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Programa de Valorização e Preservação do Patrimônio Imaterial

Cadernos do Patrimônio Imaterial Número 1

CAVALHADAS DE AMARANTINA

1ª Edição

OURO PRETO - MG 2016


PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO José Leandro Filho – Prefeito SECRETARIA DE CULTURA E PATRIMÔNIO Elisângela Rodrigues Araújo Mazzoni - Secretária SUPERVISÃO DE PROTEÇÃO E PESQUISA DO PATRIMÔNIO CULTURAL E NATURAL Ana Paula da Silva Paixão – Supervisora DEPARTAMENTO DE PROMOÇÃO CULTURAL E PATRIMÔNIO IMATERIAL Maria do Carmo Ferreira de Souza - Diretora PROGRAMA DE VALORIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL João Paulo Martins – Historiador


Cavalhadas de Amarantina – 2013 Foto: Fernando Helbert


Cavalhadas de Amarantina se apresentando em São Bartolomeu – 2015 Foto: João Paulo Martins


SUMÁRIO 1. Apresentação – Patrimônio Imaterial e Cavalhadas

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2. Festas e Cavalaria

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3. Cavalhadas em Minas e em Amarantina

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4. São Gonçalo em Amarantina

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5. Correndo Cavalhada

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6. Preparando a corrida

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7. O Campo das Cavalhadas

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8. A festa e suas outras manifestações

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9. As outras festas

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10. A música das cavalhadas

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11. Cavalhadas: conhecer e preservar

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Soldado Espinque, o Palhaço – 2015 Foto: João Paulo Martins


Patrimônio Imaterial e Cavalhadas

Tradição de origem portuguesa presente em diversas partes do Brasil, as Cavalhadas de Mouros e Cristãos mantêm-se em Ouro Preto no distrito de Amarantina, sendo a expressão cultural que mais identifica o distrito. Profundamente arraigada por laços locais de amizade e parentesco, as Cavalhadas passaram por diversas mudanças ao longo de seus séculos de história, mas sem perder seus aspectos fundamentais, principalmente o envolvimento de toda comunidade nos preparativos e execução da complexa festa que é indissociável das celebrações em honra de São Gonçalo, padroeiro do distrito. A Cavalhada de Amarantina é patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto desde 2011, quando se encerrou seu processo de registro. Manifestação marcante no município por sua ancestralidade e força no distrito de Amarantina, o processo de registro veio reconhecer essa importância e fortalecer ações para as suas divulgação, documentação e salvaguarda. Espalhada por todas as regiões do Brasil, as Cavalhadas de Mouros e Cristãos fazem parte da diversidade cultural brasileira sendo, as próprias cavalhadas, também bastante diversas em suas variadas formas de ocorrência. Ouro Preto já foi casa de outros grupos de cavalhadas que não mais existem. O grupo amarantinense, entretanto, é possuidor de uma vivacidade suficiente para, hoje em dia, possuir, de fato, três grupos: adulto, jovem e mirim. Assim, a presença histórica cheia de significados, bem como a vitalidade atual, capaz de agregar e dar identidade a toda uma localidade faz das Cavalhadas de Amarantina um patrimônio vivo de Ouro Preto! A presente publicação pretende contribuir para sua maior divulgação e conhecimento dos próprios amarantinenses e demais interessados.

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Embaixador Cristão, Galalão – 2015 Foto: João Paulo Martins


Festas e Cavalaria

A chegada da cavalhada em Amarantina ocorreu em data imprecisa. Segundo Natalino Madalena Filho, a festa remonta ao ano de 1758, por ocasião da inauguração da Igreja de São Gonçalo1 . Para o historiador, naquela época, a presença do regimento dos Dragões na região de Cachoeira do Campo, que se servia das pastagens abundantes da região para alimentar seus cavalos, concorreu para o aparecimento dos festejos à montaria nesta região. De fato, os jogos de cavaleiros têm uma trajetória no Brasil Português que coincide com cada passo da colonização. Jogos eqüestres, como as famosas “argolinhas”, foram bastante comuns na colônia, havendo relatos de suas realizações na América portuguesa desde o século XVI. As habilidades em cavalgar e suas exibições como precisão e destreza na cavalaria e no manejo de instrumentos visto nas embaixadas, corridas, argolinhas, etc. remetem à sociedade cavalheiresca, o que explica que vários praticantes desses jogos e encenações fossem, naquele tempo, oriundos da nobreza. Tradição oriunda de uma cultura medieval, a cavalhada também é indissociável de seu simbolismo religioso. A encenação de batalhas entre mouros e cristãos, com o desfecho da vitória do cristianismo tanto no campo de guerra quanto pela conversão de soldados muçulmanos à religião católica tem também um claro caráter de difusão da fé. Embora o texto base da encenação, bem como seus personagens sejam de origem francesa, é sintomática a importância que essa manifestação adquiriu na península ibérica devido às lutas de reconquista dos territórios frente aos mouros e, por extensão, chegasse às colônias ibéricas do continente americano. A História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França é um texto francês do século XII que foi extremamente popular no mundo ibérico, recebendo diversas edições, traduções e adaptações. No Brasil, além das cavalhadas e encenações de lutas entre mouros e cristãos, Carlos Magno e seus soldados continuam presentes também na literatura de cordel, muito comum no nordeste. Desde o século XV, as celebrações de entradas de monarcas portugueses recebiam em seus festejos várias encenações, dentre elas, uma representação de combates entre mouros e cristãos, relembrando os combates empreendidos, principalmente no norte da África e durante as Guerras de Reconquistas, quando os mouros foram, aos poucos, perdendo os espaços conquistados na Península Ibérica durante a Idade Média2. 1. MADALENA FILHO, Natalino. Amarantina conta a sua história. Ouro Preto (Amarantina): s/e; 2005. s. p. 2. SOUZA, Marina de Mello e. Reis Negros no Brasil Escravista: História da Festa de Coroação de Rei Congo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 34-35.

