Page 1


REVISTA TOTH CIÊNCIA E EDUCAÇÃO


ISSN

REVISTA TOTH CIÊNCIA E EDUCAÇÃO

FUPAC Rua Jair Rodrigues Coelho, 211 – Vila Bretas – Governador Valadares – MG Telefone: (33) 3212-6700 - CEP – 35.032-200 http://www.unipacgv.com.br


REVISTA TOTH – CIÊNCIA E EDUCAÇÃO

EDITORAÇÃO Editor: Rogério Vieira Primo Editores associados: Fernanda Aparecida Gomes Corrêa Maria Helena Campos Pereira Equipe técnica: Normalização Mônica Machado Messeder Diagramação Paulo Roberto Júnio Campos Pereira Criação gráfica Iris T. das Virgens Moreira Criação gráfica Warley Vasconcellos da Cunha Produção Artística: Pop Comunicação Corpo Editorial Científico: Alisson Cardoso de Oliveira Ana Paula de Oliveira Edney Ferreira Moreira Fernanda Barbosa Lopes Jennifer Pimentel Soyer João Cláudio Passos da Silva Pedro Avner Ferreira Quintino Rosely Conceição de Oliveira

Revista TOTH - Ciência e Educação – vol. 1 n.1 - 2018 Governador Valadares: Fundação Presidente Antônio Carlos - FUPAC Periodicidade: Semestral ISSN 1 Educação Física – Periódicos. 2. Esporte - Periódicos CDD 19. ed.: 796.4


SUMÁRIO

BULLYING NA ESCOLA, ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS A PARTIR DA EDUCAÇÃO FÍSICA 7 O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO

2

A EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SAÚDE DO EDUCANDO 6 A FALTA DE INTEGRAÇÃO DOS PAIS COM O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA 14 CENÁRIO DO GÊNERO FEMININO NO FUTSAL DO ENSINO MÉDIO: PRECONCEITO OU DESINTERESSE? 5 EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO E O DESINTERESSE DOS ALUNOS 5 A IMPORTÂNCIA DO FUTEBOL NO AMBIENTE ESCOLAR PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE CRIANÇAS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 6 INCLUSÃO DE ALUNOS COM SURDEZ NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: O QUE DIZEM OS PROFESSORES 20


EDITORIAL


BULLYING NA ESCOLA, ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS A PARTIR DA EDUCAÇÃO FÍSICA André Luiz de Paula Caldas¹ *Jorge Gomes Junior¹ Maria Helena Campos Pereira² Alisson Cardoso de Oliveira² Resumo É notório o desrespeito e a intolerância entre alunos nas escolas, sendo um fenômeno do final do século XX e início do século XXI. O bullying é um problema crônico a ser extinto do convívio social já que influencia diretamente na socialização dos indivíduos. No ambiente escolar sempre se encontrou manifestações agressivas, porém atualmente, tal assunto passou a ser vivenciado com maior frequência. A violência a cada ato e sua visibilidade adquiriu notoriedade maior, levando as autoridades públicas a montarem políticas para combater as possíveis causas e implementar soluções. Assim, o presente trabalho tem como objetivo analisar as possíveis causas, soluções e consequências às vítimas e agressores, bem como a influência do bullying no futuro de cada um. Palavras chave: Desrespeito e intolerância, Bullying, Causas e soluções. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail:andrelzc06@hotmail.com . jorgegomes-gv@hotmail.com ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Ensino de artes e História e cultura de Minas Gerais. Professor de Fundamentos de Sociologia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co-autor. E-mail: nossila25.01@gmail.com.

Introdução É possível notar o crescimento de

Em Algumas escolas brasileiras

atos violentos ocorridos nas escolas, que

existem poucos momentos de descontração

podem representar grandes dificuldades no

e livres de tensão. É possível verificar em

desenvolvimento dos alunos, influenciando

alguns casos a falta de diálogo entre alunos

cada vez mais em um futuro com

e professores. Na ausência de diálogo,

dificuldades cognitivas, motoras e até

nota-se o distanciamento desse aluno,

mesmo de convívio social.

especialmente o mais vulnerável. Ou seja,

Cada aluno é um ser que vem com

aquele indivíduo que é exposto diretamente

uma história de vida pessoal. O que

ao preconceito e a intolerância, sendo

significa que muitos destes alunos são

privado da possibilidade de adequar-se ao

caracterizados por situações de fracasso,

comportamento apresentado como normal

desvantagens, mal-estar e sofrimentos dos

para todos

mais diferentes tipos. (CALIMAM, 2006).


O agravamento de tal situação é a

psicológica ou até mesmo física, muitos

maneira como as outras pessoas “entendem

alunos deixam de participar de um

e tratam” os indivíduos expostos ao risco

momento que deveria ser de união, como é

eminente reforçando as ocorrências de

a prática de esportes. Assim ocorre, muitas

violência grupal ou individual. Assim,

vezes, a falta de participação dos mesmos

quanto aos fundamentos do bullying na

nas aulas por medo ou vergonha dos

escola pode-se dizer que:

colegas que lhes ofendem com palavras e

O bullying “é um comportamento ligado à

atitudes.

agressão verbal, física ou psicológica que

Os reflexos do bullying acabam

pode ser efetuada tanto individual quanto

sendo a não inclusão de todos os alunos

grupalmente”.

um

nas atividades propostas. A prevenção e

relações

combate são de suma importância já que

interpessoais, em que os mais fortes

suas consequências futuras se manifestam

convertem os mais frágeis em objetos de

não só nas escolas, mas também nas ruas e

diversão e prazer através de “brincadeiras”

até mesmo dentro da própria casa. Então, o

que disfarçam o propósito de maltratar e

ponto a ser questionado é: qual seria a

intimidar.” (CONSTATINI, 2004)

intervenção correta do professor para evitar

Sendo assim, caracteriza-se como bullying

o bullying de maneira eficaz nas aulas de

o ato covarde onde não há a análise das

Educação Física?

“O

comportamento

bullying

próprio

das

é

possíveis consequências por parte daquele que o pratica.

Nossa pesquisa foi realizada com propostas de intervenção do professor de

Destaca-se

que

os

efeitos

do

educação física para que se tenha apoio

bullying vão além de um simples momento

eficaz no combate ao bullying na escola.

constrangedor. Suas implicações podem

Assim,

levar a traumas mais severos onde faz-se

professores

necessário a intervenção de profissionais

conhecimento de como abordar tal assunto

especializados

e consequentemente, obter resultados.

Se o bullying é um tema que tem sido abordado,

com

combatido.

A

objetivo

que

se

com

os

tenham

Esse tema se justifica no âmbito pessoal, com base nas experiências obtidas em

como

escolas durante o momento de atuação

disciplina escolar, tem o dever de fazer um

como estagiários, bem como em matérias

amplo

disponíveis na mídia.

educação

para

de

para

contribuir

ser

debate

o

podemos

física

proporcionar

a

participação dos alunos nas aulas. Por sofrerem

violências

como,

verbal,

Como

citado

anteriormente,

o

bullying é um problema que tem se


enraizado na sociedade. A imprensa tem

importância desse problema social e o mal

mostrado, através dos noticiários, um

que se prolifera.

agravamento dos casos de. Portanto, se

Deste modo, é importante que o

esse problema não for combatido poderá

bullying seja tratado problema a ser

acarretar maiores transtornos que os já

combatido. Somente assim será possível

vistos normalmente. É importante que a

que a sociedade passe a enxergar o

escola, a comunidade, os governos pensem

próximo com respeito.

nesse assunto para mostrar a grande

Bullying, um problema crônico A palavra “bullying” vem do adjetivo

As formas de agressão entre alunos

inglês “valentão”. Quem o pratica o faz

são as mais diversas, como empurrões,

para se sentir superior e adquir respeito dos

pontapés,

demais. Utilizam de atos desrespeitosos e

humilhantes, mentiras para desestabilizar a

desumanos, para elevarem o próprio ego.

vítima, passando assim por uma situação

Segundo Thais Pacievitch, da Info Escola,

vexatória, inventar apelidos que ferem a

Bullying é um ato caracterizado pela

dignidade, captar e difundir imagens,

violência física e/ou psicológica, de forma

inclusive pela internet. Inclusive são os

intencional e continuada, de um indivíduo,

meios digitais como a internet que dão

ou grupo contra outro (s) individuo (s), ou

maior visibilidade as agressões citadas.

grupo(s), sem motivo claro.

Essas ameaças são difundidas em sites e

insultos,

espalhar

histórias

No Brasil, a palavra “bullying” é

grupos de alunos tomando proporções que

relacionada a atos agressivos entre alunos

antes da popularização da internet não

e/ou grupos de alunos nas escolas. Até

existia. Não é errado afirmar que o

pouco tempo, o que hoje reconhecemos

bullying

como bullying, era visto como fatos

massificação ficou a cargo da era digital.

isolados,

“briguinhas

normalmente

família

de

criança”,

e

escola

o

bullying

existiu,

mas

a

e

Muitas vezes existem diferenças na

não

prática do bullying. Entre os meninos, os

tomavam devidas atitudes a respeito. Atualmente,

sempre

ataques mais comuns são as físicas. Ainda é

que não efetivada a agressão, os agressores

reconhecido como problema crônico nas

costumam ameaçar, fazer medo em suas

escolas, e com consequências sérias, tanto

vítimas.

para vítimas, quanto para agressores.

costumam espalhar rumores mentirosos, ou

as

meninas

agressoras


ameaçarem e espalharem segredos para

esquecer que a vítima foi o maior

causar mal-estar.

molestado nessa situação. Acredita-se que

As

ameaças

podem

vir

o

bullying

atrapalha

inclusive

observando

a

acompanhadas de extorsão, chantagem

aprendizagem,

que

para obter dinheiro, sobretudo com alunos

normalmente os agressores são as crianças

de 5ª e 6ª série.

com maior porcentagem de reprovação. De

Importante enfatizar que o bullying

acordo com (PACIEVITCH 2017) os casos

não é via de mão única. Ele atinge

de agressão, que acontecem por um

principalmente quem é agredido, mas,

período maior, devem ser encaminhados

muitas vezes, os agressores também são

para atendimento psicológico.

vitimas. Crianças e jovens que praticam o

Portanto, ao entender o bullying na

bullying têm histórico de algum tipo de

escola como um problema crônico e de

abuso. O que normalmente acontece, é que

grande significância que é, exige que a

as atenções dos responsáveis tais como

comunidade escolar e a sociedade como

pais e professores se voltem para o

um todo, se mobilizem com planejamento

agressor, visto como um marginal em

e ações educativas que contribuam para a

potencial, sem atacar a raiz do problema.

realização de atividades de erradicação que

Assim, é necessário considerar o fato que o

minimize os efeitos negativos na vida dos

agressor deve também ser ouvido, sem

envolvidos.

Bullying escolar Segundo

Amélia

termo bullying compreende formas

de

maneiras

Hamze,

o

adultos com comportamentos antissociais e

todas

as

violentos, podendo vir a adotar, inclusive,

agressivas,

atitudes delituosas ou delinquentes.

intencionais e repetitivas, que ocorrem sem

Quando não há intervenções eficazes

motivo evidente e são tomadas por um ou

contra o bullying, o espaço escolar torna-se

mais estudantes contra outro, causando

totalmente corrompido, e dessa forma, a

traumas, e são executadas dentro de uma

maioria das crianças são afetadas, e passam

relação desigual de poder.

a experimentar sentimentos de ansiedade e

De todo fato, o bullying é um problema que deve ser combatido em toda

medo. Os alunos que sofrem bullying,

e qualquer escola que enfrente essa

dependendo

problemática. Os que praticam o bullying

individuais e dos meios em que vivem,

têm grande perspectiva de se tornarem

poderão

não

de

suas

ultrapassar

características

os

traumas


sofridos na escola. E quando adultos

casos é possível que adquiram também, um

podem

comportamento hostil.

apresentar

tornando-se

baixa

indivíduos

autoestima, com

sérios

problemas de relacionamento. Em alguns

Identificação e combate ao bullying na escola É difícil estudar a questão do bullying, no entanto, para que se identifique e possa combater este problema na escola é importante conhecer alguns casos e ou depoimentos. "Na sala de aula, jogavam bolinha de papel na minha cabeça, não me deixavam participar de nenhum grupo, me imitavam, pois eu gaguejava quando criança. Era sempre um grupo de meninos que fazia isso. A cena que me magoa até hoje foi lembrar quando dois meninos acharam um pedaço de fio de cobre atrás da escola e me bateram com ele". O depoimento é de Lídia Eliane Canuto de Souza, 30 anos, residente de Ribeirão

O que aconteceu no passado com ela é uma realidade que permanece no de

diversas

crianças

e

adolescentes em escolas do mundo todo. Segundo a ONG "Learn Without Fear" (Aprender Sem Medo), 350 milhões de

crianças

e

jovens

não para o Bullying", Aramis Lopes Neto, aponta que atitudes violentas dentro da escola geram muita preocupação, pois interferem na formação do indivíduo e deixam sequelas, principalmente para as vítimas. No caso de Lídia, ela diz que o bullying contribuiu para diminuir sua autoestima

são

vítimas

de bullying anualmente em todo o mundo.

e

fez

com

que

tivesse

dificuldade em confiar e de se relacionar com as pessoas. Portanto, o bullying não pode ser encarado provocação

como

uma

natural

brincadeira

entre

crianças

ou e

adolescentes e merece atenção para ser prevenido

Pires, interior de São Paulo.

cotidiano

O pediatra e um dos autores do livro "Diga

e

combatido.

Assim,

é

importante que se conheça esse fenômeno social, suas causas, consequências e quais são as medidas necessárias para diminuir a incidência desse tipo de comportamento. (LEMGRUBER,2017)


Metodologia Essa pesquisa se utiliza do método

coletados, uma vez que quando se trata de

quantitativo. Sendo desenvolvido em sala

seres humanos, nem sempre se consegue

de aula e acompanhado pela professora

absorver

orientadora do projeto. A escolha do tema

transparência

pesquisado, se deve a sua relevância. Para

(Fonseca

informações

passadas

com

A pesquisa foi realizada na Escola 2002),

Estadual Professor Darcy Ribeiro, com

diferentemente da pesquisa qualitativa, os

alunos do terceiro ano do Ensino Médio.

resultados da pesquisa quantitativa podem

As pesquisas impressas foram entregues

ser quantificados. Como as amostras

em

geralmente são grandes e consideradas

respondidas e devolvidas. Assim, os

representativas da população, os resultados

participantes responderam as seguintes

são tomados como se constituíssem um

questões: Você já sofreu algum tipo de

retrato real de toda a população alvo da

Bullying?

pesquisa. A pesquisa quantitativa se centra

bullying? Bullying é considerado forma de

na

preconceito? Pode-se dizer que o bullying

objetividade.

Influenciada

pelo

sala

aula

que

presenciou

cenas

agressor? Os pais precisam estar cientes do

análise de dados brutos, recolhidos com o

bullying sofrido por seus filhos? Neste

auxílio de instrumentos padronizados e

foco, todas as questões tinham a opção de

neutros.

sim, não e talvez. A seguir foram

conseguimos

resultados

quantitativo, reais

e

em

mãos,

computados.

abordagem feita aos alunos ter sido

alcançados

fácil interpretação. Porém, é necessário a criticidade

na

observação

dos

dados

pelo

recolhidas no dia seguinte. E com os dados

considerados mais seguros pelo fato da

realizada com perguntas objetivas e de

vividos

de

pode ser compreendida com base na

método

problemas

fossem

é

o

de

para

positivismo, considera que a realidade só

Com

fruto

de

eles

foram

Dessa os

analisados forma,

seguintes

e

foram

resultados:


Resultados e discussão Gráfico 1: Alunos que já sofreram algum tipo de bullying.

20% SIM NÃO

50%

TALVEZ

30%

Fonte: Escola Estadual Professor Darcy Ribeiro

No gráfico 1, referente a primeira

que 50% dos entrevistados afirmam que

questão, é possível identificar que em

sim o que representa um total de 15

porcentagem, o bullying vem sendo cada

(quinze) alunos. Outros 30% disseram não

vez

com

sofrer nenhum tipo de represália, que

conhecimento e sabedoria se consiga o

implica em 9 (nove) alunos, e 20%

objetivo principal, que é o combate. Esse

informaram

gráfico aborda a questão, “você já sofreu

alguma situação, já sofreram qualquer

algum tipo de Bullying?”, é possível

forma de bullying totalizando assim, 6

observar um alto número de alunos que

(seis)

mais

destacado

para

que

que

provavelmente,

alunos.

relatam já terem sofrido bullying. Nota-se

Gráfico 2. Alunos que já presenciaram cenas de bullying.

100% 50%

0% SIM

em

NÃO

Fonte: Escola Estadual Professor Darcy Ribeiro


Nesse item da pesquisa percebe-se o quão

importante

de

amizades e liberdade por parte das vítimas.

profissionais capacitados e responsáveis

No gráfico 2, que se refere a “Você já

para

combater

presenciou cenas de bullying?” Todos os

atitudes,

alunos relataram já ter presenciado cenas

que

se

incessantemente

é

a

presença

possibilitando assim novos aprendizados,

possa tais

de

bullying

de

variados

tipos.

Gráfico 3: O bullying é considerado uma forma de preconceito?

10% 0%

SIM NÃO TALVEZ

90%

Fonte: Escola Estadual Professor Darcy Ribeiro

Nessa questão, foi possível constatar

Através do gráfico 3, é possível

resultados importantes quando se aborda o

observar que 90% dos entrevistados, ou

tema, uma vez que é necessário saber a

seja, 27 (vinte e sete) alunos consideram o

opinião tanto dos que sofrem como dos que

bullying como uma forma de preconceito,

praticam o bullying. Sendo possível o

os 10% restantes sendo equivalente a 3

entendimento

(três) alunos não souberam responder o

da

situação

e

como

consequência há a proposta de soluções ou caso algo já esteja proposto, que se coloque em prática.

questionamento com precisão.


Gráfico 4: O praticante e as atitudes devido a problemas vividos por ele.

SIM TALVEZ NÃO

0

10

20

30

40

50

60

70

Fonte: Escola Estadual Professor Darcy Ribeiro

Observamos que essa foi uma

acham que o comportamento tomado pelos

questão de difícil interpretação por parte

agressores não tem ligação com problemas

dos alunos. No momento em que cada um

vividos por eles mesmos. Cerca de 30% - 9

expôs sua opinião, fez-se notório que a

(nove)

maioria vê que o agressor comete os atos

questionamento seja verdadeiro e apenas 2

de violência por prazer, ou sem motivos

(dois) alunos ou aproximadamente 10%,

aparentes.

afirmaram que sim, o praticante e as

Ao observar o gráfico nº 4, com

-

atitudes

disseram

do

que

mesmo

são

talvez

devidos

tal

a

base na questão: “É possível que o agressor

problemas vividos anteriormente. Com

possua comportamentos agressivos devido

isso,

a problemas vividos por ele mesmo”?

vividos pelos agressores são de grande

Nota-se

que

valia nos atos praticados por eles.

tiveram

dificuldades

os

alunos na

questionados

considera-se

que

os

problemas

interpretação.

Sendo assim, aproximadamente 60% - 19 (dezenove) - alunos responderam que

Gráfico 5: A necessidade dos pais estarem cientes do bullying sofrido por seus filhos

SIM TALVEZ

Fonte: Escola Estadual Professor Darcy Ribeiro


Pela pesquisa percebe-se o quão importante

a

ou

vítima precisam estar cientes dos atos

tenham

sofridos por seus filhos, e apenas 1 (um)

conhecimento de como é o comportamento

relatou que talvez os pais não devessem

de seus filhos perante outros alunos,

estarem presentes quanto aos possíveis

professores e demais funcionários da

casos.

responsáveis,

presença para

dos que

pais

nove) alunos afirmam que os pais da

Escola. O gráfico 5 (cinco), retrata o quão necessário é os pais estarem cientes do bullying sofrido por seus filhos: 29 (vinte e

Considerações finais Ao retomar o problema central foi

necessários para combater o bullying.

possível verificar que a barreira existente

Assim, deve-se buscar maneiras de acabar

entre pais e professores pode ser uma

com esse tipo de violência e assegurar que

grande influência para os casos de bullying

os alunos tenham total liberdade para

na escola. A falta de um diálogo entre

conversar com seus pais e professores.

ambos prejudica tanto aquele que está

Outras formas de conscientização dos

sofrendo o bullying quanto quem o pratica.

malefícios do bullying são a realização de

A intervenção com esses alunos é

palestras, reuniões com as famílias e

de extrema importância, porém se ambas

alunos, gincanas educativas, entre outras

as partes não tomarem nenhuma decisão, a

brincadeiras que proporcionem a relação

tendência é um aumento dos casos de

harmoniosa entre todos os envolvidos.

bullying na escola. Os reflexos desse

Vejamos que esses exemplos, são maneiras

problema não é só nos muros da escola,

que podem ser adotadas pela própria

mas

escola, a fim de proporcionar aos alunos e

também

futuros

agressores

na

sociedade.

pais, as vivências, bem como o combate a

Portanto, ao considerar as estratégias

essa problemática. Entende-se que viver e

pedagógicas a partir da educação física, é

conviver em harmonia, pode e deve

importante enfatizar união entre pais e

colaborar significativamente para que se

professores. Os trabalhos de reflexão são

evite outros problemas sociais.


Abstract The disrespect and intolerance among students observed in schools, being in the XXI century narrated as bullying, is a chronic problem to be extinguished of the social conviviality since it directly influences the socialization of the individual.In the school environment there were always aggressive manifestations of the type, but currently, the word found and used for the denomination of these acts was bullying. From time to time this

subject has been experienced with greater frequency and each act witnessed has acquired greater notoriety and the possible causes and solutions have become easier to approach. Thus, the present work aims to analyze possible causes, solutions and consequences referring to victims and aggressors and how this influences the future of each one. Key word: Disrespect and intolerance, Bullying, Causes and solutions.

Referências CALIMAN, G. Estudantes em situações de risco e prevenção. Ensaio: Aval Políticas Públicas em Educação, vol. 14, nº 52, Rio de Janeiro, Jul/Set 2006. 383 – 396 P. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010440362006000300007&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 10 nov. 2017. COSTANTINI, A. Bullying, como combatê-lo? Prevenir e enfrentar a violência entre jovens. Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/administracao/violencia-escolar-bullying-papelfamilia-escola.htm. Acesso em: 10 nov. 2017. FAGUNDES, Eulica. Violência escolar e bullying: O papel da família e da escola.Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/administracao/violenciaescolar-bullying-papel-familia-escola.htm. Acesso: 10 nov. 2017. FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Disponível em: <www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf>. Acesso em: 10, nov 2017. HAMZE, Amélia. Bullying escolar: Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol .com.br/trabalho-docente/bullying-escolar.htm>. Acesso em: 02 out. 2017. LEMGRUBER, Roberta. Saiba identificar e combater o bullying nas escolas. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/familia/galerias/12927-saibaidentificar-e-combater-obullying-nas-escolas>. Acesso em: 02 out. 2017. PACIEVITCH, Thais. Bullying na Escola: Um Problema Crônico. Disponível em:<https://escoladainteligencia.com.br/bullying-na-escola/>. Acesso em: 02 out. 2017.


O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO David Prates Souza¹ Karley Cristina Silva Pinto¹ Thaise Emanuelle Conrado dos Santos¹ Maria Helena Campos Pereira² Jennifer Pimentel Soyer² Resumo Este artigo apresenta a ludicidade como uma estratégia eficaz no processo de ensinoaprendizagem, assim como a importância de se trabalhar o lúdico nas aulas de educação física. A questão principal do artigo é: Qual a importância das atividades lúdicas para o desenvolvimento psicomotor do aluno nas aulas de educação física no ensino fundamental? O objetivo deste trabalho é analisar a importância das atividades lúdicas para o desenvolvimento psicomotor do aluno nas aulas de educação física. O foco da pesquisa destinou-se a uma escola pública estadual, diretamente em contato com 100% dos professores de educação física desta escola. O trabalho tem como base teórica o autor (KISHIMOTO, 2002), (FRIEDMANN, 2003) e Bandeira (2001). Através de uma pesquisa qualitativa nas escolas, buscou-se chegar a uma conclusão onde se pode verificar como o lúdico é visto pelos professores, se eles inserem a ludicidade em suas aulas e se considera importante esta prática.

Palavras-chave: Lúdico e ensino. Desenvolvimento psicomotor. Estratégia de ensino na educação física. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Educação Física Escolar. Professora de Natação, Hidroginástica e Ginástica de Academia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co-autora. E-mail: jennipsoyer@gmail.com

Introdução O presente artigo aborda o lúdico como

considera-se como problema científico:

estratégia de ensino nas aulas de Educação

Qual a importância das atividades lúdicas

Física. Alguns professores de Educação

nas aulas de educação física no ensino

Física não utilizam a criatividade para

fundamental? Além de o aluno aprender

trabalhar o lúdico nas aulas, considerando

brincando, se divertindo, é uma ótima

que por não terem o espaço, os materiais,

forma de chamar a atenção, fazer com que

as condições necessárias dentro da escola,

a criança queira participar e ajuda também

tais atividades não são capazes de ser

no seu desenvolvimento psicomotor, no

realizada. (TAZINAZZO, 2012) Assim,

convívio social e etc. Para responder ao


problema elabora-se o seguinte objetivo da

E no âmbito educacional o lúdico tornou-

pesquisa:Identificar a importância das

se uma ferramenta pedagógica capaz de

atividades lúdicas para o desenvolvimento

promover

psicomotor

dinâmica, interativa e eficaz, contribuindo

do

aluno

nas

aulas

de

Educação Física. O campo de ação será o

o âmbito social, pessoal e educacional. No âmbito pessoal, justifica por perceber que crianças

estão

mais

Este trabalho se fundamenta nas concepções teóricas de (KISHIMOTO,

O estudo é importante, pois envolve

as

aprendizagem

para o aprender do aluno.

ensino fundamental na “Escola Estadual Flores do Amanhecer”.

uma

cada

vez

menos

interessadas nas aulas de educação física e o lúdico resgata esse interesse. No âmbito social, a ludicidade aproxima e melhora o convívio, sendo assim, os alunos aprendem a viver em sociedade, a respeitar e ajudar.

2002) que fala sobre O brincar e suas teorias.

(FRIEDMANN,

2003),

A

importância do brincar. E (BANDEIRA, 2001), com a abordagem sobre ludicidade e facilitação de aprendizagem. Portanto, a relevância do tema pode ser de grande valia em vários aspectos do desenvolvimento

humano,

tais

como,

social, cognitivo, afetivo, dentre outros.

O que é ludicidade? O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”.

divertimento, além da relativa conduta daquele que brinca, joga e que se diverte.

Considerando sua origem isolada, o termo

O jogo é reconhecido como meio

lúdico seria direcionado apenas ao jogar,

de fornecer à criança um ambiente

ao

agradável,

brincar,

ao

movimento

corporal

motivador,

enriquecido,

semântica do termo "lúdico", todavia, não

aprendizagem de várias habilidades e

cessou simplesmente nas suas origens e

desenvolvimento das capacidades físicas,

acompanhou

trabalhando também o desempenho dentro

Psicomotricidade.

pesquisas “O

termo

de

“Ludus”

possibilita

e

espontâneo. A evolução e progressão

as

que

planejado

a

e fora da sala de aula.

segundo (LUCKESI, 2000) tem sua origem

Os desenvolvimentos pessoais que

no latim e significa “brincar”. Neste

a ludicidade proporciona associados aos

brincar estão incluídos as brincadeiras, os

fatores sociais e culturais colaboram para

jogos e as atividades que proporcionam o

uma boa saúde física e mental, facilitando o processo de socialização, comunicação,


construção de conhecimento, além de um

indivíduos envolvidos no processo de

desenvolvimento pleno e integral dos

ensino-aprendizagem.

A importância do lúdico O lúdico tem despertado cada vez mais o interesse de pesquisadores ligados à educação. Muitas têm sido as obras que

ensinam a respeitar regras e vivenciar conflitos competitivos. Por meio das atividades lúdicas, o

procuram refletir e justificar a necessidade

indivíduo

do brincar dentro e fora da escola.

ideias, estabelece relações lógicas, integra

Para desenvolver

e

forma

conceitos,

seleciona

participar

percepções e se socializa. Resgatando o

vive, a

gosto pelo conhecimento, por ocasionar

criança precisa brincar, pois brincando a

momentos de afetividade entre o indivíduo

criança

de

e o aprender, tornando a aprendizagem

auto expressão,

formal mais prazerosa. As brincadeiras

autoestima, sua autoconfiança e

desencadeiam prazer, satisfação e interesse

autonomia. (FROEBEL, 2001) justificou o

e precisam fazer parte do contexto escolar

uso do brincar no processo educativo,

(FRIEDMMANN, 2003).

ativamente do mundo em que

desenvolve

companheirismo, sua sua

seu

senso

tendo uma visão pedagógica do ato de

A partir do momento que a escola

brincar. Ele propôs uma educação voltada

valoriza as atividades lúdicas, auxilia na

à sensibilidade, baseada na utilização dos

criação de um bom conceito de mundo, em

jogos e materiais didáticos, que deveriam

que a afetividade é acolhida, a criatividade

traduzir por si a crença em uma educação

estimulada e os direitos dos indivíduos

que atendesse a natureza humana. O

respeitados.

brincar, pelo ato de brincar, desenvolve os aspectos físicos, morais e cognitivos, entre outros, mas o estudioso defende, também, a necessidade da orientação do adulto para que esse desenvolvimento ocorra. O ato de brincar e jogar torna o indivíduo capaz de pensar, imaginar, interpretar e criar, aspectos estes, que propiciam

autonomia,

iniciativa,

concentração e análise crítica para levantar hipóteses acerca dos fatos, bem como nos


O papel pedagógico da educação física no desenvolvimento infantil É

importante

ressaltar

que

a

sendo transmitido de forma prazerosa,

disciplina Educação Física é uma prática

desafiadora, motivadora, permitindo aquele

pedagógica que possibilita às crianças à

espaço

aquisição de conhecimentos através do

aprendizagem.

lúdico, do brincar e do interagir. Assim, essa

disciplina

tem

como

um

momento

de

ensino-

O lúdico quando é bem aplicado

objetivo

acaba se tornando um recurso pedagógico

proporcionar aos alunos a “vivência”, a

eficaz, que proporciona muitos benefícios

prática da cultura corporal de movimento:

e

danças, esportes, lutas, jogos, brincadeiras,

desenvolvimento da criança. Hoje os

ginásticas,

professores possuem uma variedade de

movimentos

circenses,

resultados

satisfatórios

de

atividades

para

o

relacionando sempre com a cultura em que

brincadeiras,

lúdicas

a criança está inserida. (TAZINAZZO,

favorecendo a aprendizagem na Educação

2012).

Infantil, assim: As aulas de Educação Física são

momentos em que os alunos se soltam, se expressão

[...] brincar é uma recreação, e

espontaneamente,porém,

quando o educador reconhece o jogo como

possuem dificuldades de reconhecer que

atividade ou conteúdo que promove o

também

que

desenvolvimento, permite a sensibilidade

possibilita conhecimentos e informações,

de perceber sua própria prática e avaliar

caminhando juntamente com o prazer,

suas próprias condutas, oferecendo melhor

satisfação, desenvoltura, além de ser um

qualidade de brincadeira às suas crianças

ambiente aberto e prazeroso.

(LIMA, 2007, p. 56).

