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Quando me sentei pela primeira vez para escrever o texto que tenho em minhas mãos, não sabia como começar. Tentei me lembrar de todas aquelas sonolentas aulas de redação que tivemos durante o ano... será que a professora mencionou alguma coisa sobre discursos de formatura? Alguma daquelas receitinhas que falam que um bom texto deve ter tese, dois argumentos e conclusão poderia me ser útil nessa hora... ai, não devia ter dormido durante aquelas aulas, aposto que ela estava falando sobre isso! Mas eu não demorei muito para perceber que um bom discurso não tem fórmula. E me surpreendeu o quanto todos nós somos movidos por fórmulas. Somos tão acostumados em seguir receitas que, quando nos deparamos com algo um pouco mais abrangente, um papel em branco, uma caneta, e a possibilidade de escrever sobre qualquer assunto, não sabemos o que fazer. E me deixou ainda mais surpresa o fato de que, apesar disso, somos tão diferentes uns dos outros. Ora, se, desde antes do dia em que chegamos ao mundo, fomos programados para aprender a andar aos 2 anos, aprender a falar aos 3, aprender a usar o banheiro aos 4, ir para a escola aos 5 e, a partir daí, estudar no colégio até os 18, ir para a faculdade, aprender a dirigir, fazer estágios, formar até os 24, começar a trabalhar assim que o diploma estiver na mão, casar, ter um casal de filhos, escrever um livro e plantar uma árvore, tudo necessariamente nessa ordem, todos nós deveríamos ser exatamente iguais. Mas as coisas não são bem assim. A receita da vida pode até existir, mas cada um adapta essa receita de acordo com o que sabe, gosta, sente e pensa. O número de possíveis resultados é maior que todo o expectro de cores visíveis e não visíveis pelo olho humano. E as provas vivas estão aqui, bem na minha frente. Futuros médicos, engenheiros, advogados, economistas, jornalistas, biólogos, filósofos, arquitetos e muitos outros estão diante de mim. Se gostássemos das mesmas coisas e pensássemos da mesma maneira, que seria de tudo isso? Nada.

existe, e está lá para quem quiser segui-la. Assim como tudo mais na vida - com excessão, claro, de textos dissertativo-argumentativos. E também não foi necessário muito tempo para que eu notasse o quanto cada um de nós quer, pode e deve escrever a própria fórmula. E apesar de este discurso não ser constituído de tese, dois argumentos e conclusão, disso tudo podemos, definitivamente, tirar uma moral: crescer não é fácil e andar com as próprias pernas não é tão simples quanto parece. Mas sonhos temos muitos e, para realizar a maioria deles, crescer é necessário. Concretizamos agora a realização de uma das tantas etapas que teremos de vencer para que nossos sonhos cheguem cada vez mais perto de nossas mãos. Parabéns senhoras e senhores da turma do 3º ano, Loyola, 2009. Vocês estão formados.

Discurso  

Discurso para a formatura do terceiro ano.

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