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Panorama Nacional

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os últimos tempos, uma série de episódios violentos em escolas do Rio de Janeiro e São Paulo amedrontou a população brasileira. Na chamada tragédia do Realengo, no Rio, um atirador e ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira matou 12 crianças e feriu 10. No ABC paulista, um garoto de apenas 10 anos pegou a arma do pai, atirou na professora pelas costas, saiu da sala de aula e suicidou-se com dois tiros. Em São Paulo, dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), um jovem de 24 anos foi morto a tiros quando abria a porta de seu carro. Fatos como esses, que ganharam destaque na mídia, evidenciam as frágeis condições de segurança das escolas brasileiras e deixam pais, alunos e a sociedade em geral preocupados. É possível tomar medidas de prevenção contra esse tipo de violência? Qual deveria ser o foco dessa prevenção? É mais importante investigar as causas psicológicas, nos casos de assassinatos sem roubo, ou sociais, no caso do homicida da USP, ou analisar as condições físicas de segurança das escolas? Especialistas nesse segmento, como é o caso de Wagner Grans, gestor de segurança na Universidade São Judas Tadeu e atual coordenador do Grupo Integrado de Apoio à Segurança do Ensino Superior do Estado de São Paulo (Giases), admitem que essa é uma equação complexa e com muitas variantes. “Equipamentos como catra-

Para especialistas, a busca de soluções é equação complexa e envolve muitas variantes

Yara Dias, especialista em instituições de ensino e autora do livro ‘Coisas Que os Pais Precisam Saber Sobre Seus Filhos’: “Limites e respeito são essenciais para mantermos a sociedade em paz”

cas eletrônicas, câmeras de monitoramento (CFTV), sistema de alarmes, novas tecnologias e detectores de metais, entre outros, são de grande valia, mas é necessário fornecer qualificação profissional e elaborar cenários prospectivos e análise de risco. É a combinação perfeita para fornecer segurança”, diz. Yara R. Gonçalves Dias, formada em pedagogia e direito, com MBA em gestão estratégica de segurança empresarial e autora do livro “Coisas Que os Pais Precisam Saber Sobre Seus Filhos”, que será lançado ainda este ano pela Editora Livre Expressão, acrescenta mais elementos à discussão. “O carro-chefe do meu livro é a transmissão de valores e imposição de limites às crianças desde pequenas. Limites e respeito são essenciais para mantermos a sociedade em paz”, afirma a consultora, que é especialista em instituições de ensino. Yara, apesar de reconhecer a importância de uma estratégia que envolva os pais na construção de um ambiente escolar seguro, não descarta a necessidade de um projeto de segurança minuciosamente elaborado. “Hoje o maior problema que temos é o desconhecimento por parte dos gestores educacionais do que é necessário para que se pense em segurança. Eles compram produtos e, muitas vezes, serviços de vendedores de soluções que se autodenominam consultores de segurança, mas são pessoas sem

formação na área. É preciso que haja a difusão de informações acerca de quem é realmente consultor capacitado e qual a importância do diagnóstico de segurança e análise de risco feito por este consultor para a aquisição de produtos e serviços da maneira correta”, avalia. Ulisses Nascimento, também um conceituado gestor de segurança privada, com mais de 25 anos de experiência na área corporativa, sócio do Portal Escola Protegida e gerente da Grans Nascimento Associados, concorda com a ideia de que a paz nas escolas depende de vários fatores. “É preciso adotar uma abordagem preventiva e integrada. As esferas de atuação são: ambiente social e físico, educação física e em saúde, atividade física extracurricular, serviço de saúde, capacidade de resposta a crises e desastres, esforço integrado da escola, da família e da comunidade para a prevenção de lesões e esforço para a capacitação dos colaboradores.” A necessidade de se elaborar um plano que leve em conta todas as variantes que podem influir na criação de um ambiente tranquilo fica evidente nos casos que mais abalaram a opinião pública recentemente. “As duas escolas não tinham nenhum padrão de segurança. No ABC a situação é ainda mais crítica porque é uma escola-modelo da região, e apenas um detector de metais na entrada poderia ter evitado a entrada do aluno com a arma. No Realengo, o maior absurdo foi uma pessoa entrar sem autorização”, diz Alexandre Tavares, consultor da Artan, formado em administração de empresas e com MBA em gestão estratégica da segurança. Tavares recomenda um sistema chamado “segurança em camadas”. Seria, resumidamente, um projeto que começasse com a avaliação e a supervisão das ruas e região do entorno; depois, o uso de barreiras físicas como muros e grades; em seguida, um controle de acesso dos alunos e, por fim, a prote-

Revista Segurança Inteligente  

Revista Segurança Inteligente edição 07

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