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VIVEN CIAiS VIVENCIAIS CELEBRATIVOS

NA MÍSTICA DE NAZARÉ


01. 02. 03. 04. 05. 06. 07.

Vilarejo de Nazaré ........................................... 05 Flor do Bem Querer ......................................... 11 Histórias do Povo ............................................ 15 Travessia .......................................................... 20 Comunidade da Vida ....................................... 24 Família Humana ............................................... 29 Primavera da Vida ............................................ 33


VIVEN apresentação CIAS Recebemos este belo texto Sete Vivenciais Celebrativos na mística de Nazaré, que numa linguagem poética se constitui numa bússola no processo hermenêutico dos nossos grupos de base, porque olhando para Nazaré difundem-se novas luzes sobre nossa realidade ajudando-nos a reconhecer, valorizar e gerar relações de vida e cuidado numa corporeidade sempre mais ampla seja ela da pessoa, da família, da comunidade, da sociedade, do planeta, este itinerário espiritual favorece a comunhão noprocesso de revitalização da Pastoral da Juventude no contexto Latino Americano. Celebrar é o ato de colocar em destaque uma pessoa, um acontecimento, uma historia uma conquista... Assim o eixo que perpassa todos os vivenciais celebrativos é o “dom da vida” no chão desta América Latina violentada e empobrecida, mas também que guarda a memória ancestral dos povos indígenas e o legado do amor pela Pacha Mama, às lutas e resistências em contextos de ditadura e a luta por Estados democráticos. Os três primeiros encontros celebrativos, valorizam “a comunidade” como uma referencia vital, levando-nos a refletir sobre as relações que estabelecemos dentro desta comunidade de vida chamada planeta e nos incentiva a valorizar a cultura que vem da sabedoria popular. O quarto encontro é o núcleo dos vivenciais, o autor nos ajuda compreender que é por causa do nosso seguimento do Mestre Jesus que abraçamos o projeto do Reino de Deus que se traduz em vida abundante para todos, por isso celebrar é também avançar nesta exigência evangélica do cuidado e da proteção à vida. Os últimos encontros provocam a descida para nossa realidade, nos motivam para colocar o pé no chão e identificar os caminhos pelos quais podemos avançar, isto é, humanizar-nos para viver mais plenamente e saborear a felicidade, vivenciar uma espiritualidade ecológica na luta sócio ambiental. “A coisa começou num vilarejo pequeno, muito pequeno, chamado A Flor. Bem, a Flor que, em idioma arameu, se diz Nazaré”. Por isso, vamos lá celebrar a primavera da vida, da vida em flor, da vida que se abre desde o pequeno e o singelo com generosidade para embelezar esta terra banhada em sangue, semente dos mártires. Abraçamos a vida, dançamos com ela um passo de cada vez e ela se constitui na Causa da nossa luta, na utopia que nos faz caminhar e nos organizar. Celebramos para continuar o caminho iniciado no seguimento de Jesus, o Nazareno. Katiuska F. Serafin Nieves Religiosa de São José de Tarbes Assessora da Pastoral da Juventude Teóloga e missionária no Brasil 03


INTRODUÇÃO “Te quiero porque tu boca sabe gritar rebeldia” (Mario Benedetti) Celebrar o caminho da vida, que segue sempre bela e tocante, nos encontros, nas paixões e na conversa ao pé do ouvido. Nazaré é o cotidiano, é o bem viver, a amizade e a família reunida em torno da mesa, da partilha, da solidariedade. Nazaré é a fraternidade, a caridade com os/as vizinhos/as que partilham juntos/as a comida, a criação dos/as filhos/as, as alegrias e tristezas da vida assumida na simplicidade, daqueles que tem a fé no Deus dos Pobres – Javé, como única herança. Este “Caminho Celebrativo” 7 Vivenciais Celebrativos: Na Mística de Nazaré, quer ser como um bálsamo na vida da juventude, do continente Latino Americano. Um aroma, que reconstitui a vida e devolve a dignidade, que joga pra frente, que aponta para a Utopia do Reino. Fruto de muitos olhares sobre o mundo, de idas e voltas sobre o lugar latino-americano, o sul do mundo. Com os olhos na antiga Nazaré, onde Jesus aprende a enxergar a vida, como quem ama e cuida dos empobrecidos/as, devolve a dignidade. Na busca evangélica de tirar do baú coisas velhas e novas (Mt 13, 52). Este caminho de celebrações, memórias da vida, danças hermenêuticas, inspiradas no cuidado do Bem Viver são possíveis porque partem da experiência, do lugar de sentir e saborear no coração/corpo a bondade do Deus, que se faz comunidade, amizade, companheirismo, presença, significado... Falando de presenças e significados, quero oferecer, como bálsamo, como presente, que alegra o corpoalma-corpo, a duas teo-poetas, que trilhamos juntos os caminhos da rebeldia e da doçura, estes Vivenciais Celebrativos, nos caminhos de Nazaré. São elas minhas queridas: Pâmela Cervelin Grassi e Paulinha Cervelin Grassi. Quero ainda, agradecer a Carmem Lucia Teixeira e ao Padre Hilário Dick pelos olhares atentos sobre o texto e a mística, mantendo viva a tradição de Israel, dos Pais e Mães, que cuidam da fé, da tradição, da memoria, da utopia (Sl 44, 2). Trago, ao terminar estas palavras primeiras, sobre o Vivenciais Celebrativos Na Mística de Nazaré, o que desejava e sonhava que fosse o primeiro desta coleção: “um material que tem raízes no cerrado brasileiro, mas que quer chegar a todo o continente, em estado de missão e revitalização. Com Sonho, Paixão e Militância...” João Paulo Pucinelli Jovem biblista, da coordenação do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos de Goiás, Equipe da CAJU, Amante da lua, da vida e da Esperança.

