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Trilhos Urbanos Jornal-laboratório da Disciplina Jornalismo Impresso I e II - Edição de Novembro

Umbanda Religião que mistura manifestações indígenas, negras, católicas e ciganas ainda gera preconceito Homeopatia Como funciona e o que está por trás dessa prática que atrai tantas pessoas

Mario Lago Se fosse vivo, o poeta, ator, escritor e letrista completaria 100 anos


Desmistificando a UMBANDA! Descubra o que está por trás e qual é a visão de mundo de uma religião tradicional e antiga, que tem por lema “construir sempre, destruir nunca!” Marília Monteiro Quando resolvi aceitar a pauta sobre umbanda, sabia que não ia ser muito fácil, mas também tinha consciência da grande janela cultural que se abria à minha frente. Confesso que não sabia como começar, mas assim que fui pesquisando, vi que essa crença não é nada mais que outra visão sobre o mundo, dos vivos e dos mortos. Para começo de conversa, não existe essa de mortos. Os espíritos são eternos, a morte é uma passagem. Esse também pode ser um pensamento dos espíritas, pois a Umbanda é uma crença nova, nascida em 15 de novembro de 1908, através do

médium Zélio Fernandino de Moraes sob influência e manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e consiste num sincretismo entre catolicismo, espiritismo e religiões afro-brasileiras, como o candomblé. Os orixás são as características que compõem o universo divino, ou seja, deuses e fazem a ponte entre os seres humanos e a divindade maior. Cada um ajuda os humanos de uma maneira, ou outra e tem relação muito forte com a natureza, como por exemplo, Iemanjá é a orixá rainha do mar, Xangô é o rei das pedras, Oxalá é o dono da paz e do ar; Exu... Bem, todos têm uma concepção estranha de Exu, mas os umbandistas explicam o

que ocorre: “O Exu é o orixá que tem mais características humanas, mas ele é neutro: nem bom, nem ruim. Ele é o guardião das magias, transita pelo terreno mau, mas não pertence a ele, entendeu? Ele é quem cuida da comunicação entre os humanos e os trabalhos que querem fazer, assim como é ele também que desfaz trabalhos e magias negras”, explicou Mãe Helena, orientadora espiritual do centro Pai Xangô, em Itu. Os trabalhos ‘do mau’ são feitos com os Kiumbas que agem escondidos e não são orientados por nenhum Exu, mas muitas vezes se fazem passar por um deles, atuando em terreiros que não

praticam os fundamentos básicos da Umbanda, cujo objetivo é sempre proporcionar vibrações positivas que beneficiam e ajudam em dificuldades, através da fé e respeito ao próximo. Saber disso já me tranquilizou, afinal, eu não tinha uma opinião formada, só um receio que é gerado devido ao boato sobre exus e incorporações. Mãe Helena me convidou a uma reunião da linha cigana naquela noite, e aceitei. Sim, ciganos na Umbanda! As pessoas não incorporam especificamente os orixás, mas, sim, espíritos que fazem parte do grupo comandado por eles. Portanto, existem as reuniões em que


Os orixás são as características que compõem o universo divino, ou seja, deuses e fazem a ponte entre os seres humanos e a divindade maior.

os médiuns – pessoas aptas a incorporar, que trabalham na Umbanda – recebem os preto-velhos, que são da sabedoria e humildade, vem para resolver muitos assuntos e pertencem à linha de Obaluayê. Há também os caboclos, que vêm na manifestação de índios, são de Oxóssi; os caboclos boiadeiros, que são de Ogum e Iansã; caboclos baianos e as crianças, que são de todos os orixás; os caboclos marinheiros, que são da linha de proteção de Iemanjá, e os Ciganos, que pertencem ao grupo dos Exus e pombas – gira. Sempre gostei da cultura cigana e quando entrei naquele centro para ver o ritual, me senti numa verdadeira tenda. A fachada é de uma casa normal, com algumas flores na frente. Ao entrar, ando num corredor com muitas plantas e lá no fundo encontro o lugar das reuniões. Uma sala retangular dividida em duas partes: a menor era repleta de cadeiras, onde as pessoas assistiam e esperavam sua vez de consultar, a maior era

