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3ª Edição Fortaleza - 2018


O fantástico mundo do cordel © Copyrigth Arlene Holanda 3ª edição, 2018 – Terra da Luz Editorial Todos os direitos reservados Editora: Patricia Veloso Assistente editorial: Marília Gabriela de Lima Capa e projeto gráfico: Arlene Holanda Editoração eletrônica: Emanuel Lopes Revisão de texto: Lara Dias Catalogação na fonte: Cássia Barroso

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Holanda, Arlene O fantástico mundo do cordel / Arlene Holanda.- 3 ed. Fortaleza: Terra da Luz Editorial, 2018. 32 p.; il.; color ISBN: 978-85-88112-28-5 1. Literatura brasileira I. Título. CDD B869.93

Terra da Luz Editorial Rua Rocha Lima, 1707 – Aldeota CEP 60135–285 Fortaleza – CE E-mail : editora@terradaluzeditorial.com.br Site: www.terradaluzeditorial.com.br


Férias na fazenda do avô... Nada muito interessante para fazer... Tudo muda com a descoberta de uma estante recheada de surpresas... Como um mundo mágico desse tamanhão pode caber num livrinho tão pequeno?


G

abriel é um menino irrequieto, daqueles que não conseguem ficar parados um instante. Está sempre tamborilando a caneta, rabiscando papéis ou mexendo com qualquer coisa que estiver ao alcance da mão. A mãe resolveu consultar um médico para saber o motivo de tanta energia. O doutor pediu para estudar melhor a cabeça do menino, mas quem disse que ele ficou parado para fazer o exame solicitado? Nas férias, Gabriel viajou com os avós, que sempre passavam uma temporada na fazenda do Ingazeiro. Nos primeiros dias, explorou os arredores da casa, o açude, o curral e a mata, que já se vestia de verde com as primeiras chuvas, mas logo perdeu o interesse e ficou meio entediado. Os primos não tinham vindo e ele já finalizara todos os games que tinha trazido em seu kit de sobrevivência de garoto da era digital. Longe do seu computador, companheiro inseparável, o jeito foi procurar outras coisas para fazer, o que tecnicamente significava mexer com o que estava quieto. O olhar de Gabriel fez uma varredura pela sala e não encontrou nada interessante. Cadeiras de couro, brasões e retratos de antepassados não despertaram sua atenção. Quem sabe no quarto ao lado, onde o avô guardava um monte de velharias? — Velharias não, relíquias! E ninguém tem autorização para entrar aqui! — costumava advertir o avô. A ordem sobre não entrar naquele lugar atiçou a curiosidade de Gabriel. Mas que segredos o seu avô poderia guardar ali? Afinal, todo mundo conhecia sua história: de menino do interior, filho de pequeno fazendeiro, que estudara, se formara e chegara a ser prefeito da capital. Gabriel aproveitou o passeio matinal que o avô sempre fazia, mais para esticar as pernas do que para vistoriar a propriedade, administrada pela mão confiável de seu Didi, filho de um antigo vaqueiro da fazenda, nascido e criado ali. — Vamos começar por essa estante, decidiu, dirigindo-se ao quarto, ignorando as ordens do avô. 4


A pesada gaveta de madeira foi puxada com certo esforço e já se podia vislumbrar um maço de pequenos livrinhos, cuja cor do papel denunciava sua velhice, ou melhor, antiguidade. Gabriel escolheu, por motivos óbvios, o primeiro livrinho (seria mais fácil repor). No papel amarelado lia-se o título Juvenal e o Dragão, margeado por uma cercadura de arabescos e florais. O menino abriu o livro quase por instinto e começou a folheá-lo. As folhas, de tão velhinhas, estavam meio coladas, e foi preciso umedecer a ponta dos dedos para conseguir separá-las. Pensou duas vezes antes de fazer essa operação, lembrando de filmes em que alguém tinha posto propositalmente veneno nas pontas das páginas dos livros antigos, causando a morte do leitor. Depois, concluiu que era seguro. Afinal, seu avô só tinha dito para não mexer. Com certeza, não ia querer lhe fazer mal. De folhear a ler, foi um pulo; o enredo já foi prendendo sua atenção: cachorros mágicos, cavaleiros, princesas e dragões! Eram seus temas preferidos nos jogos de interpretação de personagem e videogame. 5


Gabriel mergulhou na leitura e até esqueceu a possibilidade de uma volta repentina do avô. Judite, a secretária, sabendo das recomendações sobre não mexer no quarto, achou por bem avisar dona Amélia, a avó. — O Gabriel tá lendo um livrinho do doutor Evandro! Melhor a senhora ir lá. Ele tá pra chegar e não vai gostar nadinha. — O Gabriel lendo? Você tem certeza, Judite? Essa eu quero ver! — Vi agorinha mesmo, no peitoril do alpendre. Estava tão entretido que nem notou quando passei. A admiração da avó devia-se ao fato de Gabriel não ser o que se poderia chamar de um bom leitor. A muito custo lia os livros indicados pela escola, ocasião em que fazia um cálculo de páginas e dias, como ele chamava. Esta operação consistia em dividir o número de páginas do livro pelos dias que faltavam até a prova, para determinar a quantidade mínima que ele seria obrigado a ler por dia. 6


