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Cicloviagem Natal - Fortaleza O Brasil nĂŁo conhece o Brasil

Paulo Mendes 2016


Cicloviagem Natal - Fortaleza O Brasil nĂŁo conhece o Brasil

Paulo Mendes 2016


Copyright Š 2016 by Paulo Mendes. Todos os direitos reservados. Foto da capa: Praia brasileira entre Natal e Fortaleza. Š 2016 by Paulo Mendes.


Trajeto

Trajeto pedalado entre Natal (RN) e Fortaleza (CE) - 640 km.


Apresentação Este pequeno folheto traz informações e fotografias sobre a cicloviagem que fiz com dois amigos, de Natal até Fortaleza, entre os dias 19 e 26 de março de 2016. A distância total pedalada foi de 640 km em 8 dias. O grupo foi composto por Paulo Rafael, Moysés Emery e Valdir Prazeres. Nosso trajeto foi: Natal - Rio do Fogo (RN) - 90 km Rio do Fogo - Caiçara do Norte (RN) - 100 km Caiçara do Norte - Galinhos (RN) - 30 km Galinhos - Ponta do Mel (RN) - 100 km Ponta do Mel - Tibau (RN) - 60 km Tibau - Canoa Quebrada (CE) - 74 km Canoa Quebrada - Morro Branco (CE) - 87 km Morro Branco - Fortaleza (CE) - 98 km


Na sexta-feira, 18 de março, nós três nos encontramos em Recife, com nossas bagagens e bicicletas e seguimos de carro para Natal. Passamos a noite em um hotel simples, confortável, Hotel du Suisse, na Ponta Negra em Natal. Esse hotel dispõe de uma pequena área junto à recepção onde se pode deixar as bicicletas com segurança. Nossa intenção foi pedalar pelas praias, quando a maré permitisse, e o mais perto possível, por estradas de terra ou com calçamento, quando a maré estivesse cheia. A seguir, o relato cotidiano da viagem.


Natal - Rio do Fogo (RN) 90 km - sรกbado

Trajeto entre Natal e Rio do Fogo (RN) - 90 km.


Café da manhã no Hotel du Suisse. Eu não estava bem, vinha enjoado desde o dia anterior, tomei apenas um suco no café da manhã. Meus colegas ciclistas não acordaram tão cedo quanto o necessário para aproveitar a maré baixa. De fato, em todo o percurso, a demora em acordar e sair dificultou um pouco nosso trajeto pelas praias, pois a gente não conseguia aproveitar todo o período de maré baixa. Pedalamos pela orla da Ponta Negra e depois pegamos a ciclovia da avenida que segue o litoral. Paramos no topo da ponte que liga Natal à Redinha para admirar a paisagem. Havia golfinhos na embocadura do rio. Depois da ponte, paramos no posto de gasolina para reabastecer. Fui ao banheiro e vomitei. Passei a me sentir um pouco melhor depois disso. Seguimos pelo asfalto até as dunas de Genipabu, onde começamos a pedalar pelas praias. Cruzamos o rio Ceará-Mirim nas pequenas balsas que atravessam os buggies. Seguimos por asfalto, mas logo retornamos à praia. Entre Jacumã e Muriú, fomos por dentro, pois havia pedras e não dava para passar pela praia. A maré estava subindo. Depois de Muriú, continuamos pela praia até a Barra do Maxaranguape, mas empurramos as bicicletas no último quilômetro, a maré estava cheia. No ano anterior, eu cruzara o Maxaranguape a pé, carregando a bicicleta. Desta vez, a maré estava cheia. Cheguei ao rio, deixei bicicleta, equipamentos e documentos na margem e tomei um bom banho de rio-mar. Os colegas chegaram e entraram na água. Nadei até a outra margem e fui até os barquinhos dos pescadores. O primeiro pescador que encontrei cuidando de sua jangada concordou em nos ajudar a cruzar o rio.