onde os médiuns estavam – nesse dia todos caracterizados como legítimos ciganos: as mulheres de vestido com cores específicas, lenços e muitos acessórios e os homens de calça larga, camisa, colete e bandana. Sentei na cadeira, saquei o caderninho, a câmera e comecei anotar vários detalhes, quando Helena me chama e pede para que eu sente entre o altar cheio de imagens de orixás e uma médium toda vestida de dourado. Estranhei, mas depois ela disse que era pra ir me explicando as coisas conforme fossem acontecendo. Sentada ali, eu podia ver exatamente tudo que acontecia, de perto. Os médiuns dispunham-se em um círculo e no centro havia uma mesinha, com uma cesta de frutas e flores, uma jarra de água, um cristal e duas

velas que Helena acabara de acender – uma amarela e uma azul. “Eles vão energizar as frutas e as flores, a água representa fartura, o cristal corta qualquer tipo de energia negativa e as velas são nas cores deles”, sussurrou Helena. Após acender as velas, todos saudavam os orixás e Santa Sara Kali, a protetora dos ciganos. Os médiuns começaram dançar em seus lugares e cantar uma música típica cigana, voltada para os espíritos, enquanto isso as incorporações iam acontecendo. Eu não via nada diferente daquilo. Só sabia que eles estavam chegando porque Helena ia falando: Salve Esmeralda, Salve Estrela-Guia, Salve Samira, etc, que são os nomes dos ciganos que se encostam a essa reunião. Cada um deles tem características diferentes. Estrela

Guia cuida do ouro e do amor, Samira das crianças, e por aí vai. Eis que depois de todos estarem presentes, um dos ciganos ajoelha em frente à mesinha no centro, pega a água, estrala os dedos algumas vezes, fala coisas que eu não consigui ouvir, molha a mão e espirra a água nas frutas e flores, faz mais alguns gestos e volta para seu lugar. Helena me explica que ele está energizando aqueles elementos, que serão dados às pessoas que forem se consultar. “Eles só trabalham com os elementos da natureza, fazem cura através de chás e banhos, ervas, flores e frutas”, disse a orientadora. Outro detalhe que percebi, foi que atrás de cada um deles, havia umas mesinhas pequenas, com incensos queimando, um maço de cigarros, perfume, taças decoradas com correntes,

Alegoria de santos e “divindades” que forma o altar de umbanda: mescla da cultura indígena, afro e cigana, há espaço para várias visões de mundo, mas o objetivo é fazer o bem


medalhinhas e uma garrafa de vinho. Logo vejo todos os ciganos fumando, tomando o vinho e borrifando os perfumes. São acessórios que eles utilizam também como símbolos da cultura e energia cigana. Helena anuncia que eles já podem receber as consultas. Cada pessoa que pegou uma senha antes de entrar na reunião vai, por ordem, falar com o cigano que mais tem afinidade. Enquanto isso, os auxiliares da reunião, que ficavam ali na área dos médiuns, ligaram um rádio que só tocava Gipsy Kings, para completar o clima. Ali do meu lado, Estrela Guia batia o pé bem forte no chão e chacoalhava um círculo do tamanho de uma pulseira, com umas moedas penduradas. Entre uma

batida e outra, ela foi até a cesta de frutas, pegou uma manguinha bem bonita e estendeu-a na minha frente. Fiz um gesto com a mão, sinalizando educadamente que não queria; ela sorriu, fez que sim com a cabeça e insistiu: “É pra você”. Então peguei a fruta e fiquei com ela nas mãos. Helena se aproximou, chamou Estrela e disse que eu estava ali fazendo uma reportagem. Estrela balançou a cabeça, como quem estava entendendo, e disse em bom portunhol: “Coma essa fruta e faça um pedido, vai comendo e pedindo o que quiser”. E voltou em seu lugar. A orientadora me disse que isso foi um presente deles para mim e que se eu não

quisesse comer, era para deixar em um jardim aberto e bonito. E assim foi acontecendo. As pessoas conversavam, contavam seus problemas, pegavam o presente do cigano e iam embora. Não havia só adultos. Duas crianças participavam inclusive da roda de médiuns. Um deles, Caíque, tem sete anos e toca atabaque em outras reuniões. “Eu venho todos os dias. E também toco chocalho que a minha mãe fez e meu pai preparou”. Um menino super esperto e de presença, sem deixar de ser infantil, contando pra mim das aventuras no dentista e do dente que caiu. Enfim, o que pude levar dessa experiência é que na Umbanda forma-se uma comunidade. Particularmen-

