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almanaque news s a t r e b A s la u c í r t a M 2011 Periódico trimestral do Núcleo Infantil Almanaque Ano 2 - Nº 2 - Novembro 2010

Limites

Nesta Edição:

» AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

Há quem diga que educar um filho nos dias de hoje é uma tarefa de Hércules. São muitas as alegrias, mas são tantos os conflitos e aflições ao assumir os papéis de pai e mãe que o casal, muitas vezes, entra em pânico.

» ESTIMULANDO A LEITURA » BULLYING

Muitas perguntas passam pelas cabeças dos pais, sentem-se inseguros, desorientados e não têm ainda definidos os seus papéis de educadores. A própria estrutura da família tem passado por alterações radicais, principalmente no que se refere à distribuição de tarefas para o homem, para a mulher e para os filhos.

É importante os pais perceberem que a criança precisa de liberdade, mas que por si só não tem condições de avaliar o que é melhor ou pior para ela mesma. Educar é tarefa complexa.

Um dos grandes problemas, bem visível na criação e educação dos filhos, é a imposição de limites. Impor limites. Ter autoridade sem ser autoritário. A autoridade torna-se uma manifestação de amor e afeto quando exercida com equilíbrio.

A cada nova etapa do desenvolvimento dos filhos há um novo desafio à criatividade e à flexibilidade dos pais, visto que deles é exigido mudanças de padrões de conduta e novos modos de atender os filhos em suas novas necessidades. É de vital importância os pais darem aos filhos a segurança do seu amor.

Ela transmite segurança. A criança não amará mais os pais porque lhe dá total liberdade, porque pode fazer o que bem entender. Ela perceberá a falta de estrutura e de segurança, sentindo-se menos protegida para a vida.

É mais importante a qualidade do afeto que a quantidade de tempo disponível aos filhos. A vida profissional dos pais nos dias atuais, apesar de suas elevadas exigências, pode ser ajustada a uma vida particular equilibrada.

É necessário conceder tempo às crianças, para que sejam crianças. Muitos adultos sobrecarregam a agenda dos filhos como se fossem pequenos executivos. Horário para tudo: escola, balé, futebol, língua estrangeira, música, excesso de lições, outras atividades sociais, etc. E se esquecem que são, ainda, apenas crianças. Precisam brincar partilhar, ter amigos e, desse modo desenvolver a socialização, a convivência. Os pais precisam transmitir valores aos filhos. Valores como respeito ao próximo, ética, cidadania, solidariedade, respeito ao meio ambiente e auto-estima, que levarão as crianças a serem adultos tranqüilos, carinhosos, flexíveis; adultos que sabem resolver problemas e são abertos ao diálogo e às mudanças do mundo.

Os caminhos de nossa evolução pessoal são difíceis e tortuosos, deparamo-nos com muitas frustrações, adversidades e desilusões, mas, quando superamos as dificuldades, surgem as alegrias e desenvolvemos a nossa auto confiança. Não existem pais perfeitos, nem filhos perfeitos. Educando, convive-se com muitos erros e muitos acertos. O importante é dar exemplos certos, coisa que só se consegue educando com o coração.

Por Sonia das Graças Oliveira Silva Professora, Empresária, Pós-Graduação (Especialista) em Educação Infantil pela UFJF e também Pós Graduada em Mídia e Deficiência pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG. Pós-Graduação em Arte, Educação e Cultura na UFJF.

2010 NOVEMBRO Nº2 ANO 2 ESCOLA ALMANAQUE

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Saúde

Atraso na Aquisição da Linguagem

por Fga. Márcia Regina Lopes, fonoaudióloga.

ATRASO NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

Idade: 1-2 Anos • diz “não” frente a situações proibidas (quando sabe que não pode pegar um objeto). • usa “dá”, “mas”, “que”, “acabo”. • produz som de animal para nomeá-lo (“au-au” para cachorro). • nomeia partes do corpo. • responde “sim/não” à perguntas. • faz perguntas usando a entonação correta. • diz o próprio nome quando lhe pedem. • fala uma palavra por vez (não forma frases).

