternura são os principais pagamentos, trouxe sequelas ainda não resolvidas para a Enfermagem. A necessidade do sustento do lar, obriga que os profissionais da área exerçam dupla ou tripla jornadas de trabalho, característica comum aos profissionais que atuam na área da saúde, impactando ainda mais o estado físico e psíquico, tornado estas pessoas mais frágeis socialmente. Gestores e donos de estabelecimento de saúde aproveitam-se desta condição como desculpa em caso de crise econômica, para demitir e reduzir o quadro de funcionários, sobrecarregando o enfermeiro que assume as tarefas do colega dispensado. Embora em muitos países não existam subdivisões dentro da Enfermagem, em todo Brasil, encontramos o Auxiliar de Enfermagem (nível fundamental) e o Técnico de Enfermagem (nível médio) sendo confundidos com o Enfermeiro, que possui funções distintas e qualificações específicas. Eles representam cerca de 70% da categoria e substituíram os antigos atendentes, cuja qualificação era muito baixa. O Enfermeiro é um profissional de nível superior, responsável pelas ações desenvolvidas por outros membros da equipe de Enfermagem e que está legalmente habilitado a prescrever medicamentos e solicitar exames, mediante protocolos aprovados pela instituição na qual presta serviço. O enfermeiro pode ainda realizar partos e outros procedimentos hospitalares, desde que possua habilitação especializada reconhecida pelo Conselho Regional de Enfermagem.

Reprodução Internet

Enfermagem, em seu conjunto, é a maior categoria profissional no estado de Minas Gerais, a segunda maior do país e a única que oferece 24 horas de assistência e cuidados diretos ao doente, ajudando a reestabelecer a saúde e a amenizar o sofrimento humano. Há mais de 70 anos, no mês de maio, comemora-se a semana da Enfermagem, uma homenagem grandiosa a esta profissão, comprometida com a saúde e o bem-estar do ser humano. Infelizmente a categoria sofre durante todo ano com as instabilidades do setor da saúde, sendo confundida e envolvida em meio às críticas. Estudos têm mostrado a correlação entre as condições precárias de trabalho e às ocorrências iatrogênicas na assistência, como erros de medicação, elevação de taxas de infecção, causadas por lapsos de atenção na realização de tarefas, ou pelo não cumprimento de etapas fundamentais de segurança nos procedimentos assistenciais. Por isso, a Enfermagem constitui o grupo de trabalhadores que mais sofre com as más condições de trabalho e com a adversidade do ambiente insalubre. Estes profissionais estão sujeitos à movimentação de cargas, de tal forma que a maioria, após um breve período na profissão, sofre com doenças do sistema osteomuscular, além dos transtornos mentais e comportamentais devido ao excesso de trabalho. Nas unidades de atendimento de urgência e emergência, a repetição contínua e prolongada de situações de sofrimento e dor provocam o desgaste emocional. Neste caso, o profissional é levado ao estresse, à fadiga, à síndrome de Burnout (distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso) e a outros problemas de saúde tendo como consequência o surgimento da sensação de insatisfação e à frustração dentro da equipe. É lamentável ver diariamente profissionais de Enfermagem expostos em páginas policiais, em função de erros decorrentes de sua prática. Para tanto, é muito importante destacar os fatores que diretamente podem contribuir para a ocorrência de erros. Aspectos de ordem humana devem ser lembrados, já que em toda e qualquer profissão há bons e maus profissionais . Não é objetivo de ninguém, seja trabalhador, usuário ou gestor e nem das entidades representativas da categoria acobertá-los, mas sim identificá-los para que medidas necessárias sejam tomadas. Destaca-se que a maioria absoluta destes profissionais são pessoas que incorporam em seu modo de vida o entendimento de que o cuidado ao seu semelhante significa promover o seu próprio bem-estar, sendo essencialmente solidário e caridoso, lembrando que ainda existem aqueles que pensam mais

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Notícias do Conselho

Da esquerda para a direita: Wallace Medeiros, Gislene Gonçalves, Ederson Alves e Maria Cristina

Conselho elege nova Mesa Diretora O plenário do Conselho Municipal de Saúde (CMSBH) elegeu uma nova Mesa Diretora, que deve atuar no período de 2013/2014. A nova composição traz como presidente o usuário Ederson Alves da Silva, representante da CUT-MG, a trabalhadora Maria Cristina Teodoro Pereira, como secretária geral, representante do SINTSPREV, Wallace Medeiros Xavier, 1º secretário, representando os gestores da Secretaria Municipal de Saúde e a usuária de Venda Nova, Gislene Gonçalves dos Reis, como 2ª secretária. Para Ederson, a prioridade desta gestão é colaborar para que o atendimento da rede pública de saúde de Belo Horizonte seja referência para o Sistema Único de Saúde (SUS) no país. Para atingir este objetivo é fundamental que os conselheiros acompanhem a construção dos 80 centros de saúde, aprovadas pelo CMSBH, além de cobrar a regularidade do abastecimento de medicamentos na rede. A secretária geral Maria Cristina, que está em seu primeiro mandato, acredita que o ideal é fortalecer a participação popular de qualidade nas comissões locais e nos conselhos distritais e municipal, por meio

das Oficinas de Qualificação para o Controle Social no SUS-BH. A 2ª secretária Gislene, que também assume seu primeiro mandato, cobra a mudança e uma maior integração entre os usuários e os trabalhadores, afirmando que é necessário discutir novas propostas para melhorar o controle social. O desafio desta nova gestão é trabalhar em conjunto com os conselhos distritais de saúde para fortalecer as 147 comissões locais e reestruturar os conselhos hospitalares da rede conveniada ao SUS-BH, destaca Wallace Medeiros. Ele também acrescenta ser fundamental concluir os trabalhos da comissão especial que propõe um novo regimento para o CMSBH. Ederson tem grandes expectativas em relação a 12ª Conferência Municipal de Saúde, que será realizada em novembro deste ano. O objetivo é construir o Plano Municipal de Saúde de Belo Horizonte, no qual serão propostas melhorias para o SUS-BH, com a participação de todos os segmentos da população, que envolve os usuários, trabalhadores da saúde, os gestores do SUS e os formadores de profissionais para a saúde (universidades).