te nesse centro que eu fui, a filosofia não impede que os frequentadores pratiquem outra religião. Joselaine L. S. disse que frequenta missas, além de participar das reuniões da Umbanda. “Vai sair uma excursão que eu estou fazendo, para uma missa lá em Nossa Senhora Aparecida, nesse sábado, se Deus quiser”, disse a praticante que também afirmou “A gente sai daqui (do centro) com a energia mais leve, é essencial pra mim”. Helena ia se despedindo das pessoas, disse que eu poderia ir embora se quisesse e fechou o assunto dizendo: “E aí, o que achou? Nada de mais, não é? Aqui nosso lema é sempre construir e nunca destruir. O mau não chega”.

Quem são os orixás? Conheça o que cada Orixá representa:

recria a vida. Dona dos pântanos.

Exu: Combate as magias negras, é o grande guardião das estradas e encruzilhadas.

Oxalá: Pai de todos, permitiu que os Orixás escolhessem seus domínios. Dono do céu, do ar, de rios e montanhas.

Iansã: É a mulher guerreira da tempestade, dona dos ventos e raios. Iemanjá: É a mãe dos orixás e dos humanos, fortalecendo e criando a todos. Rainha do mar. Nanã: É a responsável pela reencarnação, cuida do corpo dos mortos e

Xangô: Resolve impasses e é o grande líder de seu povo. Domina a montanha, o raio, trovão e as pedreiras. Ogun: O guerreiro que abre caminhos e executa a lei. Dono dos caminhos, estradas e de tudo que é feito de ferro.

Oxóssi: Trabalha com cura e é protetor dos animais. Orixá das matas e florestas, é o caçador. Obaluayê: Divide com Iansã o poder sobre os mortos. Tem o poder de levar as doenças embora. Oxum: Orixá da beleza e do ouro, soberana nos campos da sedução e da esperteza, responsável pela gestação. Dona das cachoeiras e rios. Obá: Dispensa a devoção masculina. É respeitada pelas mulheres, pois é a

justiceira delas. Ossaim: Trabalha com as ervas, tem domínio sobre elas, conferindo-lhes a força da cura. Domina as matas virgens. Oxumaré: É o orixá da abundância e da fertilidade. Tem o domínio da geração da vida. Logunedé: É o filho de Oxóssi e Oxum. Rege os adolescentes e domina as cachoeiras, matas, florestas e rios.


Umbanda ou candomblé? A mesma coisa? Flávia Rosa Umbanda e Candomblé são duas religiões respeitáveis, porém tão distintas quanto o protestantismo e o catolicismo. Aos olhos do leigo, Umbanda e Candomblé são duas formas de denominar um mesmo culto. Mas, na verdade, são duas religiões distintas, unidas apenas pelas roupas, atabaques e pelo uso do transe mediúnico. A começar pelas origens, o Candomblé é uma religião africana que existe desde os tempos mais remotos daquele continente e foi trazida para o Brasil através do fluxo da escravatura.

Escravos de diversas tribos e nações Africanas continuaram a cultuar no Brasil os Orixás negros, suas divindades, e estiveram na origem da criação das chamadas “Casas de Santo” (Ilê), onde continuaram com os seus rituais e preceitos africanos. As diversas origens das tribos, e as diversas regiões do Brasil onde se implantaram, deram origem às diversas Nações do Candomblé, onde o Ketu é tido como o mais tradicional. A Umbanda é até ao momento, a única religião criada no Brasil, e sofre influências de várias outras religiões, inclusive do Candomblé, de onde tirou

a forma de vestir dos médiuns, o uso dos atabaques e a nomenclatura dos Orixás – adotando também para estes Orixás cores diferentes das utilizadas no Candomblé. A Umbanda portanto, advém do sincretismo católico e afro, necessário numa época de grande repressão das religiões africanas no Brasil, em que era proibido o culto dos Orixás na sua forma de origem, e esta adaptação tornou-se necessária. No Candomblé os cânticos são em línguas africanas (Iorubá ou Banto), dependendo da nação de origem daquele grupo. Os cânticos da Umbanda são em português. No Candomblé o culto é voltado