Vilarejo de Nazaré 04


VIVENCIAl CELEBRATIVO

01 VILAREJO DE NAZARÉ

“Toda gente cabe lá Palestina, Shangri-lá. Vem andar e voa” (Marisa Monte)

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ivenciar a mística de Nazaré, reconhecendo a comunidade local como expressão radical do Bem Viver, como possibilidade concreta da vida em abundancia, sinal do Reino de Deus. Celebrar o dom da vida pautada na simplicidade da comunidade que se faz Povo de Deus. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia, papel de carta, canetas coloridas, som, música Tudo Diferente – Maria Gadú. Ambiente: Cadeiras ou almofadas em circulo, no centro colocar um pano colorido, sobre ele colocar uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos... Reservar um local para a vela que será introduzida durante o vivencial.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

Desça como a chuva a tua palavra, Que se espalhe como orvalho, Como chuvisco na relva, Como aguaceiro na grama. Amém!

Acendimento da Luz de Nazaré Durante o refrão meditativo uma pessoa trajando uma veste colorida, dança suavemente com uma vela, acolhendo os/as participantes. Em seguida faz a seguinte invocação:

“Bendita seja a Divina Ruah, geradora da vida primeira, acalentadora de nossas utopias: Que sejamos cuidadores do universo e construtores do Bem Viver”.

02. MEMÓRIA DA VIDA Enxergar o horizonte da vida vivida, em meio a casas simples e coloridas de histórias, de um povo que ousa ser feliz na simplicidade das crianças belas e sorridentes brincando de bola e sendo livres; da juventude, das bicicletas e seus doces, das árvores e suas sombras, das mulheres que cuidam da vida, da alegria de viver... Enxergar o reino de Deus nas suas delicadezas, maternidade e mística. Nazaré é um pequeno povoado nas montanhas, próximo do céu, dos pássaros – sinais de liberdade, do voo livre. Nazaré é ensolarada da vida que se faz no cotidiano, no ritual de louvar ao Deus dos pais e mães do deserto, artesão e forjador da criação. Está longe dos grandes centros do poder religioso, das tramoias políticas, 06


experimentando outros poderes, outras expressões da fé e da religião. Nazaré é uma aldeia pequena e desconhecida, que se faz na beleza das mulheres moendo grãos para alimentar a família; nas azeitonas pretas cultivadas com carinho e delicadeza; nos pátios vastos, comuns, terreiros de todas as pequenas casas, onde as crianças correm livres e aprendem a viver em graça e sabedoria. Somos povos Ameríndios, vindos da terra-mãe como cuidadores e construtores do Bem Viver. Estamos sobre o chão da Ameríndia, uma grande pátria, mãe e lutadora. Somos povos, culturas e experiências de liberdade... Somos a própria liberdade acalantada e criada pelo forjador da vida, como divina presença de tua mais pura vocação. Aprendemos da natureza, dos povos originários do continente, das nossas mães e de nossos pais, a construir modos de vida pautados na solidariedade, no cuidado com a terra, com os pequenos, com o bem-estar da comunidade... de construir as relações de poder como expressão do amor, da fraternidade, do cuidado. Estamos e somos do outro lado do Império da dominação - dos que se entendem e se proclamam “primeiro mundo”. A América Latina é uma pátria grande de povos irmanados, na utopia do Bem Viver. Motivar o grupo a conversar sobre a vida, o cotidiano, os sinais do Bem Viver sendo realidade na vida pessoal e comunitária...

03. HINO Fazenda Milton Nascimento

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Água de beber Bica no quintal Sede de viver tudo E o esquecer Era tão normal que o tempo parava E a meninada respirava o vento Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós (2x). Água de beber Bica no quintal, sede de viver tudo E o esquecer Era tão normal que o tempo parava Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa Tinha o sol da manhã E na despedida, Tios na varanda, jipe na estrada E o coração lá (4x).

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04. LEITURA BIBLICA CAMINHOS, MEMÓRIAS E BEM VIVER 1

Recriação da Narrativa da Comunidade de Mateus 2, 22 – 23

Eu, já não suportava mais ficar andando para cima e para baixo, nas estradas ruins que eu só ouvia nas histórias das minhas mães que andaram pelos caminhos de Javé, desde o Egito rumo à liberdade. Meu corpo todo desejava voltar para a minha Nazaré; queria voltar para casa, ainda mais com Jesus tanto pequenino, frágil, precisando ser cuidado. Essa vida itinerante não é coisa boa para um bebê. José pensa que eu vou ficar a vida toda, correndo de um lado para o outro, cada vez que ele sonhar que alguém vai matar Jesus. De tanto eu insistir, falar e dizer que lugar de criança pequena é em casa, José amanheceu hoje dizendo que teve um sonho, que nos mandava voltar para casa. Como eu não suportava mais de saudades da minha Nazaré, eu não falei nada para ele. Comecei a juntar nossas coisas e seguimos, mais uma vez, nas estradas empoeiradas e esburacadas rumo às montanhas. Que maravilha!

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Já consigo sentir o cheiro das azeitonas tão belas em suas oliveiras, que eu gostava de brincar quando menina; sinto água na boca só de pensar nas uvas pretas plantadas no terraço. Que saudades das videiras e da cevada, que saudade desses aromas e sabores! Quando chegarmos na nossa casa vou preparar um belo pão com cevada. Jesus tão pequeno, mas já adora comer pão, aquele pão ruim sem sal e sem gosto, de beira de estrada. Imagina quando provar os pães da galileia, vai se fartar... Acho que vai ser um padeiro!

E minhas vizinhas, aposto que lá ainda estão, no pátio! Será que cuidaram de minhas flores plantadas cada vez que Jesus mexia na minha barriga? Sinto tanta falta do barulho do moinho, das mulheres conversando e moendo os cerais para dar de comida as nossos/as filhos/as. Jesus vai conhecer seus irmãos/as, que já devem estar grandes, bonitos, fortes... Em Nazaré uma criança tem várias mães, no pátio, todos brincando ao entardecer, que saudades.