Voltei, nadei de volta até os colegas e ficamos tomando banho. O pescador veio com sua jangada de madeira. Um homem magro e forte, setenta e poucos anos, Seu Nenê passa até dois dias pescando no mar. Ele atravessou uma bicicleta de cada vez, pois seu barquinho estava cheio de anzóis do meio para a frente. Depois da travessia, almoçamos peixe em uma das barraquinhas próximas ao rio. Era uma família que cuidava da barraquinha e que, também, comia e bebia lá naquele momento. Eles nos atenderam com simpatia e ainda providenciaram uma mangueira para lavarmos as bicicletas. Depois do almoço seguimos pelo asfalto, que logo se transformou em estradas de terra, até Maracajaú. Paramos para um breve reabastecimento e logo atravessamos a região de dunas próxima. Passamos pela entrada de Pititinga, por dentro de Zumbi, pela região das usinas eólicas e logo chegamos ao asfalto que leva a Rio do Fogo. De lá, seguimos pela estrada de terra até a praia de Perobas, onde ficamos na Pousada do Vozinho. Larguei a bagagem e a bicicleta na pousada e fui tomar um banho de mar. Excelente pousada e excelente atendimento do próprio Vozinho, que se chama, na verdade, Lavoisier. Vozinho é muito prestativo e cuida de tudo pessoalmente. Ele colocou mesas e cadeiras no gramado na frente dos quartos, e pudemos tomar cerveja e comer algum petisco. Mais tarde, Vozinho serviu o jantar ali mesmo, lagosta, peixe e outras delícias.


Rio do Fogo - Caiçara do Norte (RN) 100 km - domingo

Trajeto entre Rio do Fogo e Caiçara do Norte (RN) - 100 km.

Manutenção nas bicicletas de manhã, lavagem e lubrificação. Naturalmente, essa foi uma obrigação de todas as manhãs durante a viagem. Café da manhã na Pousada do Vozinho e saímos pedalando pela praia, pois a maré já permitia. Seguimos assim até o distrito de São José, antes de São Miguel do Gostoso. De São José, seguimos pela rodovia até Gostoso, pois a maré já subira.


Almoçamos peixe em um restaurante à beira-mar em Gostoso. Aproveitei para tomar um banho de mar. Depois do almoço, seguimos por estrada de barro vermelho repleta de costelas de vaca. Passamos pela bela praia do Suspiro da Baleia e continuamos. Passamos pelas localidades de Morro dos Martins e Acauã, onde paramos para água e picolés. Cometi um erro de navegação, deixei passar uma entrada à esquerda que nos levaria diretamente à cidade de Pedra Grande. Com isso, a estradinha que pegamos se afastava de Pedra Grande. Paramos em uma casa e pedimos orientação. O pessoal da casa achou melhor a gente seguir em frente e pegar uma próxima entrada à direita. Por fim, chegamos ao asfalto e, logo depois, à Pedra Grande, onde reabastecemos. O erro nos custou apenas um quilômetro a mais do que no trajeto do ano anterior, que eu fizera por Enxu Queimado. A estrada pelo Morro dos Martins economiza alguns quilômetros que nós perdemos depois. Mas o fato de ter pegado uma estrada errada sempre causa um estresse e fadiga maiores. Depois de Pedra Grande, só asfalto até Caiçara do Norte, onde ficamos no modesto Hotel Litoral. Depois do banho, fomos jantar em um restaurante self-service na vizinha São Bento do Norte.


Caiçara do Norte - Galinhos (RN) 30 km - segunda-feira

Trajeto entre Caiçara do Norte e Galinhos (RN) - 30 km.

Estava previsto que este seria um dia de pedal mais light, apenas 30 km exclusivamente pela praia, e o restante do dia para descansar e curtir Galinhos. Minha opinião é de que Galinhos é um lugar excepcional. Uma pequena cidade localizada em uma estreita península, um farol na praia, no extremo da península, mar e ventos fortes de um lado, um braço de mar calmo que se junta com rios da região, do outro lado. Só se tem acesso a Galinhos de barco, a partir do continente, ou pela praia, na maré baixa. Essa a razão da quase inexistência de automóveis na cidade. O transporte dos turistas é feito em charretes puxadas por jegues.