A avó chegou de mansinho e conferiu o que Judite havia dito. O menino também não notou a sua presença. Não é que estava mesmo lendo! E gostando, pelo visto! Decidiu não interrompê-lo; afinal, era quase um milagre o fato de ele ter se interessado em ler alguma coisa que não fosse seus livros de RPG. — Deixe que falo com o Evandro, Judite. Me avise quando ele chegar. Meia hora depois, doutor Evandro chegou. Entrou pela cozinha, como era seu costume, secou o suor da testa com a toalhinha do lavatório e pediu que Judite lhe servisse um café. — Dona Amélia — gritou Judite preparando o café, doutor Evandro chegou! — Você e essa sua mania de gritar, não é Judite? reclamou dona Amélia. Custava ir me chamar? — Não posso passar café e ir chamar ao mesmo tempo! Só sou uma, resmungou Judite. — Evandro, o Gabriel pegou um cordel da sua coleção para ler. Sei que você não gosta, mas não brigue com ele. Quando acabar de ler, eu guardo. Doutor Evandro ouviu a esposa em silêncio, sorvendo grandes goles do café de Judite. Estava no ponto: forte e com um cheirinho que se espalhava pela casa toda.

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Dona Amélia aproveitou para ir ao alpendre ver como andava a leitura de Gabriel e garantir que nenhum descuido estragasse o precioso folheto, agora sob sua responsabilidade. Como o menino não desgrudava os olhos do cordel, a avó resolveu perguntar, fingindo que não sabia de nada. — O que você está lendo, Gabriel? — Peraí que já tô terminando vó, falou, pedindo com um gesto para não ser interrompido. — Vou sentar um pouco aqui enquanto você termina. O tempo está bonito pra chover. — Pronto, terminei, anunciou minutos depois. Peguei esse livrinho lá na estante do vô, comecei a ler e gostei. Falando nisso, ele já chegou, vó? Perguntou Gabriel meio apreensivo. A avó o tranquilizou: — Já falei com seu avô que você estava lendo o cordel. Mas, da próxima vez, não esqueça de pedir.

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— O nome desse tipo de livrinho é cordel, vó? — É sim. Seu avô tem uma coleção com muitos exemplares, especialmente dos mais antigos. Tem cordel de aventura e encantamentos, como este que você leu; histórias de amor proibido; façanhas de cavaleiros andantes, cangaceiros e vaqueiros, tipos espertos, como o João Grilo, aquele do Auto da Compadecida... Tem ainda o famoso Pavão Misterioso, que você já deve ter ouvido falar... E casos populares, os famosos “causos”, como A Moça que Dançou com o Cão, O Cavalo que Defecava Dinheiro, A Lamparina que Dava Choque... — No Auto da Compadecida da televisão, era um gato que “descomia” dinheiro... — Toda obra é inspirada na cultura popular, especialmente nas histórias de cordel. — Legais, essas histórias de cordel... Como começaram a ser escritas, vó? — Não sei direito, pergunte ao seu avô, que sabe bem mais que eu. Ele é um grande admirador da cultura popular, sabia? Aproveite e peça para ler mais cordéis, sem precisar pegar escondido, disse a avó rindo. Agora, vá tomar banho, daqui a pouco vamos almoçar.

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Na hora do almoço, Gabriel não tocou no assunto, pois o avô não gostava que se falasse durante as refeições. Depois de servida a sobremesa, arriscou um papo, medindo o grau de aborrecimento do avô. — Desculpa eu ter mexido na estante, vô. É que tava sem fazer nada... Encontrei um livrinho que achei bem legal. O pedido de desculpas desarmou o avô, que esboçou um leve sorriso. — O nome desse livrinho é cordel. — Eu sei, a vó já me disse. E me contou umas histórias sobre esses livrinhos, ou melhor, cordéis... Mas disse que você sabia muito mais. O “você” ainda não era bem aceito pelo doutor Evandro, que pensou em censurar o neto. Mas, como dizia sua esposa, os tempos são outros. — Já que você se interessou em saber, Gabriel, vou lhe contar a história do cordel. Quando os portugueses descobriram e colonizaram o Brasil, a Europa tinha acabado de sair da Idade Média. Essa época foi considerada por muitos a Idade das Trevas, quando a ciência e as artes regrediram, e ninguém podia expressar suas ideias ou conhecimentos sem correr o risco de ir para a fogueira. Foi o caso de Galileu, que descobriu em seus estudos e suas experiências, que a Terra era redonda e não era o centro do universo. Porém, como não lhe agradava a ideia de ser queimado vivo, desmentiu tudo diante da Santa Inquisição, um tribunal da igreja que condenava à morte quem tinha ideias diferentes ou atitudes questionadoras. Colombo foi outro que chegou a ser interrogado por causa de suas teorias a respeito do mundo e da arte da navegação. Muitos cientistas, médicos e filósofos foram condenados à fogueira, acusados de serem bruxos e alquimistas. — Pois eu acho essa “idade” irada, vô! Interrompeu Gabriel. Cheia de bruxas, demônios e magias! — Você fala isso porque não viveu lá. A liberdade é o bem mais precioso da humanidade, especialmente a de pensamento. Pois bem, vamos continuar com a história dos cordéis. 10


