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‘Greenpeace pede à Dilma fim do uso da energia nuclear no Brasil’

Folha.com, 18 de março de 2011 Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/890553-greenpeacepede-a-dilma-fim-do-uso-da-energia-nuclear-no-brasil.shtml > Acesso em 27/03/2011.

‘Brasil X Radiação’

Por Beatriz Ferreira da Silva Maria Thereza Rodrigues

Recentemente, membros do Greenpeace protestaram em Brasília pedindo à presidente Dilma Rousseff a suspensão da construção da usina nuclear Angra III, que o governo brasileiro considere outras tecnologias de obtenção de energia que não tenham tantos riscos para a saude e levem consigo o desenvolviemento sustentavel, as chamadas “energias limpas”. Esse protesto foi motivado pelo acidente nuclear na usina de Fukishima no Japão e pelo cancelamento do funcionamento de usinas nucleares na Alemanha. Quais são as usinas brasileiras e como elas produzem a energia nuclear? A energia nuclear é a melhor alternativa para o Brasil? A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é o complexo que engloba as usinas nucleares brasileiras Angra I, Angra II e a futura Angra III. A Eletrobrás Eletronuclear, uma grande empresa multinacional produtora de energia, possui esse complexo que foi fundado em 1982. A produção de energia nuclear no Brasil vem sendo discutida desde 1950, e mesmo assim a tecnologia brasileira ainda é muito escassa e algumas etapas do enriquecimento de Urânio são feitas fora do país.


O Brasil possui a sexta maior reserva geológica de Urânio do mundo, um elemento radioativo que pode ser aproveitado na produção de energia. Depois de extraído da mina, do minério de Urânio é extraído o concentrado U 3O8, também conhecido como Yellowcake. Esse concentrado possui esse nome pois todos os compostos secundários de Urânio possuem uma cor amarela característica. O processo de enriquecimento do U 3O8 consiste em, primeiramente, transformar o sólido no gás UF6, para que a concentração de U-235 aumente no composto, aumentando seu valor energético. Porém, o Brasil ainda não possui tecnologia para realizar essa etapa, tendo que contar com a disponibilidade e tecnologia de outros países para realizá-la. As demais etapas do processo são realizadas no Rio de Janeiro. O gás é reconvertido em pó de Dióxido de Urânio (UO2) e prensado em pastilhas para a produção do elemento combustível para os reatores das usinas em Angra. Outro importante problema ainda não considerado é a formação de lixo nuclear. Depois de aproximadamente um ano fornecendo energia, as pastilhas de Urânio enriquecido precisam ser substituídas. Essas pastilhas são consideiradas de alto potencial de contaminação e nenhum país no mundo sabe ao certo uma medida totalmente segura de armazená-las até que a desintegração do elemento e os níveis radioativos não sejam nocivos à saude. No Brasil, o lixo nuclear é armazenado dentro da própia usina ou em fossas geológicas na região. Em um depósito geológico, o lixo radioativo pode ser armazenado por até cem anos, e em depósitos como estes, o material radioativo armazenado não é só o de usinas, mas também resíduos nucleares de hospitais e indústrias. O processo de reciclagem do lixo nuclear é muito caro e consegue reultilizar somente 1% do Urânio anterior, além de, como subproduto, formar 3% de rejeto inúil e altamente radioativo e Plutônio, um elemento extremamente radioativo e perigoso que pode ser ultilizado na fabricação de bombas nucleares. Portanto, essa opção é de certa forma descartada pelas autoridades.


Apesar de o potencial energético de Angra III ser estimado como o maior das duas outras usinas, existem controvérsias à sua construção levando em conta seus altos custos. Os custos médios para a expansão da rede hidrelétrica seriam de aproximadamente R$ 80/MWh, enquanto o custo de geração da Angra III está estimado em R$ 144/MWh, isso sem mencionar que os riscos de uma usina nuclear são infinitamente superiores aos riscos de uma usina hidrelétrica. Foram exatamente essas considerações finais que levaram os membros do Greenpeace ao Palácio do Planalto e argumentavam a favor de seu protesto. Em um país tão rico em riquezas naturais como o Urânio e a água, contrapondo-se com uma tecnologia tão limitada em mãos, o melhor agora seria repensar a questão nuclear, desenvolver nacionalmente a tecnologia que nos falta e aproveitar os recursos hídricos, muito abundantes no Brasil. A questão das usinas nucleares é muito complexa e envolve, além do risco de contaminação, uma estrutura tecnologica que o Brasil ainda não possui. Com o correto desenvolvimento dessa estrutura, nosso país pode se tornar não só uma potência importante no cenário econômico mundial, mas também modelo de ultilização de energia limpa e consciente. Bibliografia: Tarso Araújo, Onde é guardado o lixo nuclear das usinas brasileiras? Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/cotidiano/pergunta_398771.shtml> Acesso em 27 de mar. 2011 O Mineral Urânio, Disponível em: <http://www.inb.com.br/inb/WebForms/Interna2.aspx?secao_id=47> Acesso em 28 de mar. 2011 Andressa Fiorio, Produção de Urânio no Brasil, Disponível em: <http://www.coladaweb.com/quimica/quimica-nuclear/producao-de-uraniono-brasil>Acesso em 28 de mar. 2011 Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, Wikipedia, Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Central_Nuclear_Almirante_ %C3%81lvaro_Alberto> Acesso em 28 de mar. 2011 Angra 1, Wikipedia, Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Angra_1> Acesso em 27 de mar. 2011 Angra 2, Wikipedia, Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Angra_3> Acesso em 27 de mar. 2011


Angra 3, Wikipedia, DisponĂ­vel em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Angra_3> Acesso em 27 de mar. 2011

Brasil X Radiação  

Resumo crítico sobre a energia nuclear no Brasil e a construção de Angra 3

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