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Editor: Tiago Barbosa Editores-assistentes: Diogo Carvalho e Raquel Lima

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Recife, DOM - 21/02/2016

VIVER

Sequência com data de estreia

O filme Blade runner, da década de 1980, teve a data da sequência definida. Será em janeiro de 2018.

IMDB/REPRODUCAO DA INTERNET

Poesia calculada Documentário sobre a trajetória do poeta, contista e engenheiro pernambucano Joaquim Cardozo começa a tomar forma com depoimentos FELLIPE TORRES fellipetorres.pe@dabr.com.br

A

multifacetada trajetória do poeta, contista, engenheiro Joaquim Cardozo vai ser contada em documentário em 2017, quando são lembrados os 120 anos de nascimento do intelectual pernambucano. O longa dirigido pelo cineasta carioca Joel Pizzini teve uma das etapas cruciais executada nos últimos dias, quando ele esteve no Recife para gravar depoimentos com figuras pertencentes ao universo do escritor, além de formalizar a autorização com descendentes do homenageado. A passagem pela cidade, bancada com recursos próprios, sobrepõe os processos de pesquisa, criação do roteiro e filmagem, na tentativa de acelerar a produção do filme. A obra tmbém terá cenas em Brasília e no Rio de Janeiro, para contemplar aspectos e momentos da

edifícios + osedifícios

obra de Cardozo. Um será a participação como engenheiro nos cálculos de construção dos importantes em Brasília. “Tenho vasto material de arquivo, fruto de pesquisa em arquivos. Mapeei tudo o que existe sobre ele”, diz Pizzini. O filme vai partir do poema O último trem subindo ao céu para explorar as realizações do poeta. “O poema tem signos ligados ao movimento - a infância do cinema começou no trem. É um texto bem sugestivo, que cria pontes de contato entre as três cidades”. Haverá trechos dramatizados, com participação de atores como Aramis Trindade. Entre os depoimentos já colhidos, estão os de Carlos Magalhães (“Em Brasília, um dos remanescentes da equipe de Oscar Niemeyer”) e de amiga de Cardozo, antiga proprietária da livraria Leonardo da Vinci, frequentada pelo poeta. No Recife, o artista multimídia Paulo Bruscky e o escritor Everardo Norões, pesquisadores da obra do recifense. “Joaquim Cardozo foi uma pessoa que, em pleno século 20, demonstrou conhecimento vasto em diversas áreas do saber humano. Foi matemático, responsável por colocar de pé as esculturas de Niemeyer. Falava várias línguas,

UFPE/DIVULGAÇÃO

Dois conhecidos aforismos de Joaquim Cardozo tratam justamente da convivência harmônica entre a formação de engenheiro e a vocação de escritor. Vale ressaltar, houve ainda um meio termo - ele foi um grande desenhista.

“ Diretor Joel Pizzini veio ao Recife para colher material tinha um teatro imbuído do mais moderno da época. Como escritor, era extremamente original”, diz Everardo Norões. Para ele, o poema O último trem subindo ao céu é meditação sobre a morte (como não pode ser explicada, faz poema com visão esotérica). Sobre um possível desconhecimento da obra de Cardozo pelo público leitor, Norões atribui à existência de um tipo de “poesia pensante, filosófica, que não se limita ao jogo de palavras e a acrobacias verbais”, caso do poeta. “No fundo, ele era filósofo, fazia poesia filosófica. Não era para as massas, como Manuel Bandeira e Carlos Pena Filho”. Para Paulo Bruscky, Cardozo é, sim, esquecido, principalmente no Recife. “As pes-

soas o veem como o calculista de Brasília, mas ninguém conhece a obra poética. Eu mesmo descobri um poema inédito, publicado aos 17 anos, em jornal de Tejipió. Venho estudando a vida dele, poemas visuais e concretos, a ligação com a história da poesia de vanguarda no Brasil. Ele escreveu texto sobre a história das calçadas que é genial. Joaquim se antecipa, é dos maiores gênios daqui”. Bruscky frisa que, por ser grande calculista, supostamente Cardozo deveria ser um cara frio, mas é “um dos mais sensíveis do mundo” com sua poesia. “Acho genial a ideia do documentário. Fico contente, acho louvável e, por isso, abro as portas de tudo o que tenho sobre ele”.

5 construções com envolvimento de Joaquim Cardozo:

Palácio da Alvorada Primeiro edifício inaugurado em

Brasília, em 1958, está às margens do Lago Paranoá e é a residência oficial do presidente da República.

Palácio do Planalto Pronto em 1960, é o prédio onde o

presidente recebe autoridades, despacha e cumpre deveres de chefe de estado. Considerada sede oficial do Poder Executivo.

Palácio do Congresso Nacional É a sede oficial do Congresso Nacional, onde trabalham deputados e senadores. Foi finalizado em 1960. Catedral Metropolitana de Brasília É o primeiro monumento criado na capital federal, terminado em 1960.

Palácio Itamaraty A sede do Ministério das Relações

EFE/FERNANDO BIZERRA JR

+ exatasxhumanas

Exteriores ficou pronta em 1970. O paisagismo interno e externo é assinado por Roberto Burle Marx.

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Não visualizo qualquer incompatibilidade entre poesia e a arquitetura. As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias. Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia.” PAULO PAIVA/ESP. DP/D.A PRESS

Os muros das construções são o papel onde se inscreveram as páginas da história, onde ainda se inscrevem as mensagens para o futuro. E, escrever estas mensagens, cabe ao arquiteto.”

+ umpoema

Trecho de Visão do último trem subindo ao céu

Everardo: Cardozo fazia poesia filosófica MARCELO SOARES/ESP. DP/D. A PRESS

Quando houve um trilo no ar: uma luz brilhou No ar noturno — carvão do dia — E uma dentre todas sentiu, de repente, O alento do calor; Alento que se estendeu do fogo, E que lhe veio em sangue ardente, Em respiração rumorosa de brancos vapores. Uma dentre elas Que era preta, violentamente, luzidia; Que era preta, vagarosamente preta;

Para Bruscky, o poeta era dos mais sensíveis

Preta e lentamente e luzidia; Avançando, transpôs o virador; E foi!


Joaquim Cardozo  

Dossiê de reportagens do Diario de Pernambuco sobre a vida e obra de Joaquim Cardozo, poeta e engenheiro (1897-1978)

Joaquim Cardozo  

Dossiê de reportagens do Diario de Pernambuco sobre a vida e obra de Joaquim Cardozo, poeta e engenheiro (1897-1978)

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