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Outubro / Novembro

2016

Director  Francisco Vaz Fernandes  francisco@parqmag.com Editor  Teresa Melo  teresa@parqmag.com Coordenação de Moda  Daniel Ribeiro  Sérgio Simões Direcção de Arte  Valdemar Lamego  v@k-u-n-g.com www.k-u-n-g.com periocidade:  Bimestral  Depósito legal:  272758/08 Registo ERC: 125392   Edição:  Conforto Moderno Uni, Lda.  NIF: 508 399 289 PARQ  Rua Quirino da Fonseca, 25 – 2ºesq.  1000-251 Lisboa  t. 00351.218 473 379 Impressão  Eurodois  12.000 exemplares Distribuição  Conforto Moderno Uni, Lda. A reprodução de todo o material é expressamente proibida sem a permissão da Parq.Todos os direitos reservados. Copyright © 2008 — 2016 PARQ. Assinatura anual  12 euros

Textos  Ágata Carvalho de Pinho  António Pereira Ribeiro  Carla Carbone Carlos Alberto Oliveira  Diogo Simão  Francisco Vaz Fernandes  Henry Sequeira Joana Teixeira  João Patrício  Marcelo Marcelo  Maria São Miguel  Mariana Viseu  Pedro Lima  Rebeca Bonjour  Roger Winstanley  Rui Miguel Abreu  Sara Bernardino  Teresa Melo

Fotos  Ana Ferraz  Ana Luísa Silva  Andy Dyo  António Medeiros  Carlota Andrade Ismael Prata  João Paulo  Pedro Sacadura  Telma Correia

Styling  Diogo Ribeiro  Joana Borger  Maria Cuntín Castro  Morgana Andrade Sérgio Simões  Tiago Ferreira

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Outubro / Novembro

YOU MUST

2016

(04—31)

Jeff Koons 06. Dileydi Florez 08. Two.Six 10. Stranger Things 11. Cartas da Guerra 12. Porto.Post.Doc 14. Teller on Mapplethorpe 16. Strike a Pose! 18. Michael Alig 20. Smiley 21. Reentré 22. Hugo Costa 24. Junkyard Golf Club 30. Shopping 04.

SOUNDSTATION 32.

Angel Olsen

(32—35)

34.

CENTRAL PARQ

Frank Ocean

(36—47)

Sensivelmente Idiota 38. Lady Mustache 40. Crille Raskal 44. Invisions

36.

FASHION

(48—63)

PARQ HERE

(64—66)

fotografia por Pedro Sacadura assistido por João Paulo styling por Tiago Ferreira assistido por Maria Cuntín make-up & hair por Verónica Zoio modelos @ Blast Models casaco CHEAP MONDAY

botas e mala H&M STUDIO

Emily Antero

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You Must See

Jeff Koons: Now texto por Joana Teixeira

A Newport Street Gallery, em Londres, é este ano montra de uma das maiores exposições dedicadas exclusivamente a JEFF KOONS: um ícone da arte contemporânea.

“Now” apresenta uma coletânea de mais de 30 obras, entre pinturas e esculturas, numa odisseia excêntrica a nível visual que serve de retrospetiva do trabalho do artista americano entre 1979 e 2014. Montada a partir da coleção pessoal de DAMIEN HIRST, esta exposição é também uma homenagem a um artista que sempre causou controvérsia no mundo das artes. Conhecido por explorar a estética da cultura popular e pela sua paixão por objetos banais como balões e aspiradores, JEFF KOONS acaba sempre por introduzir nas suas obras as temáticas do bom gosto, consumismo, beleza e cultura de massas. Alguns acusam-no de ser um artista kitsch, mas DAMIEN HIRST procura provar a presença da influência de KOONS no seu trabalho com a exposição de curiosas obras originais. Estão presentes esculturas metálicas que reproduzem balões moldados em forma de animais, aspiradores Hoover vintage, uma montanha colorida de plasticina e um aquário com três bolas de basquete – entre outras obras. É preciso observá-las através dos olhos de JEFF KOONS, com todo o poder e carga emotiva que carregam. Ao reproduzir um balão infantil em metal, o artista eterniza o conceito de infância. A escultura não é efémera. A exposição “Now” encontra-se em Londres até 16 de Outubro.

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FREDPERRY.COM

Authentic Store: NorteShopping; Arrábida Shopping; Rua do Ouro, 534 Lisboa El Corte Inglés: Gaia e Lisboa


You Must See

Dileydi Florez texto por Teresa Melo

DILEYDI FLOREZ, artista visual, distingue-se pela invulgaridade. De traços asiáticos, nasceu e cresceu em Bogotá, mas cedo se fixou em Portugal. Especializada em ilustração e banda desenhada, o seu trabalho artístico é o local onde a fantasia e a técnica se encontram em plenitude. Com exuberância, elevam-se as cores e os detalhes, as formas mais simples, a beleza das coisas no seu estado mais puro. Aqui, contam-se histórias de pássaros, de musas, de soldados, de culturas já desaparecidas. “Quando frequentei o mestrado de ilustração, tive como professor o pintor PEDRO PROENÇA e graças a ele conheci a arte oriental como uma fonte de estudo e inspiração”, diz DILEYDI. Para si, é no ponto harmonioso entre as composições, as perspetivas planas, as linhas delicadas e as cores certas que a perfeição se ostenta. “Nada é demasiado, porque quando se olha, tudo parece fazer sentido”. A série “Askar, o General” valeu à artista, o prémio de Artes Visuais na área de Ilustração e Banda Desenhada no Concurso Jovens Criadores 2015. Atualmente, está a trabalhar em duas histórias para antologias de banda desenhada, uma a ser publicada em Portugal e a outra na Colômbia.

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www.dileydiflorez.com


You Must See

Two.Six texto por Francisco Vaz Fernandes

www.twosixdesign.com

www.ariashop.co.uk

A TWO.SIX, uma pequena editora de peças de design com sede em Portugal, surpreendeu ao marcar o programa oficial da London Design Week que se realizou em Setembro na capital inglesa. A embaixada só foi possível a partir do convite da ARIA, um dos mais importantes showrooms ingleses que passa a representar a TWO.SIX no Reino Unido. Apostando claramente no potencial da pequena empresa portuguesa, a ARIA reservou a sua montra panorâmica e algum espaço da loja para mostrar durante a London Design Week o que a TWO.SIX produz em Portugal com base em colaborações que estabelece com alguns designers estrangeiros. Na montra da Islington Design District podia ler-se “Portugal Comes to Aria” e o evento em torno da marca portuguesa procurou mostrar a particularidade com que os portugueses olham o design contemporâneo alicerçado num saber tradicional que ainda se mantém de gerações para gerações. A par da apresentação da marca ao mercado inglês, o momento mediático apresentado por CRISTINA MACEDO, diretora criativa, foi aproveitado para ser a rampa de lançamento de novos produtos. Atualmente trabalham com cerca de dez designers internacionais e até ao fim do ano deverão ainda apresentar seis novos produtos. A TWO.SIX tem 5 anos de atividade e até então o mercado norte-americano tinha sido o foco, estando sempre presentes na Feira Internacional de Design de Nova Iorque (ICFF).

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01 01. Cadeiras Mandarine, de

Claudia & Harry Washington 02. Cadeirão Mr G, de Evgeniy Kondratev 03. Banco Swithy, de Claudia

& Harry Washington 08

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LECOQSPORTIF.COM


You Must See

Stranger Things texto por Ágata Carvalho de Pinho

Se STEPHEN KING e STEVEN SPIELBERG tivessem um filho, seria a série Stranger Things. Um exercício de ficção científica e storytelling que nos faz sentir como crianças outra vez. Preparem-se para apanhar alguns sustos, rir um bocadinho e morrer de amor pelas personagens. Uma série original Netflix, Stranger Things passa-se em 1983 no Indiana (EUA) e é uma homenagem inspiradora às séries vintage dos anos 80, à ficção made by STEPHEN KING, a JOHN CARPENTER e aos primeiros filmes de STEVEN SPIELBERG. Criada pelos irmãos MARK e ROSS DUFFER, que realizaram o filme de terror Hidden (2015) e escreveram alguns episódios da série Wayward Pines, a série começa com o desaparecimento de Will Byers, um jovem que regressa a casa depois de um jogo de Dungeons & Dragons na cave de um amigo. A cidade fica em alerta, mas rapidamente adormece. A mãe de Will parece ter enlouquecido, recusando-se a aceitar a explicação mais óbvia e tentando encontrar as formas mais criativas de comunicar com ele —nunca mais vamos olhar para as luzes de Natal da mesma maneira. Entretanto, uma rapariga de cabelo rapado e vestida como uma paciente que fugiu de um hospital, é um dos principais pontos de interrogação e, ao mesmo tempo, a principal resposta para as questões de Mike, Dustin e Lucas, os amigos de Will que não conseguem sossegar até o encontrarem. O seu nome é Eleven (11) e aos poucos percebe-se, através de flashbacks, que fez parte de um programa de experiências num laboratório top-secret escondido no meio da cidade. Parece que a Hawkins (filmada em Jackson, Georgia) alojou um portal para uma outra dimensão —o mesmo mundo, mas virado do avesso, uma versão tenebrosa, onde vive uma criatura sem cara que se alimenta de animais e sequestra pessoas. Não se percebe bem quem é este monstro na primeira temporada, mas o mistério alimenta-nos. As personagens, interpretadas por um grupo de jovens atores escolhidos a dedo, são fascinantes e intrigantes. O irmão de Will (CHARLIE HEATON), que se interessa mais por fotografia do que por interações humanas, tem um certo fascínio por Nancy (NATALIA DYER), que por sua vez está encantada com os típicos chamarizes da juventude: divida entre o dever de ser uma boa filha e ter boas notas e os seus impulsos que lhe dizem que aceitar o convite do rapaz mais popular da escola para uma festa em sua casa não pode ser uma má ideia. O xerife Hopper (DAVID HARBOUR) começa por ser claramente alguém que está acomodado e sem grande interesse pela sua profissão, até que o desaparecimento de Will desperta em si uma curiosidade voraz pela real versão dos acontecimentos. É ele que nos conduz ao laboratório, quem levanta o véu; mas, curiosamente, é também ele quem o desce no último dos 8 episódios. Um ator promissor, que faz lembrar um Philip Seymour Hoffman. E depois há o grupo de miúdos, com El como novo membro, que somos todos nós. Poderia dizer-se que os principais pontos fortes de Stranger Things são o tributo que não imita mas reinventa, a boa narrativa e um belíssimo casting. Os efeitos especiais não serão a coisa mais impressionante que já se viu. Poderia, talvez, apresentar um monstro melhor caracterizado, mas as razões para ver esta série são, em resumo, todas. Para os fãs de STEPHEN KING e companhia, esta é uma série guloseima. Está cheia de referências e pequenos piscar de olhos —há uma cena, por exemplo, em que um dos seguranças do laboratório está a ler um livro de STEPHEN KING, antes do xerife entrar de rompante, entre outros exemplos. Quem ainda não viu, vai muito a tempo e tem que esperar menos pela tão aguardada segunda temporada, que está confirmada pela Netflix para 2017. Um belo uso do tempo, para quem gosta de terror, ficção científica e de dar asas (mutantes) à imaginação.