é

uma

oportunidade

Quando o professor realiza um trabalho pautado nas brincadeiras, as

O professor deve utilizar métodos

crianças conseguem assimilar melhor os

que possibilitem maior participação, ser

movimentos, estabelecem vínculos dentre

crítico, trabalhar as experiências trazidas

as diversidades culturais e adquirem o

pelos alunos no seu dia a dia, o que

conhecimento específico e organizado

contribui para o seu desenvolvimento,

traçado

aula.

propor ações estimulantes e incentivadoras,

Assim,todas as aulas devem ser planejadas

como também ser o mediador no processo

pelo

claramente,

ação-reflexão, incentivar sua criatividade,

quais os objetivos pretendem ser atingidos,

conforme está contido na Lei de Diretrizes

pelo

objetivo

daquela

professor,detalhando


e Bases da Educação Nacional (Lei

ludicidade

como

9394/96).

pedagógica escolar.

parte

da

prática

Então, nas aulas de Educação Física

Também é importante ressaltar que

o lúdico proporciona a evolução do aluno,

o professor precisa relacionar a teoria com

além do desenvolvimento do cognitivo,

a prática, não é só propor brincadeiras sem

motor,

dos

conhecimentos e sem objetivos, mas com

formação,

qualidade, técnicas na proporção que

caminho didático, sendo utilizado para se

possam atingir os seus objetivos, “o

alcançar êxito no ambiente escolar. O

desenvolvimento

professor

assim a brincadeira torna-se uma fonte de

físico,

valores

afetivo,

humanos

aquisição

em

deve

sua

relacionar

o

ensino-aprendizagem”,

desenvolvimento com a aprendizagem do

conhecimentos

lúdicos,

aluno, no qual o conteúdo deve estar

independentes

da

estruturado de forma com que ele aprenda

(FRIEDMANN, 2003).

e coloque em prática no seu dia a dia (FRIEDMANN, 2003).

criativos

própria

e

criança

Deste modo quando o professor de Educação Física trabalha o brincar como

A ludicidade pode ser praticada por

um fator primordial aos seus objetivos, ele

todas as faixas etárias objetivando sempre

está automaticamente valorizando o lúdico

o desenvolvimento humano. Deve ser parte

tornando-o

integrante da escola, principalmente na

infantil da criança, além de possibilitar a

disciplina de Educação Física, destacando

socialização das crianças.

parte

do

desenvolvimento

seu valor como um elemento fundamental no

currículo

pedagógico.Assim,se

faz

necessário o resgate, continuadamente, da

O lúdico e o ensino A ludicidade é uma importante

lúdica de uma atividade exige uma entrega

ferramenta para a formação do educando.

total do ser humano, as brincadeiras serão

É através do brincar que a criança se

lúdicas, somente quando levarem a criança

relaciona com o meio em que vive e com

à vivência plena e entrega total no

os

momento de sua efetivação. Desta forma,

outros,

o

que

lhe

propicia

dar

significado a tudo que está ao seu redor. Segundo

(LUCKESI

2005)

nem toda brincadeira é lúdica, nem toda a

atividade lúdica é uma brincadeira.

principal característica da ludicidade é a

De acordo com (KISHIMOTO

plenitude da experiência, isto é, a vivência

2002), a brincadeira sendo uma ação


iniciada e mantida pela criança, possibilita

Segundo

(PIAGET,

desenvolvimento

que

papel

através do lúdico. Ela precisa brincar para

fundamental na construção de saber fazer.

crescer, precisa do jogo como forma de

As brincadeiras são formas mais originais

equilibrar com o mundo.

e

exerce

criança

o

a busca de meios, pela exploração ainda desordenada,

da

1986),

acontece

que a criança tem de se relacionar e de se

É de suma importância a relação

apropriar do mundo. É brincando que ela

entre o lúdico e o processo de ensino-

se relaciona com as pessoas e objetos ao

aprendizagem, pois a utilização do lúdico

seu redor, aprendendo o tempo todo com

na escola é um recurso muito rico para a

as experiências que pode ter.

busca da valorização das relações, onde as

Os

autores

KISHIMOTO,

2005)

(LUCKESI

E

atividades lúdicas possibilitam a aquisição

ressaltam

a

de

valores

esquecidos,

o

importância do lúdico na vida de uma

desenvolvimento cultural e a assimilação

criança, por proporcionar a ela formas de

de novos conhecimentos, desenvolvendo,

se expressar e de se comunicar com o

assim, a sociabilidade e a criatividade.

mundo, constituindo-se em uma ferramenta

Na escola, a criança é submetida a

muito potente no processo de aprendizado.

permanecer durante muitas horas em

Esta característica de chamar a atenção e

cadeiras escolares não confortáveis e é

fazer com que a criança queira participar,

impossibilitada de se mover livremente,

proporciona a ela um saber, o que permite

pela

a criança o aprender brincando.

disciplina escolar, ocasionando em certa

necessidade

de

se

submeter

à

Para que as brincadeiras sejam

resistência em ir à escola. O fato não esta

consideradas lúdicas é necessário que

apenas no total desagrado pelo ambiente

atinjam

e/ou

ou pela nova forma de vida e sim por não

necessidade da criança, despertando nela

encontrar motivação para suas atividades

vontade de participar da mesma e contendo

preferidas.É através do lúdico que a

uma série de elementos que as mantenham

criança encontra o equilíbrio entre o real e

inteiramente na experiência durante o

o

período de sua realização.

aprendizagem

O

o

centro

lúdico

de

interesse

apresenta

valores

imaginário, de

desenvolvendo forma

prazerosa

a e

significativa, possibilitando que as aulas

específicos para todas as fases da vida.

sejam

um

sucesso

e

resultando

na

Assim, na idade infantil e na adolescência

satisfação de professores e alunos. Durante

a finalidade é essencialmente pedagógica.

as atividades lúdicas, o professor passa a criar situações para o desenvolvimento da


autonomia, com incremento de ações que favorecem

as

integrações,

trocas.(SANTOS,2010)

sugerindo

Psicomotricidade Psicomotricidade é a ciência que

intelectual da criança. Ao compreender que

tem como objeto de estudo o homem

os estudos atuais ultrapassam os problemas

através do seu corpo em movimento e em

motores, pesquisam-se as ligações com as

relação ao seu mundo interno e externo.

áreas psicomotoras: Coordenação Motora

Está relacionada ao processo de maturação,

Fina e Global, Estruturação Espacial,

onde o corpo é a origem das aquisições

Orientação

cognitivas,

Estruturação Corporal e as relações com a

afetivas

e

orgânicas.

É

sustentada por três conhecimentos básicos:

Temporal,

Lateralidade,

aprendizagem no contexto escolar.

o movimento, o intelecto e o afeto.

Segundo (BARRETO, 2000), o

Psicomotricidade, portanto, é um termo

desenvolvimento psicomotor é importante

empregado

na

para

uma

concepção

de

prevenção

de

problemas

movimento organizado e integrado, em

aprendizagem.

função das experiências vividas pelo

psicomotricidade nas aulas de Educação

sujeito cuja ação é resultante de sua

Física pode auxiliar na aprendizagem

individualidade, sua linguagem e sua

escolar, contribuindo para um fenômeno

socialização.

cultural

(SOCIEDADE

BRASILEIRA

DE

PSICOMOTRICIDADE, 1999)

que

Portanto,

de

consiste

de

a

ações

psicomotoras exercidas sobre o ser humano de maneira a favorecer comportamentos e

A Educação Física Escolar, nos

transformações. O homem comunica-se

dias atuais, leva a perceber as diversas

através da linguagem verbal, também

possibilidades de garantir a formação

através de gestos, movimentos, olhares,

integral

do

forma de caminhar – sua linguagem

movimento humano. No entanto, a busca

corporal. A esta comunicação, a este estar-

por

na

no-mundo intenso dentro do limite da

aprendizagem escolar tem se tornado uma

corporeidade-espaço próprio do sujeito,

constante multidisciplinar, na qual a

pode-se nominar psicomotricidade.

dos

alunos

ferramentas

por

de

meio

auxílio

Educação Física e o conhecimento da

Embora, conforme admite o próprio

psicomotricidade nas aulas abrangem a

autor, esta visão possa ir longe demais

relação

enquanto generalização, os estudos sobre o

desenvolvimento

motor

e


desenvolvimento humano parecem seguir

através de atividades motoras. Pode-se

esquemas, descrevendo o desenvolvimento

afirmar que a Educação Física possui um

normal para que se possa compreender o

impacto positivo no pensamento, no

diferente. A psicomotricidade não foge a

conhecimento

esta regra quando define os padrões

cognitivos, na vida do ser humano.

considerados

o

Fazendo assim, com que o indivíduo vá

psicomotor

para uma vida ativa, saudável e produtiva,

normais

para

desenvolvimento (considerando

descrições

feitas

pela

e

ação,

nos

domínios

criando uma integração segura e adequado

neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia e

desenvolvimento

áreas afins), desenvolvendo pontos de

espírito.

de

corpo,

mente

e

referência escalonados a partir dos quais se

Portanto, a Educação Física, pelas

poderão construir todos os testes infantis e

suas possibilidades de desenvolver a

as

de

dimensão psicomotora das pessoas, com os

conseguinte,

domínios cognitivos e sociais, é de grande

escalas

de

desenvolvimento;

quociente

e,

por

avaliar e diagnosticar o atraso atual, assim

importância

como o desenvolvimento futuro.

aprendizagem escolar, por constituir-se

A

Educação

da

num fator de equilíbrio na vida das

metodologias

pessoas, expresso na interação entre o

interligadas em que o desenvolvimento dos

espírito e o corpo, a afetividade e a

aspectos motor, social, emocional dos

energia,

movimentos

promovendo a totalidade do ser humano.

são

corporais

é

e

desenvolvimento

a

psicomotricidade

Física

no

vivenciado,

o

indivíduo

e

o

grupo,

Estratégias de ensino na Educação Física A

Física

É exatamente nesse ponto que se

costumeiramente é apresentada como uma

pretende contribuir: comprometendo-nos

disciplina

em

previamente

Educação

cuja

estrutura

moldada,

ou

de

aula

seja,

é

mostrar

alternativas

didático-

dada

pedagógicas da área; exemplos práticos de

a priori. A intenção de incluir a disciplina

trabalhos em sala de aula; e apontar

de Educação Física na seção “Estratégias

elementos comuns entre a Educação Física

de Ensino” é mostrar que as aulas de

e outras disciplinas, na tentativa de

Educação Física não são sempre iguais,

incentivar o trabalho interdisciplinar.

contextualizando e fundamentando cada plano de aula a ser trabalhado.

Para ressalvas

além sobre

desses a

pontos,

as

especificidade

da


Educação Física em relação às outras

desenvolver a criatividade e proporciona

disciplinas – o corpo e o movimento

bem-estar

humano

sempre

poderão

aos

educandos.

Cabe

ao

ganhar

profissional de educação física utilizar a

destaque, uma vez que esquecer essa

ludicidade como meio para desenvolver

especificidade significa desqualificar a

inúmeras capacidades em seus alunos para

própria disciplina.

que

Nesse sentido, o que se pretende

o

processo

aprendizagem

de

aconteça

ensino

e

de

de

forma

nas Estratégias de ensino é incentivar o

espontânea, divertida e principalmente

professor,

significativa. (TAZINAZZO, 2012).

por

meio

de

alternativas

pedagógicas, a apresentar ao aluno o

Segundo Bandeira (2001) é comum

universo da cultura corporal, objeto da

encontrar práticas pedagógicas que deixam

Educação

que

o lúdico em segundo plano, e objetiva

ampliando esse universo para além dos

unicamente um ambiente de ordem, sendo

tradicionais

que para isto impõem as crianças restrições

Física.

Acredita-se

esportes

coletivos,

principalmente o futebol, a disciplina pode

posturais,

mediar o contato do aluno com outras

sentadas e quietas por longos momentos, e

práticas corporais e até com princípios

qualquer movimento ou deslocamento é

culturais distintos do seu, resultando em

visto como desordem ou indisciplina.

redução prática de preconceito contra o outro.

mantendo-as,

por

exemplo,

O mesmo autor destaca que os jogos e as brincadeiras demonstram a

O lúdico como estratégia de ensino

cultura corporal de cada grupo e que

nas aulas de educação física pode ser um

entender o caráter lúdico que se manifesta

grande aliado no processo de ensino e de

nas crianças, pode ser um fator muito

aprendizagem dos alunos, principalmente

importante para que o professor organize

se tratando da educação infantil, que é uma

sua pratica de maneira significativa e

fase na qual as crianças movimentam-se

abrangente.

intensamente buscando desvendar o mundo

Diante disso, buscou demonstrar a

que os cerca. Dentro deste contexto ele

importância do brincar e de se educar com

também

ludicidade, observando quais os benefícios

está

associado

a

jogos,

brincadeiras, interesse, prazer, ajuda a

e as contribuições para o educando.


A importância do papel do professor durante as aulas de educação física O

professor

fundamental

possui

no

papel

habilitado, pois é preciso intervir de forma

desenvolvimento

adequada, no momento oportuno, com

psicomotor tanto de crianças normais

técnicas apropriadas.

quanto de crianças com necessidades educativas. É ele que pode em muito contribuir através da estimulação em sala

(BORGES, 2002, p.112) destaca, ainda, que: Para

de aula e do encaminhamento quando se

que

o

educador

consiga

realizar algo de positivo, de consistente, é

fizer necessário. Como mediador pode contribuir,

preciso que ele tenha convicção de seu

em todos os níveis, na estimulação do

trabalho, acredite no potencial que cada

desenvolvimento cognitivo, de aptidões e

educando traz consigo, enxergue a riqueza

habilidades, na formação de atitudes

desse material humano, explorável, com

através de uma relação afetiva saudável,

capacidades ilimitadas, no geral, portanto,

criando uma atmosfera de segurança e

seu trabalho de educador deve convergir

bem-estar

para atender, na totalidade, a todas essas

para

a

criança

e,

ainda

exigências que a pessoa humana reclama,

aceitando-a do jeito que ela é. De acordo com (BORGES 2002, p.112), quando o educador conhece a

no que diz respeito à sua formação, à sua educação.

maneira como a criança desenvolve o seu pensamento, ele aceita, com facilidades, os „erros

infantis‟.

Desta

maneira,

ele

compreende que o mais importante não é levar a criança a produzir uma resposta certa, mas, sim, levá-la a refletir sobre as próprias respostas, para que ela mesma possa se autocorrigir.

Com

isso, observamos

que o

professor exerce uma função única dentro da escola. Ele é o elemento de ligação entre o contexto interno, a escola, o contexto

externo

a

sociedade,

conhecimento dinâmico e o aluno. Ao mesmo

tempo,

conforme

destaca

(NEGRINE, 2002), por trabalhar com o educação

corpo, o professor de educação física pode

psicomotora é um processo, uma terapia

contar com a presença do toque corporal

programada,

o

que exerce um papel fundamental uma vez

comportamento, o professor deve atuar

que este é um forte aliado, pois a partir

com a orientação específica do profissional

dele vínculos afetivos são estabelecidos,

Sendo

assim,

que

se

visa

a

modificar


transmitindo segurança e proporcionando

A Educação Física é um processo

ajuda na forma como também interage,

educativo que, antes do saber cientifico e

sugere, propõe, estimula e escuta a criança.

do

Sendo

assim,

o

professor

de

Educação Física deve estar consciente da sua função durante as aulas deve selecionar os exercícios de acordo com a idade ou nível da criança.

trabalho

produtivo,

tem

um

compromisso com a existencia humana. Não se trata, portanto, de dar prioridade à compreensão cognitiva do homem, nem de aprender trabalhar e produzir, mas de saber viver. O primeiro valor da exixtencia humana é a vida, viver a vida. (SANTIN,

De acordo com (STAES, 1984),

1993, p.70)

evidentemente o educador deverá adaptar os exercícios a cada criança, a cada grupo, a cada classe: o nível teórico quase nunca está perfeitamente adequado às crianças com quem lidamos. Todavia, é prudente seguir as etapas de progressões propostas. O

principal

instrumento

No caso específico da educação física, o profissional dessa área possui ferramentas estímulos

valiosas que

desenvolvimento

para

levem de

forma

provocar a

esse bastante

prazerosa: a brincadeira, o jogo e o esporte.

da

Enfim, a educação física pode

Educação Física é o movimento, por ser o

contribuir para o desenvolvimento da

denominador comum de diversos campos

aprendizagem,

sensoriais. O desenvolvimento do ser

minimizar e até mesmo evitar a instalação

humano se dá a partir da integração entre a

das dificuldades de aprendizagem, além de

motricidade, a emoção e o pensamento.

resgatar a autonomia e autoestima dos

como

também,

para

alunos.

Aspectos metodológicos da pesquisa A pesquisa de campo foi realizada a

Utilizou-se uma metodologia de

“Escola Estadual Flores do Amanhecer”,

pesquisa qualitativa com análise, síntese e

no ensino fundamental, em Governador

interpretação das concepções teóricas a

Valadares – MG. A escola conta com três

respeito do assunto. E na investigação de

professores de educação física e 100%

campo trabalhou-se com um questionário

deles participaram de um questionário

composto por seis questões abertas: O que

estruturado com questões abertas, e seu

você entende como ludicidade? Como você

resultado apresentado logo abaixo.

considera que a ludicidade possa contribuir


no âmbito social e educacional? Qual o

preservação de sua identidade, então foram

papel

numerados em professor 1, professor 2 e

pedagógico

a

educação

física

proporciona aos alunos? Você considera o lúdico

um

recurso

eficaz

professor 3.

no

O intuito da pesquisa foi identificar

desenvolvimento da criança? Cite uma

como

característica principal da ludicidade. É

professores,

possível dizer que toda brincadeira é

importância de se trabalhar com o lúdico, e

lúdica?

se o mesmo é inserido em suas aulas. Neste

contexto,

os

professores

entrevistados pediram para manter a

a

A

ludicidade se

eles

seguir

é

vista

pelos

conhecem

apresentam-se

a

os

resultados e discussão.

Resultados e Discussões O que você entende como ludicidade? O

professor1

entendimento atividades

é

respondeu

que

seu

e significa brincar. Neste brincar estão

procurar,

através

de

incluídos as brincadeiras, os jogos e os

prazerosas,

divertimentos, e a relativa conduta daquele

recreativas

trabalhar

e

determinados

objetivos.

Oprofessor2 disse que é desenvolver brincando através da atividade proposta pelo professor. E o professor 3 relata ser a realização de atividades na qual a criança aprende brincando e que dá prazer ao ser executada. O

termo

“Ludus”

segundo

(LUCKESI, 2000) tem sua origem no latim

que brinca, joga e que se diverte. Dessa forma, entende-se que os professores entrevistados responderam de acordo com o autor, que brincando a criança aprende com mais facilidade, que a partir de jogos e/ou brincadeiras é que se passa a conhecer o próprio corpo, sua função e principalmente sua importância para o desenvolvimento corporal.

Como você considera que a ludicidade possa contribuir no âmbito social e educacional? O professor1 considera que o lúdico

relacionado ao conteúdo proposto. O

trabalha no âmbito social e educacional do

professor 2 enfatiza que contribui na

educando, através do plano de ação

inclusão social e cultura corporal. E o


professor3 diz que através da ludicidade a

crescer, precisa do jogo como forma de se

criança

equilibrar com o mundo.

aprende

sobre

convivência,

compreende o conceito de ganhar e perder,

Neste caso, os resultados destas

ao lidar com suas frustrações; esperar sua

entrevistas coincidem com esta concepção

vez, respeitando o próximo, e ainda

deste autor, ao afirmarem que é importante

possibilita as relações de companheirismo

a relação entre o lúdico e a contribuição

e amizade.

com o meio em que vive, pois, a utilização

Segundo desenvolvimento

(PIAGET, da

criança

1986),

o

do lúdico é um recurso muito rico para a

acontece

busca da valorização das relações sociais,

através do lúdico. Ela precisa brincar para

educacionais e pessoais.

Qual o papel pedagógico a educação física proporciona aos alunos? O professor1 considera que procura

ensino e de aprendizagem aconteça de

conhecer e propicia o desenvolvimento do

forma

aluno, ao trabalhar com atividades lúdicas,

principalmente significativa.

bem como, o respeito ao limite de todos.

espontânea,

Nota-se

que

divertida

neste

e

processo

Oprofessor2 entende que a educação física

investigativo todas as respostas foram

através de seus conteúdos faz com que os

positivas de acordo com que o autor

alunos se desenvolvam durante sua vida

(LIMA, 2007) afirma: [...] brincar é uma

escolar de forma integral e social. E o

recreação, e quando o educador reconhece

professor3 acredita que a educação física

o jogo como atividade ou conteúdo que

desperta a criatividade, quando os alunos

promove o desenvolvimento, permite a

são envolvidos em aulas estimuladoras, e o

sensibilidade de perceber sua própria

gosto pela prática esportiva, sendo que os

prática e avalia suas próprias condutas,

dois casos auxiliam no desenvolvimento

oferecendo

motor, cognitivo e social dos mesmos, e

brincadeira às suas crianças.

aprimora suas habilidades corporais e intelectuais. Cabe ao profissional de educação física utilizar a ludicidade como meio para desenvolvimento de inúmeras capacidades em seus alunos, para que o processo de

melhor

qualidade

de


Você considera o lúdico um recurso

o seu desenvolvimento, seja ele mental,

eficaz no desenvolvimento da criança?

social, psicomotor, dentre outros.

Quanto a eficácia do lúdico no desenvolvimento da criança, o professor 1 e professor 2 responderam apenas sim. Porém o professor 3, além da afirmativa sim, justificou, que não é apenas uma diversão ou um passatempo. A brincadeira

Então, as respostas dos professores estão de acordo com o que foi citado pelos autores, ou seja, eles reconhecem a importância

de

se

trabalhar

com

a

ludicidade.

é como um alimento para a criança ter uma boa saúde física e mental. De acordo com os autores citados neste artigo, a ludicidade é uma ferramenta de suma importância no processo de aprendizagem do aluno e colabora em todo

Cite uma característica principal da ludicidade. Ao

considerar

principal

respondeu que uma principal característica

característica da ludicidade, o professor

da ludicidade é a inclusão e de acordo com

1responde ser a inclusão social.professor

o autor é a entrega total do ser humano,

2entende que o faz de conta busca

então se um professor consegue planejar

objetivos

professor

uma aula onde todos os seus alunos

3considera que a principal atividade é

participem, ele consegue promover a

atiçar a criatividade.

inclusão e seus alunos estão se entregando

específicos.

Segundo

a

E

o

(LUCKESI,

2005)

a

a aquela atividade. Os outros professores

principal característica da ludicidade é a

entrevistados responderam que é “o faz de

plenitude da experiência, isto é, a vivência

conta” buscando um objetivo específico e

lúdica de uma atividade exige uma entrega

atiçar a criatividade dos alunos, onde mais

total do ser humano (...).

uma vez conta com a entrega desses alunos

Assim, ao analisar as respostas dos professores

entrevistados

foi

ao participar das aulas, ao querer aprender

possível

mais com aquela experiência de adquirir o

perceber que eles chegaram bem perto das

conhecimento e se divertir ao mesmo

concepções de Luckesi. Um professor

tempo.


Outro ponto importante é saber se

toda atividade é lúdica, assim questiona.

É possível dizer que toda brincadeira é lúdica? É difícil dizer que toda atividade é lúdica, por isso foi necessário questionar aos professores da área específica. Neste foco, o professor 1responde que não, pois toda brincadeira lúdica deve ter objetivo especifico. O professor 2também considera que não, depende da brincadeira tudo tem que ter respeito. E o professor 3afirma não, porque

tem

que

ter

um

objetivo

pedagógico. Ainda segundo (LUCKESI, 2005) (...) as brincadeiras serão lúdicas, somente quando levarem a criança à vivência plena e entrega total no momento de sua efetivação. Assim, nem toda brincadeira é

lúdica, nem toda atividade lúdica é uma brincadeira. E

para

os

professores

que

responderam também concordam que nem toda brincadeira é lúdica, pois segundo eles, tem que haver respeito entre os que praticam a brincadeira onde todos os alunos devem estar gostando da atividade, ou seja, com entrega plena. Dois dos professores entrevistados ressaltaram que deve haver um objetivo específico e pedagógico. Portanto, o processo educativo deve se interligar aos processos lúdicos e corporais que se inserem aos biológicos e a qualidade de vida.

Considerações finais O presente trabalho possibilitou

realizar seus projetos, além de despertar

analisar e conhecer a importância da

sua criatividade. Uma criança que ao jogar

ludicidade nas aulas de educação física, a

e brincar deixa de ser um ouvinte passivo

contribuição que o lúdico pode gerar ao

das explicações do professor e passa a ter

desenvolvimento no âmbito escolar onde a

participação

criança aprende brincando, o social que

construção do conhecimento.

possibilita ao aluno vivências em grupos,

A

ativa

ludicidade,

no

processo

além

de

de

uma

aprende a conviver com os outros, a

poderosa ferramenta pedagógica também

respeitar seus espaços, seus limites, e no

contribui para fazer com que o aluno se

âmbito pessoal, pode contribuir para a

interesse pelas aulas, pelo aprendizado,

autonomia da criança e confiança em

pois ele o faz de forma prazerosa, divertida


e as chances da criança absorver o

Por conseguinte tem objetivo educacional,

conteúdo são muito maiores.

o lúdico nas aulas de educação física

A partir da pesquisa teórica e a

permite que a criança tenha o contato com

pesquisa de campo concluímos que a

algo tão importante para o seu crescimento

ludicidade é de grande valor na formação

que é o brincar, jogar, se expressar, e

de uma pessoa, independente de sua idade.

divertir

Com os dados coletados na pesquisa de

necessárias principalmente nesta fase da

campo, observamos que os professores

infância.

entre

outras

experiências

reconhecem a importância da ludicidade e

Assim, ao longo deste artigo,

tentam inseri-la a cada aula preparada com

ficou claro que o professor de Educação

o intuito de alcançar o objetivo proposto.

Física é um dos elos importantes no

Em uma conversa após o questionário os

desenvolvimento do aluno através de aulas

professores que participaram da entrevista

lúdicas. A partir da sua prática efetiva,o

relataram que as condições como materiais

aluno pode ser estimulado e passar a

e espaço nem sempre favorecem para a

expressar

aplicação das aulas, mas que isso não pode

ações, sentimentos, comunicando-se com

ser empecilho para que os alunos não

seu mundo interno e externo.

tenham uma aula de qualidade, e é neste

seus

Por

fim,

anseios,

pensamentos,

acreditamos

que

o

ponto que o professor deve se possível

professor exerce uma função única dentro

junto

a

da escola, é o elemento de ligação entre o

criatividade, adaptar o necessário para

contexto interno, a escola, e o contexto

conseguir transmitir o conteúdo e inserir a

externo, a sociedade, o conhecimento do

reciclagem neste processo que é uma

aluno. Desta forma, a ludicidade deve ser

contribuição a mais aos alunos.

incluída no contexto escolar, no sentido de

aos

alunos

desenvolver

As crianças estão cada vez mais

ajudar a criança não apenas a resolver suas

entrando em um mundo tecnológico e

dificuldades quanto à aprendizagem, mas,

virtual e as práticas como brincar na rua,

principalmente, ser ferramenta importante

sentir o pé no chão, correr, pular e etc. têm

na construção de conhecimentos que

ficado cada vez menos comum na infância.

favoreçam

Então, a ludicidade na escola, conduzida

socialização para toda a vida.

pelas aulas de Educação Física, pode proporcionar essa vivência aos alunos, resgatando essa experiência tão prazerosa.

seu

desenvolvimento

e


Abstract This article presents playfulness as an effective strategy in the teaching-learning process, as well as the importance of working the playful in physical education classes. The main question of the article is: What is the importance of the ludic activities for the psychomotor development of the student in the classes of physical education in primary education? The objective of this work is to analyze the importance of the ludic activities for the psychomotor development of the student in the physical education classes. The focus of the research was for a state public

school, directly in contact with 100% of the physical education teachers of this school. The work has as its theoretical basis the author (KISHIMOTO, 2002), (FRIEDMANN, 2003) and (BANDEIRA, 2001). Through a qualitative research in the schools, we tried to arrive at a conclusion where one can verify how the playful one is seen by the teachers, if they insert the playfulness in their classes and considers this practice important. Key - words:Playful and teaching. Psychomotor development. Teaching strategy in physical education.

Referencias BANDEIRA, M. C.R. Ludicidade: Facilitação de Aprendizagem no Jardim II. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro de Ciência Humanas e Educação da Universidade da Amazônia. Belém/Pará, 2001. BARRETO, Sidirley de Jesús. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2ª ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. BORGES, Célio José. Educação Física para o pré-escolar. 5º Edição. Rio de Janeiro: Sprint, 2002. FROEBEL. Friedrich A. A Educação do homem. Tradução de Maria Helena Câmara Bastos. Passo Fundo: UPF, 2001. FRIEDMMANN, Adriana. A importância do brincar. Jornal diário na escola: Santo André/SP, 2003. KISHIMOTO, TizukoMorchida.O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. LIMA, A. S.; BARBOSA. S. B. “Psicomotricidade na Educação Infantil – desenvolvendo capacidades”. São João do Meriti (RJ): Colégio Santa Maria, 2007. LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 2000. _______. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 17ª ed. São Paulo, SP: Cortez, 2005. NEGRINE, Airton. O corpo na educação infantil. Caxias do Sul: EDUCS, 2002. PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. Trad. Manuel Campos. São Paulo: Martins Fontes, 1986.


SANTIN, Silvino. Educação Física outros caminhos. Porto Alegre: Ed.EST/ ESEF,2ª ed, 1993. SANTOS, Simone C. A Importância do Lúdico no Processo Ensino Aprendizagem. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Gestão Educacional) – Universidade Federal de Santa Maria, RS. Santa Maria, 2010. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. Disponível em: http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm. Acesso em: 25 de novembro de 2017 STAES, L.; Psicomotricidade Educação e Reeducação. São Paulo: Ed. Manole, 1984. TAZINAZZO, Karina. O lúdico como estratégia de ensino nas aulas de Educação Física. 2012, Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Educação: Métodos e Técnicas de Ensino) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2012.


A EXCLUSÃO DOS DEFICIENTES NA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL II Dayane Pereira Leandro¹ Lalesca de Oliveira Gonçalves¹ Thatielle Aparecida da Silva¹ Maria Helena Campos Pereira² Rosely Conceição de Oliveira² Resumo O presente estudo objetivou identificar quais os fatores que contribuem para a exclusão de alunos deficientes nas aulas de Educação Física no Ensino Fundamental. Para tanto, investigou-se as seguintes instituições: a Escola Estadual Luiz de Camões de Tumiritinga (MG) e a Escola Estadual Sinhaninha Gonçalves de Coroaci (MG). Quanto à metodologia de pesquisa, trata-se de uma pesquisa qualitativa e quantitativa de caráter descritivo. Estudou-se uma amostra de 8 professores que ministram aulas de educação física no ensino fundamental II.Como instrumento de pesquisa utilizou-se de questionários estruturados e observações destas aulas. Fundamentou-se nas concepções apresentadas no artigo publicado em 2014 pela doutoranda do programa de pós-graduação em educação, Maria Luiza Salzani Fiorine, e do docente do departamento de educação especial, Eduardo José Manzini, que tratam das dificuldades, ações e conteúdos para prover a inclusão dos alunos com deficiência na aula de educação física. Palavras-chave: Exclusão; Aulas de Educação Física; Ensino Fundamental II; Deficiência; ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Gestão Pública e em Docência do Ensino Superior. Coordenadora do curso de Educação Física e Professora de Políticas Públicas de Esportes e Lazer, História da Educação Física e Esporte e Ética e Legislação Profissional da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autora. E-mail: roselycof@gmail.com

Introdução A educação inclusiva tem o

significa

inclusão.

De

acordo

com

objetivo de incluir alunos especiais no

(BUENO, 1999), a educação inclusiva é

ambiente escolar, e dessa forma, trazer a

aquela que oferece um ensino adequado às

todos a oportunidade de serem respeitados

diferenças e às necessidades de cada aluno.

em

compreensão

as

diferenças.

