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GRH Romances Históricos Revisão Inicial: Maria Emilia Leitura Final e Formatação:Ana Paula G.

Paula Quinn

Um Highlander Nunca se Rende


Comentário da revisora Maria Emilia:

Um livro leve, sem traições ou mocinho ogro. A mocinha tem muitas características modernas de independência e comportamento e o mocinho é um TDB que comia todas e por ela se regenera. É passado em um período da historia inglesa pouco usado nos livros,o período que a Inglaterra ficou sem rei.Mas vou ter de ler o primeiro,para entender melhor a história.E aconselho tudo mundo a fazer o mesmo.

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Comentário de Leitura Final Ana Paula G:

Nem vou dizer que fiz revisão final...Li o livro.Obrigada, Maria

Emilia pela excelente revisão.Adorei este livirnho.O Highlander é um safado da pior espécie, mulherengo mesmo....Mas quando se apaixona pela heroína, vira um doce...Amei as tentativas dele para conquistá-la....um canalha arrependido..huahahha...

Argumento O desejo é a arma mais mortífera de todas… Hábil com a espada e ardilosa, a rebelde escocesa Claire Stuart não pode ser domada. E nada pode impedi-la de resgatar sua querida irmã e salvar ambas de um matrimônio arranjado, nem sequer o belo highlander que jura proteger Claire. Seu olhar ardente e seus beijos apaixonados a levam a beira da rendição, mas ela não pertence a homem nenhum... Graham Grant tem a todas as moças que pode desejar. Mas jamais conheceu a nenhuma tão teimosa 3


ou bonita quanto Claire... Nem a nenhuma com uns planos tão desesperados e perigosos. Ao lhe dar sua ajuda poderia trair sua própria honra seu país e algo muito mais importante. Graham não pode reclamá-la. Mas todo o seu ser grita: tome-a, a faça sua, lhe ensine o prazer e jamais a deixe partir.

Capítulo 1 ESCÓCIA OUTONO DE 1659 C, Tudo saiu terrivelmente errado. O que mais temia se cumpriu. O fedor de vinho barato e cerveja enchia a taverna como uma densa névoa, e se instalava sobre a mesa onde Graham Grant, primeiro no comando do poderoso clã MacGregor, estava sentado olhando seu amigo, o décimo primeiro Conde de Argyll, engolindo sua quarta caneca de cerveja. −Este assunto de Connor Stuart pesa sobre você. Robert golpeou a mesa com a caneca e dirigiu seu olhar de pálpebras pesadas para ele: −Por que diz isso? −Está se embebedando, e mastiga mais do que posso suportar nos últimos tempos. −Só tomei quatro canecas −respondeu Robert com uma careta−. Eu te vi beber mais do que o dobro disso. Seu sorriso zombador não necessitava de nenhuma explicação, mas Graham a deu de qualquer jeito. −Sou um Highlander – ele disse e levou a caneca a sua boca. −Posso beber tanto como qualquer de vocês −Robert se virou em sua cadeira, cambaleou, se recompôs, e tentou chamar a atenção de uma 4


garçonete morena. Teve êxito, mas Lashai, com um pronunciado decote, olhou para Graham. Graham a olhou dos pés a cabeça, pensando que era uma pena ter que manda-la embora, mas a ultima coisa que seu amigo necessitava era de mais cerveja. Um movimento sutil com a cabeça era tudo o que ela precisava para ir em frente, fingindo não ter visto o sinal de Robert. −Maldição! −disse Robert, e chamou outra garota. −Rob. −O que? −Me olhe −Graham falou muito sério, e Robert obedeceu−. Não ser capaz de encontrar Stuart não é nada do qual se deva envergonhar. O homem é tão esquivo quanto Callum. Pegue uma moça para a noite e esqueça seu dever. Robert jogou a caneca, passou a mão por seu cabelo escuro e deu um olhar a Graham que dizia que seu amigo nunca poderia entender o que sentia. −Graham, o general Monck me ordenou encontrá-lo. Desde que era menino quis servir ao reino. E agora que me concedem essa honra, falhei. −A quem lhe falhou, Rob? −perguntou-lhe Graham e piscou o olho a uma formosa para uma moça que chamou sua atenção. Esticou suas longas pernas nuas diante dele, cruzando suas botas pelos tornozelos, e bebeu o resto de sua cerveja−. Oliver Cromwell morreu. Richard, seu filho pacifista, foi expulso de sua posição pelos tiranos militares que afirmam odiar o despotismo e, entretanto lutam pelo poder para governar o país. −Mas alguém tem que nos liderar, Graham. O general Monck foi um dos guerreiros mais temíveis de Cromwell no Novo Modelo de Exército. −Sim −Graham lhe deu a razão sarcasticamente−. Tão grandes foram suas vitórias sobre os realistas na Escócia que o velho Lorde Protetor o nomeou governador do país que tão habilmente havia submetido. Seu país− adicionou Graham com um olhar mordaz.

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−Isso foi ha muitos anos − Robert assinalou −. Ele foi justo com nosso povo e rechaçou a dissolução do Parlamento. Graham bocejou. −Além disso, o mais provável é que John Lambert obtenha o título. Lembre-se, ele manda sobre todas as forças militares na Inglaterra. Uma visão captou o olhar de Graham, o distraindo, por sorte, da tediosa paixão de seu amigo pela política: a encantadora Lianne. A moça penetrou em seus pensamentos em várias ocasiões desde que saiu de sua cama na noite anterior. Lançou um olhar abrasivo sobre seu corpo enquanto ela se aproximava de sua mesa, levando uma jarra de cerveja. Aqui estava o tipo de paixão que Rob necessitava. Quando Graham saiu de sua casa em Skye ha dois anos com o recém-renomado Conde de Argyll, foi com a promessa de ensinar ao senhor com cara de pêssego como manter o equilíbrio entre o prazer e a obrigação. Robert ainda tinha que experimentar os prazeres que uma moça podia oferecer. Graham fixou seus olhos nele. O que diabos estava esperando?O amor? Graham quase bufou em voz alta. Não havia lugar para o amor na vida de um guerreiro. Um homem era ou um marido ou um grande guerreiro. Não se podia ser as duas coisas de uma vez. Graham fizera sua escolha fazia muito tempo. Era um grande guerreiro porque não temia à morte. Não tinha nada a perder, nenhuma vida para destruir. O inferno… o tinha visto com tanta frequência ao longo de sua vida. Moças convertidas em viúvas, meninos abandonados famintos, sem um pai que cuide deles. Não queria levar esse medo, essa vulnerabilidade, quando enfrentasse seu inimigo. Fez- um sinal para Lianne, e esta virtualmente se deixou cair em seu colo. −Mais cerveja, meu senhor? −Não minha querida −Graham passou o braço por sua cintura e enquanto isso apalpava cuidadosamente suas nádegas−. Meu amigo já teve o bastante. −Ao ouvi-lo, Robert lhe lançou um olhar irritado−. Embora 6


possa ser que precise se distrair um pouquinho de seus problemas −Graham continuou o ignorando. Com um pequeno empurrãozinho, levantou Lianne de seu colo em direção ao colo de Robert, e se reclinou em sua cadeira para observar. −É verdade? −a garota de cabelos dourados apoiou a bandeja sobre a mesa e elevou seu avental esfarrapado por cima do ombro, preparando-se para o que melhor sabia fazer−. Eu estive esperando todo o dia para servir de ajuda a um nobre tão excelente quanto você. Robert mal levantou a vista. Apoiou o cotovelo sobre a mesa e afundou a cabeça em sua mão. −Eu temo querida senhora, que não pode me ajudar. Ela se deslizou pelo peito de Robert até que seu traseiro alcançou o joelho. −Não seja tão precipitado, senhor. Não têm nem ideia dos talentos que possuo… Graham sim. Sorriu ao ver cumprida sua missão, e deu uma olhada em torno da taverna abarrotada em busca de outra garota que o ajudasse a passar a noite enquanto Robert se fazia um homem. −Eu… isto… −escutar Robert gaguejar fez Graham recordar o quanto que ainda restava para ensinar ao jovem conde. Mas antes de tudo: onde tinha ido parar aquela moça morena? −Podemos nos retirar ao piso de acima, você e eu −a voz de Lianne era um sussurro luxurioso. −Mas eu pensei que… −Robert fez uma pausa e engoliu quando Lianne se inclinou para frente sobre ele−. Pensei que você gostava de meu amigo. −OH, sim! Seu companheiro é, certamente, uma criatura luxuriosa −seus pálidos olhos azuis posaram em Graham e se dilataram de prazer, como se a lembrança mais decadente houvesse invadido seus pensamentos−. Mas esta noite - ela se voltou para Robert −desejo um anjo em meu leito. 7


Uma sombra que se elevava por cima afastou o sorriso malicioso de Graham da sedução de seu amigo para mais à frente. Muito mais à frente. −Deveria estar em minha mesa esta noite, Lianne. Paguei adiantado. −O Highlander era enorme. Seu sujo plaid1 se estendia ao longo de seu amplo peito quando posou seu olhar em Robert e depois em Graham. Que os estava desafiando era um fato antes de voltar-se de novo para Lianne−. Assim mova seu traseiro para onde pertence. «Diabos!”.», pensou Graham, ligeiramente decepcionado pelo Robert. Podia levantar-se e lutar pela companhia de Lianne essa noite, mas o besta tinha pagado… e era muito grande. Enquanto Robert mantivesse a boca fechada, ainda existia a possibilidade de investir sua energia em algo mais emocionante que lutar essa noite. Sem alterar-se, Lianne abandonou seu assento e em sua passagem afastou o braço do homem sacudindo o avental. Em resposta, o furioso cliente lhe deu um empurrão entre os ombros antes que ele também se virasse para ir. −Ei você, feio! Os ombros de Graham estremeceram ao redor de seu pescoço enquanto Robert se levantava de sua cadeira. O gigante se virou lentamente, com uma expressão escura como prelúdio de assassinato. −Está falando comigo? −Sim −afirmou Robert com frieza−. Embora me surpreenda que possua inteligência suficiente como para supô-lo. 1 antiga vestimenta escocesa, precursora do kilt. O olhar do cliente ficou mais hostil. Graham não podia evitar sorrir diante da suspeita de que o animal estava ou se perguntando se o tinham insultado de novo ou decidindo que membro de Robert ia quebrar primeiro. Quando o Highlander sorriu, mostrando os poucos dentes que ainda tinha, Robert enfrentou o sinistro desafio com um ligeiro gancho em sua

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boca. Graham olhou para cima e sacudiu a cabeça. Isto era tão ruim viajar com os MacGregor. −Espero para seu bem que também possua sabedoria para acreditar quando digo que se voltar a pôr as mãos nessa dama eu vou tira-lo daqui e golpea-lo até que fique sem sentidos. A confiança em sua promessa poderia ter convencido aos outros clientes que estavam observando como o moço mais baixo tinha a firme intenção de manter sua palavra. Mas Graham sabia melhor. Não tendo nada mais que fazer que exercitar a luta nos campos de Glen Orchy e o estudo das palavras dos bardos e poetas, Robert Campbell havia se convertido em um excelente espadachim, e em um cavalheiro com excesso de zelo que constantemente se metia em brigas defendendo a “honra” de alguém. Mas apesar de seu treinamento com a espada, o jovem louco tinha problemas para conectar seu punho com a cara de outra pessoa. Infelizmente para Robert, o Highlander assassino se limitou a rir, deu um passo adiante e lançou com força a mesa que se interpunha entre eles longe para longe de seu caminho. Graham se afastou para evitar ser golpeado na cabeça com a mesa voadora. Fez uma careta de dor ao ver como um punho enorme derrubava Robert no chão. Queria ajudar, mas o conde tinha que aprender a lutar sem sua espada e este era um momento tão bom qualquer outro. Mas, no entanto, jogou para trás a boina que escondia sua cabeleira cor de bronze, preparando-se para a briga. Interviria se o ogro golpeasse com os nódulos dos dedos a cara de Rob mais uma vez. −Vai ficar aí parado sem fazer nada enquanto Atard golpeia seu amigo até matá-lo− Lianne acusou Graham correndo para seu lado. Graham pensou que o estava instigando a intervir, mas quando ela deu umas batidinhas nos cremosos montículos de seu seio com o avental, sentiu-se tentado a deixar Robert a sua própria sorte e leva-la escada acima.

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−Meu amigo está indo bem −suas covinhas se marcavam tão frívolas quanto suas preocupações−. Olhe, voltou a ficar de pé. O corpo de Robert respondeu a essa opinião voando por cima do ombro de Graham. Resmungando uma maldição em voz baixa quando o conde caiu contra a parede, Graham se virou para o gigante que avançava. Inclinou-se para recolher uma perna da mesa destroçada e golpeou, partindo a madeira em duas contra a cara de Atard. Passando por cima do corpo do Highlander, Graham se ajoelhou junto ao seu amigo imóvel. −Rob − ele deu umas palmadas em sua bochecha suavemente−. Acorde. Robert se agitou, abrindo as pálpebras pesadas. −Onde ele está? −Muito longe −lhe assegurou Graham, e depois o olhou com firmeza−. Quantas vezes tenho que dizer que não brigue com Highlanders bêbados?− ele colocou as mãos sob os braços de seu amigo e o pôs em pé vacilando. −O rufião maltratou a dama. Lianne sorria para o cavalheiro com gratidão, mas o inchaço no lábio de Robert o impediu de responder com seu próprio sorriso. −O que posso fazer −o sorriso de Lianne trocou para algo mais óbvio quando deu um passo para eles− para persuadir a ambos que voltem por aqui em sua viagem de retorno de qualquer lugar estejam indo? O lânguido sorriso de Graham acendeu uma chama na virilha de Lianne. Sim, pensou ela, derretendo-se diante dele, com uma boca tão mortal quanto sua espada, uma espada que ele sabia dirigir muito bem. Ah, era um festim para seus olhos! Seus lábios eram carnudos e perfeitos para prazeres pagãos. Seus olhos brilhavam na luz como esmeraldas acesas em seu interior. A ameaça da beleza era derrotada por seus próprios traços, com uma borda de robusta masculinidade e um nariz que parecia como se o houvesse quebrado uma ou duas vezes. 10


Ela deixou escapar um pequeno arquejo quando a agarrou pela cintura, atraiu-a contra seus duros traços e posou sua boca sobre a dela. Seu beijo foi como o pecado, tentando-a a abandonar qualquer última sugestão de decência que possuísse fazendo-a rogar para que a levasse com ele. −Já estou persuadido − ele disse, liberando-a com uma palmada em seu traseiro e uma piscada lasciva que prometia que retornaria. Sentindo-se como uma tola donzela na primavera, Lianne se despediu e depois passou seu avental por cima do ombro dirigindo-se para um cliente que a chamava para tomar uma taça. −Sua cara é como o inferno. Robert deslizou seu olhar para Graham, que cavalgava junto a ele, enquanto saíam da cidade de Stirling. Todo o resto doía muito para moverse. −Sinto-me como se tivessem me jogado fora. −Não tem que preocupar-se com isso, Rob − disse Graham, voltando a colocar a boina sobre sua testa −. Não o querem no inferno, o que é uma sorte para mim. Não quero passar a eternidade com você. Robert não acreditava que seu amigo fosse passar um só instante nesse lugar de fogo. Se alguém pudesse encontrar uma maneira de convencer Deus de que pertencia a Sua Divina Graça, esse era Graham. −Apesar de carecer de qualquer tipo de honra quando se trata de mulheres, deitar-se com elas não é um pecado merecedor da condenação eterna. A careta ambígua na boca de Graham convenceu Robert do contrário. Robert sorriu, e depois se encolheu e levou a mão à mandíbula. −Então, pela bem de sua alma, encontre uma mulher a quem dar seu coração e que faça um homem decente de você. Graham lhe dirigiu um olhar torto e pôs-se a rir. −Eu temo que seus livros a respeito das maneiras de amor cortês o levaram longe da realidade. Esquece que eu tenho onze irmãs, a maioria delas casadas com filhos da puta miseráveis que começaram sendo homens 11


decentes. −Levantou a palma da mão quando viu que Robert ia intervir, interrompendo-o−. As mulheres existem para se acariciar, se deitar com elas e depois as abandonar. De outro modo se verá com os ouvidos cheios de constantes problemas e a dignidade tão inútil quanto sua espada. −Possivelmente o problema esteja em suas irmãs −assinalou Robert−. Callum não é desprezível com Kate. −Certo −concedeu Graham, observando que o hematoma sob o olho do jovem conde ficava arroxeado−. Sua irmã é uma joia rara. Mas inclusive o Diabo MacGregor trocou sua claymore2 por um ramo de urze apertado em seu punho. Robert suspirou e sacudiu a cabeça. Tinha muito que dizer sobre o assunto, mas sentia como se o tivessem golpeado na mandíbula com uma clava. Além disso, tinha tido esta discussão com Graham uma dúzia de vezes e suas palavras sempre tinham sido infrutíferas. Graham se mantinha firme na crença de que o único duradouro e tangível na terra era a batalha e a morte. E estava decidido a desfrutar de sua vida entre as duas. −Devíamos ter trazido meu exército conosco −disse Robert depois de um momento de silêncio−. Se Connor Stuart estiver à frente de nós neste momento, receio que não poderia tirar minha espada da bainha. 2 Espada escocesa típica dos séculos XV e XVI. −Eu te disse Rob, que seu exército só o teria alertado de nossa busca. Stuart é ardiloso. É por isso que é o líder da rebelião realista. Lembre-se que foi ele quem formou a emboscada ao exército do general Lambert depois de que esmagaram a rebelião em Cheshire um par de meses atrás. Estou familiarizado com sua estratégia. As lendas sobre sua bravura aumentam a cada dia. Segundo o que me disseram na estalagem, Stuart luta agora inclusive contra os homens de Monck. Atacou uma legião da guarnição do governador não longe daqui. Está bem capacitado e treinado

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para detectar o perigo dias antes de tê-lo em cima. Nós o encontraremos antes sozinhos. Confie em mim nisto. −Eu confio. Porque ainda me lembro de sua astúcia ao abrir uma brecha nos muros de Kildun quando MacGregor veio por meu tio ha dois anos. Mas sinto que o tempo se esgota, meu amigo. − Robert preocupou-se em voz alta, massageando seu ombro para relaxar a cãibra−. Em poucos dias vou ter que estar em frente do general Monck com as mãos vazias. No princípio, Robert tinha considerado uma honra que o general Monck lhe ordenasse encontrar o rebelde realista Connor Stuart. Já que não havia formalmente ninguém mais “no comando” dos três reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda proliferava a campanha dos monarquistas para repor Carlos II no trono. Stuart era primo do rei exilado e líder da resistência da ocupação do exército inglês na Escócia. Monck queria encontrá-lo, mas o homem era tão esquivo quanto o vento. −Não o encontrarei a menos que venha até mim. E ele não fará algo assim. −Eu tampouco o faria se os “cabeças redondas”3 estivessem à espreita. 3 Partidários do Parlamento durante a Guerra Civil Inglesa. Este pseudônimo se deve a seu corte de cabelo, muito grudado na cabeça, oposto às longas perucas frisadas dos realistas ou partidários da restauração monarquista. −Alguns me considerariam um “cabeça redonda” −lhe recordou Robert, ao dar-se conta uma vez mais da fragilidade de sua amizade. Graham deu de ombros, mantendo os olhos no caminho. −Sim, você apoia um Parlamento que foi recentemente incapacitado pelo exercito. Estávamos melhor aqui na Escócia quando tínhamos um rei. −É monarquista, Graham, eu entendo. Mais, não deveria esquecer minha lealdade à república. −Sua república está governada por generais que lutam entre si e que oprimem nosso povo. Inclusive o Parlamento desconfia deles. 13


Robert apertou a mandíbula com frustração por sua própria incerteza. Os Campbell haviam servido à lei durante gerações. Se esta lei era ditada por um homem ou por uma casa cheia de homens capazes não existia diferença alguma. Dar as costas ao reino era traição. Entretanto, sabia que Graham estava certo em seu pensamento. A volta de um poder soberano seria melhor que a anarquia total que existia agora na Inglaterra. −Por que me ajuda a procurar Stuart se acredita em sua cruzada? Graham deu uma olhada no rosto inchado de seu amigo e suspirou. −Porque temo que vá se matar. −Sua confiança em minhas capacidades é preocupante −Robert lançou um sorriso sarcástico que Graham respondeu com uma careta. −Estaria mais seguro se tivesse lhe dado um murro por resposta. Robert sacudiu a cabeça. Era doloroso tanto para seus ombros como para seu orgulho. −Acredito que o desgraçado quebrou minha mandíbula.

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Capítulo 2 Pelas bolas de Satanás! Ela não tinha que morrer dessa maneira! Claire Stuart olhava a cabeça do homem enterrada entre seus seios. Com um puxão final que confirmava que seus pulsos estavam fortemente atados no carvalho em suas costas, apertou os dentes e depois os afundou no ombro que a esmagava. −Aaah… cadela! −seu agressor se afastou cambaleante, apalpando sua ferida ensanguentada−. A matarei por ter feito isso! − pulou sobre ela, sem dar-se conta de que pernas dela estavam liberadas. Nenhum dos homens tinha pensado em atar seus pés à árvore. Afinal, eram seus braços que tinham empunhado com tanta perícia uma espada contra eles, matando a seis de seus companheiros quando a atacaram ela esta manhã. Entretanto, seu agressor se deu conta de seu descuido um instante depois, quando ela deu um bom chute em suas partes inferiores que o deixou de joelhos. −É lutadora, não é? – o outro homem se dirigiu para ela com uma bravata arrogante. Claire prometeu em silêncio desfazer-se dele no momento em que estivesse livre… Se ao menos tivesse as malditas mãos livres!− Valente… − ele passou por cima de seu companheiro, que se retorcia no chão, e, com um sorriso de intenção puramente masculina, levou a ponta da espada a sua garganta−… e tão tola em viajar sozinha. Talvez a leve de volta para Londres comigo. Certamente o general Lambert me concederá uma esposa por todos meus anos de serviço. −Lambert− −Claire o fulminou com o olhar enquanto lutava por libertar-se das amarras−. O que os homens de Lambert estão fazendo na Escócia? −Estamos abrindo caminho para nosso líder, e matando alguns realistas pelo caminho. Alguém tem que cumprir a tarefa, já que Monck se encontra de braços cruzados em seu castelo sem fazer nada por detê-los −levou os olhos ao vulto cremoso de seu seio, meio exposto por sua camisa 15


rasgada. Logo, mais abaixo, aos quadris e as pernas bem torneadas, encerradas em calças apertadas e botas−. Traje estranho para uma dama −disse, sustentando o olhar furioso dela −. Como se chama? Merda... Era tão idiota quanto uma parede. Acreditava que ela ia dizer lhe seu verdadeiro nome sendo uma realista? Já que, sendo prima do rei, era. Deu um suspiro de exasperação. Quanto mais tempo estes dois iriam fazê-la perder? Sua irmã poderia estar sendo obrigada a casar-se com um desprezível soldado republicano neste exato momento. −Sou uma Campbell, e se me libertarem agora rogarei a meu pai que perdoe sua miserável vida. −Está mentindo, John. Nenhum Campbell deixaria que sua filha cavalgasse sozinha. −O homem ao qual tinha chutado ficou em pé esfregando-se sua virilha machucada−. Mate essa vadia… Melhor ainda, me deixe matá-la depois de colocar meu pau em seu traseiro. −Me toque outra vez − a voz do Claire era um grave rosnado de advertência−, e arrancarei suas vísceras para estrangulá-lo com elas, porco filho da puta. Correu para ela, e empurrando a espada de John fora de seu caminho e bateu em seu rosto com força. −Geoffrey, saia daqui! − ordenou John, afastando-se das botas traiçoeiras de Claire−. Se for uma Campbell nos açoitarão por havê-la golpeado. −Dirigiu o fio de sua espada para a garganta d ela para mantê-la quieta, e depois levantou a outra mão e afastou uma mecha de cabelo loiro de sua bochecha−. A levaremos de volta para o acampamento e averiguaremos quem é − John se aproximou mais dela, e quando falou seu fôlego roçou sua mandíbula apertada−. Se estiver mentindo, eu a tomarei primeiro e em seguida a darei para os outros. Claire fechou os olhos, e sentiu náuseas quando ele passou sua língua sobre o canto de seus lábios. Rogou a Deus e a todos os Santos que lhe dessem a oportunidade de matar esses dois bastardos parlamentaristas e 16


puritanos rapidamente. Tinha que encontrar sua irmã. Meu deus, Anne! Pobre Anne. O exército do general Monck a tinha levado de casa, mas… fazia quanto tempo? Claire não sabia. Estava no castelo de Ravenglade, esperando a volta de seu irmão da Inglaterra, quando recebeu a notícia de que ele tinha sido assassinado. Imediatamente foi até Anne para lhe dar a terrível noticia, mas sua irmã tinha ido. Tinha lhe deixado uma mensagem, escrita por Monck, lhe dizendo que seu tutor tinha prometido que as manteria protegidas dos independentes fanáticos da Inglaterra. Claire não acreditou. Não depois do que tinha acontecido a Connor. O general teve a audácia de acrescentar em sua carta que acreditava que suas vidas estavam em perigo e que tinha vindo para leva-las a Edimburgo. Ele ia casa-las. Agora que Connor já não era um problema e o rei permanecia no exílio na França, as terras dos Stuart podiam ser outorgadas a um homem da escolha de Monck. Não. Ela nunca obedeceria ao homem que estava por trás da morte de seu irmão. Primeiro mataria a Monck e depois resgataria sua irmã. Amaldiçoou-se por haver se reunido com a resistência em Ravenglade e não ter estado em casa para proteger Anne. Sua irmã era delicada e afável. Não tinha sangue para combater do modo que Claire fazia. Depois que Carlos fora expulso da Escócia, ela nunca mostrou o menor interesse pela rebelião. Anne tinha se negado a levantar a espada inclusive depois de que seus pais foram assassinados. Em vez disso se encerrou com seus livros sem nunca queixar-se das longas ausências de casa de seus irmãos mais velhos. Julgava-se que a protegeriam, e Claire tinha fracassado. Rezou para que não fosse muito tarde… do contrário teria que deixar sua irmã viúva. Tudo o que tinha que fazer era desfazer-se destes dois imbecis e voltar a seu caminho.

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−Geoffrey −John se virou para seu companheiro depois de não conseguir nenhuma reação por parte dela−, vou pegar os cavalos. Não a desate até que retorne. Claire ficou sozinha frente ao soldado zombador. Geoffrey se aproximou, tirou sua adaga do cinturão e deslizou a ponta pela maçã do rosto dela. −Já não é uma fera selvagem, verdade? Acha que vai querer me matar ainda depois de que tenha te fodido como uma cadela. −Com cada músculo de meu corpo. Ele levantou o punho para golpeá-la de novo, mas uma ordem poderosa congelou sua mão no ar. Claire olhou além de seu ombro e viu dois homens montados em grandes cavalos de batalha negros que se aproximavam com cuidado. Um deles estudando os seis homens mortos espalhados pelo chão. O outro estudando a ela. −Liberte essa dama imediatamente, e me dê uma explicação do que ocorreu aqui. −Quem é você para me dar ordens? −John montou sobre sua sela e avançou em direção dos dois homens com a mão apoiada sobre o punho de sua espada. Claire viu a razão de sua precaução. Um dos homens era um Highlander. Eram fáceis de reconhecer estes guerreiros do norte, pois eram maiores que os ingleses com seus plaids escoceses e as pernas nuas. −Sou Lorde Robert Campbell, Conde de Argyll −enquanto falava, seu companheiro de aspecto mais duro desceu de seu cavalo e começou a caminhar para ela e Geoffrey. Que fazia um Highlander viajando com um Campbell presbiteriano? Outro traidor do trono pensou Claire com amargura, lançando ao conde um olhar de escuro desprezo, e depois para o Highlander. Ela foi apenas ligeiramente consciente da voz crepitando de John perguntando se ela pertencia à casa dos Campbell enquanto aparecia a plena vista o guerreiro que se aproximava veloz. Ele se movia sem parar, 18


com suas bem torneadas pernas musculosas e suas botas golpeando o caminho diretamente para ela. Seu olhar duro o fazia inclusive mais ameaçador sob a sombra de seu chapéu de aba larga de lã azul profunda, muito similar ao dela. À medida que se aproximava, inclinou o chapéu calmamente sobre sua cabeleira de cachos da cor do mel. Claire levantou o queixo como um desafio direto enquanto seus potentes olhos verdes a percorriam dos pés a cabeça, cravando-se por um momento em seus seios mal cobertos. Tinha razão ao pensar que Geoffrey era um imbecil, pois brandiu sua pequena adaga contra o intruso, preparando-se para a luta. Sua bravata acabou com um rápido murro quebra-ossos que lhe destroçou o nariz e o empurrou cambaleando para trás, inconsciente. Ao ver o destino de seu companheiro, John puxou sua espada e a fez girar para o conde de Argyll. O Highlander tirou uma adaga de uma dobra de seu plaid, deslizou-a através da corda que atava os pulsos de Claire, e depois a atirou com rapidez contra o peito de John. Finalmente livre Claire se aproximou do guerreiro que a acabava de resgatar. −Graham Grant – ele se apresentou com um sorriso sensual tão letal quanto seus reflexos−, comandante de… − enquanto falava, ela pôde pegar sua enorme claymore da bainha e se virar para o outro lado. Quando se aproximou de Geoffrey, levantou a espada com ambas as mãos e depois a deixou cair com um golpe contundente no peito dele. Depois de recuperar sua adaga da mão sem vida de Geoffrey, dirigiu-se de novo para o Highlander, e sem lhe dar nenhum sorriso nem agradecer por sua liberação, colocou a sangrenta claymore de volta ao lugar de onde tinha vindo. Com valentia, inclinou o olhar para encontrar o deles, esperando ver descrença e desaprovação nos homens quando viram os resultados de sua luta. Mas os olhos deles brilharam com aprovação. Pena que não tivesse tempo que perder, pensou, afastando-se. Tinha que seguir seu caminho. Ao recordar-se, começou a vasculhar entre os mortos. Quando encontrou o que 19


procurava, arrebatou o chapéu que tinha metido em sua bolsa e o colocou sob o cinturão. −Está ferida, senhora? −perguntou o companheiro do Grant. −Isso não te diz respeito, Campbell − ela disse, procurando manchas de sangue na camisa de uma de suas primeiras vítimas. Ao encontrar o tecido imaculado, inclinou-se e a puxou pela cabeça do morto. Quando se ergueu, seu olhar se deslizou de novo para o Highlander. Ela observou que estava inspecionando flagrantemente seu traseiro. Ele sorriu como resposta, deixando-a sem sentido com suas duas covinhas impertinentemente sexies. −Pelo contrário. É meu dever proteger os indefesos. Claire lançou para Robert Campbell um olhar irrelevante e colocou a camisa que havia recuperado por cima de sua cabeça. Quando apareceu a cabeça para fora do decote, baixou os olhos e a seguir ofereceu a Robert um sorriso que sugeria que era tão enfadonho quanto os homens mortos a seu ao redor. −Eu lhe asseguro que não sou indefesa. Com um movimento do pulso, deixou cair sua longa trança da cor do trigo por debaixo da camisa. Esta pendurava como uma corda grosa em seus quadris. Com pouca ou nenhuma consideração pelos dois homens que a observavam, deslizou sua mão sob a camisa nova, desatou a camisa rasgada que levava embaixo e, rebolando, deslizou-a para fora de seu corpo. Ela sabia como trocar de roupa diante dos homens. O tinha feito muitas vezes quando cavalgava com Connor e seu exército. −Espera que eu acredite que matou a estes homens?− perguntou Campbell, desmontando enquanto ela começava a vasculhar de novo. −Você gostaria que lhe demonstrasse isso?− viu o que estava procurando a uns metros da árvore e se agachou para recolhê-lo. A espada era estreita e seu punho estava envolto em couro gasto. O sangue de uma briga anterior brilhava ao longo de seu fio de aço. Com um delicado movimento de seu braço, colocou a lamina plana sobre seu outro cotovelo, 20


apontando para o conde. Arqueou a sobrancelha, esperando a resposta. Seu olhar duro o inspecionou da ponta de suas botas empoeiradas até seu cabelo castanho. Ele não parecia um “cabeça redonda”. Não usava o cabelo à maneira dos parlamentaristas. Mas era um Campbell, e os Campbell eram partidários do Parlamento. −Me diga por que não deveria te matar agora mesmo. −Baixe a espada, moça. Claire olhou para o Highlander. Sua voz era suave, mas a advertência em seus ameaçadores olhos verdes era justamente o contrário. Ela não tinha tempo para outra briga, e o Highlander não parecia fácil de vencer. Afastou-se enrijecida. −Já cumpriram com seu dever. Sigam seu caminho. – ela limpou a lamina ensanguentada em sua camisa rasgada antes de joga-la fora, e depois embainhou a espada na bainha pendurada de sua cintura fina. Adaptava-se perfeitamente. −O que aconteceu aqui?−perguntou Grant. Para Claire era impossível afastar o olhar dele. Os cachos suaves como o mel apareciam por debaixo de seu chapéu, capturando os raios do sol e assim lhe outorgando um aspecto quase angélico. Sua boca… Diabos! Sua boca era hipnótica, repleta de curvas que não faziam a não ser captar toda sua atenção. Todo o resto dele era de um guerreiro duro. Debaixo da túnica e de seu plaid, seu corpo estava feito e pronto para a velocidade e a luta. Seus ombros eram largos e suas pernas fortes. A profunda sombra bronze ao longo da bochecha e da mandíbula − que não conseguia ocultar suas Arrebatadoras covinhas− acrescentava-lhe um toque de robusta virilidade. −Estes são homens do Lambert. Eu… −Por que Lambert fez com que seus homens voltassem para a Escócia? −Campbell deu um passo para aproximar-se dela. Ela deu um passo para trás e apoiou a mão sobre o punho de sua espada. 21


−Estão aqui para fazer o mesmo que você faz “cabeça redonda”: matar realistas. −Não matei a ninguém − o conde se defendeu −. Por que a fizeram prisioneira?Quem é você? Claire não o ia dizer. −Não sou a não ser uma serva. Eles vieram até mim esta manhã com intenção de me violentar. −Estava sozinha? −perguntou o Highlander, olhando os mortos, e depois para ela outra vez. −Como pode ser que uma serva… uma criada para ser exato, saiba usar uma espada contra meia dúzia de homens?− Campbell perguntou tão cético quanto seu companheiro. −Meu irmão me ensinou a lutar − ela disse, olhando sem medo em seus olhos verdes −. Não acredita? −Acredito − o jovem conde respondeu −. Eu estava habituado a praticar esgrima com minha irmã quando éramos jovens. −Isto não é esgrima, Campbell − ela disse observando os diversos hematomas que salpicavam seu rosto−. Possivelmente deveria ter praticado mais a sério. Parece como se o atiraram pela ladeira de uma montanha um par de vezes. Ela se surpreendeu com sua resposta, pois esperava que ele começasse a tornar valentão e se gabasse de sua grande habilidade, como qualquer outro homem faria. −Minha luta, embora a perdesse, foi nobre. Ela quase sorriu. −Assim como era a de meu irmão.

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Capítulo 3 Gostaria de ter conhecido a verdade. Agora não há nada que possa fazer a não ser pensar em sua morte. A moça o intrigava. Graham a viu montar em um semental castanho que bufava com um salto elegante e seu sangue fervia por suas veias. Nunca tinha pensado que uma mulher pudesse parecer tão atraente em traje de homem. Seus calções justos acentuavam seu volumoso e tentador traseiro, a curva estonteante de seus quadris… Suas pernas eram longas e insinuantes, perfeitas para correr… e para ficar ao redor da cintura de um homem. Tudo nela era uma franca contradição. Tinha o rosto de um anjo, puro como a neve recém-caída, e sem duvida tinha matado seis homens e em seguida tinha mexido entre seus cadáveres como um guerreiro curtido na batalha, sem se sentir o mínimo afetada pelo sangue que havia derramado. Sua forma era delicada, totalmente feminina… e, entretanto se movia como um felino predador. Ele soube desde a primeira vez que a viu que seu olhar frequentaria seus pensamentos durante os próximos meses. Aquela faísca de raiva dava brilho aos seus olhos azuis até fazê-los parecer anil. As mechas de cabelo loiro como manteiga encobriam suas bochechas acesas. Seu olhar impotente enquanto permanecia atada à árvore, meio nua e pronta para ser devorada… A brilhante satisfação que seus olhos lançavam quando devolveu a espada a sua bainha. −Ela não é uma criada − disse Robert, montando sobre sua sela atrás de Graham. − Está mentindo. −Por que? −Não sei −disse Graham, mantendo seus olhos sobre ela, que cavalgava adiante−. Vamos segui-la e assim o descobriremos. −Não, não posso. Devo chegar a Edimburgo Graham. 23


−E abandonar à moça a sua sorte? −perguntou Graham, sabendo muito bem que arma utilizar para convencer seu amigo−. Onde está essa honra que cheguei a valorizar tão altamente em você, Rob? Robert lhe lançou seu olhar mais furioso. −Isso é baixo até para você. Eu não vou parar, e você logo vai encontrar outra mulher de seu gosto. Não sabemos quem é nem para onde vai. −Moça −chamou Graham. Quando ela se virou levemente, seu peito se esticou diante da beleza de seu perfil. Ele jurou que se ela anunciasse que seu destino era a França ele não se deteria. − Para onde vai? − Edimburgo – ela disse por cima do ombro. Graham sorriu para Robert. −Também nos dirigimos a Edimburgo. Iremos com você. −Demônios… − grunhiu Robert, e sacudiu a cabeça olhando para o céu. −Não, não o farão − ela respondeu, e acelerou o ritmo de seu cavalo. −Por mais que admiremos sua habilidade e coragem −disse Graham, saindo atrás dela−, não podemos permitir que viajasse sozinha. De repente, ela fez seu cavalo virar e se voltou para ele completamente. Graham deixou que seu olhar percorresse cada centímetro dela. Diabos era linda! Sua trança grosa caía em cascata dos ombros para o peito. Não era tão roliça como as donzelas que geralmente convidava para sua cama, mas não se importava. A faísca de valentia em seus olhos o excitava. Ela supunha um desafio. Sorriu. Ela não lhe devolveu o sorriso. −Não têm escolha. −E o que vai fazer em Edimburgo sozinha? − Graham perguntoulhe, incapaz de pensar em nada exceto na embriagadora forma de sua boca e como seria sentir todo esse cabelo enrolado em seus punhos enquanto ele empurrava sua cabeça para trás para tomar pela força essa garganta tão apetitosa. − Eu vou resgatar a minha irmã. 24


Arqueou uma de suas sobrancelhas grossas. −De mãos de quem? −Do general Monck. Ele teria rido, mas a curva de sua boca e o brilho em seus olhos era como um desafio direto, e quase acreditava que poderia fazê-lo. A reação de Robert a sua declaração foi justamente o contrário. Quase se afogou com suas próprias palavras ao falar. −O general Monck… o governador? −Sim − ela suspirou, tamborilando com impaciência o manípulo da sela com os dedos. −Vai liberta-la da escravidão então? − perguntou Graham, zombando do olhar desafiador que ela lançava. Não lhe importava se sabia que estava mentindo. E Graham não se importava com quantos homens tinha matado nesta manhã. Era uma imprudente e uma estúpida se pensava que podia lutar contra todo um regimento sozinha−. Esteve alguma vez em Edimburgo, moça? Há centenas de guardas que vigiam das ameias. Não pode lutar contra todos eles, nem pode simplesmente entrar na casa de Monck e resgatar sua irmã sozinha. −E, entretanto isso é exatamente o que pretendo fazer. −Vamos acompanha-las – ele insistiu. −Vão ser um obstáculo para mim. Agora Graham pôs-se a rir. Maldita seja, era arrogante! Sua confiança agitava seu sangue. A forma na qual lhe devolvia o olhar, tão direta, sem sequer um sinal de rubor, o deixando mais impaciente ante a espera que ela se rendesse. Não estava disposto a deixá-la ir. −Venha conosco e discutiremos a respeito da libertação de sua irmã civilizadamente com o general. Se não é mais que uma criada como diz, meu amigo aqui presente pode… −Não, não quero a ajuda de um “cabeça redonda”. −Está começando a me ofender com essa expressão − Robert murmurou, e depois sacudiu a cabeça, temendo que estivesse fazendo papel de bobo por ter esta conversa−. Não é uma criada. Eu acho que pela forma que seguem me insultando é uma realista. Com habilidades e tantas armas 25


em seu corpo que outra mulher não saberia o que fazer com elas. Seja o que for que esteja tramando, eu peço que não seja tola. Vai morrer. −Que seja − ela deu de ombros−. Mas primeiro salvarei minha irmã. −Ela está em Edimburgo contra sua vontade?− quando ela assentiu, Robert passou a mão pelo cabelo−. Por que está ali? As linhas de seu rosto ficaram rígidas, evidenciando uma beligerância que nenhuma empregada possuiria. −Está ali para enfrentar um destino pior que a morte − sem dizer mais uma palavra, dirigiu-se seu cavalo para ir andando de novo. −Fracassará − exclamou Robert−. Deixe-me salvá-la. Graham se virou e lhe dirigiu um sorriso, e Robert apertou a mandíbula antes de sair atrás dela. Sim, ele era tolo. Não necessitava que o recordassem. −Por que me ajudaria Campbell? − ela disse por cima do ombro−. Você faz o que deseja o Parlamento. Ao alcançá-la, Robert dirigiu seu cavalo frente ao dela, a impedindo de seguir adiante. −Minha irmã foi sequestrada uma vez pelos MacGregor. Assim como você, eu estava disposto a resgatá-la sozinho. −Pelos MacGregor?− olhou-o com um brilho de uma nova opinião em seus olhos−. Isso foi muito valente, mas muito tolo de sua parte. −Precisamente − ele disse, esperando que ela entendesse. Quando o fez, sua expressão se encobriu. Ela puxou das rédeas, mas ele bloqueou seu caminho de novo. −Eu não sirvo aos militares, minha senhora. Mas sirvo ao Parlamento, e embora minha cabeça possa ficar sob a guilhotina por isso quando se restaurarem, entendo o que quer fazer e por que quer fazer. Não me importa que posição mantenha. −Por que deveria confiar em você? – ela lançou-se contra ele, com as dúvidas claramente escritas em seu rosto. − Os Campbell beijam o traseiro daquele que governe − em seguida se virou para Graham, com os olhos iluminados perante a acusação − E você, Highlander? Os Grant

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lutaram durante anos ao lado do rei, e entretanto aqui está, cavalgando ao lado de um “cabeça redonda”. −Pense o que quiser de nós − Robert disse, afiando seu tom de voz para fazê-la saber que discutir este ponto era inútil. − Neste momento, a honra exige que a ajude a salvar uma donzela em apuros. Ela levantou uma sobrancelha para ele e depois virou para olhar incrédula para Graham. −Está de brincadeira? −Não − respondeu Graham, chegando ao seu lado−. Acredito que foi o desejo de toda sua vida superar inclusive a Sir Galahad no que a honra se refere. −Já vejo – ela dirigiu um sorriso irônico para Robert−. É puro de coração então? −Conhece os cavalheiros de Pendragón?− perguntou-lhe Robert, parecendo mais confuso do que tinha estado quando ela disse que tinha matado seis homens. −Eu não, mas minha irmã conhece bem esses contos. Uma vez, quando era uma menina, fingiu que era Guinevere e fez com que todos em casa a chamássemos por esse nome. Ela se negou a responder ao nome de Anne durante um ano inteiro − a lembrança lhe produziu um delicado sorriso enquanto inclinava a cara para Graham−. E você, comandante− Também é puro de coração? Não podia mentir. Não quando seus lábios tomavam um viés desafiante que lhe dizia que já sabia a resposta. −Ai! −disse ele, sem soar absolutamente arrependido−. Temo que seja tão depravado quanto o próprio Satanás. Ela o olhou fixamente por tempo suficiente para fazê-lo duvidar de sua declaração. −Obrigado pela advertência − ela disse finalmente, e em seguida puxou as rédeas com força suficiente para que seu cavalo se levantasse sobre suas patas traseiras. Robert não teve outra opção que afastar-se de seu caminho se não quisesse que as patas dianteiras do animal o golpeassem −. 27


Adeus, “cabeça redonda” e pilantra! − assim os chamou enquanto cavalgava como um trovão−. Para seu bem, espero que nossos caminhos nunca mais voltem a se cruzar. Graham e Robert a viram afastar-se, cada um com um pequeno sentimento de perda depois de sua rápida recusa em ser ajudada e sua ameaça arrogante. −Não gosta de nós − disse Robert em um tom sombrio. Graham se voltou para ele. −Não gosta de você. Depois, com um brilho travesso nos olhos que Robert conhecia muito bem pelos dois anos que havia passado em sua companhia, Graham afundou os calcanhares nos flancos de seu cavalo e foi atrás dela.

Capítulo 4 28


Gostaria que estivesse contigo, para cavalgar uma vez mais a seu lado, e te advertir… Claire murmurou um juramento contra o vento entre os dentes. Deu por acaso uma olhada rápida por cima do ombro enquanto seu cavalo corria através de um vale aberto, com os cascos rasgando pedaços de terra. Os dois homens estavam atrás de ela. Malditos sejam no Hades! Fazia todo o possível por perdê-los na última hora, empurrando seu pobre cavalo até o limite. Tinham passado através de rios, saltado por cima de muros de granja, e atravessado rapidamente dois povoados, mas seus aspirantes a campeões se mantinham em seus calcanhares. Tinha que encontrar uma maneira de desfazer-se deles. Se necessitasse de homens para ajudá-la com o que queria fazer, ela teria trazido seu aliado mais próximo e o mais querido amigo de Connor, James Buchanan, e alguns de seus guardas também. Diabos! James ia ficar furioso com ela por ter deixado Ravenglade sem lhe dizer nada. Mas não havia nenhuma razão para deixar que o matassem que era exatamente o que aconteceria se chegava a Edimburgo com o novo líder da resistência. Além disso, ele nunca teria gostado de seu plano, e gostava muito dele para brigar por causa do tema. Se tudo fosse bem resgataria Anne sem ter que desembainhar sua espada para cortar a garganta de Monck. Quer dizer, se ao menos pudesse se livrar dessas duas pragas que a seguiam. Imaginava que tinham boas intenções. Ao menos o cabeça redonda. Sim, ele era um Campbell, mas havia algo naqueles olhos castanhos, uma total ausência de astúcia, uma sinceridade genuína, que não tinha visto em muitos homens. Galahad, sem dúvida. Seu libidinoso amigo era um assunto completamente diferente. Ela conhecia muito bem aos de sua índole. Virtualmente tinha crescido na companhia de homens, que por muitos anos tinham considerado sua presença nos campos de prática de seu pai como nada mais que uma 29


distração agradável, uma mulher a que estavam ansiosos em dominar, reclamar e conquistar. Nenhum tinha conseguido, e muitos ainda conservavam as cicatrizes de suas tentativas. O bosque se elevava diante dela. Acariciando a suave pelagem de seu cavalo, cravou os calcanhares nos flancos do animal cansado e acelerou o passo para as árvores. Devia perder seus perseguidores no labirinto ou ver-se obrigada a deixar seu cavalo exausto e falar com eles de novo. Se descobrissem que era membro da família real e prometida de um dos homens de Monck, tentariam custodiá-la e entregá-la aos pés do general. Determinada em seu objetivo, submergiu no denso bosque. Suas orelhas se ergueram para ouvir os bufos dos ofegantes cavalos atrás dela. Lançando-se através do bosque de carvalhos, fugiu para o sul, para seu destino. Ninguém a impediria de salvar Anne −e a si mesma − dos matrimônios de conveniência com o inimigo. Ao menos, isso é o que dizia a si mesmo quando seu cavalo desacelerou o ritmo e finalmente parou de galopar. Tentou que o cavalo recuperasse o movimento, mas não serviu de nada. Tinha o forçado muito. −Me perdoe Troy − ela deslizou na sela para inclinar-se sobre o pescoço do cavalo−. Mas tinha pressa, querido amigo. Devo… − suas desculpas foram interrompidas pelo som de seus perseguidores, que chegavam atrás dela. Eles eram os culpados disto. Chiando os dentes, levantou a cabeça e se voltou para eles−. Se meu cavalo morrer − tirou sua espada da bainha e a apontou para eles−, os empalarei nesta espada. O Highlander olhou para o cavalo e saltou para o chão. Caminhou diretamente para ela, com seu plaid oscilando ao redor de seus joelhos, e jogou a capa para trás. Claire ficou imóvel ao ver uma mecha dourada e brilhante cair sobre sua testa. Quando chegou até ela, afastou a espada com um tapa, desprezando sua ameaça como se não fosse mais perigosa que uma menina malcriada. 30


−Necessita descanso − ele disse, deixando-a de lado para examinar a pelagem do animal e seu focinho−. E água − pegou as rédeas de Troy e levou a cavalo para um lado. Claire deu um passo adiante para tomar a brida e detê-lo, mas seus dedos se fecharam com força ao redor de seu pulso −. Foi descuidada com seu cavalo, moça. Se o animal morrer, a culpa será apenas sua. Ela não tentou liberar-se de seu férreo abraço, embora a acusação a enfurecesse. A tentativa seria inútil, e se negou a lhe dar a satisfação de vêla lutar contra sua força. Em troca, ela deu um passo para mais perto dele e inclinou seu rosto para ver e sustentar seu olhar frio. −De qualquer maneira, eu continuarei. Necessito de outro cavalo. O seu está em forma. Seus olhos brilharam com um toque de malicia que Claire atribuiu a sua reputação diabólica. Sua boca franzida com a arrogância de um homem seguro de seu poder para resolver qualquer provocação que se apresentasse. De fato, aceitou-a. −Dois em minha sela atrasaria nossa viagem de forma considerável − sua voz soou profunda como um murmúrio rouco enquanto se inclinava sobre ela−. Embora a perspectiva de tê-la colocada entre minhas coxas todo o caminho até Edimburgo é tentadora o suficientemente para me fazer dispor eu mesmo de seu cavalo. Claire lhe dedicou um sorriso malicioso e piscou inocentemente. −Que é precisamente a razão pela que estará morto quando eu for. A risada enrugava os cantos exteriores de seus olhos enquanto recuava. Mas apreciava a diversão em sua expressão, e não zombava. Claire não sabia o que fazer com ele. Os homens geralmente ofendiam-se frente a suas ameaças. Inclusive acreditavam que não poderia cumpri-las até que era muito tarde, e odiavam ser desafiados por uma mulher. Este, além disso, era arrogante. −Por que não parou a seu cavalo antes?

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Claire se voltou com o cenho franzido para Robert Campbell, ainda sentado em seu cavalo. Ele a olhava com olhos cheios de inocência antes de chegar a alguma conclusão da qual não gostava. −Só tentamos protegê-la minha senhora. −Mas eu não… − sua recusa se viu truncada por uma adaga que passou assobiando perto de seu nariz, e Grant a fez levantar os pés do chão e a colocou em suas costas. Agarrando seu punho com ambas as mãos, Claire olhava para a suas costas, que lhe bloqueavam a visão. Em seguida se moveu até colocar-se ao lado dele. Rapidamente o olhou de esguelha enquanto tirava seu claymore da bainha. Juntos, puseram seus olhos sobre o pequeno grupo de homens que saíam detrás das árvores que os rodeavam. −Ladrões − murmurou Claire, observando sua vestimenta feita de farrapos e o brilho de cobiça em seus olhos dirigida aos cavalos. −Uns vinte e dois − concordou o comandante. −Vinte − o corrigiu Claire, assinalando com certo grau de satisfação sua posição de batalha. −Não, moça. Há dois atrás de nós. Claire olhou por cima do ombro para descobrir que estava certo. −Nos entreguem os animais e ninguém será ferido! −exclamou um dos integrantes do grupo enquanto avançava. Preparando suas pernas, Claire observava cada movimento do patife sobre a borda de sua espada. Ela já tinha tido o suficiente por um dia. Negava-se a permitir que um punhado de parasitas atrasasse sua tarefa para mais tempo. −Tentem levar os animais −respondeu−. Os cavalos são meus. Com a leve risada da indesejável companhia ao seu lado, dirigiu seu olhar para ele. Graham Grant acreditava que sua segurança era absurda e suas ameaças levianas. Um engano muito comum. Demonstrou-o um instante mais tarde, quando dois ladrões se jogaram sobre ela com as espadas em alto e as pernas velozes. Dobrou os joelhos, deslizou sua espada no ventre de um deles, em seguida deslizou-a 32


rapidamente sob o queixo do segundo homem. Ele se manteve em posição vertical por um momento horrível enquanto o resto de seus companheiros atacava. A seguir caiu para trás, enquanto brotava sangue de seu pescoço. Claire não se deteve para ver se seus campeões necessitavam de ajuda, mas sim bloqueou um duro golpe sobre sua cabeça e depois outro em suas pernas. Três golpes limpos de sua espada rasgaram a túnica suja de seu agressor e seu peito. Outro ladrão, que ia levantar sua arma contra ela, pôs-se a correr. Sem ninguém com quem brigar no momento, deu a volta e olhou para cima onde um sorriso enviesado fez com que seus braços se sentissem pesados e sua cabeça leve. Seu corpo se voltou alarmantemente etéreo. Não havia nenhum homem em sua vida que sorrisse da forma que o Highlander fazia, com apreço e respeito por sua capacidade em vez de desprezo. Dirigiu a Graham uma rápida inclinação de cabeça e logo pôde apreciar em silêncio a força e rapidez de seu braço ao bater seu punho na cara do último ladrão que restava. Ao desmontar, Campbell se aproximou de seu amigo e dirigiu ao proscrito inconsciente um olhar desalentador. −Caiu muito rápido. Graham ficou de acordo e lhe deu uns tapinhas nas costas. −Praticaremos mais, Rob. −Praticar o que− −perguntou Claire, embainhando sua espada. −A lutar com os pun… −Ehm − interrompeu Campbell, como se acabasse de engolir areia fina−. Não tem importância. Claire sorriu ao ver seu mal-estar repentino, e em consequência os cortes e as contusões que danificavam seu rosto bonito. Era óbvio que o pobre homem não sabia lutar. Pena não ter tempo para ensinar, já que seu companheiro tinha fracassado claramente na tarefa. −Lutaram muito bem − o elogio do conde a surpreendeu com a guarda baixa, mas antes que pudesse lhe agradecer ele voltou a falar e seu sorriso desapareceu−. Disse que seu irmão a ensinou? 33


−Sim − respondeu Claire revidando o seu olhar escrutinador com outro estoico. Não era um guerreiro, mas era mais esperto do que pensou em primeiro lugar. −Posso perguntar o nome de um guerreiro tão competente? – ele perguntou-lhe, tão inocentemente como se perguntasse sobre o tempo. −Não pode − respondeu Claire cortesmente−. Está morto e prefiro não falar mais dele. Seu olhar para ela se suavizou. −Sinto por sua perda. Ela assentiu com a cabeça e começou a afastar-se, pronta para sair, quando o Highlander bloqueou seu caminho. −Nos diga seu nome então. Ela pensou em recusar seu pedido. Não podia lhe dizer quem era e esperar sair com os pulsos livres. Pior ainda, saberiam que Anne não era uma simples criada a não ser a irmã do rebelde mais procurado da Escócia. Embora Grant não tivesse nada contra a família real, o Campbell certamente tinha. Ela poderia ser capaz de lutar contra ambos e escapar, mas no momento que chegassem a Edimburgo, o conde alertaria Monck de sua intenção de resgatar à prima do rei. Entretanto, embora a lógica gritasse para dar um nome falso como tinha feito antes com os homens de Lambert, sua boca a traiu quando viu os cintilantes olhos esmeralda do Highlander. −Meu nome é Claire. −Claire − ele entoou no mais suave dos sussurros, como se nunca antes tivesse ouvido uma palavra mais profunda. Ao pegar sua mão, deslizou seus dedos embaixo dos dela e os levou aos seus lábios−. Estamos a seu serviço. Claire afastou a mão do calor de seu fôlego e lutou contra os tremores excitados que percorriam seus músculos. Maldito seja o homem, pois não tinha mentido ao afirmar que era malvado! Era um malicioso guerreiro, a encarnação da pura tentação masculina. Os carnudos lábios de

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sua boca e seu sorriso sedutor advertiam para os prazeres nos quais nenhuma gentil dama jamais deveria pensar. Mas Claire Stuart não era gentil, e a maioria dos que a conheciam não a consideravam uma dama. Seria por isso que naquele momento ela não podia pensar em outra coisa que não fosse o que sentiria se ele acariciasse seus lábios com a língua. −Meu cavalo necessita de água − disse, afastando-se dele e pegando as rédeas. Em que demônios estava pensando?Ela estava acostumada que os homens tentassem ganhar seus favores com um sorriso luxurioso e palavras bonitas. Este homem não era diferente daqueles que tinha estado rechaçando desde que tinha quatorze anos. Ela se negou a lhe dar de presente sua boca ou qualquer outra parte em outro pensamento−. Agradeça-me rapidamente por ter lutado ao seu lado em vez de contra vocês, e me deixem em paz – ela disse altiva. Apertou os dentes e fechou os olhos, sentindo-se frustrada ao ouvir que os dois homens continuariam seguindo-a. Tinha que salvar Anne e ela não podia fazê-lo com os homens do general Monck atrás ela. Pelas bolas de Satanás! Não lhe davam outra opção. Ela teria que matá-los.

Capítulo 5 35


…Tome cuidado com as armadilhas da raposa. Graham teria desfrutado de andar ao seu lado, de onde poderia gozar da excitante curvatura de seu queixo, a curva de sedução de sua mandíbula. A ideia de repassar seus lábios, seus dentes e seu pescoço atraente fazia que seu corpo estremecesse. Mas enquanto mantinha seu cavalo em passo lento atrás dela, teria que dar-se por satisfeito desfrutando da vista. Passava o tempo visualizando a forma roliça, perfeita, de suas nádegas, tentadoramente acariciadas pelos calções de lã fina. Seu traje viril não apenas acentuava o domínio do furor de seu quadril, mas também a graça feminina de suas longas pernas. Uma cotovelada nas costelas o fez dirigir sua atenção para o homem ao seu lado. −Sabe quem é? −Se fosse por mim, ela seria minha companheira de cama durante os próximos sete dias. Robert o olhou de cima abaixo como se suplicasse ao céu que lhe desse um grande presente. Inclinou-se mais perto de Graham e sussurrou: −Não, ela é Claire Stuart. A irmã de Connor Stuart! O primo do rei! −Lançou um olhar para ela para assegurar-se de que não tinha ouvido seu descobrimento entusiasmado e depois continuou em voz baixa−. Seus pais foram assassinados um ano depois que Carlos II foi banido. John Stuart, disseram-me, negou-se a jurar lealdade a Cromwell e foi chamado a Londres para reunir-se com o Parlamento. Ele e sua esposa nunca retornaram. −Stuart foi um tolo em confiar nos ingleses − Graham murmurou, olhando para a moça a uns passos de distância. Maldição, não podia afastar os olhos dela!−. Mas o que tem que ver tudo isto com ela? −A Stuart e sua esposa sobreviveram seus três filhos: Connor, Claire e Anne. 36


Agora Graham se virou para ele com o cenho franzido, recordando as palavras anteriores dela. −Sua irmã fez que todos no castelo a chamassem de Guinevere. Ela se negou a responder como Anne durante um ano inteiro. Robert assentiu com a cabeça. −Monck deve ter retido Anne pela força para atrair Connor. −Mas Connor está morto. −Isso ela diz −Robert assinalou com outro olhar rápido dirigido para Claire−. A cabeça de Connor tem um preço, pago por, como ela costuma me chamar, os “cabeças redondas”. No caso de que sua verdadeira identidade ser revelada, que melhor maneira de pôr fim à busca de seu irmão que alegar que está morto. Graham meditava enquanto pisava em um ramo caído em seu caminho. −Não pode ser verdade o que diz – ele se dirigiu a Robert de novo−. Connor Stuart passou os últimos oito anos lutando contra o exército inglês. Concordando com sua posição ou não, pensando que seus esforços tenham sido uma loucura ou valentia, ele não era nenhum covarde. Robert fez uma pausa, e posou os olhos na mulher que tinham adiante. O prazer de seu descobrimento desapareceu ao ver o seu rosto. −Ele não enviaria sua irmã para fazer seu trabalho − Graham expressou seus pensamentos em voz alta−. Então ela diz a verdade. Connor Stuart está morto. −Isso parece − admitiu Graham, e depois baixou a voz−. Monck deve ter enviado outros em busca de Stuart ao ver que não teve êxito, e quem sabe se não foram eles que o mataram. −Não. Monck queria Stuart vivo. Portanto, o general não podia saber que Connor Stuart estava morto. Graham chegou a esta conclusão enquanto entravam em uma clareira do bosque de samambaias com um estreito arroio que a atravessava. A luz solar se filtrava pelas copas escassas. À beira do arroio coberto de musgo, Claire deixou as rédeas de sua montaria e passou a mão pelo pescoço comprido de seu cavalo. Graham 37


viu a delicadeza de seus movimentos, a ternura de seu tato enquanto consolava o animal agitado. Ela inclinou o rosto para cima e um raio de sol iluminou a boca moderadamente curvada. Como um anjo feliz, ela se deleitava a seis passos de Graham. Então inclinou a cabeça e o viu. Não havia um anjo aí. A boca de Graham seguia em um perene sorriso. Foi o resplendor de seus olhos que revelou sua verdadeira natureza, e suas intenções. −Não diga nada de sua identidade, Rob − disse Graham em voz baixa−. É sincera em sua missão, e nós somos um obstáculo. O veneno abrasivo de seu olhar teria sido para outro homem motivo de preocupação, mas a ideia de lutar com ela excitou a imaginação de Graham. A queria de todas as maneiras possíveis: em seu cama, no bosque, sobre seu cavalo… Queria sentir seu corpo ágil debaixo dele, resistindo como uma égua selvagem até que seus suspiros afogados lhe dessem licença para fazê-la sua. −Parece esfarrapada e coberta de pó − ele disse aproximando-se de seu lado. O fogo em seus olhos azuis iluminou-se. Ele sorriu−. Por que não se despe e toma um banho? −É o melhor que sabe fazer para me ver nua? − ela perguntou com uma repentina e adorável ruga na testa diante do pensamento de Graham−. Sério, malandro, me decepcionou. Suas artes de sedução são tão inúteis quanto o braço de seu amigo na luta. Imediatamente, Robert balbuciou em sua defesa, mas o olhar de Claire se fixou em Graham e no halo beijado pelo sol que formavam seus cachos caindo sobre seu rosto quando tirou a boina. Ele desabotoou o plaid de seu ombro. A lã pesada deslizou por seu peito, parando no cinturão por cima de seus quadris. Ela observou como ele tirava a túnica pela cabeça, deixando descoberto um esbelto e poderoso ventre, e o peito liso e cinzelado. Levantou o olhar dos pequenos mamilos marrons que de repente fizeram sua boca ficar cheia d´água, e viu sua covinha luxuriosa quando 38


chegou a seu cinturão. Ele deu a volta e deixou cair a lã enrugada aos seus pés, lhe dando uma esplêndida vista de seu traseiro enquanto caminhava para a beira da água, tirando as botas. Claire corou até ficar escarlate e deu a volta, disposta a prestar toda sua atenção ao Campbell e apagar o calor abrasador de seu sangue. Já era muito tarde. O “cabeça redonda” tinha se deitado embaixo de uma das árvores que rodeavam a clareira e tinha já os olhos fechados para tirar uma sesta. Claire já tinha visto antes homens nus quando rondava pela porta de entrada de Ravenglade enquanto os homens estavam se trocando para o exercício. Nenhum daqueles corpos a tinha afetado. Ela estava ali para praticar com eles, e depois de ter demonstrado sua habilidade e determinação ao quase cortar alguns braços, a maioria dos homens aceitava sua presença. Entretanto, este caipira se despiu para seu prazer, lentamente, sensualmente. Ele ironicamente desafiou sua avaliação a respeito de sua capacidade para seduzir com um corpo criado para a guerra. Inclusive os homens de Connor, incansáveis em seus esforços por ganhar seus favores, nunca tinham sido tão audazes. Ouvindo o barulho atrás dela, Claire se negou a olhar a qualquer outra parte que não fosse à copa das árvores. Esse homem estava louco por querer banhar-se no meio do outono! Era verdade, então, que aos homens do norte se afetavam menos com o frio. Quando os passos atrás dela a avisaram de que o Highlander saía do arroio, ela fechou os olhos. Certamente, o canalha não carecia de confiança em sua aparência. A quantas pusilânimes empregadas teria seduzido desse modo?Bastardo arrogante!, ela pensou, apertando os dentes. −A água está fresca, mas cumpriu bem com seu propósito. A diversão na voz dele atiçava os nervos de Claire. Ela sabia o significado de sua observação de mau gosto. Connor frequentemente

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brincava com James sobre as consequências da água nas… extremidades do homem. −Não temo que completamente− ela respondeu, com uma tranquila indiferença que não sentia. Ele a havia enfurecido. Conseguia enervá-la até acendê-la, e o odiava por isso−. Não se afogou. Ao ver o sorriso de Campbell enquanto descansava, Claire suspeitou que era a primeira vez que ouvia uma mulher dizer outra coisa que não fosse “me leve para sua cama” ao seu companheiro, e ele estava desfrutando. Se este fosse o caso, ela estava a ponto de fazer o jovem conde gritar de alegria. −É uma lástima que seja um “cabeça redonda” − ela disse simulando um suspiro de desalento quando Campbell levantou uma pálpebra para olhá-la. Colocando uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha, deu um passo mais perto de onde ele estava sentado apoiado contra o tronco da árvore. Seus dois olhos estavam agora abertos−. Acredito que sua humildade é um refrescante descanso dos cães selvagens que ladram arrogantes para um lobo. Os olhos do Robert se iluminaram divertidos enquanto os dirigia para seu amigo, que se vestia em algum lugar detrás dela, e em seguida voltou a olhá-la. −Sim, os lobos são ardilosos. Claire assentiu com a cabeça e inclinou a cabeça para ele, perguntando-se por que utilizou a palavra ardilosos, quando sua nuca sentiu a respiração quente do Highlander. −Mas… por acaso os lobos mais ferozes não caem presa do caçador? Pôde ter sido seu melodioso zumbido ou a cadência de sua voz rouca que rasgou seu ouvido ou possivelmente se tratasse simplesmente da forma em que fez sua pergunta como se fosse uma promessa, o que fez que seu coração acelerasse. Virando-se, pôs seu nariz a escassos centímetros de

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sua túnica úmida e pegajosa. Ela levantou a vista mais acima de seu peito, e com um sorriso de serena confiança como a dele, disse: −Esta loba não. Caminhando ao seu redor, passou de novo pela borda do arroio para ver em que estado se encontrava Troy. O jovem cavalo parecia estar em melhor estado que ela. Não se deu conta de que suas mãos tremiam até que as levantou para a brida de Troy. Sua respiração era tensa, sua carne quente contra a brisa fresca. Maldito seja por ter um sorriso tão descaradamente libidinoso! O próprio Satanás lhe daria tapinhas nas costas com prazer. Que ele tivesse esse sorriso nos lábios cada vez que o desafiava a enfurecia e excitava ao mesmo tempo. Claire gostava de uma boa briga, mas não tinha tempo para os malandros com excesso de confiança. Era uma pena que o Highlander não estivesse com ela o tempo suficiente para sofrer a derrota. Ela teria desfrutado de humilha-lo com seu rechaço. Ha! O bobo lascivo não tinha nem ideia de quem era ela, nem de quantos pretendentes tinha recusado sem nem sequer olhá-los. Tinha desafiado seu pai e inclusive a seu irmão em princípio ao optar por viver em um mundo de homens. Ela era imune aos seus encantos, impermeável aos seus afetos. Ela apenas se preocupava com seus familiares, seu país e a restauração de Carlos ao trono. Ao inclinar a cabeça, olhou Graham Grant enquanto ele rodeava o plaid em seu corpo úmido e falava em voz baixa com Campbell. Como se houvesse sentido seu olhar nele, o Highlander levantou o olhar e lhe piscou um olho. Malditas bolas de Satã! ela pensou enquanto os dedos de seus pés se esticavam. Tinha que afastar-se dele. E rápido.

