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ID: 49410981

26-08-2013

Tiragem: 45640

Pág: 4

País: Portugal

Cores: Cor

Period.: Diária

Área: 27,14 x 30,54 cm²

Âmbito: Informação Geral

Corte: 1 de 2

“Quem mais elogia o trabalho de Isaltino são os meus adversários” Paulo Vistas O actual autarca considera “normal” que Isaltino tenha procurado “soluções para a sua vida privada” em Moçambique. Nos próximos 12 anos, quer promover o cartão de visita de Oeiras como o “melhor concelho” para trabalhar Entrevista Rita Brandão Guerra e José António Cerejo Paulo Vistas, 41 anos, assumiu a presidência da Câmara de Oeiras em Abril, após a prisão de Isaltino Morais. Recebeu o PÚBLICO no gabinete de vice-presidente, que continua a ocupar. Mas à entrada já está a identificação que quer conquistar, pela primeira vez, nas urnas: presidente. É candidato pelo movimento Isaltino, Oeiras Mais à Frente. Gostaria de ter contado com o apoio do PSD? É difícil perceber o que é o PSD institucional. Há muita gente PSD apoiante do meu movimento. Mas para nós essa contabilidade não é importante, não perguntamos às pessoas o seu posicionamento político. Este é um movimento aberto a todos e para todos. Houve contactos com o PSD? Nunca teria o apoio formal do PSD, o PSD tem um candidato. Mas podia ter havido contactos para que fosse o dr. Paulo Vistas e não o dr. Moita Flores. Não houve. A decisão que tomei em 2005 de assumir um projecto independente foi uma decisão de longo prazo, não foi uma decisão de oportunismo político. Esse foi um projecto vencedor em 2005, que saiu reforçado em 2009 e que hoje é uma realidade incontornável e que tem uma cultura completamente diferente dos partidos. Nós não temos processos de expulsão. Alexandre Luz, director da campanha do PSD e número dois à câmara, esteve consigo até há pouco tempo… Até finais de 2011, inícios de 2012. Vejo com algum espanto o PSD apresentar como mais-valia ter pessoas do nosso movimento. Mas acha que este movimento é genuinamente independente? É claro que no início teve uma matriz muito forte do PSD, eu

próprio fui militante durante muitos anos. O Isaltino Morais também. Agora, com o passar do tempo, foram chegando pessoas de vários quadrantes. O nosso líder da assembleia municipal, o António Moita, é um ex-militante do CDS. Reis Soares, que é do executivo da junta de Barcarena, é um ex-militante do PCP. Temos outros que foram do PS. Passaram entretanto oito anos, que balanço faz destes dois mandatos? Muito positivo. Este movimento soube estar à altura do que foram as expectativas criadas junto do eleitorado. É por isso que em 2009 o eleitorado nos dá uma vitória ainda maior do que a que tivemos em 2005. Estou convencido que essa votação será reforçada agora. O lema da sua campanha é continuar a fazer a obra de Isaltino Morais. Isso significa o quê em termos de propostas concretas para o concelho? O que nós queremos continuar é o projecto de longo prazo e transformador que apresentámos aos eleitores. Não sou candidato para quatro anos, sou candidato para 12 anos. A cultura deste movimento é de visão estratégica. Mas é claro que os tempos mudam, a contingência nacional hoje é diferente da de há quatro anos. Sempre tivemos a capacidade de nos adaptarmos às novas circunstâncias, embora apostando na continuidade, nos melhores indicadores de desenvolvimento económico, social, cultural. Quais são as novas propostas? Temos uma sensibilidade muito grande do dia-a-dia do nosso concelho. Andamos na rua. A grande prioridade para os próximos anos é o apoio social às famílias, não só de classe baixa mas também de classe média. Reforçar também o fundo de emergência social, a política de apoio ao medicamento, à infância e à terceira idade. À semelhança do que acontece no país, temos

um aumento da faixa etária dos 65 para cima e temos de criar condições ao nível dos lares. E para os que costumam aparecer como a prova do sucesso de Oeiras, as classes médias-altas? Oeiras apresenta menos de metade da taxa de desemprego a nível nacional. Mas não é por isso que devemos não dar atenção à questão. É preciso continuar a ter pró-actividade na captação de empresas, políticas de apoio ao empreendedorismo. Já hoje Oeiras é um município que não recebe um euro do Orçamento do Estado. Tem como principais fontes de receita a derrama, que é o imposto sobre o IRC das empresas. O valor da derrama em Oeiras é muito elevado, o que demonstra que o nosso tecido empresarial é forte, mesmo num momento de crise para as empresas. O valor da derrama é uma crítica dos seus adversários.