unicamente aos Orixás que são considerados deuses e não espíritos. Na Umbanda trabalham com espíritos como caboclos, pretos-velhos e ciganos, entre outros. No candomblé, só os Orixás podem provocar a possessão; a nenhum espírito que tenha tido vida na terra, é permitido este fenômeno. Na Umbanda é permitida a incorporação de qualquer tipo de entidade. “É preciso que reconheçamos e respeitemos as diferenças regionais do Candomblé, mas devemos também separar as coisas. O Candomblé Ketu tradicional não cultua pombagira, que é uma entidade comum em alguns terreiros, muito provavelmente por influencia da Umbanda. Convém desfazer a confusão entre Exús (entidades) e Exú (Orixá). Os primeiros que muitas vezes possuem nomes que ressaltam características negativas e assustadoras, (…), são entidades que devem ser respeitadas, que tem o seu valor, mas que não pertencem, de fato, ao Candomblé, cabendo à Umbanda (ou a quem as cultua) explicar as suas origens e funções.” (L. Candomblé A Panela do Segredo-84)


Homeopatia

Um presente da natureza para a saúde. Tratamento traz benefícios para o corpo e a mente. Jéssica Ferrari Desde 1979 uma nova arte de curar passou a constar no Conselho de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira: a homeopatia. Com seus princípios, ideologias, paradigmas conceituais e métodos, essa medicina ainda gera dúvidas quanto à eficácia, mas também ganha novos adeptos a cada dia e já faz parte das rotinas de atendimento até do Sistema Único de Saúde (SUS) do país, sendo estabelecida como política de Estado.

maior à homeopatia”, conta a Médica Pediatra e Homeopata, Dra. Norma Honda. Para a homeopata

muitos anos a homeopatia recebeu respeito e crédito da ciência e do mundo leigo,

Claudia Meirelles, o tratamento já conquistou seu espaço, mesmo que sua comprovação não seja na lógica da ciência convencional. “Há

pois cura doenças, mexe com a qualidade da saúde e resgata a visão holística do organismo”, explica.

História Trazida ao Brasil pelo médico francês Benoit Jules Mure, em 1840, a alternativa hoje é chamada de medicina integrativa, possui cursos de formação em universidades e é utilizada também por médicos veterinários e odontológicos, além de farmacêuticos e psicólogos. “Felizmente a população já possui um nível de aceitação

A indicação para o tratamento homeopático pode vir da falta de sucesso no uso dos medicamentos químicos, como no caso da autônoma Vera Lúcia do Nascimento Horn, que sofria com as constantes crises de enxaqueca. “A homeopatia me ajudou muito. Eu era muito dependente de remédios que algumas vezes não resolviam o meu problema. Na homeopatia, passei a usar medicamentos que respondiam ao meu corpo muito bem”, conta. Vera Lúcia conheceu a homeopatia através do sogro, que lhe indicou procurar um profissional da área. Com os bons resultados, Vera inseriu o tratamento na rotina de sua família, mas não abandonou os remédios tradicionais. “Hoje faço uso tanto da homeopatia quanto de analgésicos”, afirma.


Segundo a homeopata Norma Honda, não é preciso retirar os medicamentos químicos dos pacientes, o processo pode ser feito aos poucos, sem perder a eficácia. “Muitas pessoas que tomam de dez a vinte tipos de medicamentos por dia, também sentem os efeitos colaterais da homeopatia e conseguem reduzir o número de remédios”, explica. Para ela o importante é respeitar os pontos de vista de cada pessoa, não forçá-las a um tratamento que não estão acostumadas, esclarecê-las bem e esperar o tempo de cada um para uma mudança de vida. “É muito importante adquirir o dom de ouvir os pacientes, o que não ocorre mais na medicina atual”, alerta Norma. Conceitos e métodos A homeopatia é uma forma de enfermidades usando como ferramenta substâncias da natureza super diluídas. “Ela [homeopatia] é a arte de curar pelas leis da semelhança. Nós analisamos os sintomas e sinais do problema que o paciente apresenta e o remédio homeopático que corresponda a essas características. Por isso há diversos remédios para vários tipos de tosse”, explica Norma. Para ser um remédio homeopático, Claudia Meirelles conta que a substância deve ser capaz de produzir no homem aparentemente sadio, sintomas semelhantes aos da doença que se preten-