SAÚDE MENTAL

Falta de transporte sanitário e CERSAM’s lotados A Câmara Técnica de Gestão da Força de Trabalho reuniu-se com o colegiado de Saúde Mental da SMSA para discutir a superlotação dos Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAM), devido à falta de transporte sanitário. A representante do colegiado, Patrícia Gomes, esclareceu que existem três veículos para cada distrito sanitário e que um deles é exclusivo para os centros de referência, enquanto os outros dois são divididos pelos distritos. Na mesma reunião, foram feitas denúncias sobre a insuficiência

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de leitos nos CERSAM’s durante a greve dos trabalhadores da saúde e questionamentos sobre a dificuldade de transferência dos pacientes do Hospital Sofia Feldman – Unidade Carlos Prates para as residências terapêuticas. Patrícia disse que as maiores dificuldades estão relacionadas à locação dos imóveis para acolher os pacientes. Em relação aos leitos, ela acrescentou que os problemas serão resolvidos com a abertura do CERSAM-AD Barreiro e de uma outra unidade na região Nordeste.


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Con S aúde

Cerimônia certifica conselheiros de saúde

Conselheiros qualificados Durante a cerimônia 245 alunos receberam o certificado de conclusão das Oficinas de Qualificação para o Controle Social no SUS-BH Os primeiros 245 alunos que cursaram as Oficinas de Qualificação para o Controle Social no SUS-BH receberam o certificado de conclusão do programa, que pretende preparar pessoas da comunidade para atuar como conselheiros em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e em instituições conveniadas. As oficinas fazem parte de uma parceria entre o Conselho Municipal de Saúde (CMSBH), a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) e a Escola de Saúde Pública de MG (ESP). A previsão é que sejam qualificados dois mil cidadãos para atuar especialmente nas comissões locais, que funcionam nos centros de saúde e em conselhos de hospitais públicos ou que prestam serviços ao SUS. A ex-presidente do CMSBH, Angela Assis, disse que conferir a tantas pessoas o certificado de conselheiro de saúde faz parte de um processo de construção do controle social, iniciado há dez anos, resultado dos esforços de várias pessoas que se dedicaram para concretizar este projeto. “Me sinto honrada em fazer parte da Mesa Diretora do Conselho neste momento de conquista, que só se tornou realidade pela doação de tantos colaboradores, especialmente a Comissão de Educação Permanente”, diz. Fernando Heliotério, representante da Secretaria de Gestão Participativa do Ministério da Saúde, classificou a Comissão como uma ferramenta essencial dentro da estrutura de um Conselho, pois ajuda a formar um ba-

talhão de pessoas que defende a saúde pública, mas que critica quando necessário. “A formação de conselheiros é fundamental, considerando a proximidade da 15ª Conferência Nacional de Saúde no próximo ano, um momento de repensar os 25 anos do SUS e o futuro da saúde pública no Brasil”, analisa. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, ressaltou a importância desta formação. “A vitalidade do SUS passa pelo controle social. E essa formação oferece condições e meios para que o cidadão possa acompanhar e cobrar do poder público o bom funcionamento da saúde local. Esse controle e participação são fundamentais”, disse ele. Os participantes do curso apontaram a importância que as oficinas agregaram à atuação do conselheiro e daqueles que pretendem atuar no controle social. Antônia Maria Braga de Assunção, 60 anos, é conselheira local e distrital na região Centro-Sul e participa pela segunda vez de processos de qualificação promovidos pelo CMSBH. Ela conta que teve vontade de refazer o curso para reciclar os conhecimentos como conselheira, que devem colaborar também na sua formação acadêmica – Antônia, cursa o 4º período de Serviço Social. O usuário Sérgio Andrade Silva, conselheiro em Venda Nova, disse que já vem participando dos cursos de qualificação há três edições. A cada uma delas fica mais evidente que “integrar o controle social na saúde depende do conhecimento para ser ativo e atuante. O conselheiro é eleito pela comunidade e tem que representá-la bem, pois sem isso não há integração social e nem conselhos”, observa. Com relação a proposta e a estrutura apresentada pelo curso, a usuária Daniela de Almeida Ochôa Cruz, moradora da região Centro-Sul, disse que o material didático foi decisivo para o sucesso dos trabalhos, apresentando um conteúdo rico e bem escrito. Ela revela ainda que a participação dos conselheiros de saúde que já atuam nos conselhos foi importante para trazer a experiência para dentro da sala de aula. Demerval Horizontino, da região Nordeste, disse que de fato o curso trouxe a certeza que o conselheiro preparado ajuda a capacitar a comunidade para conhecer seus direitos. A trabalhadora Marilda Souza Justino acrescenta que muitos destes conselheiros são tão bons que podem até dar aulas, pois eles têm o conhecimento do contexto participativo melhor do que qualquer outra pessoa, diz. DESAFIOS Apesar de grande parte dos alunos demonstrarem satisfação com o trabalho dos professores, Lucimar Almeida Silva, trabalhadora da rede SUS, que participou das oficinas como docente assistente, chama a atenção para a necessidade de uma maior integração entre o docente e o docente assistente que, de acordo com ela, precisam falar a mesma língua. Lucimar ressalta ainda que o ponto positivo destas primeiras turmas foi o crescimento da participação da comunidade acadêmica, que hoje está mais inserida no controle social. “Eles começaram a participar para cumprir o número de horas extracurriculares e acabaram vestindo a camisa dos conselhos”, comemora.