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Embaixador Mouro, Milão – 2015 Foto: João Paulo Martins


Representar embates como entre mouros e cristãos significava representar glórias do império português. Para os portugueses era de especial importância reforçar com festas e celebrações estas habilidades eqüestres. A imagem do nobre fidalgo lusitano era composta, dentre outros temas, por apresentações públicas em torneios à montaria3. Assim, onde surgiu colonização portuguesa na América, surgiram estas exibições. No levantamento historiográfico de Niomar de Souza Pereira, em Pernambuco, em 1584, houve registros de parelhas e jogos de argolinhas; na Bahia, em 1609, com a chegada do governador D. Diogo de Menezes; novamente em Pernambuco e também no Rio de Janeiro, na aclamação de D. João IV. Segundo este levantamento minucioso, à mesma época, em Pernambuco houve disputas – amistosas, interessante acrescentar – entre parelhas portuguesas e holandesas nos domínio de Nassau4. Na América jesuítica – reduções e nas missões do sul – os padres daquela ordem também encenaram com os índios guarani as batalhas cruzadas, de modo a incutir os valores do império aos novos vassalos de El Rey.

3. ANDRADE, Manoel Carlos. Luz da liberal e nobre arte da cavalaria. 1790 4. PEREIRA, Niomar de Souza. Cavalhadas no Brasil. De cortejo a cavalo a lutas de mouros e cristãos. São Paulo: Escola do Folclore, 1983, p. 17-35

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Chegada de tropas a Amarantina para os festejos de São Gonçalo e Cavalhadas – sem data Foto: Acervo da Associação de Cavaleiros Mestre Nico


Cavalhadas – Minas e Amarantina

Cavalhadas ocorreram em Minas Gerais desde a instalação das freguesias e paróquias dos setecentos, conforme infere o folclorista Saul Martins. Segundo ele, as mais antigas que ainda sobrevivem são: Morro Vermelho, Amarantina, Brejo do Amparo e Mateus Leme; e ainda, dignas de nota, Janaúba, Ribeirão das Neves, Justinópolis e Santana do Jacaré5. Na antiga Vila Rica, o registro da realização do Triunfo Eucarístico, em 1733, dentre outras encenações, narra a encenação de

“huma dança de Turcos, e Christãos, em numero de trinta e duas figuras, militarmente vestidos; huns, e outros, em igualdade dividos a hum Emperador, e Alferes; a estes conduziaõ dous carros de ex cellente pintura, e dentro acompanhavaõ musicos de suaves vozes, e varios instrumentos” 6,

A descrição remete às encenações primeiras das recepções festivas portuguesas e que se tornariam as Cavalhadas. Nas Cartas Chilenas, escritas pelo poeta Tomas Antonio Gonzaga, futuro inconfidente, também encontramos essa referencia de encenações festivas com cavaleiros:

Chegam-se enfim, as horas do festejo;

Entra na praça a grande comitiva;

trazem os pajens as compridas lanças

de fitas adornadas, vem a destra

os famosos ginetes arreados (...)7

5. MARTINS, Saul. Folclore em Minas Gerais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1991, p. 62-64. 6. MACHADO, Simão Ferreira. Triunfo Eucarístico. Lisboa: Na Officina da Musica, 1733, p. 47. (Reprodução digital). 7. Cf. GONZAGA, Tomas Antônio. Cartas Chilenas. Dominio Público.

