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instantaneamente esfaimado. Rindo, eu insisto para que ele sente-se em um dos bancos na ponta do balcão da cozinha. – Não é o que você está pensando, é comida de verdade! – Você vai tirar isso para mim? – Ele puxa a faixa do meu avental. – Talvez, se você comer toda a sua comida com um bom menino. Ele ri, um som rico e cheio, seu sorriso devastador dominando meu cérebro. – Você gosta mais quando eu sou mau – aponta ele. Mordendo o lábio para conter um sorriso, eu retiro o prato de massa com uma luva, ciente de que ele está reparando que eu vesti apenas um vestido curto por baixo do avental – talvez possa até ver que não estou usando calcinha. A ideia me faz arrepiar. Surge um silêncio e um rangido do banco quando ele se recosta e tira os sapatos. Há um tom confuso e quase divertido em sua voz rouca quando ele fala comigo, esfregando o maxilar enquanto me observa, alvoroçando-me, pela cozinha. – Eu fico me perguntando o que você está fazendo o tempo todo. – Ele faz uma pausa e depois, a voz mais baixa e espessa do que nunca, prossegue: – Você sente minha falta? – Que tipo de pergunta é essa? Ele me dá um sorriso malandro. – Uma que eu quero conhecer a resposta. Eu devolvo o sorriso com um igual enquanto nos sirvo. Quando encho seu prato com salada e massa, ele fecha a mão ao redor do meu pulso. – Sente? Nossos olhos se encontram e ele gentilmente aumenta o fogo que cresce dentro de mim quando esfrega o dedo na parte de dentro do meu pulso. – Sente? – pergunta ele, suavemente. – Sim – sussurro. Eu deslizo minha mão livre por seu maxilar e, num impulso, me inclino para beijar seu rosto. Acrescento, perto de seu ouvido: – Muita. Ele me observa como um predador enquanto tomo meu lugar no banco do outro lado do balcão. Sorrimos um para o outro, aqueles sorrisos que parecem se abrir em nossos lábios simultaneamente; desde o momento em que nos conhecemos, foi sempre desse jeito. Eu noto, finalmente, que ele trouxe vinho, e o observo enquanto abre a garrafa, procura por copos no meu gabinete, e volta para servir uma taça para mim e uma para ele. Nós brindamos, sorrindo. Antes de beber, ele murmura: – A você, princesa. – Não, a você – retruco, tomando um gole. – Você gosta de me contrariar, não é – ronrona ele, ainda girando e cheirando a própria taça.

4 devasso katy evans  
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