Quando eu chegar em Nazaré vou dançar e pular de alegria, celebrar com minhas amigas, comer e beber juntas. Vai ser uma festa de mulheres, com Jesus brincando e correndo pelo pátio com a criançada... Agora vou viver de verdade, com meu filho, com meu amado e teimoso José, com meu povo nazareno, cultivar o Bem Viver!

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05. REFLEXÃO A experiência de recriar narrativas bíblicas quer ser uma experiência que parte do corpo daqueles/as que se aproximam do texto. Fazer um movimento de tornar leituras bíblicas, experiências do cotidiano, devolver o sagrado ao doméstico – numa relação dialética, numa relação de aproximação e intimidade... A comunidade de Mateus diz da ida de Maria, Jesus e José para Nazaré, após sucessivas perseguições e fugas. Enfim eles podem retornar a casa onde Jesus irá experimentar o Bem Viver. A recriação proposta a partir desta experiência evangélica é a de perceber no caminho, nas memórias, os sinais do Bem Viver e do cotidiano da vida, numa relação de aproximação com o corpo, com as saudades, com as emoções, que cada um/a carrega em si. Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Em seguida, motivar o grupo a partilhar: Quais são os cheiros, sabores, imagens que nos despertam saudades?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memória, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. Motivar que cada pessoa escreva uma carta para alguém de quem goste muito, contando da experiência dos vivenciais na construção do Bem Viver, das emoções, das alegrias, dos sabores e cheiros experimentados, da alegria de viver. Durante este momento colocar a música: Tudo Diferente – Maria Gadú Quando todos/as tiverem terminado, convidar a dizer para que pessoas desejam enviar esta carta. Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico. Que sejamos um/a, para que o mundo creia: Pai nosso que estás nos céus. Santificado seja o teu nome, Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, Assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje, Perdoa as nossas dívidas, Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, Mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém! 09


07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! Como se for a brincadeira de roda - Memória! Jogo do trabalho na dança das mãos - Macias O suor dos corpos na canção da vida - História

O suor da vida no calor de irmãos - Magia

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VIVENCIAl CELEBRATIVO

02 Flor do Bem Querer

“Meu bem querer é segredo, é sagrado. Está sacramentado em meu coração” (Djavan)

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ivenciar a mística de Nazaré, gerando relações sustentáveis: consigo mesmo, com o/a outro/a jovem, com o ambiente vital e com a vida do planeta. Celebrar o dom da vida partilhada com as pessoas que se amam e se querem bem, valorizando o cuidado, o carinho, o respeito, a acolhida. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia, Ambiente: Cadeiras ou almofadas em círculo; no centro, colocar um pano colorido e, sobre ele, colocar uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos, e a vela que acompanha os vivenciais.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

Quero um amor maior Um amor maior que eu Acolher a todos/as, com um abraço caloroso. Quando todos/as estiverem reunidos/as dizer: Bom dia/tarde/noite flor do dia/tarde/noite.

02. MEMÓRIA DA VIDA As Madres de la Plaza de Mayo, são como que testemunhas do cuidado, defensoras da vida, cuidadoras da utopia de ser livre, de ser amado/a, de ser acalentado... São mulheres, mães e avós que, no dia 26 de abril de 1976, reuniram para chorar juntas na Plaza de Mayo (centro de Buenos Aires), o desaparecimento de seus filhos exterminados pelos monstros da ditadura Argentina. Os filhos deixaram de pertencer a apenas uma mãe; a maternidade foi socializada e assumida como luta. Em Nazaré, a vida é cuidada coletivamente; um filho/a é de todos/as; as crianças são educadas e crescem em graça e sabedoria, juntas... Sendo acalentadas por muitas mãos cuidadoras, por olhos atentos, por braços compreensivos e calorosos, expressão máxima do bem querer. A vida é vivenciada na beleza de ser comunidade, de estar juntos/as, gerando cuidados e carinhos, acolhendo e tomando parte da mesa o tempo todo, respeitando e valorizando cada um/a. Nas terras latino-americanas, cremos e somos gente da utopia que, de mãos dadas, constrói novos jeitos de ser e estar no mundo, pautados no Bem Viver. Somos gentes do cuidado, da inteireza, de relações pautadas na solidariedade. Nossa maior utopia é a possibilidade de ser comunidade livre, soberana... Comunidade do cuidado com a vida, com o outro/a, com a nossa casa comum, o planeta terra. 12


Motivar o grupo a conversar sobre os sinais de carinho e cuidado acontecendo na realidade da vida pessoal e comunitária...

03. HINO Volver A Los 17 Violeta Parra

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo Es como decifrar signos sin ser sabio competente, Volver a ser de repente tan fragil como un segundo Volver a sentir profundo como un niño frente a dios Eso es lo que siento yo en este instante fecundo. Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

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Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido Con todo su colorido se ha paseado por mis venas Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente Nos aleja dulcemente de rancores y violencias Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes. El amor es torbellino de pureza original Hasta el feroz animal susurra su dulce trino Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros, El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

De par en par la ventana se abrió como por encanto Entró el amor con su manto como una tibia mañana Al son de su bella Diana hizo brotar el jazmín Volando cual serafín al cielo le puso aretes Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

04. LEITURA BIBLICA

Aclamação: O nosso olhar se dirige a Jesus, o nosso olhar se mantem no Senhor.

Comunidade de Lucas 2, 52

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05. REFLEXÃO Na realidade concreta da vida de Jesus, que é o lugar de Nazaré, as perguntas e respostas são como que respirar o mundo, um gesto natural que brota do movimento pessoal-comunitário que é o Bem Viver. Em Nazaré se dá a descoberta do mundo, o aprendizado, a surpresa das coisas, o caminho de crescimento... Crescer é um movimento de estar em busca da Utopia do Reino, da opção radical por Jesus de Nazaré. O menino se torna forte, assume a história de Israel, a opção pelo seu povo. Opção esta que não brota de forma mágica, mas da experiência de cuidado, do Bem Querer, da atenção daqueles/as que colaboram no caminho de experimentar e saborear todas as coisas, que Jesus faz no cotidiano da vida. Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Motivar o grupo a partilhar: Quais cuidados tem feito nossa comunidade crescer? Onde precisamos crescer mais, como comunidade, pessoa, sociedade?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memória, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. Motivar que os/as participantes formem duplas, com a intenção de passar um tempo um/a na presença do/a outro/a... Partilhando a vida, tecendo relações de cuidados, praticando o Bem Viver. Quando as duplas estiverem formadas. Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico.