Definição É o ínicio tardio no desenvolvimento da linguagem da criança. A forma como a criança utiliza a linguagem seria considerada normal em uma faixa etária anterior, ou seja, o seu nível de desempenho linguístico estaria aquém daquilo que é esperado. Tendo em vista que por volta de um a dois anos de idade a criança deveria ter começado a adquirir e a usar linguagem, temos que ficar atentos quando isso não ocorrer, pois algum problema poderá estar interferindo nesse processo. Causas O desenvolvimento da linguagem depende fundalmentalmente de: fatores orgânicos/afetivos com características individuais de cada criança e fatores sociais resultantes do ambiente/grupo a que a criança pertence. Orgânicos: danos cerebrais, deficiência auditiva, deficiência mental, síndromes. Afetivos: problemas emocionais, imaturidade. Ambientais: privação de experiências, abandono ou superproteção, ambiente pouco estimulador, rejeição. Encaminhamento Muitas vezes, fica difícil assegurar se uma criança apresenta ou não atraso de linguagem. Permanece a dúvida de determinada fala está ou não de acordo com o esperado para a idade da criança, se as trocas e/ou emissões fonêmicas estão ou não dentro da normalidade. Para isso, o professor poderá fazer uma análise quantitativa e qualitativa da linguagem oral de outras crianças do mesmo grupo. A forma como a criança interage com seu interlocutor, se existem situações que propiciem a comunicação, se faz uso de comunicação gestual, se a linguagem é inteligível, habilidades motoras, desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento emocional são fatores que devem ser observados.

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criança apresenta um desenvolvimento próprio e que o nível de estimulação pode ajudar ou não nesse processo.

Atividades • Podemos utilizar variadas circunstâncias que favoreçam a comunicação da criança, como: dramatizações de atividades da vida diária ou de situações de fantasia, jogos e brincadeiras diversas, contos e histórias. • Deve-se, sempre que possível, expandir os enunciados da criança. Ex.: Criança: “Áua!” ou somente aponta o filtro de água. Interlocutor: ”AH!” O/A(nome da criança) quer beber água! • Falar com a criança e não pela criança. • Dar sempre o modelo correto. Ex.: Criança: “O talu taiu.” Interlocutor: “É verdade! O carro caiu!” • Contar com a criança. • Narrar fatos do dia-a-dia, como por exemplo relatos do fim de semana. • O modo como falamos com a criança também é um item importante. Preferencialmente, deve-se sempre dar um modelo adequado de linguagem, não filtrando nem infantilizando os enunciados. • Devemos sempre lembrar que um bom interlocutor também deverá ser um bom ouvinte.

ESCOLA ALMANAQUE ANO 2 Nº2 NOVEMBRO 2010

A LINGUAGEM DA CRIANÇA Muitas etapas são necessárias para que a criança aprenda a falar e escrever. O desenvolvimento adequado de todas as etapas necessárias para que a criança adquira a linguagem oral, depende de fatores biológicos e ambientais:

• • • •

Condições físicas: audição normal e órgãos da fala íntegros (língua, lábios, cordas vocais, arcada dentária). Hábitos inadequados (chupeta, dedo, mamadeira) interferem no desenvolvimento dos órgãos da fala. Saúde: perfeito funcionamento do organismo. Aspecto intelectual: capacidade de perceber, memorizar, discriminar e captar o significado das palavras. Condições emocionais: segurança afetiva. Modelos verbais: estar exposto a linguagem.

Por sua vez, para uma boa aquisição da linguagem escrita, a criança precisa ter uma linguagem oral bem desenvolvida pois, caso contrário, as falhas da linguagem oral são transferidas para a escrita. Serão descritas abaixo, as principais características do desenvolvimento da criança no que se refere à emissão da linguagem, porém, sabe-se que cada

Idade: 2-3 Anos • aparece as primeiras sentenças. (combina duas palavras). • costuma dar apelidos aos objetos (“bibi”= carro). • responde à perguntas simples. Idade: 3-4 Anos • relata experiências imediatas, estrutura melhor suas frases. • o vocabulário aumenta muito. • nomeia noções espaciais: dentro, em cima, etc. • nomeia formas, cores, igual x diferente ... • pode aparecer um tipo de “gagueira” , normal para a idade. Idade: 4-5 Anos • usa sentença complexas. • relata estórias simples. • sua fala deve estar bem mais inteligível, porém ainda apresenta trocas. Idade: 5-6 Anos • relata sem dificuldades experiências diárias. • descreve estórias mais amplas. • tem noção de tempo e usa “ontem” e “amanhã”. • deve pronunciar corretamente todos os sons mas pode apresentar dificuldades nos grupos consonantais com /r/ e com /l/ (pl-bl-tr-cr, etc.)


Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Texto extraído da AKRÓPOLIS - Revista de Ciências Humanas da UNIPAR Ao invés de tantos brinquedos, muitas vezes caríssimos, com os quais as crianças brincam duas ou três vezes e depois os mantêm guardados juntos a outras dezenas, ocupando espaço e criando poeira, por que não presentear com livros as crianças, para que, desde cedo, tenham com esse objeto, uma relação de intimidade?

