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Uma experiência simbolista 2ª série E.M. 2017


Meus queridos alunos das segundas séries

A Literatura é um direito de todos nós. É ela que nos possibilita sonhar, transcender e compreender a humanidade. A linguagem transforma a vida em palavras que nos traduzem o mundo e seus séculos de existência. Ao “ouvir” as vozes dos escritores, ouvimos também a história dos homens de seu tempo. Assim, aprendemos e tornamo-nos melhores. E, se realmente as escutarmos, poderemos até nos reconhecer e nos encontrar nas linhas de um poema ou nas páginas de um romance. Parabéns a vocês, jovens do século XXI, que lindamente registraram em um poema a sua percepção do nosso tempo, os seus sentimentos e expectativas, seguindo a proposta simbolista de sugerir aquilo que todos temos em comum: a experiência humana. Prof. Patrícia


Esclarecimentos O Simbolismo foi um movimento literário surgido na Europa, na segunda metade do século XIX. Em resposta ao excesso de cientificismo, essa estética propunha a retomada de elementos da literatura romântica. Ao estudá-lo, nossos estudantes captaram o desejo daqueles poetas: resgatar a essência de um homem perdido de si mesmo, em um mundo materialista. Dessa experiência, resultou este trabalho. A seguir, estão publicados os poemas dos estudantes poetas das segundas séries de 2017, que nos surpreendem com sua percepção e sensibilidade.

Boa leitura a todos!


Melancólicos muros Ana Beatriz Z. Nogueira, Ana Elisa Abddala Rocha, Rafaela M. Bastos Oliveira, Victoria Cruz Cozeniosqui Manhãs amargas Mente cismada Mestres murmurando Moral e matemática Maravilhosos médicos Medíocres músicos Matérias massantes Medos mútuos Polideimos combate Morfeu Melancólicos muros

Masmorra da alma Mesmice matinal Humanos amedrontados Meritocracia e memória Imaturidade e manipulação Mentiras mascaradas Morna metamorfose Sombras gemem Miseráveis clamores Máquinas ou morte


Olhar ansiado Bárbara L.B. Pereira da Silva , Gabriel Ridolfi Teixeira, Giovanna Farinassi Quando se esquece de si mesmo E só se encontra o não Nem ao menos um desejo Só o que sobra é pressão

Somos apenas pobres prisioneiros Reféns do presente traiçoeiro Um olhar ansiado predomina E a paz interior se dissemina

Parecer estar para sempre confinado Na pressão da agonia que limita Coração apertado, pressionado, perturbado Pela dor que nunca foi ouvida


O fim Emily Sasaki, Maria Fernanda S. Esteves, Mariana Flores, Milena Forte Tenho a classe, a tristeza Tenho a miséria e a mais infinita das belezas Carrego o desconhecido E o intrigante do viver Muito do que se teme Não valoriza minha grandeza Trago o ultimato da vida E o começo da incerteza Mas a incerteza já existe E posso chegar mais cedo Para aqueles que não sentem Os mais altos dos sentimentos Realizo seus desejos


Fernanda Maldonado, VithĂłria Cabreira, JoĂŁo Pedro Campillo, Pedro Heitor Bonatti


Efemeridade ou Eternidade? Beatriz Naomi, Emanuelle Cagnin, Matheus Gallucci, Victor Garcia e Victória Gracher

No início tudo era paixão Incondicionalmente se amava

Alegria ou melancolia?

Com beijos o coração disparava

Palavras faladas em vão

No ardor do seu amor, frustração.

Onde o amor transcendia

De repente rosas entristecem

O adultério suprirá a devoção?

No desgosto murcham e padecem

Preferiu o findável ao durável

Os desejos tornam-se anseios

E o sofrimento virou interminável

Os sonhos tornam-se pesadelos


EXPECTATIVAS Giovanna Trabachini, Marcela Saleh, Renata Rosa É sexta a noite, E ficar em casa Me faz pensar No que eu estou deixando de viver, Como se cada sexta em casa Fosse uma doce memória a menos deixada de ser lembrada, Uma experiência nova deixada de ser vivida, Um pedacinho da minha história deixado de ser contado. É sábado à noite, A festa está cheia, Mas elas se sentem vazias E procurando se preencher com memórias. Talvez por isso façam coisas que não gostariam de fazer. Talvez a garota que ficou com mais de um menino só queira amparo,

Talvez o garoto que bebeu até passar mal só não consiga lidar com a realidade, Talvez todos nós deveríamos aceitar nosso próprio tempo. É domingo à noite, E eu não sei quantos domingos me restam Pra relembrar todos os ácidos acontecimentos do final de semana. E essa amarga angústia me faz mal. Talvez deveríamos realmente Aceitar nosso próprio tempo E pararmos de colocar o peso da expectativa Nas nossas memórias. Paremos de culpar o destino Por coisas que nos acontecem Ou deixam de acontecer. Ninguém merece trabalhar sob pressão.