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Capítulo 6 Estou afetado pela flor da Escócia em prantos! −Onde acha que vai? −perguntou Graham, vendo que Claire colocava sua bota no estribo. A ponto de montar, ela deteve-se com as mãos nos quadris e lhe lançou um olhar glacial. −Aonde acha que vou? Vou para Edimburgo. Sozinha. −Escurecerá em poucas horas, e não há nada em léguas alem de bosques. Acamparemos aqui durante a noite e… Sua risada o interrompeu, mas quando ela desceu do estribo e se dirigiu para ele, seu desprezo se tornou assassino. −De verdade acredita que pode me dar ordens, caipira insuportável? Graham se afastou da árvore contra a qual estava encostado pouco antes dela chegar. Seu olhar não podia evitar estudar e admirar o fogo do inferno que desprendia o balanço de seus quadris. Ela era uma garota atrevida, ardente em seu propósito, e aparentemente resistente aos seus cuidados. Ele se disse que queria ficar com ela para evitar que a decidida moça fosse assassinada. Mas fazia o sangue que corria por suas veias ferver como nenhuma outra moça antes dela havia feito. Atravessava seus pensamentos, incitando ainda mais sua curiosidade. Normalmente, uma caçada, como a que ela representava teria sido suficiente. Mas ele não queria fazê-la correr, e ela correria se ele a abandonasse. 42


−Eu não me atreveria a lhe ordenar nada − ele corrigiu com delicadeza−. Estou lhe dando uma opção. Se for agora, tenha certeza de que ficarei em seus calcanhares durante toda a noite − um dos cantos de sua boca se levantou ligeiramente, sugerindo que queria dizer algo muito mais provocador que segui-la−. Se esperar até o amanhecer, lhe direi adeus. Claire ficou olhando, procurando a verdade em sua expressão. A deixariam seguir sozinha seu caminho se ela apenas ficasse até o amanhecer? Ficariam à margem? Ela olhou para o conde, agora de pé, também. Estaria mais inclinada a acreditar em sua palavra. −Tenho sua promessa nisto Campbell? Ele deu um olhar interrogativo para seu amigo, apertou os dentes, e depois se voltou para ela. −Acredito que é melhor que nos mantermos unidos. Odeio pensar no que teria sido de você se não tivéssemos chegado a tempo. −Acredito que não dei motivo para pensar essas coisas − Claire respondeu firme, segura de suas próprias habilidades. −Admito que use a espada até melhor que minha irmã − concedeu o conde−. Mas devo lhe perguntar… que classe de irmão não ensina a sua irmã a temer o bosque? Uma pergunta bastante razoável pensou Claire, pois não sabia nada nem dela nem de Connor. Este homem era um partidário da República, absolutamente familiarizado com os perigos de viver a vida como um proscrito. Ela não podia julgá-lo com muita dureza por sua ignorância, por isso sua resposta foi simples. −O tipo de irmão que me ensinou a me manter com vida nele. Agora tenho sua palavra? Seus traços se esticaram com relutância em aceitar, mas finalmente assentiu e se afastou. Claire o viu afastar-se. Quando chegou à borda do arroio, ajoelhouse e afundou suas mãos na corrente encrespada. Possivelmente, pensou ela,

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para lavar mãos dela. Ao detectar outro par de olhos nela, virou seu olhar para o Highlander. Santo Deus, que bonito estava ali de pé com o ombro apoiado contra a árvore, com os braços cruzados sobre o peito e um sorriso irritantemente triunfal curvando sua boca sensual! Decidiu que se alguma vez arrumasse um marido, preferiria a tranquila humildade de seu companheiro à arrogância descarada do guerreiro. Mas quando se afastou dele, disposta a passar todo o tempo que tinha com o menos intolerável dos dois, seus pensamentos se mantiveram atrás dela. Por que um Highlander católico viajava com um “cabeça redonda” presbiteriano? Qual deles estava traindo sua lealdade? Provavelmente o malandro, pensou chutando a terra. A diabrura que fazia com que seus olhos brilhassem como facetas polidas de esmeralda demonstrava seu coração de canalha. −Como caiu nas mãos dos homens de Lambert esta manhã? A pergunta do conde a tirou de seus pensamentos e assim olhou para baixo para descobrir que tinha a alcançado. Olhou além da corrente para a linha de árvores à frente. −Caíram sobre mim enquanto dormia. Matei três deles, mas os outros vieram de todas as direções. Consegui acabar com mais três antes que o resto me apanhasse. Tomaram minha espada e me arrastaram até a árvore onde me encontraram. −Certamente, nunca conheci uma mulher como você. Ao ouvir o lamento em seu elogio, Claire baixou os olhos para ele. −Fala como um guerreiro − ele disse. −E o desaprova? Ele encolheu os ombros envoltos em uma túnica anil e disfarçou seu olhar sob suas pestanas longas como sabres. −Acredito que é o dever de um homem proteger uma dama. Claire lutou contra o impulso de sorrir. Uma declaração tão séria não merecia brincadeira, apesar de que estava claro que ele não podia proteger a si mesmo, e muito menos a uma dama. O conde de Argyll

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possuía ideais nascidos em outra época, e tão nobres como poderiam ser então, eram tolos no presente. −Não ensinou a sua irmã a lutar? −Não havia muito mais que fazer – ele elevou seus grandes olhos e a olhou enquanto ela se ajoelhava para sentar-se ao seu lado−. Fomos educados pelos soldados e os servos depois que nosso pai morreu. Pratiquei minhas habilidades no campo a cada dia, e Kate só devia assistir no começo. Logo Amish e John a ensinaram também. Apoiando os cotovelos nos joelhos dobrados, Claire o olhava enquanto falava. Ele era um puritano, um inimigo da monarquia. Ele como muitos outros nobres da Escócia tinha vendido sua lealdade ao rei por um título e terras. Mas aqui sentada com ele no meio dos sons serenos da água correndo e o ranger das folhas, achava-o muito agradável. −Você esteve praticando desde que era um menino e ainda não sabe lutar. É por isso que contratou ao comandante das Terras Altas para que te manter a salvo? − antes que pudesse evitá-lo, virou-se e olhou para Graham. O malandro. Estava encostado sob a árvore como se não se importasse com nada no mundo, com sua boina enfiada até os olhos enquanto descansava, e suas longas pernas estendidas diante ele. −Graham? − o conde perguntou, seguindo seu olhar. − É verdade que me salvou a vida em mais de uma ocasião, mas posso lutar muito bem com uma espada. Não acredito que seja necessário matar a todos os que vêm contra mim. Claire se voltou para ele com olhar de espanto. −Um pensamento contraditório vindo de alguém que foi criado entre soldados. Diga-me então − seu olhar se endureceu−; o que pensa dos exércitos que torturam a quem não concorda com a forma de pensar de seus generais? −O general Monck é um homem justo. Não conheço… −O general Monck é pior inclusive que os outros − Claire interrompeu, com o ferrão da paixão em sua voz−. Levam aos homens à 45


guerra. Eles não sabem nada de lealdade ou de governar um reino. Devemos confiar o bem de nossa nação em homens sedentos de sangue que não se preocupam com a gente, mas sim com o poder? −E a Resistência realista os pararia matando a todos?− Campbell perguntou por sua vez, com seu tom de voz neutro, com os olhos penetrantes e, entretanto desapaixonados sobre ela−. É o homem que os conduz à guerra menos sanguinário? Claire se zangou ante o julgamento injusto de seu irmão, mas se conteve antes de saltar no campo de batalha. Era óbvio que ela era membro de tal resistência, e a Claire não importava se Campbell sabia. Mas isso era tudo o que estava disposta a expor perante seu olhar vigilante. −Negamo-nos a aceitar o que nos impõe – ela respondeu com frieza−. Não temos outra opção que lutar. Seu Highlander deveria entender. −Ele entende. Claire arqueou uma sobrancelha curiosa ante sua breve resposta e o olhou fixamente, esperando mais. −Graham lutou ao lado dos MacGregor durante muitos anos. Ele segue sendo um amigo leal deles, apesar da proscrição e suas consequências aos simpatizantes. Todo nobre ao sul de Aberdeen sabia que os Grant estavam aliados com os MacGregor fazia muitos anos, inclusive os consideravam parentes. Mas Claire se surpreendeu ao escutar a devoção inquebrável de Graham para o clã proscrito. Não o esperava comprometido com ninguém. Demônios! Havia-lhe dito com suas próprias palavras que era um patife desavergonhado, e ao despir-se ante seus olhos tinha confirmado sua afirmação. Lutando contra a tentação de olhá-lo uma vez mais, perguntavase o que obrigava a um descarado reconhecido a tal fidelidade. E mais, se ele era um verdadeiro amigo dos MacGregor, o que estava fazendo com o Campbell?

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−Disse que sua irmã foi sequestrada uma vez pelos MacGregor. Como é então que cavalga com seu aliado? −Ele é muito mais que um simples aliado dele. Ele é seu comandante. Claire levantou uma sobrancelha, impressionada. −Kate está agora casada com o líder dos MacGregor e há paz entre Argyll e seu clã. −A paz é efêmera – Claire burlou, e se inclinou para imergiu a mão na corrente. Recolheu um pouco de água na palma de sua mão e a jogou sobre seu rosto−. Eu ouvia meu irmão frequentemente falando do senhor da névoa. Um grande senhor da guerra que lutava contra as leis que o oprimiam. Há rumores que matou Duncan Campbell, o conde anterior a você, e espera que eu acredite que há paz agora entre seus parentes? −O senhor da névoa não matou a meu tio. −Como sabe que não foi ele? −Porque ele é o marido de minha irmã, e eu estava com ele e meu tio quando lutaram. Claire riu. −Seu cunhado é o Diabo MacGregor? −quando ele assentiu com a cabeça, dirigiu-lhe um olhar de compreensão−. Não teve êxito ao tentar resgatá-la, então. Isso deve pesar muito sobre você, cavalheiro, mas eu não vou sofrer o mesmo fracasso. −Não falhei com minha irmã − Robert se virou para trás na grama, inclinando seu braço atrás da cabeça e fechando os olhos−. E se a sua é parecida com você, é provável que Monck e seus homens sejam os que estejam sofrendo agora mesmo. Claire mostrou um cenho franzido em sua face tranquila, e lhe deu uns golpezinhos com o dedo em um flanco. −Não fale dessa maneira de minha irmã. Anne não se parece em nada comigo. Ele bocejou. −Como é então?

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−Ela é tranquila e… − fez uma pausa, procurando a palavra mais indicada para descrever a sua querida Anne−. Melancólica. Recatada, e muito mais elegante que eu. É reservada, mas suas emoções se mostram tão abertamente em seu rosto que é fácil ler seus pensamentos − Claire sorriu e lembrou quem era o homem que estava ao seu lado. Olhou para baixo e se surpreendeu ao encontrá-lo acordado e olhando-a. −Que mais? − ele perguntou. Claire não se importava de falar dela. De fato, ajudava-a a centrarse em sua missão. Tinha perdido ao seu irmão. Não perderia sua irmã também, mesmo que fosse para o casamento. Esta ideia a fazia sentir-se com o coração apertado. Morreria antes que ela ou Anne tivessem que casar-se com um “cabeça redonda”. Como prima do rei, sempre soube que seu futuro estava escrito nos caprichos da monarquia. Ela não queria ter um marido e renunciar à vida que tinha escolhido como guerreira. Mas se tinha que casar-se, faria-o com alguém da escolha do rei Carlos. −Ela tem o cabelo como o de minha mãe, liso e de tons escuros da cor do cobre em pó. Seus olhos são da cor do céu antes de uma tormenta, e olhar neles é como olhar nos olhos de um falcão. −Parece muito bonita − disse o conde, soando como se verdadeiramente acreditasse que era. −É − assegurou Claire suavemente−. E é tão obediente quanto eu rebelde. Ela se apresentará perante o sacerdote, e embora seu coração em silêncio proteste, e se casará com aquele que o general Monck escolha para ela. O conde se sentou, com suas feições agradáveis marcadas agora com a consternação. −Ela está no Edimburgo para casar-se? −Sim, e com um “cabeça redonda”. Agora sabe por que tenho tanta pressa em resgatá-la. Ele olhou para a água por um momento, com a testa franzida, projetando uma sombra sobre seus olhos e pensamentos em conflito em seu 48


interior. ficou calado, e a seguir passou as mãos por seu cabelo castanho e disse: −Sairemos para o Edimburgo à primeira luz da alvorada. −Nós? Olhou para ela. −Sim. Nós. Eu… −O que fará? Você serve a Monck − espetou Claire, zangada porque ele tinha quebrado sua palavra com ela. O tolo arruinaria tudo assim que alertasse a todos em Edimburgo de que tinha chegado para salvar à donzela Anne−. O que vais fazer quando te negar qualquer absurda petição que faça? Vai desafia-lo?Lutar contra ele? Possivelmente matá-lo se precisar? Não, não o fará!Assim me diga, cavalheiro, como vai servir de ajuda a qualquer um de nós? −Vou negociar com ele. Claire quase riu em sua cara. −E o que tem você que ele possa desejar? −A Connor Stuart. Seu rosto ficou rígido. Quando lhe ofereceu sua mão, ela saltou para trás. −Claire – ele disse, levantando a palma da mão como se quisesse impedi-la de partir, que era exatamente o que queria fazer−, o general Monck não sabe que seu irmão está morto. Eu prometerei Connor em troca da Anne. Ele sabia. O desgraçado sabia que ela era irmã de Connor durante todo o tempo. Com sua mão no punho da adaga, considerava que o melhor era feri-lo sem despertar a seu amigo. −Eu te matarei. −Preferia que não o fizesse. Ela olhou a seu redor. O Highlander não se moveu. Seu cavalo estava perto. Poderia golpear o conde e partir em uma questão de segundos. Mas primeiro ouviria por que acreditava no que havia dito. −Por que acha que o general não sabe que meu irmão está morto? O olhar de Campbell se dirigiu a sua mão.

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−Porque – ele respirou profundamente e depois elevou os olhos para encontrar-se com seu olhar assassino−, ele enviou-me em sua busca.

Capítulo 7 Salve-me do beijo do diabo! A adaga de Claire brilhou a luz do sol enquanto se aproximava. −Sabia que não era de confiança − levantou a mão para apunhalálo−. Sua busca termina aqui. Uns dedos largos se fechavam ao redor de seu pulso, detendo sua descida com uma força dolorosa. Com um giro no braço que quase a deixou sem fôlego, deu a volta e investiu contra o corpo duro e tenso do 50


Highlander em suas costas. Sua expressão era escura, com o olhar inescrutável enquanto aprisionava seu pulso contra a parte baixa das costas. Um forte puxão empurrou seu corpo mais perto e seu braço mais acima de suas costas. Ela apertou os dentes em um esforço por não chorar. −Solte – ele advertiu, com outra pequena torção em seu pulso. O olhando, ela abriu os dedos e deixou a adaga cair. Ele tirou sua espada da bainha depois e a jogou de lado. Seus olhos nunca se separaram dela, nem tampouco relaxou seu controle. Ela lutava contra seu abraço de aço, enquanto que ele apenas mantinha um sorriso irritante na boca enquanto a olhava. − Acabou-se, moça − o timbre baixo da sua voz dele produziu um calafrio estranho em sua coluna vertebral. Era ao menos duas cabeças mais alto que ela. Seu corpo abrangia o dela, envolvendo-a com sua força bruta e seu calor. Seu corpo estava quase inerte. Ele a soltou um pouco. E depois caiu de joelhos, cobrindo a virilha com as duas mãos. Agora a seus pés, Robert via Graham retorcendo seus membros em agonia. Quando Claire deu a volta, Robert deu cauteloso um passo para trás e a deixou correr para seu cavalo sem opor-se. E justo quando seus dedos chegaram às suas rédeas, ela também caiu de bruços. Ainda de joelhos, Graham equilibrou-se sobre ela, segurando seus tornozelos um instante antes que seu rosto golpeasse a grama. Com um grunhido forte, ele a puxou para trás, a virou e se arrastou sobre ela. −Você acha que seu sentido da honra é igual ao meu?− ele resfolegava fortemente, montado sobre ela. Segurava suas mãos firmemente por cima da cabeça e deixou que seu olhar audaz deslizasse sobre seu peito ofegante−. Está equivocada. Levante uma arma para qualquer um de nós outra vez, e isso inclui seu joelho, e atarei suas mãos, seus pés e seus…

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Seus dentes se afundaram em seu braço, transformando sua ameaça em um uivo. Ela saboreou o sangue e em seguida ele a levantou, com seu corpo flutuando no ar. Deixou-a no chão com um ruído que seus dentes emitiram ao soltar sua carne. Olhou para seu pulso ensanguentado, e a seguir para o brilho de advertência em seus olhos, e de novo a tomou em seus braços. Claire já a tinha sido beijada antes: um beijo casto que lhe deu Kenny, o filho do curtidor, quando tinha doze anos; um beijo roubado de Sir Rupert, o safado enquanto se exercitava com ele, e depois ela o deixou na cama durante sete noites; e James, antes de ir para a Inglaterra com Connor. Mas nunca a haviam beijado assim antes. Essa boca exigente, totalmente encantadora. Esses lábios moldados e acariciando com uma habilidade magistral que debilitavam a força de seu corpo. Acariciou-a profundamente com sua língua, e a sensação era tão erótica, tão íntima, que ela estremeceu em seu abraço. Ele se despediu com dois beijos menores, mas não menos excitantes antes que seus olhos se posassem nela. −Sanguessuga! − ela bufou −. Se alguma veze se atrever… −Seus olhos se arregalaram enquanto ele rasgava a manga esquerda de sua camisa do ombro. E em seguida a manga direita. Muito atordoada para falar, Claire o viu puxar as mangas por cima de seus punhos fechados e começar a atar seus pulsos. Ela tentou lhe dar um chute, e ele atou seus tornozelos a seguir. −Filho de uma cabra! –ela gritou −. Verei… −Bela advertência, moça − a interrompeu em voz baixa enquanto afundava os dedos em seus ombros para impedir que caísse−. Amordaçarei sua boca com o que resta da camisa. O resto de sua camisa incluía a parte que a cobria, e já que não punha em dúvida sua ameaça, mordeu os lábios com força. Suas fossas

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nasais sopravam com raiva. Seus olhos brilhavam com a promessa de vingança. −Sente-se. −Apodreça no inferno. Sua mão a agarrou pela nuca e ele se lançou para sua boca uma vez mais, deixando-a sem sentido. Ela era mal consciente de seu braço sustentando-a pela parte baixa de suas costas e seus pés levantados do chão. Quando a soltou, Claire se encontrou com seu traseiro sentado sobre o pasto. Seus lábios estremeceram e sua cabeça estava leve. De pé sobre ela, o Highlander lhe dirigiu um olhar quente e, porém vencedor, e depois lhe deu as costas e se dirigiu ao seu amigo. −Necessitaremos de fogo. −E um pouco de comida − afirmou seu companheiro−. Não temos o suficiente para três. −Sim, veja o que pode encontrar. Eu acenderei o fogo. Claire viu o conde deixar a clareira do bosque e depois olhou ao seu redor procurando algo que pudesse ajuda-la a escapar. Sua adaga estava jogada a uns metros, e sua espada ainda mais longe. Ela olhou para Troy, que mascava a grama. Não obteria nenhuma ajuda ali. Finalmente, seus olhos se posaram em seu captor. Filho da puta asqueroso amaldiçoou para si mesmo, enquanto ele se esticava para agarrar um galho de uma das árvores próximas. Como se sentisse seu olhar nele olhou por em cima do ombro, observou seu olhar assassino e riu. Claire se eriçou, mas não disse nada, senão ele iria violentar a boca de novo. A ideia provocou uma corrente não desejada de calor por suas costas. Bom Deus do Céu, ele sim que sabia como beijar! Não cabia dúvida de que tinha beijado a um sem número de mulheres com o mesmo ardor abrasador, selando seu destino… as fazendo suspirar por ele como gatinhas miando por leite quente. −Não sou uma fodida gatinha −murmurou. −Você disse algo?− ele deixou cair um punhado de galhos sobre uma pilha a uns poucos metros e se virou para olhá-la. 53


Contra sua vontade, ela estudou sua altura. Desde suas botas de couro sujas ao brilho de seus ombros, era todo uma obra prima nervos e músculos. −Não tenho nada que te dizer, exceto que nunca odiei a alguém tanto quanto a você. −Ah, isso explicaria o fogo em seu beijo – ele colocou a mão na bolsa que pendurada em seu cinturão e tirou um pequeno pedaço de casca de bétula e um pouco de musgo de turfa seco. −O que sentiu não era mais que minha repulsa. Ele lhe deu um olhar duvidoso antes de voltar sua atenção para tentar acender o fogo. Trabalhou em silêncio, agachado, esfregando a madeira e acendendo a isca. Enquanto franzia os lábios, suavemente soprou as gavinhas tênues de fumaça até que a pequena chama ficou mais forte. A forma de seus lábios fascinava Claire. AH, mas eram esculpidos para prazeres pagãos, dolorosamente carnudos e suaves… −Como morreu seu irmão? – ele perguntou de repente, acrescentando galhos e madeiras à chama ardente. Claire piscou. −Desfrutar do prazer fugaz de minha humilhação não é suficiente para você? Quer conhecer os detalhes da morte de Connor para assim poder zombar dele e de mim? −Seu olhar nela se suavizou enquanto ele se levantava completamente e se aproximava dela. −Não zombo de nenhum dos dois. Não duvido que fosse ele que acendeu o fogo em você por sua causa. Sua habilidade e fortaleza dão um bom reflexo do que ele foi. Eu apenas gostaria de saber como um homem como ele encontrou seu fim. Claire o olhava enquanto ele se sentava ao seu lado e passava seu olhar por suas longas pernas bem formadas quanto ele as estendeu diante dele e as cruzou pelos tornozelos. Todo aquele corpo, ela se encontrou pensando, incapaz de evitá-lo, todo esse músculo palpitante contra ela quando a beijou pela força. 54


−Foi traído. − ela disse, com a esperança de que agora ao contar ele fosse para algum outro lugar. Quando viu que ele não ia deu um suspiro−. O que importa para você?O estava procurando junto com um "cabeça redonda". Não ia entrega-lo ao general Monck para que o enforcassem em Edimburgo? Ele não respondeu, e ela assentiu com a cabeça, sabendo que não podia, e lhe deu as costas. −Como o traíram? −Combinaram uma reunião entre meu irmão e o seguidor de Lambert, o general Fleetwood. Mas era uma armadilha. Graham se inclinou um pouco mais perto dela, tocando seu antebraço nu quando ela não o olhava. −Claire, seu irmão foi um patriota radical. Por que estaria de acordo em sentar-se com seus inimigos? Ela sacudiu a cabeça e riu em voz baixa, como se para si mesmo. Depois virou a cabeça para encontrar-se com seu olhar. −Porque o general Monck lhe pediu que o fizesse. *** −Você acha que é uma boa ideia deixa-la ir atrás dessas árvores? −Robert mastigava uma raiz, fazendo caretas pelo seu sabor amargo, e a jogou nas chamas. Sentado na frente dele, Graham passou a mão pelo resto das raízes que Robert tinha reunido e em seu lugar pegou o pão duro. −Ela tinha que aliviar-se. −E devolveu suas armas − Robert olhou para as sombras procurando-a, mas estava muito escuro para ver−. Se sobreviver a esta noite, diga a minha irmã que a amo. −Não vai nos matar Rob − Graham riu e fez estalar um bago em sua boca. −Não confia em ninguém. −E por uma boa razão −Graham o olhava por cima do crepitar do fogo−. Seu general Monck traiu seu irmão. 55


Agora era a vez de Robert rir. −O que você acha da história de que Monck está considerando restaurar o rei Carlos ao trono? −Acredito que o general convenceu Connor Stuart de que ia fazê-lo. −Não tem sentido! − replicou Robert−. Ela diz que Monck e seu irmão eram aliados, mas se o general estava tão perto de Stuart e o queria morto, por que não o matou ele mesmo? −Eu direi por que − Claire saiu de detrás das árvores para a luz do fogo−. Meu irmão e seus seguidores lutam pela independência da ocupação inglesa. Sua causa é muito valorizada por muitos. Enquanto que os outros generais brigam para ver quem vai ser o próximo Lorde Protetor, o general Monck espera sua hora em silencio na Escócia. Ele fará seu movimento logo, entretanto, quando os outros estejam fracos. Mas vai necessitar do apoio do povo. Matar seu campeão só granjearia mais inimigos. Por isso necessitava de Lambert ou Fleetwood para que o fizessem por ele. −Não me acredito − Robert negou com a cabeça enquanto ela se sentava junto a Graham−. O governador não cobiça o título de Lorde Protetor. Ele ama a Escócia e não a abandonará. − Sim, nem a cederá a um rei restaurado. Ele lutou duro para ganhar, se por acaso o esqueceu − Claire dirigiu um olhar agudo sobre o fogo−. Tomou Stirling em quatro dias. Dundee em dois. −Meu tio me falou das vitórias do general sob o comando de Cromwell − reconheceu Robert−. Mas aquilo foi há muitos anos. Depois, não apoiou aos outros generais em nada. Apoia ao Parlamento, não aos militares. Claire sorriu fracamente. −Enganou-o. Do mesmo modo que enganou Connor e James. Só Deus sabe o que disse para Anne. Ela não sabe de sua implicação na morte de Connor. −Quem é James? − Graham perguntou, e a seguir tomou um gole de água de seu odre. −Um amigo muito querido. 56


O odre se deteve nos lábios de Graham. Lançou seus olhos sobre ela por cima da tênue luz. −Muito querido? −Muito − Claire não se incomodou em olhar para ele, mas sim manteve sua atenção em Robert−. Monck prometeu a meu… −Morreu também? −Quem morreu também?− ela se virou para Graham, um pouco exasperada por suas interrupções. −James, esse que é tão querido. Claire fixou seu olhar nele, tentando ler sua expressão. Parecia bem tranquilo, mas sua voz era tensa e sua pergunta brusca. −Não, ele não está morto. −Você dá graças a Deus por isso, certo? − ele perguntou, observando sua reação. −Sim −disse ela com sinceridade−. Faço-o todo dia. −Bem −Graham sorriu e atirou seu pão às chamas−. Alegra-me ouvir isso. Depois de um momento de escutar os grilos ao seu redor, Robert dirigiu seu seguinte pergunta ao seu melhor amigo. −Acabou? O olhar fulminante de Graham era toda a resposta que Robert ia obter. −Muito bem − o jovem conde continuou−. Deixe-me lhe perguntar isto, minha senhora: por que Monck me enviou para procurar seu irmão se sabia que Connor estava morto? −Possivelmente essa é uma pergunta que deva fazer ao general quando o vir. −Eu o farei − lhe assegurou Robert, e depois olhou para a espada em seu colo−. Deveríamos dormir um pouco. Eu farei a primeira guarda – ele observou o leve sorriso no rosto de Graham enquanto seu amigo se acomodava em seu plaid. Que Graham o tomasse por tolo por não confiar que ela não ia a fatiar sua cabeça durante o sonho! Ela tinha muitas razões para querê-los mortos e tinha mania suficiente para fazê-lo. Ele a olhou 57


enquanto ela pousava a cabeça no chão. Podia ver claramente por que Graham se sentia tão atraído por ela. Ela era bonita e autossuficiente. Muito autossuficiente para seu gosto, entretanto. Pensou em sua irmã e em como podiam ser tão diferentes. Por que o governador obrigava a Anne a casarse? −Lady Stuart? – ela escutou sua pergunta sonolenta−. Quando o general enviou Connor à Inglaterra? −Monck não o enviou. Connor já estava ali lutando contra os homens de Lambert em Cheshire quando Monck lhe enviou a mensagem da reunião. Foi assassinado no caminho de Londres − ela se moveu incômoda, e depois ficou em silêncio outra vez. Robert revirou o assunto em sua mente. Algo não se encaixava. Tantas coisas não tinham sentido lógico. E então ocorreu algo. Algo que aparentemente golpeou Graham também, pois se sentou e juntos olharam para Claire. Connor tinha lutado com os homens de Lambert em agosto. Se tinha sido assassinado fazia dois meses, então… quem tinha atacado aos homens do general Monck aos subúrbios do Stirling fazia umas semanas?

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Capítulo 8 Como vou escapar do que me impede de cumprir com meu maior dever? Entre os tons de lavanda, nos momentos de silêncio antes do amanhecer, Graham viu a leve luz do fogo piscar no rosto adormecido de Claire. Ele tomou seu tempo estudando a curva petulante de seu nariz, as finas linhas de suas bochechas e os cantos fascinantes de seus lábios banhados pelas sombras e pela luz. O sabor dessa boca carnuda e aberta e o ardor de sua resistência se aferravam em sua memória e faziam seu sangue ferver. Tinha beijado a muitas moças, mas nunca antes tinha pensado que ficaria louco se não as beijasse de novo. Era a curva dessa boca arrogante o que lhe dava vontade de conquistá-la? A faísca de resistência quando ela o olhava que o fazia ansiar por sua entrega? Estava desfrutando da luta, como qualquer guerreiro experiente faria. Não havia nada mais estimulante que um adversário valioso, algo que havia encontrado em poucas ocasiões em suas viagens. Sim, Claire Stuart era realmente linda. A visão dela o distraía, mas foi sua coragem e convicção que provocaram o desejo de mais de uma vitória sobre ela. Um pouco além das chamas agonizantes, o ritmo da respiração de Robert irrompeu em um ronco, tornando os pensamentos lânguidos de Graham em outros mais urgentes. Connor Stuart tinha morrido. Ou não? De 59


acordo com aqueles aos quais ele e Robert tinham interrogado durante seu busca, Stuart não só estava vivo e em perfeito estado, mas sim tinha liderado uma feroz campanha contra os homens do general Monck e os de Lambert. Quem era este James do qual Claire tinha falado? A forma que seu tom se tornou suave quando admitiu seu alívio ao saber que não tinha morrido tinha picado a curiosidade de Graham. O que tinha esse James que tanto gostava? Tinha que ser membro da resistência, pois Graham estava certo de que Claire não entregaria seu coração a um homem que não apoiasse sua causa. O mais provável era que James fosse um recruta de Connor, quem sabe inclusive um comandante que tinha passado tempo suficiente com Connor como para ter “o enganado” por sua vez. Um movimento chamou a atenção do Graham. Seu olhar deslizou para os dedos de Claire fechando-se pouco a pouco ao redor do punho que descansava em seu ventre. Ela levantou a cabeça, olhando primeiro para Robert, que dormia frente ao fogo. Ao inclinar sua cara para cima para procurar Graham, ele fechou os olhos e ficou quieto. Ela movia-se como um fantasma ao longo das sombras violetas. Cada pegada caía com o sigilo e o silêncio de um felino predador enquanto se afastava da luz do fogo. Puxou à capa sob seu cinturão, e depois a deslizou até a cabeça e colocou sua abundante trança embaixo dela. Com a espada na mão, dirigiu-se ao seu cavalo. Graham sorriu. Que prazer ela lhe provocava que o levava a persegui-la? Ele a deixaria correr por um momento antes de apanhá-la. O acordo, que se veria obrigado a recordar-lhe era que ficasse até a manhã, e a manhã não tinha chegado ainda. O som da risada de um homem de além das árvores fez com que Graham ficasse em pé, sem preocupar-se se ela o tinha escutado. O fez, e para sua descrença e horror, ela apontou na direção da qual provinha o som, e depois avançou para lá. 60


Sem deter-se para amaldiçoar sua pressa, Graham se lançou atrás dela. Ela cruzou através das árvores instantes antes que ele, e se agachou na grama tão rápido que Graham caiu sobre ela. Deu a volta, e depois saltou sobre ela. −Que demônios pensa que estão fazendo moça? − segurando seus pulsos por cima de sua cabeça, ele a cobria dos pés a cabeça com seu corpo. −Não pode dizer por sua direção que sua rota os levará diretamente ao acampamento? −sua resposta foi um assobio baixo na crescente escuridão. Graham podia sentir seus olhos cravados nele. Ela lutava por embaixo dele e depois se deteve abruptamente quando ele mesmo se levantou de seus ombros, trocando o peso para seus quadris. −E se preocupou em nos salvar, a mim e a Robert se precipitando no caminho deles sem saber se havia um homem ou cinquenta? −Comecei a contar, mas se jogou sobre mim, seu idiota desajeitado. Agora saia de cima antes que eu… −Quantos Claire? −O que? − ela puxava seus pulsos. −Quantos homens há? − ele a agarrava forte. −Não tive oportunidade de… −Há doze – ele baixou seu rosto para o dele e sussurrou em sua bochecha−. E não teriam tido a menor chance contra eles. Seu fôlego quente acariciava o lóbulo de sua orelha e ela descobriu que não podia protestar. Mal podia formar um pensamento. −São os MacGregor, e se nos ouvem rondando ao redor do matagal, nossa morte será rápida. Vai permanecer em silêncio e me deixar tentar evitar que isso aconteça− Ele tomou seu silêncio como um sim e se levantou lentamente de cima dela. −Angus MacGregor, sou Graham Grant − gritou, enfrentando aos homens, e ficou de pé. Um dos homens, uma figura enorme sobre um

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cavalo castanho gigantesco elevou a mão e deteve a tropa que se aproximava. −Graham? É você seu safado? Se aproxime mais para que possa vêlo. −Um instante depois, desembainhou sua grande espada e a elevou sobre sua cabeça−. Não é Graham! −exclamou para os outros. −Quietos! Sou eu! −Graham levantou as mãos para alertá-los. −Graham Grant não se deita com moços nem de dia nem de noite! −exclamou outro à esquerda do líder. Graham seguiu a ponta do claymore de Brodie MacGregor e se voltou para ver Claire de pé ao seu lado. Olhou à boina inclinada sobre sua cabeça, franziu a testa e logo a tirou. Sua longa trança caiu até a cintura, revelando seu verdadeiro sexo aos espectadores. −Sim, é o Graham − anunciou Brodie a todos, com um grande suspiro de alívio−. É uma moça que ele está comendo sob a lua − embainhou a lâmina e sorriu abertamente para Claire. −Não me estava “comendo” − corrigiu Claire, e tirou de Graham a boina de suas mãos−. Simplesmente tropeçou sobre mim. −Como demônios está Graham? − ignorando seu arrebatamento, Angus desmontou com um forte grunhido−. Faz quase um par de anos que o vimos em Camlochlin! Robert viaja com você? −Sim, está dormindo em uma clareira próxima − disse Graham, deixando Claire de lado para acabar apanhado no abraço triturador de Angus−. O que os trouxe tão ao sul? – ele perguntou quando seu amigo gigante o liberou. −Viajamos a Edimburgo − Angus disse −. Callum foi convidado pelo governador, mas se nega a afastar-se de Kate e seu bebê. Ele envia a… −O general Monck chamou Callum? − a mandíbula de Graham estava rígida quando se voltou para Claire−. Traga Rob. −Não é necessário. Eu estou aqui − Robert se apressou através das árvores. Depois de uma breve, mas amistosa reunião com seus amigos, e a garantia de que sua irmã e seu filho estavam bem, repetiu a pergunta de

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Graham, interessando-se do por que estavam os MacGregor perto de Edimburgo. −Monck pediu para falar com Callum −Graham pôs Robert a par enquanto Angus deslizava sua mão para seu plaid para fazer-se com o odre de cerveja. −Com que propósito? − Robert perguntou, olhando para Angus como por sua vez Graham o fazia. Angus passou os nódulos pela boca, e em seguida devolveu o odre ao seu esconderijo. −O general necessitava da ajuda de Callum − antes de dizer algo mais, virou a cabeça para a direita e a esquerda−. Poderíamos sair do caminho e falar disto? Pode haver inimigos em nossos calcanhares. Concordando com a cabeça, Graham levou toda a tropa de volta ao acampamento. Depois de rechaçar a oferta de Robert de tomar como café da manhã as raízes que tinha recolhido Angus e outros se sentaram ao redor dos rescaldos da fogueira. Agora, com o véu da escuridão totalmente atrás deles, Claire estudou aos montanheses que tinha diante dela. Assim estes eram os MacGregor. Raramente tinham sido vistos depois da proibição, exceto quando um punhado de seus guerreiros rebeldes organizava uma matança de nobres ingleses e escoceses por igual, e sua propensão à violência os tinha convertido em uma lenda temida nas Terras Baixas. Claire, entretanto, não tinha medo deles. Não, ela sentia um parentesco com os membros do clã proscrito. Eles tinham lutado quando tinham lhes tirado tudo. Assim como Connor tinha lhe ensinado fazer. Estava calculando o tamanho de um com o cabelo escuro, chamado Brodie, quando seu olhar frio se encontrou com o dela. Ele fez uma ligeira inclinação de cabeça, como se reconhecesse a beligerância na inclinação de seu queixo. −E agora nos contem o que Monck queria de Callum − Graham perguntou aos homens. −Quem é Callum? 63


Todos os olhos se voltaram para ela, e por um momento Claire se sentiu totalmente exposta, muito consciente da atenção que os homens estavam fixando nela. −Quem é a garota, Graham?− os olhos de Angus a escrutinaram, examinando cada centímetro, incluindo a espada que descansava ao seu lado. Seu cabelo castanho profundo descia por um metro mais após os seus ombros. Sua expressão dura parecia mais perigosa pela longa cicatriz que ocupava o lado esquerdo de seu rosto. Claire lutou contra a tentação de afastar o olhar de seu exame perfurador. −Ela é prima do rei Carlos, Claire Stuart. Claire disparou para Graham um olhar de intenções assassinas, que ele respondeu lhe piscando um olho. −OH, é parente de Lady Anne Stuart? Claire piscou e se virou para ele lentamente. −Você conhece minha irmã? −Viemos para leva-la− explicou Angus−. Callum… nosso líder −acrescentou para esclarecer a Claire−, recebeu uma carta de Monck pedindo que viesse a Edimburgo para levar a dama… −Entregou minha irmã para seu líder? − Claire se dobrou até seus pés, um gesto que fazia pela primeira vez desde que Graham a conheceu, com o pânico marcado em seu rosto. Olhou ao seu redor como se não soubesse que direção tomar para fugir. Depois apertou os lábios e os punhos−. O matarei lentamente por isso. −Está falando de Callum? −Angus se inclinou para Graham e sussurrou−. Porque se o está fazendo… −Refere-se ao Monck − explicou Graham, levantando sua mão para tocar a dela−. Claire - falava em voz baixa, com os olhos ternos para ela quando ela o olhou−. Seu irmão não lhe ensinou a ser tão temerária, não é? Averiguaremos do que se trata, e depois você e eu teremos que falar −ela tinha estado planejado um modo de matar Monck todo o tempo. Diabos! Essa pequena estúpida ia deixar se matar. 64


−Seguirei contando se fizer com que a garota deixe de me interromper. Graham assentiu com a cabeça para Angus e fechou os dedos ao redor da mão de Claire. Seu pequeno empurrão a fez sentar-se de novo ao seu lado. −O governador − Angus pôde por fim dizer − disse a Callum que os Stuart estavam sob seu cuidado. Claire deu um bufo e Graham puxou de novo sua mão. −Sua carta dizia que temia que o Parlamento fosse dissolver-se logo. −E assim foi − disse Robert, e a seguir fez um gesto para que continuasse. −Ele acredita que há um complô entre seus aliados. E que as vidas de Lady Anne e Lady Claire poderiam estar em perigo. Escreveu que se casariam imediatamente em sua corte com homens de sua escolha como tinha acordado com seu tutor. −Eu sabia! − exclamou Claire, jogando a cabeça para trás até ver as estrelas. Graham deslizou seu olhar para ela. Assim ela teria que casar-se. Curiosamente, a ideia não lhe caiu nada bem, mas não disse nada. −Mas −continuou Angus −até que descubra quem são os traidores, não as entregará a ninguém exceto aos MacGregor. −Mencionava em sua carta que tipo de complô? − perguntou Robert. −Não, mas escreveu que esperava sua chegada com o irmão da dama, Connor Stuart. −Então ele acredita que Stuart pode ser encontrado −Robert dirigiu um olhar de satisfação para Claire e depois para Graham. Sabia que Monck não tinha nem ideia da morte de Connor. O general não o tinha traído. −Está desaparecido? −Angus recuperou seu odre e bebeu outro gole. −Está morto − disse Claire.

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−Então − Brodie disse sobre as frias brasas da fogueira−, Monck tem uma razão para temer pela vida de sua irmã, e pela sua também, imagino. −Sim −afirmou Angus−. Retornarão a Skye conosco, Lady Stuart. Não tema mais por sua segurança. Estarão a salvo agora −lançou um olhar ameaçador para Graham−. Não a desonrou, certo, safado? −Sua reputação certamente o precede pilantra − Claire espetou ao Graham antes de virar-se de novo para Angus−. Se Skye for o lugar para o qual retornam, posso lhes assegurar que retornarão a ele sem mim e sem minha irmã. O perigo em nossas vidas provém do homem no qual seu líder confia tão rapidamente. Ou Callum MacGregor é um traidor do rei ou foi enganado como foi meu irmão. Digo-lhes que não se pode confiar em Monck! O som da lâmina de Brodie deslizando-se para fora de sua bainha desviou a atenção de Graham para ele. Ele dirigiu a Brodie um olhar duro que aconselhava ao guerreiro a dar marcha ré. −Matei a homens por chamar Callum de traidor, que é menos do que ela sugere – disse Brodie em um grunhido grave −. Vou avisa-la que vigie sua língua só uma vez. −Sim, já o tem feito. Sigo sendo seu comandante. Guarde a espada −exigiu Graham ameaçador. Quando Brodie obedeceu, Graham se dirigiu a Claire−. E você não fale tão levianamente sobre MacGregor. Ele não é um traidor. Se Monck for uma ameaça para ele, eu prometo que a ajudarei a matá-lo. −Monck não é uma ameaça −disse Robert, ainda convencido−. Ele quer que Anne seja levada para Skye porque ninguém pensará em ir procura-la ali, e se o fizessem, teriam dificuldades em chegar até ela. Eu já estive em Camlochlin, minha senhora. Sua fortaleza é a terra que a rodeia. Se Anne estiver em perigo, deve permanecer com os MacGregor.

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−É verdade −disse Graham−. Apenas uns poucos nobres do governo de Cromwell conhecem Camlochlin. Está oculta além dos escarpados de Elgol. Claire ainda não estava convencida de que Anne estaria a salvo em nenhuma parte a não ser com James. Nenhum dos generais conhecia Ravenglade. Embora Connor confiasse em Monck, nunca lhe deu a localização de seu exército. Entretanto, seu irmão tinha confiado nele muito, e lhe havia entregado a vida. Ela não cometeria o mesmo engano. Sair de Edimburgo com vida e com Anne ia ser bem difícil. Como demônios ia resgatar a sua irmã destas bestas?Ela olhou a sua mão, ainda envolta pela de Graham Grant. Aqueles dedos fechados ao redor dos seus quase a sacudiam até a medula. Ela estava acostumada à sensação de um punho de arma na mão, não à força quente dos calosos dedos de um homem. Não gostava de como lhe afetava seu toque. A fazia sentir-se indefesa. Podia cuidar-se em um campo de batalha, mas apenas o sorriso deste homem a fazia sentir os membros fracos. Não podia pensar com ele segurando-a tão intimamente. Mas tinha que fazê-lo, pelo bem de Anne. Ela sorria, pois a ideia de entregar sua irmã nas mãos dos MacGregor começava a incubar-se em sua mente. Não tinha que confiar neles. Apenas tinha que fazê-los confiar nela. E o melhor para começar era seu comandante. Ia dar-lhe o que queria. O que ele tinha querido desde que a encontrou apanhada entre as mãos dos homens de Lambert, o momento em que tentou seduzi-la. Apenas teria que manter-se concentrada em sua tarefa, ignorando o que provocava em seu interior. −Vamos juntos a Edimburgo então − sugeriu Claire, levantando um olhar velado para Graham. Seus planos tinham mudado, e ela tinha que ajustá-los a suas necessidades. Grant era um homem, e tendo crescido entre homens que tentavam negar todos os seus desejos havia lhe ensinado a

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maneira de conseguir o que queria utilizando tática em vez da força−. Farei o dizem até que descubramos o verdadeiro complô. Um toque de diversão cruzou o rosto de Graham diante da inesperada docilidade dela. Ele esfregou a ponta do polegar sobre os nódulos, enviando uma chama a ventre dela. −Não têm nada a temer destes homens. Uma vez que voltem para Skye com eles vai se convencer − virou-se para dois dos homens que estavam sentados perto de Angus−. Andrew, Donel… saião com a garota agora. Outros seguirão para a cidade e recolheremos Anne. Claire liberou sua mão da dele. O que tinha acontecido? Estava ansioso para segui-la desde que se conheceram, mas agora que estava de acordo em passar uns dias com ele, desfazia-se dela? Era um tolo se pensava que… −Não irei a nenhuma parte sem minha irmã. Seus olhos se encontraram com a descarnada e crua determinação dos dela e piscou enquanto seu olhar parecia penetrar em suas roupas, sua carne, mesmos em seus pensamentos. Seus olhos se lançaram para Andrew e Donel ficando em pé, preparando-se para sair e levá-la com eles. A ira de Deus: uma briga com estes homens possivelmente pudesse machuca-la, deixando-a incapaz de salvar Anne. Recordou a primeira vez que James se negou a deixar que se unisse a uma emboscada sobre um grupo de soldados ingleses. Inclusive tinha brigado com Connor a respeito, mas no final ela se saiu com a sua. Um simples beijo e umas palavrinhas com voz suave para acariciar seu orgulho masculino foi tudo o que custou. Reprimindo um juramento mordaz, pois tinha a sensação de que Graham poderia lhe custar mais, pôs sua mão sobre a coxa dele. −Preferiria ficar com você. Sinto-me… mais segura. A curva irônica de sua boca a fez duvidar de suas próprias palavras. −Diabos! Isso seria difícil. Não tão difícil quanto é me reprimir de te dar um murro no nariz neste momento, pensou Claire. 68


−Ao contrário − ela disse, suavizando a voz até um delicioso murmúrio e se movendo para um milímetro mais perto dele−. Não é difícil reconhecer um homem que é claramente mais forte, mais rápido e mais inteligente que eu? −Seus olhos se estreitaram, mas ela pôde ver pela evasiva faísca de satisfação que brilhava neles que isto era o que queria ouvir−. Não tenho mais remédio que me pôr totalmente em suas mãos − seus olhos verdes se escureceram com intensidade. O pilantra havia caído na armadilha−. Mas só nas suas −adicionou para resolver a questão. Seus sensuais lábios se franziram, contemplando seu recente comportamento dócil. Em seguida deu de ombros como se não se importasse com que propósito havia por trás. −Muito bem. Ficará em minhas mãos. Ela tinha ganhado. A vitória foi sua uma vez mais… Então, por que sentia como se acabasse de entrar na guarida do diabo?

Capítulo 9 69


Por meio de enganos, eu mesmo fui enganado. Nas duas horas de viagem ao Edimburgo, Claire Stuart se deu conta de que tentar pensar em algo ou alguém que não fosse Graham Grant era inútil. Cavalgava um pouco para a direita, o que lhe concedia a visão de sua parte traseira, das quedas onduladas de seus cachos brilhantes que saíam por debaixo de sua boina, e vislumbres de uma coxa musculosa suja pelo pó pressionando contra seu cavalo. Diabos estava ficando louca! É obvio que Anne continuava sendo uma preocupação constante, mas não havia nada que pudesse fazer por sua irmã nesse momento. Ao menos o general tinha decidido esperar antes de casar Anne com um “cabeça redonda”. Mas, e se planejava entregá-la com um MacGregor− Claire olhou aos homens que a rodeavam e sentiu um calafrio. Sua irmã não sobreviveria uma noite com um de estes duros montanheses. Claire tinha que encontrar uma maneira de chegar a Perth depois que Anne fosse libertada das garras de Monck. Ali, ela poderia pegar em armas com James e os homens da guarnição de Ravenglade e livrar a si mesmo de seus companheiros indesejados de uma vez por todas. Ela simplesmente precisava encontrar uma maneira de chegar lá. Tentou concentrar-se em Connor, e na forma em que soava quando ria junto com James. Pensou em sua voz e recordou o tom e a profundidade da mesma enquanto ele incansavelmente a ensinava a lutar. Ele era respeitado, digno de confiança e sempre otimista. Confiava no general Monck e concordou com uma reunião de trégua com Charles Fleetwood. Sim, havia uma maneira de matar um guerreiro sem entrar em uma batalha com ele. Foi uma traição, e foi covarde. E pior ainda, privou ao guerreiro a sua glória na morte.

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Encontraria uma maneira de matar ao traidor de seu irmão. Os anjos do céu podiam estar seguros disso. Mas por agora, nada podia fazer. Nada mais que manter os sentidos alerta ante o perigo enquanto viajavam, e longe de certo loiro guerreiro das Terras Altas. O problema era que Graham Grant era terrivelmente bonito e insuportavelmente vaidoso. Estava certa de que era plenamente consciente do poder devastador de seu sorriso, inclusive do mais ocasional, o que o levava a mostra-lo várias vezes durante a viagem. Que demônio lhe ocorria?Era apenas um homem! Um malandro acostumado a que as mulheres caíssem rendidas aos seus pés. Chega! Repreendeu-se a si mesma dando uma palmada na coxa. Não lhe ofereceria mais nenhum pensamento, exceto o que lhe entusiasmava: a ideia do golpe que seria para ele quando finalmente se desse conta de que ela era imune aos seus encantos. Não gostava dele e nunca iria gostar… −Querem que paremos para descansar? −… para se deitar comigo. Sua voz doce atraiu seu olhar para ele. Tinha baixado o ritmo para manter-se ao lado dela. Seu olhar se entretinha tranquilamente em seus lábios, e depois o elevou para olhá-la nos olhos sem indício de seu descarado exame. −Parece cansada e incômoda sobre sua sela − ele disse, e passou um tempo sem outra resposta por parte dela que não fosse um olhar acalorado. Até agora ele havia dito que parecia esfarrapada, poeirenta e cansada. Com que frequência pretendia insultá-la? − Quanto mais te conheço – ela disse com uma voz que reservava para seu sarcasmo mais mordaz−, mais convencida fico de que sua boca não é a arma mais letal do arsenal que tem contra as mulheres. Ele encolheu seus poderosos ombros com uma ligeira tensão de músculo. −Existem muitas moças que discordariam de seu julgamento.

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Maldito seja! Mas pode ser que tenha razão. Cada maldita vez que o olhava recordava a forma que a tinha beijado, tão rude e tão… extremamente excitante. Um beijo tão inesperado deveria tê-la feito se enfurecer, mas em troca quase conseguiu que lhe derretesse todo seu corpo. −Sua boca, em troca − ele disse com um sorriso irresistível−, é tremenda. Claire sentiu suas bochechas arderem e olhou para outro lado para que ele não visse. Este efeito que provocava nela era completamente estranho e inoportuno. Poucos homens a tinham elogiado pela destreza de seu braço. Nenhum por seus beijos. Não tinha nem ideia de como responder, exceto corar até a medula e lhe advertir que não se atrevesse a beijá-la de novo. −Sua língua – ele continuou sem piedade− é tão rápida como a de uma víbora, e tão maliciosa como ela. Seu rosto ficou ainda mais quente. O cafajeste não estava falando de seus beijos absolutamente, mas sim de seu… −Maliciosa? – ela lhe lançou um olhar cheio de inquietação−. Não tenho nem ideia do que… −É perita no engano Claire Stuart − seus olhos brilhavam ao vê-la, como se desfrutasse do mal-estar que provocava−. Você acreditou que um homem tão rápido e inteligente como eu poderia ser enganado tão facilmente? Seus lábios se apertaram formando uma linha rígida ao ouvir suas palavras para ela. −Bastardo. Ele envolveu seus dedos ao redor das rédeas e empurrou o cavalo para mais perto dela, até que seu joelho se esfregou contra o seu. Inclinando-se, diminuiu a distância entre eles ainda mais. Seu fôlego se misturava com o dela quando disse:

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−Se eu fosse um verdadeiro bastardo, a teria feito cumprir sua promessa de fazer o que eu diga, exigindo outro seu beijo antes de aceitar que viesse conosco. Claire não se virou para trás, embora uma parte dela lhe advertisse que devia. Apesar do perigo que ele representava em sua opinião, não iria demonstrar seu efeito nela. −E tivesse caído rendida a sua poderosa sedução? −Sim eu acredito que o teria feito se lhe parecesse que isso ajudaria em seu propósito – ele levou os dedos à curvatura de sua mandíbula. Seu tato era terno, delicado. Sua mente tentava examinar cada centímetro de seu rosto. Ele tirou a mão, deixando-a com o calor persistente de seu fôlego sobre sua pele−. Acho admirável sua determinação. Meu deus! Isso era algo encantador. OH, ele era imensamente mais perigoso do que pensava. Uma astúcia perfeita para seduzir com lisonjas não sobre sua aparência a não ser com a amabilidade que apenas outro homem teria pensado que ela era digna de receber. Observou-o enquanto se afastava dela, sentindo como se estivesse levando seu bom senso com ele. Que Deus a ajudasse! Queria beija-lo de novo. Graham mandou que fizessem uma parada horas depois. Sentou-se junto a Robert enquanto comia e ria com Angus e Brodie, mas seus olhos frequentemente se encontravam com os de Claire durante a refeição. −Por que Jamie não está com você? −perguntou a Angus, e recusou o odre que o robusto Highlander oferecia −. Eu gostaria de saber se meu irmão está bem. Brodie soprou e levou um pedaço de um pão preto e rançoso à boca. −Maggie conspira com Kate para convertê-lo em um lilás. Robert riu, e o cenho de Brodie franziu ainda mais. −Sua irmã −se queixou a Graham− mantém as rédeas apertadas ao redor do coração de Callum, e só teve que pedir ao líder que proibisse Jamie de vir, pelo bem de Maggie, e assim ocorreu. 73


Graham parecia tão aborrecido quanto Brodie quando sacudiu a cabeça. −Isto é o que o matrimônio faz ao homem. −Estou certa de que há mulheres em Skye que renunciaram a sua dignidade por seus maridos −Claire observou o olhar de Graham com um arco insolente em sua sobrancelha. −Eu também estou − reconheceu Graham−. É o que o matrimônio faz para todos. Curiosamente, Claire não se satisfez com sua concessão. Não lhe importava se algum dia se casaria. Ficar grávida e passar os dias mantendo o lar organizado não eram coisas que esperava ter algum dia. Mas por alguma razão, descobrir a aversão de Graham ao santo matrimônio a desagradava. −Talvez não a todo mundo − ela respondeu antes que pudesse evitar−. Minha irmã acredita que o amor pode fazer com que o matrimônio seja suportável, apesar de que não há maneira de saber se isso é verdade. −Talvez seja − Graham concedeu −. Meu irmão acredita que encontrou o amor. Estou certo de que Callum também, e ambos parecem bem felizes. Ao seu lado, Robert olhava Graham atônito. Graham decidiu ignorá-lo. −Alguns nascem para o amor, e outros não – ele deu de ombros, dando por terminada a conversa. −Todos nascemos para amar − sustentou Robert−. É desígnio do Senhor. Graham se se pôs a rir, provocando em Claire uma espetada no estômago. −Para que nasceram os outros? − ela perguntou, esperando que lhe respondesse com um comentário cru a respeito de deitar-se com mulheres. Ele a olhou, enquanto sua alegria se transformava em um sorriso um tanto ameaçador.

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−Os outros nasceram para pôr as coisas em seu lugar. Com isto − pôs seus dedos no punho da arma ao seu lado e a olhou enquanto ela assentia com a cabeça. Seu sorriso alegre retornou um instante depois quando Angus aprovou com um arroto enorme, e em seguida levantou a bolsa para fazer um brinde pelos companheiros velhos e novos que tinham encontrado a morte no campo de batalha. Claire estudou Graham a tênue luz do dia. Quando os homens acenderam uma fogueira, ela ficou fascinada pela forma em que a brilhante luz dançava sobre o ângulo belamente esculpido da mandíbula manchada de pó dourado e sua auréola de cachos angélicos. Observou sua boca enquanto falava, atraída por suas curvas tentadoras e movimentos dolorosamente sensuais. Sorriu por algo que Robert disse e Claire colocou o lábio inferior entre os dentes. Pelo amor de Deus! Possuía um sorriso glorioso. Ela o imaginava na batalha com a ameaça da morte endurecendo seu rosto e seus músculos brilhantes pulsando com força e determinação. Olhou para outro lado rapidamente quando ele levantou seu olhar verde sobre as chamas e a buscou. Seus ombros se esticaram quando ele ficou em pé um momento depois e veio a sentar-se ao seu lado. −Chegaremos a Edimburgo pela manhã. Você não tentará escapar de novo enquanto finjo dormir, certo, Claire? A linha esperançosa de sua boca a fez sorrir contra seu julgamento. −Não importa o quanto você é óbvio, certo? Espero que a qualquer momento comece a suplicar. −Por quê?−seu olhar sobre ela era quente e zombador, mas intenso. Ela sabia exatamente por que. Ele olhava sua boca e ela a dele. Ela se surpreendeu de que ele pudesse querer beijá-la de novo, já que sua reação na primeira vez tinha sido muito fria. Mas quem sabe se isto poderia lhe dar a vantagem sobre ele que ela necessitava. Tinha o julgado muito rápido. Não era simplesmente um canalha estúpido sem outro pensamento na cabeça que o de qual mulher seria a próxima com a qual se deitaria. Ele 75


era um comandante, um líder no campo de batalha. Por suas próprias palavras, tinha admitido ter nascido para a batalha. Ela o entendia, porque ela também havia nascido para isso, e faria o que fosse necessário para ganhar.

Ela olhou por cima das chamas aos demais, que conversavam

entre si. Puxando os joelhos até seu peito, finalmente se voltou para ele: −Por um beijo possivelmente? Ele franziu a boca e entrecerrou os olhos nela, como se estivesse considerando, e logo negou com a cabeça. −Não. Quando a beijar de novo, estará me desejando. Agora era a vez de Claire para rir. Que patife mais presunçoso era. Bom, ela tinha tanta segurança em si mesma quanto ele. Não era uma donzela atordoada a ponto de cair aos seus pés, e já era hora que o entendesse. −Há muitas coisas que faria de boa vontade por meu rei e minha família. Te beijar não está entre elas. Ele franziu os lábios, lhe dando um instante para duvidar de sua própria declaração. −É uma pena. Poderia utilizar a experiência quando se encontrar de novo com… o James, por exemplo. Teria achado sua sugestão sobre James curiosa se ela não estivesse querendo envolver seus dedos ao redor de seu pescoço e espremer a vida fora dele por havê-la insultado uma vez mais. −Lorde Buchanan não se queixou da última vez que me beijou − ela replicou com orgulho, observando com grande satisfação como desaparecia a arrogância de sua expressão. −Ah, ele é um cavalheiro então − disse ele com voz afiada, e em seguida se levantou e lhe desejou boa noite. No momento que Claire tinha absorvido todo o significado de suas palavras, ele já estava do outro lado do pequeno acampamento, na direção de Robert. Porém ela sentiu-se tentada a lançar uma adaga em suas costas. −James Buchanan. −O que? − Robert elevou o olhar quando Graham chegou até ele. −Seu James. Já ouviu este nome antes? 76


Negando com a cabeça, Robert escrutinou o rosto melancólico de seu amigo, e depois olhou através do fogo para Claire. Seu James? −O que te disse dele? −Só seu nome. Robert o olhou com receio e em seguida sorriu. −E só seu nome é o suficiente para que pareça que estar preparado para cortar cabeças? Fique atento, Graham, ou pode ser que acabe se encontrando trocando seu claymore por um ramo de urze apertado no punho. Graham o olhou com um brilho de advertência nos olhos que dizia que a cabeça de Robert poderia ser a primeira a rodar. Então, sem dizer uma palavra virou sobre seus calcanhares e se afastou para uma árvore próxima, sentou-se embaixo dela e fechou os olhos.

Capítulo 10 Me perdoe, porque não posso salvá-la.