Pois bem, em Caiçara do Norte, nós tomamos o café da manhã em uma padaria próxima do hotel e partimos. Meus amigos demoraram para sair e nós pegamos a maré começando a encher, o que dificultou o trajeto. Pedalamos pela areia da praia, mas há longos trechos de pedras. Abaixo da faixa de pedras, a areia é dura, pedalável, mas só com a maré seca. Acima, a areia é fofa. A maré estava subindo e nós sofremos para atravessar os trechos de pedras. Eu estava novamente enjoado, e esse distúrbio gástrico me tirava a energia. Paramos em uma barraca de praia, junto à localidade de Galos, para tomar um refrigerante e conversar com o proprietário. Tomei um banho de mar e vomitei um pouco. Seguimos, chegamos à Galinhos e meus amigos seguiram até o farol na ponta da península. Eu estava fraco, já conhecia o farol, e preferi esperá-los na sombra à beira-mar. Depois que retornaram, pesquisamos algumas pousadas e encontramos uma bela pousadinha pintada de laranja, chamada Made in Aqui, administrada por um simpático casal de franceses, Sylvie e Pascal. Depois de instalados, procuramos um local para almoçar e encontramos um restaurante pequeno e agradável, chamado Frutos do Mar Slow Food, conduzido por um outro simpático casal de potiguares. Almoçamos uma peixada capixaba deliciosa, com cachaça Urca do Tubarão e cervejas. Nós havíamos passado por essa cachaçaria que fica perto de Touros (RN). Esse restaurante caseiro revelou-se um lugar excelente para comer, conversar com os donos, passar um par de horas muito agradável. Dediquei o final da tarde a tomar banho de mar e admirar o pôr-do-sol, enquanto meus amigos dormiam e perdiam aquela beleza. À noite, jantamos no restaurante de Sylvie e Pascal, no piso superior da pousada. Vinho e pizza, mousse de maracujá de sobremesa, e a conversa amena e interessante com o casal.


Galinhos - Ponta do Mel (RN) 100 km - terça-feira

Trajeto entre Galinhos e Ponta do Mel (RN) - 100 km.

Café da manhã na bela pousada. Conversei com a moça que preparava o café e ela me falou que não há maternidade em Galinhos, e que já houve casos em que mulheres tiveram seus filhos na beira do rio, enquanto esperavam um barco para o continente. Conversei com Daniel, o gerente da pousada, e ele nos indicou um barco para fazer a travessia para Guamaré. Há o barco da prefeitura, de graça, duas vezes por dia, mas, de manhã, ele sai muito cedo, às sete horas. Preferimos tomar


nosso café com calma, sair mais tarde e pagar pela travessia. Além disso, naquele dia não haveria necessidade de nos guiarmos pela hora da maré seca, pois o trajeto seguia longe do mar. Durante o café da manhã, ainda conversamos bastante com Sylvie. Enfim, partimos. No porto da cidade, encontramos logo o barco de Jairam, indicado por Daniel. Jairam usa cabelo rastafári e seu barco é pintado nas cores da Jamaica. Ele nos cobrou quarenta reais pela travessia. Ao descer no píer de Guamaré, encontrei com a moça da farmácia de Galinhos, que me havia vendido remédios no dia anterior. Nos cumprimentamos com alguma surpresa e ela me perguntou se eu estava melhor. Saímos de Guamaré em direção a Macau pelo asfalto. Não dá para ir pelas praias ou perto do mar, pois essa é uma região de mangues e rios. Não há muitos pontos de abastecimento nessa parte do trajeto. Passamos por um galpão e Moysés nos alertou para parar. Eu não havia percebido, mas o galpão era um restaurante. Entramos e perguntamos quanto era a água e o suco, pois havia uma daquelas máquinas em que o suco fica sendo mexido. As moças explicaram que aquele restaurante era exclusivo dos trabalhadores da Petrobrás, mas elas nos deram suco e água de graça. Fizemos nova parada pouco antes de Macau, em uma vendinha, para tomar refrigerantes e água. Em cada parada, sempre as perguntas “vêm de onde?”, “vão para onde?”, e um pouco de conversa sobre a vida local. Paramos, ainda, no moinho de vento antes de Macau, para fazer fotos. Entramos na cidade e fomos almoçar no mesmo self-service do ano anterior. Depois de alimentados e abastecidos, partimos para a segunda etapa daquele dia, as salinas. Cruzamos a ponte, seguimos pelo asfalto e logo entramos pela estrada de terra das Salinas Henrique Lages. É um percurso bastante interessante, pois pedalamos entre as lagunas das salinas e podemos ver o sal se formando. No galpão principal, uma montanha de sal sendo preparada para