“A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer” Rubem Alves

Quando muito pequenos, de colo, há livrinhos infláveis e lúdicos, com os quais a criança pode brincar tomando banho. A criança que assiste à família ler constantemente buscará repetir esse gesto sem que seja necessário impor condições. Ensinar o prazer da leitura é também se apresentar às crianças como alguém que gosta de ler, e que ganha com isso. Mostrar à criança o quanto se aprende por meio da leitura, lendo alto por vezes, em casa para tornar público o que se está lendo, discutindo o assunto com o(a) parceiro(a)

Educação ao mesmo tempo em que se lê, falando com a criança sobre o conteúdo dos jornais e livros, enfim, partilhando a vida escrita com a criança. Se é impregnando o ambiente das crianças de material para leitura que se conseguirá iniciá-los nessa prática, então essa é uma prática que deve ser exercitada. Livros não devem ocupar lugar inacessível às crianças, e sim estarem espalhados por todos os cômodos da casa onde a criança possa alcançá-los, folheá-los, não uma ou duas, mas dezenas de vezes; os pais devem participar ativamente desse processo sempre se colocando à disposição para responder aos questionamentos dos filhos. É também importante valorizar o momento reservado à leitura em voz alta, o afeto transmitido nesse momento, vai garantir um lugar especial na lembrança dos pequenos, fazendo o ato da leitura ser um motivo de alegria.

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Compor tamento

Bullying

Muito divulgado na imprensa, o Bullying é algo que ocorre em todo mundo, em qualquer classe social. Termo de origem inglesa descrito para atos de violência tanto física como psicológica. Quando falamos em física, nos referimos as agressões como: beliscões, tapas, socos, pontapés, arranhões, mordidas e até “corredor polonês”. Violência psicológica, ocorre a partir da colocação de apelidos pejorativos ou insultos. Bullying pode ocorrer de duas formas:

DIRETO

(MAIS PRATICADO PELOS MENINOS)

AGRESSÕES FÍSICAS E OU VERBAIS

INDIRETO

(MAIS PRATICADO PELAS MENINAS)

ISOLAMENTO, EXCLUSÃO, INDIFERENÇA E DIFAMAÇÃO

Bully é o nome dado ao agressor, que geralmente é o líder do grupo. Suas vítimas são pessoas frágeis e tímidas, incapazes de reagirem as agressões, chegando a se retraírem. Além de escolher pelo comportamento, o “alvo” também é escolhido pelas diferenças raciais, físicas e ou intelectuais(caso do bom aluno). Os profissionais envolvidos no processo de ensino, devem receber palestras e cursos para que possam de forma segura detectar, evitar e combater o ato da violência.

Nos horários de intervalo e recreio, a escola deverá manter profissionais sempre presentes em toda e qualquer ação. Aulas de filosofia são voltadas para trabalhar questões como compaixão, valores, respeito, fraternidade e diferenças, fazendo com que os alunos sejam capazes de pensar, reflexiva e criticamente sobre questões do tipo: respeitar os pontos de vista dos outros; respeitar a vez dos outros e a exigir respeito pela própria vez; respeitar regras combinadas e que estas possam ser discutidas e modificadas, mas que são necessárias para a vida em comum;

compreender que todos somos iguais e dignos de respeitos. A vítima de bullying pode apresentar quadros de depressão, queda do desempenho escolar, insegurança além de outros transtornos psicológicos. A escola sendo parceira da família deverá ser sempre comunicada caso o aluno apresente comportamento diferente do habitual, intervindo rapidamente no processo. Comunicar e auxiliar no que necessário os pais do agressor, cobrando os cuidados e tratamentos adequados ao caso.

Lei 14.517 Art. 26. É proibida, nas vias e logradouros públicos, a distribuição de folhetos, panfletos ou qualquer tipo de material impresso veiculando mensagens publicitárias, entregues manualmente, lançados de veículos, aeronaves ou edificações ou oferecidos em mostruários. § 1º. o descumprimento ao disposto no “caput” deste artigo sujeitará o beneficiário da divulgação do produto ou serviço à multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), dobrada na reincidência e reaplicada a partir da lavratura de primeira multa, até a cessação infração, sem prejuízo da apreensão do material impresso distribuído irregularmente. § 2º. Excetua-se da vedação estabelecida no “caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e publicações contendo, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de matéria jornalística, nos termos a serem definidos em regulamentação própria.

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Com a intervenção direta, é esperada sua gradual e significativa redução até a eliminação total do problema. Por Andréa M. Siqueira Diretora Pedagógica Escola Almanaque

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