12ª Conferência Municipal de Saúde O Conselho Municipal de Saúde promove nos dias 28, 29 e 30 de novembro a 12ª Conferência Municipal de Saúde, que esse ano terá como tema o “Acesso, qualidade e transparência na atenção à saúde”. Os delegados eleitos nas etapas locais representarão os segmentos de usuários do SUS, trabalhadores, gestores dos serviços de saúde nas conferências distritais, que serão realizadas de 1º a 18 de novembro nas nove regionais da cidade . Os representantes dos movimentos organizados de usuários, como centrais sindicais, aposentados, mulheres, portadores de patologias e deficiências, bem como os sindicatos dos trabalhadores da saúde, prestadores públicos, privados e filantrópicos, e formadores de recursos humanos devem participar da etapa distrital, para serem eleitos. As conferências ocorrem a cada dois anos para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política no setor. Essa edição tem como principal finalidade, elaborar o Plano Municipal de Saúde para o quadriênio de 2014/2017, e que serve como um planejamento de estratégias de gestão do SUS na cidade. Desde 2009, ano em que foi realizada a 10ª Conferência Municipal de Saúde, a população tem contribuído na construção do plano, garantindo assim a transparência do processo.

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Prestação de contas CTF aprecia prestação de contas do Hospital Odilon Behrens

Câmara Técnica durante a apresentação da prestação de contas

A Câmara Técnica de Financiamento se reuniu para avaliar a prestação de contas do Hospital Odilon Behrens (HOB), referente ao ano de 2012. Segundo o gerente financeiro do hospital, Guilherme José Antonini Barbosa, as despesas mais acentuadas ocorreram no 3º semestre e são relativas à compra e a manutenção de equipamentos, medicamentos, materiais médicos e hospitalares, alimentação e gastos com parcelamento do INSS. Existe ainda uma grande demanda financeira para suprir serviços de terceiros, como locação de máquinas, além da manutenção e conservação de equipamentos do próprio hospital. Ainda de acordo com Guilherme, o hospital optou por investir em necessidades maiores, como equipamentos médicos e odontológicos e projetos de reforma geral, considerando que o prédio sede da instituição é do final da década de 40 e merece intervenções, com novas adaptações na estrutura. As maiores despesas do HOB foram pagas com recursos do Fundo Municipal de Saúde.

Mais Médicos O Conselho Municipal de Saúde participou da cerimônia de boas-vindas aos 440 médicos cubanos que fazem parte do programa do governo federal “Mais Médicos” em Minas. A data marcou também o início das aulas dos cursos de especialização em Saúde da Família, ministrado aos visitantes pela Universidade Federal de Minas Gerais. O curso terá a duração de um ano e meio, sendo que os médicos serão preparados pela instituição em Minas e Alagoas. Finalizado este processo, os médicos serão distribuídos pelos estados e devem fazer parte de um programa de educação continuada, junto ao restante dos intercambistas. O coordenador do curso em Minas e representante do Ministério da Educação, Rodrigo Chaves Penha, afirmou que o programa veio para aliviar o sistema de saúde pública brasileiro, focando especialmente na atenção básica. A ideia principal, segundo ele, é aprender junto com os visitantes, comparti-

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Wagner Mendes

Notícias do Conselho

Plenária discute saúde da mulher

na fase não reprodutiva

A plenária de conselheiras de saúde debateu o tema “Saúde da mulher na fase não reprodutiva”. A ginecologista e obstetra, Referência Técnica em Saúde da Mulher da SMSA, Mônica Lisboa Santos, orientou as participantes sobre o protocolo de atendimento à mulher fora do período gestacional, menopausa e climatério. Quando questionada sobre as dificuldades que estas mulheres enfrentam para conseguir atendimento de urgência ginecológica nas maternidades, a médica informou que a primeira indicação é a busca pelo tratamento clínico para avaliação. Segundo ela, a curetagem semiótica (retirada do útero e/ou ovário) só ocorre em último caso, sendo recomendados métodos menos invasivos. Existe ainda o problema da falta de informação, que dificulta o processo de avaliação clínica, prevenção e exames periódicos. Atualmente, Belo Horizonte é o segundo município do país em ofertas de mamografias e não existe fila de espera para o agendamento de consultas de Mastologia, o que representa um resultado satisfatório para a rede SUS. Contudo, o absenteísmo (falta da paciente à consulta ou exame) compromete o cuidado, considerando que existem situações em que as pacientes não retornam para receber os resultados. “Uma conversa para esclarecimento de dúvidas, antes de qualquer procedimento é a grande indicação”, salienta Mônica.

lhando experiências entre países. A representante do Ministério da Saúde, Alzira de Oliveira Jorge, ressaltou a complexidade de se pensar um sistema de saúde para 200 milhões de pessoas, considerando o baixo número de médicos por habitantes no país, problema mais acentuado nas regiões norte e nordeste. De acordo com ela, estudos realizados pelo Ministério da Saúde apontaram que, mesmo oferecendo mais vagas nos cursos de Medicina e especialmente Medicina de Família e Atenção Básica serão necessários 17 anos para que o Brasil tenha o número de médicos para atender às necessidades da população. Como o país não pode aguardar, a saída foi recorrer aos médicos intercambistas. Contudo, Alzira ressalta que é preciso melhorar também o financiamento da saúde, especialmente na atenção básica. Raissa Hernandes, representante do Ministério da Saúde de Cuba, reconhece que o programa é uma ação de solidariedade e de compartilhamento de experiências entre os países, uma ação de amor e carinho, em que será possível intercambiar o conhecimento de situações específicas de Minas e do Brasil, conhecer doenças específicas e conhecer o trabalho dos médicos locais. Estiveram presentes a secretária geral, Maria Cristina Teodoro Pereira e a 2ª Secretária, Gislene Gonçalves dos Reis.