A Vida João Victor A. Bruzetti

Sempre as mesmas coisas, as mesmas pessoas, os mesmos lugares Nunca muda e nunca mudará Anjos continuaram morrendo Demônios continuaram vivendo A vida é assim E continuará sendo assim monótona e chata Contínua e injusta Inocentes pobres são culpados Ricos poderosos são inocentados Assim o dinheiro faz a justiça. Esse é o mundo em que a pessoas vivem Enquanto uns choram, outros riem E nunca vai mudar não importa o quanto se tente.


SOLIDÃO PROFUNDA Gabriela Boni, Antônio Filipe C. T. Cipelli, Luan Ligabui, Pedro Henrique de Oliveira

Sozinho sou Estou

Nas festas de família

Vou

Sou a única com cara séria

Na minha árvore, antes verde e formosa,

Enquanto todos riem da minha miséria

Nascem apenas espinhos, não flores de cor de rosa.

Meus amigos debochariam de mim também.

Já não mais como antes, honrosa,

Mas, pessoas como eu, amigos não tem

Pessoas olham como se não fosse digna

Através desse poema lhe peço ajuda

Mães falam a seus filhos que sou maligna

Até hoje busco alguém que me acuda...

Mas, na verdade, sou apenas uma menina triste,

Esse poema agora terminarei

Que não sorri com coisas banais

Pois com a solidão me deparei.

Como palhaços e coisas consideradas normais.


Como se fosse uma magnólia Vinícius Gonçalves Martinez Era como uma pequena Magnólia, que de repente Se tornou um grande cacto, Que machucava todo o interior da mente A cada momento em que, com o chão, entrava em contato, E não tinha vontade de se levantar Porque sabia que para lá ele iria voltar.

Do que diziam verdade, desistiu, Do que diziam mentira, continuou, Na vida, “conseguiu” e seguiu E o que havia “vencido” retornou. Na mente, flor alguma não havia, Uma gigante sombra se tornou, Junto com a prisão que se tornaria.

Tentava entre as estátuas se soltar, Porque com mais ninguém tinha vontade. Mas até elas saíam e voltavam feito ar... Ficara traumatizado a ponto de ir até a Trindade Então, com o lápis e o papel tentou, Mas no último instante, até o papel voou.

Nela não teria noção do quanto permaneceria, Pensava que dela havia escapado, Mas o cadeado, o maldito cadeado, A chave com ele não estaria, Tentou desesperadamente pedir ajuda Mas sempre faltava-lhe a última palavra do “Alguém me acuda”.

Não conseguia nunca se manter ativo, Uma vez que a constância se liquefazia, Transformava o morto no vivo E o que era vivo se mataria. Mas no final o livro estaria lido, E restaria apenas um “Deus da dor livra-o”.

Acabou que pensou, refletiu e concluiu Ela era... Sim Ela era... Como se fosse uma Magnólia.


Manuella de Azevedo J. Hernandes, Marina AraĂşjo Manso, Caio Lucas A. Seles


DESPRAZIMENTO SOCIALITÁRIO Pedro Myiabe de Bem, Enrico Giannobile, Allan Miranda Souza Devaneio solitário Em meio à guerra de credulidades Devaneio solitário Ante ao atrito de futilidades Sociedade decaída se esvai Como a pulsação de um coração imaturo Esperança que vós não contemplais Esmorecendo em um poço obscuro Ilusória sabedoria gera estupidez Dissimulação das verdades para próprio proveito Enganando somente a si próprio, diminuindo virtudes Redoma hermética que aumenta o preconceito Concepção depravada intriga a perspectiva Criatura de propósito destrutivo Disseminando-se como uma peste possessiva Deixando até mesmo ruínas em modo defensivo


MADRUGADA Amanda Moraes Zonaro, Marina Aires Guimarães, Mateus Souza Torres, Nathália Lourenço de Mattos Meia-noite, uma da manhã Tão escuro que clareia Algo amedrontador reflete Exalando escuridão E não sumirá logo cedo Noites ensolaradas Dias de luar Refletindo um silêncio estático Refletindo um olhar estridente Inquebrável e contínuo Preso em um ciclo infinito Me embala em uma cantiga eterna Meu querido amigo não vá embora Isolada em um universo de vidro Não falo, só copio Não se quebrará logo cedo Meia noite, uma da manhã


“Primeiramente, em um sentido bastante simples, viver é mais fácil para aqueles que sabem ler, não somente as informações, os manuais de instrução, as receitas médicas, os jornais e as cédulas de voto, mas também a literatura. Além disso, supôs-se por muito tempo que a cultura literária tornasse o homem melhor e lhe desse uma vida melhor: com a literatura, o concreto se substitui ao abstrato e o exemplo à experiência para inspirar as máximas gerais ou, ao menos, uma conduta em conformidade com tais máximas. A literatura, instrumento de justiça e de tolerância, e a leitura, experiência de autonomia, contribuem para a liberdade e para a responsabilidade do indivíduo .” Antoine Compagnon

Ebook UMA EXPERIÊNCIA SIMBOLISTA  
Ebook UMA EXPERIÊNCIA SIMBOLISTA  

PRODUÇÃO DE POEMAS SOB INFLUÊNCIA SIMBOLISTA - ALUNOS DA SEGUNDA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO - COLÉGIO ESPÍRITO SANTO

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