É

É notável que os problemas

importante salientar que apenas receber os

vivenciados pelas pessoas com deficiências

alunos com deficiência na sala de aula não

não se limita ao âmbito social, podendo ser


em muitas vezes sequelas da “deficiência”

profissional, uma vez que, conforme

do

Brasileiro.

(JAMES;

legislação,

2011),

Sistema

Embora

Educacional

resguardados

pela

o

KELLMAN;

LIEBERMAN,

conhecimento

dos

fatores

como a Constituição Federal que garante

relacionados à exclusão nas aulas de

às pessoas com deficiência o direito à

educação

educação de qualidade no ensino regular

professor responder as necessidades de seu

em instituições públicas, o que se visualiza

aluno,

no atual cenário educacional é uma

dificuldades encontradas e nortearão às

extrema dificuldade do Poder Público em

ações adequadas ao se deparar com a

executar o que está indicado e previsto

problemática.

legalmente.

física

sanando

poderá

ou

permitir

diminuindo

ao

as

Diante do problema apresentado,

Neste contexto, o questionamento

tem como principais hipóteses a falta de

estabelecesse à disciplina Educação Física,

monitores, de professores capacitados em

nos porquês da “exclusão facultativa” aos

sua maneira de conceber a metodologia

alunos com deficiência promovidas por

junto aos alunos e o desconhecimento

diversos professores.

sobre as deficiências (formação acadêmica

O estudo e interesse pelo tema,

deficitária),

a

carência

de

materiais

propõe uma pesquisa que investigue os

adaptados e ausência de acessibilidade

porquês da problemática; a qual foi

estrutural .

visualizada

e

pelas

Para atingir os objetivos, utilizou-

pesquisadoras no campo onde foi realizado

se da pesquisa qualitativa, a partir de uma

o Estágio Supervisionado II, no Ensino

pesquisa bibliográfica, onde foram feitas

Fundamental Anos Finais disciplina do 5º

análises, sínteses e interpretações das

período do Curso de Licenciatura em

concepções teóricas, e também da pesquisa

Educação Física da Faculdade Presidente

quantitativa, através da aplicação do

Antonio Carlos de Governador Valadares.

questionário aplicado aos professores, que

Acredita-se que a pesquisa contribuirá para

posteriormente foi tabulado e através de

uma reflexão/ação nas escolas onde o

procedimentos estatísticos, dispostos em

problema

gráficos.

foi

questionada

evidenciado,

visto

que

soluções poderão ser traçadas depois que as

dificuldades

forem

A

teórico, se fundamenta em concepções

relevância do trabalho estará ainda em prol

apresentadas no artigo publicado em 2014

da futura atuação das pesquisadoras,

pela doutoranda do programa de pós-

contribuindo

graduação em educação, Maria Luiza

sobremodo

listadas.

No que tange ao referencial

no

exercício


Salzani

Fiorine,

departamento

e

de

do

docente

educação

do

especial,

Dessa forma, a presente pesquisa tem

como

objetivo

identificar

quais

Eduardo José Manzini, que tratam das

empecilhos comprometem a atuação do

dificuldades, ações e conteúdos para

professor de educação física na legítima

prover

inclusão dos alunos com deficiência em

a

inclusão

dos

alunos

com

deficiência na aula de Educação Física.

suas aulas.

Pessoas com Deficiência e aulas de Educação Física Escolar Acredita-se que a educação física

psíquica,

tem

integração

um

papel

importantíssimo

no

desenvolvimento motor, intelectual, social

social,

a

autoestima,

redução

da

agressividade.

e afetivo dos alunos, principalmente daqueles com deficiência.

melhorando

Entende-se nesse contexto, que a educação física possibilita aos alunos a

Os objetivos das aulas para os

conviver com a diversidade, mostrando

deficientes em sua maioria são os mesmos,

que as superações das dificuldades são

as regras, as normas, a organização e os

plenamente possíveis, independente da

procedimentos,

condição física e motora dos alunos,

podendo

requerer

em

alguma atividade particular, adaptação para que

os

alunos

concomitantemente

possam com

podendo superar suas limitações.

participar

seus

outros

colegas de turma.

Segundo educação

física

(PALMA é

uma

2008),

“a

área

do

conhecimento que trabalha diretamente

De acordo com (MELO 2002), a

com o corpo e suas significações em todos

prática de alguma atividade, seja ela física

os seus contextos de atuação”. Para

e/ou esportiva por pessoas com deficiência

(JUNCKEN et al, 1987, p.17), “o esporte

pode

exerce

proporcionar,

benefícios

que

dentre já

todos

os

conhecidos,

a

oportunidade de testar os

papel

desenvolvimento

fundamental somático,

no

funcional,

limites e

baseado em métodos e normas que

potencialidades, prevenir as enfermidades

respeitem a individualidade de cada um,

secundárias a uma deficiência e promover

bem como suas capacidades e limitações.

a integração social do indivíduo. Esses benefícios são evidenciados tanto na esfera física,

melhorando

no

equilíbrio,

na

coordenação, na resistência; quanto na

A Educação Física deve propiciar o desenvolvimento global de seus alunos, ajudar para que o mesmo consiga atingir a


adaptação e o equilíbrio que requer suas

que afetam o bem estar da criança,

limitações e ou deficiência; identificar as

exigindo intervenção da Educação Especial

necessidades

no

e

capacidades

de

cada

que

diz

respeito

à

mobilidade,

educando quanto às suas possibilidades de

vitalidade física e autoimagem. Nessa

ação e adaptações para o movimento;

ampla categoria, estão incluídas as más

facilitar sua independência e autonomia,

formações

bem como facilitar o processo de inclusão

musculares, a paralisia cerebral, quando

e aceitação em seu grupo social, quando

não associadas a outras deficiências.

necessário (STRAPASSON, 2007, p 8).

congênitas,

as

distrofias

Sendo assim, a educação física tem um papel de proporcionar integração, e tem

(KIRK, 2000), ao comentar sobre as

características

das

crianças

como

propósito

potencializar

as

com

possibilidades de participação ativa de

deficiências físicas diz que essa categoria

pessoas com deficiência proporcionando

refere-se a uma variedade de condições

aos alunos a vivencia e inclusão nas aulas.

Educação Física para deficientes no Ensino fundamental II O trabalho de Educação Física nas

principalmente o “despreparo” pedagógico

séries iniciais do ensino fundamental é

dos professores.

importante, pois possibilita aos alunos

Essa lacuna pedagógica detona a

terem, desde cedo, a oportunidade de

urgência de uma reflexão sobre como o

desenvolver habilidades corporais básicas

cumprimento do Direito Social, previsto na

a

Constituição e Leis delegadas, do acesso

corporeidade,

que

desencadeiam

fundamentação motora e cognitiva dentro

pleno

da cultura corporal do movimento, em

deficiência está sendo mesmo ofertado.

atividades como jogos, esportes, lutas, ginásticas e dança.

a

Educação

alunos

com

Por isso, essa pesquisa provoca a necessidade

Nessa riqueza de possibilidades e

aos

de

uma

revisão

de

planejamento, orientação e mobilidade

vivências, é notória e comprovada a

específicas

dificuldade de inserção do aluno com

habilidades, como parte essencial do

deficiência no desenvolvimento das aulas.

processo educacional de toda a criança

Dificuldade apresentada na maioria das

deficiente.

vezes

pela

adaptada,

falta

de

materiais

estrutura adequados

para

desenvolver

suas

física

De acordo com os Parâmetros

e

Curriculares Nacionais a concepção de


cultura corporal amplia a contribuição da

desenvolvimento

Educação Física escolar para o pleno

cooperação, a participação social e a

exercício da cidadania, na medida em que,

afirmação

tomando seus conteúdos e as capacidades

democráticos.

que se propõe a desenvolver como produtos

socioculturais,

afirma

de

da

autonomia,

valores

e

a

princípios

De um modo específico, cabe à

como

Educação Física proporcionar aulas com o

direito de todos o acesso a eles. Além

intuito de incluir os alunos e trabalhar o

disso, adota uma perspectiva metodológica

desenvolvimento cognitivo.

de ensino e aprendizagem que busca o

Deficientes e o Papel do Professor nas Aulas Dentre os principais objetivos do

limitações de seus alunos. “Com isso, as

professor de Educação Física em aulas que

aulas de Educação física devem propiciar

garantam a inclusão, está a promoção da

aos alunos através de atividades corporais

autoconfiança e mesmo a “aceitação” da

uma atitude construtiva com os portadores

diferença,

que

de

deficiente

desenvolver

permitirão

ao

aluno

educativas

especiais,

e

possibilitando uma atitude de respeito,

talentos que compensem a sua deficiência

aceitação e solidariedade”. (CARDOSO &

física.

BASTILHA, 2010).

Isso

capacidade

habilidades

necessidades

significa de

que,

ensinar

além

da

conhecimentos

Fundamentado

por

Junken

específicos, é também papel do professor

“criando assim, um meio social onde o

transmitir, de forma consciente ou não,

deficiente mental possa atuar com os

valores, normas, maneiras de pensar e

mesmos

padrões de comportamento para conviver e

(OLIVEIRA, 2002) afirma que “É através

viver em sociedade.

do professor que o aluno se sentirá seguro

Dessa

forma,

oportunidades”,

para fazer as atividades, aumentando seu

Educação Física deve estar preparado e

campo de ação, consequentemente, fará

motivado

conteúdos

com que o aluno se sinta com mais

estimulantes e criativos, adaptando-os aos

condições de participar das atividades da

diferentes

comunidade e da família

níveis

professor

e

de

para

o

direitos

desenvolver

de

aprendizagem

e

A exclusão dos alunos com deficiência nas aulas de educação física


Ao contextualizarmos a exclusão

participação limitada nas atividades. A

social como um fenômeno que vem sendo

exclusão também estava associada com o

debatido e combatido com intensidade

questionamento da sua capacidade de

desde o fim do século XX, com o propósito

execução das atividades pelos colegas.

maior de se alcançar a inclusão de grupos

Este estudo foi realizado com alunos com

que no decorrer da história viveram

deficiência física entre 10 e 12 anos de

segregados e em posição social inferior aos

idade (GOODWIN; WATKINSON, 2000).

demais, identificamos que a exclusão é um processo

histórico

dos

fatores

relacionados à exclusão nas aulas de

momento em que o homem passou a viver

Educação Física permitirá ao professor

em grupo, isso ainda no período pré-

responder as necessidades de seu aluno,

histórico.

Para (PLACE E HODGE,

sanando ou diminuindo as dificuldades

2001) os alunos com deficiência se sentem

encontradas para a construção de um senso

excluídos durante as aulas de Educação

de pertencimento nas aulas de educação

Física

física

a

desde

conhecimento

o

devido

presente

O

comportamentos

de

rejeição, ser encarados como alvo de curiosidade,

e ainda

(JAMES;

KELLMAN;

LIEBERMAN, 2011).

por sentirem-se

Estudos

realizados

dentro

do

incomodados durante as interações sociais

contexto das aulas de Educação Física

com os colegas de classe.

Escolar indicam que o tipo de interação

No decorrer da pesquisa , as autoras

social estruturada com os colegas é o

acompanharam em estudo três alunas com

principal fator responsável pela inclusão do

deficiência física, descrevem-se que as

aluno com deficiência. As relações sociais

interações com os colegas de classe sem

com caráter de suporte e aceitação social

deficiência aconteceu de forma reduzida,

são capazes de promover a inclusão, visto

devido principalmente à distância espacial

que permitem a construção de um senso de

existente entre as partes. Neste caso, as

pertencimento ao grupo (GOODWIN;

alunas

WATKINSON, 2000; HUTZLER et al,

com

deficiência

encontravam

dificuldades para chegar ao local de aula. No

estudo

realizado

por

2002). Outros

fatores

indicados

exclusão era vivenciada pelos alunos com

inclusão, como a participação efetiva nas

deficiência

de

atividades propostas em aula e a chance de

isolamento social, quando se sentiam

se beneficiar com a prática de atividade

diferentes devido à deficiência, ou tinham

física (GOODWIN; WATKINSON, 2000).

experiências

importantes

para

são

(GOODWIN E WATKINSON 2000), a

durante

como

também

a


Para

se

é

não incluírem os alunos nas aulas podem

fundamental a construção de relações

estar relacionadas a diversos fatores. As

sociais positivas, com características de

relações estabelecidas, os métodos usados,

suporte

aluno

os conteúdos abordados e até a estrutura

(HUTZLER et al, 2000, GOODWIN;

direcionada à Educação Física podem

WATKINSON, 2000, PLACE; HODGE,

estimular ou afastar os alunos com

2001).

deficiência.

às

A

sentir

necessidades

partir

dessas

incluído

deste

constatações,

verifica-se que as causas dos professores

Aspectos Metodológicos da Pesquisa A presente pesquisa partiu da

deficiência múltipla, afirmou ter que estar

premissa de identificar quais práticas

sempre atenta ao mesmo, evitando brigas

pedagógicas

ou algum acidente que o envolva..

os

professores

se

fundamentam e aplicam durante suas aulas

Afirmou também os alunos que

para que o aluno se sinta incluído nas

estudam com Jefferson sabem do seu

atividades,

“problema”, e tentam ser compreensivas na

sem

isolamento

ou

em

proposição de atividades individuais ao

medida

mesmo.

rotineiramente

O

total

de

alunos

do

possível,

visto

ocorre

que algum

deficientes

desentendimento o envolvendo, devido ao

pesquisados foram 5(cinco), sendo 2 (dois)

seu comportamento explosivo, que sempre

alunos cadeirantes, em idade de 13 anos, e

inclui brincadeiras de “mau gosto”.

3 (três) com deficiência múltipla, 2 (dois)

Esse cenário e comportamento

em idade correta (sem desvio padrão) para

tornam as aulas de Educação Física um

série, e 1 (um) com idade mais avançada. É

momento de tensão e ao mesmo tempo de

importante destacar que todos possuem em

aprendizagem para o aluno “especial”, que

acompanhamento monitores educacionais

a cada dia rompe barreiras superando seus

individuais integralmente em sua rotina

limites na questão de conviver.

escolar.

O professore de Educação Física

Como o transtorno mental torna o

afirma que acaba o protegendo na maioria

aluno às vezes agressivo, ou muito

das brigas que surgem, devido ao seu grau

explosivo, em depoimento uma monitora

de transtorno mental, e tenta explicar aos

que acompanha Jefferson, aluno com

colegas de sala que as atitudes de Jefferson


devem ser ignoradas na maioria das vezes,

atividade envolve jogos. Porém, mesmo

por se tratar de um aluno “especial”, e que

com a “inclusão” garantida por Leis e

não são intencionais.

Resoluções, além do aparato profissional

alunos

Este convívio ajuda os outros

designado, no horário das aulas de

a

Educação

aprenderem

lidar

com

as

Física

,

os

alunos

com

diferenças, respeitando-o , nos seus limites

deficiência física, na maioria das vezes

e dificuldades. Jefferson possui uma

ficam na sala de informática, ou então com

professora de apoio que o auxilia em sala

seus

de aula, e durante as aulas de Educação

envolvam jogos como o quebra-cabeça,

Física, a monitora o auxilia sempre que a

dama

monitores

em

e

atividades

que

xadrez.

Metodologia Para

o

desenvolvimento

deste

adquirida pelo estagio supervisionado II.

estudo, utilizou-se uma abordagem de

Os sujeitos participantes do estudo foram

caráter qualitativo. Com base em seus

os professores pertencentes à Escola

objetivos, trata-se de um estudo descritivo,

Estadual Luís de Camões, localizada em

pois buscou identificar e descrever os

Tumiritinga (MG) e à Escola Estadual

motivos que levam alguns professores de

Sinhaninha

Educação

Coroaci (MG). A escolha desses sujeitos se

Física

pedagogicamente

se

em

deu pelas autoras da pesquisa residirem

deficiência, deixando-os excluídos das

próximos a essas escolas, o que de certa

aulas.

forma facilitou o processo de coleta de abordagem

alunos

localizada

com

A

aos

omitirem

Gonçalves,

foi

simples

e

dados.

objetiva, e como instrumento de pesquisa

Ao aplicar o questionário não foi

utilizou-se de questionários estruturados

verificada a história profissional dos

para 8 professores de Educação Física no

professores, a pesquisa coletada se deu

ensino

pelo questionário e pelo conhecimento

fundamental

II,

sendo

esse

composto por 3 questões objetivas e 2 questões discursivas. Outro instrumento utilizado foram as observações das aulas de Educação Física e a experiência

Resultados

adquirido no estágio supervisionado II.


Foram

questionários

Luiz de Camões Tumiritinga (MG) e a

estruturados a 8 professores de educação

Escola Estadual Sinhaninha Gonçalves de

física

Coroaci (MG), seguem os resultados:

que

aplicados

lecionam

em

instituições

públicas nos quais são, Escola Estadual

Gráfico 01: Você considera que suas aulas excluem esses alunos com deficiência?

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas advindas da primeira questão, que veio a questionar se suas aulas excluem esses alunos com deficiência. Fica evidenciado que 37,50% dos professores dizem que

suas aulas os excluem, até mesmo, pois suas aulas abrangem mais fundamentos, em contraposição 62,50% dizem que em suas aulas eles não são excluídos.

Gráfico 02: Quando descobriu que em suas aulas teria alunos com algum tipo de deficiência você buscou maneiras para incluí-lo?

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas advindas da segunda questão, que questiona se o professor ao descobrir que teria alunos com deficiência, se ele buscou

maneiras para incluí-lo. Fica evidenciado que 25% dizem ter buscado métodos, 75% dizem que não buscou, pois, esses alunos possuem monitores.


Gráfico 03: Se tivesse a opção de receber ou não receber esses alunos com deficiência em suas aulas, qual seria sua opção?

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico ilustra as respostas

aulas. Fica evidenciado que 75% optariam

advindas da terceira questão, que questiona

por não receber esses alunos e suas aulas, e

se o professor optaria por receber ou não

25%receberia

sem

problemas.

receber esses alunos deficientes em suas

Gráfico 04: Qual o maior problema para incluir os alunos com deficiência nas aulas de Educação Física?

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.


O gráfico ilustra as respostas

justificativas predominantes foram: “Não

advindas da quarta questão, que questionou

há materiais adequados para incluí-lo nas

aos

aulas”.

professores

qual

seria

o

maior

Em

contraposição,

12,50%

problema para incluir os alunos nas aulas.

disseram que o problema é a falta de

Fica

interesse do aluno em se incluir com a

evidenciado

que

87,50%

deles

responderam que o maior problema seria a

turma.

escassez de materiais adequados. As

Discussão Foram

aplicados

questionários

papel do professor em minimizar os fatores

estruturados a 8 professores que lecionam

de que possam excluir os alunos com

no ensino fundamental II, pertencentes a

deficiência das aulas de Educação Física.

Escola Estadual Luiz de Camões de

Evidencia-se que se o professor

Tumiritinga (MG) e a Escola Estadual

buscar

Sinhaninha Gonçalves de Coroaci (MG),

conhecimento e compreensão sobre a

no intuito de questionar e identificar o

deficiência, e a capacidade e possibilidades

porque dos alunos com deficiência não

motoras desses alunos, o índice de

serem incluídos nas aulas de educação

exclusão seria menor. Outros fatores

física pelos os professores. A partir dos

evidenciados

resultados supracitados, se estabelece uma

resultados

discussão,

optariam por receber ou não alunos

que

busca

evidenciar

os

métodos

adaptativos,

através foram

da

se

os

dos

professores

aspectos obtidos através da relação dos

deficientes,

resultados

metodologia de suas aulas à essa demanda

e

as

concepções

teóricas

fundamentadas.

procurando

análise

o

adequar

a

social. Contudo, há a necessidade de um

A princípio nota-se que os materiais

posicionamento

dos

profissionais

de

adequados, equipamentos para as aulas são

Educação Física para com a sua atuação

realmente escassos, mas em contraposição,

docente, reverem conceitos e métodos

levantaram pontos que esses alunos são

utilizados, em busca de se minimizar a

excluídos

devido

do

problemática e todos os fatores que

professor

em

recursos

acercam essa questão, visto que, os

adaptados para que a aula seja inclusiva.

problemas evidenciados são possivelmente

Nesse sentido, é de suma importância o

contornáveis.

o

não

comodismo buscar


Considerações finais O

presente

buscou

A hipótese de pesquisa baseou-se

identificar quais os fatores que contribuem

na ideia do comodismo dos professores em

para o exclusão de alunos com deficiência,

buscar recursos adequados para que não

para

(oito)

haja a exclusão do aluno e que o

instituições

desinteresse de querer incluir com os

públicas, Escola Estadual Luiz Camões de

colegas por “deficiência metodológica”

Tumiritinga

Estadual

que atenda a demanda. Monitores e

Sinhaninha Gonçalves de Coroaci, a fim de

professores aplicam apenas o básico e o

contribuir no minimizar a problemática em

mais acessível á eles e podemos ressaltar

questão e salientar a necessidade da

também as falhas das políticas públicas

qualificação dos professores nesse âmbito ,

que não fiscalizam as escolas e oferecer

para explicitarem da melhor forma o

pessoas

conceito da importância da Educação

pessoas com deficiência.

tanto

professores

estudo

investigou-se de

e

2

(duas)

a

8

Escola

Física para a incluir os alunos com deficiência.

capacitadas

para

atender

as

No que tange as propostas que possam minimizar a problemática sanando

A partir de uma análise dos dados

ou diminuindo as dificuldades encontradas,

obtidos, percebe-se que são inúmeros os

sabe-se que os anseios e contextos de vida

fatores que levam aos professores a não

dos alunos de Ensino Fundamental II são

buscar recursos para incluir esses alunos

diferentes, portanto, acredita-se que uma

com deficiência, mas, constatou-se a

boa qualificação não é apenas suficiente

predominância das atribuições a fatores

para atender o todo o público inclusive os

como a escassez de materiais adequados,

alunos com deficiência, diante disse, nota-

propostas de atividades que não podem

se que os profissionais de Educação Física

executar,

e/ou

precisam buscar métodos e atividades que

desmotivação até mesmo dos colegas, uma

possam atender sua demanda. Em tempo,

vez que o despreparo tanto educacional

podemos dizer que a exclusão ocorre

quanto a exclusão dentro da aula quanto

devido vários fatores, sendo eles: falta de

nos demais aspectos e ambientes sócio

materiais, má formação e qualificação dos

interativos são resultantes da exclusão

monitores e professores e o comodismo

sociocultural ao longo da história.

dos mesmos, onde não buscam métodos

falta

de

interesse


adaptados para incluir as pessoas com

eles se interajam com seus colegas.

deficiência.

Portanto, acredita-se nas potencialidades

Ao levar em consideração todos os

dos professores de Educação Física em

aspectos envolvidos nessa pesquisa, nota-

buscar

métodos

que

favoreçam

e

se que é possível reverter este quadro

enriqueçam suas aulas, eliminando as

tornando a educação física mais prazerosa

chances de haver exclusão.

para os alunos deficientes e fazer com que

Abstract The present field study aimed to identify which factors contribute to the exclusion of disabled students in Physical Education classes in Elementary School. The following institutions were investigated: the Luiz de Camões State School of Tumiritinga (MG) and the Sinhaninha Gonçalves de Coroaci State School (MG). As for the research methodology, it is a qualitative and descriptive research. It was studied a sample of 8 teachers who teach physical education classes in elementary education II. As a research instrument, we used structured questionnaires and

observations of these classes. It was based on the conceptions presented in the article published in 2014 by the doctorate of the graduate program in education, Maria Luiza Salzani Fiorine, and the teacher of the special education department, Eduardo José Manzini, who deal with the difficulties, actions and contents to provide the inclusion of students with disabilities in the physical education class. Keywords: Exclusion; Physical Education Classes; Elementary Education II; Deficiency;

Referências BRACHT, V. Corporeidade, cultura corporal, cultura de movimento ou cultura corporal de movimento? In: NÓBREGA, T. P. (Org.). Epistemologia, saberes e práticas da educação física. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2006. p. 97-105. GONZÁLEZ, Fernando Jaime; FRAGA, Alex Branco. Referencial Curricular de educação física. In: RIO GRANDE SO SUL. Secretaria de Estado da educação. Departamento Pedagógico (Org.). Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: linguagens, códigos e suas tecnologias: arte e educação física. Porto Alegre: SE/DP, 2009. v. 2, p. 112181. GOODWIN, Donna; WATKINSON, Jane. Educação Física Inclusiva em uma perspectiva dos estudantes com deficiência física. Atividade física adaptada trimestralmente, Illinois, v. 17, p. 300, 2002. GORGATTI, M. G; COSTA, R.F. Atividade Física Adaptada. Barueri, São Paulo: Manole, 2005.


HUTZLER, Yesahayu et al. Perspectivas das crianças com deficiência na inclusão e empoderamento: fatores de apoio e limitantes. Atividade física adaptada trimestralmente, Illinois, v. 19, p. 300-317, 2002. JAMES; KELLMAN; LIEBERMAN, 2011, apudALVES, Maria Luíza; DUARTE, Edison, 2011.A exclusão nas aulas de Educação Física: fatores associados com participação de alunos com deficiência. Campinas – SP. MAZZOTTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003. PLACE, Kimberly.; HODGE, Samuel. Inclusão dos estudantes com deficiência psíquicas na educação física geral: análises comportamentais. Atividade física adaptada trimestralmente, Illinois, v. 18, p. 389-404, 2001. STRAPASSON, C. A educação física na educação especial. Revista Digital, Buenos Aires, 2007.


A EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SAÚDE DO EDUCANDO Diego Ferreira de Brito¹ Elaine Rodrigues de Oliveira¹ Filomena Maria dos Reis¹ Rinaldo Soares Dolabela¹ Tiago Carlos Flávio¹ Maria Helena Campos Pereira² Edney Ferreira Moreira² Resumo Este trabalho apresenta a importância da educação física escolar e sua contribuição para a manter a saúde do educando, com base no crescente e recorrente aumento da obesidade infantil. O problema que se investiga é como a educação física pode contribuir para a saúde do educando. O objetivo é investigar a respeito da contribuição da educação física para a saúde do educando sedentário e obeso. Fez-se necessário para isso avaliar a cultura familiar no que diz respeito a hábitos saudáveis, alimentação e orientação por parte do profissional de educação física. Considera-se a necessidade da prática regular de atividade física para prevenção de doenças e ainda o incentivo aos alunos a participação das aulas de educação física que muito pode contribuir para saúde do educando. Para isso, utilizou-se como fundamento os artigos dos autores (DARIDO, 2003) e (ALVES, 2003). Neste contexto, verifica-se que professor de educação física tem o dever de intervir de forma direcionada e orientada a esta situação recorrente nas escolas, apresentar a atividade física como meio preventivo e incentivá-los a prática de exercícios físicos para evitar os males que os afeta. A instituição de ensino escolar por sua vez tem que fornecer condições de desenvolver com os alunos orientações a cerca do assunto “obesidade” com palestra e metodologia pedagógica que tentem diminuir este fator que se torna de risco para os alunos tanto no ensino fundamental, quanto no médio. Palavras chaves: Educação Física e a saúde; Instituição de ensino e a saúde do aluno; Obesidade infantil, uma realidade escolar. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Docência do Ensino Superior e em Tutoria em Educação a Distância. Professor de Bioquimica da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares/MG e Co- autor.

Introdução Muito se fala em saúde mundial,

sedentárias,

obesas,

com

problemas

mas como pensar nesse tema se ainda não

cardiovasculares e doenças degenerativas,

tem uma cultura de prevenção da doença

pois os países industrializados, o excesso

ou manutenção da saúde da população.

de consumo de comidas rápidas, são

Observam-se a cada dia mais pessoas


fatores que aumentam o risco de doenças

los quanto ao problema da obesidade infantil

do individuo.

sem a prática regular de atividade física.

As crianças oriundas de famílias

Nota-se que o nível escolar, onde cabem os

que já tem histórico de obesidade ou

profissionais de Educação Física, intervir de

sobrepeso, provavelmente já nascem com

uma forma sistemática na redução crescente

este problema, que se torna pior no período

deste problema na escola.

escolar, pois estas ficam sedentárias e

Esta pesquisa visa investigar a

muitas vezes deixam de executara Educação

partir de uma análise teórica, a respeito da

Física por se sentirem cansadas e não

contribuição da Educação Física para a

conseguem realizar as atividades orientadas

saúde do educando, com fundamentos de

pelo professor.

artigos estudados dos autores (DARIDO,

Um dos importantes desafios da Educação Física Escolar é criar condições de

2003) e (ALVES, 2003). Então,

os

saudáveis,

autoconhecimento e desenvolvimento dos alunos

orientação

nos domínios motores, cognitivos, afetivos e

balanceada, seria uma conduta aplicada pela

sociais, construindo assim uma vida ativa,

família para evitar o problema infantil.

saudável e produtiva, integrando de forma

médica,

hábitos

Nesta

uma

perspectiva,

alimentação

a

Educação

adequada e harmônica o corpo, mente e espírito

Física propõe uma linha de planejamento

por meio das vivências diferenciadas de

participativo

atividade física na escola e fora dela (ALVES,

estreitando as relações professor-aluno, com

2003).

para

ações

educativas,

base na problematização, que valoriza a Com base neste autor pode-se dizer

que a atividade física é o primeiro passo para evitar que ocorra algo pior, é conhecer

responsabilidade do professor e do aluno sobre a saúde do educando. De

acordo

com

os

parâmetros

seu corpo como um todo, de forma a ensinar

curriculares a educação física escolar pode

o objetivo da Educação Física para propiciar

contribuir para a formação das capacidades

uma vida saudável a cada cidadão.

fisiológica, éticas, intelectual e sociológicas dos alunos. Então, nota-se que conscientizar

Então, como a Educação Física pode contribuir para a saúde do educando sedentário e obeso? Esta pergunta cabe ao Profissional de Educação Física, pois, poderá orientar o aluno e a família, e alertá-

os alunos dos anos finais do ensino fundamental

sobre

os

benefícios

da

educação física escolar no seu cotidiano é de fundamental

importância.


Fundamentos para a saúde do educando Educação Física e a saúde A educação física e a saúde tem

osteoporose,das dislipidemias e diminui o

uma relação muito grande na história. A

consciência

maiores

alguns tipos de câncer de colo e da mama,

informações a respeito das prevenções e

além de auxiliar no controle da ansiedade,

cuidados com a saúde que incluem maior

da

movimentação corporal há por parte das

obstrutiva crônica, da asma além de ajudar

pessoas uma significativa mudança de seus

na melhora do bem-estar e socialização do

hábitos de vida.

cidadão.

(ERLICHMAN

e

et

a

risco de afecções osteomusculares e de

al,

depressão,

da

doença

pulmonar

2002)

Observa-se que a educação física

afirmam que a prática de atividade física

não só no seu conceito geral de movimento

regular diminui o risco de aterosclerose e

corporal, agrega-se um significado amplo

suas consequências, tais como, angina,

no que diz respeito a saúde, bem estar,

infarto do miocárdio, doença vascular

condições de vida e longevidade, isto de

cerebral, ajuda no controle da obesidade,

acordo com a regularidade da atividade

da hipertensão arterial, do diabetes, da

física executada durante a vida do cidadão.