Arquivo Conselho

ConS aúde

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Conselheiros municipais de saúde durante o Congresso do Conasems

Conselheiros participam do Congresso do Conasems

Uma delegação de 10 conselheiros municipais de saúde esteve presente no XXIX Congresso de Secretarias Municipais de Saúde, realizado em Brasília. O grupo esteve presente em oficinas, painéis e cursos relacionados à gestão e ao controle social no SUS. Entre as atividades, o presidente do CMSBH, Ederson Alves, destaca a oficina “O controle social nos 25 anos do SUS”, em que foi possível rever todo o histórico da saúde pública e da participação popular no Brasil. “Foi uma oportunidade muito interessante de avaliar os avanços e os desafios do SUS, para que ele seja de fato uma política de qualidade com acesso integral”, diz. Os conselheiros puderam desfrutar ainda de uma oficina sobre a gestão descentralizada do SUS, que tratou do planejamento e do financiamento da saúde. A ex-conselheira Ana Maria Caldeira foi uma das integrantes da mesa de debates

Visita ao CEREST Barreiro

sobre a vigilância sanitária e o controle social. O evento terminou com um ato político organizado pelo Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública (Saúde + 10). Aproximadamente cinco mil gestores municipais, estaduais e federais, trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde de todo o país participaram do evento e usaram cartazes pedindo melhorias na saúde pública. Minas Gerais foi o estado que mais coletou assinaturas, totalizando mais de quinhentas mil. O movimento reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas para pedir ao Congresso a aprovação de projeto de lei de iniciativa popular que vai garantir o repasse de 10% da receita corrente bruta da União para a saúde. O momento contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves.

paciente à unidade. Os trabalhadores são encaminhados pelos centros de saúde e sindicatos, sendo atendidos pelos serviços de Assistência Social e Enfermagem e posteriormente, se necessário, direcionados aos médicos. A gerente do CEREST Centro-Sul, Cláudia M. Castelo Branco, explica que a empresa pode ser multada quando as condições de trabalho são precárias. “Nós visitamos e avaliamos. Se estiver fora do padrão, indicamos as mudanças e damos um prazo para a melhora. Quando retornamos ao local, se nada estiver alterado, comunicamos à Vigilância Sanitária, que pode multar a empresa”, complementa. O gerente de Saúde do Trabalhador, Anthero Drummond Júnior, apresentou em uma das visitas dados referentes ao atendimento das unidades Barreiro e Centro-Sul, de 2009 a 2012. Segundo ele houve crescimento no número de consultas médicas e foram realizadas 686 vigilâncias em Belo Horizonte no ano passado.

CIST realiza visita ao Cerest Centro-Sul e Barreiro A Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador (CIST) realizou a sua primeira visita aos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) Barreiro e Centro-Sul. Na oportunidade, a comissão pode conhecer o processo de funcionamento e as instalações da unidade Barreiro, que funciona desde 1994. De acordo com a gerente Maria Cristina Fonseca, o CEREST Barreiro atua na assistência em casos de doenças causadas pelo trabalho, além de fazer a vigilância das empresas, verificando as causas que levaram o

Visita ao CEREST Centro-Sul

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Especial Fotos: Reprodução Internet

Educação para o trabalho no SUS

PET-Saúde, programa do governo federal, incentiva pesquisas acadêmicas e prepara profissionais para atuar no SUS POR LUCIANE MARAZZI

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os últimos meses, as condições de atendimento em unidades próprias ou hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) têm sido um assunto recorrente no cotidiano dos brasileiros, na mídia e nas redes sociais. Entre as dificuldades enfrentadas está a falta de médicos, justificada pela pouca oferta no mercado de profissionais dispostos a trabalhar na rede pública de saúde. Programas, como o Mais Médicos, lançado recentemente pelo governo federal, tentam ampliar a presença de médicos em regiões carentes, como municípios do interior e nas periferias de grandes cidades. Entretanto, outras ações pretendem contornar esta dificuldade contemplando áreas da saúde além da Medicina. Entre elas está o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde), que desde 2005 busca reorganizar e incentivar a atenção básica à saúde, reunindo gestores do SUS e instituições de educação superior para incorporar mais profissionais especificamente das áreas de Medicina, Enfermagem e Odontologia. Em 2007, uma nova iniciativa dos Ministérios da Educação e da Saúde, denominada Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde ou como é conhecido, PET-Saúde, passou a incentivar a integração entre o ensino e os serviços de saúde para estimular a participação de graduandos do ensino superior nos serviços de saúde públicos, para que quando o aluno se forme ele tenha preparo para trabalhar no SUS, explica a gerente do Centro de Educação em Saúde de Belo Horizonte, Denise Viana Amador. Em 2012, os dois programas se uniram em uma só portaria, cuja proposta é fazer com que tanto o Ministério da Saúde, quanto o da Educação promovam estratégias de mudanças curriculares de graduação na área da saúde, oferecendo a expansão e a qualificação de cursos de pós-graduação, residências médicas e multiprofissionais em saúde da família e em educação permanente. O foco principal dos trabalhos passou a ser a integração das instituições de ensino, os serviços de saúde e a comunidade. Todos os anos, os projetos devem envolver as unidades e os serviços do SUS e submetidos à aprovação do Ministério da Saúde e do conselho de saúde do município sede. Em Belo Horizonte, o Conselho Municipal de Saúde tem acompanhado e discutido todo o processo de implantação do programa desde 2008. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a primeira instituição cujos projetos foram aprovados pelo Conselho, seguida pela Fundação Lucas Machado (Feluma) e pela PUC-Minas.


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INCENTIVOS O programa disponibiliza bolsas de estudos para tutores, preceptores (profissionais dos serviços de saúde) e estudantes de graduação. As bolsas e os incentivos são distribuídos na proporção de um tutor acadêmico para seis preceptores e 12 estudantes monitores, escolhidos em grupos de 30 estudantes. De acordo com Denise Viana Amador, o PET-Saúde possui algumas linhas de pesquisa e projetos que são de interesse do SUS, dos alunos, professores e preceptores. “Este movimento têm sido interessante e trazido resultados importantes, não só pelas pesquisas, mas também pelo trabalho e organização integrados às unidades. É interessante perceber, por exemplo, na área de saúde bucal, ideias trazidas pelo PET-Saúde que acabam virando uma rotina no local onde as pesquisas são feitas. Este programa não desenvolve apenas o processo de pesquisa, mas um trabalho contínuo nestas unidades, além de fortalecer os vínculos entre o profissional de saúde e a comunidade”, diz. FINANCIAMENTO Todos os anos os distritos de saúde das nove regionais do município indicam as unidades do SUS que devem participar do programa PET-Saúde, de acordo com a necessidades da unidades e da população. Os repasses de recursos financeiros são transferidos pelos ministérios da Saúde e Educação, sendo que uma parcela é investida em educação permanente pela prefeitura e a outra é direcionada para às universidades. Para a Feluma as pesquisas contribuem com conhecimentos relevantes para a formulação de políticas pela SMSA, com consequente melhoria nos níveis de saúde da população. A ex-presidente do CMSBH, Angela de Assis, reforça que o processo de educação permanente para os profissionais de saúde do SUS, sempre foi uma prioridade entre os conselheiros, que discutiram o tema em conferências e aprovaram propostas como o PET-Saúde, dada a importância de qualificar os futuros profissionais e os servidores que já atuam na rede SUSBH. Por outro lado, Angela ressalta que programas como estes precisam contemplar também os profissionais de nível médio. “Precisamos considerar que saúde não se faz só com médicos ou enfermeiros, mas sim com equipes multiprofissionais”, argumenta.