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You Must See

Cartas da Guerra texto por Rebeca Bonjour

Cartas da Guerra, do realizador IVO M. FERREIRA, estreou em setembro nos cinemas portugueses. As paisagens africanas desfilam no ecrã a preto e branco acompanhadas pela narração de MARGARIDA VILA-NOVA. Baseado na obra de ANTÓNIO LOBO ANTUNES, D’este viver aqui neste papel descripto, ganham voz as palavras que o escritor escreveu à sua mulher quando esteve destacado para a guerra do Ultramar entre 1971 e 1973. Sendo a guerra colonial uma temática cada vez mais recorrente nos circuitos artísticos, não é de admirar a escolha de IVO M. FERREIRA. Através de uma perspetiva muito pessoal, Cartas da Guerra relata os confrontos entre as tropas portuguesas e coloniais, o dia-a-dia no quartel, a consequente separação da família acabada de se formar e a saudade da vida que fica para trás. Cartas da Guerra apresenta, portanto, uma relação dicotómica, presente entre todos os elementos do filme: Angola e Portugal, a destruição da guerra e a construção familiar, o sofrimento e o amor, o documento e a ficção, o preto e o branco, o ver e o ouvir. Aplausos. Mil aplausos para as escolhas cinematográficas de IVO M. FERREIRA, que ao sobrepor a narração às imagens a preto e branco conseguiu, ao mesmo tempo, manter a difícil tarefa de fazer jus às belas palavras e sentimentos de LOBO ANTUNES. Mantendo a sua historicidade e perfil documental que lhes são intrínsecas, conferiu-lhes, ao mesmo tempo, uma dimensão onírica, fazendo-nos sorrir, aparvalhados, face ao amor que ANTÓNIO sente pela mulher. Um filme que será, certamente, para rever uma e outra vez. Nem a própria Academia Portuguesa de Cinema ficou indiferente: Cartas da Guerra foi o filme escolhido para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares da Academia Americana de Cinema e na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano, nos Prémios Goya, da Academia Espanhola, em 2017.

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Porto/Post/Doc texto por Henry Sequeira

www.portopostdoc.com

Criado em Março de 2014, o PORTO/POST/DOC é uma associação que reúne um coletivo de pessoas de várias áreas que se unem com um ponto em comum: a paixão pelo cinema. Com principal intuito de dinamizar o cinema na cidade, o PORTO/POST/DOC convida o público a apreciar um filme projetado numa tela, a assistir a várias estreias numa sala cheia e a debater. No fundo, estão aqui presentes todos os elementos que tornam o simples ato de ir ao cinema numa experiencia tão única e especial, qual magia da sétima arte. Ao longo do ano são criados pequenos ciclos de cinema intitulados de “Há Filmes na Baixa!”. Projetados na sala de cinema do Passos Manuel, as sessões são criadas de acordo com uma determinada temática ou artista, focando-se principalmente no cinema documental contemporâneo. Não obstante, o festival PORTO/POST/DOC Film & Media Festival estimula o público e a alerta a própria cidade para a descoberta de novos conteúdos. A contar já com a sua 3ª edição, o festival irá decorrer de 26 de Novembro a 4 de Dezembro com uma programação que incluirá mais de 50 documentários, vários workshops e marterclasses . Durante o festival serão ainda exibidas curtas e longas-metragens selecionadas através de um open call, dando a liberdade a projetos independentes e novos realizadores de exibirem ou estrearem os seus trabalhos perante um público mais vasto. Existe ainda um espaço para a competição e consequentemente atribuição de prémios, que incluem o Grande Prémio, Menção Honrosa, Prémio Teen, entre outros. O PORTO/POST/DOC Film & Media Festival estará presente nas salas do Teatro Municipal Rivoli, no Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos e no já conhecido Passos Manuel.

Cinema Novo, de Eryk Rocha (2016)

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Teller on Mapplethorpe texto por Teresa Melo

Para celebrar o 70º aniversário do icónico fotógrafo americano ROBERT MAPPLETHORPE (1946-1989), JUERGEN TELLER é o curador de uma exposição especial de MAPPLETHORPE na Alison Jacques Gallery, em Londres, inaugurada no próximo dia 17 de Novembro. “Teller é provocador e subversivo, um artista-chave da sua geração”, assim descreve ALISON JACQUES. O fotógrafo alemão —conhecido pelo photobook “Kayne, Juergen & Kardashian”— terá feito a sua seleção a partir do arquivo da Fundação Mapplethorpe. “Existem semelhanças óbvias entre estes artistas e estou curioso para ver como JUERGEN encaminhará a sua visão para uma nova leitura do trabalho do ROBERT”, acrescenta JACQUES. Chocante, erótica e sublime. A diversidade da obra de MAPPLETHORPE é tão extraordinária como controversa: trabalhou o retrato, dialogou com a nudez, captou a natureza morta e potencializou a sexualidade masculina e a homossexualidade através de uma abordagem única. Durante a sua vida, ROBERT MAPPLETHORPE organizou mais de 50 exposições a solo nos USA, Europa e Japão. Esta será a primeira exposição de MAPPLETHORPE nesta galeria desde a retrospetiva dual do fotógrafo: The Perfect Medium no The J. Paul Getty Museum e no Los Angeles County Museum of Art (LACMA) em 2016, sucedendo-se à estreia do documentário “Mapplethorpe: Look at the Pictures (2016)”. A exposição estará disponível até ao dia 7 de janeiro de 2017.

Robert Mapplethorpe, foto por

Robert Mapplethorpe, 1984

Grace Jones pintada por Keith Haring, foto por Robert

Mapplethorpe, 1984 14


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Vogue — Strike a pose! texto por Marcelo Marcelo

Foi há 3 anos que me cruzei com o voguing . Estava à procura de umas festas que aconteciam em Milão e encontrei, num dos seus vídeos promocionais, a faixa “Paris’ Acid Ball” de HANNAH HOLLAND. Esta sampleava vozes e o vídeo era uma montagem com excertos de um filme, que tornou a vogue na minha dança urbana preferida e a cultura ballroom algo que mais tarde exploraria: refiro-me ao documentário “Paris is Burning” de JENNIE LIVINGSTON. Apesar dos ballrooms remontarem a 1869 (segundo um artigo de OLIVER STABBE do National Museum of American History), a forma como o conhecemos no “Paris is Burning” remonta aos anos 70 do século XX, quando afro e latino americanos criaram a sua própria cena por se sentirem discriminados pelos brancos que também participavam nestas flamboyant e competitivas arenas.

“Paris is Burning” é rodado nos anos 80 e catapultou a cena ballroom do Harlem e o voguing para o mundo. Neste reduto, homens e mulheres representavam profissões e estatutos que, fora destas muralhas, na vida real, quase impossivelmente viriam a ter, assim como géneros que a biologia não quis que encorpassem. Segundo o falecido WILLI NINJA, um dos mais carismáticos voguers da História, foi nestes encontros que shade se transformou em vogue: inicialmente uma battle entre duas pessoas que não gostavam uma da outra, mais tarde, uma dança em que os corpos encarnariam formas e contornos de editoriais, ganhando movimentos felinos de corar uma Adriana Lima num desfile da Victoria Secrets. A maquilhagem disfarçava a tristeza interior, as lantejoilas davam o brilho que o dia-a-dia não tinha e os saltos altos, a esperança às comunidades afro e latina americanas LGBTQ+ condenadas ao abandono, à pobreza e à morte, marginalizadas pelo racismo e homofobia ou, na maioria das vezes, pelas duas. Jovens abandonados por quem os trouxe ao mundo, encontraram no ballroom uma nova matriarca, patriarca e irmãos —uma família, uma “House” como HOUSE OF DUPEE, HOUSE OF NINJA e a HOUSE OF XTRAVAGANZA ou, mais uma vez mimetizando a moda e alta costura, HOUSE OF ST. LAURENT. Cada membro adotava o seu novo sobrenome e competia em milhares de categorias e subcategorias, ou melhor, “walk”. Simplificando: “Runway”, onde apresentavam as suas criações e desfilavam ao estilo europeu ou americano; "Performance” onde entrava o vogue e "Realness” onde o objetivo era representar o mais fielmente possível um personagem que se queria ser, um alter-ego de outro género, classe, profissão ou tudo misturado. 16