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Cavalhadas de Amarantina – 2013 Foto: Fernando Helbert


Estas cartas circularam em Vila Rica entre 1788 e 1789. O poeta árcade, a propósito de ironizar o cenário político da sua época, menciona um acontecimento corriqueiro em forma de versos, a crônica usual daquele tempo. Bem sabemos que os melhores cronistas são as melhores referências dos hábitos e costumes da sociedade em que viveram. O Recreador Mineiro, a primeira publicação literária de cunho periódico que surgiu nas Minas Gerais, traz fragmentos de um ensaio poético sobre “Touros e Cavalhadas – que tiverão lugar em o anno passado nesta Cidade do Ouro Preto, por occasião da Festa do Espírito“8. Embora o relato tenha um cunho mais poético que descritivo, dele podemos retirar algumas informações importantes, como a existência de uma pomposa festa do Divino Espírito Santo em Ouro Preto no século XIX e sua associação à encenação de Cavalhadas de Mouros e Cristãos, semelhante ao caso de Pirenópolis. Conforme já dissemos acima, há uma incerteza acerca da chegada da manifestação à localidade, devido à falta de documentação. Segundo Natalino Madalena Filho e os relatos orais da localidade, as cavalhadas remontariam à primeira festa de São Gonçalo lá realizada, quando da inauguração da nova igreja, em 1758. A Cavalhada de Rio Vermelho (Caeté), por exemplo, surgiu em 1776, por ocasião da fundação da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, conforme a pesquisa de Saul Martins, o que torna a hipótese de Natalino Madalena Filho perfeitamente possível. No estudo da cavalhada amarantinense de Lázaro Francisco da Silva, escrito na década de 1980, encontramos o seguinte comentário: “não só Vila Rica teve o seu tempo áureo de cavalhadas. Também Mariana, Passagem de Mariana, Itaverava, Cachoeira do Campo (...)9. Pode-se ainda incluir o distrito ouropretano de São Bartolomeu, cuja memória de sua cavalhada ainda é presente em alguns moradores mais antigos. Em certa medida, Amarantina conta nos meses de setembro de todos os anos, uma parte da memória destes tempos inesquecíveis. Durante o século XIX, conforme correspondência enviada à Câmara de Ouro Preto, pelo festeiro Aureliano José de Brito Coelho, as cavalhadas haviam ficado sem ser realizadas durante alguns anos, entretanto, no ano de 1892, elas foram “restauradas” em homenagem ao então presidente da Câmara, Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcelos. A esta homenagem assim respondeu o político:

Penhoradissimo pela parte que esta benemerita freguezia se digna de conferir-me nos festejos annunciados para os dias 27 e 28 do

8. O Recreador Mineiro. Ouro Preto, t.1, n.6, 15 mar. 1845, p. 93-94. 9. SILVA, Lázaro Francisco da. Aspectos folclóricos II – Cavalhada de Amarantina. Mariana: UFOP/ICHS, 1986.

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Cavalhadas de Amarantina – 2013 Foto: Fernando Helbert


corrente [agosto], em honra do glorioso orago, S. Gonçalo do Amarante, summamente agradeço a fineza de restaurar-se em meu obsequio, a antiga diversão das corridas tão geral mente aplaudi- das acceitas nas tardes dos dias consagrados as solenidades reli - giosas; sendo-me muito grata a esperança de achar-me ahi présente,

se algum caso de força maior , superior à vontade, m’o não impedir10

Registra-se, também nesse momento, a última década do século XIX, a presença e importância do professor Antônio Vaz da Rocha, o Mestre Nico. Segundo seu neto, Noraldino Gonçalves da Rocha, morador do distrito de Amarantina, Antônio Vaz da Rocha era espanhol e teria conhecido as cavalhadas durante o tempo que viveu em Portugal11. No Brasil, foi morar primeiramente na cidade de Sabará, posteriormente veio para Ouro Preto e se fixou em Amarantina, em 1892, exatamente no ano da revitalização das cavalhadas do local. Ele era professor da classe dos meninos, daí o apelido de “Mestre Nico”. Embora não tivesse participado das encenações como cavaleiro, sempre ajudou na organização e parece ter sido um dos responsáveis pelo estabelecimento do texto conforme ainda hoje se executa. Acredita-se que desde então as cavalhadas não tenham mais se interrompido e, durante o século XX, a realização dos festejos em honra a São Gonçalo sempre tiveram o acompanhamento da tradicional encenação do confronto entre mouros e cristãos. Conforme nos explica Natalino Madalena Filho, até 1985, a festa religiosa de São Gonçalo era organizada conjuntamente às cavalhadas, sendo designados festeiros para cada função. Entretanto, nessa data, foi fundada a Associação de Cavaleiros “Mestre Nico”, que, desde então, é responsável pela organização das cavalhadas, com seus ensaios, uniformes e arrecadação de recursos para os festejos. Em 2005, a Prefeitura de Ouro Preto iniciou um programa de revitalização da festa, sendo realizada a reforma do campo e contratação de arquibancadas para o público. Nesse programa, procurou-se estimular entre os participantes o conhecimento mútuo de objetos e memórias das cavalhadas de Amarantina, bem como de outros lugares. Nesse sentido, com o apoio das prefeituras de Ouro Preto e Pirenópolis, vários realizadores das cavalhadas de Amarantina estiveram na famosa cidade goiana para acompanhar suas cavalhadas, traçar comparações e enriquecer a reflexão sobre sua manifestação local.

