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RECONQUISTAR A

E N U

BOLETIM DE LUTAS

www.reconquistaraune.com.br

Por que um Boletim? Para os saudosistas da década de 60 que com frequência afirmam que há tempos os estudantes não estão mais no dia a dia das lutas Brasil a fora, dentro ou fora da Universidade, o movimento estudantil deu uma grande resposta no último semestre. Mostrou que não foram poucas as ocupações de Câmaras, Assembleias e Reitorias, demonstrando que a luta do movimento estudantil vai para além das Universidades, pois lutamos no combate à corrupção, pelo passe livre estudantil e na defesa do meio ambiente. Para nós da Reconquistar a UNE o movimento estudantil deve estar sempre nas ruas, ocupando reitorias, fazendo a luta junto, lado a lado, com cada estudante brasileiro, na defesa permanente de uma Universidade Pública, Democrática e Popular. Nesta perspectiva faremos o esforço p a r a n o m í n i m o b i m e s t r a l m e n t e publicarmos nosso boletim de lutas onde tornaremos público algumas das lutas que nossos militantes participam. Que este seja o primeiro de muitos. A boa luta nos espera. Tomaremos conta das universidades brasileiras!

ANO I

Nº 1

2013

Muita formação no Espírito Santo!

A Reconquistar a UNE-ES está em processo de reestruturação desde o último CONUNE ocorrido em Goiânia. Depois de algumas reuniões acerca da nossa atuação e organização, construímos uma coordenação estadual, objetivando ampliação da nossa base e construção no movimento estudantil capixaba. Fizemos atividades de formação com introdução ao Marxismo, o que é a UNE e sua importância, falamos sobre a Reconquistar a UNE, estivemos trabalhando os espaços de formação desde 22 de junho, porém a coordenação não tem parado de se reunir e debater a nossa atuação e linha política. Na última reunião feita dia 31 foi

extremamente representativa, tivemos a participação de estudantes de diferentes instituições de ensino e debatemos sobre Juventude e Política em diferentes realidades, reafirmamos também a importância da UNE enquanto entidade que representa os estudantes universitários no país e encerramos a reunião, mostrando um pouco do que somos enquanto Reconquistar a UNE. A nossa próxima atividade será promovida pelo CA de Serviço Social da Faculdade Salesiano de Vitória, no dia 16 de setembro, onde discutiremos sobre a Reforma Política. Paralelo a isso no Espírito Santo há dois anos discutimos sobre a importância de nos organizamos no movimento secundarista, visando a importância de fomentarmos o debate político e sociais, dos estudantes pertencentes a essa realidade e assim construindo uma base sólida para a Reconquistar a UNE. Em novembro promoveremos um encontro estadual de estudantes universitários e secundarista afim de discutir a educação no Espírito Santo e Brasil.

Toma posse nova diretoria da UEE-RS No dia 20 de agosto de 2013, na FEVALE, Novo Hamburgo-RS, tomou posse a nova diretoria da União Estadual dos Estudantes Livre – Dr. Juca. A mesma havia sido eleita após o Congresso Estadual da entidade, que aconteceu no mês de julho. A Reconquistar a UNE estará sendo representada em 4 cadeiras da entidade, sendo: Coordenação Geral, com o estudante de Engenharia Florestal, Marcos Vinicius Lazzaretti, da UFSM/Campus de Frederico Westphalen (FW), Vice-direção Centro Oeste, com a estudante de Serviço Social Bruna Surdi, da UFSM/Campus Santa Maria, Extensão Universitária, com o estudante de Relações Pública Geanmarcos Garcia Terra, da

UFSM/Campus FW e a estudante de Publicidade e Propaganda Daiane Corrente, da UNIJUÍ na pasta LGBT. Após a posse, nossos diretores da UEE-Livre estiveram reunidos com a Vice – presidente da UNE, Adriele Manjabosco, para planejar alguns pontos fundamentais para serem trabalhados no estado. Acompanharam também as discussões da fundação do DCE na URI/Campus Santiago, e na construção da Semana de Integração da Calourada, na UFSM, nos Campi de Palmeira das Missões e Frederico Westphalen, promovida pelo DCE-UFSM. Para o próximo período temos como desafios: fazer com que a UEE-Livre seja uma

entidade presente na vida dos universitários gaúchos, fazendo lutas concretas nas universidades, ampliar o debate e a luta em torno da regulamentação do ensino privado, pela assistência estudantil, articular uma jornada de lutas pelo passe livre em todas as cidades gaúchas que necessitem do mesmo, fazer com que o debate de gênero e LGBT esteja presente em todas as universidades, pautando o fim de toda a forma de opressão, fazendo a luta pela democratização das universidades. Enfim, os desafios são inúmeros e por isso queremos construir uma UEE-Livre que tenha a nossa cara e que sirva para a luta e para as/os estudantes gaúchos!