Com o florescimento do comércio e o fim da Idade Média, as populações de diversos lugares passaram a se comunicar mais, especialmente por ocasião das feiras. Todos estavam ansiosos para manifestar seus pensamentos e suas artes, como também sua indignação diante da tirania praticada por muitos reis e príncipes.

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Essas feiras europeias, exceto o cenário, não eram tão diferentes das feiras nordestinas; havia barracas de comida barata, animais expostos à venda, utensílios domésticos, miudezas, perfumes, tecidos e remédios mágicos para a cura dos males do corpo e do espírito. Havia sempre a presença de trovadores, divulgadores que cantavam em versos as qualidades de um e outro produto, ou simplesmente tocavam, cantavam ou recitavam versos que posteriormente seriam impressos de forma artesanal: os primeiros cordéis. Nas feiras europeias, esses cordéis eram expostos pendurados em cordões. Alguns pesquisadores afirmam que daí vem o nome cordel. Outros acreditam que esse nome viria da palavra coração em latim, pelo fato de os folhetos expressarem tão bem o sentimento dos autores e leitores. Há estudiosos que atribuem a origem dessas histórias de cordel à tradição das histórias orais, como As Mil e Uma Noites. É bem possível que esta hipótese seja verdadeira, pois muitos dos personagens e cenários da cultura árabe povoam os folhetos dos cordéis europeu e nordestino.

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A impressão desses primeiros folhetos só foi possível graças à invenção da máquina impressora, por Gutemberg. Versavam sobre culinária, medicina popular, astrologia e até sobre como espantar o capeta e as bruxas. Outros contavam histórias de amores proibidos, feitos heroicos de cavaleiros andantes e justiceiros, tipos populares pitorescos, engraçados e trapaceiros. Havia também folhetos “licenciosos” ou pornográficos, com conteúdo impróprio para menores, digamos assim. Grandes clássicos da literatura mundial beberam na fonte do cordel, como é o caso de Romeu e Julieta, cujo autor, Shakespeare, inspirou-se nos romances proibidos. Outro exemplo é a obra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, inspirada nos cavaleiros andantes, personagens bem comuns nos cordéis europeus. Rabelais, um escritor francês, também criou seus anti-heróis Gangântua e Pantagruel, inspirado nos tipos trapaceiros e malandros. A maioria dos estudiosos concorda: o cordel nordestino veio do cordel europeu. Chegou com os colonizadores portugueses ainda no século XVI, quando só existiam pequenos povoados no Nordeste, notadamente no litoral. Um fato interessante é que o cordel não era chamado desta forma, e sim romance, livreto ou folheto. O termo cordel só foi adotado muito tempo depois. 13


No decorrer dos séculos XVIII e XIX os povoados foram crescendo, multiplicando-se, virando cidades e os cordéis continuaram a sua saga. No começo, os livretos (ou páginas volantes), trazidos de Portugal eram reproduzidos manualmente ou decorados “de cabeça”, como se diz popularmente. A criatividade do sertanejo logo faria surgir outras histórias, recontadas, adaptadas ou totalmente novas. Como as cidades e vilas ainda não tinham gráficas, os versos eram igualmente escritos pelos poetas em cadernos e lidos em eventos como aniversários, festas de casamento e cantorias.

As histórias de cordel também eram recontadas nos alpendres das casas de fazenda, para as crianças antes de dormir, no pouso para o descanso do trabalho na roça ou nas feiras. Como os jornais e as revistas não chegavam ao sertão, o cordel funcionava como meio de informação sobre fatos políticos, crimes chocantes e outros acontecimentos de grande importância. Eram histórias nas quais o bem sempre vencia o mal e os injustos e maus tinham castigo certo. Alguns cordéis conservavam a tradição medieval de príncipes, nobres, dragões e cavaleiros andantes. Outros criavam personagens mais regionais, como vaqueiros, sertanejos pobres, fazendeiros, cangaceiros e tipos errantes. De cantoria em cantoria, de feira em feira, essas histórias iam correndo o mundo e caindo na boca do povo, no bom sentido, claro. 14