Instituição de ensino e saúde do aluno A educação física nos últimos anos

níveis de ensino indicando que ela deverá

voltada à saúde tem sido um diferencial na

promover a sociabilização e a inserção de

vivência do cidadão, pois passou por várias

todos os alunos nas práticas corporais,

tendências

contribuindo para que se possa valorizar,

como

a

militar,

médica,

desportista, nas tendências da cientificidade,

apreciar

e

desfrutar

dos

benefícios

profissionalizante e a tendência educacional

proporcionados pela cultura corporal de

onde cada uma tem uma visão diferente de

movimento, percebendo e compreendendo a

como o profissional de educação física

influência do esporte na sociedade, dando

deveria atuar neste contexto social. Hoje a

subsídios teóricos e metodológicos para que

que prevalecem são a da saúde ligada a

os alunos possam usufruir o tempo livre de

medicina e a educacional a educação.

lazer, resgatando o prazer enquanto aspecto a

fundamental para a saúde e melhoria da

importância da educação física em todos os

qualidade de vida, valorizando, por meio do

(VERDERI,1998)

mostra

conhecimento sobre o corpo, a formação de


hábitos saudáveis, desenvolvendo conteúdos

de promoção de saúde na escola. Desta

para que os alunos do ensino médio possam

maneira, ela pode assumir grandes desafios

compreender e analisar criticamente valores

no

sociais como padrões de estética, relações

condições

entre os sexos e preconceitos onde todos

atividades que visam o desenvolvimento

tenham vontade em participar das atividades

humano (DARIDO, 2003).

escolares.

mundo

contemporâneo, diferenciadas,

a

ao

criar

partir

de

A instituição de ensino tem um papel

Busca-se entender que a educação

fundamental na intervenção durante as aulas

física é uma ação pedagógica. A Educação

de educação física e o seu professor torna-se

Física tem se tornado uma sabedoria de

um

viver, uma exigência corporal, onde todo ser

conscientização dos alunos,em relação à

humano tem que conhecer seu corpo como

adoção de estilos saudáveis de vida, bem

todo, ao entender e reconhecer seus limites

como a iniciação de prevenção de futuras

até onde pode ir, isto é, uma tarefa

doenças que podem afetar a criança e o

educativa, que busca sempre o bem-estar do

adolescente.

profissional

indispensável

para

ser humano. A educação física tem quebrado paradigmas e contribuído para romper padrões

descompromissados

com

a

formação de alunos especialmente sob o viés

Obesidade infantil, uma realidade escolar. É cada vez mais presente nas escolas o sedentarismo em adolescentes e

passo para diminuir o sedentarismo nesta fase estudantil.

crianças,isto demonstra que a falta de

Estudos apontam que a inatividade

atividade física tem influência direta sobre

física tem influência direta sobre o

o

na

desenvolvimento da obesidade na infância

infância e adolescência, sendo necessária

e adolescência; assim, uma das alternativas

uma intervenção direta do profissional de

de tratamento é o aumento do nível de

educação física, que traz orientações aos

atividade física (EPSTEIN,1996).

desenvolvimento

da

obesidade

alunos e repassadas à família, para um melhor

aproveitamento

das

aulas

Com base nesta visão, a escola tem

de

um papel muito importante neste sentido,

educação física, que seria um primeiro

ela deve proporcionar um espaço para o

a


desenvolvimento

de

estratégias

importante surge como meio de incentivar

pedagógicas que promovam a atividade

os alunos a participarem das atividades

física e a educação para a saúde. A

físicas propostas pelo profissional de

Educação Física Escolar como ferramenta

educação física.

Metodologia Para este projeto ser realizado foram

cerca dos assuntos tratados neste trabalho

consultados artigos científicos que possuem

investigativo. Para isso, utilizou-se para

como descritores, a importância da educação

análise e síntese os fundamentos de artigos

física escolar no aspecto de saúde, programa

dos principais autores (DARIDO, 2003) e

nacional de atenção integral a saúde do

(ALVES, 2003), dentre outros.

homem, desafios da educação física escolar, publicados nos últimos anos.

Dessa forma foi possível investigar, a partir de uma análise teórica, a respeito da

Os artigos encontrados contribuíram

contribuição da Educação Física para a

para fundamentar este projeto e esclarecer a

saúde do educando e as causas da obesidade

nas escolas. Resultados Ao investigar os assuntos tratados neste projeto, pode-se perceber que ainda é muito grande o índice de alunos com obesidade

e

sedentarismo

nas

escolas

investigadas. Neste

exercícios físicos para evitar este mal que os afeta. A instituição de ensino escolar por sua vez tem que fornecer condições de desenvolver com os alunos orientações a

que

cerca do assunto obesidade com palestras e

professor de educação física tem o dever de

metodologia pedagógicas adequadas que

intervir de forma direcionada e orientada a

tentem diminuir este fator que se torna de

esta

escolas,

risco para os alunos tanto no ensino

apresentar as atividades físicas como meio

fundamental, quanto no ensino médio.

situação

contexto,

verifica-se

recorrente

nas

preventivo e incentivá-los a prática de


Discussão Segundo (ALVES, 2003), os desafios

e compreendendo a influência do esporte na

da educação física escolar é criar condições

sociedade,

para que os alunos se conheçam como um

metodológicos para que os alunos possam

todo nos domínios motores, cognitivos,

usufruir o tempo livre de lazer, resgatando o

afetivos e sociais, construindo uma forma

prazer enquanto aspecto fundamental para a

produtiva, integrando corpo a mente e o

saúde e melhoria da qualidade de vida,

espírito através das vivências de atividade

valorizando, por meio do conhecimento

física escolar.

sobre o corpo, a formação de hábitos

Para (PEREIRA et al, 2000), seria importante

identificar,

coletivamente,

dando

subsídios

teóricos

e

saudáveis, desenvolvendo conteúdos para que

possam

compreender

e

analisar

aspectos e condições sociais, ambientais,

criticamente valores sociais como padrões

históricas e culturais, assim como as

de estética, relações entre os sexos e

demandas do indivíduo e do grupo social em

preconceitos onde todos tenham vontade em

seus espaços de convivência, resgatando o

participar das atividades escolares.

poder próprio da comunidade no controle de sua saúde e de suas condições de vida.

(DARIDO, 2004) verifica que a educação física tem sido levada a romper

(ERLICHMAN et al, 2002) afirmam

padrões

descompromissados

com

a

que a prática de atividade física regular

formação de alunos especialmente sob o

diminui o risco de doenças degenerativas,

viés de promoção de saúde na escola.

ajuda

Desta maneira, a Educação Física deve

no

controle

da

obesidade,

da

hipertensão arterial, e de alguns tipos de

assumir

câncer (colo e de mama), além de auxiliar

contemporâneo,

no controle da ansiedade, da depressão, da

diferenciadas a partir de atividades que

doença pulmonar obstrutiva crônica, da

visam o desenvolvimento humano.

asma além de ajudar na melhora do bemestar e socialização do cidadão. (VERDERI,

1998)

grandes

desafios ao

no

criar

mundo

condições

Após análise dos textos dos autores, verificou-se a importância da educação

mostra

a

física e a prática de atividade física regular

importância da educação física em todos os

como

meio

preventivo

de

doenças

níveis de ensino indicando que ela deverá

degenerativas e como meio inibidoras do

promover a sociabilização e a inserção de

sedentarismo em consequência a obesidade

todos os alunos nas práticas corporais, em

na fase infantil. Ressalta-se que a escola

todos os sentidos culturais, sociais, afetivos

tem um papel muito importante neste


contexto, pois intervenções pedagógicas

tem que se preocupar com a harmonia do

orientadas e desenvolvidas em conjunto

corpo com a mente com sua saúde e seu

com o profissional de educação física,

futuro, evitando intemperes, no percurso de

agregam valores de que a cada dia o aluno

sua vida adulta.

Considerações finais A obesidade na fase escolar tornou-

professor condições de aplicar atividades

se um fator de risco que tem prejudicado

voltadas para a melhoria da saúde do

muitos alunos do ensino fundamental e do

educando quando na prática das atividades

ensino médio.

físicas, nas aulas de educação física com a

Então, a educação física escolar,

finalidade de promover o bem estar e a

que traz uma matriz curricular de atividade

qualidade de vida, enquanto aluno da

física regular praticada na escola e

instituição e comunidade escolar. Educação,

incentivada pelo professor de educação

saúde e práticas de exercícios corporais não

física, para que este hábito seja agregado

podem se desvincular do processo de

não só na fase escolar, mas, no percurso de

aprendizagem, por isso, automaticamente

toda sua vida adulta.

devem estar interligados.

Portanto, a instituição escolar deve desenvolver metodologias pedagógicas com vistas a garantir, orientar e proporcionar ao

Abstract This paper presents the importance of physical education and its contribution to maintaining the health of the student, based on the increasing and recurring increase in childhood obesity in public schools of Vale do Rio Doce. The problem that is being investigated is how physical education can contribute to the health of sedentary educating and obese? The aim is to investigate about the Physical Education contribution to the health of sedentary educating and obese. It was necessary for it to assess the family culture with regard to healthy habits, nutrition and guidance from the professional of Physical Education. the need for regular physical activity to prevent disease and still be considered encouraging

students to participate in physical education classes that can greatly contribute to the student's health. For this, we used as a basis the articles of the authors (DARIDO, 2003) and (ALVES, 2003). In this context, it appears that physical education teacher has a duty to intervene in a targeted and focused way to this recurrent situation in schools, introduce physical activity as a preventive means and encourage them to physical exercise to prevent this evil that affects. The institution of school education in turn have to provide conditions to develop with the students guidelines about the subject "obesity" with a lecture and teaching methodology that try to decrease this factor


becomes risk to students both in primary school and in medium.

Key words: physical education and health; educational institution and the health of the student; Childhood obesity, a school reality.

Referencias ALVES, J. G. B. Atividade física em crianças: promovendo a saúde do adulto. Revista Brasileira Saúde Materno Infantil, v. 3, p. 5 – 6, 2003. BARNI, M. J. Curso de Educação Física Escolar. Instituto Catarinense de Pós-Graduação. BRASIL, Ministério de Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: Educação Física / Secretaria de Ensino Fundamental - Brasília: MEC/SEF, 1998. DARIDO, S. C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. EPSTEIN, L. H.; PALUCH, R. A.; COLEMAN, K. J.; VITO, D.; ANDERSON, A. Determinants of physical activity in obese children assessed by accelerometer and selfreport. Medicine and Science in Sports in Exercise, v. 28, p. 1157-64, 1996. ERLICHMAN, J.; KERBEY, A. L.; JAMES, W. P. T. Physical Activity and its impact on health outcomes. Prevention of unhealthy weight gain and obesity by physical activity: ananalysis of the evidence. ObesityReviews, v.3, p. 273–287, 2002. REIS, Pedro Ferreira. Professor Ms. Pedro Ferreira Reis - ergoreis@allsat.com.br – 4599241969, Rua dos Expedicionários, 425 - Apto 07 - Santa Terezinha de Itaipu – PR. Professor da SEED – Paraná – Faculdade Cesufoz7 SCHNEIDER, E. J. Didática da Educação Física Escolar, Instituto Catarinense de PósGraduação. VERDERI,

E.

Dança

na

Escola.

Rio

de

Janeiro:

Ed.

Sprint,

1998


A FALTA DE INTEGRAÇÃO DOS PAIS COM O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA Iago Marques dos Santos¹ Itamar Conrado Sampaio Júnior¹ Leandro Pereira Rodrigues¹ Maria Helena Campos Pereira² João Cláudio Passos da Silva² Simone de Magalhães Martins Gomes² Resumo O culto ao Corpo e a Educação pelo movimento físico sempre esteve relacionado ao ser humano desde a antiguidade. Os Gregos acreditavam que a Educação dos indivíduos através das práticas corporais e a preparação guerreira eram essenciais na formação de grandes defensores de sua nação. Com a evolução da civilização e da sociedade, tanto intelectualmente como tecnologicamente o ser humano chegou ao sedentarismo. Mesmo com a introdução da educação física na escola, a prática da atividade física foi caindo no esquecimento associado a falta de interesse dos alunos em participar da mesma. O que pode acarretar em diversos fatores que atrapalham o desenvolvimento e o bem estar físico, mental e social. Dessa forma, o presente artigo questiona: Como a falta de integração entre professores e os pais ou responsáveis tem afetado os alunos nas aulas de educação física. Onde a finalidade é melhorar o fator agravante do desenvolvimento físico, mental e social o dos alunos através das práticas corporais e das aulas de Educação Física. Palavra-chave: Educação Física; pais ou responsáveis; desinteresse. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: Iagomarques7@outlook.com, itamarcsj@hotmail.com, leandro_rodriguess10@hotmail.com. ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Dança e Consciência Corporal e em Dança Educacional. Professor de Fundamentos da Ginástica, Ritmo e Movimento e Fundamentos da Dança da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autor. E-mail: joaoozgv@hotmail.com ²Especialista Gestão Empresarial. Professora de Empreendedorismo, Princípios do Marketing e Marketing Estratégico Empresarial da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autor. E-mail: joaoozgv@hotmail.com

Introdução Nas escolas, são as aulas de

práticas corporais que os alunos adquirem

educação física que os alunos possuem um

confiança, conhecem melhor a si mesmo e

dos poucos momentos para trabalhar o

as pessoas com que convivem no dia a dia.

corpo, no quesito coordenação motora,

Segundo (PAES, 2001, p. 65), o

agilidade, entre outros. Tendo um grande

esporte escolar poderá permitir ao aluno o

papel nessa questão, através do corpo e das

exercício de sua cidadania, na qual o


trabalho e o lazer são fundamentais para

que se aprende a ser único, a desenvolver a

uma boa qualidade de vida.

individualidade e identidade.

No entanto, (JUNIOR, 2000) nos

Portanto, esse artigo descreve como

mostra que muitos alunos demonstram

a

desinteresse pelas aulas de educação física,

responsáveis reflete no desinteresse do

preferindo realizar outras atividades ou

aluno pelas aulas de educação física. E,

mesmo ficarem ociosos durante as aulas.

analisa como o professor e a escolar pode

Esse

desenvolver essa integração, buscando

comportamento

demonstra

o

falta

de

o

interação

dos

interesse

do

pais

aluno

ou

desinteresse dos alunos pelo conteúdo e

aumentar

e

pela importância das aulas de educação

desenvolvendo sua formação para uma

física.

vida mais ativa, como (BRASIL, 1997b, Sendo assim, é essencial que a

p.24) acrescenta que a educação física

escola busque uma aproximação com os

escolar pode sistematizar situações de

pais ou responsáveis, objetivando que os

ensino e aprendizagem que garantam aos

mesmos

alunos o acesso a conhecimentos práticos e

percebam

a

importância

do

acompanhamento escolar de seus filhos.

conceituais.

Para (BUSCAGLIA, 1997), a família deve assumir sua parte da responsabilidade, pois é dentro dos limites desta unidade social

Problema Como a falta de integração entre professores e pais ou responsáveis tem

afetado os alunos na aula de educação física?

Justificativa No contexto pessoal justifica-se ao

desempenho das aulas. E na questão

perceber que os alunos do nível médio não

educacional acredita-se que o diálogo ativo

demonstraram interesse em participar das

entre professores, pais e alunos poderá

aulas. No âmbito social justifica-se a

auxiliar

necessidade de diálogo entre os pais e

automaticamente ampliar o interesse dos

professores

educandos.

Relevância

em

prol

de um

melhor

o

projeto

de

inclusão

e


É de grande importância esse afeto

que nos dias de hoje a vivência dos alunos

entre pais e professores de educação física

no ensino médio é muito discutida. E

para a qualidade e eficiência do trabalho

muitos não conseguem participar das

com

possível

atividades que a ligação entre pais e

proporcionar um legado sobre as aulas de

professores pode ter melhor solução no

educação física na sociedade. Entende-se

aprendizado.

os

alunos

onde

é

Fundamentação teórica De

acordo

com

(GUISELINI

2004), o culto ao corpo/porte físico sempre

atividades físicas, deixando os hábitos saudáveis de lado.

esteve relacionado ao ser humano desde na

As consequências da epidemia de

antiguidade, uma vez que o mesmo era

sedentarismo para a saúde física incluem,

necessário garantir a sobrevivência, por

entre as doenças mais conhecidas, o

meio da caça, pesca, fuga de predadores

diabetes,

entre outros.

hipercolesterolemia, a obesidade, diversas

(GUISELINI

hipertensão,

a

ainda

formas de câncer, a osteoporose, calculose

acrescenta que, com o passar dos séculos

renal, biliar e até disfunção erétil. No

com

entanto, o impacto para saúde mental é

o

avanço

desenvolvimento

e

2004)

a

tecnológico,

o

mecanização

da

pelo

menos

igualmente

devastador,

agricultura e pecuária, o desenvolvimento

compreendendo:

de meios de transporte entre outros fatores,

estima, da auto-imagem, do bem-estar, da

mudaramo estilo de vida das pessoas que

sociabilidade; aumento de ansiedade, de

passaram a ser mais sedentárias, conseguir

estresse, de depressão, como também do

alimento está muito fácil. E tarefas que

risco para mal de Alzeihmer e de

antes

Parkinson,

eram

complicadas

agora

são

resolvidas com apenas um toque no botão. Entretanto,

essa

revolução

de

diminuição

acordo

com

da

auto-

estudos

maisrecentes, e até prejuízo da cognição. (BOMFIM, 2009)

tecnológica trouxe outras maneiras de se

As aulas de educação física na

relacionar com o corpo. Com o fácil acesso

escola é um dos poucos momentos em que

ao

jogos

muitos dos alunos trabalham seus corpos

eletrônicos, da TV e do aparelho celulares,

em atividades físicas. Assim, conforme

as crianças e os adolescentes perderam o

(JUNIOR,

interesse em brincadeiras ao ar livre e nas

demonstram o desinteresse em participar

mundo

da

informática,

2000),

muitos

alunos

das aulas de educação física devido à falta


de prática da mesma, onde demonstram dificuldade

em

coordenação

agilidade entre outros.

motora,

A falta de interesse nas aulas de educação física Muito

se

tem

para

em suas respectivas praticas pedagógica. E

descobrir a falta de interesse dos alunos

para eles, na educação física escolar, esta

nas aulas de educação física. Entre diversas

ação profissional se torna ainda mais

hipóteses observa-se a falta de estrutura

evidente: os professores executam os

física de diversas escolas. Com ginásios

mesmos exercícios, as mesmas atividades,

sucateados, falta de materiais e também um

indiferentes

planejamento

características dos alunos. (BARROS.

escolar

estudado

de

modo

que

estimulem os alunos à prática de esportes. O

docente

dificuldades

em

encontra cumprir

das

necessidades

e

DARIDO, 2006).

inúmeras seu

oficio

conforme planeja isso gera a acomodação

Falta de diálogo entre os pais e professores A família deve ser aliada da escola na busca de promoção não só da Educação

responsáveis maximize o interesse do aluno no ambiente educacional.

Física mas também de todo o crescimento

A família deve assumir sua parte da

educacional de seus filhos. Sendo essencial

responsabilidade, pois é dentro dos limites

que a escola busque uma aproximação com

desta unidade social que se aprende a ser

os pais ou responsáveis, objetivando que os

único, a desenvolver a individualidade e

mesmos

identidade. (BUSCAGLIA, 1997).

percebam

a

importância

do

acompanhamento escolar de seus filhos em

A família é um dos influenciadores

todas as fases da educação.

de primeiro grau no comportamento e

A família deve ser percebida como um

pensamento da crianças e adolescentes.

agente promotor do

desenvolvimento,

Nas famílias que possuem um ou mais

sobrevivência e socialização da criança. De

membros que praticam algum esporte a

modo que, o acompanhamento dos pais ou

tendência é que, esse influencie e desperte


o

interesse

nos

demais

membros

principalmente nas crianças. Portanto,

a

participação

nas aulas de educação física. Por isso, a escola deve trazer a família para perto,

e

tornando-a participativa incluindo na vida

acompanhamento da família pode ser uma

escolar do aluno objetivando a melhora no

aliada para aumentar o interesse dos alunos

desempenho do mesmo.

Inclusão social fator de desenvolvimento Através do convívio em sociedade

fecundação do óvulo, caracteriza-se a

que se desenvolve relações saudáveis e

formação de um novo ser. Em termos

criamos redes de relacionamentos. Essa

biológicos, é nesse momento que se

integração é importante para os alunos.

estabelece a primeira relação de um novo

Essas interações sociais iniciam após do

ser com aquela que, por um período de

nascimento com a nossa mãe e vamos

nove

desenvolvendo para o resto de nossas

(GUISELINI, 2004, p. 117).

vidas.

meses,

será

sua

hospedeira.

A educação física possui um grande O “processo de sociabilização” tem

papel, por meio da cooperação e trabalho

início nos primeiros momentos de vida,

em equipe os alunos adquirem confiança e

logo após o nascimento. Mas não se deve

desenvolve laços. Conhecendo melhor a si

esquecer que, desde o momento da

mesmo

e

as

outras

pessoas.

Formação dos educandos nas aulas de educação física No

processo

educacional,

o

De maneira geral, ou seja, em todos

professor de educação física deverá ter o

os ciclos da aprendizagem existem pontos

seu olhar voltado para a formação global

de interseção entre a educação física e as

do aluno, assim como estar preocupado

demais

com o processo de inclusão dele na escola.

exploradas incansavelmente. Compete aos

Agindo como um mediador no

disciplinas

professores

que

identificar

podem

esses

ser

pontos,

processo de ensino aprendizagem do

adaptá-los com reforço de aprendizagem,

esporte e o aluno. Buscando discutir,

apresentando a aplicabilidade na prática

levantar e apontar os fatores que possam

dos conteúdos estudados em sala de aula.

afastar o aluno, objetivando desenvolver

(FARINATTI. FERREIRA, 2006, p 41).

uma aula mais acessível e receptiva.

Os

autores

citados

acima

acrescentam que, dentro da área dos


esportes

pode

métodos

ser

aplicado

interdisciplinares,

diversos regras,

fatores será o diferencial na formação do aluno.

superações e etc. conseguir trabalhar esses

Metodologia O estudo realizado caracteriza-se por uma pesquisa de campo básica que

Escola Estadual Theolinda de Souza Carmo de Governador Valadares MG.

para (GIL 1994, p. 43), “[...] permite a

O instrumento utilizado foi a

obtenção de novos conhecimentos no

aplicação de um questionário com algumas

campo da realidade social”. Por meio de

perguntas para os alunos e os responsáveis.

uma metodologia de pesquisa descritiva.

Segundo (GIL, 1994) o questionário é uma

Visando retratar as características do

técnica de investigação com um número

objeto estudado, expondo com precisão os

determinado de questões apresentadas por

fatos ou fenômenos, para estabelecer a

escrito às pessoas com a finalidade de

natureza das relações entre as variáveis

conhecer opiniões, crenças, sentimentos,

delimitadas no tema.

interesses, situações vivenciadas e etc.

Utilizando

uma

abordagem

O questionário foi elaborado e

quantitativa em uma pesquisa de campo,

organizado com perguntas fechadas. Os

por meio de questionário estruturado e

dados coletados por meio de questionários

objetivo, objetivando levantar dados que

foram mensurados em forma de gráficos.

correlacione o interesse dos pais ou responsáveis com o esporte e o interesse dos alunos nas aulas de educação física. Para a coleta de dados envolvemos 12 alunos e 12pais ou responsáveis, da

Resultados A

pesquisa

foi

realizada

na

Estadual Theolinda de Souza Carmo de Governador Valadares MG, no segundo

alunos, e o questionário 2 direcionado os pais ou responsáveis do mesmo. É importante dizer que dos 30

semestre de 2017. Utilizando questionário

questionários

distribuídos,

para coleta de dados. Cada aluno recebeu

retornaram

preenchidos

um questionário com duas pesquisas, no

orientado.

qual o questionário 1 foi direcionado aos

apenas

12

conforme


Sendo

assim,

o

questionário

realizado com o aluno teve o intuito de

educação

física

e

como

isso

pode

influenciar no seu interesse pela mesma.

observar como o aluno enxerga a aula de

Gráfico1: Questionamento aos alunos

Fonte: Dados de pesquisa, 2017

Através da pesquisa constatou-se resultados importantes como que 75%

participação das aulas de educação física pode ser revertida.

gostam das aulas de educação física e que

Um dos principais dados levantado

84% acham a disciplina importante. Esse é

foi sobre a metodologia usada pelo

um bom fator, pois caracteriza que mesmo

professor, 34% dos alunos não gosta da

com o pouco interesse na disciplina os

metodologia

alunos não têm aversão da mesma. Além

interessante o professor estudar e rever a

de que 100% dos alunos gostam do

metodologia para que aumente o interesse

professor da disciplina. Desse modo, a

dos alunos nas aulas de educação física.

falta de desinteresse dos alunos na

atual.

Deste

modo,

é


Gráfico2: Questionamento aos pais

Fonte: Dados de pesquisa, 2017

Pela pesquisa percebe-se que 84%,

importante se comparamos a mesma com a

ou seja, a grande maioria dos pais ou

tabela 2 onde quase proporcionalmente são

responsáveis

os pais ou responsáveis que praticam

Entretanto,

gostam apenas

66%

de

esportes.

acompanham

esportes.

algum esporte. E menos praticam alguma

E

que

92%

dos

pais

ou

atividade física frequentemente, apenas

responsáveis acham que a disciplina de

50%. Isso vai de frente com os dados da

educação física importante, mas apenas

tabela 1, 58% dos alunos não praticam

50% incentivam os filhos a praticarem

algum esporte fora da escola, esse dado é

esportes.

Discussão Os dados obtidos na pesquisa demonstram que os alunos gostam das

da falta de interesse de realizar as atividades nas aulas de educação física.

aulas de educação física, reconhecem a

Outros dados importantes obtidos

importância da mesma e possuem um bom

são os do questionário dos pais ou

relacionamento com o professor. Apesar

responsáveis, é que majoritariamente os

dos dados serem positivos, mais da metade

mesmos

dos alunos não pratica nenhuma atividade

esporte, acompanham

física fora do ambiente escolar. Fator esse

esporte e tem consciência da importância

que pode ser considerado um dos motivos

da educação física para seus filhos.

reconhecem

que

gostam

de

algum tipo de


Entretanto, apenas a metade incentiva seus

pais e educadores devem ser honestos uns

filhos à prática de esportes.

com os outros e aprendam a se adaptar uns

Sabendo

ou

aos

no

investimento sobre a criança. Todos estes

comportamento dos filhos. E, que apenas a

aspectos são relevantes quando visam o

metade deste incentiva seus filhos na

seu bem estar e o seu desenvolvimento.

prática esportiva, percebe-se que a falta de

(DESSEN; POLONIA, 2005 p. 309).

responsáveis

que

os

pais

influenciam

outros

e

a

concentrar

o

seu

integração dos pais ou responsáveis com o professor

de

educação

física

faz-se

Portanto, ainda existe uma grande

perdurar o problema detectado, ou seja, a

dificuldade em relação ao despertar o

falta de interesse em participar das aulas de

interesse do aluno, por isso deve-se buscar

educação física.

as mudanças, mudanças estas que iniciam

Assim, o professor deve realizar

com

a

integração

dos

pais

e

ou

parceria com os pais ou responsáveis para

responsáveis com o professor de educação

o desenvolvimento do aluno.

física objetivando influenciar os alunos na

[...] o sucesso da parceria pais-

participação das aulas de educação física.

professores está interligado à compreensão

Assim observa-se a necessidade de

das diferentes questões que os envolvem

que os alunos e familiares compreendam a

na ação educativa, com respeito ao aluno e

importância de valorizar o hábito da

sua história escolar considerem que pais e

prática de atividades físicas como um

educadores têm uma relativa igualdade no

elemento indispensável a uma vida com

impacto sobre a criança, compreendam que

qualidade.

Considerações finais Nesse

trabalho

procuramos

A realização deste estudo foi muito

compreender a falta de interação dos pais

relevante para a formação acadêmica,

ou responsáveis e o quanto isso reflete no

tendo em vista que promoveu no processo

desinteresse do aluno pelas aulas de

de pesquisa a análise e a relação da teoria

educação física. E também analisar como o

com a prática. Esse tipo de construção é

professor e a escolar pode melhorar e

importante para que nós como futuros

buscar alternativas para que exista essa

profissionais

integração, buscando aumentar o interesse

conhecimentos acerca das questões que

do aluno e desenvolvendo sua formação

cercam

para uma vida mais ativa.

a

tenhamos

educação

física

maiores

escolar,


destacando a necessidade de permanente

esportes, fazendo que haja cobranças

pesquisa e discussão.

maiores para o professor que deve fazer o

Portanto, com a pesquisa conclui-se

papel

de

protagonista,

formador,

que os pais e os alunos reconhecem a

influenciador e incentivador de seus alunos

verdadeira importância da educação física

para que exista uma Educação Física como

na vida do aluno principalmente na fase

forma de Educação e apoio na formação e

inicial da educação. Entretanto, os pais ou

na vida dos alunos.

responsáveis incentivam pouco a prática de

Abstract The Cult of the Body and Education by physical movement has always been related to being from ancient times. The Greeks believed that the education of individuals through of corporal practices and warrior preparation were essential in the formation of great defenders of their nation. With the evolution of civilization and society, both intellectually and technologically, the human being has reached the sedentary. Even with the introduction of physical education in school, the practice of physical activity fell in the forgetfulness associated with the

students' lack of interest in participating in it. What can entail several factors that hinder the development and physical, mental and and social. Thus, the present article asks: How does the lack of integration between teachers and parents or guardians has affected students in physical education classes. At where the purpose is to improve the aggravating factor of the physical, mental and social development of the students through Body Practices and Physical Education classes. Key words: Physical Education; parents or guardians; disinterest.

Referências BARROS, A.L.R.; DARIDO, S.C. Escola, educação física e esporte: possibilidade pedagógica.São Paulo, v.1, n.4. p. 101-114, 2006. BOMFIM, Liliane Gulin Paes. Incluindo pais e filhos na prática de atividades físicas e na melhoria da qualidade de vida. 2009. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação física /Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. BUSCAGLIA, Léo. Os deficientes e seus pais: um desafio ao aconselhamento. 3ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Record, 1997. 415 p.


DESSEN, Maria Auxiliadora; POLONIA, Ana da Costa. Em busca de uma compreensão das relações entre família e escola: relações família-escola. Psicologia Escolar e Educacional, v. 9, n. 2, p. 303-312, 2005. FARINATTI, Paulo de Tarso Veras; FERREIRA, Marcos Santos. Saúde, promoção da saúde e educação física: conceitos, princípios e aplicações. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2006. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo. Atlas, 1994. GUISELINI, Mauro. Aptidão física, saúde e bem-estar: fundamentos teóricos e exercícios práticos. São Paulo: Phorte, 2004. JUNIOR, J.M. O professor de educação física e a educação física escolar: como motivar o aluno? Maringá, v.11,n.1, 107-117, 2000. PAES, Roberto Rodrigues. Educação Física escolar: o esporte como conteúdo pedagógico do ensino fundamental. Canoas: Ed. ULBRA, 2001.