O tratamento homeopático já conquistou seu espaço no Brasil, mas ainda gera dúvidas, é pouco compreendido e também sofre preconceito

de curar num determinado caso. “Essa coincidência de sintomas existentes no doente e o seu reconhecimento no medicamento caracteriza a ‘Lei da semelhança’, fundamento capital da prática homeopática”, diz. A individualização proposta pelo médico homeopata ao seu paciente é baseada em todos os seus sinais e sintomas característicos, como afirma Claudia. “A homeopatia direciona sua ação ao bem estar físico e mental e paralelamente pode propor o ajuste de seu paciente através de coadjuvantes como fitoterapia, orientação dietética, atividade física direcionada, mudança de hábitos, florais de Bach, medicina ortomolecular, programação neurolinguística e outra inúmeras alternativas para ensinar o organismo a trabalhar a favor de si mesmo”, conta.

Para Norma, a homeopatia é uma medicina curativa e de forma rápida. “As pessoas costumam pensar que é ela [homeopatia] é um tratamento demorado, mas não é”, afirma. A homeopata Claudia Meirelles ainda vai além na definição do método e afirma: “Ciência e Eficiência se misturam na definição da homeopatia, cujo caminho conquistado é hoje irreversível.” O tratamento Segundo a Dra. Norma, qualquer pessoa, de qualquer idade, com qualquer patologia - seja doença aguda ou crônica – pode aderir a homeopatia. “Mesmo doenças graves podem ter tratamentos paralelos com a alopatia. Tendo-se um bom senso, podemos tratar de qualquer doença. Mesmo uma pessoa que já toma muitos medicamentos pode ter a energia vital equilibrada”, afirma. Diferente dos medicamentos químicos, a homeopatia procura agir também na parte psicológica da pessoa. “Faço tratamento para ajudar o estado emocional e melhorar o aspecto imunológico dos pacientes, além de fazer uma orientação para uma alimentação mais saudável”, conta Norma. Com seu trabalho voltado a pediatria, Norma alerta que muitas doenças podem ter causas dentro da estrutura familiar da criança. Segundo ela, o maior beneficio da homeopatia é a medicina preventiva, que ajuda

na cura por inteira. “O que mais me fascina como pediatra é tratar do emocional da criança. Eu acabo trabalhando a dinâmica familiar, pois o problema da criança não é isolado, depende do meio que ela vive e das pessoas que cuidam dela. Acabo tornando-me uma médica de família”, conta. Linhas da homeopatia - Unicismo: Prescrição de um único composto homeopático. - Pluralismo: É chamado também de alternismo, dois compostos homeopáticos administrados em horas distintas, um complementando o outro. - Complexismo: São prescritos dois ou mais compostos homeopáticos que podem ser administrados simultâneamente. - Organicismo: O composto homeopático é prescrito conforme o órgão doente. Esta prática aproxima-se muito da alopatia.


Consciência negra Uma vitória contra o preconceito

Câmara da Estância Turística de Itu, Givanildo Soares da Silva, sobre a lei implantada na nossa cidade Qual o principal Motivo para trazer este feriado para nossa cidade? Quebra de preconceito, para a própria reflexão do povo, que todos podem independente da sua cor ou raça.

Flávia Rosa

O

Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Sua data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi

dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão, e, com isso, mostrar a todos a importância de se desenvolver o não preconceito diante de cada um. O Trilhos conversou com o vereador e presidente da

Como foi o processo de aceitação e execução do projeto? Fui aceito por unamidade na câmara, todos os vereadores foram a favor a este dia de consciência negra. O seu primeiro ano foi colocado em pratica no dia 20 de novembro de 2005 em um domingo. Esse feriado representa algo em especial para você? Sim, pois sou adotado e uma irmã minha é negra, e quando pequeno vi como era o seu tratamen-

to e nunca achei correto, pois somos todos iguais. Por isso quis trazer este feriado para nossa cidade para mostrar que o “Preconceito esta dentro da gente”. Você acha que com o feriado a uma conscientização contra o preconceito ou é o próprio preconceito? Sim ele é contra o preconceito, pois mostra que todos somos iguais. E que temos como propósito de mostrar a todos que existe uma conscientização. Quando foi decidido o feriado na cidade? 13 de maio de 2005. Sendo que ocorre a sete anos consecutivos uma festa no ginásio da cidade nova, com o propósito de unir a todos independente de raça ou cor. No ano passado havia 20 mil pessoas. O ingresso é um quilo de alimento não perecível. 6- Qual a sensação de saber que um projeto seu foi aprovado? Uma grande satisfação, uma vitória contra o preconceito. Pois ninguém tinha coragem para fazê-lo, eu mudei isso.