As cantorias são herdeiras naturais do cordel. Era uma das diversões mais apreciadas nos povoados, nas vilas e nas cidades. Geralmente, um dono de fazenda ou pessoa da vila ou do povoado organizava a cantoria, na qual não podiam faltar os bancos para os espectadores sentarem, um palco improvisado para os cantadores, um pote com água bem fria, além dos comes e bebes. Os cantadores tocavam viola ou rabeca, “cantavam” as histórias de cordel e depois promoviam desafios, em versos totalmente de improviso. — Você me contou que aqui nessa fazenda aconteceram muitas cantorias, lembra? E que o seu pai gostava muito de fazer festas... — É verdade. Mas vamos voltar ao cordel porque as cantorias têm uma história bem longa e interessante, que vai ficar para a próxima vez. No fim do século XIX, surgiram as primeiras tipografias nas cidades sertanejas mais desenvolvidas, e os folhetos do cordel nordestino, que eram reproduzidos à mão, começaram a ser publicados. Anos depois, surgiu a xilogravura, usada para ilustrar as capas dos cordéis, que antes não tinham figuras, só letras.

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Para fazer a xilogravura, entalha-se uma figura na madeira, que depois é posta numa prensa e impressa no papel. Essa técnica veio da China e foi muito usada na Idade Média. O estilo das figuras das capas do cordel nordestino lembra a arte medieval. São dragões, vaqueiros, cangaceiros, donzelas e monstros tão mágicos quanto as histórias que ilustram. A região do Cariri, no Ceará, destacou-se como um centro produtor de cordéis a partir de meados do século XX. A Tipografia São Francisco, de José Bernardo da Silva, que também era cordelista, publicou milhares de títulos de cordel. Hoje ainda funciona, com o nome de Lira Nordestina, editando cordéis no estilo tradicional, no mesmo processo usado pelas primeiras tipografias. Nas feiras nordestinas, era comum os cordéis serem expostos no chão, providencialmente forrado com um pedaço de chitão e com pedrinhas em cima das pilhas de livretos, para protegê-los de um vento mais forte.

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— E o autor de Juvenal e o Dragão? Qual a história dele, vô? — Isso vai ficar para amanhã. Já é noite, Gabriel. Há tempos sua avó nos espera para jantar... Depois do jantar, a avó comentou que outro milagre tinha acontecido: Gabriel passara a tarde quietinho, escutando as histórias do avô... Gabriel custou a adormecer, pensando nas fantásticas aventuras de Juvenal. Quando dormiu, sonhou que estava jogando RPG e era o próprio personagem. Acordou assustado, bem na hora em que lutava com o dragão. No outro dia, foi o primeiro a levantar e esperava ansioso o café da manhã terminar. Depois do café, o avô se dirigiu à estante e pegou vários folhetos. No alpendre, uma acolhedora rede de varandas já esperava os dois. — Vamos começar por Leandro Gomes de Barros, que é autor do cordel do Juvenal, de que você tanto gostou. Ele é considerado por muitos como o maior cordelista nordestino. Foi um dos primeiros a publicar seus folhetos, ainda no século XIX. Escreveu cerca de mil títulos de cordel. Vou lhe contar a história dos três cordéis de sua autoria de que mais gosto. Depois você pode conferi-las lendo os outros folhetos. Juvenal e o Dragão, que você já leu, conta a história de um rapaz pobre que trocou três carneiros que recebera como herança por três cachorros encantados. Com a ajuda dos cachorros, Juvenal vence um dragão e salva a princesa que seria devorada por ele. 17


A Donzela Teodora é uma história do cordel europeu que foi transformada em cordel nordestino por Leandro. Conta a saga bem interessante de uma donzela cristã que foi comprada na feira de Tunis por um mercador húngaro. O mercador, que era de boa índole, não tratou Teodora como escrava. Notando sua rara inteligência, providenciou professores para que ela aprendesse todas as artes e ciências de então. Acontece que esse mercador perdeu tudo num desastre marítimo e ficou na miséria. Teodora ofereceu ao comerciante, que considerava um pai, para ser vendida a um sultão árabe e assim livrá-lo da miséria. O homem relutou, mas Teodora garantiu-lhe que tinha um plano pra sair livre e com o dinheiro. Chegando ao palácio, Teodora desafiou os sábios da corte em duelo para ver quem sabia mais. A donzela venceu, ganhando a liberdade e grande soma em ouro através do seu conhecimento, mostrando o quanto a educação pode literalmente libertar. — Garanto que eles nunca pensaram em perder para uma mulher!

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O Cavalo que Defecava Dinheiro tem como inspiração os “causos” populares e foi adaptado por Ariano Suassuna no Auto da Compadecida como o gato que “descomia” dinheiro. Este cordel conta a história de um duque avarento que, vítima de sua própria ganância, comprou um cavalo velho e doente de um camponês que o fez acreditar que o bicho defecava toda manhã uma porção de moedas de ouro. — Já assisti ao “Auto” umas dez vezes, vô. Acho muito engraçado, principalmente o João Grilo e o Chicó. — Pois o criador do personagem João Grilo é João Ferreira de Lima. Athayde, outro grande cordelista também fez um cordel com esse famoso personagem. O tipo esperto, trambiqueiro e simpático de quem acabamos de falar se popularizou nacionalmente através do Auto da Compadecida, na pele de uma espécie de herói brasileiro que usa toda sua criatividade e esperteza na luta desigual pela sobrevivência. — Desse eu sei que vou gostar, disse Gabriel. — A História de José do Egito é um outro cordel de Athayde que gosto muito. É uma história bíblica em que um jovem, vendido como escravo pelos irmãos, tornase um poderoso ministro do faraó, contribuindo depois para libertação do povo judeu, escravizado no Egito. 19