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ANO I

Nº 1

2013

11º Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual

No último mês de agosto, ocorreu em Matinhos-PR, no campus Litoral da UFPR, o 11º Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual (ENUDS). O encontro foi organizado pelo Coletivo Leque, com o tema "Fritando as políticas de enfrentamento ao heterossexismo. Fofocas e cochichos: Os rumores laterais" e teve participação de pouco mais que 500 pessoas. O ENUDS pode ser considerado como o principal espaço nacional de debate do movimento estudantil a respeito das questões de lésbicas, gays, bissexuais e trans (LGBT). No encontro, há possibilidade de debater além da política pública, indo para os debates também no campo teórico das questões LGBT. Também é um espaço de grande importância de desconstrução/reconstrução de valores e apoderamento da militância LGBT por se afastar das relações heteronormativas. Houve um grande avanço na compreensão e qualificação dos

espaços das culturais do encontro, sendo visível o empenho da Comissão Organizadora em buscar expressões artísticas contrahegemônicas e não heteronormativas. Nesse ano, houve apresentação de La Clinica, grupo composto por mulheres com dança e música da África ocidental, Visiona, com música eletrônica lésbica feminista, Baphão Queer, de performances e artes visuais de combate a homofobia e as MCs cubanas Krudas Cubensi. Lamentamos que ninguém da direção da UNE esteve presente nessa última edição, nem mesmo do setor de diversidade. Isso faz com que a entidade seja desconstruída no encontro, colocando-se que a pauta não é de relevância para a UNE. É de suma importância que a direção da UNE esteja presente para contribuir na organização estudantil nacionalmente e pautar a construção de uma educação para a diversidade.Nessa edição, foi aprovado na plenário final que a Comissão Nacional (CN) agora passasse a ser composta por coletivos de cada estado, não mais apenas por indivíduos, o que podemos considerar um grande avanço por se levar em consideração a configuração atual do movimento e valorizar a organização coletiva. Isso foi possível por uma grande articulação para levar a proposta para o espaço de Rumos e Perspectivas, onde são construídas as propostas para a plenária final. A próxima sede do ENUDS será em Fortaleza, com indicativo para ser de 13 a 18 de junho, durante os jogos da Copa. O ENDUS deve ser um espaço priorizado pela nossa militância por seu potencial na disputa contra-hegemônica da universidade e por contribuir na construção de uma sociedade socialista. Se não há socialismo sem feminismo, também não há socialismo com homofobia!

Oposição vence 39º Congresso da UEP Aconteceu de 14 a 16 de JUnho na cidade de Caruaru o 39° Congresso da União dos Estudantes de Pernambuco. Sem dúvidas, o mais histórico congresso da UEP desde sua refundação. Mais histórico porque foi a primeira vez, desde 2005, que uma articulação das oposições conseguiu fazer de sua unidade, a maioria do Congresso. Vitória dos estudantes pernambucanos e da democracia! Com o Congresso da UNE e a consolidação do Campo Popular como alternativa de direção pela oposição, voltamos para Pernambuco convictos da intervenção deste campo também no Congresso da UEP, sendo aqui, com a unidade petista. E as discussões apenas seguiram avançando, somando-se ao campo os camaradas da tese Rebele-se (PCR), estabelecendo assim um cenário de oposição unificada. Foram dias aprofundando as questões da política; nossas divergências, convergências, consensos e dissensos, ao ponto de termos uma política para a UEP que traduzisse e fosse a expressão do que construímos: um movimento democrático de reconstrução da entidade pela base. A avaliação sobre a possibilidade de vitória mostrou-se correta. Ao final do credenciamento a frente de oposição já havia retirado mais de 120 Crachás, enquanto que a UJS e seu único aliado remanescente com delegados (PTB) ainda não haviam chegado a 80. Nestas circunstâncias, operaram a já esperada fraude. Bloquearam o acesso as listas de votações e a contagem do número de crachás. Instauraram a plenária final e deram início aos trabalhos da mesa. Não topamos participar daquela plenária sem sabermos quantos crachás foram retirados e sem conferir a lista de credenciados. Eles tinham o controle absoluto da CEECO e da estrutura do Congresso. Com evidente maioria, nos retiramos do Plenário. Partiram para a pancadaria.