O voguing , no passado, conseguiu sair da obscuridade. Chegou ao vídeo da música “How to do That” de JEAN PAUL GAULTIER, WILLI NINJA caminhou na passerelle do mesmo criador e de THIERRY MUGLER, ensinou NAOMI CAMPBELL a desfilar como uma pantera e participou na música e vídeo “Deep in Vogue” de MALCOM MCLAREN. Mas foi MADONNA na sua “Vogue” que afirmou “Come on, vogue!” depois do filme “Paris is Burning” ter circulado por salas e festivais. Hoje o voguing está mais vivo do que nunca. Em Nova Iorque há competições semanais no VOGUE KNIGHTS no XL NIGHT CLUB e incendiou Paris graças a LASSEINDRA. Nesta década já não sabemos se é o voguing a dar corpo à Vogue ou se é a Vogue a estampar o voguing: HOUSE OF XTRAVAGANZA na edição japonesa da revista em 2013, a dupla AYABAMBI com presença assídua em vídeos do SHOWStudio de NICK KNIGHT, DSQUARED2, Vogue e Another Magazine; sem nunca esquecer a aparição do grupo KAZAKY em desfiles e o final da apresentação da coleção de outono de 2014 de HOOD BY AIR fundada por SHAYNE OLIVER, também voguer (espreitem a sua performance num vídeo de RASHAAD NEWSOME publicado pelo MOCA). Na música, LADY GAGA invoca a dança em “Alejandro” e outras figuras da pop como BEYONCÉ e BRITNEY SPEARS apropriam-se de movimentos de LEIOMY, uma das maiores representantes atuais do movimento vogue femme que saltou para a ribalta em 2009 devido ao programa America's Best Dancecrew e também pela aparição no vídeo “Whip My Hair” de WILLOW SMITH e no concerto de FKA TWIGS. Esta última, serve-se do voguing em quase todos os vídeos e a ela juntam-se nomes que têm sido importantes na quebra da homofobia na cultura hip hop, afroamericana e no Mundo como LE1F e MIKKY BLANCO. Do Old Way ao vogue femme, o voguing tornou-se mundial, mas é importante não nos ofuscarmos pelos holofotes dos estúdios nem permitir que as vozes da realidade dos ballroom sejam abafadas pelas batidas dos clubes. É importante que se conheça a sua história e o contexto sociológico em que nasceu para que as comunidades afro, latino americanas LGBTQ+ e outras não sejam vítimas da mesma exclusão que estas pessoas foram sujeitas e que as novas gerações ainda vão sofrendo. “Vogue”!


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Michael Alig e os Club Kids texto por Marcelo Marcelo

MICHAEL ALIG nasceu em South Bend, no estado do Indiana (USA), onde viveu até terminar o secundário. Cansado da claustrofobia de um meio pequeno onde fora vítima de bullying, voou para outra cidade, iniciando uma nova fase da sua vida. Chegado a Nova Iorque, o seu colega de casa —que andava a sair com o artista KEITH HARING— apresentou-lhe o AREA: o mítico clube conhecido pelas instalações imersi-

Mas o sucesso no LIMELIGHT e nos outros clubes de PETER GAITEN não teria acontecido sem a dinamização de festas ilegais mais ou menos espontâneas que invadiram o metro de Nova Iorque, o Dunkin’ Donuts, o MacDonalds de Times Square, entre outros locais inusitados. Foi muito graças a estas festas pop-up, que o novo grupo foi crescendo: a cada batida, a cada transgressão, à chegada de cada carro da polícia e de equipa de reportagem.

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vas que mudavam de 6 em 6 meses. Foi de festa em festa, de clube em clube, que descobriu um submundo, onde todos podiam ser o que quisessem, onde os freaks se transformavam em estrelas que brilhavam no escuro. Depois de uma prestação terrível no primeiro semestre, desiste da faculdade e, para pagar as contas, começa a trabalhar como bus boy no mega clube DANCETARIA —onde MADONNA e SADE foram empregadas. Desistiu da Universidade de Fordham, ingressou no Fashion Institute of Technology, mas acabou por abandoná-lo passado um ano. MICHAEL queria fazer as suas próprias festas e, apesar de ser difícil destronar ANDY WARHOL, o rei da noite da Big Apple, começou a organizar as suas primeiras malfadadas aventuras. Só após a morte de WARHOL, com o seu braço direito JAMES ST. JAMES e com o apoio de PETER GAITEN do clube LIMELIGHT, que MICHAEL ALIG se tornou o rosto e o czar da nova geração de clubbers. 18

A tour pelos Estados Unidos e a presença nos talkshows de RICHARD BEY, de PHIL DONAHUE, de JOAN RIVERS e no de GERALDO, expuseram os club kids como uma pitoresca família para inadaptados e inconformados que viviam numa “La La Land” sem censura nem julgamentos. Onde os seus cidadãos noctívagos podiam expressar-se e afirmar-se livremente. Com uma estética fortemente influenciada pelo blitz kid LEIGH BOWERY, que viria a enturmar-se, estes construíam-se com perucas de todas as cores, maquilhagem entre o palhaço e o drag, vestiam trajes carnavalescos e de haute-couture e apresentavam identidades sexuais mais ou menos fluídas, na América conservadora de RONALD REAGAN e do pai BUSH. Se de certa forma MICHAEL e os seus club kids transformaram a noite de Nova Iorque e “dinamitizaram” preconceitos, o movimento imerso em cocaína, ecstasy, Rohypnol, special K, crystal meth, heroína e tudo o que arranjassem, em muito ajudara ao encerramento do LIMELIGHT. Com o


You Must See desmoronamento do clubbing da “cidade que nunca dorme”, o novo presidente da câmara, o republicano GIULIANI, tinha agora todos os ingredientes para implodir os clubes, um a um. MICHAEL estava completamente agarrado e, se já eram conhecidos os seus desvios e delírios, a certa altura consumiu todas as drogas que o amigo e dealer ANGEL MELENDEZ tinha em casa. O pior estava iminente. ANGEL queria o seu dinheiro de volta, originando uma discussão que levou ROBERT "FREEZ" RIGGS e MICHAEL ALIG a assassiná-lo e, uma semana depois de festas, a desfazerem-se do corpo.

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As suspeitas do desaparecimento de ANGEL surgiam e ALIG chegou a ir para uma festa com “Guilty” escrito na testa e a gabar-se de o ter morto. No entanto, toda a gente pensou que, mais uma vez, estava apenas a chamar à atenção. Tais acontecimentos ocorreram em Março de 1996, mas a sentença só foi lida em Outubro de 1997. Considerado culpado por homicídio involuntário, esteve preso até 2014. Apesar do fatal desfecho, o legado dos club kids está em cada um de nós. Se estes club kids apresentavam identidades sexuais fluídas, hoje isso é uma das maiores questões do sector da moda. Se RUPAUL era marginalizado, hoje é estrela da sua própria série televisiva. Se os club kids eram famosos pela forma como se vestiam, hoje uma nova geração conhece a fama no ciberespaço só por terem estilo.

01. Michael Alig 02. Keda&Sacred 03. Björk 04. Blue Ernie

Para bem e para o mal, os club kids são a prova de que um movimento que se propõe a subverter o sistema o consegue por assimilação. A noite tem um lado negro, mas os club kids ainda encarnam e inflamam a esperança de que um dia não haverá mais preconceito. Como dizia o RUPAUL quando os club kids foram ao programa de GERALDO

“You’re born naked, the rest is all drag!”

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You Must See

Smiley texto por Marcelo Marcelo

Escrever um artigo cujo tema seja um símbolo da cena acid e rave —de certa forma, a própria cena— sem uma introdutiva história do house, é a mesma coisa que escrever sobre a fauna da savana africana e não mencionar as chitas, leopardos ou leões. O house nasceu em Chicago nos anos 80, fruto das insones noites ao som de um FRANKIE KNUCKLES acabado de se mudar de Nova Iorque para ser residente no WAREHOUSE, clube que daria o nome ao género; mas também fruto do transpirado, inspirador e atrevido MUZIC BOX de RON HARDY. Saltemos no tempo para 1985, data de nascimento, mais ou menos consensual, do filho mais frenético e insano do house, o bebé que viria a incendiar o Reino Unido e a ser o hino instigador das míticas raves do segundo Summer of Love: o acid house. Mas em que se diferenciava este rebento? O acid serviu e explorou as infinitas possibilidades do sintetizador de baixo Roland TB-303 e utilizou-o de forma diferente à qual os manuais em japonês propunham. Apesar de ALEXANDER ROBTONIK em “Problèmes D’Amour” ou CHARANKIT SINGH no disco “Synthesizing - Ten Ragas To A Disco Beat” terem utilizado criativamente o TB-303, a fórmula do acid house propriamente dita e que viria a mudar o mundo, ao que parece, nasceu com “Acid Tracks” dos PHUTURE. Se este tema que, mesmo antes de ser editado, era tocado e abusado por RON HARDY no anteriormente mencionado MUZIC BOX, foi o alicerce, os tijolos foram assentes e o subgénero formalizou-se com o lançamento de “No Way Back” de ADONIS em 86. Apesar de Chicago ser o berço do house e do acid, foi ao atravessar o Atlântico, atracar e desembarcar nas terras de Sua Majestade, que encontraram o seu lugar e se tornaram no hino de uma geração: estava dado o primeiro passo para um maior movimento depois do punk, a cena rave. O house começou a tomar conta dos soundsystems e “Jack Your Body” de STEVE ‘SILK’ HURLEY a liderar os charts. Nas