José Camelo é o autor do famoso Romance do Pavão Misterioso, que já virou letras de música e peças de teatro, além de ter sido tema de novela. O “Pavão Misterioso” conta a história de um rapaz turco que recebeu de presente do irmão o retrato de uma jovem grega, por quem se apaixonou perdidamente. Mas, pra complicar a situação, a moça era prisioneira do próprio pai, um conde tirano que não deixava ela sair de casa nem falar com ninguém. Para conhecer a donzela e resgatá-la, o rapaz encomenda um pássaro voador a um inventor e bola um plano infalível, que termina com o clássico final feliz. Um fato curioso é que o Romance do Pavão Misterioso foi plagiado por outro cordelista, João Melquíades Ferreira, fato que ficou impune, pois naquela época se desconheciam as leis de direitos autorais. Até hoje, as duas versões dividem a preferência do público leitor. — O que é plagiado? Nunca ouvi essa palavra. — É quando você copia uma obra de alguém, mudando apenas alguns detalhes. O famoso “copiar colar” da internet... — Então Shakespeare, Cervantes, aquele outro cara e o Ariano Suassuna plagiaram os autores dos cordéis? — Não, Gabriel. Eles apenas se inspiraram, mas escreveram histórias completamente diferentes. 20


E no caso do Ariano Suassuna, ele criou uma peça de teatro, que depois virou filme e série televisiva baseada nos cordéis, o que também não é plágio. Coco Verde e Melancia é outro cordel bem popular de José Camelo. Conta a história de dois namorados assim apelidados que se apaixonaram e enfrentaram muitas dificuldades para ficar juntos. — Quero ler todos, vô, você deixa, né? — Um de cada vez. Você lê um, me entrega e depois eu te dou outro. Tem cordel pra ler as férias inteiras. Mas você não ia passar só uma semana? E olha que só falei de três autores. Ainda tem muito mais. Mariquinha e José de Sousa Leão é um cordel bem engraçado. Seu autor, João Ferreira de Lima, conta a história de um amor proibido em que o mocinho, com muita coragem, rapta a amada da casa paterna. — Mas isso já tem nos outros cordéis, observou Gabriel. — Deixe eu terminar de contar, menino! A diferença é que em vez de princesas e cavaleiros, os personagens são um mascate fugindo da seca e a filha de um rico senhor de engenho. — Mascate???? — É como se chamavam, antigamente, os vendedores ambulantes, que andavam a cavalo, vendendo mercadorias de porta em porta. 21


Outro bem interessante é A Vida de Pedro Cem, cordel que narra uma lenda portuguesa sobre um senhor de castelo que do alto de sua torre dizia: “Meu Deus, mesmo que quisesses, não podias me fazer pobre”. Imediatamente, uma tempestade naufragou sua esquadra e um incêndio destruiu sua torre. Pedro Cem ficou na miséria e pedia esmolas, dizendo: “Dai uma esmola a Pedro Cem, que teve e hoje não tem”. Tem cordel narrando a chegada de Lampião no céu e no inferno, as guerras do Juazeiro e de Canudos, tem desafio de cantadores famosos como cego Aderaldo e Zé Pretinho, biografias do Padre Cícero, Luiz Gonzaga, Antônio Conselheiro... — No Ceará já teve guerra, vô? — Não foi exatamente uma guerra. Foi uma revolta do povo de Juazeiro, na época comandado pelo padre Cícero Romão, que apoiava o presidente Nogueira Acioly, deposto por um movimento popular. Os revoltosos chegaram a sitiar Fortaleza, depondo o presidente eleito, Franco Rabelo. — Presidente não é só do Brasil? — Naquela época, os governadores dos estados eram chamados de presidentes. — Ainda tem gente fazendo cordel? — Claro que tem, Gabriel. O cordel, hoje, mesmo com os meios de comunicação chegando a quase todo lugar do sertão, ainda tem o seu lugar. Não mais como notícia, mas como meio de expressar o sentimento dos cordelistas, seja para protestar contra a corrupção, a devastação da natureza, a perda dos valores culturais, a violência, a globalização, a miséria, o desemprego... além dos que contam histórias jocosas e engraçadas, pois o nordestino faz humor até com a própria desventura. 22