CENÁRIO DO GÊNERO FEMININO NO FUTSAL DO ENSINO MÉDIO: PRECONCEITO OU DESINTERESSE? Stefanny Avelar Rodrigues¹ Maria Helena Campos Pereira² Fernanda Barbosa Lopes² Resumo É visível nas aulas de Educação Física que, quando o conteúdo é o futsal, prevalece a maior participação dos meninos em detrimento das meninas. Nesse contexto, o problema que se questiona é: Quais são os fatores que contribuem para que o gênero feminino não participe ativamente nas aulas de educação física quando o conteúdo é futsal? A pesquisa destina-se a estudantes do gênero feminino do 3º ano do ensino médio de uma escola da rede estadual de ensino da cidade de Governador Valadares, Minas Gerais tem como objetivo identificar os fatores que influenciam diretamente a não participação feminina no futsal escolar. Este estudo com caráter qualitativo e quantitativo descritivo, utilizou-se como instrumentos um questionário com questões estruturadas para o público feminino, a observação das aulas e práticas do professor de educação física no que se relaciona a problemática em pauta. Desse modo, foi possível elencar pontos relevantes e levantar novos questionamentos, conforme concepções de Almeida, Couto e Santos (2009), no que se refere às relações de gênero na Educação Física escolar, referente à prática do futsal, ao provocar um desfavorecimento à prática feminina, contudo, sente-se a necessidade de maior aprofundamento no assunto. Palavras-chave: futsal Feminino, educação física escolar, ensino médio, gênero feminino, participação. ________________________ ¹Acadêmica em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. Email: stefannyavelar@hotmail.com ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Mestre em Biologia Animal. Professora de Fisiologia Humana da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares/MG e Co- autora. E-mail: fblopes.pos@gmail.com

Introdução É inegável que a educação física

problemáticas ainda encontradas na área.

escolar sempre esteve em um cenário

(FREIRE, 2003) sinaliza que a educação

rodeado

física

por

problemas:

desinteresse,

precisa

de

mudanças

e

que,

evasão, baixa autoestima, metodologia

independentemente dos avanços teóricos já

aplicada,

alcançados,

infraestrutura,

entre

outros

ainda

não

se

faz

(CAVALIERI, 2012). Apesar de alguns

correspondente as propostas apresentadas

tópicos terem evoluído significantemente

na prática da disciplina. Ao analisar sob a

nos

ótica atual, observa-se que tal afirmativa

últimos

anos,

muitas

são

as


justifica o presente momento da educação

nas aulas de educação física que são

física. Embora os avanços no conceito de

inerentes aos educandos, ao professor e

aplicação

a

que desfavorece o futsal feminino, o que

democratização da disciplina, há grandes

contribui para a evasão das alunas no

dificuldades relacionadas à prática da

esporte em questão. Sendo assim, será

Educação

como:

possível buscar formas de superá-las

espaço

transpondo as fronteiras educacionais,

gênero,

contribuindo para uma nova perspectiva e

evasão, não participação, falta de material,

olhar da sociedade em relação a esta

exclusão dos

modalidade e sua prática pelo sexo

e

a

preocupação

Física

despreparo

na

escola,

profissional,

inapropriado,

segregação

de

menos hábeis,

preconceituosas

e

com

atitudes

estereotipadas,

feminino.

desinteresse dos alunos, metodologia de

No que tange ao referencial teórico,

ensino inadequada (ALMEIDAET AL.,

a presente pesquisa se fundamenta em

2008; CAVALIERI, 2012).

periódicos científicos da Coleção Pesquisa

Nesta direção, vê-se que outra problemática

encontrada

na

em Educação Física publicada no ano de

educação

2009 e 2013, por Giliane Duarte de

física escolar é a recorrente ausência

Almeida¹, Hergos Ritor Fróes Couto² e

feminina no futsal. Apesar do grande passo

Gerson dos Santos Leite³, os quais

dado em 1981, ano em que foi revogado o

abordam os olhares sobre as relações de

decreto que proibia a participação das

gênero na prática do futsal na educação

mulheres à prática de esportes como o

física

futsal, ainda existem inúmeras barreiras a

preconceitos e a prática pedagógica dos

serem transpostas pelo futsal feminino,

professores de educação física, fatores

tornando-o um esporte onde o maior

estes que compõe a listagem hipotética

adversário não se encontra dentro das

anteriormente mencionada.

escolar,

sexismo,

estereótipos,

quadras. A relevância da pesquisa está em reconhecer as práticas e condutas presentes Educação física, gênero feminino e o futsal Participação feminina: um breve relato Sabe-se que futsal é um dos esportes mais

inventado pelo uruguaio Juan Carlos

praticados no mundo e se constitui como o

Ceriani em 1933 na Associação Cristã de

esporte mais popular no Brasil. Esse jogo

Moços

de

Montevidéu

tornou-se


rapidamente amado pelos brasileiros. Em

alguns

todos os cantos do país, pode-se verificar a

sancionando o decreto lei Nº 3.199, de 14

prática do esporte em diferentes locais,

de abril de 1945, que em seu artigo 54

como ruas, clubes, universidades e escolas.

dizia:

As

questões

ao

sexo

feminino,

sempre

[...] O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,

como

usando da atribuição que lhe confere o art.

concepção

180 da Constituição, DECRETA: Às

tipos

de

mulheres não se permitirá a prática de

das

desportos incompatíveis com as condições

mulheres dessa modalidade por décadas.

de sua natureza, devendo, para este efeito,

No Brasil, as tentativas de incentivo ao

o Conselho Nacional de Desportos baixar

futsal feminino são assombradas por estes

as necessárias instruções às entidades

aspectos

desportivas do país.

estigmatizaram prática

o

culturais

esportes

futebol/futsal

masculina.

compartilhada

por

Esta diversos

pessoas resultou no afastamento

(2007),

culturais. vive-se

Segundo

em

uma

Ventura sociedade

Posteriormente

no

período

da

machista e moralista, na qual homens e

Ditadura militar, a deliberação n° 7/65 do

mulheres possuem distintos papéis sociais.

Conselho Nacional de Desportos, assinada

Essas diferenças acabam que por levar

pelo general Eloy de Menezes, tratava em

homens e mulheres a viverem em situações

seu parágrafo 2° vedava a prática de lutas

de desigualdade.

Assim, várias formas

de qualquer natureza, futebol, futebol de

foram utilizadas para reprimir a prática do

salão, futebol de praia, polo aquático, polo,

futebol por mulheres, como exemplo, a

rúgbi,

educação. Na metade do século XX, as

(CASTELLANI FILHO, 2008, p. 63).

aulas de Educação Física oportunizavam

Essas restrições afetaram grandemente a

práticas

e

modalidade para o gênero feminino, pois

meninos, caracterizados para eles como

ocasionou reflexos diretos na sua prática,

atividades

e

estacionou

o

autonomia, e para elas, a calistenia visando

contribuiu

para

benefícios nos aspectos reprodutivos.

evidenciados atualmente, como falta de

diferentes

ligadas

para

a

meninas

forma

física

Dentre outras dificuldades, podemse citar as proibições legais dirigidas às

halterofilismo

seu os

e

baseball”,

desenvolvimento problemas

e

ainda

investimento, pouca atenção da mídia e preconceitos.

mulheres que proibia a prática em algumas

Em janeiro de 1983 o Conselho

modalidades. Na década de 1940, o

Nacional de Desportos oficializou a prática

presidente do Brasil, Getúlio Vargas,

de futebol para mulheres. A partir de então

assinou um documento que restringia

começaram a surgir campeonatos e após


três décadas observa-se uma significativa

participação feminina no futsal, dentre

evolução: o futebol passou a ser ofício e

eles, proibições e preconceitos. Para

houve aumento no interesse da mídia ,

(SILVA E AMÂNCIO, 2011), a integração

ainda que de maneira tímida. Apesar de

feminina

lenta, é possível verificar a expansão do

conflitos culturais e de gênero, o que

futsal feminino em todo o território

resulta em diferentes condições de acesso,

nacional. Atualmente há o departamento de

aceitação

futsal feminino na CBFS, a liga de futsal

comparadas aos homens. Sendo assim, a

feminino,

de

inserção feminina no esporte em questão,

campeonato

seja de rendimento, lazer ou educacional,

a

futsal/futebol

seleção

brasileira

feminino,

no

cenário

e

esportivo

participação,

tem-se

nas de base.

conturbado, marcado por obstáculos que

se

que

muitos

são os

fatores

que

desestimularam e ainda desmotivam a

por

um

quando

brasileiro de clubes na categoria principal e

Ao averiguar o trajeto histórico, vê-

pautado

gera

processo

vão além dos que já foram mencionados, o que prejudica a sua participação no futsal em diferentes âmbitos.

Futsal feminino no âmbito educacional

mais

Em relação ao ambiente escolar,

atitudinais

especificamente

explicitados nos PCN‟s.

nas

aulas

de

e

nos

demais

elementos

Educação Física, é notável a maior

Segundo (SOUZA, 2010), quando

participação dos meninos em detrimento

se desenvolve o futsal na escola, prevalece

das meninas quando o conteúdo é o futsal.

à maior participação dos meninos em

(FURLAN, 2008) conclui que a escola,

detrimento das meninas. O professor, por

como instituição detentora das funções

sua vez, permanece retido a uma questão

educacionais e de formação social, produz

histórica

e reproduz ações do âmbito social que

conformadas com este domínio masculino

separam e delimitam o que é considerado

na prática do esporte. Corroborando com

socialmente como inerente ao mundo

este pensamento, (VOSER E GIUSTI,

feminino e ao mundo masculino.

2002) afirmam que em muitas escolas é

e

cultural,

e

as

meninas

A Educação Física contribui como

ensinado e jogado o futsal dos clubes, onde

elemento fundamental nessa formação

predomina o caráter competitivo e de

através de esportes, como o futsal, desde

rendimento. Com isso, pode-se verificar a

que execute um trabalho com ênfase nas

segregação no esporte entre os alunos mais

dimensões

habilidosos e os menos hábeis, o que

conceituais,

procedimentais,


acarreta na exclusão do segundo grupo que

consistem meramente em entregar uma

em sua grande maioria é composto por

bola de futsal para meninos e uma bola de

meninas.

vôlei para as meninas. Sendo assim,

Dentro do âmbito educacional,

constata-se que não são dadas as mesmas

(SANTOS, 2008) diz que o esporte em

oportunidades

questão deveria estimular discussões que

praticarem o futsal no ambiente escolar e

levam a superar os estereótipos, conceitos

que diversos fatores colaboram para que as

pré-concebidos

mesmas escolham não participar dessa

e

discriminantes.

Entretanto, evidenciam-se práticas que

para

as

meninas

a

modalidade.

O Gênero feminino e o futsal na educação física do ensino médio O gênero é uma construção social

alguma com o desenvolvimento integral e

estabelecida por uma determinada cultura

maior abrangência de conteúdos. Esse

em relação às diferenças entre homens e

modelo de aula pautado na prática de um

mulheres, (SOUSA E ALTMANN, 1999).

único esporte pelos meninos, o futsal, com

Essas relações fundadas nas diferenças

reduzida participação do gênero feminino é

biológicas entre os sexos criam padrões de

evidenciado em grande parte do território

comportamentos e condutas que devem

brasileiro.

pertencer ao sexo feminino e ao sexo

Com objetivo de nortear o professor

masculino. Então, a questão de gênero está

na execução do seu trabalho e assim

vinculada à forma como se dispõe na

colaborar para romper à habitual situação

sociedade os valores, práticas e atitudes

das aulas de educação física no ensino

acerca da sexualidade.

médio,

os

Parâmetros

Curriculares

Nas aulas de educação física no

Nacionais diz que os professores devem

ensino médio, essas questões contribuem

levar os alunos a serem capazes de

fortemente para a exclusão das meninas no

“participar

futsal, pois estas são consideradas mais

estabelecendo

fracas, frágeis e menos habilidosas que

construtivas com os outros, reconhecendo

outros colegas pelo simples fato de

e respeitando características físicas e de

pertencerem ao gênero feminino.

desempenho de si e dos outros, sem

de

atividades relações

corporais,

equilibradas

e

Nessa série, é comum se deparar com

discriminar por características pessoais,

aulas monótonas e de cunho estritamente

físicas, sexuais ou sociais” (PCN‟s, 1998).

recreativo, onde não há preocupação

Para tal, o mesmo documento orienta que


as aulas de Educação Física sejam mistas,

pelo Conselho Nacional da Educação/

a fim de dar oportunidade para que

MEC.

meninos e meninas convivam, observem-

Para que se conquiste a inclusão

se, descubram-se e possam aprender a ser

social,

tolerantes,

fundamentar-se na ética e nos valores da

a

não

discriminar

e

a

a

educação

justiça

escolar

compreender as diferenças, de maneira a

liberdade,

não reproduzir de forma estereotipada

solidariedade

relações sociais autoritárias.

finalidade é o pleno desenvolvimento de

e

social,

deve

pluralidade,

sustentabilidade,

cuja

Faria Jr. (1995) entende que a prática

seus sujeitos, nas dimensões individual e

do futebol como desporto de equipe pode

social de cidadãos conscientes de seus

atuar como meio eficaz de ensinar aos

direitos e deveres, compromissados com a

jovens a tolerância e aceitação das

transformação social.

diferenças individuais e, para isto, propõe

Nesta concepção, (DIAS, 2012) afirma

uma série de procedimentos didáticos para

ser

os professores de educação física, com

contribuir para o aumento da discriminação

objetivo que as meninas participem juntos

e de preconceitos contra as mulheres ou

nas aulas quando o tema é a prática do

aqueles que não correspondem a um ideal

futsal. Um bom exemplo é a adaptação das

de masculinidade dominante. Entretanto,

regras. Dessa forma, não somente integra,

quando o assunto é futsal, gênero feminino

mas inclui o gênero feminino no futsal de

e educação física, essa concepção se

caráter

constitui como uma utopia, posto que seja

diferentes

misto,

conferindo

contribuições

e

valor

as

habilidades

responsabilidade

nítido

e

da

corriqueiro

escola

as

não

inúmeras

independentemente do sexo, (COSTA E

dificuldades e desvantagens vivenciadas

SILVA, 2002).

por este sexo. Portanto, é notável a

De acordo com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino

reduzida participação do gênero feminino na modalidade em questão.

Médio, aprovada em 04 de maio de 2011, Aspectos metodológicos da pesquisa O estudo foi realizado com alunas do 3º

Valadares – MG. A escola em questão é a

ano do ensino médio de uma escola da rede

pioneira no bairro Santa Rita e foi fundada

pública estadual da cidade de Governador

em

15

de

fevereiro

de

1964.


Metodologia A presente pesquisa partiu da

observação e coleta de informações, no

premissa de identificar quais fatores que

período de uma semana, foi utilizada a

influenciam na não participação do gênero

observação não sistemática, isenta de

feminino no futsal escolar do ensino

critérios científicos sobre a prática nas

médio. Em busca de atingir os objetivos

aulas de educação física, e os questionários

traçados,

de

foram aplicados oito dias após o período de

natureza pesquisa quantitativa descritiva, e

observação. Durante a conversa do pedido

também a qualitativa a partir da análise e

de autorização, tomou-se o cuidado para

síntese das concepções teóricas. Como

não explicitar o conteúdo do questionário

instrumentos de pesquisa, utilizou-se de

para qualquer pessoa que compõe o quadro

um questionário misto estruturado com

de funcionários das escolas, para não

oito perguntas fechadas e uma aberta, e a

correr o risco de estes direcionarem a

observação participativa artificial, a qual

escolha

consiste na integração real do pesquisador

prejudicaria a pesquisa, pois poderia a

com o grupo com a finalidade de obter

tornar tendenciosa.

utilizou-se

da

pesquisa

informações. . Sob autorização da direção

das

participantes,

o

que

Posteriormente, os dados foram

escolar, a população estudada constituiu-se

tabulados

de 30 alunas que cursam o 3º ano do

comparação percentual entre as respostas e

ensino médio, as quais foram submetidas

da interpretação destes resultados com base

ao questionário.

na literatura.

Na

etapa

de

e

analisados

através

da

Resultados e discussão

se reservar em uma mesa do refeitório em

No período de observação, o foco estava

companhia das meninas e realizar afazeres

em analisar se as práticas do professor

pessoais. Depois, voltava com os alunos

discriminavam ou enfatizavam a não

para

participação feminina no futsal. Após uma

frequentemente denominada como “rola

semana de observação, notou-se que a

bola”.

rotina era a mesma para todas as turmas da

Dessa forma, verificou-se a falta de

escola, o que inclui as turmas do 3º ano. O

incentivo do professor, a ausência de uma

docente se limitava em levar os alunos para

prática

quadra, soltar uma bola para os meninos, e

necessidades e interesses das alunas, como

sala

de

aula.

pedagógica

Tal

que

prática

atenda

é

às


também dos alunos, visto que estes

coletadas, a partir da análise e discussões

também não recebiam atenção do docente.

das informações obtidas, por meio de uma

Após

obter

os

dados

dos

leitura

reflexiva

dos

questionários

questionários, estes foram tabulados e

aplicados com base nos fundamentos

ordenados em gráficos. Posteriormente,

teóricos.

elaborou-se a síntese das informações Gráfico1. Relação das alunas com futsal.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

O gráfico acima demonstra que um

outros fatores, como reforça Souza Júnior e

total de 24 (vinte e quatro) alunas possui o

Darido (2002), que o principal empecilho

interesse na modalidade. Diante disso,

para o atraso da participação das mulheres

verifica-se que o futsal tem um destaque no

no futebol, é o preconceito que se instalou

gosto

a

ao longo do último século. Outro motivo,

possibilidade da ausência feminina nesse

apontado por Faria Júnior (1995) refere-se

esporte devido elas não se identificarem ou

à falta de oportunidades nas escolas, em

não se interessarem pelo mesmo. Sendo

função de uma educação Física injusta,

assim, entende-se que a participação das

machista.

feminino

e

descarta-se

meninas no futsal tem sido bloqueada por


Gráfico 2. A prática do futsal nas aulas atualmente.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

O gráfico 2 coloca em evidência e

que participam às vezes (3),informaram

confirma a problemática apresentada, visto

nível de habilidade médio, ter vivenciado

que, atualmente,26 alunas não participam

experiências prazerosas quanto à prática

do futsal nas aulas de educação física. Para

e/ou presenciar poucas condutas negativas.

Silva e Amâncio (2011), a integração

Isto pode ser um indicador de que o nível

feminina

gera

de habilidade futebolístico contribui para a

conflitos culturais e de gênero, o que

sua aceitabilidade ou que a baixa vivência

resulta em diferentes condições de acesso,

de atitudes preconceituosas, em conjunto

aceitação

quando

com vivências prazerosas, são fatores que

comparadas aos homens. Cabe salientar

colaboram para prosseguirem com a

que uma das alunas ao informar que

prática.

no

e

cenário

esportivo

participação,

participa (1), junto com as outras alunas Gráfico 3. Incentivo do Professor à participação.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.


Conforme se observa no 3º gráfico,

parece não atender as necessidades e

este exprime unanimidade, pois as 30

interesses

alunas confirmaram o que foi constatado

conclui que a escola produz e reproduz

no decorrer do período observatório. O

ações que separam e delimitam o que é

docente se limitava ao levar os alunos para

considerado socialmente como inerente ao

quadra, soltar uma bola para os meninos,

mundo feminino e ao mundo masculino.

se reservar em uma mesa junto com as

Estas ações, muitas vezes, são produzidas

meninas

afazeres

pelo próprio professor, que ao invés de

pessoais e depois voltar para sala de aula.

incentivar e incluir o futsal para todos,

Tal prática denomina-se “rola bola”. Dessa

reproduz o futsal de caráter seletivo, de

forma, verifica-se que a falta de incentivo

acordo

perpassa o caráter comunicativo entre

socialmente, ou seja, prioriza os meninos

professor-aluno ea prática pedagógica que

por serem hábeis, fortes e resistentes.

realizando

outros

das

com

alunas.

o

Furlan

que

é

(2008)

considerado

Gráfico 4. Experiências positivas na prática do futsal.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

O gráfico acima deixa claro que apenas

seis

alunas

(20%)

tiverem

experiências

prazerosas,

dez

obtiveram

alunas (33%) informaram ter possuído

vivências 100% positivas ao praticar o

poucas e três alunas (10%) mencionaram

futsal escolar. Onze alunas (37%) não

nunca

terem

jogado.

Perante

estas


informações, presume-seque tal fato foi

feminino, visto que, geralmente estas não

concebido pelo mesmo motivo citado no

participam de maneira ativa no jogo; tocam

gráfico anterior, visto que consiste em uma

poucas vezes na bola;são alvos de uso de

prática enraizada nas aulas de educação

força física, grosserias e etc. Colaborando

física neste país. Segundo Santos e Silva

com este pensamento, Voser e Giusti

(2010), quando se desenvolve o futsal na

(2002) afirmam que em muitas escolas é

escola, prevalece à maior participação dos

jogado o futsal onde predomina o caráter

meninos em detrimento das meninas.

competitivo e de rendimento. Com isso,

Diante disso, vê-se que a prática do futsal

conclui-se que este caráter esportivo em

entre ambos os gêneros no ambiente

âmbito escolar gera desânimo, desinteresse

escolar isenta de intervenção adequada,

e não soma como vivência positiva para os

gera experiências negativas para o gênero

menos hábeis.

Gráfico 5. Condutas negativas.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

Conforme está explícito no gráfico 5,

proibida a participação feminina nos

apenas dez alunas (17%) delas, afirmaram

esportes,

não ter recebido ou presenciado alguma

comportamentos advindos, sobretudo, de

conduta negativa em relação às meninas

uma cultura machista, o que contribui

que praticam o futsal. É importante

sobremaneira à resistência, negação e não

destacar que, apesar de não ser mais

participação na prática esportiva.

estas

ainda

sofrem

tais


Dias

(2012)

confirma

ser

educacional,

ao

de

discussões

para o aumento da discriminação e de

estereótipos, conceitos pré-concebidos e

preconceitos contra as mulheres ou aqueles

discriminantes, acaba que por evidenciar

que

ideal

práticas que consistem meramente em

Nessa

entregar uma bola de futsal para meninos e

correspondem

socialmente

a

um

determinado.

perspectiva e de acordo com a realidade

que

reforçam

observada na escola, o futsal no contexto

(SANTOS, 2008).

levam

esses

a

estimular

responsabilidade da escola não contribuir

não

que

invés

superar

os

comportamentos.

Gráfico 6. Comentários negativos presenciados ou recebidos pelas alunas.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

Neste gráfico, pode-se observar

recebem comentários que distorcem sua

mais

comentários

real sexualidade, como se pode observar no

em

falas

gráfico. No questionário, uma aluna até

promulgadas em diferentes segmentos,

salientou que muitos já a chamaram de

como

É

“sapatão”, mas que ela não é. A mesma é

importante destacar que vão além de

frequente na prática do futsal e citou que

julgamentos

suas

com

recebidos

o

detalhes pelas

familiar

sobre

os

alunas

e

a

educacional.

inabilidade

ou

aparência física. Algumas até mesmo

habilidades

futebolísticas

são

medianas. Desse modo, verifica-se que a


discriminação acontece independente se as

discriminação. É lamentável,conforme se

meninas sabem ou não jogar, se é ou não

apresentou no gráfico 3 e posteriormente

mais fracas, etc. Nesta perspectiva, Darido

no gráfico 8, no qual se verifica um sujeito

(2002) assegura que a escola deveria ser

que poderia ser a peça chave para

um espaço de construção dos significados

promover transformações nessa realidade,

éticos

e apenas coopera para agravar mais ainda a

necessários,

para

promover

discussões sobre a dignidade, igualdade de direitos

e

recusa

de

formas

situação.

de

Gráfico 7. Habilidade futebolística.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

O gráfico 7aponta que 28 alunas

um fator determinante para que elas não

possuem baixa habilidade e que apenas

investissem mais no esporte e, desse modo,

duas (6%) se consideram medianas, dentre

não aprimorassem suas habilidades para

as quais, de acordo com a resposta dos seus

um nível superior. Conforme Santos,

questionários, ainda praticam o futsal nas

Oliveira e Wichi (2013), o preconceito

aulas de educação física e mencionaram ter

encontrado nos diversos segmentos da

experiências

do

sociedade e a falta de apoio favorece a

preconceito sofrido. Assim, conclui-se que

retração feminina quanto à prática e

estas praticam o futsal de maneira regular,

investimento pessoal na modalidade. Por

o que as permitiu atingir o nível médio e o

consequência, não há aperfeiçoamento nas

preconceito relatado por elas pode ter sido

habilidades, sejam elas técnicas ou táticas.

prazerosas

apesar


Gráfico 8. Intervenção profissional.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

Nos resultados do gráfico8, nota-se

individuais do aluno, com adequação das

novamente o posicionamento do professor

atividades propostas a estes fatores.Para

como um agravante da problemática

tal,

pesquisada. O esporte, como fenômeno

procedimentos

didáticos

para

os

social, precisa ser questionado em suas

professores

educação

física,

com

normas, suas condições de adaptação à

objetivo que as meninas participem juntos

realidade social e cultural quando inserido

nas aulas quando o tema é a prática do

em âmbito educacional. (SOUZA JÚNIOR

futsal. Um bom exemplo é a adaptação das

et. al, 1992).Faria Jr. (1995) ressalta queo

regras e dessa forma, não somente integra,

futsal, por ser um esporte coletivo, se

mas inclui o gênero feminino no futsal de

constitui como um meio de ensino

caráter misto, conferindo valor e diferentes

eficiente para instruir aos alunos questões

contribuições (Costa e Silva, 2002). Souza

relacionadas à tolerância e aceitação das

(1994) enfatiza que o esporte adaptado se

diferenças individuais. Seaman (1982)

torna uma alternativa lúdica e prazerosa, e,

relata que os objetivos estabelecidos para

por

as atividades esportivas devem considerar

significativo para a permanência dos

e respeitar as limitações e potencialidades

alunos quanto à prática.

faz-se

necessário

de

conseguinte,

uma

contribui

série

de

de

modo


Gráfico 9. Permissão masculina quanto à participação feminina.

Fonte: Questionário aplicado às alunas do 3º ano do Ensino médio, 2017.

O gráfico 9 conclui que uma

preconceituosas,

ou

minoria,cinco meninas (17%) pediram para

insegurança

meninos

jogar com os meninos e obteve retorno

superação por parte das meninas. Para

positivo. Dessas cinco, duas afirmaram ter

(ALTMANN, 1999), quando meninas

habilidades futebolísticas medianas, o que

jogam contra meninos, ao invés destes

pode ter colaborado para eles permitirem.

sentirem-se

Por outro lado, quinze meninas (?%)

ameaçados em sua masculinidade, por

afirmaram já terem pedido para jogar com

medo de serem vencidos, pois as meninas

os

podem

meninos

e eles

não permitiram.

dos

mesmo

desafiados,

superar

as

quanto

por à

sentem-se

expectativas

e

Presume-se que a negação seja embasada

apresentarem-se com grande habilidade

por

para os esportes.

atitudes

discriminatórias

e/ou

Considerações finais O

presente

buscou

exercem influência na ausência do gênero

identificar os fatores que influenciam na

feminino quanto à prática do futsal. Dentre

não

futsal

os fatores preponderantes, encontram-se a

escolar. Após a coleta e análise dos dados

inabilidade, vivências negativas no contato

obtidos,

da

com o esporte, atitudes preconceituosas,

teórica,

discriminatórias e estereotipadas do gênero

constatou-se que todos os pressupostos

feminino, em companhia de uma má

levantados

intervenção profissional.

participação

junto

observação

e

trabalho

feminina

com

os

no

registros

fundamentação

compõem

os

fatores

que


Portanto, conclui-se que, apesar do

(reciclem

e

revisem

metodologias

espaço já conquistado, ainda há muitos

aplicadas) suas práticas educativas,visto

obstáculos a serem superados pelo gênero

que sua interação suscita impacto na

feminino que podem ser transpostos a

inteligência

partir das aulas de educação física. Para

entendamos interesses das meninas, tratar

tanto, faz-se necessário uma intervenção

o futsal como “esporte da escola”, com

do professor de educação física em prol da

ênfase nas três dimensões e nos demais

inclusão feminina junto aos meninos uma

elementos dos PCN‟s,a fim da busca em

vez que ao se tratar do tema futsal tem

minimizar as práticas

deixado de fora as questões relacionadas

excludentes e possibilitar a igualdade

ao gênero e que dissemina o esporte para

entres ambos os gêneros e dessa forma

todos. Desse modo, espera-se que os

contribuir sobremodo para diminuir esta

professores

problemática.

reflitam

e

ressignifiquem

Abstract It is visible in Physical Education classes that, when the content is futsal, the greater participation of the boys prevails to the detriment of the girls. In this context, the problem that is questioned is: What are the factors that contribute to the fact that the female gender does not actively participate in physical education classes when the content is futsal? The research is aimed at female students of the 3rd year of high school in a state school system in the city of Governador Valadares, Minas Gerais, and aims to identify the factors that directly influence female participation in school futsal. This qualitative and quantitative descriptive study used a questionnaire with questions structured for

coporal

cinestésica

e

the female audience, the observation of classes and practices of the physical education teacher in which the problematic in question is related. Thus, it was possible to list relevant points and raise new questions, according to Almeida, Couto and Santos (COUTO and SANTOS 2009) conceptions, regarding gender relations in School Physical Education, referring to the practice of futsal, by provoking a disadvantage to practice however, there is a need for further study. Key words: women‟s soccer, school physical education, high school, feminine gender, participation.

Referências ALMEIDA, G. D.; COUTO, H. R.; SANTOS, G. L. Olhares sobre as relações de gênero na Prática do futsal na Educação Física Escolar. Disponível em: http://www.editorafontou ra.com.br/periodico/vol-8/Vol8n2-2009/Vol8n2-2009-pag-183a190/Vol8n2-2009-pag-183a19 0.html. Acesso em 10 de Set. 2017.


ALMEIDA, B.S.V.; ALMEIDA, B.S.F.; DIAS, F.A.; ALBUQUERQUE, I.V.; LOPES, M.S. Dificuldades encontradas na educação física escolar que influenciam na nãoparticipação dos alunos: reflexões e sugestões. Rio de Janeiro, 2008. 15p. Dissertação (PósGraduação)-Universidade Gama Filho. ALTMANN (1999) apud CASTRO, Tatiele. et al. 2010, p.1.Rompendo fronteiras de gênero: Marias (e) homens na educação física. Dissertação de mestrado em educação. Belo Horizonte: UFMG, 1998.Buenos Aires, Argentina, 1999. CASTELLANI FILHO, 2008, p. 63 apud FURLAN, 2008, p.38.Educação Física no Brasil: a história que não se conta.Maringá, Paraná: Editora ou Faculdade aqui, 2008. CAVALIERI, Daniel. Educação Física no ensino médio. Poque o desinteresse dos alunos? Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd170/educacao-fisica-no-ensino-mediodesinteresse.htm. Acesso em 10 de Set. 2017. DARIDO (2002) apud RODRIGUES, Felippe; DEVIDE, Fabiano (2009, p.1).Futebol Feminino no Brasil: Do seu Início à Prática Pedagógica. Motriz, v. 8, n. 2, p. 43-49, 2002. DIAS, Mônica. Gênero e diversidade sexual na escola. Disponível em: http://www.uel.br/ve ristas/lenpes-pibid/pages/arquivos/2%20Edicao/MONICA%20-%20ORIENT%20%20ANGE LA.pdf. Acesso em 12 de Set. 2017. FÁBIO Franzini (2005) apud FLORES, Daniel; SILVA, Mauro (2011, p.11). Futebol é "coisa para macho"? Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Rev. Bras. Hist. vol.25 no.50 São Paulo July/Dec. 2005 FARIA JR. (1995) apud JUNIOR, Osmar.; D‟ÁVILLA, Lívia. 2009, p.32. Futebol, questões de gênero e coeducação: algumas considerações didáticas sob enfoque multicultural. Revista de Campo: Futebol e Cultura Brasileira, 2, 17-39. FLORES, D. S;SILVA, M. A.A participação do gênero feminino no futsal/futebol escolar da cidade de Caxias do sul. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/docorpo/article/view/2310/1370. Acesso em 10 de Set. 2017. FURLAN, C. C.; SANTOS, P. L. Futebol Feminino e as Barreiras do Sexismo nas escolas.Motrivivência.Cidade: Editora ou Faculdade, ou nome da revista ou Congresso. Ano XX, Nº 30, P. 28-43. Junho de 2008. JUNIOR, O. M. S.; D‟ÁVILLA, L. B. Futsal feminino e sexualidade.Cidade: Revista das Faculdades Integradas Claretianas, Nº 2. Janeiro/dezembro de 2009. MARCONI E LAKATOS (1999) apud MOORI, Roberto; MOYSÉS, Gerson. 2007, p.2.Técnicas de pesquisa. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 1999.SANTOS, Heliany; SILVA, Mário. Um olhar sobre gênero e o futsal na escola em catalão. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/5.MarioSilva.pdf. Acesso em 10 de set. 2017. SEAMAN (1982) apudLÓPEZ,Ramon; MELO, adaptedphysicaleducation: a developmental MayfieldPublishingCompany.