A cidade Vale do Sol Thaís Lopes

A Cidade Cinema. Roma Brasileira. Onde tudo é grande. Assim é conhecida uma das cidades do interior de São Paulo, Itu. Mas o que estes jargões têm em comum? Estamos falando da mesma cidade. Uma cidade do interior mas que cresceu historicamente por causa dos seus fatos ocorridos. Como o eixo histórico, onde os turistas passam por pontos marcantes de Itu e se relacionam com os acontecimentos de uma época de impérios, realezas. Já a fama de Roma Brasileira é por causa das igrejas em estilo barroco as quais, em cada ponto da cidade, podem ser encontradas. E, enfim, a cidade Vale do Sol. Por quê? Pode ser que alguns já tenham escutado falar, mas poucos sabem

por que de tal significado. Explicando: a cidade foi cenário de muitas produções do cinema nacional, pois era utilizado a luz do sol, que se tornava de muito bom grado para as filmagens. Paulo Rodrigues, dirigente do Cineclub Osvaldo de Oliveira e estudante de cinema, relata que foi no século XX que Itu teve suas principais (por serem as primeiras) produções. Trata-se de imagens que desapareceram, embora no núcleo de cinema de Itu exista algum registro dessas e de algumas outras produções dos anos 30, 40 e 50, como disse Paulo. O cineclube Osvaldo de Oliveira surgiu para capturar e guardar essa memória e leva o nome de um dos cineastas das época, que em

1978 juntamente com dois críticos cineastas, fizeram um curtametragem histórico - A convenção de Itu em formato 35 minutos. Outra explicação para o apelido “Vale do Sol” é o pôr-do-sol da cidade, bem como fazendas, clima quente e sol forte, que facilitaram muito para as filmagens. O que motivou os produtores, naquela época reunirem as produções aqui! Um caso marcante foi o seriado ‘O vigilante rodoviário’, que se passava inteiramente em Itu, quando as cenas ligavam gravações externas, por conta da luz forte. Foi uma série exibida na TV Tupi, na década de 60, no qual foi dirigido pelo cineasta Ary Fernandes, que trouxe como tema a polícia militar, em que faz uma criação de um herói 100% brasileiro e também pela simpatia que a popu-

lação tinha na época por aquela segurança. Ainda como Vale do sol, Itu conquistou vários filmes nacionais populares, do tipo cangaço, banguebangue (filmado em fazendas) e até produções nostálgicas. Recentemente, o roteirsta Renato Benedetti, atual dono da rádio Convenção, concluiu seu filme “Bento da Caridade”, que narra a vida de padre Bento Dias Pacheco, que nasceu em Itu, na fazenda da Ponte. Nessa minissérie, o religioso abre mão de todo o dinheiro da família para cuidar dos doentes, com hanseniase. Uma história real, com traços cinematográficos que o Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes, localizado na região do Pirapitingui, pôde assistir no dia 27 de setembro, gratuitamente.

Cena do filme Bento da caridade, de Renato Benedetti


Gênio completo

Ator, roteista, letrista, poeta. Mário Lago foi um homem gentil e um artista completo que, em 2011, completaria 100 anos. Jaqueline Sevilha

M

ário Lago nasceu em 26 de novembro de 1911, no Rio de Janeiro e durante toda a sua vida, passou muito longe de ser uma pessoa comum. Ele foi ator, produtor, diretor, compositor, maestro, violinista, radialista, jornalista, escritor, poeta, autor de teatro, cinema, rádio e TV, frasista, militante sindical, ativista político e torcedor do Fluminense. Foi criado no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, formou-se em direito e nunca exerceu a profissão. Sempre teve uma paixão pela arte. Seu primeiro poema foi publicado aos 15 anos e seu envolvimento com a televisão começou em março de 1933, como autor teatral. Sua estreia como letrista de música popular foi com “Menina, eu sei de uma coisa”, gravada em 1935 por Mário Reis. Suas composições mais famosas são “Ai que saudades da Amélia” e “Atire a primeira pedra”, ambas em parceria com Ataulfo Alves; “É tão gostoso, seu moço”,