Lendas e histórias que encantam pessoas de todas as gerações, como no caso dos cordéis antigos, também são recontadas e reeditadas. Hoje, as pessoas estão redescobrindo o cordel, porque estão entendendo melhor que somos mais fortes como povo quando valorizamos as nossas tradições culturais. Tem cordel pra vender nas bancas de revistas, ao lado dos jogos eletrônicos e quadrinhos estrangeiros. — Quando a gente voltar pra Fortaleza, você compra seus próprios cordéis, combinado? Os meus são muito velhinhos e precisam “descansar”, disse rindo o avô. O gosto de Gabriel pelos cordéis continuou. Já tinha lido todos os clássicos e, vez por outra, pedia à sua mãe para passar com ele na banca e ver as novidades. Depois de seis meses, o avô, que já estava bem velhinho e com uma maquininha no coração, morreu. Todos os netos e demais familiares ficaram muito tristes, especialmente Gabriel. Uma tristeza de verdade, que não era só cara de triste. Com quem iria comentar sobre os cordéis que lera? E mostrar as novidades que comprara na banca da Praça do Ferreira?

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Quando dona Amélia anunciou que iria à fazenda do Ingazeiro recolher os pertences do marido, Gabriel fez questão de ir junto. A avó escolheu, com ajuda do neto alguns papéis e documentos, além de fotos, cartas e outros guardados. A famosa coleção de cordéis, separada por autores e disposta em ordem alfabética, foi doada ao menino. — Você é quem merece mais, Gabriel. Cuide bem dela, disse a avó. Já tinham dado por encerrada a arrumação quando surgiu, do fundo da gaveta, uma pasta abarratoda de páginas datilografadas. Ao lê-las, Gabriel descobriu que eram cordéis inéditos sobre vaquejadas, festas de São João, vaqueiros e histórias de assombração que ele já tinha ouvido no alpendre

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daquela mesma casa. Um dos originais, quase por descuido, estava assinado. Ao terminar a leitura, o menino concluiu que eram de autoria do seu avô. Havia detalhes de histórias que só ele sabia, que tinham acontecido na fazenda ou sido contadas pelos moradores do lugar. E, ademais, ninguém iria escrever cordéis para escondê-los na gaveta de outra pessoa. Por que seu avô nunca os tinha publicado? Por excesso de timidez? Ou seus diplomas não permitiram? Um doutor escrevendo cordel... A avó ficou surpresa, nunca imaginara. Gabriel pegou a pasta, arrumou os papéis e tomou posse de sua herança. Voltaram a Fortaleza no dia seguinte, trazendo na bagagem mais encantos que tristezas.

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Escrevendo e publicando seu cordel Escolhendo o tema O primeiro passo para a escrita do seu cordel, assim como de qualquer texto, é a escolha do tema. Uma vez escolhido, você pode fazer uma atividade divertida, que se chama “tempestade de palavras”. Funciona assim: escolhe-se uma palavra-chave, que deverá ter relação com o tema do cordel: A partir dela, você vai anotando as palavras que vêm em sua mente, ou seja, as palavras que têm relação com a palavra-chave. Exemplo: CASTELO PRINCESA - CAVALEIRO - BRUXA - ARMADURA - REI - RAINHA - TRONO - COROA - BOBO DA CORTE - PRÍNCIPE - PAJEM - ESCADARIA - ESPELHO CANDELABRO.

Modalidades, elementos e regras do cordel As modalidades mais populares no cordel são a sextilha e a sétima. A quadra está em desuso, e a décima, por ser considerada de difícil execução, não é muito utilizada. Para cada modalidade, há regras específicas de combinações de rima. As regras de métrica, porém, são comuns a todas elas. Os principais elementos do cordel são: versos, estrofes, rimas, métrica. Verso: cada linha que compõe a estrofe. É conhecido popularmente como “pé”. Daí a expressão “pé quebrado”, que se refere ao verso mal-elaborado, sem métrica. Estrofe: é um conjunto de versos. No cordel, pode ser composta por quadra, sextilha, septilha (sétima) e décima. Rima: repetição do mesmo som no final dos versos, ou correspondência de sons no final de palavras diferentes. No cordel, usamos a rima soante ou consoante. Métrica: aplicação do metro, medida dos versos de acordo com a quantidade de sílabas poéticas. O metro mais utilizado no cordel é o redondilho maior, que consta de sete sílabas poéticas. 26


A seguir, temos um exemplo de SEXTILHA e de SÉTIMA (ou SEPTILHA). Observe as rimas e a métrica, lendo com atenção as estrofes a seguir:

Na SEXTILHA, rimam as últimas palavras dos 2º, 4º e 6º versos (tipo 1). O 1º, 3º e 5º são versos brancos, isto é, não rimam. 1º – Dali mesmo o Rei levou 2º – Juvenal para o salão (tipo 1) 3º – Pra contar de que maneira 4º – Principiou a questão (tipo 1) 5º – Quando o moço entrou na sala 6º – Tudo mudou de feição. (tipo 1) (Leandro Gomes de Barros, em Juvenal e o Dragão)