10. Arquivo Público Municipal de Ouro Preto, Livro de Registro de Ofício e Portarias (1892-1893), n. 0950, fl. 30. (Grifo no original). 11. Entrevista com Noraldino Gonçalves da Rocha. 1h 58 min. Amarantina – distrito de Ouro Preto; Júlia Indira Peixoto e Luis Carlos Teixeira; 15/12/2010. Acervo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Registro das Cavalhadas de Amarantina.

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Entronização da imagem de São Gonçalo no Campo das Cavalhadas – 2015 Foto: João Paulo Martins


São Gonçalo em Amarantina

São Gonçalo é, ainda hoje, um dos mais populares santos portugueses. O rei português D. João III foi um grande devoto do amarantino, incentivador de seu culto e foi quem iniciou a negociação em Roma para a sua beatificação. O mesmo monarca foi responsável pela construção do túmulo do beato e iniciador de seu processo de canonização junto a Roma. Outro processo de canonização foi aberto sob ordem do rei D. Sebastião. Entretanto até hoje a Igreja ainda o tem apenas como beato. A devoção popular portuguesa em torno de São Gonçalo é intensa desde os anos que se seguiram à sua morte. Devoção que, associada a vários outros aspectos populares se intensificou em Portugal e chegou ao Brasil. A data que celebra a festa de São Gonçalo é 10 de janeiro. Desde a Antiguidade Romana, nessa época, se comemoram as chamadas “Calendas de Janeiro”, festas com danças, músicas e comidas que celebram o início e reinício, o que a liga também às idéias de prosperidade e fertilidade. A idéia de fertilidade parece ter, no caso das mulheres, associado o culto ao santo a uma invocação do mesmo como casamenteiro12. Gilberto Freyre, no clássico Casa Grande & Senzala, elenca e analisa vários aspectos populares da devoção e festas em honra de São Gonçalo. O beato amarantino, assim como Santo Antônio e São João, era tratado com bastante intimidade pelos fiéis. Freyre analisa o relato que o francês La Barbinais fez da festa de São Gonçalo na Bahia, quando esteve nessas terras no século XVII:

A festa de São Gonçalo do Amarante a que La Barbinais assistiu na Bahia no século XVIII surge-nos com todos os traços dos antigos festivais pagãos. Festivais não só de amor, mas de fecundidade. Danças desenfreadas em redor da imagem do santo. Danças em que o viajante viu tomar parte o próprio vice-rei, homem já de idade, cer cado de frades, fidalgos, negros. E de todas marafonas da Bahia. (...) Violas tocando. Gente cantando. Barracas. Muita comida13.

A descrição acima revela também outro aspecto marcante da devoção, culto e representação de São Gonçalo: a música e a dança. Além de seu aspecto iconográfico mais 12. FERNANDES, Rui Aniceto Nascimento. Um santo nome: Histórias de São Gonçalo de Amarante.2000. Monografia (Bacharelado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000, p. 38-39. 13. FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2006, p. 329

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Adro da Matriz de São Gonçalo do Amarante adornado para a festa – 2015 Foto: João Paulo Martins


marcante – a ponte –, o frei dominicano de Amarante tem ainda uma outra representação, com uma viola e sem o hábito de sua ordem. É disseminada no Brasil também as manifestações da “Dança de São Gonçalo”. Ambos os aspectos remetem a outros eventos não diretamente associados a sua hagiografia, mas que acabaram se fixando nos usos e cantares de versos de sua dança. Esse aspecto, para um de seus biógrafos, o cônego Moreira, explica-se pelo fato do Frei Gonçalo ser “um exímio tocador de guitarra e possuidor de uma maravilhosa voz” e se utilizar desses métodos na “conversão e evangelização de seu rebanho”, o que faz com que também seja o padroeiro dos violeiros14. Quanto à iconografia do santo “vestido de cancioneiro e uma viola a tira colo”, parece ter sido uma incorporação realizada no nordeste brasileiro e que, posteriormente, chegou a outras partes do Brasil. Através dos versos cantados durante as execuções da Dança de São Gonçalo, percebe-se como essa imagem do frei violeiro ficou registrada na memória:

Virge Nossa Sinhora

Seja nossa interceição

Sarvem meu São Gonçalo

Cum sua viola na mão.

Aí está o meu São Gonçalo

E também sua viola

Nos perdoai nossos pecadu

I nos leve a eterna glória.

(...)

São Gonçalo está no altar

Com sua viola na mão

Quem beija o meu São Gonçalo

Com certeza ganha a salvação .15

14. FERNANDES, Rui Aniceto Nascimento. op. cit., p. 50-51. 15. Ibidem, p. 50

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Chegada da Dança de São Gonçalo no Campo das Cavalhadas – 2015 Foto: João Paulo Martins


Dentre vários versos populares com essa imagem, há ainda um que compara as duas representações do frade que, no fundo, é o mesmo para os fiéis:

São Gonçalo é milagroso

Na igreja foi reza

Sarve o São Gonçalo padre

E o São Gonçalo do Amará.