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Mais a frente nos subúrbios de Edimburgo, cedo no dia seguinte, Graham ordenou os que montavam atrás dele parassem. Todos obedeceram ao comando e se prepararam para escutar enquanto ele fazia empinava seu cavalo. Seu olhar se posou primeiro em Claire, e depois passou por cima do resto. −Robert, Monck o espera. Angus, você foi convidado. Entrarão juntos na cidade. Se houver perigos ali dentro, não os quero sozinhos − sem esperar menção alguma por parte de nenhum dos dois, seus olhos se pousaram em Claire−. No momento você representa o maior perigo para todos nós. Se tentar fazer mal ao general de alguma maneira, seremos obrigados a lutar contra um exército, e não temos suficientes homens − sua voz era firme e decidida, apesar de seu tom desarmado. Não importava que ele soubesse de seus planos para matar Monck, o fato era que os conhecia e que ia detê-la. Apertando os dentes, Claire puxou forte as rédeas. Foi quase que imediatamente interceptada pelos dentes do cavalo dele mordendo a brida, e a seguir por um aperto mais firme em seu antebraço nu. −Se Monck for culpado de trair seu irmão e causar sua morte, será seu e deterei qualquer um que a impeça de vê-lo morto. −Graham − Robert interrompeu agora−. Se Monck for assassinado, o exército entrará em guerra com a Escócia. −Não tem fé em seu homem então, Rob? − Graham perguntou-lhe sem soltar o braço de Claire−. Se ele é inocente, não sofrerá dano nenhum. Mas saibamos com certeza que curso seguir antes de discutir sobre isso − se voltou para Claire de novo, com o olhar um pouco menos obstinado−. Eu cumpro o que prometo. E enquanto isso fará o que eu digo como prometeu. Ela não tinha mais escolha que confiar nele. Odiava que mudasse seu próprio jogo, mas tinha que admitir que era uma boa tática. Ela tinha se

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comprometido a obedecer até que descobrissem a verdade, e manteria sua palavra. Quando Robert e os outros romperam as filas e viraram à esquerda para a cidade uns momentos depois, ela se arrependeu de sua rápida concessão. Virou-se para Graham como se um instante de pânico a envolvesse. Ela não conhecia estes homens, ou se seriam capazes de salvar sua irmã. Podia ser outra armadilha. −Se houver perigo, deveríamos estar com eles! Robert não sabe sequer lutar! − em algum lugar entre os homens, Brodie riu−. E os outros poderiam ser derrubados! Robert abriu caminho entre ela e o MacGregor agora ofendido. Todos gritando a desaprovação de suas palavras. −Lady Stuart −disse, sem já se importar se ela achava que não sabia lutar. A força nos braços não era o que o fazia um homem−. Trarei sua irmã. Aconteça o que acontecer uma vez que cheguemos, voltará a vê-la. Nisto, têm minha palavra. Claire acreditou que falava a sério, este cavalheiro que tentava superar ao nobre Sir Galahad no que se referia à honra. Mas não estava segura de que poderia levar ao fim sua promessa. Sentiu que alguém puxava de suas rédeas e viu que era Graham quando empurrava seu cavalo e o posicionava após o seu. −Vá agora − a ameaça de seu comandato era inequívoca, e Claire se deu conta disso quando viu os outros Highlanders ainda se queixando dela. Quando finalmente se afastaram, e ela estava sozinha com Graham, olhou a suas costas. −Por que não se pode me vigiar no castelo? Por que temos que esperar aqui? −Porque não confio em você estando tão perto do homem que quer morto − a rodeou com seu cavalo e passou inclinando-se para ela−. E eu não confio em mim mesmo se tiver que a perseguir no castelo. Ela mordeu a língua para deter o tremor que lhe causou ao longo de sua espinha dorsal ao pensar no que não confiava em si mesma. Que efeito 79


causava sua virilidade em seus sentidos? Que poder possuía para fazê-la esquecer de qualquer maldita coisa exceto a promessa de completa sedução em seu olhar verde e sensual? Gostava de seu posto entre seus homens, porque ela nunca pôde imaginar-se com um homem em um posto mais baixo que o de comandante. Meu deus estava louca por ter tais pensamentos sobre ele! E mais louca ainda, pois estava tão tentada a descobrir se poderia equiparar-se a ele neste tipo de campo de batalha. −O que o faz estar tão seguro de que me apanharia? – ela o desafiou enquanto ele descia do cavalo e começava a vasculhar em seu alforje. −Não estou − apenas se virou para responder−. E isso é o que faz tão gratificante te perseguir − encontrando o que estava procurando, afundou seus dentes em uma maçã velha, e depois a lançou para ela−. É uma garota forte e teimosa, Claire Stuart. Mas deve sabê-lo agora −acrescentou, deixando vagar seu olhar potente sobre seu rosto−. Meu plano é fazê-la minha. Apesar da cadência sedosa em sua advertência, que a deixou sem fôlego e inflamou seus nervos, Claire lhe sorriu quase com compaixão. −Juro que para isso necessita de algo mais que ser um pilantra disposto. *** Construído sobre a cúpula de uma antiga rocha vulcânica, o castelo de Edimburgo dominava a paisagem por quilômetros de distância. Robert tinha visitado a capital em duas ocasiões anteriormente: quando seu tio foi enforcado pelo assassinato de Liam Campbell, o avô de Robert, e depois novamente quando Robert foi nomeado décimo primeiro conde de Argyll. A primeira vez que tinha vindo aqui, Robert pensava que a maravilhosa fortaleza era um símbolo da Escócia em si mesmo, forte, antigo, inexpugnável. Engraçado como via as coisas de maneira diferente agora. Porque os ingleses haviam invadido a ambos. Olhando a grande estrutura 80


militar protegida por escarpados ao sul, oeste e norte, Robert se perguntou o quão preparado tinham sido os militares ao protegê-los. A única rota de acesso à fortaleza era do leste, ao longo de um desenho de espinha de peixe de longas ladeiras inclinadas, pelos quais passava agora com Angus e os outros próximos, atrás dele. Manteve-se alerta e cauteloso ao passar por grandes praças onde as pessoas se reuniam nos mercados e ao redor dos tribunais de justiça. Robert ainda se negava a acreditar que o governador havia ordenado a morte de Connor Stuart e em seguida planejava matar o conde de Argyll o atraindo a Edimburgo com o pretexto de caçar um homem que o general sabia que estava morto. Monck não tinha nenhum motivo para desejar a morte de Robert, e se assim era, tinha tido duas oportunidades para matá-lo. −Os traidores têm de estar dentro − balbuciou Angus, empurrando seu cavalo cansado pelo longo caminho−. A guarnição pode ver alguém se aproximando a malditas léguas. Robert elevou a vista para as altas torres que rodeavam a Praça da Coroa e a Torre de David. Olhou às centenas de pequenas figuras em patrulha. Estavam ele e os outros ao alcance dos arqueiros? Seu coração se acelerava no peito, e em seguida lançou um juramento por sua covardia e seguiu trotando. Chegaram à porta exterior sem receber um disparo e continuaram além da guarnição até o gigantesco portão, onde foram recebidos por cinquenta guardas estacionados ao redor do mordomo de Monck, Edward. Era evidente que cada momento de seu avanço tinha sido observado. Ao parar o grupo de Robert a sua ordem, Edward se dirigiu aos Highlanders, observando seus plaids um pouco esfarrapados com um olhar um tanto desagradável. −Devem ser os MacGregor − Brodie lhe grunhiu em resposta, e o mordomo deu dois passos para trás e limpou a garganta−. Lorde Campbell

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−Edward fez uma profunda reverência, reconhecendo o jovem conde de suas visitas anteriores−. O governador esteve lhe esperando. Que chegasse sozinho? Ou com o Connor Stuart sob minha custódia? Robert queria perguntar-lhe. − Eu ouvi que o melhor uísque se encontra aqui em Edimburgo − disse Angus, olhando ao seu redor e arranhando a barriga−. Podemos provar um pouco de sua bebida? −É obvio, farei que coloquem uma garrafa em cada uma de suas acomodações se me acompanharem… −O acompanharemos até o grande salão e a nenhum outro lugar −Brodie cortou bruscamente−. Não nos separaremos. Depois de uma sacudida de cabeça e um rápido olhar para Robert, o mordomo lançou uma ordem a um dos guardas. −Prepare o grande salão − se virou para seus convidados e estendeu o braço sobre sua cintura−. Por aqui. − Conduziu-os por um caminho amplo de paralelepípedos e uma elevada escada de pedra e ao redor de uma pequena capela, antes de chegar à Praça da Coroa. Finalmente, foram levados ao grande salão cavernoso, que uma vez foi utilizado para as reuniões do Parlamento. Agora, o salão estava vazio, exceto por uma mesa de carvalho maciça em seu centro, rodeada por quarenta cadeiras esculpidas. Enormes tapeçarias cobriam as paredes, e uma grande lareira furava a parede norte, acrescentando calor e uma luz tênue ao salão. −Por favor, sentem-se senhores − convidou o mordomo. Sua voz ressoou no teto alto de vigas de marteladas −. Informarei ao governador que o esperam, e depois trarei suas bebidas. −Bom homem! −Angus lhe deu uma cordial palmada nas costas que esteve a ponto de catapultar ao mordomo contra a lareira. −Poria em fila aos membros do Parlamento e beijaria cada uma de suas malditas bundas por um gole − disse Brodie a Robert quando ficaram sozinhos e os outros tinham sentado ao redor da mesa.

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Seu corpulento primo lhe lançou um olhar ferido antes de unir-se a eles. −Estamos aqui de boa vontade − disse enquanto se sentava−. Estava tentando ser amável com o pobre bêbado. Parecia assustado ao nos ver, e eu… −Deveria ter medo − disse Brodie com certa amargura−. Se houver traição aqui, todos deveriam saber bem ao que enfrentam. −Monck não tem nenhuma razão para estar contra os MacGregor −afirmou Robert−. Não é tão tolo. −A lei sempre esteve contra nós −lhe recordou Brodie−. Possivelmente queira demonstrar aos outros generais sua força e astúcia matando aos proscritos, muito mais letais que Connor Stuart − ao ouvi-los, o resto dos MacGregor começou a sussurrar entre eles. −Não −insistiu Robert em voz baixa. Tinha que apaziguar sua crescente preocupação ou Claire não seria a única ameaça para a segurança do general Monck−. O Parlamento aceitou meu pedido de clemência nos crimes de sua família quando me converti em conde. Aos MacGregor se deixou em paz. −Ainda somos proscritos − zombou Brodie−. Nossas cabeças ainda valem muito, e o Parlamento já não existe. Possivelmente Claire Stuart esteja certa ao pensar que o governador não é de confiança. Robert o olhou através da mesa. −Callum não teria enviado a nenhum de vocês se acreditasse isso. −Callum não sabe o que houve com Connor Stuart. −Eu tampouco − uma voz proveniente da entrada chamou a atenção de todos ali. O homem de pé no marco da porta era alto, duas cabeças mais alto que a mulher ao seu lado, com o braço ligeiramente flexionado na parte interior do cotovelo. Seus olhos, ligeiramente mais escuros que seu cabelo encaracolado até os ombros, era de um tom penetrante de cinza, como espadas gêmeas forjadas do melhor aço. Pousou-os primeiro em Brodie, e depois em Robert. −Encontrou Claire Stuart então? 83


A mulher que estava com ele levantou o rosto para os homens. Sua pele cremosa estava ligeiramente avermelhada. Seus olhos da cor de uma tormenta arregalados e tão insondáveis quanto o mar ao olhar para Robert. Robert se ajoelhou lentamente, embora mais tarde não se recordasse de ter se movido ou tão sequer ter respirado ao vê-la. Era Anne, pois Claire a havia descrito perfeitamente. Usava um vestido leve coral pálido, somando-se à delicadeza de sua aparência. Um fino diadema de bronze martelado coroava sua testa. Debaixo dele, um véu de gaze branca envolvia sua longa cabeleira solta como uma névoa em um entardecer do verão. Sua beleza era atemporal, e ele se sentiu transportado para outra época quando a Escócia era jovem e as donzelas eram seres formosos e amáveis que amavam aos homens por sua honra. Incapaz de olhá-la aos olhos inclinou-se ante ela. −Eu… ehm… Eu sou Lorde Robert Campbell − não se esqueceu de seu nome, pois queria que ela o soubesse. Para chegar a conhecê-lo. −Encontrou minha irmã, Lorde Robert Campbell?− sua voz chegou docemente aos seus ouvidos. Seus olhos não piscavam enquanto esperava sua resposta. −Sim, encontrei-a − ficou feliz de poder dizer-lhe. Mas havia mais, e para isso afastou o olhar e dirigiu-se ao governador da Escócia enquanto ele a levava para o salão−. Mas não encontrei seu irmão. Temo que morreu na Inglaterra. −Por desgraça, temíamos o mesmo − Monck descansou sua mão sobre o ombro de Anne quando ela baixou a cabeça para ocultar suas lágrimas. O olhar de Robert se endureceu no general enquanto dava um passo para ele. −Então… Sabia? −Desapareceu faz uns meses − disse Monck, oferecendo um assento a Anne−. Por que acha que o enviei para buscá-lo e o apressei a trazer sua irmã para cá, a lugar seguro? −Eu não sabia por que − respondeu Roberto com sinceridade. 84


−Agora sabe −o general pegou sua cadeira e esperou que Robert ficasse em pé de novo antes de sentar-se−. Estávamos preparados para o pior, mas não esperávamos que nos desse a notícia. Meus representantes estão já em Londres comprometidos com outros negócios. Eu os aconselhei que investigassem o desaparecimento de Stuart. Enviei três dúzias de homens em busca de Lady Stuart, mas se parece muito com seu irmão. Quando ela não quer que a encontrem… −São gêmeos − disse Anne, dirigindo-se a Robert. −Isso explica muitas coisas − sorriu diante do intenso calor de seus olhos quando falou de seu irmão e sua irmã. −Ela está bem? −Sim, minha senhora. Espera ansiosa para vê-la de novo – ele foi recompensado com o sorriso mais lindo flutuando em sua boca. Quando seu olhar se fixou nela, ela olhou para outro lado, ocultando seus olhos sob umas abundantes pestanas de cor avermelhada. Ele podia cheirá-la. Era igual aos campos de urze na quietude da madrugada, seu aroma se apoderou de seus sentidos, deixando-o incapaz de dizer ou fazer algo exceto olhá-la. Seu olhar se inundou em seus lábios, carnudos e amplos sobre um queixo com uma cova profunda. −Como a encontraram? −perguntou o general, conduzindo a atenção de Robert para ele uma vez mais. −Por acaso −respondeu Robert−. Encontramos com ela pouco antes que dois dos homens do general Lambert estivessem a ponto de… Monck se ergueu sobre a cadeira. Seus olhos cinza brilhavam como um raio em um céu de carvão. −Os homens de Lambert estão aqui na Escócia? −quando Robert concordou com a cabeça, o general inclinou-se para trás e esfregou o queixo, chegando a uma conclusão que converteu sua mão em um punho−. E onde se encontra Lady Stuart agora?− perguntou, fixando seu olhar em Robert.

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−Ela está a salvo − lhe informou Brodie, lançando a Robert um olhar de advertência para que fechasse a boca. −Eu gostaria de vê-la. −Não há necessidade − disse Angus, procurando ao seu redor por um criado com suas bebidas−. Se houver mudado de opinião quanto a confiar em nós sua segurança, então iremos agora mesmo, sem nenhuma das duas. Monck mediu ao robusto Highlander de cabelo castanho avermelhado com um olhar penetrante, um tanto surpreso. −É você ao que chamam o Diabo? −Não −respondeu Brodie outra vez−. Nosso líder tinha outros assuntos que atender. Estamos aqui em seu lugar. Quando o general parecia a ponto de protestar, Robert interveio. −Meu senhor, posso atestar que estes homens são tão letais quanto seu chefe. As irmãs estarão bem protegidas com eles até que cheguem a Skye. Eu as acompanharei também, junto com o primeiro comandante dos MacGregor, que espera com Lady Stuart enquanto falamos. O general se virou para Anne, e depois respirou longamente antes de devolver seu olhar firme sobre os outros. −Sua cautela, inclusive comigo, é sábia, embora desnecessária. −Isso ainda está por esclarecer-se − murmurou Brodie enquanto dois criados entravam no salão com suas bebidas. O olhar de Monck retornou lentamente ao Highlander de aspecto letal. Apesar de que sua coluna vertebral ficar rígida em sua cadeira, sua voz se manteve em calma. −Uma legião de meus homens foi atacada nos subúrbios de Stirling. Morreram dois. Lambert e Fleetwood, quem, me permita recordar a todos virtualmente já governam o país, fizeram acusações abertas de que eu apoio aos realistas. −Você o faz? −perguntou Robert uma vez que as bebidas foram servidas e os criados haviam partido. −Estou sozinho nisto, Argyll.

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−Mas, é certo então que tenha se aliado com o Stuart? − ao dizer isto deu a Robert uma sensação de ansiedade. Até o momento, Claire havia dito a verdade. Monck levou seu copo aos lábios e bebeu lentamente, olhando para as profundidades de seu clarete enquanto falava. −Ele tinha todo o meu respeito, e eu o dele. Isso é tudo o que qualquer de um de vocês deve saber. −Necessito mais que isso −disse Robert, com a determinação de saber que não o dizia, ardendo em seus olhos quando se inclinou sobre a mesa. −Muito bem, então. Só lhe direi isto, jovem. A paz é mais dolorosa para os homens submetidos que a guerra para aqueles que desfrutam de sua liberdade. Robert assentiu com a cabeça, e a sombra de um sorriso curvou seus lábios. Entendeu, mas havia uma coisa mais que tinha que perguntar. −Há alguma razão pela qual se pudesse pensar que teve algo a ver com o desaparecimento de Connor Stuart? Imediatamente, o rosto de Anne empalideceu, e Robert se arrependeu de discutir isto diante dela. −É claro que não! − a ira cobriu o rosto do general, o que lhe deixou tenso e duro−. Connor era meu amigo − se virou para Anne e tomou sua mão na dele−. Descobrirei o que aconteceu com seu irmão, minha querida, e será feita a justiça. Enquanto que o rosto do general era difícil de escrutinar, o de Anne não era. Ela queria acreditar. Não tinha nenhuma razão para não fazê-lo. Não tinha ideia do que suspeitava sua irmã. Claire tinha que estar errada. Robert não podia aceitar que o governador tivesse tido algo a ver com a morte de Connor. Mas não podia estar totalmente seguro, e por essa razão se encontrou ansioso e impaciente para protegê-la de quem pudesse lhe fazer mal. Delicada e tranquila, não se parecia em nada com sua irmã. Olhou sua mão de alabastro, suave e elegante. Esta nunca tinha usado uma 87


espada. Seu olhar não era audaz, mas sim bem tímido e modesto. Entretanto, havia força nela também. Tinha controlado sua dor e enfrentou ao que seu coração não queria aceitar: a morte de seu irmão. Não retrocedeu diante do olhar de doze dos Highlanders mais temidos da Escócia, com quem logo iria viajar, mas sim se sentou entre eles imperturbável. Quer dizer, até que Angus, que tinha prestado atenção a metade da conversa desde que as bebidas foram servidas, e a outra metade a enorme jarra que apertava entre seus dedos, olhou para cima. −Disse que seus homens foram atacados nos subúrbios de Stirling. Isto ocorreu depois da morte do Stuart, verdade?−quando Monck assentiu com a cabeça, Angus encolheu seus grandes ombros−. Me soa como se quem quer que atacasse a seus homens tivesse algo mais pessoal contra você que a possibilidade de seja um realista. Como Campbell disse, poderia haver mais de um que o faça responsável pela morte de Stuart. Alguns de seus seguidores, por exemplo. Só porque Robert estava prestando toda sua atenção a Anne e seu fascínio, notou o brilho de repentino pânico em seus olhos. Todos os músculos de seu corpo se apertaram, e olhou ao redor do salão como se estivesse a ponto de fugir. Ela sabia de algo. Por que permanecia em silêncio? Perguntou-se Robert olhando-a. Estava protegendo a alguém? A um homem talvez? De repente compreendeu o mau humor de Graham quando Claire falou de James Buchanan. Robert não se deu conta de que tinha pronunciado o nome em voz alta até que Monck e Anne se viraram para ele ao mesmo tempo. −O que acontece ele? − foi o general o que falou. −Até que ponto o conhece meu general? −O suficiente como para que ele confie em que eu não tenho nada que ver com a morte de Connor. Ele… −o governador se deteve de repente e disse−: James está morto também? Não sei dele há muito tempo. 88


−Lady Stuart nos disse que Buchanan vive − Robert disse, e não lhe escapou o suave apertão que Monck deu à mão de Anne. −É uma agradável noticia. Lorde Buchanan é um bom homem −disse o general, e a seguir se voltou para Angus−. Não se trata de vingança. Buchanan nunca atacaria meus homens. Meus inimigos e os de Stuart são os mesmos. Claire não sabe onde encontrar ao Buchanan? −perguntou Monck a Robert depois. −Suponho que sim − disse Robert. −Bom. Desejaria que lhe fizesse chegar uma mensagem. Diga-lhe que desejo vê-lo e escutar o que aconteceu ao Connor de seus próprios lábios. −É claro − Robert concordou −. Mas se me permite saber, por que não lhe enviou uma carta perguntando-lhe antes? −Porque não sei onde reside o exército rebelde. E mesmo que soubesse, não enviaria uma carta escrita a um conhecido rebelde realista. É mais seguro desta forma para todos os envolvidos. É por isso que peço seus serviços uma vez mais. Necessito de alguém digno de confiança. Vai ajudar-me nisto e entregará a mensagem? Robert endireitou os ombros. −Dê por feito. O general concordou com a cabeça e suspirou com grande alívio. Embora seus olhos estivessem sombrios, sorriu para o jovem conde. −Connor fez seu dever ao inteirar-se de tudo a respeito dos senhores do reino. No caso de seu falecimento, ele queria que suas irmãs se casassem com homens de confiança. Aprendeu muito sobre você − continuou apesar do olhar incrédulo de Robert−. Inteirou-se de que havia se mantido incorruptível na política da terra. E que é um homem separado de seu avô e seu tio. Disse-me que tinha demonstrado ser justo e imparcial, e que aqueles aos quais perguntou sobre você estavam todos de acordo em que têm a honra e a integridade acima de tudo. −É isso mesmo −reconheceu Angus sufocando um arroto. 89


−É por isso que escolhi você para buscá-lo − continuou o general Monck−. E ele me pediu que escolhesse os maridos de suas irmãs, assim será você quem se casará com Lady Claire Stuart. Quando este assunto se resolver, é claro. Robert se manteve completamente imóvel em seu assento. Em algum lugar alem do alcance de sua consciência, ouviu Brodie rir e soltar um juramento que não para os ouvidos de Lady Anne. Ouviu o general continuar falando sem piedade sobre o destino e como Deus em Sua grande sabedoria havia levado Claire até Robert quando ninguém mais podia encontrá-la. Sentiu que seu olhar se repousava em Anne. Seus olhos se arregalaram ternos para ele, e seus lábios se estendiam em um sorriso amável, quase simpático. Iria dar-lhe uns tapinhas depois tentando convencê-lo de que não seria infeliz casado com sua irmã guerreira? −Não! −Robert saltou de sua cadeira. −Perdão? −Monck olhou para ele, com o assombro em seu rosto escuro. −Lady Stuart não é… − o olhar de Robert caiu sobre Anne. Seu desgosto por sua dura negativa era claramente visível em sua expressão nua. Acabava de fazer-lhe um grande insulto, o que o machucou−. Ela se opõe violentamente contra os "cabeças redondas", meu senhor. Ela me rechaçará, e eu… −Ganhará seu coração, não tenho nenhuma dúvida − Monck decidiu por ele, suavemente, mas com firmeza−. Lady Stuart necessita de um marido que seja paciente e de mente aberta. Uma vez me disseram que ensinou sua irmã a lutar, assim estão familiarizado com as mulheres que escolhem empunhar uma espada em vez de uma vassoura. Pode ensinar a Claire que apesar de que valorizar sua habilidade com a espada, esta não é necessária. −Exceto contra mim − murmurou Robert, mais para si do que para Monck. 90


O general pôs-se a rir. −Sei que ela é teimosa. Seu pai se queixou disso em muitas ocasiões. É por isso que necessita de um homem que a guie com mão firme, mas justa. Não. Robert passou a mão pelo cabelo. Ele não queria casar-se com uma mulher a qual tinha que domar, e que o odiaria todos os dias de sua vida por tentar fazê-lo. E, maldição, juraria que Graham tinha uma queda por ela. Como demônios ia explicar ao seu melhor amigo que já não teria que preocupar-se com James Buchanan por mais tempo já que Claire era dele? Deus o ajude! Ele não a queria. −Meu senhor, acho que esse homem não sou eu. −Minha irmã lhes desagrada? Ele piscou ante o cenho franzido de Anne. Acendeu seu olhar ante a severa careta de seus lábios. Maldição! Como podia responder a isso? −Não, minha senhora. Eu desagrado a ela. Sua boca assim como sua voz se suavizaram. Seus olhos estudaram seu rosto, seus ombros e o resto dele em pé frente dela até que afastou o olhar, com um ligeiro rubor colorindo suas bochechas. −E o que pode encontrar de desagradável em você, meu senhor? −antes que Robert tivesse oportunidade de responder, apesar de estar completamente seguro de que as únicas palavras que havia em sua boca eram as palavras de devoção a ela, o general Monck levantou-se de sua cadeira. −Eu vou expor minhas decisões ao Parlamento uma vez que este tenha sido restaurado, e o será, e sei que todos estarão a salvo − rodeou a mesa e pôs sua mão sobre o ombro de Robert−. Isto o faz pela Escócia, Lorde Campbell. Confie em mim, e se não, nisto: é pelo bem dela, assim como pelo do reino, que deve se casar com ela. Robert não se atreveu a responder ou perguntar o que as palavras do governador queriam dizer. Apenas havia uma coisa que queria saber neste momento. Monck havia dito que ia expor suas decisões ao 91


Parlamento. Mais de uma. Que outra coisa ia expor? Com um peso em seu coração que não havia sentido desde que descobriu que seu avô era um louco torturador, repousou seu olhar relutante em Monck. −E Lady Anne?Quem será seu marido? Virando-se para ela, o general pegou sua mão. −Bem, esta formosa joia só será entregue ao primeiro comandante e mais leal amigo de Connor, é claro. Robert apertou os dentes, e pela primeira vez em sua vida, sentiu vontades de matar alguém. James Buchanan.

Capítulo 11 Não pude te salvar

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Quando a noite começou a cair, Claire se esfregava para tirar o frio de seus braços nus e contemplou a cidade à distância. De sua posição −de fato, de quase qualquer posição em todas as direções− podia-se ver a antiga fortaleza de Edimburgo, iluminada por milhares de tochas para o céu, como se dominasse toda a terra e a tudo o mundo ali. A quase todo mundo. Pela enésima vez, amaldiçoou-se por não ter ido com Robert e os MacGregor para trazer Anne de volta. O que aconteceria se todos estivessem mortos, assassinados pelo general Monck e sua poderosa guarnição? O que aconteceria se Robert a tivesse traído e estivesse sentado com Monck agora, bebendo e rindo dela enquanto esperava na escuridão, morrendo de frio? Ele era um “cabeça redonda” afinal. E se Monck, agradecido pela lealdade de Robert, o casasse com Anne essa mesma noite? OH, Deus! Não existiria em toda Escócia uma rocha tão grande para esconder-se de sua fúria. −Voltarão logo. A voz profunda e melodiosa por cima de seu ombro a sobressaltou, mas não se virou para que ele não visse o medo em seus olhos. E o que se passava com Graham Grant? Por acaso realmente confiava em Robert e nos MacGregor para dá-lo como certo? Por que teve que escuta-lo e deixar que a impedisse de fazer seu trabalho? E por que diabos não cortou sua garganta por lhe arrancar suas mangas? −E se todos estão mortos? Sua risada suave atrás de sua clavícula lhe provocou uma onda de calor por todo o corpo. −Monck não é tão tolo para iniciar uma guerra contra Callum MacGregor matando seus homens e ao querido irmão de sua esposa. Ele estava muito perto. O calor aveludado de seu fôlego acariciou sua pele, e ela fechou os olhos ante o estranho conforto que trouxe. Podia sentir o contorno de seu corpo duro abrangendo-a. O aroma de fumaça da

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fogueira, e com um pingo de fascinação de algo inegavelmente masculino, a fazia desejar virar-se para ele ou correr na direção oposta. −Venha, Claire − ele tocou seu braço, deixando que seus dedos roçassem sua pele nua−. Está gelada. Se aproxime do fogo. Tudo ficará bem. Venha e sente-se comigo. Ela teria recusado se ele não tivesse fechado os dedos ao redor dos seus e a empurrado gentilmente. Na verdade, ela agradeceu o alívio a suas preocupações. Entretanto, quando se sentou, virou-se para vigiar o caminho para qualquer sinal de que sua irmã estivesse chegando. Saltou ao som de algum animal correndo por entre os arbustos. −Lutava ao lado do Connor? −Muitas vezes − ela respondeu, esticando o pescoço para olhar para trás. −E ele não se preocupava com você? Agora ela se voltou para ele, arqueando os lábios de indignação. − E por que devia preocupar-se?Porque sou uma mulher? Um dos extremos de sua boca formou um sorriso que acelerou o pulso de Claire, enquanto seus olhos posavam-se em seu rosto. −Porque poderia perdê-la. Embora me alegre saber que não esqueceu o que é. Como podia não fazê-lo quando ele a fazia muito consciente disso cada vez que punha os olhos nela? Quando enfrentava a um inimigo, sabia exatamente o que fazer. Mas aqui, a sós com Graham, não estava segura das coisas mais simples, tais como onde pôr as mãos. Ela endureceu seu olhar nele e olhou para o fogo. −Tampouco esqueci o que você é. −Um homem? −sua voz era grave, zombadora, e dobrou os joelhos próximos ao peito e apoiou os cotovelos em cima deles−. Um malandro… −Um malandro desrespeitoso – ela murmurou às chamas, muito consciente de sua proximidade. Ela estava começando a suar. −Não sou tão desrespeitoso Claire. Ela encolheu os ombros, mas deixou de olhá-lo.

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−Acha que as mulheres estão aqui somente para seu prazer? −Ele riu, e foi assombroso o quão inocente parecia com ao fazê-lo−. Você nega isso? – ela perguntou. −Não, não o faço. Também não sinto por isso. Eu fui criado para lutar. Meu pai ficou do lado de Dougal MacGregor durante as atrocidades que seu clã sofreu por capricho do Rei James. Tornei-me um homem entre derramamentos de sangue e batalhas. Vi coisas que me chocaram. Não vou negar que procuro o prazer das mulheres para me ajudar a esquecer. −Eu não serei uma dessas mulheres. −Não é verdade Claire − a profundidade de sua voz fez com que ela o olhasse nos olhos−. Você me dá prazer só me olhando. Diabos! Por que teve que dizer isso? A incitava a sorrir como uma louca obcecada. Que o dê! Mas ele diria qualquer coisa que uma mulher quisesse ouvir para leva-la à cama. −Apostaria que deixou um rastro de moças chorando de Skye a Edimburgo. −E eu apostaria que muitos dos homens de seu irmão perderam uma extremidade ou duas na batalha com você ali para distraí-los. −É insuportável −se resignou com um suspiro. −E você uma teimosa. Ela lhe lançou um olhar irritado, e em seguida pôs-se a rir apesar de si mesma. OH, ele tinha razão. Ela era teimosa. Connor e Anne o haviam dito muitas vezes. Mas, maldito fosse! O Highlander era tão teimoso quanto ela. Poderiam seguir assim toda a noite sem que nenhum deles cedesse nem um centímetro. Sua risada se apagou quando se lembrou de Anne. Lançou outro olhar ansioso por cima do ombro. −E você, Claire? O que faz para se dar prazer? Ele era inteligente, e dessa forma a distraía da preocupação. Ela o olhou, esperando ver aquele sorriso diabólico em seus lábios, com essas covinhas que deixavam sem sentido a uma mulher. Em vez disso, o

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encontrou olhando-a com uma intensidade hipnótica. Seu fôlego estava entrecortado, como se acabasse de correr um longo trecho. Pensou a respeito de sua pergunta e deu de ombros. −Eu me exercito. −Isso é tudo? – ele parecia surpreso, e… aliviado. Quando ela concordou, ele sacudiu a cabeça−. Uma lástima… riam mais. Pelo rabo de Satanás… ela corou! E sentia que estava rindo como uma tola! Seus olhos brilhavam contra a luz do fogo, tocando-a, acariciando-a. Ela olhou para o outro lado em um esforço para aplacar seu coração, que pulsava com força. Recolheu um galho largo e o afundou no fogo. −Me diga como uma moça de linhagem real se converte em um guerreiro? Seu primo, o rei, aprova suas maneiras tão pouco convencionais? Claire olhou para cima. −Ele é consciente de que luto por sua restauração. −Entretanto… Ela atiçou o fogo de novo, evitando seu olhar. −Não fui vista com bons olhos por parte de minha família, exceto Connor. Foi uma luta, mas me comprometi a restaurar ao rei no lugar que lhe corresponde e pôr fim aos inimigos de Carlos na Escócia. −Uma causa nobre – ele disse. Claire podia sentir seus olhos nela nos momentos de silêncio que se estendiam entre os dois. Depois− Não há nenhum homem com sua vida que a ajude a acalmar seus nervos? O galho se quebrou entre seus dedos. −Meus nervos estão calmos − ele se aproximou e, estendendo a mão, alisou uma mecha de seu cabelo para longe de sua bochecha. Quando ela inclinou o rosto, ele não moveu sua mão e ela se viu com a bochecha na áspera palma de sua mão−. E se não o estivessem − sua voz era tênue, e seus lábios ficaram de repente tão secos quanto o ramo quebrado que tinha em sua mão. Umedeceu-a com a língua e o olhar dele se pousou em sua boca−, um homem não poderia me ajudar a acalmá-los. 96


−Isso é porque não encontrou o homem adequado – ele se inclinou, e deslizando sua mão por detrás de sua nuca, beijou-a. Primorosamente. Com maestria. Seus lábios a acariciavam, moldando os dela com tanta ternura. Ela suspirou em sua boca e se sentiu fraca contra ele. Sua língua não rondava, mas sim a forçava, mais sedosa através da costura de sua boca. Sorria quando ela levou a mão ao seu peito e se pegou o plaid em seu punho. Depois ele abriu a boca para tomá-la mais inteiramente enquanto as garras da paixão se apoderavam dos dois. −Ah, merda! Sabia que não podia confiá-la a esse bastardo. Claire se afastou ao som da voz de Brodie sobre ela. Atrás dele, sua irmã se achava empoleirada sobre um cavalo cinza pálido, mas em lugar devolver o sorriso alegre de Claire por sua reunião, dirigiu-se a Robert, ladeado a sua direita, e parecia a ponto de chorar. −Anne! − Claire correu para ela, mas Robert já estava ali para ajudar sua irmã a desmontar. No instante em que os pés da Anne tocaram o chão, Claire a tomou em seus braços−. Está bem?−ela se inclinou para trás para afastar o cabelo de Anne de seus ombros e tocar sua bochecha−. Fizeram-lhe mal de algum modo? Monck a tratou mal?− antes que sua irmã pudesse responder a suas perguntas, Claire a tomou em seus braços de novo−. Graças a Deus que está aqui comigo! −olhou para Robert por cima do ombro de Anne, separou-se dela, e jogou os braços ao seu redor−. Obrigado, Robert. Está ferido? − inclinou-se atrás para examiná-lo. Quando se assegurou que todos eles estavam bem, ela pegou a mão de Anne e a beijou. −Estava muito preocupada com você. −Como eu por você, Claire − Anne respondeu, mas olhou além dela, para Graham−. Quem é ele? De repente, Claire se sentia como uma menina jogando no chiqueirinho. Sem olhá-lo, pois sabia que ele devia parecer tão despenteado quanto ela, disse seu nome a Anne. Ela foi vagamente consciente da 97


saudação amável de Graham, em sua opinião, mas Anne estava ainda menos interessada. −Claire −disse em voz baixa−. Lorde Campbell… −… Eu lhe dei a triste noticia do de seu irmão − Robert a interrompeu. Pôs sua mão sobre a delas, mas quando voltou a falar, foi para Anne apenas−. Rogo para não ser a causa de mais tristezas esta noite. O olhando, Anne assentiu. Depois se voltou para Claire com grandes lágrimas aparecendo nos cantos de seus olhos. −Venha e me conte o que ocorreu com nosso irmão. Enquanto caminhavam junto ao fogo e se sentavam, Graham sorriu para Robert e se dirigiu a ele. Brodie impediu o primeiro passo, com o cenho franzido e murmurando algo ininteligível, e depois se afastou nas sombras. Com os braços estendidos, Graham lançou um olhar de assombro para Angus. −Que foi isso? −Graham − foi Robert quem respondeu−. Há algo que devo falar contigo. Graham franziu o cenho diante do olhar levemente doentio no rosto de seu amigo e do tom sombrio de sua voz, e a seguir se adiantou. −O que aconteceu? Robert esperou que outros se dispersassem, e quando por fim estavam sozinhos, puxou Graham para ele. −Eu… −olhou para as mulheres e começou de novo−. Você gosta dela? −Quem? −Demônios! −agora Robert olhou para ele−. Claire. Gosta de Claire? Estavam se beijando. Eu gostaria de saber se significar algo para você. −Por quê? − Graham perguntou, lhe dirigindo um olhar concentrado. Ele sabia que Robert queria lhe arranjar uma mulher, só uma mulher, a quem entregar seu coração. Tinha insistido durante muito tempo, mas isto era diferente. Robert estava agitado, zangado… triste. Os olhos de 98


Graham captaram as luzes brilhantes do Castelo de Edimburgo à distância e de repente endureceu sua expressão−. Por que quer saber? Monck a prometeu a alguém? −Sim −seu amigo mexia no cabelo como se quisesse pentear todos e cada um dos fios −. Ele prometeu as duas com a aprovação de seu irmão. Anne se casará com James Buchanan. Graham olhou sobre seu ombro para onde Claire estava sentada, com sua trança clara e longa nas costas. Apertou a mandíbula recordando da suavidade de seu cabelo quando observou seu rosto para ter uma melhor visão de seu perfil. Seu sabor ainda persistia em sua boca, em sua língua. A lembrança de sua risada invadiu seus pensamentos como uma advertência de que nunca esqueceria seu som. −E Claire? A quem a prometeram? −Possivelmente poderia encontrar ao bastardo e cravar uma faca em sua garganta. −Você a quer? Agarrando a túnica de Robert, o puxou para si. −Rob, nunca bati em você, mas juro perante Deus que o farei se não me responder. Quem é seu prometido? −Eu! − Robert o empurrou longe dele. Então, soando ainda mais derrotado do que Graham já o tinha ouvido soar, repetiu−. Eu sou seu prometido. Por uns momentos, Graham simplesmente ficou em seu lugar, sem poder acreditar no que acabava de ouvir. −Vai se negar. −Eu tentei. Graham, ele é o governador. Sua palavra é lei − o olhar de Robert se deslocou para Anne. Tinha que fazê-la entender que não querer a sua irmã não era insultá-la, e logo o faria… −Eu vou… −Então confia nele e fará o que ordena? −Os olhos de Graham brilhavam como chamas. Sua expressão se tornou tão escura e dura que por um instante Robert estava certo de que este homem, que tinha salvado sua vida muitas vezes, iria surra-lo até a morte agora mesmo. 99


−Sim, eu confio nele. Mas se a quer, voltarei até Monck neste mesmo momento e a rechaçarei. Não me importa… −Sim te importa − Graham o interrompeu. Os ângulos rígidos de seu rosto se dissolveram na resignação−. Esquece que o conheço bem, irmão. A lei significa muito para você. −Sim, assim é. Entretanto, sua felicidade significa muito mais. Graham sorriu, embora se sentisse como se tivessem lhe dado um chute no peito. Ela estava prometida a Robert. Nunca poderia ser dele. E, demônios!, Queria ela que o fosse− Não! Ela o cativou. Tinha curiosidade por saber como seria na cama. Isso era tudo. Nada mais. Ele não deixaria que seu amigo voltasse para castelo e perdesse sua integridade. Talvez inclusive mais que isso. Lutar contra o governador sobre este assunto? Por que iria lhe importar com quem se casava? Ele não queria uma mulher chorando sobre ele cada vez que tivesse que liderar uma batalha. Embora Claire provavelmente fosse querer unir-se a ele. Teve nesse momento um pensamento aterrador: ver a mulher que amava sangrando no campo. Sacudiu a cabeça para tirar essa ideia da cabeça. Maldição! Por que estava inclusive pensando em termos de amor? −É obvio que não a quero. Fará o que diz a lei − sabia pelo Robert que não havia outra opção−. Ela não significa nada para mim. −Tem certeza?− Robert insistiu com preocupação. −Sim − Graham lhe assegurou, com um sorriso ardiloso na boca−. Você a salvou de mim, Rob. −Muito bem, então − Robert não parecia aliviado−. Eu não quero que saiba ainda. Ela nunca acreditará que seu irmão a prometeu a um “cabeça redonda”. Apenas a convencerá de que Monck mentia. Poderia levar Anne com ela e fugir. −Existe a possibilidade de que Monck esteja enganando você. Robert assentiu com a cabeça, mas parecia pior do que antes quando disse:

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−É melhor que tampouco lhe falemos do casamento de Anne. Ao menos até que encontremos com o Buchanan. Tenho uma mensagem para lhe entregar da parte do general. Monck confia nele, mas eu não sei se o faço. Por que Connor Stuart concordaria em entregar a mão de sua irmã e suas Terras a um “cabeça redonda” e não a seu amigo íntimo? Falaram um pouco mais de tempo sobre o encontro com Monck, e depois, sem nada mais a dizer, Graham se afastou. Não retornou à fogueira, a ela. Tinha que manter Claire Stuart longe de seus pensamentos. Ela estava prometida a um homem ao que considerava seu irmão, e Graham nunca o trairia. Tinha que tira-la de seus pensamentos. Não seria difícil. Não significava nada para ele. Nada absolutamente.

Capítulo 12 Quem viu ao grande guerreiro exposto ao frio do inverno− Por desgraça, morreu. E, no entanto, vive. Quando retornou ao campo mais tarde naquela noite, Graham sabia que estava condenado. Não podia deixar de pensar nela. Não podia deixar de olhá-la, de observar todos seus movimentos, de escutar cada palavra que dizia sua irmã… e ao Robert. Parecia um pouco mais suave, menos em guarda, agora que Anne tinha voltado para o seu lado. Quando sorria, sentia como se alguém l estivesse cravando um gancho de ferro nas tripas. O que deu dele? Nunca em toda sua vida tinha deixado que uma garota o afetasse dessa maneira. Havia se prometido ha muito tempo que isso não 101


aconteceria. Como pôde entregar seu coração a uma moça sabendo que cada vez que entrasse em batalha possivelmente não retornaria? Sabia a dor que isso causava. Havia-o visto, tinha-o vivido, quando seu pai morreu e sua mãe chorou até que não restaram lágrimas. Não amava Claire Stuart. Desejava-a. Sim, isso era tudo. Ele a desejava e ela era a única mulher que nunca poderia ter. Demônios! Por que Robert? Se estivesse prometida a outra pessoa, Graham a faria sua e ao inferno com a lei. Mas ia ser a esposa de Robert! Esfregou-se a mão pelo rosto, olhando-a através das chamas, com vontades de beijá-la, de tocá-la, de acariciá-la, de estreitá-la contra seu corpo e sentir o lento rendimento de sua entrega, suas curvas suaves amoldando-se a seus membros duros. Queria ouvir sua risada uma vez mais, saboreá-la, tomá-la e… E o que? Que depois? O que teria feito uma vez que a tivesse provado? Provavelmente, o mesmo que tinha feito a um sem número de outras mulheres: fugir para longe dela. Ela estaria melhor com Robert, um homem que acreditava que todo mundo tinha nascido para o amor, que havia algo mais na vida que lutar e foder. Graham sabia muito bem. Sempre o tinha sabido. A guerra era a única coisa certa e duradoura em seu mundo. A vida era curta e o amor fugaz. Ele estaria melhor sem ninguém que se preocupasse com sua morte. Estaria melhor sem ela. −Graham −Robert chamou sua atenção longe dos doces traços do rosto de Claire−. Monck sabia do desaparecimento de Connor, mas não de sua morte. −Como pode estar certo disso? − Claire perguntou, olhando além das chamas−. Pode ter te enganado como fez com meu irmão. Sim, pensou Graham. E o que faria Robert se tivesse sido enganado pelo general? Estaria do lado de Claire quando ela procurasse a morte do governador como pagamento por sua traição? −Claire − Anne disse em voz baixa, chamando a atenção de sua irmã para ela−. Passei todas estas semanas aos cuidados do general Monck. 102


Não acredito que ele tenha traído Connor. Deve haver muito mais do que lhe disseram. Grato por ter alguém mais entre eles acreditasse na inocência de Monck, Robert estendeu seu mais quente sorriso para Anne e depois dirigiu seu olhar culpado de novo para Claire. −Anne, nosso irmão foi assassinado a caminho de Londres, depois de ter recebido a palavra do governador lhe dizendo que fosse ali! − Claire exclamou quando todos os olhares se voltaram para ela, esperando sua resposta−. Não é suficiente para demonstrar a culpa de Monck? Nossos pais foram enviados a Londres, para nunca mais retornar. Acha que Connor teria ido se não fosse a pedido de alguém de sua confiança? Sabe que digo a verdade − adicionou, e Anne baixou a olhar para suas mãos cruzadas em seu colo−. Sabendo o preço por sua cabeça, Connor utilizaria de todos os cuidados. −Então Angus estava certo. Claire olhou ao Robert. −Sobre o que? −Aconteceram vários ataques contra os homens do general desde que seu irmão desapareceu. Se estiverem certos e o general enviou Connor a Londres para morrer, alguém além de você sabe. Alguém que o quer morto por isso. −E quem acha que está atrás destes ataques? −Claire inclinou a cabeça para a Anne ao tocá-la suavemente na mão. Graham captou a sutil comunicação entre elas. Imediatamente, seus olhos se dirigiram ao gorro metido no cinturão de Claire. Poderia ter sido ela? Ela queria matar ao Monck quando chegou ao Edimburgo. Estaria tão louca para atacar a um regimento de homens do governador? −Só me ocorre uma pessoa −disse Robert. −Sim −afirmou Graham rapidamente. Se tivesse sido Claire, a protegeria a qualquer custo−. O amigo do Connor.

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−James? −perguntou Anne, atordoada, e em seguida sacudiu a cabeça. Mas foi Claire, Graham observou com uma pontada de puro ciúme, quem imediatamente saltou em sua defesa. −James não está atrás dos ataques aos homens de Monck. −Como sabem?−perguntou Angus. −Simplesmente sei. O que todos vocês tem de fazer é confiar em mim. Os homens de Lambert estão aqui na Escócia. Vocês dois os viram naquela manhã −se voltou para o Robert−. Disse ao Monck que estavam aqui? −Sim −admitiu em voz baixa−. E não parecia contente. −Então, você vê? −insistiu Claire−. Foram os homens de Lambert que atacaram. −Sim, os homens de Lambert −adicionou Anne apressadamente, lançando a sua irmã um olhar nervoso. −Já não sei o que acreditar − disse Robert com uma voz de profundo cansaço−. Talvez tudo se esclareça quando me encontrar com Buchanan. Mencionou Ravenglade. Onde ele está? Todo o porte de Claire trocou, e Graham não pôde evitar franzir o cenho ante a esperança que fazia com que os olhos dela brilhassem como safiras. Amava a esse bastardo? De algum jeito, esse pensamento em particular era mais doloroso para ele que seu casamento com seu melhor amigo. Não amava Robert e provavelmente nunca o faria. Eles eram muito diferentes. Mas se seu coração pertencia a Buchanan… −Se lhe disser isso, me dá sua palavra, e a palavra de toda sua companhia, de que não o dirão a ninguém mais? − ela não tinha outra opção. Era a única maneira de que Anne chegasse até James. Quando Robert fez sua promessa, ela contou, e rogou em silêncio que seu irmão a perdoasse. *** Claire ia silencio junto à Anne quando se aproximaram de Stirling. Doíam-lhe as costas e jurou que senão comesse logo outra coisa que não 104


fossem bagos, raízes ou um pão duro como uma rocha morderia um pedaço do braço de alguém. Estava acostumada a permanecer sobre a cela durante vários dias de uma vez, mas tinham passado semanas desde que havia sentido uma cama debaixo dela pela última vez… Ou inclusive uma maldita cadeira! A cada légua que viajavam, seu estado de ânimo se tornava cada vez mais depressivo. Robert não estava ajudando no assunto com seu repentino e intenso interesse pelo bem-estar de Anne e dela. Cavalgava diante delas durante o dia e em seus calcanhares de noite. Claire estava certa de que não tinha intenção de lhe deixar nervosa ao lhe fazer perguntas sem fim sobre tudo, desde sua infância até as cores que mais gostava. Sentia-se aliviada quando Anne, claramente mais interessada em conversar que ela, começou a responder por ela. Logo os dois riam, deixando-a sozinha. As constantes brigas entre Angus e Brodie MacGregor não a incomodavam tanto quanto os murros que davam um no outro em cada ocasião que surgia. Ela apreciava aos homens lutadores, mas estes dois demônios…! À medida que as horas avançavam e os rostos se tornavam mais inchados e corados, começou a preocupar-se com como os homens do James agiriam com eles. Seus planos de procurar refúgio em Ravenglade não tinham mudado. De fato, estava mais decidida do que nunca a manter-se longe da verdadeira causa de sua petulância: o homem que nesse momento estava a cavalo diante dela. Desde o dia em que saíram de Edimburgo, Graham mal tinha falado uma palavra com ela, e quando o fazia era, mas como uma queixa. Ficaram para trás seus sorrisos irritantemente sensuais. Também tinha desaparecido todo rastro de humor para qualquer um. Quando ela chamava sua atenção, olhava para o outro lado, embora muitas vezes durante o dia ela sentisse seus olhos postos nela. Não a buscava quando descansavam 105


seus cavalos ou acampavam durante a noite. Por que tinha mudado, e por que isto a estava deixando louca? Quando finalmente se detiveram em uma estalagem, pensou que poderia ter uma oportunidade de falar com ele, embora se odiasse por querer fazê-lo. −O que pensa dele? Claire piscou, afastando o olhar de Graham enquanto ajudava sua irmã a desmontar. −Eu gostaria de lhe cravar minha espada. −Não Graham − Anne a puxou por seu pulso quando o olhar de Claire o encontrou de novo−. Mas gostaria de saber por que ele acende seu temperamento dessa maneira sem ter sequer que dizer palavra. −Quem então?− perguntou Claire antes que sua irmã se aprofundasse mais no assunto. Anne fez um gesto com a covinha de seu queixo para Robert, inclinado sobre sua sela para apanhar algo do outro lado. −Lorde Campbell −seu olhar, detendo-se em seus apertados calções que se estendiam por suas coxas e nádegas, obscureceu-se de uma névoa cinza para um azul tormentoso. Começou a sorrir, mas em seu lugar soltou um arroto. −Anne! −espetou-lhe Claire, rompendo o transe de sonho que a visão provocava em sua irmã−. É um “cabeça redonda” −quando Anne a olhou, Claire a examinou com mais cuidado−. Está bêbada, irmã?Parece estar! −Eu tomei um pouco da cerveja do querido Angus −Anne deu de ombros, evitando a olhar preocupado de sua irmã. Seu olhar melancólico retornou para o conde de Argyll, que oferecia ao cavalariço um sorriso enquanto lhe entregava as rédeas−. Olhe-o, Claire. Ele não é nosso inimigo −sua confissão foi moderada com uma sombria urgência que despertou o interesse de Claire−. Ele é amável, e de maneiras gentis. Reflexivo e inteligente. E não o acha terrivelmente bonito? Porque… Olha seu corpo, 106


tão delicioso e bem tonificado. E seus olhos… Já viu alguma vez uma combinação mais radiante de ouro e mel, rodeada de tão longas pestanas negras? −Os olhos de Anne piscaram luminosamente para ela−. E bem− Viu? −Pelas bolas de Satanás! Você gosta dele! −bufou Claire. Sua irmã se virou para trás sobre seu cavalo, horrorizada. −Não! Alguma vez poderia pensar em estar eu… com ele… −pôs sua mão sobre a boca e abaixou o olhar−. Só quero que seja feliz −disse com voz mais calma. −Sou feliz −lhe assegurou Claire enquanto desmontava. −Não é! E é por culpa de Graham Grant. Não tinha que tê-lo beijado, Claire −lançou uma olhar de compreensão em direção a Lorde Campbell, e logo depois de novo para sua irmã−. Vejo como o olha. Está zangada porque não a beijou outra vez? −Não seja ridícula, Anne. E não volte a me perguntar por ele. Odeio-o. Detesto-o. Eu gostaria que nunca… Ela dirigiu-se diretamente para ele. Olhou para cima quando suas mãos alcançaram seus antebraços para que não caísse para trás. Ele a olhou com intensidade sem pestanejar, o que a fez perder a cabeça. −Olhe por aonde vai. Ele deu a volta e se foi, deixando Claire um pouco aturdida, um tanto ferida e totalmente enlouquecida. Pensou em lançar uma maldição a suas costas, mas Anne a olhava com um ar de conhecimento em seu rosto. −Robert! −gritou em seu lugar e se dirigiu feita uma fúria para a estalagem−. Ajude minha irmã a desmontar! Entrou na pequena taverna com Brodie na frente dela e esticou o pescoço sobre o braço do bruto para ver onde foi esse filho da puta. Encontrou Graham quase imediatamente, pois era difícil de ignora-lo, com um grupo de criadas risonhas que já o rodeavam. Claire as olhou boquiaberta por um momento, perguntando-se o que fariam os outros clientes se ela tirasse sua adaga e a jogasse nele. Alguém atrás lhe deu um suave empurrão e ela deu a volta, fulminando Angus com a olhar. 107


−Não lhe dê seu coração, moça. Não tem sentido de qualquer modo. Seus punhos se comprimiram em ambos os lados de seu corpo. −Obrigado, Angus, mas não entreguei meu coração a ninguém. Ele lhe deu um olhar solidário, e depois também a abandonou. Robert e Anne entraram na estalagem depois, rindo como estavam acostumados a fazer quando estavam juntos, o que neste momento dava a Claire vontade de gritar. Quando Robert a viu olhando-os, separou-se de Anne parecendo mais arrependido que se ela acabasse de descobrir que tinha sido ele quem tinha matado seu irmão. −Eu vou pedir acomodações − disse, virtualmente fugindo dela. Que diabos lhe passava? se perguntou Claire. Ficaram todos loucos? −Acho que ele tem medo de mim − Claire disse a Anne, em vista da rápida saída de Robert. −Isso é absurdo −disse Anne com um bufo−. Ele não a conhece bem ainda −sua irmã olhou ao seu redor, a seguir fixou seu olhar em Claire−. Não se preocupa que alguém daqui a reconheça?Claire estava muito zangada para parecer ignorante, assim que deu de ombros em seu lugar. −Ninguém me vai reconhecer, e se o fizerem, não viverão tempo suficiente para formular a acusação. Anne negou com a cabeça para ela, com olhos suplicantes enquanto falava. −Sabia que tinha sido você quando me inteirei do ataque aos homens do governador. Connor não ia querer que fizesse isto. −Connor está morto, e o vingarei −Claire se afastou do lado de sua irmã e se uniu a Brodie e Angus em uma mesa próxima. Depois de pedir uma jarra de hidromel, voltou seu olhar para Graham. Tentou várias vezes prestar atenção à conversa ao seu redor, mas cada vez que uma das criadas se encostava no braço dele, ria seus olhos brilhantes, ela se sentia de novo atraída para ele. Por que tinha permitido que a beijasse de novo? Sua inexperiência nessa habilidade o havia decepcionado o suficiente para decidir que ela não merecia nem mais um minuto de sua atenção? Ele havia 108


lhe advertido de sua maldade, e ela estava segura, muito segura, de que não podia afetá-la. Mas o fez que os demônios o levem ao Inferno! Ele se aproveitou de seu momento de debilidade quando estava tão preocupada com Anne e a beijou, e em seguida a afastou para um lado. Bom, Anne estava a salvo agora, e Graham Grant não voltaria a encontrá-la fraco de novo. Pela extremidade do olho o viu vir para a mesa com uma caneca em uma mão e uma garçonete na outra. Ela o observou em um silêncio furioso, ele enquanto se deixava cair em uma cadeira e empurrava a moça para seu colo. Os olhos azuis pálido da mulher se pousaram imediatamente em Claire, e depois em sua grosa trança loira e em seus braços nus. Seu olhar se contraiu, chegando à espada embainhada nos quadris de Claire. −Já nos vimos antes? Claire sorriu secamente e mergulhou seu olhar glacial no amplo decote da mulher que balançava sob seu queixo. −É difícil de dizer. Eu conheci muitas garçonetes, e todos os seus seios têm o mesmo aspecto. Brodie riu e Angus tossiu em sua jarra, mas os olhos de Graham se cravaram nela. Ela devolveu-lhe o olhar, esperando que ele pudesse ler seus pensamentos para que soubesse o porco e tolo que o considerava. −Lianne nos servirá esta noite − disse Graham, e dedicou seu sorriso com covinhas à garota luxuriosa sentada sobre ele. Claire jogava faíscas. Afastou seu olhar deles quando Anne e Robert chegaram à mesa. Observou como Robert esperava que sua irmã se sentasse para depois, parecendo um pouco abalado, agarrar a cadeira vazia ao lado dela e arrastá-la para o lado de Claire, onde rapidamente se sentou. Claire lhe lançou um olhar confuso e moveu a cadeira uma polegada mais perto da de Brodie para deixar mais espaço a Robert. Graham engoliu o resto de sua bebida e empurrou a jarra vazia para Lianne. −E traga algo para comer − ele disse, lhe dando um empurrãozinho com seu joelho−. Algo quente. 109


−Tenho algo que estive cozinhando para você – ela prometeu com uma piscada sugestiva antes de ir. Em seu caminho ao redor da mesa, inclinou-se sobre o ombro d Robert−. E também tenho algo para você, meu anjinho. Robert se moveu incômodo e olhou por debaixo de seus cílios para Anne. −Já estiveram aqui antes então? − Anne perguntou-lhe tentando parecer indiferente a respeito. Sua irmã percebeu. O sorriso tenso que Anne ofereceu ao conde a delatou. Claire queria chutar Robert nos joelhos. Embora não pudesse ver com bons olhos a óbvia afeição de Anne por um Campbell, se ele se deitasse com essa fulana essa noite teria que dar explicações a ela pela manhã. −Eu não estive… ehm… aqui antes, não −Robert se apressou a lhe assegurar. −Ainda se reservando para o amor, não Rob? −riu Brodie, sem piedade alguma pelo casto conde. Claire lhe deu uma cotovelada nas costelas. −É uma nobre aspiração pela qual outros aqui presentes deveriam esforçar-se - ela deslizou seu olhar para Graham−. Não o censurem por isso. Graham lhe lançou um sorriso indulgente que descaradamente zombava de sua própria inocência. −Alguns poderiam considerar como uma nobre aspiração agradar a uma garota na cama. A luta que esteve fermentando durante vários dias se mostrava inconfundível na ruga de sua testa e na fúria em seu nariz. −E há outros que consideram um fracasso que um malandro esteja continuamente praticando para tentar melhorar nisso. Ele se se pôs a rir, como se a tivesse entendido e suas palavras não o incomodassem absolutamente. Mas não falou com ela, e com mais ninguém, até que todos se levantaram para se retirar um momento depois. 110


Em seu caminho para as escadas, deteve uma roliça garçonete ruiva enquanto passava diante dele. − Diga a Lianne que venha comigo. Claire olhou para ele por cima do ombro enquanto subia as escadas atrás de Anne. Que vá com a fulana. Assim que chegasse a Ravenglade se livraria dele. Pelas bolas de Satanás!Ela pensou, tropeçando contra um degrau. Mal podia esperar.

Capítulo 13 Traído. Traído por seu amigo. Não há maior ofensa. Não há maior dor. Claire estava deitada sonhando acordada com Graham uma hora mais tarde, e uma hora depois. Cada vez que fechava os olhos, o via sorrir às mulheres da taverna… para Lianne. O que estava errado com ela? Nem sequer gostava dele! Ele era um arrogante e bárbaro trapaceiro vaidoso. Se fazia chamar de amigo dos realistas e dos “cabeças redondas” por igual, sem outra paixão ardendo em seu coração do que a de seu próprio prazer. Seu prazer… Estaria beijando Lianne agora da mesma forma em que a tinha beijado? Claire se sentou na cama e golpeou o fino colchão com o punho. Afastou o cabelo comprido do rosto e, com cuidado para não despertar Anne, deslizou fora da cama. Que sentido tinha em ficar deitada aqui toda a noite atormentada por imagens que a faziam se enfurecer? Gostaria de beber. Sim, uma jarra de hidromel quente a ajudaria a dormir. A maioria dos clientes provavelmente já teria partido de noite ou estariam deitados… se divertindo com as criadas lascivas. Estava certa de que não encontraria com ninguém, mas para o caso, ocultou a adaga em seus calções. 111


Saiu nas pontas dos pés do quarto e percorreu em silêncio as escadas da taverna. O fogo da lareira ainda brilhava, iluminando as mesas, a maioria delas vazia. Havia dois clientes, desabados em suas cadeiras no estupor da bebedeira. Uma garçonete morena descansava em uma cadeira junto ao fogo, esfregando seus pés, enquanto o hospedeiro se sentava em frente dela contando às moedas que tinha feito durante o dia. Ambos levantaram a vista quando ela entrou. −Se procura um pouco de bebida, volte na manhã −disse o hospedeiro. A garota lhe deu um ligeiro chute com o pé e lhe indicou outra mesa escondida no canto, aonde a luz não chegava. Claire seguiu seu olhar e parou quando Graham se levantou de entre as sombras, com o olhar fixo nela. −O que houve? O que está fazendo aqui? Ela deu de ombros e se aproximou dele. −Eu tinha problemas para dormir e pensei que uma jarra de hidromel poderia me servir de ajuda. Ele a olhou longamente, desde os seus pés descalços até a cabeleira solta, da cor manteiga que caía sobre seus braços. Na penumbra, ela pôde observar o endurecimento de sua mandíbula. Levantou a queixo. Que se zangue por haver o interrompido seu… Olhou ao seu redor procurando Lianne. −Você já acabou?− ela se assegurou de que notasse o desprezo zombador em sua voz. Se ele notou, não fez nenhuma demonstração disso, mas sim retornou a seu assento. −Volte para a cama, Claire. −O que faz aqui sozinho? −ela ignorou sua ordem rigorosa e se sentou ao seu lado. −Rezo. Ela fez um pequeno ruído, como uma risada, e levantou sua jarra para leva-la ao nariz. Cerveja. Tomou um gole e sentiu seus olhos nela,

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ardentes, melancólicos e outra coisa que fez faiscar suas terminações nervosas. −Me diga – ela perguntou sem olhá-lo−. Pelo que reza um homem como você? −Por uma mulher como você. Ela levantou o olhar para sua silhueta escura. Gostaria de poder ver seu rosto, seus olhos, sua boca. Estaria sorrindo, zombando dela?Não, sua voz era grave e áspera, sem nenhuma das brincadeiras arrogantes que estava acostumada a ouvir dele. −Como eu? − sua voz soou irregular e ansiosa aos seus próprios ouvidos. Ele inclinou-se para ela, com seu formoso rosto abandonando a escuridão para encher sua visão. Sua boina estava apoiada na mesa, deixando que um punhado de cachos bronze se pendurasse livre sobre as sobrancelhas. Céus! Era perigoso tê-lo por perto. Seus olhos brilhavam com uma anseia que a fez temer por sua virtude, ou desejar entregar-se para que fizesse com ela o que quisesse. −Sim. Como você. Você acende minha paixão como nenhuma outra… −Está bêbado − disse enquanto seu fôlego quente roçava sua bochecha. Apertou sua mandíbula e se virou para trás. −Sim, e no perigo de trair um bom amigo. −Do que está falando? Em vez de responder a sua pergunta, terminou a cerveja de sua jarra e a bateu de novo sobre a mesa. −Por que vaga pela estalagem neste momento da noite dessa maneira? −De que maneira? − ela perguntou, sem gostar da mudança em seu tom. −Como se procurassem uma boa farra? Se tivesse tido uma visão clara de seu rosto, ela o teria esbofeteado. 113


−Eu vou te dar um aviso – ele virtualmente grunhiu−: volte para a cama, ou pode ser que encontre o que procura. Ela olhou ao seu redor, e depois pôs seus brilhantes olhos azuis de novo sobre ele. −Não há ninguém aqui que represente uma ameaça a minha virtude, Grant. E muito menos, você. – Sem aviso prévio, ele saltou de sua cadeira e a puxou da dela. Ela fustigou seus ombros com os punhos enquanto ele a pendia, deslizando um braço por sua cintura e o outro atrás de seus joelhos, e a levantava do chão. −Me solte agora mesmo! − ela gritou enquanto ele se dirigia para as escadas, sem mal esforçar um só músculo em sua luta por liberar-se. Claire ficou imóvel. Ele ia força-la?−. Graham – ela advertiu, com os lábios apertados enquanto ele a levava escada acima−. Eu tenho uma adaga. Não me obrigue a usa-la em você. −Aponte meu primeiro coração, moça − disse com seu olhar fixo e duro no dela−. Pois acho que me traiu. Seu coração? meu deus, não queria matá-lo! E por que ele dizia uma coisa assim?Que demônios queria dizer? Teve algo a ver com o fato de estar aqui sozinho em vez de estar em algum lugar fornicando com uma garçonete? Ela o olhou e por um instante sua expressão se abrandou para ela antes que ele se virasse com os lábios apertados. Queria beijá-la. Ela o viu em seus olhos, junto com a força que conjurou para evitar fazê-lo. Seu coração deu um salto no peito e temia que tivesse se tornado completamente louco. Queria que a beijasse que desejasse beijá-la! Tinha deixado deliberadamente de tentar seduzi-la. Mas seu assalto, em seus pensamentos, converteu-se ainda mais perigoso que antes. Porque estava em silêncio, meditando, e, compreendeu agora, totalmente contido. Mas, por quê? Por que forçava a si mesmo a resistir a ela? E por que isso o fazia tão condenadamente irresistível?