PROJETOS APROVADOS PELO CMSBH (2013/2015) Em 2013, os programas apresentados pela UFMG, Feluma e PUC-Minas foram divididos em Redes de Atenção à Saúde e Vigilância em Saúde. Redes de Atenção à Saúde * Rede Cegonha * Redes de Atenção Psicossocial de enfrentamento do Álcool, Crack e outras Drogas * Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência * Rede de Atenção dos Serviços de Urgência e Emergência * Redes de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, priorizando o câncer de colo de útero e de mama Vigilância em Saúde * Estratégias de enfrentamento e prevenção na rede básica de saúde * A oferta e o impacto da academia da cidade na comunidade * As contribuições para a redução da morbimortalidade materna e infantil em situações de risco habitual * Acidentes de trabalho, com mutilações acometendo membros superiores * A saúde do idoso frágil e em risco de fragilização Como condicionante para a aprovação destes projetos, o plenário do Conselho determinou que, a partir dos próximos, as comissões locais e os conselhos distritais e municipal de saúde devem participar do processo de escolha dos temas de pesquisa e seleção dos trabalhos apresentados pelas universidades. Além disso, o CMSBH deverá acompanhar bimestralmente, o relatório de atividades do PET-Saúde. Os resultados devem ser amplamente divulgados para todas as instâncias de controle social do município.

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Saiba Mais

#doeleite

#amamenteavida POR JÉSSICA SILVA

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O leite materno melhora a qualidade de vida e a sobrevida dos bebês. Dois “dedos de leite” proporcionam mais um dia de vida para muitas crianças.

leite materno é um alimento completo, que contém todos os nutrientes e sais minerais que o bebê precisa até os seis meses de idade. Os médicos o consideram como a primeira vacina - protegendo a criança contra doenças como anemia, alergias, infecções e obesidade. Além de ser de fácil digestão, a sucção colabora para o desenvolvimento da fala e da respiração. O leite humano também ajuda na prevenção de cólicas nos primeiros meses de vida. O ato de amamentar é importante tanto para a mãe quanto para o bebê. A amamentação contribui para a recuperação do útero materno, diminuindo o risco de anemia, além de ajudar a reduzir o peso e minimizar o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo a enfermeira do Centro de Saúde Boa Vista, Cristiane Pereira, a orientação para o aleitamento exclusivo até o sexto mês tem início desde o pré-natal. “Nós preparamos essa mãe para a amamentação e a sensibilizamos de que este ato é de extrema importância para estimular o vínculo entre mãe e filho. O contato materno ajuda no desenvolvimento da criança”, conta.

COMPARTILHE SEU LEITE A doação de leite materno é tão importante quanto a amamentação. Segundo a enfermeira Cristiane é uma forma dos profissionais acompanharem as mães e os bebês. “Se a mãe está doando, ela está amamentando. A partir do momento que essa mãe para de doar, nós procuramos saber o por quê”, diz.

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Con S aúde

Curta essa ideia! No centro de saúde, as enfermeiras conscientizam as mães priorizando o aleitamento exclusivo e a doação de leite é uma consequência. A divulgação do programa é feita pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) nas residências, através de folderes e orientações de como doar e amamentar. “Nós falamos com a mãe sobre a doação durante as visitas, no pré-natal e quando elas ganham o neném. Se a mãe demonstrar interesse, nós levamos o material de orientação e o vidro de coleta”, explica Cristiane. A mãe que deseja doar precisa estar em dia com os exames do pré-natal, tais como HIV, Hepatite, Sífilis e Hemograma. Ainda é avaliado se a doadora faz uso de medicamentos controlados e se é fumante. Para as mães que não fizeram o prénatal no centro de saúde são exigidos os mesmos exames. É interessante que a doadora faça a primeira retirada do leite diretamente no vidro estéreo (de maionese ou café solúvel), que é fornecido pelo centro de saúde. Este recipiente deve permanecer sempre no congelador. Depois é aconselhável lavar e ferver um copo por 15 minutos, que deve ser selecionado somente para este fim. A partir daí, a mãe deve tirar o leite sempre no copo e depois depositá-lo no vidro, identificando o dia do início da primeira retirada. O leite é recolhido toda sexta-feira, congelado e é encaminhado ao Banco de Leite Humano da Maternidade Odete Valadares. Segundo a enfermeira Cristiane, o leite é rastreado do momento que sai da casa da doadora até o hospital e tem a validade de 10 a 15 dias. O leite passa pelo processo de pasteurização, por exames e pela seleção de calorias, e em seguida está apto para ser consumido pelo bebê. A enfermeira acrescenta que não existe uma quantidade determinada para a doação. Dois “dedos de leite” que a mãe doa já são suficientes para um bebê viver mais um dia no CTI. “O ideal é o leite da mãe, caso ela não tenha, o neném recebe a doação. Na maternidade é oferecido um atendimento para essa mãe tirar o leite, seja manual ou por meio de uma bomba específica. Os bebês que recebem o leite doado são das mães que não produzem ou que o leite secou”, explica Cristiane.