Alguns companheiros saíram feridos. Mas não compramos a briga. Instauramos de imediato uma nova plenária final conduzida pela Vice-presidente da entidade. Fizemos nova ata de credenciamento. Reinscrevemos nossa chapa. Votamos. 129 votos!!! Desta maneira, com muita, mas muita luta, foi eleita a nova diretoria da União dos Estudantes de Pernambuco, a histórica e aguerrida UEP-Cândido Pinto. Uma entidade que se renova e demonstra que é possível fazer diferente e fazer melhor quando se têm vontade política. Inicia-se agora um novo período no movimento estudantil pernambucano, que sem dúvidas mudará os rumos da história. Com a certeza de que novos tempos se avizinham, abriremos alamedas de lutas para passarmos!


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ANO I

Nº 1

2013

Mulheres Estudantes em marcha: contra o machismo, capitalismo e patriarcado

Mais de mil mulheres, de todos os continentes, de todos os cantos do Brasil estiveram reunidas no Encontro da Marcha Mundial de Mulheres. Feministas trabalhadoras, sindicalistas, camponesas, negras, indígenas, lésbicas e jovens demonstraram a pluralidade de um movimento de massas, sem dúvida a maior organização feminista mundial. Nós militantes da juventude petista, do movimento estudantil e da Reconquistar a UNE também marcamos presença do encontro. Tivemos a oportunidade de participar de inúmeros debates, alguns mais gerais retratando a conjuntura da luta das mulheres em âmbito mundial, acerca das teorias feministas, e outros temáticos como de educação, mercantilização dos corpos, prostituição, soberania alimentar, acesso ao território... Em cada espaço se reafirmavam princípios de um movimento anticapitalista, anti-imperialista, anti-neoliberal, e socialista. Podemos perceber que diferentemente de muitos movimentos feministas que acabam caindo no pós-modernismo, na exacerbação de “liberdades individuais”, a MMM tem reforçado seu caráter classista. Enquanto a visão pós-moderna nega a luta de classes pressupondo a impossibilidade da superação do modo de produção capitalista, concebendo os “novos movimentos sociais” como lutas fragmentadas, a concepção feministasocialista alia a luta feminista a luta contra qualquer tipo de dominação e exploração e a necessidade de outro modelo de sociedade. Além de ser um momento de aprendizagem, o encontro foi um momento de reflexão acerca da nossa auto-organização como mulheres e de estar travando o debate feminista em todos os espaços em que atuamos. Enquanto estudantes estamos inseridas em um espaço que perpetua o status-quo reproduzindo os valores e as ideologias dominantes e hegemônicas na sociedade. As universidades reproduzem a desigualdade de gênero cotidianamente. Percebemos isso toda vez que sofremos opressão na sala de aula, quando somos consideradas “menos inteligentes e capacitadas” pelo simples fato de sermos mulheres, quando uma estudante precisa largar os estudos porque não tem onde deixar seu filho, quando nosso ensino não aborda questões de gênero, quando formam-se profissionais que vão reproduzir a opressão de gênero no restante da sociedade. Sabemos porém, que o processo de constituição da Universidade é um processo contraditório que permite a abertura de brechas em favor da disputa por alternativas educacionais diferentes e emancipadoras. Assim cabe ao movimento estudantil e as estudantes feministas aliando-se aos demais movimentos sociais