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Quando chegou ao andar superior, deixou-a no chão, sem saber qual era seu quarto, e se virou para ir. −Volte para sua cama. −Só isso? – ela espetou antes de poder conter-se. Ele deteve-se então, com seus ombros largos rígidos de tensão enquanto lentamente se virou para olhá-la. −Que mais quer que eu faça? Fazer? Ela estava pensando mais nas palavras que dizia ele, mas de repente milhares de imagens alagaram seus pensamentos de coisas que gostaria que ele fizesse. Ela nunca se preocupou muito pela forma “adequada” que uma dama devia pensar, e era uma boa coisa, pois as imagens eram realmente obscenas. Em vez de lhe dar uma resposta, simplesmente ficou olhando-o, perguntando-se quando tinha começado a pensar em um nível tão detestavelmente primitivo. −Claire – ele pronunciou seu nome como se a sensação disso em seus lábios fosse uma tortura, e a seguir fechou a distância entre os dois com um passo larga. Agarrando-a pelos braços, içou-a contra seu tórax de ferro e inundou seu rosto no dela, mas apenas seu fôlego quente tocou sua carne−. Luta para não perder seu país, quando nem tão sequer sua vida é de sua propriedade – um músculo da mandíbula flexionou enquanto ele lutava consigo mesmo−. Lutaria por recuperá-la para você se fosse contra qualquer um exceto ele. Ele afastou-se em silêncio, deixando Claire com uma necessidade dolorosa de ir atrás dele. O que era esse toque furioso, o tom rouco de sua voz que a fez acreditar cada palavra que dizia? E de que demônios estava Falando? Graham saiu pela porta frontal da estalagem e entrou na noite, sem pausa e sem preocupar-se com o que poderia estar lhe esperando entre as sombras. Nenhum homem ou animal poderia sobreviver se encontrassem com ele agora. Amaldiçoou ao levantar a mão para jogar para trás a boina e ver que não estava ali. Passou seus dedos pelo cabelo e assustou a um 115


inseto que voava em seu caminho. O pânico se levantou como uma maré, estourando contra seus pulmões. Não podia ama-la. Não era possível. Gostava de sua vida tal como era: áspera e sangrenta às vezes, e com uma garota quente debaixo dele de vez em quando para lhe recordar de algo um pouco mais suave. Era todo o necessário. Tudo o que queria. Ou não o era? Entrou no bosque escapando uma maldição de seus lábios. O que sentia por ela era simplesmente luxúria. Sim. Não, era mais que isso. Estava apaixonado por ela. Isso era tudo. Gostava de seu aspecto, da forma que falava da forma que pensava, da forma que beijava. Demônios! Deveria ter pegado Lianne esta noite. Teria demonstrado que seu coração não o estava traindo depois de todos estes anos. Agora ficou tremendo como… como uma moça! Ah, Deus, por que tinha que ser Robert? Se ela estivesse comprometida com Buchanan, iria se deitar com ela e a tiraria de seu sangue. Não, sabia que se a fizesse dele, a desejaria outra vez, e outra vez. E então ele estaria condenado no campo de batalha. Ao encontrar um carvalho espesso, desabotoou o plaid e se deitou. Olhou para as janelas mal iluminadas da estalagem. Não confiava em si mesmo no mesmo lugar com ela. Sim, pensou tristemente, já tinha perdido o controle de sua força de vontade. Qual seria a próxima coisa da qual o despojaria? Ela não levaria nada. O mesmo que entregaria a qualquer oponente na batalha. Não serei traído, disse ao seu coração de lento palpitar enquanto fechava os olhos. Tampouco vou trair meu amigo.

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Capítulo 14 E não há maior inimigo que o que evita a batalha, e, entretanto cobiça o prêmio. Graham decidiu que lutar com seu rival só lhe tentava a tirar a insolência de sua boca com um beijo. Assim continuou permanecendo longe dela. Isto não queria dizer que não a vigiasse. Ela apenas o tinha pegado duas vezes, e as duas vezes ele jurou não olha-la de novo. Mas seus olhos se sentiam atraídos por ela, se falasse com alguém ou se mantivesse silêncio. As noites eram mais angustiantes, quando se sentava com Anne, com seu rosto belo fracamente iluminado pela luz do fogo. Era necessária toda a força que possuía para não cair hipnotizado pela dignidade de seus sorrisos perfeitos. Às vezes, entretanto, era impossível não deixar que seu olhar permanecesse nela inclusive depois de que ela o encontrasse olhandoa.

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Mas, entretanto, privar a si mesmo de todos os prazeres que podia encontrar nela não era tão difícil quanto observar Robert olhando-a através do mesmo fogo. Desde que deixaram Edimburgo, Robert tinha tentado muitas vezes manter uma conversa com a mulher que ia tomar como esposa. E durante a primeira parte de sua viagem, era evidente pelo comportamento áspero de Rob que não compartilhavam nada. Isto mudou no caminho para Perth. Encontraram uma coisa pela que ambos tinham uma grande afeição. A irmã de Claire provocava risinhos e sussurros que faziam rir a Anne, sabendo que falavam dela. Foi o suficiente para fazer que Graham sentisse vontades de partir algumas cabeças. Teria que ser testemunha do romance entre Claire e Robert florescendo diante de seus olhos? Não, ele deixaria sua companhia antes. Era melhor despedir-se deles que sentir uma pontada de ira contra Robert. E melhor que Graham fizesse todo o possível por evitá-la até então. Mas Claire Stuart não era uma moça fácil de ignorar. *** −Por aqui − sussurrou Graham enquanto se arrastava pelo bosque, com sua adaga em uma mão e a lança de Donel na outra. Claire se agachou junto a ele, tentando ver algo através da proliferação de arbustos. Ela tinha insistido em caçar com ele esta manhã. Ele se tinha negado redondamente, mas estava aprendendo que Claire Stuart fazia o que queria. Tinham visto uma grande lebre cinza momentos antes, mas logo a tinham perdido outra vez, quando suas orelhas compridas se elevaram ao som de seu avanço. Era a segunda lebre que escapava, além de várias perdizes. Como diabos se supunha que ia concentrar em fazer silencio com ela a sós com ele?

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Um ramo rangeu sob a bota de Claire, ecoando através do bosque como um trovão. Graham franziu o cenho ao ouvir o rangido das folhas enquanto a lebre escapava uma vez mais. Ele dirigiu um olhar frio. −Mil perdões – ele lhe deu de presente um capcioso sorriso−. Deveria ter varrido o chão antes de você pisar sobre ele. −Só veja por onde vai. Pode fazê-lo? Suas fossas nasais se abriram impulsivamente. Ela assentiu, sem dizer nada… até que viu a lebre de novo pelo canto do olho. −Pensei que havia dito que sabia o que estava fazendo. Seus ombros ficaram rígidos e se virou. Por um breve instante pensou seriamente em estrangulá-la. Respirou profundamente, armando-se de paciência. −Se pudesse se calar enquanto respira, poderíamos desfrutar de uma comida quente esta noite. Ela arqueou sua pálida sobrancelha para ele, sempre pronta para uma briga. −Tá. Sem dúvida vocês os Highlanders são temperamentais. Posso fazer uma sugestão? Ele apertou a mandíbula. −Não. −Por que não me deixa caçar? −disse de qualquer modo−. Não vim para vê-lo perder tempo. Ele não engoliria sua isca. Participar da batalha com ela apenas acenderia seu desejo por ela. −Fique aqui – ele disse inexpressivamente e lhe deu as costas. Viu a lebre mordiscando uma bolota a uns poucos metros e levantou sua lança, tendo muito cuidado para não fazer um ruído. A lebre se levantou sobre suas poderosas patas traseiras e moveu os bigodes enquanto farejava o ar. Graham apontou, e então foi golpeado por uma rocha do tamanho de um punho na parte posterior de sua cabeça. Suas pernas cambalearam e deixou a lança cair no chão. Atrás dele, Claire deu um grito abafado que atraiu seu olhar mortal, um pouco atordoado ao vê-la. 119


−Me perdoe – ela disse em voz alta. O brilho de um sorriso desmentia sua desculpa−. Estava levando tanto tempo em lançar a lança que temi que nosso jantar escapasse uma vez mais. Seus olhos verdes se escureceram e ele deu um passo para ela. −Você acha graça de que quase tenha me aberto à cabeça? −Só um pouco − ela disse, retrocedendo−. Merecia isso −ela se inclinou com rapidez, agarrou outra pedra e a segurou no alto. Seus passos se detiveram, mas a curva lenta de seus lábios lhe dava vontade de lançála−. Acha que não o farei? – ela desafiou-o com uma careta ameaçadora das suas−. Desta vez vou apontar um pouco mais abaixo, já que mal sentiu a primeira nessa sua cabeça grande. Ele deu um salto para ela tão rápido que mal teve tempo de dar a volta e correr. Ele estendeu a mão e agarrou sua camisa. Claire chiou, deixou cair a pedra e saiu correndo sobre os ramos caídos e as raízes retorcidas de árvores que sobressaíam da terra repleta de folhas. Arriscouse a olhar para trás e teria batido de cabeça contra a árvore em frente a ela, se os braços dele não tivessem rodeado sua cintura, detendo-a no último minuto. Ignorando sua luta por libertar-se, ele se inclinou sobre suas costas e pressionou sua boca contra seu ouvido. −Não me parece que perceba o quão perigoso é que eu a persiga, Claire. Você me tenta alem da razão para pôr fim ao meu sofrimento e assim toma-la de todas as formas possíveis – ele a empurrou para frente contra a árvore até que a casca áspera roçou sua bochecha. Um de seus braços a apertava, sustentando-a ainda, enquanto a outra mão deslizava por debaixo de seu cinturão, pressionando a curva das nádegas profundamente contra sua dura excitação−. Começarei por trás −grunhiu em voz baixa em seu ouvido−. Mas não. Não pode comigo. Ao liberá-la, deu a volta, com os músculos tremendo pelo esforço que fez para deixá-la ir. Inclinou-se para recuperar a lança de Donel 120


enquanto a adaga dela voava por cima de sua cabeça. Se ergueu lentamente, com os olhos fixos na lebre morta a poucos metros. Ao levantar a cabeça, Graham lhe lançou um olhar incrédulo pelo perto que tinha cruzado a adaga de suas costas. Os olhos de Claire brilhavam com um azul extraordinário, com as bochechas acesas e as compridas gavinhas de palha loiro claro revoando ao seu redor. −O jantar – ela se limitou a dizer, o olhando como se quisesse que sua adaga estivesse cravada em suas tripas em lugar de na lebre. Demônios! Ela sorria. Claire pisou no tapete de folhas e ramos que se rompiam sob suas botas, sem cuidado com o que poderia espantar. Queria sair correndo, mas sabia que Graham estava atrás dela, e esperava que caísse no Hades! Não o deixaria ver o que tinha feito com a ela. Além disso, duvidava que seus joelhos continuassem mantendo-a se ela se movesse em um ritmo mais rápido. Sua respiração era ainda difícil e estava enjoando. Suas terminações nervosas ainda chispavam por seu contato selvagem. Meu deus!Que tipo de besta pecadora era, que podia causar estragos em seu corpo e seus pensamentos− Se ela tivesse fosse um pouco mais devota, teria caído de joelhos e elevado uma prece de perdão por os profundos desejos ímpios que ele provocava. Seu corpo, tão forte e disposto a cumprir sua febril promessa de tomá-la de todas as formas possíveis a fez imaginar imagens tão perversas que estava segura de que nunca seria capaz de olhá-lo de novo sem corar. Nus, suados… ofegantes bestas travadas em um abraço sexual primitivo enquanto outras criaturas do bosque os olhavam. Que a tivesse tentado a esfregar suas nádegas sobre a totalidade de seu ser implacável enquanto ele a apertava tão intimamente a mortificava. Que lhe tivesse provocado à vontade de submeter-se a sua primária dominação masculina a assustou. Que tivesse ganho a batalha com sua luxúria deveria tê-la 121


satisfeito. Ele facilmente poderia haver tomado-a a força, afundando-se profundamente dentro dela enquanto ela se aferrava a uma árvore sem poder fazer nada. Mas ele se resistiu a ela uma vez mais, como na estalagem. Não podia com ele. Isto era um jogo para ele: um desafio, uma perseguição que o estimulava. Queria que ela atirasse a toalha, se rendesse como tinham feito suas outras conquistas. Cair a seus pés, se agarrar a seu plaid e dar um festim sobre a glória de seu valente corpo. Deus tenha misericórdia! Ela tinha estado a ponto de fazê-lo também! Nunca em sua vida se havia sentido tão tentada a acariciar com a palma da mão as duras curvas de um homem, sentir o prazer pulsando através de todos esses músculos. Mas seria ela com quem não poderia nenhum oponente, sem importar quão tola havia se tornado.

Capítulo 15 Como vou lhe ocultar o prêmio quando suas mãos me submeteram tão habilmente? −Lord Buchanan não sabe nada de vocês −Claire puxou as rédeas de sua montaria a umas poucas léguas de Perth−. Ele poderia ordenar a seus homens que disparem das ameias – ela deu uma olhada nos outros−. Será melhor que eu me adiante e o avise de sua chegada. 122


Rompendo a formação, Graham fez seu cavalo galopar até ela. Se pensava que ia deixa-la ir sozinha, ela era realmente uma tola. −Ele sempre dispara naqueles que se aproximam de sua propriedade? −Quando têm cara de que pensam que é um bom dia para fazer um assalto − ela deslizou seu olhar sobre MacGregor−… sim, o faz. Graham não pôde argumentar contra essa ideia tão lógica. Entretanto, ela não iria a nenhuma parte sem ele. Alguém tinha matado seu irmão, alguém, embora ela provavelmente o negasse que era mais hábil com uma arma do que ela. Esse alguém poderia estar esperando-a perto de Ravenglade. −Irei com você. −Não. Não é necessário… −Não lhe perguntei o que necessita −sua voz soou mais forte que a dela. Olhava-a sem pestanejar, um olhar constante que lhe dizia que uma discussão seria inútil. Claire o fulminou com um olhar venenoso antes de voltar-se para a Anne. −Estará segura aqui com Robert e os outros até que os homens de James venham por você. Não tenha medo. −Quando sua irmã sorriu, lhe assegurando que confiava nos homens em sua companhia, Claire assentiu com a cabeça e se virou−. E Angus, não lhe dê nenhuma gota desse veneno que chama de cerveja. Angus se voltou para a Anne com um tímido sorriso. −Não estava tão ruim, certo moça? −Ao contrário, amável senhor – ela disse com o mais delicado dos sorrisos−. Foi muito relaxante. Angus sorriu amplamente com o adorável reconhecimento, e depois se voltou para Brodie. −A moça Stuart foi benta com uma fortaleza de ferro, não é primo? −Sim −concordou Brodie, observando Claire enquanto se afastava na distância−. Uma boa qualidade essa. −Estará minha irmã segura a sós com ele? 123


Todos os olhos se dirigiram para Anne depois de que falou. Os homens sabiam o que queria dizer, mas Donel, em troca, sentiu-se ofendido. −O comandante Grant não tem rival na batalha. Não deixem que seu sorriso a engane. −Não o farei −declarou Anne como uma leve defesa−, se alguma vez o ver sorrir. O homem não faz mais que grunhir. Ao ouvi-la, Robert se deu conta de que estava certa. Inclusive Brodie tinha que estar de acordo. Graham se comportava de uma forma estranha por certo. Eles falavam entre si enquanto apeavam e começavam a estabelecer um acampamento temporário. −Falou-lhe de seu compromisso com Claire, certo, Lorde Campbell? −Por favor, minha senhora, me chame de Robert − ele sorria enquanto se esforçava por desatar um pequeno saco que pendurado em sua sela−. Sim, eu disse. −Talvez ele a queira −Anne deu um passo para ele para ajudá-lo com o nó−. Isso explicaria por que não é o sagaz e diabólico malandro do qual todos falam. −Moça −Angus desentupiu a tampa do odre de cerveja e o ofereceu−, Graham Grant apunhalaria as vísceras antes de entregar seu coração a qualquer donzela. Eu o conheço há muitos anos. É exatamente o que parece: um anjo com chifres. Ao ouvir isto, Robert assentiu com a cabeça. Graham era um tipo simpático, inclusive enquanto invadia o castelo de seu adversário. A tomada de toda a guarnição de Kildun com os MacGregor dois anos atrás era prova suficiente para Robert. Pôs seus olhos no caminho estreito que Graham tinha pegado junto a Claire. E se Anne estava certa? E se seu melhor amigo não tinha sido honesto com ele e, efetivamente, gostava de Claire?Poderia ser essa a causa do estado de ânimo sombrio do Graham?E Robert se interporia em seu caminho se Graham finalmente tivesse 124


encontrado à mulher que podia domar seu coração? Olhou para Anne. O que aconteceria com ela? Seria capaz de entregá-la a James Buchanan quando chegasse o momento, sabendo que seu coração ficaria com ela em Perth para o resto de seus dias? Jurou-se a si mesmo fazer sempre o correto. Não tomar o caminho fácil, a não ser o correto. Como poderia ser o correto fazer miseráveis a vida de Graham, de Claire e a dele próprio, mesmo se a lei o exigia? Falaria com o general Monck. Mas primeiro, tinha que fazer Anne entender o quão necessário era o amor para ele. Não seria visto como desonroso, sobre tudo não aos olhos dela. −Minha senhora – ele se voltou para ela depois de estender a manta para ela e oferecer-lhe seu braço−. Posso falar com você a sós? −É obvio – ela aceitou seu braço e se deixou levar para longe dos outros. −Sua irmã me disse que está familiarizada com os contos de Artur Pendragón e seus nobres cavalheiros de Sir Thomas Malory −começou lentamente, cuidadosamente, mantendo seus olhos no chão. −Sim, conheço-os bem − o tom melancólico de sua voz foi suficiente para acelerar seu coração. −Fingia ser Guinevere quando era uma menina −sorriu a suas botas e logo levantou os olhos para ela para desfrutar de sua suave risada. −Deixei meu pobre pai louco, mas eu desejava tanto ser ela… −Por quê? Ela suspirou e elevou o rosto para ele ao refletir sobre sua pergunta. −Porque ela era amada por um homem tão honrado. Ela tinha que ser uma mulher extraordinária, você não acha? Robert simplesmente olhou fixamente seus enormes olhos misteriosos e assentiu com a cabeça. Desejava tanto tocá-la que quase se dobrava de dor. Que outra coisa podia fazer a não ser dizer-lhe? Agora sabia que ela o entenderia. −Sua irmã é muito bonita – ele disse com seriedade−. E muito valente. Sua devoção por você e sua causa é de uma qualidade excepcional 125


−Anne sorriu, e depois olhou para outro lado−. Mas – ele acrescentou, atraindo de novo seu olhar−, eu não a amo. −Você tem certeza? – ela perguntou-lhe em voz baixa, sem um traço de irritação em sua voz melosa. O alívio de Robert foi evidente em seu sorriso quando assentiu com a cabeça. −Sim, porque meu coração foi reclamado por uma rainha. *** Estavam sozinhos. Por fim. De todas as coisas que Claire queria lhe dizer, lhe gritar, durante a semana passada, não recordava de nenhuma agora. Deu uma olhada em Graham a cavalo a sua esquerda. Tinha trocado seus planos uma vez mais. Ela queria ter a oportunidade de falar com o James a sós. Para lhe dizer o que queria que fizesse para ajudar a ela e a Anne a escapar dos MacGregor e seus dois amigos. Agora não teria essa oportunidade. Tinha que pensar com clareza e não deixar que Graham se entremetesse em seu caminho. −Você o ama? Sua pergunta foi tão inesperada que Claire mal pôde evitar ficar presa em um galho em seu caminho. −O que? Quem? − Buchanan. Ela reduziu o passo de seu cavalo e Graham fez o mesmo com o seu. −O que isso importa a você? −quando seus olhos se endureceram nela, suas fossas nasais palpitavam−. Tenho uma pergunta, já que estamos perguntando. Por que tem tanto cuidado em me evitar? Por um momento, parecia como se não ia responder. Ela lhe mostrou com uma deliberada inclinação do queixo que ia ser igual de teimosa. −Estou doente − reconheceu vagamente.

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−OH, não sabia. É algo…? −Fez uma pausa enquanto sua preocupação se convertia em suspeita−. Conversa com todos os outros. Essa situação apenas um perigo para mim então? −Vocês é a causa da mesma. A ira brilhava em seus olhos. −É a falta de algo realmente importante para você o que o faz ser tão frio, tão indiferente para as mulheres que compartilharam contigo algo precioso? Utiliza a todas para sentir a vitória você sozinho?−ele separou os lábios para falar, mas Claire não lhe deixou. Ela tinha querido lhe dizer isto desde a amanhã em que saíram da estalagem. Tinha-a feito deliberadamente a sua imagem, e depois a tratou como a uma praga. Tinha-a beijado, mas sempre para demonstrar que podia com ela se assim o desejava. O que, era evidente, não desejava fazer. E a pior parte− Não se importava o mínimo com tudo isso! −Inclusive os guerreiros se preocupam com algo − ela acusou −. Para onde flui sua lealdade?Para os MacGregor realistas, ou para os Campbell “cabeças redondas”? O chamam comandante, mas na realidade só é um patife. A expressão dele escureceu. Apertou os lábios com ira, e seu cavalo resistiu e soprou para frente sob a pressão aplicada em sua caixa torácica. Sentindo o perigo repentino ao seu bem-estar, Claire se sentiu tentada a pegar sua espada. −Você o ama? – ele perguntou uma vez mais, negando-se que ela o empurrasse à luta e provar a Claire uma vez mais o controle decidido que tinha sobre suas emoções. −Sim, eu o amo! – ela gritou frustrada por sua pergunta tola−. Estou pensando em me casar com ele porque quero um marido ao qual obedecer e uma dúzia de bebês em meus seios! O sulco escuro na testa de Graham desapareceu, e sorriu tão de repente, que todo momento menos este, voou de sua memória. −O que sabem de bebês? 127


Ela deu de ombros e torceu a boca para ele, gostando do fato de que a conhecia bem o suficiente para apreciar o absurdo de sua declaração. −Sei que precisam comer. −E é de se esperar que não todos ao mesmo tempo − Graham riu, e Claire se uniu a ele. Não perguntou de novo sobre os dias que tinham passado entre eles. Queria deixar atrás o passado e baixou a guarda um pouco com ele. Tinha vontades de rir com ele mais frequentemente e não preocupar-se de quem podia com quem. Sua alegria a fez sentir-se ridiculamente alegre, uma condição que tanta falta fazia em sua vida desde que Connor morreu. −Me fale de James Buchanan – ele disse enquanto sua risada se desvanecia. −O que quer saber? −Quanto tempo faz que ele é amigo de seu irmão? −Desde que tínhamos oito anos. Connor e eu somos… somos gêmeos. Graham estudou seu rosto, com um sorriso aparecendo nos cantos de sua boca. −Os gêmeos brigam com tanta frequência como o fazem outros irmãos? −Connor e eu tínhamos brigas em abundância −riu suavemente−. Mas ele brigava mais com James. Eram como irmãos verdadeiros. −Eu não briguei muito com meu irmão. Mas minhas irmãs discutiam sem parar. Claire apertou os olhos e insinuou um sorriso para ele. −Talvez isso explique sua aversão à ideia de viver com uma mulher. −Talvez − concordou Graham−. Tinha onze irmãos. Claire deixou escapar uma exclamação de surpresa e repulsa. −Meu deus, pobre homem! Connor teria se enforcado se houvessem onze de nós. −Passei muito tempo com Callum quando menino. Brigávamos todo o tempo, mas nunca nada grave. Quem normalmente ganhava?

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−quando Claire lhe lançou um olhar desconcertado, esclareceu−: Quando Connor e James brigavam, quem ganhava geralmente? −OH, Connor. Sempre. Falaram durante todo o caminho para Ravenglade, e Claire se alegrou de que o fizessem. Viu um lado mais aberto e genuíno de Graham. Ela tinha se equivocado a respeito de que não se importava com ninguém. Ele se preocupava muito com seus parentes e amigos, e Claire sentiu um pouco de inveja deles. Sentia por ter lhe dito todas aquelas coisas terríveis, mas ele parecia as ter esquecido e estava de bem com ela. −Faça o que digo – ela disse baixinho enquanto esperavam que a ponte levadiça descesse em frente deles−. De aos outros a oportunidade de acostumar-se com você e tudo sairá bem. Graham não respondeu, mas sim estudou todo o pátio interior quando apareceu à vista. Estava deserto exceto por umas poucas choças, um ferreiro e ao menos cinquenta homens montados esperando do outro lado da ponte levadiça. Outros cinquenta estavam observando das ameias, alertas aos visitantes lá embaixo. −Impressionante − Graham murmurou para Claire enquanto os cavaleiros se aproximavam−. Todos Buchanan? −Quase nenhum Buchanan −disse Claire−. Em sua maioria são homens que seguem a meu irmão. Os Buchanan mantêm esta terra em feudo para meu primo Carlos, mas Connor governava aqui. Todos são proscritos, e não importa a quem matam −lhe lançou um olhar zombador−. Assim se assegure de gostarem de você. − Capitão! – ela exclamou, e um cavaleiro tomou a dianteira chegando até ela primeiro. O homem parecia bem feliz em vê-la, mas lhe deu apenas uma breve olhada antes que seus olhos pousassem-se em Graham−. Steven, há um grupo de homens esperando mais à frente do bosque. Anne está com eles. São realistas, exceto um, e ele é amigo. Irá ali agora e os trará aqui enquanto eu informo ao James. 129


O capitão não hesitou em cumprir suas ordens. Inclusive outro homem, afastado do resto, ordenou-lhe que se apressasse. Sentava-se rígido na sela, com o cabelo negro penteado para trás em um rabo apertado preso na nuca. Seus olhos eram de um tom profundo de azul cobalto, que se iluminaram quando olhou a Claire. Graham o observava de perto enquanto oferecia a Claire um sorriso carinhoso e levava sua mão aos lábios. −Deveria te retorcer o pescoço por sair daqui sem dizer uma palavra. Eu temi que tivesse morrido. −Monck levou a Anne −lhe informou Claire−. Mas ela retornou sã e salva para nós - se apressou a acrescentar quando sua expressão se tornou sombria. Graham a olhou, observando seu uso da palavra “nós”−. James, este é o comandante Graham Grant. Ele e seu companheiro… James finalmente se dirigiu para Graham. −Comandante do clã Grant? Graham negou com a cabeça. −Do clã MacGregor. Parecendo mais bem impressionado, James estendeu a mão para ele. −Veio a lutar a nosso lado? Certamente poderíamos fazer bom uso de você. −James −Claire chamou sua atenção de novo para ela−, o comandante Grant e os MacGregor me ajudaram a resgatar Anne. O resto de seus homens espera sua volta a salvo. −É claro! − Buchanan ordenou sem vacilar−. São bem-vindos a ficar tanto tempo quanto desejem. −Uma noite é o suficiente −lhe agradeceu Graham. −James, salvaram Anne com a inestimável ajuda de Lorde Campbell de Argyll. −Um Campbell? −James se voltou para ela, com o cenho franzido aprofundando sua testa−. São “cabeças redondas”, Claire. −Sim, eu sei −aceitou Claire com um sorriso irônico. Ela gostava de James com grande carinho, mas ele tinha uma maneira de falar com ela, 130


como se não pudesse entender os modos da guerra por sua condição de mulher e todo o resto−. Confio nele. James levantou uma sobrancelha duvidosa para ela, e depois lhe ofereceu um sorriso indulgente. −Tem muito que me contar, eu acho. Claire assentiu com a cabeça e a seguir olhou para Graham. Como ia conseguir estar a sós com James antes da manhã?Ainda queria fazê-lo? Sim, não tinha outra opção. James tinha que ajudá-la agora. Uma vez que ela e sua irmã chegassem a Skye, não teria como escapar do temível amparo do laird cujo nome seus próprios homens sussurravam. E todos voltariam com Monck quando chamasse por eles.

Capítulo 16

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Se tão somente pudéssemos ver o que está realmente escrito no coração de um homem. Robert sentou-se com Graham e os outros no grande salão de Ravenglade. Estavam a mais de uma hora discutindo o mal-estar social do país e o raciocínio de Monck em solicitar a ajuda dos MacGregor para pôr a salvo as irmãs de Connor Stuart até que encontrasse maridos dignos de confiança para elas. Quando Buchanan perguntou se o governador já tinha escolhido os maridos, Robert respondeu com um categórico não antes que Graham ou qualquer outra pessoa tivesse oportunidade de responder. Preocupava-lhe que Buchanan pudesse reclamar a sua noiva agora que ela estava aqui. Robert não se opunha à luta, mas quarenta homens não tinham nenhuma chance contra a guarnição de Ravenglade se Buchanan se negasse a deixar Anne sair. −Você disse a Claire que seu irmão foi assassinado em Londres? −ouviu Robert perguntar a Graham. −Isso mesmo − Buchanan respondeu sombrio−. Fomos pegos em uma emboscada a caminho a nos encontramos com o general Fleetwood. Sinto-me responsável pela morte do Connor. E possivelmente o é, pensou Robert antes que sua mente vagasse de novo para Anne. Para onde ela havia ido?Era a primeira vez que estava fora de sua vista desde que saíram de Edimburgo. Esperava que Claire estivesse com ela. Havia muitos homens sem escrúpulos aqui para que se sentisse cômodo com Anne em qualquer lugar que não fosse ao seu lado. −E como Connor recebeu a noticia de que Fleetwood tinha concordado com uma reunião? – Graham perguntou −. Monck enviou uma carta? Robert se aproximou para escutar a resposta de Buchanan. Se respondia que sim, o teriam pego. O general Monck disse que não pôs nada por escrito na comunicação com os realistas. 132


−Não houve nenhuma carta − disse Buchanan, acabando com as esperanças de Robert−. Um dos acordos que Monck teve com Connor foi que não poderia existir nenhuma prova da associação do governador com os realistas rebeldes. −Então, quem deu a mensagem da reunião? −perguntou Robert, tamborilando com os dedos sobre a mesa. −Eu −disse Buchanan−. Depois de que me foi entregue por um dos capitães de Monck. Robert voltou sua atenção para o prometido da Anne. −Por que não a entregou ao Stuart diretamente? −Não sei − disse Buchanan, respondendo a suspeita nos olhos de Robert com um sorriso afiado−. Diga-me, “cabeça redonda”, como conseguiu ganhar a confiança da irmã do Connor Stuart? Robert explicou como se encontraram com ela cativa nas mãos dos homens de Lambert nos subúrbios de Stirling. −Ah, assim que a salvaram − Buchanan adivinhou o resto. −Não fale isso para ela − risada de Graham encheu a sala. − Seis homens já estavam mortos no momento em que chegamos à cena. Lady Stuart é um pouco exagerada, não? −Um pouco? −Buchanan se inclinou para trás em sua cadeira e lançou um suspiro comprido de sofrimento−. Deus proteja ao pobre tolo que tome por esposa. Graham concordou e os dois homens romperam em gargalhadas. Robert se surpreendeu que Graham achasse graça em sua situação. Parecia que o humor de seu amigo tinha sido totalmente restaurado. Robert o fulminou com o olhar, e depois voltou a franzir o cenho para o atraente filho da puta com quem Anne ia se casar. −Os homens do general Monck foram atacados nos subúrbios do Stirling. Sabe algo a respeito de isso? −Está sugerindo que eu o fiz, Campbell? −a risada de Buchanan se desapareceu enquanto se jogava lentamente para frente em seu assento.

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−É claro que não − interveio Graham jovialmente antes que Robert abrisse a boca−. Estivemos cavalgando mais do que qualquer um de nós recorda. Possivelmente outra bebida ajude a restaurar nossa natureza habitualmente agradável. −Uma boa ideia! −Angus quase ficou de pé e aplaudiu a sugestão do Graham. Naturezas agradáveis? Por que demônios insinuou Graham que estariam dispostos a aceitar o que Buchanan lhes dissesse?Robert certamente não se deixou convencer tão facilmente. Graham sabia disso. Lançando a Robert um último olhar de advertência, Buchanan fez um gesto para que servissem mais bebidas antes de voltar sua atenção para Graham. −O general Monck é agora meu inimigo mortal, é verdade −explicou com um casual encolhimento de seus largos ombros−. Mas estaria louco se atacasse a ele ou a seus homens. Certamente se dá conta disso, comandante. Quando o rei for restaurado, o governador será levado perante a justiça. −Respeito sua moderação, Buchanan −Graham aceitou sua caneca e a levantou em honra do “querido James” de Claire. Junto a ele, a cadeira de Robert chiou contra o piso ao levantar-se−. Se fosse meu melhor amigo que havia sido assassinado −acrescentou Graham, como se não tivesse ocorrido nenhuma interrupção−, temo que minhas emoções precipitadas tirariam o melhor de mim. Robert estava ardendo enquanto olhava pela janela para o pátio de abaixo. Por quanto tempo mais Graham ia ficar beijando o traseiro ao Buchanan? Tinha-lhe entregue sua mensagem a Buchanan. Monck queria vê-lo. Buchanan se negou, alegando sua desconfiança para o homem que dizia que tinha traído seu amigo. Não havia mais nada a discutir. Não estavam mais perto de conhecer a verdade do que estavam ontem. Robert queria ir-se, para levar a Anne a Skye, onde poderia… 134


−É obra de um grande líder que seus homens mostrem semelhante temperança −continuou Graham, irritando ainda mais Robert. No salão crescia um incômodo silêncio. Robert tamborilava o pé no chão. −Sim −disse finalmente Buchanan−. Um grande líder, certamente. −Claire me disse que eram bons amigos. −Sim, fomos. −Como irmãos. −Amava-o, não me envergonha dizê-lo. Robert pediu paciência aos céus quando Graham começou a falar de Callum. Quando Angus e Brodie se uniram ao louvor de seu grande senhor e líder, Robert praguejou baixinho. Quanto tempo mais perderiam aqui?Por que demônios Graham estava tão falador, tão condenadamente amável? Pelo sangue de Cristo! Graham poderia ficar amigo de todo o Parlamento se quisesse. Os olhos de Robert se abriram de repente, caindo em si do que Graham estava fazendo. −Brindemos a Connor Stuart −a voz de Graham era de franca reverência−. Conte-nos a respeito deste homem que era como um irmão para você, e aquele fatídico dia de sua morte. Estava com ele. Deve ter sido doloroso para você, de fato. Robert finalmente sorriu quando Buchanan começou a falar, atraído pelo sorriso cálido e a “natureza agradável” de seu hóspede. Era esperto o bastardo. *** Claire fechou a pesada porta de madeira atrás dela, olhando ao seu redor para assegurar-se de que ninguém da companhia de Graham a tinha visto, e pegou uma tocha do corredor da ala superiora. James tinha concordado em ajudá-la, e se comprometeu a fazê-lo sem derramamento de sangue. Agora só teria que convencer Anne a seguir o seu plano. 135


Parou abruptamente quando viu Graham virando a esquina com Mary, a esposa de Iain MacDonald, um dos mais fiéis seguidores de Connor. Estava claro pela grave e instigante risada de Mary… que Graham estava no processo de fazê-la esquecer de seus votos matrimoniais! Claire apertou os dentes. Será que a decadência do malandro não conhecia limites? Olhava aos olhos sonhadores de Mary com seu suave sorriso obsceno. Este se desbotou um instante depois de ver por cima do ombro Claire e James saindo da câmara a uns poucos metros atrás dela. Quando seu potente olhar esmeralda caiu de novo nela, Claire retrocedeu ante o ódio e a fúria que viu em seus olhos. OH, Meu deus, sabia! Como podia sabê-lo? −Lady Stuart, estava lhe procurando −Graham deixou Mary de lado e a alcançou cinco exalações antes que James−. Uma reunião clandestina com seu querido amigo? −inclinou-se para ela e murmurou ao seu ouvido em voz baixa tomando seu cotovelo na mão. −Grant −Buchanan golpeou o ombro do Graham−. Tinha a esperança de compartilhar um gole contigo esta noite. Faz muito tempo da última vez que desfrutei de meu vinho. Graham lhe lançou um breve olhar. −Agradeço a oferta, mas agora tenho intenção de falar com Claire −sorriu para que Buchanan não tomasse como ofensa, e se o fizesse lhe permitisse tirar a espada e fazer algo a respeito. Graham quase desejava que o fizesse. Não confiava no filho da puta, e saber agora que Claire acabava de sair de seus aposentos privados lhe queimava as veias de raiva. Sua despedida de Buchanan foi brusca, e voltando sua atenção a Claire uma vez mais, disse aguçadamente: −Será só um momento. Ela tentou liberar seu cotovelo de seus dedos duros, mas ele a arrastou para o outro extremo do corredor. 136


Quando chegaram às dependências que tinham lhe dado para utilizar nesta noite, abriu a porta, olhou por cima do ombro e a empurrou para dentro. −Está louco?−Claire se virou para ele no momento que fechou a porta−. Mal confio em algum de vocês. Um Campbell e um grupo de bárbaros Highlanders têm uma reunião secreta com Monck… −Reunião secreta? −perguntou Graham com incredulidade−. É isso o que a fez acreditar agora? −Não, Graham. Ele não sabe no que acreditar, assim como você e Robert. Ele não faz nada porque ainda não se decidiu a respeito de vocês. Não lhe dê razões para resolver em seu contrário. Graham quase riu em sua cara, mas estava muito zangado com ela. 84 −De qualquer jeito, eu não gosto das reuniões secretas, Claire – ele deu um passo para ela, e quando ela não tinha onde apoiar-se, deu-lhe um ligeiro empurrão. Suas pernas golpearam a cama e ela caiu sobre suas costas−. O que faziam em sua câmara se não foi inchar seu ventre com uma dúzia de seus bebês? Ela ficou em pé de novo em um salto, e quando ele a empurrou uma segunda vez, ela lançou o punho para sua cara. Ele a agarrou segundos antes que seu pulso o golpeasse na mandíbula. Ele avançou, obrigando-a a permanecer sobre o colchão. Equilibrou-se sobre ela, segurando um pulso por cima de sua cabeça e o outro em suas costas. −Eu vou dominar você Claire. Não me importa quão hábil seja, não vai ganhar… nem Buchanan. Agora, me diga. O que faziam em sua câmara? −Tem dez segundos para sair de cima antes que comece a gritar. Colocado em cima dela, ele a olhava nos olhos, condenadamente tentado a beijá-la. Deus, só para provar seu sabor uma vez mais! −OH, Claire, vos peço que não o faça, pois então me verei obrigado a fazê-la se calar. 137


Algo em sua áspera ameaça a convenceu de não gritar. −Graham −disse seu nome suavemente, pois não queria brigar com ele−. Anne e eu não podemos ir para Skye com vocês. Nos farão ir para lá à espera de nosso destino e sem forma de escapar. Monck tentará nos casar com “cabeças redondas”. Só a uma de vocês. Graham sentiu angústia ao olhá-la. Ah, Deus, tenha misericórdia! Ele se separou dela e se deixou cair sobre seus calcanhares. −Demônios, Claire! – ele falou como se ela acabasse de lhe dar um golpe fatal. Ela levantou-se sobre seus cotovelos e o enfrentou. −Tenho que ficar aqui, onde estarei a salvo. −E como pretende fazer isso, moça? – ele perguntou-lhe em voz baixa. antes que pudesse evitá-lo, levou sua mão à mandíbula dele e passou os dedos ao longo da borda peluda. Ele não se moveu. Seu olhar era cálido, demonstrando que seu tato o afetou. Tinha que lhe dizer a verdade. Se ele fosse ferido… ou assassinado porque pensava que o ataque era real e lutava com mais afinco… Ela o tinha traído, e precisava lhe dizer a verdade, inclusive se a odiasse por isso. −Pedi a James que enviasse uma legião de seus homens a Killiecrankie −então ele afastou seu rosto, queimando-a com os olhos−. Ninguém ficará ferido – ela se apressou a explicar, tentando suavizar o aço duro de sua traição−. James me deu sua palavra. Trata-se de uma estratégia que utilizamos muitas vezes contra as tropas de Lambert. Os homens de James estarão à espreita e se lançarão sobre nós na noite. Nenhum de seus homens se verá ferido, apenas detido… Talvez golpeado até desmaiar. Trarão Anne e eu de volta aqui, onde James nos ocultará. −E ninguém vai suspeitar que foi James, já que nos atacarão longe do Ravenglade.

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−Sim −disse ela em voz baixa, como ele−. Aqui é onde Anne e eu estaremos mais seguras, Graham. Não com os MacGregor, a quem nem sequer conheço. −Não, Claire −sacudiu a cabeça−. Aqui é onde estarão mais inseguras. Aqui, com o homem que matou ao Connor. Claire saltou da cama e o olhou. −James não matou a meu irmão! Como se atreve a dizer uma coisa tão horrível? −Foi ele −disse Graham, seguindo-a−. Mas eu não posso prova-lo. −É obvio que não pode. Porque não é verdade! −Acredito que James odiava a seu irmão. Claire tentou rir dele, mas estava muito furiosa, muito atordoada por sua acusação. −Não, Graham. Está equivocado. −James tinha ciúmes dele −continuou inclusive enquanto ela negava com a cabeça. Tinha que fazê-la ver a verdade. Ela estava em perigo aqui−. Começou quando eram jovens. Connor sempre ganhava. James dirige todo um exército de homens que não são dele e que provavelmente o matariam se soubessem a verdade. Pense Claire. Não deixe que seu coração nuble seu julgamento. −É muito tarde para isso −seus olhos brilhavam −. Realmente é uma serpente de língua endemoninhada! − quando lhe lançou um olhar de assombro, ela rangeu os dentes contra ele−. Me utilizou para obter informações a respeito de James, e depois usou o que eu disse para te ajudar em sua decisão em seu contrário – ela girou sobre seus calcanhares e se dirigiu à porta. −Ele acompanhou seu irmão a Inglaterra, mas voltou completamente ileso e sem ele - falou rapidamente, chegando a ela antes que abrisse a porta−. Foi ele quem lhe falou com o Connor da reunião, não Monck. Perderam quarenta homens, mas Buchanan teve muita sorte de escapar.

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Claire se deteve, mantendo o olhar longe dele, para não ter a tentação de escutar mais desta… desta blasfêmia! −Isso pode apenas significar que James é mais hábil que outros. −Mais que Connor? Não, Connor morreu porque confiou em um amigo que o levou diretamente aos homens de Lambert. Agora, ela levantou o olhar para ele, com a incerteza e o temor claramente visíveis em seus olhos de safira. −Tem razão. Não tem provas. −Eu entendo a fraternidade, a amizade − suas palavras a detiveram de novo quando ela passou para alem dele−. Sei bem, e daria o sangue de minha vida por isso. Um homem que brinda a contra gosto por seu irmão morto, ou que faz alarde de sua destreza na batalha em vez de elogiar a de seu amigo, não é absolutamente um amigo. Claire endireitou os ombros, respirou fundo e saiu da câmara. Quando fechou a porta, caiu em conta. Graham estava louco! Tinha que estar. Ela sabia que James tinha crescido com ele. Era incapaz de uma ação tão matreira. Ele nunca teria traído ao Connor dessa forma. Graham estava errado! Tinha que estar!

Capítulo 17 Rege-lhe a honra, ou a avareza? Temo que já não saiba qual é a mais poderosa das duas. O grande salão estava vivo com o som da alegria. Claire via por toda parte homens bebendo, rindo e tropeçando nas cadeiras. Ravenglade não tinha mudado desde a última vez que o tinha visto. Os homens nunca foram 140


tão escandalosos quando vinha visitá-los com Connor. Se ela e seu irmão ficassem durante um mês, os homens se exercitavam todos os dias desse mês quase sem pausa. Connor tinha construído um exército forte, mas depois de sua morte os homens se tornaram fofos e gordos. Por que James o permitiu? Via o homem que conhecia da infância reclinado na cadeira que uma vez esteve reservada para seu irmão como líder. Era tão estranho que James a reclamasse agora? Ele era o novo chefe da resistência afinal. Seus olhos se passearam pela longa mesa até Graham, sentado à esquerda de James. A sua direita se sentava sua irmã, com Robert ao seu lado. Todos pareciam bem felizes, exceto Robert, que parecia preocupado em escuros pensamentos. Claire se perguntou o que seria enquanto o observava. Anne tinha razão a respeito de que os olhos do jovem conde eram radiantes. Não era sua extraordinária mistura de cores, a não ser sua absoluta falta de malícia o que os fazia assim. Compartilhava a crença de Graham sobre o James? E o que tentaria fazer o nobre cavalheiro a respeito, se fizesse algo? Deveria ir diretamente a eles e contar tudo a James. Sua lealdade era para ele, afinal. Mas mataria a Graham e a Robert por fazer uma acusação tão atroz, e possivelmente entraria em guerra com os MacGregor. O que ia fazer?Pensou em escapar de Ravenglade, de todos eles. Ela conhecia muitos lugares onde se esconder nos qual nunca a encontrariam. Podia esquecer-se de todos eles e nunca mais pensar em quem tinha traído ao seu irmão, ou a quem tinha traído ela. Mas isso seria uma covarde, e não podia deixar Anne sozinha. Seus olhos se caíram de novo em Graham, reclinado comodamente em sua cadeira, com a boina sobre a testa. Por que ele lhe contou os planos de James? Ela pensou que ele entenderia sua situação, e talvez inclusive estivesse de acordo em ajudá-la. Se ele lutasse contra James, um deles certamente morreria.

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Observou James jogar a cabeça para trás rindo de algo que Graham lhe disse. Encontrou-se com a olhar sóbrio do Highlander e se deu conta do que estava fazendo. Ele estava fazendo com que James confiasse nele como tinha feito com ela. Era a arma mais efetiva do comandante. −Ah, Claire. Se una a nós −James fez gestos desde sua mesa. Ela não queria ir, mas o olhar potente de Graham a atraiu para ele. Ela tinha vestido calções novos e uma camisa limpa de manga longa. Sua trança grosa e clara pendurada sobre seu peito. Seus olhos observavam cada centímetro dela, tocando-a como uma cálida carícia. Que Deus a ajudasse! Ela sabia a verdadeira razão pela qual havia lhe dito tudo. Queria confiar nele com sua vida, com seu coração. Queria acreditar que não era tão indiferente a ela. Que seus beijos, seus cálidos sorrisos eram reais. Que ardesse no inferno por desejá-lo, mas ela o fazia. Quando chegou à mesa, ele se levantou e lhe ofereceu seu lugar ao lado de James. Ela lhe lançou um olhar severo e lutou por manter a respiração em um ritmo constante quando ao passar a seu lado roçou seu corpo. E deu um sorriso para James enquanto se sentava. Em troca, ele pegou sua mão e depois a de sua irmã, e cravou seu olhar orgulhoso nos habitantes do salão. Tudo o que pertencia a Connor era seu agora, e um momento de terror e fúria passou através de Claire ao vê-lo deleitar-se com isso. Ela fechou os olhos, negando-se a entreter-se em pensamentos tão horríveis. Sentiu o impulso de dar um chute em Graham por debaixo da mesa por havê-los colocado em sua cabeça. −Lorde Buchanan me informou que quando a monarquia for restaurada, pedirá sua mão. Claire abriu os olhos para Graham, com a certeza de que seus ouvidos acabavam de enganá-la. Lentamente, tirou sua mão de entre as de James. −É isto verdade? – ela voltou-se para ele. 142


Deixando Anne livre, James se inclinou para frente em sua cadeira e lançou um olhar denso para Graham. −Disse-lhe isso em confiança. −Me perdoe − o sorriso atrevido de Graham parecia tudo menos arrependido−. Queria ver a alegria em seus olhos, a que me disse que sentiria quando soubesse de seus planos com ela. −James? −Claire se virou atrás, até quase aterrissar no colo de Graham−. Sabe que não me casarei com você. Por que lhe diria uma coisa assim? −Por que não quer se casar comigo Claire? − ele mudou de posição na cadeira que foi de seu irmão e tomou sua mão de novo entre as deles−. Sei que Connor e eu estávamos acostumados a falar de meu casamento com Anne, mas você é a mais velha. Agora que Connor morreu, tudo mudou. Há muito que considerar. −Connor não escolheu outro homem para Lady Stuart? Todos os olhos se voltaram para Robert, sentado em silencio até esse momento. Ele não levantou a olhar imediatamente, mas sim continuou desenhando pequenos círculos sobre a mesa com o dedo. −Ele não discutiu o futuro de sua irmã gêmea com você, ou o das terras que venham com ela, no caso de que morrer? −Robert elevou os olhos para Buchanan−. Sem dúvida, um homem que viveu uma vida tão perigosa faria o necessário por suas duas irmãs. E, certamente, compartilharia suas decisões com seu melhor amigo. −Certamente −entoou Graham, e sorriu para Claire quando ela se voltou para olhá-lo. −De fato − disse James aos dois−, Connor nunca fez planos para Claire. Ela lutava conosco como um homem, e ele… −Como um homem? − Graham perguntou com curiosidade, olhando para ela. −Quer dizer que luto como tal − se apressou a explicar Claire−. Não é isso, James?

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−Sim −se corrigiu James, acariciando sua perna sob a mesa −. Ela luta como um homem, e na verdade, seu irmão duvidava que vivesse o suficiente para casar-se. Claire ficou imóvel em seu assento. Sentiu como se um raio caísse sobre ela. Connor não duvidava de que viveria. Nunca tinha lhe passado esse medo. Sim, ele se preocupava com ela, como qualquer irmão, mas se mostrava confiante nas habilidades que tinha lhe ensinado. E tinha se assegurado de ensinar para ela tudo o que sabia, por isso viveria. Ela secou a testa. De repente, nada mais tinha sentido. Connor era o único homem em sua vida que tinha aceitado realmente quem era ela e a vida que tinha escolhido. E James sabia. Por que diria uma coisa tão cruel? Ela não podia respirar. Tinha que afastar-se deles e tentar arrumar tudo isto. Sua família amava James, e ele os amava. Ela simplesmente não podia aceitar que ele odiasse ao Connor e houvesse o traído por inveja. Não. Ela negou com a cabeça, mas as lágrimas brotaram de seus olhos e se inclinou até os pés antes que alguém se desse conta. −Me perdoem. Necessito de ar. James e Graham se levantaram mesmo tempo, ambos dispostos a segui-la. −Angus −Graham chamou a seu volumoso amigo, enquanto colocava uma mão sobre o ombro de Buchanan para impedir que se movesse−. Que classe de mal educado rufião é, MacGregor, ao jantar em casa de um homem e não lhe oferecer um pouco de sua cerveja? – ele deu uns tapinhas no braço de Buchanan e piscou um olho−. Vou ver a moça. Fique aqui e tome um gole com Angus, do contrário insultaria a seu primo Brodie −se inclinou e acrescentou em um sussurro−. E esse não está bem da cabeça. Antes de afastar-se da mesa, Graham chamou a atenção de Robert. Aqui estava o que deveria segui-la, maldito fosse. Graham o respeitaria. Iria se sentar e tentaria pela enésima vez mantê-la longe de seus 144


pensamentos. Mas, demônios! Tinha visto suas lágrimas e queria ir com ela. Dando a impressão de que leu seus pensamentos, ou possivelmente vendo o olhar enviesado de seu melhor amigo, Robert fez um gesto para que se apressasse.

Capítulo 18 Gostaria de ter aprendido a discernir melhor a verdade nos olhos de um homem. Graham a encontra no pátio de justas. Foi o segundo lugar onde procurou depois de encontrar seu cavalo no estábulo. Sob a luz da pálida da lua cheia, Claire encontrava consolo no que melhor sabia fazer. Ele se aproximou lentamente, com os olhos fixos na beleza de sua forma enquanto brandia sua espada para um adversário invisível, com sua trança loira ao redor da cintura. Suavemente definida contra a incandescência de ouro da luz das tochas ao longo dos muros do castelo, parecia com uma princesa guerreira da antiguidade: bela, ardente e ágil. Era tão linda que era quase doloroso olhá-la durante muito tempo. Mas não podia afastar os olhos dela. Quando tinha lutado a seu lado contra os ladrões, mal teve tempo para ver seus movimentos. Agora, ele permanecia em silêncio observando cada execução de ritmo impecável, cada combinação perfeita de parada, ataque, retirada e estoque. Sua lamina se movia no ar em uma impecável combinação selvagem de competência, objetivo e propósito. −Claire − ele sussurrou, movendo-se para ela como uma corrente de ferro o puxasse e a que era incapaz de resistir. Ela se deteve e se virou para ele com um olhar de desespero tal que ele quase se põe a correr. 145


Com um giro de pulso embainhou sua espada enquanto secava as lágrimas de seus olhos. −Graham, meu irmão não duvidava de minha capacidade. −Posso ver por que. Um sorriso tocou brandamente seus lábios, mas desapareceu quando falou de novo. −Nego-me a acreditar que James traiu Connor. −Não importa Claire. Não abandonarei Ravenglade sem você. Ela aproximou-se dele e tomou ar enquanto a alagava o desejo. Nunca em sua vida se havia sentido tão sozinha, tão vulnerável. Ela queria que ele a abraçasse, dizendo que tudo ficaria bem e que ele estava errado a respeito de James. −Não pensei que o cavalheirismo fosse parte de sua natureza, malandro – ela se deteve um milímetro de distância dele, e levantou o rosto para encontrar-se com seu olhar. −Nem eu −ele a olhou nos olhos, desejando-a, necessitando-a mais que tudo em sua vida. Mas não a tocou. Deixava-a louca com a terrível consciência de cada centímetro de seu corpo. A forma em que seus ombros subiam e desciam com uma inalação profunda para respirar, com o peito rígido, exceto para os fortes batimentos de seu coração, com a enorme expansão dos músculos quentes. Não se moveu quando chegou a ele, mas sim simplesmente a olhou com seus escuros olhos entreabertos e famintos. Encorajada por seu silêncio ou por sua própria loucura, passou as palmas de suas mãos sobre seu peito e até seus ombros. Impulsionada por uma necessidade que mal entendia, rodeou seu pescoço com seus braços e o puxou para baixo. −Não seja cavalheiresco agora, rogo-lhe isso. Incapaz de resistir a ela, o braço de Graham rodeou sua cintura, arrebatando-a do chão. Ele tomou sua boca com uma intensidade feroz, com posse absoluta, até que ela sentiu como se estivesse se afogando em seu beijo, morrendo em seus braços. −Graham? 146


A voz de Robert na noite rompeu seu abraço e tirou um gemido triste de Graham. Ele deu a volta, já sabendo que não havia nada que dizer: apenas uma dúzia de palavras amontoando-se nos lábios. −Rob, eu… Estou… Deus sentia muito! Por que não conseguia dizê-lo? Robert simplesmente olhou para Claire, depois para ele, e depois para suas botas. −Há uma briga lá dentro. Brodie quebrou o nariz de Steven. Precisam de você. Empurrando Graham fora de seu caminho, Claire deu um passo adiante. −Por que Brodie lhe quebrou o nariz? – ela exigiu saber. Ela gostava do capitão de seu irmão. Era um guerreiro valente e um amigo dele. −O capitão fez uma brincadeira a respeito dos MacGregor −disse Robert em voz baixa, com calma para alguém que acabava de sair de uma briga−. Muita bebida. −Os idiotas! Detectando que Graham ainda estava atrás dela, deu a volta. −E então?Vai dete-los? Seus olhos foram de Robert aos seus. −Sim. Se reúna enquanto isso com sua irmã. Vamos. Ele deu a volta sobre seus calcanhares e se afastou antes que ela pudesse protestar. A sós com Robert, Claire dirigiu seu olhar para ele e começou a acariciar o cabelo. −Sei o que deve estar pensando. −E o que é? −ele juntou as mãos atrás das costas e a olhou. −Que sou uma tola − suspirou e fechou os olhos−. Ele não gosta de ninguém. −Isso não é verdade, minha senhora. Ela abriu os olhos e assentiu com a cabeça, com evidente frustração. −Sim, ele gosta de você e de Callum MacGregor. Posso ouvir em sua voz. Mas sabe exatamente o que quero dizer. 147


−Não acredito que seja uma tola −seus olhos se suavizaram nela e Claire se deu conta uma vez mais de quão incrivelmente bonito e amável que era. Anne seria feliz com este homem. −Venha −estendeu o braço para ela−. Entremos antes que Angus derrube o castelo. Tomando-o pelo braço, Claire sorriu e o apertou enquanto caminhavam. −Converteu-se em um amigo para mim, “cabeça redonda”. −Isso me agrada. Ela olhou a sua mandíbula forte, seu cabelo suave, escuro e encaracolado, e aquelas pestanas… Demônios, Anne tinha razão! Que longas eram! −O que pensa da Anne? −ela sorriu, sentindo que seu corpo ficava rígido−. Já vejo. Eu estava acostumado a pensar que James seria um bom marido para ela, mas vejo a forma em que a olha e devo admitir… Ele se deteve e se virou para ela por completo. −Há algo que deve saber Claire. Ela baixou o olhar. Por que tinham que falar disso? −Graham já me há isso dito. Ele piscou. −Serio? −Sim, ele acredita que James está por trás da morte de Connor. E você pensa assim também? −Sim, mas é que… −Não, ambos estão errados. Há uma explicação para tudo isto. Falarei com James sobre isso e ele demonstrará sua inocência. −Demonstrarei minha inocência? −Claire e Robert se viraram quando James saiu das sombras e chegou até eles. − A respeito do que? −seus olhos cor safira se pousaram primeiro em Claire, e depois em Robert. −James −Claire chamou sua atenção gentilmente−, podemos falar um momento no pátio? Observando o olhar cauteloso de Robert, James assentiu com a cabeça e pegou sua mão. Robert saltou ao outro lado dela, negando-se a deixá-la a sós com Buchanan. 148


−Devemos recolher o comandante Grant no caminho −sugeriu Claire quando entraram no castelo−. Estas são coisas que deve saber também. −Certamente −aprovou James gratamente−. Mas então terei que trazer o Steven, e possivelmente a alguns mais. Claire −a tranquilizou com um olhar cálido quando ela tentou protestar−. Não sei o que estes homens lhe têm dito, mas se tiverem feito acusações contra mim, devo me sentar com eles a sós e desprotegido? −Não −se corrigiu ela em voz baixa−. É obvio que não −alguém sem dúvida acabaria morto−. Lorde Campbell pode dizer a Grant o que escutou. −Muito bem, vamos então −Buchanan a levou para as escadas. Passando o grande salão, Robert procurou dentro por Graham, mas não o viu entre a multidão. O pequeno salão escada acima era claramente um lugar onde Claire tinha passado grande parte de seu tempo com seu irmão. Sua postura relaxou no momento em que entrou. Sorriu, cruzando o espaço em busca de uma cadeira de encosto alto de carvalho esculpido e veludo cor de vinho. Ficou de pé diante dela e lançou um olhar pensativo antes de virar-se e sentar-se nela. −James −começou sem esperar, enquanto Robert se sentava em uma cadeira menos empetecada perto dela. James decidiu ficar de pé, e Claire tinha que esticar o pescoço para olhá-lo−. Seus convidados não querem te fazer nenhum dano. Como você, estão ansiosos em descobrir quem é o homem que traiu Connor. −Então, por que não estão em Edimburgo acusando-o? −Porque −respondeu Robert por Claire. Quando levantou a vista, seu desdém pelo Buchanan brilhava claramente em seus olhos− não suspeitamos do general Monck. James apertou os lábios com os dentes e sua mão se deslizou para a espada. Claire ficou em pé, mas Robert ficou quieto. 149


−Acusam-me então de trair a meu irmão? Robert olhou diretamente para o olhar assassino de Buchanan com igual medida. −Não fiz tal acusação. Justo quando Claire começou a relaxar seus ombros, aliviada de que o enfrentamento havia sido evitado, Robert ficou lentamente em pé. −Connor Stuart não era seu irmão. Claire fechou os olhos e apertou os dentes. Como pôde dizer semelhante coisa? E que demônios se passava com o idiota? Robert Campbell não sabia como lutar, e, entretanto ali estava ele, rugindo como um leão. Um leão morto, se ela não fizesse nada. Interpondo-se entre eles, pôs sua mão sobre o peito de James. −Eu sei que não tem fez algo tão terrível −ela olhou nos olhos de seu querido amigo e viu neles o profundo insulto de Robert e Graham−. Mas eles não o conhecem como eu. Explique a Lorde Campbell como Connor morreu, tal como me contou. Seu olhar cortava como o vidro, até feri-la em seu intimo. −Dúvida de minha palavra, e diante de um Campbell, Claire? −Não, não é isso… −ela sacudiu a cabeça. −Pede-me que explique. A ele! −Rogo-te que não grite −advertiu Robert atrás dela. Um grunhido frisou um dos cantos da boca de James enquanto desembainhava a espada com uma mão e empurrava Claire fora de seu caminho com a outra. Sua espada assobiou enquanto Claire caía contra a cadeira de seu irmão, cortando o lábio com a madeira. Não pôde fazer nada mais que fechar os olhos quando James atacou contra o pobre Robert. Sua espada, entretanto, não deu contra a carne, a não ser com o aço. O ruído lhe fez chiar os dentes. Levantou-se em um salto, disposta a proteger Robert de outra estocada. Alguém tinha que salvá-lo. Em troca, seus olhos se abriram ao ver o claymore do jovem conde mover-se em um clarão de velocidade contra a luz da lareira. Ele

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escapou do assalto seguinte de James com um passo muito oportuno à esquerda, e uma combinação de bloqueio, arco e giro. Pelas bolas Satanás! Claire teria sorrido se não estivesse tão aterrorizada pelos dois. O moço sabia lutar! Quando Robert elevou sua espada sobre sua cabeça e a deixou cair de um golpe que levou James para a porta, ela repensou sua primeira opinião a respeito de quem não ia a sobreviver depois desta briga. Ela tinha feito um tentativa de intervir quando a porta abriu e James caiu nos braços de Graham. Imediatamente, Robert embainhou sua espada e sorriu para seu amigo, grato de que Graham tinha evitado ter que matar Buchanan. Graham não lhe devolveu o sorriso, mas sim se fixou no sangue que manchava os lábios do Claire. Seu rosto se endureceu ao levantar James. Agarrou-o pela nuca e o jogou de bruços contra a parede. Quando se virou para comprovar como Claire estava, soltou o corpo inerte de James. Ela estava detrás dele e meio de lado. Seu punho se largou direto na boca, inclinando a cabeça dele para trás. Ao pegar a mandíbula, olhou-a com algo parecido a incredulidade em seus olhos. Esticou a mão para ela, e ela se virou para não olhá-lo. Desta vez ele a agarrou, obrigou-a a virar-se e a agasalhou sob o braço. −Saiamos daqui −lançou para Robert um olhar de desgosto em seu caminho à porta−. Me contarão o que aconteceu mais tarde. −Estão loucos? −gritou-lhes Claire enquanto cravava as unhas no braço de seu captor e tentava lhe dar um chute−. Eu não vou a nenhuma parte com vocês! −retorceu o braço para golpear Graham no peito, mas sua tentativa não conseguir pegar impulso−. Por que fez isso? Acredito que deve ter quebrado o nariz! −Claire, a menos que queiram que nos matem se cale. Ela olhou para Graham enquanto sua longa trança varria o chão. Maldito fosse! Tinha razão. Se Steven a via transportada pelas escadas 151


como um saco de trigo, alertaria aos guardas. Graham e Robert nunca sairiam com vida de Ravenglade. Que se apodreçam no Hades! E a ela o que importava? −Me solte filho de uma cadela! −exclamou para Graham−. Embora não o mereçam, farei o que possa por salvar suas vidas, mas Anne e eu não vamos para Ravenglade com vocês. Quando seus pés tocaram o chão, alisou as rugas das mangas e deu um passo adiante. O peito de Graham a impediu de dar o seguinte. −Não as deixarei aqui com ele, Claire −falou rapidamente, com a mandíbula rígida e o olhar queimando −. Se insistir em ficar, não terei outra escolha que voltar para Buchanan agora mesmo e me assegurar de que nunca será uma ameaça para você. Claire ficou pálida. Meu deus, falava a sério! Mataria James. −Eu te odeio − ela sussurrou em um suspiro tremulo. Ele engoliu, e por um instante ela acreditou vê-lo hesitar em sua resolução, mas logo seus olhos se endureceram nela, cruéis, implacáveis. −Decida. −Acaso tenho escolha? − ela o espetou amargamente. Ele assentiu com a cabeça, demonstrando que não lhe dava absolutamente nenhuma opção. −Fará o que eu diga e obedecerão minhas ordens. Se nos vemos obrigados a lutar para sair, muitas vidas se perderão nos dois bandos. Claire aceitou com um gesto firme e deixou que ele e Robert a levassem escada abaixo. O que outra coisa podia fazer? Se gritava, Steven viria correndo. Aconteceria uma batalha, e Claire teria que escolher um grupo no qual lutar. Estava zangada com Graham, mas sabia que não podia lutar contra ele. Quando chegaram ao último degrau, Graham deu uma olhada ao grande salão com um olhar aguçado. Encontrou Steven em primeiro lugar, agora sentado, com a cara limpa de tudo sangue. Seguiu andando até encontrar o homem que procurava. 152


Um gesto sutil de seu comandante fazia muito tempo pôs Brodie em pé. Em um instante atravessou silencioso o salão e o seguiram todos os MacGregor. Partiam, e possivelmente teriam que lutar para sair. Por serem guerreiros, sabiam que as retiradas precipitadas não podiam ser evitadas. Não havia covardia nisso. Lutariam outro dia. Angus levou o grupo através do piso lotado, marcando com seu enorme tamanho um caminho reto para Graham. Robert deu uma olhada em sua mesa e viu Anne de volta ao seu grupo. −Aos estábulos −ordenou Graham−. Angus e Donel vigiarão a retaguarda enquanto Robert e eu baixamos a ponte – ele olhou para seu corpulento amigo−. Angus, se alguém for atrás deles, cortem a cabeça. −Não! − Claire sussurrou com veemência. Ela não permaneceria à margem enquanto os MacGregor sacrificavam os homens de Connor. Graham a olhou, e em seguida retirou a ordem e disse a Angus que os fizessem dormir em seu lugar. −Claire, o que está acontecendo? − Os olhos de Anne estavam arregalados pelo medo enquanto se agarrava ao pulso de sua irmã. −Onde está a guarita da ponte levadiça, Claire? −exigiu Graham, interrompendo sua resposta a Anne. Ela lhe lançando um olhar de recriminação, o disse e deu a sua irmã um ligeiro empurrão para adiante, seguindo os outros para as portas. Quando chegaram aos estábulos, Brodie a empurrou na escuridão. −Sabe onde estão os cavalos. Abra… agora! Claire correu para dentro e pôs em liberdade os cavalos enquanto Angus e Donel se uniam a eles, sem obstáculos. Brodie foi o primeiro a montar e o primeiro em sair. Claire teve a última posição com Anne entre ela e Angus. Cruzaram rapidamente o pátio iluminado pela lua, parando na ponte levadiça e esperando a que descesse. Pelas bolas de Satanás! O que devo fazer? Claire olhou para trás. Seu instinto lhe disse que retornasse. Ela não podia abandonar James. Nunca o perdoaria. Mas se retornava Graham o mataria. Estava certa disso. Por quê? Por que suspeitava de James em uma coisa tão terrível?Levariam ele e 153


Robert suas suspeitas a Monck? Não, não tinham nenhuma prova. Não podiam fazer nada. Nada mais que matar-se. Por Deus! Fariam-no agora? −Claire, por favor, me diga o que está acontecendo − a aterrorizada voz de sua irmã chamou sua atenção−. Por que estamos fugindo desta maneira? O que aconteceu? −Um mal-entendido −disse Claire delicadamente−. Eu explicarei isso mais adiante, mas não há nada com que preocupar-se. Enquanto as enormes correntes da ponte levadiça chiaram através dos ouvidos do Claire, fechou os olhos e tentou acalmar seu coração, que pulsava com força. Tinham ido diretamente à guarita de ponte levadiça como Graham havia dito. Alagou-a uma onda de alívio. James ainda estava vivo. As pranchas baixavam rapidamente. Muito rápido. Levantou os ombros quando caiu a ponte, expelindo sujeira e lascas. −Vamos! −escutou a ordem de Brodie, e se uniu a ele enquanto cruzava. Quando chegaram do outro lado, Claire fez seu cavalo virar. Os homens de Ravenglade teriam que ter ouvido isso! Estava certa. O capitão foi o primeiro a sair, seguido por uma carga dos demais. A sua direita, Claire captou um brilho de metal sob a luz da lua ao Brodie desembainhar sua longa claymore. −Steven, pare! Não cruze! − exclamou Claire, e não se surpreendeu ao ver que a obedecia,dando a ordem aos outros. −Minha senhora, o que significa isto? −disse se movendo da ponte levadiça, sem saber por que ela, sua irmã e os MacGregor estavam do outro lado. −Temo que tenhamos que ir. Temos um longo caminho por diante, já sabe −suplicou com todo seu coração por um milagre que fizesse que o capitão simplesmente sorrisse e a saudasse como despedida. Ela gemeu quando Steven começou a avançar de novo. 154


−Por que só levam quatorze cavalos com vocês? −ele olhou através da ponte para eles, tentando ver quem faltava, mas estava muito escuro e muito longe−. Onde estão os outros dois cavaleiros? Claire olhou à porta do castelo. Sim, onde demônios estavam Graham e Robert? Como iam deixar atrás Steven e ao seu pequeno exército? Seus dedos se fecharam em suas rédeas, mas se arrumou para manter a voz firme quando exclamou: −Estão recebendo rações de Amish, o cozinheiro. Aparecerão aqui de um momento a outro. Ah…!−ela sorriu por cima do ombro de Steven ao ver Graham e Robert rodeando o pátio, com os cavalos levantando terra atrás deles−. Aqui estão! −voltou seu olhar de novo a Steven quando este se levava a mão à espada−. Capitão os deixe passar. Para seu desgosto e angústia, Steven não lhe obedeceu desta vez. Com um grito de comando, ordenou aos seus homens formação de batalha. Felizmente, a maioria deles estava muito bêbada para entender sua ordem. Com uma maldição ao vento, Claire arrancou a boina de seu cinturão, colocou a trança nele e conduziu seu cavalo até a ponte levadiça. Tinha que parar Steven antes que ele levantasse sua espada para Graham e os doze robustos Highlanders a suas costas entrassem na batalha. Tinha intenção de Parar o capitão, mas sem matá-lo. Por isso quando topou com ele, açoitou a espada sobre seu peito e jogou com força contra ele, o fazendo deixar cair a espada de sua mão. −Mande parar, capitão! − ordenou-lhe com a mesma força que seu irmão teria utilizado, e parecendo-se muito a ele ao usar sua boina. Sua espada brilhava sob a luz da lua enquanto sua ponta descansava contra a garganta de Steven. −Não me obrigue a lhe ordenar isso pela terceira vez. Steven a olhou com fúria silenciosa, mas não fez nada, enquanto Robert passou correndo até Anne. Graham baixou o ritmo de seu cavalo quando chegou até Claire. 155


−Tudo isto foi um terrível mal-entendido, Steven − prometeu Claire ao capitão, com o pesar suavizando sua voz−. Voltarei e darei um relato completo. Mas por agora, deve fazer o que digo −embainhou sua espada e estalou as rédeas, afastando-se junto com Graham da ponte sem dizer uma palavra.