07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! Altíssimo Coração, Altíssimo Coração, Que floresça. Que floresça a luz, Que floresça a luz, Que floresça a luz, Que floresça. 14


VIVENCIAl CELEBRATIVO

03 Histórias do Povo “Prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar (Geraldo Vandré)

NHISTORIAS AZAR C

OMUNIDAD OHISTORIAS

ENAZA

HISTORIA

C

OMUNID HISTORIA 15


ivenciar a mística de Nazaré, valorizando as histórias dos empobrecidos/as, histórias de luta e resistência, na construção do Bem Viver. Celebrar o dom da vida recriada na sabedoria popular, na arte de contar e recontar as lutas e vitorias, propondo caminhos de felicidade. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia, poesias e cantos sobre a resistência em folhas recortadas – a escolha do grupo, barbante e prendedores. Ambiente: Cadeiras ou almofadas em círculo; no centro colocar um pano colorido, sobre ele uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos, e a vela que acompanha os vivenciais. Construir um varal com poesias e cantos do povo.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

Quando morrer a utopia, Quando morrer a utopia, Toda canção, Toda paixão, Toda razão morrerão.

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Motivar que, durante o mantra, os/as jovens se aproximem do varal de poesias e cantos do povo e escolham um texto que tenha tocado o coração; guardar para ser lido posteriormente.

02. MEMÓRIA DA VIDA

Em Nazaré, as histórias e os aprendizados se dão na comunidade, daqueles que assumem a memória. Memórias de um povo que caminha no deserto, em busca da terra prometida, da possibilidade de ser gente livre, nos caminhos do Deus das Primícias. Nazaré é uma terra empobrecida e situada nas montanhas, que nunca aparece na lista das cidades de Israel, na oficialidade. É habitação do “resto” de Israel, os pobres da terra, que esperam o Messias, que mantém viva na memória as tradições do Êxodo, da libertação. Em Nazaré, Maria canta o canto milenar das mulheres, o canto que derruba os poderosos dos tronos, que despede os ricos de mãos vazias... Os cantos latino-americanos, os mitos, as histórias do povo, são todas elas memórias da resistência, das lutas populares, dos caminhos da libertação. São vozes e lamentos da esperança, gestada e construída em meio aos empobrecidos, que acreditam com toda a força da vida, no Bem Viver. São profecias e oráculos, de novos céus e nova terra. Cantadas e proclamadas, nas romarias da terra e das águas, das testemunhas do reino, da Nuestra Senõra de Guadalupe, do padre Cícero e do Pai

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Eterno, nos gritos, paradas e greves; são vozes que proclamam, em meio à dor e à dominação, que existem outros jeitos de gastar a vida; que a utopia é realidade; que a estátua de bronze do capitalismo neoliberal tem pés de barro. Motivar o grupo a conversar sobre as histórias de luta e resistência do povo, da comunidade local, na construção do Bem Viver.

03. HINO Chegança Antônio Nobrega

Sou Pataxó, sou Xavante e Cariri, Ianonami, sou Tupi Guarani, sou Carajá. Sou Pancararu, Carijó, Tupinajé, Potiguar, sou Caeté, Ful-ni-o, Tupinambá.

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Depois que os mares dividiram os continentes quis ver terras diferentes. Eu pensei: "vou procurar um mundo novo, lá depois do horizonte, levo a rede balançante pra no sol me espreguiçar" Eu atraquei num porto muito seguro, céu azul, paz e ar puro... botei as pernas pro ar. Logo sonhei que estava no paraíso, onde nem era preciso dormir para se sonhar.

Mas de repente me acordei com a surpresa: uma esquadra portuguesa veio na praia atracar. De grande-nau, um branco de barba escura, vestindo uma armadura me apontou pra me pegar. E assustado dei um pulo da rede, pressenti a fome, a sede, eu pensei: "vão me acabar". me levantei de borduna já na mão. Ai, senti no coração, o Brasil vai começar.

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04. LEITURA BIBLICA Aclamação: Shemá Israel, Adonai Elohenu, Adonai Ehad! Escuta Israel, o Senhor é nosso Deus, um é o Senhor!

Comunidade de Lucas 1, 46 - 55

05. REFLEXÃO O canto narrado pela Comunidade de Lucas, atribuído a Maria – mãe de Jesus é o canto dos pobres de Israel, recitado provavelmente desde criança pelas mulheres judias, povoando o imaginário da libertação; canto milenar, de Ana, profetisa e mãe do profeta Samuel (1 Sm 2, 1 – 10) e com vários recortes de outros textos hebreus. Este é um canto; é uma certeza de que os pobres são os preferidos de Javé; que Ele tomou, toma e sempre tomará partido daqueles que são miseráveis, empobrecidos, marginalizados em detrimento dos ricos e poderosos. O canto de Maria carrega sinais visíveis da ação de Javé. Ele “derruba os poderosos de seus tronos”, “despede os ricos de mãos vazias”, “eleva os humildes e aos famintos enche de bens” com o poder de seu braço... São experiências que o povo faz na luta da libertação. A ação é do Povo, por intermédio de Javé. Maria entoa o canto, junto a Isabel; as duas mulheres grávidas são o anúncio da chegada do Messias, o restaurador de Israel, que vem devolver a justiça aos empobrecidos/as. Em Nazaré a vitória de Israel e o Reino de Deus, se encontram na figura de Jesus, para inaugurar uma história nova de luta e resistência, com fidelidade à memoria, mas com novos horizontes de libertação para humanidade. Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Motivar o grupo a partilhar: Quais são os tronos e os poderosos que precisam ser derrubados? Como nossos cantos e memórias têm ajudado a animar a caminhada?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memória, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. Convidar os/as participantes a lerem as poesias e cantos escolhidos no varal; fazer um momento bem alegre e festivo de leitura dos textos, intercalando com cantos e memórias da comunidade. Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico.

