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Ele sorri para mim e ergue os braços ainda mais para o alto. – Garanhão! – grita a sra. Meyers. O sr. Meyers me lança um olhar e levanta a sobrancelha até a raiz do cabelo, como se dissesse: “Viu? Essas mulheres não têm noção nenhuma”. Ele continua fingindo até eu estar rindo, observando-os, e então é minha vez. Eu dou uma espiada pela janela e me certifico de não estar visível – se Derek vir isso, é o fim de Zero. Nenhum respeito restará para Zero. Eu retiro uma carta e pego um cachorro. Começo a rosnar e faço a primeira coisa que me vem à mente: pego uma almofada e mastigo o canto. – Lobo! – a mãe dela grita. Eu prendo a almofada entre os dentes e chacoalho de um lado para o outro. – Oh, céus – diz a mãe dela. Melanie está gargalhando e eu me sinto um idiota. Diabos, eu quero que ela adivinhe, mas, que se dane, não vou ganir feito um cachorro. Eu largo a almofada e desisto, e ela está segurando a barriga, rindo, e tão gostosa quando vem até mim e retira a almofada, passando os dedos pelo meu cabelo, brincalhona. Posso ver a dinâmica familiar muito claramente agora. – Minha avó dizia – ela me conta, com um último afago em meu cabelo – que quem brinca junto, permanece junto. Ela foi protegida a vida toda. Feliz. Participando de um jogo divertido e inocente. Ela brilha. Todos eles brilham. Eles são ridículos e estúpidos, e eu nunca na minha vida quis ser ridículo e estúpido. Eu mato, chantageio e engano os ridículos e estúpidos. – Aquele que souber fazer o melhor truque pega o último brownie! – Olha, filho – o pai dela me diz, depois desse anúncio –, qualquer truque que você conheça, agora é a hora de exibir. Esses brownies são fantásticos, estou lhe dizendo. – Você primeiro, Papai! – convoca Melanie. O sr. Meyers começa a fazer uma dança russa, inclusive com os hut a cada vez que sobe. A mãe dela imita um gorila bastante realista. Melanie olha para mim, depois cobre a boca e começa a imitar o zurro de um burro. Finalmente, todos eles olham para mim. Porra. É sério? Isso é estúpido pra caralho. Mas… É o jeito como ela está olhando para mim, curiosa, feliz. Ele me leva de volta para onde está. E me faz estudar a sala de jantar para ver o que diabos eu posso fazer. Vejo um vaso com margaridas na mesa. Elas são rosa-choque – combinam com a princesa. Pego uma faca de carne e recuo vários passos, depois lanço-a do outro lado da sala, para trás deles. E prendo o miolo da margarida à parede mais distante.

4 devasso katy evans  
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