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“Álcool com energético aumenta chance de ferimento” Terra.com.br, 05 de novembro de 2007, BBC Brasil, Notícias

“Misturar álcool com energético é um perigo para o coração, alertam cardiologistas” Uol.com.br, 05 de março de 2011, Carla Prates, Ciência e Saúde

Felipe Falcão Pereira Augusto Rodrigues de Oliveira

A mistura de bebida alcoólica com energético aumenta o risco de acidentes e é maléfica para o coração Quem nunca saiu de uma festa sem ter ingerido uma quantidade significativa de bebida alcoólica ou de energético? E de ambas ao mesmo tempo? É disso que trata a pesquisa realizada na Universidade de Wake Forest nos Estados Unidos.

Aproximadamente 4.700 estudantes foram

entrevistados e os dados revelaram que cerca de 30% deles consomem álcool em ocasiões especificas e que, dentre esses, cerca de 36% ingerem bebidas energéticas ao mesmo tempo. Além disso, de acordo com estimativas calculadas por especialistas, as chances de ocorrência de acidentes graves, decorrentes de violência e má condução de veículos, praticamente dobram, caso álcool e energético sejam ingeridos mutuamente. Segundo cardiologistas, a mistura também propicia o descompasso de batimentos cardíacos (arritmias) nos consumidores, já que os compostos atuam de maneira prejudicial no principal músculo do coração (miocárdio): eles aceleram os batimentos cardíacos e causam hipertensão temporária em virtude


da cafeína (culmina na dilatação dos vasos sanguíneos, obrigando o coração a bombear o sangue com mais força) do energético, principalmente. Percebeu-se também que a influência dos compostos do energético e, majoritariamente, do álcool se dá de maneira diferente dependendo da faixa etária do consumidor: quanto mais jovem ele é, mais sensível aos efeitos desses produtos. Mas, afinal, por quê? O energético intensifica os efeitos de embriaguez do álcool (perturbação dos sentidos), porém, ao mesmo tempo, “mascara” os mesmos. Isso fornece ao indivíduo a sensação de ainda estar apto a realizar atividades como a condução de um veículo, e como os efeitos de sonolência do álcool são inibidos, o consumidor acaba por ser estimulado a ingerir uma quantidade de álcool excessivamente maior do que a recomendada. A pessoa que consome a bebida e energético ao mesmo tempo também desenvolve uma tendência de consumir álcool mais frequentemente e em maiores proporções. Como relatado anteriormente, a união dos elementos presentes nos energéticos com o álcool resulta na formação de uma bebida altamente estimulante e que, por sua vez, altera os sentidos de percepção do indivíduo. Primeiramente, um desses compostos do energético é a cafeína. Ela é um diurético natural, ou seja, pode causar desidratação (perda excessiva de líquidos do corpo), e é responsável por aumentar o estado de “vigília” do indivíduo, diminuindo a fadiga (que pode ser ocasionada pelo álcool) e elevar a frequência cardíaca para acima do normal. Seu consumo em grandes quantidades pode levar ao vício, crises de insônia, ataques epiléticos, derrame cerebral e até morte decorrente de problemas pré-existentes no coração. Outro composto é a taurina, um aminoácido presente em carnes. Embora não se conheça até então as consequências de seu consumo em longo prazo, foi constatado que, quando ingerida com o álcool, potencializa a influência estimulante da bebida alcoólica e atenua o efeito depressor dela. Por último, e não menos importante, o inositol é um isômero da glicose (possui o mesmo número de átomos do mesmo tipo na estrutura da molécula)


que melhora a comunicação cerebral e, portanto, basicamente “aumenta” a inteligência temporariamente quando ingerido em quantidades corretas. Levando em conta que o assunto relacionado à mistura de bebidas alcoólica e energética não se trata apenas de seus aspectos químicos e seus efeitos fisiológicos, é importante ressaltar o tema a partir das visões política e econômica, uma vez que ambas ocultam os possíveis riscos à saúde pública e as medidas que podem ser tomadas para prevenir os mesmos. O fabricante da Red Bull (ícone das marcas de bebidas energéticas do mercado mundial, desde a década de 80) afirmou que, quanto à mistura direta com o álcool, a cafeína, a taurina, o inositol e algumas outras substâncias não interagem com ele, sendo a bebida conhecida como Red Bull, então, inofensiva em tais situações. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) concorda com o fabricante. O que normalmente se desconhece é que a venda dos energéticos da marca Red Bull é a maior de todas na Europa, e que, depois dos resultados obtidos com as pesquisas realizadas nos Estados Unidos, tem de se questionar quanto à veracidade da afirmação do fabricante, bem como quanto à concordância da EFSA. Isso porque o objetivo da indústria Red Bull é manter uma grande quantidade de estoques de venda na Europa, e afirmar que a bebida pode ser maléfica em determinada situação não seria saudável para seus negócios. O mesmo ocorre no Brasil. Considerando que, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes (ABIR), o crescimento entre 2006 e 2010 das vendas de bebidas energéticas foi superior a 300% no país. O governo de qualquer país do mundo com grande mercado quando se diz respeito à venda e à compra de energéticos deveria se preocupar mais com a saúde da população. Como citado anteriormente, o consumo de álcool e, em especial, da mistura álcool-energético, é muito mais prejudicial a jovens (inclusive os menores de idade). Então, o governo deveria tomar medidas para impedir que essas bebidas cheguem facilmente às mãos desses “pequenos” consumidores. Entre elas, as principais seriam a conscientização da população dos riscos decorrentes do consumo da mistura, e o patrocínio de pesquisas


que possam vir a comprovar e aprofundar, no futuro, os resultados já obtidos nos Estados Unidos.

Referências Bibliográficas  http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-

noticias/2011/03/05/misturar-alcool-com-energetico-e-perigoso-para-ocoracao-e-predispoe-ao-alcoolismo.jhtm  http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2050080-EI8147,00.html  http://jornalcidadeonline.blogspot.com/2011/04/bebidas-energeticas.html  http://super.abril.com.br/alimentacao/bebidas-energeticas-447155.shtml  http://www.artigonal.com/medicina-alternativa-artigos/os-perigos-das-

bebidas-energeticas-em-crianças-e-adolescentes-960513.html

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