Aqui está dois São Gonçalo

Que devia se encontra

No vestuário são diferente

Mas no podê são íngua.

Aqui está São Gonçalo

Com sua viola na mão

Um anda de batina

Outro anda de carção16.

O local onde hoje se localiza o distrito de Amarantina recebeu, inicialmente, o nome de Tijuco, mas, ainda no século XVIII, passou a ser conhecido como São Gonçalo do Tijuco, agregando-se o nome do padroeiro da localidade. Esse fato denota a presença de devotos do frei dominicano, tão presentes em Portugal. Documentos acerca da primitiva capela de São Gonçalo do Tijuco datam inicialmente de 1729. Acredita-se que, após a reconstrução e aumento da capela, finalizada em 1758 tenham ocorrido festas em honra de São Gonçalo e realizadas as primeiras cavalhadas na localidade. No caso amarantinense, peculiaridades levaram a que a festa do padroeiro fosse realizada fora de sua data tradicional, 10 de janeiro. No distrito ouropretano, a força da cultura do alho fez com que com a festa fosse realizada em setembro, período posterior à colheita do produto, em que todos poderiam festejar e agradecer ao padroeiro do local. Ainda sobre essa produção, vale ressaltar que durante muitos anos foi realizada no distrito a Festa do Alho, que acontecia no mês de outubro.

16. Ibidem, p. 51

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Cavalhadas de Amarantina – 2015 Foto: João Paulo Martins


Correndo Cavalhada

A cavalhada é composta por onze cavaleiros de cada lado, mouro e cristão, somam-se a eles seus líderes, respectivamente, Almirante Balão e Imperador Carlos Magno. Os fardamentos são azuis, do lado cristão, e vermelho, do lado mouro. Entre os personagens destacam-se ainda os embaixadores, Milão, pelos cristãos, e Galalão, pelos mouros; o soldado cristão Guido de Borgonha e a princesa Floripes, filha do Almirante Balão. Baseadas em corridas e embaixadas, as cavalhadas encenam a reconquista cristã de área então sob domínio mouro. Durante a encenação ocorrem o reconhecimento mútuo dos inimigos; as ameaças militares e defesas de suas respectivas crenças religiosas; a guerra; e, por fim, a vitória cristã com o casamento de Floripes e conversão do rei mouro ao cristianismo. Em torno desse enredo há grande diversidade de representações pelo Brasil e mesmo outros países da América Latina e Península Ibérica. Como dito anteriormente, desde sua revitalização no final do século XIX, acreditase que as cavalhadas em Amarantina tenham ocorrido ininterruptamente. A transmissão e substituição dos cavaleiros tem respeitado, com algumas exceções, uma linhagem familiar e hereditária. Normalmente, mesmo os personagens – Carlos Magno, Balão e embaixadores – são substituídos dentro da própria família. Atualmente as cavalhadas são encenadas durante os três dias do final de semana da festa em honra a São Gonçalo em Amarantina. Sendo a cavalhada adulta dividida em duas partes, iniciando-se na noite de sexta e terminando na tarde de domingo. Já a tarde de sábado é preenchida pelo apresentação completa da Cavalhada Mirim. A programação festiva é feita integrando as encenações e ritos religiosos da festa de São Gonçalo. A abertura das Cavalhadas, na noite de sexta, por exemplo, se dá com o traslado da imagem de São Gonçalo que sai em procissão da igreja matriz, acompanhada pelos cavaleiros, e é entronizada no Campo das Cavalhadas, onde fica até o fim das encenações, no domingo.

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Cavalhada Mirim – 2015 Fotos: João Paulo Martins


Preparando a corrida

A cavalhada é composta por onze cavaleiros de cada lado, mouro e cristão, somam-se a eleAs Cavalhadas de Amarantina começam bem antes do final de semana festivo. Os ensaios preparativos dos grupos adulto, mirim e jovem iniciam-se com, pelo menos, um mês de antecedência. A preparação inclui ainda as ornamentações do campo e dos caminhos do distrito por onde circulam os cavaleiros. Em sua quase totalidade, esse trabalho é realizado voluntariamente pela comunidade local, tendo como coordenação a Associação de Cavaleiros Mestre Nico. O grupo de Cavalhada Mirim, criada em 1998, tem desempenhado, desde seu início, um importante papel na manutenção da tradição em Amarantina. Ela é uma oportunidade a mais para se assistir à corrida das cavalhadas de mouros e cristãos – normalmente apresentando-se na tarde do sábado festivo – e uma inserção de crianças e adolescentes amarantinenses no ciclo da Cavalhada. Ao completarem 18 anos, os membros da Cavalhada Mirim deixam o grupo e abrem espaço para outros. Essa dinâmica tem feito com que a presença de cavaleiros suficientes para a encenação não seja um problema, pelo contrário, o grande número de ex-participantes da Cavalhada Mirim possibilitou a criação de um terceiro grupo, a Cavalhada Jovem, que, em 2015, pela primeira vez se apresentou durante a Festa de São Gonçalo e Cavalhadas de Amarantina. Uma mudança que demonstra o sinal dos tempos e da força e vitalidade das cavalhadas. Floripes Única personagem feminina da luta de mouros e cristãos, a Floripes também é responsável por uma dinâmica própria na seleção da menina amarantinense que representará o papel. Durante muitos anos, a escolha anual da Floripes estava ligada a indicações dos cavaleiros, normalmente alguma menina de suas famílias ou amigas. Já há alguns anos, é feita uma lista de espera tanto para a Floripes da grupo mirim quanto do adulto. Interessante que como só há uma cavalhada por ano e o interesse das famílias de Amarantina em ver a filha participando é enorme, tem se tornado comum a inclusão de nomes de meninas logo ao nascer para que atinjam o topo da lista quando tenham idade para participar. Normalmente as Floripes da cavalhada mirim tem em torno de 10 anos e do grupo adulto participam meninas na faixa de 15 a 17 anos.