festas SHOOM de DANNY RAMPLING, FUTURE e SPECTRUM de PAUL OAKENFOLD e TRIP de NICKY HALLOWAY nascidas, depois de uma ida a Ibiza ao som de DJ ALFREDO no clube AMNESIA em 1987 e com a festa ilegal HEDONISM, definiu-se a onda acid e nasceu o rave: o movimento em que a água, a gaseificada bebida rica em glucose Lucozade e os ice pops destronaram o álcool. O período quando milhares de jovens fizeram longas cruzadas de festa em festa e seguiram viagens de Norte a Sul. Nesta altura é abraçada uma atitude anti-style e de dress down: nasceu a Era das roupas largas, leves e confortáveis para noites muito físicas, quentes e, por isso (mas não só), suadas. Tempos em que as pistas de dança eram caves, armazéns, casas abandonadas ou matas as pistas danças foram a base para uma nova geração esboçar a sociedade em que vivemos hoje, abolindo classes, misturando orientações sexuais e unindo cores de pele ao som da mesma batida, harmonia e melodia. Em que momento o smiley dá rosto a este movimento? Bem… a origem do smiley é contestada e obriga a mais uma viagem no espaço e no tempo. A primeira referência remonta um programa televisivo americano para miúdos em 1963, “The Funny Company”, acompanhado pelo slogan “Keep Smiling”. Na mesma altura, um tal de HARVEY BALL desenhou o logotipo para uma campanha da State Life Assunrance Company, com o objetivo de aumentar a moral do seus trabalhadores. Em setembro de 1970, dois irmãos de Filadélfia, desenharam o smiley próximo ao que se conhece hoje para venderem canecas, livros, autocolantes, brincos e até crachás, nuns Estados Unidos pós Vietname com sede de sorrisos. Seguem-se várias aparições: a revista Mad no “Prez: First Teen President” da DC Comics, no WINDSOR FREE FESTIVAL; a apropriação pelo punk, na capa do “Psyco Killer” dos TALKING HEADS; na capa de “Dead Kennedy’s Ulber Alles” de BLOB LAST e BRUCE SLESINGER e na capa do número 1 da série de B.D. WATCHMEN, também, da DC Comics. Em 1986 o símbolo explodiu outra vez: BOMB THE BASS, usando como referência a capa do WATCHMEN, colocou o smiley na capa do disco “Beat Dis” e no vídeo do hit “Don’t Make me Wait”. Respondendo mais diretamente à questão: é em Janeiro de 1988 que o smiley começou a sorrir por outros motivos e ao som de novos discos. Depois de DANNY RAMPLING, Dj por trás do SHOOM, ter visto, no WAG CLUB, a t-shirt coberta de smileys do designer BARNZLEY ARMITAGE, que pediu ao seu designer gráfico GEORGE GEORGIU para usar os símbolos no terceiro flyer. Para DANNY, este não só imprimia a positividade do movimento como também dava forma e cor às pastilhas de ecstasy. DANNY mal poderia imaginar o poder que tal ato teria até aos dias de hoje. O smiley não é só o logo da i-D, não são apenas os célebres e ricos em calorias M&Ms nem os emojis do WhatsApp. É o ícone de uma geração e tenho a certeza de que cada vez que alguém que viveu as raves repara numa t-shirt com um sorriso estampado, a vê com “uma doçura no início e uma amargura no fim” ou “uma amargura no início e uma doçura no fim”?

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You Must Listen

Rentrée texto por Carlos Alberto Oliveira

Entrámos na reta final do ano, mas ainda há muita música para escutar, até que os dias o fechem definitivamente. São apenas 10 nomes, poderiam ser muitos mais. Estes, sem dúvida, não podemos mesmo perder!

03. O novo álbum dos portugueses PELTZER, Devisable, aguardado com bastante expectativa, será lançado em Outubro. 04. O álbum de estreia da promissora banda lisboeta GALGO, Pensar Faz Emagrecer, chega às lojas a 23 de setembro pela mão da BLITZ Records e da Sony Music. 05. Os australianos teatrais EMPIRE OF THE SUN já apresentaram o single “High and Low”, retirado do seu novo disco Two Vines que sai a 28 de Outubro. 06. Os CROCODILES vão lançar o seu sexto álbum Dreamless a 21 de Outubro pela Zoo Music. Já se conhece o single e vídeo “Telepathic Lover”, desavergonhadamente a piscar o olho à Pop suculenta e açucarada.

01. A enigmática e encantadora AGNES OBEL tem data marcada para lançar o seu novo disco de originais, Citizen Of Glass, dia 21 de Outubro. O responsável por aguçar o apetite para aquilo que aí vem foi o single “Golden Green”.

07. BECK dispensa apresentações e regressa com o poderosíssimo “WOW”, um surrealista single funk plástico. O álbum, do qual até à data ainda se desconhece o nome, será lançado a 21 de Outubro pela Capitol. 08. O trio de BERLIM LEVITATIONS produziu um intenso e efervescente álbum post-punk , de seu nome Dust. O seu disco de estreia será editado a 5 de Outubro pela editora Adiago830.

02. Os emblemáticos CHROMATICS já deram a conhecer o pujante single que dá nome ao álbum Dear Tommy e o delicioso tema “I Can Never Be Myself When You’re Around”. A edição está para breve e, uma vez mais, ao cuidado da editora Italians Do It Better. Até ao fecho desta publicação ainda não era conhecida a data para o seu lançamento. Saberemos ainda em 2016?

09. Os JUSTICE já divulgaram os singles “Safe and Sound” e “Randy” daquele que será o seu terceiro álbum Woman e tem data prevista para sair no dia 18 de Novembro. 10. CHET FAKER anunciou que irá lançar uma música sob o nome de NICK MURPHY e divulgou o seu primeiro single “Fear Less”. Virá o álbum a tempo do fecho de 2016? Até à data da saída desta revista nas bancas ainda não havia mais novidades.

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You Must Want

Hugo Costa texto por Henry Sequeira

fotos por Ugo Camera

HUGO COSTA, 32 anos, não é desconhecido nas passerelles portuguesas. Iniciou o seu percurso em 2007 como designer freelancer, e em 2009 concluiu o curso de Design de Moda e Têxtil na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco. Viu o seu trabalho premiado no Concurso Acrobatic, onde obteve os prémios de Melhor Coordenado Masculino em 2009 e 2010, sendo nesse último ano vencedor do título de Melhor Coleção. Em 2010, HUGO COSTA estreou-se no Portugal Fashion Week e desde então tem sido uma presença assídua em cada edição. Na Paris Men’s Fashion Week, a PARQ conversou um pouco com ele. Passares a tua nova coleção na Paris Men’s Fashion Week pela primeira vez é uma grande oportunidade... achas que te vai abrir novas portas? Sim, claro! Para mim é uma oportunidade para estar onde ambiciono e mostrar que a quero agarrar e honrar. Estivemos no backstage e parecias muito calmo. Já tinhas tudo assim tão bem planeado? Não estava assim tão calmo, mas não posso contagiar a minha equipa com inseguranças. Foi um trabalho incrível feito por toda a equipa: desde a produção artística à organização. Devo muito às pessoas maravilhosas que trabalharam comigo. Desde a música ao casting dos modelos, tudo pareceu perfeito. Há alguma coisa que gostarias de mudar para uma próxima edição em Paris? A coleção vai mudar... vai evoluir. Na próxima edição é claro que ambiciono mais e melhor. Mas a equipa de trabalho dá garantias de que vamos conseguir. Esta coleção, que intitulaste “Samurai” tem uma mistura da cultura japonesa com a cultura contemporânea. Foi pensada para uma audiência mais internacional ou o local de apresentação não teve relevância no processo de criação? Quando surgiu o convite, o conceito da coleção já estava definido. Claro que saber o que iria acontecer aumentou a responsabilidade e penso que fez com que os níveis de concentração aumentassem. Quais os mercados ou públicos que pensas estarem mais recetivos às tuas propostas? O mercado asiático e o centro da europa são os mais recetivos.

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Agora que apresentaste a tua coleção em Paris, qual é o nicho que pensas conseguir ocupar dentro do contexto internacional de moda masculina? Sinceramente não penso muito nisso. Só espero ter espaço para fazer o meu trabalho e conquistar o meu público para que o projeto continue a evoluir, criativamente e financeiramente. Para finalizar, qual foram os valores que querias trazer para esta coleção? Quando se fala de samurais fala-se de guerreiros mas também se fala de valores como a coragem, a honra e a honestidade. Foi o que fizemos, trabalhar desta forma. Para isso refletimos na indumentária samurai, não de guerra, mas de lazer e de treino, nos seus volumes e texturas. Depois de o analisarmos procuramos adaptar esses elementos aos princípios da marca.


You Must Want

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You Must Play

Junkyard Golf Club texto por Joana Teixeira

Quem disse que o mini golf é só para crianças? O JUNKYARD GOLF CLUB trouxe este passatempo icónico de volta para o deleite da geração adulta, abrindo espaços em Londres e Manchester. Em Inglaterra o mini golf é uma atividade comum ao ar livre e à beira mar, mas este clube foge dessa estética e sugere um espaço fechado e alternativo. O JUNKYARD GOLF CLUB não é nada mais do que um ferro velho! O espaço londrino, que se situa no bairro de Shoreditch, é um armazém repleto de objetos amontoados e tudo aquilo que possam imaginar que se vende em lojas de velharias. Há quatro percursos de mini golf à escolha —Pedro, Helga, Frank e Bruce— com diferentes níveis de dificuldade e decorações entre o psicadélico e o apocalíptico. Ao entrar neste clube, as pistas com os seus obstáculos em miniatura não são o mais entusiasmante. A imagética do espaço rouba a atenção dos jogadores: entram numa odisseia com manequins, dinossauros, animais selvagens, carros, barcos, graffitis...Mas a coqueluche do JUNKYARD é mesmo o quarto escuro com luz negra, que proporciona as melhores fotos para o Instagram! Este mini golf é para adultos e conta também com 4 bares que, entre várias bebidas, servem cocktails temáticos, tal como dois restaurantes para os amantes de cachorros quentes e sandes com muito queijo grelhado. Será que a moda pega em Portugal?

