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DIÁRIO DO PROFESSOR (22, 25 E 26 DE MARÇO)

Nesta

segunda

semana

de

orientação,

o

João

estava

determinado a não cometer os mesmos erros. Assim quando iniciou a aula, teve o cuidado de gerir o Conselho de Planificação a um ritmo adequado. Nestas alturas o nervosismo, não aparente, leva a que existam alguns esquecimentos, neste caso foi o de marcar quem é que iria apresentar um livro nos Livros e a Leitura. Na alteração do quadro das tarefas o João esteve a maior parte do tempo de costas para os alunos. Apesar de esta postura poder conduzir a desatenções, os alunos nem se agitaram muito. Penso o ritmo utilizado pelo colega, garantiu que não houvessem desconcentrações. Como o H. não levou a Mala do Era uma vez…, a Escrita Livre iniciou-se antes do previsto. Nesta semana o João já não se atrapalhou com a mudança de planos, o que lhe garantiu uma maior segurança para o resto da aula. Como a aula de Expressão Musical foi no pátio e os alunos até tinham feito um jogo, pensei que a Matemática Colectiva pudesse correr mal, pois como tínhamos planificado, sem saber as intenções da professora de Música, os alunos ficaram com duas saídas seguidas, passando assim mais de metade da manhã fora da sala. Mas o que é certo é que a as medições no pátio correram

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bastante bem, tendo os alunos mostrado um empenho bastante grande, assim como plena consciência das regras. Antes de efectuarem quaisquer medições, o João contoulhes uma história: “Quando era mais novo costumava jogar futebol, e para marcar

as

balizas

dávamos

marcávamos

10 com

passos pedras.

e Mas

como os meus pés eram maiores, a minha baliza ficava maior do que a do meu colega, o que não era marcar

justo,

pois

assim

ele

podia

mais golos. Tivemos que arranjar uma medida

uniforme, que foi o metro.” Acho que foi uma óptima maneira de iniciar a actividade, pois os alunos estavam bastante atentos e queriam saber o desfecho da história. O que esteve menos bem foi o de o João não os ter deixado sugerir formas que lhes parecessem possíveis para solucionar a situação. Na minha opinião era muito mais significativo se os alunos tivessem chegado a essa conclusão e não que o professor desse logo a resposta, pois quando pedimos isso aos alunos, estamos a contribuir para o desenvolvimento de uma competência

de

antecipação

de

estratégias.

Mas

como

a

actividade estava muito bem planeada, os alunos não tiveram nenhuma dificuldade em assimilar este novo conceito. Durante

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este momento foram efectuadas várias medições com um metro em

cartolina,

o

que

permitiu

que

os

alunos

sentissem

necessidade de descobrir uma medida mais pequena, visto ficarem ou faltarem “bocadinhos”. No Tempo de Estudo Autónomo, trabalhei com a T. o Dobro e a Metade. Antes de fazermos algum exercício perguntei-lhe o que é que estes queriam dizer, ao que a aluna não teve dificuldades em me responder. Apercebi-me logo de que ela teria feito confusão ao resolver os exercícios que tinham originado aquela parceria. Ao trabalhar com a aluna, apercebi-me que sua grande dificuldade estava no cálculo mental, pois ao acharmos a metade de números como 30, 50, 70 e 90, esta tinha bastante dificuldade

em

arranjar

estratégias.

Tentei

“ensinar-lhe”

algumas, mas penso que estas estratégias fazem muito mais sentido

quando

são

descobertas

pelos

próprios

alunos.