embalagem e transporte. É necessário saber precisamente o caminho que leva até o rio, pois aquilo é um labirinto de lagunas de sal. Nesse local na margem do rio, há um barco da própria salina que faz a travessia de funcionários e de quem passar por lá. Cruzamos o rio, continuamos pelas salinas, encontramos uma laguna de sal rosa que foi devidamente fotografada. Adiante, saímos do território das salinas, continuamos por estradas de terra até que retomamos o asfalto. Terceira etapa do dia, seguimos contra o vento forte na direção de Porto do Mangue. Muito calor. Paramos para descansar em uma paradinha de ônibus na bifurcação antes da cidade. Conversamos um pouco com duas mulheres que lá estavam esperando uma carona até o centro, uma delas grávida. Seguimos e adentramos a região das dunas. Imensas dunas impulsionadas pelo vento se acumulam ao lado da rodovia e sobre o asfalto. Havia trechos em que sobrava livre da areia menos de meia pista da rodovia. Depois de vencido esse trecho de vento, areia e dunas, a rodovia volta a se aproximar do mar. Fomos até a praia, mas a maré ainda não permitia pedalar por lá, então continuamos pela rodovia. Enfim chegamos a Ponta do Mel. Encontramos quartos na Pousada Maré, um lugar muito agradável onde os quartos ficam em volta de um jardim com muitas árvores. A proprietária, Eliane, é uma pessoa muito simpática. Depois de nos instalarmos, fomos até a praia para um banho de mar. Fiz uma caminhada pela praia até o centro e voltei. Faltava energia na cidade. Isso perdurou durante horas. Saímos para jantar em um self-service ainda com a cidade toda no escuro. Voltamos e nada de energia. A gente já se preparava para dormir na varanda, pois era mais ventilado que nos quartos, quando a energia voltou. Ainda dormi parte da noite na varanda, mas o vento parou após determinada hora e continuei o sono no quarto.


Ponta do Mel - Tibau (RN) 60 km - quarta-feira

Trajeto entre Ponta do Mel e Tibau (RN) - 60 km.

Café da manhã e conversa com Eliane, a proprietária da Pousada Maré. Ela nos mostrou parte de sua casa, que foi planejada por ela mesma, junto com os pedreiros. Na sala, um enorme vitral que ela encontrou em uma loja de demolições de Fortaleza. Para acomodar o vitral, ela fez uma sala com um belo pé-direito duplo.


A maré permitia e, logo após o café da manhã, iniciamos o pedal pela praia. Seguimos até bem perto de Areia Branca, onde saímos da praia e entramos pela cidade. Fomos a uma farmácia, pois Moysés estava com forte dor na articulação do cotovelo. Depois de medicado, fomos para o porto e entramos na balsa que faz a travessia para Grossos. Já dentro da balsa, vimos um barquinho que fazia a travessia de pessoas para o mangue no outro lado do rio. Saímos da balsa e acenamos para o barquinho que veio nos buscar. Para nós, o barquinho seria melhor que a balsa, visto que Grossos fica bem no interior do continente, subindo o rio, e a gente seria obrigado a voltar até o mar, contra o vento. Indo com o barquinho, a gente estaria bem perto da praia. O dono do barquinho e duas meninas que também iriam atravessar nos disseram que a areia do mangue no outro lado era dura e daria para pedalar até a praia. Atravessamos e realmente conseguimos pedalar naquela região de mangue. Apenas pequenos e raros trechos eram moles e afundantes. Atingimos a praia e a maré ainda permitia o pedal na beiramar. Continuamos até a Capela de São José, o mar estava subindo, e pegamos o asfalto, entrando na periferia de Tibau, que é chatinha de percorrer. Casas e mais casas em sucessão, sem permitir a vista do mar. Chegamos ao centro e descemos até a praia do Ceará, paramos no restaurante Rainha do Mar e almoçamos. Tomei um bom banho de mar na praia em frente ao restaurante. Propus que encerrássemos o dia ali mesmo, em Tibau, mais cedo, para que Moysés pudesse se recuperar melhor, visto que o planejamento original era dormir em Icapuí. Encontramos uma boa pousada no alto da cidade e nos hospedamos. À noite, comemos em uma lanchonete do centro.


Tibau - Canoa Quebrada (CE) 74 km - quinta-feira

Trajeto entre Tibau e Canoa Quebrada (CE) - 74 km.


Fizemos o trecho Tibau a Icapuí pela rodovia, para dar tempo da maré secar. Pouco depois de Icapuí, entramos na praia, a maré já permitia o pedal e o trecho seguinte é um dos mais belos do litoral, com falésias impressionantes. A paisagem não se repete. Há falésias de todas a cores e formas. Paramos em um bar da praia Redonda, para abastecer, conversar com pescadores e admirar a grande beleza do lugar. Parávamos constantemente, é verdade, pois o lugar é fantástico e a gente não se cansa de admirar. Paramos, ainda, em um rapaz que vende água de coco em uma praia deserta. Ele nos mostrou que ali mesmo, na areia da praia, existiam fontes de água doce. A água doce brota da terra e Valdir chegou, mesmo, a experimentar da água com um canudo. Pouco antes de Majorlândia, um pneu furado, de Moysés. Trocamos a câmara e seguimos. Ainda antes dessa cidade, almoçamos no restaurante Hora da Maré, na beira-mar, administrado pelo simpático Sr. João da Maré. Depois do almoço, maré cheia, seguimos por rodovia até Canoa Quebrada. Antes da entrada de Majorlândia, um cemitério com o seguinte aviso pintado junto ao portão de entrada: “Procure a chave com Zé Raimundo ou Dona Sandra. Observação: Não serrar o cadeado”. Apesar de ser praticamente feriado de Semana Santa, encontramos quarto na primeira pousada em que procuramos, a Lua Morena, no centro de Canoa, em cima de uma falésia à beira-mar. Conseguimos um quarto com vista fantástica para o mar e para a passarela que contorna a falésia. Passamos o final da tarde curtindo a piscina da pousada. À noite, passeamos e jantamos muito bem no restaurante Costa Brava, na rua principal de Canoa Quebrada.


