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O casamento gay e a liberdade do “poder fazer” Nossos telejornais e periódicos têm lugar cativo para vários assuntos: a luta homossexual por uma rotina sem discriminação é um deles, por razões óbvias que dispensam comentários. Esta semana, depois da excelente decisão do Supremo Tribunal Federal de aprovar a união homoafetiva como estável, no dia de hoje fomos brindados com a surpresa de que agora cartórios em todo o Brasil serão obrigados a registrar em matrimônio estas uniões. Ponho - me a refletir sobre o simbolismo do casamento para as pessoas, e as diferenças que o poder/não poder acarreta, neste caso. Esta é uma questão que dificilmente um heterossexual entenderia se não tivesse a capacidade de se colocar no lugar do outro e passear entre os conceitos que regem esta revindicação. Para alguns – e eu mesma até compreendo - pode parecer contraditório e até absurdo que, na mesma sociedade em que mulheres que não querem se casar são vistas como óvnis, há também quem busque incessantemente pelo um simples direito de poder ser reconhecido como um casal civil. Este é um raciocínio altamente compreensível em uma sociedade que prega que o casamento só traz incômodo. Oh! Pobres gays, não sabem a enrascada onde estarão se metendo. Pois lhes digo que eles sabem exatamente onde estão querendo chegar: na conquista do direito de poder, o poder fazer. Casar não é importante, o poder casar é que é. O valor da liberação do casamento civil homoafetivo não tem nada a ver com o casamento em si, e sim com o direito de liberdade para viver sua opção afetiva como quiser sem que isso seja tachado como impróprio, errado ou proibido. As barreiras que limitam o comportamento são como um rosto com duas faces opostas: quando assaltam o pudor do outro, são imprescindíveis para cessá-lo; e quando segregam um grupo diminuindo-o, transformam a vida deste grupo em verdadeiras jaulas. O parâmetro de comportamento social deve existir apenas para guiar-nos a conviver adequadamente em sociedade sem atrapalhar o colega, mas não deve coibir nossas preferências que não dizem respeito a ninguém mais além do próprio indivíduo. Obviamente, este problema permeia em torno de vários pré-conceitos que a sociedade de um país de maioria cristã insiste em manter ao longo dos anos, ignorando seu laicismo e todo o avanço social e tecnológico que o mundo como um todo conseguiu longe da religião. Esta decisão do STF me soa como um auxílio em forma de mensagem subliminar, que diz: “Evoluam, por favor!”.


O casamento gay e a liberdade do “poder fazer”