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Seja você a mudança que deseja ver no mundo


Carta do Rebe Lubavitch

Basta apenas um Setembro de 1964 - Brooklyn, N.Y.


Saudações e Bênçãos, Uma das principais características distintivas na criação do homem é que ele foi criado único, ao contrário de outras espécies que foram criadas em grandes populações. Isso indica enfaticamente que um único indivíduo tem a capacidade de trazer toda a Criação a sua plena realização, como foi o caso do primeiro homem, Adão. Tão logo foi criado naquele primeiro Rosh Hashaná, Adão chamou e reuniu todas as criaturas do mundo a reconhecer a soberania do Criador, conclamando: - Venham, vamos nos curvar perante D-us, nosso Criador, pois é somente através da submissão que um ser finito pode se apegar e se unir com o Criador e assim atingir a sua potencialização. Nossos sábios, de abençoada memória, ensinam-nos que o primeiro homem é o protótipo e o exemplo para todo e qualquer indivíduo a seguir: “Por essa razão, o homem foi criado único, a fim de ensiná-lo - uma pessoa equivale ao mundo inteiro”. Isso significa que todo judeu, independente de tempo, lugar e status pessoal, tem a capacidade (portanto também o dever) de subir e alcançar o mais alto grau de realização, e atingir o mesmo para a Criação como um todo. Isso contesta as alegações daqueles que não cumprem o seu dever com a desculpa de que é impossível mudar o mundo; ou que seus pais não lhes tinham dado a educação e a preparação necessárias; ou que o mundo

é tão grande e uma única pessoa é tão insignificante como se pode esperar realizar alguma coisa? O aniversário do primeiro e único ser humano proporciona o poder necessário para cumprir essa obrigação, pois nesse dia toda a Criação é rejuvenescida, com poderes renovados, como foi na primeira vez. Houve momentos em que a ideia referida, ou seja, a capacidade de um único indivíduo “transformar” o mundo, foi vista com ceticismo, exigiu provas etc. No entanto, justamente em nossa geração, felizmente, não precisamos muito para ser convencidos disso. Vimos como um indivíduo havia trazido o mundo à beira da destruição, mas pela misericórdia do Rei do Universo – “a terra manter-se-á firme, não cairá”. Se tal é o caso no reino do mal, certamente o potencial do indivíduo é muito maior no reino do bem, pois na verdade, a criação é boa em sua essência e, portanto, mais inclinada para o bem do que o contrário. Que D-us conceda que cada um de nós tome uma firme resolução de dar plena expressão ao espírito de Rosh Hashaná, como indicado acima, e que essas resoluções sejam realizadas na vida cotidiana ao cultivar a submissão a D-us em todos os aspectos da vida. Isso através do cumprimento dos mandamentos Divinos, em toda e qualquer circunstância, “Conhecê-Lo em todos os teus caminhos”, em extensão, também, para o seu ambiente.


editorial Que diferença pode fazer um único gesto, uma única pessoa, uma tentativa singela no mundo gigantesco e agitado que habitamos? Se é que faz, imagina-se que seja imperceptível. No entanto, os avanços contemporâneos nos trouxeram a uma época sem precedentes pela diferença que todo e qualquer indivíduo é capaz de fazer no âmbito global. Em tempos passados, apenas o czar ou o ditador alcançava as massas e definia a direção de desenvolvimento. O futuro estava guinchado às mãos de poucos. Somos privilegiados de viver em uma época em que os instrumentos de inovação e progresso cabem na palma da mão, possibilitando uma infinidade de opções. Para muitos, os novos dispositivos dispensam os ideais do passado e podem fazer com que se considere o legado judaico obsoleto. Mas o Rebe de Lubavitch viu a nova tecnologia como a limusine para a sabedoria antiga que finalmente chegou, onde a informação está ao alcance de todos e cada um possui as ferramentas adequadas para criar aquele mundo pelo qual ansiamos, o mundo de Mashiach. Seja você a mudança que deseja ver no mundo.

Rabino Mendel Liberow

LUBAVITCH M

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DIR. ASSISTENTE: Ricardo

Sondermann DIR. DE ASSUNTOS RELIGIOSOS:

Julio Ratzkowski RABINO: Mendel Liberow

DIR. DE PATRIMÔNIO: Daniel Ruwel

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CONSELHO EDITORIAL: Mimi Liberow e Rivka Liberow PRODUÇÃO EDITORIAL: Verde Comunicação Total Paulo Maia - MTB 14.228 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Emílio R. Martins Correção de texto: Cíntia Motta IMPRESSÃO: Impresul TIRAGEM: 4.000 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA


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ÍNDICE 14

26 você e o mundo

Onde menos se espera

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Você e o mundo

você e o mundo

Com um pé no futuro

Para não perder o jogo

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Você e o mundo

VIDA E SOCIEDADE

O mundo trocando as marchas

O drama das pinceladas

20 Você e o mundo

Nas mãos de cada um

22 Você e o mundo

Com a cara e a coragem

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38 VIDA E SOCIEDADE

Sobre bençãos e embalagens

40 COMPORTAMENTO

Sob medida, por você


42 COMPORTAMENTO

Todo ser humano não é igual

46 COMPORTAMENTO

O direito de não saber

54 PERSPECTIVA

Saiu no The New York Times

55 PERSPECTIVA

Só uma pitada

56 PERSPECTIVA

Cremação: Uma decisão irreversível

60 PERSONAGENS DA HISTÓRIA JUDAICA

Um entre a multidão

62 PERSONAGENS DA HISTÓRIA JUDAICA

Uma fonte que não seca

66 PERSONAGENS DA HISTORIA JUDAICA

A jornada da vida

70 RELATOS

My first big steps

74 RELATOS

Tirado do aconchego

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você e o mundo

COM UM PÉ NO FUTURO POR Tzvi Freeman

Os últimos cem anos, mais ainda os últimos cinquenta anos, e acima de tudo os últimos dez, criaram a necessidade ardente de pessoas que possam propor pontos de convergência. Vivemos em tempos inconstantes onde cada sinal aponta em uma direção diferente. Estamos cercados por tanta coisa - ideias, tendências, invenções e informações autoproliferantes. Precisamos de pessoas que façam tudo isso ter sentido, descobrindo uma integridade em comum a respeito, encontrando o ponto em que todos eles convergem. O Rebe de Lubavitch é o ponto mais impressionante de convergência do século XX. A pessoa na qual o passado, presente e futuro colidem com elegância. Um breve exemplo ilustrativo: Em 1972, os membros da Associação de Cientistas Judeus ainda estavam tateando em busca de justificativas que iriam resolver o seu aparente conflito entre a ciência e a Torá. O Rebe lhes escreveu: “Que necessidade há para apologias quando o Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg foi universalmente aceito!” Onde outros viam conflito, o Rebe viu harmonia. Ciência

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e Teologia não estão mais lutando uma com a outra, elas estão convergindo. Como o Rebe explicou em diversas cartas, a Mecânica Celeste é obsoleta. O mundo não é mais uma máquina autônoma, mas uma ideia que deixa espaço para milagres e mistérios, para a Mente Divina que está concebendo-a. Num nível mais prático: Outros viam a atual sociedade em conflito com o passado. O mundo antigo se foi, e o judaísmo simplesmente não fazia sentido no contexto de um novo mundo. O Rebe considerou a geração de não conformistas que surgiu duas décadas depois da Segunda Guerra Mundial e disse: “O presente está buscando o seu passado. Estas são as almas de Israel, buscando a espiritualidade que seus avós abandonaram”. O mesmo ocorreu com a explosão de tecnologia. Para muitas pessoas, novos dispositivos significam que as velhas ideias são obsoletas. O Rebe viu a nova tecnologia como a limusine para a sabedoria antiga que afinal chegou. Finalmente, temos analogias apropriadas do mundo tangível para ideias profundas. Finalmente temos tecnologias de comunicação que possam ser o


Desde então, Mashiach reside dentro de cada coisa que nos rodeia, como o embrião à espera de romper seu ovo. No ritmo de um dente tremendo na brisa, nos olhos dos filhos que criamos, nas metas que fazemos na vida, nas máquinas que usamos e na arte que criamos, no ar que respiramos e no sangue que corre através de nossas veias. Hoje, aqueles que sabem escutar podem ouvir a sua voz acenando: “Não me largue depois de tanto tempo, pois o fruto do seu trabalho e do trabalho de seus antepassados está prestes a amadurecer”. Escutar por si só, o Rebe nos disse, já é o suficiente para quebrar a casca do ovo.

© Risto Hunt

veículo para as palavras do profeta, que “a Terra estará repleta de sabedoria como as águas cobrem o leito do oceano”. O Rebe viu que a humanidade não está sendo levada a alcançar essas conquistas em nossa iniciativa por si só, mas por um destino maior. Assim como o mundo foi limpo e renovado por um grande dilúvio nos tempos de Noé, disse o Rebe, assim também o mundo contemporâneo está se preparando para uma nova era. Há uma chuva de sabedoria do alto e uma enxurrada de baixo. Tudo com um propósito, tudo parte de um grande plano. Quando o mundo foi criado, dizem os sábios, Mashiach foi o vento que pairava sobre tudo o que estava por vir.

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você e o mundo

o MUNDO TROCANDO AS MARCHAS POR Yanki Tauber

No ano seiscentos da vida de Noé... todas as fontes da grande profundeza romperam-se, e as janelas celestes se abriram... Gênesis 7:11 O Zohar interpreta esse versículo como uma previsão de que “no sexto século do sexto milênio, os portões da sabedoria suprema serão abertos, assim como as fontes de sabedoria terrena, preparando o mundo para ser elevado no sétimo milênio”. De fato, o quinquagésimo sexto século de criação (1740-1840 no calendário secular) foi um momento de grande descoberta e desenvolvimento acelerado, tanto na sabedoria suprema da Torá, como na sabedoria terrena da ciência secular. Esse foi o século em que os ensinamentos do Chassidismo foram revelados e divulgados por Rabi Israel Baal Shem Tov e seus discípulos. A alma interior da Torá, que até então tinha

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sido a província de um seleto número de místicos em cada geração, tornou-se acessível a todos, dando uma nova profundidade a nossa compreensão da sabedoria Divina e infundindo vitalidade e alegria em nossa observância das mitzvot. À medida que essas revelações sobrenaturais jorravam das janelas do céu, as fontes terrestres responderam na mesma moeda. O mesmo século viu uma erupção sem precedentes de conhecimento em todos os campos da ciência secular - em matemática, física, medicina, tecnologia e ciências sociais - revolucionando todas as áreas da vida humana. De acordo com o Zohar, essa revolução dupla veio para preparar o mundo para o “sétimo milênio” - a era de Mashiach, quando os seis “dias de trabalho”, seis milênios de história culminarão em uma época “que é totalmente Shabat e tranquilidade para sempre”.