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07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! Hinnematov uma na'im Shevet ahim gam yahad Hinnematov Shevet ahim gam yahad Hinnematov Shevet ahim gam yahad

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VIVENCIAl CELEBRATIVO

04 Travessia “Solto a voz nas estradas, Já não quero parar” (Milton Nascimento)

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ivenciar a mística de Nazaré, trilhando os caminhos do Mestre Jesus, gerando vida e resistência em busca do ser mais, o Magis. Celebrar o dom da vida marcada pela busca radical o Magis, no Seguimento de Jesus. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia, óleo perfumado e cópias da oração de santo Inácio de Loyola. Ambiente: Cadeiras ou almofadas em circulo, no centro colocar um pano colorido, sobre ele colocar uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos, e a vela que acompanha os vivenciais.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

O reino de Deus é paz e justiça, E gozo no Espirito Santo. Cristo, vem abrir em nós, As portas do teu reino. Acolher os participantes com alegria, ungindo as mãos com óleo perfumado.

02. MEMÓRIA DA VIDA “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminha”.2 Em Nazaré, Jesus faz a experiência da travessia, do colocar-se no caminho, para gerar vida. Ele lê o mundo a partir da experiência que faz em Nazaré. Se em Nazaré ele aprendeu que a luz se deve colocar no alto, que o sal serve para dar sabor, que os pássaros têm a bondade do Pai como segurança... este é o momento de descer as montanhas, colocar-se a caminho, junto aos/as empobrecidos. Em nossa América Latina, somos chamados a assumir o Seguimento de Jesus, não nos acomodarmos com a realidade existente. Descobrindo o impulso, o arriscar-se, o colocar-se a serviço na superação do já conhecido, do definido e do esperado, em vista do Bem Viver, da maior glória de Deus, do amor maior. Precisamos reconhecer, onde a vida precisa ser gasta, assumida com paixão. Uma vida assumida, na busca da Utopia do Reino, só será de fato, se nos propomos a uma vida simples, que valoriza o cotidiano, que busca o contato com a obra da criação, que sente e saboreia a solidariedade, que consome de forma responsável, que abraça o mundo como casa comum, da humanidade.

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Motivar o grupo a conversar sobre a busca da Utopia do Reino. Em que lugares e situações precisamos assumir a busca do amor maior? A busca de uma vida simples, de uma simplicidade voluntaria?

03. HINO Te desejo Flávia Wenceslau

Eu te desejo vida, longa vida Te desejo a sorte de tudo que é bom De toda alegria ter a companhia Colorindo a estrada em seu mais belo tom Eu te desejo a chuva na varanda Molhando a roseira pra desabrochar E dias de sol pra fazer os teus planos Nas coisas mais simples que se imaginar

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Eu te desejo a paz de uma andorinha No vôo perfeito contemplando o mar E que a fé movedora de qualquer montanha Te renove sempre, te faça sonhar Mas se vier as horas de melancolia Que a lua tão meiga venha te afagar E que a mais doce estrela seja tua guia Como uma singela arte oriental Eu te desejo mais que mil amigos A poesia que todo poeta esperou Coração de menino cheio de esperança Voz de pai amigo e olhar de avô

04. LEITURA BIBLICA

Aclamação: Tua palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor. Lâmpada para os meus pés e luz, luz para o meu caminho.

Comunidade de Mateus 4, 12 – 17

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05. REFLEXÃO Passado o tempo de vida em Nazaré, de aprendizado, de contato direto com a cultura do povo, com o jeito de ser e estar no mundo, como nazareno, empobrecido, fiel à tradição de Israel, Jesus se coloca em busca da Utopia do Reino. Diante da noticia da prisão de João, ele não se isola com medo, sem querer prosseguir no caminho, mas se coloca, para proclamar a vida em abundância, chamando o povo a assumir o projeto de Javé, mudar o caminho que gera morte, para um que garanta a vida em abundância. Essa é a verdadeira conversão: mudar o rumo, a direção, seguir o caminho da vida em abundância. A retomada da profecia de Isaías, do povo que vê uma grande luz, nos ajuda na Utopia do Reino, ao passo que reconhecemos as ações, os projetos, as presenças que são luzes na nossa caminhada como seguidores/as de Jesus. Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Motivar o grupo a partilhar: Quais são as luzes que vivenciamos na nossa comunidade?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memoria, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. Convidar os/as participantes a rezarem juntos/as o Salmo 44, 2 Senhor nosso Deus, Ouvimos com nossos próprios ouvidos O que nossos pais/mães nos contaram Sobre as maravilhas que tu realizastes com eles/elas, Nos tempo de outra. Tu mesmo Senhor, Com tuas mãos! Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico.

07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! Teu sol não se apagará, tua lua não terá minguante, Porque o Senhor será tua luz, ó povo que Deus conduz! 23


VIVENCIAl CELEBRATIVO

05

Comunidade da Vida “Quero vida, Quero Liberdade!” (lema da Semana da Cidadania 2006)

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ivenciar a mística de Nazaré, cuidando da terra - nossa casa comum e proclamando “mil razões para viver”. Celebrar o dom da vida saboreada no cuidado com a mãe terra, na espiritualidade ecológica na luta sócio ambiental. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia. Cópia do texto: “Mandiga de um novo mundo” Ambiente: Cadeiras ou almofadas em círculo, no centro colocar um pano colorido, sobre ele colocar uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos, e a vela que acompanha os vivenciais.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

Louvarei a Deus, seu nome bendizendo, Louvarei a Deus, à vida nos conduz! Acolher os participantes com alegria... Motivar um exercício de respiração, retomando com o grupo que, ao respirarmos, estamos enchendo nossos corpos com a energia do universo.