Ana (2002, p.1).The approach. Palo Alto,

new CA,


SOUSA, E. S. de and ALTMANN, Helena. Boys and girls: genreissuesand its implicationoneducation. Cad. CEDES [online]. 1999, vol.19, n.48, pp.52-68. ISSN 01013262. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621999000100004. DARIDO, S. C.; SOUZA JR, O. P. A prática do futebol feminino no Ensino Fundamental. Motriz, Rio Claro, v. 8, n. 1, p. 1-8, 2002. Disponível em: http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/08n1/Moreira.pdf .Acesso em 10 de Set. 2017. SOUZA, L.S. Futebol feminino no país do futebol. Monografia apresentada no curso de Educação Física. São Paulo: Universidade Estadual de Campinas, 2009. THOMAS, NELSON e SILVERMAN (2007) apud FLORES, Daniel; SILVA, Mauro (2011) p.4.Métodos de pesquisa em atividade física. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. VENTURA, Thabata; HIROTA, Vinicius. Futebol e salto alto. Porquê não?Disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Editora/REMEF/Remef_6.3/Artigo_17.pdf. Acesso em 10 de Set. 2017. VOSER e GIUSTI (2002) apud FLESCH, Douglas. 2011, p.1Futsal e a Escola: Uma Perspectiva Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002. WICHI, R. B.; OLIVEIRA, A. F.; SANTOS, I. A. As formas de preconceito no futebol feminino. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd180/preconceito-no-futebol-femin ino.htm. Acesso em 10 de Set. 2017.


EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO E O DESINTERESSE DOS ALUNOS Janaína Rodrigues da Silva¹ Wilker Vieira Carrijo¹ Maria Helena Campos Pereira² Pedro Avner Ferreira Quintino² Alessandro Máximo Lima² Resumo São inúmeras as reflexões acerca da Educação Física no Ensino Médio. Nesse sentido, o presente estudo de campo objetivou identificar quais os fatores que contribuem para o desinteresse nas aulas de Educação Física no nível de ensino em epígrafe. Para tanto, investigou-se as seguintes instituições: A Escola Estadual Professor José Jório de São João do Manteninha (MG) e a Escola Estadual Sinhaninha Gonçalves de Coroaci (MG). Quanto à metodologia de pesquisa, trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa e de caráter descritivo. Em um universo de 417 alunos, estudou-se uma amostra de 50 alunos, equivalente a 12% da população. Como instrumentos de pesquisa utilizou-se de questionários estruturados e observações destas aulas. Fundamentou-se nas concepções teóricas de (DARIDO, 2004), que trata sobre alunos não praticantes destas aulas e apresenta novos dados sobre as origens e razões da não prática de Educação Física; (BARBOSA, 2007), que considera o desinteresse dos alunos nas aulas decorrente em virtude do modo inapropriado como esse componente curricular é interpretado e (KOLYNIAK, 2006), que reforça o argumento de que os fatores que levam à não prática de Educação Física na escola estão associados a problemas específicos dessa disciplina. Palavras-chave: Aulas de Educação Física; Ensino Médio; Fatores de desinteresse; Papel do professor. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: janaina-0601@hotmail.com, wilkercarrijo@hotmail.com ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Docência do Ensino Superior e em Gestão Educacional. Professor de Iniciação Desportiva Universal e Teoria e Prática dos Esportes Coletivos - Voleibol e Basquete da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autor. Email: pedroavner111111@hotmail.com ²Mestre em Ciência da Reabilitação. Professor de Cineantopometria e Atividade Física e Saúdeda Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autor. Email: amlpersonalsaude@hotmail.com

Introdução Ao buscar uma reflexão mais

Escolar, notam-se inúmeros problemas,

esclarecida sobre as principais dificuldades

como a falta de estrutura e espaços

presentes no contexto da Educação Física

adequados para a aplicação das aulas,


déficit

de

materiais

discriminação profissionais

e e

de

trabalho,

desvalorização a

marginalização

a

específicos: Identificar qual a importância

dos

da Educação Física para os alunos do

da

Ensino Médio; Quantificar o número de

disciplina.

alunos que não participam das aulas nas

Este artigo provém de inquietações

escolas selecionadas; Averiguar os fatores

surgidas durante as experiências vividas

que contribuem para o desinteresse e

através

desmotivação nas aulas de Educação

das

práticas

Supervisionado

Estágio da

Física, a partir de aplicação de um

graduação. Durante esse tempo, pôde-se

questionário com questões estruturadas

perceber

se

para a proposta de intervenção; Investigar

interessavam ou sequer participavam das

o comportamento dos professores perante a

aulas principalmente no Ensino Médio. A

não participação de alguns alunos e propor

partir dessa situação, questiona-se como os

a intervenção do profissional desta área

alunos desse nível de ensino veem a

com base nos dados identificados na

Educação Física e por que alguns não se

pesquisa empírica.

interessam e, consequentemente, se negam

Justifica-se

que

no

de

alguns

transcorrer

alunos

não

a praticá-la.

plausivelmente,

a

escolha do tema em epígrafe, devido a

Diante do exposto, trabalha-se com

experiências adquiridas nas práticas de

o seguinte problema de pesquisa: Quais os

estágios, onde pode-se constatar que o

fatores que contribuem para o desinteresse

desinteresse nas aulas de Educação Física é

nas aulas de Educação Física?

uma realidade corriqueira enfrentada pelos

O campo de ação dessa pesquisa

profissionais, o que acarreta prejuízos a

destina-se às escolas da rede pública, com

nível educacional, dessa forma, busca-se

foco no Ensino Médio, especificamente a

uma proposta que possa contribuir com a

Escola Estadual Professor José Jório de

erradicação dos fatores que acarretam o

São João do Manteninha (MG) e a Escola

desinteresse

Estadual Sinhaninha Gonçalves de Coroaci

participação nas aulas, obtendo assim,

(MG).

reflexos diretos a nível social, alunos com Sendo assim, se estabelece como

e

a

consequente

não

um melhor nível educacional, participação

objetivo geral identificar os fatores que

ativa,

provocam o desinteresse nas aulas de

desenvolver-se de forma integral. Contudo,

Educação Física no Ensino Médio, com

justifica-se também, devido aos benefícios

propostas

tal,

que este estudo de campo traz ao âmbito

objetivos

educacional, especificamente às aulas de

elaborou-se

de

intervenção. os

seguintes

Para

a

exercer

sua

cidadania

e


Educação Física, com intervenção na

dados sobre as origens e razões da não

prática para uma aula de qualidade e

prática de Educação Física; (BARBOSA,

participação ativa dos alunos.

2007), que considera o desinteresse dos

A hipótese baseia-se na ideia que o

alunos nas aulas de Educação Física

desinteresse pelas aulas de Educação Física

decorrente

acontece, principalmente, por uma falta de

inapropriado

oferta de variações de conteúdos, métodos

curricular é interpretado e (KOLYNIAK,

e práticas, por parte do professor, que se

2006), que reforça o argumento de que os

tornem interessantes para a faixa etária em

fatores que levam à não prática de

questão e atendam às necessidades desses

Educação Física na escola estão associados

alunos,

os

a problemas específicos dessa disciplina,

anseios e as particularidades dos mesmos.

por exemplo, a ausência de um corpo

Outra hipótese levantada é que alguns

técnico próprio que seja referência para

alunos

toda a categoria profissional.

levando

se

em

mostram

consideração

desmotivados,

em

virtude

como

esse

do

modo

componente

desanimados e desinteressados pelas aulas,

Quanto à metodologia de pesquisa,

até mesmo quando os professores buscam

trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa

desenvolver metodologias de aulas ditas

e de caráter descritivo. Como instrumento

inovadoras, buscando oferecer a vivência

de pesquisa foi utilizado questionários

das

estruturados e observações das aulas de

diversas

manifestações

corporais

possíveis pela Educação Física. Essa

Educação Física.

realidade pode estar relacionada a questões

Acredita-se que o tema pode ser

do grau de importância dado pelos alunos

perceptível com alto nível de relevância,

para com a disciplina de Educação Física

pois, retrata uma realidade enfrentada

no nível de ensino em epígrafe.

diariamente

pelos

profissionais

de

Esse estudo fundamenta-se nas

Educação física neste nível de ensino.

concepções teóricas de (DARIDO, 2004),

Contudo, a partir desta pesquisa buscam-se

que trata sobre alunos não praticantes das

propostas de melhorias neste sentido.

aulas de Educação Física e apresenta novos

Educação física no ensino médio e o desinteresse dos alunos A componente

Educação curricular

Física de

é

um

importância para a formação humana dos

extrema

sujeitos. No Brasil, documentos legais e


estudiosos

do

tema

essa

com as práticas da cultura corporal de

importância em diferentes abordagens.

movimento do seu contexto. Essa pode ser

Desse modo, entende-se a Educação Física

uma realidade! No entanto, quando se

como

aprofunda

disciplina

tratamento

da

reforçam

responsável cultura

pelo

corporal

de

em

problemática,

estudos

verifica-se

sobre que,

a

muitas

movimento, tematizada em formas de

vezes, o desinteresse pela disciplina é

atividades

esportes,

reforçado por situações historicamente

jogos, danças, ginásticas e lutas (SOARES,

construídas e que, talvez, poderiam ser

C. L.; et al., 1992).

contornadas.

expressivas

Os

Parâmetros

como

Curriculares

(BETTI

E

ZULIANI,

2002)

Nacionais (PCN‟s) veem o Ensino Médio

apresentam um fator que contribui para

como o fim de uma etapa da educação

uma reflexão acerca do assunto em

básica e que tem como objetivo a

epígrafe: “[...] no Ensino Médio, no qual,

construção psicológica, social e afetiva de

desconsiderando

as

futuros

psicossociais

que

cidadãos,

preparando-os

para

por

mudanças passam

os

adentrarem o mundo do trabalho. Explicam

adolescentes, a Educação Física preserva

que nessa fase, a Educação Física deve

um modelo pedagógico concebido para o

adquirir um novo status, ou seja, deve ser

Ensino Fundamental” .

revista e não ensinada da mesma forma que

(BARBOSA, 2007) considera que

era no Ensino Fundamental (PCN‟s, 2000).

o desinteresse dos alunos nas aulas de

(MARQUES E KRUG, 2008) nos

Educação Física ocorre em virtude do

apresentam a legitimidade desse espaço

modo inapropriado como esse componente

que é a Educação Física. Nele, o indivíduo

curricular é interpretado. As aulas de

pode se relacionar com os demais e pode

Educação Física não deveriam atingir

reconhecer as limitações que os cercam. A

extremos,

Educação Física possui função educativa e

descontextualizada ou somente a chamada

socializante na formação, logo a falta de

teorização. A educação física seria uma

participação de alguns alunos não deve ser

área de conhecimento que possui uma

negligenciada pela comunidade escolar.

especificidade:

Diante

dessas

como

o

a

prática

movimento

humano

justificativas,

consciente. Nesse sentido, é preciso que

questiona-se a não participação de alguns

sua intervenção se realize com reflexões,

alunos nas aulas de Educação Física. Pode-

mas

se,

procedimentais.

primeiramente,

pensar

que

simplesmente o aluno não se identifica

sem

perder No

suas que

características tange

essa

realidade supracitada, cabe dizer que é um


acontecimento recorrente no que trata a

falta de habilidade são alguns dos motivos

aplicação da Educação Física no Ensino

citados pelos alunos para justificarem a

Médio, onde, muitas vezes, depara-se com

não participação nas aulas de Educação

a abordagem dos mesmos conteúdos e, às

Física. Inclusive, (RODRIGUES et. al.

vezes, dos mesmos métodos de aulas pelos

2010) salientam que a não participação dos

professores em diferentes níveis de ensino.

alunos do Ensino Médio nas aulas de

(BRASIL 2000) destaca que o professor

Educação Física curricular pode ser reflexo

deve ser o responsável pela elaboração de

dos fatores que se inter-relacionam, quais

um planejamento dinâmico, que atenda às

sejam, idade, horários, classe social,

necessidades e interesses dos alunos,

gênero, estrutura da escola e educação

aliando os conteúdos da cultura local às

familiar.

novas tendências da atividade física, sem

A

adotar modismos.

partir

verifica-se

que

dessas as

constatações,

causas

de

não

No que se refere a não participação

participação dos alunos das aulas de

dos alunos nas aulas de Educação Física no

Educação Física podem estar relacionadas

Ensino Médio, (DARIDO et. Al, 1999)

a

trazem a informação de que 6% dos alunos

estabelecidas, os métodos usados, os

do

são

conteúdos abordados e até a estrutura

dispensados das aulas de Educação Física.

direcionada à Educação Física podem

Conforme constatações advindas da prática

estimular ou afastar os alunos das aulas.

Ensino

Médio

requisitam

e

diversos

fatores.

As

relações

de estágio, a preguiça, o desinteresse e a

A abordagem da educação física no ensino médio 1.1

Sabe-se que os anseios e contextos

exposto, (BETTI; ZULIANI, 2002) citam

de vida dos alunos de Ensino Médio são

que a Educação Física no Ensino Médio

diferentes

deve propiciar o atendimento desses novos

Fundamental.

daqueles

do

Diante

disso,

Ensino todo

o

interesses, e não reproduzir simplesmente

currículo escolar deve estar adaptado às

o modelo anterior, ou seja, repetir, às vezes

necessidades e interesses da faixa etária, a

apenas

fim de promover a aprendizagem dos

aprofundado, os conteúdos do programa de

conteúdos e as mudanças de atitudes

Educação Física dos últimos quatro anos

pertinentes a esse público. Diante do

do Ensino Fundamental. No Ensino Médio,

de

modo

um

pouco

mais


a

Educação

Física

deve

apresentar

atribuem o que se espera dos alunos do

características próprias e inovadoras, que

Ensino Médio. Para o documento, é

considerem a nova fase cognitiva e afetivo-

necessário que os alunos do Ensino Médio

social atingida pelos adolescentes.

[...] tenham a oportunidade de vivenciarem

Acredita-se que a Educação Física

o maior número de práticas corporais

no Ensino Médio não deve voltar-se

possíveis. Ao realizarem a construção e

apenas para a prática, mas utilizar-se de

vivência

conhecimentos teóricos sobre o movimento

estabelecem relações individuais e sociais,

humano e o esporte ou de problemas de

tendo como pano de fundo o corpo em

ordem social, política, emocional, psíquica

movimento. Assim, a ideia é de que esses

e física, criando situações problema que o

jovens adquiram maior autonomia na

próprio aluno deverá resolver. A partir

vivência, criação, elaboração e organização

disso,

a

dessas práticas corporais, assim como uma

capacidade de criticar e discutir seus

postura crítica quando esses estiverem no

pontos de vista com autonomia. Diante

papel

disso (CELANTE 2000) expõe que:

(MEC/SEB, 2006, p. 224).

os

alunos

desenvolveriam

[...] por meio da Educação Física que o aluno

do

Ensino

Médio

de

coletiva

dessas

espectadores

Quanto

à

práticas,

das

prática

mesmas

pedagógica

poderá

inserida a este nível de ensino, é muito

compreender, questionar e criticar os

comum observarmos que os professores

valores que são atribuídos ao corpo e ao

exaltam a prática do desporto, com o

movimento

poder

objetivo de aperfeiçoar a aptidão física e o

transformá-los. Em suma, cabe à Educação

rendimento. “A Educação Física acaba

Física o papel de introduzir e integrar o

assumindo um caráter de treinamento ou

aluno no universo da cultura corporal

adestramento do movimento corporal, onde

(CELANTE, 2000, p. 86).

a principal função é formar atleta capaz de

corporal,

Segundo

(BETTI,

para

a

realizar o gesto desportivo com máximo

Educação Física deve ir mais além do

rendimento”. (BARNI E SCHNEIDER

simples fazer, ou seja: não basta correr ao

2003, p. 6). Nesse sentido, vale ressaltar a

redor da quadra; é preciso saber porque se

importância de uma intervenção que

está correndo, como correr, quais os

envolva o maior número de práticas

benefícios advindos da corrida, qual

corporais

intensidade, frequência e duração são

consideração às necessidades e interesses

recomendáveis.

Orientações

da faixa etária em questão, apresentando

Curriculares para o Ensino Médio (2006)

características inovadoras, que considerem

As

1992),

possíveis,

levando

em


a nova fase cognitiva evidenciada no

Ensino Médio.

Educação Física: reflexões acerca do papel do professor Os PCN‟s (2000), alertam que o profissional de Educação Física durante

a interação professor-aluno (CUNHA, 1996).

sua formação acadêmica adquire inúmeros

No que tange a visão dos alunos

e diversificados conhecimentos. Porém,

para com a disciplina em epígrafe,

com o comodismo de seu trabalho, o

percebe-se

que,

os

professor não utiliza o que aprendeu,

apresentam

uma

visão

esquecendo-se do seu potencial, não

importância da Educação Física para sua

resgatando suas capacidades e habilidades,

formação. (DARIDO, 1999) comenta a

ou seja, a aula se torna rotineira e mecânica

relevância da Educação Física na formação

perdendo a importância dentro do ambiente

dos sujeitos. Para ela a Educação Física

escolar.

como disciplina implica na promoção da

De

acordo

com

(MACHADO

reflexão

através

alunos

do

da

conhecimento

sistematizado,

função, pode moldar o caráter dos jovens e,

conhecimento, um conjunto de práticas

portanto,

grande

corporais e uma série de conceitos

significado nos alunos em formação. Ele é

desenvolvidos pela Educação Física que

responsável por muitos descobrimentos e

devem ser assegurados. No Ensino Médio,

experiências que podem ser boas ou não.

promovendo

Como facilitador, deve ter conhecimentos

manifestações dessas práticas corporais

suficientes para trabalhar tanto aspectos

como reflexos da sociedade em que vive,

físicos e motores, como também os

pensando criticamente seus valores, o que

componentes

levará os alunos a compreenderem as

marcas

sociais,

de

culturais

e

psicológicos. Isso capacidade

discussões

possibilidades significa de

ensinar

que,

além

da

conhecimentos

transformar

um

restrita

1995), o professor, no desempenho de sua

deixar

ainda

e ou

corpo

sobre

necessidades não

esses

de

as

de

valores

(DARIDO, 1999, p.16).

específicos, é também papel do professor

Com isso, acredita-se que é papel

transmitir, de forma consciente ou não,

dos professores contribuírem para que o

valores, normas, maneiras de pensar e

conceito da importância da Educação

padrões de comportamento para se viver

Física para a formação dos alunos seja algo

em sociedade. Fica claro que não se pode

explícito e compreendido pelos mesmos.

transmitir todos esses aspectos descartando

Esse conceito deve ser construído a partir


das possibilidades que a área oferece,

concordância com o objetivo que se

numa relação dialógica entre professores e

pretende

alunos, enfatizando os objetivos e as

dependerá de situações e contextos como

contribuições das manifestações corporais,

os

com

este

metodologias de aulas, os materiais e

esclarecimento e conscientização por parte

espaços e até mesmo a próprio incentivo

dos

do professor.

isso,

fazer

alunos

alcance professor

reflita

dos

com

beneficamente

objetivos

na

que

traçados

aplicação

no

seu

planejamento.

Essa

conteúdos

pelo

de

alcançar.

motivação

selecionados,

as

Diante do exposto, percebe-se que em

toda

a

formação

acadêmica

do

educador, ele aprende vários métodos de

No que tange o papel do professor

como

aplicar

uma

aula

motivadora,

em minimizar os fatores de desinteresse

inovadora, capaz de oferecer prazer em

dos alunos para com as aulas de Educação

aprender,

Física, salienta-se uma questão que merece

críticos, mas geralmente não coloca em

uma atenção especial: a motivação. A

prática

motivação exercida por parte do professor

estudiosos buscaram definir o professor

para com os alunos é de extrema

“bem-sucedido” (GUARNIERI, 1990 apud

importância para que os mesmos possam

SILVA, 1992; KRAMER; ANDRÉ, 1986

vivenciar as atividades propostas. Segundo

apud SILVA, 1992; LELLIS, 1989 apud

Piccolo (1995), [...] motivação significa o

SILVA,

exame das razões pelas quais se escolhe

SILVA,

fazer algo ou executar algumas tarefas com

características básicas desse professor.

maior empenho que outras, já que as

Três aspectos são comuns a todos os

frequentes imposições de atividades rígidas

estudos revisados: domínio do conteúdo e

e monótonas não despertam as energias

metodologia; envolvimento e apropriação

naturais que sustentam a aprendizagem

da realidade dos alunos e caráter reflexivo

espontânea, a curiosidade e o desejo de

do

aprender algo (PICCOLO, 1995, p. 13).

acredita-se que os professores de Educação

O

aluno

motiva-se

quando

o

conhecimento transmitido, pelo professor de Educação Física, tem algum significado para ele, ou seja, o conteúdo satisfaz algumas de suas necessidades e está em

de

o

como

que

1992; 1992)

trabalho

formar

aprendeu.

MELLO,

Diversos

1982

apontam

docente.

cidadãos

Nesse

apud

algumas

sentido,

Física devem se preocupar com tais aspectos, buscando sempre a melhor qualificação de seu trabalho. Contudo, (PEREIRA E MOREIRA 2005) destacam que os professores de Educação Física precisam mudar suas


posturas com urgência perante as aulas e

Física no Ensino Médio, visto que a ação

conscientizar os educandos, pois se essa

pedagógica dos professores não vem

situação perdurar, em breve não existirá

suprindo

mais motivo para a existência da Educação

educando quer da própria disciplina.

as

necessidades,

quer

do

Metodologia Para

o

desenvolvimento

deste

obter um diálogo de caráter informal com

estudo, utilizou-se uma abordagem de

os professores das escolas selecionadas, no

caráter quantitativo e qualitativo, já que foi

intuito de se aprofundar as constatações

necessário quantificar o número de alunos

relativas

participantes desta pesquisa, bem como

epígrafe. Para isso, em um universo de 417

elencar suas respostas provenientes da

alunos, estudou-se uma amostra de 50, que

aplicação dos questionários com questões

significa 12% da população.

ao

problema

científico

em

estruturadas. Com base em seus objetivos,

Os sujeitos participantes do estudo

trata-se de um estudo descritivo, pois

foram alunos do Ensino Médio com faixa

buscou-se

os

etária correspondente entre 15 e 17 anos,

motivos que levam alguns alunos a não

pertencentes à Escola Estadual Professor

participarem das aulas de Educação Física

José Jório, localizada em São João do

na escola e as atitudes dos professores

Manteninha (MG) e à Escola Estadual

perante essa recusa. Segundo (GIL 2008),

Sinhaninha

quanto aos objetivos, a pesquisa descritiva

Coroaci (MG). A escolha desses sujeitos se

busca descrever as características de

deu

determinadas populações ou fenômenos.

geográfica e, também, pelos autores da

Uma de suas peculiaridades está na

pesquisa morar próximos a essas escolas, o

utilização de técnicas padronizadas de

que de certa forma facilitou o processo de

coleta de dados, tais como o questionário e

coleta de dados.

identificar

e

descrever

a observação sistemática. Como instrumentos de pesquisa

por

Gonçalves,

questões

localizada

de

em

proximidade

É importante ressaltar que nesse estudo não se verificou a vida escolar

utilizou-se de questionários estruturados

anterior

do

aluno,

para os alunos, sendo esse composto por 5

profissional

(cinco) questões objetivas e 3 (três)

também não foi possível acompanhar por

questões discursivas. Outro instrumento

um longo período as aulas de Educação

utilizado foi a observação das aulas de

Física. A coleta de dados ocorreu a partir

Educação Física. Em paralelo, pôde-se

daquilo que se conseguiu no campo de

dos

nem

professores

a

história e

como


estudo com um tempo limitado que se dispunha para realizar a pesquisa.

Resultados Foram

aplicados

questionários

Professor José Jório de São João do

estruturados a 50 (cinquenta) alunos do

Manteninha (MG) e a Escola Estadual

Ensino Médio, pertencentes estritamente

Sinhaninha Gonçalves de Coroaci (MG),

ao 3º ano das instituições públicas que

seguem os resultados:

especifica, quais sejam, Escola Estadual

Gráfico 01: O gosto pelas aulas de Educação Física

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico em epígrafe ilustra as respostas

ao aspecto de promoção de saúde; Pela

advindas

aprendizagem

da

primeira

questão,

que

proporcionada

por

essa

questionou aos alunos se os mesmos

disciplina e o resultante alívio mental”. Em

gostam das aulas de Educação Física e por

contraposição, 18% disseram que não

qual motivo. Fica evidenciado que 76%

gostam das aulas em questão, enfatizam

deles responderam que gostam das aulas da

que são aulas desnecessárias e devido ao

disciplina, as justificativas predominantes

desânimo e a preguiça de vivenciarem as

foram: “Por ser uma aula divertida; Devido

atividades.


Gráfico 02: Nível de participação nas aulas de Educação Física.

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas

Na questão número 03 (três),

advindas da segunda questão, que veio

investigou-se: Qual o motivo te leva a não

questionar aos alunos o seu nível de

participar das aulas de Educação Física?

participação nas aulas de Educação Física.

Neste contexto, ideia central desse estudo e

Fica evidenciado que 16% dizem nunca

vem de encontro ao questionado, pois

participarem

diante

das

aulas,

um

número

do

exposto,

predominou-se

preocupante, mas, em contraposição 52%

respostas que atribuíram a fatores como a

responderam que sempre participam destas

preguiça, propostas de atividades que não

aulas, e 32% dizem participar de vez em

gostam,

quando. Espera-se que, iniciativas sejam

desmotivação,

tomadas por parte dos professores e toda a

teorização implementada e a falta de

comunidade escolar para a reversão desse

variações das atividades aplicadas, como

quadro, e consequentemente o crescimento

fatores precursores a não participação dos

da participação efetiva dos alunos nas

mesmos nestas aulas.

aulas de Educação Física.

falta

de por

interesse não

gostarem

e/ou da


Gráfico 04: A relação com o professor.

Sua relação com o professor (a) é boa? 72%

4%

24%

36 12

2

Sim

Não

Parcialmente

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas

ambiente saudável, muito mais propício ao

advindas da quarta questão, que questionou

aprendizado. Fica evidenciado que 72%

a respeito da relação dos alunos com os

dos alunos dizem ter uma boa relação com

professores, essa é uma pergunta essencial

o professor, em contraposição 4% dizem

que educadores de todos os níveis de

não ter uma boa relação com o mesmo. A

aprendizado devem fazer. Afinal, ter uma

partir desses dados, salienta a relação

boa convivência com os alunos, ao invés

saudável empregada entre professores e

de alimentar relações conflituosas e de

alunos.

tensão, é uma ótima forma de garantir um

Gráfico 05: Preocupação com quem não participa das aulas.

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.


O gráfico acima ilustra as respostas

equivale estritamente aos alunos da Escola

advindas da quinta questão, que observa se

Estadual Sinhaninha Gonçalves de Coroaci

o professor se preocupa com os alunos que

(MG),

não participam das aulas. Fica evidenciado

questionados na Escola Estadual Professor

que 42% dizem que o professor não se

José Jório em São João do Manteninha

importa

à

(MG) dizem de forma unânime que o

participação nas aulas, fato preocupante,

professor se preocupa com os alunos que

mas, vale ressaltar que este percentual

não participam das aulas.

com

os

alunos

omissos

visto

que,

todos

os

alunos

Gráfico 06: A importância da Educação Física para os alunos.

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas

componente

advindas da sexta questão, que questiona

importância para a formação humana dos

se a disciplina de Educação Física é de fato

sujeitos.

importante

Fica

Curriculares Nacionais (PCN‟s) veem o

que a

Ensino Médio como o fim de uma etapa da

disciplina é de fato importante, mas, em

educação básica e que tem como objetivo a

contraposição 8% dizem que a disciplina

construção psicológica, social e afetiva de

não é importante, fato este que preocupa,

futuros

visto que, a Educação Física é um

adentrarem o mundo do trabalho.

para

os

evidenciado que 64%

alunos. dizem

curricular

Inclusive,

cidadãos,

de

os

extrema

Parâmetros

preparando-os

para


Gráfico 07: A prática da atividade física fora do âmbito escolar.

Fonte: Dados da pesquisa empírica, 2017.

O gráfico acima ilustra as respostas

A oitava questão trata de modo

advindas da sétima questão, que questiona

discursivo o que os alunos mudariam nas

se os alunos praticam alguma atividade

aulas de Educação Física para estimular

fora do âmbito escolar. Fica evidenciado

sua

que apenas 34% dizem praticar atividades

predominaram

físicas fora do contexto escolar, em

“Extinguiria as aulas teóricas, solicitariam

contraposição

a variação das aulas aplicadas e a

26%

dizem

nunca

participação.

sentido,

seguintes

respostas:

praticarem quaisquer atividades fora da

separação

escola, fato preocupante, visto que, apesar

atividades”. Diante disso, levando em

da

benefícios

consideração as colocações supracitadas,

adquiridos através da prática de atividades

esperam-se iniciativas educacionais que

físicas, esse grupo se restringe em apenas

busquem

praticar de forma esporádica e estritamente

distanciam os alunos da prática efetiva nas

dentro do âmbito escolar.

aulas de Educação Física.

conscientização

dos

dos

as

Nesse

gêneros

minimizar

os

durante

fatores

as

que

Discussão Foram

aplicados

questionários

especifica, quais sejam, Escola Estadual

estruturados a 50 (cinquenta) alunos do

Professor José Jório de São João do

Ensino Médio, pertencentes estritamente

Manteninha (MG) e a Escola Estadual

ao 3º ano das instituições públicas que

Sinhaninha Gonçalves de Coroaci (MG),


no intuito de identificar quais os fatores

vivenciar as atividades propostas. Segundo

que contribuem para o desinteresse nas

(PICCOLO, 1995),

aulas de Educação Física neste nível de [...] motivação significa o exame

ensino em questão. A partir dos resultados supracitados, se estabelece uma discussão, que busca evidenciar os aspectos obtidos através da relação dos resultados e as

das razões pelas quais se escolhe fazer algo ou executar algumas tarefas com maior empenho que outras, já que as frequentes imposições

concepções teóricas fundamentadas. A princípio fica nítido que, a grande maioria dos alunos responderam que gostam das aulas de Educação Física, e justificaram por ser uma aula divertida,

de

atividades

rígidas

e

monótonas não despertam as energias naturais que sustentam a aprendizagem espontânea, a curiosidade e o desejo de aprender algo (PICCOLO, 1995, p. 13).

devido aos aspectos de promoção de saúde,

O

aluno

motiva-se

quando

o

pela aprendizagem proporcionada por essa

conhecimento transmitido, pelo professor

disciplina e o

resultante alívio mental,

de Educação Física, tem algum significado

mas, em contraposição, levantaram fatores

para ele, ou seja, o conteúdo satisfaz

que de certo modo os afastam da

algumas de suas necessidades e está em

participação das aulas Educação Física,

concordância com o objetivo que se

obtendo-se

pretende

a

predominância

das

alcançar.