© mbbirdy

A Garoa Antes do Dilúvio A redenção através de Mashiach é muitas coisas. É o encontro dos judeus dispersos pelo mundo para a Terra de Israel, a reconstrução do Beit HaMikdash, o Templo Sagrado, em Jerusalém, e o restabelecimento de seu serviço. É o retorno do homem a D’us e seu renovado compromisso para uma vida de bondade e santidade. É o fim da fome, guerra, ciúme e ganância, a remoção do mal do coração do homem e do sofrimento do mundo de D’us. Trata-se de todas essas coisas por causa de uma transformação fundamental que o nosso mundo vai sofrer: a mente humana compreenderá a verdade Divina. Em seu estado atual, o mundo esconde o rosto de D’us. O funcionamento da natureza realmente evidencia a sabedoria e a majestade do Criador, e os processos

da história mostram a mão da Divina Providência nos assuntos do homem. Mas esses são apenas pontos de luz que penetram o grosso tecer do véu da natureza. Muito mais evidente é o quanto o mundo físico oculta a verdade Divina com a constante repetição de seus ciclos, a aparente amoralidade de suas leis e a imanência bruta de seu ser. Eu sou, proclama com cada próton do seu ser, e eu sou uma existência para mim mesmo, absoluto e independente, qualquer que seja a “verdade superior” que a existência possa ter, é apenas isto - uma verdade “superior”, abstrata e imaterial, e muito além do mundo “real”. Mas na era de Mashiach, “conhecimento e sabedoria irão aumentar” a tal ponto que “o mundo será preenchido com o conhecimento de D’us, assim como as águas cobrem o mar”. A verdadeira essência da realidade será revelada, o mundo físico será experimentado como uma expressão, em vez de uma ofuscação, da

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você e o mundo

realidade absoluta, exclusiva e toda penetrante de D’us. E quando o mundo deixar de ser percebido como algo além de D’us, todas as outras características do mundo messiânico vão se encaixar. O homem procurará apenas conhecer D’us e obedecer a Sua vontade, o conflito e a existência conflitiva que hoje conhecemos serão substituídos por uma paz e perfeita harmonia harmonia entre as diversas unidades e forças dentro da alma humana, harmonia entre os homens e as nações e harmonia entre o Criador e a Sua criação. Isso explica como a sabedoria suprema que emanou das “janelas do céu” no quinquagésimo sexto século serviu para “preparar o mundo a ser elevado no sétimo milênio”. Os ensinamentos do Chassidismo oferecem uma amostra dessa consciência e compreensão futurista. Empregando as ferramentas da razão humana, o Chassidismo explica a mente do homem e implanta em seu coração a verdade de que “não há outro além d’Ele”, que “a Divindade é tudo e tudo é Divindade”. A filosofia descreve as origens, o desenvolvimento e o funcionamento interno da alma do homem. Trata também da maneira na qual se encontra plenitude através do conhecimento de D’us e da realização da Sua vontade. Essa filosofia expõe o papel do homem na criação e como nossos atos transformam a própria natureza da realidade, tornando-a mais receptiva à Divindade. Hoje, a nossa capacidade de realmente compreender e assimilar essas verdades é limitada pelo estado atual da mente humana e do mundo que colore seu pensamento. No entanto, a revelação da alma interior da Torá foi a garoa que anuncia o dilúvio, as gotas que marcam o início da grande enchente que vai “encher o mundo com o conhecimento de D’us, assim como as águas cobrem o mar”. Complementando a enxurrada de sabedoria Divina das janelas celestiais, ocorreu um aumento de conhecimento terrestre, que o Zohar

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também considera um prólogo e preparação para a era messiânica de conhecimento. Existem três maneiras básicas nos avanços revolucionários da ciência e da tecnologia nas recentes gerações que preparam o mundo para a vinda de Mashiach:

1. Como uma ferramenta: No nível mais elementar, a revolução científica tem facilitado a disseminação da Torá para um grau sem precedentes. Trezentos anos atrás, um professor podia comunicar-se diretamente apenas com aqueles que estavam dentro do alcance de sua voz. “Mashiach irá ensinar Torá para toda a nação, desde o mais sábio até o mais simples.” Anos atrás, isso era inconcebível. Como pode uma pessoa, quão grande seja, ensinar a Torá para milhões de pessoas? Hoje, com a multiplicidade dos meios de comunicação disponíveis para qualquer pessoa, é muito fácil imaginar tal cenário. Hoje, suas palavras e até mesmo a sua imagem podem ser transmitidas para bilhões de pessoas em todas as partes do globo. Nesses e em muitos outros aspectos, os avanços científicos dos últimos três séculos têm ajudado e permitido a propagação da sabedoria Divina em uma escala que não podia nem sequer ser imaginada antes das fontes do “grande abismo” se abrirem no século VI do sexto milênio.

2. Como uma analogia: Em um nível mais profundo, o desenvolvimento acelerado da sabedoria terrena não só levou o conhecimento de D’us mais longe, mais rápido e para mais pessoas, como também tem melhorado a qualidade da nossa compreensão do Criador. A revolução científica tem realmente nos permitido apreciar melhor e se relacionar com a realidade Divina. Por exemplo: parte integrante de nossa fé é o conceito de “providência divina específica”, que D’us observa todos os nossos atos, palavras e pensamentos e nos mantém responsáveis por eles; que Ele está consciente e preocupado com todo acontecimento no universo,


desde o nascimento de uma estrela em uma galáxia distante até a virada de uma folha ao vento no chão do quintal, e que tudo conta em seu plano mestre da criação e contribui para a sua realização. Em tempos passados, o conceito de um olho que tudo vê e observa simultaneamente bilhões de atos, milhares de quilômetros de distância um do outro, e de uma consciência que é, simultaneamente, ciente de inúmeros eventos e seus efeitos um sobre o outro, estava além do domínio da razão. Poderia se acreditar nisso, pois a fé tem a capacidade de aceitar até mesmo a mais ilógica das verdades, mas não se podia racionalmente relacionar-se a isso e encarar isso com os olhos da mente. Hoje, quando podemos conversar facilmente com alguém a 10 mil milhas de distância, podemos assistir o pouso de uma espaçonave em Marte e usar um chip de silício para computar milhões de dados por segundo. Não requer um grande “salto de fé” para compreender que Aquele que concedeu esse potencial em Sua criação, certamente possui o mesmo e em uma medida muito maior. Esse é apenas um exemplo de como a ciência moderna tem transformado a nossa própria visão da realidade, introduzindo determinados conceitos no léxico de nossas mentes que, nas gerações anteriores, pertenciam exclusivamente ao reino da fé.

na qual a sabedoria terrena não é apenas um facilitador da sabedoria suprema da Torá, mas é em si própria uma revelação de Divindade. A ciência está descobrindo a face de D’us. Ao longo dos últimos 300 anos, a ciência foi dissecando o véu da natureza de tal forma que ele foi se tornando cada vez mais transparente e mais revelador das verdades que tanto encarna e esconde.

Para citar apenas um exemplo de muitos: Antigamente, o estudo da natureza produziu uma imagem de um universo multifacetado. O mundo era percebido como sendo composto de dezenas de elementos e conduzido por certo número de forças distintas. Mas, quanto mais a ciência se desenvolveu, mais descobriu a unidade por trás da diversidade. Uma centena de “elementos” mostrou ser composta por um número muito menor de blocos de construção fundamentais; forças diversas revelaram-se mutações variantes de uma força única, elementar. Mesmo a diferenciação entre a matéria e a energia demonstrou ser nada mais que uma distinção externa entre duas formas da mesma essência. Na verdade, a ciência está se aproximando rapidamente a ponto de ser capaz de demonstrar que a totalidade da existência é um raio único proveniente de uma fonte singular.

Como uma revelação de Divindade: Em ambos os exemplos citados acima, vimos como a “sabedoria terrena” da ciência serve a revelação da sabedoria suprema, seja como uma ferramenta que auxilia a sua divulgação ou como um modelo que torna tangível e real o que antes era abstrato e surreal.

Claro, as “janelas dos céus” já desencadearam essa verdade - na linguagem do pensamento da Torá e da metáfora cabalística. Complementando essa revelação, o cientista está formulando essa verdade em equações matemáticas e demonstrando isso em desmembradores atômicos de ponta. De cima e de baixo, nosso mundo tem sido preparado para a Era do Conhecimento.

Há, no entanto, uma terceira e mais essencial maneira em que a erupção das “fontes das grandes profundezas” preparou o mundo para o sétimo milênio. Uma maneira

Baseado nos ensinamentos do Rebe de Lubavitch. Cortesia de MeaningfulLife.com

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© pio3

você e o mundo

Nas mãos de cada um POR Tzvi Freeman

Um dia, em 1979, aos 24 anos de idade, Steve Jobs entrou no Xerox PARC e viu o primeiro GUI - uma interface de computador com mouse, projetado para funcionar da maneira que as pessoas funcionam. Como Steve Wozniak descreve a cena, Jobs pulava para cima e para baixo como uma criança, exigindo “Por que vocês não estão fazendo nada com isso? Esta é a coisa mais impressionante! Isso é revolucionário!” Os executivos responderam que o mundo não estava pronto para isso. Minha aposta é que muitos deles

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estavam bastante assustados com aquilo. Qual o sentido de ser um techie, afinal, se todo mundo pode fazer isso? Mas Jobs agarrou quem ele podia da equipe do PARC e construiu o Macintosh. Eu costumava brincar que a Apple era a minha segunda religião. Então, ela ficou muito popular, e eu nunca fui de fazer parte de um movimento em massa. No entanto, eu acredito na Apple, porque partilho a visão de Steve Jobs. E eu acredito que o curso da história foi mudado por ele para melhor.


Quando Steve fundou a Apple aos 19 anos, o mundo era da IBM, General Motors, Exxon, Dow Chemicals e Encyclopedia Britannica. Hoje em dia, temos o Google, a Apple, o eBay, o Facebook e a Wikipedia.

que é o poder. E por trás de tudo isso está a convicção tácita de que cada ser humano contém algo do Divino e, portanto, deve ser o mestre de seu mundo e seu destino.

O que mudou? Tudo mudou. O mundo virou de cabeça para baixo. Era uma vez um mundo onde você tinha que memorizar um manual para usar um computador básico, o mesmo que quase todos usavam. Onde você teve que contratar um perito em informática para realizar tarefas simples assim como hoje contratamos contadores para cuidar de nossas declarações de imposto de renda, e eu espero, não por muito tempo.

Em termos judaicos, pelo menos do jeito que eu vivenciei a evolução dos últimos trinta e poucos anos: O iWorld é o mundo de Moisés, um mundo onde cada homem, mulher e criança é um membro da aliança e, portanto, deve saber as leis e ensinamentos por si próprio. E aquilo que o IBM e cia. estavam interessados em construir era mais parecido com o mundo do faraó do Egito e sua casta sacerdotal, daqueles que declaram “temos todo o conhecimento e vamos lhe informar assim que você precisar saber”.

Hoje, vivemos em um iWorld. Se eu não gosto da entrada da enciclopédia, eu a modifico. Se eu estou cansado de trabalhar em uma mesa, é só consultar o mapa no iPhone para localizar o parque mais próximo e ir lá trabalhar. A tecnologia está aqui para nos servir. Eu não preciso me adequar a ela, não preciso ser manipulado por ela, eu quase não preciso gastar tempo aprendendo sobre ela, pois ela aprende sobre mim.

Cerca de 500 anos atrás, a civilização ocidental começou a se mover rapidamente em direção ao seu destino, no sentido daquele iWorld. Nos últimos 50 anos, temos rapidamente mudado as marchas para cima. Além e longe de um mundo onde os seres humanos são espremidos através de filtros de homogeneização para que eles se encaixem no sistema, para um mundo projetado a caber o ser humano.

Então, alguns de vocês perguntam: “O que é tão bonito, tão messiânico, sobre um iWorld?” E a minha resposta pessoal: “O iWorld é o destino da humanidade e a sua salvação”.

Um mundo onde o conhecimento é livre. Oportunidades para a expressão e a criatividade se encontram literalmente na ponta dos dedos, cada voz é ouvida e quase tudo se torna possível, mesmo para a criança mais deficiente.

É a crença de que o ser humano não é um dente na engrenagem de uma grande máquina, mas o mestre inerente de todas as máquinas. A tecnologia nos permitiu criar um mundo onde todos sabem quando a justiça tem sido pervertida e podemos gritar indignados para o mundo inteiro, alto e claro. É o poder através do qual os regimes totalitários caíram, e vão continuar a cair, ao conceder a todos acesso ao conhecimento,

O mundo tem o seu destino, produzido e dirigido pelo Mestre de todos os destinos. Um destino em que Steve Jobs teve um papel focal. Claro, o seu papel não era nada mais do que um fornecedor de ferramentas, cabe a nós usá-las para criar aquele mundo pelo qual ansiamos.