Mário Lago, em caricatura

com Chocolate, “Número um”, com Benedito Lacerda, o samba “Fracasso” e a marcha carnavalesca “Aurora”, em parceria com Roberto Roberti, que ficou marcada na interpretação de Carmen Miranda. No rádio, Mario foi ator e roteirista, escreveu a radionovela “Presídio de Mulheres” e depois atuou na Rede Globo em no-

velas como “O Casarão”, “Nina”, “Brilhante”, “Elas por Elas” e “Barriga de Aluguel”, entre outras. Em 1957, esteve na União Soviética, pela Rádio Moscou, participando do programa Conversando com o Brasil e foi tema do desfile da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz em 2001. Em dezembro de 2001,

recebeu uma homenagem especial por sua carreira durante a entrega do Troféu Domingão do Faustão, que apenas falava sobre os grandes nomes da teledramaturgia. Em 2002 teve a Ordem do Mérito Parlamentar entregue em sua residência pelo próprio presidente da Câmara, Aécio Neves. Mário disse uma vez: “Estou escrevendo minha biografia, fiz um acordo com o tempo, nem ele me persegue, nem eu fujo dele”. Mário morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade, de efisema pulmonar, deixando quatro filhos, frutos de seu casamento com Zeli Cordeiro Lago. O velório foi no palco do Teatro João Caetano. Mário Lago foi um exemplo de força, determinação, inspiração profissional e inteligência. Com certeza merece ser lembrado durante muitos anos. Este ano, Mário Lago completaria seus 100 anos. De modo inquestionável, o Brasil sente ate hoje essa grande perda.


Crítica

Crítica com sarcasmo

Filme cult, Obrigado por Fumar é exemplo de lobby, imagem organizacional e muita ironia na crítica à Indústria do Tabaco. Jéssica Ferrari Ter bons argumentos é fundamental para construir uma boa imagem organizacional. Não basta apenas tentar manter as aparências, é preciso estar preparado para superar uma crise a qualquer momento. E isso, pode ser resolvido com a experiência e aprendizado de apenas uma pessoa: o porta-voz. Essa importante profissão se materializa no papel de Aaron Eckhart no filme “Obrigado Por Fumar”, do diretor Jason Reitman, onde o ator interpreta Nick Naylor, um representante das grandes empresas de cigarro. Na narração, Nick utiliza todo seu potencial natural de comunicação e pensamento rápido para defender os direitos dos fumantes. Os argumentos muitas vezes surgiam dos próprios atacantes de suas ideias, que perdidos em falas constantes do porta-voz, acabavam abrindo brechas para que ele os confundissem e utilizassem suas próprias ideias contra si mesmos. Sem respostas na maioria das vezes as organizações contra o tabagismo se calavam e o público alvo, os

consumidores, se convenciam da ideia de Nick. Uma maneira de desviar a atenção da empresa em questão, para os problemas dos atacantes. Como grandes empresas, não são só os produtos que devem possuir um controle de qualidade, mas também toda sua cultura organizacional deve ser bem vista pelos consumidores. Afinal, ninguém gostaria de descobrir que o fundador da SOS Mata Atlântica não recicla o lixo produzido por sua família. Se fosse verdade e caísse na “boca do povo”, com certeza toda a ideia de sustentabilidade e responsabilidade ambiental viria por água abaixo. Não é? Por tanto, aquela velha frase “faça o que eu falo, mas não o

que eu faço “ não pode de maneira alguma ser seguida pelas principais hierarquias de uma empresa, e se forem, devem ser muito bem camufladas das mídias. Ai que entra novamente o porta-voz na história. Ele tem que ser capaz de esconder, driblar ou até achar um modo de afirmar a verdade sem que ela soe negativamente nos ouvidos do público. Durante o “Obrigado Por Fumar”, Nicki passa por esses momentos com uma certa facilidade, pois já possui uma espontaneidade em sair de situações utilizando os bons e fortes argumentos. Mas na vida real, infelizmente ou felizmente, nem todos os porta-vozes escolhidos são assim. Para ensinar a eles essa habilidade pode de-