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Palanque do Rei e cercado do campo feito com pedaços de paus – sem data Fonte: Acervo da Associação de Cavaleiros Mestre Nico


O Campo das Cavalhadas

O atual campo das cavalhadas, popularmente conhecido entre os cavaleiros como “circo” ou “parque”, fica localizado na parte central do distrito de Amarantina. É cercado com pilastras de madeira e correntes de ferro, alternando as cores destes elementos entre vermelho e azul. Nas dependências deste campo existe baia para os cavalos, palanque para os dois reis (tribuna), palanque para os músicos e banheiros. À época da festa são armadas arquibancadas para o público e um palanque para as autoridades e demais convidados. O campo ainda conta com uma pequena ermida que, nos dias da cavalhada, recebe a imagem de São Gonçalo do Amarante. Este parque conta também com uma praça de alimentação. Segundo relatos dos antigos moradores e cavaleiros, as cavalhadas já foram realizadas em quatro campos diferentes. Inicialmente, ocorria em um campo localizado no “Grupo Velho”, atual escola estadual do distrito. Posteriormente, passou a acontecer em uma área acima do “Grupo Novo”, onde funciona hoje a escola municipal, e por lá ficou cerca de cinqüenta anos. Este campo era propriedade particular, sendo bastante simples, pois não oferecia a estrutura necessária aos cavaleiros, aos animais e nem ao público. Era armado e desarmado todos os anos pelos próprios cavaleiros, já que nenhuma estrutura era fixa como ocorre hoje. Era cercado com varas de bambus e os palanques para os reis e para a banda de música eram construídos com tocos de madeira. Não possuía arquibancada e o público assistia às encenações de pé, ao redor do circo. Insatisfeitos com o local pouco acolhedor, os cavaleiros decidiram mudar o campo das cavalhadas para outro terreno, pertencente ao Dr. Pessoa, da Palhinha, e por lá permaneceu até a década de setenta. Após esse período, ocorre a transferência para o atual campo das cavalhadas. Parque este que foi conquistado com o esforço da comunidade amarantinense e com o apoio do Prefeito Municipal daquela época, Dr. Benedito Xavier. O parque atual é propriedade da comunidade amarantinense e oferece melhor estrutura para que as cavalhadas aconteçam.

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Dança de São Gonçalo – 2015 Fotos: João Paulo Martins


A festa e suas outras manifestações

A celebração em honra a São Gonçalo e as tradicionais cavalhadas se dão de forma diversificada, visto que a festa não agrega apenas a corrida dos cavaleiros e as celebrações eucarísticas, mas também outros tipos de manifestações culturais. A Dança de São Gonçalo, a Dança de Fitas e a Folia de São Gonçalo são esses principais acontecimentos. A dança de São Gonçalo A dança de São Gonçalo se apresentava durante as cavalhadas com um grupo vindo da cidade de Ouro Preto. Contudo, este grupo deixou de se apresentar no distrito, e devido a essa necessidade, surgiu o grupo de Dança de São Gonçalo de Amarantina. A criação partiu da iniciativa de uma professora, que sentiu o desejo de se continuar com a dança dentro das cavalhadas, já que tal manifestação alegrava muita gente e sempre foi apreciada entre a comunidade. A história da dança conta que São Gonçalo, frade dominicano, saía à noite em trajes de violeiro a fim de convencer as prostitutas a deixarem essa vida e as encaminharem para um compromisso sério. Por esta razão, o santo também foi considerado casamenteiro, mas indicado para as mulheres mais velhas, já que as mocinhas eram responsabilidades de Santo Antônio! Por conta desta atitude, o santo se penitenciava colocando preguinhos em sua bota, já que aproximar-se dos prostíbulos era considerado um ato pecaminoso. O grupo era formado por doze meninas, que se trajavam feito noivas, com vestidos brancos rodados, véu, coroa e uma fita na cintura de cores diferentes para cada dançarina, ornamento que as distinguia como não mais virgens. O menino, que representava o São Gonçalo, usava roupa semelhante ao santo em sua iconografia de violeiro, com botas, calça, camisa de manga comprida, uma capa e um chapéu. A Dança de São Gonçalo apresentava-se na sexta-feira, primeiro dia das cavalhadas, inicialmente no adro da igreja, logo após a missa. Depois, o grupo passou a fazer suas apresentações quando ocorria a entronização da imagem de São Gonçalo no parque das cavalhadas