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você e o mundo

com a cara ea coragem © Leszek Glasner

Somos mais de 7 bilhões de pessoas no planeta. Grandes parcelas da população enfrentam dificuldades de maior ou menor gravidade. Algumas afetam grupos e outras a todas as pessoas. A dimensão dos desafios pode ser assustadora quando nos olhamos como indivíduos frente aos problemas. Mas será que uma única pessoa pode fazer a diferença? Adianta remar contra a maré? Jack Andraka respondeu sim a essa pergunta. Ele é um adolescente americano que gosta do seriado Glee, de remar de caiaque e cursa o 1° ano do High School, como tantos outros. Entretanto, aos 15 anos, Andraka desenvolveu um sensor que detecta três tipos de câncer

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–ovário, pulmão e pâncreas– com eficácia e baixo custo. Os números são impressionantes quando comparados à principal técnica utilizada atualmente: 168 vezes mais rápido; 400 vezes mais sensível; quase 100% preciso; e 26 mil vezes mais barato, apenas três centavos de dólar. A descoberta rendeu, no maior evento de ciências do mundo para pré-universitários –a Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel– US$ 100 mil e os olhos do mundo voltados para ele. Na prática, o sensor tem a aparência de uma tira de papel com o poder de perceber a proteína mesotelina na urina ou sangue do paciente, o que indica a presença


de células doentes. Segundo o criador, ele pode detectar o câncer nos estágios iniciais, antes que se torne invasivo. Andraka já recebeu propostas de empresas de diagnóstico, como Quest Diagnostics e LapCorp, para viabilizar a produção para que, entre dois e cinco anos, esteja disponível no mercado. Obviamente tendemos a pensar que tamanha descoberta seja fruto do cérebro genial do garoto e que feitos assim estão distantes de 99,9% da população. Andraka garante que não. “Acho que a inteligência natural é superestimada pelas pessoas. Não acho que isso seja o fator principal. O mais importante é o quanto cada um se dedica àquilo que gosta de fazer”, disse em entrevista à Revista Veja. Tanto que boa parte

contemporânea sobre todos esses campos diferentes pelo celular! A tecnologia realmente acelerou o modo como fazemos ciência”, diz. “A questão não é decorar códigos ou fórmulas; há um grande aspecto criativo em fazer ciência, é detectar um problema e pensar em soluções criativas.” Pensando assim, Andraka, agora com 16 anos, reuniu alguns amigos que também foram finalistas na feira da Intel e criou o grupo “Generation Z”. A intenção é participar do Tricoder X, um desafio lançado na feira Consumer Eletronics Show deste ano. A disputa pagará US$10 milhões para quem desenvolver um aparelho capaz de diagnosticar 15 tipos de doenças, em 30 pacientes, no período de três dias. O objetivo deles é um aparelho

É preciso pensar que esse novo quadro fornece um poder antes impossível a cada pessoa, mas também exige maior responsabilidade. da pesquisa na elaboração do novo método partiu de ferramentas simples e acessíveis. Após um amigo da família, considerado um tio pelo adolescente, falecer vítima de um câncer de pâncreas, ele resolveu estudar sobre o assunto. Descobriu que 95% dos pacientes morrem em até cinco anos se o tumor não for descoberto no estágio inicial, e o pior, que em 85% dos casos o diagnóstico era tardio. Segundo a Organização Mundial de Saúde, são registrados quase 145 mil novos casos da doença anualmente. O grande apoio de Andraka no processo da descoberta veio de ferramentas simples, de livre acesso na internet. “Quando comecei esse projeto, eu nem sabia o que era um pâncreas!”, afirma. Para ele, Google e Wikipedia foram fundamentais. “Hoje, é possível fazer pesquisa

do tamanho de um smartphone que detecte qualquer problema cutâneo. Como moram em regiões afastadas, o Skype é a principal ferramenta de comunicação. Esse desenvolvimento tecnológico em prol do aumento da qualidade de vida, utilizando ferramentas de fácil acesso, é apenas um exemplo da inversão de papéis provocada pelas conexões possibilitadas pela web. Todos os movimentos políticos-populares que estremeceram o mundo desde 2011, e especialmente o Brasil desde junho deste ano, são outros reflexos de uma nova hierarquia conseguida a partir da organização de multidões que dividem o mesmo desejo individual. Ou seja, cada pessoa tem nas mãos, literalmente em sua palma, muitas vezes, o poder e a possibilidade de encontrar outros com os mesmos anseios e, assim,

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você e o mundo

© Divulgação

fazer parte de um grupo ideologicamente afinado. Também é possível perceber a sensível alteração que esta nova realidade promoveu no acesso e, sobretudo, na produção da informação. O cidadão comum saiu da ponta da cadeia para o centro de uma intrincada rede de dados, produzidos em ritmo e quantidade milhões de vezes maiores.

Felizmente, on-line ou sem nenhuma tecnologia, uma pesquisa rápida mostra que existem milhares de exemplos de pessoas que aceitam a responsabilidade de mudar a si e a sua comunidade. O que dizer dos professores da Unidade Escolar Teotônio Ferreira Brandão de Cocal dos Altos, a 315 km da capital do Piauí? Sem linhas de ônibus que atendam a comunidade, com computadores velhos e quase não utilizados por falta de conhecimento em Linux, sistema operacional aberto, os alunos da pequena escola acumularam, entre 2005 e 2011, 121 medalhas nas olimpíadas brasileiras de matemática. Como não lembrar de Lucas Eduardo dos Santos Rosa? O porto-alegrense de 12 anos ficou conhecido em reportagens, em agosto deste ano, por encontrar e devolver à dona uma carteira com R$ 1,5 mil. O filho de pedreiro, morador da Vila

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Embora essas afirmações sejam de fácil constatação, é preciso pensar que esse novo quadro fornece um poder antes impossível a cada pessoa, mas também exige maior responsabilidade. Se a força aglutinadora das redes sociais e ferramentas virtuais pode ser o meio da cura de doenças, também pode ser o canal para a prática de crimes e disseminação de ideias preconceituosas. Se cada indivíduo tem ao seu alcance a possibilidade de promover mudanças, o que faz, ou simplesmente deixa de fazer com esse poder, torna-se um assunto de reflexão.

Jack Andraka Mario Quintana e aluno da Escola Municipal Ana Íris do Amaral também recebeu uma medalha. A honraria, na cor prata, foi conquistada na 16ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, com mais de 1 milhão de estudantes de todo o país. Esses são apenas alguns casos que utilizam a educação como canal de mudança da própria realidade. Apenas um pequeno recorte que mostra algumas pessoas que entenderam como utilizar as ferramentas disponíveis para serem elas a mudança que gostariam de ver em todas as coisas.


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Š Evgeny Sergeev

vocĂŞ e o mundo

Onde menos se espera POR Aron Moss

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Pergunta: Caro Rabino, Estou realmente lutando contra uma porção de coisas na vida. Trabalhando, namorando, você entende. Às vezes, fico deprimido por causa das minhas falhas. Dizem que todos têm um ponto positivo, mas ainda estou tentando descobrir o meu. É difícil quando você não se enxerga sob uma luz muito positiva. Todo mundo que conheço é super bem-sucedido, e ainda não consegui levantar voo. Parece que você nasce com determinadas capacidades, e são elas que ditam onde você vai chegar na vida. Às vezes, penso que sou um grande fracasso. Desculpe o desabafo, mas eu queria tirar isso do meu peito… Gostaria de ouvir a sua resposta. Resposta: Você me fez pensar sobre uma história. Um rabino certa vez foi chamado a um hospital para visitar um adolescente judeu que era suicida. Sentindo que era um zero à esquerda, que não conseguia fazer nada certo, o rapaz tinha tentado tirar a própria vida. Mas até a tentativa de suicídio falhou. Sabendo que ele era judeu, a equipe do hospital chamou o rabino para visitá-lo e tentar tirar o garoto daquele estado depressivo. O rabino chegou ao hospital não sabendo o que esperar. Encontrou o rapaz deitado na cama, assistindo TV, parecendo um quadro de sofrimento, nuvens negras de desespero pairando sobre sua cabeça. O garoto mal olhou para o rabino, e antes que ele pudesse dizer alô, o rapaz disse: “Se está aqui para me dizer aquilo que o padre acaba de dizer, pode sair agora mesmo”. Um pouco abalado, o rabino perguntou: “O que o padre falou?” “Ele me disse que D’us me ama. Isso é uma bobagem. Por que D’us me amaria?” Era uma boa pergunta. O garoto não podia ver nada em

si mesmo que merecesse amor. Não tinha atingido nada na vida, não tinha qualidades, nada que fosse bonito ou respeitável ou louvável. Então por que D’us o amaria? O rabino precisava atingir o rapaz sem protegê-lo. Tinha de dizer algo verdadeiro. Mas, o que se pode dizer a alguém que se enxerga como uma nulidade? “Talvez você esteja certo,” disse o rabino.“Talvez D’us não ame você.” Isso chamou a atenção do rapaz. Ele não estava esperando aquilo de um rabino. “Talvez D’us não o ame. Mas uma coisa é certa. Ele precisa de você.” Isso surpreendeu o jovem. Ele jamais escutara aquilo antes. “O próprio fato de você ter nascido significa que D’us precisa de você. Ele teve muitas pessoas antes de você, mas o acrescentou à população do mundo porque há algo que você pode fazer que ninguém mais pode. E se você ainda não fez, isso torna ainda mais crucial que continue a viver, para que consiga cumprir sua missão e dar seu presente único ao mundo.” “Se eu puder olhar para todas as minhas realizações e ficar orgulhoso, posso acreditar que D’us me ama. Mas e se não conseguir nada? E se eu não tiver conquista alguma para me deixar orgulhoso?” “Bem, pare de olhar para si mesmo e olhe em volta. Pare de pensar em si mesmo e comece a pensar nos outros. Você está aqui porque D’us precisa de você – Ele precisa que você faça alguma coisa. Meu amigo, você e eu sabemos que a felicidade não vem de ganhar um alto salário. A felicidade vem de servir aos outros, de levar a vida com significado. Estou certo de que tudo que você precisa fazer é olhar para fora, não para dentro. Não pense naquilo de que precisa, mas naquilo para o qual você é necessário. E ao descobrir o que pode fazer pelos outros, encontrará a si mesmo.”

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você e o mundo

Para não perder o jogo POR Naftali Silberberg

A raposa estava com fome. Em cima de uma das árvores na floresta estava um grupo de pássaros, fartos e deliciosos, mas completamente fora do alcance da raposa. Com a astúcia que lhe é peculiar, ela começou a conversar com as aves: “Vocês já ouviram a boa notícia?” perguntou ela com um sorriso enorme. “O Messias acaba de chegar! Já não é mais preciso temer predadores perigosos como eu, todos agora vivem sem medo, a harmonia mundial prevalece! Vamos lá, desçam de seu poleiro alto, juntos vamos celebrar este momento histórico! ...”

com o som de cães latindo. “Qual é o problema?” perguntaram os pássaros, percebendo a raposa assustada e com medo. “São cães de caça”, a raposa bufou. “Estão realizando uma caça de raposas.” “Então, por que você está em pânico? O Messias chegou, certamente ninguém vai prejudicá-la!” “É verdade”, respondeu a raposa antes de correr, “mas os cães ainda não foram notificados desse desenvolvimento muito recente ...”

Os pássaros ingênuos estavam prestes a tomar a raposa em sua oferta, quando de repente a floresta se encheu

Há mais de duas décadas, o Rebe proclamou: “A época da Redenção está por chegar. Somos a última geração

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© Panithan Fakseemuang

É aqui que precisamos olhar para a questão mais ampla: Quantas doenças já foram erradicadas? Quantas curas foram descobertas para doenças que há pouco tempo eram consideradas assassinos certos? Já houve uma época em que tantas nações se comprometeram com a paz e os direitos humanos? Vejam a cooperação entre inúmeros paises para fins pacíficos, que beneficiam toda a humanidade! Pela primeira vez na história, a guerra é desprezada e a paz mundial é valiosa. Houve alguma época em que o mundo já produziu comida suficiente para alimentar cada um dos seus 7 bilhões de habitantes? Os cientistas, em vez de desafiar a fé, apontam as misteriosas maravilhas do universo e sua unicidade essencial. Já houve um tempo em que a sabedoria Divina - a Torá - foi tão prontamente disponível a todos? Quando foi a última vez que quase 100% dos nossos irmãos e irmãs judeus viveram em terras onde eles estavam livres para servir D’us como eles quisessem?

da galut (exílio), a geração que vai vivenciar a Redenção”. A declaração do Rebe contém um elemento que nunca foi ouvido antes. O Rebe insistiu que ele não estava falando de um evento que viria a transpirar, mas de um acontecimento que já estava na confecção. Observem ao redor e vejam o que está acontecendo no mundo. Abram os olhos e vejam que a era da Divindade, união e harmonia que temos aguardado por milhares de anos está acontecendo! O mundo vem se tornando um lugar melhor e mais sagrado. Mas, perguntamos, se o mundo está ficando cada vez melhor, se estamos nos aproximando da Era Messiânica, por que ainda há doenças? Por que ainda existe guerra?