Capítulo 19 No que confiar exceto no que nos foi ensinado? Eles não seguiram pelo bosque negro. Contudo, seguiram cavalgando pelo espesso labirinto de carvalho e bétula durante léguas até a manhã seguinte. Viajaram para o oeste, evitando Killiekrankie e aos homens de James, e não se detiveram até que chegaram às bordas do Loch Tay. Em silêncio, Claire ajudou a sua irmã a desmontar. As pernas da Anne se torceram debaixo dela por estar na sela muito tempo, mas enquanto a ajudava, Claire a elogiou por não ter emitido uma palavra de queixa. Graham as observou ao chegar ao centro da pequena clareira e Claire montava o leito de sua irmã. Seus olhos a seguiram um momento depois quando Claire atravessou o acampamento e ficou agachada à beira do lago, molhando suas mãos na água. Ele queria ir até ela, tomá-la em seus braços e assegurar-se de que só se feriu no lábio. Demônios! Nunca esqueceria seu aspecto quando lhe disse que o odiava. Estava zangada com 156


ele por havê-la feito sair de Ravenglade e por ele golpear a cara de Buchanan contra a parede, quando deveria estar agradecida de não ter trespassado a esse filho da puta depois de ver sua boca ensanguentada. Como ia saber que sua ferida foi acidental? Enquanto cavalgavam, Robert tinha lhe contado o que aconteceu no pátio de Ravenglade. Ela acreditava na inocência de Buchanan, e Graham não a podia culpar por isso. Semelhante traição de um amigo era difícil de aceitar. Não a obrigaria a escutar mais acusações contra o homem ao qual considerava seu amigo. Ela estava a salvo, por hora, longe do assassino de seu irmão. Tinham que falar com o general Monck, é claro, mas podia esperar até depois de chegarem a Skye. O que ocorreria depois disso era algo que Graham não queria pensar. Monck seguiria adiante com seus acertos de matrimônio entre Claire e Rob. Mas, e Anne, agora que seu prometido certamente seria enforcado? Rob não havia dito nada do apaixonado beijo que tinha presenciado entre seu melhor amigo e sua noiva nas pistas, e Graham quase desejava que o fizesse. Tinha tido a muitas mulheres, e podia ter a dezenas mais. Era seu coração tão escuro que tentou tomar à mulher de seu amigo? O que era esta Loucura que o fazia desejar Claire Stuart mais do que a qualquer outra? Amaldiçoou ao destino por levá-lo a ela. Como diabos podia mudar a vida tão profundamente em tão pouco tempo? Não podia pensar com claridade em outra coisa que não fosse ela. Nem na batalha. Nem nas mulheres. Apenas nela. Em sua boca. Em seus olhos. Em seu cabelo. Em seu aroma. Sabia como caminhava, falava, comia, respirava. Estava ficando louco. Demônios! Inclusive quando o socou na boca queria arrastá-la para seus braços e beijá-la até deixá-la sem sentido. Seu olhar se pousou nela de novo. Ela o deixava sem fôlego mesmo com este aspecto de garoto… 157


Ele se aproximou dela como se suas pernas tivessem vida própria. Seus olhos estavam fixos no gorro em sua cabeça. Por todos os demônios! Ele tinha certeza. O medo se apoderou dele como nunca antes quando pensou nela lutando sozinha contra os homens do governador. Quando chegou até ela, ajoelhou-se ao seu lado e olhou para a água. −Foi você quem atacou aos homens do Monck. Ela assentiu sem olhá-lo. −Monck traiu Connor. −Não acredito que o fizesse − ele disse em voz baixa, virando-se para olhá-la−. Demônios, Claire. Podia ter morrido. −Não é verdade. Ele estudou seu perfil enquanto ela mantinha seu olhar no lago. Ele não sabia se a sacudia por ser tão louca ou admirava sua valentia e destreza. Como diabos Connor tinha vivido cada dia sem temer por sua segurança? Ele a ensinou a brigar como um homem, respondeu-se Graham a si mesmo. Mais que isso, seu irmão a tinha treinado para ser uma guerreira. E, entretanto, ali estava ela, uma moça, mais bonita que qualquer outra, deixando seu coração em chamas com uma necessidade que o sacudia até a medula. −Robert e você estão errados – ela disse em voz baixa−. James amava Connor. Ele não o traiu, e nunca o perdoarei por golpeá-lo. −Eu o golpeei porque pensei que ele tinha batido em você −a corrigiu.

Quando finalmente elevou o rosto para olhá-lo, a distinção

curiosa de sua testa e o azul intenso de seus formosos olhos o golpeou como um chute no estômago. Deu a volta, sabendo que se a olhasse nos olhos ela perceberia uma debilidade nele que o deixava completamente assustado. Uma fraqueza por ela, apenas ela. Ele era um guerreiro das Terras Altas disposto a lutar em qualquer guerra, mas mesmo ele sabia o suficiente para fugir quando a derrota era iminente. Levantou-se e a deixou ali, sem olhar para trás. Quando passou perto de Robert, sentindo-se 158


culpado evitou o olhar de seu amigo.Agarrando o odre que o grandalhão Angus levava aos labios, Graham partiu através do denso bosque até que este o engoliu. Claire o viu afastar-se, desejando possuir, pela primeira vez em sua vida, a imediatismo ingênuo de sua irmã. Anne teria lhe pedido que voltasse, esquecendo-se da disciplina e do orgulho. Claire queria saber o que aconteceu para ter mudado de malandro arrogante para um urso hibernando. Quase tinha fatiado a cabeça de James por ela, não por Connor. Entretanto, tinha ameaçado matar ao seu melhor amigo, recordou-se. Tinha a obrigado a deixar Ravenglade de uma maneira que convenceria ao pobre James que ela também acreditava em sua culpa. OH, como podia Graham suspeitar dele? Ela entendia que Graham não conhecia James tanto quanto ela, mas, que razão podia ter para acreditar que o único homem que amava a seu irmão tanto quanto ela o tinha levado a sua morte? Haveria outra razão para sua acusação? Graham tinha exigido saber se gostava de James. Poderia estar ciumento? Foi treinada para confiar em seus instintos e seus instintos lhe diziam que Graham havia se suavizado por ela. Na forma em que a beijou, com tanta posse quanto entrega. Em seus olhos, sempre sobre ela, e na forma em que a olhava, como se ele a encantasse, e o torturasse apenas um momento depois. A amava? Não, ele era um canalha confesso da pior índole. Além disso, não acreditava realmente que Graham fosse o tipo de homem que mataria outro por ciúmes. Tudo isto era culpa dela. Tinha permitido que Graham a enganasse lhe dizendo coisas sobre James que podiam ser incriminadoras. Graham Grant era um guerreiro que sabia exercer seu encanto devastador assim como usar os punhos para conseguir o que queria. Sim, ela recordou sua promessa de que não poderia com ele. Com o que pouco esforço ele tinha sorrido ao lado de James no grande salão enquanto conspirava contra ele. Queria acreditar que a dolorosa 159


necessidade no beijo de Graham nas pistas de Ravenglade era real. Mas como podia ser se quando no instante em que todo terminou, tinha o aspecto de um homem que se odiava a si mesmo? Ela olhou na direção em que ele se foi. Queria saber por que acusava a James, e no que pensava em fazer a respeito. Ela também estava malditamente cansada de ser a origem de seu mau humor. A achava tão pouco atraente para tentar ganhar seu favor, para o quer que fosse que seu coração canalha quisesse, ela o repelia? Decidida a obter algumas respostas, endireitou-se, sacudiu-se o pó dos calções e foi atrás dele. Claire abriu passagem a cotoveladas através dos ramos espinhosos, subiu pelas rochas e lutou contra um enxame de mosquitos, amaldiçoando todo o caminho. Em onde demônio estava? Pelas bolas de Satanás! Se estava bêbado e tinha caído nas mãos de ladrões, o mataria. Por que demônio ainda estava o buscando quando poderia ter esperado sua volta para lhe fazer as perguntas?Ela lutou com veemência para convencer-se de que não era uma garota perturbada correndo atrás dele da mesma forma que Lianne fez na estalagem. Também o faria saber disso! Ela quase caiu diretamente no lago. O bosque terminou abruptamente, com uma queda de quase um metro bem em frente dela. Ela teria dado contra umas rochas antes de afundar-se na água de cabeça. Quando levantou a vista, viu-o e quase caiu ao chão. Tomando sol como um dos príncipes preguiçoso de Poseidón, Graham estendia suas costas sobre uma grande rocha na beira da água, com suas roupas e suas armas descansando perto dele. Seu cabelo loiro estava afastado de seu rosto. Umas gotas brilhavam em seu peito nu e riscavam sinuosos arroios sobre seu ventre e se ondulavam sedutores por cima de seu quadril, de volta à água. Um braço estava ao seu lado, com a mão agarrando o odre de uísque do Angus. Sua outra mão estava oculta de sua vista sob a superfície escura. Seus músculos se flexionavam enquanto 160


empunhava com força e movia o braço para cima e depois para baixo uma e outra vez. De repente, Claire se deu conta do que ele tinha na mão. Ela conhecia algo sobre paus, por ter visto e ouvido o suficiente sobre eles na guarnição. Havia descoberto por acaso como os homens se davam prazer quando estavam há muito tempo sem uma mulher. Sabia pela tensão do resto dele que o seu provavelmente estava inchado e rígido. Ela o observou, hipnotizada pelo prazer em seu rosto, cada vez mais quente e mais úmido enquanto seu braço golpeava e golpeava. Nunca tinha visto um homem antes do clímax. Demônios, era pecado!… mas não podia afastar o olhar. Não queria. Surpreendentemente, encontrou-se se perguntando o que seria nadar até ele e montar sobre aquele corpo duro. Seus olhos se deleitavam em sua boa forma e se inclinou na direção dele, enquanto seu braço se movia com uma urgência que o fazia abrir a boca e apertar os dentes. Finalmente, jogou a cabeça para trás e gemeu descarado no êxtase. Claire não se deu conta, até que tinha terminado, de que estava ofegando com ele. E depois fugiu. Passou através do matagal de árvores para o acampamento como se tivesse uma horda de generais no traseiro. Anne a olhou, surpresa. Robert ficou em pé. −O que ocorre? − perguntou, olhando a suas costas. Chamando a cada grama de controle que restava, Claire sorriu e limpou sua preocupação. −Não é nada. Eu pensei ter visto um javali. Isso é tudo. Ele não parecia muito convencido. −Procurava o Graham? Ela sacudiu a cabeça e se separou dele. −Não, e preferiria não falar dele − ou não pensar nele nunca mais, pensou ela, corando até a raiz do cabelo. Sentia-se como uma estranha em sua própria pele. Uma rameira desavergonhada que espiava os homens enquanto eles… Suas bochechas ardiam muito quentes e lhe deu as costas

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aos outros, temerosa de que pudessem ver e reconhecer a profundidade de sua depravação. Anne nunca o teria visto. E certamente não o teria exposto. Sua irmã era pura, singela, com pensamentos femininos na cabeça… não imorais. Anne era suave e delicada, da classe de mulher que os homens preferem. Por que não podia parecer mais com Anne? Connor nunca lhe havia feito essa pergunta. Ele tinha sido o único homem em sua vida que tinha aceitado totalmente que ela preferia lutar a bordar. Fechou os olhos, sentia falta dele. Queria falar com ele desta lasciva agitação desconhecida, da mesma forma que falava com ele de tudo. Ouviu Graham entrar no acampamento. Sua cara corou de novo enquanto ele passava junto a ela, enchendo seus pulmões com a fragrância dos bosques e da água fresca. Incapaz de conter-se, levantou o olhar para vê-lo enquanto entregava a Angus seu odre, e em seguida desejou não tê-lo feito. Parecia tão enlouquecedoramente viril meio vestido quanto nu. Sua túnica estava pendurada em sua mão. Seu plaid caía ao redor de seus quadris, apaixonando seus sentidos com a esplêndida vista de suas costas largas e de sua esbelta cintura. Maldição! Inclusive a vista de suas panturrilhas a deixava sem ar. Ele se virou e ela olhou para cima mortificada por que a estava olhando. Ela corou do colo a cabeça. −Temos que ir agora. Poderíamos cruzar a cordilheira amanhã − ela disse abruptamente, pois não desejava passar outro momento sem nada mais que fazer do que olha-lo boquiaberta. −Descansemos um pouco primeiro – ele replicou, jogando a lã extra de seu plaid sobre seu ombro para maior comodidade. Ele não disse nada mais enquanto se sentava contra a áspera casca de um velho carvalho e fechava os olhos. −Claire −sua irmã a chamou a suas costas−. Tire essa boina horrível e venha aqui comigo. 162


Claire se aproximou e tirou a boina que tinha esquecido que usava. Diabos! Não só pensava como um homem, mas sim tinha pinta de homem. Sem dúvida Graham a olhava com o cenho franzido cada maldita vez que a via. Ela foi para Anne e se deixou cair ao seu lado. −Lembra ao Connor −suspirou Anne com tristeza, puxando Claire para mais perto dela−. Você e ele sempre se pareceram muito. Normalmente, Claire se sentia encantada com tal sentimento, mas agora só lhe servia como um aviso de que possuía atributos varonis. −Me deixe trabalhar neste cabelo um pouco −disse Anne, colocando-se atrás dela−. Meu Deus, parece como que esta há anos preso nesta tranca −sem esperar o consentimento de sua irmã, Anne tirou o laço que prendia a longa trança e começou a desembaraçar os cabelos claros de Claire. −Robert me disse tudo o que aconteceu. Está desgostada pelo James. −Você não? −Claire se voltou um pouco para perguntar−. Não dá nenhum crédito a esta loucura sobre sua traição ao Connor, não é? −É obvio que não. Mas eles apenas tentam nos proteger. Alguém é responsável pela morte de Connor. −Sim. O general Monck. −Também não acredito isso. Agora Claire se voltou totalmente para olhar a sua irmã. −Como que não? Com que mentiras ele a alimentou, Anne? Sua irmã só se deu de ombros, empurrando os ombros de Claire de novo para diante. −Contrariamente ao que acha, não sou tão ingênua para acreditar em tudo o que me dizem. −Não é isso o que quis dizer. −Mesmo que não passasse os dias empunhando uma espada com Connor não significa que ele não me contasse as coisas. −Eu sei Anne. −Ele falava muito bem do general Monck, e depois de passar um tempo com o governador, entendi o porquê − Claire não dizia nada 163


enquanto sua irmã afagava seus dedos pelo cabelo−. Também entendo por que Robert e Graham acreditam que James é culpado − ainda segurava firme os ombros de Claire enquanto sua irmã tentava virar-se de novo−. Claire, não estou dizendo que esteja de acordo, apenas que entendo. James foi quem entregou ao Connor a suposta mensagem ao general. Nosso irmão confiava em Monck, sim, mas também confiava em James. Ele o teria feito se qualquer um deles tivesse pedido. Claire negou com a cabeça. Não tinha nenhum sentido. −Por que James quereria Connor morto, Anne? Ele o amava. Atrás dela, sua irmã suspirou. −Não sei, e não sei como poderemos descobrir a verdade nisto. −Eu já sei a verdade. James é inocente. O conhecemos por toda a vida. Devemos ter fé nele. Anne concordou com a cabeça e continuou trabalhando os fios grossos do cabelo de Claire. −Robert me assegurou que enquanto continuássemos adiante para Skye, onde sabe que estaremos seguras, nem ele nem Graham nos deixarão para voltar para Edimburgo. Assim não temos que nos preocupar com James agora mesmo. Robert também suspeita que foi você quem lutou contra os homens do general Monck. Mas não tenha medo. Ele prometeu não dizer nada ao governador. −Isso é muito considerado da sua parte dele− Claire murmurou, relaxando um pouco agora que sabia que James estava a salvo da forca… no momento. −Sim, ele é considerado. Falou-me de sua irmã Katherine de Skye. Disse que é uma combinação de você e de mim. Pode usar uma espada, mas é de estilo mais fino que uma rosa. Anne é a rosa, é claro, pensou Claire com desespero, e abraçou os joelhos contra o peito. −OH, agora vejo por que leva o cabelo trançado com tanta força. Tem tanta quantidade! –Anne puxava e retorcia as longas madeixas de

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Claire, mas logo deixou o que estava fazendo−. Acho que um par de tranças lhe ficará melhor. Necessito de outro laço. Ambas olharam ao seu redor, e então, ao dar-se conta de que não havia nada na grama que pudesse funcionar, Anne golpeou sua irmã no ombro. −Vá e lhe peça ao seu Highlander um retalho de seu plaid. Está bem esfarrapado. Deve ter um montão de fios pendurando. −Não é meu Highlander, Anne −Claire a corrigiu com a indisposição audível em sua voz−. E, além disso, está dormido e não quero incomodá-lo. −Tolice. Está acordado e está te olhando. Venha, vá pedir − Anne lhe deu um empurrão para que ficasse em pé. Claire deslizou seu olhar para ele por debaixo de suas pestanas. Demônios! Estava acordado, e não olhou para o outro lado desta vez quando seus olhares se cruzaram. Mal piscou quando ela de má vontade ficou em pé e afastou a cabeleira dos ombros. A curta jornada ate ele era uma tortura. Seu penetrante olhar a punha nervosa. Sua boca sensual fazia difícil concentrar-se no que ia lhe pedir. Um beijo. Um sorriso. Uma palavra aduladora. Uma desculpa. −Necessito um retalho de seu plaid −Santo céu! Era essa sua voz a que soava tão débil e insegura? Queria lhe dar um chute por havê-la convertido em uma tonta−. Para meu cabelo - acrescentou sucinta quando ele continuou sem fazer nada mais que olhá-la. Finalmente, abaixou a cabeça e levou sua mão para a parte de lã que cobria seu peito. Sem levantar a vista de novo, rompeu uma das fibras soltas e a ofereceu. Claire a agarrou e se virou para trás, temerosa da vontade urgente e louca que percorria todo seu ser de fazê-la cair de joelhos, tomar seu rosto com firmeza em suas mãos e beijá-lo… ou lhe dar uma bofetada por ser tão bruto em Ravenglade. Só estão tentando nos proteger. Era realmente esta nobre causa que lhe obrigou à força a abandonar Ravenglade? Querido 165


Deus, ela estava louca, de acordo. Por que não a olhava? E pouco antes tinha estado furiosa com ele por enfeitiçá-la para conseguir o que queria. Agora, ela estava zangada porque era óbvio que ele não queria nada. Era um canalha, pelo amor de Deus! Um descuidado sedutor de mulheres. Por que se reprimia com ela?Era desagrado o que obscurecia seu olhar… ou algo mais? Algo que a fez sentir as pernas fracas e a boca seca: o desejo, a emoção e a decisão de resistir a ambos. Mataria para protegê-la. Resistia a Ela porque sabia que Monck ia escolher lhe um marido? Os malandros não se preocupam com os maridos, não é? Estava zangado com ela por estar zangada com ele? Ou era simplesmente que não era feminina o suficientemente para ele? Sentiu-se atordoada com todas as incertezas que flutuavam ao redor de sua cabeça. Pelas bolas de Satanás! Lutar contra os ingleses era mais fácil que isto! Murmurando uma maldição, foi correndo dali para sua irmã. −Não é o que quero em um homem de todos os modos −entregou a Anne o retalho por cima do ombro. Separando o cabelo de Claire pela metade, Anne olhou o objeto de desprezo de sua irmã. Graham Grant, comandante em guerra dos MacGregor, de todo um povo. Um homem do nebuloso norte onde os guerreiros nascem, não os educa para isso. Inclusive sem o brilho do sol beijar o seu cabelo e seus brilhantes olhos verdes, o comandante Grant era um homem ao qual Claire achava difícil de resistir. Anne acreditava que ele era tudo o que sua irmã guerreira queria em um homem. Claire nunca seria feliz com Robert. O pobre conde sabia e tinha tentado dizê-lo ao general Monck. Apesar de ser um homem tão perfeito como era Robert Campbell, Claire não era para ele. Connor tinha escolhido à irmã errada. −Então, seu coração está livre para amar a outro? −O amor! −Claire zombou da pergunta vacilante de sua irmã. OH, Deus, o que sabia ela de isso?−. Eu não nasci para amar a não ser para lutar. −Mas o que acontece com o marido? O general Monck disse que… 166


−Não me importa o que disse! Se tentar me obrigar a casar, transpassarei as muralhas de Edimburgo e farei o que levo tentando fazer a uma semana −ignorando do forte arquejo de sua irmã enquanto Anne chegava à conclusão de quais eram as intenções de sua irmã, Claire cruzou as pernas e os braços sobre o peito−. Agora, tenho algo que te perguntar. −O que é? −perguntou Anne enquanto mexia nas tranças de Claire. −Você acha que eu poderia lutar de saia?

Capítulo 20 Somos o mesmo. Separados do ventre de nossa mãe, embora secretamente,e porque eu te amo, desejava que não fosse assim. O general George Monck apoiou a pena sobre a mesa e assoprou na carta, para secar a tinta. Leu e releu suas palavras. Sabia que se este pergaminho caísse nas mãos de qualquer um exceto daqueles para os quais tinha sido escrito, todos os seus planos seriam inúteis. Era uma ocasião que não podia perder. A hora se aproximava. Podia senti-lo na medula de seus ossos. Décadas de duras batalhas tinham afiado seus sentidos para saber quando seus inimigos estavam a ponto de fazer um movimento. Seus homens lhe enviaram noticias de que, desde a dissolução do Parlamento, Londres tinha cansado no caos. Para sufocar o levante, o comitê militar de segurança foi restabelecido para atuar como governo interino e Lambert se restabeleceu no posto de major-general sobre todas as forças da Inglaterra e Escócia. Agora os homens de Lambert estavam na Escócia, o que somente podia significar que a chegada de Lambert seria o próximo. Devia buscar o apoio de Monck contra o Parlamento. Um apoio que nunca receberia.

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Com dedos cuidadosos, Monck dobrou a carta e fundiu a cera sobre a tremula chama de uma vela. O destino ditaria seu curso de ação esta noite. Com nada mais a fazer que vê-la entregue, levantou-se de sua cadeira e fez gestos ao homem que esperava além das sombras de seu pátio privado. −Edward, protege-o com sua própria vida. Entregue-a você mesmo em suas mãos. −Prometo que farei ambas as coisas, meu senhor −o mordomo pegou o pergaminho, inclinou-se ligeiramente e foi realizar sua tarefa. Esfregando as mãos no rosto, o general se dirigiu à janela. Seus olhos se voltaram para um oceano invisível. Passariam muitos meses até que visse Edward de novo se o mensageiro fosse bem-sucedido. Houve uma batida na porta, e sem necessidade de virar-se, Monck disse: −Entre! As dobradiças rangeram, recordando ao general que tinha que as lubrificar. −Meu senhor, recebeu duas cartas de Londres. −Londres?− Monck virou-se com o cenho franzido e escuro pela surpresa−. Me de isso. − ele arrebatou as cartas da mão do vassalo, e a seguir lhe fez um gesto para que partisse.Londres? pensou, rompendo ambos os selos. A primeira mensagem que abriu parecia ter sido escrita por uma mão ensanguentada, com as palavras mal legíveis. Ele se voltou para a segunda, esta escrita por John Murray, um dos dois capitães que tinha enviado a Londres. Seus olhos percorreram as palavras, e depois voltou uma vez mais ao primeiro pergaminho, o qual, segundo Murray, pertencia a Connor Stuart. Tinha sido entregue ao capitão por um servo de Wallingford House, o lar de Charles Fleetwood. Depois de lê-lo, ao capitão parecia que necessitava de um exame mais detido.

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Monck estava de acordo e a levou mais perto da vela. Era difícil de decifrar, mas o que havia lido lhe deixou o sangue-frio. Minha querida C, Tudo deu errado – – –. – – – temia se cumpriu. – – – traiu a todos. Eu gostaria de ter sabido – – –. Agora – – – não há nada que possa fazer a não ser pensar em sua morte. Queria que estivesse contigo, – – – . – – – armadilhas da raposa. Estou afe–ou pela flor da Escócia em pranto – – – me salve do beijo do diabo! – – – escape – – – me impede de cumprir com meu maior dever – – –− – – – eu mesmo fui enganado. Me perdoe, porque – – – salvá-la. Assim como eu não podia – – –. Quem há – – – ao – – – guerreiro exposto ao frio de – – –− – – – morreu. E entretanto, vive. Ele vive? Mãe Maria! Podia ser possível? O governador leu apressadamente o resto. Traído. – – – por seu amigo. Não há maior dor. – – – inimigo – – – o que – – – cobiça o prêmio. O general Monck seguiu lendo até chegar ao final. Seu– – irmano, Conno–Stuart. Baixou o pergaminho e levou seus olhos para a janela de novo. Querido Deus, Stuart continuava vivo? Seu estômago se virou ao saber que o assunto estava fora de suas mãos. Não podia desviar-se de seus planos, nem podia perder a oportunidade de que a verdade fosse descoberta. Não agora, quando seus exércitos estavam se reunindo nos quatro pontos cardeais. Não depois de que ele houvesse criado o plano que tinha mantido em segredo durante tanto tempo em andamento. Ele não podia fazer nada, mas havia alguém que podia. Sem tempo a perder, o general pegou sua pluma, rabiscou umas linhas na parte superior da carta de Connor, e depois a selou. Quando terminou, abriu a porta e mostrou a cabeça.

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−Que o capitão Fraser venha aqui!−ordenou a um servente que passava, e a seguir fechou a porta e caminhou enquanto esperava o seu segundo em comando. Quando o capitão chegou, Monck lhe entregou o pergaminho e lhe disse onde entregá-lo. A este mensageiro deu-lhe as mesmas ordens que tinha dado ao primeiro. *** Claire estava tão feliz quando se detiveram em uma estalagem cálida cravada nas colinas do Glen Nevis, que estava tentada a empurrar uma moça risonha fora de seu caminho para poder chegar primeiro em Graham e lhe agradecer. Mas Anne ficou tão satisfeita em lhe ensinar a comportar-se como uma dama que não queria decepcioná-la. OH, um banho, um jantar quente, uma cama! Ela não podia esperar para desfrutar dos três. Decidida a ser educada, sorriu a uma garota morena quando se ofereceu, com umas boas-vindas um pouco mais quente em seus olhos escuros para Graham que para qualquer outro, a levá-los a seu quarto. Suas novas maneiras e sua conduta dócil não tinham nada a ver com Graham, apesar das brincadeiras de Anne em contrário. Ela simplesmente queria ver o que estava perdendo, se é que se estava perdendo algo. No final descobriu que não perdia muito. Graham continuava evitando ficar a sós com ela, e em vez de ruminar, olhava-a com algo parecido à perplexidade avivando seus traços. Entretanto, ela não deixaria que isso a impedisse de praticar suas lições de feminilidade, apesar de que, Por Deus, as odiava. Praticamente correu para Anne pelas escadas, detendo-se só quando Brodie, Angus e Robert detiveram-se no topo do segundo andar. O que era esse maldito engavetamento?Seus músculos estavam gritando pelo bendito consolo da água morna. Tinha que tirar de cima dias de sujeira. Pelas bolas de Satanás! Picava-lhe todo o corpo! Resmungando uma 170


maldição que quase nem se importava se sua irmã escutava, chegou atrás dela e lhe bateu no traseiro, e depois se colocou às costas de Anne para olhar os homens. −Por que pararam? −Não sabemos que caminho seguir − lhe disse Angus, e logo viu além dela a Graham na parte inferior das escadas. Claire virou a cabeça e se encontrou com Graham ainda conversando com a moça morena. Quer dizer, era a moça morena quem falava. Os olhos de Graham estavam fixos na mão de Claire. Sua coceira chegou a um abrupto fim, mas foi o íntimo sorriso doce que lhe deu de presente o que a fez ruborizar-se em três tons de vermelho escarlate. Irritava-lhe a rapidez com que este homem podia levar cada terminação nervosa de seu corpo à vida. Quando a moça − que deveria estar fazendo sua maldita cama naquele momento− lançou para os calções de Claire um olhar de asco antes de voltar-se para o lascivo sorriso de Graham, Claire lutou para recordar suas lições. As damas não correm escada abaixo e estrangulam outras damas, embora sejam prostitutas com um peito com o dobro de tamanho que o seu. −Comandante − Claire o chamou serenamente−, se fosse tão amável de lhe liberar os dedos de sua admiradora e permitir que ela movesse seu traseiro antes que eu o mova por ela, estaria em dívida com você. Seu sorriso se fez maior antes de virar-se para a moça que bloqueava o caminho. −Será melhor que vá, moça. Sua espada é tão aguda quanto sua língua. −Minha língua não é aguda −disse Claire entre dentes quando Graham subiu um par de degraus depois da garota. Anne disparou a sua irmã um olhar de agora-o-que-eu-te-ensinei, e Claire fingiu um sorriso mais agradável quando chegou até ela. 171


−Me perdoe por ter assustado a ambos. Eu… −olhou para Anne tentando adivinhar como seguir−, o que quero dizer é… −perdia sua voz enquanto Graham passou sem olhá-la. Filho da… −Cheira o guisado? −Anne fechou os olhos e inalou o glorioso aroma que emanava da cozinha−. Divino. −Sim −soprou Claire, esquecendo-se de Graham no momento−. Cordeiro. −E pão recém-assado. −OH, esperemos que haja mel para acompanhá-lo −suspirou Claire, subindo as escadas agora livres de obstáculos. Tão ocupada estava com a ideia de uma comida quente e deliciosa que não percebeu a expressão inquietante da garçonete quando Graham fechou a porta com nada mais que Com uma nota de agradecimento mal murmurada antes de mandá-la passear. Como Claire esperava, o jantar foi delicioso. Nem sequer lhe importou que estivesse frio. O cordeiro estava tenro, o pão suave e adoçado com manteiga batida, e a cerveja foram abundantes. Fez todo o possível para não engolir tão rápido quanto Brodie fazia. As damas comiam lentamente, em pedacinhos delicados, e − como Anne lhe recordou antes de sair de seu quarto−, não mastigavam com a boca aberta. Mas… Demônios, estava faminta! E, não era suficiente que seu cabelo fluísse livremente ao redor de sua cara recatada, e em sua boca mais vezes do que na colher? Pensou em que pena que nessa taverna com pelo menos três dúzias de empregadas não tivesse um só vestido extra para por, mas estava de muito bom humor para deixar que isso a incomodasse. Na verdade, ela não tinha vontade de usar um. Como as mulheres respiram com os cordões de seus corpetes tão fortemente atados era algo que estava além de seu conhecimento. A melhor parte da refeição, entretanto, foi a companhia. A risada dos MacGregor era tão sonora quanto letal sua reputação. Anne parecia se 172


dar muito bem com Angus, por isso Claire suspeitou que tinha algo a ver com sua afeição compartilhada pela potente beberagem do Highlander. As damas podem se embebedar? Claire tinha que lembrar-se de perguntar mais tarde. −Desfrutem da carne agora, senhoras −disse Robert. O conde estava esta noite especialmente bonito, com seu cabelo da cor da zibelina* penteado cuidadosamente longe de sua cara limpa e barbeada−. Não haverá nenhuma em Camlochlin. −Por que não? −perguntou Anne. −A irmã de Callum tem aversão a matar animais para comer. −Verdade? −Anne lhe lançou um sorriso suspeito que queimou os olhos de Robert para um rico verde avelã. Quando ele assentiu com a cabeça, os olhos dela se arregalaram−. E o chefe agrada os desejos de sua irmã? −Quase todos −disse Angus, deslizando a palma de sua mão sobre sua boca depois de um arroto. −Um lilás − Brodie recordou a todos e bebeu de sua jarra. Claire sorriu e levantou a vista do guisado para Graham quando Angus insistiu em fazer algo a respeito. −Falarei com Callum −prometeu, e a seguir continuou mastigando. Claire o viu comer, e depois piscou quando ele levantou seu olhar para ela. −Jamie se importa em colher suas flores? −perguntou Anne a todos os homens. Angus sacudiu a cabeça e cuspiu. *zibelina ou marta animal de pelo castanho escuro −Esteve as colhendo durante anos. −Então, por que quer que pare? Parece um marido muito devoto. Estou segura de que sua esposa está muito feliz com ele. −Acaso a felicidade de uma moça deve se comprar com a virilidade de um homem? −todos os olhos se voltaram para Graham, devorando seu pão com um gole de cerveja. Ele olhou para Anne e em seguida para Claire,

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enquanto colocava sua jarra sobre a mesa. A sua direita, Brodie assentia com a cabeça. −O amor não tem preço, comandante − Anne assinalou suavemente, e sorriu. Ele não lhe devolveu o gesto, mas sim deu de ombros e retornou ao seu guisado. −Tem quando um homem tem medo de ser derrotado por uma mulher −disse Claire a sua irmã. Sentindo os olhos sob a capa de Graham nela, voltou-se e lhe ofereceu um sorriso casual−. Não está de acordo? Ele deixou a colher e lhe deu toda sua atenção. −Não, não estou. Um verdadeiro guerreiro não deve temer ser superado por ninguém mais que por si mesmo. Claire inclinou a cabeça e entrecerrou os olhos nele. Que demônios queria dizer isso? E por que a olhava como se ela devesse sabê-lo? Referiase a seu pequeno desabafo pouco antes nas escadas? Sem duvida ele tinha notado a mudança nela durante os últimos dias. Ela mal tinha discutido com alguém. Estava assinalando sua incapacidade para melhorar suas maneiras masculinas? Suas mãos se apertaram em punhos agarrando a colher e o pão. Bom, iria lhe demonstrar que estava errado. −Falam corretamente, amável senhor −com um sorriso breve, ela afastou o olhar dele e levou uma colherada de guisado à boca. Paciência, decoro, modéstia. Ela mordeu a carne e quase se engasgou ao engolir, já que ia acompanhada de seu orgulho.

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Capítulo 21 Chegou a hora de que se saiba a verdade. Amável senhor?Graham teria rido da contida resposta de Claire se soubesse que diabos lhe passava. Não tinha ideia do que dizer para provocar a esses olhos gloriosamente azuis, ou por que lutava com tanto rigor para apagar o fogo. Claire Stuart era muitas coisas, mas dócil não estava entre elas. Desde que deixaram Loch Tay fazia de tudo menos uma reverência quando algum deles dirigia-se a ela. Ela estava tranquila, serena e, para sua maior preocupação se possível, agradável. Recordou sua humilde docilidade quando anunciou que queria acompanhá-los a Edimburgo. Ela era uma ardilosa pequena víbora que faria o que fosse para conseguir o que queria. E claramente ela queria algo. O que mais preocupava a Graham, entretanto, era que provavelmente ele lhe daria tudo o que ela desejasse. Não eram os olhares modestos que lhe dava de presente cada vez que o surpreendia olhando-a, ou a forma em que sua cabeleira exuberante de cor amarela pálida caía sobre seus ombros, lhe dando o aspecto de uma ninfa selvagem capturada, 175


o que lhe tentava a clamar sua lealdade aos quatro ventos. Não, era a batalha que lutava consigo mesma em vez de com ele o que a fazia tão irresistível. Era o que lhe levou a zombar dela. −Quero lhe dizer, Claire… −Ele esperou que sua colher se detivesse em sua boca e ela levantasse os olhos para ele de novo antes que ele sorrisse− que eu gosto desta mudança em você. Você foi especialmente agradável recentemente – ele observou a provocação que sacudia através de seu olhar, e aprofundou seu sorriso. Ah, ali estava seu diabinha. −Quando não há homens ao redor que possam supor uma ameaça ela abaixou, rechaçando seu golpe−, vai me achar muito tranquila e serena. Alegra-me que lhe agrade – ela até sorriu para provar. O que agradava a ele era sua língua viperina e a força de seus olhos que prometia um inferno de luta… e entrega. −O que me agrada ainda mais − ele respondeu com frieza−, é sua confiança em que estou aqui para protegê-la, e não sou uma ameaça para você – ele quase sorriu ante quão fácil era que pegasse a isca. −Me proteger? Demônios! Estava total e completamente arrebatada a ponto de saltar sobre ele. −Por que você insufri… − Ooh! − ela gritou e olhou para sua irmã, que encobriu um beliscão de ardência com um tapinha carinhoso no braço de Claire. Quando Claire ficou em pé, Anne lhe dirigiu uma olhar de advertência. Então, a pequena e inocente Anne também estava metida nisto? Graham sacudiu a cabeça para elas. Moças. Uma contra você para conseguir o que quer é algo muito ruim. Com duas, um homem não tem absolutamente nenhuma chance. Mas Claire estava perdida nesta batalha. Ou não?A inclinação audaz em seu tenso sorriso ao desculpar-se dizia o contrário.

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Graham a observou retirar-se desfrutando da vista. Quando se dirigiu às portas da taverna em lugar das escadas, saltou de sua cadeira e correu atrás dela. Entrou na suave penumbra do crepúsculo já com a ponta de uma lâmina fina e forte em sua garganta. Olhando por cima de sua brilhante longitude, encontrou-se com o olhar duro de Claire. −Proteja a você mesmo. −Claire − Graham levantou a mão para afastar sua espada. Ela bateu em sua mão com um golpe agudo com a parte plana da lâmina. Seus olhos jogavam faíscas para ela, mas não moveu nem um músculo. −Deixemos uma coisa perfeitamente clara, Highlander − ela disse, levando o fio da espada ao seu pescoço de novo−. A covardia não está em minha natureza, e me nego a fazê-lo nem por um instante apenas para te agradar. Agora, se proteja como eu faço para que não o matem. Para me agradar? Mas que demônios… Ele não lhe deu mais tempo para refletir sobre suas palavras, pois girou sua espada em uma dança mortal diante de seus olhos. Graham deu um salto para trás, com olhos incrédulos, pois não acreditava que o fosse golpear. −Claire, abaixe a espada antes que eu… Ela saltou e o feriu no antebraço. Sua boca mostrava um sorriso sem arrependimento. Encobertos por uma mecha de cabelo loiro, seus olhos azuis brilhavam. −Antes que faça o que? Fugir? Ele a olhou com fogo saltando em seus olhos, e com o sangue bombeando forte e rápido. A ideia de lutar de verdade contra ela o preocupava e excitava ao mesmo tempo. Sabia que devia conceder qualquer ponto que ela quisesse alcançar. Não queria machucar a ela, ou ao Robert, mas, por todos os demônios! Estava tão condenadamente atraente aí em pé, pronta para lutar contra sua espada. Ele tirou sua poderosa claymore da bainha e rechaçou sua pequena arma longe de seu rosto. Imediatamente, ela jogou a espada sobre seu 177


ombro, e agarrando o punho com ambas as mãos, voltou-a uma vez mais a sua garganta. Esta vez lhe deu mais força uma cutilada, e o metal se chocou contra o metal em um golpe que rangeu e a fez cambalear uns passos atrás. Ela sorriu, acendendo o sangue nas veias de Graham até arder. Avançou. Ela afastou uma mão de seu punho, estendendo o braço para manter o equilíbrio. Seu claymore cortou o ar onde ela tinha estado menos de um minuto antes. −Foi uma boa aluna − Graham comentou, afastando seu olhar penetrante quando ela se deslizou um pouco a sua direita. −Sim, a melhor de Connor −ela lançou um golpe, que ele parou justo antes que lhe fatiasse o ombro. Apanhando sua espada sob a lamina, se girou e sorriu quando ela agarrou a sua arma. Mas a empurrou até fazê-la perder o equilíbrio o suficiente para dar outro duro golpe que a fez cair sobre um joelho. Colocando a ponta da espada sob seu queixo, a fez olhar para cima para lhe mostrar suas covinhas. −Renda-se agora e eu esquecerei que levantou a espada contra mim. Ela arqueou uma sobrancelha como se ele fosse o maior imbecil de toda Escócia, cuspiu o cabelo de sua boca e com um chute acertou limpamente os dois tornozelos dele. Graham caiu como uma árvore derrocada. De costas, olhando para cima bem a tempo de ver a espada dela brilhar acima de sua cabeça. Deu a volta para um lado, assombrado ao pensar que ela verdadeiramente queria golpear sua cabeça. Por sorte, ela não o fez, e deu um passo para trás lhe dando um tempo para ficar em pé. Bom, pensou ele, jogando para trás a boina e colocando-se de frente a ela uma vez mais, se isto ia a ser uma briga séria… Ela desviou dois golpes mais poderosos que fizeram com que seus braços tremessem visivelmente, mas não deu recuou. Os dois avançaram, chegando cara a cara em um me choque no qual saltavam faíscas.

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Graham olhou profundamente em seus olhos, com a respiração pesada fazendo tremer várias mechas de cabelo em seu rosto. Demônios! Excitava-o além do que podia resistir. Ele queria fazê-la bradar sua rendição. Agarrou-a pelo pulso com sua mão livre, e retorceu o braço com qual levava a espada até levá-lo às costas e a puxou contra seu corpo duro. Sua boca desceu sem piedade: aberta, insaciável, devorando-a com sua língua afundada em sua boca. Ela resistiu brevemente, o fazendo arder com ainda maior paixão. Deixaram cair suas espadas juntos. Seu braço serpenteava para baixo ao redor de sua cintura para arrastá-la ainda mais perto, mais profunda contra a rigidez de sua ereção. Ela abriu a boca em sua boca faminta e liberou seu pulso para agarrar seu rosto entre as mãos. Ele sabia que ela responderia ao seu ardor com o mesmo zelo com que uma vez a teve, mas quando ela moveu os quadris para acariciá-lo mais plenamente contra seu nicho quente, ele perdeu o controle. Levantou-a do chão, a virou e bateu suas costas contra a parede exterior da taverna. Agarrando-a pelas nádegas em um aperto forte, sua palpitante excitação se ergueu cada centímetro sobre ela, amaldiçoando a roupa que se interpunha entre eles. Grunhiu grave em sua garganta com a necessidade que sofria dela e rompeu o beijo. Nada tinha que ser dito entre eles. Ambos queriam o mesmo, embora Claire não entendesse o que era. Ele queria mostrar para ela, ensiná-la… lenta e cuidadosamente. Queria esquecer a existência de Robert. Sua expressão se escureceu quanto este pensamento cruzou sua mente. −O que é? −a respiração tensa de Claire empurrava seus seios com força contra o peito dele−. O que tem de terrível em mim que mantém a distancia a um malandro diabólico? Ele a olhou com carinho enquanto cobria seus dedos com os dele e os beijava. 179


−Não há nada de terrível em você, Claire. É perfeita. Ela parecia tão surpresa e satisfeita que ele começou a sorrir. A voz rouca de Angus o deteve. −Por todos os infernos, outra vez não! Sem soltar a mão de Claire de entre as suas, Graham voltou à cabeça para ver seu velho amigo sacudindo a cabeça para ele. −É injusto com estas moças − se queixou Angus apesar do olhar tenso de seu comandante−. Rob está lá dentro com a prometida de outro homem, e você aqui com a dele. −Angus! −disposto a empurrar o corpulento guerreiro para o lado de dentro antes de dizer outra palavra, Graham se separou de Claire, mas se deteve e seu coração ficou apanhado no peito quando ouviu sua voz. −Do que está falando? −ela passou ao lado de Graham em seu caminho para Angus, com pisadas rápidas de advertência−. Não sou a prometida de Robert. Angus levantou seu olhar compassivo dela e disparou um olhar arrependido para Graham pelo o que estava a ponto de fazer. O que Graham e Robert deviam ter feito subúrbios de Edimburgo. −Sim, moça, é. Seu irmão desejou que fosse assim e não se pode desfazer. Ela riu, e Graham fechou os olhos. Ele não queria que ela descobrisse desta maneira. Deveria ter lhe dito. Quando abriu os olhos outra vez foi para dirigir um olhar assassino a Angus. Não se deu conta de que Claire tinha deixado de rir e estava o olhando. −Graham? −perguntou em voz baixa−. O que é essa tolice que ele está dizendo? −quando ele não respondeu, ela correu para ele e apertou seu braço. Pânico, incredulidade, raiva… tudo isso conjugado em sua bela expressão−. Não é verdade. Me diga que não é verdade! −Claire… −Não! −ela se separou dele como se o tocar doesse−. Meu irmão nunca me prometeria a um “cabeça redonda”! Monck lhe disse isso, não é? – ela girou-se para Angus−. Ele mente! 180


−Isso não importa, Claire − Graham falou em voz baixa atrás dela−. Monck o decretou, e Robert não desobedecerá à lei. Lentamente, ela se virou sobre seus calcanhares para enfrenta-lo, com os olhos acesos com desafio… e dor. −E você acha que eu obedecerei?Eu sou apenas uma mulher que deve fazer o que lhe dizem que faça os homens que a governam? Homens que querem me fazer acreditar que meu irmão me traiu. −Não – ele se aproximou dela, mas ela se afastou. −Sabia e não me disse −seus olhos brilhavam com lágrimas que se negava a derramar−. Vocês riam todos juntos a noite enquanto Anne e eu dormíamos? Quando Graham abriu a boca para responder, ela lhe deu uma dura bofetada no rosto. Sem esperar sua reação, ou inclusive preocupar-se com ela, virou-se, agarrou sua espada do chão e entrou na taverna. Graham desfechou em Angus um último olhar letal e foi atrás dela antes que matasse a alguém. Provavelmente ao Robert. Claire não tinha intenção de matar ao conde de Argyll. Não ainda. Ela gostava de Robert. Apenas precisava convencê-lo de que se obedecesse à lei nisto, ela se veria obrigada a lhe arrancar o coração e joga-lo fora como cão sem dono. Ele era um homem razoável e inteligente. Ele a escutaria. Ela abriu a porta, puxando seu braço livre quando Graham apareceu ao seu lado e tentou detê-la. Entrou na taverna e olhou para a mesa onde sua irmã se sentava ao lado do conde sorridente. Querido Deus, o que Anne pensaria de tudo isto? Odiaria Robert por te-lo escondido. Ele o merecia, disse-se Claire. Mas a pobre Anne… Pelo traseiro de Satanás! A quem estava prometida sua irmã? Pensou em perguntar ao Graham enquanto se aproximava da mesa, mas não queria falar com ele nunca mais. Quando Robert a viu aproximar-se com a espada apertada em seu punho de um lado e Graham em seus calcanhares, ficou de pé. 181


−“Cabeça redonda” − Claire cuspiu quando chegou até ele−. Que encantos você tece para minha irmã com suas palavras bonitas e seus olhos encantadores? −Claire! − Anne saltou de sua cadeira e ficou diante dele−. O que houve? Afaste a espada. −Não − Claire disse, olhando fixamente a Robert sobre a cabeça de Anne−. Conte para ela. −Me contar o que? −insistiu Anne, fazendo que sua irmã a olhasse de novo. −Que tem a intenção de casar-se comigo enquanto a corteja! Tem intenção, mas não será assim. Entendeu “cabeça redonda”? Eu te matarei primeiro. −Não é minha intenção… −começou Robert, poupando Anne. Ela o deteve e pôs a mão na frente de Claire para deter sua espada. −Irmã, Robert não deseja isto mais que você, mas foi Connor que assim o decidiu. Nosso irmão sabia… −suas palavras se apagaram à medida que a expressão de Claire se tornava assustadoramente mais escura. −Faz quanto tempo que você sabe Anne? −Há algum tempo − Anne admitiu, quase aliviada de finalmente dizer a sua irmã a verdade−. O general Monck me disse isso quando me levou a Edimburgo. Era amigo de Connor, Claire. Ele é nosso amigo. −Já vejo −o sorriso de Claire era tenso até o ponto de ser doloroso−. Bom, isso muda tudo, não é? Agora devo concordar em entregar todos os meus títulos e terras a um “cabeça redonda”… o qual meu irmão, um rebelde realista, escolheu para mim segundo um governador “cabeça redonda” que diz ser nosso amigo. Fui tola em desconfiar do general, apesar de ser um plano verdadeiramente engenhoso para pôr fim à rebelião. Atrás dela, Graham encontrou com o olhar de Robert. Teria sido um plano engenhoso. O que provas tinha dado Monck de ser aliado de Stuart? Seus homens foram atacados. Por Claire. Teriam se enganado com

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o Buchanan?Este era o plano do Monck durante todo este tempo? Unir uma irmã ao novo líder da rebelião e à outra a um Campbell presbiteriano? −E a quem te prometeu o general? −perguntou Claire a sua irmã. Quando Anne lhe contou seu compromisso com James, Claire dirigiu seu olhar mordaz para primeiro Robert e depois para Graham−. Agora fica claro por que o acusam de semelhante traição −sem lhes dar a oportunidade de responder, adiantou-se e tomou a mão de sua irmã−. O general Monck mentiu para você, tal como fez com o Connor. Venha. Vamos −ela arregalou os olhos quando Anne afastou a mão. −Está louca, Claire? Para onde iremos? Eu não posso lutar como você. −Ninguém se vai a nenhum lugar − Graham deu um passo adiante. −De volta com James −Claire o ignorou−. Com o verdadeiro amigo de Connor. Graham se dirigiu a ela com um olhar de descrença que logo se transformou em ira. −Não se aproximarão de Ravenglade. −Por que não? − Claire o desafiou, com as mãos nos quadris−. James não é mais culpado de trair Connor que você. Agora saia da frente e nos deixe ir. −Eu não vou −Anne se respaldou atrás do peito de Robert. Seus olhos grandes e úmidos rogavam a sua irmã que tampouco ela fosse−. Por favor, não vá. Não deixaremos James com vida. A coluna vertebral de Claire ficou rígida. Empurrou Graham fora de seu caminho, olhou a sua irmã e depois baixou os olhos ao passar ao seu lado. −Você me insulta Anne. O silêncio caiu sobre a mesa enquanto viam Claire subir as escadas e desaparecer em silencio ao virar a esquina. Quando ela se foi, Graham se voltou para Robert. −Venha comigo. Temos que falar.

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Capítulo 22 Tudo o que você deseja está em minhas mãos, e lhe darei livremente. Rob seguiu Graham através dos juncos sem hesitar. Tinham passado por muitas coisas juntos nestes dois últimos anos, o que fortaleceu sua amizade. Apesar da gravidade do que queria falar com Robert, Graham sentiu que sua expressão se suavizou ao pensar em seu amigo. Tinha sentido simpatia por este moço desde o dia que o conheceu. Robert Campbell tinha o coração de um cavalheiro e a coragem de mil guerreiros. Ele fazia o que acreditava que era correto, sem se importar com o custo. Um traço muito nobre, e pelo qual teve que pagar com sua pele mais de uma vez. Mais uma razão para que a admiração de Graham crescesse. Nunca pediria a Robert que abandonasse seus ideais… que sacrificasse o que ele acreditava que era honrado. Entretanto Graham queria assegurar-se de que seu amigo tinha todos os detalhes antes de escolher de que lado ficar Ao parar ao lado da lareira da parede norte, Graham se virou e olhou Robert nos olhos, algo que não tinha podido fazer desde que saíram de Edimburgo. −E se Claire tiver razão sobre Monck? Para surpresa de Graham, Robert assentiu. −Eu admito que uma ideia tão tortuosa não tenha passado pela minha cabeça. A determinação de planejá-la e levá-la até o fim requer um excelente farsante. 184


Graham concordou. −Com Connor morto, quem poderia lutar contra ele? Os Campbell não, pois conseguem uma Stuart da família real para seu clã. Buchanan tampouco, inclusive se ele só o quer são as terras de Connor. Ele não pode questionar abertamente. Enquanto o que assinalava Graham resultava evidente, Robert se voltou para a lareira. Seus olhos se iluminaram, capturando os abrasadores dourados, azuis e verdes das chamas. −Nosso matrimônio uniria ambas as facções. −Sim − Graham olhou através do corredor, para o alto das escadas−. A vitória fácil de um general brilhante sobre a rebelião – somente que Claire nunca se submeteria, e todos eles pagariam o preço. Robert afastou seu olhar de Graham. −Mesmo se tudo isto for verdade, há uma consideração de importância ainda maior para mim – ele voltou a cabeça e se encontrou com o olhar de Graham em seu todo−. Você a quer? Por um momento, Graham, simplesmente ficou olhando. A resposta chegou imediatamente a seus lábios, mas não podia falar. Robert devia saber a verdade, mas a verdade era muito assustadora para admiti-la em voz alta. −Isso… −Graham se remexeu e afastou o olhar−. Bom, isso não tem nada a ver… Eu a… aprecio. Quanto Graham mais gaguejava mais amplo era o sorriso de Robert, até que Graham franziu o cenho. −Não fingi sobre isso. Sorrindo, Robert golpeou o ombro de seu amigo. −Sim, isso foi dolorosamente evidente para o resto de nós que sofremos com seu celibato. Maldição, Graham! −disse, ficando sério de novo−. Por que não me disse isso na primeira vez que lhe perguntei?Eu teria retornado imediatamente para Edimburgo. −Eu… bom, eu não estava… Quero dizer, eu… Robert se pôs a rir.

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−Tem um medo de morte, não é? − aquilo não foi uma pergunta−. Não tem a menor ideia de como fazer frente a seu próprio coração. Graham lhe lançou um olhar tímido, tirou a boina da cabeça e passou a mão pelo cabelo. −Meu coração nunca antes esteve envolvido. Robert lhe deu uma palmada no ombro. −Você vai se sair muito bem, guerreiro. Ela te fará feliz. −E a lei? Robert deu de ombros. −Que seja a lei não significa que seja certo. Os MacGregor já demonstraram isso. Sim, o coração de um cavalheiro, pensou Graham, e sorriu. −Isso fizeram irmão. Um brilho de cabelos claros ao longo das escadas lhe chamou a atenção e se virou para ver Claire dirigindo-se diretamente a eles. Com um pequeno saco num ombro e o cabelo recentemente trancado sobre o outro, parecia estar pronta para uma viagem. −É sua −Robert se inclinou e lhe sussurrou, renunciando a suas pretensões por ela. A boca d Graham se curvou formando um sorriso lento. Ainda não era. −Minha irmã decidiu pôr sua confiança em você − a voz de Claire era tão rígida como sua coluna vertebral quando parou na frente de Robert−. Se ela for prejudicada sob seu cuidado antes que eu volte por ela, o farei responsável. E você… −abriu seus olhos azuis ardentes para Graham depois−. Se vier atrás de mim, o matarei. Ela não ficou o tempo suficiente para ver a faísca selvagem que iluminou seus olhos como em um desafio, mas passou por ele e se dirigiu para a porta. É claro, que ele ia atrás dela. Tinha estado perseguindo-a desde o primeiro dia em que fixou seus olhos nela. Agora que estava livre de novo, tinha intenção de reclamá-la antes de qualquer outro. Sabia que a tinha traído, mas poderia ganhar sua confiança de novo. Iria pouco a pouco e 186


ganharia seu coração, como se deve ganhar o de uma dama. Demônios! Sabia o suficiente a respeito das regras cortesãs sobre como cortejar pelo Robert. Não seria absolutamente difícil, pensou, afastando as cadeiras de seu caminho enquanto a seguia até a porta. Graham queria estrangulá-la… e depois que a apanhasse, o faria. Ele a tinha seguido aos estábulos, utilizando todo seu arsenal para convencê-la de que cavalgar até os braços de James Buchanan, fosse ele inocente ou não, criaria uma ameaça muito mais sombria para seu querido amigo que o laço de qualquer general. Evidentemente, ela não acreditou, pois se dirigiu imperturbável para seu cavalo, saltou sobre ele sem sequer olhá-lo, e trotou para a escuridão. Enquanto montava e saía atrás dela, ficou evidente para Graham que ia pelo caminho errado. Ganhando velocidade, chegou até sua cauda, advertindo-a para diminuir a velocidade. Faixas grossas de nevoa fria rodavam pelo leste, já aferradas às copas das árvores absorvendo a escassa luz da lua crescente. Logo, a névoa úmida deslizaria para baixo como um véu de gaze, impedindo a visão de Claire. Não era uma Highlander. Não sabia como mover-se na névoa. Cavalgando por seu flanco esquerdo, ele tomou suas rédeas, depois jogou a mão para trás e franziu o cenho enquanto ela lhe dava um golpe com sua espada. Apertou os dentes, jurando que se ele punha as mãos na espada, fatiaria sua formosa garganta com ela. Não lhe parecia errado que ela empunhasse uma arma, mas estava cansado de que a apontasse para ele! Se um homem fizesse o mesmo, Graham o teria partido em dois na primeira vez. Esperando que ela não tentasse cortar sua cabeça, tomou de novo as rédeas enquanto atravessavam a névoa espessa. Puxou forte, fazendo-a cambalear-se para diante ao parar abruptamente seu cavalo. Ela se virou,

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claramente tentando não lhe causar ferida alguma, ele percebeu, quando sua lâmina afiada cortou o ar a um braço de distância. Sem correr riscos, ele arrebatou o punho da espada de seus dedos e jogou a arma à escuridão. A blasfêmia que ela sibilou picou seus ouvidos, junto com o golpe que lançou em seu lóbulo. Maldição, este pequeno demônio tinha que ensinar Rob a utilizar os punhos! Esticou a mão para ela, mas ela escapou de seu controle e deslizou da sela, o amaldiçoando enquanto fugia na direção que havia jogado a espada. −Reze para que não encontre minha espada, porco. Porque tenho toda a intenção de te cortar o... Ao resto do juramento de Claire terminou quando levantou o olhar e não viu nada mais que pequenos brincos de névoa prateada girando ao redor dos troncos das árvores. Ela deu a volta−. Troy…? −Onde diabo estava seu cavalo−−. Graham…? −sentiu um calafrio na nuca enquanto seus chamados ficavam sem resposta. Deu um passo adiante e logo se deteve, sem saber que caminho tinha que tomar−. Graham! −gritou agora mais furiosa com ele por tê-la deixado sem armas. Um som a sua direita a sobressaltou e ela procurou sua adaga. Era Graham? A névoa era cada vez mais densa. Mal podia ver a pequena planta que tinha enfrente dela. −Fique comigo − o choque que levou ao ouvir a voz gutural de Graham em sua orelha retardou por um momento seus reflexos. Um momento era tudo o que ele necessitava para tomá-la pelo pulso e deslizar o outro braço por sua cintura−… e eu te ensinarei a lutar mesmo quando estiver cega − não o importava o que acontecesse. Libertando-se de seu abraço, e observando que ele tinha tirado a adaga de seus dedos, enfrentou-o, e pela primeira vez, ela se afastou. −Sabia que Monck tinha me prometido a uma vida de obediência ao partido protestante dos Campbell, e não me contou isso −se afastou mais um passo enquanto ele avançou através da névoa que os separava. −Sim, e quase me destruiu. 188


Surpreendida pela angústia em seu reconhecimento, Claire lutou para não perder a cabeça. Ele havia lhe dito essa noite na estalagem que sua vida não era dela, e que lutaria por devolver-lhe se fosse contra qualquer um exceto ele. Robert. Seu amigo. Ele havia resistido naquela noite, e todos os dias desde então, já que estava prometida a Robert. Ele a tinha traído. Mas tal lealdade para seu amigo… Connor a teria admirado… e a havia ensinado a admirá-la. Pelo amor de Deus! Não podia culpar Graham por tão nobre qualidade. Ela aproximou-se, banhando-se em sua sombra e seu calor embriagador. Era a tentação encarnada. Mesmo o véu de escuridão não diminuía sua potente virilidade masculina. Pelo contrário, despertou a consciência de seu aroma, seu som, sua proximidade cem vezes mais. −Você não se casará com Robert − ele prometeu, rodeando-a com seus braços e atraindo-a para seu abraço−. Juro que o único homem ao qual se renderá… serei eu.