morar um tempo, por isso é preciso escolher o aquele que contenha as características principais para essa área da comunicação e que conheça bem a empresa que representará. No fim, pode valer muito a pena o investimento. Nick é capaz de investir milhões em uma campanha que julgue seu produto, mas lucrar mais que o dobro somente por se mostrar preocupado com a ação. Uma jogada de marketing empresarial e modestamente, para ele, de mestre! Você já parou para pensar que quando criança você nunca conseguia algo de seus pais se não argumentasse ou fizesse uma certa “chantagem emocional”? Pois bem, isso já pode te ajudar a entender melhor como funciona esse mundo dos porta-vozes. Não que toda empresa precise contra-atacar, há aquelas que não chamam a atenção dos consumidores. Mas vá que um engraçadinho não goste da nova embalagem do seu papel higiênico e decida postar sua indignação no facebook? Você vai estar preparado para responder corretamente a onda de pessoas que acreditarão nos argumentos dele? Pense nisso!


Artigo

Não desperdice uma dádiva Luís Felipe Conte Qual o valor da vida? Até onde podemos brincar com o maior bem que temos? Será que a valorizamos? Viver intensamente significa correr riscos? As perguntas acima surgem sempre que alguém passa por um momento em que a dádiva – alguns preferem chamar de presente ou graça – que Deus nos concede corre risco de deixar de existir. Tal risco, quase sempre, acontece por imprudência (principalmente com a mistura de bebidas alcoólicas e direção), por não valorizar a vida e não saber que por qualquer vacilo – próprio ou não – tudo pode simplesmente acabar. Acabar! Tudo que foi dito parece “lorota”, papo de mãe ou coisa parecida. E essa tese de as pessoas nunca acreditarem que pode acontecer com elas apenas se fortalece a cada dia que irresponsabilidades são praticadas sem nenhuma consequencia. Não em curto prazo. Para exemplificar, um relato pessoal: Vinte e dois de julho, nunca vou esquecer esse dia. Passar a tarde toda tomando uma cervejinha gelada com os amigos, sem pressa e nem horário pra ir embora, não tem preço. Estávamos

em um dos maiores restaurantes da cidade, bebendo e comendo a vontade durante horas, mas ainda não era o bastante. Havia uma festa das grandes me aguardando a noite. Festa essa do clube de futebol que mais cresce na cidade, do qual acumul car-

peguei dinheiro no caixa e junto com um parceiro sai na busca desenfreada por quilos de pedras de gelo. Rapidamente a “iguaria” foi encontrada e comprada, numa conveniência de um posto de combustível da cidade.

gos de diretor e jogador. A música era boa, as companhias eram ótimas, as comidas deliciosas e a bebida incrivelmente gelada. Nada disso podia mudar, nada podia comprometer o sucesso da festa. Acabou-se o gelo e com o seu fim surgiu o que não pode acontecer de forma alguma com a bendita cerveja, esquentar. Prontamente

Até então, nada de anormal, dirigir depois de inge rir bebidas alcoólicas pode, não é? Basta ir devagarzinho, com cuidado, que não “dá nada”, é o que se pensa, mas vamos continuar. Sacos e mais sacos de gelo comprados, bastava voltar e jogar tudo em cima das incontáveis latas de cerveja e algumas águas e refrigerantes.

Saindo da conveniência, velocidade do carro começou a aumentar e nada mudará. Nada mudou mesmo, até acordar algumas capotadas depois, dentro de um córrego da cidade, com a coluna fraturada, correndo risco eminente de paraplegia – faltaram dois milímetros – e com um parceiro preso nas ferragens do carro. O objetivo do relato não é impressionar com uma história de acidente de trânsito. Hoje, o autor que vos fala e seu parceiro estão bem, sem lesões permanentes, mas por pouco não estariam aqui pra contar a história. A recuperação da fratura da minha coluna durou três longos meses numa cama, com movimentos limitados e família e amigos muito preocupados com o que poderia acontecer, tudo por conta de uma bobagem, idiotice, irresponsabilidade pura. Ao outro ocupante do veículo, nada aconteceu. Sonhe, lute, alcance, namore, perturbe, seja sincero, chore com vontade de sorrir, ria com vontade de chorar, sinta que é capaz, conquiste muitas derrotas. O importante é não deixar de sonhar, não deixar que a irresponsabilidade de um momento, destrua toda sua vida, todo seu futuro.

Trilhos Urbanos - Novembro 2011  

Jornal-laboratório dos alunos do 6º semestre de jornalismo da Uniesp Itu.

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