Sim, você deixou de fora alguns detalhes. Por exemplo, que você ainda deve ao banco por aquela casa. Que o alimento produzido não está chegando àqueles que dele necessitam. Que a supervia da informação é frequentemente utilizada para o lixo e a pornografia, e não para a sabedoria para qual é destinada. Que o mundo ainda está cheio de tanto mal e sofrimento. Mas a questão é que o palco está montado, tudo está no lugar. Nunca antes o mundo esteve perto dessa posição. Tudo o que resta é que as cortinas sejam abertas e que as luzes brilhem em cena. Talvez os pássaros na nossa história tenham sido ingênuos. Mas se fosse para subir até o topo da árvore e ter uma visão aérea da nossa floresta, veríamos talvez, que as raposas estão mudando seus hábitos alimentares, afinal.

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Vida & Sociedade

O DRAMA DAS

Pinceladas POR Yaakov Lieder

Recentemente uma mulher conversou comigo sobre frequentar workshops cujo tema é a educação dos filhos. Ela disse: “Parei de ir a esses workshops há três anos. Sempre que eu ia a um deles ficava muito inspirada. Então chegava em casa e tentava implementar tudo aquilo que tinham me ensinado, mas para mim não funcionava. Eu caía de cara no chão e terminava me aborrecendo comigo mesma. Eu me sentia inadequada e ineficaz. Tudo que esses seminários me ensinaram foi aquilo que eu não faço, e a saber que tipo de mãe eu não sou”. Expliquei a ela que a meta da vida não é a perfeição. O

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que estamos tentando fazer é pegar uma ou duas coisas que podemos melhorar e fazer algumas pequenas mudanças. Como diz o famoso adágio: “Uma jornada de mil milhas começa com um passo na direção certa”. Precisamos entender que não podemos percorrer mil milhas em um único grande passo. Não somos treinados para ser mãe, esposa, marido etc. O fato de darmos à luz nossos filhos não faz de nós uma mãe profissional, assim como comprar um violino não nos transforma em um violinista. É a prática constante no decorrer dos anos que nos torna melhores mães e


© Aleksandr Lopatin

uma pessoa melhor à medida que prosseguimos em nosso caminho. Uma maneira de conseguirmos isso é estabelecendo para nós mesmos metas pequenas, possíveis de atingir. Como são mudanças menores, temos mais probabilidade de consegui-las. Fazer pequenas mudanças positivas na direção certa nos trará, como retorno, mais orgulho de nós mesmos – em vez de nos sentirmos mal a nosso respeito quando deixamos de dar aqueles saltos de mil milhas. Quando estivermos mais confiantes em nós mesmos como pais, conseguiremos ser bem-sucedidos na tarefa

mais importante que D’us nos confiou. Rabi Shalom DovBer de Lubavicth (o Rebe Rashab – 1860-1920) costumava dizer que “assim como um judeu tem a obrigação de colocar tefilin todos os dias, igualmente importante é dedicar meia hora diária pensando sobre a maneira de educar corretamente nossos filhos”. Se fizermos isso – passar meia hora por dia, sem falhar, pensando sobre a criação de nossos filhos – certamente encontraremos uma pequena mudança para melhor, que poderemos implementar com sucesso. Ora, imagine então se fizermos isso todos os dias de nossa vida…

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© Vladimir Khirman

VIDA E SOCIEDADE

Sobre bênçãos e embalagens POR ARON MOSS

Caro Rabino, No ano passado, minha filha de nove anos foi diagnosticada com leucemia. Ora, eu sei que toda mãe diz isso, mas minha filha realmente é tão perfeita como um ser humano poderia ser. É meiga, gentil, carinhosa e compassiva. Ela sempre desejou trabalhar na NASA quando crescesse, para poder salvar o meio ambiente, a humanidade e o mundo. Porém, após um ano de quimioterapia e radiação, ela sofreu alguns efeitos colaterais bastante perigosos e raros. Ela não deixou

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que as drogas aleijassem seu espírito, mas cada órgão de seu corpo ficou enfraquecido. Minha filha perdeu grande parte de sua inocência e fé na bondade do mundo. Agora ela não é mais tão capaz de ajudar os outros. Portanto, aqui está minha pergunta: Por que D’us atingiu uma criança tão perfeita? Ele não desejaria que ela salvasse o mundo? Por que ela deve sofrer e nunca ser capaz de realizar seu sonho de ajudar a humanidade?


Prezada Débora, Meu coração vai até você nesta que deve ser a hora mais dolorosa e sofrida. Não há palavras que possam aliviar sua dor, nem explicações que possam satisfazer um coração que sofre pela vida que a sua filha poderia ter tido. Faço coro aos seus protestos pelo sofrimento imerecido de sua filha, juntamente com o sofrimento de todos os inocentes. Não acredito que D’us deseje que defendamos o sofrimento de inocentes. Ele deve ter Seus motivos, mas isso é assunto d’Ele. Nosso assunto é nos opormos, protestarmos, para aliviar o sofrimento de pessoas inocentes da melhor forma possível. D’us é responsável por permitir que exista o sofrimento. Porém, devemos reconhecer que D’us é a fonte da vida em si, e a vida também é imerecida. Ninguém conquistou o direito de viver e ninguém ganhou vida

bem e o mal, o doloroso e o belo, coisas que não podem ser separadas. São todas intrínsecas à identidade da alma e a sua jornada nesta vida. Você não pode ter os talentos sem os desafios, e não pode ter a beleza sem o sofrimento. As esplêndidas qualidades de sua filha e seu terrível sofrimento – essa é a alma dela. Por que é assim? Por que não pode ser diferente? Somente D’us sabe. E a verdade é que não queremos saber a resposta para isso. Não queremos uma explicação para o sofrimento, queremos apenas que termine. Enquanto isso, tudo que podemos fazer é sermos gratos pela vida. E agradecermos o presente que recebemos, a alma de sua filha, que traz e continuará a trazer bondade e luz a este mundo. Na NASA eles lhe dirão como nosso planeta Terra é pequeno e insignificante no esquema do universo. Porém, há algumas coisas que eles jamais descobrirão em

E a verdade é que não queremos saber a resposta para isso. Não queremos uma explicação para o sofrimento, queremos apenas que termine por si mesmo. D’us é responsável pelo sofrimento, mas também é responsável pela vida. Então, assim como podemos perguntar: “O que esta menina fez para merecer tanto sofrimento?”– podemos também perguntar “O que fizemos para merecer uma alma tão linda como a dessa menina?” O próprio fato de uma alma tão brilhante ter descido a este mundo é um presente, pois qualquer que seja o motivo, essa alma teve de passar pela mais escura das jornadas e mesmo assim sua alma é a mais brilhante. Assim como sofremos ao ver o seu sofrimento, devemos também agradecer pela sua bondade. D’us também a causou. Toda vida tem de ser vista como um todo, um pacote. O

qualquer outro lugar do universo: o amor incondicional de uma mãe pelo filho, o espírito indomável do ser humano face à adversidade, e o simples, mas infinito poder que os seres humanos têm para dar, cuidar e amar, e de fazer o bem para o próximo. A NASA pode obter muitas conquistas para o nosso planeta. Porém, uma menina que enfrenta a adversidade com dignidade; compensa o sofrimento com bondade e luta contra o desespero com esperança, pode conquistar muito mais. Desejo a você, a sua filha e a todos os seus entes queridos, muita força e coragem para enfrentar os desafios que estão pela frente, e rezo pelo seu pronto restabelecimento.

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© Philip Morley

Sob medida, por você Um carpinteiro idoso estava prestes a se aposentar. Falou ao seu empregador sobre seus planos de deixar o negócio de construção de casas e levar uma vida mais calma com sua esposa, apreciando a família. Sentiria falta do pagamento, mas precisava se aposentar. Eles poderiam entrar num acordo. O empreiteiro ficou triste por ver seu bom funcionário deixar o trabalho e perguntou se ele poderia construir só mais uma casa como um favor pessoal. O carpinteiro concordou, mas na época era fácil ver que seu coração não estava no trabalho. Ele fez um trabalho malfeito e usou materiais inferiores. Foi uma triste forma de terminar sua carreira. Quando o carpinteiro acabou o trabalho e o construtor foi inspecionar a casa, o empreiteiro entregou as chaves ao carpinteiro. “Esta é a sua casa,” disse ele, “meu presente para você”. Que susto! Que vergonha! Se pelo menos ele soubesse que estava construindo a própria casa, teria feito de maneira muito diferente. Agora tinha de morar

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na casa que tinha construído de maneira tão relapsa. Assim ocorre conosco. Construímos nossas vidas de maneira relaxada, reagindo em vez de agir, às vezes querendo fazer menos que o melhor possível. Em fases importantes não damos ao trabalho o nosso melhor esforço. Então, com um choque, olhamos para a situação que criamos e vemos que agora estamos morando na casa que construímos. Se tivéssemos sabido, teríamos feito de maneira diferente. Pense em si mesmo como o carpinteiro. Pense sobre a sua casa. A cada dia, você martela um prego, coloca uma tábua ou levanta uma parede. Construa sabiamente. Esta é a única vida que você irá construir. Mesmo que você viva apenas por mais um dia, ele merece ser vivido graciosamente e com dignidade. A placa na parede diz: “A vida é um projeto: faça-você-mesmo”. O trabalho que fazemos constrói o mundo num lar aconchegante: seu lar, meu lar, nosso lar.


COMPORTAMENTO

não é Todo ser humano é igual POR Manis Friedman

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© Bill Kohut

É muito preocupante para a mente ocidental, especialmente para a americana, sugerir que um grupo de pessoas é superior a outro. Isso talvez se deva ao fato de que no passado, a crença ou o argumento de que um grupo de pessoas é inferior a outro, levou ao genocídio. Portanto, os americanos se tornaram profundamente engajados a ideias de igualdade, e isso se tornou uma meta, uma virtude moral à qual a sociedade americana aspira. Porém, há algo equivocado com essa atitude ou crença na igualdade como um meio de atingir um bem maior, uma maior moralidade.

Nossas ideias de igualdade têm suas origens na alegação de Thomas Jefferson de que todos os homens são criados iguais. Obviamente, Jefferson não quis dizer literalmente. Ele não estava falando das diferenças entre indivíduos que tornam alguns mais fortes, mais inteligentes, ou melhores que os outros. Estava falando de um princípio universal pelo qual todos os homens são iguais. Porém, nossa sociedade concentrou-se tanto em atingir igualdade, que insistimos em “igualdade” como um critério e virtude na vida. Ao fazê-lo, fingimos ignorar as diferenças entre as pessoas. A igualdade, portanto, não é uma virtude.

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COMPORTAMENTO

Não podemos exigir nada sob o pretexto de igualdade, porque a igualdade é algo ainda a ser visto. As pessoas são diferentes. E isso é necessário. Algumas são mais inteligentes, mais dotadas ou mais belas que outras. Algumas são melhores em determinadas coisas e algumas mais dotadas (ou talentosas) em outras coisas. Não há moralidade em negar nossas diferenças. Na verdade, é perigoso e imoral pregar moralidade com a presunção de que somos todos iguais, porque isso deixa em aberto a possibilidade de que, quando você descobrir que na verdade sou inferior a você, então está certo você abusar de mim. O que realmente é moralidade? Em poucas palavras, a Torá afirma que moralidade significa que o forte não pode levar vantagem sobre o fraco. Onde não há forte e não há fraco, se todos são

é dizer a ele: “Sim, você pode ser mais forte que eu, este é o seu país. Sou apenas um estrangeiro aqui, você tem o dinheiro, o poder e a autoridade, mas não pode tirar vantagem de mim”. Isso é moralidade, porque não permite abuso ou mau tratamento apesar da desigualdade. O que precisamos, então, não é buscar a igualdade, mas sim buscar um valor universal – que inclua todas as pessoas e aplique-se a toda a humanidade, o tempo todo. Sob essa escala de valores, as diferenças individuais se tornam irrelevantes, porque cada indivíduo, apesar de todas as outras considerações, está limitado de maneira igual pelo valor. O valor universal, ensina o Judaísmo, é que todas as pessoas foram criadas para servir a D’us. É nisso que está a igualdade, no valor – não nas pessoas. Quando damos a partida com um valor universal que se espalha igualmente sobre todos nós, nossas diferenças não são ameaçadoras.