Na SÉTIMA, há o seguinte esquema de rimas: rimam entre si as últimas palavras dos 2º, 4º e 7º versos (tipo 1). As últimas palavras dos 5º e 6º versos rimam emparelhados (tipo 2). O 1º e 3º são versos brancos, isto é, não rimam. 1º – O Grilo ficou trepado 2º – Temendo lobo e leões (tipo 1) 3º – Pensando na fatal sorte 4º – E recordando as lições (tipo 1) 5º – Que na escola estudou (tipo 2) 6º – Quando de súbito chegou ( tipo 2) 7º – Uns quatro ou cinco ladrões (tipo 1). (João Ferreira de Lima, em Proezas de João Grilo)

Principais tipos de rimas Rima soante ou consoante: quando rimam todos os sons a partir da vogal tônica. Exemplos: saúde + juventude verdade + bondade linda + infinda gramática + informática

certeza + mesa peça + essa compromisso + sumiço quis + feliz

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Rima rica: rima entre palavras de classes gramaticais diferentes. Exemplos: altar (substantivo) + cantar (verbo) dela (pronome) + bela (adjetivo) agora (advérbio de tempo) + chora (verbo) Rima pobre: rima entre palavras da mesma categoria gramatical. Exemplos: falasse (verbo) + gritasse (verbo) corajoso (adjetivo) + bondoso (adjetivo) horta (substantivo) + porta (substantivo) Rima aparente: como o próprio termo diz, parece que rima, mas não rima. Devemos evitá-la, pois “empobrece” o cordel. Exemplos: flor + chegou fugir + Piauí verso + peço ética + genérica cava + palavra Ceará + viajar café + mulher Brasília + cartilha

Observações As rimas ricas e pobres também se enquadram na classificação de rima soante, pois também rimam todos os sons a partir da vogal tônica. Uma rima rica ou pobre é, ao mesmo tempo, soante. As palavras que não têm a mesma grafia, mas têm o mesmo som no final também se enquadram como rima soante. Rima pobre não deve ser confundida com rima mal feita ou aparente. “Pobre” é apenas uma forma de classificação literária para o tipo de rima que ocorre entre palavras da mesma classe gramatical. No entanto, podemos usá-la sem prejuízo para a qualidade do cordel, pois “pobre” e “rica” são rimas perfeitas, que se enquadram na classificação de rima soante. Na verdade, o que empobrece um cordel, mesmo com rimas perfeitas, é a repetição do mesmo tipo de rima em estrofes seguidas.

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Dicionário de rimas Para facilitar a elaboração do seu cordel, uma boa dica é elaborar um dicionário de rimas. Você pode utilizar como referência as terminações das palavras-chave. A construção poderá ser coletiva. Esta atividade é ótima para ampliar o vocabulário e auxiliar no entendimento do uso de radicais, prefixos e sufixos na formação das palavras. Veja alguns exemplos: ENDA LENDA, FENDA, TENDA, PARLENDA, CONTENDA ÃO ASSOMBRAÇÃO, VISÃO, JOÃO, MALDIÇÃO, PERSEGUIÇÃO, APARIÇÃO UZ/US LUZ, CONDUZ, RELUZ, PRODUZ, DEDUZ, JESUS ALMA ALMA, CALMA, PALMA, DJALMA, ESPALMA EZA/ESA BELEZA, REALEZA, PRINCESA, CERTEZA, ANDREZA, CORRENTEZA ADE FELICIDADE, IGUALDADE, CIDADE, NORMALIDADE, BONDADE ÔNIO MATRIMÔNIO, PATRIMÔNIO, ANTÔNIO, DEMÔNIO, CAMPÔNIO ÍLIA FAMÍLIA, MOBÍLIA, CECÍLIA, BRASÍLIA IA LIA, MIA, DIA, QUERIA, SABIA, LUZIA, ACONTECIA UA LUA, PUA, NUA, CONCLUA, DILUA, FALCATRUA IZ BENDIZ, INFELIZ, PERDIZ, APRENDIZ, DESDIZ Dica: evite usar repetidamente as rimas formadas por terminações verbais, pois empobrecem o cordel: ER, ÃO. 29


Miolo – livreto a partir de 8 páginas (tipo fanzine) Essa opção é ideal para quem não tem acesso a programas gráficos de editoração. Possibilita a produção de folhetos com qualidade semelhante aos feitos em gráfica, utilizando equipamentos bem acessíveis: impressora comum e fotocopiadora. Os procedimentos a seguir são para um folheto de 8 páginas; caso deseje fazer um com 16, é só dobrar duas folhas em vez de uma e seguir o mesmo roteiro de produção. Lembre-se que as páginas devem ser aumentadas de 8 em 8 por vez, para que haja aproveitamento do papel. O número de estrofes é que determinará quantas irão por página. O número mínimo é de 8, uma a cada página. 1. Digite os textos produzidos utilizando o programa Microsoft Word, no corpo 12, fonte Arial, com entrelinha simples, e, em seguida imprima-os. 2. Para a matriz do miolo, dobre uma folha de papel tamanho A4, uma vez na horizontal e uma vez na vertical, encontre as pontas e “mate” o vinco para a dobra ficar perfeita. Depois dessa operação, numere com lápis na borda inferior de cada página dobrada, que deve ser do tamanho de um quarto do papel A4. 3. Em seguida, recorte a impressão e cole a composição dos poemas e os números nas páginas com a folha já aberta, seguindo a sequência da numeração e das estrofes. Observe a posição da numeração e centralize o texto recortado de acordo com os limites do vinco. 4. Apague as marcas de lápis ou cole os números das páginas (impressos à parte) em seu lugar. 5. Faça cópias (frente e verso) dessa matriz, na quantidade dos folhetos que desejar produzir. O papel usado nas cópias pode ser tipo apergaminhado ou Offset (cortado em formato A4) 6. Dobre as cópias da mesma maneira, explicada no início. 7. Refile com um estilete bem amolado, cortando o mínimo possível, apenas para eliminar a dobra do papel. 30