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You Must Wear 01. 1S1X8 Lace 02. Eagle 03. Stowe 04. Sugasbush

35 anos texto por Maria São Miguel

A MERRELL festeja os seus 35 anos com uma linha Heritage. No entanto, sem deixar de pensar na inovação, incluiu novos modelos que no seu essencial representam o futuro da marca. É o exemplo da coleção 1SIX8 que traduz uma forma de viver citadina, incorporando aventuras outdoor ligeiras e urbanas. Super leve e confortável, este calçado é criado para se usar no interior como no exterior. Como não podia dia deixar de ser, os 35 anos foram também o motivo para revisitar os antigos modelos da coleção, recriando na íntegra um dos seus sapatos de montanha dos anos 80: o Eagle, um ténis-bota com uma palmilha com grande capacidade de amortecimento e cores fortes contrastantes. O destaque vai ainda para modelos inspirados no espírito da montanha como é o caso da linha Stowe e as botas Sugasbush, ambos concebidos com materiais premium e toda a tecnologia que a MERRELL oferece para conseguir um calçado confortável, leve e robusto.

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Sports Authentic AW16/17 texto por João Patrício

O retro e o desporto cruzam-se na coleção Sports Authentic AW 16/17 da FRED PERRY. Com os olhos postos nos anos 70, a marca aposta em tecidos coloridos, numa estética que remete para as peças da altura. Casacos de gola subida, t-shirts com rebordos distintivos e riscas horizontais são algumas das propostas desta nova coleção.

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Verde Tropa texto por Maria São Miguel

Jeans 511 slim fit com parka com padrão camuflado

Na mesma linha de uma das tendências da próxima estação Outono-Inverno, os novos relógios da DIESEL são inspirados no estilo militar. Os braceletes de couro em tons de castanho e preto e os mostradores em tons de verde tropa revelam que a nova coleção da marca destina-se aos homens de “barba rija”. Estes relógios, que parecem uma bomba no pulso, aliam, ao mesmo tempo, robustez e elegância.

Jeans 711 Skinny com camisa militar e bordado

You Must Wear

Boa Vida texto por Maria São Miguel

“Aprecia o momento com as tuas Levis” é o mote da nova coleção da marca com jeans para todos os gostos. Os modelos mais largos, como os tradicionais 501, oferecem um look bem old school ou boyfriend para rapariga. Para os amantes dos modelos mais justos à perna, há os tradicionais 511 slim fit para rapaz ou então os novíssimos 711 skinny para rapariga. A coleção está cada vez mais indie e os looks oficiais da marca trazem jeans a combinar como camuflados e outras peças de inspiração militar. 26


You Must Wear

Reciclagem texto por Francisco Vaz Fernandes

A CHEAP MONDAY criou uma coleção-cápsula com base no conceito de sustentabilidade. No início deste ano, contentores de reciclagem foram instalados em diversas lojas de Londres, Copenhaga, Paris, Pequim e Shenyang para que os consumidores depositassem peças de roupa usadas, independentemente da marca, qualidade ou condição. O objetivo focou-se na redução do desperdício têxtil e na sensibilização do público para as toneladas de roupa desperdiçada todos os anos, incentivando à participação numa jornada mais sustentável pelo futuro de todos. Esta coleção única é inteiramente feita a partir de peças usadas, no estúdio da marca em Estocolmo, e engloba quatro peças chave criadas a partir de têxteis previamente existentes que foram desconstruídos e reconstruídos em designs facilmente associáveis à CHEAP MONDAY —os seus jeans Tight, Bomber Jackets, camisolas e t-shirts— oferecendo um look forte e arrojado que joga com os tamanhos e proporções.

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You Must Ride

Settantesimo texto por Maria São Miguel

Para celebrar o seu 70º aniversário, a VESPA lançou uma gama de modelos especiais com características luxuosas e que enaltecem as características da lendária 98cc que saiu pela primeira vez da fábrica de Pontedera em 1946. Os três modelos —Vespa PX, Vespa Primavera e a Vespa GTS 300— estão disponíveis com uma série de personalizações de luxo: um assento castanho-escuro e contrastante com a tubulação bege ou azul e destaque para o logotipo VESPA Settantesimo colocado na parte de atrás. Toda a gama inclui ainda um gráfico dedicado no escudo da perna de traseira e um acabamento dark nas rodas, graças a uma tinta específica. O clássico bagageiro cromado dá lugar a uma elegante mala, na mesma cor do assento, completando o ar exclusivo desta edição limitada.

01. Vespa Settantesimo PX 150 02. Vespa Settantesimo Primavera 03. Vespa Settantesimo GTS 300

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You Must Wear

Beautify texto por Maria São Miguel

Hawaii Dias quentes em destinos exóticos seguramente serão os planos mais desejados para o final desta estação. Para estrelas como Alessandra Ambrosio ou Rihanna de L.A., N.Y. ou Miami para o Havai é um pulo! Inspirados pelas praias pitorescas deste arquipélago paradisíaco, os caça-tendências da ANNY aproveitaram as tonalidades autênticas e criaram 6 novos vernizes com cores pastel desportivas e frescas para um verão eterno.

Only Absolute Seguindo os passos de Gentleman da GIVENCHY —a primeira fragrância masculina que HUBERT DE GIVENCHY lançou em 1975— o novo Gentlemen Only Absolute ocupa esse espaço glorioso num novo território olfativo. Combina bergamota com um trio de especiarias quentes (açafrão, noz moscada e canela), madeira de sândalo e uma pitada de baunilha que lhe confere sensualidade. Quanto à frescura das notas de topo, sente-se um rico e redondo aroma amadeirado. Esta é a fragrância pensada para a noite: requintada, opulente e viciante.

Boss the Scent for Her Quando surgiu a fragrância masculina Boss the Scent, JASON WU —o diretor artístico BOSS da linha de senhora— quis que a mulher BOSS também tivesse uma fragrância sua. Boss The Scent for Her é poderosa e única. Segundo JASON WU, na génese desta fragrância está a união entre a força da versão masculina e a delicadeza da essência feminina: “é como se jogassem em pé de igualdade: homem versus mulher, trazendo ambos algo para a mesa”.

Boss The Scent for Her tem na sua combinação leves notas frutadas de pêssego doce e fresa e o aroma da flor oriental osmanthus, acolhido por uma base de cacau torrado. 29


01. Levis  02. Norton  03. Dr.Martens  04. Happy Socks  05. Louis Vuitton  06. Merrell  07. Kenzo  08. Converse  09. Fila  10. Levis  11. Cheap Monday  12. Lacoste  13. Pepe Jeans

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14. Kenzo  15.HYM  16. Grant  17. Fred Perry  18. Lacoste  19. Fred Perry 20. Mango  21. Levis  22.Fred Perry  23. Gstar  24. Nixon  25. Mango  26. Primark

You Must Buy

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Soundstation

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Angel Olsen

A insus

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Soundstation

Angel Olsen

stentável leveza de ser texto por Carlos Alberto Oliveira

A crítica especializada foi unânime relativamente ao incontornável My Woman (2016), considerando-o como o melhor álbum de ANGEL OLSEN. Comparativamente com o seu anterior trabalho, Burn Your Fire for No Witness, neste demonstra uma maior maturidade na composição e uma evolução vocal notória, que definitivamente retira à artista o título de cantautora folk e lança-a para uma estratosfera mais universal, na busca de linguagens mais ricas e diversificadas, despindo-a definitivamente dos estereótipos. Chega assim um retrato orgânico e intimista da artista, ancorado no cruzamento de referências que vão do folk no seu primeiro registo de canções —quando trabalhava ao lado de BONNIE PRINCE BILLY— passando pelas memórias da Pop e do Rock dos anos 50 e, sobretudo, pelo Indie-Rock dos anos 90. Poder-se-á também atribuir a tónica destes ambientes ao contributo do produtor JUSTIN RAISEN, conhecido pelo seu trabalho com as pop-stars CHARLI XCX e SKY FERREIRA. É a honestidade das letras e a sua capacidade vocal, as chaves de tamanha integridade do álbum que, dividido em duas partes, discorre como um organismo pujante e deliciosamente atrativo. O tema de abertura “Intern”, o primeiro single, anuncia que OLSEN tem muito para dar. O recurso aos sintetizadores que se alternam com os picos em falsete, são a prova disso mesmo. O poder da sua voz é comprovado mais uma vez em “Shut Up Kiss Me”, o segundo single do disco. No entanto, o pára-arranca das guitarras, enrolado nas batidas da bateria como um rebuçado artesanal, potencia ainda mais a fabulosa combinação entre a voz e a música.

“Not Gonna Kill You” e “Heart Shaped Face”, embora evoquem heranças próximas dos COWBOYS JUNKIES, lançam novamente a sua voz para territórios inexploráveis, elevando o sentido dramático e emotivo da canção. O dramatismo sente-se sobretudo na segunda metade do disco, nomeadamente em “Pops” e em “Woman”, onde o expoente máximo é atingido, o que no caso da última se deve provavelmente aos mais de sete minutos de duração, em crescente evolutivo.

E porque um dos pontos-chave do disco são as vocalizações, não há como não comparar os tons intimistas de “Those were the Days” com artistas como FIONA APPLE ou até mesmo TORI AMOS. Não tanto na sua corporeidade ou tonalidade, mas no sentido de transformar a voz num veículo de emoções profundas. Um dos momentos mais leves e luminosos do álbum encontra-se na canção “Give It Up”. Graças às referencias indie-rock, sobretudo dos anos 90. “Shut Up Kiss Me”, inscreve-se também neste espirito e é a sua poderosa construção musical que permanece na memória do ouvinte.