Onde não há forte e não há fraco, se todos são o mesmo, então a moralidade não é necessária. o mesmo, então a moralidade não é necessária. É exatamente onde pode haver abuso, que precisamos da moralidade. É por isso que a Torá diz que não podemos ser cruéis com os animais. Ninguém está argumentando que os animais são iguais a nós. Certamente, o animal é inferior aos seres humanos. O ser humano tem muitas vantagens sobre o animal, e isso lhe permite superá-lo, torturá-lo e fazer quase tudo o que quiser com o animal. Porém, a Torá diz: “Não seja cruel com os animais”. Se alguém me dissesse que eu, como judeu, sou inferior a ele, minha obrigação moral seria ensiná-lo que como sou inferior, ele não pode tirar vantagem de mim. Não tenho obrigação de ensiná-lo ou de provar para ele que eu não sou inferior. Ao contrário: minha obrigação moral

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Quando reconhecemos que cada um de nós tem a obrigação de servir a D’us – que cada um de nós foi criado com esse propósito, então nossas qualidades e diferenças individuais não nos deixam pouco à vontade. Elas são o meio ou os detalhes pelos quais cada um de nós cumpre seu propósito individual no serviço de D’us. Assim como a vida boa produz felicidade – não o reverso – também uma vida moral produz igualdade entre todas as pessoas. A igualdade é o subproduto, não o fim. Uma sociedade que se esforça para viver respeitando os princípios universais da moralidade será inevitavelmente aquela que respeita e preza a vida de cada indivíduo.


COMPORTAMENTO

O DIREITO

DE NÃO

SABER POR YAAKOV LIEDER

“Saber é poder” - diz o conhecido ditado. Como a maioria dos clichês, esse é verdadeiro. Se você conhecesse o ponto fraco da pessoa com quem negocia; se soubesse se ela realmente o ama ou não, você estaria mais no controle, seria mais dono de sua vida. Mas, somente até certo ponto. Imagine que você soubesse tudo. Imagine que soubesse exatamente quando e como morreria. Que você soubesse, com antecedência, os detalhes de todos os altos e baixos em seu casamento - o motivo de cada briga e a hora certa de cada reconciliação. Imagine que todas as ações que você fizesse no decorrer de sua vida estivessem relacionadas como itens numa prancheta sob o comando de um gigante, com os resultados de cada ação anotados ao lado. Você sentiria que está no controle de sua vida? Ou você se sentiria como um peão sendo mudado de uma casa a outra no tabuleiro? O conhecimento traz o poder, mas o conhecimento absoluto traz a total impotência.

No capítulo 49 de Bereshit lemos que Jacó, antes de seu falecimento, chamou os filhos, prometendo revelar “aquilo que acontecerá a vocês no final dos dias”. Quando eles se reuniram ao redor do pai, ele os abençoou e designou a cada um o papel como progenitor de uma tribo dentro do Povo de Israel. Nada disse, porém, sobre o que aconteceria no final dos dias. Nossos Sábios explicam que Jacó pretendia revelar a eles o tempo da vinda de Mashiach. Mas naquele momento, “a Divina Presença se separou dele”. Jacó entendeu que não deveria contar. Assim, a pergunta mais urgente da vida continua um mistério. Sabemos que o mundo um dia refletirá a infinita bondade e perfeição de seu Criador. Sabemos que toda ação positiva nossa é um passo rumo àquele objetivo, um tijolo naquele glorioso edifício. Mas quando isso acontecerá? Por que não conseguimos ver a linha de chegada, por que não podemos contemplar o edifício subindo?

Assim, a pergunta mais urgente da vida continua um mistério.

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© Benjamin Haas

Alguns diriam que essa é a maneira de D’us nos manter sob Seu domínio, por assim dizer. Talvez se soubéssemos demais, se víssemos exatamente como cada ação e cada escolha se encaixa no plano mestre, começássemos a tomar muitas liberdades, desenvolvendo nossas próprias avaliações do objetivo e nossas próprias ideias sobre como chegar lá. Então, melhor manter o ser humano no escuro, para que abra caminho rumo a seu destino sem saber o que o espera. A verdade, no entanto, é exatamente o oposto. É justamente porque D’us desejou um parceiro criativo, com a mente independente, que Ele fez da vida o mistério que ela é. Se estivéssemos plenamente cônscios do supremo significado de cada ação nossa, nossas ações seriam mecânicas e sem vida - linhas ensaiadas recitadas de cor numa peça cujo roteiro já foi lido por todos os membros da plateia. É somente porque cada um de nossos atos, escolhas e decisões se destacam em perfeito relevo contra o pano de fundo de nossas vidas, seu trem de causas e efeitos rodando rumo às trevas de um futuro desconhecido, que nossas opções são verdadeiramente nossas. Nossas decisões são um exercício da vontade e cada ato nosso é uma contribuição significativa para nossa parceria com D’us na criação.

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Festividades

Chanucá A comemoração foi realizada na praça Sílvio Ughini. O prefeito José Fortunati marcou presença no evento em que também foi lançada a Lubavitch Magazine 2012. Os convidados saborearam sushis kasher do Sushi Drive. Créditos: Tuti Flores

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1. Público prestigiando o evento 2. Mimi Liberow, Fanny Chmelnitsky e Céres Maltz Bin 3. Rabino Shmuel Binjamimi acende a Menorá 4. Justos Werlang e Fernando Steinbruch 5. Flávio Scharcansky e Shaie Liberow 6. Leandro Kolodny, Rabino,

Vereador João Dib, Prefeito José Fortunati e Renato Stifelman 7. Prefeito recebe Menorá do Rabino Mendel 8. Gilberto Spiguel, João Paulo Breitman e Renato Stifelman 9. Público prestigiando o evento 10. Maria Augusta Galbinski, Prefeito José Fortunati, Rabino, Moacir e Maristela Galbinski

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11. Antônio Borovski, Rabino e Alessandro Halfim 12. Isac Szajman, Boruch Binjamini, Shaie Liberow, Julio Katz e James Kravetz 13. Mesa de sushi 14. Fabian, Manita Heller, Ron Mizrahi, Daniela Heller e Jaqueline Pogorelsky

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Festividades

PURIM

A festa aconteceu no hotel Holiday Inn Porto Alegre, no bairro Bela Vista. Na ocasião foi feita a leitura da Meguilá e apreciado o brunch com Bagels and Lox. Créditos: Luis Ventura

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1. Fábio Kohen, Presidente da FIRS Mário Cardoni, Rabino, José Scharcansky 2. Sami Burd e Flávio Scharcansky 3. Henrique Lewgoy, Rabino e Jairo Moscovich

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4. Chacoalhando o reco-reco na hora do “Haman” 5. James Burd, Rabino, Guilherme e Daniel Herc Holmer dos Santos 6. Rabino Mendel lendo a Meguilá


Festividades

SELICHOT O jantar de preparação para o Rosh Hashaná, realizado no Quality Hotel, contou com apresentação de vídeo e histórias contadas pelo Rabino Mendel. Em seguida foi feita a reza de Selichot, à meia noite.

Créditos: Léo Platcheck

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1. Lilian Raskin, Elaine Aspesi, Álvaro Martinez, Gilberto Raskin, Sérgio Trachtenberg e Vitória Raskin 2. Dóris Schneider, Leila Igor, Miriam e Júlio Katz, Jairo Schneider e José Franciso Wexler 3. Jaques e Silvia Heller 4. Sandra e Daniel Ruwel 5. Sérgio e Márcia Kijner 6. Régis e Marta Henkin, Miriam

Kravetz e Marise Sonnenreich 7. Gerson Chanin, Sérgio Raskin, Márcio e Nelson Chanin 8. Moacir Galbinski, David Weler e Cláudia Laitano 9. Irene e Maurício Branchtein, Leandro Kolodny, Elisabeth Henkin e Liana Henkin Levi 10. Artur de Faria, James e Sami Burd

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11. Nora, Maia e Fábio Scharcansky 12. Celi Maltz Raskin, Regina Chanin e Rejane Chanin 13. Público prestigiando o evento 14. Ron Mizrahi, Manita Heller, Carlo Stifelman, Ana Espíndola, Claudia Poziomczyk e Márcio Pikelhaizen Camara

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Perspectiva

Saiu no

The New York Times Em torno de 1995 um judeu que trabalhava como executivo de propaganda teve uma ideia. E se o The New York Times – considerado o jornal mais importante do mundo – publicasse semanalmente o horário de acendimento das velas do Shabat? Certamente alguém teria de pagar pelo espaço. Mas imagine o orgulho e a conscientização judaica que resultariam de uma menção tão importante do Shabat judaico toda semana. Ele entrou em contato com um filantropo judeu e expôs a ele a ideia. Custava quase dois mil dólares por semana, mas ele o fez. E durante os próximos cinco anos, a cada sexta-feira, judeus em todo o mundo podiam ver: “Mulheres Judias: O horário para o acendimento das velas de Shabat nesta sexta-feira é…” Por fim o filantropo teve de cortar alguns de seus projetos. E em junho de 1999, o pequeno anúncio de Shabat deixou de aparecer no The New York Times, e a partir daquela semana nunca mais apareceu. Exceto uma vez. Em 1º de janeiro de 2000, o jornal publicou uma Edição do Milênio. Era um tema especial mostrando três

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primeiras páginas históricas. Uma tinha as notícias de 1º de janeiro de 1900. A segunda mostrava as notícias do próprio dia, 1º de janeiro de 2000. E então a terceira primeira página... projetando futuros eventos para 1º de janeiro de 2100. Essa página fictícia incluía coisas como as boas-vindas ao estado americano de número 51: Cuba. Havia também uma discussão sobre se os robôs deveriam ter permissão de votar. E assim por diante. Além dos fascinantes artigos, havia algo mais. Ao pé da primeira página do ano 2100, estava o horário de acendimento de velas em Nova York para 1º de janeiro de 2100. Ninguém pagou pelo anúncio. Simplesmente foi colocado pelo jornal. O gerente de produção do The New York Times – um católico irlandês – foi questionado a respeito. Sua resposta foi direto na mosca. E fala sobre a eternidade de nosso povo e sobre o poder do ritual judaico: “Não sabemos o que irá acontecer no ano 2100. É impossível prever o futuro. Porém de uma coisa vocês podem estar certos. É que no ano 2100 mulheres judias estarão acendendo as velas de Shabat”.


© Gregory Johnston

Só uma pitada POR Aron Moss

pergunta: Por que a religião judaica parece tão obcecada com detalhes insignificantes? Quanta matsá temos de comer, qual colher usar para leite e qual para carne, qual é a maneira certa de amarrar meus sapatos? Para mim parece que isso deixa de lado o mais importante, concentrando-se em minúcias. É isso que os judeus chamam de espiritualidade? (Já lhe enviei esta questão há uma semana e não tive resposta. Será que finalmente você recebeu uma pergunta que não pode responder?!) Resposta: Jamais aleguei ter todas as respostas. Há tantas questões que estão além do meu alcance. Porém, a verdade é que respondi a sua pergunta e você obteve sua resposta. Assim que a recebi, enviei imediatamente um reply. O fato de você não tê-la recebido é em si mesmo a resposta a sua pergunta. Veja, enviei a sua resposta, mas escrevi seu endereço de e-mail sem colocar o “ponto” antes do “com”. Achei que você receberia o e-mail assim mesmo, porque afinal, era apenas um pequeno ponto faltando. Ou seja,

não é como se eu tivesse escrito o nome errado ou algo drástico assim! Qualquer pessoa seria tão minuciosa para diferenciar entre “yahoocom” e “yahoo.com”? Não é ridículo que você não tenha recebido o meu e-mail só por causa de um pontinho? Não, não é ridículo. Porque o ponto não é apenas um ponto. Ele representa alguma coisa. Aquele ponto tem um significado muito além dos pixels na tela que o formam. Para mim parece insignificante, mas isso se deve simplesmente a minha ignorância dos caminhos da internet. Tudo que sei é que com o ponto, a mensagem chega ao destino certo; sem ele, a mensagem se perde por aí. As práticas judaicas têm uma profundidade infinita. Cada nuance e detalhe contêm um mundo de simbolismo. E cada ponto conta. Quando são desempenhadas com precisão, uma vibração espiritual é enviada (como por e-mail) através do universo, até a caixa de entrada de mensagens de D’us. Se você deseja entender o simbolismo do ponto, estude a Internet. Se deseja entender o simbolismo do Judaísmo, estude-o.

