Issuu on Google+

CMYK

Economia no DF 28 • Cidades • Brasília, sábado, 22 de fevereiro de 2014 • CORREIO BRAZILIENSE

NEGÓCIOS Lourenço Bustani atrai atenção de grandes empresas com teorias que agregam padrões socioambientais às atividades comerciais. Cofundador da Mandalah, ele veio a Brasília mostrar a importância desse conceito e dar dicas a empresários

Empreender com inovação que esse nosso jeito de trabalhar poderia funcionar em outros Especial para o Correio contextos tão desafiadores quantrabalho de Lourenço to o setor público”, conta ele. “A Bustani, 33 anos, bus- Mandalah agora percebe que esca transformar a atua- tá na hora de alçar novos voos”, ção de empresas, tra- acrescenta. Uma das ideias é zendo o pensamento social para montar um site de transparência. A Mandalah tem unidades as atividades comerciais. A ideia é simples: por meio do conceito em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Tóquio, de “inovação em Nova York, consciente”, os em Berlim e na empreendedoCidade do Méres fazem com xico, sempre que os negócios com um foco: se desenvolvam as pessoas, ao mesmo temsuas necessidapo em que agredes, desejos e gam valor para preocupações. a vida das pesA empresa consoas. À frente da segue tornar consultoria Mandalah, que Total investido na abertura da palpável a inovação e empreconquistou giMandalah, uma das grandes gar uma nova gantes da inempresas de consultoria do cultura comerdústria, como país e do mundo cial: a de que é Nike, GM, Pepreciso visar, trobras e Natura, o jovem brasileiro, que foi além do lucro, o que pode ser considerado uma das 100 pes- mudado na vida da sociedade. soas mais criativas do mundo e Bustani lembra que já se sabe, ministrou uma palestra esta se- por meio de pesquisas empírimana em Brasília, inicia, depois cas, que as empresas dotadas de sete anos, uma nova etapa: de um propósito pautado por estratégias socioambientais atuar junto do poder público. “Acho que a gente tinha que são mais cotadas, por exemplo, passar pela experiência de erros e nas bolsas de valores. O especialista em consultoria acertos para ganhar confiança de

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

» PAULA BITTAR

O

R$ 50 MIL

Lourenço Bustani atraiu 600 pessoas ao auditório da Câmara Legislativa

formou-se em relações internacionais e ciência política pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e estudou administração na Wharton School. A formação ajudou a abrir a Mandalah. A empresa cresceu mais de 150% de 2009 para 2010. No início, foram aplicados R$ 50 mil na marca, considerado um valor modesto para a abertura de uma empresa que almejava atuar em várias frentes. Hoje, com clientes de peso e escritórios importantes em seis grandes metrópoles, o comprometimento só aumenta e, com ele, a experiência. Em 2012, Lourenço Bustani foi eleito uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela revista americana Fast Company. “Quanto a esse fato, eu teria um certo cuidado com os exageros. Existem milhares de brasileiros fazendo trabalhos extremamente criativos e transformadores. Apenas fui apontado como um deles pela revista americana”, comenta o empresário, que já morou em Brasília por três anos e, hoje, se divide entre São Paulo e Nova York. Bustani acrescenta que criatividade está associada a um tripé: “Acredito que quando se tem coragem para mudar um contexto vigente, compaixão

para sentir as necessidades dos que estão ao seu redor e consciência para trazer a intenção para aquilo que você faz, essas três coisas juntas permitem desenhar cenários inusitados e favoráveis”, destaca.

Aprendizado Lourenço tenta conciliar as tarefas na empresa com as palestras que ministra em vários lugares do mundo. A fala é breve, mas, de forma concisa, ele consegue passar ao público os principais conceitos da Mandalah. Na última terça-feira, 600 pessoas lotaram o auditório da Câmara Legislativa para ouvir os ensinamentos colocados em prática pela companhia. A publicitária Priscila Fraga foi em busca de estímulo e novas ideias para ter o próprio negócio. “Sempre tive vontade de empreender. Vi o case dele e achei uma pessoa fantástica”, disse. Jovem empresária de Brasília, Michelle Protzek compareceu ao evento para conhecer melhor os preceitos inovadores de Bustani. “Achei a palestra muito interessante e acredito que são empresas que usam a inovação em prol das pessoas que levarão o Brasil para frente nas próximas décadas”, afirmou.

Quatro perguntas para LOURENÇO BUSTANI

SERIADOS REALITY SHOWS PROGRAMAÇÃO DA TV NOVELAS

coerente com aquilo que acrediO que os empresários buscam ta. Quando se consegue ter esse quando procuram a Mandalah? Depende de cada cliente. Às alinhamento, todas as suas ações vezes, eles têm uma aspiração e são potencializadas, ou seja, denprecisamos desenhar um cami- tro do contexto do trabalho, você nho para que consigam torná-la consegue fazer mais para mais em realidade. Outras vezes, estão gente. Então, se torna mais proem um desafio no mercado mui- dutivo e o que está produzindo to complicado e querem ajudar carrega uma energia transformanossa para transformar isso em dora. Deixa de ser apenas um oportunidade. Ou querem mu- trabalhinho para ser um serviço dar todo o modelo de negócios que deixa um residual muito que vem sendo empregado há grande para todo mundo que entra em contato com muito tempo. Com aquilo que você faz. isso, temos a oportunidade de realmente Alguns consumidores trazer uma inovação não levam em de cultura para aqueconsideração se la categoria ou indúsAcredito que tria, tentando achar quando se tem uma empresa aplica sustentabilidade aos formas de se manter coragem para produtos. Você relevante e que conmudar um acredita que o sigam gerar lucro paconceito de “inovação contexto ra seus acionistas, consciente” pode mas que estejam sivigente, trazer benefícios multaneamente concompaixão mais eficazes? tribuindo para conspara sentir as Não tenho dúvida trução de cenários necessidades disso. Inclusive não mais favoráveis para dos que estão se trata mais de uma a sociedade. ao seu redor e hipótese, mas de uma ciência comprovada. Por que só depois de consciência Nós já sabemos, por sete anos no mercado para trazer a meio de pesquisas privado a Mandalah intenção para empíricas, que as emresolveu atuar aquilo que você presas dotadas de um também no faz, essas três propósito pautado setor público? por estratégias soAcho que a gente coisas juntas cioambientais têm tinha que passar pela permitem uma performance experiência, dos últidesenhar em bolsa maior que mos sete anos, de cenários as que estão ainda muitos erros e acerinusitados olhando para o prótos para ganhar conprio umbigo, atuanfiança de que esse e favoráveis” do para um vácuo, e nosso jeito de trabaolhando para sustenlhar poderia funcionar em outros contextos tão de- tabilidade como algo periférico, safiadores quanto o setor públi- compensatório e não necessariaco. Tudo tem o seu momento. A mente integrado às atividades Mandalah nasceu e logo abraça- comerciais. Então, independenmos o setor privado como nosso temente de o cidadão valorizar principal canal de transforma- ou não uma postura mais sustenção. Agora, percebemos que está tável por parte das empresas, os empresários sabem que esse é o na hora de alçar novos voos. único caminho para reverter os estragos que vêm sendo feito há Como a felicidade pode ser décadas, e uma visão de longo associada aos negócios e prazo é o único jeito de sonhapor que isso é importante? Quando você está feliz, sente rem com uma sustentação de plenitude no ser. Você está em suas atividade e do lucro decorum estado em que o que faz é rente delas.

» Leia entrevista completa no site www.correiobraziliense.com.br CMYK


Lourenço bustani