Isso significa que não há estratégia por parte dos meus adversários. Oeiras, ao longo destas décadas, nunca competiu pelo preço. As empresas que se instalaram em Oeiras nunca foi por força do valor do arrendamento, nunca foi por força das isenções fiscais, nós sempre tivemos a derrama pela taxa máxima. E sempre tivemos capacidade atractiva de empresas. Mais, nós não competimos com Cascais, nem com Lisboa. O que é bom para Lisboa e para Cascais é bom para Oeiras e o inverso. Infelizmente, a área metropolitana de Lisboa nunca teve uma estratégia de conjunto. Não vai mudar de estratégia em relação ao Taguspark? Os meus adversários falam na fuga da Microsoft para Lisboa, mas não falam na entrada da Novartis, não falam dos 700 trabalhadores que o BCP colocou no Taguspark, não falam na residência universitária inaugurada

para cerca de 500 estudantes no Taguspark. Os parques empresariais são realidades dinâmicas. Compensa vir para cá porque existe investigação, ciência, universidades. Pretendemos que uma empresa que venha para Oeiras se instale dentro de uma rede e crie sinergias. Vai manter a AITEC, a agência de promoção do investimento? Terá de ser uma ferramenta para atrair empresas que se fixem em Oeiras e na área metropolitana de Lisboa. Oeiras no passado acabou com a miséria, a excelência não convive com a miséria. Nenhuma empresa de excelência está ao lado de bolsas de miséria, portanto o primeiro passo foi acabar com as barracas. A seguir, criaram-se infra-estruturas, hoje somos nós que temos de ir à procura das empresas. Não é por acaso que fomos considerados durante anos o melhor concelho para trabalhar. Mantém a proposta para


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26-08-2013

Tiragem: 45640

Pág: 5

País: Portugal

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Period.: Diária

Área: 27,64 x 24,46 cm²

Âmbito: Informação Geral

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Autárquicas 2013 Acompanhe em www.publico.pt/autarquicas2013

NUNO FERREIRA SANTOS

o Sistema Automático de Transporte Urbano (SATU)? Não sou pessoa de desistir à primeira nem à segunda. O meu compromisso é que farei tudo o que estiver ao meu alcance para concretizar o projecto do SATU. É claro que o SATU não faz sentido apenas no troço actual, que a meu ver foi inaugurado indevidamente. A primeira fase do SATU era a ligação da estação

de Paço de Arcos ao Lagoas Park. O troço actual não tem massa crítica, o próprio Oeiras Parque tem autocarros gratuitos. Ao nível estratégico da área metropolitana é necessário uma linha de transporte público naquele corredor, ou seja, de ligação entre as linhas de Sintra e Estoril. Nós hoje não temos um transporte público eficaz que sirva os parques empresariais, o próprio Taguspark. Como é que vai resolver o buraco da Tratolixo? A Tratolixo é efectivamente um problema, já o admiti. Reconhece responsabilidade da câmara? Não, a partir de 2005 deparei-me com uma solução que já estava a ser implementada na Abrunheira [Mafra] para construção daquela unidade. Deparei-me com um projecto financeiro que não estava a ser cumprido, ou seja, o financiamento, em vez de ser canalizado para investimento, estava a ser consumido em despesa corrente. É um facto que hoje os diversos municípios que compõem aquele sistema – Cascais, Sintra, Mafra e Oeiras – têm um problema para resolver. São quantos milhões? São cerca de 120, 130 milhões. Há um plano especial de revitalização e a administração da Tratolixo, da qual Oeiras não faz parte, está em contacto com os fornecedores e com a banca para tentar renegociar uma solução, que deve passar pela intervenção directa do Ministério Ambiente. O cidadão de Oeiras paga a tonelada do resíduo a cerca de 60 euros, a Valorsul cobra 19. Como presidente de câmara não estou disponível para pagar mais. Tão ou mais complexo é o problema das parcerias públicoprivadas (PPP)? Esse não é um grande problema. As obras não são fantasmas, as duas escolas estão lá. Os dois