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perspectiva

Cremação: uma decisão irreversível POR Aron Moss

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Em circunstâncias normais, as crianças devem respeitar a vontade de seus pais. Os pais mandam ir à escola, as crianças devem ir à escola. Os pais mandam ir dormir, as crianças devem ir dormir. Os pais mandam comer os legumes, as crianças devem comer legumes. Entretanto, os pais devem ter muito cuidado quando e como impor a sua autoridade (melhor poucas ordens que são obedecidas do que mais ordens que são ignoradas). Embora muitas crianças tendam a ignorar essa regra mais frequentemente do que deveriam, entendemos por que nossa tradição coloca tanta importância no respeito aos pais. É, afinal, um dos Dez Mandamentos,

morte, bem como todo o nosso entendimento desse ponto de transição espiritual tão crucial. Se alguém acredita que os funerais são para os vivos, então se faz de acordo com a vontade dos vivos. Enterrar, cremar, deixar o corpo para os abutres, mumificá-lo, colocálo em um barco em chamas descendo o rio, jogá-lo no lixo, colocar em seu piso, canibalizá-lo, ou fazer uma das muitas coisas que as sociedades de todas as épocas fizeram ou fazem para os corpos de seus entes queridos. A alma não se importa e, provavelmente, nem fica sabendo. Ela está em um “lugar melhor”, e o que acontece com “seu” corpo não implica nenhuma consequência.

O corpo não é um inimigo, é claro, uma vez que nos permite ajudar os outros e melhorar o mundo. e representa a nossa relação com D’us. Alguém que respeita a autoridade dos pais, mais facilmente fará o mesmo com D’us. Alguém que rejeita a autoridade de seus pais, geralmente tem dificuldade em aceitar que afinal é D’us que dirige o mundo. No entanto, há exceções, e uma delas inclui contrariar os últimos desejos de um pai. Se este encarrega seus filhos de cremá-lo, a lei judaica, que coloca grande ênfase em respeitar o desejo dos pais - obriga os filhos a ignorar esse pedido e proporcionar um enterro judaico tradicional a eles.

Para quem são os funerais, afinal? É uma pergunta estranha, realmente, mas vai determinar muitas das escolhas feitas no momento da

Mas e se os funerais são (principalmente) para os mortos? Considere o seguinte: Cada um de nós possui uma “parte de D’us”, por assim dizer, dentro de nós. É a neshamá, a alma. Ela é pura, imaculada e intimamente ligada a sua origem, a fonte de todo o conhecimento – D’us mesmo. No fundo, quando entramos em contato com a nossa alma, acessamos essa fonte. Sentimos o que é verdadeiro, o que é certo e o que é sagrado. Mas não é fácil acessar essa profunda fonte de riqueza. Nossas almas são mantidas prisioneiras em nossos corpos. O corpo não é um inimigo, é claro, uma vez que nos permite ajudar os outros e melhorar o mundo. Mas ainda assim, limita a alma. Desejos banais, ego, medos e confusões tornam extremamente difícil para “eu” saber o que realmente

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perspectiva

está acontecendo, o que realmente é importante e qual caminho devo seguir.

que mais de um terço de todos os judeus falecidos na América do Norte em 2011 foram cremados.

As coisas mudam quando o corpo morre. A alma é liberada e imediatamente fica mais próxima de D’us, a verdadeira fonte de conhecimento. O “eu” de repente tem acesso muito mais direto a Ele. Mesmo assim, a alma não deixa o corpo imediatamente. Poderia uma esposa dedicada deixar o marido repentinamente, após décadas de união amorosa? A alma fica por perto, “ascendendo ao alto” lentamente, por etapas.

Por que a tendência? Seguem aqui alguns exemplos de “sabedoria convencional” e alguns fatos:

Logo após a morte, na primeira etapa de sua ascensão, a principal preocupação da alma é que “seu” corpo seu parceiro ao longo de muitas décadas - receba um enterro judaico adequado. A alma clama com dor caso seu corpo seja tratado com desrespeito e grita com horror inimaginável se o seu corpo amado, um veículo sagrado, é posto à chama. Quando o corpo está vivo, o corpo sente dor. Quando o corpo já não pode sentir dor, ou seja, quando morre, a alma sente a dor “física” do seu parceiro em um nível altamente espiritual. É por essa razão que os filhos devem ignorar o pedido dos pais quando se trata de cremação. Nesse momento, os pais sabem muito mais do que sabiam em vida e estão literalmente implorando aos seus filhos por um enterro judaico tradicional. Os filhos estarão seguindo os desejos de seus pais – os não declarados, nem conscientes, mas verdadeiros desejos.

Equívocos sobre cremação Em algumas situações na vida é certamente adequado economizar. Mas nem sempre. A questão do que fazer com o corpo de um ente querido não é teórica. A cremação está ficando cada vez mais comum, sendo

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FALSO: A cremação é melhor para o ambiente. Na verdade, não é. A cremação usa uma enorme quantidade de combustíveis fósseis, e libera toxinas, incluindo mercúrio no ar. Esse equívoco provavelmente é provocado pela oposição ambiental ao embalsamamento e aos caixões de metal. Por causa do impacto ambiental negativo da cremação e as práticas problemáticas do enterro moderno, ambientalistas favorecem o “enterro verde”, sem embalsamamento ou caixões de metal. Isso lhe soa familiar? A tradição judaica proíbe a cremação, caixões metálicos e embalsamamento – e o enterro judaico é conhecido por ser eco-friendly.

2-

FALSO: Não há terra suficiente para cemitérios. Na verdade, existe sim. Vivendo em centros urbanos e pagando altos aluguéis, é compreensível que sintamos que não há terra disponível. Mas os números mostram justamente o contrário. Mesmo que cada morte norteamericana fosse seguida por enterro, demoraria mais de 10.000 anos só para usar até um por cento do território dos Estados Unidos!

3 -

A decomposição é repugnante. Na verdade, enquanto a decomposição não é espetacular, a cremação dificilmente parece melhor. Apesar das propagandas, o processo não é nem rápido, nem limpo. Em média, um corpo queima no forno por 1h30 a 2 horas. Durante o processo, o corpo se move para frente e para trás, estala e fervilha. O cérebro borbulha. Pense no fedor de cabelo e carne queimando. Uma vez que o forno (a câmara ou incinerador) terminou sua tarefa, os restos


ainda não se transformaram em “cinzas”. Os ossos secos restantes são varridos manualmente e colocados em uma máquina, onde são moídos, pulverizados ou processados por aproximadamente 20 minutos, a fim de caberem em uma pequena urna. Então, a questão não é se o sepultamento ou a cremação é mais repugnante. A questão é que a decomposição é um processo biológico, o caminho natural de todos os seres vivos. Em contraste, a cremação é um processo artificial, violento e repulsivo. Pense que a cremação foi escolhida pela Máquina Nazista, com a finalidade de eliminar qualquer vestígio da vida e história de toda uma nação da forma mais rápida possível, ao exterminar os mais de 6 milhões de Judeus que tiveram esse triste fim.

4 - Ninguém vai visitar o túmulo de qualquer maneira, então por que tê-lo? Na verdade, apesar de a visita ao túmulo ser muito importante, não tem absolutamente nada a ver com a obrigação de enterrar. O modo judaico de lidar com a morte é parte integral da filosofia de vida de que o corpo é um veículo para a alma e deve ser respeitado mesmo após seu óbito. Não temos direito sobre nosso corpo. Ele nos foi emprestado para abrigar a alma e ao final da vida deve-se devolvê-lo. Afinal, ninguém adquiriu, comprou ou formou o seu corpo. Realmente, a tendência crescente da cremação é lamentável. Aqui está o porquê.

é um inimigo: a pessoa não pode fazer caridade sem as mãos, falar palavras de oração sem a boca ou correr para fazer uma boa ação sem pernas. Enquanto a alma deve permanecer no controle, o corpo é um parceiro e merece ser cuidadosamente colocado no solo, e não queimado como o lixo. Quando cremado, o corpo se transforma em cinzas. Ao passo que ao ser enterrado, o corpo retorna ao pó e se funde com a terra. Há uma grande diferença entre os dois. O solo é fértil, as cinzas não. O solo possibilita novo crescimento e mais vida. Cinzas são estéreis e sem vida. O processo gradual do retorno ao solo é fiel ao significado mais profundo da morte. A passagem de uma geração permite o surgimento de outra, e os vivos são nutridos e inspirados pelo legado dos falecidos. Nossos antepassados são o solo a partir do qual brotamos. Mesmo em sua morte, eles são uma fonte de vida. Enfim, o judeu deseja sepultamento. Não importa o quanto foi a sua consciência e ativismo judaico durante a sua vida, a escolha de um enterro tradicional judaico declara: “Eu posso não ter sido um judeu perfeito, mas eu sou um judeu orgulhoso. E eu quero ser enterrado como os judeus têm sido há milhares de anos. Eu devo isso aos meus antepassados. Eu devo isso aos meus descendentes. Eu devo isso ao meu corpo, e eu devo isso a minha alma”. Cremation or burial? A Jewish view, por

Como vimos, o enterro é melhor por diversas razões. Mas, o significado é muito mais profundo. A alma precisa do enterro. A cremação provoca dor tremenda, mais do que podemos imaginar. Além disso, o corpo merece o enterro. De acordo com a Torá, o corpo não

Doron Kornbluth - Mosaica Press 2012 Why Does Judaism Not Allow Cremations? Por Aron Moss

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Personagens da História

Um entre a multidão POR Zalman I. Posner

Cada ser humano é único, exclusivo, diferenciado, sem possibilidade de duplicações. Cada um de nós tem dons não concedidos a qualquer outra pessoa, mesmo que não sejamos Beethovens, Rembrandts ou Einsteins. O homem tem três atributos gerais, conforme ensina a Torá: o intelecto, a emoção e a ação, ou a mente, o coração e a mão. Somos distintos no intelecto, não há duas mentes iguais. É desnecessário descrever as variedades de intelecto para demonstrar isso. Com as emoções, os sentimentos e a sensibilidade acontece o mesmo; não há duplicações. Quando falamos de paradigmas de intelecto ou emoção nos termos da Torá, Moisés seria o maior dos gigantes em erudição, e Avraham, o hebraico de Abraão, a personificação da bondade, da generosidade humana, do amor a D’us e ao próximo. Como podemos ser comparados a Avraham apropriadamente? O Talmud diz que cada um de nós deve exigir de si mesmo: “Quando é que minhas ações alcançarão os

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feitos dos patriarcas, Abraão, Isaac e Jacó?” Não está dito “Quando a minha aprendizagem da Torá será como a deles?” Ou “Quando meu amor ou temor a D’us será como o dos patriarcas?” O Talmud fala dos “meus atos”. Nossas mãos são tão fortes e capazes quanto as deles. O que eles fizeram nós também podemos fazer. “Avraham foi um”, o profeta diz a respeito dele. Um homem contra o mundo inteiro. Ele não precisava de rede de apoio, nem de um ambiente encorajador, nem de uma sociedade com mesma mentalidade. Ele foi pioneiro por excelência. Conta-se uma história de um homem na casa de estudos do Maguid, sucessor do Baal Shem Tov, no cargo de chefe do movimento chassídico, por volta de 1760. Naqueles dias, a elite sentava contra a parede leste, e quanto mais longe, menor a sua posição. Nos fundos havia um forno a lenha, e atrás dele sentavam os indolentes e preguiçosos. Um discípulo do Maguid ouviu uma conversa de trás do