Terminados os exercícios com o Dobro e a Metade, sugeri à aluna que fizesse uma ficha de matemática onde pudesse trabalhar o cálculo mental. Até o final deste tempo circulei pela sala, ajudando diferentes alunos. Antes de terminar a aula foi feito o Balanço do Dia, depois de todos os alunos (e a S.) terem feito um balanço positivo ao dia, o João

elogiou

o

trabalho

dos

alunos,

dizendo-lhes

que

inicialmente encontrava-se um pouco receoso em relação ao comportamento da turma no tempo de Matemática Colectiva, mas que

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estes tinham superado as suas expectativas. Com este comentário, o João conseguiu responsabilizá-los para momentos futuros. Na aula de quinta-feira, depois de lido o Plano do Dia e de terem sido executadas as habituais tarefas, os alunos mostraram as suas produções no Ler, Mostrar e Contar. Todos os alunos leram textos. Na minha opinião, o João deveria ter questionado os alunos durante os seus comentários, visto já nos ter sido dito que o poderíamos fazer. Se um aluno disser “acho que fizeste um bom

trabalho”,

podemos

perguntar-lhe

o

que

é

um

bom

trabalho, desta forma estaremos a desenvolver o espírito crítico. Sabemos o quanto é difícil comentar, avaliar um trabalho de um colega, mas são nestas oportunidades que devemos incentivar e ajudar os alunos a comentar construtivamente o trabalho dos colegas. Na Matemática Colectiva, continuaram a explorar as medições, e o que seriam os “tais bocadinhos”. O João perguntou-lhes o que

seriam,

ao

qual

responderam:

“são

centímetros”,

“são

milímetros”. Como não ouviu aquilo que queria, o João disselhes que eram decímetros e que estes eram a décima parte do metro.

Depois pediu-lhes

que marcassem

decímetros. Fiquei com a percepção de que os alunos perceberam o que eram os decímetros, mas penso

no

seu metro

os

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que este assunto não foi explorado da melhor maneira. Tenho plena consciência que agora é mais fácil apontar erros, mas se tivermos a oportunidade de voltar a introduzir esta temática, será feita de uma maneira diferente. Primeiro os alunos terão que compreender que têm que existir medidas mais pequenas do que o metro, pois existem coisas mais pequenas, e em conjunto terão que chegar à conclusão que precisam de dividir o metro em partes iguais para todos terem a mesma medida. Sendo muito mais fácil dividi-lo por 10 do que por 100 ou até mesmo por 1000. Depois do intervalo, na Língua Portuguesa, foi explorado o livro “Os Ovos Misteriosos”. Apesar de o João poder ter explorado mais a capa e o título do livro, permitindo assim que os alunos se envolvessem mais com a história,

esta

actividade

correu bastante bem. Para além bastante

de

uma

leitura

expressiva,

este

também foi questionando ao logo da leitura aquilo que poderia acontecer. Acabada a história o João perguntou-lhes quem eram as personagens da história e fez uma lista com as mesmas. Penso que para efectuar este registo, o colega poderia ter aproveitado para relembrar a história, ou seja, juntamente com

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os alunos recontava a história de maneira a que estes se fossem apropriando dos diferentes acontecimentos da mesma. Após

o

registo

com

as

diferentes personagens, todos os

alunos

tiveram

oportunidade dramatizar

a

a para

história.

Esta

actividade foi bastante divertida, e todos os alunos mostraram-se empenhados em dramatizá-la de forma a respeitar todos os acontecimentos. No Tempo de Estudo Autónomo trabalhei com a C.. Esta tinha pedido ajuda para fazer uma Ficha de Leitura, mas quando me sentei para trabalhar com ela apercebi-me que esta queria que eu lhe corrigisse a ficha que tinha feito. Na correcção do seu trabalho, apercebi-me que esta tinha dificuldade nos tempos verbais, desta forma estivemos a trabalhar nessa dificuldade. Começámos por identificar três tempos: o passado, o presente e o futuro. Quando a aluna conseguiu distinguir os três, e dizer-me quando é que este eram usados a aluna resolveu o exercício da ficha sem nenhum problema. Em seguida, fui circulando pela sala ajudando sempre que era solicitada a minha ajuda. Na parte da tarde, antes da aula de Educação Física, a M. trouxe um livro para apresentar nos Livros e a Leitura. Achei bastante interessante, e responsável, que a aluna já trouxesse

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tanto a sua parte, como também a sua ilustração preferida marcadas. O que demonstra que antes de apresentar o “Adoro-vos meus Coelhinhos”, a aluna preparou-se para tal. No meu comentário, disse que a aluna tinha escolhido um bom livro para apresentar à turma, pois para além de parecer ser uma história engraçada também tinha uma moral.

