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Super! • Brasília, sábado, 15 de outubro de 2011 • CORREIO BRAZILIENSE

Mestres QUE

A colecionadora Os alunos do 2º ano E do Leonardo da Vinci de Taguatinga param de falar e concentram toda a aten ção na professora Simonne Fernandes, 44 anos. Ela com eça a mostrar uma pasta colorida, resultado do projeto Contar e colecionar é só começar. O objetivo é que todos os alunos compartilhem adesivos em uma pasta e montem um caderno com exercícios sobre a coleção. Simonne conseguiu unir mat emática, ciências, português e algo de interesse dos pequen os: os adesivos. Sentados no “tapete da convivência ”, eles se mostram empolgados. Mesmo com doação volu ntária, já são mais de mil adesivos, divididos em categorias, como personagens da Disney, animais, letras e frutas. Um a vez por semana, eles contam tudo que foi doado, somam aos que já tinham e colam na pasta. Um alun o é sort ead o para leva r a cole ção para casa e, com a ajuda dos pais, fazer o exercício proposto. As atividades vão desde histórias em quadrin hos até situações-problema de adição e subtração. A professora já adiantou que no fim das atividades, os adesivos serão divididos igualmente entr e os 19 alunos. Cada um terá feito um exercício, ajudado a enfe itar o caderno e mostrado para os pais, com orgulho, o trabalho feito em grupo. — Assim, eles aprendem sobre coleções , quantidades, números e tipo s de text os, diz a pro fess ora. Um a cha nce de aprender brincando.

Exemplos de professores que fazem a diferença na sala de aula

brilham Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press

a essor Marcos Lopes, 36 anos, ensina Na Escola Classe 47 de Ceilândia, o prof Orgulho e consciência negra. O asprojeto importância da diversidade racial no aí: o ória a matemática. Mas não para por hist de s, éria mat as vári em a sunto entr de os alun dos s urai s e apresentações cult tema também faz parte de brincadeira . até o 5º ano , educação infantil e ensino fundamental s sobre respeito às diferenças para casa livro e ecos bon m leva as uen As crianças peq com do acor De seja reforçado pela família. para que o conteúdo ensinado em sala deJá os estudantes do ensino fundamental . ideia da a Marcos, a maioria dos pais gost r. uisa pesq para ano m um país afric batem livros e desenhos, além de adotare esNegra (20 de novembro) há atividades ncia sciê Con da Dia o o Em datas com s aula de falta ia , quando era criança, sent peciais na escola. Marcos Lopes diz que que abordassem a igualdade de raças. avidão. Não havia algo que valorizas— O negro sempre era associado à escr se a cultura. ra, e não só mostrar a cultura afro-brasilei O projeto que surgiu em 2001 pretend s ada deix são s veze tas s aquelas que mui mas também a indígena, a asiática, toda de lado nas aulas. nto nos alunos, diz o professor. É fácil notar a mudança de comportame na autoestima de todas as crianças. hora mel — Percebo muito mais respeito e

Bruno Peres/CB/D.A Press - 28/9/11

Luciana Fontenele, 32 an os, e Guilhe rm e Mo rei ra, 29 an os , tiv era m a ideia de usar a internet pa ra estimular nos alunos o gosto pela leit ura. Há pouco mais de um mês, eles criaram o clube do livro — CEF 306, um gru do no Fa ce bo ok . O ap ren po fechadiz ad o va i além dos muros da escola por meio da rede social, pois estimula os alunos a aprenderem mais sobre seus autores preferidos e a terem maior contato com aqueles que ainda não con hecem. A aluna Alice da Silva de Lima, 11 anos, depois qu mentar na página do clube e começou a compartilh ar, curtir e coestá cada vez mais apaixon ada pela leitura: — No clube, aprendi que posso me interessar por vár quero gastar minha mesad ios gêneros. Já avisei a mi nha mãe que a em livros. Millena Castr o Ribeiro, 13 anos, incen que ainda não entraram no grupo a participarem. tiva os amigos A escola ficou entre as sei s melhores do Brasil no Didático promovido pelo concurso Ações Inovadora Fundo Nacional de Desen s no Livro volvimento da Educação (FNDE). Por meio de víd eos e palestras, a profes sora Luciana Fontenele campanha com os aluno desenvolveu a s e obteve bons resultad os.

Edilson Rodrigues/CB/D.A Press

Dona dos livros Quando você ouve a palavra “bibliote ca”, pensa naquele lugar silencioso, cheio de livros empoeir ados e com uma senhora chata fazendo “shhh!”? Bom, na sala de leitura da professora Margareth Alves, 34 anos, a história é outra. Nas estantes, os clássicos dão lugar a títulos infanto-juve nis atuais. Garotas da rua Beacon, Crepúsculo, Querido diár io otário… Bem diferente da lista utilizada nas escolas. Grande parte do acervo foi doado por pais, alunos e até por outros colégios . Para tudo que recebe, Margareth arruma uma utilidade. Os livros repetidos vão para um bazar — às vezes, custando menos de um real! Os mais danificados entram na tesoura e viram decoração para as mesas, além de tábuas de leitu ra recheadas com tirinhas e histórias em quadrinhos. Uma das alunas contagiadas pela sala de leitura é UélidaViana de Sousa, 13 anos. Ela começou a frequentar oespaço para lerosgibisda Turm ada MônicaJovem,mas logo passou para os livros. Para Gabriel Costa de Sousa, 11 anos, aluno do 9º ano, o contato com obras mais recentes desperto u o interesse pela leitura. — Gosto muito das histórias de aven tura e terror. Estou ansioso para terminar a saga do Harry Potter, mas ainda não temos toda a coleção aqui, lamenta. Margareth explica que esses livros são mais simples e prazerosos, e podem ser uma boa porta de entrada para os novos leitores. — É preciso valorizar todos os tipos de literatura, da clássica à contemporânea. Mas se você dá um livro muito complexo, e o aluno não está preparado para ler aqu ilo, não adianta nada.