centros geriátricos estão fechados porque, enquanto isto não for resolvido em definitivo, não faria sentido encontrar uma solução para uma IPSS para gerir os dois lares. O que é que se fez? Uma avaliação exaustiva por parte dos nossos serviços do valor do investimento. Chegou-se a um montante e a câmara firmou um plano de pagamento que está orçamentado, não está escondido, não está debaixo de nada… Alguma entidade aceitará os altos custos de exploração de lares que nem cumprem as normas técnicas... Os equipamentos geriátricos foram licenciados pela Segurança Social, foram vistoriados pela unidade de saúde ao nível dos cuidados. Falta apenas encontrar o parceiro? Falta o concurso para encontrar o parceiro. Como é que é possível os meus adversários dizerem que dois edifícios geriátricos não têm procura no mercado? E o centro de congressos? Vai ao encontro do que pretendemos, que é tornar Oeiras mais competitiva. O Ministério Público está a investigar as PPP, em que foi visado. É arguido? Não sou arguido, não tenho informação nenhuma. Fui alvo de uma busca no meu gabinete e na minha casa, há cerca de um ano, e não tive conhecimento de rigorosamente mais nada. Mas é importante dizer que não fui só eu alvo de buscas, o meu adjunto, o Alexandre Luz , também foi e era o presidente do conselho de administração das empresas. Ele sabe, tão bem quanto eu ou melhor, que todo o procedimento foi feito à luz da legislação. Não o incomodou Isaltino Morais e um dos seus adjuntos se terem feito sócios, em Moçambique, do parceiro da

“A questão da posse… Não sei se o dr. Isaltino daqui a seis meses não tem outra medida de coacção. Ele foi preso em Abril e no início de Outubro pode haver uma revisão de pena” câmara nas PPP? O anterior presidente da câmara, por força da limitação de mandatos, já não seria candidato. É normal que as pessoas procurem soluções para a sua vida privada no futuro, até porque têm filhos, família. Vai rever a proposta de tornar todo o solo do concelho urbanizável? Há uma ideia errada logo à partida quando se fala em espaço urbano. O Parque dos Poetas está em espaço agrícola? O solo urbano não significa necessariamente a construção de casas. Mas significa a possibilidade de construir casas. Não. Há planos dentro do PDM e esses planos definem o que é espaço público, os jardins, os parques, as escolas são em espaço urbano. A legislação determina que só por comprovada necessidade se pode aumentar o espaço urbano. A CCDR emitiu um parecer desfavorável... A CCDR emitiu um parecer com sugestões que acolhemos. Disse que o espaço que ficava como solo rural poderia, posteriormente, ser transformado através de plano

pormenor. Uma das prioridades que tenho é atrair mais empresas para gerar riqueza. Onde é que essas empresas se vão instalar? Em espaço rural? A escolha de Isaltino Morais para cabeça de lista à assembleia municipal (AM) foi sua? Não lhe parece uma contradição os cidadãos poderem eleger alguém que não pode tomar posse? A escolha do dr. Isaltino foi uma escolha do movimento. Essa escolha aconteceu em Novembro de 2012. Do nosso ponto de vista, a lei permite ao dr. Isaltino ser candidato. Mesmo depois da prisão de Isaltino em Abril não achou que devia rever essa decisão? A questão da posse… Não sei se o dr. Isaltino daqui a seis meses não tem outra medida de coacção. Ele foi preso em Abril e no início de Outubro pode haver uma revisão de pena. E, se não houver revisão de pena, há mecanismos no âmbito da justiça, desde saídas precárias… Não havia outras pessoas com qualidade e credibilidade para serem cabeças de lista à AM? Havia. Não renego o passado. E não há dúvida que o dr. Isaltino ser candidato à AM é uma forma de honrar e dignificar todo o seu trabalho à frente do município durante décadas. O dr. Isaltino está a cumprir uma pena por força de questões do foro pessoal e não relacionadas com a câmara. Vai a votos pela primeira vez. Não era a altura para descolar do “património” de Isaltino? Todos os meus adversários elogiam o trabalho do dr. Isaltino, querem continuar a obra do dr. Isaltino. A verdade é esta: quem mais elogia o trabalho do dr. Isaltino são os meus adversários. São eles que dão razão à minha candidatura, que é a que vai continuar o projecto de desenvolvimento de Oeiras.

Entrevista a Paulo Vistas, Jornal Publico, 26 agosto 13  
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