“A doação de leite materno é tão importante quanto a amamentação. Se a mãe está doando, ela está amamentando. A partir do momento que essa mãe para de doar, nós procuramos saber o por quê” Cristinae Pereira - CS Boa Vista

O PAM Saudade oferece o serviço de apoio e orientação para as mães (3277 – 5769/5748)

A coleta do leite materno é feito sempre em casa

Existem 11 unidades de coleta em BH

Um litro de leite é o suficiente para alimentar 10 bebês

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Histórias que dariam um livro

O dom de ser conselheiro POR LUCIANE MARAZZI E WAGNER MENDES

S

ebastião Ferreira Bastos foi o primeiro conselheiro de saúde da regional Norte de Belo Horizonte. “Seu Tião” como é conhecido pelos companheiros de controle social, fundou em 1990, o Conselho Distrital do Saúde Norte e na época, já atuava como presidente da associação do bairro Floramar. “Depois da Constituição Federal de 1988 e a criação das leis que regulamentam o SUS e a participação social na saúde, os moradores do bairro logo ajudaram a organizar a comissão local, o conselho distrital e o conselho municipal, e eu fui eleito o primeiro presidente do conselho de saúde da região”. O conselheiro relembra com orgulho que já exerceu também dois mandatos no Conselho Municipal de Saúde. Entre as recordações dos 23 anos em que vem atuando como conselheiro, Sebastião destaca a luta da comunidade onde mora, na busca por recursos para construção de três centros de saúde, o MG 20, o 1º de Maio e o Providência. “Fomos até o prefeito, ao secretário de saúde e negociamos a estruturação. Fizemos o que foi possível, nos reuníamos até as 10 horas da noite, fazíamos visitas aos terrenos e aos prédios abandonados, nos encontrávamos no Orçamento Participativo, sempre exercendo o nosso papel de conselheiros”. Outro momento que marcou a trajetória do “Seu Tião” foi fazer com que um usuário do SUS presidisse o Conselho Municipal de Saúde. “Eu não achava muito certo quando o secretário era o presidente do conselho. O melhor seria um usuário ou um trabalhador na presidência e fomos lutar por isso. Negociamos com o então secretário municipal de Saúde, Marilio Malagutti e pela primeira vez um usuário exerceu o papel de presidente”. MUITO TABALHO, POUCO ESTUDO Sebastião conta que teve uma infância difícil. “Infelizmente eu não tive direito de brincar e a oportunidade de estudar. Parei na 5ª sé-

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Con S aúde “A minha família é o meu espaço, é minha vida” rie porque eu tinha que ajudar meus pais”, relembra. Nascido em 1940, na cidade de Marliéria, próximo ao município de Timotéo, o conselheiro conta que seus pais eram pessoas maravilhosas, mas foi obrigado a trabalhar com eles na roça. “Certa vez, cheguei a perguntar ao meu pai se ele me deixava ir para uma escola em Viçosa, pois lá a gente estudava de graça. Então, eu tive uma resposta que me deixou muito sentido, com lágrimas nos olhos. Meu pai pegou uma enchadinha nas mãos e me entregou dizendo: Viçosa é essa aqui. E eu, em respeito a ele, acatei a exigência e fui ajudar na roça. Aos 18 anos consegui um emprego na Acesita, depois trabalhei em Ipatinga até ser contratado pela Companhia Vale do Rio Doce, onde me aposentei devido a um problema de saúde em 1981. Naquele tempo eu trabalhava em uma mina e devido às constantes explosões e ao barulho intenso acabei perdendo a audição”, lamenta. Sebastião chegou a Belo Horizonte em 1973 e abriu uma lavanderia onde mantém 25 funcionários. “Não posso reclamar, agora passei a lavanderia para minha filha e atualmente, me dedico aos trabalhos nos conselhos de saúde”. MINHA FAMÍLIA É MINHA VIDA Sebastião é o terceiro dos nove filhos de Manoel Ferreira Bastos e Maria Alves Ferreira, é o terceiro de nove irmãos. Casou-se aos19 anos com Maria Leila Ferreira Bastos, com quem permanece até hoje. “Se precisasse eu me casaria com ela quantas vezes fosse preciso. A minha família é o meu espaço, é a minha vida. Tenho quatro filhos (Robson, Márcia, Shirley e Mayna), sete netos e um bisneto.

Sempre que possível nos reunimos em família no sitio em Matozinhos. Essa é a minha paixão”. Em 1973 o conselheiro passou a dedicar-se às atividades da Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes. “Eu era o tesoureiro e fazíamos campanhas em todo o território nacional. Como precisávamos de um meio de transporte adequado, fizemos um presépio para Alemanha e conseguimos uma kombi novinha, isso em 1982. Essa Kombi existe até hoje, mas temos outra semi-nova”. Depois Sebastião foi convidado a fazer parte do grupo de encontro de casais da igreja local. “Cheguei a ser o coordenador do curso de noivos da Paróquia Cristo Operário”, diz orgulhoso. UM CONSELHO RENOVADO Depois de 23 anos como conselheiro de saúde, Sebastião é enfático ao dizer: o conselho precisa ser renovado. Segundo ele, os usuários devem ser escolhidos somente nos distritos, o que deve acontecer futuramente. Essa é uma das mudanças que o “Seu Tião” diz ser necessária para um conselho mais eficiente e democrático. “Precisamos que os gestores da saúde nos apresentem propostas mais transparentes e que as mesas diretoras do Conselho ofereçam uma estrutura mais organizada de pautas a serem debatidas. Para ser conselheiro, a pessoa tem que ter o dom, especialmente aquela que atua nas comissões locais, de perceber as necessidades das unidades de saúde. Para ser um bom conselheiro, além do dom, é preciso saber distinguir e respeitar a fala do outro. O bom conselheiro participa, fala, da a sua opinião, diverge da opinião do outro, mas tem sempre em mente o bem estar do coletivo.

Á esquerda: Sebastião recebe honraria como conselheiro; acima: à esquerda a filha Shirley, a esposa Leila e as filhas Márcia e Mayna; abaixo: com amigos e Leila

“O bom conselheiro participa, fala, da a sua opinião,

do outro, mas tem sempre em mente o bem estar do coletivo”

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Entrevista POR LUCIANE MARAZZI

A doença do

Crack

A dependência química é uma doença e os sintomas compulsivos podem reaparecer. Por isso, a pessoa deve ser tratada como um doente que precisa de cuidados. Para saber um pouco mais sobre o percurso do tratamento contra a dependência do crack e das políticas instituídas pelo governo para este fim, conversamos com o psiquiatra, professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Frederico Garcia.