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Após a aula de Educação Física o H. apresentou a história que tinha escrito para a Mala Era uma Vez…. Nos comentários o J. disse que o colega tinha feito um bom trabalho. Questionei-o, perguntando-lhe porque é que era um bom trabalho, ao que o aluno me respondeu: “acho que o H. fez um bom trabalho porque a história tinha uma moral, e eu nunca fiz uma história com uma moral.” Acho que este comentário é um bom exemplo da importância que os Circuitos de Comunicação têm, visto que permitem a apropriação de novos conceitos, assim como novas tomadas de consciência. O professor também tem um papel importante,

pois

ajuda

os

alunos

a

clarificarem

os

seus

comentários. Na sexta-feira, após a leitura do Plano do Dia e da execução das tarefas, foi o momento para o Ler, Mostrar e Contar. De todos os alunos, apenas a L. apresentou um problema, tendo os restantes participantes apresentado um texto. No tempo de Língua Portuguesa os alunos recontaram a história trabalhada no dia anterior. Como esta tinha sido muito


bem

explorada,

organizar

as

os

ideias.

alunos

não

sentiram

dificuldades

Mas

como

queriam

contar

em

todos

os

pormenores da história sentiram-se um pouco aflitos com o pouco tempo que tinham para efectuar esta actividade. Penso que

esta

é

uma

excelente

maneira

de

os

alunos

irem-se

apropriando do que é fazer um resumo, visto não poderem, neste caso não tinha tempo, escreverem todos os detalhes. Após o intervalo ajudei o grupo que estava a trabalhar no projecto sobre os livros. Primeiro fui com as alunas à sala de

informática pesquisar informações acerca do tema e em seguida estive com as mesmas a seleccionar a informação. As questões que as alunas queriam ver respondidas na elaboração deste projecto eram quando é que apareceu o primeiro livro e quem o tinha inventado. Inicialmente pensei que este projecto seria até um pouco desinteressante, mas o que é certo é que durante a pesquisa entusiasmei-me com o tema, mudando completamente o meu ponto de vista, aprendendo até coisas novas com o mesmo. Esta situação faz-me pensar na importância dos projectos, pois não são só os alunos que aprendem coisas novas, também os professores são envolvidos nessas aprendizagens. No Tempo de Estudo Autónomo não estive a trabalhar com nenhum

aluno

especificamente.

Fui

circulando

ajudando sempre que a minha ajuda era solicitada.

pela

sala

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Logo no início do Conselho de Cooperação os alunos avaliaram os seus PIT’s, tendo sido escolhidos quatro para apresentarem o seu trabalho à turma. É perfeitamente notável a crescente evolução dos comentários feitos ao trabalho dos colegas, pois estes têm a preocupação de comentar construtivamente para que os colegas conseguiam melhorar o seu trabalho.

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Penso que o João esteve bem durante a leitura e a discussão do Diário de Turma, procurando sempre uma forma para mediar os conflitos para que não julgasse ninguém. Na minha opinião, a semana do João foi bastante positiva, conseguindo alcançar todos os objectivos propostos. O colega tem que ter mais atenção é à antecipação das respostas. Sendo algo que

fazemos

redobrada.

inconscientemente Penso

que

se

é

nos

necessário

uma

atenção

consciencializarmos

costumamos cometer esse erro é mais fácil corrigir.

que


Diário do Professor 22 a 26 de Março