“Never Be Mine” desliza num tom deliciosamente Pop, evocando memórias desse universo dos anos 50 e 60, tonificando o tema com uma graciosidade dir-se-ia quase ingénua, mas encantadora. No entanto, não se pode atribuir exclusivamente a estrutura métrica a este género musical. Aliás, uma particularidade deste álbum é que dificilmente o podemos inscrever num género ou até mesmo num subgénero musical. Enquanto o disco toca, apetece desacelerar o nosso ritmo e parar para saborear todos os seus momentos. Ao ouvinte mais atento é retirada a vontade de se evadir, ficando de tal forma preso que é impossível perder um segundo sequer da canção. “Woman” exige mesmo uma pausa. Todos os momentos da sua composição são fulcrais. ANGEL OLSEN parte das suas experiências e aprendizagens pessoais, de dentro para fora, na construção matricial deste disco, numa afirmação de personalidade musical que lhe permite colocar My Woman ao lado de álbuns de outras artistas como PJ HARVEY ou ST VICENT. Se com Burn Your Fire for No Witness captou as atenções em larga escala e reuniu consensualmente a opinião dos mais diversos quadrantes do mundo musical, My Woman certamente catapulta-a para a linha da frente das autoras mais estimulantes do momento, pairando no ar a expectativa de quais serão os caminhos que a artista vai tomar no futuro.

A nostálgica ternura da sua voz coloca a artista ao lado de vozes icónicas como a de HOPE SANDOVAL dos MAZZY STAR, nos seus tons mais melódicos e intimistas, como é o exemplo de “Sister”. Contudo, a riqueza do timbre reside na poderosa flexibilidade e elasticidade, características transversais a todo o álbum. 33


Soundstation

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Frank Ocean

Less

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Soundstation

Frank Ocean

is more. Menos é Mais. texto por Rui Miguel Abreu

O cantor editou dois álbuns em poucos dias, mas mais música não significa necessariamente mais exposição ou ruído. FRANK OCEAN gosta de silêncio. Tudo começou em silêncio, ou quase. A espera —longa— pelo sucessor de Channel Orange começou a chegar ao fim quando surgiu um misterioso vídeo na internet que tinha contornos de oblíqua instalação artística: o interior de um armazém visto pelo que parecia ser a câmara de vigilância, sem nenhum dado acrescido, a alimentar a esperança de que algo fosse acontecer. Depois surgiu Endless, um vídeo-álbum de uma única faixa, mas feito de várias canções em que se via FRANK OCEAN a construir uma escada em espiral, metáfora para noções contraditórias: por um lado a ascensão, por outro a ideia de que não se sai de lado nenhum, que se segue sempre em volta de um eixo. Subir no mesmo lugar. A julgar pelo que aconteceu, essa era uma opção que não interessava a FRANK. Logo de seguida, a surpresa. O disco que todos já pensávamos que se iria chamar Boys Don’t Cry recebeu afinal de contas o título Blond (ou Blonde...), esse sim a verdadeira consequência do trabalho que continha “Pyramids”. Endless foi, afinal de contas, a chave com que FRANK se libertou do cadeado contratual que o ligava à DEF JAM e Blond o seu primeiro gesto de liberdade. Afinal ele queria mesmo sair do lugar. Não necessariamente para cima, mas para o lado. Para outro lado.

O lançamento físico só em quatro pop up shops com uma luxuosa revista de título Boys Don’t Cry e ar de catálogo de exposição de arte moderna com listas, fotos, entrevistas e poemas (KANYE WEST a assinar odes à MacDonalds...) oferecida de borla a uns quantos sortudos (e outros tantos especuladores que não tardaram a valorizar o artefacto no eBay...). E mais nada. Menos parece mesmo ser mais: FRANK ainda não falou, ainda não se explicou, mas a música parece, de certa forma, conter todas as respostas.

Blond é um disco humano feito de histórias, emoções e sentimentos de amor, perda, ausência e crescimento. As canções —“Nikes”, “White Ferrari”, “Siegfried”— soam a exercícios transformativos, a desafios auto-impostos de alguém que quer crescer artisticamente. Tudo no FRANK OCEAN 2.0 é subtil: é clara a recusa de querer embarcar nas mais superficiais marcas de contemporaneidade em termos de produção. FRANK parece querer que as canções valham pelo que têm dentro e não pela forma como estão vestidas. O que não significa que Blond —e Endless já agora— não sejam propostas modernas. Mas num tempo de gestos maximais, gigantismo e egos descomunais, FRANK OCEAN parece ter compreendido uma lição importante: a de que menos pode ser mais.

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Central Parq

Vivemos na era das redes sociais, das selfies, dos hashtags, dos filtros e dos gostos. Somos os millennials, a geração digital filha do Facebook —a rede social onde encontramos uma praça de opinião pública em forma de caixa de comentários. E como nesta era toda a gente tem uma opinião online, surgiram um Sensivelmente Idiota e uma Lady Mustache, que aproveitaram também a sua veia crítica para transformar as respetivas páginas de Facebook num diário opinativo. Tudo menos secreto. Love them or hate them, as suas publicações colecionam comentários. Ambos pegam na sociedade, temperam-na com uma pitada de humor e outra de ironia e servem-na a ferver aos seus seguidores. DIOGO FARO é o Sensivelmente Idiota. Licenciado em Publicidade e Marketing, é um comediante de 30 anos. Quem é o Diogo Faro? Acima de tudo, sou um tipo com a mania que tem muitas opiniões sobre assuntos e que estas devem ser ouvidas. Até porque algumas são bastante boas e eu primo pela modéstia. De resto, já se sabe que sou "amigo do meu amigo" e " amo a minha família", mas não vamos transformar esta entrevista no Alta Definição. Sensivelmente Idiota é um alter-ego, uma persona ou é simplesmente o Diogo Faro? São a mesma coisa. Não faço distinção. Simplesmente, achei logo de início, mesmo tendo começado apenas como um auto-entretenimento, que faria mais sentido ser uma marca do que um desconhecido a tentar ter graça. Porquê o nome Sensivelmente Idiota? Porque o objectivo inicial, e que tem de tem mantido, era poder falar do que bem me apetecesse, fosse de forma mais ou menos séria, mais ou menos cómica. Daí, sensivelmente, mais ou menos idiota. Houve alguma situação específica que espoletou em ti a vontade de começar a partilhar as tuas opiniões com o mundo? Essencialmente gosto muito de escrever. Gosto de 36

Comedians

S Idiota ak & entrevista por Joana Teixeira

La aka Nádi observar. Escrevo o que observo depois de devidamente, mal ou bem, interpretado. Há alturas em que escrevo textos mais abstractos, mas a grande maioria das vezes gira em torno da crítica social. Apesar disto, não consigo identificar uma situação que tenha espoletado tal vontade. Como começou o teu percurso no Facebook? Uma amiga minha meteu na cabeça que eu escrevia bem e que não me devia limitar a fazer uns posts soltos no meu perfil pessoal de Facebook. Faz agora 6 anos que criei a página. Já foste bloqueado no Facebook e até mesmo confrontado com pessoas que se ofenderam com as tuas opiniões. Como lidas com essas pessoas? Com naturalidade. Faz parte haver quem não goste de nós, ou quem não concorde connosco. O que já me transcende é a confusão que as pessoas fazem hoje em dia entre o direito a ficar ofendido e o direito a calar alguém. Os tempos da PIDE já lá vão, meus meninos. Qual é a tua opinião quanto ao boom das redes sociais e a relação das pessoas com elas? Regra geral, as redes sociais vieram trazer grandes benefícios ao mundo. Agora, a estupidez e a ignorância das pessoas está em si, sempre esteve. Agora tem é mais sítios onde proferir barbaridades ou mostrar banalidades. Mas antes isso do que ninguém ter liberdade de expressão.


Central Parq

Comedians

Sensivelmente ka Diogo Faro

ady Mustache ia Pinto Como defines o teu estilo humorístico? Sátira social. Sendo que me insiro em muitos dos comportamentos dos quais faço pouco. O que é que te faz rir? Muita coisa. Embora eu pratique um determinado estilo de humor, riu-me com muitos outros estilos diferentes. Desde humor negro a uma pessoa a ir contra a porta de vidro de um Centro Comercial, até aos comentários da minha avó sobre tudo e mais alguma coisa... Há mesmo muita maneira de me fazerem rir a sério. Como é o teu processo de criatividade: tens algum filtro, impões algum limite a ti próprio? Sim, tenho filtros. E acho que toda a gente pode pôr filtros a si mesmo, não se pode é pôr aos outros. Os meus filtros são sobretudo estéticos, na forma como escrevo ou faço stand-up. Sou bastante honesto comigo mesmo. Não me forço a falar de determinados assuntos só porque pode dar likes ou mais um aplauso se não me disser nada, nem me acanho de falar de outros tantos se o quiser fazer, mesmo sabendo que pode ofender alguém (e ofende sempre alguém). O que achas que falta a nível humorístico em Portugal? Liberdade e coragem. De resto, talento há a rodos.

Achas que os portugueses se levam demasiado a sério? A maioria, sim. Ou até pode dar aquele arzinho que é super descontraído, muito cool e livre, e depois há uma piada sobre o corte de cabelo dele e já é o fim da picada. Consegue-se viver apenas do humor em Portugal? Consegue, pois. É preciso é estar constantemente a trabalhar e a trabalhar muito. É instável, os recibos verdes têm uma taxa de IRS ridícula e de um momento para o outro pode ir tudo ao ar. Mas vai dando. Já estiveste na televisão, já tiveste o teu talk show, já lançaste um livro intitulado “Somos Todos Idiotas”. O que te falta fazer? Ainda quero fazer uma série de coisas. Essencialmente quero viajar. Juntar viagens e comédia é, sem dúvida, um grande objectivo. Entretanto, está para sair o meu novo talkshow, que será exclusivamente para YouTube. Como convences alguém na dúvida a comprar o teu livro? Por cada livro que comprarem meu, há um livro do Gustavo Santos que não é comprado. Acho que isto é mais que suficiente.

