Issuu on Google+

CMYK

Diversão&Arte

• Brasília, quinta-feira, 6 de março de 2014 •

CORREIO BRAZILIENSE • 3

MÚSICA/ Pesquisador Mário Pazcheco abre acervo em livro que narra os bastidores do gênero que dominou Brasília na década de 1980 Carlos Vieira/CB/D.A Press Arquivo/CB/D.A Press - 12/7/11

ARPDF/FCDF/Divulgação - 29/11/12

Rock em três momentos: foto da banda brasiliense Akneton, cartaz de show de Cássia Eller e manuscrito feito por Renato Russo para apresentar a Legião Urbana

Mário Pazcheco/Divulgação

Ocontador dehistórias (dorock) » GABRIEL DE SÁ ting caminhava anonimamente pelas ruas do Guará 2, na segunda metade da década de 1980, quando foi percebido por um morador da cidade. “Ele estava acompanhado por um séquito de funcionários da Funai e vestido como um alpinista, com camisa de gola e bota de militar”, detalha Mário Pazcheco, a tal testemunha da visita insólita. O rapaz correu para casa, pegou o álbum duplo Bring on the night e levou para o astro inglês assinar. Com o autógrafo em mãos, levantou o disco e mostrou para os passantes. Logo, um formigueiro tomou conta da QE 32. “Esse é o único da minha coleção que eu não empresto”, diz o sortudo admirador. Uma conversa com Mário Pazcheco é certeza de bons causos, como este. Fanzineiro, pesquisador e roadie — entre diversos outros ofícios exercidos ao longo dos anos —, Pazcheco reuniu algumas das histórias que viveu em Brasília no livro 10.000 dias de rock, a ser lançado no próximo sábado, em uma festa com apresentação das bandas Kábula,

S

Barbarella e Rebel Shot Party. Paulista de Osasco, Pazcheco desembarcou na nova capital em 1975. Acompanhou de perto os bastidores do surgimento da cena roqueira na cidade e, com a verve de colecionador, guardou reportagens, fotos, manuscritos e cartazes sobre o assunto. Esse acervo — encorpado com coleções recebidas também de outras pessoas — é a base de seu livro, em que ele traça, dia após dia, ano a ano, a história do rock brasiliense. “Eu era beatlemaníaco. Quando vi o Sepultura (a brasiliense) na quadra da Aruc, em 1981, me encantei com o rock em português e abandonei Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple”, lembra o autor, justificando o interesse pela versão abrasileirada do gênero. Um dos manuscritos que Pazcheco guarda com mais cuidado é um texto escrito por Renato Russo, em um papel de embrulhar pão, para apresentar a recém-criada Legião Urbana. Foi em 1982. O “release” seria publicado na fanzine Jornal do rock, mas acabou engavetado. “Renato o fez no camarim do Teatro de Arena do Cave, no segundo show da banda”, diz.

www.correiobraziliense.com.br

Leia trechos do livro.

10.000 DIAS DE ROCK De Mário Pazcheco. Independente, 424 páginas. R$ 40. “Estou no ápice da minha carreira”, brinca o autor Mário Pazcheco, que lança o livro no sábado

Cidadão do Guará Mário Pazcheco é autor de uma rara biografia sobre o mutante Arnaldo Baptista, lançada em 1991. Ele escreveu também a ficção Aventura sem dublê (1995).

Apesar de toda a dedicação à cena roqueira, Pazcheco se considera um completo anônimo, e, às vezes, é até barrado em shows. Menos no Guará, claro, onde tem status de celebridade. “Todo mundo que chega lá eu tenho

que receber. Minha casa é a embaixada da contracultura”, orgulha-se. A residência, inclusive, sedia o lançamento de 10.000 dias de r2ock, neste sábado. “Estou no ápice da minha carreira”, brinca Pazcheco.

LANÇAMENTO Sábado, a partir das 16h, na QE 40 do Guará 2. Shows com Kábula, Barbarella e Rebel Shot Party. Entrada franca. Classificação indicativa livre. Informações: 8107-8902.

Ana Rayssa/CB/D.A Press - 13/2/14

ARTES VISUAIS

Invenção com a linguagem virtual ESPECIAL PARA O CORREIO

300

Três perguntas /Alexandre Rangel Como surgiu a vontade de explorar um campo tão subjetivo, contrário a exatidão que a informática exige? É o contraste entre o digital e o analógico que me encanta. Programação metódica e expressão improvisada; concreto e orgânico, estética do erro... Quais os pontos positivos do caráter efêmero da sua obra? O efêmero e a obra aberta permitem um nível de improvisação e contato com o público que não existia nas artes antes de advento da arte contemporânea, como nos exemplos brasileiros de Hélio Oiticica e Lygia Clark, nos anos 1960.