ConSaúde: Como o senhor avalia as políticas sobre drogas em Belo Horizonte? Frederico Garcia: Avalio que a execução destas políticas ainda apresenta problemas, devido às limitações dentro da área. O crack vai trazer uma resposta muito interessante que é a associação entre a saúde e a assistência social, relação que ainda não está muito bem engrenada. A dependência química leva a uma degradação social, que precisa ser abordada em conjunto com a saúde. Este casamento vai acontecer aos poucos, o que é muito favorável. O crack tem revelado deficiências no funcionamento da rede, que se devem a questões como a ausência de formação dos profissionais de saúde. Desde a criação do SUS não houve uma inquietação ou preocupação do Estado na formação de profissionais para cuidar destes pacientes. O segundo ponto é a estrutura de substituição da rede de saúde mental. Abriu-se um vazio em relação ao número de leitos para acolher estes pacientes em momentos de crise ou quando eles decidem fazer a abstinência, e aponta também esta falta de articulação entre assistência social, a saúde e a justiça, que precisa ser inserida dentro da rede. Esta situação não é exclusiva de Belo Horizonte, pois tenho viajado bastante para o interior e as cidades estão sofrendo com o mesmo mal que a gente. CS: E os outros estados brasileiros? FG: Alguns estados estão um pouco mais avançados em alguns aspectos, como, por exemplo, Goiás que já conseguiu integrar a rede, ligando desde a assistência primária até a parte de especialização, incluindo a educação preventiva. Outro exemplo é o estado do Rio Grande do Sul, que também presta uma assistência eficaz e de qualidade, que se soma aos exemplos vencedores nesta luta. CS: Foram realizadas conferências distritais e municipal sobre álcool e drogas em Belo Horizonte. Como o senhor avalia a contribuição destas discussões? FG: As conferências foram importantes, pois abriram um espaço de dis-

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cussão entre os profissionais e o cidadão. Acho que foi um momento muito bonito e os resultados foram extremamente positivos. CS: Quais foram as propostas mais importantes apresentadas durante as conferências? FG: Acho que o mais importante foi a criação do Fundo Municipal de Política sobre drogas que vai permitir o repasse do governo federal para o município. CS: Quais são as opções de tratamento na rede pública? FG: Eu costumo dividir o tratamento em quatro fases no processo de mudança. A primeira eu chamo de pré-contemplação. É o momento em que o indivíduo não percebe que tem uma doença e acaba não aceitando ajuda. Nesta fase, o tratamento do consultório de rua é ideal. A segunda etapa é a que eu chamo de contemplação, que é a época em que o indivíduo percebe que tem uma doença, mas ainda não está preparado para mudar. Neste momento, os centros de saúde deveriam estar preparados para acolher o paciente, trabalhando a motivação dele. A terceira etapa consiste na coleta de dados especializados para fazer o tratamento de abstinência e o projeto terapêutico reabilitando o paciente para o convívio social, em espaços de interação e de acolhimento prolongado como o CERSAM-AD e os hospitais. Contudo, esta etapa ainda está falha. A quarta etapa é a que eu considero de reabilitação cognitiva, que permite a compreensão e interação com o mundo, e deve ser trabalhada especificamente com terapeutas ocupacionais e neuropsicólogos. Alguns consultórios de rua já estão funcionando bem e temos dois CERSAM-AD, que atuam entre o controle do dano e os serviços especializados. Porém, as outras três etapas são falhas dentro do nosso município, e é por isso que as pessoas têm essa sensação de desassistência. CS: E quando a pessoa não quer parar de usar a droga e não aceita ajuda? FG: Posso dizer que isso é um mito, pois as pessoas confundem o usu-


Con S aúde ário com o dependente químico. O usuário é aquele que tem prazer com a droga e o dependente químico tem alívio com o uso da droga. Apesar de acharmos que ele não quer sair dessa, ele está doido para sair, tanto que um dos critérios que caracteriza o dependente químico são as múltiplas tentativas de interromper o uso das drogas que não foram bem sucedidas. Essa ideia acaba partindo para o preconceito, o julgamento prévio. A imprensa, quando quer falar do dependente químico, mostra somente os moradores de rua, como se existissem dependentes químicos entre eles, ou somente nestes lugares, o que é uma ideia falsa. CS: O projeto de lei 7.663/10, do deputado Osmar Terra, pretende regulamentar a internação involuntária ou compulsória. Isso pode de fato colaborar com a recuperação de usuários de droga? FG: A lei 10.216/2001 determina três tipos de hospitalização: a voluntária, a involuntária - que ocorre quando o indivíduo perde a razão, não dá conta de avaliar o risco que está correndo e o psiquiatra ou a família podem pedir a hospitalização - e a compulsória, quando o juiz determina a internação. As discussões sobre a hospitalização compulsória estão relacionadas à falta de leitos e recursos para tratar estes pacientes. Tanto o paciente que está motivado, quanto a família que está passando aperto, ao procurarem por atendimento e não ter sucesso, terminam por recorrer à justiça. A minha preocupação é a carência de recursos, pois quem está nas ruas sofrendo, sem ter acesso ao atendimento de qualidade é o paciente. A lei tenta correr atrás, mas só política não resolve. É preciso ter formação e liberação de recursos para a criação de leitos e reabilitação. CS: Quando o tratamento involuntário é indicado? FG: A hospitalização involuntária ocorre em três situações: quando o individuo coloca a vida dele em risco; quando ele coloca a vida de terceiros em risco; ou quando os especialistas não conseguem avaliar este risco. Eu ainda acrescentaria uma quarta situação, quando o paciente corre um risco social muito importante. É neste momento que as famílias procuraram ajuda, pois a pessoa está sendo ameaçada pelo traficante ou quando está morando na rua em situação de alta precariedade. CS: No caso do dependente do crack, ele consegue se recuperar completamente, ter uma vida normal? FG: Sim, mas dois pontos importantes devem ser considerados. O primeiro é que não existe tratamento milagroso para dependência química. Todo tratamento dura entre um e cinco anos, pois trata-se de uma doença crônica e a possibilidade de uma recaída permanece a vida inteira. Quanto mais cedo a pessoa for tratada, maior a chance de reabilitação e de inserção social. Eu costumo dizer para as famílias não perderem a esperança, porque existe tratamento e quando o indivíduo se engaja a eficácia é grande. CS: Como a família deve proceder em relação ao tratamento? FG: A família passa por grandes dificuldades. O indivíduo não aceita que a droga está colocando a vida dele e da família em risco. Isso acaba trazendo dificuldades de relacionamento e rupturas dentro da família. Eu diria que o papel da família é determinante no processo de mudança. O acompanhamento do paciente deve incluir a participação dos familiares. CS: O governo de Minas instituiu o programa Aliança pela Vida, divulgado pelos meios de comunicação como “bolsa Crack”, para custear o tratamento do dependente. Como o senhor avalia esta iniciativa? FG: O grande desafio é desestigmatizar o dependente químico. Existem duas situações diferentes, uma coisa é o usuário que é o indivíduo que não está doente, outra é o dependente, que tem uma doença mental, um quadro clí-