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Folia de São Gonçalo – 2013 Foto: Fernando Helbert


A Folia de São Gonçalo A Folia de São Gonçalo nasceu durante uma novena de Natal de 2003 e a partir disso o grupo sentiu a necessidade de compartilhar seu ímpeto de manifestação de fé através da música com a comunidade de Amarantina. No dia 6 de janeiro de 2004, aconteceu o primeiro cortejo do Grupo e desde então participam não só das folias de seis de janeiro, como também das Cavalhadas, acompanhando a procissão e cantando para entronização da imagem. Hoje o grupo é composto por cerca de vinte e cinco pessoas, das quais a grande maioria é mulher, muitas delas oriundas dos corais de Amarantina. Além do vocal caprichado, a folia conta com alguns sons como o da viola ou violão, timba, pandeiro, caixa e afoxé. A Folia de São Gonçalo se apresenta em dois cortejos oficiais que são sagrados para a Folia: o dia 6 de janeiro, quando o grupo sai com o Menino Jesus; e o dia da festa de São Gonçalo, pois acompanham a procissão que leva a imagem do santo até o campo das cavalhadas. O grupo costuma se reunir na capela de Santo Onofre, em Amarantina, onde o diversificado repertório é inventado e ensaiado. Ele é composto de canções próprias, músicas que homenageiam santos, principalmente São Gonçalo, e músicas de compositores brasileiros, como Milton Nascimento, por exemplo. Outra influência marcante no repertório é o grupo ouropretano Viola de Folia que inclusive cede suas canções para serem adaptadas e executadas pela Folia. Os objetivos do Grupo de Folia de São Gonçalo parecem se relacionar com a história de vida do santo, que seria o de propor a alegria e a cantoria. Portanto, alegrar os momentos de fé e dar ritmo à vida é a forma que a Folia escolheu para se manifestar, tanto nos cortejos em que visitam casas de família, quanto em procissões ou eventos culturais.

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Procissão da bandeira de São Gonçalo do Amarante – 2015 Foto: João Paulo Martins


As outras festas...

A Festa de São Gonçalo e Tradicionais Cavalhadas de Amarantina, como é normalmente tratada em seus cartazes e divulgações tem nesse próprio nome a indicação de suas duas grandes motivações: os ritos religiosos e as encenações dramáticas de mouros e cristãos. Motivações que, em muitos momentos estão profundamente interligadas. Além disso, comporta ainda uma “outra festa”, por assim dizer, tratando-se dos shows musicais e todo o comércio local que se movimenta paralelamente aos principais eventos. A “festa profana” tem tido intensa programação com apresentações de bandas nas noites do fim de semana festivo, normalmente após as celebrações religiosas e/ou encenações das cavalhadas. Durante todos os dias no o distrito, destacando-se a área do Campo das Cavalhadas e em torno da Casa Bandeirista (Casa de Pedra de Amarantina), há um intenso comércio de local, principalmente de comidas e bebidas, mas comportando também exposições e vendas de produtos de artesanato local. A memória e narrativa de moradores de Amarantina também registra as mudanças que aconteceram nesse tema festivo durante o tempo. Durante décadas, os famosos bailes das cavalhadas ocorriam nas noites de sábado e domingo. Normalmente havia, inclusive, um festeiro responsável pelo que se chamava de parte “social” da festa. Os bailes ocorriam no salão comunitário, que ficavam apinhados de gente até tarde da noite. As mudanças de gosto da juventude atual trouxeram essa parte social dos festejos para a rua, para os palcos montados junto ao Campo das Cavalhadas, onde também se montam as barracas e o restaurante das cavalhadas.

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Banda São Sebastião de Passagem de Mariana executando as quadrilhas das Cavalhadas – 2015 Foto: João Paulo Martins


