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Entro pelo portal de ferro enferrujado e aproveito a descida antes de ganhar as dependências de uma estrada de terra. Sinto meu corpo ser atingido pelas primeiras gotas de chuva quando o relâmpago turva minhas vistas. O barulho, a violência com que sou arrebatada, dor? Nunca soube explicar aquele momento, afinal tudo é muito rápido e meu cérebro não pode acompanhar os acontecimentos. Acordo no cemitério dentro do meu próprio caixão. — Bem na hora, não é? — o ser que me desenterra fala ao abrir a tampa do pequeno caixão branco ainda dentro da cova de cimento. Estou confusa, respiro com intensidade. Minha salvadora estende a mão e me ajuda a deixar a cova, mas as pernas não funcionam direito. Caio de joelhos, levanto o rosto e observo melhor quem me salva. Ela veste um uniforme de faxineira azul-marinho-desbotado e um crachá do lado esquerdo do peito com os dizeres: Clarice de Souza. Fala: — Eu estava lá quando seu corpo chegou. Precisava dele para um, como vocês chamam? Ela procurava as palavras “trabalho acadêmico” para dizer. — Esqueça, eu não me lembro do termo — continua. — Deixa eu te explicar uma coisa o meu DNA não foi feito para se misturar ao dos seres da sua espécie, é uma gambiarra, não é assim que vocês falam? Acho que por

V de Verônica  

Se você tivesse superpoderes seria obrigado a usá-los para ajudar os outros? Verônica Albuquerque Gonçalves, uma jovem e discreta vendedora...

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