Essa

motivação

atribuições à fatores como a preguiça,

dependerá de situações e contextos como

propostas de atividades que não gostam,

os

falta de interesse e/ou desmotivação, por

metodologias de aulas, os materiais e

não gostarem da teorização implementada

espaços e até mesmo a próprio incentivo

e a falta de variações das atividades

do professor.

conteúdos

selecionados,

as

aplicadas. Nesse sentido, é de suma

Outro fator evidenciado através da

importância o papel do professor em

análise dos resultados foram alunos que

minimizar os fatores de desinteresse dos

citaram a omissão quanto à participação

alunos para com as aulas de Educação

nas aulas de Educação Física devido a não

Física, salienta-se uma questão que merece

gostarem

do

uma atenção especial, a motivação. A

aplicado,

corroborando

motivação exercida por parte do professor

(BARBOSA,

para com os alunos é de extrema

desinteresse dos alunos nas aulas de

importância para que os mesmos possam

Educação Física ocorre em virtude do

método

2007)

de nesse

teorização sentido,

considera que

o

modo inapropriado como esse componente


curricular é interpretado. As aulas de

conceito da importância da Educação

Educação Física não deveriam atingir

Física para a formação dos alunos seja algo

extremos,

prática

explícito e compreendido pelos mesmos,

descontextualizada ou somente a chamada

visto que, a partir das constatações

teorização.

advindas desse estudo, fica nítido a visão

como

Em

relação

a

à

importância

da

disciplina para os alunos questionados, nota-se

que,

8%

responderam

restringida e limitada dos alunos para com a disciplina em questão.

que

Portanto,

a

partir

da

análise

enxergam a disciplina de Educação Física

proveniente das constatações do presente

sem importância para eles, nesse sentido,

estudo, evidenciam-se inúmeros fatores,

Darido (1999) comenta a relevância da

ressaltados pelos próprios alunos, que os

Educação Física na formação dos sujeitos.

afastam da prática efetiva nas aulas de

Para ela

Educação

A Educação Física como disciplina

Física,

relacionados

problemas

muitas

vezes

estes, com

a

implica na promoção da reflexão através

intervenção do professor. Nesse sentido,

do conhecimento sistematizado, há um

(KOLYNIAK, 2006), reforça o argumento

corpo de conhecimento, um conjunto de

de que os fatores que levam à não prática

práticas corporais e uma série de conceitos

de Educação Física na escola estão

desenvolvidos pela Educação Física que

associados a problemas específicos dessa

devem ser assegurados. No Ensino Médio,

disciplina, por exemplo, a ausência de um

promovendo

corpo técnico próprio que seja referência

discussões

sobre

as

manifestações dessas práticas corporais

para

como reflexos da sociedade em que vive,

Contudo,

pensando criticamente seus valores, o que

posicionamento

levará os alunos a compreenderem as

profissionais de Educação Física para com

possibilidades

de

a sua atuação docente, reverem conceitos e

valores

métodos utilizados, em busca de se

transformar

e ou

necessidades não

esses

(DARIDO, 1999, p.16).

toda

a há

categoria a

profissional.

necessidade

de

revolucionário

um dos

minimizar a problemática e todos os fatores que acercam essa questão, visto

Com isso, acredita-se que é papel dos professores contribuírem para que o

que,

os

problemas

evidenciados

possivelmente contornáveis.

são


teorização implementada e a falta de

Consideraçoes finais O

presente

estudo

buscou

variações das atividades aplicadas. Diante

identificar quais os fatores que contribuem

disso,

para o desinteresse nas aulas de Educação

(BARBOSA 2007), que, considera que o

Física no Ensino Médio, para tanto,

desinteresse dos alunos nas aulas de

investigou-se

instituições

Educação Física ocorre em virtude do

públicas, quais sejam, Escola Estadual

modo inapropriado como esse componente

Professor José Jório (MG) e a Escola

curricular é interpretado. As aulas de

Estadual

Educação Física não deveriam atingir

02

(duas)

Sinhaninha

Gonçalves

de

enfatiza-se

a

colocação

Corocaci (MG), a fim de,se alavancar

extremos,

propostas

descontextualizada ou somente a chamada

que

possam

minimizar

a

problemática em questão, visto que, a Educação

Física

um

a

prática

teorização.

componente

A hipótese de pesquisa baseou-se

curricular de extrema importância para a

na ideia de que o desinteresse pelas aulas

formação humana dos sujeitos. No Brasil,

de

documentos legais e estudiosos do tema

principalmente, por uma falta de oferta

reforçam essa importância em diferentes

variações de conteúdo, métodos e práticas,

abordagens, desse modo, entende-se a

por parte do professor, que se tornem

Educação

disciplina

interessantes para a faixa etária em questão

responsável pelo tratamento da cultura

e atendam às necessidades desses alunos,

corporal de movimento, tematizada em

levando em consideração os anseios e as

formas de atividades expressivas como

particularidades dos mesmos. Diante disso,

esportes, jogos, danças, ginásticas e lutas

verifica-se ao final da pesquisa que a

(SOARES, C. L.; et al., 1992).

hipótese estava parcialmente correta, visto

Física

é

como

de

como

Educação

Física

acontece,

A partir de uma análise minuciosa

que, diante da coleta e a análise dos dados,

dos dados obtidos, percebe-se que são

pode se verificar que o problema do

inúmeros os fatores elencados pelos alunos

desinteresse dos alunos de Ensino Médio

para justificarem a não participação nas

pelas aulas de Educação Física é muito

aulas de Educação Física no nível de

mais complexo.

ensino em questão, mas, constatou-se a

No que tange as propostas que

predominância das atribuições à fatores

possam minimizar a problemática em

como a preguiça, propostas de atividades

epígrafe, levando em consideração a visão

que não gostam, falta de interesse e/ou

restrita dos alunos para com importância

desmotivação,

da Educação Física em sua formação,

por

não

gostarem

da


salienta a necessidade dos professores

conteúdos e as mudanças de atitudes

contribuírem para explicitarem da melhor

pertinentes a esse público. Contudo,

forma o conceito da importância da

Pereira e Moreira (2005) destacam que os

Educação Física para a formação dos

professores de Educação Física precisam

alunos. Esse conceito deve ser construído a

mudar suas posturas com urgência perante

partir das possibilidades que a área oferece,

as aulas e conscientizar os educandos, pois

numa relação dialógica entre professores e

se essa situação perdurar em breve não

alunos, com ênfase aos objetivos e as

existirá mais motivo para a existência da

contribuições das manifestações corporais,

Educação Física no Ensino Médio, visto

inclusive levando em consideração três

que a ação pedagógica dos professores não

aspectos norteadores que fomentam uma

tem suprido as necessidades, quer do

atuação de qualidade, quais sejam, domínio

educando, quer da própria disciplina.

do conteúdo e metodologia; envolvimento

A

partir

das

colocações

e apropriação da realidade dos alunos; e

supracitadas, ao levar em consideração

caráter reflexivo do trabalho docente.

todos

Ademais, promover a esse nível de ensino

pesquisa em questão, acredita-se que é

discussões sobre as manifestações dessas

possível reverter este quadro a partir do

práticas

momento

corporais

como

reflexos

da

os

aspectos

em

envolvidos

que

os

nessa

professores

sociedade em que vive, e contribuir com os

especificamente, no que tange o Ensino

alunos

pensar

Médio, compreendam e possam dar um

criticamente seus valores. Nesse sentido,

sentido diferente para a Educação Física, a

(BRASIL, 2000) destaca que o professor

introduzirem possibilidades para que os

deve ser o responsável pela elaboração de

alunos

um planejamento dinâmico, que atenda às

corporais variadas em toda sua amplitude

necessidades e interesses dos alunos, em

de

interligação aos conteúdos da cultura local

contextualizadas ao nível de ensino a que

às novas tendências da atividade física,

se

sem adotar modismos.

potencialidades da Educação Física e

para

que

possam

possam

experimentar

conhecimento,

refere.

com

Portanto,

práticas

prazer

acredita-se

e

nas

Sabe-se que os anseios e contextos

percebe-se a possibilidade de mudança da

de vida dos alunos de Ensino Médio são

realidade desses alunos que são omissos

diferentes. Diante disso, todo o currículo

quanto

escolar

às

Educação Física, de modo a buscar

necessidades e interesses da faixa etária, a

iniciativas inovadoras, ações conjuntas que

fim de promover a aprendizagem dos

visem atender as especificidades desse

deve

estar

adaptado

à

participação

nas

aulas

de


grupo em questão, a fim da minimização

apresentada.

dos fatores que acometem a problemática

Abstract There are many reflections about Physical Education in High School. In this sense, the present field study aimed to identify which factors contribute to the lack of interest in Physical Education classes at the level of education in the epigraph. The following institutions were investigated: The State School Professor José Jório of São João do Manteninha (MG) and the State School SinhaninhaGonçalves of Coroaci (MG). As for the research methodology, it is a quantitativequalitative and descriptive research. In a universe of 371 students, a sample of 50 students, equivalent to 13.5% of the population, was studied. As research instruments were used structured questionnaires and observations these

classes. It was based on the theoretical conceptions of (DARIDO, 2004), which deals with students who do not practice these classes and presents new data about the origins and reasons for not practicing Physical Education; (BARBOSA, 2007), who considers students' disinterest in class due to the inappropriate way in which this curricular component is interpreted and (KOLYNIAK, 2006 ), which reinforces the argument that the factors that lead to the non-practice of Physical Education in school are associated with specific problems of this discipline. Keywords: Physical Education Classes; High school; Disinterested factors; Teacher role.

Referências BARBOSA C. L. Educação física escolar: da alienação à libertação. Petrópolis: Vozes, 2007. BARNI, M.J; SCHNEIDER, E.J. A Educação Física no Ensino Médio: Relevante ou Irrelevante?. Instituto Catarinense de Pós-Graduação, ICPG. Ago./Dez. 2003. Disponível em:<http://www.posuniasselvi.com.br/artigos/rev03-02.pdf> Acesso em: 20/10/2017. BETTI, M. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 13, n. 2, p. 282-287, jan. 1992. BETTI, M; ZULIANI, L.R. Educação Física Escolar: Uma proposta de diretrizes pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte - Ano 1, Número 1. 2002 BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Ensino Médio. Brasília, 2000. CELANTE, A. R. Educação física e cultura corporal: uma experiência de intervenção pedagógica no Ensino Médio. 2000. 174 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2000. CUNHA. M. I. O bom professor e sua prática.6. ed. Campinas: Papirus, 1996.


DARIDO, S. C. A educação física na escola e o processo de formaçãodos não praticantes de atividade física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte,São Paulo, v. 18, n. 1, p. 6180, jan.mar.2004. DARIDO, S.C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Araras - SP: Topázio, 1999. DARIDO, S.C. [et. al]. Educação Física no Ensino Médio: Reflexões e Ações. Revista Motriz, v 5, n° 2. Dez, 1999 GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. KOLYNIAK, C. O. O objeto de estudo da educação física. Rio de Janeiro: Corpo Consciência, 2006. MACHADO, A. A. Interação: um problema educacional. In: DE LUCCA, E. Psicologia educacional na sala de aula. Jundiai: Litearte, 1995. MARQUES, M. N. KRUG, M. R. Educação física escolar: expectativas, importância e objetivos. Revista Digital Efdesportes.com. Buenos Aires. ano 13. n° 121. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd122/educacao-fisica-escolar-expectativas-importancia-eobjetivos.htm> Acesso em: 20/10/2017. MEC/SEB. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias, v. 1. Brasília, 239 p., 2006. PEREIRA, R. S.; MOREIRA, E. C. A participação dos alunos de Ensino Médio em aulas de Educação Física: algumas considerações. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v.16, n.2, p.121-127, 2005. PICCOLO, Vilma L. Educação Física Escolar:ser... ou não ter? Campinas: Editora da UNICAMP, 1995. RODRIGUES, P. C. [et. al]. Evasão na aula de Educação Física do ensino médio noturno de uma escola municipal de Belo Horizonte. Revista Digital EFdesportes.com. Buenos Aires. Año 15 - Nº 145. Junho de 2010. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd145/evasaona-aula-de-educacao-fisica-do-ensino-medio.htm> Acesso em: 20/10/2017. SILVA, M. O professor como sujeito do fazer docente: a prática pedagógica nas 5as séries, 1992. In:Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, USP, São Paulo, 1992. SOARES, C. L.; et al. Metodologia do Ensino de Educação Física. São Paulo, Cortez, 1992.


A IMPORTÂNCIA DO FUTEBOL NO AMBIENTE ESCOLAR PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DE CRIANÇAS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Ben Hur Alexsander de Araújo¹ Maria Helena Campos Pereira² Ana Paula Campos Fernandes² Christiano Fernandes Pinto²

Resumo Percebe-se que existem diversos fatores que influenciam direta e indiretamente na prática do futebol nas aulas de Educação Física escolar para as crianças. Dentre elas, pode-se destacar a falta de estrutura física e humana da escola, escassez de materiais pedagógicos, fatores esses que influenciam o processo de ensino aprendizagem do futebol no ambiente escolar. Vale salientar que a infância é entendida como um período de grande importância para o desenvolvimento integral das crianças. Neste contexto, questiona-se: Como o futebol influencia no desenvolvimento social das crianças no ambiente escolar? A pesquisa destina-se aos docentes e discentes da Escola Doutor João de Souza Lima e Escola Municipal Professora Terezinha Sarmento de Oliveira. O estudo apresenta caráter qualitativo e quantitativo, e para atingir o objetivo utilizou-se um questionário fechado com questões estruturadas, direcionado aos discentes e docentes. Dessa maneira, foi possível realizar questionamento referente às concepções sobre futebol e sociedade. Palavras chave: Futebol. Ambiente escolar. Desenvolvimento social das crianças. ________________________ ¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: ben.0261@outlook.com ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Mestre em Gestão Integrada. Professora de Leitura e Produção de Textos em Educação Física da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co-autora. E-mail: prof.anapaulagv@gmail.com. ²Especialista em Futsal. Professor de Teoria e Prática dos Esportes Coletivos I - Futsal / Futebol em Educação Física da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co-autor. E-mail: futsalgv@gmail.com.

Introdução Percebe-se que existem diversos fatores

que

influenciam

direta

falta de estrutura física e humana da

e

escola, escassez de materiais pedagógicos,

indiretamente na prática do futebol nas

fatores esses que influenciam no processo

aulas de educação física escolar para as

de ensino aprendizagem do futebol.

crianças. Dentre elas, pode-se destacar a


A infância é entendida como um

aperfeiçoamento de um repertório motor

período de grande importância para o

adequado e ao sucesso desta prática

desenvolvimento das crianças. Ela é o

esportiva, além de contribuir para um bom

campo de investigação, em que o processo

desenvolvimento da criança, como pode

de alterações complexas e interligadas,

ser visualizado no trecho a seguir de

relaciona-se aos aspectos de crescimento e

Rodrigo Vieira Azevedo Souza:

maturação dos aparelhos e sistemas do organismo.

Desta

o

Pessoas que trabalham com futebol, pais, e

da

até alguns profissionais esquecem que o

maturação do sistema nervoso central, da

principal na atividade desenvolvida pela

biologia, do comportamento e do ambiente

criança (seja ela o futebol, dança, ou

no qual ele se relaciona, bem como o

qualquer outra atividade física e cognitiva),

desenvolvimento

é a formação do seu intelecto, da sua

desenvolvimento

forma,

infantil

depende

emocional,

social,

psicológico, afetivo e educacional.

motricidade

e

da

sua

sociabilidade;

Uma das estratégias utilizadas para

buscando desenvolver em primeiro lugar,

melhor desenvolver essa fase é através dos

não um atleta, visto e tratado como algo

esportes, pois a atividade física organizada

lucrativo, mas sim um ser humano ético,

se

saudável

torna

importante

desenvolvimento

tanto

físico,

para

motor,

o

social

e

inserido

na

sociedade.

(SOUZA, 2004, p.7).

como psicológico das crianças. Baseado

Neste contexto, questiona-se: Como

em suas regras e condições, as crianças

o futebol influencia no desenvolvimento

conseguem compreender formas de se

social das crianças dos anos iniciais no

relacionarem com os outros, trocando

ambiente escolar? Para isso, elaborou-se

experiências, competindo e ajudando uns

como objetivo, analisar o futebol como

aos outros, aprendendo, assim, a conviver

fator de desenvolvimento social para a

em sociedade.

formação do educando nas aulas de

Um dos esportes que favorecem essas relações é o futebol, com o qual as

educação física escolar. Este

trabalho

se

justifica

no

crianças aprendem a dominar habilidades

contexto pessoal, ao perceber o futebol

motoras

a

como elo de socialização entre os alunos,

desenvolver a capacidade de percepção, a

podendo contribuir satisfatoriamente no

tomada

a

seu aprendizado. No ambiente social se

percepção da dinâmica coletiva. Estes são

justifica por presenciar na sociedade, a

fatores

evolução futebolística da criança, que ao

fundamentais

de

decisões

com

bola,

adequadas

fundamentais

para

e

o


nascer já é inserida no universo do futebol.

onde

No contexto educacional, o tema torna-se

direcionadosaos docentes e discentes para

relevante

de

levantamento de informações pertinentes

experiências de estágio supervisionado a

ao futebol nas séries iniciais do ensino

importância do futebol no processo de

fundamental.

por

perceber

através

foram

ensino aprendizagem no ambiente escolar, sendo

uma

ferramenta

poderosa

aplicados

questionários

Sendo assim, se estabelece como

de

objetivo geral, analisar a importância do

inclusão do educando nas aulas de

Futebol no processo de desenvolvimento

educação física escolar, quando bem

social das crianças no ambiente escolar.

inserido.

Para

tal,

elaboraram-se

os

seguintes

Entre os principais referenciais

objetivos específicos: Identificar qual a

utilizados para o embasamento teórico da

importância do futebol nas aulas de

pesquisa, destacaram-se os estudos sobre

educação física para as crianças dos anos

“Pedagogia do Futebol”, de João Batista

iniciais, bem como, analisar a importância

Freire.Quanto aos aspectos metodológicos,

da

optou-se pela Escola Municipal Professora

desenvolvimento social das crianças no

Terezinha Sarmento de Oliveira e a Escola

ambiente

prática

do

futebol

para

o

escolar.

Municipal Doutor João de Souza Lima, Relação do Futebol Com a Cultura O futebol é um desporto praticado

crianças aprendem a praticá-loe acabam

em diversas partes do planeta, por milhares

familiarizando com o desporto, seja na

de

diferentes.A

escola, em casa ou em outros lugares e isso

popularização do futebol adentra em todas

faz parte do contexto cultural e das

as

relações sociais (FREIRE, 2006).

pessoas

faixas

significados

de

etárias

idades

com

divergentes.

situações Os

e

pais

O futebol se faz tão presente na

participam de brincadeiras com os seus

cultura

da

sociedade

brasileira

que

filhos sem perceberem e as crianças

mundialmente o Brasil é conhecido como

interagem e brincam entre si através da

sendo “o país do Futebol”, não apenas

troca de experiências e saberes que

pelos títulos conquistados nas copas do

perpassa de geração em geração.

mundoorganizadaspela entidade máxima

O futebol na infância está inserido

da modalidade, a FIFA, mas também pelo

na vida social e cultural do educando. As

prestígiode estarem entre os principais e os


primeiros colocados nas mais variadas

e se identificar com um time ou um

competições internacionais, o que faz com

determinado jogador.

que se tenha essa identidade criada.

Neste sentido, (RINALDI, 2000)

O futebol faz com que apareça uma

associa futebol com a cultura ao dizer que:

necessidade do ser humano de presenciar,

O futebol tem-se identificado com a

no dia a dia, momentos que vão lhe

cultura brasileira, principalmente no que se

proporcionar prazer, paixão e distração, o

refere à subjetividade de suas relações, ao

que demonstra uma marca significativa da

que acontece dentro de um campo de

cultura particular da localidade.

futebol, como as transgressões das regras

Vale salientar que o futebol incute

estabelecidas, da ordem e da desordem, da

na sociedade diversos sentimentos e acaba

aproximação que o futebol faz dos

fazendo

o

torcedores com a realidade festiva do

cultura

prazer e do lazer, que representam

com

que

desenvolvimento

de

se uma

tenha

Futebolística, proporcionando inúmeros

momentos

sentimentos e emoções, seja alegria,

Identificação do povo com o futebol só

sofrimento,

acontece porque ele consegue apresentar

choro,

raiva. Pessoas de

de

paixão

diferentes localidades, classes sociais e

essas

raças, ao assistirem jogos de futebol,

(RINALDI,2000, p. 168).

torcem juntos, sofrem e ficam felizes nos ambientes

familiares

ou

características,

e

a

de

alegria.

identidade.

Portanto, a cultura do futebol está

mesmo

entrelaçada na sociedade brasileira, pois as

independente de conhecer ou não quem

pessoas passam a se identificar e interagem

está ao lado.

de forma natural frente a ela, vivenciando-

Desta forma, a cultura do futebol

a naturalmente.

faz com que as pessoas abracem o primeiro que estiver à sua frente quando o seu time faz um gol, esquecendo as diferenças. Além disso, motiva os torcedores a comprar camisas, bandeiras,sentir orgulho

Desenvolvimento social a partir do futebol No que tange ao desenvolvimento

despertando a interação entre elas e

social da criança, pressupõe-se que o

ensinando a conviver e se relacionar com

Futebol tenha a característica de propiciar

outras pessoas, além de proporcionar o

a socialização com as demais crianças,

respeito às regras e viver em sociedade.


Na compreensão da formação do desenvolvimento personalidade

integral, da

social

criança,

e

estão

que possam surgir, devido às vivências identificadas na prática do desporto. Constata-se,

também

a

contribuição

inteiramente relacionadas à formação e as

significativa no processo de maturação da

comunicações educativas, o que leva a um

criança,

aperfeiçoamento

sua

tomada de decisão devido às condições

consciência, fazendo com que se tenham

adversas surgidas ao longo da partida.As

características como a solidariedade, a

relações interpessoais melhoram, pois se

honra, a honestidade, a responsabilidade, o

aprende a respeitar e a se colocar no lugar

saber trabalhar em equipe, o respeitar o

do outro nas situações que não estavam

espaço e a opinião do outro, entre outros.

previstas, além deaprender a trabalhar em

primordial

de

Em relação ao jogo de Futebol,

desenvolvendo

uma

melhor

equipe e a ter o companheirismo.

(SOUZA et al, 2011) identifica

Outra característica fornecida pelo

características semelhantes adquiridas pelo

esporte, especificamente no Futebol, é a

brasileiro, ficando evidentes a seguir:

importância que o mesmo traz para a

(...) o brasileiro se identifica com as problemáticas oferecidas pelo jogo, às

convivência com os demais, como se pode ver a seguir:

adversidades, as alegrias, a superação, por

(...) “aprender a conviver” é, além

relacioná-las com as situações cotidianas

de, viver juntos, competir e cooperar

de sua vida. E isto é perceptível pela forma

intrinsecamente (DELORS et al, 1996).

de expressar-se do brasileiro em certas

Por isso, toda convivência se baseia em

ocasiões típicas. Bem como um time que

regras de forma explícita ou implícita, e o

se vê com o placar adverso, o cidadão

educando, à medida que participa da

brasileiro busca “virar o jogo” quando se

construção coletiva das regras (adaptadas)

encontra numa situação desvantajosa, seja

está

ela financeira, seja na escola, em relação às

convivência interpessoal e social como,

notas. (SILVA, 2015, apud SOUZA etal.,

por

2011, p. 1).

negociar, argumentar e contra argumentar,

Além

disso,

o

Futebol

pode

desenvolvendo

exemplo,

valores

criança

responsabilidade,

relação

às

mudanças

aprender

a

de

conversar,

saber ouvir, esperar a sua vez, viver

proporcionar o desenvolvimento social da em

competências

éticos

como

respeito,

cooperação

dentre

comportamentais, melhor relação com os

outros. Conviver fortalece o encontro

familiares,

consigo

melhoras

no

rendimento

escolar, na superação frente às dificuldades

mesmo

e

com

o

(CASTANHEIRA, 2008, p. 120).

outro.


Sendo assim, a prática do futebol se torna

fundamental

de

parte do seu ciclo de convívio, além de

crianças.

apresentarem facilidade de se relacionar

Conforme demonstrado na literatura, após

com pessoas que não conheciam, perdendo

determinado tempo de prática, o futebol

assim um pouco a timidez e melhorando o

pode

sua relação interpessoal.

desenvolvimento

no

processo

crianças com as demais pessoas que fazem

social

proporcionar

das

uma

melhora

no

comportamento e nas relações sociaisdas

Ensino do futebol no ambiente escolar O futebol é um esporte coletivo

Outro aspecto interessante que pode

com regras universais, sendo praticado da

ser identificado no ensino do Futebol é o

mesma forma em todos os lugares do

aprender a ganhar e a perder. Neste

mundo. Tem-se enquadrado como um

sentido, as crianças, através da prática,

ramo da atividade humana, podendo ser

incorporam essa realidade a qual deverão

definido como uma profissão, na medida

saber lidar com a derrota, tentando tirar

em que relações profissionais se definiram.

dela um ponto positivo e a ter a

Desta maneira, o futebol como atividade de

compreensão que haverá aquele que irá

caráter científico, também compreende

vencer e aquele que irá perder.Cabe ao

uma realidade teórica, tendo diversas

professor e/ou treinador mediar e assegurar

disciplinas utilizadas como suporte, tais

as duas realidades, como ficou evidente na

como:

fala de Adilene de Assunção, a seguir:

Matemática,

ciências,

física,

biologia e etc.

Neste estágio, a criança não dá

Ensinar o futebol de maneira adequada

faz

com

crianças

ideia não muito definida do que seja

assimilem as novas habilidades motoras

ganhar ou perder. Geralmente ela não joga

aumentando e melhorando o seu acervo

para vencer ou superar os outros, mas pelo

motor, podendo transferir o conhecimento

simples prazer da atividade. A violação das

motor

práticas

regras gera grandes discussões. Nesta fase

esportivas, com isso são capazes de

surge um forte sentimento de competição.

adquirir novas experiências em outros

O fato de perder torna-se quase intolerável

grupos compartilhando suas experiências e

para algumas crianças, dando origem a

ideias, melhorando o seu desenvolvimento

cenas de choro e até mesmo de agressão,

moral e social (FREIRE, 2006).

aproveitando essa disposição natural da

adquirido

em

que

as

muito valor à competição, pois tem uma

outras

criança para jogar pelo simples prazer de


jogar. Além disso, deve selecionar jogos

implícitos nas rotinas de um jogo e seus

simples, com poucas regras. O educador

jogadores:

deve procurar despertar o espírito de

O papel do educador é fundamental

cooperação e de trabalho conjunto no

no sentido de preparar a criança para a

sentido de metas comuns. A criança

competição sadia na qual inspira o respeito

precisa de ajuda para aprender a vencer

e a consideração pelo adversário. O

sem ridicularizar e humilhar os derrotados

espírito de competição deve ter como

e para saber perder esportivamente, sem se

tônica o desejo do jogador de superar a si

sentir diminuída ou menosprezada. Quando

próprio, empenhando-se para aperfeiçoar

o educador manifesta uma atitude de

cada vez mais as habilidades e destrezas. A

compreensão e aceitação, e quando o clima

situação de jogo deve-se constituir um

da sala de aula é de cooperação e respeito

estímulo desencadeador do esforço pessoal

mútuo,

segura

tendo em vista o auto aperfeiçoamento.

emocionalmente e tende a aceitar mais

Jogo supõe relação social, supõe interação.

facilmente o fato de ganhar ou perder

Por isso, a participação em jogos contribui

como algo normal, decorrente do próprio

para a formação de atitudes sociais:

jogo. (ASSUNÇÃO, 2012, p. 4).

respeito mútuo, solidariedade, cooperação,

a

criança

sente-se

Desta forma, o professor tem um

obediências

às

regras, iniciativa

senso

papel fundamental no ensino do domínio

responsabilidade,

pessoal

dos sentimentos e emoções dos alunos.

grupal. (ASSUNÇÃO, 2012, p. 4).

de e

Assim, pode-se dizer que jogar faz parte da vida, pois perder ou ganhar é uma constante no dia a dia de cada pessoa. Conforme salienta (ASSUNÇÃO, 2012),o clima da sala de aula deve ser de cooperação e respeito mútuo, pois quando a criança sente-se segura no aspecto emocional, ela pode aceitar com mais facilidade as questões relacionadas ao jogo, ou seja, perder e ganhar estão

Pesquisa de campo

Com base nestes argumentos de (ASSUNÇÃO,

2012),

o

educador

é

imprescindível em suas tarefas ao preparar a criança para enfrentar o adversário, mesmo que seja na prática de um futebol ou em outras situações do convívio social. Competir,de acordo com a autora, pode ser a necessidade de superação, bem como, o desenvolver de habilidades e destrezas


Para corroborar com a revisão

infraestrutura

viária,

assistência

bibliográfica, foi realizada uma pesquisa

comunitária e religiosa, postos de saúde e

de campo com os docentes e discentes dos

atenção política.

anos iniciais (1° ao 3° ano) da Escola

Entende-se a importância desta

Municipal Doutor João de Souza Lima e

pesquisa de campo, pois é no campo de

Escola Municipal Professora Terezinha

ação que se consegue visualizar melhor as

Sarmento de Oliveira da cidade Frei

atividades concretas, tornando-se ações

Inocêncio, Minas Gerais.

práticas que envolvem o corpo sendo

Atualmente, as instituições atendem o ensino infantil e ensino fundamental I e

possível confirmar a ideia deste trabalho investigativo.

contam com boa estrutura. Os bairros, embora compostos em sua maioria por famílias de baixa renda, apresentam boa

Metodologia A presente pesquisa partiu do

ao 3° ano dos anos iniciais da educação

pressuposto de identificar a influência que

básica e 12 professores, totalizando 42

o futebol exerce no desenvolvimento social

participantes.

da criança no ambiente escolar. Em busca

Para a coleta de dados contamos

de atingir os objetivos traçados, utilizou-se

com a utilização dos seguintes materiais:

da pesquisa de natureza quantitativa e

Canetas

qualitativa.

entrevistado

Como

instrumentos

de

e

um

questionário

participante

da

pesquisa

deveria

estruturado com cinco perguntas fechadas

ocorresse qualquer tipo de influência de

e, posteriormente foi realizado análise dos

outras pessoas. Logo após, os dados foram

dados.

esquematizados e averiguados através da comparação

do da

percentual

sem

que

entre

interpretação

as

escolas da rede pública municipal de Frei

respostas

Inocêncio – MG. A população estudada é

resultados com base no referencial teórico

composta de 30 alunos que cursam do 1°

utilizado no projeto.

Resultados e discussões

e

sozinho,

o

pesquisa, utilizou-se de um questionário

O estudo foi realizado em duas

responder

onde

destes


Conforme demonstrado na revisão

Inicialmente,

será

demonstrado,

bibliográfica, o futebol é um esporte capaz

através de três perguntas direcionadas a

de trazer benefícios diversos para as

professores.

crianças dos anos iniciais do ensino

apresentadas as respostas a duas perguntas

fundamental. Assim, buscou-se fazer uma

direcionadas às crianças estudantes das

pesquisa de campo com vistas a constatar

escolas em estudo.

Posteriormente,

serão

se os professores e alunos dos anos iniciais possuem esta percepção.

Gráfico 1: Contribuição do futebol para o desenvolvimento social das crianças

Fonte: Pesquisa de campo, 2017.

O gráfico acima demonstra que um

fundamental

para

a

socialização

do

total de 12 professores acredita que o

educando. Esta pesquisa reforça a teoria de

futebol contribui significativamente no que

(FREIRE, 2006), ao demonstrar que o

diz respeito ao desenvolvimento social da

futebol na infância está inserido na vida

criança no ambiente escolar. Sendo assim,

social e cultural do educando.

nota-se que a prática do futebol é Gráfico 2: Futebol trabalhado de forma cooperativa e competitiva simultaneamente


Fonte: Pesquisa de campo, 2017.

Nota-se no gráfico2 que mais de 60%

dos

professores

entrevistados

em jogos contribui para a formação de atitudes

sociais:

respeito

mútuo,

disseram ser possível obter inclusão em

solidariedade, cooperação, obediências às

meio à competição. Esta resposta valida a

regras,

teoria de que o “Jogo supõe relação social,

iniciativa pessoal e grupal.(ASSUNÇÃO,

supõe interação. Por isso, a participação

2012, p. 4)

senso

de

responsabilidade,

Gráfico 3 - Valores sociais a partir do futebol

Fonte: Pesquisa de campo, 2017

O gráfico 3 demonstra que 67% dos

uma vez, o que foi defendido pelos autores

professores entrevistados acreditam ser

utilizados na pesquisa teórica.Portanto,

possível conquistar valores sociais através

tanto a revisão da literatura, quanto a

da prática do futebol, confirmando, mais

pesquisa

de

campo

demonstraram

a


importância da prática do futebol para

entrevista realizada com 30 crianças das

crianças.

escolas selecionadas.