da classe trabalhadora, aprofundar a luta por uma educação libertadora, que caminhe na contramão da lógica capitalista e patriarcal. Esta disputa não perpassa apenas pelo âmbito acadêmico, da produção científica e teórica, como também e principalmente pela organização de movimentos feministas no âmbito da própria universidade. Nos últimos anos um número expressivo de mulheres tem se organizado, formando coletivos e grupos de mulheres. No entanto percebe-se um distanciamento das organizações tradicionais do movimento estudantil (UNE, UEE´s, DCE´s e CA´s), o que de certa forma acaba por distanciar a luta feminista da luta mais geral de disputa da universidade. Acreditamos que este distanciamento ocorre, principalmente, pelas próprias entidades colocarem o debate de gênero em segundo plano, como também pela sua estrutura arcaica que impossibilita a criação de espaços mais amplos de participação. Na UNE, por exemplo, a pauta de gênero tem ficado restrita à diretoria de gênero, encontrando pouco espaço na entidade como um todo. Este descaso torna-se evidente quando no último Encontro de Mulheres Estudantes – EME, que ocorreu em período completamente desfavorável à mobilização: época de mobilização para o congresso da UNE. Além disso, acreditamos que o debate gênero não pode ficar restrito a uma diretoria, nossas entidades precisam procurar formas de incluir essas estudantes que tem se organizado nas universidades, ampliando sua base social e fortalecendo suas lutas. Ao presenciar a grande quantidade de mulheres estudantes na MMM percebemos a necessidade de nossa auto-organização, de uma maior inserção no movimento feminista, e de com apoio de nossos companheiros estar pressionando nossas entidades para uma maior centralidade nesta luta. Destacamos cinco motivações acerca da necessidade de autoorganização das mulheres no ME: 1. Pela necessidade de fomentar o debate no Movimento estudantil visto que o machismo também é reproduzindo nos movimentos sociais. 2. Para pressionar nossas entidades por uma nova cultura política capaz de incorporar as organizações e as lutas feministas. 3. O feminismo também é uma concepção em disputa, inclusive sendo apropriado por ideologias neoliberais e neoconservadoras. Nós que acreditamos em um feminismo classista e socialista, temos o papel de estar disputando politicamente e ideologicamente. É necessário formação política e muito estudo para que possamos defender nossas concepções qualificadamente. 4. Por meio da luta feminista é possível ampliar a relação do movimento estudantil com os movimentos sociais da classe trabalhadora, como o movimento de mulheres camponesas, sindicais, ecologistas entre outros. 5. Por fim, ressaltamos que a construção de uma universidade democrática e popular perpassa pela superação da desigualdade e opressão de gênero, que está interligada a luta por outro modelo de universidade: pública, de acesso universal e gratuito, socialmente referenciada, emancipadora, que combata todas as demais formas de opressão. Seguiremos em marcha. Até que todas e todos sejamos livres!


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ANO I

Nº 1

2013

Encontro Nacional dos Estudantes do PT juventude da Articulação de Esquerda marcou presença em todos os espaços, nas intervenções e contribuiu para que o encontro tivesse em seus textos e resoluções posições que reflitam a opinião crítica dos estudantes petistas, com destaque para as moções em defesa da Reforma Política e das Comunicações.

De 13 a 15 de Setembro na Escola de Formação da CUT em Contagem-MG ocorreu o Encontro Nacional de Estudantes do PT. Com mais de cento e cinquenta participantes entre delegadas/os e observadores, a estudantada se lançou sobre o balanço dos 10 anos de Governo do PT para a educação; a educação que queremos para o Brasil e os desafios da Conferência Nacional de Educação; e debateu sobre Movimento Estudantil, sua concepção e a organização dos estudantes petistas em seus espaços. O encontro foi marcado também pelo debate sobre as mobilizações das chamadas “Jornadas Junho” que contou com a presença do candidato a presidente nacional do PT pela Chapa “A Esperança é Vermelha”, o companheiro Valter Pomar. Com representantes de diversos estados, a militância da

Ressaltamos a grande homenagem feita em memória do companheiro Luiz Gushiken, falecido na noite de abertura do Encontro. A este homenageamos com a Carta aos Estudantes do PT, que leva o seu nome e é um dos principais documentos produzidos, que pode ser conferida na página www.pt.org.br.

VER SUS – Santa Maria

Organizado por estudantes e com participação de estudantes de diversas áreas do conhecimento, os VER – SUS Santa Maria ocorreu de 2 a 12 de agosto, proporcionado o contato com a realidade da saúde, da educação e da sociedade. Com a proposta de ser um contraponto à educação tradicional em saúde, fragmentada e distante da realidade da população e do SUS, o VER-SUS foi construído pelo movimento estudantil articulado com outros movimentos sociais visto que é por esse viés que se percebe e trabalha a realidade. De caráter interdisciplinar, estudantes de diversas áreas trocaram saberes e olhares buscando compreender qual a função do Estado, da Universidade e seu papel frente à realidade e aos problemas

sociais com que se deparam. Com o VER-SUS, espera-se a criação de novas relações de compromisso e de cooperação entre estudantes, gestores da saúde, instituições de ensino superior e movimentos sociais, para efetivar a integralidade em saúde e a educação significativa de profissionais comprometidos com as necessárias mudanças no SUS e na sociedade. Os estágios de vivências no SUS propiciam aos estudantes um outro espaço de aprendizagem e um outro modo de exercício da educação permanente em saúde. O trabalho na saúde é entendido como dispositivo educativo e espaço para desenvolver processos de luta dos setores no campo da saúde, possibilitando a formação de profissionais comprometidos ética e politicamente com as necessidades de saúde da população. Entre os dias 15 a 17 de novembro estará ocorrendo o Encontro Estadual do VER SUS, na UFSM.


Boletim Nº1 - Reconquistar a UNE  
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