02. MEMÓRIA DA VIDA Estamos percorrendo os caminhos de Nazaré, lugar de cuidado com a vida, toda ela, em suas manifestações da diversidade. Celebrar Nazaré é assumir o cuidado com a terra, com as águas, com a biodiversidade, com os direitos humanos... Vivenciamos um tempo de agravamento das injustiças sócio ambientais. O planeta e, consequentemente, os povos, são usados como capital financeiro pelas corporações e governos, o que tem agravado a crise estrutural da vida do planeta. Somos uma comunidade de vida, interligada pelas energias da comunhão e da presença fecunda da Ruah de Deus. Por isso precisamos assumir juntos/as, o cuidado e a defesa da vida, uns/umas dos/as outros/as e do planeta. 3

A Carta da Terra que é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica, aponta como princípios da comunidade da vida: “Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. Erradicar a pobreza como um imperativo 25


ético, social e ambiental. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.” Motivar o grupo a conversar sobre os princípios da Carta da Terra e as possibilidades de cuidar do mundo ferido, desde a comunidade local.

03. HINO Felicidade Marcelo Jeneci

b

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz. Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis. Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser. Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar. Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz. Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você. Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem. Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você. Chorar, sorrir também e dançar. Dançar na chuva quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar. Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar. Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser. Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

04. LEITURA BIBLICA

Celebrando a Mística de Nazaré, pobre vilarejo situado nas montanhas, em meio a natureza fecunda, em meios a beleza da criação de nosso Deus, louvemos a Deus, rezando: Daniel 3, 1 – 90 (em dois coros: homens e mulheres).

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05. REFLEXÃO “Viver em Nazaré é viver no campo. Jesus cresceu em meio à natureza, com os olhos muito abertos para o mundo que o rodeava. A abundância de imagens e observações tomadas da natureza nos mostra um homem que sabe perceber a criação e desfrutála. Jesus observou várias vezes os pássaros que revoam em torno da sua aldeia; não semeiam nem armazenam em celeiros, mas voam cheios de vida, alimentados por Deus, seu Pai. Observa com atenção os ramos das figueiras: dia após dia vão brotando neles folhas tenras anunciando que o verão se aproxima. Vê-se Jesus desfrutando o sol e a chuva e dando graças a Deus, que “faz nascer seu sol sobre bons e maus e manda a chuva sobre justos e injustos. Jesus não só vive aberto à natureza. Mais tarde convidará as pessoas a ir além do que se vê nela. Seu olhar é um olhar de fé. Admira as flores do campo e os pássaros do céu, mas intui, por trás deles, o cuidado amoroso de Deus por suas criaturas. Jesus não sabe falar senão a partir da vida. Para sintonizar com ele e captar sua experiência de Deus é necessário amar a vida e mergulhar nela, abrir-se ao mundo e escutar a criação”.4 Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Motivar o grupo a partilhar: Quais ações expressam a realidade de sermos uma comunidade de vida no Planeta?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memória, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. 5

Uma pessoa previamente preparada declama o texto: “Do levante, as terras do poente, no cerrado, terra da resistência e da beleza, todos sabem precisamos mudar o mundo; até os galos querem cantar diferente para ajudar este mundo melhor nascer... Mas mudar o mundo exige maestria em artes e ofícios, saber fabricar a esperança, apressar o tempo, tecer arco íris, acender fogueiras no horizonte. Fazer da coragem um bem comum; da solidariedade, uma casa por todos habitada. É necessário, também, obter hábitos saudáveis. Desobedecer às ditaduras, desacatar a intolerância, zombar das mentiras, festejar a amizade, ouvir com o coração, devolver aos olhos a luz das estrelas, fazer da generosidade algo tão comum como escovar os dentes. 27


Acima de tudo é preciso conhecer os mistérios, cantar com a voz da lua, dançar como as ondas, voar com os ventos, falar a verdade como os passarinhos. Descobrir que a alegria é o outro lado da justiça. Que é possível erradicar o medo. Que a felicidade ou é de todos ou não é de ninguém... É o tipo de coisa que se aprende fazendo, comece agora por ti por mim pelos que virão” Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico.

07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! A terra é nossa mãe, devemos cuidar dela A terra é nossa mãe, devemos cuidar dela U...u...unidos, minha gente somos um U...u...unidas, minha gente somos um Seu solo é sagrado e sobre ele andamos Seu solo é sagrado e sobre ele andamos U...u...unidos, minha gente somos um U...u...unidas, minha gente somos um

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VIVENCIAl CELEBRATIVO

06 Família Humana

“A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida, Que eu já tô ficando craque em ressurreição”. (Elisa Lucinda)

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ivenciar a mística de Nazaré, assumindo a humanidade como uma grande família, caminhante para a felicidade. Celebrar o dom da vida humana manifestada na diversidade, na equidade e na cultura de paz. Materiais Necessários: vestes e panos coloridos, vela, folhas de canto, bíblia, velas para os/as participantes, som, música: Os cegos do Castelo (com a Margareth Menezes). Ambiente: Cadeiras ou almofadas em circulo, no centro colocar um pano colorido, sobre ele colocar uma bíblia e algumas flores ou/e outros símbolos, e a vela que acompanha os vivenciais.

01. CHEGADA Silêncio... Oração pessoal... Refrão Meditativo...

Luz radiante, luz da alegria, Luz da glória, Cristo Jesus.

a

Acolher os participantes com alegria... Entregar uma vela para cada um dizendo: “um fogo que acende outros fogos”.

