Page 36

Dois dias depois de Greyson Hoje estamos decorando uma das novas casas de meu cliente. Na Susan Bowman Interiors, não importa quem esteja no comando do projeto, todos dão opinião no “dia D” da entrega e da arrumação dos móveis de fato. Basicamente, funciona assim: eu me encontro com um cliente e pego uma noção do gosto e do orçamento dele; faço uma proposta detalhando os custos aproximados, cômodo por cômodo, e proponho os conceitos de decoração; faço os planos para os cômodos, tiro medidas, depois entrego os arquivos em PDF com os preços de várias opções e imagens e amostras de tecidos, baseando-me nos conceitos discutidos. Uma vez que o cliente aprove nossas escolhas, eu mostro tudo para Susan, obtenho o selo de aprovação dela, então encomendo os tecidos, os móveis, os acabamentos para as janelas, os tapetes e carpetes, e tudo é enviado para o galpão da companhia, onde é conferido, reunido e estofado. E daí começa a diversão. Porque nós conseguimos então marcar uma data, geralmente quando nosso cliente está fora da cidade, e podemos fazer tudo o que visualizamos mentalmente acontecer na vida real. Eu sou uma pessoa visual, e é isso o que faço. É isso o que eu amo. Desde que eu tinha três anos de idade, visualizo tudo. Do jeito como eu me vestiria para o primeiro dia na escola, e até o modo como certo garoto iria olhar para mim. Da forma que um professor sorriria deliciado com a maçã que minha mãe sempre me fazia levar. Ela dizia que se eu colocasse a maçã nas mãos deles, estaria colocando seus corações em meu bolso. Eu sempre me sentia ridícula entregando-lhes a maçã, mas minha mãe acredita bastante em ser “generosa” com todo mundo e está sempre dando coisas, até abraços. Sim! Ela fez aqueles cartazes ABRAÇOS GRÁTIS em eventos de caridade e simplesmente abraçou todo mundo – e me levou com ela. Então, acho que também acredito em abraços. Eles simplesmente são gostosos demais. De qualquer forma, agradar as pessoas e viver uma vida colorida, feliz e relaxada é o que eu amo. – Aonde vai isso? – pergunta Pandora, desembrulhando um belo abajur de vidro. – Ah, essa belezinha vai para o quarto da menina – digo, conferindo todos os meus arquivos pela terceira vez hoje. – Fica em cima daquela velha cômoda rosa e esse camaradinha aqui. – Eu indico uma otomana pequena e listrada tão fofa que preciso me esforçar para não abraçá-la. – Não é uma gracinha? – O que é uma gracinha é o jeito como você fica tirando seu telefone como se ele fosse um filhote de cachorro, vivo e quentinho. – Ah, fica quieta! Estou só conferindo se tenho rede. E minha rede parece… ok. Hummm. Interessante. NENHUMA mensagem. Ainda. Às vezes, os caras precisam de um empurrãozinho. Ficam assustados. Foi intenso demais. Ele me deu “o” olhar. Agora mesmo, ele pode estar sentado em casa pensando: Que diabos,

4 devasso katy evans  
4 devasso katy evans  
Advertisement