Os

próximos

gráficos

demonstrarão os resultados obtidos à

Gráfico 4: Futebol praticado fora da escola

Fonte: Pesquisa de campo, 2017

Nota-se no gráfico 4que 100% dos

praticar o futebol e acabam familiarizando

alunos entrevistados responderam já terem

com o desporto, seja na escola, em casa ou

praticado o futebol fora do ambiente

em outros lugares e isso faz parte do

escolar. Assim, ressalta-se o que (FREIRE,

contexto cultural e das relações sociais.”

2006), disse “as crianças aprendem a Gráfico 5: Gosto pelo futebol


Fonte: Pesquisa de campo, 2017

Evidencia-se no gráfico acima que

inserido na vida social e cultural do

83% dos alunos entrevistados disseram

educando. As crianças aprendem a praticar

gostar de jogar futebol, reforçando o

o futebol e acabam familiarizando com o

quanto

inserido

desporto, seja na escola, em casa ou em

automaticamente na cultura do aluno. Para

outros lugares e isso faz parte do contexto

(FREIRE, 2006), o futebol na infância está

cultural e das relações sociais.

este

esporte

é

Considerações finais Ao final do desenvolvimento desse

tornaram mais sociáveis, passaram a

projeto evidencia-se que a prática do

respeitar melhor as regras, a terem mais

Futebol

o

disciplina, além de passarem ater mais

desenvolvimento social das crianças dos

companheirismo com os demais, aprender

anos iniciais da educação básica no

a administrar as vitórias e derrotas, além de

ambiente escolar. Através da aplicação do

se comportarem melhor.

é

fundamental

para

questionário, de acordo com as respostas

O professor exerce um papel

por parte dos docentes e discentes, ficou

primordial neste processo, pois passa a ser

evidente a importância que a prática do

o mediador e estimulador de todos os

Futebol teve no desenvolvimento social

processos que levam os educandos a

das crianças.

construírem

Notou-se a importante contribuição que o futebol teve nas relações com os demais e com os próprios alunos, onde se

seus

conceitos,

valores,

atitudes e habilidades permitindo o seu crescimento

como

pessoas

e

como


cidadãos, desempenhando uma influência

verdadeiramente significativa.

Abstract It is noticed that there are several factors

school environment? The research is

that influence directly and indirectly in the

intended for teachers and students of the

practice of soccer in the classes of Physical

Doctor João de Souza Lima School and the

Education school for the children. Among

Municipal School Professor Terezinha

them, it can be highlighted the lack of

Sarmento de Oliveira. The study has a

physical and human structure of the school,

qualitative and quantitative character, and

lack of pedagogical materials, factors that

to reach the goal a closed questionnaire

influence the learning process of soccer in

was

the school environment. It is worth noting

directed to the students and teachers. In

that childhood is understood as a period of

this way, it was possible to question

great

football and society.

importance

for

the

integral

used

with

structured

questions,

development of children. In this context, the question is: How does soccer influence the social development of children in the

Keywords: environment.Social children.

Football.School development of

Referências ASSUNÇÃO, Adilene de. Oficinas Pedagógicas: A importância dos jogos, brinquedos e brincadeiras como recursos na Educação Especial. Natal, set. 2012. Disponível em: http://www.iesprn.com.br. Acesso em: 08/12/2017. CASTANHEIRA, M. A. V. Capital social, sustentabilidade e esporte: elementos para a construção de uma educação em valores a partir do esporte voleibol. 2008.250 f. Dissertação (Mestrado em Organizações e Desenvolvimento) - UNIFAE -Centro Universitário Franciscano. Curitiba. 2008. FREIRE, João Batista.Pedagogia do futebol. 2. ed. – Campinas: Autores Associados, 2006. RINALDI, W. Futebol: Manifestação cultural e ideologização. Revista da Física, UEM, v. 11, n.1, p. 167-172, 2000. SILVA, Diego Ferreira da. A importância da prática do futebol no processo de desenvolvimento social das crianças. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Disponível em: http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/5086/1/CT_COEFI_2015_1_12.pdf Acesso em 8 dez. 2017.


SOUZA, Rodrigo Azevedo. A importância da Psicomotricidade para o desenvolvimento infantil através do futebol. 2004. 45 f. Monografia (Especialização em Psicomotricidade) – Departamento de Pós-Graduação, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2004.


INCLUSÃO DE ALUNOS COM SURDEZ NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: O QUE DIZEM OS PROFESSORES Gilmar Miranda Damasceno¹ Rafael Pimentel Soyer¹ Maria Helena Campos Pereira² Mauricio Barcelos de Barros Cruz² Danielle de Oliveira Dantas²

Resumo A educação inclusiva é um processo social e cultural que vem crescendo em todo o mundo e alveja concepções e entendimentos sobre a educação e o papel da escola nos tempos de hoje. Este estudo objetivou analisar o ponto de vista dos profissionais de educação física nas escolas públicas e privadas de Governador Valadares, Minas Gerais em relação a inclusão dos alunos com surdez nas aulas educação física escolar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo descritiva e analítica, realizada em dez escolas públicas do município. Participaram da entrevista 30professoresda rede pública e privada. Os resultados apontam que uma das principais barreiras no processo de inclusão nas aulas de educação física, é a barreira da comunicação. Bem como, diversos autores apontam que a Língua Brasileira de sinais e a formação continuada de professores podem ser fatores que contribuem no processo de inclusão. Palavras chave: Inclusão; Surdos; Educação Física; Comunicação; Libras.

¹Acadêmicos em Educação Física Licenciatura da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: gilmarmirandafisical@gmail.com, rafaelsoyer1@hotmail.com ²Doutora Honoris Causa em Ciências da Educação. Mestre em Ciências da Educação pelo ISPEJV – Havana. Cuba. Professora de projetos de pesquisa em Educação Física da Faculdade Antônio Carlos de Governador Valadares. E-mail: maria-helenacampos@hotmail.com. ²Especialista em Educação Física Escolar. Professora de Ginástica de Academia, Natação, Hidroginástica da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autora. E-mail: jennipsoyer@gmail.com ² Especialista em Futsal. Professora de Introdução à Educação Física da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares e Co- autora. E-mail:

Introdução Nos últimos anos, percebe-se que

após a declaração de Salamanca de 1994

há um aumento significativo de ações,

(BRASIL,

1994).

O

pesquisas e discussões no sentido de

direcionamentos

compreender o processo de inclusão

teóricos,

escolar no ensino regular, em especial

filosóficas e até mesmo políticas no que

incluem

pedagógicos

foco

dos

assuntos concepções


tange a abordagem da inclusão no

Libras como meio legal de comunicação e

contexto

educacional

pelas

expressão, garantindo a inclusão da

diretrizes

apresentadas

declaração

disciplina de Líbras no currículo de

balizados na

(BRASIL, 1994).

formação de professores em todo Brasil.

Com o avanço dessas concepções,

Nessa perspectiva compreende-se

surge a necessidade de professores, em

a importância das aulas de educação

especial ora abordado, de Educação física,

físicas inclusivas, incorporando alunos

serem requisitados a atender às diversas

com

necessidades

legalmente constituídos.

sociais,

dentre

elas

a

inclusão de alunos Surdos no contexto das

surdez,

Baseado

garantindo

nesse

entendimento,

aulas (SEABRA JÚNIOR; MANZINI,

(GREGUOL

2008).

deficiência auditiva permanente (Surdez) Com a implementação da política

não

2010)

direitos

interfere

adverte

que

diretamente

a

no

Nacional de Necessidades Educativas

desenvolvimento global do indivíduo,

Especiais, na perspectiva da educação

embora, a perda da audição poderá

inclusiva (BRASIL,1994), o acesso ao

acarretar grandes perdas associadas caso o

ensino

indivíduos não receba estímulos nas aulas

e

formas

pedagógicas

que

garantem o aprendizado do aluno, se concretiza e conduzem os professores a

de Educação física. Para que este trabalho tenha maior

uma visão ampla e didática de ensinar

significado

para

concepções de (SACHR 1939, p.37), no

alunos

com

algum

tipo

de

deficiência, surgindo-se novos desafios. Muitos

desses

busca-se

as

que tange a criança surda, onde ele relata na

que ao presenciar o surgimento de uma

Educação e inclusão de alunos surdos no

escola de surdo a sociedade começou a

contexto

ver os surdos como pessoas comuns

escolar,

comunicação.

é

desafios

teórico,

a

Atualmente

barreira a

da

Língua

capazes de trabalhar igual aos não surdos.

brasileira de Sinais (LIBRAS) é a primeira

Como também, Chomsky (1991, p.

língua de alfabetização de um aluno surdo

16) com a fala de que a metodologia de

sendo o português a língua secundária.

ensino foi criada seguinte ao pressuposto

Nessa perspectivas, os professores

do oralismo, no entanto, no Brasil no

necessitam se capacitarem para atender

centro de reabilitação ligado a esta

alunos que demandem com surdez, nesse

metodologia usam a língua de sinal, para

sentido, a lei A Lei nº 10.436/02

que as aulas passam a ter sentidos e

reconhece a Língua Brasileira de Sinais –

significados para o aluno surdo. Nessa


perspectiva,

a

política

nacional

de

estudá-los, atualizando para novas formas

educação garante ao aluno surdo, o

e métodos de ensino para a inclusão de

acompanhamento de um interprete, que

alunos com surdez nas aulas de educação

fará a ligação didática entre o que o

física.

professor ensina e a forma traduzida para o discente.

Portanto, este tema foi escolhido com a finalidade de analisar o ponto de

E ainda, (BAKHTIN 1990, p. 38),

vista dos profissionais de educação física

ao relatar que todos os estudos em relação

nas escolas públicas e privadas de

aos surdos foram discutidos e pensados

Governador Valadares, Minas Gerais em

para chegar nos dias de hoje e por isto

relação a inclusão dos alunos com surdez

devem ser seguidos, mas nunca deixar de

nas aulas educação física escolar.

Alunos surdos no âmbito escolar A inclusão escolar, até

Nesse contexto, analisar sobre a

meados da década de 90 não era um

educação de surdos no Brasil requer

assunto muito recorrente em estudos e

transpor as propostas educacionais, pois

amplamente

os que são diferentes, no sentido de não

discutidos

no

ambiente

escolar, gerando diversas controversas e

estarem

atitudes

tema

socialmente, não são identificados como

inclusão se envereda em campos de

um fenômeno do meio sociocultural,

batalhas onde a defesa pela inclusão se

sendo limitados à sua diferença (VILELA-

sustenta em campos teóricos, mas pouco

RIBEIRO; BENITE; VILELA, 2013).

práticos

descontextualizadas.

no

chão

da

O

escola

(CAVALCANTE, 2011).

no

Nesse

padrão

sentido

determinado

é

importante

compreender, que além de ser um direito

A educação inclusiva parte do

legal, é moral garantir uma educação

princípio de que a escola comum é o lugar

igualitária a alunos surdos, conferindo

(de direito) de todos. As pessoas devem se

todos os recursos possíveis no processo de

desenvolver e aprender juntas, sendo que

contribuição

cada umadelas devem ser atendidas pelas

bilíngue quando couber.

suas necessidades educacionais especiais. Na

Política

Nacional

de

Educação

da

educação,

seja

ela

A inclusão de alunos surdos no contexto

escolar

é

contudo

uma

realidade

ainda

não

Especial na Perspectiva da Educação

contundente,

se

Inclusiva, isso fica muito claro também no

concretizaram meios eficientes para a

que diz respeito à surdez (BRASIL, 1994)

garantia dessa inclusão no meio escolar,


pois de acordo com (DORZIAT 2004),

observar que nas escolas inclusivas, o que

(APUD SILVA 2009) Considera que a

de acordo com a política nacional de

inclusão

educação são todas as escolas públicas,

social

objetivando

sua

de

pessoas

surdas,

participação

social

alguns

desses

critérios

não

são

efetiva, depende de uma organização das

inteiramente seguidos, tais como:tendem a

escolas considerando três critérios: a

não existir interação por meio da língua

interação por meio da língua de sinais, a

brasileira de sinais, pois professores e

valorização de conteúdos escolares e a

alunos ouvintes não são fluentes em

relação conteúdo-cultura surda (s/p)

LIBRAS, nesse sentido a aprendizagem é

Percebe-se que a inclusão escolar

prejudicada e a cultura surda não é

se configura como um dos meios para se

valorizada, prevalecendo nestas escolas à

alcançar

cultura das pessoas ouvintes.

a

inclusão

social.

Pode-se

Surdos na educação física escolar A inclusão dos alunos surdos à educação física é um ponto muito delicado

educação física seja mais divertida e prazerosa.

a ser tratado, pois começa a haver em

A disciplina Educação Física como

alguns momentos um conflito entre os

parte constituinte da grade curricular das

surdos e os não surdos, eis que surgem

escolas não poderia ausentar-se desse

algumas

processo

indagações,

até

onde

você

de

inclusão

educacional.

professor está incluindo um aluno surdo e

Destarte, em consenso com Rodrigues

até onde você como professor esta

(2003) reforça a ideia de que o professor

excluindo o aluno não surdo?É preciso

de

que o professor compreenda todos os

fundamental para que a inclusão se torne

processos de inclusão na perspectiva do

efetiva, por ser operacionalizado de

ensino global e integral de todos os

saberes e competências que auxiliam para

alunos, sem que haja exclusões ou

o desenvolvimento integral, saúde e

preferências

qualidade de vida dos alunos, além do

Mas,

independentemente

deste

Educação

Física

tem

papel

acesso destes à diversidade.

problema é possível que o professor crie

O professor de Educação

atividades que incluam a todos de maneira

Física, por meio de sua prática pedagógica

divertida,

envolvida

utilizando

pedagógica adaptações

e para

didática, jogos

com

o

desenvolvimento

e

psicossocial, colabora eminentemente no

brincadeiras, fazendo com que a aula de

âmbito da educação inclusiva, utilizando-


se de novas propostas e abordagens

proporcionar aos alunos vivencias que

teórico-metodológicas, que fomentam a

propiciem a cooperação, a sociabilidade,

criatividade, a expressão corporal, a

bem como o seu desenvolvimento psico-

liberdade de movimentos, a ludicidade,

motor (ZUCCHETI, 2011).

enfim, executam atividades capazes de

Língua Brasileira de Sinais (Libras) na escola O ensino de Língua Brasileira de

todos os seus aspectos a compreensão da

Sinais, é reconhecido como um importante

formação para a expressão e comunicação.

marco no desenvolvimento da construção

É um lugar rico de aprendizagem, de

identitária

diferenças

da

cultura

empoderamento

surda

cultural

e

no

(SILVEIRA,

s/d).

conhecimento,

e

de

permutas

precisando,

de

portanto,

abranger a todos sem distinção, a fim de Rego (1994), em

estudos

de

Vygotsky, mostra que o mesmo enfatiza

não promover fracassos, discriminações e exclusões (SANTOS, s/d)

que a linguagem é de extrema importância

Na educação das crianças surdas, a

no desenvolvimento da criança. Ele vê a

primeira língua deve ser a língua de sinais,

linguagem como imprescindível para o

pois possibilita a comunicação inicial na

desenvolvimento humano, pois traz em si

escola e a língua portuguesa escrita

todos os conceitos elaborados pela cultura

deveria ser ensinada aos surdos como

humana.

segunda língua (GODOI, 2013).

Através dos estudos de Vygotsky pode-se relações

perceber sociais

a

importância

Segundo

(QUADROS

das

2006), dessa forma, a escola deveria

e linguísticas no

apresentar meios distintos voltadas às

desenvolvimento da criança.A língua é um

necessidades linguísticas dos

dos

de

promovendo recursos que permitam a

desenvolvimento dos processos cognitivos

aquisição e o desenvolvimento da língua

do ser humano e, evidentemente do seu

de sinais como primeira língua.

principais

instrumentos

surdos,

pensamento nesse sentido, compreender

O que se percebe é que o

que o ensino na escola perpassa o direito

tempo de aprendizagem das crianças

do aluno surdo de ser instruído em sua

surdas e o seu desempenho acadêmico e

primeira língua, ou seja em Libras.

profissional, não se trata de um fator

No contexto da escola é muito

limítrofe no processo de aprendizagem e

importante na formação dos sujeitos em

sim, de uma característica ocasionada


pelas implicações maximizadas pelos

de cidadãos garantir que não haja essa

bloqueios de comunicação devido à

perda quando se trata de alunos surdos no

aquisição tardia da língua de sinais

contexto escolar, garantindo de forma

(SIMPLICIO, 2009).

legal, por meio de intérpretes e métodos

Nesse contexto, é papel da escola

didáticos condizentes.

enquanto instituição pública e formadora

Metodologia Trata-se

pesquisa

Nesse sentido, a partir da análise

qualitativa, do tipo descritivo-exploratória

dos conteúdos manifestos, emergiram 6

e

(MINAYO;

pontos analisados: experiência de trabalho

DESLANDES E GOMES 2012). De

com o público surdo; possibilidades de

acordo com Gil (2008), “as pesquisas

inclusão dos alunos surdos sem a exclusão

descritivas possuem como objetivo a

dos alunos ouvintes; indagação se a

descrição das características de uma

inclusão da Língua de Sinais na educação

população,

uma

infantil facilitaria o trabalho de inclusão;

experiência”. Já a pesquisa exploratória

analise da dificuldade da inclusão de

“por ser um tipo de pesquisa muito

surdos

específica, quase sempre ela assume a

participação dos ouvintes nas atividades

forma de um estudo de caso” (GIL, 2008).

voltadas

analítica

de

uma

conforme

fenômeno

ou

de

Foi realizada em dez escolas

nas

aos

aulas;

percepção

alunos

surdos

da

e

o

apontamento das maiores dificuldades

privadas e públicas, cinco estaduais, duas

encontradas

municipais

e

Educação Física em se trabalhar com

município

de

três

particulares,

Governador

do

Valadares,

pelos

Profissionais

de

alunos surdos.

Minas Gerais, que recebem à população

Foi relatado pela maioria dos

de pessoas com surdez no contexto

professores que a comunicação com os

regular.

alunos com surdez era de fato o maior

Os

dados

foram

organizados,

tratados, e analisados à luz da técnica de

desafio da inclusão dos alunos nas aulas de educação física escolar.

análise de conteúdo, sendo selecionadas respostas

em

entrevistados,

comum em

entre

seguida

os houve

codificação das unidades de registro.

Segundo (FERRARI, TRUJILLO APUD

ZANELLA,

HERMES

2009)

LIANE “não

CARLY

obstante

a

finalidade prática da pesquisa, ela pode


contribuir teoricamente com novos fatos

prévio de questionamentos, tendo como

para o planejamento de novaspesquisas ou

propósito possibilitar aos pesquisadores a

mesmo para compreensão teórica de

coleta de todas as informações desejadas.

certos setores do conhecimento”.

O questionário foi respondido

Nas dez instituições de educação básica,

foram

30

escolas visitadas. Cada entrevista teve

Física,

duração de aproximadamente 30 minutos

constituindo assim a população desse

e o período de realização da pesquisa foi

estudo.

entre setembro e dezembro de 2017.

Profissionais

entrevistados

pelos profissionais de educação física das

de

Educação

Participaram

da

pesquisa

30profissionais de educação física, e foram

determinados,

a

partir

Os dados oriundos das

da

entrevistas foram organizados, tratados e

verificação de repetição dos dados nas

analisados a luz da Técnica de análise de

entrevistas, ou seja, com base nas

conteúdo,

informações em que os resultados de

proposta

formatos mais coesos e consistentes

obedecendo aos seguintes passos: 1ª fase:

demonstraram informações repetitivas e

pré-análise;

redundantes (FONTANELLA; RICAS;

material e 3ª fase: tratamento dos dados,

TURATO, 2008).

inferência e interpretação.

uma por

temática (BARDIN,

fase:

categorial, 2011),

exploração

e

do

Para análise dos dados definiu-se

Inicialmente realizou-se a análise

pela entrevista semiestruturada, a partir

dos dados constituído das respostas dos 30

das indagações norteadoras relacionadas

entrevistados,

diretamente com o instrumento desse

selecionadas

estudo. Segundo (MANZINI, 2003) a

comum

entrevista semiestruturada é um meio

transformados os dados em porcentagens.

em as

entre

seguida,

respostas os

foram

dadas

em

profissionais

e

eficiente de averiguar dados junto aos entrevistados por meio de um roteiro

Resultados e discussão O

campo

caracterizado questionário

de

pela

pesquisa

está

relação a inclusão de alunos surdos nas

aplicação

de

aulas de educação física em dez escolas

30

públicas

semiestruturado

a

profissionais, com seis perguntas em

Valadares.

e

privadas

de

Governador


Tabela 1: Perguntas diretas semiestruturadas

PERGUNTAS

SIM

Já trabalhou com alunos surdos?

NÃO

ASV*

43%

57%

-

É possível fazer a inclusão de alunos surdos nas aulas de educação física sem fazer 87%

3%

10%

-

7%

66%

-

a exclusão dos não surdos? A inclusão do ensino de libras desde a educação infantil facilitaria o 93% desenvolvimento das aulas? Tem dificuldade de incluir os alunos surdos nas aulas?

34%

* As vezes

Tabela 2 – Perguntas discursivas PERGUNTAS

RESPOSTAS

Quais eram as principais dificuldades encontradas para seDificuldade de comunicação com os alunos surdos trabalhar com alunos surdos?

com cerca de 60%  Falta de capacitação para atuar com este público com 16%.  Falta de matérias adaptados e a falta de políticas públicas com 7% cada.  Não tenho dificuldade nenhuma em trabalhar com alunos surdos – 10%

Quais as estratégias utilizadas?

 50% apoio do interpretes quando possuem  50% recursos pedagógicos e capacitação

Após análise dos dados percebe-se

língua dos surdos, sendo essencial para o

que a dificuldade de comunicação com os

seu crescimento em todas as áreas

alunos surdos, como uma das principais

(sociolinguística, educacional, cultural,

barreiras encontradas na inclusão dos

entre outras).

alunos surdos.A Língua de Sinais é a


Investigadores da área da surdez

DIZEU & CAPORALLI (2005), “as

(GÓES, 2002; LACERDA, ALBRES, &

escolas

DRAGO, 2013; LODI, 2013; SKLIAR,

pautado na Libras e nas implicações dela

1997; SLOMSKI, 2010), cientes da

para a aprendizagem”. Essa língua traz

imprescindibilidade da Língua de Sinais,

impactos para o modo de constituição do

apontam os confrontos vivenciados pelos

surdo

surdos nos episódios de inclusão escolar,

referentes à cultura surda.

dados os fatores intrínsecos à forma peculiar

de

comunicação

e

de

compreensão do mundo.

devem

e

diz

assegurar

respeito,

o

aos

trabalho

aspectos

A inclusão, a qualquer custo, negligencia

questões

fundamentais

referentes à cultura, linguagem, dinâmicas

Eles advertem que a surdez traz

(entre outros aspectos) de comunidades

implicações inerentes à construção da sua

minoritárias

identidade, pois dos surdos não bilíngues.

processo

Nesse

LACERDA, 2000). Nesse sentido, as

sentido,

uma

das

maiores

dificuldades

diante

professores

uma

escola

pensada

e

enaltecidas

no

(GÓES

&

educacional

dificuldades impostas a esse alunado, de

pouco

apresentadas nos

pelos

questionários,

são

programada para os ouvintes, diz respeito

evidenciados por diversos estudos, quando

a

se apontam a língua da comunicação

sua

escolaridade.

Enfim,

como

aprender?

como fator principal para o ensino e

Para (SANTANA E BERGAMO,

inclusão nas aulas de forma geral.

2005), “a Língua de Sinais é o motivo que

O percurso entre a oficialização de

distingue o indivíduo surdo do ouvinte,

Libras, “como instrumento próprio de

aparecendo como parte central para o seu

linguagem e identidade de pessoas surdas,

crescimento”.Entretanto,

e

essa

mesma

a

implementação

obrigatória

na

língua se constitui, contraditoriamente,

formação de professores, estimulou fortes

como fator de discriminação do surdo na

debates sobre a possibilidade da criação

sociedade majoritária. Desse modo, “não

de cursos superiores voltados para esse

raras vezes, o surdo vivencia situações de

público”. (FRANCO, 2009) considera que

fracasso dentro da escola, resultante das

a

relações estabelecidas com a maioria

reconhecimento

ouvinte e dos embates desdobrados das

linguística e são fundamentais para a

questões linguísticas” (LACERDA, 2006).

discussão de Libras no cotidiano dos

Por isso, afirmam os pesquisadores

ambientes escolares. Confrontando com

(RIBEIRO (2013) e SILVA (2014) APUD

Lei

essas

e

o

Decreto

afirmações,

dessa

os

promovem

o

modalidade

resultados

da


pesquisa, foram de encontro com os

para com as diversas deficiências, dentre

argumentos embasados pelos autores,

elas

quando consideram que além da barreira

convivência de professores, alimentam a

da linguagem, a cultura bilíngue para

capacidade de uma formação continuada

alunos surdos, se caracterizam como um

com intuito de poder fornecer subsídio

fator limítrofe na inclusão nas aulas de

para o ensino de educação física para

educação

no

alunos surdos. É necessário compreender

componente que evidencia a linguagem

que a formação acadêmica devera suprir

corporal como expressão.

sua

física,

principalmente

a

ressaltada

necessidade

nesse

de

estudo.

formação

A

de

Porém a educação especial na

professores nos cursos de licenciatura,

perspectiva da educação inclusiva, se

preparando e capacitando os professores

consolidou como um marco e avanço para

formados.

a aproximação de professores e alunos

Considerações finais Através

dos

resultados

desta

pesquisa evidenciou-se que a inclusão,

as demais que constituem a grade curricular do curso de formação.

que tem sido um enredo discursivo em todo

o

mundo,

está

dando

passos

Deve-se conhecimentos

considerar do

que

professor

os serão

limitados no contexto da escola regular,

ampliados mediante a sua atuação no dia-

porém existe a necessidade de fortalecer o

a-dia do espaço escolar, desta forma as

ambiente educacional para que atenda às

experiências vivenciadas neste contexto

necessidades dos seus educandos, de

social

maneira menos tímida.

pedagógicos necessários para uma prática

No entanto, há necessidade de que a

formação

superior

disponibilize

condições mínimas para que o professor adquira

o

conhecimento

sobre

é

que

lhes

dará

subsídios

cada dia mais diferenciado e atento para os desafios encontrados no cotidiano da escola.

as

Para a inclusão de crianças surdas

possibilidades da inclusão dos surdos nas

no ensino regular desde a educação

suas aulas. Este conhecimento deve partir

infantil ao ensino superior há de se contar

não só por meio de disciplinas específicas,

com profissionais preparados para o

mas sendo abordada a temática em todas

trabalho teórico e prática docente, que entendam a real importância do processo


comunicativo e inclusivo ao qual a

é respeitada sua Língua materna, como de

educação

dos

reconhecimento

surdos e

exige.

O

qualquer pessoa que não domine a língua

conhecimento

da

de outro país, mas podem expressar-se

Língua Brasileira de Sinais efetivam a

livremente

educação dos alunos surdos, uma vez que

direitos.

Abstract Inclusive education is a social and cultural process that is growing worldwide and targets conceptions and understandings about an education and the role of school in today's times. This study objective is the objective of the governing the executive activities in the particular schools and freedes of Governador Valadares, Minas Gerais in relation in the inclusion of students with deafness in the students education school physics. It is a qualitative research, of descriptive and analytical type, carried out in ten public schools of the

quando

respeitados

seus

municipality. The interview was attended by 30 teachers from the public and private network. The results point out that it is a barrier process in physical education classes, it is a barrier of communication. Teacher training and continuing teacher education can be a factor that favors the inclusion process. Keyword: Inclusion; Deaf people; PE; Communication; Pounds

Referências Alves TP, Sales ZN, Moreira RM, Duarte LC, Couto ES.Inclusão de alunos com surdez na educação física escolar. Cidade: Revista Eletrônica de Educação, v. 7, n. 3, p.192-204. BRASIL (1994). Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: CORDE. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 1994.

CAVALCANTE, Eleny Brandão; SOARES, Liliane Viana; SANTOS, Patrícia Siqueira. Inclusão de surdos no ensino regular: entre o discurso oficial e a realidade do cotidiano escolar. Cidade:Universidade Federal do Oeste do Pará, UFOPA, ano. ESPOTE, R. & Cols. Inclusão de surdos: revisão integrativa da literatura científica. PsicoUSF, Bragança Paulista, v. 18, n. 1, p. 77-88, jan. /abril 2013. GODOI, P; SANTOS, M. F; SILVA, V. F. Língua Brasileira de Sinais no Contexto Bilingue. Tupã, 2013. 38 p. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização) – Faculdades FACCAT. GREGUOL, M. Natação Adaptada: Em busca do movimento com autonomia. 1. ed. Barueri: Manole, 2010.


GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008 KRUG, Hugo Norberto.A inclusão de pessoas portadoras de necessidades educativas especiais na educação física escolar coralx.ufsm.br/revce/ceesp/2002/01/a3.htm LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de. A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. Campinas:Cad. Cedes, vol. 26, n. 69, p. 163-184, maio/ago, 2006. MONTEIRO, Suelen S.; SANTANA, Jane A. S.; RINALDI, Renata P.; SCHLÜNZEN, Elisa T. M.Língua brasileira de sinais – libras na formação de professores: o que dizem as produções científicas. Presidente Prudente, São Paulo,Brasil: editora, ano. ROSSI, Renata Aparecida. A Libras como disciplina no ensino superior.Cidade:Revista de Educação. Vol 13, Nº 15, Ano, 2010. p. 71-85. SANTOS, Jusiany Pereira da Cunha; SILVEIRA, Ana Maria. A inclusão de alunos com surdez e as contribuições das salas de recursos municipais deJi-Paraná.Porto Velho, Rondônia:PPGE- UNIR, ano. SEABRA JÚNIOR, M. O.; MANZINI, E. J. Recursos e estratégias para o ensino do aluno com deficiência visual na atividade física adaptada. Marília: ABPEE, 2008. SANTOS E.M. Rompendo barreiras: uma trajetória de desafios na busca da práxis inclusiva. s/d SILVEIRA, C. O ensino de libras para surdos – uma visão de professores surdos. s/d SILVA, Carine Mendes; SILVA, Daniele Nunes Henrique. Libras na educação de surdos: o que dizem os profissionais da escola?SãoPaulo: Psicologia Escolar e Educacional, Volume 20, Número 1, janeiro/Abril de 2016: 33-43. Silva, M.C. (2009). A inclusão do aluno surdo no ensino regular na perspectiva de professores de classes inclusivas. Faculdade Santa Helena: Recife. SIMPLICIO, V. A importância do ensino da libras ? língua brasileira de sinais nas escolas de ensino fundamental. 2009 UZAN, Alessandra J. S.; OLIVEIRA, Maria do R. T.; OSCAR, Ítalo; LEON, RIccardi. A importância da língua brasileira de sinais – (libras) como língua materna no contexto da escola do ensino fundamental. Cidade:Univap – Faculdade de Educação e Artes / Curso de Letras, Campus Aquárius, ano. VILELA-RIBEIRO, E. M.; BENEDITE, A. M. C; VILELA, E. B. Sala de aula e diversidade. Revista Educação Especial, v. 26, n. 45, p. 145-160, jan./abr. 2013


Revista Toth Ciência e Educação vol.1 n.1  

Revista Toth Ciência e Educação vol.1 n.1 2018

Revista Toth Ciência e Educação vol.1 n.1  

Revista Toth Ciência e Educação vol.1 n.1 2018

Advertisement