02. MEMÓRIA DA VIDA

Vivenciando a Mística de Nazaré, somos convidados/as a reconhecer na vida cotidiana, os sinais de humanidade, da pertença a uma grande família humana, geradora do Bem Viver. Somos um único povo guiado pelos caminhos da felicidade, com a missão de semear a diversidade, a equidade e uma cultura de paz, num caminho que gere a autonomia dos povos e culturas. Nos caminhos latino-americanos da resistência e da utopia, aprendemos da prática e na prática, a ser uma grande família, assumindo nossos rostos, culturas, jeitos de ser e estar no mundo... Significa: nossa sede de bem viver, de utopia, de vida digna, traduzida nas revoluções e lutas populares. No sonho bolivariano, na Wiphala da resistência, no Quilombo dos Palmares, nos povos guaranis, na terra sem males geramos sinais visíveis da festa da felicidade, do caminho da vida, da luta e da resistência. Em Nazaré, a família humana, está diante de Jesus, aprendendo e ensinando a vivenciar uma relação de conflitos e carinhos, de abertura e diálogo, de dignidade e enfrentamentos... Os aprendizados serão partilhados e construídos, ao longo da experiência que Jesus faz com os/as empobrecidos, as mulheres, os migrantes, assim como a gente aprende a viver em comunidade dos seguidores/as de Jesus, ele aprendeu a ser gente solidária, criativa e cuidante.

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Motivar o grupo a conversar sobre as relações de humanidade que vivenciamos em nossa comunidade.

03. HINO Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias Vanessa da Mata

Vá, Didi, vá comprar leite e açúcar No mercadinho que é mais perto Quer bolo de fubá Mas não ajuda Vá de bicicleta, de bicicleta É simpatia contra dispersão Rejeição, desilusão As sete ervas dos bons caminhos Arruda ajuda Quem disse que faniquito não cura Quem disse que açúcar e afeto não podem curar A vó dizia que era perfeição Tradição e evolução Era o bolo que todos gostavam Do Flamengo ao Corinthians E a molecada espalhada voltava Tinha o dom de agregar quem brigava Traz amor em três dias Ou o seu dinheiro de volta É simpatia contra dispersão Rejeição, desilusão As sete ervas dos bons caminhos Arruda ajuda.

04. LEITURA BIBLICA Aclamação: É palavra, embala eu palavra, abraça eu palavra, cuida de mim... Comunidade de Mateus 12, 46 – 50

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05. REFLEXÃO Jesus está diante de uma pergunta feita por alguém que entende que a família são aqueles/as que estão ligados por laços sanguíneos, o que implicaria na cultura judaica, isto é, que ele se dedicasse exclusivamente a estes. Ao apresentar o Projeto, ele propõe que a família seja entendida como aqueles/as que assumem a transformação da realidade, o bem viver, a defesa da vida, a promoção da justiça, uma vez que um grupo de pessoas assume este movimento, passa a formar uma família, de gente unida pela causa do Reino. Ressoar a leitura: palavras, sentimentos, experiências que o texto desperta, provoca no corpo. Motivar o grupo a partilhar: Quais laços de humanidade nos unem?

06. COMPROMISSO COM A VIDA Neste momento convidar os/as participantes a trazerem na memória, a experiência de vivenciar este caminho de partilha de vida, de comunitariedade, de Bem Viver. Neste momento convidar os/as participantes a fazerem carinhos, uns nos/as outros/as, como sinal de cuidado e respeito, por aqueles/as que trilhamos juntos o caminho. Colocar a música Cegos do Castelo, cantada por Margareth Menezes. Concluir este momento motivando a oração do Pai Nosso Ecumênico.

07. BENÇÃO/SAIDEIRA Que sigamos nos caminhos da Divina Sabedoria, Nas terras de nossa Ameríndia, Gerando vida, cuidado, gentilezas, amor sem limites. Amém e Amem! É muito gostoso, esse nosso aconchego, esse nosso chamego, Essa nossa alegria de ser feliz.

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VIVENCIAl CELEBRATIVO

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Primavera da Vida “As palavras saem quase sem querer, Rezam por nós dois”. (Vanessa da Mata)

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v

Celebrar a primavera da vida, que nasce em nossos corpos, o caminho percorrido como comunidade juvenil e a utopia do Bem Viver.

LITURGIA DA CHEGADA

Por volta das 6h da tarde, durante o ocaso, reunir o grupo,em torno de um altar de pedra, próximo à terra, com frutos a serem partilhados, colocar um braseiro e incenso.

01. Chegada

Silêncio... Oração Pessoal... Refrão Meditativo...

Fim da tarde a terra cora E a gente chora porque finda a tarde

Nesta hora em que todos os povos e culturas, o universo em estado de comunhão, celebram o fim de um dia de trabalho e de lutas, façamos memória dos cuidados, carinhos, orações, afetividades vivenciadas em nossos corpos, neste caminho que percorremos, vivenciando a mística de Nazaré. Concluir a motivação com a leitura de Cântico dos Cânticos 4, 16, acolhendo os ventos sagrados, presença da Ruah de Deus.

02. Recordação dos Sinais da Primavera e Oferta à Terra Mãe Com os pés firmes sobre a Terra Mãe e com os olhos apaixonantes no horizonte, partilhemos os sinais das maravilhas do Senhor que nos alimenta com sua infinita bondade e amor. Neste momento cada pessoa se aproxima do altar e incensa os frutos da terra, ofertando ao Amado sua louvação.

Oração: Suba Senhor nosso louvor Como fumaça perfumada Adoração no Silêncio Espalhada. Organizar os/s participantes em grupos de três pessoas, para partilharem as experiências, as memórias, os sentimentos que os vivenciais Celebrativos, despertaram no corpo. Levar os frutos para sem partilhados durante a conversa. 34


LITURGIA DA NOITE Depois das 20h, reunir os grupos, em torno de uma fogueira, com cantos populares e músicas que tenham marcado a experiência dos vivenciais.