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Capa 1. Digite, na fonte de sua escolha, o título do cordel (corpo 18) e o nome do autor / autores (corpo 14). Imprima 2 cópias. 2. Para a matriz da capa, dobre uma folha de papel tamanho A4, uma vez na horizontal e uma vez na vertical, encontre as pontas para a dobra ficar perfeita. Uma folha A4 dá para duas matrizes, por isso pedimos 2 cópias do título e 2 dos nomes dos autores. 3. Cole na parte superior o título e na parte inferior o nome dos autores. No meio da capa, cole a cópia da ilustração previamente feita para esse fim (desenho, xilogravura), que deverá ser ajustada na fotocopiadora por meio do processo de redução / ampliação. Repita o processo nas duas capas que irão compor a matriz. 4. Faça cópias (só frente) dessa matriz, na metade da quantidade de folhetos que desejar produzir. O papel usado nas cópias pode ser tipo Color Set (na cor da sua preferência), ou papel Kraft, cortado em formato A4. 5. Separe as cópias com estilete, guiando o corte com uma régua (operação a ser realizada por um adulto). 6. Dobre ao meio.

Acabamento do folheto 1. Coloque o miolo dentro da capa. 2. Grampeie com o grampeador aberto, sob um pedaço de isopor, com a capa aberta e virada para cima. 3. Em seguida, vire e faça o remate dos grampos. Está pronto seu folheto! (operação a ser realizada por um adulto). Dica: para ilustrar seus folhetos de cordel, a xilogravura alternativa, com matriz feita em isopor, é prática, bonita, e fica bem parecida com a tradicional. Proceda assim: marque o desenho no isopor com o cabo de um pincel ou uma caneta esferográfica. Essa matriz vai funcionar como um carimbo: o que estiver em baixo-relevo vai ficar branco e o que estiver em alto-relevo vai ficar na cor da tinta utilizada na impressão. Caso deseje reproduzir a ilustração em cópias, a cor ideal é o preto. 31


Eu, Arlene Holanda, cresci ouvindo cordéis recontados por minha mãe, Pastora Holanda Maia, que, por sua vez, os lia em exemplares antigos, comprados na feira de Juazeiro do Norte por meu avô, Felismino Ferreira Maia. Foi nas asas do Pavão Misterioso o meu primeiro vôo pelo mundo fantástico do cordel, que tanto me encantou e ainda encanta. Juvenal também me impressionou bastante, com seu dragão e cachorros mágicos. Mas, as crianças desse meu tempo de criança não tinham tantas opções de divertimento. Por isso até entendo que as crianças de hoje se encantem com aventuras mais virtuais e interativas. A única diferença é que nos livros os personagens têm a cara que damos a eles em nossa imaginação, e por isso são mais nossos. Esse livro foi inspirado no meu encanto pelos cordéis e no meu filho Artur, um menino muito criativo, mas não muito fã de livros, digamos assim. Espero poder repartir essa aventura e esse mundo mágico com muitas crianças e adultos, que nunca deixaram partir de si a porção de encantamento que nos faz mais jovens e felizes. Dedico-o aos meus antepassados, que cultivaram o gosto pela poesia, e a esses autores maravilhosos que tão bem souberam traduzir essa semente de além-mar, fazendo-a florescer em terras nordestinas. O Fantástico Mundo do Cordel, lançado em 2005, foi meu primeiro livro para o público infantil e juvenil. De lá para cá, a produção cresceu bastante: tenho hoje mais de cinquenta obras publicadas, em estilos diversos: conto, romance, cordel, poesia, além de didáticos e informativos. Já ganhei alguns prêmios importantes e muitos dos meus livros estão em bibliotecas de todo o país. Também atuo como historiadora, ilustradora e produtora cultural.


Ao remexer nos guardados do avô, o menino Gabriel embarca numa fantástica aventura pelo reino do cordel, uma manifestação cultural que é patrimônio imaterial do Brasil.

10/05/2018

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noname

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O fantástico mundo do cordel  
O fantástico mundo do cordel  
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