© stocksnapper

forno. “O que há de tão impressionante em Avraham ter levado o seu filho ao Altar? Afinal D’us o mandou. Se D’us tivesse me dito, eu faria o mesmo.” E aqueles por trás do forno apenas diziam o que era verdade. Alguém respondeu: “Avraham levantou-se cedo pela manhã. Ele não tentou adiar”. Uma pausa, e então, “eu faria o mesmo”. “Avraham cortou a lenha ele mesmo.” Outra pausa: “Eu faria o mesmo”. “Avraham selou o jumento sozinho.” Pausa: “Eu faria o mesmo”. “Avraham foi o primeiro. Você pode olhar para ele e fazer o mesmo. Avraham não podia olhar para ninguém.” Com isso acabou a discussão. A mente de Avraham era só dele. Os sentimentos foram apenas dele. Os feitos de Avraham podem ser nossos também. Qual é a força extremamente poderosa, aparentemente irresistível que obriga as pessoas a fazerem certas coisas? O homem moderno vai responder: “A pressão social”. O que leva tantos jovens às drogas? O que leva as pessoas a esbanjarem rios de dinheiro em coisas supérfluas? Pressão social. Que impacto Avraham pode ter em nossas vidas, para cada um de nós? Nós podemos ser livres da escravidão da pressão social, e tenha a certeza de que esta é uma escravidão malévola, impiedosa e implacável. Somos filhos de Avraham. Não estamos sujeitos a isso-é-o-que-todosfazem. Somos alunos de Avraham. Suas ações são nossas ações, sem distinções. E nós temos com quem aprender. Que legado ele deixou para os seus descendentes, além de um magnífico exemplo? Padrões. Uma medida através da qual avaliar o bem e o mal, o direito e a justiça. A criança pode aprender padrões de comportamento adulto ao assistir seus pais “adultos”, e concluir que determinados atos são errados e outros certos. Essa criança é um ser humano livre e independente, invulnerável à pressão. Eu ouvi uma história maravilhosa do nosso genro que estava na URSS, logo após a nossa visita em 1982, nos dias de Brezhnev. Um homem que nos conhecia lhe contou

sobre seu filho, de oito anos de idade. Os alunos da sua escola estavam alinhados para ouvir uma preleção sobre o Komsomol, a organização comunista jovem. “Todos que querem se juntar ao Komsomol, deem dois passos para frente!” Todos deram dois passos, menos seu filho. “Você não quer ser um Komsomol?” Perguntaram-lhe, incrédulos. “Não!” Os outros meninos começaram a puxá-lo para frente e ele resistiu. Ele não se moveu e ninguém conseguiu fazê-lo. O que aconteceu depois disso? Os meninos e professores começaram a lhe mostrar mais respeito. Avraham é chamado de “Avinu,” nosso pai. Porque ele tem filhos assim.

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Personagens da Histテウria Judaica

Uma FONTE QUE Nテグ SECA POR Yanki Tauber

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“E todos os poços que foram ... escavados nos dias de seu pai Abraão foram interrompidos pelos filisteus e preenchidos com terra ... E Isaac novamente cavou os poços de água cavados nos dias de seu pai ...” Genesis 26:15-18 É curioso que sobre o patriarca que mais viveu, sabemos menos de sua vida e realizações. A Torá relata a história da “oferenda de Isaac” como sendo uma prova de Abraão. Mais adiante, no longo e detalhado relato sobre a procura de uma esposa para Yitschac, hebraico de Isaac, a figura principal no decorrer dos fatos é Eliezer, o emissário de Abraão encarregado dessa missão, enquanto o paradeiro de Isaac naquele momento permanece desconhecido. O único de seus afazeres relatado em detalhe é uma série de poços que ele cavou. A Torá dedica um capítulo inteiro as suas escavações e conta como ele reabriu aqueles que seu pai havia cavado e uma série de novos poços que ele mesmo cavou. No relato da vida de Jacó, a Torá atribui a sua perseverança e sucesso para “o D’us de Abraão e o temor de Isaac”. É aí que reside a chave para o enigma de Isaac: Ele era temor ao amor de Abraão, a contenção para a expansividade de Abraão, a autoanulação para a autoafirmação de Abraão. O amor de Abraão a D’us e à humanidade o levou a uma

viagem de dentro para fora, uma viagem gravada nas estradas da Mesopotâmia, Egito e Canaã. Porém, a de Isaac foi uma jornada interior para as profundezas de si e da sua essência. Além de procurar águas nas profundezas do solo, Isaac se focava em uma busca interna. Cavar um poço é perfurar a camada de si - além da notoriedade, além da conquista. Nessa jornada, Isaac penetrava as profundezas do seu próprio ser rumo a sua fonte mais íntima. Isaac representa o temor a D’us no coração do judeu: sua disciplina de autocensura, seu sacrifício silencioso, sua reverência humilde diante da majestade de seu Criador. Isaac era um cavador de poços, passando pelo agito da emoção, da razão, do desejo e da experiência em busca das águas quintessências da alma. Abraão também cavou poços, mas os seus foram interrompidos pelos filisteus. “Um oposto ao outro D’us os fez “, é uma lei fundamental da criação. Toda virtude tem o seu mal correspondente, cada força positiva sua contraparte negativa. Amor também tem o seu rival do mal. O amor, afinal, é uma afirmação de si - a extensão de si mesmo para dar e se relacionar com o outro. Amor corrompido é quando

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Personagens da História Judaica

o “eu” se impõe a não dar, mas apenas receber. Não no amor de Abraão, mas em luxúria filisteia, não em carinhosa compaixão, mas em autossatisfação egoísta. E foi Isaac quem resgatou o legado de amor de Abraão. Quando novamente escavados por Isaac, os poços de Abraão tornaram-se imunes à corrupção filisteia, pois o amor que flui de um poço de altruísmo e temor a D’us, flui fiel a sua fonte e ao seu objetivo.

da infinitude de D’us. Para cavar, precisamos de persistência. Não dá para desistir ao encontrar uma extensão rochosa, percalços e empecilhos no meio do caminho. Para cavar, precisamos de humildade. Afinal, o objetivo é revelar aquilo que está enterrado muito abaixo da superfície e precisa ser apenas descoberto. Não se trata de criações próprias que levarão o nome do autor e a sua expressão individual. A obra já está pronta e

O amor sem controle, eventualmente se torna destrutivo, no “amor” pode-tudo do filisteu.

Todo judeu é o filho de Abrahão, Isaac e Jacó. Todo judeu tem deles um amor, reverência e veracidade codificados no DNA espiritual de sua alma.

precisamos apenas desobstruí-la para borbulhar, saciar a sede e vitalizar tudo que estiver ao seu alcance. Para cavar, precisamos de fé.

O Abrahão dentro de cada judeu corre para abraçar o mundo, levantar os oprimidos e menos afortunados, e se estender ao outro de coração, alma e talão de cheque. Mas amor verídico deve ser contido para não se desintegrar em uma conduta autoindulgente. O amor sem controle, eventualmente se torna destrutivo, no “amor” pode-tudo do filisteu.

Fé que, sob areia e rocha, sob lodo, poeira e sujeira, tem água fresca e borbulhante nos esperando para abrir um caminho para ela. Fé, que se escolhermos um local e ficarmos com ele, deixando de lado nossas pretensões e simplesmente comprometendo-nos a fazer o que precisa ser feito, acabaremos por atingir uma veia de vida e energia.

Isaac é a fonte de disciplina, humildade e reverência, da consciência de nulidade do homem finito diante

Fé para saber que junto conosco, o Patriarca Isaac está cavando também.

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Personagens da Hist贸ria Judaica

漏 Aivolie

A Jornada da Vida POR Yanki Tauber

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Dentre os três patriarcas do nosso povo, Yaakov, o hebraico de Jacó, tem um lugar especial. Os relatos de sua vida e seus desdobramentos se estendem ao longo de sete porções do livro de Gênesis, em que seus 147 anos da sua vida podem ser divididos em três períodos gerais.

conforme o costume local. De fato, uma das razões pela qual Jacó ordenou ao seu filho José enterrá-lo na Terra Santa (uma façanha que exigiu muitas manobras e manipulação para garantir o consentimento do Faraó) era que ele temia que, no Egito, seu corpo e túmulo se tornassem um objeto de idolatria.

Os primeiros 77 anos de sua vida, Jacó passou na Terra Santa, isolado nas “tendas de estudo” e protegido dos envolvimentos da vida material. Esses foram seguidos por 20 anos em Haran, a serviço de Labão, durante os quais Jacó casou-se, tornou-se pai de 12 dos seus 13 filhos e acumulou grande riqueza material. Após um período adicional na Terra Santa, Jacó “desceu” ao Egito, onde viveu os últimos 17 anos de sua vida.

Depois de uma vida em que ele havia habitado em seu próprio santuário de santidade hermético ou lutou contra a adversidade, os anos em que esteve no Egito foram um tempo de subjugação a uma sociedade que a Torá chama de “depravação da terra.” No entanto, a Torá considera esses 17 anos como os melhores anos da vida de Jacó, pois ele soube explorar sua estada no Egito para conduzir os impulsos de sua alma e promover os seus objetivos. Na verdade, foi no Egito, sob o domínio e a escravização posterior dos faraós, que os descendentes de Jacó foram forjados no povo de Israel.

Os anos que ele residiu na Terra Santa foram anos de tranquila perfeição, anos em que nada alheio a sua alma interferiu na sua vida de estudo da Torá, oração e serviço a D’us. Em contraste, a permanência de Jacó em Haran foi caracterizada por desafio e luta. Lá, ele enfrentou o seu sogro, “Labão o Enganador” e o derrotou no seu próprio jogo. Para se casar e sustentar a sua família, ele trabalhou à exaustão, enquanto “o calor me consumiu de dia, e geada à noite, e o sono foi banido dos meus olhos” (Gênesis 31:40). Nas palavras do anjo de Esaú a Yaakov no seu retorno de Haran: “Você tem lutado com D’us e com homens e prevaleceste” (ibid. 32:29). Essas, porém, foram as lutas em que Jacó manteve-se firme e nas quais ele finalmente triunfou. Mas, nos 17 anos em que ele esteve no Egito, Jacó experimentou, pela primeira vez em sua vida, um estado de verdadeiro exílio-subjugação a um ambiente estranho. No Egito, Jacó foi obrigado a prestar homenagem ao Faraó, o arqui-ídolo e semideus da terra. Após o falecimento de Jacó no Egito, seu corpo ficou no poder dos “médicos” egípcios durante os 40 dias que o embalsamaram

“Tudo o que aconteceu com os Patriarcas”, escreve Nachmânides, “é um sinal para os seus filhos. É por isso que a Torá elabora o conto de suas viagens, as suas escavações de poços, bem como os demais eventos de suas vidas... todos estes vêm como uma orientação para o futuro, pois quando algo acontece a um dos três patriarcas, compreende-se a partir disso o que está por ocorrer com seus descendentes”. Afinal, nós também vivenciamos no curso de nossas vidas os três estados de ser que Jacó passou: a soberania, a luta e a submissão. Cada um de nós visualiza a si mesmo em estado autotranscendente, de uma alma pura e inviolável no âmago do nosso ser. Somos convencidos de que esse ser não está sujeito ao capricho das circunstâncias e permanece para sempre distante dos ditames mutáveis da sociedade e do convencional. E, embora este núcleo nem sempre

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Personagens da História Judaica

seja acessível para nós, há momentos em nossas vidas, “momentos da verdade”, em que este afirma a sua vontade sobre toda e qualquer influência alheia, exceto a sua própria verdade interna. Mas esses momentos, para a maioria de nós são poucos e raros. Mais frequentemente, nós estamos em um estado de luta, luta com o nosso meio ambiente, luta com os nossos próprios hábitos e padrões de comportamento, luta com as paixões dos nossos corações partidos.

exatamente da mesma maneira. Nossos momentos de transcendência parecem passageiros e inconsequentes em comparação com as décadas da perfeição tranquila de Jacó na Terra Santa; nossas próprias lutas parecem pálidas e ineptas, em relação aos anos de Jacó em Haran; nossas próprias vidas em circunstâncias de submissão e opressão parecem obscurecidas quando espelhadas no período em que Jacó esteve no Egito. No entanto, as três vidas de Jacó são “sinais” que guiam, inspiram e capacitam a nossa vida.

As três vidas de Jacó são “sinais” que guiam, inspiram e capacitam a nossa vida.