01. Chegada Silêncio... Oração Pessoal... Refrão Meditativo...

Quando a noite a lua mansa Ea gente dança venerando à noite Quem preside prossegue pedindo a benção sobre o fogo, dizendo: Senhor, tu és a luz radiante que clareia nossa caminhada, A chama sagrada que incendeia nossas alegrias. Que sejamos fecundados por teu imenso amor, Nesta hora em que celebramos a alegria de viver. As maravilhas da caminhada por Nazaré. Por teu grande amor, ó amado, Abençoa nossas comunidades, a vida da juventude, todo o universo. Amém. Uma pessoa dança em torno do fogo e ao final acende uma vasilha e todos seguem em caminhada para a tenda da reunião. Cantar: Luz radiante, luz da alegria, Luz da gloria, Cristo Jesus! És do Pai imortal e feliz O clarão que em tudo reluz! Quando o sol vai chegando ao ocaso Avistamos da noite a luz! Nós cantamos o Pai e o Filho E o Divino que nos conduz! Tu mereces o canto mais puro, Ó Senhor, da vida é a luz! Tua glória, ó Filho de Deus. O universo todo seduz! Cante o céu, cante a terra e os mares, A vitória, a glória da cruz! Durante o canto, seguir para um lugar preparado com cadeiras em círculo, no centro um altar de pedra, rodeado de flores, folhas secas, pedras pequenas, incenso, um vasilha com água e um lugar para colocar a vasilha com fogo.

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02. Saudação O Senhor esteja com vocês - Ele está no meio de nós Somos mulheres e homens, orantes, que celebramos a chegada a um caminho de peregrinação pelas terras fecundas de Nazaré, em nossos corpos, transformando nossas vidas na alegria da Ressurreição, nas relações, no cuidado e na utopia do Bem Viver . Recordemos os sinais da presença do Deus que caminha conosco, as memórias que partilhamos... Ao final das partilhas, cantar e dançar juntos/as: Como o raiar, raiar do dia A Luz surgirá E minha glória te seguirá E minha glória te seguirá

03. Tradição Hebraica Salmo 67 (66)

o

Pelos frutos da terra e pelas vitórias que o povo de Deus já conquistou em sua caminhada, agradecemos ao Senhor. Tua bênção, Senhor, nos ilumine, Tua face, Senhor,sobre nós brilhe! Teu poder encerra paz e retidão, bênçãos e frutos por todo este chão.

- Deus se compadece e de nós se compraz, Em nós resplandece seu rosto de paz Pra que o povo encontre Senhor, teu caminho E os pobres descubram teu terno carinho! - Que todos os povos te louvem, Senhor, Que todos os povos te cantem louvor! Por tua justiça se alegram as nações Com ela governas da praia aos sertões.

- Que todos os povos te louvem, Senhor Que todos os povos te cantem louvor! O chão se abre em frutos, é Deus que abençoa! E brote dos cantos domundo esta boa! Oração Sálmica Ó Beleza Eterna; Bendito sejas tu, agora e para sempre. Amém.

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s

Leitura da Tradição Hebraica : Dt 26 1-11 Hino Responsório Debulhar o trigo Recolher cada bago do trigo Forjar no trigo o milagre do pão E se fartar de pão Decepar a cana Recolher a garapa da cana Roubar da cana a doçura do mel Se lambuzar de mel Afagar a terra Conhecer os desejos da terra Cio da terra, a propícia estação E fecundar o chão

04. Oração da Comunidade Preces espontâneas Resposta: Ouvi o grito que sai do chão da juventude em louvação

Pai Nosso Rezemos em comunhão com as comunidades cristãs do mundo inteiro, o Pai Nosso na sua forma ecumênica, que nos sejamos um/a para que o mundo creia.

Dança de Paz Força da Paz Cresça sempre, sempre mais Que reine a Paz E acabem-se as fronteiras Mir.. mir, u mir..

05. Leitura do Testamento Cristão A assembleia toma lamparinas nas mãos, acende na vasilha com fogo e segue e forma um círculo em torno da pessoa que proclamará o Evangelho. Enquanto cantam:

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Canto de Aclamação Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça E tudo mais vos será acrescentado. Aleluia! Aleluia!

Proclamação João 20, 1 – 10 (pausa – silêncio)

06. Benção A paz de Deus que supera toda a guarde nossos corações e nossos pensamentos no Cristo Jesus. - Amém!

07. Saideira (todos seguem em ciranda para lugar da fogueira)

Caminhamos pela luz de Deus, Caminhamos pela luz de Deus, Caminhamos sempre, caminhamos – o o Continuar a celebração, com cantos, danças e brincadeiras...

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Notas 1 A recriação de textos bíblicos é um método cunhado pelas leituras bíblicas feministas, no sentido de devolver ao texto as

expressões do cotidiano, em busca da libertação, do encontro do corpo do texto, com o corpo dos/as leitores/as, numa dança hermenêutica. Mais informações podem ser buscadas em “Caminhos da Sabedoria” – Elisabeth Fiorenza. 2 “Utopia” Eduardo Galeano 3 Disponível em http://www.cartadaterrabrasil.org 4 Jesus uma aproximação histórica – José Antônio Pagola 5 Texto

do vídeo Cúpula dos Povos: Mandinga de Um Novo Mundo. Disponível: http://www.youtube.com/watch?v=6ykMwmha0ng

Referências Bibliográficas PAGOLA, José Antônio. Jesus uma aproximação histórica. Petropolis/RJ: Editora Vozes, 2011 FIORENZA, ElisabethSchüssler. Caminhos da Sabedoria. Uma introdução à interpretação bíblica feminista. São Bernardo do Campo/SP: Nhanduti Editora, 2009 Como cuidar da pessoa no grupo de jovens? Na Mística de Nazaré. Editora CCJ.

Sites: http://www.pjlatino.redejuventude.org.br/ http://www.cebi.org.br/

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centro de formação assessoria e pesquisa em juventude

Rua Poços de Caldas, Qd 113C, Lote 2, Vila Romana - Goiânia-GO - CEP: 74713-115 E-mail: centrocajueiro@gmail.com Blog: cajueirocerrado.blogspot.com.br/

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