Canoa Quebrada - Morro Branco (CE) 87 km - sexta-feira

Trajeto entre Canoa Quebrada e Morro Branco (CE) - 87 km.


A maré estava ainda cheia na hora da saída de Canoa, portanto fizemos um longo contorno por asfalto até Parajuru, onde conseguimos, então, pedalar pela praia com maré seca. Há várias pequenas vilas nesse trecho, de forma que pudemos nos abastecer sem problemas. Na praia das Fontes, pouco antes de Morro Branco, a maré já começava a subir. Paramos, tomamos banho de mar e de chuveiro, e almoçamos em um restaurante à beira-mar. Lá conhecemos um morador da região que veio ao restaurante para, apenas, curtir a vista e uma garrafa de cachaça artesanal da região. Ele ofereceu de sua cachaça e esta foi bastante apreciada por Moysés e Valdir. Depois do almoço, maré cheia, seguimos por dentro da vila e pegamos o asfalto até Beberibe e, depois, para Morro Branco. Depois de admirar a vista da praia a partir do Mirante, seguimos para o Labirinto das Falésias, também conhecido como Monumento Natural das Falésias de Beberibe. Este é um lugar impressionante e sui-generis. Ali, as falésias não conformam um único paredão frente ao mar, como ocorre habitualmente. Estas falésias foram escavadas, seja pelas águas ou pelos ventos, e há verdadeiros vales e caminhos entre elas, um real labirinto como diz o nome. Nós ainda tentamos pedalar nessa área, mas os guardas municipais nos alertaram que é proibido. Entretanto, permitiram que a gente passeasse por lá empurrando as bicicletas. Depois, retornamos ao centro e logo encontramos uma pousada. Era uma pousadinha simples, mas agradável, com piscina. Passamos horas naquela piscina, com direito a cervejas, queijos e pizza. Depois desse relaxamento, nosso trabalho foi apenas subir para os quartos e dormir.


Morro Branco - Fortaleza (CE) 98 km - sรกbado

Trajeto entre Morro Branco e Fortaleza (CE) - 98 km.


Há algumas travessias de rio difíceis a partir de Morro Branco, portanto preferimos fazer um trecho de rodovia, inicialmente. O trajeto pela rodovia foi relativamente fácil, há um bom acostamento. Nessa parte do trajeto, pudemos conhecer a maior rapadura do mundo, que está em exposição na lojinha de um engenho de cana-de-açúcar. Em Cascavel, apresentei a opção de entrar e chegar até a praia, mas decidimos seguir em frente até Aquiraz. Lá entramos, fizemos uma breve parada e conhecemos uma autêntica rendeira que estava trabalhando em frente de sua vendinha, e fomos almoçar à beira-mar, na praia do Japão, em um restaurante bem rústico. Comemoramos uma excelente viagem que começava a findar. Depois do belo almoço, maré quase cheia, seguimos por estradas de terra, inclusive passando pelos condomínios que dominam a praia no entorno do Beach Park. Rodovia novamente e entramos na estrada de Sabiaguaba, que conduz ao Rio Cocó e à praia do Futuro. Entramos em um restaurante e, dessa vez, comemoramos nossa efetiva chegada à Fortaleza. Daí em diante, seguimos lenta e cuidadosamente até a praia de Iracema, onde nos hospedamos no mesmo Hotel Abrolhos da viagem anterior. À noite, passeamos pelo calçadão da beira-mar e escolhemos um restaurante para jantar. No dia seguinte, fizemos a longa viagem de carro no retorno à Recife.


Cicloviagem Natal - Fortaleza  

Viagem de bicicleta pelo litoral do Nordeste do Brasil

Cicloviagem Natal - Fortaleza  

Viagem de bicicleta pelo litoral do Nordeste do Brasil

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