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Um Dom Especial Taming The Duke Jackie Manning aveleiras, o brilho dourado da mansão ainda reluzia. Ao final da semana, estaria lá, no baile com Dalton, enfrentando a duquesa, sua mãe. O coração de Alicia disparou no peito. Que Deus a ajudasse! Na manhã seguinte, um céu de chumbo e uma fina neblina saudaram Alicia, quando ela conduziu Bashshar do estábulo, pela trilha, em direção ao pavilhão. A área isolada, rodeada de árvores, era o lugar perfeito para treiná-lo, desde que Dalton concordara em permitir a ela um contato livre com o garanhão. Bashshar relinchou e jogou a cabeça para trás, num desafio teimoso, forçando as rédeas como que a avisá-la de que estava pronto para lhe testar a paciência. Em lugar das usuais palavras suaves, Alicia o ignorou, continuando a caminhar, entregue a seus pensamentos. O firmamento nublado combinava com seu ânimo. Durante as últimas horas, tentasse o quanto tentasse, não conseguira pensar em nada a não ser no horror que teria de enfrentar no baile daquele fim-de-semana. O cavalo parecia sentir seu estado de espírito. Observava-a com cautela, enquanto Alicia o conduzia para a arena, soltava a brida e, então, tomava lugar no centro do círculo. Bashshar pôs-se a escavar o solo assim que Alicia pegou a echarpe cheia de nós, a mesma que seu avô usava para treinar potros. Ela engoliu um princípio de choro. Devolver a Marston Heath o esplendor que tivera quando seus pais haviam se casado era um desejo com o qual nunca se atrevera a sonhar. Nos vinte e um anos de união, a bebida e o jogo em que o barão se afundara drenaram todos os lucros de Marston Heath, os domínios que ele recebera como dote da esposa. Além da perda de rendimentos, o barão Spencer jamais fizera reparos ou melhorias na propriedade, com exceção dos jardins, de que as mulheres e a pequena equipa de criados cuidavam. Seus olhos toldaram-se de lágrimas, mas seu peito encheu-se de esperança. Poderia restituir a grandeza de Marston Heath e deixá-la tal como quando seu avô a construíra. Sim, o sonho seria possível, quando se casasse com Wexton. Fitou Bashshar, que a observava com desconfiança do canto mais afastado. Relinchou e empinou o pescoço, com se procurasse chamar-lhe a atenção. Alicia tornou a ignorá-lo. Fechou os olhos, respirando fundo. A imagem de Dalton, o duque de Wexton, tornou-se nítida em seu íntimo. Um dos mais belos e ricos homens da Europa. Ele poderia se casar regiamente, se assim quisesse. Porém, escolhera-a. Alicia ainda mal podia acreditar. Dalton era arrogante, tinha ares pomposos, superiores. Ainda assim, possuía um outro lado que era bastante confuso. A despeito de sua natureza extravagante e voluntariosa, o duque demonstrava uma bondade extraordinária para com Bashshar, e parecia adorar a irmã. Bashshar soltou outro relincho, forçando Alicia a se concentrar no trabalho que tinha em mãos. Ela agitou a echarpe no chão, observando a reação do animal. O cavalo ergueu a cabeça, o olhar nunca se afastando do dela. Gotas de chuva começavam a pingar em seu rosto e Alicia baixou a cabeça, os braços ao longo do corpo. — Que espécie de homem é esse seu dono, Bashshar? Você confia nele. Obedece-o. Num momento, Dalton é a mais desdenhosa das pessoas e, no outro, pode ser tão carinhoso e gentil que quase parte meu coração. Que espécie de bicho se

Um dom especial  
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