Vovós por um dia

42 anos, e Jussara Pereira As professoras Marilze Cantanhêde, os alunos a entrarem em a ntiv ince de Sá, 31, têm um projeto que suas aulas na Escola Clascontato com livros, revistas e jornais em se 44, em Ceilândia. teceu uma semana deNo chazinho da vovó e do vovô, que acon de julho, as duas cria26 em rado emo pois do Dia dos Avós, com sformaram em avós. Maram uma peça de teatro em que se tran histórias e prepara comidas rilze foi a avó tradicional, que conta virou a avó moderna, que é ara deliciosas para os netinhos, e Juss uenos, mas não deixa de ir mais nova e também cuida de seus peq ao salão para se arrumar e ficar bonita. que hoje em dia os avós — A gente fez uma peça para mostrar ficam contando históque lhos não são só pessoas de cabelos grisa rias, Jussara destaca. participar do segundo Elas convidaram os avós dos alunos para inos e as meninas men la. Os chazinho da vovó e do vovô na esco m painéis para ditara mon e s cantaram músicas, fizeram desenho zer o quanto gostam deles. a vida deles quando eram E os avôs e avós contaram como era sua época e fizeram um ótipequenos, ensinaram brincadeiras da es. mo lanche para encerrar as atividad rou o chá com os netinhos Eunice Fonseca Gomes, 59 anos, ado cia Fonseca Craveiro, 6. Daniel Fonseca Craveiro, 4, e Sophia Letí e ficaram ainda mais pró— Eles gostaram das minhas histórias ximos de mim, disse a vovó. passar o dia com a vovó Sophia e Daniel também gostaram de uanto os pais trabalham. na escola. Os dois ficam com ela, enq mãe chegar, disse Sophia. — É ela que cuida de mim até minha

Maurenilson/CB/D.A Press

nos surdos ou com algum tipo de problemas auditivos. Ele se comunicam com os estudantes por meio da Linguagem Brasileira de Sinais (libras), que utiliza as expressões corporais e faciais, além das mãos. É uma língua muito difícil de se aprender. Tem até gramática. Desde 2004, Jones trabalha com educação especial e gosta muito do que faz, apesar das dificuldades. — Para trabalhar com essa turma é preciso ter amor, diz. Na sala de recurso, o professor complementa as lições dadas em aula e trabalha com informática, revistas, mapas, livros paradidáticos e vídeos. O DVD da Turma da Mônica é um exemplo de material em libras. A prática de esportes é comum e os alunos sem problemas de audição se comunicam por meio de mímicas com os colegas que têm necessidades especiais. Jogar futebol, ir ao shopping e sair para comer pizza são as atividades preferidas do grupo de amigos que se formou na escola. E eles sabem que sempre podem contar com a amizade e a ajuda do professor Jones.

Carlos Moura/CB/D.A Press

Os poucos recursos não intimidam a professora Fabiana Pires, 33 ano s. Ela dá aulas na sala de altas habilida des do Centro de Ensino Fundamenta l 18, em Taguatinga, criada especialmen te para acolher crianças muuuuito inteligentes. Tudo o que falta de materia l a professora dá um jeitinho de arra njar. Como ela gosta de dizer: — Não espero de braços cruzados. Corr o atrás! E ela tem que correr mesmo, pois seus 45 alunos sempre querem fazer algo diferente nas aulas. Ela sempre busca melhorar o espaço e às vezes as crianças querem fazer trabalhos que vão além da imaginação de qualquer adulto. Arthur Chagas, 9 anos, é louco por tecn ologia. Está trabalhando em projeto de modelagem em 3D no computador da sala e adora as aulas. — Sempre penso: vem, vem segunda , dia mais esperado da semana. Davi Mateus da Rocha, 10 anos, gostaria de ir mais vezes à escola. Ele é aluno da professora Fabiana há três anos e não gosta de faltar nem quando está doente. — Acho ela legal e divertida. São 10 anos ensinando coisas sobre os planetas, da história, das artes e dos sonhos. Uma professora que todos querem ter.

Artesão da diversidade

Campeões de leitura

Educador especial O professor Jones Revson, 33 anos, do Centro de Ensino Fundamental 8 do Gama, dá aula para alunos com necessidades especiais. São estudantes com problemas na audição e na visão e transtornos de desenvolvimento, como a síndrome de Down. Jones Revson fica na sala de aula e traduz o que os professores de português, matemática, ciências etc falam para 38 alu-

Uma superprofessora

Carlos Moura/CB/D.A Press

Carlos Moura/CB/D.A Press

Carlos Moura/CB/D.A Press

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Mestres que brilham