O Quase-Cinema foi além do que você idealizou? Qual o futuro que você quer para esse projeto? Sim, os desdobramentos foram além do que eu imaginava, direcionando a minha atuação para a composição musical, para ações em educação e capacitação na criação em novos meios (digitais). A disponibilização do software livre e as oficinas de capacitação têm sido ótimas oportunidades de troca com outros artistas, moldando, inclusive, as parcerias que tenho hoje com artistas, músicos e poetas como Cepa, Francisco K, Gérson Deveras, Mayra Miranda e Rami. A UnB é um dos cenários para as criações de Alexandre Rangel

seria possível um esforço de sensibilização por meio das tecnologias como o vídeo e a arte eletrônica. Nessa toada, comecei a faculdade e meu projeto final foi um software em edição de vídeo, pois queria me expressar com ferramentas diferentes”, relembra o videoartista. Em 2006, nasceu o Quase-Cinema, um programa de computador para edição e apresentação de vídeo ao vivo, ou seja, o processo de montagem e exibição é simultâneo. “O nome é uma homenagem ao artista Hélio Oiticica e ao

CMYK

mandem uma composição por semana durante todo o ano. No site, é possível escutar as músicas Na videoarte, o Alexandre enviadas e fazer comentários. Já Rangel encontrou uma lingua- são mais de 300 pessoas particigem poética para se expressar. pando. Ninguém ganha nada e Seu trabalho traz referências das nem haverá um ranking ao fim artes plásticas, do cinema, da do desafio, mas funciona como música, da literatura e de tudo o um estímulo para criação. Além que o cerca. Pode ser uma rua da musicalidade exercitada semovimentada, um simples dia no manalmente, Rangel completa o ritmo do som com cabeleireiro ou o as misturas visuais barulho das cigarcaracterísticas de ras em um campo suas obras. “Nas aberto.Antesdearnovas produções tista plástico, ele é audiovisuais, reaum homem curiolizadas com pseuso e atento aos dedônimo de rANtalhes que passam GEL, o ruído e o despercebidos na ritmo são peças correriadodiaadia. essenciais. Fui a Para o artista, o Número de pessoas do fundo nessa peslimite a ser ultravárias partes do mundo quisa fazendo repassado com a que toparam o desafio centemente uma ajuda do audioviWeekly Beats composição usansual é o sonoro. do somente grava“Com o meu trabalho como o VJ Xorume, encon- ções de cigarras, uma característrava limitações criativas, uma tica sonora típica de Brasília”, vez que a minha expressão sem- conta o desafiante. pre ocorria em conjunto com um DJ. As experiências sonoras que Quase-Cinema tenho desenvolvido são uma extensão e um complemento da Nos anos 1990, Rangel comeminha voz nas artes visuais”, afir- çou a trabalhar com edição de víma Rangel. O novo trabalho veio deos. Foi essa tecnologia que o em decorrência de uma desafio motivou a ingressar no curso de musical lançado na internet, o artes plásticas da Universidade Weekly Beats, projeto de música de Brasília (UnB). “Não sou de colaborativo criado Timothy desenhar, nunca fui bom em Lamb, de Los Angeles. me expressar com lápis. Artistas A ideia é que os integrantes como Bill Viola mostraram que

» PAULA BITTAR

cineasta Neville d'Almeida, que assim batizaram os seus projetos de experimentação audiovisual tecnológicas — ‘um campo de experiências transgressivas dentro do universo das mídias ou das imagens e sons produzidos tecnicamente’”, conta o artista. O projeto evoluiu para uma segunda versão com auxílio de uma bolsa da Funarte. “Foi o objeto da minha pesquisa no mestrado em educação em artes visuais, que conclui este ano na UnB”, complementa. O software está na terceira versão e disponível

para baixar gratuitamente. Hoje, Rangel tem um estúdio para produção de multimídia e realização de treinamentos. O artista plástico já foi convidado a ministrar oficinas pelo país e no exterior:”Mesclo a parte técnica e o processo criativo”.

www.correiobraziliense.com.br

Assista ao último vídeo enviado para o Weekly Beats no site.

TECNOLOGIAS E POSSIBILIDADES — OFICINA DE FOTO E VIDEOARTE De 11 a 15 de março, com Alexandre Rangel. Entrada é gratuita. As inscrições podem ser feitas até domingo (9/3) pelo e-mail: museunacionalcursos@gmail.co m. Os interessados devem informar nome completo, telefone, e-mail, formação e experiência profissional.


Alexandre rangel