nico que precisa ser tratado e abordado do ponto de vista biológico, psicológico, social e econômico. Infelizmente, este é um paciente que precisará do apoio do Estado, da família e do meio em que vive para conseguir sair e se inserir social e profissionalmente. Então, de um lado fica a mídia apresentando os fatos como se a dependência não fosse uma doença e sim falta de vergonha, que se a pessoa quisesse ela pararia. Esta é uma ideia extremamente falsa. Para participar do programa, o paciente passa por uma avaliação e somente com o laudo médico e a aceitação da instituição onde ele será cuidado é que o repasse do dinheiro é feito diretamente para o local de tratamento e não para a família como tem sido divulgado. CS: O governo de Minas já divulgou algum resultado deste programa? FG: Não. Na verdade ele ainda é muito recente, foi mal divulgado e poucos pacientes estão fazendo uso dele. Em relação a uma doença que leva até cinco anos para ser tratada, é difícil falar da eficácia de um programa que foi colocado em prática há apenas um ano.

“A família passa por grande dificuldades. O indivíduo não aceita que a droga está colocando a vida dele e da família em risco “. 15


Conta Gotas

Câmaras Técnicas visitam obras da saúde As Câmaras Técnicas de Gestão da Força de Trabalho, Controle, Avaliação e Financiamento do CMSBH realizou no último trimestre uma série de visitas às unidades de saúde do SUS-BH que estão em processo e construção e reformas. O objetivo dessas visitas é acompanhar e monitorar se as obras estão dentro do cronograma estipulado no Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Saúde. As unidades visitadas foram: CENTROS DE SAÚDE Dom Cabral Carlos Chagas Nossa Sra Aparecida São Francisco São João Batista São Geraldo UNIDADES DO SUS E HOSPITAIS Sofia Feldman (Carlos Prates) PAM Padre Eustáquio

CERSAM Norte UPA Norte I e II João Paulo II Santa Casa UPA Pampulha UPA Noroeste Complexo de Saúde Barreiro de Cima CREAB Venda Nova Maternidade de Venda Nova UPA Leste Hospital Metropolitano CERSAM Noroeste - Álcool e Drogas

Conselheiros visitam Inhotim O grupo Rede Unida, que é composto por pessoas que estão envolvidas com a saúde pública, convidou alguns conselheiros municipais de Belo Horizonte para participarem no mês de agosto do Encontro Regional Sudeste que aconteceu no Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico (Inhotim). O tema do evento era “O encontro com a vida sem molduras, girando a educação e trabalho no cotidiano do SUS” Segundo a representante das universidades no Conselho, Simone Dutra, o encontro tinha o objetivo de fazer uma reflexão do SUS através das obras expostas no Inhotim. “A exposição que mais me chamou atenção foi uma obra que é feita com pregos e a reflexão que fizemos baseada nela é que os sonhos para o SUS têm que estar de acordo com as práticas que serão realizadas”, diz. A conselheira municipal de saúde Maria da Penha fez suas observações sobre a visita ao Inhotim. “Foi o melhor encontro de saúde que eu participei. O local e o tema influenciaram para que eu gostasse, mas não é só por isso. Depois de um dia caminhando nas pedras como se estivéssemos todos juntos lutando pelo SUS, a escultura que mais me chamou atenção e me fez refletir foi a “T-teia”, de Lygia Pape. Era um espaço todo fechado e escuro, eu fui entrando e tropeçando. Senti dificuldade de entrar e quando fui caminhando vi uma luz. Olhei para baixo e percebi que os pregos eram amarrados em arames e foi assim que relacionei o SUS à escultura. O SUS está todo amarrado na base que são os usuários e os trabalhadores para que o SUS realize os seus projetos”, relata.

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Visita à obra da Maternidade de Venda Nova

Visita à obra da UPA Noroeste II

MEDICAMENTOS

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Conselho discute desabastecimento

no SUS-BH O plenário do CMSBH recebeu a gerente de Assistência Terapêutica da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Regina Lemos, para um debate sobre a falta de medicamentos na rede SUS. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) norteia para todo Brasil o fornecimento de 397 tipos de medicamentos. Regina Lemos informa que entre os fatores do desabastecimento está a substituição de alguns medicamentos, laboratórios que precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), vencimento de patentes, processos de concorrência e a substituição por genéricos. “Por isso estamos criando um plano de ação que ainda está em andamento para modernizar a área”, acrescenta. Atualmente a rede conta com 102 farmacêuticos, um para cada unidade, sendo que o ideal seriam dois, explica a gerente. Existe um projeto para criação de um único centro de distribuição de medicamentos, na tentativa de diminuir os custos e ter um plano de trabalho melhor.

Consaúde 45 site  

Jornal do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte

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