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Capítulo 23 Rendição. Poderosa palavra, e nenhuma mais doce para ouvidos de um verdadeiro guerreiro. O silêncio do bosque amplificou sua respiração entrecortada. A escuridão dava vida a cada estremecimento dos músculos sob os dedos de Claire. Seu abraço pulsava com o abandono de sua resistência, e ela respondia na mesma medida. Ela não pensava. Não importava. Apenas o desejava. Mas ela nunca foi de jogar a toalha sem lutar. −Não serei eu quem vai se render malandro − ela suspirou contra seu queixo. −Serei eu então, guerreira? −Isso depende do que queira. −A você – ele respondeu sem vacilar. O tato de sua mão deslizandose por sua longa trança minou seu último resquício de vontade−. Só você. Ela tinha certeza que ele sentiria seu coração pulsar com força nos lábios enquanto sua boca descia sobre ela. Ela amava beijá-lo. Cada vez que o fez, tinha corroído sua resolução. Ele tinha o direito de ser arrogante. Porque, quem podia resistir a ele? Seus lábios acariciavam e incitavam enquanto sua língua explorava com uma curiosidade atrevida. Suas mãos grandes e largas riscaram um caminho ardente ao longo de suas costas, e depois se fecharam ao redor de suas nádegas. Mordiscou seu lábio inferior, por cima de seu queixo, e sugou os espaços sensíveis de seu pescoço até que ela pensou que gritaria pedindo por mais.

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Encorajada por seu desejo primário acariciou seu peito, desfrutando de cada curva bem definida. Tomando seu rosto entre as mãos, empurrou-se para ele ainda mais o convidando a tomá-la por completo. Ele grunhia como uma fera a ponto de violar a sua fêmea, levando as mãos a sua túnica para rasgá-la no meio. Inclinado sobre ela, apoderouse de sua cintura com um braço e passou a língua por seu mamilo ereto. Sua boca faminta a fazia retorcer-se e pegar em suas mãos punhados de seu cabelo quando ele fechava os lábios ao redor dele e começava a chupar. O sabor dela… sentir seu tremor na boca o punha tão duro que doía. Tirou o plaid e gemeu de alivio ao liberar seu pau rígido apontando para cima de todo o obstáculo. O agarrou e moveu sua mão de acima para baixo sobre a carne quente para acalmar seu desejo. Mas nada podia lhe satisfazer agora exceto ela. Tirou-lhe o cinturão e o puxou dela enquanto desabotoava os calções. Segurando-a com força, dobrou os joelhos e levou a boca ao cume de sua pélvis. Lambeu e beijou suas coxas enquanto puxava os calções dela até os tornozelos. Ela se agitava em seu abraço quando ele a separou com os dedos e passou a língua sobre a protuberância em plena ebulição. Jogando a cabeça para trás, Claire suplicou a todos os Santos que a perdoassem por encontrar tal êxtase profano em seus ternos cuidados. Mas quando seu tato se tornou mais pecaminoso, chupando-a com a boca, percorrendo assim a língua por toda sua plenitude, soube que estava condenada. Abrindo caminho com os dedos pelos cachos úmidos e escuros, a persuadia mais e mais profundamente, como a onda após o estremecimento, envolvendo-a em espasmos. Ela desabou em seus braços e se deixou levar pelas consequências do êxtase enquanto ele a deitava sobre as folhas úmidas. Seus músculos tremiam com a energia gasta como nunca antes havia experimentado. Seus pulmões soltavam sopros entrecortados e curtos de ar frio. Mesmo depois

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De intermináveis horas de exercício, ou lutando contra o peso esmagador da espada de um homem, nunca havia se sentido tão viva. Ela poderia ter morrido feliz neste lugar se seu traseiro não estivesse tão frio. Seus olhos se abriram de repente e arqueou o traseiro no ar arrastando os calções para cima. −É uma pena que mal possa se ver – Claire escutou sua voz sobre ela e se sentou rapidamente, enquanto ele já estava sentado, apoiando as costas contra o escuro contorno de uma árvore larga. A escuridão era uma boa coisa, já que ele tampouco podia ver o fogo em suas bochechas. −Você rasgou minha túnica −não podia pensar em nada mais que dizer. Do que se podia falar depois de que um homem fizesse isso? E o que aconteceria agora? Iria se esquecer dela agora que seu jogo de caça e caçador terminou? −Pode usar a minha. Ele ficou em silencio por um momento, e em seguida lhe deu sua túnica. Isso significava que estava sentado a dois centímetros dela com o torso nu. Como demônios ela poderia levantar-se estando tão extremamente exausta? −Obrigado − ela disse, aceitando sua oferta. O aroma de bosque, pele e de suor bombardeava seus sentidos quando deslizou sua túnica sobre a cabeça. Era enlouquecedora a delirante felicidade que ela sentia envolta em seu aroma de almíscar. −O que queria dizer quando disse que se reprimia por me agradar? Seus ombros se espremeram ao redor das orelhas ao por a túnica. OH, por que tinha que tirar isso agora? Ela não queria falar de como se esforçou em comportar-se como uma dama - e tinha fracassado miseravelmente−, para que a achasse mais de seu agrado. −Você me escutou mal. Eu disse que desejava te matar. Sentiu as mãos dele a abraçando pela cintura e suas nádegas levantando do chão. 192


−Diga-me – ele perguntou isso, levando-a sobre suas coxas e com os braços ao redor das costas dela. OH, que bruxaria ele possuía nessa defumada e sexy voz de barítono, no calor abrasador de sua respiração em sua nuca, que a persuadiu a lhe contar todos seus segredos? Talvez fosse a maneira que ele a agarrava, vencendo a dificuldade entre eles, o que lhe dava vontade de compartilhar muito mais. −Não vou lhe contar – ela respondeu friamente, desfrutando secretamente da sensação de ser segurada tão possessiva por ele. −Você gosta de me desafiar, moça obstinada. −Sua arrogância despreocupada me tenta frequentemente a fazê-lo. Ele se pôs a rir, o que provocou sacudidas nas costas dela. −Uma língua tão afiada em uma mulher tão linda. −Você me acha bonita? −quando se virou em seus braços, o quadril roçou sua ereção constante por debaixo de seu plaid. Bufando agudamente, ela rapidamente se levantou um centímetro no ar. −Aí está a prova. Demônios, não podia discutir esse ponto. −Você não me acha muito masculina então? −Como eu poderia…?− fez uma pausa, e quando voltou a falar, podia ouvir o sorriso em sua voz−. Procurou se parecer mais com sua irmã para me agradar. −Não seja absurdo − sua coluna vertebral ficou rígida contra seu peito−. Não me importa se o agrado ou não. −Mas me agrada −o timbre de sua voz sensual em sua nuca provocou que os dedos de seus pés se curvassem. Com um ligeiro puxão, apertou-a ainda mais contra todos os seus ângulos duros−. A silhueta atrevida de seus quadris me agrada −movendo seus quadris, apertou sua excitação potente contra o suave vulto de suas nádegas. Ele gemeu, passando os dentes em sua nuca−. Sim, me dá vontade de te fazer todo tipo de coisas perversas −Claire estremeceu em seus braços ante a lembrança

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dele dando prazer a si mesmo no lago invadindo seus pensamentos. Ela se perguntou se poderia ser capaz de lhe provocar tal satisfação. Quando ele passou suas grandes mãos sobre seus seios, seus mamilos se esticaram. −Que tipo de coisas perversas? −o contato provocou que perguntasse. Ela sentiu que ele ficava ainda mais duro contra suas costas, sentiuo pulsar e tremer com desejo, o que fez que seu próprio corpo doesse diante da necessidade. Ele beliscou os mamilos dela com um cuidado delicioso, rodando por debaixo do tecido de sua túnica entre seus dedos enquanto a beijava no pescoço. Em vez de dizer-lhe o demonstrou, estendendo suas mãos por seu ventre e sob seus calções. Tomando-a pelos quadris, empurrou a roupa ajustada sobre suas nádegas e trabalhou lentamente por suas pernas, enquanto suas mãos se deleitavam ante a sensação de sua pele nua. −Tire as botas − ele ordenou em um sussurro irregular. Ela obedeceu muito excitada para incomodar-se com o rubor. Colocada no abraço de suas coxas duras e seus vigorosos e fortes braços, a faiscante consciência de sua feminilidade se apoderou de ela. Ao diabo ser uma dama, ela pensou enquanto ele a ajudava a despojar-se dos calções. Ele a fez sentir como uma mulher, e ela adorou. Sua túnica, ou melhor, a dele, foi o seguinte. A névoa refrescava sua pele nua. Na escuridão, o delicado risco de seus dedos por seus braços, por sua clavícula queimavam a pele dela. Ela podia ouvir sua respiração agitada e tensa detrás dela enquanto seus dedos se fechavam ao redor de sua mandíbula. Voltando o rosto para encontrar-se com o seu, apanhou a respiração irregular dela com um beijo lento e intoxicante. −Sua boca atrevida me agrada – ele sussurrou em seus lábios separados, e logo desceu novamente. 194


Entrou em sua boca com a língua, acariciando-a, saboreando-a como um animal faminto. Quando tirou a língua para a sua por resposta, seus músculos se agitaram. Levantou-a em seus braços, girando seu corpo até encontrar o dele e tomando suas coxas nas mãos, abrindo suas pernas na altura de seu quadril. Claire o agarrou pelos ombros enquanto ela se sentava montada nele. Deveria sentir-se inquieta, até assustada, diante do que estava fazendo com ela… ou estava a ponto de fazer. Mas suas mãos deslizaram-se por suas coxas, empurrando-a para trás para levá-la mais perto de seu penis duro, o que a fez retorcer-se para aproximar-se ainda mais. Um lado atávico e lascivo dela queria acariciar cada centímetro erótico de seu ser. Quando apanhou seu mamilo entre os dentes, ela arqueou as costas, lhe oferecendo mais. Chupou-a com força, provocando pequenos ofegos fortes de sua garganta. Pôs-se de joelhos para apoiá-la e tirou seu plaid. Ela queria olhá-lo, ver o fogo que a consumia em seus olhos. Mas a ausência de um sentido afiava o resto. Passando suas mãos por seus braços e seu peito, ficava entusiasmada por todas as nuances de seus músculos esculpidos. Baixou a mão entre eles e seguiu, o sentindo tirar seu plaid. Ele pegou sua mão e cobriu seus dedos com o peso sólido de sua ereção. Ela não se afastou. Apesar de que seus dedos parecessem pequenos, sentiu uma sacudida momentânea de medo diante da ideia de coloca-lo em qualquer lugar exceto em sua mão. Maravilhou-se com a extraordinária combinação de seda e aço. Não havia uma espada forjada de maneira tão deliciosa como aquilo. Com valentia, porque ela não era das que se aproximam de algo na vida com humildade, acariciou sua longitude, esfregou a ponta do polegar sobre a ponta de seu inchaço, explorando, o apertando até que quase explodisse fora de seu férreo controle.

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−Venha aqui − sua voz era áspera, um matagal gutural de pedido e necessidade. Agarrou-a pelos quadris com uma mão, e com o pau na outra, deslizou a ponta úmida sobre seu nicho quente. Claire o agarrou pelos ombros enquanto uma força quente e poderosa a açoitou em seu interior. Instintivamente, ela estendeu seus joelhos, desejando-o, necessitando-o para apagar as chamas que ameaçavam consumi-la. Ela quase se zangou com ele quando sentiu seus dedos deslizarem por cima de seu escuro buraco, mas seu tato era a sedução definitiva. Acariciava-a e a incitava, e se inundou em suas dobras firmes até que ela cambaleou molhada e pronta em sua mão. Ele a penetrou lentamente, rompendo a fina barreira de sua doce virgindade com movimentos longos e tortuosamente medidos. Ela gritou e tentou liberar-se de seu abraço, mas ele a segurava firmemente, arrastando seus lábios sobre os dela e lhe sussurrando como o fazia sentir. Em pouco tempo, a dor começou a diminuir e sentiu um prazer tão intenso, tão inexoravelmente erótico que a fez tremer até a alma. Cada golpe muscular a deixava mais selvagem até sentir-se ébria de desejo. Ela o montou com um abandono descarado, exultante nos espasmos violentos que a faziam apertar-se contra ele. Abraçou-o ao redor do pescoço e o beijou, forte e longamente, sacudindo a língua pela dele em um baile tão antigo quanto o bosque que os rodeava. Ele apertou os quadris contra os dela, empalando-a tão profundamente quanto ela podia receber. Puxou o laço de sua trança e pôs suas mãos em seu lindo cabelo. Suas investidas se fizeram mais febris enquanto puxava seu cabelo, curvando-a para trás e expondo os picos redondos de seus seios para sua boca faminta até que ela gritou seu nome no êxtase de sua liberação.

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Com uma investida final que a elevou até as nuvens, Graham derramou sua semente ardente no interior profundo dela, gemendo com a vitória doce e selvagem. Finalmente, ela era dele.

Capítulo 24 A vitória será minha, mas a glória será sua. O amanhecer sobre a copa das árvores espalhou um manto de luz âmbar sobre o guerreiro adormecido no tapete de folhas do chão. Finalmente vestida e sentada com as botas calçadas, Claire se distraia o observando. Seu olhar viajava por suas pernas longas e fortes, ligeiramente cobertas por um pelo cor de bronze. Seu plaid tinha subido pela coxa esquerda enquanto dormia, e só com de olhar ela ficava sem fôlego, e fez suas vísceras doerem mais do que já doíam. Lutou contra o impulso de inclinar-se e examinar com seus dedos seu ventre à luz do dia, deslizando sua mão pelo fino nervo atado ao braço nu sobre sua cabeça. Seus cachos caíam em uma desordem travessa na testa, como uma auréola inclinada sobre a cabeça de um anjo caído. Sua boca zangada estava tão devastadoramente relaxada no sonho como quando 197


dirigia seu inebriante sorriso para ela. Quando brigaram espada contra espada fora da taverna, o braço rápido e seus ainda mais rápidos sorrisos −as quais não continha por ela−, quase lhe custaram a vitória. Nunca tinha brigado com um homem como ele. Estava certa de que nada poderia ser mais estimulante. Estava errada. Sentindo o tremor de seu corpo com necessidade dele, os músculos se agrupavam sob seus dedos com moderação para tomá-la e então… por último, essa quente, palpitante lança que atravessou seu corpo como um aríete que a fez se sentir melhor. Realmente fizera amor com um homem ontem de noite? Ou foi um sonho cheio de luxúria enviado para fazê-la apaixonar-se por ele? −Pelas bolas de Satanás −murmurou. Tinha que ser mais cautelosa em permitir que isso acontecesse. O malandro o tinha feito em inumeráveis ocasiões sem dar seu coração para qualquer mulher. Ela não era diferente. −Sua irmã não aprovaria essa boca. Ela arqueou uma sobrancelha irônica para Graham enquanto se levantava, cara a cara com ela, mas qualquer que fosse a réplica que ela estivesse a ponto de lançar desvaneceu quando ele sorriu. −Deus, é tão bonita! Não era a declaração, uma que tinha ouvido muitas vezes antes de homens que tentavam ganhar seu favor, mas a forma que sua respiração falhou quando ele pôs seus olhos nela o que fez cair seu coração até o traseiro. −Obrigado – ela disse em voz baixa, sentindo um sorriso ridículo arrastar-se até seus lábios−. Você é bonito também. Que o diabo a atiçou! Miava pior que qualquer gatinha! Tinha que ter mordido a língua imediatamente. Acabava de lhe dizer que era bonito? −E tão valente – ele baixou sua voz de barítono enquanto se aproximava e envolvia o dedo indicador em torno de uma mecha de seu cabelo solto. A puxou, atraindo seu rosto para mais perto e pousou seus lábios sobre os dela−. Juro que não há nenhuma outra moça como você em todo mundo, Claire Stuart. 198


Isso era algo bom? Pensava em falar com ele, pouco antes que se apoderasse de sua respiração com a boca. A paixão do beijo a convenceu de que era algo bom. −Dói −ela empurrava seu peito com as palmas das mãos quando ele a deitou sobre a grama úmida de orvalho. Em vez de parecer arrependido, sorria muito satisfeito com si mesmo. −Sim, necessitará um dia ou dois para se recuperar. Melhor uma semana, ela pensou, mas o guardou para si. Não há necessidade de alimentar a arrogância sem igual do patife. E ele acreditava que poderia fazer com ela o que quisesse agora que a havia desflorado? Um dia ou duas de verdade? Teria que sentir-se afortunado se ela passasse um segundo com ele… Ele colocou os lábios no canto da boca dela, espalhando seus pensamentos como folhas em uma tormenta. A carícia de seus dedos contra sua garganta a fazia tremer em suas mãos. −Não sei se poderei esperar tanto tempo para tê-la outra vez – ele murmurou, separando seus lábios com a ponta de seu dedo polegar. A prova de seu desejo se esfregava contra seu quadril, dura, implacável, insaciável. Apesar da dor que tinha causado nela, seus mamilos ficaram rígidos, pois o prazer que tinha dado era muito maior. Abraçou-o pelo pescoço e abriu a boca por completo para sua língua dominadora. Ela também não desejava esperar. Sem vergonha, sem motivo, seu corpo se retorceu com a anseia de senti-lo dentro dela outra vez. Ela estava segura de que teria se encantado com tudo o que ela desejava se o som dos cavalos que se aproximavam não a tivesse sobressaltado tanto. Ela saltou em pé, sem dar-se conta de que seu ombro o golpeou na mandíbula. Se arrumou para afastar algumas mechas de cabelo do rosto e arrumou-se de novo até conseguir certa aparência de esmero enquanto os intrusos chegavam.

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−Bom −Angus olhou para eles do alto de seu grande cavalo de batalha, com seu olhar severo caindo receoso sobre a túnica de Graham três tamanhos maior sobre os ombros de Claire−. Suponho que isto significa que ela não vai voltar para Ravenglade. Claire ficou em pé, amaldiçoando a chama ardente que se estendia por suas bochechas. Evitando a olhar de conhecimento de sua irmã, sacudiu a sujeira de suas costas e voltou os olhos para Angus. O que fosse que suspeitassem que tivesse ocorrido entre ela e Graham, já era hora de que seus homens soubessem que ela faria o que quisesse, aprovasse seu comandante ou não. −Por que suporia isso, MacGregor? −Porque Ravenglade é por essa outra direção −disse, arranhando o ombro com o dedo polegar. Arrepiada, Claire se virou para o Graham. −Perseguiu-me sem motivo. −Não −sorriu, com suas covinhas encantando seus sentidos−. Meu motivo era muito bom. Maldito seja! O brilho selvagem de seus olhos revelou a todos qual tinha sido o motivo. De repente, se sentiu nua diante de seus olhos e encobriu seu olhar por trás de sua pesada cabeleira. −Claire – ele ouviu Anne chamá-la e não teve mais remédio que levantar o olhar envergonhado para ela−. Isto significa que não retornará para o lado de James? Abriu a boca para dizer a Anne que nada tinha mudado. Agora mais que nunca acreditava que Monck tinha traído seu irmão. Ela não obedeceria nenhuma de suas ordens, incluindo casar-se com Robert, e tinha intenção de advertir James de sua traição. Mas a voz de Graham a interrompeu. −Sua irmã é minha agora, e irá a Skye conosco. Por um instante, Claire estava certa de ter ouvido mal. Quando o instante passou e se deu conta de que ele falava a sério, quase riu em sua cara. Quase. Suas fossas nasais arrebentavam. Apertou os lábios. Seus

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olhos brilhavam de indignação enquanto afastava o cabelo do rosto. Ela era sua agora? −Por que, de todos os presunçosos… insuportável… de verdade pensa que…? Seu discurso chegou a um abrupto final quando ele a agarrou pela cintura e apertou a boca sobre a dela. Esmagando-a sobre ele com um braço, devorou cada fragmento de sua última resistência, até que ela se pendurou fraca em seu braço. −Procura sua espada e suba no cavalo Claire - ele lhe ordenou com uma voz rouca, derramando seu olhar sobre seu rosto, desfrutando de seu prêmio−. A levarei para casa. *** Três dias mais tarde, Claire não tinha certeza de quando tinha aceitado segui-lo até o puto fim do mundo. Disse que viajaria até Skye para evitar que Robert e Graham voltassem para Edimburgo e alertassem Monck de suas suspeitas a respeito de James. Mas sabia que seguia Graham por outra razão muito diferente. Estava apaixonada? Como ia saber? Passou toda a vida arrumando-se para a batalha, não para pretendentes. E se era amor, como diabos tinha podido entregar seu coração a um malandro? Sim, ela deixou que a fizesse dele, mas isso não significava que o amasse, não é? Todos os homens na guarnição de Connor se deitaram com mulheres que não amavam. Poderia perguntar a Anne, mas então teria que suportar horas e horas de brincadeiras. OH, por que não tinha prestado ao menos um pouco de atenção às maneiras das damas e dos cavalheiros cortesãos quando era menina? Fosse o que fosse, a tinha pego desde o começo. Cada plano que tinha tido de deixar sua companhia tinha sido frustrado pelo homem que cavalgava poucos metros diante dela, alto em sua sela, com seus largos ombros nus ligeiramente queimados pelo sol. Com exceção do 201


que aconteceu em Ravenglade, ele não tinha utilizado a força ou o consumado encanto de safado para mantê-la com ele, e, entretanto, a cada dia o tinha seguido voluntariamente em qualquer direção que a levasse. Não tinha ninguém a quem culpar a não ser a si mesma por sua atração louca por Graham Grant. E agora, ele pensava que ela era dele. A ideia de pertencer a Graham já não agitava seu humor… ao menos, não tanto como havia feito quando o escutou anunciá-lo pela primeira vez. Os Highlanders eram uma gente obstinada e primitiva, com suas próprias leis. Embalando-a em seus braços na noite anterior, Graham tinha explicado que tinha todo o direito de reclamá-la como sua mulher se assim o desejava. E lutaria contra todo o exército do general Monck por ela? Ela riu dele. Sim, ele tinha jurado que o faria. Ela teria o golpeado nas costelas se não a estivesse abraçando com tanta ternura sob as estrelas. Se houvesse detectado um rastro de arrogância em sua voz, teria desafiado seu pedido, chamando-o de tolo. Mas era ela quem se tornou louca. Louca porque queria acreditar que podia. E louca de desejo cada vez que a tocava, olhava ou sorria. Surpreendeu-lhe realmente a forma que ronronava como uma condenada gatinha em seus braços trêmulos. Connor teria rido dela, insistindo que por fim tinha encontrado a um homem que podia domá-la. Ela teria negado a seu pedido, sem apreensão, sabendo que seu guerreiro Highlander tinha despertado nela uma necessidade insensata e selvagem que ela não sabia que existia. Ela sentia isso cada vez que se detinham para passar a noite. O impulso de atraí-lo para o bosque, para roubá-lo dos outros, de tirar o plaid e montar sobre seu elegante corpo da forma que o fez na névoa. Nunca em sua vida havia sentido tão doce poder sobre o homem, tal gloria pelo fato de ser mulher. Mesmo agora, com pouco mais que alguns beijos roubados entre eles em três dias, Claire se sentia mais viva e acesa do que se sentou em combate. Seus mamilos voltavam para a 202


vida contra a lã suave de sua túnica a menor inclinação de sua boca. Quando ela levava Troy a um arroio, o olhar encoberto e ansioso de Graham a fazia terrivelmente consciente da influência de seus quadris, do contorno feminino de seu derrière. É claro, ela não continuou com sua recém-iniciada luxúria, pois não era uma rameira… especialmente com Anne tão perto. Entretanto, sua determinação em resistir a ele pelo bem da modéstia caiu quando se detiveram em uma estalagem pouco antes de chegar a Glenelg. −Mas, se não é o comandante Grant! −uma mulher roliça de cabelo laranja, com um balanço em seus quadris do qual Claire estava certa que tinha que ser doloroso, foi direto a Graham−. O Senhor respondeu a minhas orações. −E às minhas −gritou outra criada, levando uma jarra de cerveja à mesa de seu cliente. Ao entrar na estalagem ao seu lado, Claire viu Graham tirando a boina, liberando seu descuidado emaranhado de cachos de mel. Viu o que as outras mulheres viam e compreendeu por que a mera visão de seu sorriso com covinhas as encantava até as deixar sem respiração. −É bom ver tantas caras amigas, Abby − Graham saudou a mulher com carinho, mas quando ela levantou os braços para pô-los em torno de seu pescoço, ele a segurou pelos pulsos com suavidade e a deteve−. Esta é Claire – ele disse virando-se para Claire. Claire sorriu, mais para Graham do que para a mulher. O que foi isso? Tinha perdido o malandro seu interesse nas mulheres? Por ela? Com uma pontada de dor em seu coração, lembrou-se de que não se deitou com Lianne na estalagem em Stirling. Poderia ter capturado o coração deste magnífico guerreiro? Como ia saber? −E ela vai dividir o quarto com você?− Abby zombou dela. Antes que Graham pudesse responder, e, como Claire assim desejava, Anne deu um passo adiante, enlaçando seu braço no de Claire. 203


−É obvio que não − seu sorriso era tão sereno como um lago no verão quando se dirigiu à moça de rosto sério−. Minha irmã é uma dama, mas se a encontrar rondando ao redor da porta dele ou da de Lorde Campbell, é provável que a deixe sem sentido. Claire lançou a sua irmã um olhar examinador, enquanto outra moça as levava para as escadas. Não houve evidência visível que confirmasse as suspeitas de Claire. Anne não tropeçou ou cambaleou nas escadas, mas sim deslizou por elas como um cisne num lago, ainda que com esse sorriso ridículo. −Isso foi um pouco impróprio para uma dama, Anne… como embebedar-se com homens. −Não estou bêbada −Anne rechaçou a censura de sua irmã com um gesto delicado de sua mão−. Só tomei um gole para ajudar aos meus adormecidos sentidos, pois não estive cavalgando para a noite nebulosa com Robert – ela lançou a sua irmã um olhar de e-já-sabe-exatamente-oque-quero-dizer e subiu as escadas enquanto Claire ficava ali a olhando−. Nós não somos como as mulheres daqui, Claire. Somos parentes do rei, e devemos nos comportar como tais. Apesar de que já era chocante o bastante escutar a confissão de sua irmã de que desejava tanto deitar-se com Robert que tinha que beber uísque para resistir a ele, Claire não pôde evitar o impulso repentino de rir. −OH, Anne. Não somos tão diferentes destas mulheres definitivamente. −Sim somos −virando-se, Anne se deteve e a olhou por cima do ombro. Seu sorriso tranquilo possuía um pingo de vitória próprio do campo de batalha−. Conseguimos os homens pelos quais elas rogam a Deus. O coração de Claire pulsava violentamente no peito. Tinha conquistado Graham? Ela voltou-se para olhá-lo por cima do ombro e o encontrou olhando para ela. −Abby −gritou sem afastar o olhar−, que alguém prepare um banho em meu quarto. 204


*** Claire saiu de seu quarto e de Anne e entrou no de Graham sem ser vista. Ignorou a as palavras de sua irmã. Seus pensamentos eram apenas para ele. Fechou a porta atrás dela e entrou em um paraíso banhado pela luz quente e rosada das velas. Seu banho estava preparado, com a superfície brilhante como as estrelas. Ele se moveu entre as sombras e a luz, chegando a suas costas. −O que faz aqui, moça? −enterrou seu rosto no espaço suave de seu pescoço e roçou os dentes sobre seu batimento rápido do coração. −Cheguei tão rápido quanto pude − ela disse, com o fôlego tão curto quanto o dele enquanto suas mãos hábeis a despiam. Seus mamilos se apertaram imediatamente ao tato de sua mão. No momento em que seu plaid caiu no chão, Claire tremia de desejo desenfreado por ele. A água se derramou pela borda quando ele entrou na banheira. Sentou-se, puxando suavemente Claire para que se sentasse entre suas coxas. As colunas da fumaça das velas entraram pelas fossas nasais de Claire enquanto a água fria acariciava o ventre e os seios. Envolta no calor de seu corpo, sentia-se forte e ébria pelo potente uísque de Angus. Seus músculos relaxaram e seus membros adormeceram enquanto puxava as costas dela contra seu peito. Viu como seus dedos roçavam a superfície ante ela, um baile sedutor que fazia com que seus mamilos doessem de antecipação. Com seu fôlego quente atravessando todo o tremor de sua garganta, tomou seus seios em suas mãos, apertando, massageando-a brandamente. Mas seu tato ficou mais intenso, mais possessivo enquanto seu membro se endurecia contra suas costas. Lançou um longo e lânguido suspiro quando suas mãos alcançaram a taça do sabão, deixando-a só para desfrutar do formigamento dos efeitos 205


secundários de suas habilidades. Ensaboou-a com as mãos até fazê-la gotejar sabão pelos seios. Com um movimento sutil de seus quadris roçou a ereção em suas nádegas e lhe provocou um forte gemido do profundo de sua garganta. Deslizando suas pernas embaixo ela, estendeu-a ainda mais sobre os joelhos e arqueou as costas, levantando a pélvis fora da água. Baixando a mão até sua faminta abertura, deslizou seus dedos ensaboados através dela com graça e satisfação com mais movimentos expressivos. Levou a outra mão a um lugar mais profundo, puxando seus mamilos e tocando-a com suas mãos ásperas. Ele molhou um dedo na água e o colocou dentro dela, acariciando seu interior. Claire se retorcia em suas mãos como uma onda sobre outra onda que saltava sobre ela. Graham a segurava firme, pois ela tentava erguer-se ferozmente pelo clímax. Tirou seu dedo e o deslizou por sua saliência, abaixando-a sobre sua lança em espera. Claire pensou que não voltaria a sentir nada igual como a fizeram sentir seus dedos, mas, como podia ter esquecido o condenadamente bem que se sentia ao deslizar-se sobre seu pau?Ela teve que esquecer, do contrário teria estado o montando cada vez que atravessasse seus pensamentos. Não era apenas a forma em que a esticava até quase rasgá-la em duas metades, ou a plenitude satisfatória de ter cada centímetro dele dentro dela. Era sua maneira de mover-se, como se tê-la fosse seu direito. O giro de seu quadril o levava mais profundo, os lentos e terrivelmente eróticos ataques e retiradas a incitavam com sua longitude, e a maneira em que a agarrava a ele, empalando-a forte e rapidamente, sulcando o caminho e fazendo que ela o amasse. OH, mas ele era tão malvado como tinha proclamado, apertando seu lóbulo entre os dentes e dizendo o quão duro e quente que estava.

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−… como chama faminta meu pau, me lambendo e me chupando até me deixar seco. Sente quão duro estou por você, Claire? –ele investia como um aríete, empapando-a com sua semente. −Sim −ofegou ela. −Como se sente? Ela o disse sem reservas, estendendo para cima e caindo em sua ereção palpitante até que a encheu a ponto de transbordar e ela gritou com o êxtase de sua liberação.

Capítulo 25 Mantive meu coração em silêncio por muito tempo. Quando o sol começava a descer lentamente pelo oeste, James Buchanan tinha seus olhos injetados de sangue postos sobre as altas e irregulares cúpulas da serra de Grampian. Não tinha dormido em mais de uma semana, obcecado com pensamentos de vingança, enquanto seus homens dormiam tranquilamente ao redor da fogueira. Noite após noite sentava-se acordado, avaliando a quem mataria primeiro quando finalmente chegassem a Skye. Graham Grant decidiu, por esmagar sua cabeça contra a parede e o ter levado a ficar de cama durante dias com uma dor nas têmporas que o fez gritar, com o nariz quebrado e um dente partido. O filho da puta ia pagar muito caro por isso. Robert Campbell seria o seguinte a sentir sua ira. O conde era um traidor do Parlamento. Quem no conselho culparia por ter matado a um simpatizante dos realistas MacGregor? James não tinha gostado dele desde 207


o momento em que o conde pôs um pé em Ravenglade. Não gostava da forma em que os olhos desse homem mudavam de cor com a direção da luz. Ou a forma em que esses olhos o olhavam com aberta desconfiança. Como se soubesse… James tinha que matá-lo. Cortaria a língua que tinha agitado a consciência de Claire contra ele, e em seguida arrancaria esses olhos de lobo. Ao apoiar as costas contra o tronco retorcido de um pinheiro alto, seus pensamentos se dirigiram às irmãs de Connor. Um suspiro escapou pelo buraco onde normalmente ficava seu dente. Não obteria nenhum prazer em mata-las, mas agora não lhe deixavam outra opção. Soltou uma blasfêmia através de seus lábios apertados, pensando na facilidade com que Claire se virou contra ele. Aceitou a palavra de um “cabeça redonda” por cima da sua. Puta arrogante. Connor sempre a havia deixado fazer o que queria. Inclusive quando se uniram à resistência e Claire insistiu em ir com eles, Connor lhe confiou que tinha aceitado sua decisão porque a entendia profundamente. Seu sangue fluía através do dela. E assim era. Ela era tão puta como seu irmão um filho da puta. Sempre o rechaçando, sempre tão séria, sem nenhum interesse no jogo. E James queria jogar com ela. Longa e duramente. Queria ter a essa cadela estendida embaixo dele e usá-la até que bradasse sua lealdade a seu novo amo e senhor. E gritaria, pouco antes que lhe cortasse a garganta. Ainda havia uma maneira de conseguir as terras de Connor com todos eles mortos. Quando o rei fosse restaurado por direito ao trono e visse que era Buchanan quem cavalgava para lado do general Monck quando o despojaram do reino… que era Buchanan que assassinou aos homens que se atreveram a matar suas duas primas, outorgaria as terras e títulos ao seu fiel servo. James sorriu para si mesmo, satisfeito com sua astúcia. Não podia perder. Inclusive se Carlos nunca voltasse para a Inglaterra, Monck 208


confiava nele, e depois de lhes entregar a cabeça de Connor em uma bandeja de prata, Lambert e Fleetwood também. Um ruído proveniente de um grupo de árvores a sua esquerda interrompeu seus pensamentos. Saltando sobre seus pés, puxou sua espada e deu um chute no soldado que dormia ao seu lado. −Quem está aí? −exclamou para as sombras do crepúsculo, despertando a uma dúzia mais−. Diga quem são ou morram. −Alto! −exclamou um homem−. Sou eu, Steven, com homens de Ravenglade! Ao ouvir isto, James embainhou sua espada e deu um passo adiante. Que demônios estavam fazendo o capitão tão longe do Ravenglade? James teve que deixá-lo e a sua legião inteira detrás. Porque nenhum de seus homens a não ser os de Connor era fiel à linhagem dos Stuart. −O que houve? Por que nos seguiu? −Uma carta −Steven mostrou um pergaminho dobrado no ar e saltou de sua sela, unindo-se a James em três passos. Os sete homens que o acompanhavam estavam parados depois das sombras−. Chegou de Londres através do Stirling − disse enquanto James arrancava o pergaminho de seus dedos−. O mensageiro disse que era urgente e que devia lhe ser entregue imediatamente – ele seguiu James à luz do fogo−. Quem lhe envia cartas de Londres? O tom da pergunta de Steven era inocente, mas quando James deslizou seu olhar para ele, viu a suspeita no impulso do queixo do capitão. −Eu lhe direi isso depois que eu mesmo o descubra −James lançou um sorriso sinuoso antes de retornar à carta. Reconheceu a letra imediatamente. Elizabeth Fleetwood, a filha do general. A vadia senhorial que tinha compartilhado sua cama e muitos dos segredos de seu pai quando James visitou Londres no inverno passado. Deu uma olhada na carta com rapidez ao suspeitar que lhe escrevesse para rogar que a fosse visitar de

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novo. Seus olhos se pousaram em duas palavras que saltavam da página iluminada. Connor Stuart. Seu coração pulsava enlouquecido no peito ao dar uma olhada no resto. Por cima das chamas, sua cara ficou pálida e cambaleou para trás. Steven o agarrou pelo braço e tentou dar uma olhada na carta. −O que é o que faz que pareça ter visto um fantasma? Ele o tinha visto. Connor Stuart estava vivo… encarcerado na Torre, mas vivo. −Quem sabe desta carta? − perguntou, afastando com um puxão seu braço das mãos de Steven. Steven o olhou com receio ao ver que ele lançava o pergaminho ao fogo. −Só aqueles de nós que lhe entregamos isso – ele se afastou um passo quando James desembainhou a espada… Pouco depois, James limpou o sangue de sua espada, aproximou-se de um dos oito cadáveres que cobriam o chão e disse aos seus homens que montassem. −Mudança de planos. Vamos para Londres. Stuart está vivo, e terá que arrumar isso antes da volta de seu primo. *** Claire apoiou as pernas e sua integridade contra o forte vento que golpeava sua trança e os açoites das mechas de cabelo em seu roto. Mas não foi o tempo em que conteve seu fôlego suspenso no peito, ou o ruído crescente do navio sob suas botas o que a levava a sentir o estômago na garganta. Foi a vista enquanto cruzavam o estreito para Skye. Os picos montanhosos recortados de uma ilha se erguiam entre as brumas do céu e o inferno. Um lugar onde o tempo não significava nada… a sensação de deixar tudo o que ela amava atrás para entrar em um mundo esquecido pelo homem… e possivelmente também Por Deus.

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−A primeira vez que pus meus olhos em Eilean a' Cheo', a Ilha Nebulosa, eu estava seguro de que minha irmã estava morta − Robert se uniu a ela na proa do navio e pôs as mãos sobre o grosso corrimão de madeira−. Pois só um homem com um coração duro e desolado escolheria viver em semelhante isolamento. Claire olhou seu perfil esculpido enquanto ele estendia o olhar sobre a ameaçadora ilha. −Você foi valente ao vir por ela, Robert Campbell. Ele sacudiu a cabeça, sem aceitar a glória. −Não podia fazer menos. Claire sorriu. Achava-o pouco habilidoso, muito idealista para compreender o sacrifício supremo da batalha. Mas o tinha julgado mal. Pode ser que não estivesse disposto a morrer pela liberação da Escócia, mas teria morrido por sua irmã. −É um verdadeiro cavalheiro, Lorde Campbell. Kate é uma mulher afortunada. Virou-se para ela, com gratidão em seu quente olhar de âmbar escuro. −Nossas irmãs são afortunadas. −Sim − Claire concordou −. E Anne em dobro, agora que tem a você para cuidar dela. Seu sorriso brilhou tímido, modesto, devastadoramente doce. “Cabeça redonda” ou não, Claire se alegrava de que gostasse de sua irmã. Falaria bem dele se alguma vez Carlos retornasse a Inglaterra. −E o que ocorreu quando encontraram a sua irmã? Lutaram contra os MacGregor? −perguntou, voltando sua atenção para a ilha. −Não tinha intenção de lutar contra eles. No momento em que entrei em Skye, descobri que nem sempre podemos confiar em nossas primeiras impressões. Skye −disse, olhando de novo para a paisagem agreste− é um dos lugares mais belos da Escócia, e o homem que escolheu morar aqui é justo e compassivo, e está muito apaixonado por minha irmã.

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−Você acabou de chamar Callum de compassivo? −Graham chegou atrás deles e deslizou seu braço ao redor das costas de Claire−. Quis te matar na primeira vez que se encontrou contigo, e na vez seguinte, Rob. Claire se sentiu imediatamente terrivelmente consciente da proximidade de Graham, do fluxo do calor seus músculos ao redor dela. Seu tato era casual, e, entretanto, provocantemente possessivo, levando-a a pensamentos de dominação e submissão. Seu sangue corria fervendo por suas veias diretamente para suas vísceras. Ele não a havia tocado desde que saíram da estalagem. Claire supôs que era por sua própria culpa, devido à forma em que seu olhar caía relutante sobre Anne - que permanecia sempre ao seu puto lado−, cada vez que Graham se aproximava muito dela. Ela lembrou-se de respirar quando a risada de Robert a devolveu à realidade. Sorriu ao olhá-lo, mas não tinha nem ideia de por que diabo sorria. −Nunca me fez me cagar no plaid −disse Graham, defendendo-se do que fosse que Robert disse. −Quer dizer que quando te jogou no celeiro não temia o ferrão de sua ira? Por cima dela, Graham respondeu com um sorriso caprichoso em sua voz. −Levantei-me de novo e evitei que o matasse, não foi? −Quem? −perguntou Claire a ambos. −Callum −responderam juntos. Claire assentiu com a cabeça, recordando do assunto agora. Ela acenou quando viu sua irmã pisar na coberta. Ao seu lado, o corpo de Robert se endireitou depois de seguir a direção de sua saudação. Claire o olhou, pensando numa forma de manter Anne longe de seu cabelo e da cerveja dos Highlanders. Se o jovem cavalheiro sabia por que sua doce rapariga estava meio bêbada todos os dias, certamente poderia fazer algo para evitá-lo, e logo, possivelmente, Anne deixaria de lado suas aulas sobre as vantagens de ser uma dama. 212


−Estou preocupada com sua afeição ao uísque de Angus. −Sim −coincidiu Robert, fazendo eco de seu tom preocupado−. Ela sempre gostou das aguardentes? −OH, não gosta de beber − Claire lhe assegurou, sorrindo enquanto sua irmã se aproximava−. O faz por você. −Por mim? − Robert perguntou, arrastando seu olhar de Anne a Claire−. Ela bebe por minha culpa?Por quê? −Infelizmente não sei. Terá que lhe perguntar. Robert se foi antes que Claire se virasse para ele. Ela ocultou uma risada atrás de sua mão, que Graham logo deteve quando inclinou seus quadris contra o corrimão e a puxou para seus braços. −Um hábil estratagema para ficar a sós −seus olhos verdes brilhavam, e seu sorriso sedutor fez curvar seus dedos dos pés. −Sério, malandro, −disse Claire, sem fôlego− Pensa que o sol sai cada dia para derramar sua luz sobre seu rosto glorioso? −Não – ele disse, com seu sorriso se aprofundando em algo mais significativo−. Porque se eleva para brilhar sobre você – ele acariciou sua bochecha com a palma de sua mão e se inclinou para beijá-la. Claire sabia que estava perdida na plenitude de seus lábios, no baile erótico de sua língua, no tambor de seu coração contra seu peito e o dela. Ela agarrou-se a ele, abrindo-a boca para tomá-la mais profundamente. −Eu a desejo, Claire − seu fôlego estremecedor caiu em seus lábios enquanto ele deslizava a prova de seu desejo ao longo de seu vale, queimando-a viva, marcando-a−. Não vou esperar muito mais para tê-la. Ela o olhou nos olhos e torceu a boca formando um sorriso arrependido, desfrutando da caça tanto quanto ele. −A menos que seu direito como Highlander me garanta que deixe de se fazer o forte sobre mim, esperar é o que vai fazer. Sua boca se converteu em um sorriso lento e descaradamente sexual.

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−Mulher, tome cuidado de como me tenta, ou quando o navio chegar a porto a levarei ao fundo do bosque e a foderei até a deixar sem sentido. −Então tampouco me tente − ela golpeou, apesar do tremor em sua voz. Deslizou a mão entre os dois e esfregou a palma contra ele−. E assim não me apoderarei desta besta impulsiva para te fazer sempre meu. Anne teria caído morta se a tivesse ouvido, mas Claire nunca aprendeu a ser tímida ou submissa com os homens. Sabia que parecia uma garota descarada, mas desde que Graham não visse nenhuma ofensa nisso – o que sua mandíbula apertada e seu olhar ardente demonstravam que não fazia−, ela tampouco o faria. −Já sou seu – ele grunhiu, encerrando-a em seu abraço de aço e capturando sua mão entre eles−. Mas pode ser que tenha que levar a besta ao interior de seu coração para convencê-la de que a necessita – ele levou sua boca faminta a sua garganta, mordiscando sua carne com os dentes e pressionando seu pau grosso contra sua mão em concha. −Não podem esperar até que cheguemos a Camlochlin? −queixouse Brodie ao passar ao seu lado−. Todo mundo os está olhando, pelo amor de Deus! Claire imediatamente tentou separar-se. Falar como uma prostituta quando ninguém mais podia ouvi-la era uma coisa; esfregar-se toda no Graham como uma rameira faminta de sexo enquanto os demais observavam era outra. Entretanto, Graham a puxou de novo, fazendo-a girar em seus braços e usando seu corpo para ocultar o vulto em seu plaid. −Brodie, vá procurar Angus e prepare aos cavalos −o brilho ameaçador em seus olhos advertiu a Brodie de que era melhor não discutir−. E você −inclinou sua boca ao ouvido do Claire−. Não se mova. Mover-se? Se mal podia respirar com sua excitação colada em seu traseiro tão intimamente. Tentou permanecer quieta inclusive quando uma mecha de cabelo flutuava em seu rosto e pinicava o nariz. Ela trocou seu 214


peso de uma perna para a outra e sentiu o corpo de Graham endurecendo-se contra suas costas. Ela forçou um sorriso ocasional para sua irmã quando Anne retornou de qualquer lugar em que acabava de estar com Robert. Anne a olhou fixamente por sua vez, claramente zangada com ela por dizer a Robert a razão pela qual bebia. Relaxando-se contra o muro de músculos atrás dela, Claire deixou escapar um suspiro de satisfação. Ah, o êxito! A dama parecia um pouco nervosa. Tinha as bochechas coradas e seus lábios estavam inchados por ser beijados. Possivelmente agora Anne entenderia a luta que ela tinha que suportar a cada dia. Essa luta estava a ponto de fazer-se em pedacinhos, deu-se conta Claire quando atracaram em Kylerhea e montaram em seus cavalos. Quando levantou a bota ao estribo de Troy, Graham cavalgou até seu lado, levou um braço a sua cintura e a subiu em seu colo. −Nós os alcançaremos − ele disse a outros, girando seu cavalo e o dela em direção oposta−. Angus se amarre a Anne quando chegarem aos escarpados e não a deixe cair. −Que escarpados? −Claire o olhou, e a seguir a sua irmã, enquanto Graham afundava os calcanhares nos flancos de seu cavalo−. Ela poderia cair por um precipício? −Ela está a salvo − Graham lhe prometeu enquanto o vento os golpeava no rosto−. Você, em troca, não está.

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Capítulo 26 Mas logo, a terra tremerá ante minha chegada… −Não devemos nos separar deles −se queixou Claire a Graham enquanto desmontava−. Minha irmã não deve estar… −conteve a respiração quando ele pôs as mãos em sua cintura e a levantou da sela em seus braços−… só −inclinou o rosto para ele e seu olhar potente a fez sentir milhares de mariposas revoando em seu ventre. −Não está sozinha −respirou Graham, com suas pestanas ruivas para baixo enquanto se inclinava para ela. O tato lento da língua por seus lábios fez que sua virilha chiar−. Nós sim. Enfim −fechou os braços ao seu redor, atraindo-a para ele em um abraço tão carente quanto seu beijo. Sua língua deslizou dentro de sua boca, carinhosa, excitante, fazendo-a esquecer de seus outros pensamentos, com exceção de um. Ia fode-la até deixá-la sem sentido. E ela mal podia esperar. Jogou os braços ao redor de seu pescoço, e levando seus quadris com força contra os dele, esfregou-se como uma gata lânguida sobre sua

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ereção. Ele se retirou um pouco, ainda cativo de seu abraço entusiasmado, e com um sorriso convidativo em sua bochecha. −O que é o que deseja tanto, moça? Ela desejava-o nu e louco de desejo. Desejava sentir e ver seus músculos, elegantes e tensos enquanto ele a tomava. Ele sabia, e deliberadamente o evitou. Arrastou sua mão sobre o curso amadurecido de suas nádegas, e sua mão desapareceu entre suas pernas. −Quer estender estas coxas cremosas debaixo de mim enquanto me afundo profundamente e com força em você? −com nada mais que um lento e sensual movimento de seu dedo contra a lã úmida de seus calções, a persuadiu−. Sim − ele mesmo respondeu enquanto ela jogava a cabeça para trás, oferecendo-se a ele. O controle de Graham acabou. Deslizou seu braço pela cintura e esmagando-a contra ele, levantou-a do chão. Sua boca desceu sobre ela, aberta, faminta, quase brutalmente possessiva. Claire igualou seu ardor mordendo seu lábio inferior e arranhando seu plaid. Ele rompeu o beijo só para lhe tirar a roupa mais rápido, e desatar o cinturão. Seus olhos brilhavam como brasas enquanto olhava sua forma nua, bonita, inclusive quando ela fez o mesmo com ele. Claire queria o olhar ainda mais. Queria que seu olhar saboreasse o aspecto selvagem dele, louco de desejo, duro e com grande necessidade. Mas ele não esperaria mais. Com um grunhido a lançou por cima de seus quadris como se não pesasse nada e tomou seu mamilo entre os dentes. Chupou-o enquanto colocava suas coxas ao redor dele. O vento gemia, misturado ao seu grito enquanto ele acariciava suas nádegas e se empurrava dentro dela. Seus músculos se sacudiram contra suas mãos enquanto ela se retorcia tentando se libertar. Ele a segurava firmemente, levando sua língua como uma chama do vale de seus seios até a suave coluna de sua garganta, empurrando seus quadris contra os dela. Ela procurou a piedade dele, mas não a encontrou enquanto ele se afundava 217


nela, a levantando enquanto sua boca retinha suas súplicas. Esqueceu-se da dor, mas com cada ataque implacável, a agonia se tornou puro prazer pecaminoso. Seu corpo sofreu um espasmo, como se fragmentos de verde e ouro brilhassem ante seus olhos. Ela apertou as pernas ao redor dele, cruzando os tornozelos em suas costas para agarrá-lo sem querer deixá-lo ir. Graham viu sua paixão com olhos ardentes e um sorriso sensual, desfrutando do puro prazer descarado que obtinha dele. Levou sua língua a dele e ele gemeu em sua boca, com dureza, com doçura, com vontade de lhe dar tudo e muito mais. Seus dedos deslizavam por sua trança, chamuscando suas costas, fazendo com que seus músculos se esticassem e se apertassem ao seu redor. Rompendo seu beijo em um grunhido febril, olhou-a profundamente nos olhos quando a segurou pelas costas e a levou acima e abaixo sobre seu comprido pênis. Ela sorriu, tomando cada centímetro, agarrando a cabeça sensível dentro de suas dobras apertadas. Deus, ele era grande, e completo, e tão deliciosamente forte abraçando-a enquanto o ordenhava como a mais puta das putas que era. Não lhe importava. Ele a deixava selvagem e ela demonstrava o que ele lhe fazia, sem por limites para detê-la. Assim como não lhe tinha mostrado nenhuma piedade, ela tampouco lhe deu. Quando jogou para trás a cabeça, o seguiu, lambendo a elegante tensão de seu pescoço. O agarrando pelos ombros, acariciou sua orelha com a boca e chupou o lóbulo. −Você me convence guerreiro. Com um sorriso perverso excitado pelo impulso de seus quadris, retirou-se por completo, fechou sua mão ao redor de seu pau úmido e disparou sua semente quente como um gêiser. Quando terminou a virou, arrastando suas nádegas contra sua virilha.

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−Ah, moça −murmurou com uma voz rouca, dobrando-a para diante para tomá-la por trás−. Nem sequer comecei a te convencer. Graham estava nu sob o céu escuro, com um sorriso de profunda satisfação em sua boca. Estava em casa, no norte, onde os dias eram mais curtos com a chegada do inverno. O lar, onde a terra sob os ossos de um homem era mais dura, menos indulgente, até que a primavera voltasse e a vida brotasse de novo, mais radiante e magnífica que em qualquer parte do continente. Como tinha permanecido longe tanto tempo? Desta vez ficaria. Suas viagens com Robert acabaram, mas não sua amizade. Sempre a compartilhariam. Mas ele estava em casa, e aqui era onde queria ficar. Com ela. Fechou os olhos e escutou o som da respiração de Claire enquanto dormia agarrada em seus braços. Como sua vida tinha mudado!… Ele nunca saberia. Não se importava. Só sabia que os planos que tinha feito para seu futuro a incluíam. E que não havia nenhuma outra mulher como ela no mundo. Nenhuma outra mulher com a qual queria passar o resto de seus dias. Teria gostado de olhar o seu rosto enquanto ainda havia um pouco de luz, mas não queria romper seu abraço. No momento, ficaria contente se recordando do aspecto que tinha no calor de sua paixão. Como podia igualar seu ardor, ou inclusive superá-lo? Ele a tinha feito sua em quatro momentos diferentes no dia de hoje, e cada vez seu desejo estourava de novo com o seu. Tinha estado com muitas moças, mas ele se sentia como se nunca tivesse feito amor com nenhuma antes de Claire. Ele a despertaria outra vez, porque não podiam cruzar os escarpados na escuridão e a noite ia ser longa. Em um momento, ele se levantaria, acenderia uma fogueira e caçaria algo para comer. Mas resistia em mover-se. Queria permanecer ali com ela para sempre, feliz apenas escutando sua respiração enquanto ele inspirava seu perfume e sentia que seu ritmo cardíaco lento se

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apertava contra seu peito e suas pernas magras e musculosas se cingiam ao seu redor. Ele tinha ganhado seu coração. Estava quase certo disso, mas não sentia a arrogância de tal façanha. Porque ela também tinha ganhado seu coração. Seus doces beijos ao redor de seu mamilo despertaram Graham de seu sonho. Abriu os olhos ao sol da amanhã e à gloriosa visão do sorriso de Claire. −Tenho fome. Ele sorriu, levantando sua mão para alisar os cabelos soltos em sua bochecha. −Há algo que possa saciar seu apetite, moça? −É seu apetite o que me preocupa malandro −ela se voltou, lhe mostrando a delicadeza de alabastro de seu perfil enquanto ela olhava sua ereção matutina. Para Graham pareceu incrível e incomum que corasse agora, depois de que ela tivesse tomado tanto prazer de seu corpo durante toda a noite. Sua inocência era tão emocionante para ele quanto à paixão audaz e abrasadora que tinha desencadeado nela. −E bem? −E bem o que? −deslizou os dedos ao longo de sua clavícula, em sua onda suave. −Vai levantar? −soava um pouco sem fôlego, mas quando se encontrou com seu olhar lhe lançou um olhar impaciente. Suas covinhas brilhavam e suas bochechas ficavam cada vez mais vermelhas antes que ela o rechaçasse. −Eu gostaria de chegar a Camlochlin hoje. Preocupo-me com Anne, só na presença de seu senhor. Graham riu, ficando em pé. −Sim, pode ser que Callum a jogue em uma tina de óleo fervendo antes que termine o dia. Terá que apressar-se. −Não tem graça − a réplica de Claire perdeu seu ferrão enquanto o via perambular nu para seus cavalos. Deus! Tinha prometido deixá-la sem 220


sentido, e cumpriu. Que gozo maior poderia encontrar que o do resplendor de seus ombros, a forma de suas nádegas firmes, nas curvas esculpidas de suas coxas? Quando despertou, a primeira coisa que notou foi a dor entre as pernas. A segunda foi seu corpo, tão duro mesmo dormindo. Ela queria tocá-lo, percorrer com sua língua todos seus ângulos esculpidos. Odiava empurrá-lo, mas era isso ou montar em cima dele e passar outro dia longe de Anne. Ah, Deus! A fez esquecer o que a esperava e apenas se importar em estar com ele agora. Estava a ponto de reconsiderar sua decisão de ir rapidamente para Camlochlin quando Graham pegou uma bolsa de frutas secas e se virou para ela. De repente entendeu como devia sentir-se Eva a cada amanhã quando despertava e encontrava Adão em todo seu esplendor pelo jardim. Ela olhou para outro lado quando ele sorriu, a apanhando em sua silenciosa avaliação. −Quanto tempo demora em chegar lá? – ela perguntou quando ele se sentou ao seu lado. −Poucas horas se mantiver suas mãos longe de mim. Maldição! Era seu desejo por ele tão óbvio? −Vai ser difícil, porque agora mesmo me sinto tentada a te estrangular. Deu um olhar enviesado que estava cheio de diversão e meteu um bago na boca. −Se me matar é o que quer Claire, então sugiro que mude o plano de batalha de ontem à noite. Suas mãozinhas ao redor de meu pescoço não fazem mais do que me excitar. Ela sabia que lhe estava tirando o sarro, mas o tom fleumático de sua voz foi o que a fez rir. Sentiu seus olhos nela, com tanta intensidade quanto uma carícia física, enquanto se deleitava em sua alegria. −Não ria tanto − ele se inclinou para ela e levou os dedos aos seus lábios−. Eu vou ensina-la a desfrutar da vida. 221


−Me convertendo em uma dama bandida? − sua risada desapareceu quando sua mão se enroscou na parte posterior de seu pescoço e sua boca desceu sobre a dela. −Minha dama bandida. Não havia nada próprio de uma dama na maneira que Claire abria as pernas quando ele a deitava e cobria seu corpo com o dele. Não havia nada gentil ou recatado na maneira em que resistia embaixo dele, agarrando-se a seus ombros sinuosos. Quando rodava sobre ele e se colocava em cima, apertava as palmas das mãos em seu peito reluzente, jogando para trás sua cabeleira selvagem e dirigindo-se a ele como se lhe pertencesse. Ela não era uma maldita dama, nem pretendia sê-lo.

Capítulo 27 … e ao homem que tudo perdeu tudo será devolvido. Deus bendito do céu! Minha irmã está morta! −disse Claire abrindo a boca, sabendo que seu coração saltaria fora dela ao ver o que estava à frente. Encarapitada no alto de uma plataforma estreita dos escarpados vazados de Elgol, quase desmaiou quando Graham apareceu na beira das rochas íngremes abaixo. −Não, não caiu. E agradecerá ao Angus mais tarde. −Não deveria estar atada a você? – ela perguntou-lhe, sem se consolar com seu sorriso zombador. Uma onda de náuseas a revolveu por

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dentro. Como se seus olhos tivessem uma mente própria, lançaram-se à borda, a apenas uns poucos centímetros escassos dos cascos de Troy. −Claire. −O que? −Abra os olhos. OH, demônios! Não queria fazê-lo. Não poderia mantê-los fechados até que Angus viesse por ela? −Claire − Graham disse com mais força. Ela obedeceu desta vez, com uma careta−. Fique atrás de mim e siga os passos de meu cavalo. A saliência é maior na volta seguinte. Terá que desmontar quando chegarmos a ela e montará comigo. Ele disse desmontar? −Está louco se acha que vou descer deste cavalo. Ele voltou-se em sua sela para olhá-la melhor. O pulso de Claire se acelerou o suficiente para fazê-la sentir-se enjoada. Queria gritar que se mantivesse quieto se não queria cair. −É muito medrosa – ele disse−. Está deixando Troy nervoso. −Não quero descer − ela ainda insistiu enquanto Troy ficava ansioso entre suas pernas. −Vejo que sua irmã e a de Robert possuem mais coragem que você − Graham disse, virando-se de novo para frente. Ele sorriu quando ouviu a cadeia de blasfêmias murmuradas que fluíram de seus lábios e o cuidadoso ruído de cascos de Troy atrás dele. Ela viu logo que deram a volta na curva seguinte quão inteligente foi fazê-la montar com ele. Uma névoa lenta e tênue rodou pelo precipício, empurrada pelo vento, com sua profunda umidade grudando em sua pele e cabelo. Tiveram que seguir através dela. A visibilidade era mínima, e sem o passo firme e confiante de um bom cavalo, uma pessoa provavelmente encontraria a própria morte. Desmontando, com cuidado, alcançou a mão de Graham e deixou que a subisse em sua sela. Ela esperou sem mover-se, quase sem respirar, enquanto ele arrancava uma tira de seu plaid e atava Troy ao seu cavalo. 223


Surpreendia-lhe o quão segura que podia se sentir nos braços de um homem, mas quando os escarpados finalmente acabaram a vista abaixo dela a deixou seriamente sem fôlego. Um castelo tão negro como breu se levantava diante uma montanha gigante, com suas torres dentadas perfurando a névoa que pairava. −É digno do desafio de chegar até aqui − disse Graham com a respiração entrecortada detrás dela−. Isto é Camlochlin. Era de uma crueldade formosa, brutalmente isolado, detestável e ameaçador, como se tivesse sido tirado da imaginação de um poeta louco. Um grupo irregular de torres se elevava por cima e por dentro como uma sentinela. Estava a salvo de intrusos. Monck era inteligente em levá-las, a ela e a Anne até aqui. Ninguém as encontraria, e se o fizessem, provavelmente estariam muito assustados para aproximar-se. De repente, o pânico a envolveu. Como poderia escapar quando Monck enviasse uma mensagem? O tentá-lo apenas conseguiria sua morte e a de Anne. Voltando para seu cavalo, virou-se para olhar ao seu redor. Poderia retornar pelos escarpados? −É mais colorido na primavera, mas você vai gostar. Teria que fazê-lo se tentassem obrigá-la a casar-se com Robert, pensou, enquanto Graham desaparecia no cume. E o que há com ele? Ela tinha pensado, tinha esperado que a ajudasse a opor-se ao Monck. Mas tinha a sensação de que ao seguir Graham nestes últimos metros mudaria sua vida para sempre. Camlochlin não era um refúgio destinado a mantê-la a salvo de um traidor, pois o traidor a tinha enviado para cá. Era uma prisão onde esperaria até que Monck a obrigasse a casar-se. −Claire. Ao ouvir a voz de Graham, puxou as rédeas, e uma vez mais se sentiu impotente para fazer outra coisa que o seguir. −Não há outra saída? – ela perguntou-lhe, aproximando-se e olhando aos barracões com teto de palha espalhados sem nenhum patrão

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marcado, com seus habitantes observando-a através de portas estreitas, cautelosos e desconfiados. −Sim, para o leste, sobre as colinas. Entretanto, é um caminho mais longo. Os escarpados são mais fáceis. Um raio de esperança floresceu em Claire enquanto percorria as amplas colinas a sua direita. Sua esperança desvaneceu um instante depois, quando viu os guardas nas ameias. De seu ponto de vista, podia-se ver em todas as direções. Connor teria aplaudido aos proscritos MacGregor pela construção dessa fortaleza impenetrável. −Não me surpreende que seu senhor consiga evitar aos seus inimigos durante tanto tempo. Mesmo que o exército encontre este lugar, os veria vir a léguas de distância. Graham concordou alegremente e levantou a mão para saudar um grupo de homens em treinamento em um amplo campo aberto de exercícios ao lado do muro ocidental. Um menino que parecia mais jovem do que o resto o viu, deixou cair sua espada e pôs-se a correr para ele. Seu cabelo era tão loiro quanto o de Claire, e seus olhos um tom mais claro de azul. Parecia-se tanto com Connor que o coração de Claire parou até que os alcançou. Quando o fez, imediatamente se inclinou perante ela como se fosse da realeza. Até esse momento, Claire tinha esquecido que era. Ela sentiu o olhar de outros sobre ela e se virou para ver um pequeno grupo de homens e mulheres saindo de suas casas. Quando o olhar de Claire caiu neles, inclinaram-se diante ela. Estas pessoas, longe de toda lei, eram realistas, fiéis ao seu rei. −Rob disse que viriam −disse o jovem dirigindo-se a Graham. Ele sorriu, e um raio de sol atravessou a escuridão−. É bom te ter aqui de novo, irmão.

