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“Guerra Contra O Mercúrio” Revista Ciência Hoje, 26 de maio de 2011 Natalia Campilongo, Nurya Ambar e Fernanda Del Nero.

Resumo Crítico “Mercúrio: O Mal Bem Mascarado” Desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Fenômenos de Interface do Programa de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), um novo sistema promete eliminar o mercúrio de efluentes líquidos ou gasosos, reduzindo os riscos do metal retornar ao meio ambiente. O programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê o aumento de 1480 toneladas em 2005 para cerca de 1850 toneladas em 2020. Sendo a maior parte emitida pela queima de combustíveis fósseis e processos industriais, o mercúrio é um dos metais mais prejudiciais à saúde humana. O vapor de mercúrio é aspirado sem que a pessoa perceba e entra no organismo através do sangue, instalando-se nos órgãos. Uma vez absorvido, o mercúrio é passado ao sangue, e oxidado, formando compostos solúveis. À medida que o mercúrio passa ao sangue, liga-se às proteínas do plasma e nos glóbulos vermelhos do sangue distribuindo-se pelos tecidos, concentrando-se nos rins, fígado e sangue, medula óssea, parede intestinal, parte superior do aparelho respiratório, glândulas salivares, cérebro, ossos e pulmões. As vias mais comuns de contaminação são a respiração e ingestão de água ou organismos marinhos, podendo ocorrer também por absorção cutânea, se houver ferimentos no local. A intoxicação por mercúrio pode apresentar sintomas como modificações na cavidade oral - gengivite, salivação excessiva e estomatite -, aparecimento de tremores e alterações psicológicas, dispnéia, febre, cefaléia, diarréia, cólica abdominal e diminuição da visão.


O ponto mais crítico da poluição através do mercúrio é que esse não é degradável. Mesmo após a interrupção da sua utilização, ele ainda ameaça a saúde humana porque ocorrem processos de transformação no meio ambiente. Este problema afeta principalmente as populações ribeirinhas, que se alimentam basicamente de pescado, sua principal fonte de proteínas. Veja o esquema abaixo para visualizar o esquema ilustrativo dos processos químicos, físicos e bioquímicos que ocorrem com o mercúrio após a sua emissão no meio ambiente.

Esse novo sistema conta com aspectos semelhantes ao já utilizado. Tratase de uma coluna de adsorção na qual uma substância sólida – chamada adsorvente se liga por contato com o mercúrio (que é líquido), eliminando-o do material a ser ‘purificado’. Porém, a diferença entre os dois tipos de sistema, é que o inovador conta com um diferente adsorvente: uma substância à base de fosfato, enquanto o sistema tradicional utiliza um adsorvente à base de carvão. O processo de adsorção é a retenção de moléculas presentes em um fluido (moléculas de adsorvato) a uma superfície sólida (o adsorvente) devido à atração entre eles. Nela, as moléculas do fluido unem-se à superfície do adsorvente através de ligações químicas (nesse caso sofrem interação iônica) A interação entre as moléculas dependerá das propriedades das substâncias em contato. A substância à base de fosfato apresenta maior estabilidade, pois tem uma ligação mais estável com o mercúrio, fazendo com que seu retorno ao meio ambiente seja menor. Já a adsorção entre o carvão e o mercúrio gera uma interação mais fraca, o que sugere que, com o tempo, o metal retornará com mais facilidade ao meio ambiente.


Mesmo estável e mais seguro, ainda enfrentamos o problema de armazenamento de mercúrio, já que de acordo com a coordenadora do projeto, ''não se sabe exatamente como as empresas gerenciam o resíduo tóxico''. A questão do armazenamento de mercúrio ainda é muito discutida, porque mesmo com esse novo sistema que reduz o retorno de mercúrio ao meio ambiente, ele não é 100% eficaz. Como visto anteriormente, o metal retorna, mesmo que em pequenas proporções, para o meio onde vivemos, e isso é um problema porque a inalação de mercúrio ocorre muito facilmente, muitas vezes sem que percebamos. A parte vantajosa dessa história é que o mundo está voltando olhares para essa questão, já são discutidos acordos a serem assinados em 2013 para que haja uma legislação específica para esse despejo e armazenamento de dejetos de mercúrio no meio ambiente. O novo sistema feito por Vera Salim e Neuman Resende já possui oito anos de duração e é patrocinado pela Petrobras.

Referências Bibliográficas


Intoxicação Por Mercúrio, Disponível em: http://www.lookfordiagnosis.com/faq.php?term=Intoxica %C3%A7%C3%A3o+Por+Merc%C3%BArio&lang=3 Acesso em 15 Mai. 2011. Mercúrio (elemento químico), 15 de maio de 2011, Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Merc%C3%BArio_%28elemento_qu%C3%ADmico %29#Riscos_.C3.A0_sa.C3.BAde Acesso em 17 Mai. 2011. Adsorção, 08 dez. 2010, Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Adsor %C3%A7%C3%A3o Acesso em 17 Mai. 2011. TÉLIS, Thaís. O mercúrio, a saúde e o meio ambiente: atenção no dia-a-dia. São Paulo, 01. Mar. 2007. Disponível em: http://www.fleury.com.br/Clientes/SaudeDia/RevistaSaudeEmDia/Pages/8Cuida docomomerc%C3%BArio.aspx Acesso em 16 Mai. 2011. CARVALHO, Júlio. Diferentes Interações Entre Moléculas. Paraná, Disponível em: http://educacao.uol.com.br/quimica/adsorcao-diferentes-interacoes-entremoleculas.jhtm Acesso em 18. Acesso em 18 Mai. 2011.

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