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Central Parq

Comedians

S Idiota ak NÁDIA PINTO é Lady Mustache. Apresenta‑se como vendedora de banha da cobra e não sabe fazer contas à idade. Quem é a Nádia Pinto? Não faço ideia. Estou à espera de entrar num reality show e, ao ver-me numa daquelas VTs de apresentação, perceber. E quem é a Lady Mustache? Um alter-ego, uma persona ou é simplesmente a Nádia? É um alter persona com ego. Porquê o nome Lady Mustache? O nome Pedro Chagas Freitas já estava ocupado. Houve alguma situação específica que espoletou em ti a vontade de começar a partilhar as tuas opiniões com o mundo? E Jesus precisou de alguma razão para partilhar a sua palavra com o povo? Como começou o teu percurso no Facebook? Foi em 2013. Achei que aborrecer os meus amigos já não era suficiente. Já foste bloqueada no Facebook e certamente já foste confrontada com pessoas ofendidas pelos teus posts. Como lidas com essas pessoas? Confesso que me dão gozo. Nunca fiz um post a pensar nas consequências, mas quando rebentam é sinal que fiz alguma coisa bem feita, nem que seja merda. Muitos dos teus posts são associados a pessoas famosas. Portugal é uma feira de vaidades? Nem mais nem menos no que outros sitios. A única diferença é que os nossos são um bocadinho mais pobrezinhos, de dinheiros. Na sinceridade característica da Lady Mustache, o que achas do círculo de famosos em Portugal? Na verdade, é o mesmo que nos outros países, mas Portugal é pequenininho e não falo de mentalidade, não 38

sou defensora dessa premissa, mas em tamanho geográfico. Portugal é uma aldeia onde toda a gente se conhece, onde toda a gente finge adorar toda a gente, mas diz mal de toda a gente pelas costas. Eu sou uma voyeur. Sempre gostei de o fazer, observar a vida alheia. Deve ser por isso que gosto tanto de reality shows, e sempre fica mais barato do que ir ao Badoca Park.

La aka Nádi

Qual é a tua opinião quanto ao boom das redes sociais e a relação das pessoas com elas? O Facebook tornou-se uma praça de opinião pública, onde as pessoas exercem uma opinião de resposta automatizada, não ponderada e muitas vezes desinformada sobre o assunto em questão. É tão assustador, como incrível. Como defines o teu estilo de humor? Inacreditável.

O que é que te faz rir? Vídeos de quedas e russos bêbados, a cara da Isabel Angelino, o Bo Burnham, o Jimmy Carr, o Louis CK, o Ricky Gervais, o Ricardo Araújo Pereira, o instagram do Cláudio Ramos e o meu cão. Como é o teu processo de criatividade antes de fazeres um post: tens algum filtro, impões algum limite a ti própria? É o meu momento de diarreia cerebral. O meu cérebro faz uma ligação directa com a ponta dos meus dedos e o que eu penso é instantaneamente traduzido num post. O que achas que falta a nível de humor em Portugal? Investimento, educação, tomates e trabalho. Quase tudo. Achas que os portugueses se levam demasiado a sério? Muito. Nós não sabemos gozar com nós próprios. Além da página do Facebook e do teu livro intitulado “Puta Que Pariu o Amor”, tens planos para fazer algo mais? Sempre quis fazer rádio. Quem sabe, um dia… Tentas manter a tua verdadeira identidade distanciada da página de Facebook. Porquê? Porque é que não se pode olhar directamente para o sol?


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Comedians

Sensivelmente ka Diogo Faro &

ady Mustache ia Pinto

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Fotografia

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www.raskal.co

l texto por Teresa Melo

fotos por Crille Raskal

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CRILLE RASKAL, fotógrafo e surfista, escolheu o paraíso para se estabelecer. As majestosas paisagens captadas por si são o suficiente para recordar ao mais distraído, o quão insignificante é o ser humano perante a magnificência da natureza e no poder da beleza tamanha que o rodeia. Nascido na Suécia, RASKAL instalou-se numa das ilhas mais belas da Indonésia por mero acaso. “Nunca foi um plano, simplesmente aconteceu. Eu ia a caminho da Austrália,

Fotografia

parei em Bali e acabei por ficar. Sempre adorei esta ilha desde a primeira vez que aqui vim, há 8 ou 9 anos atrás”. Não seria de estranhar que a essência da riqueza natural se tornasse a sua musa. Islândia, as ilhas de Lofoten ou os desertos do Jordão são alguns dos cenários mais incríveis e reveladores por onde já passou. “Sou uma pessoa que acredita verdadeiramente em manifestar aquilo que desejamos. De alguma forma, isto resulta para mim”. 41


Central Parq

A viragem para fazer da fotografia a sua profissão foi relativamente recente. “Fiz um desafio com um grande amigo meu, NICK PUMPHREY (um fotógrafo extraordinário), no qual teríamos de fotografar pessoas que conhecêssemos durante as nossas viagens. Três meses depois recebi o meu primeiro trabalho pago e apaixonei-me pela captação de momentos singulares e, especialmente, sob pressão.” 42

Fotografia

Hoje RASKAL faz-se acompanhar pelas máquinas fotográficas Canon 5D e a Canon 6D e a Sigma art 35mm 1.4 e a Canon 85mm 1.8 são as suas lentes de eleição. A doçura da eterna juventude singulariza cada retrato. “Acho que é a minha criança interior que não quer crescer. O meu fascínio pela aprendizagem, pela descoberta, aquela


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sensação de atingir os limites e, por fim, ser bem-sucedido, é como lenha na fogueira para mim. Embaixador da Rhythm Europe, o portfólio do fotógrafo apresenta sobretudo trabalhos com marcas de roupa e de fatos-de-banho para mulher.

Fotografia

Adora-se a frescura da liberdade. Na densidade da floresta tropical, o céu brilhante ilumina cada aventura sua, onde as histórias que se contam ao redor das fogueiras parecem querer venerar os deuses. Para já, Nias, Sumatra, Byron Bay, Austrália e Hong Kong aguardam ansiosamente pela visita de Raskal. Quanto mais longe da realidade, melhor será a vista. 43


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Design

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Env isions

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Env isions

www.envisions.nl

Central Parq Design

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Design


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Design de interpretações, assim como a uma deliciosa problematização sobre a ambiguidade disciplinar: um diálogo, sempre vivo, entre a arte e o design. Em 1980, outros designers holandeses teriam exposto pela primeira vez os seus protótipos, dando a conhecer as fases intermédias das peças em espaços públicos, expositivos e museológicos. As exposições aconteceram no departamento de design holandês e posteriormente no Museu Boijmans Van Beuningen de Roterdão. Estas experiências tiveram como intenção auferir ao projeto uma dimensão documental e libertar a relação do objeto de design do seu carácter fixo e definitivo. Na sua génese está a permissão à mudança e à transformação.

Em design, um dos assuntos mais discutidos nos últimos tempos tem sido a exposição coletiva “Envisions”, apresentada no Salone del Mobile de 12 a 17 de abril de 2016. Pelas cores, as formas, a disposição e o insólito que as peças despertam, as perguntas sucedem-se. O que é isto? O que é aquilo? De que material é feito aquele objeto? Para que serve? Pode-se tocar? Qual será a sua textura? Qual será o seu destino quando estiver terminado? As peças assumem propriedades plásticas, ora pela sua cor ora pela sua aparência por vezes amorfa, sem “espinha”. De carácter aberto, vão perfilando o espaço e consolidam a ideia que os curadores holandeses SIMONE POST, SANNE SCHUURMAN e IWAN POL querem transmitir na exposição: expor tudo o que tenha que ver com a evolução do objeto exceto o produto final. Quem vê as peças já terminadas, não imagina as incalculáveis experiências erróneas, tentativas goradas, as falhas a que um objeto está sujeito. São resultados que nunca chegam a ver a luz do dia, nem a ser vistos pelo público. A “abertura a estas fases”, que se encontram sempre escondidas em todo o processo de design, ao serem descobertas (e que habitualmente não se mostram, são geralmente assumidas como como “tabu”), podem conduzir a outros caminhos, também salutares e afirmam a convicção já preconizada por BRUNO MUNARI de que “das coisas nascem coisas”. A exibição ao permutável relembra uma outra exposição, que teve lugar em Portugal e realizada por MARCO SOUSA SANTOS na Galeria Bessa Pereira em 2015. No espaço da galeria vislumbravam-se vários fragmentos, tentativas de peças que davam corpo aos objetos reconhecidos nos produtos finais. A exposição “Envisions”, tal como a de MARCO SOUSA SANTOS, transporta o visitante a uma multiplicidade

ADRIANUS KUNDERT, um dos participantes de “Envisions”, ilustrou com eloquência essa função. KUNDERT interroga-se se não seria interessante, ou pelo menos mais enriquecedor para o design, encarar com naturalidade o envelhecimento dos objetos. O designer procura deixar que a erosão seja parte na vida da peça. Através de suportes materiais como tapetes, munidos de cores e texturas diferentes, KUNDERT trabalha a superfície de modo a que mesma adquira a patina do tempo, à semelhança do que acontece, por exemplo, com um sofá velho, gasto pelo uso e que perde a sua cor ou quando submetido a manchas de líquidos. Por esse motivo, o artista escolhe deliberadamente materiais fracos, sabendo de antemão, que vão padecer e quebrar-se facilmente com o uso. BASTIAAN DE NENNIE, por seu turno, parece querer fazer o contrário no seu projeto “Incarnate” e, por meio da tecnologia, dar nova vida aos objetos. Já IWAN POL valoriza o betão e procura insuflar no material uma aplicação mais criativa e dinâmica. O mesmo défice de criatividade verifica-se em puxadores de portas, objetos integrados na arquitetura que se usam todos os dias, e cujas formas há muito não são inovadas. JEROEN VAN DE GRUITER, através de tecidos variados, como o silicone, explora possibilidades de manipulação dos mesmos elementos quanto à forma, textura, temperatura. A designer SANNE SCHUURMAN explora materiais e grafismos em layers que mudam de efeitos quando o observador altera a posição em que se encontra. SIMONE POST, inspirada na cultura africana e em referências étnicas, desenvolve uma técnica de cestaria combinada com variados têxteis. O estúdio TRULY TRULY apresenta um projeto sobre luz, explorando peças flexíveis de luz e embebidas em tecidos, assim como noutros materiais. Por fim, TIJS GILDE utiliza também o têxtil nos seus projetos, investigando e explorando, sobretudo, as múltiplas possibilidades físicas em cabos e cordas.