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−É bom estar em casa, Jamie − Graham saltou de seu cavalo, agarrou o antebraço de seu irmão e puxou mais perto em um apertado abraço. Ah, Jamie! Pensou Claire ao desmontar. O devoto marido da irmã do Diabo, Margaret. −Minha senhora − ele disse voltando-se para ela calorosamente−. É uma honra a conhecer. Nunca tivemos familiares do rei aqui em Camlochlin. Sua irmã está lá dentro com minha esposa e Kate. Eu lhes direi que chegou - ele virou sobre seus calcanhares antes que ela pudesse responder e entrou no castelo. −Rob esteve nos contando suas aventuras – ele disse por cima do ombro para Graham−. Mas espero poder ouvi-las por… − e bateu a cabeça contra o peito de outro homem que apareceu na porta quando Jamie chegou ali. −Callum −Jamie continuou enquanto o homem o amparava firme em seus pés−. Graham retornou! −Sim, posso vê-lo. Claire olhou, duvidando entre correr para outra direção ou olhar para o chefe abertamente, com aberta apreciação, enquanto o legendário senhor afastava Jamie de seu caminho e começava a caminhar para ela e Graham. Ela quase riu de si mesma por pensar em quão bonito era. Aquele homem era glorioso, a perfeita encarnação de um guerreiro, sem precedentes e invicto. Seu colorido plaid cobria seus ombros uma légua de largura. A pesada claymore ao seu lado acrescentava mais arrogância a suas largas passadas masculinas. Seu cabelo negro brilhava com a umidade da suave névoa ao seu redor, e muito além de seus ombros caíam dois fios trancados nas têmporas. Seu rosto poderia ter sido feito da rocha inquebrável que flutuava atrás e por cima deles. Quando parou a poucos centímetros dela, Claire não podia deixar de tremer ante sua presença. Seus olhos eram da cor do fogo, pintados de azul com fragmentos desumanos de ouro. Fixou-os nela em primeiro lugar, em uma avaliação lenta e 226


extenuante desde suas botas até a espada pendurada em sua cintura. Ela levantou o queixo em um esforço para parecer menos afetada por ele, mas o agudo poder de seu olhar, quando finalmente se estabeleceu no dela, minou sua confiança e ela olhou para o outro lado. −A prima de nosso rei é bem-vinda a Camlochlin. Ela levantou o olhar enquanto ele se endireitava depois de uma leve inclinação de cabeça, e se encontrou com um olhar de respeito. Depois ele passou ao seu lado, com aroma de urze e névoa. Reuniu-se com Graham em um abraço esmagador. −Bem-vindo a casa, filho da puta. Não fique tanto tempo longe da próxima vez. Graham o golpeou nas costas quando se afastou e se voltou para Claire. −Claire Stuart −a apresentou com um sorriso e pegou sua mão. Callum observou o gesto possessivo e lançou ao seu amigo um olhar divertido. −Sei que é hábil com a espada – ele disse, fixando seu olhar nela. −Eu… eu… Meu irmão… −OH, como diabos se supunha que tinha que responder a isso?Tinha que sentir-se orgulhosa de saltar sobre os homens e lhes cortar a garganta quando tinha diante dela a um guerreiro curtido na batalha, cuja grande habilidade para matar tinha conseguido inclusive a retirada de Oliver Cromwell? −Ela lutou espada contra espada contra o reino, Callum − Graham respondeu por ela. −Com que propósito? − o senhor perguntou, observando-a com um tipo diferente de admiração. −Para restaurar a monarquia −disse Claire, sem saber que o orgulho que tinha por sua causa era evidente na inclinação do queixo. Callum o viu e sua aprovação brilhou em seus olhos. −É uma boa causa, e é a que eu apoio. Ela acreditou. Este homem não estava em conluio com Monck. Não a manteria prisioneira em sua fortaleza, mas sim a protegeria ali. −Graham! 227


A voz da mulher pôs de lado os pensamentos de Claire e arrastou seus olhos para uma beleza de cabelo negro correndo para eles com um bebê em seu quadril. −Robert nos disse que viria − ela disse jogando-se nos braços de Graham−. É tão bom vê-lo de novo, querido amigo. Claire teria se preocupado se esta mulher era uma de suas putas, pois era tão positivamente radiante, com uns olhos brilhantes tão escuros quanto o ônix e uma cascata de alvoroçadas ondas emoldurando sua pele cremosa. Mas a forma na qual a cara do senhor se suavizou ao olhá-la disse a Claire quem era essa mulher. −Ah, Kate! Está mais bonita cada vez que a vejo. Deixe-me dar uma olhada no bebê – Graham pegou o menino dos braços de Kate MacGregor e o estreitou contra seu peito. Ao vê-lo, Claire o imaginou sustentando o seu bebê com tal cuidado e sentiu uma onda de calor percorrendo todo o seu ser. −É um bonito garotinho − Graham disse primeiro a Kate e depois a Callum enquanto que os dois se aproximaram um do outro, como se sentissem atraídos por algo muito maior que o orgulho por seu filho−. Como se chama? −Robert. Quando Graham escutou a resposta de Kate, lançou ao menino uma careta triste. −Se seus pais o tivessem chamado Graham, se converteria em um homem forte. −Meu irmão é muito forte − Kate disse, o golpeando no braço antes de recolher seu filho−. Lady Anne pensa o mesmo, o que é uma das razões pelas quais já a amo como uma irmã −isto constituiu sua perfeita apresentação, já que parecia terem se esquecido de apresentá-la tanto seu marido como seu melhor amigo. Kate sorriu para Claire e pegou sua mão−. É uma grande honra ter a uma dama em nossa casa.

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Antes que Claire tivesse tempo de corar diante do respeito que lhe oferecia, Kate a agarrou pela mão e a levou. −Venha, saiamos do frio e entremos para que a conheça, embora sinta como se já a conhecesse. Anne me disse que luta como um homem. Nunca conheci a nenhuma outra mulher que como eu… Graham, Callum e Jamie seguiram seus passos depois das moças para o interior do castelo. −É verdade então o que Robert diz? − Callum perguntou a Graham, lhe lançando um olhar casual. Graham deu de ombros. −O que é o que ele diz? −Que finalmente entregou seu coração a uma garota. Do outro lado de Callum, Jamie olhou através do peito do senhor para seu irmão, com os olhos ansiosos ante a resposta de Graham. −Sim − Graham disse, sorrindo para a longa trança de Claire que balançava em suas costas−. Talvez. O interior de Camlochlin era imensamente mais acolhedor que o exterior. Candelabros altos e tochas iluminavam os longos corredores. Tapeçarias grossas que representavam batalhas e cenas bíblicas cobriam as paredes, proporcionando calor às salas frias. O forte murmúrio dos Highlanders impregnava o aroma do ar com a melodia dos habitantes de Camlochlin indo daqui para lá. Mas não foi até que viu sua irmã que Claire se permitiu relaxar. Kate a levou ao salão principal, onde Anne estava sentada conversando com Robert e outra mulher ante o fogo crepitante da lareira. Ao menos Claire pensou que fosse uma mulher. Ela era pequena o suficientemente para ser uma menina, perdida na imensa cadeira de encosto alto onde se reclinava, com os pés pendurados a poucos centímetros do chão. Quando Anne viu sua irmã, ficou de pé e correu para a porta. −Estava preocupada com você. Está bem? −É claro que sim −as bochechas de Claire se ruborizaram em um tom brilhante, com a esperança −e a oração− de que sua irmã não lhe 229


pedisse explicações de por que ela e Graham haviam ficado para trás durante um dia inteiro. Felizmente não perguntou, mas não precisava. Parecia, pelo sorriso travesso nos cantos de seus lábios e um exame minucioso que fazia entrecerrar seus olhos azuis brilhantes, que a jovem já sabia. −Lady Stuart −disse Kate, conduzindo-a ao salão. Robert ficou de pé imediatamente e pegou o menino em seus braços−. Está é a irmã de Callum, Maggie. A pequena mulher se levantou de sua cadeira, com uma ligeira corcunda nas costas que não a deixava mais alta que as costelas de Claire. Seu sorriso se suavizou lhe dando boas-vindas, enquanto observava Claire tão de perto quanto tinha feito seu irmão. −Hmm… − ela expressou, e por isso Claire se sentiu como se estivesse sendo avaliada para um propósito mais elevado, mas sem ainda nenhuma conclusão sobre seu valor−. Estou triste pela notícia de seu irmão. Claire piscou ante a repentina mudança de direção, e depois assentiu com a cabeça. −E eu −Kate agarrou sua mão e a apertou−. Não posso discernir quão dura deve ser essa perda para as duas. −Tampouco eu − Maggie acrescentou com um pesado suspiro. Claire observou o amoroso sorriso que Kate oferecia a Robert enquanto este arrulhava para seu sobrinho. Por que diabos sentia uma repentina vontade de chorar? Limpou a garganta, mas não serviu de nada. Seus olhos se encheram de lágrimas. Por que agora? Suplicou aos céus. Tinha tido meses para chorar pela morte de Connor. Por que seu corpo a traia agora em frente destas mulheres a quem nem sequer conhecia?Porque a entendiam. Ambas tinham irmãos tão queridos para elas quanto Connor tinha sido para ela. −Foi muito duro – ela admitiu pela primeira vez. Ao escutar a emoção em sua voz, Robert elevou o olhar e Anne correu ao seu lado. 230


−Eu também o sinto falta dele −disse−. Desejava falar dele com você, mas você… −Eu sei − Claire a tranquilizou, acariciando a bochecha de sua irmã−. Me perdoe. Às vezes me esqueço de que você também o perdeu. Anne sacudiu a cabeça, derramando lágrimas sobre a mão de Claire. −Ele era seu gêmeo e seu amigo mais querido. Sempre entendi o vínculo entre vocês e nunca me senti ofendida por isso. Claire a abraçou enquanto a porta se abria e entravam os homens. −Bom, olhe o que os ventos trouxeram para casa −Maggie pôs os punhos nos quadris e lançou a Graham sua maior careta de desaprovação. −Venha aqui, pequena diabinha, e admita que sentiu falta de mim. Sem virar-se imediatamente, pois não queria que Graham visse suas lágrimas, Claire fechou os olhos e deixou que o som de sua voz a acalmasse. Um momento depois, ela o olhou incapaz de fazer algo mais. Ele havia devolvido a sua vida a risada e a motivação. Uma parte dela tinha morrido com Connor, mas Graham Grant a fez se sentir viva de novo. Ela sorriu vendo Maggie jogar-se em seus braços. Demônios! Ela queria ser a seguinte.

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Capítulo 28 Mas saibam isto: eu sou um soldado que não necessita nada mais. A sala privada de Claire se gabava de dispor de dois armários monstruosamente grandes esculpidos em madeira de nogueira marrom profundo com dobradiças de ferro forjado. As duas mulheres que a acompanharam se mantiveram em silêncio enquanto sacudiam as teias de aranha dos cantos e colocavam madeira para alimentar o fogo da lareira gigante. Kate as tinha apresentado como Glenna e Lizbeth, filhas do curtidor. Eram as gêmeas, compartilhando o mesmo cabelo castanho, ardentes olhos verdes e lábios apertados. Bonitas, mas de caráter azedo. Claire deu de ombros, sentada na beira da uma enorme cama com dossel. Suspirou com prazer sobre o colchão de plumas macias debaixo de seu traseiro. E seu traseiro a estava matando por estar na sela há tanto tempo. Uma das donzelas −Claire não podia dizer quem era quem−, amassou com força o colchão, agarrou um travesseiro e lhe deu um golpe caloroso. Uma pequena nuvem de pó estourou e fez Claire espirrar. A gêmea procurou o outro travesseiro, mas Claire se adiantou e pôs sua mão sobre ela. −Eu posso fazer o resto −disse com um sorriso cáustico−. Isso é tudo. A gêmea endireitou sua coluna e limpou as mãos na saia. Seu olhar era muito afiado e Claire perguntou-se que demônio tinha feito para zangar as moças desse modo. Parecia como se quisessem dizer algo, ou possivelmente cuspir em Claire, mas a voz de sua irmã a deteve. −Venha, Glenna, deixa-a. Ele se cansará dela muito em breve. 232


Ele? Pelas bolas de Satanás! Claire golpeou o colchão, expulsando mais pó. Deveria ter sabido. Aonde fosse iria se encontrar com amantes do Graham? E as gêmeas! OH, filho da puta lascivo. Será que sua decadência não tinha limites? Cansar-se dela! Já jogava faíscas quando as gêmeas abandonavam a câmara, fechando a porta atrás delas. Ele teria sorte se ela não se cansasse dele e de seu apetite libidinoso primeiro. Por fim sozinha, olhou ao seu redor e fez um balanço de sua situação. Até o momento, com exceção das gêmeas, Camlochlin estava demonstrando ser muito agradável. Todo mundo era dolorosamente amável com ela. Kate tinha feito de tudo para fazer com que se sentisse em casa, e gostava da faísca de beligerância nos olhos de Maggie. Anne parecia dar-se bem com elas. Onde demônio estava Anne, de qualquer jeito? Havia em Camlochlin tantos quartos que cada um tinha o seu próprio? Demônios! Necessitava um banho. Houve um golpe na porta e Claire a olhou, se perguntando se as gêmeas tinham retornado com um par de adagas combinando. Ficou em pé sobre suas botas e saltou da cama para abrir a porta. Desta vez um quarteto de radiantes belezas, cada uma com o cabelo de um tom ligeiramente diferente de loiro, reunia-se frente ao seu olhar cauteloso. Fizeram-lhe uma reverência quase ao mesmo tempo, chamando-a de “sua senhora”. −OH, bem então −disse uma delas, olhando-a. Ela franziu o cenho ante as túnicas cobrindo seu braço. −Olhem −Claire já tinha tido o suficiente. Colocou um punho no quadril e lhes lançou um olhar fulminante−: eu não as obriguei a passarem pelos braços do canalha, ou por sua cama. Se tiver que suportar outro olhar de zombaria de suas amantes desprezadas, juro que eu o matarei eu mesma e terminarei com todos os seus sofrimentos. Uma das quatro lançou ao resto um olhar de preocupação. −Refere-se ao Graham?

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−É exatamente a quem me refiro −clamou Claire−. Disse-me que era malvado, mas não tinha nem ideia… −Pobrezinha − a que parecia mais alta e mais velha do grupo estalou a língua, acertou uma palmada de simpatia no ombro de Claire e deu um passo além dela dentro do quarto−. Nós não somos amantes de Graham – ela disse, deixando os vestidos sobre a cama−. Somos suas irmãs. Eu sou Murron − girou em torno dela e sorriu para Claire−. Elas são Sineag, Mary e Aileen. Claire se virou para as outras três, desejando que uma cama tão grande como a de seu quarto caísse sobre ela. −Suas irmãs… − Me perdoem por… −Não importa − lhe assegurou Sineag, entrando a seguir. Aileen a seguiu, com seus cachos dourados ricocheteando contra as nádegas. −Sim, nós entendemos. Às vezes, inclusive eu acho que Graham merece uma faca na barriga. −Aileen! −entrou Mary depois, pondo a mão na garganta pelo horror−. Não pode estar falando sério! −Demônios! Claro que não falo a sério! −Aileen limpou a preocupação de sua irmã−. Mas sabe tão bem quanto eu, Mary, que nosso irmão saltou sobre todas… −Aileen −Murron a interrompeu com um olhar severo−. Por que não prepara um pouco de água quente para o banho de Lady Stuart? −Mas eu quero… −Aileen −o tom de Murron era sereno, mas a advertência a sua irmã de que não discutisse era clara. Claire observou Aileen bufando de raiva enquanto saía do quarto. Tinha fogo em seu interior. Claire gostou dela imediatamente. Virou-se para Murron, que pensava que ela necessitava de amparo contra a verdade. −Sei das… −fez uma pausa, procurando a palavra apropriada−… aventuras, de seu irmão. −Mas não quer que a recordem disso, certo? −Murron se virou para os vestidos sem esperar uma resposta. 234


Não, não queria, pensou Claire com uma compreensão mais clara agora da consideração de Murron. −Pensamos que você gostaria de desfrutar de um banho quente e roupa limpa depois de uma viagem tão longa − Murron disse, segurando no alto uma túnica, tingida de amarelo pálido. O corpo tinha um corte alto até a cintura, com um plissado de lã grossa e luxuosa caindo em cascata até o chão−. Infelizmente −disse inspecionando os calções de Claire de novo−, temo que não lhe assentarão bem. −Não, são lindas −Claire se apressou em assegurá-lo, sentindo-se ainda muito mal por confundir às quatro mulheres com amantes de Graham. Correu à cama e pegou outras duas túnicas uma de um rico tom verde esmeralda e outra vermelha rubi. Havia anáguas longas, feitas com um linho branco e suave, tanto de manga longa quanto curta−. Na verdade, ficarão muito bem. Murron e Sineag lhe dirigiram sorrisos de cumplicidade, com os olhares presos na espada pendurada em seu quadril. Mary fez outra reverência, retorcendo as mãos no avental. −Rezamos para que o rei retorne logo, minha senhora. Claire sorriu. −Eu agradeço. −Kate lhe trará saias para usar sobre elas se você se aventurar ao ar livre − Murron lhe disse −. O tempo fica terrivelmente frio nesta época do ano. As irmãs permaneceram com ela até que Aileen retornou com mais homens e mulheres que traziam uma grande bacia e baldes de água fervendo. Falaram com Claire sobre o parentesco entre os Grant e os MacGregor, e compartilharam com ela alguns conselhos sobre como dar-se bem com Maggie. Amavam sua cunhada com grande carinho, mas ela possuía um gênio diabólico. Felizmente, só havia duas coisas que a faziam se enfurecer: comer animais e repreender o filho de Callum e Kate. 235


−Mima esse menino como se fosse dela− Mary disse com um suspiro de desaprovação enquanto vertia água na bacia. −E o que tem que de errado nisso? − Aileen murmurou, sacudindo a cabeça para sua irmã−. Ainda tem que conceber seu próprio rebento, assim ela esbanja muito amor para o pequeno. É compreensível. −Sim −coincidiu Sineag solenemente−. Duvido que alguma vez dê um filho para Jamie. Ela e Callum foram torturados pelo avô de Kate quando eram meninos −explicou a Claire−. Seu corpo ainda sofre os efeitos, embora sua mente tenha se curado desde que seu irmão deixou de lutar contra os Campbell. −Foi a tortura o que a deformou assim? −perguntou Claire horrorizada. −Sim −disse Murron−, mas ocorreu faz muito tempo e nosso senhor e sua irmã preferem esquecê-lo. −Falando de irmãs - se aventurou Aileen, dando um passo mais perto de Claire−. Eu conheci a sua e não se parece em nada com você. Se me permiti, minha senhora, é verdade que pode empunhar uma espada melhor que um homem? −Melhor que alguns, e tão bem quanto à maioria − Claire respondeu. Se a garota era atrevida o suficientemente para fazer tal pergunta apesar das expressões exasperadas de suas irmãs, pedindo que se calasse, merecia uma resposta sincera. −De verdade? −os olhos de um azul profundo de Aileen se iluminaram−. Eu estive praticando a espada com Kate, mas desde que Rob nasceu ela não se preocupa muito em aperfeiçoar suas habilidades. Talvez você considerasse… −Aileen, deixa-a em paz −ralhando com uma careta, Mary a conduziu para a porta−. Céus! Que homem vai te querer por esposa se estiver apontando uma espada para seu rosto? Sua saída se deteve quando Graham chegou à porta, bloqueando o caminho. 236


−Um homem que aprecia a uma moça valente – ele lançou um olhar para Claire e sorriu. Claire sentiu uma onda de calor por todo seu corpo. Ele a aceitava pelo que era desde o dia que se conheceram. Gostava de sua beligerância, tinha jogado de gato e rato tentando vencê-la até que soube de seu compromisso matrimonial com Robert. Mesmo depois que descobriu que era ela quem tinha lutado contra os homens de Monck, ele não a tinha chamado de louca. E quando ela temia que fosse muito “moleque” para seu gosto, provou-lhe com seu beijo, seu tato e seu corpo a mulher que era. Não podia ficar zangada com ele por Glenna, Lizbeth ou qualquer outra mulher que o desejasse. Não quando o olhava nos olhos e via uma ternura tão genuína contemplando-a do outro lado do quarto. −Tem certeza de que quer que ela fique aqui em seus aposentos? −Murron deu um passo para frente quando Graham entrou−. Acho que isto pode criar problemas. −Sim, tenho certeza − Graham disse, sem afastar seus olhos de Claire enquanto cruzava o quarto para ela−. Ninguém protestará. Seus aposentos? Os olhos de Claire correram pelo quarto e pousaram na cama que havia compartilhado com outras mulheres… com as gêmeas! Pelas bolas de Satanás! Não podia dormir ali. −Você deve respeitar as regras −Mary puxou o plaid de seu irmão, o olhando com nervosismo−. Ela não é uma garota do povo, e sim a prima do rei. Claire não tinha nem ideia de por que Mary falaria de suas normas. Estava muito ocupada sentindo arder suas bochechas ante a ideia de como se jogaria nos braços de Graham e encontraria seu ardor com mais desejo que qualquer empregada de taverna. Ela estava acostumada com os olhares de desaprovação quando as pessoas entendiam que era uma guerreira. Mas ela não era uma rameira! −Protesto! −pôs sua mão diante Graham para detê-lo−. Não vou dormir em seu quarto. 237


Graham cobriu a mão em seu peito com a sua própria e enviesou sua boca formando um sorriso devastador. −Prefere dormir comigo sob as estrelas? Demônios! Era um perigo para seu bom senso, para sua virtude. Sabia disso desde que a tocou pela primeira vez. Não tinha compreendido o valor do que tinha lhe dado da mesma forma que uma dama da corte teria feito. Mas estar aqui lhe recordou que tinha um nome nobre que defender. −Eu preferiria compartilhar um quarto com minha irmã. Não deixarei que estas pessoas pensem que sou uma rameira – ela acrescentou em um sussurro, quando ele levantou uma sobrancelha. −É obvio que não −disse com indulgência, e depois se dirigiu a suas irmãs−. Lady Stuart compartilhará o quarto com Lady Anne. Esta noite. −Todas as noites − Claire o corrigiu. Graham girou sobre seus calcanhares, parecendo um pouco mais preocupado. −Todas as noites? Assentindo com a cabeça, Claire lhe deu de presente um sorriso agradecido, passou ao seu lado e se dirigiu à porta. −Eu o verei no jantar.

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Capítulo 29 Não faço isto com a esperança de alcançar a grandeza, mas com o medo de ser dominado... Nada mais deve ser seguro. Levantando sua taça pela quarta vez em um brinde que não tinha nenhuma importância, Graham bebeu seu uísque e deu graças aos Santos por levá-lo para casa. Podia viajar pelos três reinos, mas não havia nada tão bom como beber com seus parentes no grande salão de Camlochlin. −Por Robert −Angus elevou sua taça em alto uma vez mais, esperando que os outros na mesa fizessem o mesmo−. Por sobreviver a tantos chutes no traseiro. −Não foram tantos − Robert afirmou enquanto bebia. −Foram oito − recordou Graham, dando tapinhas em suas costas−. Há muito pelo que orgulhar-se. −Algum osso quebrado? −perguntou Callum, inundando um pedaço de pão em seu cozido de cogumelos e nabo. −Sim, meu nariz. Duas vezes. Aquilo valeu ao Robert outro rodada de brindes, a qual se uniu alegremente. Sentado ao lado de seu marido, Kate tomou um gole de leite quente e olhou ao comandante de Callum por cima da borda da taça. Com curiosidade, arqueando a sobrancelha, observou as vezes que seus olhos se voltavam para a entrada do salão. Ela sabia que Robert gostava da menor das Stuart, pois havia falado com seu irmão em particular na noite anterior e ele tinha falado de seus planos de casar-se com ela. Kate não podia estar mais feliz por ele. Anne era delicada e agradável, cortês e inteligente: ideal para Robert. De fato, parecia ter saído diretamente de um dos livros de contos que Rob estava acostumado a ler para ela quando eram meninos. Entretanto, Graham era um homem dedicado à busca do prazer, libertino e sem restrições. Vê-lo tão impressionado por uma mulher

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despertou o interesse de Kate. Que classe de mulher era Claire Stuart para lhe haver roubado o coração? −As damas com frequência tomam muito tempo para se arrumar, Graham. Ele deixou de bater a bota sob a mesa, olhou-a e em seguida riu em voz baixa, como se soubesse de algo que ela não sabia. −Sim, Kate. As damas o fazem com frequência. −Ele tem onze irmãs – Maggie zombou do outro lado de Kate−. Ele sabe a respeito dos hábitos das mulheres. Está procurando com o olhar a Claire Stuart porque está apaixonado por ela. Kate sorriu atrás de sua mão. Maggie sempre dizia a verdade sem dissimular ou acobertar suas palavras com doçura. −É realmente feliz com esta víbora como esposa? − Graham perguntou a Jamie, e piscou um olho para Maggie, cujo sorriso era tão diabólico quanto o de seu irmão. −Jamie −disse Robert, limpando a boca com o guardanapo−. Tinha a intenção de lhe perguntar, onde você pega todas as urzes que recolhe para sua bela mulher? Graham vai necessitar de algumas. Graham lhe lançou seu olhar mais alucinado. −Ele não recolhe urzes, Rob. Callum o faz. Brodie riu em sua jarra antes que Callum o tranquilizasse com um olhar de advertência. A conversa na mesa se tornou, como de costume, em luta, mas Graham deixou de escutar quando Claire finalmente apareceu na entrada. Queria ir até ela, mas não pôde fazer outra coisa que ficar boquiaberto, contando os profundos batimentos de seu coração, que marcavam o ritmo com seus passos. Ele sempre a havia achado linda em seu traje masculino, mas o vê-la pela primeira vez com saias caindo ao redor de seus pés calçados com sapatilhas e um corpete agarrado em suas curvas enlouquecedoras golpeou seu coração e o fez ainda mais ansiosos de levala de volta a seu quarto, onde poderia despi-la.

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Ele não se preocupava muito com seu desejo de dormir com sua irmã. Ela temia o que outros pudessem pensar dela aqui, mas não era necessário. Logo deixaria claro a todos que ela era dele e só dele. Até então, ela poderia deslizar facilmente sem ser vista para seu quarto como tinha feito na estalagem. −Por favor, perdoem nosso atraso − Anne disse amavelmente depois de que os homens se levantaram para recebê-las. −A culpa é minha −disse Claire, se culpando−. Temo que meu cabelo tenha vida própria. Seu cabelo se via glorioso em uma elaborada coroa de nós e tranças, vagamente tecidas com fitas da cor do âmbar. Graham sorriu e virtualmente empurrou Angus, que estava sentado a sua direita, para que se levantasse de sua cadeira. −A espera valeu a pena. −Pareço totalmente estúpida? − ela sussurrou-lhe, pegando o assento de Angus e dando um puxão no rígido corpete que cortava sua respiração. −É a moça mais bela daqui − ele assegurou, desejando tocá-la. Ela lhe dirigiu um sorriso de agradecimento, e depois se voltou para os outros na mesa. Graham a olhava enquanto ela voltava a saudar o senhor e a senhora de Camlochlin. Quando ria com Kate e Anne, encontrou-se pensando com se sentia bem de tê-la ali, entre seus parentes, uma parte de sua vida, e da deles. Ela inclusive ganhou Maggie quando rechaçou cortesmente o espeto de carne assada colocado diante dela. −Callum diz que seus homens necessitam de alimento adicional pelos meses de inverno que se aproximam − Maggie lhe disse mordendo uma maçã−. Mas prefiro ser fervida em óleo que comer algo que uma vez chegou a olhar para mim.

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−Nunca tinha pensado dessa maneira −Claire lançou a seu espeto um olhar de repugnância e o empurrou mais longe para o deleite de Maggie, e deu outro puxão aos cordões de sua cintura. Sim, refletiu Graham, ela encaixa muito bem aqui. Ao agarrar sua mão, deu-se conta e quão estúpido tinha sido por ter tido medo do que sentia por ela. Ela… Ela retirou a mão e lhe lançou um olhar bravo, a qual respondeu ele com um olhar desanimado. Uns momentos depois, ele levou o braço ao redor da parte de atrás da cadeira dela e esfregou o polegar ao longo de seu ombro. Ela se moveu, afastando-se de seu contato íntimo. Depois disso, a conversa girou em torno do general Monck, e ela evitou o olhar de Graham com o mesmo ardor com qual tinha declarado sua desconfiança pelo governador de Escócia. −O que lhe deu motivo para suspeitar dele e de tal traição? −perguntou-lhe Callum, lhe dando a chance de dizer o que pensava. −Que ele queira nos casar com homens a sua escolha e obter assim nossas terras. −E acha que Robert deseja suas terras?−perguntou-lhe Callum. −Bom… Não… −E me diga −Callum a interrompeu suavemente, com os olhos postos nela−. Por que iria querer meter-se em toda esta confusão de as trazer aqui para as casar com um homem que não deseja sua terra, quando poderia ter pedido a Rob que as levasse para Edimburgo quando estavam tão perto e assim as obrigar a casar ali? Claire o olhou fixamente durante um momento como se esse pensamento nunca lhe tivesse ocorrido. −E James Buchanan? A morte de seu irmão não beneficia a ele também? Claire lançou ao Robert um olhar ardente. −Sim, ele me contou do desejo de Buchanan de casar-se com você e não com sua irmã −disse Callum, trazendo sua atenção para ele−. Ele não

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só ganhará terras, mas também o favor do rei ao toma-la como esposa, não é? −Ele não vai se casar com ela − Graham disse sem rodeios. Quando Claire finalmente se virou para ele, ele a olhou diretamente nos seus olhos brilhantes, animando-a a desafiá-lo por isso. Ela não o fez, mas sim lhe lançou um olhar severo de novo. −Lorde Buchanan gostava de meu irmão – ela disse ao Callum−. Graham e Robert não o conhecem tanto quanto eu. −Não temos provas contra nenhum deles − recordou Robert ao laird, tendo informado já ao Callum de suas preocupações a respeito de Buchanan. −Então não podemos fazer nada por agora. −E o que vai acontecer com Anne e comigo enquanto isso? −perguntou Claire, puxando, mais zangada agora, seu corpete−. Quando Monck considerar seguro enviar alguém em nossa procura, tomará decisões que não posso cumprir. Callum a olhou, e depois, com um toque de diversão dançando pelos olhos, olhou para Graham. Sim, Graham sabia que era uma harpia. Não necessitava que o recordassem. Provavelmente nem sequer dava-se conta de que estava olhando para o Diabo MacGregor. A maioria das moças não se atrevia a lhe oferecer a bochecha, com exceção de sua esposa e Maggie, mas Claire tinha uma mentalidade própria −que Graham tinha começado a temer no momento em que se separou dele− que poderia não gostar enquanto estivessem em Camlochlin. −Enquanto isso apreciarão sua estadia aqui e não se preocupem com a decisão do governador − Callum lhe disse em um tom que punha fim à conversa. −Com todo meu respeito, meu senhor, eu gostaria de saber se você… −Claire! −Anne tentou lhe dar um chute sob a mesa e golpeou Graham em seu lugar. Seus olhos lhe disseram que o sentia, mas seu sorriso 243


era tenso quando se voltou para sua irmã−. Não incomodemos a nosso amável anfitrião. É tarde e devemos nos retirar. Claire sorriu igualmente tensa, mas concordou com a cabeça e se levantou de sua cadeira. Graham se levantou num pulo e pousou os dedos ligeiramente sobre seu pulso. −Claire – ele disse em voz baixa. Ela levantou a vista, e sem mais que uma careta em seus lábios, desejou-lhe boa noite. Claire não foi ao seu quarto essa noite, nem em nenhuma outra noite a partir de então. Quando Graham a via no grande salão, ou no pátio, ou inclusive nos corredores, sempre estava acompanhada por um rebanho de mulheres. Parecia como se suas próprias irmãs estavam determinadas a Mantê-la longe de seus braços. Depois de quatro dias sem tocá-la, sem sequer falar com ela, estava disposto a quebrar algumas cabeças. depois de sete dias, pensou seriamente em montá-la em seu cavalo e sair de Skye. Quando ela havia tentado converter-se em uma dama durante sua viagem, o fez para agradá-lo. E agora ele não estava satisfeito. Finalmente, encontrou-se com ela em um dia tão sombrio quanto seu estado de ânimo. Aileen estava com ela no pátio, levando uma espada tão longa quanto suas pernas. Enquanto a irmã dele parecia esgotada, Claire aparecia ressuscitada e fortalecida, com as bochechas acesas apesar do tempo frio e nublado. Quando o viu, saudou-o como se nada estivesse errado entre eles. Estava louca? Ele apertou os dentes quando ela se aproximou com Aileen ao seu lado. Quando ela passou por ele, Graham deu um passo para bloquear seu caminho. −Aileen, nos deixe −sua voz estava cheia de clara ira e frustração. Quando sua irmã vacilou, a advertência escura em seus olhos a animou a mover o traseiro. −Como está, Graham? − Claire perguntou de modo afável. 244


Ele levantou as sobrancelhas. −Como estou/Como estou?− ele deu um passo mais perto e ela se virou para trás−. Claire, o que diabo está acontecendo? −Acontecendo? – ela afastou uma mecha solta da bochecha, olhou para suas botas e depois para todo o resto no pátio, menos para ele−. Não sei o que quer dizer. −Sim, sabe exatamente o que quero dizer – ele grunhiu−. Fez tudo o que pode para me evitar. Por quê? Claire não podia lhe dizer a verdade. Que com o fim de resistir, tinha que manter-se totalmente longe dele, porque só de o olhar suas entranhas ardiam e sentia a cabeça leve. Tinha que resistir a ele porque com só uma carícia ela se perderia sem preocupar-se no que pensariam dela. Tinha tido Dias para pensar nas consequências de suas ações com ele. Ela era parente do rei Carlos, arruinada por um canalha que não tinha sido fiel a nenhuma mulher. −Não posso falar com você agora. Kate vai ler Malory para mim e chego tarde... − ela tentou ir-se, mas ele a agarrou pelo pulso e a puxou. −O que eu fiz para você se aborrecer? −Nada – ela tentou liberar seu braço, mas ele o segurava firmemente−. Já disse que não queria que toda esta gente pensasse que eu… −Não me importa o que pensam Claire. Você me pertence. −Graham, pare já − ela se separou dele, empurrando sua mão livre contra seu peito−. De onde eu venho uma mulher não se limita a “pertencer” a um homem porque ele quer que assim seja. E se quer saber a verdade, eu o acho um pouco bárbaro e insuportavelmente arrogante, e eu não… Suas palavras e seu fôlego chegaram a um abrupto fim quando ele a tomou pela cintura e a levou a sua boca. Seu beijo era duro, exigente, totalmente possessivo, deixando-a sem dúvidas de sua reivindicação.

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Interrompeu o beijo com uma respiração entrecortada e apertou seus lábios com moderação. −Se for um sacerdote o que deseja, procurarei um, Claire. Ela ficou imóvel em seus braços, e depois o olhou lentamente. Seus olhos eram de formoso azul claro que Graham só por olhá-los daria seu coração, sua vida e sua espada por ela. −Está me pedindo que case com você? − ela perguntou sem fôlego. −Sim – ele sorriu para ela−. Se isso fizer sua estadia aqui mais fácil. −Mais fácil… −seus olhos se escureceram em um tom índigo esfumaçado. Ela apertou a mandíbula e seu nariz bufava. −Deixe-me ir, caipira descuidado! –ela livrou-se de seu abraço−. Você se oferece para se casar comigo para me colocar em sua cama! −Preferiria que eu pedisse que a colocasse ali? −sua voz se converteu em um grunhido furioso. Parecia como se estivesse a ponto de lhe dar um murro. Sentiu a tentação de dar um passo atrás. Ela não se moveu para golpeá-lo, mas sim enquadrou o queixo e o olhou. Graham estava seguro de ter visto uma pitada de dor em seus olhos. −Depois de todo este tempo juntos, ainda acha que pode me dar ordens? Ainda não me conhece, Graham? Eu não te pertenço, e te digo que se pudesse escolher marido, não escolheria você! Ela partiu, o deixando olhando para ela, com uma dor dilaceradora nas vísceras recordando-se de por que tinha jurado nunca mais apaixonar-se por uma moça.

Capítulo 30 Serei despojado no campo de batalha ou revestido de justiça e preparação? −Você realmente quer se casar com ela/ 246


Graham recusou a jarra que Callum lhe oferecia e observou seu melhor amigo reclinando-se na cadeira ao seu lado diante do fogo crepitando na lareira. Estavam sozinhos no salão, um lugar ao qual estavam acostumados a ir para discutir o seguinte assalto dos Campbell. Agora estavam aqui para falar de mulheres. −Sim, quero. Callum lhe lançou um olhar cético. −Se pensar mais, então talvez não fique tão seguro. −A ideia me apavora se quer saber a verdade. Mas estou seguro. −Ela é prima do rei − Callum lhe recordou. −Sim, eu sei. Mas é minha pela lei Highlander. Esticando as pernas diante dele, Callum apoiou a cabeça no encosto da cadeira e fechou os olhos. −Se Carlos for restaurado, não vai concordar. −Por isso queria o fodido sacerdote. Seu amigo sorriu. −Pense bem nisto, irmão. Há muitas moças na Escócia. −Sim, e juro, Callum, que todas elas me confundem. −Não são tão difíceis. Apenas desejam que as queiram. −Não Claire − sustentou Graham, golpeando as botas dele −. Ela está convencida de que não necessita que um homem que a proteja. É muito independente, uma falha que atribuo ao seu irmão. −E esta ferinha independente… você a quer em sua cama? −Callum riu, dando uma olhada na careta apertada de seu amigo. −Acusou-me de desejar me casar com ela simplesmente para levá-la lá. Só queria fazê-la saber que não necessitava disso. Não soava arrogante, a não ser muito magoado. Callum quase se compadeceu dele. Mas faria bem ao seu comandante refletir com seu coração pela primeira vez ao invés de pensar com o resto de seu corpo. −Como você disse, ela não entende nossos costumes Highlanders. Terá que lhe pedir desculpas Os olhos de Callum ainda estavam fechados, por isso não viu o olhar enlouquecido de Graham dirigido a ele. −Você pede desculpas a Kate com frequência? 247


−Mais do que eu gostaria, sim. −Demônios! Converteu-se em um lilás como meu irmão. Sem alterar-se pela brincadeira de seu amigo, Callum bocejou. −Eu lhe demonstrarei à primeira luz do dia o lilás em que me converti. −Kate vai te deixar sair à primeira luz do dia? −Talvez não. Pode ser que insista em que mantenha a cama quente até que nosso filho desperte. Mas não tema se eu chegar tarde. Terá aos cães no salão para te manter quente – ele abriu as pálpebras, oferecendo a Graham um sorriso triunfal, e logo fechou os olhos outra vez. Demônios! Não estava para brincadeiras essa noite. Seu coração estava com ela, maldito seja! Ele se desculparia, se isso era o que ela queria. −Parte do que sou me diz que não importa se me quer. Custa muito tomar esposa sem os votos da igreja, já que a igreja nega nossos direitos. Mas outra parte de mim… −disse Graham em voz baixa, o que demonstrava que tinha estado refletindo sobre seu coração fazia tempo− uma parte da qual não tinha conhecimento até esta noite, deseja que ela queira estar comigo sempre. Agora Callum se ergueu e prestou toda sua atenção em Graham. −Então você a ama? Só para este homem, seu melhor amigo de infância, Graham poderia confessar a verdade e quanto isso o assustava. −O amor faz com que sinta que não há limites para o que está disposto a fazer por agradá-la? Então, sim − Graham disse quando Callum assentiu com a cabeça−. Eu a amo. E me assusta a vulnerabilidade que isso traz consigo. É como estar em um campo de batalha sem uma espada ou sequer um escudo para se proteger. Callum concordou. De fato havia momentos em que o amor o fazia sentir-se desta maneira. −Faz um homem querer renunciar a suas defesas e entregar sua vida. −Sim −concordou Graham. Seu amigo o entendia. 248


−Mas se ela te corresponde − assinalou Callum−, não precisa se defender por mais tempo. OH, demônios! Ruminou Graham, recordando suas últimas palavras com ele no pátio. Estava definitivamente condenado. −Então agora mais que nunca preciso me defender. *** Claire estava sentada no salão escutando Kate falar do Rei Artur e seus nobres cavalheiros. Pelas bolas de Satanás! Estava muito triste. Quanto mais Kate lia sobre aqueles ternos e românticos guerreiros do reino, mais triste Claire se sentia. Maldito seja esse patife insuportável, Graham Grant! Por que não podia parecer-se mais com Lancelot, cujo amor por Guinevere era tão forte que derrubou um reino? Amor? Ha! Ela bufou em voz alta. Graham não sabia nada sobre o amor. −Claire? Piscou enquanto olhava para Kate e lhe ofereceu um olhar interrogativo. −Sim? −Não está prestando atenção. Há algo do qual desejem falar? Demônios! Claire não tinha que ver a faísca de conhecimento nos olhos de Kate para dar-se conta de que Graham provavelmente havia dito a Callum o que tinha ocorrido entre eles, e Callum tinha contado para sua esposa. −É um rato! −Claire saltou de sua cadeira e começou a caminhar pela pequena distância entre elas−. Não, é menos que um rato! −Graham? −Sim! Pensei… Tinha a esperança… Deixei que fosse importante para mim e depois, porque omiti meus afetos, pediu-me para casar com ele. −Ainda estou assombrada pela notícia −admitiu Kate, com os olhos abertos. −Não fique −Claire se virou para ela−. É um rato intrigante que fará tudo para conseguir o que quer, e se suas artimanhas não têm êxito, recorre à intimidação. OH, não quero falar dele nunca mais! Eu vou trocar de

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roupa. Tenho que lutar contra algo. De preferência com a cabeça de Graham. −Irei com você −Kate deixou seu livro e literalmente saltou de sua cadeira−. Rob está dormido e não tenho praticado com a espada há anos. −Sim −disse Claire, virando-se para ela ao sair do salão−. Robert me disse que sabiam usara espada. É boa? Dez minutos mais tarde, Claire estava sob uma vasta extensão de nuvens da cor do estanho, com a espada em sua mão. Seu oponente não se parecia com nenhum guerreiro contra o qual Claire tinha lutado. Inclusive na prática, Aileen parecia mais poderosa que esta mulher pequenina com seu vestido de lã. −Quer prender o cabelo primeiro? Kate deixou cair uma cascata de ondas de ébano sobre seu ombro enquanto apertava o punho da espada com ambas as mãos. −Não me incomoda. −Serio?− Claire perguntou enquanto a rodeava−. É tão longo. O meu me distrai. −Sim, o seu é espesso −concordou Kate, olhando a trança da outra mulher−. Eu o observei outra noite no jantar quando o levava solto – ela tentou golpear o abdômen de Claire. −E suas saias? Kate encolheu seus pequenos ombros. −Sempre pratiquei com saias. Suas espadas se golpearam em um choque diante de seus rostos. Impressionante, pensou Claire, enquanto atacou às pernas de Kate e falhou. −Então, o ama? − Quem? −perguntou Claire, evitando um golpe no ombro. −OH, pelas brasas do inferno! Graham! −Não − Claire disse rapidamente, e em seguida mordeu o lábio−. Sim. Amei. Eu acho. − Então não está certa? Claire deu de ombros. −Nunca estive apaixonada antes. Kate deixou de mover sua espada por um momento para lhe sorrir. 250


−Ambos têm muito que aprender. −Talvez −Claire se preparou de novo−. Mas não aprenderei com esse canalha. Não me darão mais ordens nem o general Monck nem Graham Grant. −Entendo − Kate lançou um golpe cortante−. Mas, realmente acha que Graham quer casar-se com você apenas para tê-la em sua cama? Claire se deteve, corou e se esquivou de um golpe dirigido a suas costelas. −Ele segue as leis dos Highlanders, Claire. E se já a reclamou, não necessita de um sacerdote para fazer sua união legal. Já é. Ele tem direito de te levar para cama como qualquer marido. A ponta da espada de Claire caiu ao chão. −Quer dizer que já estamos casados? −Sei que parece um pouco bárbaro, mas são seus costumes. Especialmente desde que aos MacGregor e seus simpatizantes é negado o sacramento do matrimônio na igreja. −Mas o sacerdote… −disse Claire tentando compreender. Graham a tinha chamado sua mulher, não sua esposa! −O Pai Lachlan é nosso amigo. Ele nos casou, a mim e ao Callum, e a Maggie e ao Jamie também. Assim veja você, Graham não pediu para procurar por ele para poder se deitar com você. Ele pediu para… −Para me fazer isso mais fácil enquanto estamos aqui −terminou Claire, recordando as palavras de Graham com ela. Meu deus era sua esposa! Por um instante, não sabia se estava furiosa com ele ou eufórica. Tinha que ter lhe dito. Tinha que ter lhe pedido! Sua ira desapareceu quando outra ideia veio a sua mente. De acordo com suas leis, era realmente dele, e ele não a tinha exigido em seu leito todos estes dias, como era seu direito Highlander. Pelas bolas de Satanás, estava sendo respeitoso! −O rei não vai ficar satisfeito −disse um instante depois, com preocupação na voz.

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−Sim, Callum também se preocupa com isso − Kate confessou −. Mas sua união não significa nada na Inglaterra. Não será reconhecida, por isso não estará obrigada uma vez que abandone Skye. Sua união não significava nada? Por todos os demônios que não! −OH, aí está Callum. Rápido, Claire embainhe sua espada! −Por quê?Ele não quer que pratique?−ela já sabia a resposta. A maioria dos homens não aprovava às mulheres armadas. −Proibiu-me enquanto estiver grávida. Claire ficou pálida, esquecendo-se de Graham por um momento. Grávida! Maldita seja! Deveria estar descansando, costurando, fazendo o que seja que as mulheres fazem quando estão grávidas e não lutando com uma claymore! −Você deveria ter me dito. Nunca teria levantado minha espada contra você! −Que demônios acha que está fazendo, Kate? −perguntou o laird dos MacGregor enquanto caminhava para elas. −Só uma prática inofensiva, marido. −Eu a proibido disso, não se esqueça, esposa −disse com dureza, e depois fixou seu olhar cáustico em Claire−. Não lhe disse que está grávida? −Não até que… −Estou cansada de ficar sentada todo o dia engordando e engordando ainda mais −bufou Kate, chamando sua atenção−. Eu temo que meu amado esposo logo se canse de me ver inchando como um bezerro cevado antes de um banquete. Por Deus, essa é boa! Pensou Claire, vendo desaparecer todo rastro de irritação no rosto de Callum até converter-se em um absoluto remorso. Quando pegou sua esposa em seus braços, jurando que a amaria mesmo com o ventre inchado e que passaria os próximos seis meses demonstrandolhe. Claire observou o sorriso vitorioso de Kate sobre o ombro de seu marido. Assim que isto era o que fazia o amor a um homem. O fazia arrepender-se de sua imprudência, abandonar sua arrogância sem se 252


importar com quem o presenciasse. Suavizou seu olhar, amoleceu suas mãos e o fez recolher flores. Vendo o laird e a sua esposa, Claire de repente sentiu como se estivesse perdendo algo intensamente profundo em sua vida. Com um suspiro, embainhou sua espada e se virou para retornar ao castelo. Deteve-se na metade quando viu Graham a uns metros de distância com Rob e Anne. O amor fazia que um homem sacrificasse seus próprios desejos mesmo sem sequer entender por que pedia que cedesse? Seus olhos já estavam nela, bebendo-a como se não a tivesse visto em anos. Sua postura era casual até que seus olhares se encontraram e ele se moveu para frente como se não pudesse deixar de correr para ela. Entretanto, o coração palpitante de Claire quase deixou de pulsar quando de algum jeito o conseguiu.

Capítulo 31 Devo permitir que o jovem fiel morra enquanto o homem malvado prospera? Ali de pé, olhando à mulher que amava Graham nunca se havia sentido tão indefeso em sua vida. Como ia ignorar a pressão asfixiante em seu peito, a acalmar o violento palpitar de seu coração, ou a pôr fim ao desejo enlouquecedor de tomá-la em seus braços e prometer qualquer coisa, ela estando apenas a uns metros dele? Ele a conhecia. Era uma moça obstinada que não gostava que lhe dissessem o que tinha que fazer. Podia viver com isso. Demônios! Sua força foi o que o atraiu desde o começo. Mas, tinha rejeitado sua oferta de matrimônio porque estava zangada ou porque não 253


lhe correspondia?Ele queria saber, mas quando a viu, ele não estava certo de ter coragem suficiente para escutar o que ela diria. Quase a tinha alcançado quando se deteve, avistando um cavaleiro sobre a colina. Callum o viu também antes de desaparecer no castelo, e se deteve para esperar quando o cavaleiro lhe fez sinais. Graham fez um movimento de ir para seu senhor, mas freou quando viu Claire vir para ele. −Temi que talvez te tivesse ido e tivesse se casado com outra – ela brincou quando chegou até ele. Graham sorriu, sentindo falta do tom ligeiramente rouco de sua voz, e da forma em que esses cachos de cabelo loiro encobriam seus formosos olhos azuis. −Quem demônio poderia alguma vez comparar-se com você, Claire? Ele não queria soar afetado, não como alguns escudeiros feridos que acabam de ter a coragem de falar com uma deusa. Ele quase riu de sua incapacidade em controlar sua própria boca. Demônios! Era um fodido de bom guerreiro, mas nunca tinha tido oportunidade contra ela. Era melhor aceitar a derrota e deixar de correr. −Então, não está zangado comigo? −ela soava otimista e estava absolutamente linda. Deus! Sentia falta dela. Cada dia em sua vida sem ela parecia insignificante e sem brilho. Tudo o que tinha feito para conquistá-la antes desse dia ele repetiria até ganhar seu coração. −Eu não estava zangado com você − seu corpo estremeceu com a necessidade de tomá-la em seus braços e prometer dias de alegria e aventura se ela o aceitasse−. Era inconsciente e covarde - deu um passo para ela−. Mas te digo agora, Claire, que lhe… −Graham, Robert! Graham olhou por cima da cabeça de Claire a Callum lhe fazendo gestos com um pergaminho fechado na mão. O cavaleiro se foi.

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−Tragam as damas com vocês −disse seu amigo em voz alta. Quando o alcançaram, Callum estendeu a mão, oferecendo a carta às mãos de Claire−. Acaba de chegar de Kylerhea, enviado pelo general Monck. Têm que lê-lo. Claire pegou a carta com a mão vacilando. Por que tinha que lê-la? Se se tratava de seu matrimônio com Robert a rasgaria em pedaços e a lançaria aos quatro ventos. O selo quebrado confirmava que provinha do governador. Ela olhou para Callum, mas sua expressão dura não lhe deu nenhuma indicação do que havia dentro. Ao desdobrá-la, seus olhos se sentiram imediatamente atraídos pelas manchas marrons que cobriam a maior parte da correspondência. Sangue. A escrita era fraca, como se tivesse sido escrita por uma mão cansada. Uma mão mais forte havia escrito uma adição no canto superior do pergaminho. Leu isto o primeiro. Encontrado em Wallingford House Londres. Não se sabe quando foi escrito. Possibilidade de que o autor ainda vive, transportado à Torre. Se apressem. Tomem cuidado. De algum jeito, Claire sabia quem tinha escrito o resto da carta, apesar de que os golpes débeis e as linhas irregulares não se correspondiam com a mão forte de seu irmão. Seus dedos tremeram e os levou a boca para sossegar um soluço tremulo. Connor não tinha sido assassinado no caminho, mas sim tinha sido levado cativo à Torre e torturado antes de escrever isto. Quando terminou de ler, enxugou as lágrimas e entregou a carta a sua irmã. Dirigia-se aos estábulos quando Anne começou a ler em voz alta, mas Callum a segurou pelo antebraço. −Deixe-me ir – ela o advertiu−. Não me impedirá de novo de salvar minha família. −Ninguém a deterá, mas primeiro vamos discutir que curso de ação é mais conveniente tomar. 255


−Salvar meu irmão é o melhor curso de ação. −Claire −agora era Graham quem falava, pousando uma mão gentil sobre seu ombro−. Pode ser uma armadilha. −Sim, e não abandonará Camlochlin até que esteja seguro de que não querem nos matar. Os olhos de Claire brilharam com as lágrimas à medida que se voltou para Kate lhe pedindo ajuda, mas a esposa do laird só assentiu com a cabeça, lhe dizendo em silêncio que confiasse nele. Frustrada porque não tinha outra opção a respeito deste assunto, Claire lançou ao senhor um olhar venenoso. Ela não podia lutar contra ele. Tampouco queria fazê-lo. Mas cada instante que Callum a impedia de cavalgar para Londres se tornava mais imperdoável. Ela assentiu com rigidez e deixou que Anne terminasse de ler. Seus olhos se dirigiram para Graham, que estava escutando, mas olhou para outro lado. Não havia tempo para sentir-se carinhosa, para refletir sobre o que ele tinha tentado lhe dizer antes que Callum o interrompesse. Não deixaria que a detivesse desta vez. Não importava o que ele queria lhe dizer, ela abandonaria Camlochlin ao cair da noite. −Sabia que estava sendo traído então −disse Robert quando Anne terminou e todo mundo ficou em silêncio. −Mas, por quem? −Callum caminhava diante deles−. Se isto for uma armadilha estendida pelo Monck, por que esperar que todos estivessem aqui em Skye? Por que não os envio a Londres quando estavam em Edimburgo? −Porque não é uma armadilha −disse Robert−. Connor foi traído por James. −Pela última vez − Claire disse apertando os dentes−. Não pode estar certo disso. Ele faz referência a um amigo. Tanto James quanto Monck são seus amigos. Não sabemos a quem se referia - Pelas malditas bolas de Satanás! Estavam perdendo tempo! 256


−Eu sim sei −disse Anne fracamente ao princípio, e depois de elevar seu olhar choroso para sua irmã, repetiu com mais força−. Eu sei a quem se referia e também o general. É por isso que insiste em termos precaução. −Por Deus, Anne! James merece mais lealdade que… −Connor estava acostumado a me chamar de “a flor da Escócia”, Claire. Não se recorda? O rosto de Claire empalideceu golpeado pela primeira verdade. Pegou a carta das mãos de Anne e voltou a lê-la. —A flor da Escócia chorando. Salvem-me do beijo do diabo! —Connor me prometeu a James antes que seu amigo o traísse. Santo Deus, pensou Claire, sentindo-se enjoada ao sentir que as palavras de sua irmã encontravam caminho em seu coração. Anne estava certa. Todos estavam. Foi James. Encontrou-se com o olhar ardente de Graham e lutou para evitar uma nova torrente de lágrimas. Quase tinha provocado sua Morte por confiar em James. Se os guardas de Ravenglade os tivessem emboscado em Killiecrankie… −Ainda não explica por que Monck acredita que Stuart ainda esteja vivo. −Sim, possivelmente sim −disse Robert a Callum, e pegou de novo a carta das mãos de Claire. Ela se rendeu com um gesto, lhe oferecendo suas mais sinceras desculpas por duvidar dele. −... Guerreiro exposto ao frio de... −Robert leu a carta e a aproximou tentando entender seu significado−. Parece com “inverno”. Guerreiro exposto ao frio do inverno… morreu. E sem duvida, vive − o jovem conde olhou com pesar em seus olhos brilhantes −. O general Monck pensava que Connor estava falando de si mesmo. Mas o guerreiro que ele menciona é você, Claire. Sua gêmea, lutando em seu lugar. Claire negou com a cabeça. −Connor não morreu no caminho. Pode ser que ainda esteja vivo. −Estou de acordo. 257


Claire era capaz de saltar por cima de sua irmã e deitar-se nos braços do Graham. Em troca, ofereceu-lhe seu sorriso mais agradecido. −Eu preciso de você para me ajudar a matar James quando isto terminar. Ele caiu sobre seu joelho, e com as covinhas de seu sorriso, disse: −Pensei que nunca iria me pedir isso – ele se voltou para Callum depois−. Vou acompanha-la a Londres. Imediatamente, Robert deu um passo adiante. −Eu também irei. −Não −Graham recusou sua oferta−. Claire e eu viajaremos sozinhos. −Você acha que é o mais inteligente?−perguntou-lhe Callum. −Rob é o conde de Argyll. Fleetwood o reconhecerá, e não importa de que forma disfarcemos Angus e Brodie… Qualquer pessoa com uma vista boa saberá que são Highlanders. Não quero alertar à guarnição da Torre de nossa chegada ou de nossas intenções antes mesmo de chegar a Londres. −Tem um plano então? −perguntou Callum. Quando Graham assentiu com a cabeça, o líder sorriu, conhecendo seu comandante melhor que os outros−. Necessita de dinheiro? −Eu tenho. −Quando irão? −Agora − Graham disse sem hesitar−. Pode ser que o mantenham com vida para chegar a Monck. Ele é o único que sabe de que lado está o general na verdade. Se esse for o caso, este é o momento, agora mesmo, é vital. Claire escutava com o coração cheio enquanto Graham falava de salvar seu irmão com tanta paixão e determinação quanto ela mesma sentia, e nesse momento já não podia negar o quão profundamente apaixonada estava por ele. −Então vá rápido, irmão − Callum pôs sua mão sobre o ombro de seu amigo−. Eu o verei logo, e a Claire também. −Logo −concordou Graham, e se inclinou para abraçar Kate. 258


Anne abria a boca horrorizada enquanto Kate se dirigia para sua irmã para desejar toda sorte. Estavam loucos! Possivelmente sua irmã soubesse como usar uma espada bastante bem, mas dois nunca poderiam impor-se contra duzentos. −Claire – ela se apressou ao lado de sua irmã−. Reconsidere, eu lhe imploro. Você e Graham não têm nenhuma chance contra o exército de Fleetwood. Por favor, não faça esta loucura. É toda a família que me resta. Claire sorriu para sua irmã, sua alegria e a de Connor, sua flor da Escócia. −Ainda tem um irmão, e eu vou trazê-lo de volta. −Rob −Callum passou o braço pela cintura de sua mulher e sorriu com certa frieza que Claire estava segura que acrescentava a sua temível reputação nos últimos anos−, você alivie os temores de sua mulher. Conte como Graham levou uma guarnição de seu tio ao seu fim com nada mais que seu sorriso miserável e seu bem aprendido sotaque das Terras Baixas. Tenho outras necessidades que atender agora. Quando os quatro ficaram sozinhos, Rob prometeu contar a Anne mais tarde essa noite, embora, admitiu, não era uma história que gostava de contar. No momento, ele lhe deu sua palavra de que sua irmã estaria a salvo com Graham. Pegou sua mão e se inclinou para lhe sussurrar algo ao ouvido. Quando ela assentiu, lhe dando seu consentimento, ele fixou seus grandes olhos castanhos em Claire. −Contaremos isso no jantar. Chamamos o Pai Lachlan. Quando retornarem a Skye, sua irmã será minha esposa. Claire simplesmente o olhou por um momento, tendo o firme propósito de gravar em sua memória seus belos traços. Ele não estava pedindo sua permissão, mas esperava sua bênção. Claire a daria, e se asseguraria de que seu primo a desse também. Sim, sua irmã ia se casar com um “cabeça redonda”, mas este jovem, a quem Claire achava muito

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pouco experiente, tinha lhe dado provas de seu valor, sua coragem e sua honra mais que qualquer outro homem que ela jamais houvesse conhecido. −Minha irmã é uma dama muito afortunada – ela lhe disse, e riu quando Anne se lançou em seus braços−. Você o ama?−sussurrou ao ouvido de Anne. −Com todo meu coração. −Então direi com toda a alegria do mundo a nosso irmão que escolhemos por nós mesmos. Anne sorriu para Graham a uns poucos passos de distância, alheio ao que falavam. Claire se havia se apaixonado por ele… o pobre homem.

Capítulo 32 Não! Seguirei adiante e apagarei a vergonha que provocaram ao pai. O fedor dos cadáveres em decomposição e o mofo tinham deixado de afetar o estômago de Connor Stuart fazia meses. Ele jurou que nunca iria se deixar afetar pelos gritos terríveis dos outros detentos nas celas ao seu redor para não enlouquecer. Quase todos os dias −ou noites, não podia distinguir a diferença− rezava para que a morte o reclamasse. Mas ainda vivia, como se seu único propósito para estar na terra fosse frustrar Lambert e os outros generais. Ele já não tinha medo de seu castigo por não contar o que sabia. Este era bemvindo, esperando que o golpe seguinte fosse finalmente o que o mataria. 260


Ele inclusive tinha deixado de se preocupar com suas irmãs. Levou muito tempo, mas finalmente tinha aceitado o fato de que nunca mais voltaria a vê-las ou ajuda-las. Os caminhos que tinha escolhido para elas já tinham começado. Mas, Meu deus! Por que não entregou Claire ao James no lugar de Anne? Ao menos ele poderia então morrer sabendo que Claire mataria ao bastardo. Provavelmente poucas horas depois de casar-se. Havia outra coisa que o mantinha vivo. A vingança golpeou seu coração, rasgando-o em pedaços com cada momento sem fim de sua existência miserável. Comia, bebia, cagava e dormia pensando nas diferentes maneiras de fazer seu amigo pagar mais próximo pelo que tinha feito não só a ele, mas também as suas irmãs. Um rato corria por cima de seu pé e ele o chutou enquanto a pesada porta de madeira de sua cela se abria. A única luz da vela no chão junto a ele piscou. Ele sabia que não era o guarda com sua papa pelo brilho suave das botas que batiam no chão. Que general seria hoje?Ele se perguntou sem incomodar-se em olhar para cima. −Como está hoje, Connor? Lambert. Connor sorriu atrás de seus joelhos dobrados, recordando a enorme quantidade de homens que este general tinha matado. −Tem fome? – ele agachou-se diante de Connor, fedendo ao doce perfume de homem nobre, com seus traços afiados iluminados pela chama−. Roubei o prato de Fleetwood − tirou uma bolsa de sua jaqueta e pegou uma pera meio comida−. Você quer? −quando Connor assentiu Lambert a entregou sem hesitar−. Há mais − disse enquanto Connor afundava seus dentes na fruta amadurecida−. Pudins e bolos quentes encharcados de mel, carne de veado fresca e cerveja fria para descer a comida. Tudo que deseje, e tudo o que tem que fazer para conseguir o quer é me dizer por que Monck estava na companhia dos rebeldes. −Não posso falar agora. Tenho a boca cheia. 261


Lambert se pôs a rir, mas soou como uma lixa para os ouvidos de Connor. −Vamos, Stuart. Já percebeu que sua causa é inútil. Vai morrer aqui, e por quê?Por um falso sentido de lealdade a um homem que o traiu? Connor mastigava em silêncio, imperturbável ante as palavras de Lambert, pois sabia quem o havia traído. −Por que não nos diz o que queremos saber? Do que se tratavam suas reuniões secretas com o general Monck? É primo de Carlos, um rebelde realista até a morte, certo? O que têm em comum você e Monck? Pelas bolas rançosas de Satanás! Um destes filhos da puta não podiam sequer pensar em uma nova pergunta para lhe fazer? Sempre o mesmo, dia após dia, semana após semana. Não podiam meter em seus grossos crânios que não ia lhes dizer nada? Não importava quanto o torturassem ou o que lhe prometessem: ele não trairia seu rei. Jogando o miolo da pera para um lado, deu-lhe a mesma resposta que vinha dando desde que o encerraram neste lugar esquecido de Deus. −Foi mal informado. Não houve reuniões. Lambert ficou de pé. Seu tom afetadamente doce foi substituído pela raiva quando voltou a falar. −Buchanan nos disse… −Então perguntem ao Buchanan, por todos os demônios! E me deixem em paz. A bota em suas vísceras quase o faz expulsar o pequeno pedaço de pera que tinha comido. −Ainda é um arrogante filho da puta − Lambert grunhiu por cima dele−. Eu vou gostar de vê-lo enforcado. Connor lutou para evitar desmaiar e finalmente elevou o olhar para seu inimigo. Não havia fúria, nenhuma promessa de retribuição ardendo nas insondáveis profundezas do azul claro de seus olhos. Apenas a satisfação tranquila de uma verdade que Lambert e seus seguidores tinham lhe revelado.