A vida de Jacó na Terra Santa nos possibilita experimentar momentos de verdadeira liberdade. Momentos em que afirmamos a nossa verdadeira vontade sobre todas as forças, internas e externas, que buscam acabar com ela.

Um estado de luta indica que ainda não alcançamos o domínio completo sobre a nossa existência. No entanto, é um sinal de que somos livres. Estamos resistindo às forças que procuram nos desviar de nossa verdade interna; estamos engajando-os e lutando contra eles. Na verdade, essa é a vida em sua plenitude e produtividade máxima, mais ainda, em um certo sentido, do que aqueles “momentos de verdade” da perfeição plena.

Os anos de Jacó em Haran nos inspiram e nos permitem não só perseverar em nossas lutas, mas deleitar-se com elas, experimentá-las como períodos vibrantes e emocionantes em nossas vidas.

Mas também conhecemos tempos de impotência e subordinação. Momentos em que somos confrontados com circunstâncias em que não temos a capacidade nem para controlar, nem sequer resistir. Momentos em que parece que a vida foi interrompida abruptamente, detida por uma muralha impenetrável de impotência e desespero.

E o período em que Jacó esteve no Egito nos ensina como lidar com situações em que nos sentimos dominados por forças além do nosso controle. Esses tempos são parte integrante de nossas vidas e podem ser negociados com sabedoria, dignidade e integridade. E esses tempos também podem ser realizados como etapas vitais e produtivas de nossas vidas.

“Tudo o que aconteceu com os Patriarcas... está por ocorrer com seus descendentes.” Não que ocorra

Baseado nos ensinamentos do Rebe de Lubavitch

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Relatos

My first big steps POR Juan Maiz Lulkin

Caros, “Venho por este agradecer a generosidade, o cuidado e a atenção a mim concedidos pelo Maimônides Day Hospital e sua equipe, na realização do meu brit milá (circuncisão), no dia 25 de abril de 2013. Eu, minha esposa e meu filho nos sentimos muito bem recebidos

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e isso representou muito para eles na nossa decisão de viver em Eretz Israel e de participar ativamente no destino do povo judeu. Gostaria de aproveitar e explicar brevemente o que me levou a fazer o brit tão tardiamente – aos 30 anos. Há alguns anos, eu e minha esposa, após estudarmos um pouco o judaísmo e a história do povo judeu, resolvemos realizar um Shabat.


A experiência foi tão boa que fomos repetindo até se tornar uma rotina, porém uma rotina prazerosa. A união familiar – e também dos muitos amigos que fomos convidando a cada semana – a tranquilidade e a paz de espírito que a observância do Shabat nos proporcionou, parecem ter funcionado como uma espécie de sintonia fina que foi nos conectando com todas as outras pessoas que, naquele mesmo momento, ou com algumas horas de diferença, também estavam com os seus em volta da mesa, fazendo o Kidush, dividindo a chalá, contando histórias e se desligando da semana atribulada que ficava para trás.

segura, fui conversar com o Rabino Mendel. Ele prontamente me perguntou se eu queria fazer o brit milá – lembro dele ter perguntando para minha mãe, quando eu tinha 6 anos, e dela considerar desnecessário. Em um primeiro momento, ao refletir sobre o assunto, fiquei indeciso. Diversos amigos meus haviam feito o bar mitzvá sem realizar o brit, em sinagogas não ortodoxas, é claro. No entanto, quando meditei mais detidamente no tópico, me dei conta que era o correto a se fazer. Minha visão hoje não é de que devemos ser totalmente obedientes à tradição sem nenhum questionamento, porém, que a prudência, a mãe de todas as virtudes, é justamente

A ideia de uma sexta-feira sem o shabat se tornou antinatural, como uma noite sem sono. Lembro que, logo antes, um grande professor meu havia me comentado que ele nunca marcava nada para sexta-feira, pois respeitava o Shabat, sem abrir exceções. O comentário, mesmo não sendo de excessiva crítica, tinha como objetivo mostrar como mesmo homens da mais refinada inteligência ainda eram dados à tradição. O que, naquele momento, eu concordei sem hesitar. Foram apenas alguns meses após este episódio que, quando dei por mim, já não marcava absolutamente nada nas sextas após o almoço, reservando as tardes para comprar as últimas coisas, preparar a comida, limpar a casa... a ideia de uma sexta-feira sem o Shabat se tornou antinatural, como uma noite sem sono. Evidentemente, diversas outras coisas nos motivaram a viver em Israel, porém, o que narrei acima foi o mais importante. Alguns anos depois, quando nossa decisão já era

a capacidade de tomar a tradição, prima facie, como um guia veraz do que devemos fazer. No entanto, eu não tinha absolutamente nenhuma razão para me negar a participar do ritual que replica o pacto que Abraão fez com D’us aos 99 anos de idade, com suas próprias mãos – hoje em dia é tudo mais fácil. Porém, eu creio, há um aspecto que vai além desse pacto, que é o simples e evidente fato de que, para todo homem judeu, após o brit, é simplesmente impossível esconder quem ele é, ao menos para si. E eu não tenho porque esconder isso, para ninguém. Por fim, quero dizer que não esquecerei seu espírito de tzedaká – tão valorizado, não é mera coincidência, justamente por maimônides –, o qual passarei adiante na primeira oportunidade que tiver. Muito obrigado por tudo.

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Hist贸ria do Rebe

Tirado do aconchego POR Dr. Leonard Lovitch

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quero que você use um tapa-olho e volte em um mês. O acidente aconteceu numa manhã, em 1982. QuanVamos verificar novamente e ver se há alguma melhodo abri a porta do armário para me preparar para ir à ra. Então iremos resolver o que é possível fazer”. sinagoga, notei uma escada velha e uma feiticeira enBem, você pode imaginar como eu estava chateado. costadas lá temporariamente. Estávamos em reforma, Lá estava eu, um jovem cirurgião, recém começando a e o encanador estava instalando uma nova tubulação minha carreira, e agora eu tinha apenas um olho bom. do meu armário até o sótão. Eu pisei na escada bamba É impossível operar com um só olho, você precisa de para dar uma olhada e escorreguei. O cabo da feiticeira visão estereoscópica a fim de operar. Eu tive que fechar foi direto no meu olho direito. Eu chorava de dor excrumeu consultório sendo que eu não poderia mais agenciante. Minha esposa, Sharon, veio correndo. Percebedar cirurgias. mos a gravidade da lesão: eu poderia, D’us me livre, ter Não demorou muito e o Rabino Newman veio para perdido a visão do meu olho. nossa casa. Ele disse: “Eu ouvi sobre sua lesão e já liLigamos para o nosso amigo, dr. Goldstein, um oftalmoguei para o escritório do Rebe para logista em Long Beach, e felizmenfalar a seu respeito”. Um mês dete o encontramos antes dele sair de pois voltamos para dr. Feldon. Ele casa. “Venha ao meu escritório às examinou meu olho e disse: “Não 8h e eu vou dar uma olhada.” DeLá estava eu, um melhorou. Eu acho que nós demos pois que me examinou, dr. Goldsjovem cirurgião, tempo suficiente. Eu preciso operar tein disse: “Bem, eu tenho uma boa o seu olho e ver se há algo que eu notícia. Parece que o seu globo ocurecém começando possa corrigir”. lar está intacto, mas está deslocado a minha carreira, Eu liguei para o Rabino Leibel Grolá em cima na sua cabeça, e você e agora eu tinha feriu a parte inferior do músculo apenas um olho bom. ner, secretário do Rebe, e eu recebi a sua benção. A operação foi mardo olho que controla o movimento cada para a semana seguinte. Após do globo ocular. Eu tenho que lhe a operação, dr. Feldon nos disse: passar para um especialista ime“Eu tenho uma notícia boa e uma diatamente. Dr. Steven Feldon, um notícia ruim”. renomado especialista mundial em “Diga-nos a boa”, pedimos. músculos do olho, por acaso está no USC aqui em Los “A boa notícia é que o músculo do olho está intacto. Angeles. Vamos conseguir que ele te examine”. Foi gravemente ferido, mas não se soltou do globo ocuNa hora, dr. Goldstein ligou para o dr. Feldon no Doheny lar. A má notícia é que eu não pude fazer nada para Eye Institute. Normalmente leva meses para conseguir corrigi-lo. Não é corrigível. Venha ao meu escritório e uma consulta, e o ouvi dizer: “Não, não, isso é uma vamos encomendar óculos especiais chamados óculos emergência. Dr. Feldon precisa examinar dr. Lovitch de prisma que desviam a direção da luz e permitem que hoje! “ Finalmente eles disseram: “Ok, ok, manda ele você veja com o olho saudável.” Fiquei arrasado. Eu tipara cá”. nha passado anos estudando para ser um cirurgião e Dr. Feldon me examinou e depois de fazer alguns exaestava embarcando em minha carreira. O que seria de mes, ele disse: “Você tem uma ferida grave e não há mim agora? nada que eu possa fazer por você neste momento. Eu

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História do Rebe

Eu liguei para o Rabino Groner e lhe disse: “Eu simplesmente não entendo. Nós aprendemos nas aulas de Torá que tudo que acontece é para o nosso bem. Diga-me, onde está o bem? Eu não o vejo!” O Rabino Groner falou comigo por um longo tempo, tentando me confortar. Então ele disse: “Eu vou falar com o Rebe e lhe dou retorno”. No domingo seguinte, nós participamos de uma festa na comunidade. Quando chegamos em casa o telefone estava tocando, era o Rabino Groner. “Eu estive tentando falar com você a tarde toda! O Rebe tem uma pergunta para você: você faz kiddush e havdalah em vinho tinto?” Eu respondi: “Às vezes, nem sempre. Às vezes vinho branco, suco de uva, o que temos em casa”. “Ah”, disse ele. “O Rebe me disse para instruí-lo de

“Sharon”, eu disse para minha esposa, “algo está havendo aqui. Isso nunca aconteceu antes. Algo está diferente!” Isso aconteceu repetidamente, toda a semana, e eu senti que definitivamente havia movimento. Kidush e havdalá no próximo Shabat, e mais um Shabat depois disso - e, de repente, o globo ocular estava de volta em seu lugar, como se nada tivesse acontecido! Eu podia ver perfeitamente, sem os óculos de prisma, exatamente como antes. Liguei para o dr. Feldon e disse: “Eu tenho algo a lhe dizer. Meu olho está melhor. Eu consigo ver”. “Isso é impossível! Venha aqui e vamos examiná-lo.” Quando cheguei lá, toda equipe da USC que estava envolvida na minha cirurgia estava esperando por mim. Depois que ele me examinou, dr. Feldon disse: “Você está certo,

Aliás, daquele dia em diante, qualquer que seja o evento, sempre há uma garrafa de vinho tinto esperando por mim. sempre usar vinho tinto para fazer kidush e havdalá.” “Ok”, eu disse. “Eu vou fazer assim. Só isso?” Na época, eu não entendia que a resposta para a minha situação poderia estar contida em uma instrução tão curta. Até o Shabat, toda a comunidade já havia escutado o que o Rebe tinha dito. Havia uma garrafa de vinho tinto na sinagoga para mim e eu fiz kiddush para toda a congregação. Aliás, daquele dia em diante, qualquer que seja o evento, sempre há uma garrafa de vinho tinto esperando por mim na sinagoga. Uma semana se passou, e eu fiz kiddush e havdalá no vinho tinto, e depois passaram mais duas. Um total de seis semanas havia se passado desde a minha lesão. Acordei naquela manhã de domingo e eu senti um clique no meu globo ocular, como se estivesse se movendo.

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seu olho está bem! É inédito - é milagroso! Diga-me, quem você conhece que pôde fazer tal milagre acontecer? Eu lhe disse: “O Rebe de Lubavitch, em Brooklyn, Nova York”. “Bem, certamente é milagroso”, disse ele. Fiquei muito impressionado que esse médico reconheceu que o plano espiritual pode causar um resultado além do curso natural do mundo. Eu carrego essa lição comigo durante toda a minha vida e em minha carreira também. Eu voltei para o meu consultório e eu pude exercer aquilo pelo qual fui treinado e muito mais. Minha carreira tem sido muito rentável e me permitiu dar tzedaká, caridade, não só localmente, mas para causas no mundo todo.


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