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Um Dom Especial Taming The Duke Jackie Manning — Então, onde está? — Insistiu Alicia, grata que ainda fosse cedo para os hóspedes estarem acordados. Caso contrário, poderiam vê-la, parada no meio do grande hall, toda suja e amarrotada depois da briga com Elizabeth. — Imagino que milorde esteja onde costuma ficar a esta hora, senhorita. — O rosto de Ives continuava impassível. — E onde é, Ives? — Em seu refúgio, senhorita. Alicia escondeu a crescente frustração e encarou o idoso criado. Era óbvio que ele sabia que, muito em breve, ela se tornaria a nova senhora de Havencrest. Quem sabe a estivesse testando, num jogo de autoridade? — E onde é exatamente esse refugio, Ives? Quero saber, para que eu possa enviar um dos cavalariços até Marston Heath. Seu patrão me falou que está procurando um novo mordomo. O olhar de surpresa de Ives encontrou o dela por uma fração de segundo, antes que suas feições voltassem a ser uma máscara de indiferença. — Milorde está na cabana de caça, milady. Devo pedir a um criado que lhe mostre o caminho? — Perguntou, com um dos cantos da boca um tanto arqueado, numa expressão irónica. — Não será necessário, sei onde é. Obrigada. Ouviu quando o mordomo dava uma risadinha seca, ao se voltar. Alicia saiu cavalgando Cinnamon Rose pelos campos, as pernas ágeis da égua cobrindo a distância num galope brando. Puxou as rédeas quando se aproximou do riacho próximo à cabana de pedra que ela vira muitas vezes, quando saíra a passear. Rolos de fumaça subiam da chaminé. Desmontou, amarrando o animal num tronco de árvore, ali perto. Um relinchar a distância chamou-lhe a atenção para o abrigo onde um garanhão de cara branca e pêlo acastanhado estava parado. Alicia reconheceu o cavalo que Dalton costumava montar. Cruzou os braços e dirigiu-se à entrada. Bateu, sentindo que seu pulso começava a acelerar-se ainda mais. — Entre, Alicia. — Dalton, que abrira a porta, devia tê-la visto chegar, pois não parecia surpreso. — Visitar seu noivo sem avisar e ainda mais desacompanhada é malvisto pela sociedade, minha querida. Porém, muito bem-vindo para mim. — Então, observou-a melhor. — Se vissem o quanto está adorável com essa calça, esse estilo iria tornar-se a última moda, em Londres. Alicia ignorou o elogio e entrou. Tirou as luvas e relanceou os olhos pelo aposento. Cabeças de animais e falcões empalhados a espiavam das paredes, fazendo conjunto com muitos livros. Um sofá e várias cadeiras rodeavam a lareira de granito, que ocupava todo o comprimento do ambiente. Simples e muito masculino. — A que devo a honra de sua visita? Alicia percebeu que Dalton a fitava, curioso. Com a mão, fez um gesto para que sentasse. — Elizabeth me procurou. — A custo continha a raiva. — E me contou uma história bastante interessante. — Como prefiro ficar aqui sozinho, não trouxe um criado e não estava preparado para ter companhia. Perdoe-me, mas creio que só poderei lhe oferecer cigarros, uísque e conhaque. — Apontou para os frascos de cristal, na prateleira. — Talvez seja um pouco cedo para você, não é? Alicia recusou-se a mudar de assunto.

Um dom especial  
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