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−Tanto quanto eu desfruto vendo o medo desesperado que sente de Monck? Lambert era um homem pequeno, mas seu punho caiu como um martelo na mandíbula barbuda de Connor. −Eu não temo a nenhum homem −grunhiu, agarrando a túnica suja de Connor e levantando-o sobre seu traseiro−. Vou lhe demonstrar isso quando te levar comigo em minha marcha para a Escócia – ele zombou na cara de Connor−. Veremos então o quanto valoriza sua vida quando Monck a tomar diante de seus olhos. Sim, isso vai ser muito revelador. Se apoiar a rebelião do rei, como o faz o Parlamento, eu o verei pendurado −puxou Connor para frente e depois bateu sua cabeça contra a parede úmida em suas costas, deixando-o inconsciente−. Guardas! −gritou por cima do ombro−. Levem-no aos estábulos - se afastou sorrindo enquanto saía da Torre−. Rebelde poderoso, certamente. *** Claire esfregava sua saia nas coxas, em um esforço por diminuir o frio da escura noite de novembro e do desespero sombrio que trazia consigo. Tinham deixado Skye há três dias, e a cada légua que se aproximava da Inglaterra sua esperança de encontrar seu irmão com vida esvanecia. Fazia quanto tempo que tinha escrito a carta? Ela não tinha forma de saber. Queria acreditar que ele ainda vivia, mas tinham passado três meses desde que tinha sido capturado. E se já era muito tarde? E se ela tinha estado muito ocupada procurando vingança contra Monck e tentando salvar Anne enquanto seu irmão era enforcado? E se ainda estava vivo, por quanto tempo mais ia permanecer assim? Levaria ao menos três semanas para chegar a Londres, se os dois continuassem viajando como faziam. Foi ideia do Graham cavalgar de noite sem pausa. A sorte, havia-lhe dito, estava do seu lado. A lua cheia lhes dava luz suficiente para viajar de forma 263


segura enquanto dormia embalada em seus braços por um par de horas, depois do que ele despertava, prendia seu cavalo no dela e dormia em sua sela enquanto ela os levava pelos pântanos iluminados pela lua. Claire se alegrava de que ele estivesse com ela. Durante o dia, sua conversa leve e seus sorrisos a mantinham longe dos pensamentos sobre o destino de seu irmão. Quando lhe contou suas preocupações, ele se apressou em assegurar que acreditava que Connor estava vivo. Eles não falavam do que tinha ocorrido entre eles em Skye. De fato, ele evitava o tema do matrimônio completamente quando ela tocou no assunto das núpcias de Robert e Anne. Durante os primeiros dias de viagem Claire esteve muito ocupada com os pensamentos em Connor para se importar. Mas de noite, como agora, quando descansava sobre seu peito, seus braços fortes a envolvendo tão perfeitamente ao seu redor, mantendo-a quente sob sua espessa capa, se perguntava se sua reclamação sobre ela tinha menos a ver com arrogância e mais com seu coração. O que seria deles depois de que encontrassem Connor e matassem James? Graham a deixaria partir de sua vida quando já não estivessem nas Terras Altas e sua união fosse declarada inválida? Não lhe importavam os planos do general Monck para casá-la com Robert. Pode ser que realmente fosse amigo do Connor, mas não era seu rei. E, além disso, Robert e Anne provavelmente já estariam casados. Mas, e o que aconteceria com o Carlos? Se ele fosse restaurado, permitiria que ela se casasse com Graham? E Connor? Sim, seu irmão a ajudaria a convencer o rei de que uma união entre os Stuart e os Highlanders seria o melhor para o reino? A ideia de não voltar a ver Graham de novo era mais dolorosa que a primeira vez que soube que Connor estava morto. E agora sabia por que. Ela o amava. Maldita fosse! Ela o amava mais do que jamais tinha acreditado ser possível, mais do que jamais admitiria. Quantas mulheres haviam lhe sussurrado que o adoravam em seu ouvido volúvel?Quantas 264


vezes tinha tido que afastar seus dedos necessitados de seu coração e correr como um louco para a porta mais próxima? Suspirou contra ele e fechou os olhos, rezando por dormir para esquecer-se de seu aflito coração. −Tudo vai ficar bem, Claire – ele falou com ternura detrás dela, acariciando-a com a mão sobre a parte superior de sua cabeça antes que posasse os lábios ali−. Voltará a ver seu irmão, eu juro. Falou do Connor e ela sorriu, desejando, precisando acreditar. Mas… −E se estiver errado? −Não estou. Monck não disse uma palavra durante muito tempo sobre as questões que afetam a Inglaterra, distingue-se dos outros. O exército capturou, mas não matou ao líder da resistência, o único outro homem, pois estavam informados por Buchanan, que sabia o que Monck poderia estar planejando. Seu irmão falaria sob tortura? Os olhos de Claire se obscureceram com a ameaça de uma torrencial cascata de lágrimas, mas a deteve e sacudiu a cabeça. −Não, não o faria. A voz de Graham soou suave em seu ouvido. −Então não está morto. Ele tinha razão, pensou Claire, tirando um grande peso de seus ombros. Lamentável ou não, ela sempre amaria Graham por ter vindo com ela, porque nenhuma só vez lhe tinha dado uma reprimenda por que tinha escolhido ser, e por não havê-la deixado acreditar no pior sobre o destino de seu irmão. −Estão mantendo Connor com vida porque sabem que é muito valioso. −Sim −Claire sorriu e se aconchegou mais perto dele−. Você tem sido um bom amigo para mim, Graham. Ela sentiu que ele ficava rígido atrás dela. Ele dirigiu seu rosto longe dela e fez um som como se suas palavras lhe causassem dor. −Não pode dormir? −perguntou-lhe um momento mais tarde, movendo-se com desconforto. 265


−Não, não posso. Por que você não dorme antes?Posso ver perfeitamente bem e não darei contra uma árvore, como ontem à noite. Imediatamente, seu braço a tomou pela cintura. −Estou bem onde estou. −Parece cansado. −Não estou. −E de mau humor. Jogou para trás a cabeça e murmurou algo que soava como “maldita moça teimosa”. Quando ergueu as costas, arrastou-a de novo com força contra seu peito. −Pare de discutir comigo. Claire o empurrou e virou o rosto para lhe oferecer um olhar mordaz. −Está tentando me distrair de meus pensamentos sobre Connor me tentando a te lançar fora de meu cavalo? Ele sorriu, riu e inclinou seu rosto sobre o dela. Seu fôlego esquentou sua boca e ela abriu os lábios, esperando, desejando que a beijasse. Entretanto, ele se afastou, deixando-a com o aroma sedutor de seu pescoço. −Falas de seus temores a respeito a seu irmão, mas não fala dele. Fale-me do homem que veio ao mundo contigo. Ela não tinha falado de Connor com ninguém, e necessitava. Bem sabe Deus que necessitava. −Que desejas saber? −Como ganhou o favor de seu coração? Apoiando sua cabeça sobre o ombro de Graham, fechou os olhos recordando. −Minha infância foi difícil. Eu não tinha nada em comum com as outras meninas da corte. Nem sequer com Anne. Enquanto elas aprendiam a bordar e tocar o alaúde, impecáveis em seus vestidos, eu era arrojada, com meu irmão e seus amigos, aos pés de meu pai, acusada e culpada de acossar os outros jovens da paróquia. Meus castigos eram duros, mas rápidos, porque acredito que além da vergonha de meu pai de mim, lhe agradava saber que eu era tão valente quanto seu filho. Ele nunca admitiu, 266


entretanto, e sempre insistiu em que me comportasse mais como Anne. Confundia a minha mãe e às outras mães em nosso lar, e finalmente começaram a manter a suas filhas longe de mim para que não desenvolvessem o desejo antinatural de usar a roupa de seus irmãos e brandir uma espada. O único lugar onde encaixava era com o Connor, e ele me levou com ele todos os dias sem queixar-se nem discutir. Mostrava-se satisfeito comigo por minha maneira de ser. −Ele sabia que era perfeita. Claire abriu os olhos e sorriu. −Ele sabia que não era, e mesmo assim me amava. −Acredito que vou me dar bem com ele −Graham sussurrou em sua têmpora. −Eu também acredito − ela respondeu, amando-o ainda mais por sua firme crença de que não era muito tarde para salvar Connor. Em Camlochlin, não tinha ido a sua cama, tentando, pela primeira vez em sua vida, comportar-se como uma mulher da nobreza. Graham nunca saberia o quão difícil lhe tinha sido afastar-se dele. Como tinha se deitado na cama junto à Anne, noite após noite, pensando nele. Ele não a havia tocado desde dia em que chegaram a Skye. E agora, com tudo este tempo juntos possivelmente chegando ao seu final, ela queria mais que tudo beijá-lo de novo, sentir suas mãos sobre ela. Não lhe importava se ela era uma moça digna de lástima ou uma rameira real: ela queria fazer o amor com ele uma vez mais, ele a amasse ou não. −Há alguma estalagem aqui perto? −Sim, há uma a umas léguas daqui – ele lhe disse−. Quer que paremos? Irá nos atrasar, mas… Ela silenciou suas palavras com um terno beijo ao longo da linha de sua mandíbula, e depois outro, até que sentiu que seu coração ia sair do peito. −Me leve ali −sorriu quando sua boca desceu sobre ela. Sim, amava-o mais do que a qualquer outra pessoa de sua vida, e se temia sua reação ao dizer-lhe então o demonstraria. 267


Capítulo 33 Seja paciente. Esteja atento. Porque há honra ganha tanto pelo paciente desejo insuportável da guerra quanto pela luta valente. As chamas crepitantes da lareira banhavam a sala com uma cor rosada que combinava com o suave rubor das bochechas de Claire. Graham a observava enquanto ela andava ao redor da cama, riscando seus dedos sobre a manta de pele. Ele estava de pé na porta, vacilante, desconcertado pelo convite sensual em seu olhar azul esfumaçado. Tinha a intenção de lhe fazer a corte corretamente, sem fazer amor com ela de novo até reclamar seu coração e ela aceitar casar-se com ele. Isso era o correto. Quando ela o tinha chamado de amigo, suas esperanças de conquistá-la ficaram destroçadas. Mas mesmo então não estava disposto a perdê-la. Se ele nunca poderia ser nada mais que um amigo para ela, então seria um amigo. Demônios! Ela o confundia. Estava tramando algo? Ele pensou enquanto ela tirava a capa dos ombros. Ela não o tinha beijado como um amigo, mas sim como um amante, lhe fazendo doer as vísceras pelo que ela 268


desejava lhe dar. Parecia como se tivesse passado um século desde a última vez que havia a tocado com um pouco de intimidade. Tanto seu corpo quanto seu coração sofriam por ela. Devorava-a com o olhar enquanto ela desatava sua trança e deixava solto seu glorioso cabelo loiro claro. Ele repensou sua primeira decisão enquanto caminhava ao redor da cama atrás dela. Se queria um amigo, havia um montão em Skye. Ele ia fazê-la dele… De todas as formas possíveis. Ela deu a volta em seus braços quando ele a alcançou e a faísca de calor, de excitação em seus olhos o pôs tão rígido quanto uma barra de ferro contra ela. Ela se levantou sobre as pontas dos dedos dos pés, esticando suas curvas deliciosas ao longo de todo seu corpo para sussurrar em sua mandíbula um pouco áspera. −Você gostaria de me despir, guerreiro? O sorriso sensual de sua boca lhe deu a resposta que procurava. Seus músculos se esticaram com a moderação necessária para não rasgar suas roupas, apoiar o traseiro dela contra a parede e fode-la até que ela não pudesse suportar mais. Pegou sua cintura com as mãos e se apoderou de seu lábio inferior com os dentes, a puxando para mais perto. Mas ela se liberou, o incitando com um sorriso atrevido enquanto se afastava. Seu olhar caiu sobre o comprido vulto que esticava seu plaid entre suas pernas, e ela umedeceu os lábios. Seu pau palpitava ao pensar nessa língua o lambendo, o chupando até que ele… −Embora tenha me reclamado, ainda não decidi se eu te quero. Ela riu de seu jogo tímido. Gostava da caça tanto como a ele. Tirando-as botas, deixou cair seu plaid e agarrou sua enorme ereção da mão… −Queira-me ou não, vai me ter. Ela arqueou as sobrancelhas. −Serio? −Sim – ele prometeu em uma rica voz gutural e se aproximou dela. Deslizou a mão pelo penis para cima, com a cabeça cheia de sangue, e 269


depois para baixo outra vez−. Eu fui paciente por muito tempo - cada músculo de seu corpo se esticou, e se tornou mais forte, mais definido à luz do fogo. Ele estendeu a mão para sua cintura de novo, e d vez ela não resistiu. −Mas primeiro quero provar estes seios maduros − inclinando a cabeça, ele chupou o mamilo através do tecido de sua túnica. Quando ela gritou seu nome, agarrando-o pelos ombros, tirou sua túnica pela cabeça, prendendo seus pulsos com as mangas e segurando-a quieta enquanto apanhava o mamilo entre os dentes e movia a língua pela ponta sensível. Quando ela se estendeu para ele e lhe mordeu o pescoço em resposta, ele deixou escapar um grunhido, soltou-a, e passou os dedos profundamente pelo cabelo. Com uma mão e um pouco de pressão guiou seus beijos famintos sobre seu abdômen, enquanto fechava a outra mão ao redor de sua lança e a guiava dentro de sua boca. A sensação de seus lábios suaves e úmidos ao redor da cabeça era puro êxtase. Mas quando ela começou a chupar, ele quase gozou em sua boca. Ele a deteve, tirou seus calções e a deitou embaixo dele na cama. Com um sorriso na boca que prometia entrega total e completo domínio, penetrou-a até o fundo. *** Mais tarde, Claire estava em seus braços sob a espessa manta de pele que cobria a cama. Seu sexo era a paixão perfeita e primária mesclada com a mais deliciosa ternura. Era tudo o que tinha querido lhe dar, e muito mais. E, entretanto, sentia vontade de chorar. Pelo traseiro de Satanás! Ela se achava mais forte do que era. Pensou que poderia viver apenas com a lembrança dele. Mas agora, depois do sonho de sua intimidade, sabia que não era suficiente. O futuro era muito incerto. Podia enfrentar Carlos e 270


Connor. Eram as decisões de Graham que a assustavam, seu estilo de vida que a enchia de noções sobre o amor e a família, e uma vida com ele. Ele poderia render seu coração a uma mulher? Ela poderia alguma vez amar o Suficiente para estar ante o rei e proclamá-lo?Fechou os olhos sobre os ângulos duros de seu peito e escutou sua respiração, memorizando o som de seus fortes batimentos do coração, seu aroma, seu tato. Podia ser tudo o que restasse. −O que a preocupa, Claire? Abriu os olhos, mas não se moveu, deixando que o profundo e melódico zumbido de sua voz se infiltrasse em seus ossos, como hidromel quente. −Nada me preocupa −mentiu. Como poderia lhe dizer a verdade? Estava bastante segura de que se dizia que queria ter uma dúzia de filhos com ele saltaria para a porta e nunca mais voltaria a vê-lo. −Então por que está arranhando meu braço? Ela se soltou de seu abraço e murmurou uma desculpa suave. Uns momentos mais tarde secou uma lágrima do olho e lançou um juramento em voz baixa. Ele se ergueu imediatamente, a puxando para ele. −Claire, está chorando? −Não seja ridículo − ela respondeu, secando outra lágrima e evitando seu olhar−. Temos que começar a nos mover. −Sim, temos que fazê-lo − ele aceitou lhe acariciando o cabelo com a mão−. Mas primeiro me diga por que chora. −Estava pensando em meu irmão. Estará em dívida contigo −ela se moveu para tirar as pernas da cama, mas Graham a apanhou, detendo-a antes que ela o abandonasse−. Eu vou me assegurar de que te dê o que deseje. −Desejo a você. Por muito que lhe doesse fazê-lo, olhou-o, sentindo como se precisasse gravar sua imagem em sua mente. Deus! Estava lindo sentado ali sem nada mais que uma manta de pele e um sorriso terno. 271


A luz do fogo piscava ao redor de seu rosto, acendendo o brilho sensual sempre presente em seus olhos. −Mas você me teve − ela disse com uma nota de derrota em sua voz que apagou o sorriso dele do rosto. Em um primeiro momento, o alarme passou por suas feições, mas rapidamente se transformou em irritação. −Já vejo. Assim que isto não significou nada para você? Se ele não parecesse tão perigoso a ponto de ataca-la, Claire teria rido em sua cara ou teria se posto a chorar. −Para mim? – ela levou a mão ao peito−. Você está brincando? −Não sobre isto – ele disse, com sua voz uma oitava acima de um grunhido e seus olhos verdes cravados nela. −Muito bem, então, lhe direi – ai ela levantou o queixo, pronta para dizer toda a lamentável verdade de uma vez por todas−. Isto significava tudo para mim. O que te dei, nunca dei a ninguém mais. Sua expressão dura titubeou. −Sei. −De verdade?−seus olhos procuravam seu olhar. Já não lhe importava derramar lágrimas−. Você me tocou de uma maneira que ninguém me tocou e ninguém mais o voltará a fazer, e temo que não tenha sido nada mais que uma conquista para você. −Uma conquista? −agora sua voz soava tão melancólica quanto à dela fazia um momento−. Mulher, joguei meu arsenal aos seus pés e te permiti entrar em meu coração. Onde está a conquista nisso? Acha que eu queria me apaixonar tão profundamente que a só ideia de um dia sem você é pior Para mim que a ideia da rendição no campo de batalha? Eu… −O que disse? − Claire soluçou, o interrompendo. Ele a olhou como se seu coração estivesse a ponto de saltar do peito e se sentia impotente para detê-lo. −Que a ideia de…

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−Não, antes disso – ela avançou para ele, insegura de seus próprios ouvidos−. A parte de estar profundamente apaixonado por mim. Está? Está apaixonado por mim? −Sim – ele passou os dedos por seu cabelo e franziu o cenho−. Por que outra coisa acha que me converti em um lilás? Em vez de responder, Claire se jogou em seus braços, derrubandoo sobre a cama. Beijou-o até deixa-lo cego com o véu de seus cachos claros e espessos. Quando finalmente se afastou, o suficiente apenas para poder compartilhar o mesmo ar, olhou nos olhos e sorriu. −Se tivesse te suavizado −e te asseguro que não foi assim−, estive muito ocupada me apaixonando por você para me dar conta. Suas covinhas se acenderam e Claire se derreteu sobre seu corpo. −Poderia ter evitado uma semana de angústia me dizendo isso antes. −E poderia seu sacerdote nos ter casado se houvesse me dito isso −Claire mordeu seu lábio suavemente e riu quando ele a rodou sobre suas costas. −Então me deixe lhe dizer isso agora – ele disse com ternura, suspenso sobre ela−. Eu te amo, Claire – a beijou, e depois passou o resto da noite demonstrando o quanto. Capítulo 34 Que a decisão de um soldado nunca seja tão grande e seu valor tão invencível quanto no dia da batalha. James Buchanan esperava em uma cadeira incômoda, com encosto alto e acolchoado que o inclinava para frente. A cadeira parecia atraente da porta, mas quando se sentou a madeira esculpida ao longo das bordas era alta e beliscava o que fazia com que a espera de sua audiência com Charles Fleetwood fosse quase insuportável. Sentou-se para trás e se moveu sem descanso. Quando se deu conta de que suas mãos tremiam um pouco, 273


amaldiçoou a si mesmo. Não tinha nenhuma razão para ter medo. Tinha demonstrado seu valor a Fleetwood, e a Lambert também. Não se atreveriam a pôr uma mão em cima do homem que podia terminar com a resistência escocesa com apenas uma palavra. Se zangariam com ele por ter vindo a Londres, mas esse era um risco que estava disposto a aceitar. Se Connor estivesse vivo quando o rei voltasse (se é que o rei voltaria), James saberia que sua morte seria rápida. Por que demônios estavam mantendo com vida ao filho puta? Olhou ao redor do amplo estúdio, com a esperança de que Elizabeth chegasse a ele antes que a seu pai. Ela o ajudaria, talvez, a inclusive se introduzir escondido na Torre. Estava pensando na forma mais rápida de matar Connor quando a enorme porta de madeira no outro extremo do estúdio se abriu. Alto e de meia idade, o general Fleetwood tinha penetrantes olhos escuros que tinham visto sua parte da batalha, embora nestes dias preferisse atuar mais como político do que como guerreiro. −Ah, Buchanan. O que o traz a Wallingford House? −entrou no estúdio, com seus longos cachos castanhos ricocheteando ao redor de seus ombros. James se levantou da cadeira para receber dignamente seu anfitrião, e em seguida voltou a afundar-se nela quando as pisadas de Fleetwood chegaram até a ele. Exalou um suspiro de alívio em silencio ao ver que o general não dava indícios de ira com sua chegada. −Eu fui informado que o traidor Connor Stuart ainda vive −disse, sentindo-se um pouco mais a vontade. −E o que isso tem a ver com você? −Fleetwood levantou a vista brevemente enquanto se servia de uma taça. −Sinto curiosidade por saber por que não foi assassinado como tínhamos falado. −Assim veio para me questionar? −o general lançou para James um olhar frio e tomou um gole de vinho. 274


−Não, eu… −Não− Então, por que veio? Para talvez você mesmo matar Stuart? – ele riu, mas o som não demonstrava nenhuma alegria enquanto se sentava atrás de uma grande mesa de madeira esculpida−. O medo frequentemente segue ao mais vil dos homens. É o que o impulsiona. Mas eu gostaria de saber por que o teme tanto ao ponto de perder a segurança de seu anonimato e cavalgar até Londres para se assegurar seu silêncio. Você se preocupa que possa escapar e sair para te pegar? Ou é de alguém mais que você tem medo? −Meu senhor −James olhou a taça nas mãos de Fleetwood e engoliu seco, desejando um bom gole de álcool para acalmar seus nervos−, eu lhe asseguro que não sei a quem mais se refere. −Falo do rei, é claro. Acredito que você sabe mais sobre o que Monck tem entre as mãos do que nos disse − sorriu, ignorando a negação enfática de James−. Nosso amigo, o governador, declarou abertamente que está disposto a respeitar a autoridade do Parlamento. O Parlamento que nós dissolvemos. Há várias semanas, seus representantes participaram das negociações com o Comitê de Segurança para resolver o assunto sem derramamento de sangue. Entretanto, neste mesmo momento, reuniu um exército de vários milhares e marcha para a Inglaterra. É essa sua forma de apoiar ao rei? Tínhamos a esperança de obter informações de Stuart, mas ele se manteve firme apesar de nossos muitos… intentos criativos para averiguar a verdade. Você foi o outro homem que esteve presente durante as reuniões clandestinas de Monck e Stuart. −Não, eu vos disse que não estava a par de suas conversas − James insistiu, deslizando a manga por sua testa. Demônios! Alguma coisa estava errada. Muito errada−. Só sei o que Connor me disse em confiança. Que o general Monck estava de acordo com ele a respeito dos distúrbios civis na Inglaterra e pensava em fazer algo a respeito. −Restaurar ao rei ao trono talvez? 275


−Talvez − James respondeu se levantando do assento quando a porta abriu de novo−. Eu… Não sei com certeza −quando viu Elizabeth entrar no estúdio acompanhada por dois dos guardas de seu pai, seu coração parou no peito. −Conhece minha filha? −a voz de Fleetwood baixou a um tom arrepiante−. Ela concordou em me ajudar a trazê-lo de volta em troca de meu perdão por deitar-se com uma criatura tão repugnante quanto você. Eu suspeitava que no momento que soubesse que Stuart está vivo se apresentaria na minha porta. Agora me diga por que está tão ansioso de vêlo morto ou acabará enforcado junto com ele. −Não sei de nada! −James retrocedeu em sua cadeira quando os dois guardas deixaram Elizabeth e se aproximaram dele−. Não, não podem me matar. Precisam de mim! Eu sou o único que… −Está certo −Fleetwood fez um gesto com a mão para que seus homens se apoderassem de James−. Preciso que me diga tudo o que sabe a respeito de George Monck. Vai ter um montão de tempo para pensar nele na Torre. Só lamento – ele exclamou enquanto James era conduzido para fora do estúdio−, é que não se reunirá com o homem que sonha em te matar −sorriu com deleite quando James se deteve e o olhou por cima do ombro−. Stuart se encontra de retorno à Escócia com o general Lambert. Quando ficaram sozinhos, Fleetwood levantou seu olhar doentio para sua filha. −Me jure que não entregou seu coração a um homem tão desprezível que apenas a morte de seu melhor amigo o satisfará. Elizabeth olhou para a porta pela última vez, e a seguir baixou os olhos para ocultar a verdade a seu pai. −Juro. *** Meu deus, como estava cansada! O duro frio intumescendo suas bochechas não estava ajudando. Claire conhecia os efeitos dos dedos 276


sedutores do inverno. Connor a tinha feito praticar duas vezes mais forte nos meses de inverno quando o ar era tão frio que gelava os pulmões e minava suas forças. Sucumbir ao esgotamento em uma briga ou à tentação de dormir em uma colina coberta de neve, a mataria, por isso a fez aprender a se manter acordada. Mas, demônios! Desta vez era diferente. Ela não se sentia fraca ou confusa, e mal tremia de frio, mas se sentia como no inferno. Virou-se um pouco em seu cavalo para dar uma olhada em Graham, desejando a comodidade de seus braços. Highlanders pensou, com uma fonte de calor surgindo de seu peito e terminando em um sorriso. Ele mal sentia o efeito da chegada do inverno. −Está um pouco pálida – ele disse, diminuindo o passo−. Quer parar no próximo povoado e se deitar em uma cama esta noite? Talvez comprar umas anáguas para usar sob sua túnica? −Não, não quero parar outra vez. Em qualquer lugar que esteja Connor, estou certa de que sentirá mais frio que nós. Ele necessita que nos apressemos. Cavalgaram durante uma hora antes de diminuir o passo de seus cavalos cansados. Enquanto mastigava um pedaço de carne seca −agradecendo, assombrosamente a Maggie, que tinha insistido em que levassem o que restava de vitela para sua viagem−, Claire rezou pela enésima vez para que seu irmão ainda estivesse vivo. −Connor não aprovará sua reclamação de Highlander sobre mim – ela disse, rompendo o cômodo silêncio enquanto comiam. Graham deu de ombros e chupou os dedos. −Então eu me casarei com você corretamente. Pediremos ao padre Lachlan quando voltarmos a Skye. −Vamos viver ali então? −Sim – ele respondeu sem vacilar, e depois elevou os olhos e lhe lançou um olhar preocupado−. Quer viver ali, não é? Era seu lar, onde estavam seus parentes. Claire sabia que ele gostaria de viver ali, e ela queria estar onde ele estivesse. Demônios! Tinha 277


que estar louca para aceitar passar o resto de seus dias em um lugar tão deprimente. −Meu irmão viverá em nossa casa em Athol, e Anne irá para Inveraray com Robert, por isso, Skye é um lugar tão bom para mim quanto qualquer outro. O rosto de Graham se iluminou com um sorriso que Claire achou estimulante e dolorosamente sexy. −É um bom lugar para criar bebês. Ela deixou de mastigar e o olhou, sentindo de repente os olhos lacrimosos. A ideia de ter seu filho ou filha a emocionou, e, entretanto ali estava ela, a beira das lágrimas. OH, o que estava lhe acontecendo? Suas emoções estavam fazendo estragos nela. −Eu gostaria de ter um filho como Rob −quando Graham franziu o cenho, apressou-se em corrigir−: o filho de Callum e Kate. Seu sorriso fácil apareceu de novo. − Então não vais sentir falta da vida de uma rebelde? −OH, eu sempre vou ser uma rebelde, Graham – ela lhe lançou um sorriso safado e ele riu, e a seguir levantou o olhar aos céus suplicando a força que ia necessitar para tomá-la como esposa. −E o que vai acontecer com você? Sentirá falta de suas… aventuras? −Não, mal posso acompanha-la. Mas se sentir a necessidade de fazer uma viagem longe de Skye, você virá comigo. −Eu… −Claire se desvaneceu um pouco em seu cavalo e logo agarrou sua barriga. −O que é? −Graham aproximou o cavalo para seu lado, com a preocupação gravada em seus traços. −Não é nada – ela assegurou com rapidez−. Acho que talvez a carne me tenha sentado mal. Ele lhe dirigiu um olhar de preocupação e se ofereceu para caçar algum animal vivo. Quando ela ficou pálida e levou a mão à boca, ele olhou para seu ventre.

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−O que? −perguntou Claire com curiosidade enquanto apreciava seu sorriso. −Poderia ser a carne, mas acho que pode ser que tenhamos um broto antes do esperado. Tenho irmãs suficientes para saber o que acontece com uma moça quando está grávida. Os olhos de Claire se arregalaram, assim como a sua boca quando sua mão caiu longe dela. −Mas, como pode ser isso? Ele sorriu lenta e sensualmente, recordando-a como. −Eu sei como – ela pousou seus olhos nele−. Queria dizer que… OH, não importa. Vai piorar? −Sim. −Pelas bolas de Satanás! Graham se inclinou para beijá-la. Começou a lhe dizer como isso o fazia feliz, e depois se tornou para trás, com um aspecto tão doentio quanto o dela. −O que é? − ela perguntou, agarrando sua cabeça entre as mãos. −Eu não estava pensando – ele disse, soando como um tambor oco enquanto a olhava horrorizado−. Tudo mudou. Está grávida de meu filho. Não posso permitir que venha comigo a Londres. Claire o olhou fixamente, tentando decidir se ria ou gritava. −O que você não vai me permitir? – ela repetiu, com os lábios apertados e a mão caída. −Não posso. Esperará por mim nos subúrbios da cidade na segurança de uma estalagem enquanto liberto Connor. Não deixarei que ponha em perigo a vida de nosso bebê ou a sua própria. −Nem sequer temos certeza de que estou grávida, Graham! – ela disse. Jogando para trás a boina em sua cabeça, ele a enfrentou com o poder inquebrável de um comandante em seus olhos verdes. −Vai esperar por mim. Com as fossas nasais dilatadas e o maxilar duro, Claire o viu dirigir seu cavalo para frente, para a Inglaterra. E uma merda que ia esperar…

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Capítulo 35 Os homens não levam armas porque tem medo do perigo, mas sim porque não querem temê-lo. Claire pensava que morreria enquanto se apoiava em uma árvore expulsando o café da manhã. Tinha perdido a conta de quantas vezes tinha feito o mesmo durante a última semana. Tudo o que comia jogava. Mal podia cavalgar mais de um quarto de hora sem desmaiar em sua sela e ser obrigada a parar. Se isso não fosse terrível o suficientemente, tinha chorado como um bebê fazia duas noites sem nenhuma razão concreta, além de que haviam finalmente cruzado a fronteira com a Inglaterra. Graham era maravilhosamente paciente, mas estava mais insistente que nunca em deixá-la numa estalagem ao chegar a Londres. Claire não discutiu… a maior parte do tempo. Sentia-se muito mal, mas havia outra razão para seu silêncio. Todos os dias via seu amante transformado cada vez mais em um comandante; alerta, consciente de tudo o que os rodeava, 280


cuspindo fogo… com um único propósito: entrar e sair com vida de Londres. Ela não desafiaria a semelhante líder. Entrar na cidade com seu plaid de Highlander chamaria muito a atenção, por isso havia comprado um gibão de cintura alta numa cor comum e emprestado uns calções largos abaixo do joelho de um hospedeiro em Northumberland, os quais ficavam um pouco justos, e deixado a um bêbado cliente puritano caído sobre sua cadeira com nada mais que sua túnica e sua roupa de baixo. Com algumas moedas a mais, Graham adquiriu dois saiotes de linho e um manto grosso de lã escura para Claire. −Como faremos/ Galopando ao seu lado agora, Graham lançou para Claire um olhar duro. −Eu vou entrar na Torre. Você… −Como? −Eu vou estender uma armadilha diante dos generais, uma muito tentadora para que resistam. Vou dizer lhes que conheço as verdadeiras intenções do general Monck. Claire mordeu os lábios e negou com a cabeça. −Eles não acreditarão. −O farão quando eu lhes disser que acompanhava Connor Stuart e James Buchanan em suas reuniões com Monck, reuniões que ninguém mais conhece exceto seu irmão, Buchanan e os generais − quando Claire sorriu ao conhecer seu plano, continuou, com uma faísca de fogo diabólico em seus olhos verdes−. Assim é como vou poder entrar. Uma vez dentro, tirarei seu irmão na manhã seguinte. Ela não lhe perguntou mais. Esse homem era uma serpente capaz de se enroscar até no coração mais receoso. Não necessitava mais provas disso. Mas, entretanto, preocupava-se. Não queria que fizesse isto sozinho. −E se eles… −o estrondo de muitos cavalos se aproximando a deteve no meio da frase. Claire ia agarrar sua espada, mas Graham a deteve. −São soldados. Fique quieta. 281


Ela entrecerrou os olhos sobre o primeiro grupo que apareceu através das árvores. −São os homens do general Monck. Olhe, levam sua bandeira. Graham assentiu com a cabeça, ao vê-la ondeando ao vento. −Uma chamada a guerra contra os militares talvez? −Vamos perguntar −sem esperar resposta, Claire bateu as rédeas e cravou os calcanhares nos flancos de Troy, deixando Graham boquiaberto atrás dela. Ele alcançou-a rapidamente, correndo o risco de que uma flecha acertasse o peito depois de uma ordem para disparar contra o louco que os atacava. Mas tal ordem não foi emitida. Em troca, o líder levantou uma mão enluvada e mandou parar os homens em suas costas. −General Monck −Claire saudou com frieza enquanto enfrentava ao homem que tinha odiado durante meses. Parecendo levemente doente, o general levou o chapéu de plumas, um resquício dos dias em que servia o rei Carlos I como Cavalier, ao peito e abaixou a cabeça. Quando a elevou de novo, um brilho de carinho esquentou seus olhos cinza aço, mas logo deu lugar a seu olhar duro e forte. −Se passaram muitos anos da última vez que a vi, Lady Stuart, mas ainda possui o brilho da rebelião em seus olhos. −Agora mais que antes, general − Claire lhe assegurou, demonstrando sua afirmação com uma ligeira curvatura em seus lábios. −Isso explica por que não estão em Skye, onde deveriam estar? −Estou onde devo estar – ela respondeu brevemente, e depois, sem mais explicações, olhou por cima de seu ombro e observou suas tropas−. Reuniu a tantos homens para salvar a meu irmão? −Não. Enviei uma carta para Robert Campbell para que ele o fizesse. Ele assegurou-me que estava sob seu cuidado - lançou um olhar cauteloso para Graham−. Como se separou dele? −Abandonei Skye uma vez que recebi sua carta −disse Claire−. Têm meu…

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−Abandonaram?− Monck a olhava horrorizado, e depois furioso. Sua atenção se enquadrou sobre Graham−. Quem é você? Diga-me que Argyll não o enviou sozinho para fazer o que ordenei. Graham abriu a boca para responder, mas Claire o fez por ele. −Ele não está sozinho. Eu estou com ele. −Você… −o general abriu a boca para dizer palavras que não se atrevia a pronunciar em voz alta. Finalmente, ele rangeu os dentes−. Vocês tinham que estar a salvo. Agora vejo que Argyll era uma má escolha como marido. Permite-me… −Uma má escolha, certamente − Claire aceitou com um estalo de impaciência na voz−. Mas isso é algo que podemos discutir depois de tirar meu irmão de Londres. A tez do Monck ficou com uma cor branca leitosa. − Minha querida, não vou lhe permitir que faça algo assim. Graham ia lhe disser que não havia motivo para preocupação. Ele não ia permitir que Claire estivesse em qualquer lugar perto de Londres. Mas uma vez mais, ela o interrompeu. Ela bufou agressivamente, mas quando falou sua voz era surpreendentemente tranquila. −Temo que a escolha não seja sua, meu general. Vamos a Londres para salvar Connor, e se você se preocupa que eu não esteja capacitada o suficiente para realizar a tarefa, então me traga seus melhores soldados para que possa demonstrar minha capacidade e determinação, e assim tranquilizar sua apreensão. Por um momento, o general Monck simplesmente a olhou boquiaberto, surpreso e desconcertado por sua declaração petulante. E depois, ao reconhecer a mesma determinação inquebrável em seus olhos que tinha visto nos de seu irmão, lançou um grande suspiro de resignação. −Não tenho dúvidas de que você se considere plenamente capaz de entrar em Londres com… −desviou o olhar para seu companheiro, na espera da apresentação que ela tinha lhe negado na primeira vez.

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−Graham Grant − Graham se inclinou ligeiramente em sua montaria−. Primeiro Comandante do clã MacGregor de Skye. Parecendo ao menos um pouco aliviado, Monck continuou. −… com o comandante Grant e de salvar Connor. Mas eu posso lhe assegurar que sua missão fracassará. −Por quê? − Claire perguntou em voz baixa, temerosa de ouvir sua resposta, mas precisando saber−. Está morto? −Não, minha querida, lhe asseguro que está vivo. Mas não está em Londres. −E onde está então? − Claire perguntou. Em vez de lhe responder, o general Monck se dirigiu a Graham, e com a dúvida e a inquietação ainda gravadas em seu rosto, perguntou-lhe: −São os dois na verdade sua única esperança? Não está seu exército a caminho? −Eu não levaria um exército de trezentos contra um número que nenhum homem pode contar. −Então, como esperam resgatar ao Stuart? −Com astúcia. Monck parecia vagamente divertido por tal declaração estúpida e arrogante, mas logo seu olhar prudente se estreitou sobre o Highlander vestido com a roupa própria das Terras Baixas. −Vocês é o comandante MacGregor que se infiltrou na fortaleza de Duncan Campbell em Inveraray faz uns anos. −Eu sou. −Conheço bem a história. Ganhou a confiança dos inimigos de seu senhor e depois os levou a todos à morte. −Não a todos −corrigiu Graham. −OH, certo. Deixaram vivo o jovem Robert Campbell e o ataram à grade de Kildun. Por quê? −Porque já não era meu inimigo. O general Monck devolveu o sorriso a Graham. −Muito bem, lhes direi onde está Connor. Só têm que me dar sua palavra de que protegerá a vida de Lady Claire. −Você a tem − Graham respondeu imediatamente.

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Monck assentiu com a cabeça e a seguir lançou um último olhar de preocupação para Claire. −Stuart cavalga com o general Lambert como seu prisioneiro. Lambert partiu para a Escócia faz algum tempo com uns dez mil homens. −Dez mil? − Claire repetiu, e dirigiu a Graham um olhar lânguido. −Ânimo, bela dama! −disse Monck com gentileza−. Enfrentando às severas condições climáticas e à falta de pagamento, a maioria de seus homens já o abandonou. Disseram-me que apenas cem permanecem com ele em Newcastle. −Então iremos a Newcastle − Claire anunciou, dirigindo-se a Graham. −Meus homens não desceram de suas montarias em dois dias e começam a ficar cansados − Monck lhes disse −. Vamos acampar aqui por esta noite. Por favor, fique comigo por mais um tempo. Comam e se refresquem para o caminho que tem pela frente. Vão ter que estar fortes. −Não há tempo −Claire rechaçou sua oferta, mas Graham aproximou seu cavalo dela e apoiou a mão em seu braço. −Precisa descansar. Não irei até que o faça. Assentar o acampamento demorou mais de duas horas. As tendas de campanha, que eram muito numerosas para serem contadas, estabeleceram-se entre as árvores dispersas, e dentro dos dormitórios temporários centenas de velas proporcionavam uma luz suave. Fora, as fogueiras se acenderam para oferecer calor e esquentar a água. Depois de colocar mais de duas dúzias de homens ao longo do perímetro para vigiar o acampamento, o general Monck finalmente entrou na tenda espaçosa onde Graham e Claire esperavam. −Você está confortável, minha querida? − Monck perguntou a Claire, lhe oferecendo outra manta antes de dobrar as pernas e sentar-se em frente dela sobre um catre de lã grosa. −Muito − ela respondeu, mordiscando um pedaço de pão preto duro−. Não sentia tanto calor a mais de quinze dias. Graham sorriu enquanto Monck lhe servia uma jarra de cerveja. 285


−Por que Lambert veio para a Escócia? – ele perguntou ao general, aceitando a bebida. −Fleetwood e alguns dos outros generais solicitaram meu apoio em sua tentativa de governar o país, mas me neguei a dar, pois me parecia muito provável que a Inglaterra cairia sob a forma mais anormal e degradante de governo: uma completa tirania. De fato, desde a expulsão do Parlamento já estava acontecendo. Declarei abertamente que reduzirei o poder militar em Obediência ao civil. Lambert veio em uma última campanha para me convencer de que o siga em lugar de lutar contra ele. −E… −Claire mal teve tempo de levar sua mão à boca para cobrir seu enorme bocejo−. Perdão – ela disse, alheia aos sorrisos dos dois homens que a observavam−. Ele tem intenção de utilizar Connor para convencê-lo? −Ele tem intenção de utilizar seu irmão contra mim de algum jeito. −É por isso que não leva seu exército a Newcastle? −É parte da razão − Monck lhe disse −. Não acredito que Connor tenha lhe dito o que ele deseja saber. −Eu estou de acordo −disse Graham em voz baixa. −Não posso me arriscar que Lambert o descubra antes de chegar a Londres. −Descobrir o que? −Claire bocejou de novo e apoiou o cotovelo em seu catre. −É melhor que não saibam −Monck dirigiu seu olhar para Graham, esperando que o inteligente comandante não tivesse descoberto a verdade por si mesmo. −Assim Connor sabe o que mais ninguém sabe −conjeturou Claire, fazendo todo o possível por manter os olhos abertos. −Sim, e se for a Newcastle, não tenho nenhuma dúvida de que Lambert utilizará a vida de Connor para me obrigar a dizer. −Você o diria para salvar a vida de Connor? O general olhou para seu olhar sonolento com olhos solenes. −Eu temo que sim. 286


Viu como seus frios olhos de safira se tornavam quentes contra a luz dourada das velas e a inclinação sempre desafiante de sua boca relaxou no mais suave dos sorrisos. −Estava errada a seu respeito, general Monck – ela confessou, fechando os olhos−. Alegro-me de não haver te matado. Quando o som de sua respiração ficou mais lento, Monck desviou o olhar para Graham, mas o comandante simplesmente deu de ombros, lendo a pergunta em seus olhos. −Ela acreditava que foi você quem traiu Connor. Mas agora sabe que foi James Buchanan. −Sim, supus que ele era o traidor quando li a carta de Connor. Farei que seja tratado como merece −Monck encheu outras duas jarras de cerveja e ofereceu uma a Graham−. Tenho que lhe dar agradecer por evitar que ela atravessasse os muros de minha fortaleza e me cortasse a garganta enquanto dormia comandante? −quando Graham lhe lançou um olhar duvidoso, o general puxou a gola de sua roupa para mostrar uma pequena cicatriz−. É precisamente aí onde encontrei Connor faz quatro anos: abatendo-se sobre minha cama com uma adaga na garganta. E graças a Deus que eu possuía uma pequena prova para lhe oferecer, o convencendo de que não era seu inimigo e assim deter sua mão. Depois dessa noite nos tornamos amigos, embora ele nunca me dissesse como passou pelos meus guardas. Tenho certeza de que ela sabe como fez. Graham sorriu olhando-a, tão angelical em seu sonho. Lembrou-se de sua determinação em salvar sua irmã na primeira vez que a viu, sua atrevida confiança em entrar em Edimburgo apesar das centenas de guardas que patrulhavam seus altos muros rochosos. Poderia ter violado sua poderosa defesa como tinha feito seu irmão? Ele sabia que ela teria dado sua vida tentando-o. Sacudiu a cabeça. Demônios! Era valente, uma força a levar em conta, e ele a amava mais do que seu coração podia suportar. 287


−Está apaixonado por ela. Graham terminou sua cerveja e passou o dorso de sua mão pela boca. −A entrega de meu pobre coração tão óbvia? −Está prometida a outro. Graham se se pôs a rir e se recostou em seu catre. −General, terá que me matar se quiser ver cumprida essa promessa. Além disso, o coração de Robert Campbell pertence à Anne. −A Anne? −refletiu Monck−. Hmm… Pergunto-me o que Connor vai pensar disso. Tinha a esperança de obter uma forte aliança com os Campbell para o futuro. −Ele a terá −lhe disse Graham−. E com os MacGregor e os Grant também. Dando-lhe uma olhada sob suas espessas sobrancelhas, os olhos de Monck brilhavam como espadas contra o fogo. −E se o rei retornasse a Inglaterra, vai lhe jurar sua lealdade e a de outros líderes Highlanders também? −Sim, sem lugar a dúvidas. O general olhou para Claire. −Interessante −murmurou distraidamente−. Não tínhamos considerado uma aliança com os Highlanders − e voltando a olhar para Graham, disse−: Você sabe o que significará para você se o rei aceitar esta oferta? −O que significará para mim? −perguntou Graham, pondo os braços detrás da cabeça. −Já que Connor está vivo, não obterão suas terras, mas o converterão em um lorde tomando ao Claire como esposa. Fechando os olhos, Graham sorriu. −Posso viver com isso. Desde que ninguém tente converter a minha mulher em uma dama.

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Capítulo 36 E é maior verdade: a valentia de uns poucos pode superar a muitos. A chama piscou. O homem agachado no canto se equilibrou sobre ela ajoelhado, suplicando enquanto se arrastava. Que não se apague. Por favor. O olhar ansioso de James Buchanan se dirigiu para a grade de ferro no teto de pedra, e logo retornou à vela solitária. Por favor. Tropeçando para frente, chegou ao canto iluminada. A esperança lhe provocou um sorriso enquanto colocava seu corpo sobre a chama para protegê-la da corrente de ar. Tinha tido a precaução de colocar a vela longe da grade superior, mas a leve corrente de ar frio ricocheteava nas paredes e sempre encontrava o caminho para a chama. Teria protegido a vela com sua camisa, feliz em renunciar ao pouco calor que lhe proporcionava, se houvesse uma maneira de prender o tecido à parede. Mas não havia nada em sua cela exceto um pequeno balde com seus excrementos e sua vela. Meu deus! Como Connor tinha resistido em dar a seus captores a informação que procuravam? Fleetwood disse que Connor tinha permanecido leal. Como? Como, quando só a ameaça da escuridão tentava a James a gritar sem parar? Levantou as mãos para proteger a chama minguando e amaldiçoou Connor. Se o filho de puta tivesse dado o que queriam, James estaria agora mesmo em Ravenglade desfrutando da comodidade do abraço de uma meretriz disposta. A luz ficou menor. Ele a olhou com um desespero impotente até que se converteu em uma pequena faísca de cor azul. Lutando contra a vontade de gritar, desabou contra a parede fria. Não lhe faria nenhum bem

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se sua determinação viesse abaixo, pois tinha a garganta muito seca e as cordas vocais muito doloridas para pronunciar sequer um gemido. Os ratos viriam logo, valentes na escuridão e tão famintos quanto ele. O pânico o envolveu, apagando o ressentimento que sentia por Connor. Fechou os olhos, esperando o batalhão de chiados, roedores correndo com dentes afiados que beliscam e mordiscam, provando sua carne e sua prudência. Entretanto sua cela estava em silêncio, exceto pelo tambor que anunciava passos ecoando fora de sua porta. −Não sei de nada – ele gritou em um leve sussurro, voltando o rosto para a parede enquanto a chave entrava na fechadura e a porta se abria−. Por favor, não me façam mal outra vez. As pisadas que chegavam até ele eram leves, e a voz, doce… como anjos chamando-o por seu nome. “James… OH, meu querido James”. Parou de gemer e abriu os olhos para o rosto iluminado pela tocha ao seu lado. Elizabeth. −Venha meu amor – ela disse em voz baixa, lançando um olhar assustado por cima do ombro−. Vou te tirar daqui. *** De uma colina baixa e arborizada a poucos metros de distância, Graham estudava o que restava do grande exército de Lambert em sua marcha para o norte pelo rio Tyne. Sorriu ligeiramente frente ao forte vento que golpeava seu manto. Não havia mais de cinquenta soldados. A postura abatida de quase a metade deles dizia a Graham que estavam cansados e distraídos de tudo ao seu redor. Estavam viajando há muito tempo com pouca comida e menos dinheiro. Qualquer que fosse a promessa de glória que seu líder tinha feito, tinha sido polida pelo clima frio. Com quinze dos homens de Monck ao seu lado, podia chegar diretamente neles e provavelmente reduzi-los a dez homens antes que seus companheiros 290


tivessem tempo de reagir. Mas Connor estava em algum lugar entre eles, e Graham não correria o risco de que Lambert o utilizasse como escudo. Tinha prometido a Claire quando a deixou esta manhã, guardada por cinco dos mais ferozes soldados do general, que traria seu irmão com vida. Tinha intenção de cumprir essa promessa. −Se preparem −disse aos homens ao seu redor−. E lembrem-se do que disse. Devemos agarrá-los de surpresa. Com a guarda baixa. Mesmo que seja por apenas uns momentos, é nossa melhor oportunidade. E não importa o que aconteça: tem que proteger Connor Stuart a todo custo. −Você acha que Lambert vai acreditar que viemos em seu auxilio, comandante? −perguntou um soldado a sua esquerda. Graham assentiu com a cabeça, passeando seus olhos ardilosos sobre a tropa que caminhava penosamente lá abaixo. −Sim, acreditará- − jogou pra trás sua boina e afundou os calcanhares nos flancos de seu cavalo−. Eu farei que acredite – ele partiu à frente de seu exército de quinze, colina abaixo, à vista de seu inimigo. Não freou seu ritmo ensurdecedor até que os homens de Lambert começaram a puxar seus mantos para desembainhar suas espadas. Eram poucos, mas aqueles soldados que permaneciam com Lambert eram os mais leais. O demonstraram imediatamente ao formar filas para cobri-lo em cada lado. −Meu senhor − Graham exclamou, elevando a mão sem espada em um gesto de submissão enquanto diminuía o passo−. Viemos desde a Escócia para lhe oferecer nosso serviço. Apesar de parecer pequeno sobre sua montaria, John Lambert não necessitava de arrogância em sua postura orgulhosa enquanto estudava Graham com um sorriso zombador. −Escócia disse?Não tenho seguidores na Escócia. −Sim, sim os têm meu senhor − Graham disse com um impecável sotaque inglês, inclinando a cabeça em respeito−. Havia pouco mais de uma centena de nós sob o comando do governador Monck. Recentemente, 291


nos tirou de nossas funções e postos por nossa deslealdade para ele e seu apoio ao Parlamento. É um soldado, e, entretanto denuncia o governo militar do reino. Os lábios de Lambert permaneciam apertados em uma careta, mas aos olhos prudentes de Graham não escapou o sutil assentimento de estar de acordo, a satisfação que passou pelo rosto de Lambert enquanto escutava. −O que os faz pensar que quero que o general Monck seja expulso? −Com o devido respeito, general, não é importante o que quer, mas o que necessita. −Presume muito… −Lambert arqueou as sobrancelhas esperando que Graham dissesse seu nome. −Major Alan Hyde − disse Graham−. A minha direita está o major Richard Lindsey. A minha esquerda, o capitão Charles Cosworth. Os homens de bem que vão a nossa retaguarda são nossos soldados mais leais. Lambert não parecia impressionado. De fato, riu e sacudiu as rédeas para partir. −Venham para mim dentro de três dias com uns poucos milhares mais de homens e considerarei a possibilidade de permitir que viajem comigo. −Dentro de três dias o general Monck terá chegado a Londres. Sim – ele disse quando Lambert se deteve, com as escuras pupilas dilatadas pela raiva−. Partiu da cidade faz umas semanas. Permita-nos viajar com você agora e assim poderemos alcançar suas tropas antes que chegue ao Tamisa. Cavalga com menos de mil homens. −Mesmo se eu acreditasse o que te faz pensar que poderemos detêlo, seu tolo? Somos menos de uma centena. O lento sorriso que se formava nos lábios de Graham foi o suficiente para convencer ao menos a alguns dos homens de Lambert de que o que disse a seguir era certo. −Vocês não necessitarão mais que isso comigo ao seu lado −quando Lambert jogou para trás a cabeça e riu, Graham sorriu com ele, e em 292


seguida fez um gesto com o queixo aos homens maiores e mais alerta de Lambert−. Permitam-me que demonstre isso. Lambert suspirou, mas sua curiosidade despertou. Com um movimento leve de sua mão, fez um gesto para que seu homem desse um passo à frente. −Lhe dê uma morte rápida, tenente… Graham não esperou que terminasse de dar sua ordem, mas sim empinou seu cavalo até o pôr sobre suas fortes patas traseiras, liberando sua claymore ao mesmo tempo. Deixou cair a parte plana de sua reluzente espada sobre a têmpora do tenente. −Me diga que não era seu melhor soldado − Graham disse enquanto seu oponente caía inconsciente de seu cavalo para o chão. Lambert, também, viu seu terceiro no comando deslizar para a dura terra, e logo piscou seus olhos assombrados de novo para Graham. Estalou os dedos e dois dos homens que o guardavam precipitaram-se sobre Graham. Caíram no chão tão rápido quanto o primeiro. −Me digam quem é −perguntou Lambert, jogando seu cavalo longe do alcance do Graham. −Já lhe disse isso… −Não. Diz ser inglês, e, entretanto luta como os escoceses e leva sua espada. −É um presente −disse Graham, sustentando sua espada sem sangue para admirá-la−. De um MacGregor, depois de deixá-lo sem cabeça −com um movimento de pulso, girou a espada em sua mão e ofereceu o punho a Lambert−. O artesanato é magnífico. Note seu peso e como se adapta bem a sua mão. Lambert foi para trás, com a suspeita nos olhos. −É minha confiança o que procura obter, ou meu traseiro no chão como resto? −Só sua confiança, meu grande senhor − Graham disse com seriedade. Mas Lambert ainda não estava convencido. 293


−Se, como diz, apenas necessito de você ao meu lado, então ganhem isso ao cortar o braço de um destes homens. −Como desejar −Graham se preparou uma vez mais, mas nenhum soldado se adiantou. Em seu lugar, Lambert exclamou o nome de Connor Stuart. Trazido de seu cavalo, o irmão de Claire quase cai de joelhos enquanto era empurrado para frente por outro soldado. Mantendo sua expressão estoica, Graham se maravilhou com a crua determinação de Connor ao ficar em pé. Vestido com farrapos e com seu manto feito trapo tremulando no vento frio, levantou seu olhar azul gelo para Graham, um olhar carregado com o mesmo desafio, a mesma negativa obstinada à rendição que tinha sua irmã. −O que é isto? −Graham arrastou as palavras com um leve desgosto −. Zomba da habilidade que garanto ter me trazendo um camponês esfarrapado com o qual lutar? −Trata-se de Connor Stuart, líder da resistência realista – escarneceu Lambert−. Um movimento rebelde que chega às profundidades do bando de Monck. Demonstrem-me que o general não o enviou em sua ajuda e o farei meu segundo no comando. Graham sorriu e desmontou. Deu voltas em círculos ao redor do prisioneiro, deslizando a ponta de sua espada com suavidade ao longo da clavícula de Connor. −Eu ouvi falar de você, Stuart. Um guerreiro exposto ao frio do inverno me falou de sua grande habilidade. O fôlego de Connor se entrecortou um pouco, mas foi a única demonstração que fez de entender de quem falava o homem atrás dele. Lambert cuspiu nos pés de Connor. −Sim, demonstra ao major Hyde o quão valente é agora. −Sim −Graham ficou cara a cara com Connor, cujos olhos brilhavam agora com esperança e descrença, e lhe lançou um sorriso leve−.

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Demonstre – nisso ele entregou sua espada ao Connor ainda quando Lambert balbuciou seu protesto. −Não esperara que eu enfrente um homem desarmado, não é, meu senhor? −Graham lançou a Lambert um olhar de desaprovação−. Tenho um pouco de honra, que… −se virou para Connor enquanto ele tirava uma adaga de debaixo de seu cinturão−… sua irmã negaria o plano - Connor sorriu enquanto Graham realizava um corte amplo no peito do soldado de pé perto dele… e os homens ao redor deles de repente criaram vida. Como Graham tinha suspeitado, o exército do Lambert estava fraco e cansado, e mais da metade caiu nos primeiros dez minutos de batalha. Connor, como Graham se alegrou em ver, lutava bastante bem, tendo em conta sua pobre condição. Mas não duraria muito tempo contra os melhores lutadores de Lambert. Graham teve que tira-lo da peleja. Enquanto os homens de Monck atacavam aos outros, Graham colocou o irmão de Claire sobre seu ombro e correu para seu cavalo. Ouviu Lambert exclamar seu nome falso enquanto jogava Connor sobre a sela e saltava detrás dele. Não se deteve, sabendo que os homens de Monck parariam qualquer que tentasse segui-lo. Quase tinha chegado à fila de árvores quando soou um disparo. A dor lhe queimava o peito e o braço como uma chama ardente. Olhou para baixo para ver a cor vermelha escura que empapava as fibras de seu gibão. Diabos, o filho da puta tinha uma pistola! Entretanto, não se deteve, mas sim se abriu passagem entre as árvores como uma flecha disparada através do feno. Ouviu um grito, uma voz feminina, mas sua mente se negava a registrar quem poderia ser. Não seria ela! Não podia ter lhe desobedecido! Nenhum homem jamais o tinha desobedecido na batalha. Então a viu, com sua longa trança clara nas suas costas, sua espada em alto e disposta a cortar a tudo aquilo ou todo aquele que cruzasse seu caminho enquanto Troy cavalgava através das árvores. Graham sentiu que seu coração falhava quando ela chegou até ele. 295


−Claire! –ele rugiu, e depois pôs seu olhar assassino nos cinco homens que vinham em seus calcanhares. Fez seu cavalo girar, e prometeu matar a cada um deles por não mantê-la oculta e segura. −Meu irmão −Connor puxou as rédeas, freando seu cavalo−. Não pode voltar para a luta. Nós certamente morreríamos. Graham o ignorou e golpeou os calcanhares sobre seu cavalo de novo. Meu deus, ela estava lutando! Não a alcançaria a tempo. −Olhe! −Connor apontou um dedo magro para a luta−. Seus homens estão detrás e adiante de Lambert. O general se retira! Deixa-a lutar. Ela é meu melhor homem. −Ela não é um homem! −exclamou Graham−. É minha esposa! −tentou alcançá-la, mas, seguindo suas ordens, três de seus homens utilizavam seus cavalos para lhe fechar a passagem, protegendo Connor a todo custo. Ele não podia fazer nada mais que observá-la, horrorizado e ao mesmo tempo assombrado com sua habilidade e sua força. O corpo a corpo só durou uns minutos, mas para Graham pareceram séculos, ao ser incapaz de chegar até ela. Ela bloqueava, cravava e se virava, reduzindo suas vítimas com uma exímia habilidade furiosa. Finalmente, quando só restava um punhado de seus inimigos, ela gritou uma ordem e os homens de Monck se retiraram imediatamente. Graham a olhava enquanto ela cavalgava para ele, com uma mistura de fúria cega e terror que obscurecia seus traços. Sem fazer uma pausa em seu ritmo, arrebatou-lhe as rédeas e puxou para que se pusesse em movimento. Cavalgaram em silêncio, rodeados por todos os lados pelos homens do general Monck, dos quais não se perdeu nenhum, até que estavam longe e a salvo. No momento em que se detiveram, Claire saltou de seu cavalo e ajudou Graham a descer seu irmão em seus braços.

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−Achava que estava morto! – ela exclamava uma e outra vez enquanto cobria seu rosto com beijos e lágrimas−. Pensei que nunca mais voltaria a vê-lo. Arrastando sua irmã em seus braços, Connor fechou os olhos e a abraçou como se nunca mais fosse deixa-la sair. −Eu rezava todos os dias por ver seu rosto uma vez mais. Por te escutar discutir comigo. Ao ouvi-los, Graham quase sorriu. −Me diga irmã −Connor se inclinou para trás e olhou profundamente nos olhos de Claire−. Onde está Anne? Diga-me que não foi dada em matrimônio a James Buchanan. −Não. Graham e Robert suspeitaram de sua traição e seguiram as ordens de Monck para levá-la a Skye. −Graças a Deus! −soprou Connor com um profundo alívio−. Fala de Robert Campbell, o conde do Argyll? −Sim. Connor concordou com a cabeça e olhou ao homem que tinha salvado sua vida. −Eu sabia que Campbell era um homem bom no qual se podia confiar. Eu desconfio que você seja Graham? −Sim −Claire respondeu por ele−. Ele é Graham Grant, comandante de… meu Deus, Graham, seu ombro! Está ferido! −ela tentou fazê-lo descer de seu cavalo, mas ele negou com a cabeça, com o olhar duro e sem pestanejar para ela. −Não é nada. Uma ferida leve. O disparo atravessou. Estou bem. −Tolice! − ela disse, soando meio histérica−. Desça aqui para que possa dar uma olhada! −Eu disse que estou bem. Ela o olhou fixamente, com a confusão e a preocupação enrugando sua testa. Vendo sua angústia, Connor se inclinou para seu ouvido. −Seu marido está zangado com você por correr para a luta. Lhe dê tempo para que… −Eu não sou seu marido − Graham o corrigiu inexpressivamente. 297


−Mas a chamou sua esposa. −Minha esposa não me desobedeceria. Com o cabelo arrepiado pela fúria, Claire cruzou os braços sobre o peito e o olhou. −E meu marido não me daria ordens. −Ele o faria se acreditasse que está muito delicada para lutar pelo bebê que leva dentro e ao qual não leva em conta! −Bebê? −Connor piscou para sua irmã e depois para Graham−. Está grávida? Mas Claire estava muito ocupada olhando para Graham com uma fúria silenciosa para responder ao seu irmão. −Faria − Graham acrescentou, elevando a voz cada vez mais forte, mais febril, com emoção− se apenas ideia de que se derramasse seu sangue no chão o enlouqueceria! Nunca senti um terror na batalha antes deste dia, graças a você, mulher teimosa! Juro que será a última vez! Deu a volta no cavalo para deixá-la ali, mas se deteve quando uma pedra o golpeou nas costas. Girando lentamente, fulminou-a com o olhar, e depois desmontou e partiu para ela como um predador atrás de sua presa. −Se por acaso esqueceu, atiraram em mim. −Você disse que estava bem – ela o enfrentou com seu olhar mais letal e pôs os punhos sobre seus quadris−. Pensa em me deixar? −Pensa em me deter jogando pedras? −Sim. Farei o que for necessário para manter aos que amo ao meu lado −à medida que ele se aproximava, sua ira se fundiu no sangue que manchava seu casaco. Seu aroma, sua imagem e sua voz reduziram todas as suas defesas, como tinham feito desde o começo. Seu coração se rendeu lhe entregando tudo o que era−. Sinto ter te desobedecido, mas ouvi o disparo de uma pistola e a ideia de te perder me enlouqueceu também. Sua expressão se suavizou, seus olhos verdes esquentavam como um dia claro do verão quando chegou até ela. −O que disse? −Eu disse que a ideia de te perder… −Não, antes disso. 298


Quando ela se deu conta do que ele queria dizer torceu a boca para ele. −Disse que sinto. Graham olhou para o irmão dela. −Você ouviu, não é? −em seguida deslizou seus braços ao redor da cintura dela e a atraiu para si, tomando cuidado com sua ferida−. Isto significa que me obedecerá a partir de agora? Claire elevou o rosto para beijá-lo, depois ficou nas pontas dos pés e falou suavemente em seu ouvido. −Graham, meu verdadeiro amor, farei o que me diga de agora em diante. Agora, por favor, me deixe ver seu ombro e limpar a ferida. Quando sua irmã se dirigiu para seu cavalo para pegar um pouco de água, Connor Stuart captou o sorriso satisfeito de Graham e sacudiu a cabeça com lástima. −Não acreditou em tudo isso de que vai te obedecer, não é? Graham mostrou suas covinhas para Claire quando ela se virou para sorrir para os dois. −É claro que não. Se tiver que lutar outra vez enquanto ela estiver em seu delicado estado, a atarei a uma árvore. Connor riu brandamente. −Ela arrancaria as cordas com os dentes para libertar-se −pegou uma maçã que Claire lhe lançou desde seu cavalo. Mordeu-a e gemeu com prazer, e depois se voltou para Graham−. Assim está certo de que poderá domá-la? Muitos o tentaram antes de você sem êxito. −Não − reconheceu Graham, pousando seu olhar amoroso nela. Se ela alguma vez voltasse a assustá-lo como tinha feito hoje, iria estrangulala, mas ele… −Pelas putas bolas de Satanás! −amaldiçoou Claire, derramando a água e interrompendo seus pensamentos. Ele não pôde evitar sorrir. −Não tenho intenção de domá-la. Nenhuma absolutamente.

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Epílogo Chegou a hora de que a verdade sja conhecida. Tudo o que deseja está em minhas mãos. Rendição. Poderosa palavra, e nenhuma mais doce para os ouvidos de um verdadeiro guerreiro. A vitória será minha, mas a glória será sua. Mantive meu coração em silencio por muito tempo. Mas logo, a terra tremerá ante minha chegada. E ao homem que tudo perdeu tudo será devolvido. Mas saiba isto: eu sou um soldado que não necessita de nada mais. Não faço isto com a esperança de alcançar a grandeza, a não ser com o temor de ser submetido… nada mais deve ser certo. Serei despojado no campo de batalha ou revestido de justiça e preparação? Devo permitir que o menino fiel morra enquanto o homem malvado prospera? Não! Seguirei adiante e apagarei a vergonha que provocaram ao pai. Seja paciente. Esteja atento. Porque há tanto honra ganha pelo paciente desejo insuportável da guerra quanto pela luta valente. Que a resolução de um soldado nunca seja tão grande e seu valor invencível quanto no dia da batalha. Pois os homens não levam armas porque tem medo do perigo, mas sim porque querem não temê-lo. E é o mais certo: a valentia de uns poucos pode superar a muitos. E assim vou, Sua Majestade, não para trazer a guerra, a não ser para trazer para seu povo o sabor doce da paz e o benefício de uma vida civil.

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O rei Carlos II terminou de ler a carta que lhe enviou o general George Monck. Com um coração que se sentia mais leve do que tinha estado em mais de cinco anos, dobrou o pergaminho e o escondeu dentro de seu baú. Finalmente, ele voltava para casa. O exército do general George Monck restaurou o Parlamento na primavera de 1660, com o que Charles Fleetwood foi privado de seu mandato e chamado a responder por sua conduta. Em 3 de março de 1660, o major-general John Lambert foi enviado à Torre, de onde escapou um mês mais tarde. Em maio do mesmo ano, a guerra civil da Inglaterra terminou e Carlos II foi restaurado ao trono. A Inglaterra e seu povo estavam em paz enfim… Todos exceto James Buchanan, que se viu açoitado por um guerreiro muito tenaz ao qual tinha traído. Mas essa é outra história.

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Um highlander nunca se rende  
Um highlander nunca se rende  
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