A Música das Cavalhadas

As cavalhadas de Amarantina mantêm a execução, por meio de bandas da região, de suas tradicionais quadrilhas. Segundo Natalino Madalena Filho, a banda que mais participou da encenação das cavalhadas e que durante anos foi responsável pela conservação das partituras musicais foi a Sociedade Musical Euterpe Cachoeirense, do distrito ouropretano de Cachoeira do Campo, que participou das cavalhadas de Amarantina por mais de cem anos. Nos últimos anos, a Euterpe Cachoeirense tem encontrado dificuldades em participar dos festejos e outras bandas da região têm abrilhantado as encenações no Parque da Cavalhadas, como a Sociedade Musical São Sebastião, de Passagem de Mariana, e a Sociedade Musical União Itabiritense, da cidade de Itabirito. É comum que mais de uma banda acompanhe os festejos, sendo uma para acompanhar os toques das cavalhadas e outra para o acompanhamento da procissão da bandeira de São Gonçalo, no sábado à noite. De fato, acompanhar as cavalhadas exige bastante dos músicos das corporações musicais, que participam dos cortejos que levam e buscam a Floripes e tocam por cerca de três horas durante cada uma das encenações das corridas, na sexta, sábado e domingo da festa. Tal fato exige que as bandas tenham um número maior de músicos que possam revezar os instrumentos enquanto alguns descansam. Nos últimos anos, com a criação no distrito da Sociedade Musical União de São Gonçalo do Amarante, a banda local também tem participado dos festejos, integrando práticas culturais locais. Uma das propostas da revitalização da Banda de Amarantina tem passado exatamente pela formação de músicos e integração de seus toques aos festejos do distrito.

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Cavalhadas de Amarantina – sem data Fonte: Acervo da Associação de Cavaleiros Mestre Nico


Cavalhadas: conhecer e preservar

“Alô, alô Amarantina, neste momento sou o Imperador Carlos Magno!” Este pequeno trabalho resume a pesquisa de maior fôlego que compôs o dossiê de registro das Cavalhadas de Amarantina como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto. O objetivo dessa versão é proporcionar uma linguagem e forma mais acessíveis para a diversidade de público interessada no tema, bem como facilitar seu uso em práticas pedagógicas. Acreditamos, pois, que os inventários culturais cumprem um importante papel na garantia de direito à memória. Direito que se materializa nos registros em diversas mídias – audiovisuais, escritas, etc. – de práticas culturais que por anos se mantiveram principalmente através da oralidade. Direito que se fortalece quando cada vez mais membros da coletividade se apropriam dos saberes acerca da manifestação e, dessa forma, torna-se um instrumento de empoderamento para buscar a preservação de suas identidades. A preservação das Cavalhadas de Amarantina tem passado também por esse processo de busca de conhecimento acerca da própria execução da manifestação, de suas práticas passadas, de seus significados, e da forma como outras cavalhadas se reproduzem Brasil afora. Esperamos que aqui esteja uma contribuição para o conhecimento e preservação das Cavalhadas em Amarantina e participe da rede de saberes sobre as diversas encenações de lutas entre mouros e cristãos por essas terras. A Secretaria de Cultura e Patrimônio deixa um especial agradecimento à Associação de Cavaleiros Mestre Nico pela atuação na preservação de nossa cultura e pela parceria em todas ações de difusão e promoção das Cavalhadas de Amarantina!

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Cavalhadas de Amarantina – 2015 Foto: João Paulo Martins


BIBLIOGRAFIA FERNANDES, Rui Aniceto Nascimento. Um santo nome: Histórias de São Gonçalo de Amarante.2000. Monografia (Bacharelado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000. FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2006. GONZAGA, Tomas Antônio. Cartas Chilenas. Dominio Público. MACHADO, Simão Ferreira. Triunfo Eucarístico. Lisboa: Na Officina da Musica, 1733. (Reprodução digital). MADALENA FILHO, Natalino. Amarantina conta a sua história. Ouro Preto (Amarantina): s/e; 2005. MARTINS, Saul. Folclore em Minas Gerais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1991. O Recreador Mineiro. Ouro Preto, t.1, n.6, 15 mar. 1845. PEREIRA, Niomar de Souza. Cavalhadas no Brasil. De cortejo a cavalo a lutas de mouros e cristãos. São Paulo: Escola do Folclore, 1983. SILVA, Lázaro Francisco da. Aspectos folclóricos II – Cavalhada de Amarantina. Mariana: UFOP/ICHS, 1986. SOUZA, Marina de Mello e. Reis Negros no Brasil Escravista: História da Festa de Coroação de Rei Congo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.


Cavalhadas de Amarantina em São Bartolomeu – 2015 Foto: João Paulo Martins


FICHA TÉCNICA Pesquisa e elaboração do Dossiê de Registro das Cavalhadas de Amarantina (2011) João Paulo Martins Historiador Mauro Alberto do Espírito Santo Historiador Tarcísio Souza Gaspar Historiador Raquel Oliveira Historiadora Guilherme Ismar Nunes Ataídes Arquiteto Marcelo Enrik Assis da Silva Arquiteto Helenice Afonso de Oliveira Agente Administrativo/Arquivo Público Municipal Júlia Indira Peixoto Estagiária de História Luiz Carlos Teixeira Estagiário de História Cadernos do Patrimônio Imaterial n. 1 – Cavalhadas de Amarantina Edição João Paulo Martins Fotos João Paulo Martins Fernando Helbert Projeto gráfico, capa, diagramação e arte final Ludmilla Guimarães Novaes e Oliveira Colaboração Associação de Cavaleiros Mestre Nico

Cadernos do Patrimônio Imaterial - nº1 - Cavalhadas de Amarantina - Ouro Preto  
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