texto por Carla Carbone 47


Antero, José Borges, Sam, Gonçalo, Klaudia e Emily @ Blast Models

modelos

fotografia por Pedro Sacadura ass. fotografia por João Paulo styling por Tiago Ferreira ass. styling por Maria Cuntín make-up por Verónica Zoio & Margarida Santos


Klaudia macaco ALEXANDRA MOURA botas H&M STUDIO luvas MICHELLE GOSZ VINTAGE & ANTIQUES

luvas MICHELLE GOSZ VINTAGE & ANTIQUES

Emily casaco e calรงas CHEAP MONDAY botas H&M Studio cachecol SUSANA BETTENCOURT


Sam sobretudo H&M STUDIO camisa FILIPE FAÍSCA Vintage

Gonçalo camisa FILIPE FAÍSCA vintage malha ERMENERGILDO ZEGNA calças LEVIS

Emily vestido ALEXANDRA MOURA ténis NIKE

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Sam casaco MALENE BIRGER calças FILIPE FAÍSCA


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José Borges jumper NEW ERA calças NIKE sobretudo e sapatos H&M Studio

Emily jardineiras CHEAP MONDAY botas H&M Studio

Antero fato GANT botins H&M Studio


José Borges chapéu FILIPE FAÍSCA arquivo calças e cinto COS

Emily

Antero

vestido e saia COS

camisa COS avental FILIPE FAÍSCA

Klaudia casaco e saia DIESEL botas e chapéu H&M STUDIO

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Sam calças LEVIS túnica FILIPE FAÍSCA


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klaudia

vestido PEPE JEANS LONDON cachecol e saia SUSANA BETTENCOURT tenis NIKE

Emily camisola CHEAP MONDAYS saia DIESEL botas H&M Studio

camisola COS calças ALEXANDRA MOURA sobretudo e chapéu H&M Studio tenis NIKE

Gonçalo


58 Sofia tshirt NIKE saia CHEAP MONDAY

Lautaro polo LACOSTE calças PEPE JEANS

Sofia Ring @ EliteLisbon Lautaro Hochman

modelos

fotografia por João Paulo styling por Maria Cuntín make-up por Joana Lobão hair por Sónia Silva


Sofia vestido GANT tshirt LEVIS tenis CONVERSE

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Lautaro camisa COS tshirt FRED PERRY jeans LEVIS

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Sofia casaco LEVIS polo LACOSTE calรงas MANGO tenis NEW BALANCE

Sofia tshirt NIKE saia CHEAP MONDAY sapatos MANGO

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Lautaro casaco CHEAP MONDAY tshirt CHEAP MONDAY jeans LEVIS tenis CONVERSE

Lautaro polo LACOSTE calรงas PEPE JEANS sapatos DR MARTENS


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Parq Here

Cobre texto por Francisco Vaz Fernandes

Pela mão dos fundadores do THE DECADENTE e do THE INSÓLITO abriu, na rua do Alecrim, um novo bar de cocktails que promete ser um complemento diferente de tudo o que Cais do Sodré oferece. Num espaço que evoca a época industrial, este novo espaço é marcado por um ar brutalista onde o betão predomina cortado pelo brilho metálico do cobre, o seu principal elemento decorativo. Contudo, no seu conjunto, trata-se de um ambiente geral elegante com mobiliário e desenho de luz sofisticados. Faz lembrar certos espaços cosmopolitas londrinos.

Cobre

Rua do Alecrim, 24 Cais do Sodré, Lisboa T.– 211 303 992 4ª – Dom. 17h – 02h 6ª – Sáb. até às 03h

Os cocktails serão, certamente, as estrelas do COBRE. São 27 propostas que vão desde os incontornáveis clássicos a outras que foram criadas especialmente para a casa. À noite haverá Djs convidados. Com um alinhamento musical eclético que faça transpirar o cosmopolitismo global no qual vivemos. O mesmo diria da carta de petiscos que se poderia dizer, multiculturalista. Nesta incluem-se propostas como o chamado thai mix (amendoins tostados, com lima kaffir, caril verde tailandês e Corn Flakes); tostas em pão de brioche com puré de ervilhas, hortelã e bacon, húmus de duas cores ou o muito em voga gua bao. Procura-se que seja tudo muito simples e que tudo seja possível usando apenas a mão. 64


Parq Here

Cerveja Artesanal Portuguesa Compete Em Lisboa texto por João Patrício

Bonaparte texto por Henrique Sequeira

Conhecido como “Bona” pelos clientes habituais, o pub BONAPARTE mantém-se como um dos poucos — senão dos únicos— pubs tipicamente irlandeses do Porto. Inicialmente situado na Foz, o BONAPARTE abriu recentemente as suas novas instalações na baixa do Porto. Situado a dois minutos da Torre dos Clérigos, tanto residentes da Invicta, como turistas, mantêm o BONAPARTE como um dos bares mais visitados da cidade. A sua decoração é fiel ao estilo de um pub britânico, assim como a oferta das mais variadas cervejas, whiskies e cocktails. Por isso, seja para beber um copo ao balcão, vislumbrar as inúmeras peças decorativas espalhadas nas paredes ou ouvir boa música num ambiente descontraído, o BONAPARTE é um sítio a visitar...vezes sem conta. Bonaparte

Praça Guilherme Gomes Fernandes, 40, Porto 2ª – Dom. 17h – 02h

A capital acolhe nos dias 20, 21 e 22 de outubro o IV Concurso

Nacional de Cervejas Caseiras e Artesanais. O evento decorre no LISBEER, CERVETECA LISBOA e DUQUE BREWPUB. As inscrições estão abertas a produtores de todo o país para as categorias Ale, Lager e Double India Pale Ale. Os vencedores poderão reproduzir a sua receita.

Street Fest

texto por Maria São Miguel

O Mercado de Fusão na Praça do Martim Moniz vai ser palco de mais uma iniciativa que pretende trazer ao coração da cidade vários conceitos de STREET FOOD: sabores para todos os gostos —desde Pão à Antiga, Pizzas Artesanais, Piadinas, Maçarocas de milho pela COAL, caipirinha e mojitos pelo El Pablito, maravilhosos Nachos pela mão da Fiesta Mexicana, doces típicos. Ao conceito junta-se uma feira de artesanato urbano, com produtos biológicos, mercearias do mundo, roupa vintage em 2ª mão, produtos artesanais e atividades de lazer faz as delícias de pequenos e graúdos.

Música também não vai faltar. Os Compotas trazem ao recinto sonoridade que mistura o Funk-Soul-Groove–Disco vão animar o recinto. Segue-se DJ Bird que já nos habituou com o seu característico “hiphopfunkinsoul” e DJ OCEANO com Kizombas para abanar e anca e abrir o apetite para o jantar!

Street Fest

Largo de Martin Moniz Dia 5 de Novembro 12h – 23h Entrada gratuita 65


Parq Here

The Sandeman Chiado texto por Francisco Vaz Fernandes

Todas as grandes marcas de vinho do Porto estão apostadas em levar o seu consumo a outras fronteiras. A SANDEMAN, que ostenta no rótulo a enigmática silhueta do homem do capote negro, parece levar a dianteira. Sendo assim, abriu recentemente um espaço bandeira no Chiado com uma carta que, para além do consumo dos seus vinhos de forma mais tradicional, propõem-nos uma variedade de cocktails . Ou seja, coloca um desafio dirigido a todos aqueles que estarão abertos a novas experiências. No nosso caso, ultrapassado o ceticismo inicial, aceitamos o que nos foi proposto, One Eight Zero Five (7,50€), cocktail que combinava com tequila. Surpreendeu-nos a mistura de sabores que nos entusiasmou a partir para uma segunda aventura, um Honey I’m Don (7€), cocktail inspirado no símbolo da SANDEMAN. Mas o desafio não termina aqui. Novas formas de consumir um Porto SANDEMAM associam-se a criativas propostas gastronómicas. Por isso, a carta elaborada pelo Chef LUÍS AMÉRICO, incita a que o consumo do vinho do Porto seja acompanhado por uma dose de petisco ou até mesmo durante uma refeição mais completa. Ao lado da indicação das tábuas de queijos e enchidos sugere-se o melhor tipo de Porto (Ruby, Tawny ou Branco) ou Cocktail para os acompanhar. Também as saladas, sanduíches e tostas de rosbife, mozzarella e salmão são assinalados com o vinho de Porto mais indicado ou o cocktail ideal para os saborear. Para quem quiser jantar podem, então, contar com propostas como é o caso do cevadoto com língua de bacalhau, feijoada de pernil ou arroz de pregado e camarão, tudo, evidentemente, acompanhado com uma dose de vinho de Porto, facto que, por si só, oferece uma experiência diferente de tudo aquilo que se pode encontrar em Lisboa.

The Sandeman Chiado

Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 27-28 (Chiado) T.– 937 850 068 Todos os dias 11h30 – 24h

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