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O Turismo Étnico em Comunidades Indígenas no Brasil:...

Justificativa Creio que o estudo comparado das duas situações se justifica, não apenas pelas marcantes diferenças entre as duas etnias, mas também por algumas similaridades, uma vez que: (a) as iniciativas de formulação de projetos para o desenvolvimento de atividades turísticas na Reserva Pataxó da Jaqueira e na aldeia Kamayurá de Ipavu datam de meados da década de 1990, sendo que tais atividades se estruturaram – em graus variados – recentemente; (b) em ambos os casos as atividades turísticas ocorrem à revelia e sem o acompanhamento do órgão indigenista oficial e sem estudos de viabilidade e sustentabilidade das atividades; (c) as atividades turísticas alavancam a venda e agregam valor aos produtos artesanais produzidos pelos índios Pataxó e Kamayurá, além de se constituírem, de forma crescente, como importante fonte de renda e trabalho; (d) os turistas estrangeiros representam mais de 90% dos visitantes nas duas situações, o que reforça a afirmação da Organização Mundial de Turismo sobre o enorme potencial e crescente interesse pelo turismo étnico nos próximos 30 anos, o que permitirá articular a análise dos níveis local, regional e nacional com o internacional, situando a pesquisa junto aos índios Pataxó e Kamayurá nestes distintos níveis de análise. Dada a complexidade das situações a serem estudadas, reporto-me a Marcus quando este afirma que o etnógrafo deve ter uma “atitude experimental” que influa “na análise e elaboração do texto exatamente naqueles momentos em que se precisa explicar como a estrutura se articula com as experiências reflexivas explicitadas pelo autor: como o global se articula com o local; ou, como se costuma dizer atualmente, de que modo as identidades se formam na simultaneidade da relação entre níveis de vida e organização social (isto é, a coexistência (...) do Estado, da economia, da mídia internacional da cultura popular, da região, do local, do contexto transcultural, do mundo do etnógrafo e dos seus objetos, tudo ao mesmo tempo)”. (Marcus, 1991). É a partir desta perspectiva que pretendo realizar minha pesquisa: é preciso relacionar os Pataxó e Kamayurá não só com os demais segmentos da população regional mas também com uma infinidade de outros segmentos multilocalizados: operadores e empresas de turismo, órgãos governamentais (Funai, Ibama, Ministério do Turismo, Secretarias Estaduais e Municipais de Turismo e Cultura, dentre outros), turistas (brasileiros e estrangeiros), pesquisadores, organizações não governamentais, dentre outros.

¿El turismo es cosa de pobres?  

Ebook. Colección PASOS Edita número 8. ¿El turismo es cosa de pobres? Patrimonio cultural, pueblso indígenas y nuevas formas de turismo en A...

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